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terça-feira, 21 de julho de 2020

Grant Imahara, de 'MythBusters', morre aos 49 anos :(

Grant Imahara, de 'MythBusters', morre aos 49 anos :(

Grant Imahara em uma de suas primeiras fotos em 'MythBusters' 
— Foto: Reprodução/Instagram/grantimahara

Engenheiro Eletricista foi um dos apresentadores do programa entre 2005 e 2014. 

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Google criou sua própria montadora de carros, chamada Google Auto


Google criou sua própria montadora de carros, chamada Google Auto


O Google criou secretamente sua própria empresa fabricante de carros, chamada oficialmente de Google Auto LLC, de acordo com documentos obtidos pelo jornal britânico The Guardian.

No material, a Google Auto é descrita como a fabricante original dos 23 carros autônomos da empresa, incluindo os modelos que se envolveram nos acidentes recentes dos veículos do Google. A subsidiária foi criada em 2011, quando o Google substituiu os Toyota Prius autônomos por SUVs da Lexus.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Cientistas de Harvard fazem primeiro voo controlado de 'robô-inseto'


Cientistas de Harvard fazem primeiro voo controlado de 'robô-inseto'

'Robôs-insetos' desenvolvidos nos EUA (Foto: Kevin Ma e Pakpong Chirarattananon/Harvard University)

Aparelho de 80 mg levou mais de uma década para ser concluído.
Expectativa é que dispositivo possa ser usado em várias áreas no futuro.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Robôs vão ajudar em limpeza de Fukushima


Robôs vão ajudar em limpeza de Fukushima


Traje robótico permite a entrada em local com muita radiação (Foto: Reprodução/BBC)

Japão desenvolve máquinas que poderão substituir homens em áreas contaminadas por radiação de acidente nuclear.


quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Cientistas criam "bola de futebol" mais fina que um fio de cabelo


25/09/2012 06h00 - Atualizado em 25/09/2012 06h00

Cientistas criam 'bola de futebol' mais fina que um fio de cabelo

Superfície da 'suprabola coloidal' tem gomos como um bola de futebol.
Objeto poderia ser aplicado na produção desde remédios até televisores.

Cientistas anunciaram nesta segunda-feira (24) a criação de uma “bola de futebol” que é mais fina que um fio de cabelo. O avanço pode ter diversas aplicações no campo da nanotecnologia, sendo usado na produção desde remédios até televisores.
As bolas são formadas por um conjunto de micropartículas de poliestireno, que é um tipo de plástico. As partículas se juntam em uma esfera quase perfeita por meio de um processo natural, usando a evaporação da água.


À esquerda, a microbola; à direita, a superfície em detalhes, com os 'gomos' da bola (Foto)

A equipe de Álvaro Marín, da Universidade de Twente, na Holanda, colocou as micropartículas suspensas em água. Essa solução foi colocada sobre uma superfície “hidrofóbica”, ou seja, que repele a água.
Nessa superfície, a solução fica praticamente suspensa. As gotículas de água se apoiam sobre pequenos pontos como em uma cama de pregos – os cientistas chamaram esse efeito de “faquir”, em referência a quem pratica a técnica de se deitar sobre essas camas.

Sobre esses “pregos” as gotículas de água adquirem um formato redondo e mantêm esse formato durante a evaporação, mesmo quando adquirem tamanhos microscópicos. Quando toda a água evapora, as micropartículas de poliestireno se juntam no mesmo formato redondo, criando as “microbolas de futebol”.
A comparação com bolas de futebol foi feita pelos próprios pesquisadores, porque cada micropartícula fica marcada na superfície, em um pentágono que lembra a costura dos gomos de uma bola. O nome científico do objeto é “suprabola coloidal”.
“Nossa principal motivação era construir uma estrutura microscópica como essa de uma forma passiva, sem manipulação complexa. É o que chamamos de ‘automontagem’ e é a abordagem que tentamos seguir para construir coisas no mundo microscópico”, afirmou Marín.
O pesquisador disse que o objeto poderia ser usado para encapsular medicamentos com segurança, já que envolve pouca manipulação. Ele afirmou ainda que o objeto tem “propriedades ópticas interessantes”, e que pode ser usado nesse sentido, na produção de televisores, por exemplo.
O estudo foi publicado pela "PNAS", revista da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

A Volta dos Dinossauros - Paleontologia



A VOLTA DOS DINOSSAUROS - Paleontologia



Nenhuma forma de vida instigou tanto a imaginação humana como a dos dinossauros. Por conta desse fascínio surgiram os robossauros - réplicas automatizadas que imitam perfeitamente os originais.

