Mostrando postagens com marcador ambientalista. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ambientalista. Mostrar todas as postagens

domingo, 30 de dezembro de 2012

Ziguezagues em campo verde - ECO92


ZIGUEZAGUES EM CAMPO VERDE - ECO92



Depois de idas e vindas, topadas e desencontros, enfim começa a tomar rumo a reunião mundial das organizações não governamentais ( ONGs), que vai se realizar junto com a conferência ambiental da ONU, no Rio.

Ao pé da letra, "organização não governamental" é toda e qualquer entidade que não faz parte de um governo. Um time de futebol é uma organização não governamental tanto quanto um sindicato de padeiros ou uma sociedade de físicos. Certo? Nem sempre.
Dessa controvérsia aparentemente bizantina resultou boa parte dos ziguezagues que retardaram  o plantio da conferência mundial dos verdes - o encontro  paralelo à Eco-92, a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o desenvolvimento, a realizar-se no Rio em junho do ano que vem. Esta, como se sabe, vai reunir representantes oficiais de uma centena e meia de países para discutir o futuro do planeta. A outra, que à sua maneira discutirá a mesma coisa, deveria reunir-quem ? A dúvida semeou a cizânia entre os ecologistas .
"Para nós, a expressão "organização não governamental" abriga, sob o mesmo guarda-chuva, os mais diferentes setores da sociedade, desde empresas transnacionais a grupos indígenas, passando, naturalmente, pelos movimentos ambientalistas", interpreta o americano Warren Lindner, diretor executivo do Centro para o Nosso Futuro Comum , uma fundação criada na Suiça para acompanhar no mundo inteiro as atividades relacionadas com o célebre relatório da ONU sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento de 1987, de cujo título ela tomou o nome emprestado. Com o olhar atento e o cachimbo que lhe dão ar de personagem de policial inglês, Lindner é um dos 25 membros do Internacional Facilitating Committee ( IFC) . Sediado em Genebra , o comitê nasceu no ano passado justamente para facilitar a participação da Eco- 92 de todos os setores interessados.
"Para nós, uma organização não governamental (ONG) é algo bem diferente", rebate a holandesa Joy Hyvarinen, diretora do Greenpeace Internacional o mastodôntico movimento ambientalista com sede em Amsterdam, escritórios em mais de 100 países e  cerca de 6 milhões de filiados. Com a autoridade de quem representa uma das mais antigas, zangadas e eficientes entidades de defesa da natureza, Joy decreta que, para ser ONG, não basta não ser governo: "E preciso que seja uma associação de base, ligada à ecologia, sem fins lucrativos, formada por voluntários". Resultado: "Ficou difícil separar a interpretação semântica da interpretação política", resume o engenheiro Rubens Born, do Centro de Estudos e Atividades de Conservação da Natureza (Ceacon), que até há pouco representou o Brasil no IFC.
  De todo modo, com a intenção de englobar aquelas organizações, formou-se o Environmental Liaison Center International (ELCI). Sediado em Nairóbi, no Quênia, esse centro internacional de enlace ambiental, como é chamado, também tem um instrumento para a Eco-92, o Steering Committe (comitê condutor). É preciso paciência e boa vontade para não se perder no matagal de siglas e nomes. Além do. IFC, do ELCI e do Steering Committee, está envolvido na preparação de, conferência paralela o Center of Non Governamental Organizations (Congo), que reúne cerca de uma centena de ONGs muito especiais-aquelas reconhecidas oficialmente pela ONU e por ela consideradas "organismo de consulta". Desse grupo de eleitos fazem parte entidades como a Federação Mundial da Juventude (que nos velho 5 tempos era o braço adolescente do movimento comunista), a União Mundial de Sindicatos Livres (que nesses mesmos tempos era o braço obreiro do movimento anticomunista), a Associação Mundial das Associações Cristãs de Moços (que dispensa apresentações, e a Federação Internacional de Organismos de Planejamento Familiar (com a qual as associações cristãs não hão de simpatizar muito).
Como o IFC, o Congo fica em Genebra. Ali trabalha Delmar Blasco, diretor executivo do International Council of Voluntary Agencies (ICVA), Conselho Internacional de Agências Voluntárias, e membro do comitê do Congo para a Eco-92. Com a tranqüilidade de quem tem a bênção do reconhecimento formal da ONTU, ele paira sobre as disputas entre o IFC e o Steering Committee. "O problema todo é que uns acham que não dá para misturar as organizações de base, sem fins lucrativos, com os setores empresariais que de certa maneira estão comprometidos com o modelo de desenvolvimento que levou a Terra à situação em que está". diz Blasco. "Algumas organizações acham que não se pode misturar água e óleo. " Ou, na versão do brasileiro Born: "Não dá para sentar à mesma mesa a UDR dos fazendeiros e as associações de índios". O pessoal do IFC, a propósito, torce o nariz diante do próprio conceito "organizações não governamentais", que a seu ver soa mais como antigovernamentais". Prefere-se ali falar em "setores independentes", para marcar a diversidade e a pluralidade desses grupos.
Para tornar ainda mais confuso o quadro. houve um problema prático com o Fórum Brasileiro das ONGs, que congrega cerca de 600 associações. Ele ainda não existia quando os organismos internacionais já se movimentavam para preparar a conferência paralela. Em pouco tempo, movidos pelo temor de perder a vez na montagem do evento, os ecologistas brasileiros se articularam, criaram o Fórum e exigiram um papel de primeira grandeza - o de 
