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quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Rara estátua do faraó Ramsés II com símbolo místico é encontrada no Egito

Rara estátua do faraó Ramsés II com símbolo místico é encontrada no Egito


O Ministério das Antiguidades do Egito anunciou a descoberta de uma rara estátua de granito cor-de-rosa do faraó Ramsés II. 

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Invenções egípcias que continuamos usando até hoje


Invenções egípcias que continuamos usando até hoje


Você acha que pavimentar ruas é uma prática moderna? Não se engane. Há 5 mil anos, os egípcios já tinham um tipo de asfalto.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Descoberta arqueológica revela mistério bíblico


Descoberta arqueológica revela mistério bíblico


Uma descoberta promete lançar luz sobre um dos povos mais misteriosos da Bíblia.

Arqueólogos da expedição Leon Levy encontraram um cemitério filisteu perto da cidade de Ascalona, em Israel.  

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Faraó Tutancâmon - sua faca que veio do espaço


Faraó Tutancâmon - sua faca que veio do espaço


Ele morreu há mais de 3 milênios e sua tumba já foi descoberta há mais de 90 anos. Ainda assim, o misterioso faraó criança Tutancâmon não para de surpreender.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Nova técnica revela segredos das pirâmides do Egito



Nova técnica revela segredos das pirâmides do Egito



Muita gente deve imaginar como deve ser o interior de uma pirâmide do Egito.


terça-feira, 10 de novembro de 2015

Cientistas identificam pontos de calor misteriosos em pirâmide do Egito


Cientistas identificam pontos de calor misteriosos em pirâmide do Egito


Um time internacional de arquitetos e cientistas detectou anomalias térmicas nas Pirâmides de Gizé, no Egito. Usando câmeras termais, os especialistas observaram temperaturas maiores em três pedras adjacentes à base da Grande Pirâmide.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Cientistas desvendam como egípcios transportavam pedras gigantes


Cientistas desvendam como egípcios transportavam pedras gigantes


O modo como os egípcios carregavam pedras gigantescas pelo deserto para construir pirâmides sempre foi um mistério para cientistas. 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Faraós no consultório - História


FARAÓS NO CONSULTÓRIO - História


As pirâmides não são o único legado do Antigo Egito. Graças a essa civilização, a Medicina começou a se organizar enquanto área da ciência.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

O ultimo escriba dos Faraós - Perfil Jean-François

O ÚLTIMO ESCRIBA DOS FARAÓS - Perfil Jean-François 



Quando percebeu que havia encontrado a chave de um mistério milenar ele quase perdeu os senados. O menino prodígio rejeitado pela mãe tinha se transformado em um mestre da lingüística e realizado a proeza que os estudiosos perseguiam desde a descoberta da Pedra de Roseta: decifrou os hieróglifos e abriu o livro da história do Egito.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Tomografia revela que faraó egípcio teve garganta cortada



Tomografia revela que faraó egípcio teve garganta cortada

Múmia do faraó egípcio Ramsés 3º, que teve a garganta cortada (Foto: Reprodução/"British Medical Journal")

Harém armou conspiração contra imperador egípcio, sugere pesquisa.
Atentado contra Ramsés 3º ocorreu 1,1 mil anos antes de Cristo.

Um estudo realizado pela Universidade do Cairo, no Egito, em conjunto com outras instituições do país utilizou tomografia computadorizada e técnicas de medicina para confirmar que o faraó Ramsés 3º morreu ao ter a garganta cortada. A pesquisa sugere que ele foi vítima de uma conspiração realizada por seu harém por volta de 1,1 mil anos antes de Cristo.

A pesquisa, publicada no conceituado periódico "British Medical Journal", esclarece alguns pontos obscuros na história, há muito tempo debatida por egiptólogos.

Um dos documentos mais analisados da época, um papiro "judicial" do Egito antigo, afirma que no ano 1.155 antes de Cristo, mulheres que integravam o harém do faraó cometeram um atentado contra a vida dele, como parte de uma conspiração. O papiro relata que a conspiração falhou, mas não havia dados que confirmassem o homicídio.

O documento revela que foram feitos quatro julgamentos dos conspiradores e que houve punição aos responsáveis. Os dois chefes da conspiração seriam uma rainha secundária, chamada Tiy, e seu filho, o príncipe Pentawere.

O papiro é vago quanto à morte de Ramsés 3º. Primeiro, sugere que ele poderia ter morrido pouco antes ou durante o julgamento dos conspiradores. Depois, diz que a Corte que julgava o harém recebeu ordens diretas do rei, o que indica que ele estaria vivo quando houve o julgamento.

Corte profundo
Com as tomografias na múmia de Ramsés 3º, os cientistas descobriram um grande e profundo corte em sua garganta, causado por uma lâmina afiada, possivelmente, e que teria sido letal o suficiente para causar morte imediata.

Um amuleto foi encontrado dentro do ferimento, dizem os pesquisadores. O objeto foi possivelmente inserido, na época, pelos responsáveis por embalsamar o corpo do faraó.

Os cientistas analisaram ainda outra múmia, provavelmente do filho do rei, Pentawere.
A múmia possuía entre 18 e 20 anos quando morreu, e evidências como pele ferida em volta do escoço da múmia sugerem que ela foi morta de forma violenta, possivelmente por estrangulamento.

O corpo mumificado que possivelmente pertence a Pentawere não foi mumificado da forma tradicional, mas feito em um "ritual impuro", segundo os cientistas, o que indica que foi uma forma de punição por participar da conspiração.

A análise do DNA de ambas as múmias indica que existe grau de parentesco, o que "sugere fortemente que eram pai e filho", segundo os cientistas.

Tomografia mostra coluna e pescoço de faraó; estrelas indicam local onde ferimento foi causado (Foto: Reprodução/"British Medical Journal")


domingo, 14 de outubro de 2012

A Rainha dos Reis - Cleopatra



A RAINHA DOS REIS - Cleopatra



Para reviver a glória dos faraós do Egito, ela seduziu os dois mais poderosos chefes romanos de seu tempo. Um terceiro a derrotou.