O cenário é tranqüilo. Um Triceratops pasta sossegado no vale. De repente, algo chama a atenção, um ruído talvez. Ele ergue então a cabeça, fareja o ar, vira os olhos e começa a caminhar, ameaçador. O movimento dos seus músculos é visível sob a pele. Eis que o bicho gigantesco joga o focinho para trás e dá um rugido de estremecer a terra. Apavoradas, as crianças que o vêem agarram-se às pernas dos pais; outras riem nervosamente. Não é para menos. Com seus quase 8 metros de comprimento e cerca de 5 toneladas de peso, dois chifres na testa e um no nariz, esse ser descomunal aterrorizaria o mais destemido dos homens. Para sorte da espécie, homens e dinossauros jamais se cruzaram sobre a face do planeta, ao contrário do que sugerem as histórias em quadrinhos tipo Brucutu e os desenhos animados tipo Flintstones: mais de 60 milhões de anos separam os derradeiros Triceratops e assemelhados dos primeiros Homo. Daí porque aquela cena espetacular é exatamente isso - um espetáculo, que por sinal faz a festa dos freqüentadores de museus de História Natural e de exibições de fósseis dos grandes répteis do passado remoto. Os donos do show são chamados robossauros por seus criadores - e estes bem merecem o sucesso de público e crítica das crianças.
Pois não só é preciso entender muito de Paleontologia para construir réplicas tão realistas daqueles animais como também é preciso entender muito de máquinas para fazê-las funcionar com tanta naturalidade. O projeto resulta de um trabalho de equipe que associa paleontólogos, engenheiros, desenhistas e escultores. O rigor da criação tenta ressuscitar representantes da espécie que desde os primeiros achados fósseis foi conquistando como nenhuma outra a imaginação humana. Senhores absolutos da Terra durante 140 milhões de anos, os dinossauros desapareceram há 65 milhões de anos por motivos ainda não esclarecidos de todo, sendo a hipótese mais aceita a que fala em drásticas mudanças no clima do planeta em conseqüência da colisão com um não identificado corpo celeste. Certamente reside nisso parte do fascínio do homem pelos dinossauros - o mesmo fascínio que levou o americano Chris Mays a deixar uma bem-sucedida carreira de vinte anos como piloto de aviões para tornar-se um igualmente bem-sucedido fabricante de robossauros.
Mays já tinha visto os dinossauros mecânicos japoneses e sabia que alguns estavam à venda depois de terem percorrido um bom número de exposições. Não teve dúvidas: importou um Triceratops e resolveu doá-lo ao Museu de História Natural de Los Angeles. O presente chegou em meio a um banquete que a instituição oferecia. A cena foi inusitada: atrás dos garçons que circulavam entre as mesas servindo iguarias estava estacionado um dinossauro com 4 metros de comprimento e quase 3 toneladas de peso, a metade do tamanho normal de um Triceratops. O sucesso foi total. A partir daí, Mays resolveu adquirir réplicas. Nessa altura, início dos anos 80, ele não sabia no que sua iniciativa ia dar realmente, pois o destino lógico dos seus dinossauros eram os museus públicos e estes naquela época sofriam cortes de verbas.
Mesmo assim, ele seguiu em frente com seu projeto. Quando alguns desses bichos mecanizados começaram a ser exibidos, foi uma sensação: tanta gente veio vê-los que em três meses o museu já tinha atraído o número de visitantes que normalmente levaria um ano inteiro para aparecer. Assim em 1982, junto com seu vizinho Tom Stifter, Mays fundou a Dinamation International Corporation, a única empresa no mundo que fabrica dinossauros robotizados, talvez não por acaso instalada em Orange Country, sul da Califórnia, a cerca de 20 quilômetros da Disneylândia.
Mas, contrastando com o Pato Donald, Mickey Mouse ou Tio Patinhas, personagens saídos exclusivamente da imaginação genial de Walt Disney, os robôs da Dinamation procuram ser fiéis ao que se sabe sobre os dinossauros e o mundo em que viviam, embora também contenham uma respeitável dose de criatividade dos seus construtores. Para tanto, Stifter e Mays contam com paleontólogos que orientam a construção, não apenas do ponto de vista anatômico dos animais mas também do que se supõe tenha sido meu modo de vida: o que comiam, que tipo de ambiente habitavam, como os espécimes adultos se relacionavam com os mais novos, que tipo de grupo formavam, como se reproduziam.
Os sulcos e cicatrizes existentes na superfície de um osso como o fêmur permitem saber, por exemplo, os pontos onde os músculos se uniam. Mandíbulas e dentes relatam se pertenciam a um carnívoro ou a um herbívoro. Os paleontólogos valem-se também das pegadas fossilizadas. No Texas, um campo cheio delas indicava um bando de apatossauros (também chamados brontossauros) com seus 21 metros de comprimento e 30 toneladas de peso deslocando-se ao longo de um rio. Nas laterais, os adultos, machos e fêmeas, protegiam os menores que iam no meio. Rodeando esses herbívoros gigantes estão os rastros de um alossauro, um terrível predador com quase 14 metros de comprimento, que certamente se preparava para atacar.
Fabricar dinossauros requer todas essas informações, particularmente dados sobre sua anatomia. Que peso o esqueleto podia suportar? Que tipo de movimento os ossos poderiam articular? Onde os músculos se prendiam e de que tamanho eram? Para fabricar réplicas as mais fiéis possíveis, a Dinamation contratou uma equipe de autoridades no assunto, como Robert Bakker, da Universidade do Colorado, e George L. Callison, biólogo da Universidade de Long Beach, na Califórnia. São eles, juntamente com os engenheiros, os responsáveis pelo modo como as criaturas saem das pranchetas para serem confeccionadas por escultores e artistas.
Como os dinossauros integraram espécies com os mais variados tamanhos e formas - por exemplo, crânios em forma de capacete, chifres na testa e no nariz, placas no dorso, espinhos na cauda -, nem mesmo a mais desenfreada imaginação poderia superá-los. Os cientistas contam com fósseis de ossos, pegadas, ovos e poucas impressões de pele para trabalhar. Isso parece pouco, mas para os paleontólogos representa uma fonte abundante de informações. Quem dá vida às criaturas são os artistas. Com cuidado, eles planejam as expressões faciais, a cor dos olhos, as rugas, a textura e a cor da pele, até os sons emitidos pelos monstrengos.
"É algo completamente diferente criar um animal quase real à base de borracha, pêlos sintéticos, tubos de plástico e metal como se fosse verdadeiro", constata o professor George Callison, referindo-se ao trabalho dos artistas. Primeiro em minuciosos rascunhos, depois em maquetes de argila, nada escapa aos escultores. As próprias miniaturas são tão convincentes que se começassem a andar pela sala seriam confundidas com bichinhos de estimação. As dificuldades desenvolvidas na feitura e operação dos robossauros são as mais extravagantes. Os olhos, por exemplo, podem virar antes de as pálpebras se fecharem resultando numa indesejável piscadela sinistra. Também as manivelas e pistões que movem a engrenagem dos robôs tendem a girar a velocidades diferentes.
Com isso as pernas e o corpo dos sauros perdem a sincronia, como se o bicho estivesse tendo um acesso de espasmos. Em climas úmidos, o material que compõe o revestimento da réplica pode ficar pegajoso, fazendo desaparecer as rugas naturais ali onde a pele dobra. O robosssauro, enfim, só funciona bem durante umas quarenta horas. Depois tende a apresentar defeitos e precisa ser novamente regulado. No caso do Tyrannosaurus rex, o mais terrível dos carnívoros, que se estende por até 15 metros de comprimento e em posição bípede alcançava 6 metros de altura, a Dinamation optou por construir apenas a cabeça em tamanho natural, já que esta e os dentes são o que há de realmente importante no bichão. Pronta, a estátua de argila recebe placas de fibra de vidro ou de qualquer outro material rígido e leve. 
Elas serão montadas de forma a criar o esqueleto do dinossauros sobre o qual será moldada a pele, feita de poliuretano. Enquanto isso, os engenheiros projetam os esqueletos metálicos, espécie de sistema nervoso e respiratório do robossauro. Os especialistas em robótica se valem de pistões, manivelas, válvulas e tubos de ar para sincronizar todos os movimentos do animal - que evidentemente devem parecer naturais. O ar comprimido flui pelos tubos de plásticos para assegurar a suavidade dos movimentos. Pronto o esqueleto, os artistas o recobrem com a pele.
O trabalho leva no mínimo um dia, pois inclui preparar as cavidades dos olhos para que os globos oculares se encaixem perfeitamente e estofar qualquer área de depressão que exista debaixo da pele. Então, os engenheiros começam a programar os sons que o robô fará. Como não existem obviamente registros fósseis sonoros, os cientistas e os artistas precisam recorrer à imaginação e a empréstimos de outras espécies para decidir qual o tipo de ruído que mais combinaria com os dinossauros. Por isso, um programador grava por meio de um sistema digital rosnados, uivos e assemelhados de vários animais. Surgem assim os sons das réplicas dos dinossauros. A pintura é a etapa final. Todo o processo, que pode durar de doze a dezoito meses, dá aos espectadores uma impecável ilusão.
De qualquer forma, as réplicas robotizadas da Dinamation, que incluem também mamutes peludos, tigres dente-de-sabre, baleias pré-históricas e preguiças gigantes são a versão mais sofisticada de uma secular imitação. Em 1854, uma exposição no Palácio de Cristal de Londres apresentou ao público reproduções em tamanho natural de iguanodontes, megalossauros e outros animais extintos.
As cópias estavam longe de ser perfeitas, mas a exposição foi um acontecimento e tanto.
Além de fabricar robôs, a Dinamation financia expedições científicas e colabora na criação de um museu de dinossauros no Colorado. Também co-produziu o filme Dinossauros, dinossauros, um musical mesozóico ainda não exibido no Brasil. Segundo Chris Mays, o ex-piloto que ganha a vida produzindo espécimes extintos, não se trata apenas de diversão ou lucro. O objetivo é aproximar as pessoas comuns do mundo da ciência. "Queremos fazer do ensino algo divertido e e do qual se possa participar, e temos nos dinossauros o ponto de partida".