anfitriões, com a responsabilidade por toda a logística da reunião. Só que durante o terceiro encontro do comitê preparatório da ONU, o Prepcom, em Genebra, em fins de março último, as ONGs internacionais manifestaram insatisfação com a demora dos brasileiros em tomar providências. A ansiedade e  a preocupação exprimiram-se de maneira "menos que diplomática", lembra diplomaticamente Beatrice Olivastri, diretora do IFC.
"Havia um desentendimento cultural muito grande e falta de confiança de parte a parte", registra por sua vez Eileen Nic, da International Organization of Consumer Unions ( Organização Internacional das Associações de Consumidores) e representantes da US 
Citizen Network (Rede de Cidadãos Americanos), uma das muitas entidades que reúnem ONGs dos Estados Unidos desejosas de vir para a Eco -92. "De nosso lado, não sabemos nem quantas pessoas podem ir. O Fórum brasileiro, de seu lado, não sabe quantas querem ir e quais são as suas expectativas", desabafava Eileen tempos atrás. "Se as pessoas não souberem como ficarão hospedadas, não irão. Eu mesma não vou se tiver de dormir em barraca. Prefiro ficar em casa e acompanhar tudo pela televisão."
Seria ingênuo, em todo caso, esperar que as ONGs preparassem sua reunião com a mesma naturalidade de uma ONU, que tem dinheiro, uma legião de funcionários, o apoio dos Estadosmembros e um conjunto de procedimentos já testados. "As ONGs não têm nem um chefe nem uma direção". constata Barbara Adams, diretora do escritório de Nova York do Serviço de Ligação Não Governamental das Nações Unidas. "Mas a sua força reside justamente na sua diversidade e riqueza de idéias "
No final de maio, depois de quatro dias de reuniões que começavam às 9 da manhã e entravam madrugada adentro, no Hotel Internacional-Rio- em cujos apartamentos existe uma cesta de lixo especial para papéis a serem reciclados-, a grande família verde resolveu parar de brigar, arregaçar as mangas e trabalhar para valer, unida. Para tanto, com gente do IFC, do Steering, do Congo e do Fórum, criou-se um grupo que se ocupa da produção do congresso, definindo os locais das conferências e fazendo reservas em hotéis. Esse comitê conjunto tem dois escritórios, um em Genebra, outro no Rio. Ali pousarão as respostas aos 12 000 questionários que o Fórum fez chegar às ONGs de todo o mundo para saber de cada uma delas, entre outras coisas, quantos integrantes estarão no encontro paralelo.
"Finalmente podemos trabalhar bem", suspira Warren Lindner, o americano fumador de cachimbo do Nosso Futuro Comum, um veterano de viagens ao Brasil que se sentia seguro de si o bastante para sair desatento do seu hotel carioca num aprazível fim de tarde de maio e acabar cercado por um grupo de trombadinhas armados de navalhas. "Reagi e voltei correndo. Foi um susto e tanto." Os assaltos a turistas no Rio, tão corriqueiros que nem mais merecem destaque no noticiário policial. preocupam de maneira peculiar o embaixador Marcos Azambuja, secretário geral do Itamaraty. Falante, muito engraçado, ele é conhecido-e temido-por sua língua afiada e ironia ferina. E tanto a violência o preocupa que, há algum tempo, ao saber da inquietação dos colegas estrangeiros com a possibilidade de serem roubados durante a conferência, disparou: Minha tarefa é devolver esse pessoal com vida aos seus países. Aos diabos as suas carteiras".
Telão no Aterro mostrará as imagens do Riocentro
O espectro da insegurança ainda não parece tirar o sono dos organizadores do encontro paralelo, voltados em primeiro lugar para a tarefa de preparar os ambientes onde se realizarão os eventos. A hipótese de fazer a reunião no Autódromo de Jacarepaguá, como inicialmente se previa, foi abandonada tão logo os representantes das ONGs defrontaram com um orçamento de 1,5 milhão de dólares-o custo de adaptação do autódromo à reunião ecológica. Já que o governo brasileiro não assumiu a despesa, concluímos que seria melhor usar nossos recursos para patrocinar a vinda de ONGs do Terceiro Mundo do que desperdiçá-los com a arrumação de instalações que seriam desativadas tão logo terminasse a conferência"explica a americana Barbara Bramble, diretora de programas internacionais do World Wildlife Fund, uma das dez mais do ranking mundial das entidades ambientalistas .
Em vez de Jacarepaguá, os não governamentais vão se instalar no Aterro do Flamengo, o próprio cartão-postal do Rio, com vista para o Pão de Açúcar e o Corcovado. Um telão permitirá acompanhar ao vivo a conferência oficial, no Riocentro. Perto do Aterro, numerosos auditórios e instalações podem servir para reuniões de grupos específicos e outros eventos. É o caso do Museu de Arte Moderna e da sede da Petrobrás. A conferência das ONGs diretamente vinculadas às questões ambientais se realizará no centro de convenções do Hotel Glória, em frente ao Aterro. Deve reunir algo como 4000 pessoas-uma estimativa mais modesta que as inflacionadas previsões iniciais. " É preciso não esquecer que nossa reunião será estritamente de trabalho", observa Helga Moss, coordenadora das ONGs noruguesas. Estas integram a Aliança dos Povos do Norte para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, uma poderosa rede de associações que se espalha por toda a Europa, incluindo a União Soviética, pelos Estados Unidos e pelo Canadá.