Ano 51 a.C. Cleópatra, aos 18 anos, torna-se rainha do Egito com a morte de seu pai Ptolomeu XII. É provável que os oráculos profetizassem que a jovem ambiciosa, meio grega, meio macedônica, estava destinada a interferir nos meandros da História. Mas tudo que Cleópatra queria era manter-se no poder. O Egito, celeiro do mundo ocidental e uma das nações mais ricas do Mediterrâneo, representava um troféu muito cobiçado pelos inquietos romanos; afinal, uma centena de anos antes eles haviam começado sua expansão para o Oriente. Mais de uma vez falara-se em anexação e o próprio pai de Cleópatra só conseguiu manter-se no trono distribuindo subornos. Assim, a rainha ainda adolescente sabia muito bem que o caminho para a permanência no poder passava por Roma - e seus governantes. Tornou-se amante e aliada de Júlio César (100-44 a.C.), o primeiro ditador romano. Mais tarde, conquistou as atenções de seu sucessor, Marco Antônio (82 ou 81-30 a.C.).
A história desses romances, misto de desejo e jogo de interesses, repercutiria intensamente na política romana, que passava por um período crucial. A República, implantada em 509 a.C., agonizava em meio à guerra civil. Os generais mais ricos, que podiam pagar seus exércitos, procuravam obter o poder para si. "Nesse tabuleiro de xadrez Cleópatra manobra com habilidade", avalia o professor de História Antiga Ciro Flamarion Cardoso, da Universidade Federal Fluminense. "Num mundo em que os negócios do Estado estavam nas mãos dos homens, ela usou a sedução para vencer como estadista." A personagem Cleópatra, na maioria dos livros de História, encarna como nenhuma outra mulher da Antigüidade o papel de irresistível sedutora. "Mas esta é uma visão deformada", critica Flamarion Cardoso, que se diz um admirador da figura histórica da rainha. "Cleópatra foi uma administradora competente, uma mulher culta, que além do mais devia ter consideráveis dotes eróticos. Apostou na sua estratégia e perdeu. E a História não costuma ter complacência com os vencidos."
Surpreendentemente, apenas há poucas décadas, passou-se a pesquisar com outro enfoque a vida da rainha do Egito. Até então, baseados no que diziam seus inimigos, que por sinal não eram poucos, os textos clássicos a descreveram de maneira extremamente pejorativa- mulher venal, amante de orgias, que conseguiu, com seus ardís, enfeitiçar dois generais romanos. Além das lendas, são poucos os registros históricos dignos desse nome sobre Cleópatra. Para evocar a sua aparência existem algumas efígies em moedas e um busto no Museu Britânico, em Londres. Não se sabe, portanto, se a moça tinha os olhos claros e cabelos loiros dos macedônios, ou a tez morena dos gregos. Parecia ter olhos grandes, boca pequena e bem desenhada. "Se o seu nariz tivesse sido mais curto, toda a face da Terra teria mudado", disse o matemático francês Blaise Pascal (1623-1662), pioneiro da Teoria da Probabilidade. O nariz era aquilino . O fato é que a beleza não constituía o seu maior atributo. Plutarco, o historiador romano que viveu um século depois, explicava de outro modo o fascínio que ela exercia: "A presença de Cleópatra era irresistível e havia tal encanto em sua pessoa e no seu modo de falar, misturado com uma força singular que permeava cada palavra e cada gesto, que a todos ela subjugava."
Cleópatra pertencia à dinastia de Ptolomeu, um dos generais de Alexandre, o Grande (356 a.C.-323 a.C.), cujo império se estendia do Egito até a Índia. "Alexandre, de origem macedônica absorveu a cultura oriental e se comportou como um monarca divino", classifica o professor de História Antiga Ricardo Mário Gonçalves, da Universidade de São Paulo. "Os sucessores imitaram o seu exemplo." Depois da morte do imperador, suas terras foram divididas, cabendo a Ptolomeu o Egito. Para consolidar seu poder, o general se fez sagrar faraó, retomando as tradições das linhagens que comandaram o país durante três milênios, sob cuja autoridade se desenvolveu uma peculiar civilização de que as pirâmides são o signo mais conhecido. Cleópatra VII Thea Philopator (deusa que ama o pai, em grego) era o seu nome todo. Herdeira da dinastia ptolomaica, gostava de vestir-se como Ísis, a deusa-mãe, de quem se dizia a reencarnação.
Nascida em 69 a.C., na rica Alexandria cujo porto era o mais importante da época, nada mais natural que Cleópatra se sentisse uma deusa. Dos jardins do seu palácio, ela podia ver algumas das maravilhas legadas ao mundo por seus antepassados: a mais famosa biblioteca da Antigüidade, com mais de 700 mil volumes, e um museu freqüentado por sábios do Mediterrâneo. Os Ptolomeu eram patronos das artes e muito do que se conhece hoje de filosofia e ciência gregas foi conservado em Alexandria, a capital do Egito. Do palácio também se avistava a féerica agitação do porto, os monumentos e o magnífico farol, construído por Ptolomeu II, uma das Sete Maravilhas do Mundo. Como regente do Egito, Cleópatra controlava, com a ajuda de administradores gregos, não só a vida da cidade mas a agricultura ao longo do Nilo, de onde provinha a fabulosa riqueza de seu país. Dispondo de poder absoluto, tinha objetivos definidos para o seu reinado, além de obstinação suficiente para dedicar a vida à realização de suas ambições: garantir a riqueza e a independência do Egito e restaurar a glória dos faraós.
Cercada de uma corte corrupta, Cleópatra não tinha escrúpulos. Mandou matar quatro dos cinco irmãos (dois homens e três mulheres) que podiam atrapalhar-lhe os planos. Era porém uma mulher culta. Nas negociações comerciais e nos encontros diplomáticos dispensava intérpretes, sendo a única rainha macedônica a falar o egípcio - além de nove outras línguas. Durante o seu reinado, patrocinou as artes e as ciências e teria, segundo alguns historiadores, escrito duas obras: um improvável tratado sobre pesos e medidas e outro, mais compatível com sua figura no imaginário popular, sobre penteados e cosméticos. Para conquistar a confiança do povo, subiu o Nilo até Tebas, onde presidiu uma cerimônia de culto ao touro sagrado, manifestação do deus Ra. Nos 21 anos em que governou o Egito, evitou que a massa se rebelasse, o que contraria a afirmação de que era odiada por sua crueldade.
Em compensação, logo que se tornou rainha, enfrentou a primeira conspiração palaciana. Como de costume entre os Ptolomeu, Cleópatra deveria dividir o trono com seu irmão Ptolomeu XIII, de apenas 10 anos, de quem era formalmente a mulher. Temendo, com bons motivos, que ela pretendesse governar sozinha, os tutores do irmão-marido a expulsaram para a Síria. Nesse meio tempo, o triunvirato que governava Roma desde 60 a.C. havia se desfeito e César disputava com Pompeu o controle da República. Pompeu foi assassinado em 48 a.C.. no Egito, para onde César se dirigiu com suas legiões. A fim de entrar incógnita em Alexandria e conquistar as graças de César, Cleópatra arquitetou um plano ao seu estilo. Detalhe miúdo, ela se fez embrulhar num tapete, colocado nos ombros de um servo. Pode-se imaginar a expressão do ditador romano, ao ver o que continha o tapete desdobrado aos seus pés. Não espanta que a apresentação tenha terminado na cama. Seja como for, no dia seguinte César entregaria o controle do Egito para Cleópatra. Era um presente sujeito a condições. Em troca, a rainha, que mais tarde deu à luz a um filho apropriadamente chamado Cesário Ihe garantiu riquezas para sustentar seus exércitos.
Assim, apesar do que diziam as más línguas da época, a sedução de César não era cega. Mas, ao voltar a Roma, em 46 a.C., depois de uma vitoriosa campanha na Ásia Menor, o ditador convidou a rainha a visitá-lo. E, para provar a todos que Cleópatra era mais do que uma amante casual, mandou colocar sua estátua no templo dos próprios ancestrais dedicado a Vênus, como se sabe, a deusa do amor e da beleza na mitologia romana. César tinha então 54 anos. Cleópatra, 23. Os dias do conquistador, no entanto, estavam contados. Os inimigos acreditavam que ele pretendia tornar-se rei e instalar o governo do império em Alexandria para ficar junto da amante. Em 44 a.C., num dos episódios mais dramáticos da história de Roma, César foi assassinado por um grupo de republicanos. Sua morte pôs um fim à primeira campanha de Cleópatra pelo poder. Discretamente, retirou-se para o Egito à espera dos desdobramentos que não tardariam, na luta em Roma.
Divulgado por Marco Antônio, o melhor amigo de César, o testamento do finado não mencionava sequer uma vez o nome de Cleópatra nem fornecia indicação de um eventual projeto monárquico. Os conspiradores que acreditavam que a morte de César traria de volta a República tiveram de sair do país. Formou-se um novo triunvirato com Marco Antônio, Otávio - um jovem de 18 anos, herdeiro de César - e Lépido, o maior de seus generais. Logo ficou claro que a ambição dos dois primeiros iria jogá-los um contra o outro. Em 42 a.C., na primeira batalha de que os dois participam juntos, em Filipos, na Grécia, o maior quinhão da glória cabe a Marco Antônio - ou assim parece, já que nessa época Otávio era apenas um rapaz doente. Para consolidar o poder recém-conquistado, Antônio sonha com uma invasão da Pérsia e, para esse objetivo, convoca todos os aliados da República Romana a um encontro em Tarso, na Síria. É a oportunidade que Cleópatra esperava para voltar à História. Sua entrada é nada menos que triunfal. Baseado nos textos de Plutarco, o dramaturgo inglês William Shakespeare (1564-1616) imortalizaria acenara peça Antônio e Cleópatra, em que a rainha, adornada como Vênus, aparece na popa dourada de um barco com velas de cor púrpura enfunadas ao vento. Cleópatra se faz abanar com plumas de avestruz por meninos vestidos de Cupido, enquanto, ao som de flautas, oboés e alaúdes, escravos movem ritmicamente os remos de prata. A ser verdadeira a cena, Hollywood não terá inventado nada de novo na breguíssima reconstrução de Cleópatra, filmado em 1963, com Elizabeth Taylor. Dado a festas e ostentações, como poderia Marco Antônio resistir? No golpe de misericórdia, Cleópatra, aos 29 anos e no auge de seus encantos, convida o general quarentão para um banquete inigualável. Segundo Plutarco, dai em diante Cleópatra fez o que quis de Marco Antônio: "Ela despertou e inflamou paixões até então adormecidas em sua natureza, abafou e finalmente corrompeu quaisquer resquícios de bondade e justiça que ainda subsistissem nele."Na realidade, o general era emotivo, bêbado e mulherengo", precisa Flamarion Cardoso, da Universidade Federal Fluminense.
Marco Antônio desistiu da campanha da Pérsia e aceitou o convite da rainha para visitar Alexandria. Na bela cidade eles formaram uma sociedade chamada "os que vivem para o prazer", bem ao gosto do general romano. Em 34 a.C., Antônio deu a Cleópatra, como prova de amor, a ilha de Chipre, mais a Líbia e a Síria, a Armênia, a Média (no noroeste do atual Irã) e a Cilícia (sudeste da atual Turquia) - e, é claro, o velho Egito. Em troca, como já havia acontecido com César, a rainha sustentaria com suas riquezas as legiões romanas. Marco Antônio foi um amante mais generoso do que seu antecessor. Numa das festas que promoveu, deu a Cleópatra o título de Rainha dos Reis, repartindo entre Cesário, o filho que ela tivera com César e as três crianças que eram filhos dela consigo, partes das terras conquistadas pelo seu exército. Em Roma, tais doações foram usadas por Otávio para indispor o populacho contra seu rival. Segundo o professor Ricardo Gonçalves, "ao unir-se com Cleópatra, Marco Antônio tornou-se para os romanos um monarca despótico e absolutista. Enquanto Otávio, embora também quisesse o poder absoluto, parecia agir como um defensor da República." Não tardou que ambos se guerreassem. A batalha de Ácio, no leste da Grécia. em 31 a.C., foi definitiva. Embora seu exército fosse melhor preparado, Antônio não conseguiu furar o bloqueio marítimo montado por Otávio. Cleópatra, ao lado do amante, foi a primeira a reconhecer a derrota e fugir para o Egito. Para não perdê-la, Marco Antônio foi atrás, abandonando os que ainda lutavam - pecado imperdoável para um chefe militar. No Egito, o par formou a sociedade dos "inseparáveis na morte". Como bom soldado, ele matou-se com a espada. Cleópatra, porém, tinha apego à vida. Prisioneira dos romanos, com 39 anos, apelou para a velha fórmula, tentando seduzir Otávio. Mas este recusou o jogo. Não restou mais nada à rainha senão suicidar-se, fazendo-se picar por uma áspide, pequena cobra venenosa.

