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sábado, 10 de abril de 2021

Pesquisadores do MIT conseguem fazer plantas de espinafre enviarem e-mails

Pesquisadores do MIT conseguem fazer plantas de espinafre enviarem e-mails

Um grupo de engenheiros do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) conseguiu fazer com que plantas de espinafre enviassem e-mails. 

domingo, 15 de novembro de 2020

"Repelentes de bruxas" são encontrados em ruínas de igreja medieval na Inglaterra

 "Repelentes de bruxas" são encontrados em ruínas de igreja medieval na Inglaterra

As ruínas de uma igreja medieval ressurgiram do solo durante as obras de construção de uma ferrovia na vila de Stoke Mandeville, na Inglaterra. 

terça-feira, 3 de novembro de 2020

D&D - Conheça os jogos que usam as regras do clássico RPG de mesa

D&D - Conheça os jogos que usam as regras do clássico RPG de mesa

Games eletrônicos já usaram bastante da fonte original do RPG mais famoso do mundo.

quinta-feira, 12 de março de 2020

Agência Espacial Europeia lança projeto para produzir oxigênio a partir do solo da Lua

Agência Espacial Europeia lança projeto para produzir oxigênio a partir do solo da Lua


A década de 2020 deve marcar a volta das missões espaciais para a Lua. 

sábado, 5 de maio de 2018

Estudo sugere que plantas comunicam-se entre si


Estudo sugere que plantas comunicam-se entre si


Um novo estudo sugere que as plantas possuem a capacidade de comunicar-se entre si. O trabalho mostra como elas monitoram sinais subterrâneos e reagem ao que acontece a sua volta, enviando sinais umas às outras. 

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Cientistas desvendam mistério dos gigantescos desenhos no solo do Acre


Cientistas desvendam mistério dos gigantescos desenhos no solo do Acre


Geoglifos foram cravados na Amazônia há mais de 2 mil anos!
Para grupo de pesquisadores finlandeses e brasileiros, desenhos milenares no solo do Acre têm origem em rituais espirituais.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

NASA revela descoberta de água em Marte


NASA revela descoberta de água em Marte


Sonda Curiosity encontrou moléculas de água ligadas a minerais do solo marciano; ainda não há evidências, porém, de moléculas orgânicas

A sonda Curiosity descobriu água no solo de Marte. Cientistas da NASA publicaram na revista Science os relatórios sobre a descoberta nesta quinta-feira, 26-09-2015. 

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

1000 Léguas Subterrâneas - Geologia


1 000 LÉGUAS SUBTERRÂNEAS - Geologia


Descobrir o que existe dentro do planeta Terra é bem mais difícil do que explorar o espaço sideral. Lá embaixo a temperatura e a pressão são insuportáveis. Agora, os cientistas conseguiram fazer a viagem no único veículo capaz dessa façanha, o supercomputador.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

A Terra Prometida


A TERRA PROMETIDA



Um dia, quando a tarefa de reconstrução estiver pronta, e a geografia do planeta estiver se tornando mais harmônica, limpa e racional, a grande conferência do Rio será lembrada como primeiro passo desta moderna peregrinação rumo a um mundo melhor. Pode-se ter a idéia da vasta agenda de trabalho, que agora começa a ser montada, com a ajuda do conjunto completo de tabelas e gráficos apresentado nas páginas seguintes.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

O Mundo se Agita - Geofísica


O MUNDO SE AGITA - Geofísica



Terremotos, erupções vulcânicas, secas e inundações abalam periodicamente a Terra. Por que isso acontece? Onde entra o homem nesse processo? É possível prevenir as catástrofes?

Os cientistas ainda não têm uma explicação acabada para o que vem acontecendo. Mas há sinais evidentes de que algo está mudando na superfície terrestre. A temperatura média global, em 1989, foi de 14,2 graus Celsius, a mais alta desde que se começou a fazer medições confiáveis, há 130 anos. Os cinco anos mais quentes deste século foram registrados na década de 80 e, segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOOA), dos Estados Unidos, houve um aumento de temperatura de 1,71 grau Celsius de 1900 até hoje. Apesar disso, a maioria dos climatologistas concorda que conclusões definitivas só poderão ser tiradas daqui a alguns anos, mas, de todo modo, é virtualmente cerco que essas variações têm a ver com a ação do homem.

