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segunda-feira, 11 de abril de 2016

Manuscrito enigmático em Oxford pode provar que Jesus existiu


Manuscrito enigmático em Oxford pode provar que Jesus existiu


Embora o legado de Jesus tenha revolucionado a história da humanidade, ainda não existem provas de que Cristo tenha realmente vivido entre os homens.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

10 Calculadoras online para ajudar nos cálculos de Engenharia Elétrica e Eletrônica


10 Calculadoras online para ajudar nos cálculos de Engenharia Elétrica e Eletrônica


Devido ao grande número de acesso aos artigos sobre eletrotécnica, reuni aqui 10 calculadoras da web para ajudar nos cálculos de Engenharia Elétrica e Eletrônica, já que entre as engenharias, estas são as que mais exigem cálculos. E nada melhor do que termos disponível ferramentas e recursos que facilitem nosso trabalho para dinamização do nosso projeto e provas. Espero que esta dica seja útil pra vocês, amigos dos elétrons e da Electra...

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Corridas - Olimpiadas


CORRIDAS - Olimpíadas



A atletismo é o esporte rei das Olimpíadas. Esse irmão maior do olimpismo concentra em suas competições o grande espetáculo dos Jogos. E, dentre suas provas, a dos 100 metros rasos é a que melhor sintetiza tal espírito. Em menos de 10 segundos de sua fugaz duração são projetados para a fama mundial heróis como Jesse Owens, Wilma Rudolph e Carl Lewis.

Lançamentos - Olimpiadas


LANÇAMENTOS - Olimpiadas


Algumas das provas de arremesso atuais têm suas raízes na guerra. O dardo empregado no atletismo já serviu para caçar tanto animais quanto inimigos. O movimento giratório que projeta o martelo nos jogos modernos foi usado para lançar primitivas bombas de fogo. Hoje, o arremessador olímpico tem que aliar à sua força uma perfeita técnica e coordenação de movimentos.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Dez Teorias à Procura de uma Prova - Ciências


DEZ TEORIAS À PROCURA DE UMA PROVA - Ciências



Um Universo que se divide sem cessar em infinitos outros mundos. Um planeta dotado de vida, cujos habitantes são escravos de seus genes e um dia serão imortais, fazendo parte de máquinas mais inteligentes do que eles. Eis algumas das hipóteses que perturbam o senso comum e desafiam a própria ciência enquanto esperam o julgamento.

No século XVII, era preciso ter boa dose de imaginação e mente aberta a idéias novas, por mais anticonvencionais que fossem, para aceitar que a Terra girava ao redor do Sol e não o contrário. Os mesmos predicados eram necessários no século passado para que se começasse a desconfiar da existência de organismos ainda menores do que as bactérias, os vírus. Neste século, especialmente nos últimos quarenta anos, as ciências se expandiram tanto e em tantas direções que apenas imaginação e mente aberta não parecem bastar para receber com o devido respeito as elucubrações científicas que a toda hora vêm contradizer verdades aceitas. Isso porque, freqüentemente, as novidades oferecidas pelos cientistas tendem a lidar com conceitos e acontecimentos cada vez mais distantes não só da experiência cotidiana como também dos horizontes intelectuais das pessoas leigas.
Como encarar, por exemplo, a idéia de que o Universo pode possuir uma brecha no espaço e tempo semelhante a um buraco aberto por um verme na polpa de uma fruta? Ou que toda matéria orgânica seria dotada de uma espécie de memória que Ihe permite assumir a sua forma específica? Ou ainda que a Terra é um gigantesco ser vivo, que controla os entes que a habitam? Dez dessas teorias são apresentadas nestas páginas. Elas têm em comum, além da aparente excentricidade, o fato de não haverem ainda vencido cabalmente o desafio da demonstração: só o futuro dirá se de fato desencadearam as revoluções científicas que prometiam ou não passaram de lamentáveis enganos. Instigantes como são, em todo caso, e por trazerem as assinaturas de pesquisadores profissionais ligados quase sempre a boas casas do ramo, merecem ser apreciadas com imaginação e mente aberta - até porque, como já foi dito, se a realidade fosse apenas aquilo que aparenta ser, a ciência seria desnecessária.