O mito masculino da mulher fatal

Morena, cabelos negros, olhos cor de violeta. Assim era a Cleópatra made in Hollywood, por quem o público masculino suspirava em 1963. Não só o público: o ator inglês Richard Burton, que fazia Marco Antônio no filme, sucumbiu aos encantos, como se diz, de Elizabeth Taylor-Cleópatra e com ela viveu um longo, intermitente e tempestuoso casamento. O episódio, que um dia talvez vire filme também, foi um acréscimo primoroso para fixar no imaginário popular o mito de Cleópatra mulher fatal, cuja dimensão trágica está em ser ela ao mesmo tempo prêmio e perdição para o homem. "Cleópatra é capaz de deixar qualquer homem a seus pés, mas homem algum pode ser feliz a seu lado", resume o professor Flávio Di Giorgi, que leciona Lingüística e Teoria Literária na PUC de São Paulo.
Com uma história que mistura política, intriga, violência, luxo e erotismo, é natural que a arte se apropriasse da figura da rainha do Egito, desde as pinturas que descrevem de forma romântica e grandiloqüente o seu suicídio às peças de Shakespeare e Bernard Shaw e ao romance histórico de Théophile Gautier. Vivendo num ambiente de opulência e sensualidade - a corte dos faraós na faustosa Alexandria - Cleópatra é esculpida como a mulher irresistível que usa o corpo para conseguir o que quer dos homens e depois os descarta. Ou, segundo analisa o psicanalista Renato Mezan, também professor da PUC, "como ela não tem existência real, sendo apenas a projeção dos desejos masculinos, o mito a despoja de sentimentos".

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Mundo Deserto - Geologia



MUNDO DESERTO - Geologia



Um terço das terras do planeta são extensões estéreis. É o resultado da açào milenar das forças que moldam o clima. Agora, o homem começa a fazer a sua parte - para piorar tudo.

