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sábado, 31 de agosto de 2013
Gênio entra na universidade aos 11 anos
Gênio entra na universidade aos 11 anos
Carson já lia vorazmente livros aos dois anos de idade e entrou no ensino médio aos cinco.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
Fábricas de Tecnologia - Física
FÁBRICAS DE TECNOLOGIA - Física
Os instrumentos que começam a chegar aos laboratórios nacionais são verdadeiras máquinas do tempo - com eles idealizam-se, hoje, as maravilhas de amanhã
A primeira imagem que vem à mente, quando se ouve o termo epitaxiador por feixe molecular, é a de algum fantástico veículo espacial utilizado, possivelmente, pelo herói de histórias em quadrinhos Flash Gordon para fugir do fictício planeta Mongo. Não é nada disso, com certeza, mas a imagem de ficção científica persiste mesmo depois que se descobre a verdade. Como um dos mais avançados instrumentos da Física moderna, o papel dos epitaxiadores é transformar materiais comuns no mais tênue vapor de átomos imaginável. Tanto que, em seguida, esse gás solidifica-se sobre uma placa metálica à taxa de apenas 1 milímetro a cada 1 000 horas, ou 1 milionésimo de milímetro a cada três ou quatro segundos. Isso significa que os epitaxiadores são versões ultramodernas das forjas, pois são capazes de operar em escala atômica. Diferentes substâncias, vaporizadas em seus diversos fornos, acabam cristalizadas uma por vez - em camadas infinitesimais e numa ordem precisa - de modo a gerar materiais com propriedades nunca vistas na natureza. Exemplo disso são os novos chips de arsenieto de gálio, consagrados como peças fundamentais dos discos laser, nos quais eletricidade e luz interagem para codificar e armazenar informações. Imagina-se que, nos anos vindouros, os epitaxiadores conduzam, entre outras coisas, ao computador tridimensional, ou seja, um circuito eletrônico sem partes desmontáveis, desenhado entre os átomos de um único cristal. Algo como um pedregulho dotado de inteligência´Aplicações como essa, naturalmente, transformam os epitaxiadores em cobiçados equipamentos industriais. Elas têm mais valor, no entanto, como instrumentos de pesquisa - isto é, não por aquilo que já podem fabricar, mas sim por aquilo que podem ensinar a fazer, no futuro. É com esse caráter que tais máquinas começam a chegar ao Brasil, à medida que os físicos brasileiros, de mangas arregaçadas, procuram enfrentar o desafio nada usual de seu ofício: investigar as mais distantes fronteiras da realidade e antecipar as novas conquistas tecnológicas.Para isso, foram montados quatro epitaxiadores: em Belo Horizonte, MG, e em três cidades paulistas, a capital, São Carlos e Campinas. Nesse último local, entretanto, as atenções se voltam para um instrumento ainda mais sofisticado, a fábrica de luz síncroton. Trata-se de um anel gigante, de 80 metros de circunferência, já intitulado, internacionalmente, de instrumento científico da década. Sua função é produzir feixes muito intensos de luz comum e ultravioleta, como os lasers, mas também raios X, mais energéticos e até agora inacessíveis aos lasers. Foi necessário um admirável trabalho de engenharia avançada para domar esses pulsos de energia radiante.Numa primeira etapa, partículas subatômicas, como o elétron, têm que ser aceleradas por um sofisticado sistema de ondas de rádio. Isso é feito num tubo de 9 metros de comprimento onde se faz altíssimo vácuo, encontrável apenas a 300 quilômetros acima da superfície da Terra. Injetados, em seguida, numa estrutura circular de nome síncrotron, onde são obrigados a fazer curvas apertadas a uma velocidade bem próxima à da luz, os elétrons cospem energia espetacularmente em todo o vasto contorno do anel. Os raios jorram em afiadíssimos pulsos que duram milionésimos de segundo e têm uma espessura 2 000 vezes menor que 1 centímetro.Tanto os epitaxiadores como a luz síncrotron serão usadas no setor mais dinâmico da Física atual-a Matéria Condensada-na qual trabalham 40% dos físicos do mundo e mais da metade dos brasileiros. Em poucas palavras, a Matéria Condensada procura sondar o microcosmo em que se agitam átomos e moléculas. Nesses abismos, vigoram as leis básicas que fazem o vidro ser vidro, por exemplo, ou um ímã agir como tal.Se bem compreendidas, portanto, essas leis podem tornar-se a chave de metamorfoses notáveis-a idéia é gerar, entre outras coisas, vidros com a força do aço, ou metais dotados da resistência das cerâmicas ao desgaste. O mesmo vale para as moléculas orgânicas e já há quem pense, por exemplo, em dominar o mecanismo que permite à clorofila das plantas converter energia solar em eletricidade. Ele poderia ser usado numa revolucionária usina vegetal - onde uma bateria de plantas energizariarn as redes elétricas do país. Mera especulação, por enquanto: mas ela pode concretizar-se."Os avanços ocorrem com velocidade espantosa, nessa área", argumentam os físicos em um recém-lançado livro, cujo objetivo é explicar por que, e como, é preciso modernizar os laboratórios nacionais. Com o título A Física no Brasil na próxima década, o texto tem a inovadora preocupação de fugir, sempre que possível, à linguagem técnica. Também procura pelo menos esboçar os princípios que orientam as pesquisas atuais. No fim das contas, pode ser lido como um instrutivo livro de divulgação científica. "Espero que dona Zélia, especialmente, aprenda com ele", brinca o físico Oscar Sala, da Universidade de São Paulo, em referência à ministra da Economia, Zélia Cardoso de Melo.Um dos decanos da pesquisa brasileira, três vezes presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, que diz que os recursos são escassos, mas, se bem aplicados. será possível