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sábado, 18 de agosto de 2018

Inocência - Parte 4 de 4 - Visconde de Taunay


Inocência - Parte 4 de 4 - Visconde de Taunay



        Exaltam-se e irritam-se os incômodos do espíritos, no momento em que o físico começa a
sofrer.
     
        Quando Cirino passou por aquelas campinas desabrigadas, abrasado de calor, desanimou
completamente do êxito da empresa a que se atirara. Tanta esperança o alvoroçara quando ia seguindo a vereda encoberta e amena, quanto desalento sentia agora; e, descoroçoado, deixava que o animal o fosse levando a passo vagaroso e como que identificado com a disposição de animo do cavaleiro.
     

Inocência - Parte 3 de 4 - Visconde de Taunay

     
Inocência - Parte 3 de 4 - Visconde de Taunay



     
        Assim, ao almoço, lembrou-se de perguntar entre duas enormes colheradas de feijão:
     
        -Sua filha, Sr. Pereira? Como vai? É melhor?
     
        -É melhor o quê, Mochu? exclamou o pai com modo esquivo.
     
        -A saúde dela é melhor?
     
        -Está melhor; está, está, respondeu Pereira muito secamente. Está boa... vai fazer uma
viagem...

Inocência - Parte 2 de 4 - Visconde de Taunay


Inocência - Parte 2 de 4 - Visconde de Taunay
     

     
         - É verdade? indagou Pereira, olhando para Meyer.
     
        Este esbugalhou mais os olhos e confirmou tudo com um sinal gutural que ecoou em toda a sala.
     
        -Ele o que tem, continuou José é que é muito teimoso. Eu lhe digo, sempre: Mochu, isto de viajar de noite é uma tolice e uma canseira à-toa... Qual! pensa lá no seu bestunto que assim é melhor. Também a gente anda por estas estradas afora como se fosse alma do outro mundo a penar... algum currupira... ou boitatá ... Cruzes!
     

Inocência - Parte 1 de 4 - Visconde de Taunay


Inocência - Parte 1 de 4 - Visconde de Taunay


Inocência é um romance regionalista brasileiro de Alfredo d'Escragnolle Taunay, dividido em 30 capítulos - que são introduzidos por uma citação - mais um epílogo.

Foi publicado em 1872 e retrata costumes, pessoas e ambientes do leste sul-mato-grossense (sertão), notadamente a cidade de Paranaíba e a frente colonizadora dos Garcia Leal.

Como o Romantismo estava em decadência na época em que a obra foi escrita, pode-se considerá-la de transição para o Naturalismo, devido a uma grande e infalível caracterização do homem como produto do meio, isto é, ele age de acordo com o tipo de vida que leva.