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sábado, 15 de outubro de 2016

Quantos escravos no mundo trabalham para você ?


Quantos escravos no mundo trabalham para você ?


Você já parou para pensar quantas pessoas vítimas do trabalho escravo no mundo trabalham para manter seus hábitos de consumo?

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Invenções egípcias que continuamos usando até hoje


Invenções egípcias que continuamos usando até hoje


Você acha que pavimentar ruas é uma prática moderna? Não se engane. Há 5 mil anos, os egípcios já tinham um tipo de asfalto.

sábado, 26 de abril de 2014

Quem foi que inventou o Carnaval ? História da Folia

QUEM FOI, QUEM FOI QUE INVENTOU O CARNAVAL? História da Folia


A mistura da tradição européia com os ritmos musicais dos africanos criou no Brasil um dos maiores espetáculos populares do mundo. O Carnaval nasceu no Egito, passou pela Grécia e por Roma, foi adaptado pela Igreja Católica e desembarcou aqui no século XVII, trazido pelos portugueses. Viva a folia!

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Estudo afirma que vírus ebola presente na Guiné é de nova cepa


Estudo afirma que vírus ebola presente na Guiné é de nova cepa



Trabalhadores da área da saúde trabalham em área de isolamento para pessoas infectadas pelo ebola na Guiné (Foto: Cellou Binani/AFP)

Para cientistas, vírus não surgiu de focos de infecção conhecidos na África.
Mais de cem pessoas morreram devido à doença na Guiné e na Libéria.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Candomblé - Religião


CANDOMBLÉ - Religião


Os navios negreiros que chegaram entre os séculos XVI e XIX traziam mais do que africanos para trabalhar como escravos no Brasil Colônia. Em seus porões, viajava também uma religião estranha aos portugueses. Considerada feitiçaria pelos colonizadores, ela se transformou, pouco mais de um século depois da abolição da escravatura, numa das religiões mais populares do país.

Quem gosta de cachaça é Exu. Quem veste branco é Oxalá. Quem recebe oferendas em alguidares (vasos de cerâmica) são orixás. E quem adora os orixás são milhões de brasileiros. O candomblé, com seus batuques e danças, é  uma festa. Com suas divindades geniosas, é a religião afro-brasileira mais influente do país. 

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Explosão no terceiro mundo - AIDS

EXPLOSÃO NO TERCEIRO MUNDO - AIDS


Sete a oito milhões de africanos são portadores do HIV, o vírus acusado pela derrota fatal do sistema imunológico nos aidéticos. A doença cresce vertiginosa nos países  pobres. 

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

A Grande Família dos Elefantes - Natureza



A GRANDE FAMÍLIA DOS ELEFANTES - Natureza



Durante trezes anos, duas cientistas viram de perto como vivem os maiores animais terrestres e fizeram uma descoberta: pelos laços sociais que mantêm, são parecidos com o homem.