O aquecimento do planeta, com efeito, parece estar diretamente relacionado ao efeito estufa, causado pelo aumento da concentração de dióxido de carbono na atmosfera. Isso ocorre, como se sabe, principalmente por causa da queima maciça de combustíveis fósseis, os derivados de petróleo. Além disso, os gases emitidos pela indústria estão aumentando nas camadas altas da atmosfera, o que contribui para o acréscimo da temperatura. Se, como prevêem os estudos científicos, a concentração de dióxido de carbono na atmosfera crescer duas vezes e meia até o ano 2075 e a emissão dos gases afanosos continuar no ritmo atual, a temperatura terrestre poderá elevar-se entre 5 e 16 graus. Seria uma calamidade pior do que qualquer outra já experimentada pela espécie humana desde seu aparecimento na face da Terra. As secas, as ondas de calor e os furacões seriam mais freqüentes e intensos, talvez subvertendo radicalmente o clima do mundo.

Mas é preciso cautela com essas hipóteses, alerta o meteorologista Paulo Marques dos Santos, do Instituto Astronômico e Geofísico da Universidade de São Paulo. Ressalva ele: "Ainda não foi possível manter o acompanhamento do que se passa com a atmosfera em todos os pontos ao redor do planeta ao mesmo tempo". E questiona: "Será que somente a quantidade de gás carbônico que o homem lança no ar teria realmente o poder de provocar tantas mudanças? Elas podem ser parte de algum ciclo climático ainda desconhecido". Todas essas circunstâncias só fazem aumentar o interesse pelas catástrofes naturais e o que elas podem ensinar sobre as forças inerentes ao planeta. Por isso a atenção se volta não apenas para as desgraças causadas por fenômenos climáticos- como secas, inundações, incêndios florestais -, mas também para aquelas que se relacionam com a dinâmica íntima da Terra: terremotos, erupções vulcânicas, erosões.

É preciso considerar ainda a relação que pode existir entre os fenômenos da natureza e os desastres que o homem desencadeia. "As perdas que se devem a catástrofes naturais estão crescendo como resultado do aumento da população e de sua concentração em áreas urbanas vulneráveis", aponta Frank Press, presidente da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos. "Durante os últimos vinte anos, esses desastres causaram quase 3 milhões de vítimas e afetaram 800 milhões de pessoas em todo o mundo", contabiliza. Não que a freqüência dessas catástrofes tenha aumentado nos últimos anos. "A ocorrência dos desastres naturais parece ser aproximadamente a mesma do passado", compara por sua vez o pesquisador Keillis-Berek, da Academia de Ciências da União Soviética. "O que acontece é que agora causam danos maiores por três motivos fundamentais: a explosão demográfica, a proliferação de grandes edificações e a desestabilização do solo nas metrópoles."

Essa situação alarmante levou a ONU a proclamar os anos 90 como a Década Internacional para a Redução dos Desastres Naturais. O apelo à cooperação internacional nessa área crítica pode produzir resultados concretos, eventualmente atenuando as conseqüências de um terremoto, por exemplo. Os terremotos, como se sabe, têm suas origens nos movimentos das placas tectônicas-imensos blocos de rocha rígida -que se deslocam sobre a astenosfera, a camada menos rígida do manto, que fica logo abaixo da superfície da Terra. "É muito difícil saber com precisão quando um sismo vai ocorrer", diz o professor Igor Pacca, do Instituto Astronômico e Geofísico da USP. "Um dos caminhos é observar continuamente os abalos que ocorrem em determinada região, fazendo o que se chama monitoramento sísmico, estando-se alerta a qualquer mudança na atividade desses abalos."

Em fevereiro de 1975, na região de Liaoning, China, a terra tremeu, mas causou um número reduzido de vítimas. Isso porque, além do acompanhamento científico, os chineses se valeram de um interessante recurso para se prevenir, observaram antes do abalo que os animais estavam completamente desorientados. O mesmo, porém, já não ocorreu no ano seguinte, quando, segundo dados oficiais, morreram 242 000 pessoas num terremoto em Tangshan, também na China.Na verdade, esse país, bem como o Japão, o Irã, o Afeganistão, as Filipinas, a Indonésia, a costa do Pacífico nas Américas, a Turquia e a Nova Zelândia são as principais zonas sujeitas a tremores de terra. As erupções vulcânicas  têm a mesma origem dos terremotos: os movimentos das placas tetônicas. Os efeitos, naturalmente, variam. A erupção do Vulcão Kilauea no Havaí, em 1987, foi suave perto da destruição causada pelo Nevado del Ruiz, na Colômbia, em 1985, quando 23 000 pessoas morreram e a cidade de Armero foi varrida do mapa.