1 Teorema de Bell

"Quem não estiver preocupado com o teorema de Bell é porque tem uma pedra no lugar do cérebro", afirmou certa vez, maldosamente, a renomada revista científica Physics Today. "Quem", no caso, não seria um mortal comum, preocupado com as trivialidades do mundo aparente, mas algum desbravador dos rarefeitos territórios da Física de Partículas, alguém familiarizado, por exemplo, com o chamado Paradoxo de Einstein - Podolsky-Rosen, ou EPR. Trata-se do mortífero torpedo intelectual armado em 1935 por Einstein e seus colegas Boris Podolsky e Nathan Rosen para pôr a pique o polêmico Princípio da Incerteza, formulado oito anos antes pelo alemão Werner Heisenberg e que constitui um dos fundamentos da Mecânica Quântica. Tal princípio afirma a primazia do acaso na ordem universal; contra ela o mesmo Einstein comentou com sarcasmo que "Deus não joga dados".
 Ao contrário da Relatividade, a teoria quântica sustenta que a mera observação de um fenômeno pode afetar o dito fenômeno - pelo menos no plano subatômico. Ou seja, a ciência não pode garantir que algo aconteceu efetivamente; apenas pode dizer que existe a probabilidade de algo ter acontecido. Pois bem. Reduzida aos seus termos mais simples, a armadilha montada pela trinca de físicos antiquânticos consistiu em enunciar que a medição de uma partícula jamais poderia afetar outra partícula gêmea que estivesse a anos-luz de distância, pois nada pode viajar mais depressa do que a luz.
Mas, se a Mecânica Quântica estivesse certa, ao mudar o movimento de rotação interna (spin) de uma partícula pertencente a um sistema de duas partículas idênticas, sua irmã gêmea seria afetada, estivesse onde estivesse. Em 1964, o físico americano John Bell, trabalhando no CERN de Genebra, atual Laboratório Europeu de Física de Partículas, construiu a base teórica para se testar experimentalmente o paradoxo EPR. Ele desenvolveu uma fórmula matemática que ficou conhecida como a Desigualdade de Bell, por expressar a diferença entre a teoria quântica e a Relatividade. O resto foi uma questão de tempo. Em 1982, de fato, os resultados de uma experiência com partículas de luz, conduzida pelo francês Alain Aspect, da Universidade de Paris, permitiram concluir que os quânticos afinal estavam com a razão - provavelmente.

2 Hipótese Gaia

O planeta Terra está vivo e pode regular a sua geologia, o seu clima e os seres que o habitam. Esta é a essência da Hipótese Gaia, exposta pela primeira vez há quase vinte anos pelo biólogo inglês James Lovelock e considerada atualmente a Bíblia dos ecologistas. Parece estranho à primeira vista que uma bola de rocha fundida, flutuando em algum ponto da Via Láctea, esteja viva e dotada de um mecanismo auto-regulador. Mas Lovelock, um estudioso de várias disciplinas que já foi consultor da NASA, compara o planeta a uma árvore gigante, com 99 por cento de madeira morta, e apenas uma fina película de tecido vivo sobre a superfície.
Segundo a teoria de Lovelock, que recebeu o nome de Gaia em homenagem à deusa grega que designa a Terra, os seres que povoam o planeta se encarregam de produzir dióxido de carbono e outros gases que mantêm a temperatura de sua superfície. São esses mesmos seres que regulam a turbulenta e instável mistura gasosa da atmosfera, ao utilizá-la ao mesmo tempo como fonte de matéria-prima e depósito de materiais que não necessitam. Lovelock afirma, por exemplo, que um dos fatores de equilíbrio do planeta são as florestas, que, ao causar seus próprios incêndios, mantêm a taxa de oxigênio do ar e assim se auto-renovam.
Se a concentração de oxigênio na atmosfera fosse de 30 por cento em vez dos 21 por cento normais, especula o biólogo, os incêndios florestais seriam devastadores. Se, ao contrário, a taxa fosse só de 12 por cento, não haveria incêndios e as florestas acabariam. Qual o papel do homem nesse eterno jogo de xadrez entre a vida e o ambiente? Para Lovelock, o ser humano, parte desse sistema, contribui ao ajuste do equilíbrio terrestre. Mas, adverte, à medida que o homem o altera e prejudica o ecossistema da Terra, ela própria se encarregará de eliminá-lo. Isso lembra inevitavelmente a teoria da mão invisível do mercado, tão cara aos economistas liberais clássicos. Segundo eles, o mercado tende por si só a regular os interesses conflitantes de vendedores e compradores de bens e serviços de modo a manter o sistema em permanente equilíbrio. Existiria também a mão invisível da natureza?