Gordo, orelhas grandes, nariz alongado e dentuço. Se fosse homem seria um homem muito estranho. Como se trata do elefante, a comparação faz mais sentido do que se imagina. Afinal, o maior ser vivo terrestre parece ter muito em comum com os humanos, como descobriram as zoólogas americanas Cynthia Moss e Joyce Poole, após treze anos observando grupos desses paquidermes no Parque Nacional de Amboseli, ao pé do monte Kilimanjaro, no Quênia, África Oriental. A maior novidade, revelada no livro Elephant Memories (Memórias de Elefante, ainda não publicado no Brasil), é que esses robustos animais possuem uma rede de vínculos sociais muito mais complexa, por exemplo, que a de outros mamíferos superiores, como os chimpanzés e os gorilas.
Da mesma forma que nas sociedades humanas, a família ocupa o lugar central na vida dos elefantes. Ou ocupava - antes que o extermínio em massa provocado pelo comércio de presas, afinal proibido, desarticulasse por falta de indivíduos a organização social da espécie. Uma família de paquidermes se compõe de dez a trinta espécimes, dirigidos por uma velha e experiente elefanta, obedecida igualmente por todos - com exceção dos machos adultos -, desde os filhotes até as mães, tias e outras avós na casa dos sessenta anos, idade em que começam a perder definitivamente os dentes, para morrer em seguida. Mesmo quando uma fêmea velha perde o posto de chefe de manada, para outra mais jovem, não perde o respeito e as atenções da família, que Ihe reconhece a experiência.
Boas avós, aproveitam a aposentadoria para cuidar ativamente dos netos menores. Elas não são as únicas nesta tarefa. Na verdade, as mães em fase de amamentação e os bebês-elefante, que as seguem por toda a parte, recebem proteção e cuidados especiais dos outros membros da família, incluindo outras mães. Fora desses estreitos laços familiares, uma manada de fêmeas e filhotes marchando em fila também mantém contato com outras manadas em busca de comida. Se a vegetação for abundante após a época das chuvas, nos meses de janeiro e fevereiro, mais de cem animais podem se reunir de madrugada ou no fim da tarde para pastar em grupo - num único dia um deles é capaz de comer até 225 quilos de vegetação, ou seja, algo como 0,03 de seu peso; para um homem de 70 quilos, isso equivaleria a ingerir diariamente pouco mais de 2 quilos de comida. Outra missão coletiva é afugentar inimigos, como é o caso dos leões. Se alguma cria for atacada, as fêmeas, não importando sua relação familiar com a vítima ou sua posição hierárquica dentro da manada defenderão com toda força o filhote. Apesar dos mais de 100 quilos de um elefante recém-nascido, a preocupação com sua fragilidade não é um exagero de mães corujas.
De certa forma como o homem, que nasce despreparado para sobreviver sozinho após nove meses de gestação, os bebês-jumbo vêm ao mundo precisando ser cuidadosamente liberados do ventre da mãe pelas trombas das tias, que trabalham como excelentes parteiras, antes de se tornarem babás. Depois de 22 meses de gestação, os filhotes aprendem a colocar-se sobre as patas, ainda cambaleantes, e a deslocar-se junto com a manada logo no primeiro dia de existência. Em compensação, não sabem mamar corretamente. Inexperientes, podem confundir a mãe com uma tia que não dispõe de leite, um erro habitual que explica a elevada taxa de mortalidade entre crias menores de dois anos. Ainda que a alimentação do filhote seja completada com matéria vegetal a partir dos três ou quatro meses, o leite materno é fundamental para seu desenvolvimento. Ao nascer, um macho pesa apenas 2 por cento do seu peso de adulto, que pode chegar a 7 toneladas (a altura alcançará 4 metros, até o lombo). Já as fêmeas mais volumosas chegam a 3,6 toneladas e 3,5 metros.
Mesmo entre os elefantes um pouco mais velhos a amamentação pode representar a diferença entre a vida e a morte na época da seca, quando o alimento e a água escasseiam.
O período em que o leite materno está disponível dura normalmente três anos e termina quando a mãe dá à luz um novo bebê. Mas a falta de alimento obviamente torna o leite menos nutritivo e abundante. Cynthia e Joyce, as pesquisadoras americanas, observaram que os filhotes machos consomem mais alimentos que as fêmeas e continuam a buscar com insistência as tetas da mãe até os oito anos de idade. Assim, nos tempos de seca, embora privilegiados pelas mães, os machos sofrem mais com a falta de leite. Daí porque apenas metade deles chega à idade adulta. A expectativa de vida das fêmeas, ao contrário, é maior: só um terço morre antes dos doze anos. Não só nisso os elefantes machos manifestam um comportamento bem diferente. Na sociedade paquiderme existe uma separação estrita dos sexos: não há machos que liderem manadas mistas.
Os jovens permanecem no circuito familiar um máximo de doze anos, idade em que abandonam a manada para viver solitários quase todo o ano ou entrar para a sua versão de clube do Bolinha, onde quem manda é o elefante maior ou mais forte. Durante a juventude, os machos não contam para nada na hierarquia social e até os 25 anos não representam ameaça ao poder dos maiores. A partir dos 30 anos, quando começam a competir pelas fêmeas, tornam-se violentos, a ponto de serem temidos por outros mais velhos. Nessa idade, ocorre o fenômeno conhecido como musth, provocado pelo aumento do hormônio sexual testosterona no organismo, que excita o animal, tornando-o agressivo por um período de aproximadamente três meses.
Essa mudança temporária de comportamento só havia sido documentada antes entre os elefantes asiáticos, uma espécie diferente, de porte menor, que habita a península indiana e o Sudeste asiático, onde são ao mesmo tempo santificados e utilizados como animais de carga. Em seu livro, Cynthia descreve uma daquelas lutas por fêmeas: "Dionysius, um magnífico exemplar de 5,5 toneladas de peso, não temia nenhum adversário até que se encontrou com Iain. Lutaram quase oito horas no extremo de um bosque de acácias, enquanto o resto da manada os observava. Finalmente, Dionysius caiu ao solo. Havia perdido, ainda que, dessa vez, conservasse a vida." Em ambas as espécies, o macho vencedor da batalha passa a investir em seguida contra a fêmea, que é acossada, encurralada e montada sucessivamente. Em três ou quatro dias, o trombudo Dom Juan perde o interesse pela fêmea e deixa o campo livre a outros candidatos. Ao se aproximarem da manada masculina, as fêmeas são atraídas pelos perfumes afrodisíacos produzidos pelos machos nos momentos de excitação sexual.
Glândulas situadas na altura das têmporas segregam essa substância odorífera. Muito sociáveis e comunicativos, os elefantes também têm uma vida amorosa apaixonante fora do período de acasalamento. É comum vê-los se apalpando e se acariciando com a tromba. Revestida por grande número de condutos nervosos, esta se caracteriza pela forte sensibilidade. Algumas vezes eles a introduzem ousadamente na boca do outro, fazendo lembrar beijos ardorosos do cinema. Em outras ocasiões, um elefante furioso pode utilizá-la para golpear o solo ameaçadoramente numa situação de conflito. Na verdade, a tromba de um elefante é como uma ferramenta de múltiplos usos, equivalente, guardadas as devidas proporções, à mão humana. Valendo-se dela, os paquidermes podem arrancar com grande facilidade ervas e rochas e transportar ou deslocar enormes troncos de madeira. Mas o elefante não nasce sabendo do que sua tromba é capaz. O elefante jovem muitas vezes limita-se a conservá-la na boca, como um bebê chupando o dedo. Para realizar tarefas mais complicadas como animal de tração, são precisos pelo menos vinte anos de treino com domesticadores especializados.
A tromba é imprescindível para beber. O elefante, verdadeira caixa-d´água ambulante, pode sugar de uma só vez até vinte litros de água, que ficam armazenados em seu estômago como reserva para ser esguichada sobre a cabeça e assim resfriar seu cérebro sensível durante as longas caminhadas sob o sol. Graças a este recurso, esses animais conseguem suportar as longas estiagens da savana africana, embora tenham poucas glândulas sudoríparas na pele, cuja espessura não é tão grande quanto o volume do corpo que recobre. Depois da tromba, as orelhas são as partes mais comunicativas dos paquidermes. A tal ponto que se pode dizer que os elefantes falam pelas orelhas.
Na espécie africana, cada uma pode medir até dois metros quadrados de área, constituindo um dos sistemas de percepção mais sensíveis entre todos os seres vivos: distinguem e analisam as diferentes expressões sonoras de seus semelhantes como se formassem uma verdadeira linguagem. Ajustáveis em diversas posições, também servem como um perfeito sistema de sinalização, parecido com as bandeirolas utilizadas para orientar as manobras dos aviões em aeroportos. Assim, o bater de orelhas contra a cabeça pode significar ou uma saudação, quando duas famílias amigas se reencontram, ou um simples chamado da fêmea para suas crias. Quando dois machos se preparam para a luta, abrem ao máximo as orelhas a fim de se apresentarem maiores aos olhos do inimigo.
As orelhas dos elefantes são também inconfundíveis documentos de identificação. Não apenas possuem formas individuais, mas apresentam, com o decorrer das longas vidas dos bichos, marcas especiais como cavidades e riscas. Esta característica permitiu às investigadoras americanas saber quem era quem na vastidão dos 200 quilômetros quadrados do Parque Nacional de Amboseli. "Cada orelha é como uma impressão digital humana. O que fizemos foi fotografar cada uma dessas "impressões" para classificar e estudar depois os animais", conta Cynthia Moss. Ela e sua companheira só não conseguiram encontrar os lendários cemitérios de elefantes, descritos pelos nativos da região.
A conclusão das pesquisadoras é que tais cemitérios não existem, embora seja verdade que os elefantes se retiram para morrer solitários em um lugar onde esperam obter água e abrigo sem muito esforço. "O que esses colossos parecem ter é um pressentimento da morte", explica Joyce Poole. Quando uma manada encontra um colega sem vida, todos param, inspecionam cuidadosamente com suas trombas o corpo imóvel - como para determinar sua identidade - e o cobrem com terra e folhagens. Os elefantes que acabam de perder um parente direto seguem a manada à distância durante alguns dias. É sua maneira peculiar de manifestar publicamente o luto pela perda de um ente querido.

