Mostrando postagens com marcador urso. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador urso. Mostrar todas as postagens

domingo, 12 de abril de 2020

Ursos polares podem estar se tornando canibais devido à atividade humana

Ursos polares podem estar se tornando canibais devido à atividade humana


A atividade humana está afetando os ursos polares do Ártico e pode ter contribuído para o aumento do número de casos de canibalismo entre esses animais. 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Pichação misteriosa em urso polar na Rússia causa espanto em ambientalistas

Pichação misteriosa em urso polar na Rússia causa espanto em ambientalistas


Imagens de um urso polar que foi pichado com os dizeres "T-34" no corpo causaram espanto em ambientalistas. 

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

As quatro estaçoes dos Ursos - Natureza


AS QUATRO ESTAÇÕES DOS URSOS - Natureza



São mesmo uns bichos curiosos: na primavera, cuidam da boa forma; no verão, são namorados fiéis; no outono, se empanturram; e no inverno dormem, mas não hibernam .

Despertada pelo sol da primavera, após mais de três meses de sono, a fêmea pela primeira vez olha a cria com atenção. O urso, um dos mais bizarros animais da face da Terra, nasce assim de uma mãe sonolenta, cujo corpo lhe serve de felpudo cobertor no início da vida, quando apenas dorme e mama. Os bichos adultos nem sequer sentem necessidade de se alimentar enquanto dura o frio e a família não sai da toca por nada. Isso porque, no inverno, o metabolismo dos ursos faz maravilhas, reciclando as substâncias do organismo, sem perder muita coisa. Mas um urso pode de repente ficar completamente alerta por causa de um ruído e até lutar com quem o despertou.
Daí seu comportamento nos meses frios ser considerado uma falsa hibernação, o que o torna um animal ainda mais peculiar. O urso não entra para o seleto clube dos hibernantes, do qual fazem parte o esquilo e o morcego, por razões que só os fisiologistas compreendem bem. Apesar de poupar energia refugiando-se em um longo sono, sua temperatura, por exemplo, não cai suficientemente para se falar em hibernação - um estado em que o organismo está fisiologicamente à beira da morte. Assim, enquanto um esquilo quase se congela ao hibernar, os termômetros marcam apenas 9 graus abaixo do normal no corpo de um urso adormecido.
Esse  singular metabolismo  chega a interessar cientistas que imaginam descobrir aí novas terapias para doenças humanas. É verdade que nem todo urso dorme dessa maneira. O urso-polar não imita a hibernação como seus primos de outras latitudes, pois, além de estar acostumado ao clima invariavelmente gelado dos pólos, tampouco tem problemas de abastecimento : seu prato predileto, a foca, está ao alcance das patas o ano inteiro. De fato, há ursos e ursos, cada qual com suas manias. Ocorre que a família dos ursídeos, os últimos carnívoros que surgiram na evolução das espécies, há cerca de 6 milhões de anos, se espalhou da Eurásia para todo o globo, com exceção do continente africano.
Conforme o ambiente em que se desenvolveu, o bicho adotou hábitos apropriados e até se transformou morfologicamente, o que deu origem a várias espécies. Muitos outros animais, por serem fisicamente parecidos, são confundidos com membros da família. É o caso, principalmente, do panda, que não é ursídeo mas ailuropódeo. Certamente, o pai de toda a legítima família é o Ursus spelaeus, o extinto urso das cavernas, um feroz parente dos cães. Ao se adaptar a determinados ambientes escassos em caça, porém, certos ursos perderam os caninos afiados do ancestral. Hoje se considera que os ursos são capazes de devorar um variado cardápio: de castanhas a raízes e frutas, de peixes a pequenos roedores, de mel a insetos.
Embora cada espécie tenha suas preferências, com fome qualquer urso traça o que vier. Ou seja, é um animal carnívoro, como dizem os biólogos. No entanto, é bom que se esclareça os ursos parecem não apreciar a carne humana e só atacam o homem com patadas fatais quando se sentem ameaçados. No outono, eles se tornam verdadeiros glutões e passam vinte horas por dia mastigando o que encontram pela frente. Cada adulto começa a consumir cerca de 20 mil calorias diárias, cinco vezes mais do que o habitual. "A gula, no caso, é uma excelente tática de sobrevivência", justifica o zoólogo Rogério Ribeiro da Universidade de São Paulo, que estuda ursos entre tantos outros bichos.