Réplicas nordestinas

Dificuldades nunca se desanimaram o italiano radicado no Brasil Giuseppe Leonardi, padre e paleontólogo. Tanto assim que de julho de 1985 até o início deste ano ele conseguiu construir, juntamente com o escultor João Carlos Moreira do Museu Emílio Goeldi de Belém e a ajuda de dois técnicos, dez réplicas de dinossauros, entre celurossauros, alossauros e tiranossauros. Tudo isso, num modesto galpão emprestado e transformado em laboratório. Desde 1975, Leonardi pesquisa no vale do rio do Peixe, próximo à cidade de Sousa, Paraíba, a impressionante variedade de pegadas fossilizadas deixadas pelas cerca de seiscentas espécies diferentes de dinossauros que viveram na região há 150 milhões de anos. 
A partir das pegadas, identificando o animal a que pertenceram, Leonardi e Moreira elaboraram o projeto das réplicas. Então, constrói-se uma armação de madeira sobre a qual irão camadas de argila - para marcar os músculos, dobras, placas e escamas - e de gesso. Depois, por uma abertura nesse gesso, retira-se a armação de madeira . Em seguida, o protótipo é coberto com camadas de fibras de vidro ou de resina sintética, enquanto, por dentro, coloca-se uma armação de ferro. "Usamos técnicas simplificadas e mais baratas, mas o material tem de suportar o sol do sertão, onde queremos que as réplicas fiquem, ao lado das pegadas, como se os dinossauros estivessem vivos, caminhando", explica Leonardi. O projeto está parado por falta de recursos e de lugar - o que é uma pena, porque dele depende a preservação daquele precioso sítio paleontológico.

Pré-história pelo correio

A população dos dinossauros nos Estados Unidos escapou dos museus e chegou às agências do Correio. Desde outubro último, com efeito, circulam no país quatro selos que estampam esses bichões de estimação dos americanos. Mas o lançamento fez rugir de indignação os paleontólogos porque um dos selos identificou como brontossauro o dinossauro cujo nome científico de verdade é apatossauro.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Perfeito Manequim - Tecnologia



PERFEITO MANEQUIM - Tecnologia



Uma nova geração de robôs imita com crescente realismo o corpo humano e suas funções. Um deles até consegue suar a camisa - literalmente. Mais difícil é o homem imitar certos robôs.