Presas fáceis

Dez anos atrás, 1,3 milhão de elefantes pisavam o solo da África. Hoje existem talvez 625 mil. Os números falam por si: nesse ritmo a espécie desaparecerá inteiramente no tempo recorde de dez anos. E nunca antes a sobrevivência da espécie dependeu menos da adaptação ao meio natural do que das decisões de homens engravatados instalados a vários milhares de quilômetros das savanas africanas. De fato, em outubro último, delegados de uma centena de nações reuniram-se em Lausanne, na Suíça, para tentar salvar os elefantes. Eles representavam os países que assinaram a Convenção Internacional sobre Comércio de Espécies em Extinção (CITES, na sigla em inglês), de 1986 que regula o comércio do marfim, obtido das presas de elefantes, além de outros produtos de animais em extinção.
A vítima mais próxima, em mais de um sentido, é o rinoceronte, abatido por causa do seu chifre. Segundo a versão anterior do acordo, os elefantes podiam ser livremente comercializados dentro de cotas estabelecidas pelos países que possuem manadas. Agora, 76 votos declararam a espécie em extinção, não podendo mais ser caçada, na mesma condição de gorilas e pandas. A decisão ganhou o apoio mundial para acabar com o mercado do marfim, que movimenta anualmente 1 bilhão de dólares, o equivalente, por exemplo, ao valor da produção brasileira de suco de laranja.
Entretanto, países africanos como Zimbábue, Burundi e Moçambique, que sustentam suas economias com o marfim, negam-se a respeitar o acordo. Calcula-se que, apenas durante a semana dos debates na Suíça, cerca de mil elefantes foram mortos naqueles países por caçadores mercenários. A fascinação pelo marfim faz parte da história humana há mais de 5 mil anos. Pentes e utensílios dessa modalidade de osso foram encontrados em antigas tumbas egípcias. Acredita-se que o rei hebreu Salomão pode ter se sentado em um trono de marfim.
Neste século, o marfim tornou-se uma matéria-prima industrial. Na década de 20, por exemplo, milhares de elefantes foram mortos para atender à demanda dos Estados Unidos de 60 mil bolas de bilhar, além de incontáveis teclas de pianos. Hong Kong, o maior mercado do mundo, importou 3 900 toneladas de marfim na última década, o que representou a morte de mais de 400 mil elefantes. Na verdade, se a regulamentação agora pretendida perder a batalha para a beleza meramente decorativa de uma estatueta, a derradeira esperança dos elefantes poderá ser o consumidor. Afinal, depende de cada um comparar o enfeite à terrível imagem dos animais com as presas arrancadas, e tomar a decisão certa.

Que bicho é esse?

Tamanho e peso são algumas das mais evidentes características dos elefantes, que podem ser de duas espécies: Loxodonta africana, encontrada ao sul do deserto do Saara, e Elephas maximus, nativa da península indiana e do Sudeste asiático, ambas da família Elephantidae, ordem Proboscidea. O elefante africano é maior, com até 7 toneladas e 4 metros contra um máximo de 5 toneladas e 3 metros de seu distante primo asiático. Sua figura também é facilmente reconhecida pelo inconfundível nariz alongado - a tromba -, pernas em forma de coluna, cinco dedos nas patas, orelhas grandes (especialmente a variedade africana) e cabeça ainda maior. Em geral. os elefantes são cinza ou marrom, com pêlos esparsos e presas, estas ausentes apenas nas fêmeas da espécie indiana. Os mamutes, uma espécie de elefante de pêlos avermelhados e longas presas, foram uma variedade pré-histórica de 2,5 milhões de anos, semelhante à dos elefantes de hoje, apenas adaptada ao clima frio do hemisfério norte. O elefante que se conhece hoje já podia ser encontrado cerca de 20 milhões de anos atrás.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Um Santuário para os Rinocerontes - Natureza



UM SANTUÁRIO PARA OS RINOCERONTES - Natureza



Os governos de países africanos patrocinam operações de salvamento para manter fora da mira dos caçadores de chifres os sobreviventes das chacinas que quase extinguiram duas espécies desses animais.