No final da estação, o urso já formou uma camada de gordura de aproximadamente 15 centímetros. "O tecido gorduroso não serve apenas como reserva de energia para o período em que o animal dormirá", explica Ribeiro, "mas também é um isolante térmico, o segredo da manutenção de calor no corpo". Obeso após tanta comilança, o urso procura um lugar para a temporada de inverno, que nem sempre é a tradicional toca. Os zoólogos observam que parece existir um gosto individual, de forma que alguns ursos insistem em determinada escolha ano após ano, mesmo sem ser a ideal.
Desse modo, é comum um urso-pardo, na América do Norte, perambular até encontrar um canto qualquer que lhe agrade e construir ali uma espécie de ninho a céu aberto. O animal às vezes termina coberto por um lençol branco de neve, mas isso não incomoda o extravagante dorminhoco. Quando os ursos despertam com o calor da primavera, a primeira providência é recuperar a boa forma para um namoro de verão, a época do acasalamento. Na  família dos ursídeos , seja qual for a espécie, os machos têm fama de amantes fiéis, capazes eventualmente de perseguir, com a ajuda do faro apuradíssimo, a fêmea com que se acasalaram em anos anteriores. Para conferir até onde ia, literalmente, o romantismo da fera, pesquisadores espanhóis vestiram um exemplar de urso-pardo com uma coleira dotada de emissores de radar, para acompanhar seus passos. Salsero (intrometido), como foi apelidado o bicho, começou a seguir a fêmea por quem se sentiu atraído.
Esta, por charme ou impulso da natureza, correu mais de 100 quilômetros até se deixar alcançar. A história de amor teria tido logo um final feliz se não aparecesse um rival. A briga de machos por uma fêmea, no caso dos ursos, lembra cenas de filmes pastelão. Os rivais passam rasteiras, batem as palmas das patas feito inimigos desajeitados. A real intenção dos contendores não é machucar o outro, mas vencê-lo pelo cansaço. Como ganhador da luta, Salsero recebeu de prêmio os carinhos da fêmea. Mas, para surpresa dos pesquisadores, o vencido não saiu de cena. Afastado, aguardou pacientemente o dia seguinte, sabendo que teria direito às mesmas atenções, só que depois de um campeão. Pois, para as fêmeas dos ursos, as paixões parecem eternas apenas enquanto duram.
Os filhotes, normalmente um ou dois, nascem após sete meses, já em pleno inverno. Mesmo em espécies como o urso-pardo, em que o adulto chega a pesar mais de 200 quilos, as crias são pequenas e frágeis, não ultrapassando 400 gramas na balança - daí o encanto que esses bichinhos provocam. A mãe, uma exímia professora, passa dois anos e meio ensinando os filhotes a buscar comida e a se defender. O treinamento inclui várias técnicas de caça e pesca. O estilo do acasalamento e a persistência da mãe são traços comuns a todos os ursos, como também o gosto por amplos territórios. O urso-pardo, por exemplo, se irrita quando tem companhia em seu pedaço - um espaço de 200 metros quadrados.
As espécies, porém, evoluíram com temperamentos muito diferentes. Talvez em resposta a tais diferenças, os sentimentos do homem em relação a esses animais gorduchos também variam conforme o lugar. Na América do Norte, por exemplo, a relação entre ursos e homens sempre foi das mais amistosas. Os índios americanos venderam o urso como um animal sagrado, o qual, aliás, aparece desenhado em totens e amuletos. Uma lenda indígena conta que certa vez um castor, cansado de roer os cedros dos bosques, começou a devorar a lua, até a noite ficar em completa escuridão. A grande Mãe pediu então a um corvo para capturar outra lua, colocada sobre a sua casa. A partir daí o urso ficou incumbido de cuidar que ninguém roube a lua da noite. Certas tribos americanas também acreditam que os homens são descendentes dos ursos. Os europeus, por sua vez, preferem tradicionalmente o urso na mira de uma espingarda. Os antigos romanos o descrevem como uma fera, que matava ou quebrava os braços dos soldados.
