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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Boas novas para o Coração - Biologia

BOAS NOVAS PARA O CORAÇÃO - Biologia



drogas, exames mais precisos e tratamentos mais eficazes - tudo para o nobre músculo do corpo humano viver melhor

Eis um drama capaz de destruir corações: o famigerado colesterol, isto é, a gordura de baixa densidade, se deposita na parede de uma artéria coronária e, numa reação de estranheza, o sangue que passa por ali coagula, tal qual acontece em cortes e feridas. Mas como, nesse caso, não se trata de uma coisa nem de outra, deve entrar em ação uma proteína, o plasminogênio, encarregada de dissolver esse coágulo formado em hora e local impróprios. Só que às vezes, por azar, no lugar desse solvente sangüíneo, gruda-se no coágulo outra substância de nome complicado, a apolipoproteína (a), ou LP (a). Por ter uma molécula muito parecida com a do plasminogênio, a LP (a) é convocada por engano para fazer um serviço para o qual ela não tem a menor competência - derreter o obstáculo à circulação. O capacitado plasminogênio, por sua vez, quando chega na região, encontra seu posto ocupado pela proteína semelhante e não pode fazer nada. O final da história é conhecido: ao impedir a passagem do sangue, o coágulo interrompe o fornecimento de oxigênio para as células do coração, que, então, morrem. É o infarto. 

Essa troca infeliz, flagrada no final dos anos 80 por pesquisadores americanos, tem causado o maior rebuliço nos meios científicos, pois mostra que o colesterol-até então o principal réu nas acusações dos cardiologistas - divide a cena com outra vilã, a LP (a), que não pode ser contida por medidas simples, como dietas, pois sua dosagem no organismo é estritamente determinada pelos genes. Essa descoberta disparou uma corrida em laboratórios do mundo inteiro, à procura de uma solução para o novo problema. O coração, como se vê, continua sofrendo - e muito.A Organização Mundial da Saúde considera os problemas cardíacos como a epidemia do século. Não é à toa. Eles são a maior causa de mortalidade do planeta. Só nos Estados Unidos, todo ano, cerca de 5 milhões de pessoas recebem o diagnóstico de doente cardíaco e, dessas, 500.000 acabam morrendo. Entre os paulistanos, de acordo com um estudo da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, 26 de cada 100 mortes são provocadas pelo coração. "Fizemos o acompanhamento somente até 1981, devido à demora de sistematização dos dados", adverte uma das autoras das estatísticas, a médica epidemiologista Cecília Amaro de Lolio. "Mas os resultados podem ser projetados para os dias atuais."Essa taxa de mortalidade impressionante tende a despencar. Pois, nos últimos cinco anos, a Cardiologia avançou no sentido de fazer o mais nobre músculo do corpo humano trabalhar mais e melhor.Biólogos, farmacêuticos, médicos e cirurgiões-todos têm novidades, algumas ainda em teste, que vão desde a compreensão dos mecanismos das doenças cardíacas até diagnósticos mais precisos e tratamentos mais eficientes. As pesquisas sobre a LP (a), por exemplo, contribuem para a prevenção do infarto, o mais comum dos males que afligem o coração. Quando se desconfiou de que essa proteína, descoberta ainda na década de 60 pelo cientista sueco Kaare Berg, tinha parte da culpa pelo aparecimento dos perigosos trombos ou obstruções nas artérias, o Laboratório de Pesquisas do Instituto do Coração (Incor), em São Paulo, foi um dos primeiros a investigar a suspeita: Há um ano, comparamos o colesterol e a LP (a) no sangue de 350 pacientes. Além disso, realizamos exames de cinecoronariografia, que mostram a situação das artérias", conta o endocrinologista Raul Maranhão, coordenador do estudo, professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP.Desde que retornou, em 1985, do Instituto de Biofísica de Boston, nos Estados Unidos, onde passou dois anos, Maranhão se dedica a apontar a relação entre as diversas formas de gordura ou lipídios-e a aterosclerose, o espessamento das artérias, preliminar de muitos problemas cardíacos. E, na sua opinião, em breve a dosagem da LP (a) será tão corriqueira quanto a do colesterol, nos pedidos de exames feitos pelos cardiologistas. "Na pesquisa, pessoas normais tinham 26,3 miligramas de LA (a) por decilitro de sangue, enquanto pacientes com trombos tinham 40,3. O colesterol, nesses casos, não fez diferença" o endocrinologista. 