acompanhar o ritmo internacional. Um dos pioneiros, no Brasil. da Física Nuclear, cujo pique pouco fica a dever ao setor de Matéria Condensada. Sala ajudou a construir o primeiro acelerador de partículas subatômicas da América Latina-o Van de Graff, instalado em São Paulo nos anos 50. Desde então, ele vem aprimorando a arte de extrair boa Física de verbas não tão boas assim. O próprio Van de Graff ilustra como é sempre possível improvisar.Ao final de vinte anos de bons serviços prestados, ele foi simplesmente desmontado, em meados da década de 70. Sala explica que os pesquisadores precisavam de suas peças para fazer funcionar o Pelletron, um protótipo de acelerador bem mais energético que o precedente, mas ainda emperrado por pequenos problemas, comuns nos novos equipamentos. Hoje, a máquina brasileira é uma das melhores entre as dez existentes, instaladas na Índia. Japão, Argentina, Israel e Austrália. É o mais requisitado modelo de acelerador, mas agora vamos melhorá-lo". diz o cientista. Atualmente. a energia disponível para acelerar partículas é de 8 milhões de volts, mas pode chegar a 18 milhões de volts, com ajuda de supercondutores de nióbio.São fios que, refrigerados a 270 graus negativos, conduzem eletricidade sem perda de energia na forma de calor: por isso, são altamente eficientes na construção de bobinas magnéticas. essenciais nesse tipo de instrumento. Os aceleradores podem esmiuçar muitos detalhes da Matéria Condensada, complementando a pesquisa dos lasers e fábricas de luz. Mas eles descem mais um degrau na estrutura da matéria -passam dos átomos e moléculas, para os núcleos atômicos, 100 000 vezes menores. Os fenômenos dominantes nessas dimensões são relevantes, por exemplo, para a vida das estrelas, ou para a evolução do Universo. Mas sua influência também se faz sentir no dia-a- dia. São úteis, por exemplo, para denunciar a identidade secreta dos poluentes no ar. Eles escapam à análise convencional porque só é possível examinar o ar em pequenos volumes, nos quais os poluentes acham-se em proporções minúsculas.Sob violento bombardeio das partículas nucleares, no entanto, cada substância emite raios X de maneira distinta, como se deixasse uma impressão digital. Isso permite criar controles altamente eficientes de qualidade do ar, o que vem sendo feito com ajuda do Pelletron. Mas as condições de trabalho vão ficar mais folgadas, pois o Instituto de Física da USP acaba de comprar um novo acelerador, o Mícrotron. Ainda encaixotado em Santos, à espera de verba para a construção de instalações convenientes ele deverá acelerar elétrons, e não núcleos atômicos. Também o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, no Rio de Janeiro, espera apossar-se em breve de um acelerador de novíssima geração, no qual núcleos atômicos colidem como um meio de fabricar partículas exóticas, os mésons.Quando foram descobertos na década de 40-com ajuda de um dos maiores cientistas brasileiros. César Lattes -, os mésons não eram produzidos nos aceleradores. Eles literalmente caíam do céu pois são parte dos raios cósmicos, partículas vindas do espaço e aceleradas, possivelmente, pelo magnetismo da própria galáxia. Personagens das mais profundas entranhas da matéria, eles são úteis para testar idéias teóricas básicas, como a tentativa de unificar as forças universais. Mas podem acabar numa função muito prática: estimular reações nucleares nas sonhadas usinas de fusão, cujo combustível são átomos leves, abundantes e limpos, como o hidrogênio. e não os perigosos, pesados e raros átomos de urânio, empregados atualmente.
Como se vê, os planos parecem bons, mas os obstáculos são grandes. Apenas para ficar onde está- sem ampliar sua força com relação a outros países a Física brasileira precisa crescer. E o dinheiro, embora importante, não é a única dificuldade. Formar pesquisadores altamente treinados, com graus de mestre e doutor, é um requisito indispensável. Sem eles, não há como montar equipes competitivas nas inúmeras especialidades da ciência moderna.O país, atualmente, conta com 1 100 doutores, enquanto os Estados Unidos têm um número trinta vezes maior. É certo que, ao longo dos últimos quinze anos, entre 1971 e 1986, o número de doutores cresceu cinco vezes, de 186 para 942. Mas a Física, no passado, estava mais bem equipada que hoje, na opinião de muitos cientistas: para acompanhar o ritmo internacional, o crescimento deveria ter sido maior. Agora. estima-se que seja preciso dobrar de tamanho, nos próximos cinco anos, e dobrar novamente nos cinco anos seguintes. Esse, pelo menos, é o cálculo que faz o diretor da Sociedade Brasileira de Física, Gil da Costa Marques, da USP. "Se chegarmos a isso, estaremos no caminho certo".Outro problema é a concentração de cientistas e equipamentos na Região Sudeste, em particular no Estado de São Paulo, onde estão 50% dos físicos brasileiros. A idéia é começar a distribuir melhor os cientistas e equipamentos pelo país. Na área dos aceleradores, dessa forma, além do projeto carioca, existem planos de aperfeiçoar um modelo especial, o implantador de íons, já existente na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Essa máquina acelera íons-átomos eletrizados, dos quais foram arrancados alguns elétrons e acrescentados ânions -e os injeta numa peça de metal, por exemplo, cujas propriedades se quer alterar. Muitas aplicações desse tipo de pesquisa procuram aumentar a resistência dos metais ao desgaste, e já existem empresas começando a usar implantadores de íons."Com ele, a universidade pode treinar pesquisadores e ajudar as indústrias a resolver seus problemas tecnológicos", opina Fernando Zawislak, diretor do Instituto de Física da Universidade. Por isso