3 Mundos múltiplos

Os princípios da Mecânica Quântica, desenvolvidos a partir da década de 20, segundo os quais a matéria tanto pode manifestar-se como partícula ou como onda, levaram os físicos americanos Hugh Everett III e Bryce De Witt a conclusões que desafiam o senso comum. Segundo afirmam, se existir esse Universo descontínuo implícito nas hipóteses quânticas, a cada momento podem estar sendo criados novos mundos separados e inacessíveis entre si. Ou como afirmou De Witt, atualmente na Universidade do Texas, referindo-se ao movimento que ocorre nas microscópicas dimensões subatômicas da matéria: "As transições quânticas existentes em cada estrela, em cada galáxia, em cada canto remoto do Cosmo, fazem com que ele se divida em incontáveis cópias de si mesmo". De Witt explica que não se trata de algo comparável a imagens espelhadas dos corpos celestes conhecidos, como por exemplo uma Terra igual a esta do outro lado do Universo. Para ele, tais cópias do Cosmo teriam suas próprias dimensões de espaço e tempo, portanto não seriam observáveis nem acessíveis de forma alguma.

4 Universo de dez dimensões  

As três dimensões conhecidas do homem são apenas uma fração do total que existe no Universo - dez, das quais nove espaciais e uma temporal. Toda essa abundância existe com certeza, senão no Universo, ao menos na teoria das supercordas, formulada, entre outros, pelos físicos John Schwartz, americano, e Michael Green, inglês. Cordas, naturalmente, é força de expressão. Trata-se de fios inacreditavelmente extensos, finos e pesados nos quais se teria cristalizado, logo depois da formação do Universo, parte da energia liberada na Grande Explosão.
A noção de supercordas é uma conseqüência da teoria sobre a unificação das forças básicas do Universo, o que englobaria a gravitação. As dez dimensões, no caso, são artifícios matemáticos que permitiriam essa unificação. Para que o Universo viesse a ser o que é, concebe-se que seis daquelas dimensões se compactaram durante o processo do Big Bang. Em contrapartida, as outras quatro - comprimento, altura, largura e o tempo - se expandiram. Segundo Schwartz e Green, ainda deve existir algum resíduo cósmico daquela compactação fantástica. Mas onde estariam as seis dimensões ocultas? Em tudo, respondem os pesquisadores, ocupando porém um espaço imperceptível, algo como a expressão 10-33, ou seja, o número 1 antecedido de 33 zeros.

5 Campos morfogenéticos 

Quando, em 1981, o jovem biólogo inglês Rupert Sheldrake (rima com Mandrake) publicou a obra em que expunha sua excêntrica teoria dos campos morfogenéticos, a respeitada revista científica britânica Nature afirmou que o livro era "o melhor candidato que havia aparecido em muitos anos para ser lançado ao fogo". Um colega de Sheldrake, talvez mais caridoso, limitou-se a dizer que suas idéias eram "moderadamente brutas". De fato, contrariando os conceitos fundamentais da Biologia Molecular, Sheldrake, um especialista em fisiologia vegetal que foi trabalhar na mística Índia, formulou a hipótese de que a forma e mesmo a conduta de toda matéria orgânica, das células aos organismos complexos, é determinada por um tipo peculiaríssimo de memória, os campos morfogenéticos.
Graças a eles, por exemplo, o DNA de uma célula da pele do braço saberia por assim dizer que pertence ao braço e não ao fígado - e isso explicaria por que as formas de um organismo se preservam, embora as células se renovem sem cessar. Em outras palavras, cada nova célula já nasceria conhecendo o seu lugar, sem ter sido ensinada pela herança das miríades de células que a antecederam. Mais ainda: essa misteriosa, impalpável memória se acumularia entre os seres vivos de uma mesma espécie de tal modo que os novos membros aprenderiam determinada tarefa sempre mais facilmente do que seus ancestrais.
Segundo Sheldrake, o campo morfogenético estaria para a Biologia como o campo gravitacional está para a Física: uma área elástica na qual uma grande massa provocou um afundamento. O campo das formas seria semelhante, uma dimensão plana até aparecer o primeiro átomo, que nela produzirá a primeira dobra; quando a forma estiver completa, haverá ali um vale. Quanto mais a forma se repetir, mais fundo será o vale - alcançando profundidades abissais no caso de formas com milhões de anos de existência. As células encontrariam o campo morfogenético que lhes corresponde por meio de um efeito que Sheldrake denomina ressonância morfogenética, algo tão imaterial que não seria descabido comparar à telepatia. E o DNA, enfim, seria a antena que captaria as mensagens pelas quais as células se orientariam.