Talvez esteja aí a principal diferença de atitude entre as ONGs ambientalistas e as entidades da chamada sociedade civil constituídas a partir de outros interesses-movimentos de jovens, mulheres, pesquisadores, indígenas, industriais, religiosos e incontáveis etc. "As ONGs têm um papel fundamental na execução das resoluções a serem adotadas na Eco-92", ressalta Jean Claude Fabby, diretor do escritório de Nova York da conferência (Unced). "Essa implementação vai além dos governos." Concorda Eduardo Gutierrez, coordenador da Unced no Brasil: "Será um desafio para as ONGs transformar palavras em papéis e papéis em ações concretas, tanto por parte dos governos quanto dos cidadãos".
É tudo que elas querem. Desde o encontro inaugural de preparação da conferência, em Nairóbi, há um ano, as ONGs marcam sob Pressão as reuniões oficiais para aumentar sua influência no processo de decisão. Graças a isso conseguiram que a ONU aprovasse a participação de ONGs de respeitável currículo na montagem da Eco-92, embora só com direito a voz, não a voto. Assim, 198 organizações foram credenciadas para acompanhar os encontros oficiais, como a mais recente sessão do comitê preparatório da ONU, que acaba de se reunir em Genebra. Em meados do ano, previa-se que o PrepCom definiria a natureza da atuação das ONGs na conferência oficial. "Queremos, no mínimo, o direito de falar na Eco 92, concedido aos empresários", declarava Carole Saint Laurent. coordenadora do WWF Intemational, outro peso pesado do ambientalismo, com sede em Gland, na Suíça.
Além de azucrinar os delegados governamentais na ONU, as ONGs têm assessorado as autoridades de seus países na elaboração dos relatórios nacionais, os documentos em que cada qual confessará a quantas anda em matéria de ecologia & economia. No Brasil, foi mais fácil falar do que fazer. No encontro de fins de maio, no Rio, o diplomata Carlos Garcia, chefe do grupo de trabalho do governo federal encarregado de preparar a Eco92, reclamou: "Há dois meses, o governo pediu ao Fórum que apresentasse um nome para o grupo do relatório nacional e até agora ninguém foi indicado". Ninguém contestou o puxão de orelha.
Pelo mundo afora, as ONGs estão tratando de estimular debates sobre temas ecológicos. Até junho de 1992, vão pipocar em todo o planeta centenas de eventos dos mais variados formatos, relacionados à pauta da Eco-92-uma agenda comparável aos inumeráveis serões musicais pelos 200 anos da morte de Mozart. Ao mesmo tempo, organizam-se redes para facilitar a troca de informações e a discussão de estratégias. Conferências telefônicas e comunicação via computador estão bastante difundidas. Toda essa coreografia vai filtrar, além de idéias, planos de viagem.. Supõe-se que venham ao Rio cerca de 10 000 pessoas. Só a Citizens Alliance for Saving the Atmosphere and the Earth (Casa), uma rede de ONGs japonesas, por exemplo, vai lotar um navio com 1200 militantes para a conferência paralela.
O ponto culminante de todo esse aquecimento se dará em Paris, entre os dias 17 e 20 de dezembro, no salão de convenções de La Villette futurístico museu das ciências a da indústria, quase na periferia da capital. Ali, com parte das despesas pagas graças ao cheque de 4,5 milhões de dólares a ser assinado pelo presidente François Mitterrand, representantes de 850 ONGs do mundo inteiro pretendem acertar os ponteiros não só para a Eco92 mas para o que vier depois. Poderá ocorrer uma amazônica queda-de-braço entre os verdes do Primeiro Mundo e os do Terceiro. "As ONGs do Sul devem atacar antes que os países desenvolvidos acusem os pobres de serem os principais causadores da destruição ambiental", atiça Henri de Riboul, chefe do ramo francês do Environment and Development of the Third World (Enda), uma ONG de origem africana que ficou de cuidar da logística da conferência do La Villette.
A grande tarefa programada para esse encontro é a elaboração das propostas a serem formalmente levadas à Eco-92, acompanhando a pauta da reunião da ONU, mas baseadas no que os verdes designam, com poluente pedantismo, como eixos transversais de reflexão. O resultado se chamará Brazil Document. Segundo Roberto Smeraldi, do ramo italiano da ONG Friends of Earth International e co-presidente do Steering Committee, o documento deverá ser distribuído a todos os governos até o fim de janeiro, ainda a tempo-esperam os ecologistas-de influir nas decisões da conferência oficial. Nada mais justo. Afinal, muito antes que os governos começassem a se inquietar com a degradação ambiental, as organizações independentes já denunciavam as agressões à natureza cansadas pelas políticas de desenvolvimento a qualquer preço. "A própria conferência é substancialmente a conferência delas", reconhece o embaixador Marcos Azambuja.
Os mais otimistas acreditam que as ONGs poderão ter um "peso político fantástico", como diz o inglês radicado no Brasil Anthony Gross. do Centro Ecumênico de Documentação e informação(Cedi), de São Paulo. "A conferência da sociedade civil fornecerá aos meios de comunicação uma avaliação constante do andamento da Eco-92, o que poderá se refletir nos próprios rumos do evento". Seja como for, o mundo não acaba em junho do ano que vem. "Nosso trabalho irá muito além da conferência", promete a portuguesa Maria Santos, que integra a bancada verde no Parlamento Europeu, em Estrasburgo. "Ela é apenas mais um passo na caminhada para tentar salvar a Terra."

