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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A Indiscreta História da Pornografia


A (INDISCRETA) HISTÓRIA DA PORNOGRAFIA



Os gregos se divertiriam muito se visitassem um sex shop. Os habitantes de Atenas, há cerca de 2 500 anos, adoravam ver representações de sexo e nudez. As ruas eram decoradas com estátuas de corpos bem definidos. Nas casas, cenas eróticas enfeitavam vasos. Em procissões, famílias erguiam peças fálicas como se fossem imagens sagradas, cantando hinos recheados de palavrões cabeludos. Depois do evento, muita gente ia para casa fazer festinhas em que o deus do vinho, Dionísio, era venerado na prática.

Os homens tinham outra maneira de se divertir: concursos com mulheres nuas. O que mais chamava atenção era uma específica parte do corpo, "as nádegas de Vênus", que eram avaliadas e recebiam notas de juízes. Para os mais cultos, o teatro contava histórias picantes. Em Lisístrata, de Aristófanes, a personagem principal convoca as atenienses à greve de sexo enquanto durar a Guerra do Peloponeso. "Nenhum amante se aproximará de mim com ereção", brada uma personagem. "Não erguerei ao teto minhas sandálias persas", berra outra. Desesperados, os guerreiros encerram o conflito.

Atenas deixou o protagonismo na história, mas a sacanagem não. Toda civilização deu um jeito de manifestar seus ímpetos sexuais. Coube aos gregos definir a devassidão. O termo "pornográfico" apareceu pela primeira vez nos Diários de uma Cortesã, em que Luciano narra histórias sobre prostitutas e orgias - a palavra pornographos significa "escritos sobre prostitutas". "Aos poucos, qualificou-se como pornográfico tudo o que descrevia as relações sexuais sem amor", afirma o historiador francês Sarane Alexandrian, em História da Literatura Erótica.

O sentido da palavra mudou. Hoje, nos dicionários, pornografia é a expressão ou sugestão de assuntos obscenos. E por que a maioria de nós gosta de ver pornografia? O proibido e "o buraco da fechadura" podem explicar esse hábito que há mais de 30 mil anos sobrevive a todas tentativas de repressão em nome da moral e dos bons costumes.



Primeiras orgias

O registro mais antigo de um objeto representando o nu é uma peça com aparência nada sensual: a Vênus de Willendorf, encontrada em 1908 na cidade austríaca de mesmo nome, à beira do rio Danúbio, esculpida em calcário por volta do ano 30 000 a.C. Alguns padrões de beleza definitivamente mudaram de lá para cá: a ninfa das cavernas tem peito e quadris enormes, barriga saliente e lábios grossos (veja no quadro ao lado). Há outras peças arqueológicas parecidas, do mesmo período, encontradas na África, Américas e Oceania. Curiosamente, todas com formas exageradas. Provavelmente eram objetos de culto - parte da pornografia da época vinha sob o manto da adoração aos deuses e deusas da fertilidade.

Com o tempo, o homem parou de usar eufemismos religiosos para dar vazão às suas taras. Os romanos já não escondiam os verdadeiros intuitos de seus hábitos. Famosos pelas festas de sexo em banhos públicos, eles decoravam as casas com esculturas eróticas. Luminárias em forma de falo não faltavam numa sala de classe alta - o pênis ereto era considerado símbolo da sorte. Nos muros de Pompéia, arqueólogos encontraram grafites com frases obscenas e desenhos de transas. Nas paredes do templo ao deus da virilidade Príapo, em Roma, os fiéis deixavam textos pornográficos. A decoração inusitada foi idéia do imperador Augusto, que governou entre 27 a.C. e 14 d.C., e gostava de que seus súditos venerassem Príapo. Um dos textos é assinado por uma dançarina, que reza pedindo ao deus: "Que uma multidão de amantes fique excitada como a Sua imagem".

Havia até escritor especializado em vida sexual. Em Ars Amatoria ("A Arte de Amar"), Ovídio descreve, intimamente, seu casamento e suas escapadas: "Feliz daquele que esgota o duelo amoroso! Façam os deuses com que isso seja a causa de minha morte." Ovídio elaborou um guia do sexo em Roma, como os que a revista Playboy publica hoje. Há sugestões de como e onde homens e mulheres da capital do império podem encontrar os mais belos parceiros, como abordá-los e como satisfazê-los. Também sugere como um amante deve proceder na cama para aumentar o prazer do outro, com direito a minúcias de especialista.