6 Buraco de verme

Um dos conceitos da Física moderna que mais arrepia o senso comum e soa extravagante mesmo para ouvidos habituados aos malabarismos cosmológicos é o do buraco de verme - nada menos do que um rasgo no tecido do espaço e tempo ou, como já foi comparado, um túnel às paragens mais remotas do Universo. A idéia de que o Cosmo possa comportar tal abertura, da mesma forma que uma fruta pode conter em sua polpa uma cavidade aberta por um inseto, foi anunciada num congresso científico americano há exatamente um ano pelo físico Alan Guth, do Massachusetts Institute of Technology, o respeitado MIT. No início da década, Guth também espantou muita gente ao propor a teoria chamada do Universo inflacionário, segundo a qual, uma fração de segundo depois do Big Bang, a matéria, ainda incrivelmente condensada, começou a inflar como um balão e nunca mais parou, gerando o Universo conhecido.
O conceito do buraco de verme descende em linha direta da noção da Relatividade formulada por Albert Einstein. Nela, o genial físico sustentava que corpos extremamente densos ou maciços distorcem o espaço e o tempo nas proximidades. Ora, raciocinou Guth, uma dessas distorções poderia assumir matematicamente a forma de um tubo. atravessando o Universo por dentro. Daí a analogia com o buraco através do qual um bichinho entra numa maçã, percorre o seu interior por esse atalho e sai do outro lado muito mais depressa do que se tivesse feito o mesmo itinerário rastejando pela casca.
A implicação da idéia para a Cosmologia é atordoantemente simples: a partir do buraco de verme, um novo Universo poderia formar-se, "criando seu próprio tempo e espaço no processo", segundo teoriza Guth. Já para a fantasia científica, a implicação não é menos embriagadora: a partir do buraco seria possível fazer viagens instantâneas no tempo, rumo ao futuro bem como ao passado. O problema é que o buraco aberto pelos conceitos de Guth seria mais estreito do que um átomo, com a desvantagem adicional, por razões que a razão mal consegue conhecer, de sumir no mesmo momento em que se formou.

7 Era do silício

As previsões aterradoras de certos contos de ficção científica de um Universo dominado pelas máquinas, em que o homem seria apenas um escravo dos computadores, não assustam o cientista da NASA Robert Jastrow. Astrônomo e geólogo, Jastrow lidera uma corrente de pensamento entre o místico e o científico que acredita na possibilidade de uma fusão do homem com os equipamentos por ele criados, visando a sua própria imortalidade - e não acha nada de errado nisso. "A Terra está assistindo ao fim da era em que a vida se baseou no carbono", assegura o cientista, referindo-se à matéria-prima dos seres vivos. "Em seu lugar estão começando a aparecer novas formas de existência - indestrutíveis imortais, com infinitas possibilidades - baseadas no silício", a matéria-prima dos chips eletrônicos.
Segundo as surpreendentes idéias de Jastrow e de outros que pensam como ele, o computador cada vez mais especializado salvará a humanidade de um mundo cada vez mais complexo. O engenheiro americano James McAlear, por exemplo, fundou uma empresa especializada na fabricação de biochips. O seu grande sonho é criar uma espécie de cyborg, como o personagem do seriado americano de televisão, parte humano e parte máquina, que supere em eficiência os simples mortais.

