Mostrando postagens com marcador classico. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador classico. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

O Corcunda de Notre Disney - Desenho Animado


O CORCUNDA DE NOTRE DISNEY - Desenho Animado


Depois de Toy Story, totalmente feito em computadores, O Corcunda de Notre Dame, que estréia dia 28 nos cinemas brasileiros, vem para mostrar que o desenho animado mais artesanal ainda tem o seu espaço. Neste filme, o 34º longa-metragem dos estúdios Disney, as mãos humanas contaram muito. Trabalharam nele cerca de 1 400 delas. Mas a tecnologia, como você vai ver nesta reportagem, também foi fundamental.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Na terra de Dom Quixote - História


NA TERRA DE DOM QUIXOTE - História


Na milenar cidade de Toledo, em cujos arredores viveu o fictício herói de Cervantes, ainda se fazem espadas com a mesma técnica que os romanos teriam copiado no segundo século a.C.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Cripta centenária é aberta na tentativa de identificar modelo da 'Mona Lisa'


Cripta centenária é aberta na tentativa de identificar modelo da 'Mona Lisa'

O historiador Silvano Vicenti e o geólogo Antonio Moretti (baixo) exploram o subsolo da basílica Santissima Annunziata, em Florença, Itália. Eles tentam identificar restos mortais de descendentes de Lisa Gherardini, suposta Mona Lisa de Leonardo Da Vinci. (Foto: Michele Barbero/AP e Stefano Rellandini/Reuters)

Cientistas estão à procura de restos de descendentes de Lisa Gherardini.
Eles acreditam que Lisa pode ter sido a modelo do quadro de Da Vinci.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Série de RPG 'The Elder Scrolls' ganha pacote com todos os jogos

Série de RPG 'The Elder Scrolls' ganha pacote com todos os jogos


Caixa da edição Anthology de The Elder Scrolls (Foto: Divulgação/Bethesda)

Pacote 'The Elder Scrolls Anthology' chega aos EUA em 10 de setembro.
Caixa traz todos os cinco jogos e as expansões da franquia por US$ 80.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Mozart, a Flauta Mágica


MOZART, A FLAUTA MÁGICA



O bicentenário de sua morte, este ano, desencadeou uma onda de homenagens e comemorações que nenhum outro compositor jamais recebeu. Ele fez por merecer todas elas

Olhando para meu filho de quase 13 anos, entretido em seu videogame, não posso deixar de pensar que, se ele se chamasse Wolfgang Amadeus, já seria com essa idade o autor de onze sinfonias, duas óperas, 24 sonatas para piano ou violino, missas, oratórios, serenatas e uma infinidade de peças menores. Dá para assustar, não é mesmo? O mundo teve muitos gênios precoces, mas nenhum tão impressionante quanto esse menino austríaco, cujo bicentenário de morte comemora-se este ano, dotado pela natureza de um dom misterioso, que fazia com que fluísse dele, instintivamente, desde a infância, música de qualidade inigualável.
Já é espantoso que, em 1766, aos 10 anos de idade, Wolfgang Amadeus Mozart tenha sido convidado a colaborar com Michael Haydn e Anton Adlgasser, dois compositores adultos e experientes, no oratório Die Schuldigkeir des erstens Gebotes (A obrigação do primeiro mandamento). Como Johann Sebastian Bach antes dele, Mozart não inventou formas novas. Mas levou à perfeição todas as que existiam em seu tempo. Nenhum outro compositor, na história da música, conseguiu, como ele, trabalhar com tanta inventividade todos os gêneros então existentes, da ópera à música de câmara.Mas perfeito domínio de forma não é tudo: outros compositores de seu tempo o tiveram no mesmo alto grau. Genialidade em estado puro é o que explica que suas idéias musicais vejam sempre mais originais do que as de qualquer um de seus contemporâneos. Mozart é o dono de uma das mais marcantes "assinaturas" musicais da história da música: a um amante da música clássica basta ouvir meia dúzia de compassos para saber que é dele a melodia tocada. E não apenas dispunha de uma gama imensa de recursos como sabia instintivamente empregá-los da forma mais adequada; tanto assim que foi capaz de transcender um libreto simplório como o da Flauta Mágica, transformando-a numa das mais sublimes criações da mente humana.
Dos sete filhos que Leopold Mozart-violinista, cantor, compositor e vice-mestre-de- capela do Arcebispado de Salzburgo, na Áustria-teve com sua mulher, Anna Maria Pertl, apenas dois sobreviveram. Uma menina, chamada Maria Anna, cujo apelido era Nannerl, e um menino, nascido a 27 de janeiro de 1756, dia de São João Crisóstomo, a quem foi dado o nome de Joannes Chrysostomus Wolfgang Theophilus (ou Gottlieb, em alemão, que, em 1770, época da viagem para a Itália, ele trocaria pela forma latina Amadeus).Não fosse essa data, 1756 teria sido um ano obscuro na história da humanidade. França e Inglaterra iniciaram mais uma de uma longa série de guerras inúteis. Os ingleses conseguiam, pela primeira vez, produzir veludo a partir do algodão, e um famoso cavalheiro, Giacomo Casanova, fugia da prisão em Veneza para continuar sua vida de aventura.A infância e a adolescência, Wolfgang-cujo talento para a música revelara-se desde os 3 anos de idade-as passou percorrendo as estradas européias com seu pai, que o levava a exibir-se por toda parte, como um macaquinho amestrado. Sem avaliar os danos que podia estar causando ao filho, que não tinha tempo para ser criança, Leopold não hesitava em explorar o talento do geninho, capaz, aos 6 anos, de improvisar sobre qualquer tema, executar as peças mais complexas ou fazer malabarismo tocando com um pano sobre o teclado do cravo.
Enquanto o príncipe-arcebispo de Salzburgo, para quem os Mozart trabalhavam, era o tolerante Sigismund von Schrattenbach, essas viagens constantes não foram um grande problema. Mozart tocou em Viena para o imperador Francisco I e à princesa Maria Antonieta- mais tarde, a infeliz rainha da França-, que o ajudou a levantar-se depois de um escorregão, disse: "Quando crescer, vou-me casar com você".Em Versalhes, foi recepcionado nos aposentos particulares de Madame Pompadour, a amante de Luís XV. Recebeu títulos das academias filarmônicas de Bolonha e Verona e a Ordem da Espora Dourada das mãos do papa Clemente XIV Em Roma outra prova de seu gênio: após ouvi-lo uma única vez, na Capela Sistina, reproduziu de memória o Miserere, a nove vozes, de Allegri, cuja transcrição era proibida. E -um recorde para a época-seu Mitridate alcançou vinte récitas no Scala de Milão.Mas a morte de Schrattenbach, em 1771, mudou essa situação. Seu sucessor, Hieronimus Joseph Franz von Paula, o Conde de Colloredo, era intratável, exigente, desaprovava excursões e o interesse de Mozart pela música profana. Ele ainda conseguiu,entre 1777 e 1778, fazer uma estada em Manaheim, onde entrou em contato com a orquestra- laboratório que Johann Stamitz criara para fazer pesquisas de técnica instrumental. Com Christian Cannabich, o sucessor de Stamitz, Mozart aprofundou seu conhecimento das possibilidades da escrita orquestral.
Foi em Mannheim também que conheceu a família Weber, e apaixonou-se por Aloysia, talentosa soprano, a mais velha das quatro irmãs. Mas Leopold desaprovava esse casamento, que perturbaria a carreira do filho, a quem não queria ver "reduzido a mero acompanhador de uma cantora". Para afastá-lo de Aloysia, mandou-o a Paris com a mãe; mas Anna Maria adoeceu subitamente, e morreu em julho de 1778. Mozart estava com 22 anos, e já testemunhara alguns acontecimentos de grande importância.
As colônias inglesas no remoto continente americano declararam-se independentes. Na Inglaterra, Adam Smith publicou sua Pesquisa sobre a natureza e a causa da riqueza das nações, logo reconhecida como a bíblia do novo modelo econômico que tomava conta da Europa-o capitalismo. Descobertas recentes revelavam que o ar era composto principalmente de oxigênio e nitrogênio. O mundo musical enriquecia-se com a copiosa produção de dois talentos extraordinários: o próprio Mozart e Joseph Haydn (não era parente de Michael Haydn), que já havia chegado à sua 63 a sinfonia. E um outro gênio precoce começava a ser exibido em concertos pelo pai-chamava-se Ludwig van Beethoven.Para Mozart, à dor com a perda da mãe, juntou-se a de saber que Aloysia, agora no elenco da Ópera de Munique já não se interessava mais por ele (e, no ano seguinte, se casaria com Joseph Lange, ator e pintor da corte em Viena). Tudo isso concorreu para tornar insuportáveis as pressões sofridas em Salzburgo. Em maio de 1781, Mozart pediu demissão; e foi dispensado nos termos mais humilhantes. Estava com 25 anos: restavam-lhe só mais dez para viver; mas esse seria o período mais fulgurante de sua produção, desenvolvido em Viena, um dos maiores centros musicais do mundo. Wolfgang Amadeus Mozart estava no limiar da maturidade.Decidindo-se a ficar na capital, Mozart hospedou-se na pensão da senhora Weber e, ali, apesar uma vez mais da oposição paterna, apaixonou-se por Constanze, irmã caçula de Aloysia e com ela se casou em agosto de 1782, em aberto desafio a Leopold. O casal levaria vida atribulada, acima de suas posses e, por isso mesmo, sempre cheio de dívidas; a saúde de Constanze era minada pelas gravidezes freqüentes (de seis filhos em nove anos, apenas dois sobreviveram); e a de Wolfgang-que já sofrera enfermidades graves na infância-, gradualmente solapada pela vida dissipada que levava.
Mas suas relações com Constanze sempre seriam marcadas por intensa atração física, e por uma paixão que se revela, da forma mais explícita, em cartas da mais cândida e tórrida sensualidade. É nessas cartas também que melhor se percebe-como o demonstrou o biógrafo Wolfgang Hildesheimer-o quanto o desenvolvimento psicológico dessa criança, obrigada cedo demais a comportar-se como um adulto, ficou truncado; e quantos traços do caráter desse gênio assombrosamente maduro permaneceram paradoxalmente infantis.
A última década da vida de Mozart assiste a um verdadeiro dilúvio de obras primas dos mais diversos gêneros, que jorravam dele de tal forma acabadas que os seus manuscritos pareciam cópias definitivas. É a fase de seu encontro com o italiano Lorenzo da Ponte (1749-1838), pseudônimo de Emanuele Conegliano, judeu convertido ao catolicismo, estranha mistura de padre, poeta e aventureiro, Casanova de batina, que, tendo sido obrigado a fugir da Europa por suas dívidas e intrigas galantes, seria o fundador, em Nova York, do primeiro teatro de ópera dos Estados Unidos.Esse homem-que fugira de Veneza por causa de seus "pecados de amor" e conseguira tornar-se poeta oficial da corte austríaca-escreveria para Mozart seus três maiores libretos: o das Bodas de Figão, baseado na subversiva comédia de Beaumarchais; o do Don Giovanni, história do legendário libertino sevilhano; e o Così fan tutte, ácida crítica à dissolução dos costumes em seu tempo. Mozart e Da Ponte formariam um dos grandes pares de compositor/libretista da história da ópera, realizando plenamente o ideal da fusão perfeita da música com a palavra.
É em Viena, também, que Mozart- fascinado pelo ideário liberal e humanista posto em moda pela Revolução Francesa-aderirá à Maçonaria. As lições da loja maçônica impregnarão muitas de suas obras, mas nenhuma tão intensamente quanto sua última ópera, A Flauta Mágica, resultado do encontro, nos ambientes maçônicos, com outra estranha figura: o empresário, ator e cantor Emanuel Schikaneder, que dirigia uma sala suburbana de variedades, o Theater auf der Wieden.É para esse palquinho mambembe que será concebido um dos mais sublimes testemunhos do poder criador da mente humana. Fábula ingênua e disparatada, A Flauta Mágica conta a história do príncipe Tamino, encarregado pela Rainha da Noite de libertar sua filha Pamina das garras de um suposto bruxo, Sarastro. Ele, na verdade, é o sumo-sacerdote do templo do Sol. Junto com Papageno, o locador da flauta que encanta os animais, Tamino é admitido no templo. Eles derrotam a rainha, e Tamino se casa com Pamina.Interrompida em julho de 1791 a fim de que, em poucos dias, Mozart compusesse A Clemência de Tito, para a coroação do imperador Leopoldo II, em Praga, como rei da Boêmia, A Flaura Mágica é a maior das muitas obras-primas que ele escreveu em seu último ano de vida. O Concerto para piano K 595, o Quinteto K 614, o Concerto para clarinete K 622, o Ave Verurn CorPus sucedem-se febrilmente, como se Mozart, com a saúde em frangalhos, percebesse ser pouco o tempo que Ihe restava de vida. Nos últimos dias, estava obcecado pela encomenda feita, por um misterioso mensageiro vestido de cinza, de uma Missa de Réquiem. Tratava-se do mordomo de um certo conde Franz von Walsegg, milionário habituado a comprar músicas que apresentava como suas; e que pretendia mandar cantar uma missa dos mortos por sua mulher, recém- falecida. Mas para Mozart, já perturbado pela doença, aquilo parecia um sinal do destino. Era para si mesmo que compunha aquela música fúnebre, que deixaria inacabada (a família escolheu Franz Süssmayr para terminá- la, pois fora quem o ajudara a anotar suas últimas idéias para a Lachrymosa, a 4 de dezembro, antes de entrar em coma).
Chovia torrencialmente sobre Viena, a 6 de dezembro de 1791, dia seguinte ao de sua morte. Os poucos amigos que levaram seu corpo ao cemitério entregaram-no, na porta, aos coveiros. Nunca se soube onde foram colocados seus restos mortais. Não há garantia alguma de que o crânio conservado no Mozarteum de Salzburgo seja realmente o dele. Um dos maiores gênios da humanidade passou pela vida como um fulgurante cometa e desapareceu aparentemente sem deixar rastros. Mas é sintomático que, justamente naquele momento, o jovem Beethoven começava a receber lições do mestre Haydn, na mesma Viena-e a arte da música iniciava uma nova fase de um período universalmente reconhecido como prodigioso. 