No futuro porém, os exames para acusar esse e outros fatores de risco deverão se tornar mais precisos. Para isso, Maranhão e sua equipe tentam criar moléculas artificiais de lipídios, marcadas quimicamente, de modo que, graças a equipamentos especiais, possam ser perseguidas no organismo pelos olhares dos médicos. Isso porque se sabe que é muito relativa, por exemplo, a taxa sangüínea de colesterol obtida em certo instante. "O que interessa é quanto tempo aquele colesterol ficará na circulação", explica Maranhão. Todas as células têm receptores, que servem de entrada para o colesterol e para outros tipos de gordura. "Existem pessoas cujas células possuem receptores em menor quantidade ou defeituosos", conta o pesquisador. Resultado: a gordura, sem vazão para as células, vai se acumulando no sangue-e, muito provável, nas paredes das artérias.Técnicos do Centro de Pesquisas de Winchester, na Inglaterra, e a IBM acabam de realizar um programa, com recursos da computação gráfica, para localizar eventuais depósitos gordurosos e mostrar até que ponto eles atrapalham a passagem do sangue no coração. Tira-se uma série de radiografias da região, em ângulos diferentes, usando uma substância de contraste para delinear os vasos Com essas imagens, o computador cria uma animação, isto é, fabrica um modelo de como esses vasos se comportam durante os batimentos. Calcula-se que apenas daqui a dez anos o exame fará parte da rotina hospitalar. Hoje em dia, a situação dos vasos coronários é checada por pequenos tubos ou cateteres que filmam o seu interior.Os primeiros angioscópios, como se chama esses aparelhos, só conseguiam entrar nos vasos maiores do coração. No ano passado, contudo, cientistas franceses do Laboratório Baxter desenvolveram um cateter extremamente luminoso, cuja espessura- apenas 1 milímetro-permite um trânsito livre pela maioria dos vasos do músculo cardíaco. O novo angioscópio começa a ser usado até mesmo para orientar o gesto de cirurgiões. Mas os técnicos franceses não se contentam e pretendem acoplar pinças microscópicas ao cateter, para que ele também possa retirar os trombos. Na verdade, há cerca de dez anos, uma corrente de cardiologistas defende a substituição do bisturi por esses tubinhos, que a princípio surgiram apenas para diagnosticar, e não para curar. A chamada angioplastia com balão se tornou um procedimento comum: O cateter leva na ponta um balão de borracha que infla no local obstruído, dilatando a artéria e esmagando a gordura. Hoje, porém, mesmo seus adeptos reconhecem que a obstrução invariavelmente volta-dias, meses ou anos mais tarde."Se eu tivesse um problema cardíaco iria preferir a operação", imagina o cardiologista Euclydes Marques, da Beneficência Portuguesa, em São Paulo. Sua opinião pode parecer suspeita-afinal, Marques é um dos mais conceituados cirurgiões do país. Mas, com sua calma típica, ele tece argumentos: "Numa angioplastia, ninguém consegue prever até onde é possível inflar o balão, antes de a artéria estourar. Se isso acontece, o paciente, que antes fugia do bisturi, acaba sem escapar dele -mas numa situação pior, a da cirurgia de emergência". De fato, apesar de aparentemente traumática, a cirurgia de coração é um dos procedimentos mais seguros da Medicina moderna.Marques admite que a angioplastia é uma solução para casos específicos- "quando a obstrução é pequena", define. Ele mesmo conta que alguns pesquisadores buscam novas formas de angioplastia, usando raio laser, por exemplo. Esse passaria por uma fibra ótica flexível, conduzida por uma artéria do braço até o coração, onde derreteria depósitos de gordura. "Por enquanto, o risco de o laser errar na mira e rasgar a coronária não autoriza essa angioplastia ser praticada rotineiramente", esclarece Marques. Mais sucesso, na opinião dos médicos, vem conseguindo a chamada arterectomia: trata-se também de um cateter, só que com uma hélice giratória na ponta. "Ele funciona como uma furadeira", descreve o cirurgião. Tanto os adeptos da cirurgia como os da angioplastia ganharam um aliado na luta para salvar infartados: as chamadas drogas trombolíticas, capazes de dissolver coágulos. Injeta, das na primeira hora após o aparecimento de sintomas, como dor no peito, elas evitam a morte do paciente em 70% dos casos. Faz sentido: quanto menos tempo o coração fica privado do sangue oxigenado, menos fibras do músculo degeneram. E, daí, o que resta de músculo vivo e sadio pode ser suficiente para o coração continuar a bater. Basicamente, existem duas drogas trombolíticas-a estreptoquinase, extraída da bactéria estreptococo, e a t-PA (do inglês, ativador da plasminogênio tecidual), substância existente em doses mínimas no organismo, mas de que técnicas da Engenharia Genética possibilitam a produção em massa. Ambas têm um perigoso efeito colateral: ao impedir a coagulação sangüínea, podem provocar hemorragias graves. Nesse sentido, a t-PA tem a vantagem de agir apenas durante poucos minutos (a outra pode durar seis horas no organismo), mas é muito cara para o orçamento da maioria dos hospitais brasileiros. Por isso, médicos do Incor, em São Paulo, experimentam mais uma vez o cateter, para aplicar a estreptoquinase diretamente na placa-sua dosagem, assim, passaria a ser muito menor.Além das novas drogas, a Cardiologia ganhou, recentemente, novos aparelhos: há oito meses, na Universidade de Campinas (Unicamp), interior de São Pauto, o cardiologista Claudio Pinho e sua equipe construíram o primeiro exemplar nacional do eletrocardiograma de alta resolução. As células do coração são comparáveis a pilhas, geradoras de um potencial elétrico que o próprio coração consome para bombear sangue. A freqüência desse potencial, em um coração normal, oscila entre 100 e 120 hertz.O mais sofisticado dos aparelhos convencionais de eletrocardiograma capta somente sinais entre 0,5 e 250 hertz, desenhando os gráficos nos quais os médicos prestam tanta atenção para saber se um paciente está, ou não, à beira de um ataque do coração. Feito dessa maneira, no entanto, é possível que, logo depois de tranqüilizado pelo resultado do exame, o paciente tenha uma parada cardíaca. Isso porque o coração doente produz freqüências até 1000 hertz, que só o equipamento de alta resolução é capaz de perceber. "Um amplificador acoplado ao equipamento envia os sinais para um computador", explica Pinho. "Ele é programado para, através de equações matemáticas, fornecer detalhes sobre os batimentos cardíacos." Quando o coração não vai bem, suas pilhas ou células se tornam mais fracas e, para compensar isso, são ativadas mais vezes-daí o aumento na freqüência do potencial-pelo pequeno nódulo, no lado direito superior do músculo, que governa suas contrações. Sim, porque o coração é o único órgão com um sistema nervoso próprio.