mesmo, acrescenta o cientista, é importante formar pesquisadores aptos a acompanhar o ritmo dos novos conhecimentos nesse setor. Num trabalho recente, por exemplo, os gaúchos mostraram que é possível alterar as características dos polímeros-de maus para bons condutores de eletricidade. De quebra, o material mostrou-se mais resistente ao calor que os condutores metálicos, propriedade relevante na construção de computadores cada vez menores sem risco de superaquecimento.No outro extremo do país, no Nordeste, a despeito de todas as dificuldades, é surpreendente o progresso no estudo de lasers de alta potência e de ímãs avançados. O Departamento de Física da Universidade Federal de Pernambuco, por exemplo, foi montado apenas a partir de 1972, com a chegada do seu primeiro doutor, o carioca Sérgio Resende. Mas tem hoje pesquisas publicadas do país: cada um dos seus 28 doutores publica 2,5 trabalhos por ano, contra apenas um, na média nacional. Uma de suas equipes mais ativas busca atualmente projetar discos magneto-óticos, ambicionados pela grande capacidade de armazenar informações.O conhecimento acumulado nessa área de ponta, acabou transformando a equipe da UFPE em fornecedora de outras universidades. Ela produz lasers convencionais, por exemplo, necessários à formação de pesquisadores no Ceará e em Alagoas. Também desenha pequenos computadores, como o Corisco, transformado num produto comercial, na década passada, pela empresa Elógica. Resende informa que o Hospital das Clínicas da UFPE está testando um novo tomógrafo desenvolvido pela Universidade. Trata-se de um aparelho que emprega fortes magnetos para mapear o interior dos organismos, com larga aplicação na Medicina.Esses fatos dão uma medida da importância dos novos instrumentos. Não há dúvida de que a ciência é cara, mas também é certo que o retorno dos investimentos é altamente compensador. Em termos financeiros, as mais recentes estatísticas européias e americanas mostram que cada cruzeiro gasto na compra ou construção de instrumentos transforma-se em 3 cruzeiros ganhos por meio da venda de alta tecnologia. Mas o mais valioso benefício da pesquisa é o próprio conhecimento-uma mercadoria que não tem preço. Desde que a ciência existe, no entanto, ela tem sido uma garantia de progresso e bem estar crescentes.
Minuciosa engenharia
A função dos instrumentos científicos é reproduzir fenômenos mal conhecidos, que ocorrem em condições extremas. Para tanto, empregam a mais alta tecnologia disponível. Um exemplo são as câmaras de vácuo, essenciais tanto aos aceleradores de partículas e fábricas de luz, como aos epitaxiadores. Nesses, por exemplo, finíssimos vapores de átomos são empregados para montar um cristal. Para evitar contaminações fatais, o ar no interior das câmaras tem que ser reduzido a quase nada -sua pressão sobre as paredes da câmara deve ser 100 bilhões de vezes menor que aquela existente fora.
Mas o ar não pode ser evacuado por bombas mecânicas, sujas demais para essa minuciosa engenharia. A sofisticada solução é bombardear o ar com radiação, para eletrizar suas moléculas. Desse modo, elas podem ser atraídas por placas também eletrificadas, às quais aderem e desimpedem o espaço interno. Outro quebra-cabeça criado pelos vácuos elevados é que duas peças do mesmo material nunca podem encostar-se: como praticamente nada existe entre elas, não há o que as proíba de soldar- se até formar uma única peça. Nos epitaxiadores, empregam-se rodas e trilhos de aço, e a única saída foi cobrir as rodas com ouro.
Máquinas milionárias
O maior projeto atual da Física brasileira é o laboratório de luz síncrotron que está sendo construído em Campinas, SP, desde 1986. No total, entre equipamentos e instalações, a obra deverá consumir, nos próximos seis ou oito anos, 10 milhões de dólares ao ano (cerca de 2,5 bilhões de cruzeiros, a preços de março de 91). Isso não impediria que o laboratório começasse a funcionar já em 1993. Ele não pertence a nenhuma universidade; está diretamente vinculado ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico. No mundo inteiro há apenas 37 máquinas como essa: onze nos Estados Unidos e quatro nos países menos desenvolvidos, sendo uma no Brasil, uma em Taiwan e duas na China. O segundo lugar na conta de gastos cabe à fábrica de mésons, a ser instalada no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, no Rio, a um custo estimado de 30 milhões de dólares, amortizados ao longo da década. Além disso, dois projetos visam ampliar aceleradores de partículas existentes: o Pelletron, da USP (8 milhões de dólares) e o implantador tônico, no Rio Grande do Sul (4 milhões de dólares). Em comparação, os epitaxiadores são baratos: saem por 900 000 dólares. Existem, atualmente, 200 deles, em vários países, um terço dos quais no Japão.
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segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Prova de Fogo - Vestibular
PROVA DE FOGO - Vestibular

Toda virada de ano é tempo de guerra para muitas centenas de milhares de jovens brasileiros. O alvo é um lugar na faculdade, e o campo de batalha, o temido vestibular - motivo de mudança de hábitos, de tensão e angústia que as pressões familiares apenas conseguem agravar.
Dezembro e janeiro são meses de vestibular. Este ano, algo como 1,9 milhão de jovens estão na briga pelas cerca de 440 mil vagas existentes nas faculdades brasileiras. O exame vestibular é a culminação de meses de esforço, angústia e rotinas alteradas - um processo massacrante, desgastante, sofrido, na opinião quase unânime de educadores, psicólogos e estudantes. Mas como selecionar entre tantos candidatos os mais bem preparados, se as vagas são necessariamente menores?