O mundo homenageia Mozart

Nenhum outro artista, em toda a história da humanidade mereceu comemorações tão grandiosas. Bonecas, relógios, marcas de bebida e de chocolate, posters, álbuns de fofos -sem mencionar os inúmeros concertos que foram programados durante o ano inteiro desde Paris, a capital da França, a Dunedin, cidade perdida no interior da Nova Zelândia. De todas as formas será celebrado o bicentenário da morte do mais singular entre os gênios que a raça humana já produziu. Basta dizer que a Philips está gravando todas as suas composições catalogadas, numa série de 180 CDs, reunidos em 45 álbuns, num total de 200 horas de música, e que a Polygram já prometeu importar, a partir do segundo semestre deste ano, para distribuição no Brasil. Que também está preparando o seu Ano Mozart: A Flauta Mágica em Campinas, o Così fan tutte em São Paulo, visitas da Camerata de Salzburgo ao país, montagem de Don Giovanni no Rio e execuções em São Paulo do Réquiem e da Grande Missa K 427. A Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo organiza um Encontro Mozart, coordenado pelo filósofo Adauto Novaes, com a participação de especialistas do mundo inteiro. E o Centro Cultural do Banco do Brasil, no Rio, tem um dos mais extensos programas comemorativos, com concertos, filmes e a ópera Bodas de Fígaro, dirigida por Ítalo Rossi.


Salieri, o rival inofensivo

Durante muito tempo, o italiano Antônio Salieri (1750-1825) - desde 1788 mestre-de-capela da corte vienense-foi suspeito de, por inveja, ter envenenado Wolfgang Amadeus. Ele próprio foi o responsável pelo surgimento da lenda, pois, no fim da vida, já totalmente insano, tentou suicidar-se, alegando remorsos por ter sido o causador da morte de Mozart. Esse episódio, utilizado pelo poeta russo Aleksandr Púshkin em sua peça Mozart e Salieri (1830)-uma reflexão sobre o conflito entre o gênio e o mero talento, transformada em ópera por Nikolái Rimski-Kórsakov-, serviu de inspiração para a peça do dramaturgo inglês Peter Shaffer, em que se baseou o filme Amadeus, de Milos Forman. Trata-se, entretanto-hoje se tem certeza -, de pura lenda. Por menos que gostasse de Mozart, Salieri era bom músico: modernas reavaliações demonstrem que estava longe de ser medíocre como se quis fazer acreditar. E era generoso e um professor brilhante, como o testemunharam seus alunos: Beethoven, Schubert, Liszt ou Franz Xaver Wolfgang, o filho sobrevivente de Mozart, a quem ele muito ajudou em sua carreira de músico. E as queixas que Mozart fazia, no fim da vida, de que se sentia envenenado, podem atribuir-se à tintura de iodo que ele tomava, para tratamento da sífilis, que provoca intoxicação renal. De que morreu, então, Wolfgang  Amadeus? Estudiosos nunca chegarão, provavelmente, a uma conclusão definitiva. A hipótese mais aceita, hoje, é a de que ele tenha sido vítima de moléstia provocada por problemas renais crônicos. A vida inteira, ele sofrera de doenças graves-escarlatina, varíola, febre reumática, hepatite-, cujas conseqüências foram agravadas pela vida dissipada e de trabalho intenso que levava. 

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Leonardo de todos os Instrumentos - Leonardo da Vinci

LEONARDO DE TODOS OS INSTRUMENTOS - Leonardo da Vinci



Ele não falava grego nem latim. Jamais freqüentou uma universidade e por isso era desprezado nas rodas intelectuais de Florença, no Renascimento. Mas suas pinturas e projetos de engenharia o fizeram famoso e cortejado pelos poderosos da época. Muito tempo depois, o mundo viria a conhecer o lado secreto desse gênio superlativo.