Na Suíça, uma lenda atribui a fundação da cidade de Berna - depois de Zurique a segunda mais populosa do país -, em 1191, a um duque alemão que decidiu dar-lhe o nome do primeiro animal que matou na região: um urso, é claro, ou bär, em sua língua. É também o famoso símbolo de Berlim. A primeira descrição completa do mamífero, porém, surgiu em um livro de caça escrito em meados do século XIV a pedido do rei Afonso XI, de Castilha e León. Emblema de força e resistência, o urso aparece em muitos brasões europeus. Isso não impediu que até recentemente os espanhóis incluíssem ursos nas touradas - prática afinal proibida em 1973. É possível que o costume tenha sido herdado da França, pois os parisienses, até o século passado, apostavam em brigas de ursos e cachorros. O pretexto para tudo isso era a crença de que o urso-pardo, a única espécie européia fora do círculo polar, é sempre um bicho feroz.
Na verdade, o urso-pardo ou Ursus arctos, com seus 2 metros de altura, agride homens apenas quando provocado. Suas duas centenas de quilos são mantidas habitualmente com uma singela dieta à base de morangos, amoras, groselhas, raízes e, claro, mel. No entanto, em épocas menos fartas, esse animal de pelugem que varia do preto ao marrom-escuro e acobreado não hesita em atacar criações de gado. Até a Idade Média, podia ser visto em todo o território europeu. Hoje, as populações de ursos-pardos se concentram nas áreas selvagens de montanhas, sobretudo na União Soviética - quem não se lembra do ursinho Micha, mascote das Olimpíadas de Moscou em 1980? 
Já na América do Norte existem três espécies de ursos, das quais a dos grizzly ou Ursus horribilis tem mais de oitenta subespécies catalogadas. Com seus 3 metros de altura e quase 800 quilos, o acizentado grizzly é sem dúvida o maior carnívoro terrestre. Bem mais forte do que um leão ou um tigre, um grizzly esfomeado ataca pequenos roedores ou resolve pescar salmões. Isso mesmo: essa é uma espécie de exímios pescadores que, sobre pedras nas corredeiras, tiram os peixes da água com ágeis patadas.
O célebre urso-polar branco ou Tharlarctos maritimus habita todo o círculo polar ártico, sobre blocos flutuantes de gelo. "É incrível como se adaptou a um meio tão hostil, tornando-se diferente do resto da família", comenta o zoólogo Rogério Ribeiro, da Universidade de São Paulo. De fato, o urso-polar se transformou tanto, mas tanto, que mal pode ser considerado um animal terrestre, pois passa mais de dois terços da vida dentro das águas geladas. As patas e o peito são mais largos que os de seus primos de terra firme, o que lhe facilita a natação. "Além disso", nota o zoólogo, "é o único urso cujas plantas das patas são peludas; com isso, desliza sobre o gelo como se calçasse esquis."
Na Ásia, a família também passou por modificações morfológicas importantes. Ali, os ursos-preguiças, por exemplo, também chamados Ursus ursinus, têm um beiço semelhante ao do tamanduá para abocanhar alimentos que, na Índia, onde vivem, podem encontrar com facilidade: formigas e cupins. Suas garras também são mais afiadas e compridas pelo mesmo bom motivo, pois dessa maneira os preguiças conseguem cavar a terra. O nome preguiça desse urso de pêlo curto e crespo surgiu por causa de seu modo na infância: o filhote se agarra aos ombros da mãe e dali só sai quando, com cerca de 6 meses de idade e 10 quilos, é expulso do colo pela exausta genitora.
O mais curioso dos ursos, cujos hábitos os cientistas conhecem muito pouco e cuja população nem é estimada, é o urso-de-óculos ou Tremarctos ornatus. Trata-se do único membro da família ursídea que vive na América do Sul, nos bosques que contornam a cordilheira andina e nas montanhas com mais de mil metros de altitude na região noroeste da floresta amazônica, onde o Brasil faz fronteira com o Peru. O nome desse bicho essencialmente herbívoro é devido às manchas brancas nos olhos, que causam a impressão de que está de óculos.
Desde 1973, um  acordo internacional proíbe a caça aos ursos; só podem ser abatidos em legítima defesa. A medida faz sentido. Afinal, não existem mais de 10 mil ursos-pardos na Europa. O número pode não parecer alarmante, mas é. Pois esses animais, que vivem até 30 anos, começam a se reproduzir tarde. As fêmeas geram no máximo um par de filhotes e só então se acasalam novamente. Se não houver cuidado, o urso pode engrossar a já extensa lista de animais em extinção.