A relação este ano é de aproximadamente quatro candidatos para cada vaga. Há um decênio a proporção era menor. Em 1976, por exemplo, apenas 2,47 candidatos disputavam uma vaga. Quatro por um é a média nacional. Nos cursos mais concorridos, como Medicina, os números são mais ásperos. Na Universidade Federal do Rio de Janeiro a proporção é de 21 candidatos para cada vaga, e na Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de Campinas nada menos que oitenta jovens competem por uma única vaga.
Supõe-se que os vencedores dessa guerra sejam os melhores - mas nem sempre é assim. Vera Guimarães, psicóloga do Curso Objetivo de São Paulo, observa: "Existem alunos preparados que não entram na primeira vez, às vezes nem na segunda, ou porque tiveram um ´branco´ na hora ou porque no fundo estão indecisos sobre a carreira a seguir". É sabido que a influência que a família busca exercer nessa escolha mexe bastante com as emoções dos jovens - não raro de forma negativa.
O caso de Judite Jeng, 20 anos, é um bom exemplo: "Meus pais queriam que eu fizesse Medicina e não admitiam de jeito nenhum que eu estudasse Jornalismo, como pretendia", ela relata. "Então, no terceiro colegial, optei por Computação, porque não era nem Medicina nem Jornalismo. Apesar de me considerar bem preparada, não consegui entrar. Enquanto isso, minha irmã mais nova passou direto do colegial para a faculdade de Medicina, e minha situação ficou muito incômoda."
Judite conta que o período em que ficou esperando pelos resultados foi o de maior agonia. "Eu nem dormia mais à espera de novas listas. Pensava em como encarar a família; parecia que eu era a pessoa mais burra do mundo", diz ela. Reprovada, resolveu fazer o que queria de fato: Jornalismo. Passou um ano fazendo cursinho, mas nem assim entrou na Universidade de São Paulo. "Doeu muito", lembra Judite, agora aluna de uma faculdade particular.
Na escolha da carreira, a opinião dos pais sempre pesa. Célia Horie Putini, 17 anos, que estuda em média oito horas por dia para entrar em Medicina, conta que os pais tentam tranqüilizá-la, dizendo que se não entrar não tem importância, pois a carreira que escolheu é difícil. "Mesmo assim", diz ela, "acho que eles têm 90 por cento de expectativa de que eu passe." No entanto, as expectativas não são exclusividade familiar e dos próprios estudantes. Célia observa que "a cobrança começa na escola: quando se é boa aluna, os professores vivem dizendo que vamos entrar. Todo mundo fica esperando por isso".
É comum os pais prometerem recompensas aos filhos pelo esforço de passar nos exames. A jovem E.G., 19 anos, que também pretende entrar na faculdade de Medicina e prefere não se identificar, conta que o pai lhe prometeu um carro. Mas isso, para ela, não representa um estímulo, e sim uma cobrança. "Estou estudando porque quero fazer Medicina, não para ganhar um carro", diz. Além de complicações de ordem psicológica, o vestibular também obriga o jovem a mudar de hábitos em função das horas de estudo redobradas. Paula Negreiros Abbud, 18 anos, candidata a uma vaga no curso de Arquitetura, começou no segundo semestre a fazer cursinho juntamente com o terceiro colegial. Nessa época, ela já havia deixado o curso de jazz, que lhe exigia tempo, e passou a fazer apenas ginástica.
Mas até isso ela teve de abandonar. Por achar que o cursinho não estava ajudando muito, decidiu com uma amiga estudar para valer, todos os dias, menos nos fins de semana, invariavelmente das 14 às 20 horas. "O vestibular é a pior coisa que já passei na vida", resume Paula. "Se você se deixar levar pela neura do vestibular, vai acabar se perdendo dentro de si mesma." Ricardo Lombardi, 17 anos, deixou de praticar esportes, ouvir discos com calma e até mesmo ler um livro durante uma tarde inteira, por causa do vestibular de Direito.
Ele assiste às aulas praticamente o dia inteiro: de manhã no colégio, à tarde no cursinho. "À noite, quando chego em casa", diz, "dou uma olhada na matéria do cursinho e estudo mesmo para as provas do colégio." Em sua opinião, não é tão difícil entrar na faculdade de Direito. Mas, se não conseguir este ano, "a vida não vai acabar". Uma coisa é certa: sejam quais forem as carreiras escolhidas - menos ou mais concorridas -, os nervos dos candidatos passam por uma dura prova. Ricardo reconhece: "Qualquer coisa me irrita". Paula Abbud concorda: "A gente fica confusa e se zanga com muita facilidade". Para Célia Putini, "a responsabilidade é muito grande e por isso a gente renuncia até aos amigos; no vestibular você está decidindo a sua vida", acha ela.
Invenção chinesa, os exames surgiram por volta do século X, quando imperadores da dinastia Sung idealizaram um sistema para selecionar futuros funcionários, sem os costumeiros apadrinhamentos. Pela primeira vez, o candidato era submetido a rigorosas provas, com critérios de correção igualmente severos para evitar qualquer tipo de fraude. Foram precisos oito séculos e uma revolução - a francesa - para que o sistema de seleção por mérito chegasse à Europa. No Brasil, os exames para selecionar candidatos às faculdades surgiram em 1911. Ao longo dos anos, esses concursos, como eram chamados, foram se modificando.
A professora Irene de Arruda Cardoso, que leciona Sociologia da Educação na Universidade de São Paulo, recorda que "até os anos 60 cada curso elaborava seu próprio vestibular". Além das provas dissertativas, havia também um exame oral. "Eram formas melhores de avaliação", acredita Irene. Na década de 70, os vestibulares foram unificados - ou seja, passaram a ser elaborados por um único órgão criado para isso. Pretendia-se, assim, evitar que um candidato disputasse mais de uma vaga no mesmo ano. Recentemente, algumas universidades, como a Estadual de Campinas e a Federal do Rio de Janeiro, decidiram elaborar seus próprios vestibulares, abandonando o sistema unificado.