"De tempos em tempos, o Céu nos envia alguém que não é apenas humano, mas também divino, de modo que, através de seu espírito e da superioridade de sua inteligência, possamos atingir o Céu." Com estas palavras, Vasari, o célebre biógrafo do século XVI, inicia o seu relato sobre a vida de Leonardo da Vinci. Apenas 30 anos após a morte desse gênio superlativo, sua figura já estava totalmente envolvida pela aura do mito.Nascido na cidadezinha de Vinci, próxima a Florença, no dia 15 de abril de 1452, Leonardo seria considerado, em pouco tempo, o maior pintor de sua época, protegido e adulado em algumas das principais cortes européias. Mas seu enorme prestigio não se restringiu à pintura. Escultor, músico, arquiteto, engenheiro civil e militar e extraordinário inventor, ele foi a versão suprema do homem dos sete instrumentos.Seu talento versátil se expressou até mesmo em atividades mundanas e tipicamente cortesãs, como a organização de festas e diversões para a nobreza: desde a invenção de um palco giratório para apresentações teatrais até o desenho de trajes de luxo; de entretenimentos musicais à arte da conversação e aos jogos de palavras. Vasari diz que ele "foi o melhor improvisador de rimas de seu tempo".Mas, coexistindo com esse Leonardo público, celebrérrimo e celebrado, houve outro, talvez ainda mais assombroso: um Leonardo solitário e secreto, que permaneceria desconhecido durante muito tempo. Numa atividade recolhida, sigilosa, escrevendo da direita para a esquerda para que seu texto não pudesse ser lido - o que Ihe era facilitado pelo fato de ser ambidestro -, encheu páginas e páginas com a mais eclética massa de conhecimentos, produzindo, com anotações e desenhos, uma gigantesca colcha de retalhos do saber universal. Os primeiros manuscritos de que temos noticias datam de 1478, quando Leonardo, então em Florença, contava ainda 26 anos. Os últimos são de 1518, de poucos meses antes de sua morte, ocorrida na França, em 2 de maio de 1519.Em cerca de seis mil páginas que nos restam dessa prodigiosa obsessão há praticamente de tudo: Geometria e Anatomia; Geologia e Botânica Astronomia e Ótica; Mecânica dos Sólidos . Mecânica dos Fluidos; Balística e Hidráulica; magníficos desenhos preparatórios e exaustivos estudos de perspectivas; considerações teóricas sobre a arte e anotações técnicas muito precisas sobre como fundir uma estátua eqüestre em bronze; o plano arquitetônico para a construção da catedral de Milão e um projeto de desvio do curso do rio Arno para ligar Florença ao mar; mapas e planos urbanísticos; projetos de pontes e fortificações.Há, principalmente, a mais fantástica coleção de invenções e soluções de engenharia já imaginadas por um único homem: esboços de helicópteros, submarinos, pará-quedas, veículos e em barcações automotores, máquinas voadoras; projetos minuciosos de tornos máquinas perfuratrizes, turbinas, teares, máquinas hidráulicas para limpeza e dragagem de canais, canhões, metraIhadoras, espingardas, bombas, carro de combate, pontes móveis etc.Mas esse Leonardo, que escrever praticamente sobre tudo, escreveu muito pouco sobre si mesmo. Sabemos que no seu comportamento cotidiano se refletia a mesma ambigüidade presente em sua produção intelectual. Gostava de se cercar de luxo, tratava amigos e criados com opulência e generosidade, mas tinha hábitos frugais: era vegetariano e preferia a água ao vinho. Muitas de suas noites foram consumidas na dissecação de cadáveres, em meio aos odores da morte e da decomposição. O quanto ele era habilidoso nessas técnicas o mostram seus desenhos anatômicos, considerados superiores aos do célebre Andreas Vesalius, o grande anatomista do Renascimento.Sua infância não foi fácil - o que talvez explique o gosto pelo luxo na idade adulta. Filho ilegítimo de um tabelião florentino e uma camponesa, foi criado longe da mãe, na casa do avô paterno, junto do pai e de uma madrasta. Pelo menos até a idade de 20 anos, foi filho único e só teria irmãos no terceiro ou quarto casamento do pai. Depois de afastado do convívio com a mãe, a morte da primeira madrasta, quando Leonardo tinha cerca de 13 anos, parece ter representado para ele uma segunda grande perda afetiva. Logo haveria uma terceira, aos 16 anos, com a morte do avô, a quem era muito ligado.Desse complexo quadro de vida, Freud, o fundador da psicanálise, derivou sua interpretação da trajetória de Leonardo. Ela seria movida por uma repressão da pulsco sexual e por uma inibição afetiva, em que a pulsão do conhecimento acabaria submergindo, pouco a pouco, qualquer outro fator emocional. Peça chave da explicação freudiana é a hipótese, que hoje parece indiscutível, da homossexualidade de Leonardo.Seja como for, aos 17 anos ele já havia dado provas de seu talento excepcional. O pai o inscreveu, então, como aprendiz no grande ateliê de Andrea Verrochio, em Florença. Não se tinha lá uma formação erudita; o ensino era todo voltado para a prática; mas era incrível a massa de conhecimentos que se podia adquirir: cálculo, perspectiva, desenho, pintura, escultura em pedra e metal, arquitetura, construção civil e militar etc. É ao ateliê de Verrochio que Leonardo deve toda a sua formação básica. A partir dai ele será um autodidata. Muitas coisas aprenderá por ouvir dizer, numa época em que grande parte do conhecimento ainda era adquirida de ouvido. Outras, porém, Ihe custam um enorme esforço de leitura e sistematização de que os manuscritos por ele deixados são testemunhos.Aos 40 anos, copia nos cadernos palavras eruditas - retiradas dos livros - que possam enriquecer seu vocabulário rústico. Aos 50, está envolvido ainda com um estudo por conta própria, não só do latim, mas também da geometria de Euclides, que será uma paixão e um modelo até o fim da vida. Ele era, então, o que alguns de seus pedantes contemporâneos classificaram como um uomo senza lettere (homem sem letras), isto é, alguém que não possuía uma formação humanística: de fato jamais freqüentara a universidade e, durante muito tempo, esteve impedido de ter acesso direto à grande cultura pela barreira do idioma, já que não dominava o latim e muito menos o grego. Esse menosprezo dos meios sofisticados, a que Leonardo respondia com afetado desdém, não deixou de magoá-lo, reabrindo feridas mal curadas de sua infância traumática. Os biógrafos são unânimes em apontar como uma das principais causas de sua primeira saída de Florença, por volta dos 30 anos, uma dificuldade de adaptação ao culto e refinado ambiente florentino. A mudança para Milão, em 1482, representou uma virada decisiva em sua trajetória intelectual. Nos dezessete anos que passou a serviço do duque Ludovico Sforza, seu gênio floresceu plenamente. Não só em pinturas soberbas, como A última ceia e a primeira versão de A virgem dos rochedos, mas também na afirmação definitiva de sua vocação para a ciência e a tecnologia. A queda de Ludovico com a ocupação de Milão pelos franceses, em 1499, pôs fim a esse período brilhante e relativamente tranqüilo A partir dai, Leonardo, já uma celebridade, iria trocar de domicilio e patrão ao sabor da instável conjuntura política italiana: novamente Florença, com rápidas passagens por Mântua e Veneza; Urbino, como arquiteto militar e engenheiro chefe de Cesare Borgia, em cuja corte encontrou-se com Maquiavel, fundador da ciência política moderna; outra vez Milão, a convite do governador francês Charles d´Amboise; Roma, na corte papal.Essas mudanças constantes não Ihe bloquearam porém a criatividade. É do segundo período florentino, por exemplo, seu quadro mais famoso - na verdade, o mais famoso de toda a historia da pintura, a Mona Lisa, enigmático retrato da esposa do rico comerciante Francesco del Giocondo. Já a estada em Roma, novamente a serviço dos Medici, seria certamente a fase mais desgostosa de sua vida.Giovanni de Medici, filho de Lourenço, o Magnífico, havia sido eleito papa, com o nome de Leão X, e saudou sua eleição com uma frase que ficou célebre: "Já que Deus nos deu o papado, gozêmo-lo". Amante dos prazeres, da pompa e do luxo, protetor das artes na medida em que satisfizessem sua vaidade, tratou logo de atrair para sua corte os artistas mais brilhantes. Lá se reuniram os três maiores nomes do renascimento italiano: Leonardo, Michelangelo e Raffaello. Deveria ser um momento privilegiado na história da arte. Mas não foi um momento feliz para Leonardo.Contava então 60 anos - era uma geração mais velho do que Michelangelo e duas mais do que Raffaello. Seu contato com Michelangelo foi francamente hostil. Típico produto do ambiente patrocinado pelos Medici, Michelangelo nada tinha em comum com a formação científico-experimental leonardiana. Além do mais, trabaIhava rápido, num ritmo alucinante. enquanto Leonardo, dispersivo e perfeccionista, projetando sua transbordante genialidade em inúmeras direções, mas sem paciência de levar nenhum projeto até o fim, trabalhava devagar e adiava sempre. A preferênciacia dos romanos por Michelangelo e Raffaello e ao ambiente hostil da corte papal, Leonardo respondeu com retraimento e um de seus desenhos mais perturbadores, O Dilúvio, um visão apocalíptica de destruição e aniquilamento.Ele escapou desse tormento graças à subida de Francisco I ao trono da França. Convidado a assumir o cargo de "primeiro pintor, engenheiro e arquiteto do rei", foi instalado no palácio de Cloux, a apenas algumas centenas de metros do palácio real de Amboise, no condado do Loire, França, recebendo tratamento principesco. Lá viveria, de 1516 até o ano de sua marte, em companhia de seus discípula prediletos, entre eles Francesco Melzi e Salai.Ambos haviam-se unido a Leonardo ainda em seu primeiro período milanês. Melzi herdaria praticamente todo os seus bens. Salai, um garoto de apenas 10 anos quando entrou a serviço do mestre, já no segundo dia robou-Ihe algum dinheiro, o que continuaria, a fazer com certa regularidade ao longo dos anos. Leonardo anotou que ele era "ladro, bugiardo, ostinato, ghiotto" (ladrão, mentiroso, obstinado, glutão), mas nem por isso deixou de mi má-lo. Com uma ponta de malícia Vasari o descreve como belíssimo gracioso, com vastos cabelos encaracolados, de que Leonardo "si diletò molto" (se agradou muito) - referência que, evidentemente, não escapou à atenção de Freud.A julgar por seus últimos auto-retratos e pelo testemunho dos visitantes, Leonardo parecia sofrer de alguma doença degenerativa, que Ihe dava uma aparência envelhecida. Sua mão direita estava semiparalisada, talvez em decorrência de um derrame cerebral. Nos aposentos, guardava algumas de suas maiores preciosidades: três magníficas pinturas - Sant´Ana, a Virgem e o Menino, a Mona Lisa e São João Batista - e os manuscritos que carregara consigo em suas muitas viagens e a vida inteira teimou em manter inéditos.Herdados pelo discípulo Mezi, esses, manuscritos acabariam se espalhando da maneira mais tortuosa e só começaram a ser redescobertos a partir do final do século passado. A impressão inicial causada pelas seis mil páginas sobreviventes é de um caos desconcertante. Os assuntos se misturam sem nenhuma ordem aparente: na mesma página, a anotação mais instantânea e trivial da vida cotidiana pode estar lado a lado com o enunciado de um teorema ou com a observação acurada de um fenômeno natural. O método de trabalho de Leonardo talvez explique em parte essa incrível dispersão. Sabemos hoje que ele carregava sempre consigo cadernos de notas em que podia registrar uma frase ou esboçar rapidamente um desenho. Ao lado desses, havia outros cadernos, mais ordenados e homogêneos, preenchidos com calma no silêncio de seus aposentos. Neles. numa escrita elegante e em desenhos de acabamento impecável, procurava dar a suas idéias uma forma definitiva.Mesmo nesses cadernos, porém, os assuntos muitas vezes se atropelam: não é raro que uma demonstração, começada com preciso enunciado de premissas, acabe indo parar bem longe do ponto de partida. Mas o caos é apenas aparente. Como observa Anna Maria Brizio, uma das maiores estudiosas leonardianas da atualidade, pouco a pouco se percebe que "a múltipla disparidade de argumento emana de um único centro e contém uma formidável unidade de processo mental". Arte, ciência e tecnologia se encontram ai de tal modo amalgamadas, que se passa de um domínio a outro praticamente sem perceber.A ciência de Leonardo é toda baseada no primado da visão sobre os demais sentidos e da geometria sobre as demais disciplinas. Em geometria, ele realizou descobertas teóricas importantes, como a determinação dos centros de gravidade dos sólidos geométricos e a transformação de um sólido em outro, com a do volume. Em estática, foi o primeiro a compreender a possibilidade de se decompor uma força segundo duas direções, o que Ihe permitiu resolver um grande número de problemas práticos. Em cinemática. ciência que só seria precisamente formulada quase 150 anos mais tarde, com os trabalhos de Galileu, ele intuiu as leis que regem os choques entre dois sólidos iguais como duas bolas de bilhar.A curiosidade de Leonardo o empurra mesmo a terrenos ainda não desbravados, como a mecânica dos fluidos, disciplina praticamente ignorada pelos gregos, a grande fonte das ciências medieval e renascentista. Uma de suas investigações nessa área - explicada em detalhes pelo estudioso Carlo Zammatio - pode ser considerada um caso exemplar de seu procedimento científico.Ele parte de questões práticas relacionadas com a irrigação e o aproveitamento da forca hidráulica na região do rio Pó. E procura determinar a energia com que chega ao solo cada um de uma série de jatos d´água, que saem de orifício de dimensões idênticas, mas de alturas diferentes, de um recipiente com água em nível constante. Verifica que a velocidade de saída da água é inversamente proporcional à altura do orifício. Isto é, cresce de cima para baixo. E explica isso mostrando que, enquanto cada porção de água que sai do orifício mais alto é posta em movimento apenas pela ação de seu próprio peso, as porções que saem dos orifício inferiores são postas em movimento tanto por seu peso como pelo peso da coluna d´água situada acima delas.A conclusão é que todos os jatos chegam ao solo com a mesma energia, pois, se o jato mais alto é o que sai do recipiente com menor velocidade, ele é também o que tem uma maior distancia a percorrer e, portanto, o que mais ganha velocidade durante a queda. Em outras palavras, onde a energia cinética inicial do jato (que depende da velocidade) é menor, a energia potencial (que depende da altura) é maior e vice-versa. A soma desses dois termos é sempre a mesma.Evidentemente, Leonardo não formula suas idéias desta maneira. A física levaria ainda muito tempo para chegar a esse grau de concisão, rigor conceitual e vocabulário. Leonardo trabalha com as palavras que tem à mão-ou improvisa. O Importante é que, por trás de seu vocabulário tosco, ele de maneira admirável o teorema básico da hidrodinâmica formulado apenas em 1738 pelo físico e matemático suíço Daniel BernouilliMais importante ainda: intuiu uma idéia capital na física, a da interconversão de energia potencial e energia cinética - questão que ficaria perfeitamente esclarecida partir das experiências de Galileu Torricelli sobre a queda dos corpos, realizadas em 1642.Mas foi no domínio da tecnologia que se deram algumas de suas mais espantosas realizações. Uma delas - só descoberta muito recentemente, a partir de um trabalho de restauração num dos cadernos leonardianos - é uma bicicleta muitíssimo superior, em termos solução de engenharia, às primeiras bicicletas que seriam fabricadas por volta de 1817. Na verdade, o sistema proposto por Leonardo - com pedal ligado a uma roda dentada que transmite a força à roda traseira através de correia - só adotado no começo deste século Sua bicicleta jamais foi construída O mesmo se pode dizer, quase com certeza, de todos os seus outros inventos, geralmente avançados demais para as possibilidades técnicas da época.Além disso, a mistura contraditórios de dispersão e perfeccionismo fez com que, também em outros domínios sua criação ficasse incompleta. Em pintura, deixou vários quadros inacabada toda a sua produção não ultrapassa obras. Em ciência, suas geniais antevisões jamais receberiam uma sistematização final, permanecendo secretas em nada influenciando o desenvolvimento científico da humanidade. Leonardo era extremamente suscetível ao julgamento público e essa deve ter sido uma das causas da ocultação dos manuscritos. Porque, para escrever para o mundo culto, era preciso rigor sistematização, refinamento de expressão e, principalmente, um domínio perfeito da língua latina. características dificilmente encontráveis num uomo senza lettere. Ironicamente, esses manuscritos fragmentários - redigidos em língua vulgar - permaneceriam como um dos mais maravilhosos legados de um homem à posteridade.