8 Memória holográfica

Durante muito tempo se pensou que a memória habitasse no cérebro um espaço determinado. Pensou-se também que esse domicílio ficasse na região chamada hipocampo, no centro da cidade cerebral - e de fato o hipocampo tem papel decisivo na fixação das informações a serem armazenadas no processo de memorização. A idéia de que as lembranças têm residência fixa foi um desdobramento da teoria segundo a qual cada manifestação do organismo, sem exceções, possui casa própria na anatomia do cérebro. Embora elegante, esse modelo não conseguiu passar pela prova das experiências em laboratório. Isso induziu os cientistas a buscar uma hipótese alternativa para explicar o mistério da memória.
Entre outros, o neurofisiologista americano Karl Pribram, da Universidade de Stanford, na Califórnia, acabou encontrando o que lhe pareceu a chave do enigma: a memória não se localizaria em algum ponto específico da estrutura cerebral, como um documento impresso apenas ali, mas se distribuiria igualmente por toda parte do cérebro, como um holograma no espaço. Justamente ao conhecer os fundamentos matemáticos do holograma, descobertos pelo húngaro Denis Gabor, pesquisadores como Pribram perceberam de estalo as analogias entre aquela técnica e a memória. No holograma, com efeito, as informações se encontram uniformemente divididas, ou seja, cada parte contém a imagem do conjunto. Segundo Pribram, todos os estímulos chegam ao cérebro como se fossem dados matemáticos percorrendo as células nos impulsos nervosos. E o cérebro os codifica em forma de holograma, armazenado como uma impressão na estrutura cerebral inteira.

9 Panspermia

No começo do século, o físico-químico sueco Svante Arrhenius (1859-1927), Prêmio Nobel em 1903, sugeriu que as minúsculas formas primordiais de vida na Terra vieram do espaço, propelidas por algum vento cósmico. Embora não tivesse base científica, a suposição serviria de fundamento, várias décadas depois, para uma original hipótese sustentada pelo cientista inglês Fred Hoyle e pelo cingalês Chandra Vickramansinghe. Para eles, os microorganismos originais alcançaram a Terra a bordo de um cometa que desabou aqui há cerca de 4 bilhões de anos. A hipótese contesta a idéia mais aceita sobre a origem da vida terrestre a partir da chamada sopa primitiva onde se teriam formado, com o concurso da energia desencadeada por chuvas de relâmpagos, as primeiras moléculas orgânicas; delas se originariam os aminoácidos, as proteínas, os genes e, enfim, por sucessivas mutações, organismos cada vez mais complexos.
Hoyle calcula que, para surgir uma única proteína, teriam sido necessárias algo como 1040 (o número 1 seguido de quarenta zeros) tentativas de combinações de aminoácidos - uma probabilidade virtualmente nula mesmo nessa loteria de dimensões cósmicas. Já o cometa, argumenta ele, é um maravilhoso veículo interestelar, cuja cauda desprende um calor capaz de proteger seus eventuais micropassageiros das baixíssimas temperaturas no espaço. Na suposta colisão com a Terra, tais passageiros foram parar num ambiente paradisíaco, onde a água do oceano e a radiação solar lhes davam sustento e condições de se desenvolver. Essa hipótese supõe que a vida surge em toda parte no Universo, daí o nome panspermia (do grego pan, total, e sperma, semente). É. Pode ser.

10 Gene egoísta

O biólogo inglês Richard Dawkins, professor da Universidade de Oxford, defende uma idéia assustadora: todo ser vivo é na essência um escravo de seus genes e tudo o que faz se destina no fundo a garantir a sobrevivência, não exatamente de si próprio como indivíduo, mas dessas moléculas da vida. E a evolução seria o mecanismo que proporcionaria condições cada vez melhores à existência e à reprodução dos genes. Assim, dotados da extraordinária propriedade de criar cópias de si mesmos, os genes induziriam o processo de seleção natural sempre de modo a aumentar as suas chances de perpetuar-se. Isso equivale a dizer, por exemplo, que um peixe é uma máquina destinada a assegurar a sobrevivência de genes no meio aquático, assim como os pássaros no meio aéreo.
O gene, de acordo com essa tese, poderia ser comparado a um patrão que tivesse uma e apenas uma idéia fixa - sobreviver a qualquer custo - e obrigasse os seus servos a trabalhar para sempre exclusivamente com tal objetivo. Isso engendraria o egoísmo humano, também absoluto, mesmo quando o que se manifesta é o seu oposto, o altruísmo, o comportamento capaz de desconsiderar conveniências pessoais em beneficio do outro. Nada disso, sustenta Dawkins. Toda conduta expressa uma insondável estratégia dos genes, como se eles tivessem procedido a uma análise exaustiva, em cada caso, do que assegura maior probabilidade de sobrevivência. Ou seja, o altruísmo seria o egoísmo mais eficiente para uma situação especifica. Dawkins jura que ele mesmo não consegue acostumar-se com essa sua idéia. Não deve ser o único.



segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Prova de Fogo - Vestibular

PROVA DE FOGO - Vestibular



Toda virada de ano é tempo de guerra para muitas centenas de milhares de jovens brasileiros. O alvo é um lugar na faculdade, e o campo de batalha, o temido vestibular - motivo de mudança de hábitos, de tensão e angústia que as pressões familiares apenas conseguem agravar.