Ars Amatoria é contemporâneo a um trabalho semelhante, mas que ganhou fama internacional como estrela maior da pornografia. O Kama Sutra, escrito na Índia no século 2 d.C., tem passagens ainda mais detalhadas que as do livro de Ovídio. Na cultuada coletânea compilada pelo nobre Mallanaga Vatsyayana, há descrições de mais de 500 posições sexuais. O estudioso indiano selecionou textos milenares sobre sexo e fez uma defesa da liberdade sexual. Para ele, o sexo faz parte da criação divina, e por isso precisa ser venerado e praticado. Não é à toa que o livro faz sucesso até hoje.



Pecado capital

No início da Idade Média, por volta do século 6, clérigos católicos listaram a luxúria entre os pecados capitais. Na opinião deles, entregar-se aos prazeres carnais afastava o cristão da redenção espiritual. Aos tarados, sobrou apenas a opção de ouvir os "contadores de história", como eram conhecidos os andarilhos que faziam aparições em tabernas narrando histórias picantes sobre mulheres insaciáveis, defloramento de virgens e orgias.

A tolerância foi diminuindo até que, em 1231, a criação da Inquisição fez sumir da vista de todos a nudez e o sexo. A partir dali, homens e mulheres deveriam ser retratados com túnicas largas e longas. Nem mesmo o menino Jesus podia ser retratado do jeito que veio ao mundo. E os que narravam estripulias sexuais podiam ser condenados à fogueira ou ao exílio.

Foi o que aconteceu com um dos mais criativos autores da Idade Média. O florentino Giovanni Boccaccio, que escreveu o lendário Decameron entre 1349 e 1351, tornou-se uma espécie de Galileu da pornografia, um digníssimo mártir da carne. Seu livro tem cem histórias narradas por sete mulheres e três homens reunidos numa casa isolada, onde contam peripécias de sexo com sátiras à Igreja.

Numa delas, o personagem Filostrato descreve as peripécias de um jardineiro que se finge de mudo para conseguir emprego num convento de freiras. Contratado, ele transa com todas as religiosas. Em outro trecho, um monge seduz uma virgem durante uma prece. Para azar de Boccaccio, entre os poucos que tiveram acesso ao livro na época (adaptado para o cinema pelo italiano Píer Paolo Pasolini, em 1970) estavam alguns clérigos, que o acusaram de heresia. Boccaccio teve de fugir e se isolar no vilarejo de Certaldo, onde morreria em 1375. Só por volta do século 15, já no Renascimento, é que os artistas aproveitariam o afrouxamento do poder católico para deixar escapar uns pelados nas telas. Foi o que fez Sandro Botticcelli na pintura O Nascimento de Vênus, quadro clássico da época, que exibe no centro uma mulher nua e voluptuosa (veja no quadro da página seguinte).



Os libertinos

A tolerância renascentista não durou muito tempo e a censura voltou a operar com força durante a Reforma, no século 16, que tratou de reacender o lado carola do velho continente. Entraram em cena, então, autores "subversivos" que questionavam o moralismo religioso. Na França, em meados do século 18, surgiram os primeiros libertinos, artistas e intelectuais pró-liberdade sexual que se reuniam em organizações secretas como a Sociedade para a Promoção do Vício, Clube do Fogo do Inferno ou Ordem Hermafrodita, onde promoviam leituras ou encenações de livros eróticos que culminavam em orgias. Os franceses tinham à disposição mais de cem desses clubes, alguns com até 400 integrantes entre homens e mulheres.

Oficialmente, o objetivo não era apenas o culto à carne. Quando dava tempo, os participantes também discutiam política. Mais tarde, alguns dos integrantes dessas organizações se juntariam ao pensamento iluminista - o mesmo que lutaria pelo fim da monarquia absolutista na Revolução Francesa. Outros viraram autores que atacavam a nobreza e a moral religiosa. Um deles, Donatien-Alphonse-François, o Marquês de Sade, entraria para a história como um ícone da pornografia.

