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sábado, 19 de fevereiro de 2011

A pequena notável - Codorna da nova Zelândia

A PEQUENA NOTÁVEL


Quando os primeiros europeus chegaram à Nova Zelândia, por volta de 1840, viram na codorna local uma rica fonte de alimentação e passaram a caçá-la indiscriminadamente. A ave era apreciada por sua carne saborosa e por seus ovos em tons de bege e amarelo, que também iam para a mesa do jantar. Por algumas décadas ela foi a refeição principal dos imigrantes, já que existia em grande quantidade em todo o país. Segundo relatos dos primeiros colonizadores, era comum ver homens voltando das caçadas às codornas carregando pelo menos 20 exemplares. Alguns conseguiam matar até 40 em um simples passeio pelas áreas próximas às cidades. É verdade que os maoris, os primeiros habitantes da Nova Zelândia, também caçavam a codorna, mas com menos freqüência do que os europeus.
A ave sofreu não só com a caça intensa na segunda metade do século 19, mas também com doenças transmitidas por pássaros introduzidos na Nova Zelândia pelos imigrantes britânicos. Quando pegavam essas moléstias, as codornas não resistiam mais do que alguns dias e, muitas vezes, infectavam todo o grupo. Outra ameaça: os cães e gatos, antes desconhecidos na região, chegaram com os primeiros colonizadores e passaram a perseguir as codornas. Com tantos novos predadores, a ave foi se tornando cada vez mais rara, até seu desaparecimento completo, declarado oficialmente em 1875.
A codorna era monogâmica, formando casais para a vida toda. A ave se destacava em meio às pradarias em que vivia, apesar do seu pequeno porte - media no máximo 22 centímetros. Suas penas tinham um tom único de amarelo e bege, que se intercalavam. No peito, a cor tendia para o marrom, e no abdome predominava uma tonalidade mais clara. As asas eram ainda mais bonitas, com uma coloração dourada. A codorna corria pouco e, por ser pequena, era facilmente abocanhada pelos cães e gatos, servindo de alvo também para os caçadores.

Codorna-da-Nova-Zelândia
Nome científico: Coturnix novaezelandiae
Ano da extinção: 1875
Habitat: Nova Zelândia

O Periquito Solidário - Periquito Carolina

O PERIQUITO SOLIDÁRIO - Periquito Carolina


O periquito-carolina era um passarinho delicado, com cerca de 30 centímetros de altura e um colorido encantador - a maior parte das penas, principalmente as do peito, era verde, enquanto o topo da cabeça e a região em volta dos olhos tinham um forte tom de laranja. As asas tendiam para o amarelo. Não era uma ave migratória: vivia sempre na mesma área, com outras de sua espécie. À noite, dividiam os galhos de árvores próximas a rios ou pântanos, em grupos de 15 ou 20 passarinhos. A fêmea colocava, por vez, de um a quatro ovos, que eram incubados por cerca de 20 dias. Em média 18 dias após saírem dos ovos, os filhotes ensaiavam os primeiros vôos. Pouco depois, eles já partiam em busca do próprio alimento, um calvário que acabaria levando o pássaro à extinção.
Muito parecido com os periquitos brasileiros, o periquito-carolina vivia tranqüilamente nos pântanos e nas margens dos rios dos Estados americanos sulistas. Ele sempre se alimentou de sementes, mas, com a expansão da agricultura, teve de mudar a sua dieta, buscando as frutas plantadas pelos fazendeiros. Bandos dessa ave sobrevoavam as colheitas, comendo o que conseguiam. Para os agricultores, o periquito era uma praga. Logo eles pegaram em armas, atirando em todo pássaro que se aproximasse das plantações. Solidários, os periquitos voavam para o lugar onde caíra o companheiro abatido - um ritual que lembrava um velório. Os fazendeiros aproveitavam para matar todo o bando, o que contribuiu para acelerar a extinção do pássaro.
E não era só. O periquito ainda tinha de escapar dos caçadores que queriam matá-lo para arrancar suas penas. Na época, as senhoras elegantes gostavam de enfeitar seus chapéus com as penas de forte colorido. A beleza do passarinho também atraía as crianças, que o prendiam em gaiolas. A sobrevivência do periquito-carolina foi ficando cada vez mais difícil. Por fim, em 1904, os últimos exemplares da ave foram coletados nas proximidades do lago Okeechobee, na Flórida. No cativeiro, o último periquito-carolina morreu em 1918, no Zoológico de Cincinnati, em Ohio.

Periquito-Carolina
Nome científico: Conuropsis carolinensis
Ano da extinção: 1918
Habitat: sudeste dos Estados Unidos