Como qualquer pessoa, ele fala, anda, cruza as pernas e chuta bola. O mais novo tipo de recruta a alistar-se no Exército americano parece assim exatamente igual aos outros - ou quase. Pois, apesar de trabalhar horas a fio sem sequer parar para descansar e ainda por cima expor-se a grandes riscos, jamais se queixa em segredo de seus superiores, nem sonha com uma licença, como um praça normal. Um autêntico caxias, em suma. Com tais virtudes sobre-humanas, só poderia ser o que é - um manequim robotizado. Ele tem uma missão na vida, digamos assim: testar trajes de proteção para uso em situações de extremo perigo, mesmo para um soldado.
Manny, como é apropriadamente chamado esse robusto manequim de 1,80 m e 75 quilos, pode lembrar à primeira vista um simples boneco de polietileno do tipo que se vê em lojas de departamentos. Nada menos verdadeiro: ele é o robô mais parecido com o homem que o homem já conseguiu produzir. Construir uma máquina à nossa imagem e semelhança é tarefa relativamente fácil - quando a criatura se destina a operar em estúdios de cinema, ajudando a compor a grande ilusão proporcionada pela arte dos efeitos especiais. Mas na vida real tudo muda de figura. Por isso, como ninguém tinha ainda construído robôs tão humanóides, os cientistas e engenheiros do Laboratório Battele, nos arredores de Washington, tiveram de dar tratos à bola e improvisar bastante para criar o manequim-soldado.
"Quando começamos o projeto, deparamos com um desafio evidente", conta Dave Benett, gerente de pesquisa da empresa. "O corpo humano é muito complexo e bem desenhado - não é fácil imitá-lo". Depois de três anos de gestação e investimentos que passaram a marca de 2 milhões de dólares, chegou finalmente ao campo de provas do Exército, em Dugway, Utah, o equipamento que combina robótica avançada, multiprocessadores de dados, Bioengenharia, computação gráfica e novos produtos químicos. De fato, para determinar como os movimentos do corpo, a transpiração e até a respiração desgastam os pesados trajes militares, várias funções humanas tiveram de ser reproduzidas com o máximo de fidelidade.
Extremamente articulados - ao menos no sentido mecânico da expressão -, Manny tem 42 graus de movimento livre em quinze juntas, bem menos que as setenta e tantas juntas de um homem, é certo, mas o suficiente para imitar nossos movimentos básicos. Tubos e eixos formam o esqueleto, preso atrás por um suporte ligado ao cérebro de computadores. O movimento é executado por músculos hidráulicos, isto é cilindros dotados de pistões que esticam e se retraem em cada junta. No início do projeto, os técnicos descobriram e resolveram testar um braço mecânico utilizado num show do cantor pop Michael Jackson. Deu certo. A respiração por sua vez é simulada pelo movimento do peito para dentro e para fora, além do ar úmido que sai da boca e do nariz. Placas de filmes sensíveis cobrem o corpo, dando-lhe temperatura própria.
Ao exercitar-se, Manny se aquece, respira mais rápido e começa a transpirar como uma pessoa de verdade. Um sistema de finos tubos leva água a vários pontos na superfície da pele, na tentativa de imitar a função dos 2 milhões de glândulas de transpiração existentes na derme humana. Para sorte de Manny, sua pele tem uma composição especial para lhe dar aspecto humano e proteger da contaminação o seu interior. No cérebro do robô, um arquivo de movimentos básicos, facilmente acionados por comandos de computador, coloca-o em atividade pelo tempo que se quiser. Sua agilidade foi conseguida graças à gravação da imagem de um atleta em ação. Os computadores marcaram as posições do corpo em uma parte do filme e agora as reproduzem com a coordenação do movimento de todas as juntas, no tempo e na velocidade correta.
Quando der baixa do Exército, Manny já tem emprego garantido. As indústrias americanas que mexem com detritos tóxicos e proteção contra fogo, além da agência espacial NASA, também precisam testar trajes mais seguros. A medição da resistência que as roupas proporcionam ao corpo, uma das atribuições do manequim-robô, pode ajudar um dia a criar trajes mais confortáveis, servindo às confecções. São aplicações como essas - testar materiais de uso humano - que justificam a construção de robôs com aparência de homem, um tendência que se afirma cada vez mais no campo da robótica. Não é de hoje que existem aparelhos para substituir mão-de-obra e, afinal, este é o conceito mais amplo de robótica, termo derivado do checo robota, que significa trabalho forçado.
As máquinas operadas automaticamente já substituíram o homem em muitos serviços ingratos, monótonos ou perigosos. A presença de braços computadorizados deixou de ser novidade nas linhas de produção industrial - a tal ponto que muitos projetistas passaram a se perguntar se o corpo humano não seria, afinal, um molde muito inadequado para o design de robôs.
Assim, técnicos procuram desenvolver modelos com um terceiro olho, ou um pescoço modular, que dobra de comprimento, ou ainda juntas com rotação total. Mas a maioria dos pesquisadores tenta imitar o ente mais complexo criado pela natureza nestes últimos 3 bilhões de anos terrestres - o próprio homem. A lista dos mais recentes avanços nesse campo é digna de um conto de ficção científica: no Instituto de Tecnologia de Tóquio, por exemplo, o professor Toyosaka Moriizumi anunciou, no ano passado, a criação de um robô capaz de sentir cheiros. Seu criador promete uma grande utilização do robô farejador no departamento de controle de qualidade das indústrias de alimentos e de cosméticos.
Após vinte anos de pesquisa, outro japonês, Ichiro Kato, lançou o robô andarilho WL-10, que imita com perfeição o andar humano. A destreza da mão também já foi aperfeiçoada pelos pesquisadores - no caso, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos. Além de funções repetitivas e de aplicar força bruta, a mão de um robô de última geração realiza delicadas operações cerebrais, ajuda em missões policiais de alto risco e cuida de idosos e deficientes físicos. O robô Infant, criação de uma pequena companhia americana, reproduz as funções do cérebro para aprender a se adaptar a novas situações, igualzinho ao homem. Um motor elétrico, da espessura de um fio de cabelo, foi criado na Universidade da Califórnia para acionar robôs microscópicos que os cientistas pretendem usar a fim de explorar o interior do corpo humano - a vida assim imita a arte do filme. A viagem fantástica.
O sonhado computador que não só é capaz de obedecer a comandos de voz, como também de falar, tem seu nascimento previsto pata 1993 pela maior empresa mundial de informática, a IBM. Apesar de tais conquistas, as pesquisas esbarram ainda num limite decisivo: a chave para se fazer robôs mais espertos está na esperteza dos computadores que os controlam e, como se sabe, não há computador que se compare ao cérebro humano. De fato, a maioria dos robôs e assemelhados em uso hoje no espaço, sob o mar e em instalações atômicas são operados a distância por pessoas. Os construtores de robôs chamam a isso telerrobótica - uma extensão dos sentidos e da capacidade de manipulação. "A idéia é estar lá sem ir até lá", resume John Merrit, consultor da indústria americana de robótica.
O que o operador tem a fazer é usar um capacete que recebe os sons e as imagens da máquina, a qual repete seus movimentos, graças à armadura eletrônica colocada nos braços do homem. A telerrobótica é importante em situações de alto risco, em que se precisa contar com o julgamento e a inventividade humana - qualidades ainda inconcebíveis num computador. O desenvolvimento atual da telerrobótica é uma das principais razões para imitar os padrões típicos do homem. Isso porque, quanto mais se consegue reproduzir a experiência das pessoas em certas tarefas, mais facilmente elas conseguem comandá-lo. "Você esquece onde realmente está. Com o robô diante de si, parece que você se vê encarnado nele", ilustra Merrit.
Para conseguir essa sensação, que os especialistas chamam telepresença, a tecnologia de vídeo teve de desenvolver um sistema semelhante aos olhos - duas câmaras paralelas captam a mesma imagem, criando a percepção de profundidade espacial que uma simples tela de TV não oferece. Todas as pesquisas sobre máquinas, para surpresa de muitos cientistas, abriram um novo caminho para conhecer os seres humanos . Os robôs que se tornaram parte do mundo moderno não se parecem, de forma alguma, com os andróides que a ficção científica e a imaginação popular anteciparam há muitos anos. Mas hoje efetivamente se conhece - e se aprende a imitar - a máquina humana com uma riqueza de detalhes inimaginável aos avôs dos atuais fazedores de robôs. Manny que o diga.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