Nascido em 1740, o nobre foi oficial do exército e se casou aos 23 anos. Como libertino que se preze, apaixonou-se pela empregada da casa, Juliette, a quem dedicou o romance que leva o nome dela. Quando Juliette morreu, Sade partiu para a libertinagem desenfreada, nos clubes secretos. Experimentou num deles aquilo que o tornaria célebre - juntar brutalidade ao sexo, prática conhecida mais tarde por sadismo. Acabou preso na Bastilha, acusado de estuprar e açoitar uma mulher de 36 anos e participar de orgias com flagelações. Foi nessa época que escreveu suas obras mais famosas, Os 120 dias de Sodoma e Os Crimes de Amor. Morreu num hospício, um final de vida comum para os pornógrafos do passado. "Sade soube retratar, com precisão, o que acontecia na época. E nesses eventos, os participantes muitas vezes incorporavam práticas de brutalidade e tortura ao sexo", diz a professora da PUC-SP Eliane Robert de Moraes, autora de Marquês de Sade, Um Libertino no Salão dos Filósofos.



Pornografia digital

A fotografia e as máquinas de impressão, que tornavam a produção em série mais barata, deram força à pornografia a partir da segunda metade do século 19. Fotos de modelos nuas e livros ilustrados começaram a ser vendidos nas principais cidades do mundo. A onda chegou ao Brasil por volta de 1870 e ganhou milhares de fãs. No Rio de Janeiro, circulavam centenas de títulos com histórias picantes. "No final do século, metade dos 500 mil habitantes da cidade sabia ler. Muitos compravam livros eróticos importados. Os editores perceberam o filão e lançaram autores nacionais", diz a antropóloga Alessandra El Far, autora de Páginas de Sensação, que conta a trajetória da literatura pornô brasileira entre 1870 e 1924. Os livros que tratavam de sexo, ou "romances para homens", falavam de adultério, padres que largavam a batina, aventuras em prostíbulos ou incestos. Os autores, anônimos, morreram desconhecidos. Mas deixaram alguns títulos históricos - entre os melhores, Memórias do Frei Saturnino; Amar, Gozar, Morrer; As Sete Noites de Lucrécia e o enigmático Camarões Apimentados.

No fim do século, mais uma vez a tecnologia seria peça fundamental para a popularização pornográfica. Agora, a novidade era o cinema. Em 1896, apenas um ano após os irmãos Lumière estrearem seu invento com a exibição de A Saída dos Operários da Fábrica, cineastas já utilizavam a novidade para fins sacanas. Os filmes tinham nomes como Wonders of the Unseen World ("Maravilhas de um mundo não visto") e mostravam strippers tirando a roupa para a câmera. Um escândalo. Com o sucesso - e o lucro - desses filmetes, produtores resolveram ir além e exibir cenas de sexo explícito. Uma das mais antigas de que se têm registro está em Free Ride, de 1915, sobre um sujeito que dá carona em seu calhambeque a duas mocinhas - com quem transaria depois, sob uma árvore. Chamadas de stags films ("filmes para rapazes"), as fitas tinham de 7 a 15 minutos e eram filmadas na França, Estados Unidos e Argentina, um dos primeiros pólos mundiais de produção cinematográfica erótica. Os diretores não aliviavam no repertório de opções: havia sexo oral, lesbianismo e ménage à trois, sempre em cenas reais. A ousadia pode ser explicada porque os censores ainda não haviam atentado para o "perigo da imoralidade pornográfica".

Nas décadas de 1930 e 1940, os americanos aprovaram a primeira lei sobre censura no país e as fitas escassearam. O explícito deu lugar à insinuação. Assim entraram em moda os peep shows, onde o espectador pagava para assistir a um filme com mulheres dançando e tirando a roupa - mas não tudo. Poucos produtores arriscavam e faziam circular fitas de sexo explícito, exibidas em prostíbulos, cinemas clandestinos ou festas de ricaços moderninhos. Eram rodadas na Suécia, que permitia a pornografia.

O clima hippie de paz e amor e as passeatas por mais liberdade sexual nos anos 60 contribuíram para que os fãs dos filmes de sexo explícito pudessem, enfim, ser felizes para sempre - ainda que escondidinhos em cinemas de qualidade duvidosa. Em 1972, pela primeira vez uma produção pornográfica fez sucesso comercial. Era Deep Throat, a Garganta Profunda, história louquíssima de uma ex-engolidora de espadas que tem o clitóris na traquéia e procura solução para o problema transando com o médico, amigos e namorados. O filme arrecadou cerca de 600 milhões de dólares e fez de Linda Lovelace, a atriz principal, uma celebridade.