Às vezes, por causa de infecções ou de uma má irrigação de sangue, surgem outros nódulos nervosos. Obedecendo a mais de uma ordem ao mesmo tempo, o coração perde a sincronia e surgem as arritmias. A mais grave delas é a taquicardia dos ventrículos, as câmaras inferiores do coração, que mandam o sangue de um lado, o direito, para os 2 pulmões e de outro, o esquerdo, para todo o corpo. Segundo o professor Paulo Jorge Moffa, da Universidade de São Paulo, com o eletrocardiograma de alta resolução se nota o problema: "Os ventrículos aceleram a tal ponto, que não têm tempo de encher, batem no vazio. Assim, não enviam sangue para o organismo. O cérebro não agüenta essa ausência por mais de três minutos". Constatado a tempo, o problema é reversível com choques e massagens- nada suaves-no coração.Paulo Jorge Moffa dirige o setor de diagnósticos do Incor, onde são examinadas cerca de 500 pessoas por dia. Não fosse sua paixão pelos modernos equipamentos que o rodeiam, confessa, teria voltado a Casa Branca, onde nasceu, cidade interiorana paulista com 30 000 habitantes. "O progresso não chegou por lá e, por isso, é um lugar tão bonitinho", orgulha-se. Os olhos claros por trás dos óculos azuis redondos brilham mesma maneira quando se refere a uma das últimas aquisições da Cardiologia: o chamado aparelho de mapeamento de superfície, desenvolvido no Japão. "Enquanto no eletrocardiograma medem- se com eletrodos apenas doze pontos do tórax, o mapeamento registra 84 pontos", compara. O resultado é uma leitura tridimensional do músculo."Outros aparelhos de mapeamento estão sendo desenvolvidos para situar eventuais nódulos nervosos extras. Pois, se antes só havia uma solução para arritmias-o marcapasso, que aplica um corretivo no coração na forma de descarga elétrica-, agora os cirurgiões começam a extrair o pedaço do músculo que está dando ordens erradas. Para localizá-los, por enquanto, utilizam-se cateteres que se dirigem até o coração. No subsolo do Incor, porém, há quem planeje algo mais simples. Ali, atrás de uma porta automática, por onde só passa quem tem autorização, espalham-se máquinas e dispositivos de aparência estranha a um hospital: é a Divisão de Bioengenharia. Nela, 52 cientistas-físicos, bioquímicos, médicos e engenheiros- se reúnem, por exemplo, para testar válvulas cardíacas artificiais, em dispositivos que Ihes provocam, em seis meses, o desgaste equivalente a seis anos se estivessem implantadas no corpo humano. É também em seus silenciosos laboratórios que engatinha o projeto de um novo aparelho para diagnosticar arritmias-"um balão, que seria simplesmente engolido como numa endoscopia convencional, para registrar, dentro do esôfago, os fenômenos elétricos do coração". adianta Adolfo Leirner, diretor da divisão. Extremamente cauteloso, usando frases curtas, ele foge dos detalhes desse e de outro projeto em andamento - o da produção de pequenos vasos sangüíneos artificiaisA bioengenharia, área da ciência se ocupa, da criação desses dispositivos, é uma espécie de casamento perfeito para Adolfo Leirner. Em 1958, ele foi um dos primeiros da turma o antigo instituto Tecnológico da Aeronáutica, em São José dos Campos, SP. No ano seguinte, junto com o renomado cardiologista Adib Jatene, Leirner montou o primeiro aparelho de eletrocardiograma brasileiro; dois anos mais tarde, em 1961, o primeiro marcapasso. Mas foi só depois de quinze anos de experiência como engenheiro que se aventurou no vestibular da Universidade de São Paulo para Medicina. Entrou, fez o curso, deixou sua empresa de equipamentos médicos para atender em prontos socorros - vestiu, enfim, o jaleco branco em tempo integral. Há três anos, convidado a trabalhar na área de bioengenharia, voltou ao mundo dos motores elétricos, da Física de materiais e da Matemática-ainda que por meio período, antes de ir para o consultório.Seis meses atrás, Leirner e sua equipe presentearam a sala de cirurgia do Incor com um aparelho novo, testado e aprovado: o dispositivo de assistência ventricular (DAV), com 8 centímetros de diâmetro, para auxiliar a câmara inferior do coração, região do músculo que deveria ser a mais vigorosa, para expulsar com força sangue para todo o organismo. Mas, depois de uma cirurgia grave, nem sempre o ventículo volta a ser o mesmo. É relativamente comum ele demorar para retomar seu compasso costumeiro. "Em cirurgias com mais de cinco horas são instaladas na saída do ventrículo bombas centrífugas, semelhantes às de gasolina, que mandam sangue para o corpo num fluxo contínuo", conta Leirner. O DAV. porém, é capaz de ficar quinze a vinte dias no paciente." Esse prazo pode fazer uma diferença de vida ou morte para aqueles cujo coração não volta mais ao normal, em um país com uma longa fila de pacientes à espera de transplantes. Sete de cada dez doentes nessa situação, antes do DAV, esperavam em vão.Outra forma de auxílio circulatório - esta, definitiva - é a cardiomioplastia, uma cirurgia criada há seis anos na França e realizada com sucesso no Brasil desde 1988: um músculo achatado, o grande dorsal. é descolado das costas. deixando- se ali apenas a ponta. onde está sua ligação com os nervos: atravessando o tórax, o dorsal envolve o coração como um papel de embrulho e, com estímulo de eletrodos. passa a contrair e relaxar no mesmo ritmo. Faz, enfim, metade do esforço pelo coração. "O grande dorsal, porém, precisa ser treinado gradualmente, com a ajuda de estímulos elétricos, para essa nova função", revela o cirurgião Noedir Stolf, do Incor. "Ele é estriado como o músculo do braço, isto é, consegue fazer muita força, mas por pouco tempo", explica, com a mímica de um levantador de pesos. "Precisa aprender a fazer pouca força, mas trabalhar o tempo inteiro, sem ficar cansado." 