A revolução invisível - Nanotecnologia

A REVOLUÇÃO INVISÍVEL - Nanotecnologia



Desde 1995, os cientistas do Instituto Max Planck, na Alemanha, conseguem controlar os movimentos de uma sanguessuga viva a partir de um computador. Eles conectam um minúsculo chip de silício, com menos de 50 milésimos de milímetro, ao nervo central do verme. Os sinais da célula nervosa são recebidos pelo equipamento e transformados em sinais elétricos. Ao interpretar esses sinais, os pesquisadores são capazes de reproduzir os comandos de um neurônio sem comprometer o desempenho das células vizinhas. Nos últimos dez anos, o instituto vem se empenhando em reduzir o chip da escala micrométrica para a nanométrica, para utilizá-lo no tratamento de doenças neurológicas humanas. Implantado no cérebro, o chamado neurotransistor poderá corrigir, por exemplo, a produção da substância das células degeneradas que causam o mal de Parkinson. A pesquisa alemã deverá ser uma das inúmeras contribuições que a nanotecnologia promete para o século 21.

Afinal, o que é essa tal de nanotecnologia? "Nano" vem do grego e significa "anão". Um nanômetro equivale a um milionésimo de milímetro, medida tão pequena que são necessários cerca de 400 000 átomos amontoados para atingir a espessura de um fio de cabelo. Portanto, os nanoprodutos são objetos que medem milionésimos de milímetro. A melhor imagem para entender o funcionamento da nanotecnologia são os tradicionais blocos Lego. Imagine que cada uma das pecinhas seja um átomo. Você prende os blocos uns aos outros e constrói um carro, uma casa ou um avião. Pense nesse processo numa escala microscópica e você terá compreendido como transformar um átomo num produto maior. Suponha agora que a propriedade de uma molécula - dois ou mais átomos reunidos - seja repelir a água. Milhões dessas moléculas agrupadas viram um tecido impermeável. Metros e metros desse tecido serão usados em roupas. Pronto, agora você tem uma capa, uma calça e um sapato para sair na chuva sem se molhar.



PRODUZINDO O NOVO

Da mesma forma, pode-se mexer nos átomos de um pedaço de carvão e reorganizá-los na forma de diamante. Parece revolucionário? Pois agora imagine reagrupar os átomos um a um, no lugar exato, até formar objetos que a natureza não criou. Um robô que possa entrar na sua corrente sangüínea e eliminar vírus, bactérias e protozoários, por exemplo. A aids, a malária, a gripe e dezenas de doenças graves seriam, enfim, coisa do passado. Essa é a revolução que a nanotecnologia promete para quando ela for aplicada em escala industrial.

Talvez você desconheça, mas o homem já consegue transformar átomos de carbono em nanotubos de transistores ou gotas de silício em lâminas de vidro. Só que são produtos caros e, para ir mais adiante, ainda faltam os operários.

O engenheiro Eric Drexler, fundador do Instituto Foresight e um dos maiores defensores da nanotecnologia, acredita que a ciência será capaz de construir os nanorrobôs em 2010. Esses robozinhos minúsculos - eles próprios frutos da nova ciência - farão o "trabalho duro", ou seja, ordenar os átomos como quem empilha tijolos para levantar uma parede.