Para atravessar em 1990 o deserto de Gobi, que se estende por 1600 desolados quilômetros na Mongólia, Asia Central, o explorador britânico Sir Aurel Stein, se muniu de muita coragem e de um antigo mapa. Nele, um viajante veneziano chamado Marco Polo tinha anotado, seiscentos anos antes, 28 indicações literalmente vitais para uma travessia desse porte - os oásis, onde pudera matar a sede nos quatro anos que levou para ir de Bassora, no extremo norte do Golfo Pérsico, a Pequim, na China. Para Sir Aurel, que passou quinze anos em Gobi, o mapa foi um guia precioso: sua exatidão poupou a caravana que comandava do risco de perecer por falta de água. Pior sorte tiveram os pioneiros colonizadores da Austrália, no século passado. Convencidos de que havia uma espécie de grande mar interior no centro do território, como o Cáspio, no sul da União Soviética - já que a maioria dos rios ali correm em direção ao mar - empreenderam expedições que acabaram liquidadas ou pelas setas dos aborígenes ou pela implacável aridez da natureza.
Experiências tão diversas como aquelas recheiam a volumosa, multissecular crônica dos desbravadores, cientistas, comerciantes e aventureiros que por motivos não menos variados ousaram confrontar as imensidões inóspitas de terras conhecidas como desertos, que, somadas, ocupam uma área surpreendente. "Se descontarmos as calotas glaciais, constituem pouco mais de um terço das terras emersas do planeta", calcula o professor francês Pierre Rognon, geólogo especializado no estudo dos desertos, ou Eremologia, como dizem seus praticantes. "E em todo esse espaço, a vida se limita a poucas e obstinadas plantas e animais, além dos bandos nômades, cada vez menos numerosos." Diretor do Laboratório de Geodinâmica dos Meios Continentais da Universidade de Paris VI, Rognon conhece como poucos o maior e mais famoso deserto do mundo: o Saara, que atravessa onze países no norte da África e cujos 8,6 milhões de quilômetros quadrados - pouco mais que um Brasil inteiro - ele vem pesquisando desde 1953, viajando de camelo, jipe e helicóptero. Haja dedicação: ali, a temperatura alcança 43 graus de dia e desce a 10 graus à noite.
Como o nome quer dizer em árabe antigo, é um "espaço vazio de solo nu e sem vegetação". A descrição traça adequadamente o perfil das regiões desérticas do globo, caracterizadas por receberem menos de 250 milímetros anuais de chuva. A origem dos desertos está diretamente ligada ao clima da Terra. Não por acaso, a maioria deles se situa nos trópicos, onde zonas de alta pressão impedem que a superfície seja umedecida. Segundo a explicação mais aceita pelos cientistas, isso acontece porque nas zonas de clima tropical, mais próximas ao Equador, o Sol se avizinha do zênite, o ponto mais alto da abóbada celeste. Sua radiação, que por isso incide quase perpendicularmente, é em boa parte absorvida pela superfície, que a transforma em calor. O ar assim aquecido, por ser mais leve, ganha as camadas superiores da atmosfera, leva consigo grande quantidade de vapor de água proveniente dos oceanos e cria, num processo semelhante ao de um desentupidor de pia, uma zona de baixa pressão acima do solo.
À medida que o ar sobe, encontra regiões cada vez mais frias e começa a se expandir em direção aos pólos, dissipando seu calor. O vapor de água, que se condensa na presença do frio, forma pesadas nuvens que desabam em temporais que irrigam florestas como a da Amazônia, onde chove 3 mil milímetros anuais, ou do Vietnã. O ar, já então ressecado e resfriado, se torna mais denso e começa a descer exatamente sobre os trópicos, formando assim as zonas de alta pressão, também chamadas anticiclones. Quando chega perto da superfície, é atraído pela região vizinha, de baixa pressão - e o ciclo recomeça. Dessa forma, superfícies imensas no norte da África, na Austrália e na Península Arábica ficam privadas de chuva, pois o ar não consegue levar a água até elas. Existem ainda desertos, como os do Peru e do Chile, que devem sua extrema aridez a cadeias de montanhas, no caso os Andes, que barram a passagem das nuvens carregadas de água. E existem, enfim, os desertos de gelo, dos quais o melhor exemplo é a Antártida, com seus 13 milhões de quilômetros quadrados. Ironicamente, embora retenha o maior volume de água doce do planeta, a Antártida quase desconhece a chuva. "É o deserto perfeito", define Rognon. "Ali, caem por ano ínfimos 127 milímetros, como na região de Tanezrouft, no coração do Saara. Além disso, o frio intenso, que chega a 50 graus centígrados abaixo de zero, contribui para restringir dramaticamente quaisquer manifestações de vida." Embora pareçam à primeira vista extremos opostos, os desertos quentes e frios apresentam estranhas coincidências quanto às origens. Como um espelho, o gelo reflete a maior parte da radiação solar em direção à alta atmosfera e o ar é resfriado sem cessar em contato com a superfície.
Principalmente nos desertos quentes, onde as dunas penteadas pelo vento não representam mais de um quinto da área total, a natureza parece um eterno vazio, para além de qualquer mudança possível. Grande engano. Em 1981, a nave espacial americana Columbia, dotada de um aparelho de radar que emitia os sinais captados do solo para uma estação receptora nos Estados Unidos, sepultou aquela percepção. Vasculhando um trecho do Deserto da Líbia entre o Egito e o Sudão, onde a camada de areia é particularmente espessa e pode esperar até seis anos por uma chuva, a nave transmitiu uma imagem desconcertante para a equipe de geólogos de plantão em terra."Meu Deus, que aconteceu com a areia?", reagiu atordoada a cientista Carol Breed. Alguns minutos foram necessários para que se percebesse que o solo, de tão seco, foi incapaz de refletir as ondas eletromagnéticas do radar. A radiação ecoou, isso sim, nas rochas 5 metros abaixo da superfície. As fotografias resultantes, um verdadeiro tesouro, permitem dizer que, há mais de 20 mil anos, o Saara era uma região cortada por numerosos rios e, portanto, apta a abrigar exuberante vegetação e muitas formas de vida, incluindo a espécie humana. No meio do deserto onde hoje apenas algumas aves migratórias arriscam as penas, pode-se de fato encontrar um mar de inscrições rupestres, teslemunhas da ocupação humana da época do Neolítico, há cerca de 9 500 anos. São desenhos reveladores: mostram crocodilos, leões, girafas. elefantes e hipopótamos  uma fauna pouco dada a freqüentar regiões extremamente áridas. Mas, naqueles idos, quando o bicho homem começava a adquirir endereço certo e sabido com a prática da agricultura, as terras do norte africano, embora cada vez menos providas de umidade, ainda podiam amparar a presença de vida.
A exploração superintensiva do solo acabaria ao longo do tempo por interromper o ciclo vital primitivo oriundo de um passado muito mais longínquo. Realmente, troncos fossilizados do que teriam sido frondosas árvores são indícios inequívocos de que o Saara foi há 70 milhões de anos uma exuberante floresta. A África estava então a mais de meio caminho de sua localização atual - as áreas que correspondem a países norte-africanos, como Argélia, Marrocos, Líbia e Egito, se encontravam na linha do Equador, onde estão hoje Gabão, Zaire, Uganda e Quênia, no coração do continente. Ainda antes disso, na quase inimaginável época que remonta a meio bilhão de anos, a placa africana fazia parte do aglomerado de terras situadas no Pólo Sul, ou seja, era um imenso deserto de gelo.
O fenômeno inverso também ocorreu: calcula-se que a Terra tenha tido desertos no mínimo desde o período Permiano, que terminou há 230 milhões de anos. Florestas como a da Amazônia, por exemplo, eram regiões semi-áridas naquele período. "A prova disso", aponta o geólogo Kenitiro Suguio, do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo, "é que ainda há pontos onde a vegetação típica das savanas secas convive com a floresta úmida."As mudanças geológicas fizeram desaparecer os desertos desta parte do mundo, para sorte dos brasileiros. O maior deles era o da Bacia Sedimentar do Paraná, que existiu no Jurássico, há mais de 135 milhões de anos, tomando todo o sul do continente. "Dentro desta grande evolução, existem pequenos ciclos", precisa o geólogo francês Pierre Rognon. "Há épocas, como a atual, em que as regiões áridas se expandem e outras em que elas encolhem até quase desaparecer."Hoje, apenas algumas variedades de escorpiões, serpentes e besouros se aventuram por zonas como o "Quarteirão (ou corredor) Vazio", no sul da Península Arábica, uma das áreas menos habitadas do mundo.
Ali onde o clima é um pouco menos infernal, até alguns pequenos mamíferos insistem em sobreviver, ao custo de drásticas mutações. As espertas raposas do deserto, por exemplo, desenvolveram longas orelhas para, ao que tudo indica, aumentar a superfície de evaporação e assim manter estável a temperatura interna do corpo. Os lagartos chegaram a um verdadeiro requinte. Algumas espécies adquiriram nada menos que pálpebras transparentes, espécie de óculos naturais que permitem ao animal permanecer eternamente com os olhos fechados, a melhor defesa contra as tempestades de areia. Outros mamíferos armazenam na cauda grandes quantidades de gordura, que podem ser metabolizadas em água, num processo equivalente ao da corcova dos dromedários. Já as franzinas e desfolhadas plantas, por disputar cada gota das raríssimas chuvas, crescem a uma boa distância umas das outras e esticam as raízes por dezenas de metros para captar o máximo possível de umidade.
Os únicos lugares onde se pode encontrar formas de vida um pouco mais exuberantes são os oásis, que representam menos de 0,5 por cento das áreas desérticas. Sua origem é curiosa. As águas das chuvas que caem sobre encostas de montanhas, às vezes a milhares de quilômetros, infiltram-se em rochas porosas e seguem cursos que podem se dirigir para as regiões desérticas. Se, em pleno deserto, um vale ou uma fenda entre as rochas forem mais baixos que a zona regada pelas chuvas, a água aflora, podendo formar-se uma espécie de lago constantemente alimentado, ao redor do qual se juntam bichos e pessoas em busca de sombra e água fresca. Ainda hoje, grupos nômades mantêm a tradição de viver sob tendas desmontáveis, com seus magros rebanhos, prontos a levantar acampamento assim que percebem a escassez do precioso líquido. As cidades da periferia do Saara, instaladas perto de indústrias e assoladas por um invencível crescimento demográfico, causam por sua vez um fenômeno que assusta cada vez mais os estudiosos. Trata-se da desertificação, a formação de desertos pelo homem, que galopa à assustadora velocidade de 60 mil quilômetros quadrados por ano, o equivalente a quarenta cidades do tamanho de São Paulo.
Associando-se aos fatores naturais.como a falta de chuvas e os fortes ventos, o homem perpetra outra agressão ao ambiente, já não bastassem o efeito estufa, o buraco no ozônio e a chuva ácida. De fato, o crescimento demográfico nas áreas semi-áridas leva à ampliação dos rebanhos, que devoram as pastagens e esterilizam enormes extensões de terra. A produção de alimentos diminui devido ao encurtamento dos ciclos de plantio e colheita. Exausto, o solo passa a sofrer a erosão. Isso força o homem a buscar novas terras, incluindo as florestas nativas. As árvores são cortadas e consumidas, os arbustos e as plantas rasteiras comidos ou esmagados pelos animais; o solo, nu, é então varrido pelo vento e pela areia, que se liberta e invade as terras vizinhas. "Não há dúvida de que aí está um dos grandes problemas a serem resolvidos no século XXI", comentou recentemente o geógrafo francês Edmond Bernus, dias antes de partir para uma temporada de dois anos no miserável Mali, no noroeste da África. O Mali, onde vivem atualmente mais de 8 milhões de pessoas, será, ao que tudo indica, o primeiro país do mundo a ficar literalmente inabitável em conseqüência dessa catástrofe ecológica. 