Em algumas situações, a cardiomioplastia pode perfeitamente dispensar o transplante. Essa é uma técnica que, realizada pela primeira vez com sucesso em 1967, continua rodeada de problemas de difícil solução. Eles começam pela dificuldade de encontrar um doador, no momento certo, e terminam no risco das infecções que rondam todos os transplantados, obrigados a usar drogas que neutralizem o sistema imunológico do organismo-não fosse assim, esse fatalmente rejeitaria o órgão novo. Segundo Stolf, os japoneses prometem uma droga para resolver esse impasse, a FK-506, que por enquanto está sendo testada em sigilo no Hospital de Pittsburgh, nos Estados Unidos. O cirurgião, que opera em média três vezes por dia, avalia os avanços em sua área pela idade dos pacientes. "Quando comecei, há 25 anos, considerava-se um doente idoso para a cirurgia quanto era sexagenário", lembra Stolf. "Agora, cada vez tenho mais pacientes acima de 80 anos, da mesma maneira como tornam-se freqüentes as cirurgias em recém-nascidos, refletindo uma soma de progressos." 

A Associação das Indústrias Farmacêuticas dos Estados Unidos estima que o número de consumidores de remédios para cardíacos deve crescer cerca de 50% nos próximos dez anos. Isso significa que, de um lado, o coração continuará sendo maltratado por seus arquiinimigos, como o estresse e a má alimentação. Em contrapartida, ele terá mais chance de sobreviver, mesmo que sofrendo.