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Apocalipse Já - Ambiente


APOCALIPSE JÁ - Ambiente



Edward Goldsmith, um dos papas do movimento ecológico, diz que a civilização moderna não presta e que a humanidade está à beira do desaparecimento. O remédio, segundo ele, é uma conversão "quase religiosa" a uma outra visão de mundo

Edward Goldsmith tinha tudo para ser o que não é - um próspero capitalista e um defensor da civilização industrial. Mas ele talvez não chegasse a ser o que é fossem outras as suas origens. Nascido em Paris há 63 anos em berço de ouro - filho de pai inglês, rico deputado pelo Partido Conservador, e de mãe francesa, de boa família rural -, pôde estudar em vários países e formar-se em Ciências Políticas, Filosofia e Economia pela prestigiosa Universidade de Oxford. Teddy, como o chamam os amigos, poderia ter sido igual a seu irmão Jimmy, ou melhor, Sir James Goldsmith, que construiu uma das maiores fortunas da Europa e foi proprietário da revista semanal francesa L´Express.A herança que Edward recebeu aos 38 anos permitiu-lhe viver tranqüilamente desde então. Ele viajou o mundo todo, cultivando seus dois grandes interesses: peregrinar pelas melhores bibliotecas e estudar as chamadas sociedades tradicionais, virtualmente intocadas pelo padrão ocidental. Acabou por apaixonar-se pelos ideais pregados pelo líder indiano Mohandas Gandhi (1869-1948), cujo pensamento inspirou em 1972 o mais célebre dos doze livros que viria a escrever Blueprint for survival (Projeto para a sobrevivência). Traduzido em dezesseis idiomas, vendeu 1 milhão de exemplares e se tornou uma das bíblias do movimento ambientalista.Edward Goldsmith é muito mais que um guru verde, daqueles que comandam justos protestos contra as queimadas na Amazônia ou a matança das baleias. É um perfeito exemplar de uma espécie que, para o bem ou para o mal, está em expansão - a dos ecologistas radicais, a vertente xiita dos defensores do ambiente que enxerga no progresso técnico-científico e na sociedade industrial nada além do Grande Satã que arrasta para a morte, senão a natureza inteira, com certeza a humanidade. Os ecofundamentalistas rejeitam a idéia de que o sistema pode ser transformado de forma a conciliar criação de riquezas. Bem-estar material e preservação do planeta. Para eles, o homem está com os dias contados se não deitar abaixo o estilo de vida das sociedades urbanas, se não banir da face da Terra a própria noção de desenvolvimento econômico e se não retomar as tradições postas à margem pela Revolução Industrial.O próprio Goldsmith já se declarou "arquipassadista". Ele é um intelectual lido, viajado, articulado e experiente. É difícil contestá-lo quando aponta o dedo contra o que há de irracional e perverso na civilização contemporânea. Não obstante, ao extremar a argumentação, resseca o raciocínio. O mundo que condena é simplificado sem matizes. Para ele por exemplo, a ciência é uma superstição que não melhorou a vida humana. Eis, no mínimo, um ato de desrespeito aos fatos. Sua construção ideológica se sustenta em bases duvidosas ("o desenvolvimento econômico cria a pobreza"), desdobra-se em generalidades ("todos os países estão mais pobres do que eram anos atrás") e culmina em certezas insuscetíveis de verificação imediata ("restam-nos apenas alguns decênios"). Editor de uma contundente revista bimestral The Ecologist, e vice-presidente da Ecoropa, um dos maiores e aguerridos movimentos ambientalistas da Europa, ele certamente dará o que falar no Brasil em junho do próximo ano, ao participar dos eventos paralelos à Eco-92, a conferência mundial sobre ambiente e desenvolvimento, promovida pela ONU no Rio de Janeiro.Casado (pela segunda vez), pai de cinco filhos, viveu os últimos anos numa fazenda na Cornualha, na ponta sudoeste da Inglaterra, onde proibiu a entrada de carros, tratores, adubos químicos e instalações de aquecimento. Agora morando no subúrbio londrino de Richmond, 20 quilômetros a sudoeste da capital, numa casa simples (mas com algumas benesses da tecnologia que ele tanto abomina, como telefone, fax e máquina de escrever elétrica), não vê a hora de voltar ao campo. De vivos olhos azuis e cabelos grisalhos, é um homem "carismático, veemente, arrebatado e também gentil e simpático", segundo a repórter Gisela Heymann,  a quem concedeu a entrevista que segue.
Há catorze anos, o senhor profetizou uma reação geral contra a civilização industrial. Onde o senhor errou?