Os cinco maiores vazios .

a-Nome    
b-Localização    
c-Área        (km2)    
d-Chuvas             (mm/ano)    
e-Temperatura (máx. e min. em C°)
_______________
a- Saara    
b- Norte da África    
c- 8 600 000 km2
d- 200 mm/ano    
e- 43C°máx. e 10C°min
_______________
a- Arábia    
b- Sudoeste da Ásia    
c- 2 330 000 km2    
d- 100 mm/ano    
e- 51C°    máx. e 12C° min.
_______________
a- Gobi    
b- Ásia Central    
c- 1 166 000    70 km2 a 
d- 200    mm/ano
e- 45C° máx. e     -40C°min.
_______________
a- Patagônia    
b- América do Sul
c- 673 000    90 km2 a 
d- 430    mm/ano
e- 45C°    máx. e -11C° min. 
_______________
a- Grande Vitória    
b- Sudoeste da Austrália       
c- 647 000km2    
d- sem dados    
e- sem dados


O inferno branco.

A paisagem sugere um ofuscante tapete de gelo que se perde no horizonte, como na imensidão da Antártida. O calor, não raro, alcança calamitosos 50 graus. Trata-se, provavelmente, do lugar mais inóspito do planeta - a Depressão de Danakil, 5 mil quilômetros quadrados de puro inferno entre as montanhas que cortam a Etiópia, a oeste, e o Mar Vermelho, a leste, na África oriental. A brancura do cenário se deve à enorme camada de sal que recobre o solo e, em alguns pontos, desce 5 mil metros terra adentro. Isso porque, há muitos milhares de anos, a depressão era um braço do Mar Vermelho. Devido à intensa atividade vulcânica e das placas terrestres na região, o mar dividiu-se em grandes lagos. Estes, castigados pelo sol, acabaram por evaporar, deixando apenas a camada salina, algo como 1 milhão de toneladas ao todo, principal fonte de sobrevivência dos nativos das áreas próximas. Arrancados a golpes de picareta, os blocos de sal são transportados por mulas até o mercado de Makale, a 120 quilômetros, onde a carga é vendida aos comerciantes africanos.

Uma árida batalha.

Em 1974, após uma prolongada seca na região da África conhecida como Sahel - faixa de terra árida ao sul do Saara -, a ONU convocou uma Conferência Mundial sobre Desertificação. Delegados do mundo inteiro se reuniram em Nairóbi, no Quênia, para estudar medidas que evitassem a expansão das áreas desérticas, como havia ocorrido no Sahel. Na época, estimava-se que um em cada oito seres humanos, a metade do gado bovino, um terço dos bovinos e dois terços dos caprinos já viviam nessas áreas, sendo necessários investimentos anuais da ordem de 4,5 bilhões de dólares para frear o processo até a virada do século. Esses números pioraram tanto, sem que se passasse dos projetos aos atos efetivos de combate à calamidade, que, uma década depois, previa-se que um terço da superfície do planeta estará morto até o ano 2000, ameaçando a já precária sobrevivência de 850 milhões de pessoas.
"A desertificação não é propriamente a formação de dunas, mas o esgotamento de toda a capacidade do solo de suportar a vida", define o geólogo João José Bigarela, presidente da Associação de Defesa e Educação Ambiental de Curitiba, conhecido pela sua luta em defesa da natureza. "Entendido o processo como o aumento da aridez, podemos ver exemplos em todo o pais", adverte ele.
O Brasil, segundo dados de 1983, da ONU, tinha cerca de 780 quilômetros quadrados de áreas desertificadas, concentradas principalmente no Nordeste, onde viviam mais de 10 milhões de pessoas. As autoridades negam a desertificação, entendendo o termo no sentido mais restrito, mas o fato é que a substituição das florestas tropicais pelo plantio extensivo para exportação, prática por sinal comum desde a chegada do homem branco ao continente, vem criando e alargando regiões áridas e semi-áridas.
Em menos de um século, por exemplo, destruiu-se 81 por cento da cobertura florestal do Estado de São Paulo. O Pontal do Paranapanema, na divisa com Mato Grosso, com mais de 1 500 quilômetros quadrados de área verde em 1950, está totalmente devastado, a exemplo das florestas subtropicais que cobriam a maior parte do território paranaense ou da Zona da Mata nordestina. Pelo menos 500 mil quilômetros quadrados do sertão nordestino já viraram desertos de verdade. Da mesma forma, os menos irrigados pampas gaúchos cresceram, apenas na última década, mais de 20 quilômetros quadrados. Até a floresta amazônica acusa o problema. Explica Bigarela: "Devido à composição química da terra e à grande quantidade de detritos vegetais que a cobre, o desmatamento ali nem chega a liberar para o cultivo solos férteis, que se degradam pela erosão das águas das chuvas."

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Lições de 3 mil anos - Múmias

LIÇÕES DE 3 MIL ANOS - Múmias



Com modernos equipamentos, pesquisadores desvendam os mais bem guardados segredos das múmias egípcias. Isso pode levar até à criação de novos remédios.