Assim, os primeiros produtos nanométricos comercialmente viáveis surgiriam a partir de 2015. Cinco anos depois, os nanorrobôs seriam amplamente utilizados em hospitais. As maquininhas invisíveis poderão entrar no corpo humano e combater células cancerígenas, matar vírus e micróbios, destruir tumores e placas de colesterol. Elas também colocarão cada molécula no seu devido lugar, curando doenças genéticas e retardando o envelhecimento.



DO SAPATO AO BIFE

Bem-empregada, a tecnologia ajudará na recuperação do meio ambiente. A Universidade de Brasília já estuda aplicações de nanoímãs em despoluição de águas contaminadas por petróleo. E nanossensores instalados nos automóveis poderiam controlar a emissão de gases tóxicos na atmosfera. Numa das aplicações mais controversas, Drexler propõe até a criação de alimentos mais nutritivos e baratos a partir da manipulação dos átomos. Poucos apostam na concretização dessa hipótese nos próximos 15 anos, levando-se em conta a polêmica causada pelos alimentos transgênicos. Na teoria, você poderia mexer nas moléculas de uma sola de sapato e ganhar um bife suculento - para a redenção da maioria dos restaurantes universitários, que costumam inverter a fórmula.

Esqueça o velho computador que ocupa boa parte da sua mesa de trabalho. Com a nanotecnologia, serão construídos supercomputadores com bilhões de processadores, rápidos o suficiente para realizar trilhões de cálculos por segundo e armazenar todos os livros de uma biblioteca, mas que vão caber na sua mão. O nanoprocessador vai virar peça comum de qualquer objeto. Ninguém vai notar a presença do computador na caneta, na chave da porta, no cartão do banco, no sapato, mas ele estará lá.

Quando os cientistas aprenderem a manipular habilmente os átomos, produtos saídos diretamente dos livros de ficção científica se tornarão realidade. Em 2020, a indústria vai fabricar materiais 100 vezes mais resistentes que o aço, carros que não arranham, espelhos antiofuscantes, aviões mais leves, roupas que regulam a temperatura do corpo, jornais eletrônicos de plástico semelhante ao papel, tintas que mudam de cor, aquecedores solares baratos, bolas de basquete que não perdem a elasticidade. O casco dos navios será repelente à água - com menos atrito, eles gastarão menos combustível. Todos os materiais que você descarta, inclusive os não-recicláveis, poderão virar outros objetos. O futuro respeitará, como nunca, a máxima de Lavoisier: "Tudo se transforma".
Tudo lindo e maravilhoso, mas a nanotecnologia ainda encontra opositores. Entre as questões, duas se destacam. Primeira: assim como os nanoprodutos podem ser usados para o nosso conforto, também podem se voltar contra nós. A tecnologia será utilizada para fins militares? Teremos armas mais destrutivas que a bomba atômica? Segunda: sabe-se que algumas combinações de átomos são tóxicas. Quais os efeitos que as nanoestruturas terão sobre o meio ambiente e o corpo humano? Como você percebe, a polêmica é inevitável, mas saudável. Para quem acredita nos benefícios da ciência, vale apostar no bom senso do homem.


Tendências




- NANORROBÔS

Até 2010, a ciência deverá ser capaz de construir nanorrobôs - minúsculos robôs que vão ordenar os átomos para a criação de novos produtos.



- ESCALA COMERCIAL

Se tudo correr como prevêem os cientistas, os primeiros produtos da nanotecnologia comercialmente viáveis devem surgir a partir de 2015.



- MEDICINA

Em 2020, os nanorrobôs deverão ser amplamente utilizados em hospitais. As maquininhas invisíveis poderão entrar no corpo humano para combater células cancerígenas, matar vírus e micróbios, destruir placas de colesterol.



- RISCO POTENCIAL
Assim como os nanoprodutos podem ser usados para o nosso conforto, também podem se voltar contra nós. Um dos temores é que a tecnologia seja empregada para fins militares.




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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Robôs substituem professores em salas de aula

28/12/2010 17h17 - Atualizado em 28/12/2010 17h17

Robôs substituem professores em salas de aula da Coreia do Sul
Projeto piloto levou 29 robôs para ensinar inglês a jovens.
Robôs são controlados remotamente por professores humanos.

Uma cidade da Coreia do Sul está testando o uso de robôs em salas de aula. O projeto piloto levou 29 robôs que medem 1 metro de altura para ensinar inglês a jovens. Os robôs são controlados remotamente por professores que ficam nas Filipinas.


Robôs ensinam inglês a crianças em cidade da Coreia do Sul. (Foto: AFP)Como os robôs dispõem de uma TV que exibe o rosto de uma mulher, câmeras detectam as expressões faciais dos professores e as refletem nesse rosto. Além disso, os professores conseguem ver e ouvir os estudantes por meio de um sistema remoto.

Além da leitura de livros, os robôs usam um software pré-programado para cantar músicas e jogar games com os alunos. Segundo uma porta-voz da Secretaria de Educação da cidade, os robôs ainda estão sendo testados, mas o governo estuda contratá-los por um período maior.

“Ter os robôs em sala de aula deixa os alunos mais participativos, especialmente os tímidos que têm medo de falar”, explicou a porta-voz. Ela também afirmou que a ideia não é substituir os professores humanos, e, sim, atualizar o sistema de ensino e dar aos alunos formas mais interessantes de aprendizado.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Os Robôs vão nos destruir? - Guerra contra as Maquinas

OS ROBÔS VÃO NOS DESTRUIR?



Dia 31 de dezembro de 1999. Armas apontadas contra a nuca do planeta, eles esperavam o minuto 23:59 passar para dispararem seus gatilhos. Armas conscientes de sua eficácia em matar, aguardavam o fatídico cumprimento de uma promessa que, devido a uma falha de planejamento na década de 60, estava privando o homem de registrar os dois primeiros dígitos dos anos em sua datação informática. Ninguém havia percebido que, ao passar do último ano da década de 90 para o último ano do século 20, o registro computacional entenderia a troca de números como um retorno ao início - 99 virando 00 -, em vez de continuar a contagem progressiva.