Há vinte anos dirigindo vestibulares, o professor Carlos Alberto Serpa de Oliveira, presidente da Fundação Cesgranrio - que realiza os vestibulares unificados do Rio de Janeiro -, se declara contra qualquer tipo de vestibular, dissertativo ou por testes de múltipla escolha: "Os exames são feitos nas piores condições psicológicas, em três, quatro dias, com um vastíssimo programa que pretende avaliar onze anos de estudo como forma de predizer o sucesso na universidade".
Por isso, há dois anos Serpa vem propondo uma alternativa, que de início seria aplicada em caráter experimental. Durante os três anos do segundo grau, os alunos seriam submetidos a provas semestrais, que cobririam o programa dado naquele período. Ao final do curso, todos teriam então uma nota média e em seguida fariam testes de aptidão - verbal, numérica e abstrata -, que não dependeriam de conhecimentos adquiridos na escola. Eles teriam peso pelo menos igual ao da média obtida nas avaliações semestrais. E o problema da proporção entre candidatos e vagas? Serpa lembra, a propósito, que praticamente em nenhum país do mundo a universidade está aberta para todos.
De fato, ninguém escapa ao vestibular. Nos Estados Unidos, por exemplo, a seleção se faz por meio das notas obtidas no colegial, mais um teste de aptidão e outro de conhecimentos. Já os jovens alemães são avaliados pelo abitur, como é chamado ali o rigoroso exame. Se não passarem no primeiro vestibular, no segundo só poderão concorrer à metade das vagas. Se derem o azar de não passar de novo, nunca mais poderão disputar uma vaga na universidade. No extremo oposto está a Argentina, onde o governo do presidente Raul Alfonsín acabou com os vestibulares tradicionais. Assim, qualquer estudante que tenha concluído o segundo grau pode entrar no chamado ciclo comum básico da universidade. É aí que a seleção se realiza de fato, pois nele todas as provas são eliminatórias.
Por sua vez, os jovens franceses interessados em entrar nas procuradíssimas Grandes Écoles enfrentam provas severas. Quem preferir a Université, que oferece todo o tipo de formação, deverá ter concluído o baccalaurèat, o exame final dos estudos secundários. Nesse sistema, os que se inscrevem primeiro conseguem candidatar-se às melhores faculdades. Mas, na verdade, a maioria das escolas mais procuradas na França faz seleção disfarçada, escolhendo os estudantes que apresentarem os melhores currículos escolares.
No Brasil, um sistema de avaliação como esse não seria possível, observa Waltemir Miguel Loureiro, diretor pedagógico do Colégio Palmares, em São Paulo, "porque existem diferenças muito grandes de programas ministrados nas escolas de segundo grau, tanto nas particulares quanto nas públicas". Assim, o jeito é enfrentar a fera. Para tentar amenizar as tensões e angústias que cercam o vestibular, um grupo de psicólogas criou em 1986, em São Paulo, um programa muito especial: o SOS vestibulando.
"São moças e rapazes que nos procuram, principalmente em novembro e dezembro, com uma ansiedade generalizada que se manifesta em sintomas físicos como insônia, gastrite, falta de apetite, taquicardia e pânico, vontade de largar tudo", descreve Maria Cristina de Carvalho, uma das coordenadoras da clínica. O programa é uma terapia à base de sessões de psicodrama e não precisa necessariamente ter continuidade. Maria Cristina explica que o jovem enfrenta o dilema de ter de conciliar seu desejo de auto-realização com as realidades do mercado de trabalho e a busca de uma boa situação financeira.
Mas em meio a tantos conflitos também existem exceções. Fábio Silveira, 17 anos, candidato a uma vaga na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, não tem dúvidas quanto ao que quer: "Se eu conseguir entrar este ano, melhor. Se não, depois eu tento novamente". Em sua opinião, "as pessoas não deveriam enfrentar um vestibular no fim do colegial, se ainda não têm certeza do que querem realmente". Afinal, diz ele, "é difícil decidir aos 17 anos o que você quer fazer pelo resto da vida".
"A gente tem medo".
Fã de Tom Jobim, Carlos Lyra, Vinicius de Moraes e Chico Buarque, o paulista Nilo de Medina Coeli Neto, 17 anos, preparou-se o ano inteiro para disputar uma das concorridas vagas do curso de Administração da Fundação Getúlio Vargas, ou uma das não menos procuradas vagas do curso de Economia da Universidade de São Paulo. Por isso, abandonou as aulas de violão de que tanto gostava e o vôlei na praia nos fins de semana. Como ele diz, "acho que não consigo me dedicar a nada que não seja o vestibular".
Aluno do terceiro ano colegial, Nilo acorda às 6h30 todas as manhãs, toma um café reforçado e chega ao colégio às 7h20. Duas vezes por semana, tem aulas à tarde também. Outras duas tardes são ocupadas com aulas de inglês. Nesses dias, almoça no colégio. Com tantas aulas e por freqüentar uma escola considerada "puxada", Nilo resolveu não fazer cursinho. A escolha da carreira não foi fácil, mas de uma coisa ele tinha certeza: não queria Exatas (Engenharia, Física, por exemplo) nem Biológicas (Medicina, Odontologia, entre outras). Ouviu então o pai e o avô, que o aconselharam a escolher algo de que gostasse e que tivesse ao mesmo tempo uma aplicação prática.