Imitando o sono dos ursos

Para sobreviver, um organismo quebra moléculas. O que sobra dessa operação é a uréia, uma substância que, ao se acumular no sangue, leva à morte. Mas, durante o inverno, os ursos produzem tão pouca uréia que os rins nem têm de filtrá-la como de costume. Cientistas americanos querem saber como eles conseguem a proeza. Parece que um dos segredos dos animais é obter energia exclusivamente da gordura acumulada no corpo roliço, graças à mesma substância que os faz dormir no inverno. Queimada a gordura, sobram apenas água e gás carbônico, ou seja, nenhuma uréia. 
Para imitar os ursos, setenta pacientes de insuficiência renal seguiram uma dieta à base de gordura e assim dispensaram por dez dias a hemodiálise - filtração artificial do sangue que costuma ser aplicada três vezes por semana. Agora os pesquisadores querem isolar o hormônio do sono dos ursos, capaz de fazer o organismo transformar todo alimento em gordura e daí obter energia, o que reduz a produção de uréia. Com isso poderá surgir um remédio para seres humanos, os quais, dispensando o trabalho dos rins, como os ursos durante o sono, conseguirão aguardar por mais tempo o inevitável transplante.

Parecem, mas não são

Afinal, o que faz de um urso um urso? Segundo o zoólogo Ladislaw Deutsch, de São Paulo, o essencial é um pré-molar pontiagudo pronto para dilacerar em vez de mastigar, o que faz dos ursos típicos carnívoros, como cães e felinos. Alguns animais, por exemplo certas focas, não têm nem essa outra característica dos ursos e, no entanto, recebem o seu nome. Mas há casos, como o do panda, em que até a presença de pré-molares engana. 
A ficha dos falsos ursos:
Urso-panda - É tão parecido com um urso de verdade que, durante muito tempo, os próprios zoólogos o consideravam da mesma família. Estudos minuciosos provaram porém que, embora também seja carnívoro, não tem ancestrais com os ursos.

Urso-gato - Bem menor que o panda, pertence na verdade à mesma família ailuropódeo.

Urso-lavador - Também conhecido como mapache, pertence à família dos procionídeos, que talvez tenham sido aparentados com os ursos no início da evolução.

Ursos-marinhos - Por esse nome são chamadas oito espécies de focas que têm uma pelugem nas costas. Essa característica teria criado a confusão com os ursos.