.
.
.
C=78935
.
.
.

A Guerra sem fim - Tróia

A GUERRA SEM FIM



A guerra de Tróia talvez nem tenha acontecido. Se aconteceu, a causa pode não ter sido o rapto de Helena. Como pode não ter existido o famoso cavalo de madeira que iludiu os troianos: quem sabe os gregos atacaram pelo mar.

"Quando a lenda fica mais interessante do que a realidade, publique-se a lenda". (John Ford, cineastra americano, pela boca do jornalista personagem do seu clássico O Homem que Matou o Facínora).Melhor exemplo dessa verdade não existe do que a Guerra de Tróia. com seu cavalo fantático, o rapto de Helena pelo apaixonado Páris, o herói Aquiles e seu calcanhar vulnerável, os deuses e as deusas do Olimpo assanhadíssimos, divididos entre gregos e troianos e fazendo, periodicamente, com que a sorte favorecesse um ou outro lado graças aos seus poderes divinos. Tudo isso está contado na Ilíada, poema épico de Homero, escrito aí pelo século IX a.C. Mais recente e quase tão fantasiosa quanto a lenda que pretende conferir, é a batalha travada há bem uns cem anos por historiadores e arqueólogos em torno do que haveria de verdade nos episódios narrados por Homero.A lenda conta que a guerra foi provocada pelo rapto de Helena, a filha de Tíndaro, o rei de Esparta. Helena era tão bonita, tinha tantos pretendentes, que seu pai já previa alguma coisa desse tipo, tanto que promoveu uma grande reunião de todos os interessados e obteve deles um compromisso: qualquer que fosse o escolhido por Helena, os demais se comprometiam a defender o casal contra as ofensas que pudesse sofrer.
Helena escolheu Menelau, que graças a essa preferência tornou-se, além de seu marido, rei de Esparta. E a vida correu feliz e serena até o dia em que Páris, filho do rei de Tróia, Príamo, conheceu Helena e por ela se apaixonou. Páris não tinha sido um dos pretendentes preferidos, não estava amarrado ao compromisso por Tíndaro, e fez o que era muito comum na época: raptou Helena e levou-a para Tróia. O gregos até que tentaram negociar e esquecer o episódio, mas os troianos não aceitaram. Assim, Agamenon, irmão do ofendido Menelau, convocou todos os antigos pretendentes à mão de Helena, lembrou-lhes o pacto de fidelidade e organizou a primeira expedição contra Tróia. Foram dez longos anos de luta em que a sorte ora pendeu para um lado, ora para outro. E acabou sendo Ulisses, um guerreiro grego sem nenhum poder extraordinário, a não ser uma cabeça fértil para inventar truques e expedientes, quem pensou no estratagema que os levaria à vitória: construir um grande cavalo de madeira, capaz de abrigar, em seu interior, alguns guerreiros. Os troianos, que consideravam o cavalo um animal sagrado, recolheram o presente deixado diante do portão de suas muralhas, acreditando ser um reconhecimento da derrota por parte dos gregos, e passaram a noite comemorando a vitória. Os soldados escondidos dentro do cavalo aproveitaram a festa para sair, abriram os portões - e Tróia foi invadida e destruída. Nasceu ai a expressão presente de grego. Essa é a lenda, em linhas bem gerais. Em 1870 o negociante alemão Heinrich Schliemann, autodidata e arqueólogo amador, após estudar detidamente os textos de Homero, lançou-se à localização de Tróia, fazendo escavações por conta própria. Detevesse na colina de Hissarlik, na entrada do estreito de Dardanelos, atual Turquia. Em companhia da mulher, Sofia, e de outros colaboradores, descobriu vasos de ouro, jarras de prata, braceletes e colares cuidadosamente fabricados. Deduziu, então, que teriam pertencido a um rico e poderoso senhor: seria o tesouro de Príamo, rei de Tróia e pai de Páris. Mas a declaração de Schliemann, de que havia encontrado Tróia e seu famoso tesouro, não resistiu aos ataques dos historiadores especializados.Hoje, a maioria dos arqueólogos afirma que o tesouro apresentado por Schliemann não passava de um conjunto de peças isoladas recolhidas durante as escavações O grande mérito do pesquisador alemão foi descobrir que na colina de Hissarlik existiram várias Troias, cada uma construída sobre as ruínas da outra, e que a região estava habitada desde a Idade do Bronze, por volta de 3 000 a.C, até o ano 400 da nossa era. Ao todo existiram nove Tróia As primeiras de Tróia I a V, correspondem à Idade do Bronze egeu; Tróia VI, ao Bronze médio e final; Tróia VII teria sido habitada por um povo diferente que deixou o local cerca de 700 a.C, época que corresponde ao início de Tróia VIII; e, por fim, Tróia IX, que era a cidade romana de Ilium Novum.Como foi possível fazer de uma montanha a base de várias cidades? Especialistas explicam que Tróia I estava sobre a base e ali se levantaram casas feitas de pedra, terra, adobe, madeira e palha; pouco resistentes, eram sujeitas a incêndios que rapidamente as destruiam por estarem, além do mais, muito próximas umas das outras. Na época do cobre e do bronze, as cidades apenas começavam a se desenvolver. Se ocorria um terremoto ou um incêndio, tirava-se o que era aproveitável das ruínas, aplainava-se o que restara e construíam-se novas casas em cima. Assim, uma cidade se edificava sobre a outra. Era costume naquela época jogar no chão desde restos de comida até utensílios quebrados. Mas, a partir de determinado momento, ficava insuportável conviver com a sujeira e então cobria-se o chão com uma espécie de capa de barro e tudo ficava novo e limpo.
O pouco recomendável costume dos troianos teve pelo menos uma serventia: ajudou os arqueólogos a descobrir se as casas - das quais, na maioria das vezes, só ficavam os muros - foram habitadas por muito ou pouco tempo. Para Schliemann, a Tróia de Príamo era a Troía II. Depois de sua morte, em 1890, outro pesquisador, o arqueólogo Wilhelm Dörpfeld, também alemão, prosseguiu as escavações em 1892 e 1893 e estabeleceu que Tróia VI tinha sido o cenário da guerra. No entanto, pesquisadores da universidade norte-americana de Cincinatti, que ali realizaram escavações de 1932 a 1938, concluíram que Tróia VII era a Tróia de Príamo. A chave para se saber qual era a Tróia da guerra era provar a existência do inimigo, isto é, dos gregos do final da Idade do Bronze, a época de Tróia VII.
Tudo estaria esclarecido não fosse por uma questão: embora Homero diga que Tróia foi destruída por um incêndio, as últimas escavações provam que o que houve ali foi um terremoto e que depois os assentamentos continuaram. Diante disso, 0 historiador inglês Moses Finley, falecido em 1986, abriu fogo: "Não há uma só prova consistente de que a colina de Hissarlik coincida com a Tróia da Idade do Bronze que Homero descreve, nem de que a guerra entre troianos e gregos tenha alguma vez existido. Propomos tirar definitivamente a guerra de Tróia dos livros de História".Entretanto, uma descoberta do lingüista Calvert Watkins, professor da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, desmontou um dos principais argumentos dos críticos de Homero. Ao examinar primitivos documentos escritos em uma extinta língua da antiga Anatólia, na região orienta do que hoje é a Turquia, Watkins encontrou o seguinte fragmento de texto:"... quando vinham os alcantilado de Wilusa..." Para ele, o fragmento seria parte de uma primitiva Ilíada escrita em hitita, a língua dos troianos Os alcantilados de Wilusa (que significam rochas escarpadas de Wilusa) são, segundo Watkins, os que aparecem na Ilíada como "os alcantilado´ de Ilíon" Tróia era também chamada de Ilíon. Tal descoberta derrubava a teoria de que uma cidade grande e poderosa como Tróia, que apoiava o império hitita, não constava dos testemunhos escritos sobre aquele povo. Os críticos de Homero também duvidavam da descrição dos funerais de Pátroclo - grande amigo do guerreiro Aquiles - mencionados no final da Ilíada O poema diz que ele foi cremado. Os céticos afirmavam que naquela época não era costume cremar os mortos.
Recentemente, porém, arqueólogos alemães, que há três anos realizam escavações no porto de Tróia, na baia de Besica, sob o comando do professor Manfred Körfmann, da Universidade de Tübigen, descobriram vestígios de piras onde os mortos eram cremados. Mas se Tróia existiu, será que isso quer dizer necessariamente que houve também a guerra de Tróia? Como e por que ela se deu? Ao que parece, os motivos foram mais banais do que o resgate da honra de Menelau e, sua mulher, Helena. Como a corrente marítima na parte mais estreita dos Dardanelos é muito mais forte, um barco mercante da Idade do Bronze só poderia chegar ao Mar Negro se contasse com bons ventos a seu favor. Mas, à excessão de uns poucos dias do ano, o vento sopra na direção oposta, de Leste a Oeste. Por isso, os gregos preferiam desembarcar suas mercadorias no porto de Tróia para que fossem transportadas até o Mar de Mármara - a meio caminho entre o estreito e o Mar Negro - através da planície troiana.
Mesmo que resolvessem esperar pelos ventos favoráveis os gregos dependiam dos troianos. E estes certamente cobravam pelos serviços prestados, tais como estadia na baia, abastecimento de água e alimentos, transporte de mercadorias por terra etc. E possível até que os troianos cobrassem pedágio ou saqueassem um barco de vez em quando. Do ponto de vista arqueológico não há nada que prove que Tróia fosse um covil de ladrões, mas é cabível que uma cidade situada no eixo do comércio entre o Mar Egeu e o Mar Negro representasse um problema para os gregos. Logo, qualquer pretexto servia para liquidar aqueles que tanto atrapalhavam seus negócios.
O historiador Francisco Murari Pires, professor de História Antiga da Universidade de São Paulo, acha provável que um evento como a guerra de Tróia tenha existido, embora o conjunto de documentos descobertos não permita uma afirmação exata, precisa. O que a lenda quer preservar, diz ele é que o fim da Idade do Bronze e o inicio da Idade do Ferro correspondem a um período de desestruturação do império hitita. Havia uma situação de conflito permanente entre hititas e gregos. Ambos disputavam o controle sobre os reinos que apoiavam tradicionalmente o império hitita e que, em conseqüência da atuação do gregos, começaram a se desestabilizar
Com base nos conhecimentos históricos e arqueológicos disponíveis, arqueólogo alemão Franz Stephan reconstituiu o que em sua opinião pode ter sido a guerra de Tróia: os Tróia nos, enfraquecidos por causa de um terremoto, não estavam preparada para enfrentar uma guerra. Os gregos, sabendo disso, atracaram no porto inimigo um veleiro com aparência de barco mercante; só que, em vez de mercadorias, transportava uma tropa de elite. Durante a noite o comando grego tomou a cidade. Nessa versão, não há lugar para o Cavalo de Tróia. O professor Murari Pires diz que é impossível resolver essa questão. Mas, verdade histórica ou não, a lenda é importante por fixar o principio de que uma guerra não se decide só pela força. "Tanto o valor da astúcia, da manobra enganosa", observa Murari, "quanto o valor guerreiro propriamente dito estão em pé de igualdade." Por mais que historiadores e arqueólogos tentem demonstrar a veracidade do episódio, o que parece prevalecer na memória do homem comum é a imagem poética da lenda, que tem contornos muito mais fortes do que a realidade. Por mais pesquisas que se façam, é pouco provável que um dia essa situação seja invertida.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

A Vida imita a Arte - Guerra nas Estrelas

A VIDA IMITA A ARTE - Guerra nas Estrelas


Há muito tempo, numa galáxia muito, muito distante... Com essa frase de abertura, o diretor George Lucas inaugurava, em 1977, a saga de Guerra nas Estrelas, um dos maiores sucessos da história do cinema. Com seis episódios - o último filme da série, A Vingança dos Sith, teve sua estréia mundial em maio -, a obra-prima de Lucas já faturou 3,5 bilhões de dólares em ingressos e mais 9,5 bilhões de dólares em mercadorias, como desenhos, bonecos e jogos eletrônicos. O estrondoso êxito pode ser atribuído a dois fatores principais: primeiro, todo mundo quer saber o que acontece (e o que existe) numa galáxia tão distante assim. Segundo, o filme usa seres alienígenas para discutir problemas bem terrenos, como traição, ambição, vaidade, incesto e caráter. Guerra nas Estrelas é um bom exemplo de uma receita que deu certo em Hollywood: explorar a curiosidade humana a respeito da possível vida extraterrestre, usando como pano de fundo as mazelas da sociedade. O negócio deu tão certo que não passa um ano sem entrar em cartaz algum grande filme sobre aliens.