Dezembro e janeiro são meses de vestibular. Este ano, algo como 1,9 milhão de jovens estão na briga pelas cerca de 440 mil vagas existentes nas faculdades brasileiras. O exame vestibular é a culminação de meses de esforço, angústia e rotinas alteradas - um processo massacrante, desgastante, sofrido, na opinião quase unânime de educadores, psicólogos e estudantes. Mas como selecionar entre tantos candidatos os mais bem preparados, se as vagas são necessariamente menores?
A relação este ano é de aproximadamente quatro candidatos para cada vaga. Há um decênio a proporção era menor. Em 1976, por exemplo, apenas 2,47 candidatos disputavam uma vaga. Quatro por um é a média nacional. Nos cursos mais concorridos, como Medicina, os números são mais ásperos. Na Universidade Federal do Rio de Janeiro a proporção é de 21 candidatos para cada vaga, e na Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de Campinas nada menos que oitenta jovens competem por uma única vaga.
Supõe-se que os vencedores dessa guerra sejam os melhores - mas nem sempre é assim. Vera Guimarães, psicóloga do Curso Objetivo de São Paulo, observa: "Existem alunos preparados que não entram na primeira vez, às vezes nem na segunda, ou porque tiveram um ´branco´ na hora ou porque no fundo estão indecisos sobre a carreira a seguir". É sabido que a influência que a família busca exercer nessa escolha mexe bastante com as emoções dos jovens - não raro de forma negativa.
O caso de Judite Jeng, 20 anos, é um bom exemplo: "Meus pais queriam que eu fizesse Medicina e não admitiam de jeito nenhum que eu estudasse Jornalismo, como pretendia", ela relata. "Então, no terceiro colegial, optei por Computação, porque não era nem Medicina nem Jornalismo. Apesar de me considerar bem preparada, não consegui entrar. Enquanto isso, minha irmã mais nova passou direto do colegial para a faculdade de Medicina, e minha situação ficou muito incômoda."
Judite conta que o período em que ficou esperando pelos resultados foi o de maior agonia. "Eu nem dormia mais à espera de novas listas. Pensava em como encarar a família; parecia que eu era a pessoa mais burra do mundo", diz ela. Reprovada, resolveu fazer o que queria de fato: Jornalismo. Passou um ano fazendo cursinho, mas nem assim entrou na Universidade de São Paulo. "Doeu muito", lembra Judite, agora aluna de uma faculdade particular.
Na escolha da carreira, a opinião dos pais sempre pesa. Célia Horie Putini, 17 anos, que estuda em média oito horas por dia para entrar em Medicina, conta que os pais tentam tranqüilizá-la, dizendo que se não entrar não tem importância, pois a carreira que escolheu é difícil. "Mesmo assim", diz ela, "acho que eles têm 90 por cento de expectativa de que eu passe." No entanto, as expectativas não são exclusividade familiar e dos próprios estudantes. Célia observa que "a cobrança começa na escola: quando se é boa aluna, os professores vivem dizendo que vamos entrar. Todo mundo fica esperando por isso".
É comum os pais prometerem recompensas aos filhos pelo esforço de passar nos exames. A jovem E.G., 19 anos, que também pretende entrar na faculdade de Medicina e prefere não se identificar, conta que o pai lhe prometeu um carro. Mas isso, para ela, não representa um estímulo, e sim uma cobrança. "Estou estudando porque quero fazer Medicina, não para ganhar um carro", diz. Além de complicações de ordem psicológica, o vestibular também obriga o jovem a mudar de hábitos em função das horas de estudo redobradas. Paula Negreiros Abbud, 18 anos, candidata a uma vaga no curso de Arquitetura, começou no segundo semestre a fazer cursinho juntamente com o terceiro colegial. Nessa época, ela já havia deixado o curso de jazz, que lhe exigia tempo, e passou a fazer apenas ginástica.
Mas até isso ela teve de abandonar. Por achar que o cursinho não estava ajudando muito, decidiu com uma amiga estudar para valer, todos os dias, menos nos fins de semana, invariavelmente das 14 às 20 horas. "O vestibular é a pior coisa que já passei na vida", resume Paula. "Se você se deixar levar pela neura do vestibular, vai acabar se perdendo dentro de si mesma." Ricardo Lombardi, 17 anos, deixou de praticar esportes, ouvir discos com calma e até mesmo ler um livro durante uma tarde inteira, por causa do vestibular de Direito.
Ele assiste às aulas praticamente o dia inteiro: de manhã no colégio, à tarde no cursinho. "À noite, quando chego em casa", diz, "dou uma olhada na matéria do cursinho e estudo mesmo para as provas do colégio." Em sua opinião, não é tão difícil entrar na faculdade de Direito. Mas, se não conseguir este ano, "a vida não vai acabar". Uma coisa é certa: sejam quais forem as carreiras escolhidas - menos ou mais concorridas -, os nervos dos candidatos passam por uma dura prova. Ricardo reconhece: "Qualquer coisa me irrita". Paula Abbud concorda: "A gente fica confusa e se zanga com muita facilidade". Para Célia Putini, "a responsabilidade é muito grande e por isso a gente renuncia até aos amigos; no vestibular você está decidindo a sua vida", acha ela.