Depois de milhões de anos de existência relativamente pacífica, este século tem sido uma calamidade para um bicho sonolento e solitário, míope e vegetariano, de casca grossa e humor imprevisível, que mede mais de 3 metros do focinho ao rabo e pesa um bom par de toneladas - o poderoso rinoceronte. Para sua desgraça, o homem cismou de acreditar que o par de chifres que ele carrega acima do nariz, o maior com uns 60 centímetros, tem extraordinárias propriedades medicinais quando reduzido a pó: analgésico, antiespasmódico, antiinflamatório, diurético e, ainda por cima, afrodisíaco.
Ao que tudo indica, os primeiros a acreditar nessa lenda foram os chineses. Outros povos do Oriente, igualmente desinformados, aderiram ao mito, apesar dos desmentidos zangados dos médicos e da negativa igualmente cabal de sucessivos testes de laboratório, o mais recente deles realizado na Suíça em 1982. Resultado: o pó de chifre de rinoceronte é vendido a peso de ouro e o animal paga por isso com a vida. Trata-se, para piorar as coisas, de um produto em alta, cujo preço multiplicou-se por cem - isso mesmo, cem - nos últimos cinco anos. Nos mercados semiclandestinos de Cingapura, Formosa e Hong Kong, o quilo de chifre transformado em pó alcança milhares de dólares, batendo folgadamente o ouro.
Além disso, no Iêmen do Norte, no Oriente Médio, um cabo de adaga esculpido do mesmo material chega a ser negociado por mais de 10 mil dólares. A caça a esse remanescente da Pré-história equivale a um verdadeiro genocídio. De fato, se no fim do século passado, como se supõe, as cinco espécies de rinocerontes existentes no mundo (duas na África e três na Ásia) somavam 1 milhão de indivíduos, hoje o total é estimado em 10 mil. A maior espécie asiática (Rhinoceros unicornis) sobrevive no Nepal e no noroeste da Índia, com mil indivíduos. Outras se extinguem nas ilhas de Java e Sunda e nas Florestas da Birmânia e Malásia. Nas savanas da África, o alvo predileto dos caçadores é o chamado rinoceronte-preto (Diceros bicornis).
No Zimbábue, país do Sudeste africano até há pouco tido como um dos derradeiros lugares seguros para essa espécie, em média um rinoceronte é abatido todos os dias a tiros de fuzil de grosso calibre. Há duas décadas, ainda existiam 60 mil rinocerontes-pretos livres, fora de reservas e parques zoológicos. Atualmente, não devem restar mais de 3 mil, cerca de quinhentos dos quais no Zimbábue, a antiga Rodésia, que considera esse bicho um símbolo nacional. O rinoceronte-preto pesa entre 1700 quilos e poucos mais de 2 toneladas, perdendo em tamanho e peso para a outra espécie de rinocerontes africanos, a dos brancos (Ceratotherium simmum), que chega a pesar 4 toneladas. 
Pretos e brancos, na realidade, têm a mesma cor de lama acinzentado-escura - os nomes são conseqüência de um mal-entendido. Os exploradores ingleses achavam que wodje - palavra de língua africana significando "grande" - queria dizer white, "branco"; a outra espécie acabou sendo conhecida como preta, por simples oposição. Apesar do tamanho e da blindagem que os reveste, ao pegar embalo os rinocerontes africanos são capazes de correr a 50 quilômetros por hora - um desempenho terrível quando eles investem contra outros bichos em rompantes de fúria, mas definitivamente insuficiente para escapar aos caçadores profissionais de armas azeitadas e mira excelente.
O rinoceronte é diferente de outros animais chifrudos: seus tão valorizados cornos têm uma composição peculiar, pois nada mais são do que um compacto de finíssimos fios de cabelo unidos pela proteína queratina, substância dura que forma também as unhas. Na Ásia está cada dia mais difícil comprar chifre de rinoceronte - não tanto por causa da vigilância dos governos, mas pela escassez de animais. Por isso, os caçadores de rinocerontes, capazes de arrancar seus chifres em menos de 45 segundos, depois de abater o animal, partiram rumo à África nesta última década. O Zimbábue, porque sempre tratou de proibir a atividade desses invasores, foi o último país procurado pelos comerciantes de chifres.
Mesmo assim, desde 1985, quando o governo decretou o estado de emergência para impedir a carnificina, os guardas-florestais já encontraram aproximadamente quinhentos rinocerontes mortos. O número verdadeiro, imagina-se, deve ser até maior. O governo acabou autorizando que guardas-florestais fossem treinados como guerrilheiros com ordens de atirar para matar, instalados em vários postos de vigia ao longo dos 200 quilômetros da margem direita do rio Zambeze, na fronteira norte com Zâmbia - a porta de entrada da maioria dos caçadores. Além disso, foi iniciado um programa salvador destinado a deslocar animais do vale do Zambeze até os santuários de rinocerontes - verdadeiros esconderijos sob proteção oficial, cuja localização exata é mantida o quanto possível em segredo. Já existem seis desses refúgios, cada um com 26 mil hectares.
Para garantir a sobrevivência dos rinocerontes-pretos ainda existentes em seu território, o Zimbábue precisa ter outras dez áreas como essas. Como o país é pobre e as operações de salvamento são caras, apenas dois ou três animais são transferidos por dia. Mesmo com tais limitações os números demonstram que o projeto vale a pena: dois anos após seu início, já se conseguiu tirar nada menos de trezentos animais da mira dos caçadores. Toda a operação transcorre em ritmo de aventura. Para resgatar um rinoceronte-preto são necessários mais de cinquenta homens. Ao se avistar o animal, ele é alvejado por um projétil disparado de um fuzil que contém uma dose de tranquilizante. Esta deve ser a menor possível, pois se sabe que os rinocerontes são bastante sensíveis à droga.
Atordoado, o animal nem chega a tombar: fica parado, como se tivesse perdido a vontade ou a força para se movimentar. Nas vezes em que isso não acontece imediatamente, o rinoceronte ainda corre alguns quilômetros até o remédio produzir total efeito. Para que ele não escape, o helicóptero de onde toda a operação é coordenada indica pelo rádio o lugar em que o animal se encontra. Então, deslocam-se para ali caminhões e dezenas de homens a pé. Estes, por sinal, costumam ser os primeiros a chegar, por causa da precariedade das estradas naquelas lonjuras. Há ocasiões em que os veículos só chegam ao rinoceronte depois de quatro horas de viagem, quando o bicho já foi amarrado e deitado de lado, para evitar que sufoque, como pode acontecer caso o anestésico o faça desmoronar.
Para colocar o animal no caminhão, o ideal seria um equipamento mecânico. À falta deste, é preciso a força de quarenta homens e o serviço não dura menos de meia hora. Já no acampamento do Parque Nacional do Zimbábue, o rinoceronte é deixado numa jaula a céu aberto. Ali, um veterinário examina o seu sangue e a sua resistência motora. Em seguida, o bicho é numerado. A rotina do acampamento gira em torno das refeições desses hóspedes temporários, que parecem fazer questão de manter todo o seu espantoso peso: sempre comendo, são capazes de ingerir até 100 quilos de alimentos por dia. Por isso, é necessária uma equipe para colher galhos e mais galhos, oferecidos sem cessar aos animais.
Nem todos os rinocerontes-pretos, contudo, vão para os refúgios. Alguns são exportados para criar novas populações em outros países. O Quênia, na África Oriental, valeu-se desse recurso depois que seus rinocerontes estiveram à beira da extinção há dez anos. O Quênia, por sinal, é uma prova de que uma política inteligente de preservação da vida animal dá resultados. No começo do ano, o governo de Nairóbi anunciou orgulhosamente que o número de rinocerontes-pretos em suas quatro reservas especiais tinha superado a casa de seiscentos, um ganho de uma centena em relação aos dados estimados em 1988.
Ao chegar ao parque, o rinoceronte não é libertado de imediato. O problema é que esse animal imenso, com fama de ranzinza e capaz de reações violentas quando não está acostumado ao contato com humanos, é na realidade um grande medroso. Com o choque da captura ainda presente na memória, se fosse libertado na hora da chegada aproveitaria a oportunidade sem pestanejar: sairia feito um fugitivo em desabalada carreira, até perder o fôlego, algo extremamente perigoso para uma espécie cujo sistema respiratório é frágil em situações de sobrecarga física. Ainda enjaulado, o rinoceronte permanece observado pelos veterinários e recebe um tratamento de primeira classe, que inclui refrescantes chuveiradas todos os dias. Depois de algum tempo, quando se percebe que o rinoceronte se acostumou ao novo ambiente, é solto, enfim, para viver em paz, longe dos caçadores como seus ancestrais.