Linda tinha 23 anos quando filmou Garganta Profunda e recebeu 1 250 dólares de cachê. Ninguém poderia imaginar que, após Linda, as atrizes pornôs seriam multimilionárias e teriam trânsito livre em festas badaladas. Entre as estrelas da pornografia, ninguém supera a húngara radicada na Itália Ilona Staller, a Cicciolina. Em 1987, após fazer campanha mostrando os seios, ela foi eleita deputada. No Parlamento, defendeu projetos como a liberação da pedofilia e atuou entre militantes pela paz. Na primeira Guerra do Golfo, ofereceu uma solução ao seu estilo para o conflito: transar com George Bush e Saddam Hussein. "Um de cada vez!", dizia.

Muito do sucesso de Cicciolina aconteceu graças à invenção do videocassete. A conexão é simples: com as fitas em VHS, os apreciadores do pornô não precisavam mais se expor na porta de salas sujas e lotadas. Podiam se divertir na privacidade de casa. "Com a chegada do vídeo, o pornô passou a ser produzido em larga escala, como uma linha de montagem. E isso marcou uma transformação significativa do produto", diz Nuno César Abreu, autor do livro O Olhar Pornô. O videocassete também barateou a produção pornô e fez o mercado erótico se multiplicar. Milhares de fitas com cenas de sexo, nas mais variadas modalidades, lotaram as locadoras. Hoje, estima-se que o mercado de DVDs, fitas VHS e canais de TV a cabo pornô movimente, anualmente, cerca de 14 bilhões de dólares no mundo - equivalente às vendas anuais de armamentos dos Estados Unidos.
O maior símbolo da fase "erótico em casa" é o americano John Stagliano, o Buttman (ou o "homem-bunda"). Dono de um império comercial, ele inventou um gênero conhecido como "porno-humorístico", em que manipula a câmera e, com ela ligada, conversa e faz piadinhas com os atores em cena. Muitas vezes, sai dos bastidores e participa da ação. A fórmula fez de Stagliano o maior vendedor mundial de filmes nas duas últimas décadas, lançando títulos como Exercícios de Buttman, As Férias Européias de Buttman e Buttman Vai ao Rio - ele adora filmar no Brasil, apesar de ter contraído aqui o vírus HIV. Buttman ficou milionário e sua empresa, a Evil Empire, é umas das gigantes do gênero, editando revistas e distribuindo filmes dele e de outros diretores para o mundo todo. "Sou um voyeur incansável. Adoro mostrar o sexo desse jeito divertido", costuma dizer. Será que os gregos gostariam desse estilo?


terça-feira, 16 de agosto de 2011

Vai ser bom para você ??? Sexo


VAI SER BOM PARA VOCÊ? Sexo



A liberação sexual em curso no século 21 é única na história da humanidade. Pessoas de todas as idades e classes sociais têm acesso a uma quantidade cavalar de informações sobre o assunto - e à prática propriamente dita. Como reflexos dessa realidade, podemos perceber algumas importantes tendências, como a gradativa redução da idade para a iniciação sexual e a descoberta, pelas mulheres, de que o prazer pode ser desvinculado do compromisso afetivo.

"As mulheres têm buscado cada vez mais descobrir o prazer, ficaram mais exigentes e procuram uma prática com mais qualidade. Essa busca se espelhou, neste começo de século, nos homens, que eram o paradigma mais próximo. Elas começaram a fazer como eles, aumentando a prática sexual sem relação afetiva", diz a psiquiatra e sexóloga Carmita Abdo, doutora pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e fundadora do Projeto Sexualidade, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo. "As mulheres descobriram que sexo é muito bom e que elas podem também aproveitar somente o momento. Que o cara que está ali com ela não precisa ser necessariamente seu namorado dali para a frente e aquele ato não existe somente para fins de reprodução", diz Carmita.