Desde a década de 50, ETs de todos os tipos e gostos vêm freqüentando a telona. De tanto assistir a esses filmes, acabamos por formar uma imagem dos alienígenas muito próxima da que é pintada por Hollywood. Você, por exemplo. Pense num ET qualquer. Provavelmente, a imagem que virá à sua mente será bem parecida com a de algum personagem criado por George Lucas, Steven Spielberg ou outro cineasta que já explorou esse filão. Dificilmente você vai pensar num ET com a cara de Gisele Bündchen, certo?
O que acontece é que muita gente acaba achando que viu na vida real alienígenas iguaizinhos - ou muito parecidos - com os da ficção. "Na mente humana existe a chamada falsa memória. É quando incorporamos, sem perceber, o conteúdo do que assistimos ou ouvimos e, então, repetimos como se fosse nosso. Um filme, por exemplo, pode ser vivido como uma lembrança e não como ficção", afirma Wellington Zangari, psicólogo do Laboratório de Psicologia da Religião, da Universidade de São Paulo (USP). Segundo ele, depois de cada filme desses que entra em cartaz, surgem centenas de novos relatos de avistamentos e abduções. Duendes e gnomos passaram a ser vistos com freqüência perambulando por aí após o sucesso do infantil Xuxa e os Duendes (2002). "Não dá para sabermos ao certo a fronteira que separa a imaginação da realidade, mas os filmes que estão na moda são um bom termômetro."

RETRATO DISFORME
Ao longo da saga de Guerra nas Estrelas, os extraterrestres foram agraciados com a beleza de estrelas como Harrison Ford e Natalie Portman. Mas os ETs mais marcantes, os que passaram a fazer parte do imaginário coletivo, são aqueles horrendos, gosmentos, cheios de braços e pernas, como os da série Alien (1979) ou de Homens de Preto (1997). Para os ufólogos, esse é um problema sério. "Em geral, eles são mostrados como criaturas disformes, sem se levar em consideração que os ETs são, em geral, muito parecidos conosco", diz o ufólogo Ademar Gevaerd. Segundo ele, em 99,9% dos relatos de observação, os ETs têm a forma humanóide. "Eles nunca têm três pernas ou braços", afirma.
Para muitos ufólogos, o simpático ser retratado por Spielberg no filme E. T. - O Extraterrestre (1982) é o mais verossímil de todos. O diretor mandou fazer o rosto de seu alienígena usando como molde as faces do poeta Carl Sandburg e do cientista Albert Einstein. Mas há quem faça ressalvas. "Biologicamente, a criatura que ele (Spielberg) inventou não faz nenhum sentido. Era um bichinho muito fofo, sem dúvida. Mas um ser com uma cabeça tão grande e um pescoço tão fino para sustentá-la não poderia sobreviver. Os ficcionistas dariam péssimos cientistas", dispara o paleontólogo cético Peter Ward, da Universidade de Washington.
No filme Guerra dos Mundos, que está estreando em junho, Spielberg apresenta monstros criados por meio de efeitos de computador, capazes de provocar pânico na população. "O conceito da invasão alienígena sempre me fascinou", disse o diretor a uma revista semanal recentemente. "O filme é uma história assustadora. Mostra como nos mantemos unidos diante do inimigo comum." Isso incomoda ufólogos que levam o assunto a sério. Para Gevaerd, nem todos os ETs que nos visitam vêm para dominar o planeta, guerrear, matar ou abduzir. Ele não poupa também a megaprodução de George Lucas. "Guerra nas Estrelas, a começar pelo título, mostra uma situação irreal. Que guerra? Não poderia ser paz? Os cenários do filme dão a entender que os planetas que eventualmente encontraremos em nossas futuras explorações espaciais são áridos e providos apenas de vida em condições bélicas", aponta.
Do ponto de vista da convivência intergaláctica, a crítica do ufólogo procede. Resta saber se a indústria do cinema conseguiria lotar as salas de exibição com um filme que se chamasse "Paz nas Estrelas". Provavelmente, não. Só se for numa galáxia muito, muito distante...

"Na mente humana existe a chamada falsa memória. É quando incorporamos, sem perceber, o conteúdo do que assistimos ou ouvimos e, então, repetimos como se fosse nosso. Um filme, por exemplo, pode ser vivido como uma lembrança e não como ficção"
Wellington Zangari, psicólogo do Universidade de São Paulo (USP)

Para fãs de carteirinha

O Dia em que a Terra Parou
Direção de Robert Wise, 92 minutos. 1951
Nave espacial pousa na Terra e seu ocupante, com feições humanas, se infiltra entre os americanos e estuda seus hábitos. A mensagem que o ET pretende passar aos terráqueos tem muito a ver com o contexto geopolítico da época: ele veio para nos alertar sobre os perigos de uma guerra nuclear

Contatos Imediatos de Terceiro Grau
Direção de Steven Spielberg, 132 minutos. 1977
Uma história de relações amigáveis entre humanos e ETs. Discos voadores sobrevoam cidades americanas e um homem, obcecado pela idéia, persegue todas as pistas possíveis para fazer contato com eles, que vieram em missão de paz

Guerra nas Estrelas
Direção de George Lucas, 121 minutos, 1978
A saga mostra ETs de uma galáxia muito, muito distante. Os personagens principais são belos exemplares com forma humana, como Luke Skywalker e a princesa Léia, que interagem com as mais variadas criaturas - como o sábio Mestre Yoda, um homenzinho verde que até que lembra o ET de Spielberg...

Alien, o 8º Passageiro
Direção de Ridley Scott, 116 minutos, 1979
O filme deu origem à série, em que o alien em questão é retratado como um monstrengo mais do que nojento. Ele entra numa nave espacial tripulada por humanos e começa a matar todo mundo para conseguir crescer. Bleargh!

E. T. - O Extraterrestre
Direção de Steven Spielberg, 115 minutos, 1982
Vencedor de quatro Oscars, o filme comoveu o mundo com a história da terna amizade entre um garoto de 10 anos e um ser de outro planeta que foi esquecido por sua nave na Terra. Aqui, o ET aparece como um ser baixo, de cabeça grande e pescoço, braços e dedos finos - e olhar meigo

Fogo no Céu
Direção de Robert Lieberman, 109 minutos, 1993
Baseado na história "real" do lenhador Travis Walton, que, diante de alguns amigos, foi atingido por uma luz misteriosa e sumiu por vários dias. Ao reaparecer, ele conta que foi abduzido por pequenos seres de olhos enormes, não muito amigáveis

A Experiência
Direção de Roger Donaldson, 109 minutos, 1995
Bela representação de seres híbridos que podem estar entrenós: uma mulher, meio ET, meio humana, resultado de uma experiência com códigos genéticos, está louca para acasalar e reproduzir sua espécie alienígena com os terráqueos

Independence Day
Direção de Roland Emmerich, 144 minutos, 1996
Extraterrestres muito maus enviam naves gigantescas para invadir a Terra e destruir a raça humana justo no dia do feriado americano. Em 4 de julho, um grupo liderado pelo presidente dos Estados Unidos (!) consegue derrotar os intrusos

Homens de Preto
Direção de Barry Sonnenfeld, 98 minutos, 1997
Agentes secretos do governo são incumbidos de fiscalizar alienígenas que vivem na Terra. Até que um terrorista do outro mundo resolve destruir nosso planeta. Aqui os ETs têm as mais variadas formas e aparências - como polvos e coisas parecidas com cadáveres

Sinais
Direção de M. Night Shyamalan, 107 minutos, 2002
Misteriosos e gigantescos círculos aparecem na plantação de um ex-pastor americano (Mel Gibson). Seres invisíveis parecem espreitar a cena o tempo todo. A idéia é mostrar o quanto a fé que o ser humano do terceiro milênio vem perdendo seria importante para lidar com situações extraordinárias

domingo, 10 de julho de 2011

YO ! HIP HOP

YO! HIP HOP



O hip hop não cabe em si. Das trilhas de novela ao top ten das rádios, das paradas de videoclipe às campainhas de celular, das principais premiações musicais a anúncios de marcas de cerveja ou de tênis, ele extrapola, dia após dia, a imagem desgastada de cultura de gueto e se torna figurinha fácil, onipresente, sutil ou abertamente.

Astros como Eminem cobram cachês na casa do milhão de dólares por um show. De acordo com a revista Rolling Stone, em 2003, ano em que não teve disco lançado, ele embolsou cerca de 20 milhões de dólares com turnês, discos anteriores, merchandising, entre outros meios - quantia que chega a quase um quarto dos 84,1 milhões de dólares faturados pelos Rolling Stones no mesmo ano.

Um dos mais vistosos fenômenos do rap feito por branquelos, Eminem enfileira controvérsias em sua carreira, com peripécias que incluem um processo aberto pela própria mãe contra ele e brigas públicas com gente como Michael Jackson. Velho truque da indústria pop, a pose de menino mau ajudou seu disco mais recente, Encore (lançado em 2004), a superar, em dois dias, o que Britney Spears havia vendido em uma semana, na Inglaterra. Placar: 122 459 cópias para o bad boy e 115 341 para Britney.

Eminem é um sintoma da escalada do rap no mundo do consumo, como ilustra a guerra dos tênis. Gigantes como Nike, Adidas e Reebok travam batalhas inclementes usando popstars do rap no pelotão de frente das campanhas publicitárias. Há dois anos, por exemplo, a Reebok ganhou fôlego com a contratação de Jay-Z. Pela primeira vez a campanha de uma coleção de tênis teve um rapper como protagonista. Conjugada a uma investida no mercado asiático, a ação ajudou a catapultar o faturamento da empresa para 3,5 bilhões de dólares em 2003, 11% a mais que em 2002. E consolidou o espaço dos rappers com uma parceria com o fenômeno 50 Cent - que contabiliza 12 milhões de cópias de seu primeiro disco - para a linha de footwear G-Unit Collection by Rbk.

Ninguém tem dialogado nesse universo como Jay-Z. No Natal de 2003, o rapper ganhou uma edição especial do modelo 3300 do celular Nokia. Batizado de Black Phone, o aparelho chegou às lojas com faixas de seu Black Album, além de papéis-de-parede para o visor do telefone com sua imagem e mensagens com sua assinatura.