Assim, optou por Administração curso pelo qual afirma ter bastante interesse: "Pretendo um dia ter meu próprio negócio". Nilo garante que os pais nunca o pressionaram para que estudasse isso ou aquilo: o pai só reclamava quando tirava notas "vermelhas". Nilo não difere muito de outros vestibulandos nas reações à tensão que cerca o vestibular: "A gente tem medo de não entrar, de perder o ano, de ter que fazer tudo de novo".
Toda virada de ano é tempo de guerra para muitas centenas de milhares de jovens brasileiros. O alvo é um lugar na faculdade, e o campo de batalha, o temido vestibular - motivo de mudança de hábitos, de tensão e angústia que as pressões familiares apenas conseguem agravar.
Dezembro e janeiro são meses de vestibular. Este ano, algo como 1,9 milhão de jovens estão na briga pelas cerca de 440 mil vagas existentes nas faculdades brasileiras. O exame vestibular é a culminação de meses de esforço, angústia e rotinas alteradas - um processo massacrante, desgastante, sofrido, na opinião quase unânime de educadores, psicólogos e estudantes. Mas como selecionar entre tantos candidatos os mais bem preparados, se as vagas são necessariamente menores?
A relação este ano é de aproximadamente quatro candidatos para cada vaga. Há um decênio a proporção era menor. Em 1976, por exemplo, apenas 2,47 candidatos disputavam uma vaga. Quatro por um é a média nacional. Nos cursos mais concorridos, como Medicina, os números são mais ásperos. Na Universidade Federal do Rio de Janeiro a proporção é de 21 candidatos para cada vaga, e na Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de Campinas nada menos que oitenta jovens competem por uma única vaga.
Supõe-se que os vencedores dessa guerra sejam os melhores - mas nem sempre é assim. Vera Guimarães, psicóloga do Curso Objetivo de São Paulo, observa: "Existem alunos preparados que não entram na primeira vez, às vezes nem na segunda, ou porque tiveram um ´branco´ na hora ou porque no fundo estão indecisos sobre a carreira a seguir". É sabido que a influência que a família busca exercer nessa escolha mexe bastante com as emoções dos jovens - não raro de forma negativa.
O caso de Judite Jeng, 20 anos, é um bom exemplo: "Meus pais queriam que eu fizesse Medicina e não admitiam de jeito nenhum que eu estudasse Jornalismo, como pretendia", ela relata. "Então, no terceiro colegial, optei por Computação, porque não era nem Medicina nem Jornalismo. Apesar de me considerar bem preparada, não consegui entrar. Enquanto isso, minha irmã mais nova passou direto do colegial para a faculdade de Medicina, e minha situação ficou muito incômoda."
Judite conta que o período em que ficou esperando pelos resultados foi o de maior agonia. "Eu nem dormia mais à espera de novas listas. Pensava em como encarar a família; parecia que eu era a pessoa mais burra do mundo", diz ela. Reprovada, resolveu fazer o que queria de fato: Jornalismo. Passou um ano fazendo cursinho, mas nem assim entrou na Universidade de São Paulo. "Doeu muito", lembra Judite, agora aluna de uma faculdade particular.
Na escolha da carreira, a opinião dos pais sempre pesa. Célia Horie Putini, 17 anos, que estuda em média oito horas por dia para entrar em Medicina, conta que os pais tentam tranqüilizá-la, dizendo que se não entrar não tem importância, pois a carreira que escolheu é difícil. "Mesmo assim", diz ela, "acho que eles têm 90 por cento de expectativa de que eu passe." No entanto, as expectativas não são exclusividade familiar e dos próprios estudantes. Célia observa que "a cobrança começa na escola: quando se é boa aluna, os professores vivem dizendo que vamos entrar. Todo mundo fica esperando por isso".
É comum os pais prometerem recompensas aos filhos pelo esforço de passar nos exames. A jovem E.G., 19 anos, que também pretende entrar na faculdade de Medicina e prefere não se identificar, conta que o pai lhe prometeu um carro. Mas isso, para ela, não representa um estímulo, e sim uma cobrança. "Estou estudando porque quero fazer Medicina, não para ganhar um carro", diz. Além de complicações de ordem psicológica, o vestibular também obriga o jovem a mudar de hábitos em função das horas de estudo redobradas. Paula Negreiros Abbud, 18 anos, candidata a uma vaga no curso de Arquitetura, começou no segundo semestre a fazer cursinho juntamente com o terceiro colegial. Nessa época, ela já havia deixado o curso de jazz, que lhe exigia tempo, e passou a fazer apenas ginástica.
Mas até isso ela teve de abandonar. Por achar que o cursinho não estava ajudando muito, decidiu com uma amiga estudar para valer, todos os dias, menos nos fins de semana, invariavelmente das 14 às 20 horas. "O vestibular é a pior coisa que já passei na vida", resume Paula. "Se você se deixar levar pela neura do vestibular, vai acabar se perdendo dentro de si mesma." Ricardo Lombardi, 17 anos, deixou de praticar esportes, ouvir discos com calma e até mesmo ler um livro durante uma tarde inteira, por causa do vestibular de Direito.
Ele assiste às aulas praticamente o dia inteiro: de manhã no colégio, à tarde no cursinho. "À noite, quando chego em casa", diz, "dou uma olhada na matéria do cursinho e estudo mesmo para as provas do colégio." Em sua opinião, não é tão difícil entrar na faculdade de Direito. Mas, se não conseguir este ano, "a vida não vai acabar". Uma coisa é certa: sejam quais forem as carreiras escolhidas - menos ou mais concorridas -, os nervos dos candidatos passam por uma dura prova. Ricardo reconhece: "Qualquer coisa me irrita". Paula Abbud concorda: "A gente fica confusa e se zanga com muita facilidade". Para Célia Putini, "a responsabilidade é muito grande e por isso a gente renuncia até aos amigos; no vestibular você está decidindo a sua vida", acha ela.