Sem dúvida fui um pouco otimista. A tomada de consciência em relação aos problemas ecológicos causados pelo desenvolvimento econômico se manifestou mais tarde, há apenas dois anos. Infelizmente, a atitude dos políticos e industriais não mudou. As pessoas têm de tomar a dianteira em relação aos governos. Estes só oferecem respostas econômicas aos problemas. Se existem mais doentes, constroem-se hospitais. Se existem mais desempregados, constroem-se mais indústrias. Não se atacam as causas dos problemas.
Mas já se tomaram decisões importantes contra a poluição. Nos Estados Unidos, não se usa mais nos sprays o gás clorofluorcarbono (CFC), que ataca a camada de ozônio. O Brasil pretende implantar até 1996 um plano para diminuir as emissões de poluentes dos veículos a motor. Isso não conta?
O CFC continua a ser usado em aparelhos de refrigeração e para a limpeza de circuitos eletrônicos. Os cortes, portanto, não foram suficientes. Os grandes problemas ambientais continuam como antes, ou pior. Nada se fez para diminuir o aquecimento do planeta ou para combater eficazmente a destruição da camada de ozônio. Nada se fez para diminuir o ritmo de destruição das florestas - salvo, ao que parece, no Brasil, onde o governo cortou as subvenções à destruição. Mas, na Malásia, por exemplo, a reação às pressões dos grupos ecologistas consistiu em cortar as árvores também à noite, para ganhar o máximo de dinheiro enquanto é tempo. E a última grande floresta africana, no Zaire, está em chamas.
O senhor escreveu no livro 5000 dias para salvar o planeta que a humanidade poderá estar extinta em trinta ou quarenta anos. Não e pessimismo demais?
Não. Estamos transformando a Terra num planeta inabitável. Aliás, já estamos condenados a conviver com um aumento da temperatura global entre 1,5 e 4 graus C previsto para o ano 2030, caso continue tudo como está, devido à duplicação do gás carbônico na atmosfera. É uma reação em cadeia. O mar, por exemplo, vai esquentar. O plâncton? que gosta de água fria, vai morrer. Isso diminuirá a capacidade dos oceanos de absorver o gás carbônico. Logo, a situação vai piorar. Não nos damos conta do que significam 3 graus a mais. Há 130 000 anos, o Sul da Inglaterra, ande fica Londres, era 3 graus mais quente. Havia ali pântanos, hipopótamos e crocodilos. Era um equilíbrio completamente diferente.
A espécie humana não se adaptaria a um clima 3 graus mais quente?
O pior nem é o aumento da temperatura. É a instabilidade do clima? sua imprevisibilidade. Já podemos constatar isso hoje. A agricultura se baseia na regularidade dos ciclos, que permite ao homem saber quando plantar e quando colher. O homem teria ainda de conviver com a destruição da camada de ozônio, o que significa não só mais casos de câncer de pele, como também o enfraquecimento do nosso sistema imunológico, o que por sua vez significa muito mais doenças. Acrescente-se o aumento drástico dos dejetos químicos que envenenam a terra e o lençol freático. Por isso? podemos dizer que nos restam apenas alguns decênios. Podem ser trinta, quarenta, cinqüenta anos. Mas não será um século. A espécie humana estará extinta nas próximas décadas, se continuarmos a destruir o planeta na mesma velocidade de hoje.
Novas tecnologias não poderão evitar essas catástrofes?
As pessoas pensam que o desenvolvimento econômico vai resolver os nossos problemas, mas não é nada disso. O desenvolvimento econômico cria a pobreza. Ele requer um enorme aporte de energia. Para isso, construímos enormes barragens que destroem o meio ambiente, a terra arável, as florestas. Construímos centrais nucleares, que são ainda piores, por causa da emissão diária de gases radioativos, o que faz aumentar consideravelmente os casos de leucemia em crianças nas regiões vizinhas. Sem falar nos acidentes, como o de Chernobyl. Todos os mecanismos quebram. Os mais complicados são mais vulneráveis. Temos é de mudar nossa forma de pensar e parar de adaptar o mundo às nossas necessidades.
Como convencer as pessoas de que o mundo moderno não presta? As populações mais pobres deixarão de sonhar com o nível de vida dos americanos e europeus de hoje?