O paciente - um anônimo cidadão egípcio de 40 anos de idade-passou por uma batelada de exames ultramodernos, sob os cuidados de uma equipe de cientistas franceses de várias especialidades. Mas o resultado lhe será inacessível para sempre: afinal, ele morreu há mais de 3 mil anos. Na verdade, são os cientistas que esperam ser auxiliados por esse egípcio, nascido em Tebas, cuja múmia repousava no Museu Guimet, em Lyon, sul da França. Submetida a pesquisas com instrumentos como o tomógrafo computadorizado, ela pode fornecer respostas a velhas dúvidas de historiadores e antropólogos que se dedicam a esmiuçar a civilização do Antigo Egito. Ao mesmo tempo e na outra ponta da ciência, a autópsia de múmias revela novas substâncias para a fabricação de remédios, ajuda a entender o desenvolvimento de certas doenças e ainda pode dar uma contribuição aos estudos sobre a evolução da vida.
O fascínio exercido pelas múmias é antigo. A palavra vem do persa mumiyya, cadáver embalsamado. Mas só recentemente se começou a usar o que há de melhor em instrumentos técnicos nas autópsias-anteriormente feitas com microscópios comuns ou, no máximo, com raios X-a fim de obter informações do passado capazes de ser úteis no futuro.
Não se trata de retórica: os cientistas que examinaram a múmia de Tebas, impressionados com a ausência de fungos e bactérias nas bandagens que envolviam o corpo, desconfiam que os egípcios conheciam as propriedades antibióticos naturais das plantas que os químicos modernos ainda ignoram.
Uma análise da resina existente nas bandagens permitiu confirmar a presença de duas substâncias: betume e ládano. Há muito tempo se suspeitava da presença do betume, cor de piche, por causa do habitual tom bronzeado-escuro das múmias. Mas o ládano foi uma surpresa, além de fornecer uma indicação para os historiadores: planta típica do Oriente Médio e da Grécia-até citada na Bíblia - o fato de ser ingrediente dos ungüentos das múmias prova que os egípcios já comerciavam com essas regiões, alguns milhares de anos antes de Cristo.
Essas revelações não excluem que existam outros componentes ainda não identificados nas resinas. Afinal, nada se sabe com segurança sobre como era feita a mumificação-um segredo guardado a setenta chaves pelos sacerdotes embalsamadores, que acreditavam estar repetindo os cuidados ministrados ao deus egípcio dos mortos, Osiris, para garantir-lhe a ressurreição. Há séculos levantam-se hipóteses sobre os componentes dos bálsamos e suas proporções corretas. O estudo da múmia de Tebas com o auxilio do computador deve continuar até elucidar a fórmula. "Chegaremos a novos tratamentos com as plantas utilizadas pelos egípcios", prevê Patrick Josset, chefe da equipe francesa. "O que é bom para as múmias poderá ser bom também para os seres vivos."
Os próprios egípcios talvez ignorassem que os bálsamos empregados na conservação dos mortos pudessem ter alguma utilidade em suas vidas. A prova disso, segundo as pesquisas mais recentes, é que a maioria dos egípcios mumificados deve ter morrido de doenças infecciosas agudas, para as quais não havia tratamento na época-o homem de Tebas, por exemplo, apresenta lesões nos pulmões, sinal de que provavelmente morreu de broncopneumonia.
O que mais chamou a atenção dos franceses que examinaram a múmia, porém, foi um vaso em seu interior contendo pele humana e pelos fingidos em tom avermelhado. Sabe-se que, no processo de embalsamamento, os egípcios costumavam retirar todas as vísceras do cadáver, para tratá-las separadamente e guardá-las em vasos, dentro das múmias. Mas guardar pele humana num desses vasos não era costume, ao que se saiba. Isso faz os estudiosos do Antigo Egito pensarem na hipótese de algum ritual especial.
Os egípcios também costumavam rechear as múmias com panos, a fim de manter as formas naturais do corpo. Também nesse ponto a múmia do Museu de Lyon reservava uma surpresa: um dos panos nela guardados era simplesmente uma vela de barco. Segundo os restauradores que participaram da autópsia, a vela data de 3700 anos atrás. O cidadão de Tebas, por sinal, devia ter boa saúde: não há na múmia vestígios de doenças crônicas ou tumores. Os cientistas acreditam que os egípcios, em geral, eram saudáveis, e o motivo, uma alimentação equilibrada, com pouco açúcar: é raro encontrar uma múmia com marcas de cárie nos dentes.
Ter noção da saúde de pessoas que viveram há milhares de anos a partir de um único exame só é possível com a tomografia computadorizada. Graças a ela, pode-se avaliar tamanhos e distancias dentro de um organismo, por exemplo. O estudo de múmias com raios X tinha uma grande limitação: por apenas distinguir com nitidez estruturas mais compactas, como ossos, requeria que todas as bandagens fossem retiradas. Isso motivava toda sorte de protestos dos egiptólogos, para quem se deve manter as múmias o mais possível intactas, em obediência ao mandamento "olhar, sim; mexer, não".
Além disso, perto da tomografia, outros exames são incompletos: cientistas americanos notaram na chapa de raio X de um sacerdote egípcio, cuja múmia data de 700 a.C., que ele tinha uma deformação na bacia. A gravidade do problema só foi avaliada quando o computador mediu as distancias entre os ossos e chegou ao diagnóstico de que, na adolescência, o sacerdote era tão obeso a ponto de forçar os ossos da bacia, que antes dos 20 anos ainda não estão unidos. Com isso, a perna esquerda ficou mais curta e com certeza ele só conseguia andar com auxílio de bengala.
Problemas ortopédicos, aliás, devem ter sido comuns no Antigo Egito. Durante muito tempo, antropólogos se perguntavam por que as mulheres egípcias morriam bem mais jovens do que os homens. Só recentemente cientistas italianos descobriram que muitas delas morriam ao dar à luz, por terem os ossos da bacia incrivelmente estreitos. A razão dessa anomalia anatômica é desconhecida. Há três anos, cientistas suecos conseguiram fazer, pela primeira vez, a clonagem (cópia feita de organismos vivos) do DNA de uma criança de 1 ano, embalsamada há mais de 24 séculos. Isso foi possível porque, no caso dessa múmia, embora as células tivessem perdido suas membranas protetores, o DNA estava quase intacto.
Desde então, cientistas do mundo inteiro tentam experiências semelhantes. Mas o que será que se pode descobrir a partir de uma simples molécula de alguém que morreu há séculos? Os cientistas buscam três objetivos. Um deles é aprimorar a técnica para encontrar fragmentos de DNA em corpos mumificador de criaturas que morreram muito antes dos antigos egípcios: cientistas americanos descobriram fragmentos de DNA em um mamute que viveu há mais de 40 mil anos. Se fizerem clones desse DNA, poderão aprender lições valiosos sobre a evolução da vida comparando as cópias das moléculas do mamute com moléculas de animais dos tempos atuais.
Outro objetivo é encontrar nas múmias egípcias fragmentos de DNA de vírus e assim estudar o seu desenvolvimento e o das doenças que provocam. Mais especificamente, os cientistas buscam fragmentos do papilomavírus nos sinais de verrugas das múmias; caso consigam clonar tais vírus, talvez possam esclarecer se na sua evolução o papiloma poderia mesmo ter vindo a causar câncer de pele, como se desconfia. Finalmente, o estudo das moléculas de múmias poderá ajudar também os antropólogos que pesquisam o Antigo Egito, esclarecendo graus de parentesco entre faraós e sacerdotes, descobrindo pelas informações genéticas quem foi quem de fato nas elites dirigentes egípcias.
Descobrir a identidade de uma múmia é sempre fascinante-e às vezes um serviço muito demorado. Até o ano passado, não se tinha conseguido definir o sexo de uma múmia, encontrada no chamado Vale dos Reis, em Luxor, no longínquo ano de 1907. Então, odontologistas americanos resolveram aplicar na múmia uma técnica que vem sendo utilizada experimentalmente em crianças pequenas, para prevenir problemas de prognatismo (dentes salientes). Trata-se de examinar as chapas de raios X por um computador que mede cada osso da face, fazendo comparações e prevendo seu crescimento. O computador apontou tantas semelhanças entre o crânio da múmia de sexo incerto e não sabido e o crânio do faraó Tutankhamon, morto aproximadamente em 1346 a.C., que os cientistas puderam finalmente resolver o enigma: era Smenkhare, meio-irmão de Tutankhamon.
Exames semelhantes foram feitos também nos Estados Unidos, com a múmia de uma jovem egípcia, que morreu em 950 a.C., chamada Tabes. Quem visita seu esquife, no Egito, fica impressionado com a beleza do seu retrato. Segundo os cientistas, Tabes queria, mas nunca teve, o rosto de traços harmônicos mostrado na pintura que, certamente, como era hábito, foi feita por encomenda quando a jovem ainda era viva. As análises revelaram que Tabes, além de ter um nariz imenso, era tão prognata, tanto na dentição inferior como na superior, que não conseguia nem fechar a boca. Esse era o segredo da múmia, disfarçado pelo retrato mentiroso.