A razão principal da tragédia foi a mistura de lava, gelo e barro, que se transformou em verdadeiro, arrasando os lugares por onde passava. Um rio de lava pode alcançar velocidades de até 100 quilômetros por hora e percorrer centenas de quilômetros. Ele se forma quando a erupção do vulcão derrete a neve em volta da cratera. Tanto os terremotos quanto as erupções vulcânicas submarinas podem provocar os tsunamis-gigantescas ondas de até 50 metros de altura que se deslocam a cerca de 200 metros por segundo, o equivalente a 720 quilômetros por hora, mais depressa do que um avião a hélice.

A explosão do Krakatoa, na Indonésia, em 1883, levantou tsunamis que arrasaram as ilhas de Java e Sumatra e três centenas de aldeias e vilarejos.

Os furacões ou tufões também são devastadores: ventos com velocidades acima de 100 quilômetros horários se originam no mar, devido ao encontro de duas massas de ar com temperaturas diferentes. Gera-se então um ciclone, núcleo de baixa pressão, com fortes ventos que provocam vagalhões, muralhas de água com mais de 10 metros de altura. Estas, muitas vezes, chegam a alcançar a costa, espalhando destruição. A mesma queda de pressão capaz de elevar violentamente o nível das águas do mar pode formar em terra os tornados: ventos de até 500 quilômetros por hora, que arrancam árvores e casas. Dependendo do lugar onde aparecem, esses fenômenos recebem nomes diferentes: furacões, nos Estados Unidos, onde costumam ocorrer de julho a outubro; tufões, que surgem entre julho e outubro na China; ciclones, na Índia, de abril a junho e de setembro a dezembro; ciclones tropicais, entre dezembro e março nas Filipinas; willy-willies de dezembro a março na Austrália. O costume de pôr nomes nessas tempestades tropicais começou por volta de 1900, quando um meteorologista batizou os willy-willies com nomes de pessoas de quem não gostava. Desde a Segunda Guerra Mundial, os furacões passaram a receber nomes femininos, porque seriam tão imprevisíveis quanto as mulheres. O feminismo acabou com essa moda. Os dois últimos furacões que assolaram o Caribe foram chamados Gilberto e Hugo-e seus efeitos não foram tão imprevisíveis assim, graças à defecção proporcionada por satélites artificiais. Junto com os furacões, chegam as chuvas torrenciais e as inundações, agravadas às vezes, por alterações causadas pelo homem na superfície terrestre. Entre 1980 e 1985, as inundações afetaram quase 200 milhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, em 1983, dez dias de chuvas intensas causaram cheias que atingiram os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, deixando desabrigadas 400 000 pessoas.

Os deslizamentos de terra nas zonas montanhosas, provocados pelas chuvas, são especialmente numerosos e destrutivos nas áreas mais povoadas dos países do Terceiro Mundo, porque não se faz o planejamento do uso do solo. Em fevereiro de 1988, por exemplo, a cidade fluminense de Petrópolis ficou semidestruída pelos desabamentos ocorridos nos morros depois de chuvas intensas. Além da terra, do vento e da água, o fogo também pode se tornar um inimigo difícil de ser combatido. Os incêndios florestais de origem natural atuam como mecanismos de controle e de regulação das matas -algo muito diverso dos efeitos do fogo ateado pelo homem. No Brasil, as queimadas na Amazônia destinadas a incorporar à pecuária novas extensões de terra têm sido um escândalo internacional. Segundo dados recentes do Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE), o Pará é a maior vítima: já perdeu 11% de sua cobertura vegetal.