Retrato de família
As principais espécies    

Nome popular : grizzly    
Nome científico: Ursus horribilis    
Aparência: o pêlo varia do acinzentado ao marrom; 
é feroz quando provocado    
Quanto mede:2,5 a 3 metros    
cerca de 780 quilos    
O que come: mel, insetos, roedores e frutas    
Onde vive: em toda a América do Norte, especialmente na fronteira do Canadá e Estados Unidos    
-----
Nome popular: polar     
Nome científico: Tharlarctos maritimus    
Aparência: o pêlo branco ou muito claro chega a cobrir as plantas das patas    
Quanto mede: cerca de 1,5 metro     
Quanto pesa: cerca de 400 quilos    
O que come: peixes e focas
Onde vive: sobre blocos flutuantes de gelo, em todo o círculo polar ártico    
-----
Nome popular: preto
Nome científico: Enarctos americanus    
Aparência: pêlo negro, corpo roliço, é o mais brincalhão de todos    
Quanto mede: cerca de 1,5 metro     
Quanto pesa: de 250 a 300 quilos    
O que come: raízes, mel e frutas    
Onde vive: na América do Norte, dos bosques californianos ao estreito de Bering    
-----
Nome popular: tibetano    
Nome científico: Selenarctos thibetanus    
Aparência: apresenta um mancha branca em forma de meia-lua; por isso é conhecido também como urso-de-lua    
Quanto mede: 1,2 a 1,5 metro    
Quanto pesa: de 100 a 125 quilos    
O que come: prefere pequenos roedores, mas costuma atacar gado e comer carniça    
Onde vive: na Ásia, do Irã às ilhas setentrionais do Japão, sempre em regiões altas.    
-----
Nome popular: preguiça    
Nome científico: Ursus ursinus    
Aparência: o focinho é mais comprido que o de outras espécies, daí também ser chamado de urso-beiçudo    
Quanto mede: de 1,5 a 1,8 metro     
Quanto pesa: cerca de 150 quilos    
O que come: predileção por formigas e cupins    
Onde vive: na Índia e no Sri Lanka    
-----
Nome popular: malaio    
Nome científico: Helarctos malayanus    
Aparência: pêlo escuro com uma mancha dourada no peito, devido à qual é chamado urso-sol;
é o menor de todos     no Quanto mede: máximo 1 metro    
Quanto pesa: cerca de 45 quilos    
O que come: mel e pequenos roedores    
Onde vive: no Sudeste da Ásia e na Oceania    
-----
Nome popular: urso-de-óculos    
Nome científico: Tremarchos ornatus    
Aparência: preto, com manchas brancas nos olhos    
Quanto mede: de 1 a 1,5 metro    
Quanto pesa: cerca de 140 quilos    
O que come: raízes e folhas, especialmente as de palmeira    
Onde vive: nas selvas que contornam a cordilheira dos Andes e na região noroeste da floresta amazônica    

Nome popular: pardo    
Nome científico: Ursus arctos    
Aparência: o pêlo varia do marrom ao acobreado    
Quanto mede: 2 metros    
Quanto pesa: cerca de 200 quilos     
O que come: frutas, mel, insetos e roedores    
Onde vive: nas montanhas européias    


segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Urso Polar - O Colosso do Gelo


URSO-POLAR: O COLOSSO DO GELO



Um ataque sorrateiro pode parecer impossível para um urso. Afinal, o corpanzil de 2 metros de altura e 700 quilos não é exatamente discreto. Mas essa é uma das estratégias do urso-polar, o maior carnívoro terrestre e um predador eficiente. Tendo como cenário regiões como o Alasca, o norte do Canadá e da Rússia, a Groenlândia e a Noruega, o animal usa o aguçado olfato para localizar suas presas preferidas, as focas, a até 3 quilômetros de distância. Discretamente, camuflado pelo branco do gelo, o urso vai se aproximando do animal. Quando chega a uma distância de cerca de 20 metros, a surpreende e parte para o ataque. Muito mais rápido do que sua vítima (ele chega a alcançar 40 quilômetros por hora numa corrida curta), o urso a captura usando as garras e os dentes afiados. Pronto. Agora é só descansar por cerca de cinco dias.

"O urso-polar é o predador máximo do ecossistema marinho do Ártico", afirma Steven Amstrup, biólogo do U.S. Geological Survey (instituto de pesquisas geológicas do governo americano), que há mais de 20 anos estuda esses animais. Mas eles têm uma desvantagem: "O acesso à comida é no gelo", diz Steven. É muito mais fácil para um urso-polar obter sua presa no imenso rinque de patinação ártico que em águas abertas.

Isso não quer dizer que se seu alimento estiver submerso o urso não consiga pegá-lo. Entra aqui outra estratégia do mamífero, que requer paciência. As focas podem ficar vários minutos submersas, mas precisam de ar para respirar. Elas cavam, com suas garras, pequenos furos pela parte de baixo do gelo, para terem acesso ao oxigênio. Com o faro, o urso localiza esses buracos e espera, imóvel, por até uma hora - até que uma foca distraída apareça para respirar. Então, ele morde firmemente a presa pela cabeça e a traz à superfície. A refeição está servida.