Inimigos por todos os lados

Será que as mulheres teriam o coração mais sensível? Sob certo ponto de vista, sim: depois de um ataque cardíaco, as mulheres têm duas vezes mais chances de morrer do que os homens, segundo cientistas da Universidade de Massachusetts nos Estados Unidos. Agora, com novas pesquisas, os americanos pretendem responder por que, uma vez doente, o coração feminino parece sair mais lesado. Em compensação, antes da menopausa, as mulheres têm problemas cardíacos em menor incidência."Os hormônios femininos em plena ação protegem o organismo da aterosclerose' explica o cardiologista Radi Macruz, do Hospital da Beneficência portuguesa em São Paulo. "Eles fariam a maioria da gordura ingerida na alimentação se acumular sob a pele", especula. As muIheres, assim, se tornariam rechonchudas com mais facilidade; nos homens, de seu lado, em vez de deformar a cintura, a gordura tende a se depositar nos vasos sangüíneos.Segundo o geriatra japonês Yukio Moriguchi, que desde 1971 leciona na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul "o cardápio brasileiro inclui poucas fibras e muita carne"-e, isso provoca 18% de queda na expectativa de vida da colônia japonesa no Brasil em comparação com quem vive no Japão. Sob encomenda da Organização Mundial da Saúde, o médico acaba de realizar um estudo em que tenta corrigir a hipertensão, um mal freqüente nos colonos japoneses da Região Sul, com o auxílio exclusivo de dietas com menos carne.Em seis de cada dez muIheres, a pressão foi normalizada, conta, com forte sotaque. A pressão aumenta justamente por uma constrição das artérias: além de o coração se esforçar mais, a diminuição do espaço para o sangue transforma qualquer pequeno coágulo em um grande obstáculo. Apesar do papel da alimentação, de acordo com o cardiologista paulista Marcos Fábio Lion, especialista no problema, 95% dos casos de hipertensão têm causa ignorada. E certo, porém, que substâncias liberadas no estresse aumentam a pressão. "A fumaça do cigarro tem o mesmo efeito, com maior intensidade", ensina Lion, que exibe no consultório uma placa com os dizeres "parabéns por não fumar."


domingo, 18 de novembro de 2012

Equipe que inclui brasileiros cria 'músculo artificial' resistente

Equipe que inclui brasileiros cria 'músculo artificial' resistente

Nanotubos de carbono formam fibra resistente chamada de 'músculo artificial' (Foto: Science/Divulgação)

Material sintético se contrai e dilata como um músculo humano.
Produto tem grande potencial de uso na robótica, dizem pesquisadores.

Uma equipe internacional, com a participação efetiva de pesquisadores brasileiros, desenvolveu um novo tipo de material que possui características parecidas com as do músculo humano – o produto recebeu, inclusive, o nome de "músculo artificial".

O objeto consiste de nanotubos de carbono, substâncias microscópicas que formam uma fibra bastante resistente. Dentro dos espaços vazios que restam nessa fibra, os cientistas colocam algum material que tenha grande potencial de expansão sob alterações de temperatura – no caso, uma parafina.

Dessa forma, a fibra passa a responder a estímulos térmicos se expandindo ou se contraindo. Grosso modo, é a mesma coisa que a fibra muscular humana faz quando recebe os impulsos neurais – que são sinais elétricos. Por isso, o material é conhecido como "músculo artificial".

A pesquisa publicada pela revista "Science" desta quinta-feira (15) usou estímulos térmicos, mas, segundo os pesquisadores, isso pode ser feito também com estímulos elétricos, químicos ou apenas com a luz. Isso permitiria ao produto operar em condições extremas, desde temperaturas próximas dos -200º C até os 2.500º C.

Apesar do nome, a ideia não é usar o "músculo artificial" para substituir os músculos de verdade do corpo humano, pelo menos não por enquanto. Essas fibras podem ser usadas para substituir várias peças de automóveis e aviões, que seriam muito mais leves”, apontou Márcio Lima, pesquisador brasileiro que conduziu o estudo na Universidade do Texas, em Dallas, nos Estados Unidos.

Como suportam condições extremas, esses produtos podem ser aplicados em vários campos da robótica, inclusive em sondas espaciais, apontou o autor. Para o uso no corpo humano, no entanto, ainda seria necessário um longo trabalho de adaptação, e o mais indicado seria seu uso em próteses externas, com uma bateria.

Os criadores destacaram a leveza do material porque ele é capaz de suportar um peso até 100 mil vezes maior do que o seu próprio. Segundo os pesquisadores, o material é mais potente do que os motores a combustão.

"Mesmo antes de ter saído o paper [artigo científico], já tínhamos registrado a patente, porque o potencial é muito grande", destacou Mônica Jung de Andrade, brasileira que é colega de Márcio Lima em Dallas. O responsável pelo grupo é o americano Ray Baughman, da mesmo universidade.

Outros três pesquisadores brasileiros também participaram do trabalho: Douglas Galvão e Leonardo Machado, da Universidade Estadual de Campinas (SP) (Unicamp), e Alexandre Fonseca, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Bauru (SP).

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

A Máquina do Eterno Movimento - Corpo Humano

A MÁQUINA DO ETERNO MOVIMENTO - Corpo Humano



Os quase 650 músculos do corpo humano jamais param de trabalhar. Tudo o que fazemos são eles que fazem. E a ciência ensina como usá-los melhor.