A publicidade é a ponta reluzente desse iceberg chamado hip hop. A expansão dos diferentes elementos que compõem a cultura de rua pela moda e o comportamento grita aos olhos num momento em que o rap é, nos Estados Unidos, a bola da vez da indústria da música - uma das armas de marketing mais eficientes de todos os tempos. De acordo com estimativa da Riaa, a associação da indústria fonográfica americana, o rap perde apenas para o rock (que fatura 3 bilhões de dólares) e faz circular cerca de 1,5 bilhão de dólares por ano nos Estados Unidos - e isso apenas com a venda de discos.

A disseminação da cultura de rua vai muito além disso (veja os quadros ao longo da reportagem). O estilo largado das roupas, o jeito alargado de andar e gesticular, a cadência canto-falada das músicas, o tom reivindicativo das letras, o apelo social consciente, isso tudo transborda de um canto a outro, contamina aqui (na dança, nas artes visuais, no audiovisual) e influencia acolá (no trabalho das ONGs, no modelo pedagógico das escolas), até mesmo em círculos que sequer sabem o que diferencia hip hop de rap.

Conhecimento
E o que distingue um do outro, afinal? Bem, o rap (junção das iniciais de rhythm and poetry, ou música e poesia) é a faceta musical do hip hop. E só. Parece óbvio, mas muita gente que ouve rap diz por aí que adora dançar hip hop. E não tem como. O rap é apenas um dedo entre os cinco da mão que balança o berço do hip hop. É verdade que quando o berço foi construído falava-se em quatro dedos - ou, na linguagem do movimento, quatro elementos: DJ (responsável pelas bases da música) + MC (quem rima), o dedo musical, break, o dedo corporal, e grafite, o dedo visual.

Mas eis que, nos anos 80, o homem que deu sentido ao termo hip hop achou por bem ampliar o cardápio, enxertando um item novo que unifica todos os demais: o conhecimento. Esse homem é Afrika Bambaataa, um dos nomes fundamentais no nascimento e, principalmente, na conceituação do hip hop. Ele, porém, não passaria no teste de paternidade do termo. Criada por Lovebug Starski, a expressão hip hop (ao pé da letra, balançar os quadris) surgiu a reboque do jogo de palavras típico do rap. Era, à época, uma espécie de lema gritado ao microfone para inflamar a pista durante as festas.

Parece que foi ontem, mas o fenômeno acaba de completar 30 anos de idade, comemorados em Nova York, o grande pátio de escola em que os conceitos e a prática do movimento foram exercitados. O marco simbólico, 12 de novembro de 1974, é a data do primeiro aniversário de fundação da Universal Zulu Nation, a organização criada por Bambaataa para disseminar o receituário mundo afora. Desde que ele e seu colega Grandmaster Flash popularizaram o modelo de festa de rua que o jamaicano Kool Herc levou aos subúrbios nova-iorquinos em fins dos anos 60 e resolveram usá-lo para mediar os conflitos de gangues no bairro do Bronx (propondo que as disputas fossem resolvidas em combates de dança), nem as rixas nos guetos nem a música foram os mesmos. Com o passar do tempo, alguns artistas saídos de gangues enveredaram pelo chamado gangsta, o estilo barra-pesada que começava em tiroteio verbal e muitas vezes ia para as vias de fato. E pelo menos dois nomes importantes morreram em decorrência disso na década de 1990: Notorius B.I.G e Tupac Shakur.

O tom dominante no rap nacional, no entanto, é o avesso do gangsta ou de sua face mais comercial, o "rap luxúria" que se vê em boa parte dos clipes americanos. Em vez da ostentação (carrões, correntes de ouro, mulheres mil), o foco é o da reivindicação de direitos e da denúncia social. "É um discurso político da maior importância", diz o produtor André Midani, ex-diretor da gravadora Philips e nome fundamental da indústria musical no país.

Talvez o melhor termômetro do alastramento do hip hop pelo Brasil seja a televisão. Artistas como o rapper carioca MV Bill, crítico ferrenho do abismo social, ou a dupla Helião e Negra Li, militantes do rap paulista engajado, ganharam visibilidade em programas como o Faustão. "Um dos mais importantes artistas do rap nacional", como disse o apresentador, Bill ficou no ar durante 40 minutos. "Nunca vi uma jovem liderança tanto tempo ao vivo na tevê, num programa que fala para 70 milhões de pessoas", diz o antropólogo Hermano Vianna.

DJs e trancinhas
Marco Aurélio Paz Tella, doutorando em antropologia pela PUC-SP, defendeu em sua dissertação de mestrado que a fase em que o rap era consumido apenas pela periferia - para a qual serve de voz - é parte do passado. "De alguns anos para cá, os principais DJs de rap tocam nas casas noturnas de bairros nobres paulistanos como os Jardins, Vila Madalena e Vila Olímpia porque tem gente com dinheiro que consome rap", afirma Marco. A linguagem do hip hop transbordou para outros segmentos da música, do rock ao eletrônico. "O hip hop cria a cultura de DJs. A figura do DJ como entendemos hoje é oriunda do Kool Herc, do Grandmaster Flash, do Bambaataa, que desenvolveram a idéia de criar música a partir de dois toca-discos", diz Eugenio Lima, DJ da Soulfamily e diretor do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, com trabalho voltado para o que chama de teatro hip hop - um cruzamento da pesquisa teatral brechtiana com os elementos da cultura de rua.

O uso de trancinhas coladas ao couro cabeludo mostra que as influências do estilo hip hop vão dos pés à cabeça. Característica dos astros do rap e do basquete americano, elas disseminaram-se no Brasil para além do circuito de iniciados. O estilo já extrapolou os limites raciais. "Faço trança em japonês, loira, branco de cabelo liso, gente de qualquer tipo e de todas as raças", diz Fátima Aparecida de Abreu, cabeleireira do salão e loja de roupas 4P, dos rappers KLJ (DJ dos Racionais MCs) e Xis. Com 20 anos de atividade na área, Fátima contabiliza hoje oito homens entre cada dez clientes que fazem trança.

A 4P, também um selo musical, funciona na meca da black music paulistana, a Galeria 24 de Maio, conhecida como Galeria do Rock, mas cada vez mais chamada de Galeria do Rap. Síndico do prédio e comerciante no local há 30 anos, Antonio de Souza Neto, o Toninho da Galeria, afirma que foi ali que a cultura de rua tomou corpo em São Paulo. "O pessoal se encontrava aqui e ia para o largo São Bento", diz, em referência ao local onde as rodas de break ganharam popularidade, nos anos 80, depois do período embrionário na própria 24 de Maio. "O hip hop saiu daqui, foi pra periferia e tomou o asfalto", afirma. Toninho vê o movimento como "possibilidade de revolução cultural no país". Na sua leitura, o rock tornou-se "pequeno em relação ao hip hop".

Se o dedo musical amplia cada vez mais as suas influências, dança e artes visuais não ficam atrás. Fundador e coreógrafo da companhia mineira SeráQuê?, o dançarino Rui Moreira formou-se entre aulas de dança moderna e os bailes black de São Paulo e vê com interesse a absorção da dança de rua pela dança moderna e contemporânea. Segundo ele, o gestual da rua se incorporou à dança no fim dos anos 60 a partir de coreógrafos americanos como Alvin Ailey. E, na década seguinte, houve um reflexo no trabalho de criação do Grupo Corpo, assim como no do Ballet Stagium, que incorporaram o que na época era chamado de jazz de rua. "No cenário contemporâneo, os bailarinos buscam cada vez mais o diálogo gestual com os b-boys, como forma de ampliar as possibilidades de uso dos planos espaciais", diz Rui.

Sinônimo de dançarino de break, o b-boy dá mortais, gira e rodopia dentro de parâmetros do vocabulário da dança de rua. Assim é também com os outros dois estilos principais da dança hip hop: o locking (movimentos imitam um robô) e o popping (influenciado pelos passos do funk), um sistema de códigos corporais que se reproduz por todo o mundo. "Cada um se destaca no seu estilo, como no futebol" afirma Nelson Triunfo, mestre na dança de rua e pioneiro das jornadas empreendidas pelos b-boys nos calçadões do centro velho paulistano desde 1984.

Depois da grande visibilidade dos anos 80, oferecida pelos concursos em programas de auditório como o de Barros de Alencar ou por participações em humorísticos como Os Trapalhões, a dança de rua já não desperta o mesmo interesse na mídia, mas deixou como resíduo a incorporação, até hoje, de cursos de break em academias de dança voltadas para a classe média.

A vez do grafite
O vocabulário visual do hip hop também demarca seu espaço em outros territórios. Muito além das frases de protesto e das guerras de ego de adolescentes que carimbam com spray os muros, pontes e edifícios das cidades, a pichação e o grafite ganham respeito, deixam de ser vistos como "caso de polícia" e contaminam outras linguagens, como o design gráfico e a publicidade.

O esforço de compreensão do abecedário dos pichadores e das crônicas visuais dos grafiteiros rende estudos acadêmicos e projetos vinculados ao poder público, como é o caso do Guernica, focado em oficinas de arte, mantido pela Prefeitura de Belo Horizonte desde 1999. "A pichação é uma escrita aparentemente sem memória e conteúdo, mas temos de aprender a ler essa escrita porque os jovens estão querendo dizer alguma coisa", disse o prefeito Célio de Castro à época. Desde então, o estigma deu lugar a aulas, ministradas por alguns dos "fora-da-lei", e a prática dos murais públicos grafitados ganhou reconhecimento entre a população e as empresas - gerando parcerias que já resultaram em curtas-metragens ou em balões dirigíveis e totens estampados com a linguagem do grafite.

O hip hop atualizou, em versão urbana, uma prática secular. "O grafite existe há, no mínimo, 30 mil anos", afirma Pedro Portella, autor do ensaio "Memórias Escritas da Cidade Inscrita". De acordo com ele, os aborígenes australianos sopram pigmento para contornar suas mãos nas grutas até hoje, como ocorreu em Lascaux, na França, e em algumas grutas da Patagônia. "Eles dizem que muitas vezes fazem isso para expressar uma demanda, um impulso de criação, e não para assinar a parede da gruta, como pensavam muitos arqueólogos", diz Pedro.

O trânsito do grafite pelo circuito de museus e galerias tem pelo menos duas décadas. O interesse pela linguagem das diferentes formas de intervenção visual que se multiplicaram pelas cidades alcançou seu ápice nos anos 80, nos Estados Unidos. Bajulados por revistas como a respeitada Artforum, artistas surgidos nas ruas e estações de metrô, como Jean-Michel Basquiat e Keith Haring, ganharam notoriedade e foram rapidamente integrados ao circuito de marchands e galeristas. Não demorou para que a indústria cultural tomasse os signos e ferramentas da arte de rua para si. Para o designer gráfico Rico Lins, que já fez trabalhos para a Time e a Newsweek, o uso dessa linguagem é bastante perceptível, "especialmente quando (o produto) é direcionado ao público jovem, na propaganda, em capas de livro, CDs, camisetas etc.". Rico vê forte ascendência da cultura urbana em geral - e do hip hop em particular - sobre seu estilo. "As pichações e grafites estão presentes em trabalhos que eu faço."

Essa intersecção entre áreas levou a uma mutação no jeito de se fazer grafite. Se de um lado a origem "artesanal" e única da inscrição no muro proliferou e perpetuou-se, de outro as possibilidades técnicas de manipulação e circulação da imagem abriram novas frentes.
Conhecida como stencil art, a técnica de criar uma "fôrma" sobre a qual o spray era aplicado, muito usada na década de 1980, desembocou nos stickers, adesivos desenvolvidos muitas vezes em computador, com imagens e/ou mensagens, encontráveis em postes, latas de lixo e telefones públicos de centros urbanos. A idéia? Disseminar o dedo visual do hip hop. Mas, também, estampar, com um grafismo peculiar e para todo mundo ver, que o hip hop ultrapassou qualquer gueto. Como se diz na quebrada: tá tudo dominado.