Autora do livro O Descobrimento Sexual do Brasil (Summus, 2004), Carmita aponta a redução da idade de iniciação sexual como uma das principais revoluções dos próximos anos. "Aumentou muito o número de adolescentes que se iniciam rapidamente no sexo com outros adolescentes na mesma idade. Caiu aquela velha história de os homens começarem na vida sexual com prostitutas mais velhas", afirma Carmita. "O fundamental, nesse caso, é que ambos tenham uma educação perfeita sobre o assunto, que saibam o que estão fazendo e suas conseqüências."

Os jovens estão se expondo ao sexo cada vez mais cedo. O ato sexual, muitas vezes explícito, está ao alcance dos olhos de qualquer um por toda a parte: na internet, na TV, no cinema, nas revistas, nos outdoors espalhados pelas ruas. Com isso, o sexo está se banalizando. "A pornografia de hoje é muito mais vulgar do que era há 30 anos. Não existe senso de humor, não existe aquela transgressão de testar os limites da sociedade, porque atualmente não existem mais esses limites", diz a jornalista americana Dian Hanson, autora da enciclopédia History of Men’s Magazine (Taschen Books, 2004).



VULGARIZAÇÃO

Instrumento facilitador para quase todas as evoluções do mundo moderno, a internet está ajudando a vulgarizar o ato sexual. Sites de sexo explícito abundam em toda a rede, enquanto a onda de blogs e fotologs atiça a sanha tanto dos que gostam de observar como dos que adoram se exibir. A goiana Wilsiane dos Santos Araujo é dona de um fotolog que chega a ter 40 000 acessos semanais. Tudo porque Wil, como gosta de ser chamada, capricha em suas fotos sensuais. "Não coloco as fotos somente para me exibir. Me divirto muito sendo observada. Meu estilo é sexy. Gosto de decote, de saias curtas", conta Wil.

Alguns desses fotologs mostram garotas adolescentes beijando e se relacionando com suas amigas. Dizem ser bissexuais, embora gostem mais de meninos. A psicóloga Cláudia Barrozo, do Núcleo de Psicodrama de Goiânia, diz que esse "fenômeno" pode ter sido despertado, principalmente, pela mídia. "A TV, por exemplo, dita as novidades, lança a idéia para que as pessoas discutam e, quando isso não acontece, elas apenas reproduzem aquele comportamento. O ponto principal é perguntar: existe um espaço de discussão nas famílias?", questiona a psicologa.

Outra novidade para as próximas décadas, segundo a escritora americana Barbara Ehrenreich, autora do livro Nickel and Dimed (Owl Books, 2002), é o monossexualismo. Isso mesmo: pessoas que não querem se relacionar sexualmente com outras pessoas podem muito bem levar uma vida normal. Podem, inclusive, ter filhos sem fazer sexo, graças às novas técnicas de reprodução assistida. As mulheres já podem recorrer a um banco de sêmens e engravidar sem necessidade de se relacionar com homens. E os homens monossexuais poderão, no futuro, ter um banco de óvulos congelados à sua disposição - é verdade que, pelo menos por um bom tempo, eles ainda vão depender de uma "barriga de aluguel" para aumentar a prole.

Mas onde vamos parar com tudo isso? Qual será a grande mudança no comportamento sexual na próxima década? "A grande revolução será no âmbito da aceitação. A sociedade vai aceitar melhor as diferenças, o sexo sem culpa, o prazer para homens e mulheres. Essa, sim, será a grande mudança", diz a sexóloga Carmita Abdo. Já a jornalista Dian Hanson acha que, no final, tudo continuará na mesma. "O sexo no futuro será basicamente como é no presente e como foi no passado", afirma. "A maioria sempre vai buscar o compromisso, o casamento, a monogamia. Existe uma coisa que não muda, apesar da tecnologia: o amor."
Em resumo: para o alívio geral, aconteça o que acontecer nos próximos anos, parece que o sexo continuará sendo muito bom.


Tendências




- MULHERES

Seguindo o exemplo dos homens, as mulheres estão descobrindo cada vez mais que o sexo pode ser atividade prazerosa desvinculada da relação afetiva.



- JOVENS

Cresce o número de adolescentes que se iniciam no sexo com pessoas da mesma idade, em vez de recorrerem à ajuda de pessoas mais velhas.



- VULGARIZAÇÃO

O sexo está cada vez mais facilmente disponível por toda a parte: na internet, na TV, no cinema, nas revistas, nos outdoors. Não há mais limites a ultrapassar.