Viver é mesmo uma ginástica. O coração se contorce para bombear o sangue que, por sua vez, corre o corpo inteiro. A respiração estica e encolhe os pulmões. O aparelho digestivo se dobra e desdobra com o alimento.Tudo na vida animal é movimento - músculos que se contraem, músculos que se estendem. Graças a cerca de 650 músculos o homem pode, além de viver, ficar em pé andar, dançar, falar, piscar os olhos, cair na gargalhada, prorromper em lágrimas, expressar no rosto suas emoções, escrever e ler este texto. Portanto, o desempenho da musculatura é muito mais forte que mera força bruta. Ao ver o movimento dos músculos do corpo, os antigos talvez tivessem a impressão de que existiam ratinhos caminhando sob a pele. Pois em latim musculus é o diminutivo de mus, ou camundongo. Na verdade, o músculo é um feixe com milhões de fibras capazes de se contrair. São 78 por cento água, 20 por cento proteína, 1 por cento carboidrato e, ainda, em quantidades mínimas, sais minerais e gordura.
As fibras podem ser milimétricas, como as dos músculos dos dedos, ou ter até 10 centímetros de comprimento, como as dos músculos da coxa; mas são sempre finíssimas, com um diâmetro nunca maior do que 1 décimo de milímetro.
As fibras musculares surgiram com os primeiros seres vivos que tinham de se deslocar em busca de água ou comida ou ainda para se reproduzir - portanto, animais pluricelulares, que apareceram na Terra há 570 milhões de anos. É a contração de músculos especiais que faz as lulas e águas-vivas expulsar os jatos de água que as impulsionam. Já com o aparecimento dos vertebrados, a musculatura passou também a cumprir uma tarefa essencial - sustentar o esqueleto.
A forma e o tamanho de um músculo variam conforme a sua função. A musculatura humana, que representa 40 por cento do peso do corpo, foi herdada dos outros mamíferos e precisou sofrer adaptações para manter o tronco em pé - essa tão envaidecedora peculiaridade humana. As mãos, livres do solo, tiveram de modificar os músculos típicos dos quadrúpedes, a fim de poder fazer movimentos complexos e elaborados.
No fundo, todo músculo faz o mesmíssimo movimento, que é contrair-se. Alguns músculos, porém, não obedecem à vontade de seus donos conscientes. São os músculos chamados lisos ou involuntários, que funcionam sob as ordens do sistema nervoso autônomo do organismo. São certos bizarros músculos involuntários, por exemplo, que deixam uma pessoa arrepiada de frio. Com apenas 1 milímetro de comprimento, ficam junto da raiz dos pêlos, que se eriçam quando ocorre a contração. Com os pêlos arrepiados como os de um gato em noite fria, o homem estaria mais protegido do clima. Essa função não faz mais sentido, pois no processo de evolução o homem deixou de ser um bicho peludo.
Mas quase todos os músculos involuntários são fundamentais, como os ciliares do olho. O olho humano pode ser comparado a uma máquina fotográfica que precisa focalizar um objeto de acordo com a distância em que se encontra dele. O dispositivo que usa para isso é uma estreita faixa de fibras musculares atrás da íris - o disco colorido do olho. Ao se contrair, aumenta a curvatura do cristalino, uma espécie de lente natural. A curvatura acentuada é necessária para se enxergar de perto. Por isso, certas atividades, como a leitura prolongada, podem "cansar" a vista, ou seja, cansar esses músculos que ficam contraídos por muito tempo. Eis também por que focalizar um ponto distante é um colírio para os olhos: a curvatura precisa diminuir e os músculos se estendem.
Apesar de toda a sua importância, os músculos involuntários são minoria. No corpo humano, predominam os quase 500 músculos voluntários que atendem aos comandos do sistema nervoso central. Como possuem estrias microscópicas, também são chamados estriados. Existe ainda um terceiro nome para eles: esqueléticos, porque terminam em forma de tendões, que são como cordas de fibras mais fortes, agarradas a ossos. O músculo cardíaco, o mais importante de todos, é considerado um tipo à parte porque, embora seja estriado, se contrai graças a um sistema nervoso próprio.
Qualquer que seja o músculo, suas fibras já estão formadas a partir da sexta semana de vida intra-uterina. A partir de então, cada fibra pode crescer isoladamente. Mas o número de fibras será sempre igual. Um atleta musculoso de 20 anos possui a mesma quantidade de fibras que tinha ao nascer. O que elas fizeram ao longo da vida e à custa de muito exercício foi desenvolver-se. Mesmo entre pessoas diferentes não há grandes diferenças: nos músculos de Maguila e nos equivalentes de Lucélia Santos, o número de fibras é praticamente igual - pode até ser que, em dado músculo, a suave Lucélia tenha mais fibra que o temível Maguila.
Músculos parecem gostar de trabalho, pois ficam mais ágeis e fortes à medida que são usados. Até quando se está dormindo, os músculos se mantêm num estado de pequena contração, mais conhecida como tônus muscular. Em pacientes de paralisia infantil, por exemplo, o músculo nem sequer sustenta essa ligeira contração - danificado, o nervo não consegue transmitir-lhe a ordem. Sem o exercício constante do tônus, o músculo acaba por se atrofiar.
Cada fibra muscular segue a lei do tudo-ou-nada: ou se contrai ao máximo ou se ignora o estímulo nervoso. Apesar disso, ninguém se movimenta aos trancos como uma caricatura de robô. Isso porque, em primeiro lugar, as fibras de um mesmo músculo se excitam em graus diferentes: algumas, mais sensíveis, iniciam a contração 4 milésimos de segundo após um estímulo; outras fibras respondem num período muito maior, caso o cérebro insista na ordem. Outro fator importante é o número de células nervosas motoras que o cérebro escalou para levar a ordem ao músculo, assim como o número de fibras que cada uma dessas células nervosas, por sua vez, controla.
As mínimas gradações de movimento dos dedos de um músico instrumentista, por exemplo, apenas são possíveis porque seus nervos motores controlam um número limitado de fibras. É claro que em situações muito especiais o cérebro pode perder temporariamente esse incessante controle sobre os movimentos. Quando a mão toca uma superfície quente, nervos sensitivos da pele e dos próprios músculos dão o alarme; diante disso, antes mesmo de verificar o que aconteceu - a mão encostou numa panela e se queimou -, o cérebro ordena uma contração súbita de todas as fibras daquela parte do corpo. O resultado será um movimento espasmódico.