Invenção chinesa, os exames surgiram por volta do século X, quando imperadores da dinastia Sung idealizaram um sistema para selecionar futuros funcionários, sem os costumeiros apadrinhamentos. Pela primeira vez, o candidato era submetido a rigorosas provas, com critérios de correção igualmente severos para evitar qualquer tipo de fraude. Foram precisos oito séculos e uma revolução - a francesa - para que o sistema de seleção por mérito chegasse à Europa. No Brasil, os exames para selecionar candidatos às faculdades surgiram em 1911. Ao longo dos anos, esses concursos, como eram chamados, foram se modificando.
A professora Irene de Arruda Cardoso, que leciona Sociologia da Educação na Universidade de São Paulo, recorda que "até os anos 60 cada curso elaborava seu próprio vestibular". Além das provas dissertativas, havia também um exame oral. "Eram formas melhores de avaliação", acredita Irene. Na década de 70, os vestibulares foram unificados - ou seja, passaram a ser elaborados por um único órgão criado para isso. Pretendia-se, assim, evitar que um candidato disputasse mais de uma vaga no mesmo ano. Recentemente, algumas universidades, como a Estadual de Campinas e a Federal do Rio de Janeiro, decidiram elaborar seus próprios vestibulares, abandonando o sistema unificado.
Há vinte anos dirigindo vestibulares, o professor Carlos Alberto Serpa de Oliveira, presidente da Fundação Cesgranrio - que realiza os vestibulares unificados do Rio de Janeiro -, se declara contra qualquer tipo de vestibular, dissertativo ou por testes de múltipla escolha: "Os exames são feitos nas piores condições psicológicas, em três, quatro dias, com um vastíssimo programa que pretende avaliar onze anos de estudo como forma de predizer o sucesso na universidade".
Por isso, há dois anos Serpa vem propondo uma alternativa, que de início seria aplicada em caráter experimental. Durante os três anos do segundo grau, os alunos seriam submetidos a provas semestrais, que cobririam o programa dado naquele período. Ao final do curso, todos teriam então uma nota média e em seguida fariam testes de aptidão - verbal, numérica e abstrata -, que não dependeriam de conhecimentos adquiridos na escola. Eles teriam peso pelo menos igual ao da média obtida nas avaliações semestrais. E o problema da proporção entre candidatos e vagas? Serpa lembra, a propósito, que praticamente em nenhum país do mundo a universidade está aberta para todos.
De fato, ninguém escapa ao vestibular. Nos Estados Unidos, por exemplo, a seleção se faz por meio das notas obtidas no colegial, mais um teste de aptidão e outro de conhecimentos. Já os jovens alemães são avaliados pelo abitur, como é chamado ali o rigoroso exame. Se não passarem no primeiro vestibular, no segundo só poderão concorrer à metade das vagas. Se derem o azar de não passar de novo, nunca mais poderão disputar uma vaga na universidade. No extremo oposto está a Argentina, onde o governo do presidente Raul Alfonsín acabou com os vestibulares tradicionais. Assim, qualquer estudante que tenha concluído o segundo grau pode entrar no chamado ciclo comum básico da universidade. É aí que a seleção se realiza de fato, pois nele todas as provas são eliminatórias.
Por sua vez, os jovens franceses interessados em entrar nas procuradíssimas Grandes Écoles enfrentam provas severas. Quem preferir a Université, que oferece todo o tipo de formação, deverá ter concluído o baccalaurèat, o exame final dos estudos secundários. Nesse sistema, os que se inscrevem primeiro conseguem candidatar-se às melhores faculdades. Mas, na verdade, a maioria das escolas mais procuradas na França faz seleção disfarçada, escolhendo os estudantes que apresentarem os melhores currículos escolares.
No Brasil, um sistema de avaliação como esse não seria possível, observa Waltemir Miguel Loureiro, diretor pedagógico do Colégio Palmares, em São Paulo, "porque existem diferenças muito grandes de programas ministrados nas escolas de segundo grau, tanto nas particulares quanto nas públicas". Assim, o jeito é enfrentar a fera. Para tentar amenizar as tensões e angústias que cercam o vestibular, um grupo de psicólogas criou em 1986, em São Paulo, um programa muito especial: o SOS vestibulando.
"São moças e rapazes que nos procuram, principalmente em novembro e dezembro, com uma ansiedade generalizada que se manifesta em sintomas físicos como insônia, gastrite, falta de apetite, taquicardia e pânico, vontade de largar tudo", descreve Maria Cristina de Carvalho, uma das coordenadoras da clínica. O programa é uma terapia à base de sessões de psicodrama e não precisa necessariamente ter continuidade. Maria Cristina explica que o jovem enfrenta o dilema de ter de conciliar seu desejo de auto-realização com as realidades do mercado de trabalho e a busca de uma boa situação financeira.
Mas em meio a tantos conflitos também existem exceções. Fábio Silveira, 17 anos, candidato a uma vaga na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, não tem dúvidas quanto ao que quer: "Se eu conseguir entrar este ano, melhor. Se não, depois eu tento novamente". Em sua opinião, "as pessoas não deveriam enfrentar um vestibular no fim do colegial, se ainda não têm certeza do que querem realmente". Afinal, diz ele, "é difícil decidir aos 17 anos o que você quer fazer pelo resto da vida".