Acontece que é impossível o Terceiro Mundo viver como os Estados Unidos ou a Europa. O mundo não poderia suportar a poluição que isso causaria. É tão absurdo como dizer que a população da Terra vai ser transferida para Vênus. Além disso, já podemos observar claramente o desabamento do mundo industrial. Nova York é uma cidade em plena falência. E os Estados Unidos são o país que consome cerca da metade da energia produzida em todo o globo. Daqui a quarenta anos, os americanos terão destruído toda a sua terra arável. As pessoas querem imitar os Estados Unidos porque não sabem o que se passa ali e são bombardeadas pela publicidade do sonho americano. É importante dizer que todos os países estão mais pobres do que eram anos atrás. Os americanos estão mais pobres hoje do que em 1972. E a população mundial não vai viver como os personagens de Dallas, mas em favelas.
O que se deveria fazer, então?
Temos de mudar totalmente nossa forma de encarar o mundo. É preciso criar uma sociedade na qual as atividades econômicas existam em pequena escala - o modelo da família ou das comunidades é o ideal. Devemos reduzir drasticamente o consumo de energia e acabar com a construção de barragens. Precisamos descentralizar as cidades, para que as pessoas possam trabalhar perto de onde moram, o que diminuiria muito a necessidade do carro particular. Não precisamos produzir bens de consumo descartáveis, que duram pouco e dilapidam os recursos naturais. Devemos voltar à agricultura sem adubos químicos, pois os biológicos são também eficazes a longo prazo.
Tudo isso significa abrir mão das conquistas da sociedade moderna, como o carro, o aquecimento central, as fraldas descartáveis, os tratores...
Sim. Sei que é muito difícil. Nossa economia é dominada pelas multinacionais. Por sua própria natureza, elas não vão jamais submeter suas atividades a fatores ecológicos, sociais e mesmo morais. Cada campanha de que participo, há trinta anos, é uma campanha contra as multinacionais. As multinacionais dominam os governos.
Se essa transformação é tão difícil assim, por que não fixar metas que não obriguem a rejeitar a tecnologia?
Porque não temos mais tempo. Ficar discutindo a redução em 10% das emissões de gás carbônico até o fim do século não adianta. Temos de diminuí-las em 60% - hoje. Estamos rodando a 100 quilômetros por hora na direção de um precipício. Diminuir a velocidade para 80 ou 50 quilômetros não significa nada. Temos é que mudar de direção.
Mas, concretamente, como se faria essa guinada?
Repito: não existe saída fácil. Tudo começa por uma conversão, quase religiosa, ao pensamento ecológico, a uma visão de mundo totalmente diferente. Para nós, a riqueza vem do funcionamento da biosfera, ou seja, do clima favorável, da terra fértil, da água fresca e abundante - condições essenciais para a vida humana neste planeta. Já a riqueza dos economistas é a riqueza manufaturada: o carro, o avião. o foguete. Temos de criar um tipo de vida que dispense essas coisas. Podemos viver sem carro, mas não sem água.
Nem a ciência pode impedir o pior?
Salvo exceções, os cientistas não comprendem o que se passa no mundo. Eles não têm nenhuma idéia do que está acontecendo.
Mas não é a ciência que nos explica como funcionam o mundo, a vida?
A ciência é uma superstição. Precisamos desacreditar a idéia de que ela é onipotente. Ela permite mudar as coisas, mas não compreendê-las. Seus modelos matemáticos são muito rudimentares. Eles não dão conta dos fenômenos sociais, cujos fatores mais importantes não são quantificáveis. Quer um exemplo? É conhecido o princípio de que o crescimento econômico é indispensável para alimentar o mundo. Na verdade, é o contrário. Na Tanzânia, depois que a economia começou a afundar, as pessoas começaram a comer pela primeira vez depois de muito tempo. Por falta de meios, as estradas não puderam ser consertadas, o que impediu a exportação de alimentos. A população foi forçada a comê-los. Em suma, não nego que a ciência pode mudar as coisas: ela pode até levar o homem à Lua. Mas de que serve essa viagem? Para nada.
Os antibióticos também não servem para nada?
A saúde não tem a ver necessariamente com os remédios. Apesar de todo o avanço da Medicina científica, a incidência de doenças (salvo a da varíola) aumenta no mundo inteiro. Aumentam a tuberculose, as moléstias venéreas, a malária, a dengue. Isso sem falar dos males da civilização, como o câncer, as doenças cardíacas, o diabete, os problemas dentários, a úlcera, a apendicite. Essas doenças quase não existiam nas civilizações primitivas. Sua incidência cresce com a industrialização.
O senhor é religioso?
Sou adepto das religiões tribais, que cultuam seus ancestrais e a natureza. O homem normal é físico e emocional. As religiões modernas baniram essas características. Os países do Norte destroem mais que os do Sul, em parte porque suas populações não são mais humanas. São robôs.