Um músculo não precisa de duas ordens: basta que lhe mandem contrair-se. A extensão ocorre naturalmente quando cessa a ordem de contração. Assim, o popular bíceps - músculo da frente do braço - se contrai e diminui a distância entre os ossos, usando as articulações do cotovelo: essa é uma ação concêntrica, que qualquer pessoa executa no mero gesto de levar uma xícara aos lábios. Já para segurá-la na altura da boca é preciso uma ação isométrica, ou seja, capaz de manter a contração sem causar movimento. O cérebro consegue essa proeza bombardeando o músculo com cerca de 45 estímulos por segundo - uma ordem que deve se fundir com outra, sem dar tempo para o músculo se estender. Finalmente, a ação excêntrica é quando se abaixa a xícara. Mais uma vez o cérebro controla o movimento interrompendo gradualmente os estímulos às fibras.
Na realidade, um movimento qualquer nunca é obra de um único músculo. No exemplo de dobrar o braço, ao mesmo tempo em que o bíceps se contrai, um músculo oposto - o tríceps - se estende. E, quando o braço abaixa, é o tríceps que se contrai, puxando o antebraço para fora e obrigando o bíceps a se estender. O músculo contraído de qualquer movimento chama-se agonista; o estendido é antagonista. Todo músculo dança conforme a música, ou seja, pode ser tanto agonista como antagonista - depende do movimento.
Num movimento, há também músculos que se contraem apenas para fixar um membro ou o tronco inteiro e, dessa maneira, dar uma base de sustentação ao músculo que de fato se desloca. Por exemplo, ao cerrar o punho, aparentemente só os músculos da mão e dos dedos trabalham; mas, se os músculos do antebraço não ficassem bem contraídos para segurar o pulso, este se dobraria junto com os dedos. Para a contração, um músculo precisa de energia. Essa energia é liberada com a quebra de moléculas da substância adenosina trifosfato (ATP).
O estímulo nervoso possui determinada eletricidade que, em contato com uma substância gelatinosa que banha o músculo, encaminha uma partícula de cálcio para dentro das fibras; o cálcio, então, ativa enzimas próprias do músculo que quebram a ATP. A única questão é haver moléculas de ATP em quantidade suficiente. O fisiologista Turíbio Leite, professor da Escola Paulista de Medicina, ensina que existem três fontes de ATP. A primeira seria uma espécie de estoque particular do músculo. A segunda é a glicólise: reações dentro do músculo transformam a glicose das fibras ou a trazida pelo sangue em ATP e ácido láctico. Esta é uma substância inibidora que, ao se acumular nas fibras, causa tanta dor que a pessoa não agüenta mais contrair o músculo.
"Esse processo", explica o professor Turíbio, "produz grande quantidade de energia, mas por tempo limitado. Por isso, é um metabolismo para atividades que exigem velocidade. "Os atletas atenuam os efeitos do ácido láctico e por isso suportam melhor um acúmulo da substância. Mas quem não é atleta cede à dor e logo pára. Do contrário, corre o risco de sentir uma cãibra, a contração involuntária do músculo cansado, que serve de sinal de alerta. É claro que as cãibras também atacam em plena madrugada, quando se está quieto, dormindo. Mas aí o problema é neurológico - uma ordem equivocada para o músculo se contrair a toda velocidade, provocada muitas vezes por estresse psicológico.
Quando o mal é meramente muscular, uma massagem local ajuda de imediato. Ela provoca mecanicamente o relaxamento do músculo contraído e, ao ativar a circulação no lugar, ajuda o sangue a espalhar o ácido láctico. As massagens para aliviar a tensão funcionam da mesma maneira. Pois, quando a mente faz verdadeiras acrobacias por causa de um problema qualquer, a pessoa fica literalmente tensa - culpa das ordens do cérebro para contrair certos músculos que, como em toda ginástica, ficam ali gastando energia para manter a tensão e acumulando o ácido láctico.
A última fonte de ATP, o metabolismo aeróbio, é o oxigênio trazido pelo sangue, que produz a substância em reações químicas com a glicose. Nesse caso, a "sobra", gás carbônico e água, é eliminada na expiração. Esse é o metabolismo que mais se usa no dia-a-dia: não produz velocidade, mas tem a vantagem da resistência. Todo músculo possui dois tipos de fibras: as de tipo 1, que desenvolvem mais o metabolismo aeróbico; e as de tipo 2, que realizam melhor o metabolismo da glicólise. Pesquisadores supõem que a prática de determinado esporte pode transformar uma fibra tipo 1 em tipo 2 e vice-versa. Mas isso nunca foi observado na prática. "Nascemos com a proporção de fibras 1 e 2 determinada", diz o fisiologista Turíbio Leite, "o que significa que temos predisposição genética para esportes rápidos ou de resistência."
Qualquer reação para produzir ATP no músculo acaba liberando muito calor. São os músculos, portanto, os responsáveis pelos 36 graus centígrados do corpo humano - a temperatura ideal para que o organismo funcione direito. Quando o clima ameaça baixar essa temperatura, o cérebro manda os músculos se agitarem. É quando as pessoas tremem de frio.
Outra responsabilidade dos músculos é a postura corporal. Músculos enfraquecidos fazem a coluna despencar para algum lado. Por exemplo, a lordose (acentuação da curvatura lombar) é conseqüência de músculos abdominais fracos, incapazes de sustentar as vísceras; estas então caem sobre o osso da bacia que, por sua vez, joga todo o seu peso sobre a coluna lombar.
Mesmo quem não tem vocação para atleta olímpico deveria tirar o máximo proveito dos músculos que a natureza lhe deu. Está provado que músculos fortes evitam o tão doloroso endurecimento das articulações - e também doenças graves como a osteoporose ou desmineralização dos ossos. Sempre se soube, por exemplo, que os músculos do braço direito de um tenista destro são mais desenvolvidos que os do braço esquerdo. O que se descobriu faz pouco tempo é que também os ossos do braço direito desse tenista são mais largos. Antigamente, acreditava-se que, com o passar dos anos, os músculos deviam ser poupados. Nada mais errado. Todos devem dançar, andar, nadar. Enfim, o segredo de tratar bem os músculos é saber que ninguém pode se dar ao luxo de ficar parado.