A capa vegetal do planeta, mais precisamente as selvas e florestas, tem importante missão a cumprir, regulando o regime de chuvas e o clima. Também mantém os solos compactos e firmes, favorecendo a circulação das águas e impedindo a erosão, grande inimiga desses ecossistemas. Com os incêndios, o equilíbrio se rompe, os solos se desnudam e ficam frágeis. Se essa situação se prolongar, o ambiente fresco e úmido da floresta se tornará aos poucos tórrido e seco. O Deserto do Saara foi há 70 milhões de anos uma exuberante floresta . A desertificação é um fenômeno complexo no qual influem alguns fatores como o clima e a atividade humana. Esse conjunto de interações provoca a drástica diminuição das chuvas durante prolongados períodos de tempo. A evaporação e a diminuição do fluxo das correntes de água acabam por transformar a região em deserto.

Sobretudo na África, as secas se intensificaram ao longo do século por causa do desmatamento. As instituições internacionais deram o alarme desde o início do processo, não só pelas conseqüências imediatas sobre o meio ambiente, mas também porque as secas propiciam o aparecimento de um dos desastres naturais mais temidos pelo homem: as pragas de insetos, sobretudo gafanhotos. Esses vorazes devoradores de vegetais sobrevivem em áreas distantes e semidesérticas, onde é muito difícil localizá-los e combatê-los. Dali, se lançam periodicamente ao ataque. Alguns enxames chegam a concentrar 100 milhões de indivíduos. Arrasam tudo: pastos e cultivos, flores, frutos e sementes, deixando atrás de si um rastro de desolação. A agricultura, o gado, a ecologia florestal demoram anos para se recuperar. A última invasão de gafanhotos no Norte da África, na primavera de 1988, formou uma nuvem que chegou a 35 quilômetros. Temeu-se que a praga pudesse alcançar o sul da Europa. Felizmente, esse exército devorador foi contido antes disso.

Os desastres naturais representam uma ameaça crescente para a população humana, que não cessa de crescer, e para os bens materiais que ela produz. No início do século, a Terra era habitada por 1,6 bilhão de pessoas. Hoje, esse número cresceu para 5,3 bilhões e prevê-se que, daqui a cinqüenta anos, a cifra se eleve a 12 bilhões. Se as forças naturais seguirem atuando no mesmo ritmo, o risco de perdas de vidas humanas pode duplicar. Essa é a principal motivação da campanha da ONU para reduzir os efeitos dos desastres naturais. O planejamento do futuro requer uma série de medidas que permitam identificar as zonas mais vulneráveis, organizar melhor o uso do solo, aperfeiçoar o fornecimento de serviços essenciais como água encanada, gás e eletricidade, fazer construções capazes de resistir ao desgaste de seus componentes. E, sobretudo educar as populações para torná-las aptas a se autoproteger e colaborar eficazmente nos trabalhos de salvamento e reconstrução.


sexta-feira, 26 de outubro de 2012

A dura vida das Formigas - Natureza


A DURA VIDA DAS FORMIGAS - Natureza



Elas destroem lavouras, mas também revolvem a terra e defendem sua fertilidade.
Com uma refinada organização social, não cessam de maravilhar os pesquisadores.