- MONOSSEXUALISMO
Quem não quiser se relacionar sexualmente com outras pessoas poderá levar uma vida normal, sem sentimento de culpa.


Variações sobre um velho tema




Entre os anos 60 e 70 do século passado, a revolução sexual transgrediu costumes, deslocou pudores e desnudou alguma pele; nos anos 80 e 90, com o surto da aids, a revolução deu uma freada. Somos, de certa forma, mais caretas do que fomos. Há uma disputa corrente no mundo, entre conservadores e liberais. Em comum, estão todos descontentes com as coisas como estão. Uns vencerão nuns países, outros vencerão noutros. É bem possível que o cinema pornográfico atinja um ápice de consumo nos próximos anos e entre em lento declínio. Expôs o sexo como nunca dantes, mas continuará incapaz de contar uma história. Aos poucos, assim como a nudez abriu espaço no cinemão, também virá o sexo explícito. Aqui e ali, no cinema independente, ele já dá suas caras. Em dez anos, uma grande estrela de Hollywood vai fazer uma cena de sexo à vera.

De país em país, a partir da Europa, o casamento entre homossexuais será institucionalizado. Começa já, já. Alguns lugares demorarão bem mais para legalizar a prática. Mas numa ou duas décadas serão como países onde mulheres não votam. Arcaicos, medievais. Virão novos fetiches, novos químicos que resolverão problemas vários e estimularão um quê, o aperfeiçoamento das técnicas de mudança de sexo, o aborto será legal nuns cantos, em outros não; a aids fatalmente terá sua cura. Mas, no fim, todas as novidades parecerão já previstas e nenhuma mudança espantará, de fato, uma velha prostituta francesa. Para quem já viu de tudo, o novo permanecerá uma variante sobre o mesmo (velho) tema.


Pedro Doria é jornalista, escreve para o site No Mínimo (www.nominimo.com.br) e na Folha de S. Paulo


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segunda-feira, 28 de junho de 2010

Morre diretor de 'Garganta profunda'

27/10/08 - 15h18 - Atualizado em 27/10/08 - 16h58

Morre diretor de 'Garganta profunda'
Gerard Damiano, de 79 anos, faleceu de complicações cardiovasculares.
Rodado em 1972, filme arrecadou mais de US$ 600 milhões no mundo.




Cena do filme ''Garganta profunda'', maior sucesso da carreira de Gerard Damiano (Foto: Divulgação) O diretor de origem italiana Gerard Damiano, autor do famoso filme pornô "Garganta profunda", morreu na Flórida aos 79 anos de idade de complicações cardiovasculares.

Damiano chegou a dirigir cerca de 50 filmes pornô, mas ele sempre será lembrado por "Garganta profunda", rodado em 1972 em uma semana e protagonizado por Linda Lovelace a um custo de US$ 25 mil.

O filme se tornou um fenômeno mundial: foi o primeiro longa pornô a ser exibido em cinemas tradicionais, a receber uma crítica no jornal "New York Times" e a ser visto por mais de dez milhões de pessoas, chegando a arrecadar mais de US$ 600 milhões pelo mundo.

O título "Garganta profunda" fazia referência à insólita localização do clitóris da protagonista. O nome se tornou ainda mais popular quando foi usado pelos jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein para indicar a sua fonte em meio às investigações do caso de Watergate.

O sucesso de público da obra cinematográfico foi acompanhado por grandes polêmicas. O filme foi banido de vários estados dos EUA, tornou-se alvo de grupos religiosos e o ator Harry Reems, que fazia o papel do médico que descobria peculiaridade anatômica da protagonista, sofreu inúmeros processos.

Linda Lovelace, nascida Linda Susan Boreman (foi o próprio Damiano que sugeriu o nome artístico da atriz), denunciou em sua autobiografia que foi obrigada pelo marido a rodar o filme pornográfico, que se tornou um símbolo da revolução sexual dos anos 1970.

Damiano, um cabeleireiro que passou a trabalhar para a indústria pornográfica, dirigiu mais outros 50 filmes, como "O diabo na carne de Miss Jones", mas sem chegar ao retumbante sucesso de "Garganta profunda".

No universo do cinema pornô, Damiano era conhecido por colocar uma trama em um gênero conhecido por negligenciar a lógica narrativa.