O melhor da malhação

Um belo corpo, receita a Organização Mundial de Saúde, consiste em ter boa capacidade cardiorrespiratória, força, flexibilidade e obesidade sob controle. Atrás desse ideal estão as multidões que freqüentam academias de ginástica. Mas não existe nada de novo nesses saltitantes anos 80. No século passado, começou a aparecer a ginástica tal como é conhecida. Do ideal de civilização difundido pelos ingleses no seu vasto império fazia parte a aptidão física.
"A grande novidade é que hoje a Educação Física tem muito mais base científica", observa o professor Mauro Guiselini, da USP. "Existem áreas de estudo novas, como a Fisiologia do Esforço. E, graças à Biomecânica, que mostra quais músculos participam de cada movimento, pode-se tirar melhor proveito dos exercícios." A ciência, portanto, acabou esclarecendo muita coisa. Ela condena o uso de hormônios consumidos por halterofilistas - que ajudam a desenvolver os músculos, mas causam impotência sexual. Por outro lado, derrubou a idéia de que pessoas muito musculosas não têm flexibilidade. Com exercícios de alongamento para músculos e tendões, um fortíssimo culturista pode ter o jogo de cintura de um bailarino.
Outra idéia riscada é a de que quem faz muita ginástica nunca pode parar, senão os músculos "despencam". Não é bem assim. É verdade que os músculos armazenam tudo o que é ruim - como toxinas - por muito tempo e não guardam o que é bom, ou seja, o condicionamento físico. Para manter-se em forma, a pessoa não deve interromper a ginástica: 30 por cento de tudo o que conquistou em um ano de malhação na academia vai-se embora em apenas três ou quatro semanas de vida sedentária. Mas o pior que pode acontecer - e acontece - é os músculos voltarem a ser o que eram antes da ginástica. "Nunca ficam pior do que isso", consola o professor Guiselini.
Mais do que a musculação, a ginástica aeróbica, que chegou ao Brasil nos primeiros anos 80, é o grande sucesso de público. Não é para menos: está provado que levar o coração à freqüência de 130 batimentos por minuto, durante 20 a 30 minutos, três vezes por semana, é o suficiente para manter a bomba em excelente estado. "A aeróbica", aprova Guiselini, "tem a vantagem de utilizar a música como um elemento fundamental, tirando da ginástica a chatice do ´um, dois, três, quatro´. Além de reforçar o coração, condiciona os outros músculos e desenvolve a coordenação motora. É, portanto, um exercício completo."