"A gente tem medo".

Fã de Tom Jobim, Carlos Lyra, Vinicius de Moraes e Chico Buarque, o paulista Nilo de Medina Coeli Neto, 17 anos, preparou-se o ano inteiro para disputar uma das concorridas vagas do curso de Administração da Fundação Getúlio Vargas, ou uma das não menos procuradas vagas do curso de Economia da Universidade de São Paulo. Por isso, abandonou as aulas de violão de que tanto gostava e o vôlei na praia nos fins de semana. Como ele diz, "acho que não consigo me dedicar a nada que não seja o vestibular".
Aluno do terceiro ano colegial, Nilo acorda às 6h30 todas as manhãs, toma um café reforçado e chega ao colégio às 7h20. Duas vezes por semana, tem aulas à tarde também. Outras duas tardes são ocupadas com aulas de inglês. Nesses dias, almoça no colégio. Com tantas aulas e por freqüentar uma escola considerada "puxada", Nilo resolveu não fazer cursinho. A escolha da carreira não foi fácil, mas de uma coisa ele tinha certeza: não queria Exatas (Engenharia, Física, por exemplo) nem Biológicas (Medicina, Odontologia, entre outras). Ouviu então o pai e o avô, que o aconselharam a escolher algo de que gostasse e que tivesse ao mesmo tempo uma aplicação prática.
Assim, optou por Administração curso pelo qual afirma ter bastante interesse: "Pretendo um dia ter meu próprio negócio". Nilo garante que os pais nunca o pressionaram para que estudasse isso ou aquilo: o pai só reclamava quando tirava notas "vermelhas". Nilo não difere muito de outros vestibulandos nas reações à tensão que cerca o vestibular: "A gente tem medo de não entrar, de perder o ano, de ter que fazer tudo de novo".