A maldição era um fungo
Guiado por um xeque, o viajante inglês Richard Pococke, em 1743, foi o primeiro a chamar a atenção da Europa para uma região conhecida como Vale dos Reis, a oeste de Tebas, no Egito. Ele tinha avistado catorze dos sessenta túmulos existentes no Vale, mas não sabia que todos os faraós e nobres mortos entre 1567 e 1085 a.C. estavam ali enterrados. Na época de Pococke, era impossível explorar o local: todos os que se aproximavam eram expulsos por quadrilhas de ladrões que habitavam as colinas. Talvez a primeira grande descoberta tenha ocorrido em 1881, quando o subdiretor do Museu do Cairo, Emile Brugsch, seguindo a pista de um ladrão, encontrou num poço nada menos de 31 caixões e 24 múmias -entre elas, a do faraó Ramsés II (reinou de 1304 a 1237 a.C.).
A maioria dos túmulos havia sido saqueada por ladrões. No inicio deste século, aparentemente tudo o que restava de valor já estava exposto em museus. talvez por isso a descoberta mais empolgante tenha sido a múmia do faraó Tutankhamon (reinou de 1361 a 1352 a.C.), no dia 4 de abril de 1923. Foi a consagracão do arqueólogo inglês Howard Carter, que levou 23 anos procurando o túmulo. Mas, como Lord Carnavon, o milionário que financiara essa busca, morreu repentinamente um mês depois da descoberta, surgiu a lenda de sua maldição, mesmo porque no túmulo havia a inscrição: "A morte tocará com suas asas aquele que desrespeitar o faraó".
Para reforçar essa crença, nos meses seguintes outros 25 membros da expedição inglesa morreram em condições misteriosas. Só há três anos, médicos franceses conseguiram explicar essas mortes: os pesquisadores que entraram na tumba do faraó respiraram um ar impregnado de fungos. Isso causou uma reação alérgica de insuficiência respiratória, que acabou matando-os por asfixia.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Arqueólogos egípcios descobrem tumbas

10/01/10 - 12h32 - Atualizado em 10/01/10 - 13h30

Arqueólogos egípcios descobrem tumbas de construtores das pirâmides
Achado ajuda a entender como vivia e comia o povo há mais de 4.000 anos.
Segundo pesquisador, trabalhadores não eram escravos como se pensava.

Arqueólogos egípcios descobriram um grupo de novas tumbas de trabalhadores que construíram as pirâmides, abrindo espaço para entender a forma como eles viviam e comiam há mais de 4.000 anos. A revelação foi feita neste domingo (10) pelo departamento de antiguidades do país.




Imagem divulgada pelo Conselho Supremo de Antiguidades do Egito mostra as tumbas dos trabalhadores e as pirâmides (Foto: AP)

As tumbas são pertencentes à 4ª dinastia, entre os anos 2.575 a.C. e 2.467 a.C., quando as Grandes Pirâmides foram construídas, segundo o diretor do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito, Zahi Hawass.

As primeiras tumbas de trabalhadores que construíram as pirâmides foram encontradas nos anos 1990 e, junto com as novas descobertas, indicam que os trabalhadores não eram escravos, como se pensava anteriormente.

"Essas tumbas foram construídas ao lado da pirâmide do rei, o que indica que essas pessoas não eram escravas, pois não poderiam ter construído suas tumbas dessa forma", disse Hawass. As tumbas eram usadas para trabalhadores mortos durante a construção.

As evidências encontradas apontam que aproximadamente 10 mil trabalhadores atuaram na construção da pirâmides e eles comiam 21 bois e 23 ovelhas que eram enviados diariamente para eles por fazendas do norte e do sul do Egito.




Tumba de trabalhadores egípcios de 4.000 anos atrás foi descoberta por arqueólogos (Foto: AP)

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Arqueólogos podem estar perto de encontrar local do túmulo de Cleópatra

10/05/09 - 21h47 - Atualizado em 10/05/09 - 21h47

Arqueólogos podem estar perto de encontrar local do túmulo de Cleópatra
Indícios da tumba da rainha foram achados perto de Alexandria.
Objetivo é acabar com polêmicas sobre beleza e morte da 'faraoa'.

De uma hora para outra, os olhos do mundo se voltaram para o templo de Abusir, no deserto do Saara. Cientistas acreditam que está enterrado aqui um dos tesouros mais procurados pelos arqueólogos: a tumba de Cleópatra e de seu amante, o general romano Marco Antônio.

Num mundo machista, Cleópatra reinou como nenhum homem. Historiadores falam de sua beleza, inteligência e capacidade ímpar de seduzir. Mas a imagem que o mundo moderno tem da eterna rainha do Egito é a criada pelo cinema, com o rosto de Elizabeth Taylor.

Cléopatra foi a mulher de dois dos homens mais importantes de sua era. Apaixonado, Júlio César providenciou para que ela assumisse o trono do Egito sozinha. Com isso, Cleópatra se tornava a mulher mais poderosa do planeta. Com o assassinato de César em pleno Senado romano, dirigiu seu charme para o general Marco Antônio. Os dois se rebelaram contra Roma, mas a guerra foi perdida no mar. Ao pensar que Cleópatra havia morrido, Antônio cometeu suicídio com a própria espada. Ela, ao ver o marido morto, usou uma serpente para se matar também. Antes, pediu para ser enterrada num local secreto.

Taposíris
Há 15 anos, a arqueóloga dominicana Kathlen Martinez se dedica a procurar esse lugar. De escavação em escavação, ela chegou à colina de Taposíris. Usando satélites e radares, os pesquisadores já sabem que existe um emaranhado de túneis e passagens secretas que interligam as tumbas na área. Isso torna Abusir um templo único no Egito -- e a possível chave de um grande mistério.

Os satélites mapearam os arredores de Alexandria e acharam indícios da tumba de Cleópatra: moedas com a imagem da rainha, corpos de sacerdotes em posição fetal -- típico dos que cometiam suicídio logo depois de enterrar seus amos. Por fim, veio a descoberta de um cemitério a menos de um quilômetro do velho templo. No Egito Antigo, os cemitérios dos mortais comuns ficavam sempre próximos da tumba de um rei ou rainha.

O secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito, Zahi Hawass, acompanha o trabalho dos arqueólogos há mais de 40 anos. Ele diz que nada se compara à descoberta que, na opinião dele, está prestes a acontecer.

"Saber, de fato, como Cleópatra era, com que tesouros foi enterrada, como viveu e morreu, poder comprovar a história, desmistificar o que é lenda -- este lugar pode nos dar tudo isso. Mas, por mais que se descubra sua tumba, Cleópatra manterá ao redor de si uma aura de mistério", diz Hawass.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Pirâmide de 4,3 mil anos é descoberta no Egito

11/11/08 - 16h10 - Atualizado em 11/11/08 - 16h15

Pirâmide de 4,3 mil anos é descoberta no Egito
Construção teria sido construída em homenagem ao fundador da 6ª dinastia.

Autoridades do Egito anunciaram a descoberta de uma pirâmide de 4,3 mil anos de idade em Saqqara, a área em que os imperadores da antiga Mênfis eram enterrados no Egito Antigo.

Acredita-se que a pirâmide tenha sido construída em homenagem à rainha Sesheshet, mãe do rei Teti - o fundador da 6ª dinastia real do Egito Antigo.

O arqueólogo-chefe do Egito, Zahi Hawass, anunciou a descoberta no próprio local, a cerca de 20 quilômetros do Cairo.

A equipe de Hawass explora a região há 20 anos, mas, segundo o arqueólogo, só descobriu a construção sob as areias do deserto há dois meses. Hawass afirma que esta é a 118ª pirâmide a ser encontrada no Egito.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Pesquisadores acham restos de vinho medicinal com 5.000 anos

13/04/09 - 17h35 - Atualizado em 13/04/09 - 17h35

Pesquisadores acham restos de vinho medicinal com 5.000 anos no Egito
Bálsamo, menta e alecrim estão entre os possíveis condimentos na bebida.
Povo dos faraós usava mistura para tratar diversos tipos de doenças.




Foto: Reprodução Taça usada para o consumo de vinho no Egito há cerca de 1.800 anos (Foto: Reprodução)Talvez antecipando a mania moderna de aderir ao vinho como bebida saudável, os antigos egípcios costumavam adicionar ervas medicinais à bebida como forma de tratar muitas doenças. Usando técnicas avançadas de análise química, pesquisadores americanos conseguiram flagrar as mais antigas evidências dessa prática médico-etílica. Jarros que foram enterrados com um rei por volta do ano 3150 a.C. trazem indícios da presença de vinho condimentado com vegetais como pinheiro, bálsamo, menta e alecrim, entre outras plantas consideradas curativas no antigo Egito.