BICHO DE FARO FINO, DADO A ACESSOS DE IRA

Há 55 milhões de anos, a família dos Rhinocerotidae era formada por espécies que circulavam também em amplas regiões da Europa. Fósseis congelados mostram que na Sibéria havia uma espécie de rinoceronte cujo corpo era coberto por espessa camada de lã. As cinco espécies que sobreviveram até os tempos atuais têm, ao contrário, um couro pelado, embora muito resistente. Enxergando como um míope sem óculos, o rinoceronte se guia por um apurado faro, graças ao qual localiza o alvo de suas chifradas. Quem o observa, aliás, tem a falsa impressão de que ele vive afiando sua arma natural, pela maneira como esfrega nos galhos das árvores os dois chifres (o rinoceronte da Índia e o de Java só possuem um).
De qualquer modo, seus acessos de fúria não parecem ter motivo claro para os zoólogos. Afinal, com a imponência de seu tamanho, o rinoceronte adulto desconhece o que é ter inimigos - qual leão se atreveria a lançar seus 200 quilos contra as 2 ou 3 toneladas desse brutamontes? O rinoceronte, além de forte, é antes de tudo um solitário. É cada um por si, a não ser nas épocas de acasalamento. Essas não são freqüentes - um fato natural que também contribui para manter relativamente baixo o crescimento demográfico dos rinocerontes. As fêmeas preferem intervalos de até quatro anos entre uma gestação e outra. Compreende-se: a gestação dura dezenove meses. Para dificultar ainda mais a sobrevivência da espécie, tende a nascer só um filhote por gravidez - e este levará oito anos até se tornar sexualmente maduro

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Leão - Majestade por Mérito


LEÃO: MAJESTADE POR MÉRITO



A leoa corre em câmera lenta, pêlo dourado sob o sol da savana, em direção a um animal listrado de branco e preto. Ela dá um salto certeiro. O corpo dos dois se encontra e a zebra é levada ao solo. A leoa, vitoriosa, se prepara para saborear mais uma refeição. Não é à toa que, aos olhos humanos, leão e leoa carregam cetro e manto no reino animal. Ela, pela caçada implacável. Ele, pelo porte altivo, pela juba espessa e pelo rugido que, com um volume de 116 decibéis, pode ser ouvido a até 8 quilômetros de distância. Entretanto, apesar de todo o carisma do animal caçador, um reino não se mantém graças a um só indivíduo. Os leões são felinos com uma peculiaridade importante: podem caçar sozinhos, mas têm uma eficiente organização grupal, em que cada um tem sua função na luta por proteção e alimento para o bando. Apesar de outros animais também poderem se organizar para caçar em situações específicas, o leão é um estrategista particularmente eficaz nas matanças em grupo.

"O leão, como outros felinos, é um caçador oportunista", diz o biólogo Carlos C. Alberts, da Unesp de Assis, interior de São Paulo. Isso quer dizer que sua caça não é especializada em apenas um tipo de presa. "Além disso, eles muitas vezes podem comer o que estiver disponível, sejam presas levemente incapacitadas - doentes, velhos, muito jovens -, sejam carcaças de animais abatidos por outros predadores", afirma o pesquisador. A eficiência do leão na caça não é muito alta - ele captura a presa em cerca de 30% das tentativas, enquanto outros felinos, como guepardos, que caçam sozinhos, têm mais de 50% de sucesso. Mas é significativamente maior que a taxa de eficiência dos tigres, por exemplo, de apenas 10%. O grupo é que faz a diferença.

Quando se trata de presas grandes, a caça coletiva é uma cuidadosa organização de um bando de leoas. Elas se aproximam de uma manada de zebras, por exemplo, que pastam calmamente. A manada já está disposta de forma específica: os animais que estão nas bordas do grupo são os mais fracos - velhos, filhotes, doentes -, enquanto os indivíduos mais fortes ficam protegidos no centro da manada.

Para se posicionarem ao redor das presas, as leoas precisam calcular diversas variáveis. O reconhecimento do terreno é importante para que as presas fiquem encurraladas - se a vegetação e o relevo formarem uma espécie de funil, melhor. Depois disso, todas as leoas, menos uma, dispõem-se a favor do vento. Dessa maneira, as presas, que sentem o cheiro das predadoras, sabem que não podem ir para aquele lado se não quiserem morrer. Mas, ao mesmo tempo, a leoa que sobrou se esconde do lado oposto, contra o vento. A emboscada está armada.

Todas as leoas precisam estar atentas não só à manada mas também às outras felinas. Manchas localizadas na parte posterior de suas orelhas dão indicações da posição de cada caçadora. Quando estão bem posicionadas, as que estavam a favor do vento se movem em direção à manada, espantando as zebras para a direção oposta - que vão, assim, ao encontro da leoa que estava na tocaia. Ela permaneceu todo o tempo à mais curta distância possível, porque sabe que, se não vencer a presa em pouco tempo, ficará cansada e perderá a caça, que geralmente tem mais resistência para correr longas distâncias.

A predadora dá um pique e corre para pegar a zebra. Ao derrubá-la com a força de seu corpo, patas e garras, prefere morder a presa pela garganta, de modo a asfixiá-la. Abatido o animal, é necessário dividi-lo entre os membros do grupo. Até nesse momento há uma ordem precisa: o leão macho, líder do grupo, é o primeiro a comer. Depois, nessa ordem, as fêmeas mais fortes, as mais fracas e os filhotes. Não se pode dizer que não há agressividade na hora de dividir a comida - as leoas chegam a lutar entre si pelo direito de comer primeiro. Um leão pode consumir até 40 kg de carne em uma refeição, mas depois disso ele não precisa caçar por vários dias. E, findo o banquete, é hora do descanso. Com a barriga cheia, o animal pode ficar até 18 horas dormindo, enquanto o estômago digere a carne.