"Ou o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil", dizia na década de 40 uma campanha do Ministério da Agricultura. Desnecessário dizer que não aconteceu nem uma coisa nem outra, mas o ultimato, proferido originalmente em 1822 pelo naturalista francês August Saint-Hilaire (1779-1853) dá idéia da guerra sem quartel entre duas formas de vida muito bem organizadas: os homens e as formigas. Algumas vezes a preocupação das pessoas com os danos provocados pelas saúvas - rachaduras e buracos em leitos de estradas e em barragens, além de intensa retalhação das lavouras - desemboca em filmes com a pretensão de horrorizar, como Formigas gigantes, de 1977, em que insetos radioativos se transformam em monstros enormes. Mas, felizmente, a inquietação com os estragos provocados por tais formigas também serviu de estímulo a estudos cuidadosos sobre as saúvas e sua eficiente organização social. 
De fato, entre todos os insetos, as formigas são os mais evoluídos, dotadas de extraordinária capacidade de adaptação a qualquer ambiente, com estratégias de sobrevivência baseadas numa divisão de trabalho que deixaria embasbacado um administrador de empresas. Não é à toa que as formigas tenham sobrevivido, com poucas mudanças, a mais de 100 milhões de anos de vida como espécies. Os fósseis mais antigos, encontrados em âmbar, uma resina vegetal, no Mar Báltico no norte da Europa, provam que a sua atividade agrícola começou muito antes de o homem aparecer sobre a face do planeta. Entre as mais de 1 000 espécies existentes no Brasil, as saúvas, especificamente, podem ser encontradas em toda parte, supondo-se que existam algo como 3 bilhões de indivíduos (ou 23 para cada habitante) distribuídos em 300 milhões de colônias.
Elas atraíram a atenção do paulista Mário Autuori (1907-1982), que dedicou mais de cinqüenta anos de vida a pesquisá-las. Autodidata, Autuori foi o criador de um tipo de viveiro de formigas utilizado até hoje no mundo inteiro para se observar seu trabalho subterrâneo. Diretor do Zoológico de São Paulo durante 28 anos, ele se tornou conhecido do grande público em 1976, quando participou de um programa de auditório na Rede Globo, respondendo a questões sobre formigas. Junto com as abelhas e as vespas, as formigas formam a grande ordem Hymenoptera (do grego hymen, membrana, e pteron, asa) com mais de 8 000 espécies, entre elas as onze do gênero Atta - as saúvas propriamente ditas. Estas podem ser identificadas por apresentar três pares de espinhos sobre o tórax; algumas ainda possuem um cheiro semelhante ao do limão, facilmente reconhecido por quem quer que as esmague.
O que a maioria das pessoas conhece da vida das saúvas é o que podem observar nas trilhas superpovoadas de trabalhadoras carregando folhas para o interior do ninho. Pode-se ouvir o ruído do trabalho das possantes mandíbulas das operárias cortadeiras, que chegam a medir 7 milímetros, derrubando grandes pedaços de folhas no solo. Na verdade, elas constituem os principais herbívoros dos trópicos americanos, consumindo mais vegetação do que mamíferos, lagartos ou besouros. As saúvas podem cortar entre 12% e 17% das folhas e flores produzidas nas florestas tropicais, assim como 2 milhões de toneladas de cana por safra e grande quantidade de gramíneas em terrenos abertos - dez formigueiros consomem por dia 210 quilos de capim.
As cortadeiras, vulneráveis ao ataque de um tipo de mosca que se especializou em pôr ovos sobre seu abdômen, são obrigadas a pedir ajuda a operárias menores, que viajam de carona nas suas costas, afugentando o inseto ao agitar no ar o último par de patas. Enquanto algumas cortam, outras operárias carregam o que cai ao chão, erguendo pesos várias vezes superiores ao de seu próprio corpo. No caminho de casa, as transportadoras formam uma trilha de secreção de certos perfumes, guardada por colegas maiores, que chegam a atingir 17 milímetros. São as trilhas de feromônios, que indicam por meio de um código de cheiro a quantidade de alimento presente, a distância e o número de operárias que devem se dirigir para lá. Os odores que caracterizam o sauveiro servem, ainda, de identidade química aos guardas das várias entradas do ninho - os olheiros. Verdadeiros leões-de-chácara, eles não hesitam em matar uma saúva de outro formigueiro, portanto com cheiro diferente, que se aventure por uma das trilhas rumo ao interior do ninho. Formando um exército que pode chegar a 1 000 indivíduos num único formigueiro os guardas agem também como os burocratas da casa, controlando a entrada de material vegetal e o trabalho das operárias na formação de pontos de ventilação e na retirada de grãos de terra do interior.