As análises foram conduzidas por um trio de pesquisadores coordenado por Patrick McGovern, do Museu de Arqueologia e Antropologia da Universidade da Pensilvânia (EUA). McGovern e companhia analisaram duas amostras de antigos jarros egípcios. Um deles vem de Abidos, no curso médio do Nilo, e foi encontrado no túmulo do soberano conhecido como Escorpião I (um xará mais recente dele, o Escorpião II, inspirou o personagem Escorpião-Rei da série de filmes "A Múmia"). A outra amostra, bem mais recente, foi obtida na Núbia, no extremo sul do Egito, e data do período bizantino, entre os séculos IV e VI da Era Cristã.

Os egípcios antigos levavam um bocado a sério tanto a produção de vinho quanto o uso da bebida para fins medicinais. Jarras da época do faraó Amenófis III (por volta do ano 1350 a.C.), por exemplo, trazem inscrições com data de fabricação, local onde as uvas foram cultivadas, nome do produtor e indicações de qualidade. No lado do uso médico da bebida, uma das prescrições comuns para dores de estômago era a ingestão de vinho misturado com coentro e outros aditivos.

O curioso é que as plantas cuja presença foi provavelmente detectada pelos arqueólogos não são nativas do Egito, mas foram trazidas do vale do rio Jordão, da região de Gaza e de outras áreas da Palestina. Por isso, é possível que os egípcios tenham importado a prática de seus vizinhos do Oriente Próximo.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Missão egípcio-dominicana encontra cabeça de alabastro

26/05/08 - 14h14 - Atualizado em 26/05/08 - 17h05

Missão egípcio-dominicana encontra cabeça de alabastro de Cleópatra
Estátua da rainha do Egito e máscara que teria sido de Marco Antônio foram desenterradas.

Chefe dos pesquisadores desmente que artefatos venham do túmulo da soberana egípcia.
Uma missão egípcio-dominicana encontrou, perto de Alexandria, no norte do Egito, a cabeça de uma estátua de alabastro que representa Cleópatra e uma máscara que pode ter pertencido a seu amante, o general romano Marco Antônio, anunciou nesta segunda-feira em um comunicado o ministro egípcio da Cultura, Faruk Hosni.

Essas duas descobertas, assim como uma estátua de bronze da deusa Afrodite e outra estátua real sem cabeça da era ptolomaica (332-30 a.C.), foram realizadas pela missão no templo de Taposiris Magna, informou na mesma nota o diretor de Antigüidades Egípcias, Zahi Hawass.

Cerca de vinte objetos de bronze gravados com o rosto de Cleópatra e várias galerias e túneis subterrâneos também foram encontrados nesse sítio arqueológico, disse Hawass, que coordenou as escavações. Além disso, Hawass negou "categoricamente" que um dos túneis leve ao túmulo de Cleópatra, como "publicaram vários meios internacionais".

Sem tumba
"Não encontramos nada que indique a presença da tumba" da imperatriz, afirmou. A descoberta de seu túmulo seria o maior notícia arqueológica no Egito desde que o britânico Howard Carter encontrou a tumba de Tutancâmon, em 1922.

Cleópatra e Marco Antônio, um dos casais mais célebres da história, cometeram suicídio após a batalha de Actium (31 a.C.), permitindo que Otávio assumisse o controle do Império Romano, incluindo o Egito.



PUBLICADOS BRASIL NO ORKUT

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domingo, 13 de dezembro de 2009

Famoso busto de rainha egípcia na verdade é cópia moderna

05/05/09 - 15h33 - Atualizado em 05/05/09 - 15h33

Famoso busto de rainha egípcia na verdade é cópia moderna, diz historiador
Pesquisador suíço achou sinais de que se trata de réplica do século XX.
Réplica teria sido produzida por arqueólogo para testar tintas antigas.




Foto: Oliver Lang/France Presse Uma linda fraude? (Foto: Oliver Lang/France Presse)

O busto da rainha egípcia Nefertiti, exposto num museu de Berlim e datado do século XIV a.C., na verdade é uma cópia de 1912, feita para testar pigmentos usados pelos antigos egípcios, afirma o historiador da arte suíço Henri Stierlin.

Segundo Stierlin, que é autor de dezenas de livros sobre o Egito, o Oriente Médio e o antigo Islã, a obra foi feita seguindo as ordens do arqueólogo alemão Ludwig Borchardt, durante escavações, pela mão do artista Gerardt Marks. "Parece cada vez mais improvável que o busto seja original", afirma Stierlin.

De acordo com o historiador suíço, a ideia era fazer um teste de cores com pigmentos
antigos achados durante as escavações. Mas a cópia foi confundida com uma obra original por um príncipe alemão, e o arqueólogo Borchardt não teve coragem de contar a verdade a seus visitantes.

Entre os sinais de que se trata de uma reprodução moderna estão a falta do olho esquerdo -- os egípcios nunca deixavam estátuas incompletas desse jeito --, o formato dos ombros, que segue o estilo do fim do século XIX em diante, e o fato de que o busto não figura nos artigos científicos publicados sobre a escavação.



PUBLICADOS BRASIL NO ORKUT

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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Egito diz ter encontrado pirâmide

11/11/08 - 12h35 - Atualizado em 11/11/08 - 15h19

Egito diz ter encontrado pirâmide construída para antiga rainha
Construção foi localizada em areal ao sul da capital, Cairo, diz governo.
Ela guardaria os restos mortais da rainha Sesheshet, mãe do rei Teti.

Arqueólogos egípcios descobriram uma pirâmide construída no deserto e que pertenceria à mãe de um faraó no poder mais de 4.000 anos atrás, disse na terça-feira (11) o chefe do Departamento de Antiguidades do país.

A pirâmide, encontrada há cerca de dois meses em um areal localizado ao sul do Cairo, guardava provavelmente os restos mortais da rainha Sesheshet, mãe do rei Teti, que governou de 2323 a.C. a 2291 a.C. e que fundou a Sexta Dinastia do Egito, afirmou Zahi Hawass.




Arqueólogos trabalham próximo à base da pirâmide recém-descoberta em Saqqara, no Egito, nesta terça-feira (11). (Foto: AP)

"A única rainha cuja pirâmide não havia sido encontrada é Sesheshet, e é por isso que tenho certeza de que essa pirâmide pertencia a ela", disse a autoridade. "Isso enriquecerá o nosso conhecimento a respeito do Antigo Reinado."

A Sexta Dinastia, uma época de conflitos dentro da família real do Egito e de erosão do poder centralizado, é considerada a última dinastia do Antigo Reinado, depois do qual a região passou por um período de falta de alimentos e de instabilidade social.

Arqueólogos haviam descoberto antes, perto dali, as pirâmides pertencentes a duas das mulheres do rei, mas nunca tinham encontrado uma tumba pertencente a Sesheshet.

A construção sem topo, de 5 metros de altura, chegava originalmente a 14 metros, com laterais de 22 metros de comprimento, afirmou Hawass.

A pirâmide, que seria a 118a a ser encontrada no Egito, segundo Hawass, havia sido escavada perto da pirâmide mais antiga do mundo, em Saqqara, uma área tumular para os antigos imperadores da região.

"Essa pode ser a mais completa pirâmide subsidiária a ser encontrada em Saqqara", afirmou Hawass.

O monumento seria originalmente recoberto por pedras calcárias trazidas de uma mina a céu aberto existente em Tura, nas cercanias de Saqqara, disse a autoridade.

Os arqueólogos pretendem entrar na câmara sepulcral da pirâmide dentro de duas semanas. A maior parte dos objetos presentes ali, no entanto, já deve ter sido roubada, afirmou Hawass.

Alguns artefatos, entre os quais uma estátua de madeira do antigo deus egípcio Anúbis e figuras funerárias de datas posteriores, indicam que o cemitério havia sido reutilizado na época romana, disse a autoridade.



PUBLICADOS BRASIL NO ORKUT

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