Invenção chinesa, os exames surgiram por volta do século X, quando imperadores da dinastia Sung idealizaram um sistema para selecionar futuros funcionários, sem os costumeiros apadrinhamentos. Pela primeira vez, o candidato era submetido a rigorosas provas, com critérios de correção igualmente severos para evitar qualquer tipo de fraude. Foram precisos oito séculos e uma revolução - a francesa - para que o sistema de seleção por mérito chegasse à Europa. No Brasil, os exames para selecionar candidatos às faculdades surgiram em 1911. Ao longo dos anos, esses concursos, como eram chamados, foram se modificando.
A professora Irene de Arruda Cardoso, que leciona Sociologia da Educação na Universidade de São Paulo, recorda que "até os anos 60 cada curso elaborava seu próprio vestibular". Além das provas dissertativas, havia também um exame oral. "Eram formas melhores de avaliação", acredita Irene. Na década de 70, os vestibulares foram unificados - ou seja, passaram a ser elaborados por um único órgão criado para isso. Pretendia-se, assim, evitar que um candidato disputasse mais de uma vaga no mesmo ano. Recentemente, algumas universidades, como a Estadual de Campinas e a Federal do Rio de Janeiro, decidiram elaborar seus próprios vestibulares, abandonando o sistema unificado.
Há vinte anos dirigindo vestibulares, o professor Carlos Alberto Serpa de Oliveira, presidente da Fundação Cesgranrio - que realiza os vestibulares unificados do Rio de Janeiro -, se declara contra qualquer tipo de vestibular, dissertativo ou por testes de múltipla escolha: "Os exames são feitos nas piores condições psicológicas, em três, quatro dias, com um vastíssimo programa que pretende avaliar onze anos de estudo como forma de predizer o sucesso na universidade".
Por isso, há dois anos Serpa vem propondo uma alternativa, que de início seria aplicada em caráter experimental. Durante os três anos do segundo grau, os alunos seriam submetidos a provas semestrais, que cobririam o programa dado naquele período. Ao final do curso, todos teriam então uma nota média e em seguida fariam testes de aptidão - verbal, numérica e abstrata -, que não dependeriam de conhecimentos adquiridos na escola. Eles teriam peso pelo menos igual ao da média obtida nas avaliações semestrais. E o problema da proporção entre candidatos e vagas? Serpa lembra, a propósito, que praticamente em nenhum país do mundo a universidade está aberta para todos.
De fato, ninguém escapa ao vestibular. Nos Estados Unidos, por exemplo, a seleção se faz por meio das notas obtidas no colegial, mais um teste de aptidão e outro de conhecimentos. Já os jovens alemães são avaliados pelo abitur, como é chamado ali o rigoroso exame. Se não passarem no primeiro vestibular, no segundo só poderão concorrer à metade das vagas. Se derem o azar de não passar de novo, nunca mais poderão disputar uma vaga na universidade. No extremo oposto está a Argentina, onde o governo do presidente Raul Alfonsín acabou com os vestibulares tradicionais. Assim, qualquer estudante que tenha concluído o segundo grau pode entrar no chamado ciclo comum básico da universidade. É aí que a seleção se realiza de fato, pois nele todas as provas são eliminatórias.
Por sua vez, os jovens franceses interessados em entrar nas procuradíssimas Grandes Écoles enfrentam provas severas. Quem preferir a Université, que oferece todo o tipo de formação, deverá ter concluído o baccalaurèat, o exame final dos estudos secundários. Nesse sistema, os que se inscrevem primeiro conseguem candidatar-se às melhores faculdades. Mas, na verdade, a maioria das escolas mais procuradas na França faz seleção disfarçada, escolhendo os estudantes que apresentarem os melhores currículos escolares.
No Brasil, um sistema de avaliação como esse não seria possível, observa Waltemir Miguel Loureiro, diretor pedagógico do Colégio Palmares, em São Paulo, "porque existem diferenças muito grandes de programas ministrados nas escolas de segundo grau, tanto nas particulares quanto nas públicas". Assim, o jeito é enfrentar a fera. Para tentar amenizar as tensões e angústias que cercam o vestibular, um grupo de psicólogas criou em 1986, em São Paulo, um programa muito especial: o SOS vestibulando.
"São moças e rapazes que nos procuram, principalmente em novembro e dezembro, com uma ansiedade generalizada que se manifesta em sintomas físicos como insônia, gastrite, falta de apetite, taquicardia e pânico, vontade de largar tudo", descreve Maria Cristina de Carvalho, uma das coordenadoras da clínica. O programa é uma terapia à base de sessões de psicodrama e não precisa necessariamente ter continuidade. Maria Cristina explica que o jovem enfrenta o dilema de ter de conciliar seu desejo de auto-realização com as realidades do mercado de trabalho e a busca de uma boa situação financeira.
Mas em meio a tantos conflitos também existem exceções. Fábio Silveira, 17 anos, candidato a uma vaga na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, não tem dúvidas quanto ao que quer: "Se eu conseguir entrar este ano, melhor. Se não, depois eu tento novamente". Em sua opinião, "as pessoas não deveriam enfrentar um vestibular no fim do colegial, se ainda não têm certeza do que querem realmente". Afinal, diz ele, "é difícil decidir aos 17 anos o que você quer fazer pelo resto da vida".
"A gente tem medo".