Cada grupo de leões é composto de cerca de 15 adultos. Desses, de dez a 12 são fêmeas e de três a cinco são machos. Entre as leoas, somente algumas caçam. Outras cuidam dos próprios filhotes e dos filhotes alheios - elas têm a cria na mesma época do ano. A proteção do grupo é uma das grandes preocupações do leão, já que ele costuma se deparar com bandos menores, compostos de machos, que lutam com o líder para demovê-lo de sua posição. "Quando outro leão vence, os filhotes do grupo antigo são mortos, e o novo líder cruza com as fêmeas para começar a sua linhagem. Se o leão não defender seu bando, o investimento na reprodução vai por água abaixo", conta Carlos Alberts. Outra preocupação é assegurar o território de caça - que pode ser um pedaço de terra fixo ou então uma manada de presas que o bando segue savana afora.

Essa divisão de trabalho é, provavelmente, um dos motivos pelos quais somente as fêmeas caçam, na maior parte dos haréns. Enquanto elas têm as funções de conseguir a refeição e atender à prole, os machos são incumbidos de proteger o grupo. Outra evidência das vantagens de as fêmeas caçarem é a diferença física entre os sexos: a juba. Grande e pesada, ela atrapalharia os movimentos necessariamente ágeis durante a caça, além de aumentar a temperatura corporal. Os chamados leões-tsavo, que vivem perto do Rio Tsavo, no Quênia, não têm juba - e caçam junto com as leoas. (Aliás, outra função interessante da juba é revelar a idade do macho. Conforme o tempo passa, a juba vai ficando mais escura. E, se o leão entrar numa briga, ela cai e cresce de novo mais clara. Um leão de juba escura, portanto, é um vencedor. É um bom partido e será um bom pai.)

Estratégias leoninas para matar outros animais servem não somente para conseguir alimentos mas também para executar competidores. Hienas, por exemplo, alimentam-se de carniça e, como andam em bandos de até 70 membros, podem afastar um grupo de leoas que abateu uma caça e minar o esforço dos felinos. O grupo de hienas, no entanto, tem uma hierarquia matriarcal - uma fêmea lidera o bando e esse poder é passado de mãe para filha. Por isso, os leões antevêem a desestruturação do grupo e matam a líder. Se sua filha não tiver atingido a idade adulta, haverá uma luta pelo poder que desmembrará o grupo - e ele não será mais tão perigoso para os leões.

Cachorros-selvagens africanos são outros animais que competem com leões pelas presas. Diferentemente das hienas, porém, esses bandos não são prejudicados somente pela morte do líder, já que a hierarquia se restabelece rapidamente. É preciso que os leões matem o maior número possível de competidores. Ao se depararem com os cachorros, chegam a matar quase 20 de uma só vez.

Leões encontram inimigos até dentro da própria família dos Felidae: os ágeis guepardos, de alta eficiência de caça, podem ganhar dos leões na competição por uma presa, além de suportarem temperaturas mais altas e poderem caçar com o sol a pino. "Para evitar que, no futuro, o guepardo torne-se um competidor, o leão elimina-o enquanto filhote", diz Carlos Alberts. "É uma estratégia em longo prazo que mostra alta capacidade cognitiva."

Apesar das lutas com todos esses animais, o maior problema do leão tem sido a expansão populacional humana, que rouba seus territórios. Há cerca de 2 mil anos, os felinos habitavam a Europa, África e Ásia. Os leões europeus sumiram. Há menos de 200 anos, habitavam ainda quase toda a África, com exceção do Deserto do Saara e da bacia do Rio Congo, e o oeste da Ásia. Hoje em dia, foram reduzidos a algumas pequenas populações espalhadas pela África subsaariana, e há cerca de 250 leões da subespécie P. leo persica, o leão-asiático, no parque de Gir, na região de Goa, Índia. A caça de leões e a expansão territorial do ser humano vêm causando o declínio da população desses animais. O leão é considerado uma espécie vulnerável pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza).
"Se olharmos um mapa com a distribuição atual do leão, veremos uma mancha grande", diz o biólogo Laurence Frank, da Universidade da Califórnia em Berkeley. "Mas devemos ressaltar que, na maior parte dessa área, não há realmente leões. Eles se encontram em pequenas populações aqui e ali, confinados a áreas de preservação ambiental." Segundo Frank, somente Tanzânia e Botsuana ainda contam de verdade com uma grande população de leões. Aquela cena típica de documentário de televisão, de uma leoa abatendo uma presa, que descrevemos no início, está se tornando mais rara. O leão mostra por que é visto como rei - da caçada em grupo à eliminação de concorrentes, tanto atuais quanto potenciais. Mas é possível que o rei e as rainhas fiquem sem reino.


Caçadores de homens


Eles hoje estão empalhados no Field Museum, em Chicago, nos Estados Unidos. Mas, há mais de um século, já foram o terror de muitos homens. Em 1898, durante a construção de uma ponte ferroviária sobre o Rio Tsavo, no Quênia, África, dois leões mataram quase 140 operários de uma empresa da Inglaterra, responsável pela obra. Apesar de os homens tentarem se proteger com cercas e fogueiras, os ataques continuavam. Muitos deixaram o local. Só voltaram quando, finalmente, os leões foram mortos. Dois fatores podem ter contribuído para que os leões buscassem presas humanas. O primeiro seria uma epidemia que havia matado naquela década milhões de zebras e gazelas, diminuindo a oferta de comida. O outro, as covas precárias em que eram enterrados operários que morriam de acidentes ou doenças - ao comerem os cadáveres, os leões podem ter começado a buscar humanos como suas presas. Após alguns anos, a pele dos leões foi vendida para o museu, onde permanece até hoje em exposicão. As aventuras do engenheiro John Henry Patterson, que matou os leões a tiros, foram retratadas no filme A Sombra e a Escuridão, de 1996.