.
.
C=58980
.
.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

O Início da História - Atari

O INÍCIO DA HISTÓRIA - Atari



O mito nasceu em 1977. Foi nesse ano que a empresa criada por Nolan Bushnell levou às prateleiras o revolucionário Atari 2600. Era superior a qualquer coisa já inventada no mercado de diversões eletrônicas. O sucesso não foi imediato, é verdade. Só a partir da virada da década o videogame pegou para valer e fez da Warner - então dona da marca - a companhia com crescimento mais rápido da história americana.

Alguns jogos viraram clássicos instantâneos, como Pac-Man e Space Invaders. No Brasil, o console chegou no Natal de 1983. Enquanto curtíamos, atrasados, a febre do game, nos Estados Unidos a empresa já amargava prejuízos incríveis. Vendida, passou por várias mãos até sua atual proprietária decidir relançar, neste ano, o velho console (com 20 jogos embutidos) sob a alcunha de Atari Flashback.

Space Invaders

O desafio: Impedir uma invasão alienígena composta por fileiras de seres das mais variadas formas. O objetivo deles? Acabar com a vida em nosso planeta.

Suas armas: Uma nave retangular com um bico que cuspia projéteis. O tiro podia ser direcionado com o joystick após o disparo. Era um dos poucos jogos do Atari com uma manha secreta: o duplo tiro ficava disponível ao deixar o botão reset do videogame apertado quando o jogo era ligado. Só para iniciados.

ET

O desafio: O cabeçudo alienígena tinha de construir um telefone e entrar em contato com seu planeta natal. Criado para aproveitar a onda do filme de Steven Spielberg, é um clássico às avessas. Entrou para a história como o pior game já feito.

Suas armas: O fofinho E.T. mais parecia uma lombriga. Feito em 15 dias, o jogo foi um fiasco e ajudou a afundar ainda mais o barco da Atari. Um boato diz que a empresa enterrou, no deserto do Novo México, 5 milhões de cartuchos encalhados.

Enduro

O desafio: Dirigir na neve, de noite, com névoa... No primeiro dia de corrida era necessário ultrapassar 200 carros. Nos dias seguintes, 300. Há quem jure ter terminado o jogo e encontrado uma taça de campeão. Deve ser alucinação provocada por tanto tempo em frente à TV: poucos jogos de Atari tinham final.

Suas armas: Um possante que deixava dúvidas: se o jogo chamava Enduro, por que os carros pareciam com os de Fórmula 1? Apesar da incoerência, o game fez sucesso notório e ganhou mais de 20 versões.

Pac-man

O desafio: Fazer uma bolinha amarela engolir pílulas de energia e fugir de fantasmas. Pode ser simples, mas o jogo que veio dos fliperamas impulsionou fantasticamente a venda de consoles.

Suas armas: A gula insaciável do personagem principal. E só. Tanta falta de opção acabou dificultando seqüências para a série. A criatividade foi gasta com Sra. Pac-Man, com direito a cenário rosa-choque, e Pac- Man Jr., cuja única diferença era um boné na cabeça da bolinha amarela.

Pitfall!

O desafio: Enfrentar uma floresta repleta de escorpiões, lagos com crocodilos e buracos que abriam aleatoriamente. Foi assim que Pitfall! se tornou um dos melhores games da história. Eram 255 telas diferentes - um recorde para a época.

Suas armas: Nada de revólveres ou espadas. Pitfall Harry enfrentava perigos munido apenas de seu pulo. Como a série de desafios se repetia, fanáticos sabiam a seqüência de cor. Pitfall! ganhou uma continuação, Lost Caverns, com macacos, sapos venenosos e as tais cavernas. Dava até para nadar.

River raid

O desafio: Pilotar um avião amarelo rio acima, atirando em navios, helicópteros e outras malditas aeronaves que teimavam em atravessar sua frente no melhor estilo camicase.

Suas armas: Um indicador de combustível no pé da tela obrigava o jogador a passar por casinhas rosas e brancas que faziam as vezes de postos de abastecimento. Ficar sem gasolina era morte certa. Em 1988, uma segunda versão foi lançada pela Activision e uma empresa obscura de Taiwan chegou a fazer River Raid III.

Joystick
É impressionante: o Atari entrou para a história do videogame com um joystick que tinha apenas uma barra direcional e um botão de tiro. Seus equivalentes modernos têm até 15 opções de comando.

.
.
C=42780
.
.

sábado, 12 de março de 2011

Computador clássico de 8 bits ZX Spectrum será relançado em 2012

07/02/2011 19h26 - Atualizado em 07/02/2011 19h26

Computador clássico de 8 bits ZX Spectrum será relançado em 2012
Computador terá conexões Wi-Fi e Bluetooth e usará emulador de jogos.
Aparelho que faz 30 anos em 2012 possui legião de fãs.


O ZX Spectrum será relançado em 2012
(Foto: Divulgação)Para comemorar o aniversário de 30 anos de lançamento do antigo computador de 8 bits ZX Spectrum, uma empresa britânica Elite Systems irá relançar o aparelho no mercado em 2012.

A companhia que havia lançado games para o aparelho na década de 80 conseguiu os direitos para colocar o computador nas lojas, de acordo com reportagem do jornal inglês The Telegraph. Atualmente, o único meio de se jogar games da plataforma é por meio de aplicativos para iPhone e iPod touch, publicados pela própria Elite Systems.

O novo ZX Spectrum terá visual similar ao original, mas seu funcionamento será diferente. Em vez das placas e circuitos da época, o computador atuará como um emulador, terá teclado sem fios, terá conexão com o iPhone e com Wi-Fi e Bluetooth. Informações adicionais sobre o aparelho não foram reveladas pela Elite Systems e pela reportagem do Telegraph.

O ZX Spectrum foi lançado no Reino Unido em 1982 pela empresa Sinclair Research, sendo um dos computadores 8 bits mais populares da década. No Brasil, ele foi vendido como TK-90X, da Microdigital. Até hoje o aparelho possui uma legião de fãs e de colecionadores.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Larry King faz último programa e recebe o adeus de Obama e Clinton

17/12/2010 04h03 - Atualizado em 17/12/2010 07h06

Larry King faz último programa e recebe o adeus de Obama e Clinton
Apresentador comandou o ‘Larry King Live’ por mais de 25 anos.
Ele reaparecerá ocasionalmente em especiais na ‘CNN’.

Após mais de 25 anos no ar nos Estados Unidos, o programa “Larry King Live” chegou ao fim nesta quinta-feira (16), celebrado por várias estrelas, entre elas o presidente americano, Barack Obama, e o ex-presidente do país, Bill Clinton.

Larry King, visivelmente emocionado e com a voz embargada, agradeceu sobretudo a seus fãs: "Quero dizer a vocês, à audiência, obrigado! E em vez de adeus, que tal um até breve?".

O apresentador reaparecerá ocasionalmente na "CNN" para apresentar reportagens especiais.


Imagem de arquivo, o apresentador Larry King recebe o ex-presidente dos EUA, Bill Clinton. (Foto: Arquivo / Reuters)A última transmissão começou com uma emocionante montagem com alguns dos melhores momentos das entrevistas realizadas por King nos últimos 25 anos.

Durante o programa, co-apresentado por Ryan Seacrest e Bill Maher, foram veiculados discursos de jornalistas das principais emissoras dos EUA, como Barbara Walters, Katie Couric e Anderson Cooper, e de diversas personalidades, entre elas Donald Trump e Tony Bennett, que lhe dedicou a canção “The best is yet to come”.

Veterano apresentador Larry King pendura os suspensóriosApresentador Larry King anuncia fim de programa de TV após 25 anosParis Hilton dará primeira entrevista a Larry KingOs momentos de maior emoção, no entanto, foram proporcionados por Obama e Clinton.

“Se vai um dos grandes”, disse Obama em mensagem gravada. “Obrigado por estes 25 anos de conversas com os americanos. Dizem que só faz perguntas, mas as respostas que consegue nos surpreendem, nos informam e nos abrem os olhos. Obrigado e boa sorte”, acrescentou.

“Obrigado por todos estes anos. Você foi genial”, avaliou Clinton em discurso ao vivo.

No fim do programa, King apareceu com sua mulher e filhos. “Poucas vezes fiquei sem palavras na minha vida. Nunca imaginei que isto fosse durar tanto, nem que se transformaria no que é”, afirmou King nos momentos finais.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Uma viagem submarina - Beatles 1968

UMA VIAGEM SUBMARINA



EMBAIXO D´AGUA

Yellow Submarine, o filme, foi lançado em 1968. É um desenho animado psicodélico com trilha sonora e participação dos Beatles. Diferente de tudo que já havia sido feito em animação, ele se tornou um marco dos anos 60

O MAESTRO DE PEPPERLAND

Pepperland fica "a 80 mil léguas no fim do fundo do mar... ou no começo do fundo, a 18 mil léguas" - não se sabe ao certo. Seus habitantes são felizes e nunca se sentem solitários porque a brisa leva a toda parte o som da banda do Sargento Pepper

HELP

O paraíso surreal, porém, foi dominado pelos Maldosos Azuis, um exército de vilões que odeiam música e querem varrer Pepperland do mapa. Por isso, Fred, o capitão do submarino, foi até Liverpool pedir ajuda aos Beatles

COMO SAiMOS DAQUI?

No caminho de volta, eles enfrentaram oceanos assustadores e monstros terríveis e caíram no mar dos Buracos. "Onde fica a saída?", perguntou George. Um dos buracos os levou direto para Pepperland

LOVE LOVE LOVE
Lá, o quarteto se vestia com as roupas da banda do Sargento Pepper e salvou os habitantes fazendo os Maldosos Azuis dançarem. "All you need is love", cantava John. Até o líder dos vilões se juntou ao grupo

Sylvester Stallone entra para o Hall da Fama do Boxe Internacional

07/12/2010 19h28 - Atualizado em 07/12/2010 19h32

Sylvester Stallone entra para o Hall da Fama do Boxe Internacional
Também foram nomeados os campeões Mike Tyson e Julio Cesar Chavez.
Astro de 'Rocky' atuou, escreveu e dirigiu maioria dos filmes da série.


Sylvester Stallone em cena de 'Rocky Balboa', filme
mais recente da franquia, lançado em dezembro
de 2006 (Foto: Divulgação)O ator Sylvester Stallone, astro da série "Rocky", foi selecionado nesta terça-feira (7) para o Hall da Fama do Boxe Internacional. O intérprete do célebre Rocky Balboa, "o garanhão italiano", recebe a homenagem ao lado de gigantes do boxe profissional como Mike Tyson e Julio Cesar Chavez.

Também foram nomeados o campeão russo da categoria meio-médio Kostya Tszyu, o treinador mexicano Ignácio "Nacho" Beristain e o juiz Joe Cortez. Os nomes foram apontados pela Associação de Jornalistas de Boxe da América e historiadores dedicados ao esporte.

Além de protagonizar os filmes, Stallone é também o roteirista - e ocasionalmente diretor - dos seis longas-metragens da série "Rocky". O primeiro deles foi lançando em 1976 e venceu os Oscar de melhor filme, direção e edição.

O personagem Rocky Balboa é inspirado nos lutadores Chuck Wepner e no ítalo-americano Rocky Marciano, ídolo do esporte na década de 50.

sábado, 27 de novembro de 2010

Navajo Joe - Pistoleiro Implacavel - Filme

Navajo Joe - Pistoleiro Implacavel - Filme de 1966



Sinopse

Joe (Burt Reynolds, em um de seus primeiros papéis como protagonista) é o guerreiro Navajo que enfrenta sozinho o bando liderado por Duncan (Aldo Sambrell) após o massacre de sua aldeia. Demonstra certa crítica social abordando o tema dos índios. Trilha sonora épica de Ennio Morricone.