A primavera no hemisfério norte é sinônimo de comida fácil. Nessa época, as focas dão cria e constroem tocas no gelo para abrigar seus filhotes. E no mesmo período os ursos usam uma terceira estratégia de caça: farejam as tocas e se posicionam silenciosamente ao seu lado até perceber algum sinal de vida dentro dela - o odor do filhote ou da mãe, ou algum barulho que denuncie a presença de um animal. Levantam-se então sobre as patas traseiras e investem com as dianteiras sobre a toca, até as quebrarem e alcançarem a presa. "Ser pesado é uma vantagem nessa hora", afirma Andrew Derocher, biólogo da Universidade de Alberta, no Canadá. E esse método, ao que parece, dá resultados: "Existem estimativas de que os ursos chegam a matar 44% dos filhotes de foca todos os anos", diz Steven.

A grande temporada de caça para um urso-polar vai de abril a junho. Quando pegam uma foca, podem consumir de uma só vez até 70 quilos de comida. Um estudo conduzido pelo canadense Ian Stirling, pesquisador e professor da Universidade de Alberta, revelou que a primeira coisa que os ursos fazem quando matam a presa é comer sua camada de gordura. É disso o que ele mais precisa para se manter aquecido em temperaturas que podem chegar a 34º C negativos. Muitas vezes, o animal deixa de lado a carcaça e a carne, que são consumidas por animais como raposas-do-ártico e gaivotas.

É no gelo, e só no gelo, que as estratégias de caça dos ursos-polares funcionam. Sem ele, não existem tocas nem buracos de respiração das focas. E, sem ele, o urso perde a camuflagem. É por isso que, para ursos-polares, a época mais difícil do ano é o verão, quando o sol brilha 24 horas por dia no Ártico. O gelo derrete, as tundras começam a aparecer e o urso perde sua plataforma de caça. Vários deles se deslocam o máximo que podem em direção ao norte, onde ainda há gelo e focas. "Ursos que vivem em regiões como os mares de Barents, no norte da Noruega e da Rússia, e Chukchi, no norte do Alasca, chegam a se deslocar até 1 000 quilômetros", diz Steven Amstrup. Mas os que vivem mais ao sul, como na Baía Hudson, no Canadá, não conseguem seguir o gelo e são obrigados a se adaptar à vida em terra, correndo o risco de passar um bom tempo sem conseguir alimento até que o mar congele novamente.

Para sobreviver longe do gelo, um urso-polar tem de se prevenir, garantindo seu estoque de gordura durante o inverno. Assim, quando chega o verão, sua maior preocupação passa a ser gastar a menor quantidade possível de energia. "Ursos-polares ficam preguiçosos no verão. Quando a temperatura ultrapassa os 20º C, eles apenas dormem, descansam e dão mergulhos para se refrescar", diz Andrew Derocher. O animal pode passar semanas - e até meses - sem comer nada. Se a fome apertar, eles podem tentar uma caçada. Sem focas, o jeito é improvisar com morsas, belugas, aves ou peixes. As chances de sucesso, no entanto, são bem menores. Outra opção para não ficar de barriga vazia é deixar a carne de lado e apelar para frutos típicos de regiões frias, a vegetação desses locais e até lixo deixado por homens. O urso ainda pode tentar caçar em águas abertas. Embora seja excelente nadador e consiga mergulhar a até 4,5 metros de profundidade, o urso-polar não consegue entrar na água sem ser percebido, por causa de seu tamanho. Assim, afasta as presas em potencial.

No verão ártico, os ursos-polares não podem gastar muita energia, mas não chegam a hibernar. O mais próximo que um urso-polar chega da hibernação é quando a fêmea grávida entra num estado chamado letargia carnívora - com significativa redução dos batimentos cardíacos e sutil baixa na temperatura corporal. As ursas não entram em estado de hibernação profunda porque têm de se manter aquecidas para dar à luz e amamentar.
O tão amado gelo dos ursos-polares pode deixar de existir. O aumento da temperatura global já faz com que o gelo demore cada vez mais para se formar e derreta com rapidez. Só isso já causa efeitos negativos sobre as populações desses animais, que têm sua época de caça e seu território reduzidos. Mas a situação pode piorar. Estima-se que, no fim deste século, o gelo do Ártico poderá derreter totalmente a cada verão. Entre as conseqüências disso, está a provável extinção dos ursos-polares.