Grandes sauveiros podem ser facilmente identificados pelos montes de terra que acumulam na superfície, chegando a 7 metros de diâmetro e cerca de 1 metro de altura. Endurecidos como um verdadeiro telhado de barro, esses montes atraem de longe a atenção de tatus e tamanduás, cujo prato predileto - e invariável o ano inteiro - são precisamente as formigas. Outros bichos preferem esperar a época da primavera, quando as formigas aladas encarregadas da reprodução (conhecidas como içás ou tanajuras, no caso das fêmeas, e bitus, os machos) começam a revoada de acasalamento.
Pardais, bem-te-vis, lagartos, sapos, alguns besouros e também o homem incluem esses suculentos insetos em suas dietas. "Os índios tupis já preparavam há centenas de anos as ycobas (içás), palavra que significa gordura, devido ao abdômen cheio de ovos", informa o zoólogo Nélson Papavero, no livro Insetos no folclore. "Eram torradas como amendoim, moqueadas e servidas com molho de tucupi bem apimentado ou então assadas em paçoca com farinha de mandioca", descreve Papavero. Ainda segundo ele, alguns grupos indígenas usam também as gigantes saúvas-soldados como grampos para ligar as bordas de cortes na pele. A aplicação é simples: colocam as formigas para morder a ferida e arrancam seus corpos, ficando a cabeça presa ao ferimento para auxiliar a cicatrização.
Justamente para evitar os predadores, as saúvas preferem fazer o corte de folhas à noite. Mas também é possível vê-las trabalhar durante o dia, caso pressintam, por mecanismos ainda desconhecidos, a chegada de chuvas no entardecer. Durante as tempestades, as incansáveis formigas finalmente param de trabalhar para se proteger no interior dos ninhos que, embora feitos de terra, não ficam completamente inundados. As câmaras internas ou panelas, como se denominam os grandes salões no interior do sauveiro, são dispostos lateralmente aos túneis de forma a evitar que sejam destruídos pelas grandes chuvas. Como nos diversos ambientes de uma residência humana, em cada panela pratica-se um tipo de atividade diferente.
No que se poderia chamar de cozinha ou horta comunitária cultiva-se um fungo para a alimentação de toda a colônia; nos quartos funciona um tipo de berçário para os ovos das saúvas, também criados em meio ao fungo, e em outras dependências funcionam o lixão e o cemitério. O fungo que serve de alimento às formigas, o Pholiota gonglyophora, por sinal, só pode ser encontrado em panelas. Ali, operárias jardineiras, medindo de 2 a 3 milímetros, picam em partes cada vez menores os pedaços de folhas que chegam, as quais são implantadas nas esponjas de fungos, que as utilizam como alimento.
Além disso, as jardineiras retiram constantemente pedaços mortos do fungo, assim como folhas secas, e mantêm as condições climáticas ideais para o desenvolvimento do fungo - 22ºC e umidade de 80%. Longe desses cuidados, o Pholiota  raramente sobrevive mas em compensação, sem sua capacidade de digerir a celulose e outras substâncias tóxicas dos vegetais, as formigas tampouco sobreviveriam. Somente as crias não são alimentadas pelos chamados corpos de frutificação que se originam das massas esponjosas de fungos. Os ovos e larvas do sauveiro são depositados também nessas massas, mas recebem ovos de alimentação postos pela rainha, que se compõem de substâncias nutritivas especiais.
Colocando centenas de ovos por dia durante os vinte anos de vida útil, a rainha, que pode chegar a 2,5 centímetros de comprimento, tem ainda a função de produzir o feromônio característico do sauveiro, o perfume que mantém a família unida. Dentro desse formigueiro, os insetos que se desenvolverem na seqüência de ovo para larva, ninfa e adulto terão assim o mesmo cheiro, mesmo que não sejam formigas. É o caso de uma espécie de besouro que deposita os ovos nas panelas de lixo dos sauveiros, onde são jogados os ovos que não se desenvolvem, as folhas secas, os pedaços de fungo e as operárias mortas. As larvas do besouro, que incorporaram o cheiro do lixo, se alimentam durante o crescimento desses restos ricos em nutrientes, sem serem incomodadas pelas formigas.
Não só outros insetos se beneficiam desse lixo, mas os próprios vegetais ganham um adubo natural para a terra próxima ao sauveiro. As saúvas, portanto exercem um importante papel ecológico juntamente com os fungos, acelerando a reciclagem dos nutrientes das plantas, que tornam ao solo para serem novamente aproveitados. Em certo sentido, isso significa que as formigas não são criaturas tão insignificantes quanto se possa pensar. Afinal, o que conta não é o indivíduo e sim a colônia inteira, uma sociedade organizada e integrada nos ciclos de vida da natureza. Para os entomologistas modernos, ao contrário do que temia o zeloso Saint-Hilaire, acabar com a saúva pode ser o mesmo que acabar com o Brasil. 