VISUALIZAÇÃO RAPIDA:

http://www.youtube.com/watch?v=qLDemFGdhuM


DOWNLOAD DO FILME LEGENDADO EM PORTUGUES:

http://www.4shared.com/file/SKCuiVJR/Joe-pistoleiro_implacavel.html

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Langsdorff: No coração do Brasil

LANGSDORFF: NO CORAÇÃO DO BRASIL



Um tempo de viagens clássicas. Assim pode ser definido o início do século 19. No Brasil, que mal começava a ocupar o território longe do litoral, um barão alemão que passara um quarto de século em expedições científicas pelo mundo - e trabalhava como cônsul da Rússia no Rio de Janeiro - se transformaria no mais importante explorador daquelas terras vastas e desconhecidas. Ele se chamava Jorge Henrique Langsdorff e seu sobrenome batizou a expedição russa que, de 1821 a 1829, revelaria aspectos totalmente ignorados da fauna, flora, geologia e geografia de nosso país.

Nos primeiros cinco anos, esse naturalista, etnógrafo e diplomata conheceu como poucos o interior das Minas Gerais, o Rio de Janeiro e o litoral de São Paulo. Nesta reportagem, você vai acompanhar a segunda (e mais importante) parte da Expedição Langsdorff: o percurso feito entre 1826 e 1828, de Porto Feliz, no interior paulista, a Santarém, no Pará. Foi, ao mesmo tempo, uma verdadeira aventura pelo coração do Brasil e a mais cuidadosa e bem preparada expedição que jamais cruzou o território nacional. Estudiosos e artistas puderam fazer contato com as populações locais, coletar plantas e bichos e retratar, em desenhos e pinturas, tudo o que se via pelo caminho. Descobertas que, logo nos primeiros anos, ajudariam a fixar, no exterior, a imagem de nosso país em seus primeiros anos de existência independente. Mas que em seguida seriam esquecidas, pois todos os registros acabariam perdidos nos arquivos da Academia de Ciências de Leningrado (hoje São Petersburgo), na Rússia - para ser reencontrados quase um século depois, em 1930.

Na hora da partida, em Porto Feliz, a equipe contava com 39 homens. Além de escravos, remadores e guias, havia astrônomo, botânico, cartógrafo, médico, zoólogo e três artistas: Johann Moritz Rugendas, Adrian Taunay (tio do futuro Visconde de Taunay) e Hércules Florence. Rugendas ficou com o grupo por uns poucos meses. Taunay morreu em janeiro de 1828, quando se afogou no Rio Guaporé, em Vila Bela (onde hoje é Rondônia). Florence, um francês de 22 anos, chegara ao Brasil dois anos antes. Naquele 22 de junho de 1826, todos partiram em duas grandes canoas cavadas em troncos grossos, três batelões e outras três embarcações menores. O destino: subir o rio Tietê até seu encontro com o Paraná, de lá seguir pelo Pardo, o Cuiabá, o Arinos e o Tapajós, para chegar a Santarém (veja no mapa da página 60 o percurso percorrido pela Expedição Langsdorff). "É difícil descrever essa maravilha da natureza, a rapidez com que aquela água se transforma em espuma branca e poeira. Junto às rochas, a terra treme. Nossos artistas, o senhor Taunay e o senhor Florence, fizeram alguns croquis. Mas a cena é muito grande e extensa; seriam necessárias várias semanas de estudo para representar todo o espetáculo num único retrato", escreveu o comandante em seu diário logo nos primeiros dias da viagem.

Em seus relatos, a emoção muitas vezes se sobrepõe aos objetivos científicos. Além de anotar informações como nomes de lugares, plantas, sementes e bichos, o barão reveria vários de seus pré-conceitos sobre os indígenas - e passaria a questionar e criticar o que via e sentia. A rotina era bastante simples: navegar, tomar notas, descer do barco para coletar materiais, caçar e explorar aquelas terras virgens. Acima de tudo, Langsdorff considerava que o mais importante era estreitar laços de amizade com a população. Foi assim que ele e sua equipe entraram em contato com inúmeras tribos indígenas. Acredita-se que a expedição foi a única a encontrar-se com os apiacás quando eles ainda eram numerosos.

Os últimos quilômetros até Cuiabá eram só descida. Primeiro, o rio Coxim, depois o Taquari e, enfim, uma cachoeira antes da cidade. No diário, Langsdorff relatou a festa que os tripulantes fizeram ao passar pelo local, "com uma salva de espingardas, danças e cantos". Era meados de dezembro quando a caravana entrou no rio Paraguai. Depois de um susto com os índios guaicurus, que atearam fogo na mata, o grupo foi para a outra margem, onde havia uma comunidade de negros, caburés, mestiços e índios. Logo depois do Natal, os expedicionários chegaram a Dourados. "No dia 26 de dezembro, ouvimos o latido de cães e o cantar dos galos. Que alegria!", comemorou Langsdorff. Em seguida apareceram canoas cheias de índios guatós, com quem todos conviveram algum tempo, antes de partir novamente. "Sem dúvida alguma é (o brasileiro) muito mais hospitaleiro do que qualquer outro da Europa. O viajante sabe que, em qualquer parte em que houver um morador, há de ser por ele acolhido e tratado." Graças a esses relatos costuma-se dizer que a expedição revelou um outro Brasil para o mundo.

Doença e morte

Logo após o encontro com os parecis, perto de Cuiabá, um dos integrantes da equipe voltou ao Rio de Janeiro, levando caixotes com bichos e plantas, relatórios e manuscritos, cartas e um maço de desenhos. Langsdorff, então, resolveu dividir o grupo em dois. Um, chefiado por ele, se embrenharia rumo ao norte por caminhos pouco conhecidos. O outro tentaria atingir o Amazonas descendo os rios Guaporé, Madeira e Mamoré. O ponto de encontro seria o Forte de São José, na barra do rio Negro (onde hoje é Manaus). Em janeiro, depois de visitar Casalvasco, na fronteira da Bolívia, Taunay chegou ao rio Guaporé sob forte chuva. Mesmo assim, resolveu atravessá-lo a nado, desaparecendo para sempre nas águas.

Percalços desse tipo eram comuns na época. Dos 39 integrantes que partiram de São Paulo, só 12 chegaram ao Pará. Doenças e desavenças fizeram com que vários ficassem pelo caminho - e outros tantos morressem. O próprio barão foi acometido de febre amarela e malária. Perdeu a memória em maio de 1828, às margens do rio Juruena. No dia 26 de março do ano seguinte, os sobreviventes da Expedição Langsdorff chegaram ao Rio de Janeiro no navio Dom Pedro I. Traziam o chefe, já em estado de loucura. Jorge Henrique de Langsdorff voltou para a Europa em 1830. Depois de mais 22 longos anos de agonia, morreu.
O percurso, que em sua versão original consumiu quase três anos, seria refeito por uma equipe de documentaristas, durante um mês em 1999. Nesse grupo estava Adriana Florence, tataraneta de Hércules - que também é artista plástica e teve a chance de desenhar alguns dos mesmos lugares em que seu antepassado francês havia estado. A paisagem acima mostra essa viagem no tempo. As outras imagens que ilustram estas páginas retratam esses dois momentos do Brasil. Terminada a viagem de barco, Adriana foi à Rússia ver os manuscritos de seu tataravô. "O que senti ao abrir o diário é inexplicável", escreveu ela no livro No Caminho da Expedição Langsdorff. "As folhas envelhecidas pelo tempo e o frescor de cada palavra, cada descrição minuciosa do que viveu. Reconheço os lugares enquanto leio sua narrativa precisa. Posso estar lá novamente. Vou me lembrando de cada passagem. Naquele momento somos um só."

Um país redescoberto

1. PORTO FELIZ

A expedição partiu de Porto Feliz, em junho de 1826, pelo rio Tietê. No caminho até Mato Grosso, cachoeiras e fazendas. Os índios apareciam nas tribos ou no meio da mata

2. CAMAPUÃ

Essa foi uma das fazendas que serviram de pouso. Todos tiveram contato com a pobreza, o trabalho escravo, as doenças e o descaso das autoridades com a população. Langsdorff doou várias sementes para hortas individuais e cuidou dos doentes

3. CUIABÁ

A chegada a Cuiabá, em janeiro de 1827, foi uma das grandes alegrias. A cidade ganhou muito espaço nos diários e nos desenhos dos artistas. Ao final da estadia, o grupo foi dividido em dois, para se reencontrar na barra do rio Negro

4. SANTARÉM
Aqui terminou a expedição, depois de mais de 13 mil quilômetros por cinco estados. Langsdorff, com malária, já não tinha mais como continuar o trabalho. Ficaram os relatos e desenhos de quase três anos de viagem

Índios e mais índios

Os xavantes, que Langsdorff cruzou quando descia o rio Tietê até Cuiabá, vivem hoje na serra do Roncador e em vales de rios no leste de Mato Grosso. Os caiapós habitam aldeias dispersas ao longo dos rios Iriri, Bacajá, Fresco e outros afluentes do Xingu, na mesma região em que a equipe de Langsdorff os encontrou. Considerados extintos por 40 anos, os guatós foram reencontrados no Pantanal Mato-Grossense, perto do município de Corumbá (MS). Os parecis viviam no planalto de Mato Grosso e eram freqüentemente escravizados pelos bandeirantes, no século 19. Um desses povos, os halítis, vive no oeste de Mato Grosso. Na língua nativa, "pátio da aldeia". Os índios dessa etnia, que ocupavam uma grande região de cerrado do Brasil Central, se limitam hoje a Mato Grosso. Conhecidos como guerreiros, os apiacás só perderam a língua e o modo de vida tradicional após dois séculos de contato com os não-índios. Hoje vivem em Mato Grosso e no Pará. Povo de tradição guerreira, os mundurucus dominavam culturalmente o vale do Tapajós. Hoje, luta para garantir a integridade de seu território.

Paixão pelo Brasil...

Grigory Ivanovitch von Langsdorff nasceu em abril de 1774 na Alemanha. Médico e naturalista, foi botânico da primeira expedição russa ao redor do planeta. Ao passar pelo Brasil, em 1804, encantou-se pelo país. Mudou de nome para Jorge Henrique em abril de 1813, ao assumir como cônsul-geral da Rússia no Rio de Janeiro. Hércules Florence nasceu em 1804 na França. Conhecedor das artes e da ciência e encantado pelos desafios das viagens, veio ao Brasil em 1824. Também se apaixonou à primeira vista. O grande encontro entre os dois se deu porque Langsdorff publicou um anúncio para contratar um desenhista disposto a participar de sua viagem fluvial pelo interior do país. Florence leu o anúncio, se candidatou e ficou com a vaga. A bordo, viraram grandes amigos. Ao final da expedição, porém, tiveram de se separar. Langsdorff, doente, voltou à Alemanha. Aposentado, foi viver em Freiburg, no sul daquele país, onde morreu em 1852. Florence, por sua vez, ficou no Brasil. Escolheu Campinas para viver o resto de sua vida. Em 1830, publicou, como resultado de suas observações durante a viagem, um estudo sobre o som produzido pelos animais, que chamou de Zoophonia. Nessa época também realizou experiências com fotografia, técnica da qual é reconhecido como um dos pioneiros. Morreu em 27 de março de 1879.