Matador em série


Ursos-polares não costumam estocar alimento, como fazem outros ursos, mas podem caçar mais do que o necessário. O biólogo Steve Amstrup observou isso de perto, quando, a bordo de um helicóptero, procurava ursos-polares para seus estudos. "Avistei um urso macho de tocaia ao lado de um buraco para respiração de uma foca. Perto, havia uma foca morta, parcialmente consumida, e, entre o urso e essa foca, existiam mais três focas mortas amontoadas, como uma pilha de lenha. Quando o meu helicóptero se aproximou do urso, ele abandonou a tocaia, correu para onde estavam as três focas amontoadas e as cobriu com seu corpo, como se estivesse protegendo sua pilha de focas", afirma. Para o biólogo, o urso parecia satisfeito com o que havia comido da primeira foca, mas seguia perseguindo, caçando e empilhando os animais. "A probabilidade de ele comer tudo o que havia caçado era muito baixa", diz.


Como caça o urso




1. Cheiro de foca

O urso acha o local onde a foca respira



2. Na trilha

Pelo faro, ele vai seguindo os buracos



3. De tocaia

No próximo buraco, espera a foca e dá o bote



4. Mesa posta
Pela cabeça, ele puxa a presa e a devora


Fatos selvagens




Nome vulgar

Urso-polar



Nome científico

Ursus maritimus



Dimensões

Até 3 metros de altura



Peso

Até 680 quilos



Principais armas

Caninos longos e pontudos e garras afiadas, além da força e da camuflagem no gelo



Comportamento social

Solitários e até mesmo hostis com outros indivíduos da mesma espécie



Ataques a humanos

São raros. No Canadá, existem sete registros de mortes causadas por ursos-polares nos últimos 30 anos



Quanto come

Em cativeiro, cerca de 3 quilos por dia



Expectativa de vida

Até 18 anos em ambiente selvagem; 30 anos em cativeiro



Dieta

Focas-aneladas, baleias-beluga, peixes, morsas, pássaros marinhos, narvais, renas



Principais inimigos

Outros ursos-polares



Se você encontrar um
Não corra. Fique parado, a não ser que seja seguro dirigir-se devagar para um abrigo. Coloque uma jaqueta sobre a cabeça e abra-a com os braços, para você parecer maior do que é. Se o urso se aproximar, grite ou faça bastante barulho


Para saber mais




Na livraria

Polar Bears - Living With The White Bear - Nikita Ovsaynikov, Voyageur Press, EUA, 1999

Polar Bears - Ian Stirling e Dan Guravich, University of Michigan Press, EUA, 1998



Na internet

www.polarbearsinternational.org - Informações sobre ursos-polares



Nas bancas - DVD
Território selvagem - urso polar, documentário produzido pela BBC e lançado no Brasil pela Super



.
.
.
C=67812
.
.
.


sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Animais de zoológico testam lata de lixo

08/05/09 - 19h49 - Atualizado em 08/05/09 - 19h49

Animais de zoológico testam lata de lixo 'antiurso' no Alasca
Ursos costumam ficar presos em latas de lixo enquanto buscam comida.
Grupo ambientalista criou lata especial, mais difícil de ser aberta por ursos.




Ursos do zoológico de Anchorage, no Alasca, testam lata de lixo 'antiurso'. Em busca de comida, os animais costumam ficar entalados nos objetos, e acabam morrendo. Para minimizar as ameaças aos ursos, um grupo ambientalista propõe a troca de todas as lixeiras por latas seguras, que os ursos não conseguem abrir. (Foto: AP)




Durante demonstração, ursos também mostraram como é fácil abrir latas comuns. (Foto: AP)



PUBLICADOS BRASIL NO ORKUT

Documentarios para DOWNLOAD

DISCO VIRTUAL