sexta-feira, 18 de junho de 2010

Pesquisador inventa tijolo feito de casca de coco e de castanha

11/06/09 - 08h05 - Atualizado em 11/06/09 - 08h05

Pesquisador inventa tijolo feito de casca de coco e de castanha
Material é mais resistente do que o tijolo comum.
Blocos não precisam ser cozidos, evitando o uso de lenha.

Um novo tijolo inventado pelo Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) não utiliza barro em sua composição. No lugar da argila, são usados restos de casca de coco, de castanha-do-pará e de tucumã, que costumam ser descartados no processamento dessas frutas.

Segundo o pesquisador Jadir Rocha, da área de recursos florestais do Inpa, o novo tijolo é mais resistente que o original, com a vantagem de oferecer mais proteção contra o calor amazônico. “Como as matérias-primas são de vegetais, proporcionam um ambiente muito agradável, faça chuva ou faça sol”, afirma.

Características do tijolo vegetal Matéria-prima Cascas de coco, “ouriços” de castanha-do-pará, caroços de tucumã e resina.
Durabilidade É resistente a cupim, a chuva e é mais duro do que o tijolo comum.
Aplicação Em edifícios baixos, pois é compacto e tem peso parecido com o tijolo comum.
Vantagens materiais Proporciona mais proteção contra o calor amazônico e não utiliza cimento.
Vantagens ecológicas Recicla restos de frutas que iriam para o lixo e não precisa ser cozido, evitando o consumo de lenha. Além disso, evita a mineração de argila, que é prejudicial ao meio ambiente.
Desvantagens Empresas terão que negociar autorização do Inpa para produzir o novo tijolo. Além disso, a resina utilizada para dar liga aos pedaços vegetais é derivada de petróleo.

Custo Semelhante ao tijolo de barro.

Para conseguir agrupar as cascas duras das frutas e formar um bloco compacto, os restos são triturados, misturados com uma resina e prensados. Além de reciclar esses materiais, o tijolo vegetal tem a vantagem ecológica de não precisar ser cozido, evitando que árvores sejam cortadas para alimentar fornos.





Casca que envolve as castanhas-do-pará, conhecida como ouriço, é um dos principais componentes do tijolo vegetal. Como a invenção ainda não foi patenteada, o Inpe não pode divulgar fotos do novo tijolo. (Foto: Inpa/Divulgação)
Outra vantagem enumerada por Rocha é que o novo tijolo dispensa cimento, pois tem um encaixe que une as peças. Água e cupim, graças à resina utilizada para colagem, também não serão problema. “Utilizamos resina fenólica, uma cola irreversível. Ela é derivada de petróleo. O ideal seria que tivéssemos resinas naturais, mas infelizmente as pesquisas ainda estão começando”, diz o pesquisador do Inpa.

Madeira artificial
Uma outra novidade apresentada pelo laboratório de Rocha é uma chapa resistente fabricada com folhas. Ela serve para fazer móveis e divisórias, substituindo as chapas de aglomerado, feitas de serragem.




Chapa feita de folhas pode substituir o aglomerado, feito de serragem e usado na fabricação de móveis e divisórias. (Foto: Inpa/Divulgação)
“As folhas passam por um processo de trituração e depois são secas e juntadas com resina. Para dar mais sustentação, colocamos mantas de fibras de vidro. Futuramente, vamos substituí-las por um vegetal, mas isso ainda é segredo industrial."

As chapas de folhas e os tijolos vegetais ainda não são produzidos comercialmente, e estão sendo patenteados pelo Inpa. Para que indústrias possam fabricar os produtos, o instituto conta com um setor especializado em vender tecnologias desenvolvidas lá.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Blog satiriza campanha do xixi no banho

15/05/09 - 17h08 - Atualizado em 15/05/09 - 17h08

Blog satiriza campanha do xixi no banho
Página na internet afirma que cocô no banho economiza papel.
Quantidade de papel poupado em um ano equivale a uma árvore, diz blog.