Um mundo de formigas

Se todos os animais terrestres fossem colocados numa balança, 1/10 do peso - cerca de 900 000 toneladas - seria representado por formigas, um inseto com menos de um milionésimo da massa de um ser humano. Isso significa que a população de formigas é maior que a de todas as aves, répteis e anfíbios juntos, sendo estimada em torno de 10 quintilhões de indivíduos (o número 1 seguido de dezenove zeros). "Mas não é pelo peso ou pelo número que as formigas devem ser distinguidas", lembra o entomologista americano Edgard Wilson, da Universidade Harvard. "O desaparecimento desses insetos poderia levar à extinção milhares de espécies, desestabilizando a maioria dos ecossistemas." Junto com seu colega Bert Hölldobler, Wilson publicou recentemente nos Estados Unidos o alentado livro Ants (Formigas), logo aclamado como um clássico, em que analisa o comportamento de seus bichinhos preferidos e aponta várias peculiaridades de sua organização social. 
Com exceção dos pólos gelados, ele encontrou formigas de 1 milímetro a 2,5 centímetros em toda parte, incluindo os áridos desertos. Juntamente com os cupins, cerca de 8 800 espécies já descritas (das 20 000 que se suspeita existirem), agrupadas em 297 gêneros, cavoucam o solo, enriquecendo-o por drenagem e aeração. Além disso, são grandes disseminadoras de sementes de plantas e ainda faxineiras que comem até 90% dos cadáveres de pequenos animais. Todos esses trabalhos são levados muito a sério. Para começar, nada de sexo - atividade exclusiva das rainhas. As trabalhadoras devem se limitar a fazer a parte que lhes toca para conservar o lar comunitário e garantir a propagação dos genes de sua parenta privilegiada. Assim, para realizar suas funções com plena eficiência, cada uma se especializa ao máximo, mudando a própria anatomia. Os soldados são fêmeas que trocaram os órgãos reprodutores por um abdômen cheio de armas biológicas. O gênero asiático Camponotus, por exemplo, é uma verdadeira bomba, que rompe o próprio corpo para lançar veneno sobre os adversários.
As lava-pés, como são conhecidas as Solenopsis invicta nativas do sul do Brasil, tem um veneno forte que causa sensação de queimadura. Elas associam-se em colônias protegidas por um contingente de até 100 000 soldados. Longe de casa, são capazes de unir-se rapidamente para o combate por meio de ordens químicas. As formigas, por sinal, dominam uma linguagem química complexa. Uma colônia comum pode farejar no ar 1 trilionésimo de grama de uma dúzia de sinais de cheiros diferentes, de acordo com os feromônios secretados no solo por várias glândulas. É desse modo que uma operária indica a outra companheira o caminho até um inseto morto. Mas o talento das formigas como químicas tem seu melhor exemplo na Oecophylla, a formiga-tecelã que vive em árvores. Presentes em abundância nas florestas da África e no sudoeste da Ásia, elas se utilizam da seda produzida pelas larvas para ligar folhas e galhos, formando grandes e seguros pavilhões aéreos, que funcionam como as teias das aranhas.
De volta ao chão, o entomologista Wilson encontrou supercolônias com formigueiros de até 6 metros de profundidade espalhados em áreas de quase 3 quilômetros quadrados. Ali, ele calculou, vivem durante mais de dez anos cerca de 1 milhão de operárias, muitas vezes procedentes de diferentes colônias de várias espécies, escravizadas pela colônia original. As maiores escravagistas são as formigas amazonas, mestras em atacar outras colegas; tão dependentes de suas escravas, nem sequer sabem conseguir comida.

Que bicho é esse?

A formiga de ponta a ponta.

1. Cabeça - abriga o cérebro e os órgãos dos sentidos    
2. Ocelos - órgão estimulador da visão, percebe luz e formas
3. Olhos compostos - responsáveis pela visão de cores e formas 
4. Antenas - responsáveis pelo olfato
5. Mandíbulas - funcionam como as mãos humanas, cortando, mordendo e furando
6. Tórax - ponto de articulação das patas (usadas para locomoção e percepção de sons), compreende o sistema digestivo, composto de intestino, estômago social (que ocupa quase 4/5 do tórax e é o reservatório vivo de alimento para algumas espécies) e mais dois estômagos parecidos com os dos ruminantes
7. Abdômen - local das glândulas de cheiro, respiração traqueal, coração, intestino, células filtradoras de substâncias tóxicas, órgãos reprodutores (na rainha) e ferrão (em algumas espécies)