O bug do milênio não causou a tragédia anunciada, e as máquinas que tinham nosso futuro nas mãos, como quisesse um autor de ficção científica tergiversando sobre o tema, aos poucos afrouxaram os dedos. As previsões falavam em tumulto no mercado financeiro, pane na rede mundial de telecomunicações, crise no abastecimento energético do planeta, falhas nos controles de segurança de usinas nucleares. Com toda a paranóia criada na época, foi impossível não soltarmos fogos de artifício e abrirmos garrafas de champanhe enquanto pensávamos num possível colapso do sistema, que os primeiros segundos do ano 2000 logo trataram de mostrar não mostrar de mais uma prova do antigo medo que o ser humano tem de perder a guerra contra suas próprias criações - no caso, as máquinas.

Por que tememos tanto o que nós mesmos construímos? Desde o mito hebreu do Golem até a sua versão "neuromântica" em Blade Runner (1982), recém-eleito o melhor filme de ficção científica de todos os tempos, temos medo de que as máquinas se revoltem contra os humanos e tomem conta de tudo e de todos. A cultura popular já se encarregou de mitificar esse embate, e os resultados quase nunca são satisfatórios para nós.

FUTURO SOMBRIO

Desde a Disneylândia velho-oeste de Westworld (1973) - o primeiro filme do escritor Michael Crichton, que se consagraria como roteirista de outro parque de diversões em parafuso, Jurassic Park, de 1993 - até a lavagem cerebral dos seres humanos feita pelas máquinas da trilogia Matrix (1999-2003), o futuro da humanidade parece sombrio no que diz respeito ao resultado do pega entre homens e robôs. Tanto no apocalipse motorizado da cinessérie Exterminador do Futuro (parece que vem aí o quarto filme) quanto na paz imposta pelo supercomputador que batiza o filme Colossus: The Forbin Project (1970), resta à humanidade se conformar, de uma vez por todas, em ser extinta ou ser mantida refém de máquinas sofisticadas e superdestruidoras.

Tal seqüestro em nome da ciência é repetido em golpes intuitivos de máquinas frias e calculistas, que lentamente caminham rumo à falibilidade humana. Em 2001 - Uma Odisséia no Espaço (1968), do diretor Stanley Kubrick, o supercomputador HAL 9000 extermina os astronautas da missão em Júpiter para que eles não o atrapalhem no cumprimento de seu trabalho. Frio e polido, ele desliga as pessoas como máquinas, sem o menor remorso. Já em Alien - o Oitavo Passageiro (1979), do cineasta Ridley Scott, o oficial científico Ash (um andróide, como descobrimos mais tarde), com toda sua frieza e passividade, põe toda a tripulação da nave Nostromo em risco ao decidir manter o alienígena vivo.

Nem a coexistência homem/máquina num mesmo ser é tema pacífico. Enquanto a consciência do policial Alex Murphy teima em sobreviver dentro do monstro de metal em que se transformou em Robocop (1987), os dois protagonistas do anime Ghost in the Shell ("O Fantasma do Futuro", de 2002) vivem dramas complementares: a major Motoko é um andróide sem alma, enquanto o vírus inteligente Mestre dos Fantoches é um espírito digital sem corpo (daí a citação cartesiana do título). Nenhum deles tem necessidade de gente para sobreviver.

IMITANDO OS HUMANOS

Mas, à medida que as máquinas se descobrem falíveis e sentimentais, elas vão mudando de humor. Em Blade Runner, Roy Batty, interpretado pelo ator Rudger Hauer, é o líder do grupo de replicantes Nexus 6, que se rebelam contra os seres humanos e chegam à Terra como uma ameaça. Batty, também conhecido pelo seu número de série N6MAA10816, resolve vingar-se de seu criador por não lhe permitir viver por mais de seis anos. Já no filme A Geração Proteus (1973), um horror de ficção científica, dirigido pelo escocês Donald Cammell, o supercomputador Proteus IV é "o primeiro córtex sintético de verdade... um cérebro", nas palavras de seu criador, o arrogante cientista Alex Harris. Não demora muito e Proteus IV decide se aventurar por aí e conhecer o mundo: abandona a caixa em que está confinado e vai seduzir ninguém menos do que a mulher de seu criador. No mínimo esperto, o moço.

Em 2001 - Uma Odisséia no Espaço, HAL canta uma música infantil ao perceber que está sendo desligado .
Sentimentos e sensações cibernéticas mais humanos do que as dos próprios humanos são comuns em filmes. Talvez seja porque essas reações nos façam refletir sobre a real natureza do homem. Tememos as máquinas pois, em última instância, elas somos nós - era o que fazia o diretor Stanley Kubrick ter tanto carinho com o filme A.I. - Inteligência Artificial. Os robôs são a continuação da nossa evolução. Para ser mais exato, eles são a nossa prole.

Eu acredito!

"Nós, humanos, somos contraditórios. O que esperar de um japonês que se mata de trabalhar 18 horas por dia e depois torra as economias em um cachorro-robô de 2 000 dólares? Temos mania de humanizar as máquinas e mecanizar os humanos. Um mendigo é uma peça defeituosa da sociedade, a mesma sociedade que se reúne em fãs-clubes de geeks uniformizados idolatrando um deus pingüim. Não vejo os humanos voltando para a Idade da Pedra depois de um holocausto tecnológico nem vejo robôs nos escravizando. Acho que vamos acabar mesmo é numa grande miscigenação. E isso é bom! Basta olhar para o cão vira-lata e ver que ele é o mais resistente."
Mr. Manson, editor do site Cocadaboa.com

Nós contra eles

T800

Filmes: O Exterminador do Futuro (James Cameron, 1984)

O que fez: No primeiro filme, T800 (Arnold Schwarzenegger) é uma máquina fria e assassina. No segundo, ele começa a desenvolver sentimentos, muito pelo fato de conviver com o garoto John Connor (Edward Furlong), seu protegido.