“Cocô no banho” é o nome de um blog criado nesta semana para satirizar uma campanha da ONG ambientalista SOS Mata Atlântica, que defendo o xixi durante o banho para economizar água. O blog alternativo propõe que as pessoas economizem papel higiênico.




Blog defende cocô no banho para economizar papel higiênico e, consequentemente, poupar árvores. (Foto: Reprodução )
“Em média, os brasileiros usam 2,4 metros de papel higiênico cada vez que fazem cocô no vaso. A quantidade de papel higiênico que você poupa durante um ano é equivalente a uma árvore”, diz a página, sem divulgar quem é o autor ou as fontes de informação. “Por isso, faça cocô no banho e poupe uma árvore.”

domingo, 10 de janeiro de 2010

ONG ambientalista realiza campanha para pessoas fazerem xixi no banho

08/05/09 - 07h00 - Atualizado em 08/05/09 - 07h00

ONG ambientalista realiza campanha para pessoas fazerem xixi no banho
Ideia é economizar 12 litros de água, uma descarga diária.
Campanha é chamariz para discutir problemas de desperdício.




Foto: Divulgação 'Garoto-propaganda' da campanha pelo xixi no banho (Foto: Divulgação)Uma ONG ambientalista brasileira está lançando uma campanha no mínimo inusitada. Para reduzir o desperdício de água, eles encorajam as pessoas a fazerem xixi durante o banho.

Pelas contas da SOS Mata Atlântica, dá para economizar em média 12 litros de água diários (o equivalente a uma descarga) ao adotar essa prática.

Claro, se levarmos em conta que o banho demore um minuto a mais, com um tempo extra para o xixi, e o chuveiro ficar ligado nesse período, lá se vão cerca de 9 litros de água a mais pelo ralo. Resultado final: economia de 3 litros.

Isso, entretanto, nem é tão importante. "O que a gente quer é provocar, é mexer com a consciência das pessoas", afirma Malu Ribeiro, coordenadora da rede das águas da SOS Mata Atlântica.

A campanha tem um site, www.xixinobanho.org.br, em que podem ser encontrados muitos dados a respeito do desperdício de água. E, segundo Ribeiro, a resposta das pessoas tem se dado principalmente via internet, levando em conta o lado humorístico da campanha. "Essa reação inicial das pessoas, 'mas isso não é nojento?', está sendo muito bacana", diz.

O lado publicitário da campanha foi planejado pela agência F/Nazca e tem como
"garoto-propaganda" um sapo. "Usamos o sapo porque ele é um bicho que só consegue viver onde tem água limpa. Se a água está contaminada, ele morre", afirma Ribeiro.

A escolha mostra também a preocupação da ONG em não causar um problema de saúde pública. "A gente fez todas as perguntas possíveis aos especialistas, para ter a certeza de que não estaríamos expondo as pessoas a nenhum risco."

Questões de saúde
Claro, em circunstâncias ideias, o melhor seria não ter de fazer xixi no banho para
economizar água. O biomédico Roberto Figueiredo, mais conhecido como Dr. Bactéria, prefere separar as duas coisas.

"No meu entendimento, cada local tem a sua função. O chuveiro é um local para tomar banho, e a privada é um local que possui a sua função específica", diz Figueiredo. "Não devemos misturar as coisas, pois o ato de urinar no piso do chuveiro pode acarretar, tendo em vista a possibilidade de um não-enxague adequado, em um crescimento de microrganismos, alguns que poderiam levar a possíveis aparecimentos de doenças de pele -- principalmente porque, no momento do banho, a pele pode estar mais fragilizada."

A temperatura do banho também influencia nisso. Com água mais quente, como a maioria das pessoas costuma tomar seu banho, a pele fica mais exposta.

"Como eu disse, queremos chamar a atenção para o problema, que ocorre porque usamos água tratada para dar descarga", diz Ribeiro. "Claro que o ideal seria que houvesse um sistema nas casas em que a água usada no banho fosse redirecionada para dar a descarga. Mas como convencer as pessoas a fazerem uma reforma em sua casa e quebrarem os encanamentos para fazer algo assim? Estamos usando essa ideia bem-humorada para mostrar a situação."

De todo modo, apesar dos problemas apontados por Figueiredo, os riscos são mínimos. E, para levá-lo a zero, a SOS Mata Atlântica faz recomendações adicionais. "É importante que o xixi aconteça no começo do banho, pois aí toda a água do banho fará o enxague adequado do piso e impedirá qualquer problema", afirma Ribeiro.

"Outra coisa importante é que não estamos recomendando isso para banheiros públicos. Estamos falando das pessoas fazerem isso em sua própria casa, no seu próprio banheiro. É impossível uma pessoa ser contaminada pela sua própria urina", destaca a ambientalista.

A campanha deve culminar com um evento, entre os dias 22 e 24 de maio, na marquise do Parque do Ibirapuera, em São Paulo, sobre esse e outros temas relacionados à proteção ambiental.