Como caça a leoa




1. Ardil

Todas as leoas, menos uma, avançam para as zebras na direção do vento



2. Fuga inútil

As zebras sentem o odor das leoas e correm na direção oposta



3. Surpresa

A leoa remanescente já esperava a presa e ataca



4. Golpe fatal
Uma zebra foi morta pela leoa, mas quem come antes é o macho


Fatos selvagens




Nome vulgar

Leão



Nome científico

Panthera leo



Dimensões

3 metros do focinho ao fim da cauda



Peso

Até 200 quilos



Principais armas

Velocidade, força, garras, dentes



Comportamento social

Sociável, quase sempre vive em grupo. As leoas caçam para o bando e os leões o protegem



Ataques a humanos

Mais de 700 ataques em 15 anos, na Tanzânia



Expectativa de vida

10 anos na natureza; 25 anos em cativeiro



Quanto come

Em cativeiro, 13 quilos de carne por dia



Dieta

Zebras, gnus, antílopes, búfalos, girafas



Inimigos

Hienas, guepardos, cachorros-selvagens



Se você encontrar um
Afaste-se calmamente, sem dar as costas para o animal


Para saber mais




Na livraria

Serengeti Lion - A Study of Predator-Prey Relations - George Schaller, University of Chicago Press, EUA, 1976



Na internet

www.african-lion.org - Site de uma organização sul-africana com informações e notícias sobre os animais



Nas bancas - DVD
Território Selvagem - Leão - Documentário produzido pela BBC e lançado no Brasil pela Super


sábado, 11 de junho de 2011

Girafa - com a cabeça nas nuvens

Girafa - COM A CABEÇA NAS NUVENS



Apesar de seus incríveis 2,53 metros, o ucraniano Leonid Stadnik - o homem vivo mais alto do mundo - não chega nem à metade do animal mais alto do planeta: a girafa. O pacato animal, que vive na savana africana, pode atingir 5,5 metros de altura. Os filhotes já nascem com quase dois metros. Uma curiosidade: a girafa é o único animal no mundo que consegue alcançar as próprias orelhas com a língua. Deve ser muito útil...

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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

África - Sobre homens e leões

ÁFRICA: SOBRE HOMENS E LEÕES



Imagine-se diante de um leão em plena savana africana. Enraivecido, ele avança e o agarra pelo ombro. Você ouve o rugido ensurdecedor e sente os dentes entrando em sua carne. Parece história de pescador (ou, no caso, de caçador), mas aconteceu de verdade. Com David Livingstone, o maior explorador que a África já conheceu. Perguntado sobre o que pensava durante a luta, ele respondeu, com o peculiar humor dos britânicos: "Eu me indagava qual parte do corpo ele ia comer primeiro". Mesmo com seqüelas permanentes no braço esquerdo, esse missionário escocês se aventurou pelo interior do continente negro por quase 32 anos e enfrentou perigos como poucos neste planeta.

Nessas quase três décadas, as expedições de Livingstone revolucionaram a visão da Europa sobre a África. Com exceção da colônia do Cabo, os núcleos de colonização eram precários e restritos ao litoral - não passavam de pontos de parada para navios em busca de escravos. Munido de uma espingarda e uma maleta de médico, o explorador fez três grandes percursos e caminhou milhares de quilômetros. Ao final, adicionou ao mapa mundial cerca de 46 mil quilômetros quadrados de terras, lagos, rios e cachoeiras, povoados por tribos de culturas ancestrais. "O fim da façanha geográfica é apenas o começo da empreitada missionária", era um de seus famosos ditos.

A jornada começou em Kuruman, no sul da África, em 31 de julho de 1841, quando ele tinha 28 anos. Poucos meses depois, iniciou campanhas pelo interior, ganhando a confiança dos nativos por onde passava graças ao jeito respeitoso e ao tratamento médico que oferecia. Em 1843, construiu uma casa em Mabotsa, belo vale habitado pela tribo Bakatla, o Povo do Macaco. Em seis meses, já conversava fluentemente com os nativos, que vinham pedir ajuda ao médico branco que falava sobre Jesus e o cristianismo.

Foi em Mabotsa que Livingstone teve o já referido encontro com o leão. Ferido, viu-se obrigado a retornar a Kuruman, onde se apaixonou por uma bela jovem: Mary Moffat, filha do fundador da missão local, o também escocês Robert Moffat. O casal, então, foi até Chonuane, a pouco mais de 60 quilômetros de distância. Ali, o explorador conheceria um de seus mais fiéis amigos: Sechele, líder da tribo Bakwain, que abandonou a poligamia para se converter à religião cristã. Ao longo dos anos com os bakwains, Mary e David Livingstone tiveram quatro filhos e acostumaram-se ao dia-a-dia duro. Teriam permanecido lá por décadas não fosse a seca inclemente.

Kolobeng foi o destino escolhido por Livingstone e os bakwains, mas novamente a seca atacou e, mais uma vez, o missionário deu lugar ao expedicionário. Dizia-se que além do deserto de Kalahari havia uma terra rica, habitada pelos makololos, cujo chefe, Sebituane, era velho amigo de Sechele. Em junho de 1849, Livingstone partiu disposto a cruzar o deserto, feito que os líderes tribais acreditavam ser impossível para um homem branco. Não para Livingstone. Em dois meses, ele chegou ao lago Ngami e a um rio de tamanho considerável - era a prova de que os bakwains estavam certos: a África não era apenas um imenso deserto. Aquelas águas, pensou, haveriam de se tornar rotas para uma região fértil e inexplorada. Na época, o devoto missionário já percebera que a Bíblia não salvaria os africanos. Foi então que ele consolidou a teoria que defenderia até a morte: cristianismo, comércio e civilização eram os três pilares para inserir a África no mundo e erradicar o tráfico de escravos.

A expedição voltou a Kolobeng para Livingstone buscar Sechele e sua família. Juntos, retornaram em busca da tribo Makololo. Mas as crianças não estavam preparadas para o deserto. Depois da morte de um de seus filhos, o explorador decidiu retornar para a Cidade do Cabo, de onde mandou a família de volta à Inglaterra. Era abril de 1852, a primeira vez em 11 anos que Livingstone via qualquer traço da civilização européia.