Damiano foi inspiração para o personagem vivido por Burt Reynolds no filme "Boogie Nights", um diretor de filmes pornográficos que busca o reconhecimento artístico.

"Garganta profunda" está entre os cem filmes mais importantes

05/10/2006 - 18h22m

''GARGANTA PROFUNDA'' ESTÁ ENTRE OS CEM FILMES MAIS IMPORTANTES

Cena de ''Garganta profunda'': pornô bem-sucedido Além de ser o filme pornô mais bem-sucedido da história do cinema, ''Garganta Profunda'' entrou também na lista dos cem filmes mais importantes. Segundo informações do site da BBC, o ranking foi publicado pela revista ''Radio Times'', que afirmou que ''Garganta profunda'' era o pior filme para ter uma grande influência, mas que a produção "tirou o pornô do quarto escuro para levá-lo ao cinema".

A lista ainda inclui clássicos como "Cidadão Kane", "Psicose", "Pulp fiction" e "Shrek", que juntamente com "O segredo de Brokeback Mountain" foi o único filme lançado depois de 2000 a entrar na lista.

Ainda de acordo com informações da BBC, a revista "Radio Times" classificou "Garganta profunda" como "um fenômeno da atualidade, um sinal de que a revolução sexual estava a todo vapor".

Lançado em 1972, o filme foi pribido em 23 Estados americanos na época.

Andrew Collins, editor da revista, disse que apesar de muitos dos filmes que estão na lista serem verdadeiramente bons, este não é um ranking dos melhores filmes de todos os tempos. "Estes são filmes, grandes ou pequenos, cujas influências ainda são sentidas; tempo, contexto e circustâncias os fizeram importantes."

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Filtro chinês deixa computador vulnerável

12/06/09 - 16h44 - Atualizado em 12/06/09 - 16h44

Filtro chinês contra pornografia deixa computador vulnerável, diz pesquisa
Sites podem explorar brechas do software para controlar as máquinas.
'Green Dam' deverá ser instalado em todos os PCs do país até 1º de julho.




Foto: Liu Jin/AFP Jovens navegam na web em lan house na China. (Foto: Liu Jin/AFP)Um filtro de softwares obrigatório na China deixa usuários vulneráveis a sites mal-intencionados que podem roubar dados pessoais ou instalar códigos em computadores pessoais, constataram pesquisadores da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos.

O governo chinês exige a pré-instalação obrigatória do software 'Green Dam' em todos os computadores novos fabricados ou enviados ao país até 1º de julho, sob a justificativa de que a medida protegerá crianças da pornografia.

Cerca de 48% dos adolescentes chineses já visitaram sites de pornografia, segundo a agência, que cita uma pesquisa divulgada no mês passado pelo centro de pesquisas da juventudade chinesa.

Muitas escolas já instalaram o programa, mas associações representantes de fabricantes de computadores da indústria norte-americana têm pedido ao governo chinês que reconsidere a exigência, com base em preocupações que variam desde segurança cibernética a performance do software até a liberdade na internet.

Sites podem explorar as vulnerabilidades do software para controlar o computador, segundo o relatório dos pesquisadores Scott Wolchok, Randy Yao e J Alex Halderman.

"Isso poderia permitir que sites mal-intencionados roubem dados privados, enviem spam ou registrem o computador em um botnet", apontou o relatório.

Botnet é um programa potencialmente destrutivo com a capacidade de recrutar máquinas infectadas em larga escala, podendo controlá-las clandestinamente.

O programa 'Green Dam' filtra palavras e imagens, bem como endereços de sites. Uma vez intalado, o software automaticamente fecha o navegador Internet Explorer, da Microsoft, se o usuário tentar acessar um site que estiver na lista negra.

"Alem disso, escontramos vulnerabilidades na forma como o 'Green Dam' processa atualizações da lista negra, que possibilitaria com que desenvolvedores de software e outros instale códigos mal-intencionados durante o processo de atualização", ressaltou o estudo.

Os departamentos de educação chineses continuam com as instalações do software, segundo a imprensa estatal.

Cerca de 4 milhões de computadores em todas as cerca de 1,5 mil escolas primárias e secundárias em Xangai serão equipadas com o 'Green Dam' até o final do mês, relatou a agência de notícias Xinhua nesta sexta-feira (12).