T1000

Filme: O Exterminador do Futuro II (James Cameron, 1991)

O que fez: T1000 (Robert Patrick) é um robô que vem do futuro para eliminar John Connor e o robô Exterminador, que havia mudado de time. Mesmo num papel coadjuvante, o robô fez tanto sucesso que depois fez uma ponta na comédia Quanto Mais Idiota Melhor 2.

HAL 9000

Filme: 2001 - Uma Odisséia no Espaço (Stanley Kubrick, 1968)

O que fez: Terceiro supercomputador de sua série, HAL nasce no dia 12 de janeiro de 1992, na usina HAL de Urbana, no Estado de Illinois, com o único propósito de manter estáveis as condições de bordo de missões espaciais. Acaba extrapolando suas funções. Nove anos depois, HAL assume o controle da espaçonave Discovery, depois de perceber que os humanos a bordo poderiam estragar sua própria missão - simplesmente por serem humanos!

GORT

Filme: O Dia em que a Terra Parou (Robert Wise, 1951)

O que fez: Gort (Lock Martin) é um enorme leão-de-chácara espacial encarregado de proteger o emissário alienígena Klaatu (Michael Rennie), que vem alertar os humanos que, se o nosso planeta não ficar em paz, o bicho vai pegar. A solução não podia ser mais humana: matam Klaatu como se pudessem matar o problema. Foi a deixa para Gort sair quebrando tudo.

ASH

Filme: Alien - o Oitavo Passageiro (Ridley Scott, 1979)

O que fez: O oficial científico Ash (Ian Holm) é um andróide que conduz a nave Nostromo à captura da mais perfeita máquina de guerra. O problema é que ele sabia desde o início da periculosidade do ET e que os seres humanos da missão podiam ser descartados. Mais: ninguém na nave suspeitava que ele era um robô. Pior para todo mundo.

AGENTE SMITH

Filmes: Matrix (Andy e Larry Wachowski, 1999), Matrix Reloaded (2003) e Matrix Revolutions (2003)

O que fez: Smith (Hugo Weaving) é apenas um dos mecanismos de segurança que o programa Matrix desenvolveu para eliminar seres humanos. Mas depois que Neo (Keanu Reeves) faz o que parecia impossível - mata o agente -, ele volta renascido e, em suas próprias palavras, livre. É um dos melhores vilões da ficção científica moderna.

PROTEUS IV

Filme: A Geração Proteus (Donald Cammell, 1973)

O que fez: Dublado por Robert Vaughn, Proteus é um computador que foi criado com fins militares, mas logo desenvolve consciência e quer conhecer o mundo em que nasceu. Seu criador, o cientista Alex Harris (Fritz Weaver), ri na sua cara quando ele pede para sair do laboratório. É o suficiente para o computador planejar sua fuga, e da forma mais perversa: entra na casa de Harris, seduz sua esposa e promete devolver a ela a filha que morrera.

DAVID SWINTON

Filme: A.I. - Inteligência Artificial (Steven Spielberg, 2001)

O que fez: O menino-robô David (Haley Joel Osment) foi fruto da parceria entre os diretores Stanley Kubrick e Steven Spielberg. Na visão de Kubrick, um computador consciente não seria uma ameaça à humanidade, mas sim uma continuação natural, evolucionária, do ser humano. Nas mãos do diretor Spielberg, a história virou praticamente uma overdose de glicose.

ROY BATTY

Filme: Blade Runner - O Caçador de Andróides (Ridley Scott, 1982)

O que fez: O andróide Roy Batty (Rudger Hauer) é o líder do grupo de replicantes Nexus 6, que se rebelam contra os seres humanos. Batty é o primeiro ser sintético a desenvolver emoções, um processo que se encerra assim que o caçador Rick Deckard (Harrison Ford) tenta encurralá-lo. Batty termina por poupar a vida de Deckard, numa demonstração formidável de seu espírito humanitário.

PROJETO 2501

Filme: O Fantasma do Futuro (Mamoru Oshii, 1995)
O que fez: Desenvolvido por um especialista americano em inteligência artificial, o Projeto 2501 era inicialente um programa de espionagem que se infiltrava na consciência das pessoas, criando experiências simuladas . Mas o programa criou vida própria e passou a trabalhar como uma inteligência artificial com planos bem pouco ingênuos para a humanidade.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Robô dá aulas no Japão - Androide

07/05/09 - 09h28 - Atualizado em 07/05/09 - 09h28

Robô cheio de expressões dá aulas no Japão
Saya expressa surpresa, medo, nojo, raiva, felicidade e tristeza.
Controlada remotamente por humano, máquina pode dar palestras.


A escola Kudan, em Tóquio, realizou nesta quinta-feira (7) uma aula com a professora Saya, um robô que expressa surpresa, medo, nojo, raiva, felicidade e tristeza. Desenvolvida pela Universidade de Tóquio, ela tem pele de borracha movimentada por motores e fios posicionados em volta dos olhos e da boca.




Alunos encostam na pele de borracha da professora Saya. (Foto: AP)
Saya é controlada remotamente por um humano, que assiste em uma câmera à interação entre robô e alunos – na aula desta quinta, ela chamou as crianças pelos nomes, falou frases programadas e deu uma palestra sobre robôs, enquanto exibia um vídeo.




Estudantes levantam as mãos para responder a uma pergunta feita por Saya; professora robótica falou frases programadas durante a aula desta quinta. (Foto: AP)




Controlada remotamente por humano, máquina pode dar palestras. (Foto: AP)



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