Caminho do mar
De volta ao coração da África, foi longa e difícil a terceira tentativa de chegar ao chefe makololo. Livingstone e os bakwains estiveram por várias vezes muito perto da morte, mas sobreviveram a tudo. Mais uma batalha tinha sido ganha, mas ele ainda sonhava com um caminho para o mar. A nova viagem, em direção à costa oeste, contou com a colaboração de 27 homens da tribo. Foram seis meses atravessando florestas e rios. Seis meses de privações, fome e doenças. O contato com as tribos do caminho era sempre uma incógnita. Algumas, hostis, exigiam tributos. Outras recebiam os forasteiros com simpatia, presentes e danças tradicionais. Em maio de 1854, depois de percorrer quase 2500 quilômetros (veja mais detalhes no mapa ao lado), eles chegaram ao porto português de Luanda - e muitos viram o mar pela primeira vez. "Marchamos acreditando que o que nossos ancestrais diziam era verdade, que o mundo não tinha fim", contaram os makololos. "De repente, o mundo nos disse: ‘Este é o meu fim, não há mais de mim’."

O grupo só chegou de volta às margens do rio Zambeze 18 meses depois da partida. Todos pareciam vindos da terra dos mortos. Livingstone ficara quase cego de um olho atingido por um galho e quase surdo em decorrência de uma febre reumática. Mal se recuperou, ele partiu em direção à costa leste e a um novo mundo de aventuras: escalar um formigueiro de 6 metros de altura para fugir de um búfalo, atravessar a floresta à noite, em meio à chuva torrencial, caminhar ensopado por pântanos e atravessar riachos, dormir numa pilha de grama e comer mandioca, farinha e sementes. Um dia, Livingstone avistou colunas de vapor e ouviu um barulho muito forte. Era uma queda-d’água maior do que qualquer uma já vista por um europeu. Na época, um jornalista americano escreveu: "Com um gosto duvidoso, ele propôs chamar de Victoria Falls, nome que, esperamos, não seja sancionado pelo mundo".

Chegando a Quilimane, na costa leste, Livingstone encontrou trabalho para seus homens e pôde retornar pela primeira vez à Inglaterra. Era dezembro de 1856, mais de 15 anos desde sua partida. Lá, escreveu Viagens Missionárias e Pesquisas na África do Sul, fez palestras e tornou-se uma celebridade: o único branco a atravessar a África de leste a oeste. Não demorou para ele voltar para às terras que tanto amava - com a família e à frente de uma expedição de europeus, com salário do governo britânico e recursos de sobra.

Tempos difíceis
Ironicamente, os tempos áureos de suas missões haviam terminado. Livingstone se dava muito bem com os africanos, mas sua convivência com os brancos era sofrível. Foram seis anos de desavenças e frustrações. O Zambeze mostrou-se um rio de difícil navegação e metade do tempo era gasta cortando madeira para abastecer o moderno barco. Ainda assim, a expedição descobriu o lago Niassa, o rio Shire e o lago Shirwa. Em janeiro de 1862, Mary Livingstone foi acometida por uma febre terrível e morreu. No ano seguinte, o governo britânico decidiu cortar o financiamento da expedição. Livingstone já não escondia a amargura. Com o passar do tempo, ele percebeu que suas explorações também abriam novas rotas para os traficantes. Acabou por voltar a Londres. Seria sua última temporada na Europa. Aproveitou-a ao lado dos filhos e escreveu o segundo livro, cheio de histórias de africanos capturados e transportados em péssimas condições.

A terceira expedição de Livingstone à África, em 1866, colocaria sua força de vontade e fé à prova. "Por onde andamos, vemos esqueletos humanos em todas as direções. Essa região, que há apenas 18 meses era um vale povoado de vilarejos e jardins, é agora um deserto cheio de ossadas", escreveu em seu diário. Seus homens o abandonaram, levando a caixa de remédios. Febril e esfomeado, ainda andou quilômetros até descobrir os lagos Tanganica e Moero. Ao chegar a Uiji, mais uma vez Livingstone contou com a sorte. Um homem branco aproximou-se e disse a frase que acabaria por se tornar célebre: "Doutor Livingstone, eu presumo". Era Henry Stanley, repórter do jornal New York Herald, enviado três anos antes para descobrir seu paradeiro. Os dois tornaram-se amigos. Stanley decidiu voltar, mas Livingstone recusou a oferta para acompanhá-lo. Foi seu último encontro com um branco. Doente e agonizante, chegou ao vilarejo de Chitambo, onde os moradores o instalaram numa tenda. Na manhã de 4 de maio de 1873, foi encontrado ajoelhado, em posição de oração - estava morto. Seu coração foi enterrado sob uma árvore, honra que nunca tinha sido concedida a um não-africano. O corpo embalsamado está enterrado na abadia de Westminster, na capital inglesa.
A julgar pelos objetivos que se auto-impôs, Livingstone não tinha muito a mostrar ao morrer. Falhou em encontrar a fonte do Nilo, os centros missionários com os quais sonhava demorariam a chegar e a brutalidade do tráfico não dava sinais de arrefecimento. Mas essa é uma visão muito simplista. Livingstone despertou o Ocidente para a África. Quase 150 anos depois, é muito claro que suas descobertas foram uma pequena semente para a libertação do continente - pequena, mas suficientemente importante para conceder a esse missionário escocês um lugar na lista dos maiores exploradores que a História já conheceu.

Coração negro
Aos 22 anos, David Livingstone já havia concluído os cursos de Medicina, Grego e Teologia na Universidade de Glasgow. Partiu para Londres e, convencido de que levar o cristianismo aos recônditos mais distantes era sua vocação, filiou-se à Sociedade Missionária. Pretendia ir à China, mas a Guerra do Ópio fez com que mudasse de rumo - para a África. "Por quatro meses eu vivi com ele na mesma casa, no mesmo barco, na mesma tenda, e nunca encontrei sequer um defeito.
Ele acredita que tudo dará certo, tamanha é sua fé na Providência." Assim o jornalista Henry Stanley descreveu o Livingstone que conheceu na África, em 1873. Um homem arredio aos europeus e a quaisquer regras, fossem do governo britânico ou da Sociedade Missionária de Londres, com a qual rompeu em 1856. Sentia-se em casa no deserto ou na savana, em meio aos ditos selvagens. Seu amor e dedicação estavam totalmente voltados aos povos africanos, a quem tratava com respeito e lealdade. Não à toa seu coração foi enterrado na África. É à África que ele pertence.