Fã de Tom Jobim, Carlos Lyra, Vinicius de Moraes e Chico Buarque, o paulista Nilo de Medina Coeli Neto, 17 anos, preparou-se o ano inteiro para disputar uma das concorridas vagas do curso de Administração da Fundação Getúlio Vargas, ou uma das não menos procuradas vagas do curso de Economia da Universidade de São Paulo. Por isso, abandonou as aulas de violão de que tanto gostava e o vôlei na praia nos fins de semana. Como ele diz, "acho que não consigo me dedicar a nada que não seja o vestibular".
Aluno do terceiro ano colegial, Nilo acorda às 6h30 todas as manhãs, toma um café reforçado e chega ao colégio às 7h20. Duas vezes por semana, tem aulas à tarde também. Outras duas tardes são ocupadas com aulas de inglês. Nesses dias, almoça no colégio. Com tantas aulas e por freqüentar uma escola considerada "puxada", Nilo resolveu não fazer cursinho. A escolha da carreira não foi fácil, mas de uma coisa ele tinha certeza: não queria Exatas (Engenharia, Física, por exemplo) nem Biológicas (Medicina, Odontologia, entre outras). Ouviu então o pai e o avô, que o aconselharam a escolher algo de que gostasse e que tivesse ao mesmo tempo uma aplicação prática.
Assim, optou por Administração curso pelo qual afirma ter bastante interesse: "Pretendo um dia ter meu próprio negócio". Nilo garante que os pais nunca o pressionaram para que estudasse isso ou aquilo: o pai só reclamava quando tirava notas "vermelhas". Nilo não difere muito de outros vestibulandos nas reações à tensão que cerca o vestibular: "A gente tem medo de não entrar, de perder o ano, de ter que fazer tudo de novo".
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Estudante é suspenso por universidade por ser ator pornô
13/05/09 - 20h00 - Atualizado em 13/05/09 - 20h51
Estudante é suspenso por universidade por ser ator pornô
John Gechter, de 22 anos, foi suspenso até 2010 pela universidade.
Ele trabalhava como ator pornô com o nome de 'Vincent DeSalvo'.

Foto: Reprodução/Pittsburgh Post-Gazette Gechter trabalhava secretamente como ator pornô com o nome de 'Vincent DeSalvo'. (Foto: Reprodução/Pittsburgh Post-Gazette) O
norte-americano John Gechter teve que mudar seus planos de se formar em biologia molecular na universidade de Grove City, no estado da Pensilvânia (EUA), após ser suspenso. Detalhe: a instituição o suspendeu por ele ser ator pornô, segundo reportagem do jornal "Pittsburgh Post-Gazette".
Gechter, de 22 anos, trabalhava secretamente como ator de filmes de sexo para o público homossexual com o nome de "Vincent DeSalvo" e chegava a ganhar até US$ 11 mil por uma semana de trabalho. Ele usava o dinheiro para pagar a faculdade.
As coisas estavam indo bem até que um aluno encontrou na internet filmes gays em que Gechter trabalhava e enviou sua identidade secreta para amigos. O ator estima que o e-mail tenha sido mandado para mais de 60% dos alunos da universidade.
"[O filme] pornô me permitiu terminar a faculdade", disse ele. "Em vez de trabalhar 40 horas por semana como garçom, você faz uma cena e tem tempo para se concentrar nos estudos", destacou Gechter, que não tinha revelado a identidade secreta nem para o colega de quarto.
A universidade se baseou no manual do estudante, que pune com sanções disciplinares quem faz sexo antes do casamento, seja em relações heterossexuais ou homossexuais, ou em qualquer outro tipo de relação que viole a conduta cristã dos padrões históricos da instituição.
A universidade acusou o estudante de má conduta sexual, contrária aos valores da
instituição. Ele foi suspenso até 2010. Gechter disse que estava preparado para ser
descoberto, mas não para a reação que a direção da faculdade tomou.
Estudante é suspenso por universidade por ser ator pornô
John Gechter, de 22 anos, foi suspenso até 2010 pela universidade.
Ele trabalhava como ator pornô com o nome de 'Vincent DeSalvo'.

Foto: Reprodução/Pittsburgh Post-Gazette Gechter trabalhava secretamente como ator pornô com o nome de 'Vincent DeSalvo'. (Foto: Reprodução/Pittsburgh Post-Gazette) O
norte-americano John Gechter teve que mudar seus planos de se formar em biologia molecular na universidade de Grove City, no estado da Pensilvânia (EUA), após ser suspenso. Detalhe: a instituição o suspendeu por ele ser ator pornô, segundo reportagem do jornal "Pittsburgh Post-Gazette".
Gechter, de 22 anos, trabalhava secretamente como ator de filmes de sexo para o público homossexual com o nome de "Vincent DeSalvo" e chegava a ganhar até US$ 11 mil por uma semana de trabalho. Ele usava o dinheiro para pagar a faculdade.
As coisas estavam indo bem até que um aluno encontrou na internet filmes gays em que Gechter trabalhava e enviou sua identidade secreta para amigos. O ator estima que o e-mail tenha sido mandado para mais de 60% dos alunos da universidade.
"[O filme] pornô me permitiu terminar a faculdade", disse ele. "Em vez de trabalhar 40 horas por semana como garçom, você faz uma cena e tem tempo para se concentrar nos estudos", destacou Gechter, que não tinha revelado a identidade secreta nem para o colega de quarto.
A universidade se baseou no manual do estudante, que pune com sanções disciplinares quem faz sexo antes do casamento, seja em relações heterossexuais ou homossexuais, ou em qualquer outro tipo de relação que viole a conduta cristã dos padrões históricos da instituição.
A universidade acusou o estudante de má conduta sexual, contrária aos valores da
instituição. Ele foi suspenso até 2010. Gechter disse que estava preparado para ser
descoberto, mas não para a reação que a direção da faculdade tomou.
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