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terça-feira, 5 de abril de 2022

5 avanços científicos que devem acontecer em 2022

5 avanços científicos que devem acontecer em 2022

Missões espaciais à Lua e Marte, vacinas e física de partículas estão entre os destaques.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

A surpreendente história da mulher que foi precursora das vacinas, mas acabou esquecida

A surpreendente história da mulher que foi precursora das vacinas, mas acabou esquecida

Lady Mary Wortley Montagu apresentou ao ocidente um método de inoculação contra varíola.

quinta-feira, 22 de julho de 2021

Humanidade enfrentou epidemia de coronavírus há 20 mil anos

Humanidade enfrentou epidemia de coronavírus há 20 mil anos

A disseminação da doença foi tão arrasadora que deixou marcas evolutivas presentes até hoje no DNA humano.

sexta-feira, 22 de março de 2019

Postagens Populares - Março de 2019

Postagens Populares - Março de 2019



Segue abaixo as postagens mais populares em março de 2019, as mais visitadas neste BLOG neste mês, as mais comentadas nos grupos.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

'Vacina' elimina tumores até em casos de metástases em roedores


'Vacina' elimina tumores até em casos de metástases em roedores

Ronald Levy (esquerda) e Idit Sagiv-Barfi coordenaram o estudo que descobriu nova técnica de combate ao câncer - Steve Fisch / Divulgação da Universidade de Stanford


Pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, desenvolveram uma técnica de combate ao câncer que funciona como uma espécie de vacina. 

segunda-feira, 20 de junho de 2016

7 Pessoas que (literalmente) salvaram o mundo


7 Pessoas que (literalmente) salvaram o mundo


Super-Homem, X-Men, Batman… O que não faltam são super-heróis que têm como tarefa constante salvar esse pobre planetinha azul. Ainda que na vida real seja mais difícil encontrar esses indivíduos que, sozinhos, conseguiram mudar muita coisa, isso não é impossível. 

Abaixo contamos as história de sete pessoas que tiveram seus dias de heróis contemporâneos.


sexta-feira, 21 de novembro de 2014

O método anticoncepcional que custa apenas um dólar


O método anticoncepcional que custa apenas um dólar


O novo anticoncepcional fácil de usar estará disponível para mulheres de países mais pobres por apenas US$ 1

Um acordo fechado recentemente vai disponibilizar para mulheres dos 69 países mais pobres do mundo injeções de anticoncepcionais que custam apenas US$ 1 (cerca de R$ 2,57).

sábado, 26 de abril de 2014

Vacinas do Futuro - Medicina


VACINAS DO FUTURO - Medicina


Imagine ficar protegido, de uma só vez, contra todo tipo de doença. E, melhor, sem ter que tomar injeção. É isso o que está se tentando, com técnicas experimentais. As pesquisas podem até levar à descoberta de uma fórmula antiAids.

segunda-feira, 31 de março de 2014

A Revolta da Vacina - História do Brasil

A REVOLTA DA VACINA - História do Brasil


Oswaldo Cruz queria livrar o Rio de Janeiro da varíola. Mas na primeira campanha de vacinação, há 90 anos, a cidade virou um campo de batalha.


sábado, 26 de outubro de 2013

Amargo Regresso - Medicina


AMARGO REGRESSO - Medicina


Os povos mais saudáveis e bem cuidados do planeta estão sob o assédio de doenças que pareciam controladas há décadas, e eram vistas quase como exclusivas das regiões pobres.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Carlos Chagas - História sem Fim


CARLOS CHAGAS: HISTÓRIA SEM FIM



Apaixonado pelo trabalho, dono de uma personalidade exuberante, o médico Carlos Chagas delineou o quadro completo de um mal que, no mundo inteiro, ficou conhecido pelo seu nome - a doença de Chagas

Descobrir uma doença já bastaria para destacar um pesquisador. Mas apenas um cientista extraordinário revelaria sozinho, além de uma doença nova, seus sintomas, sua causa e suas formas de transmissão. Pois esse longo e minucioso trabalho foi realizado, no inicio deste século, pelo médico mineiro Carlos Chagas, o descobridor do mal que hoje, em todo o mundo, é conhecido pelo seu nome e que só no Brasil, reúne cerca de 12 miIhões de vítimas. Sua investigação é ainda mais peculiar por ter sido feita às avessas da maioria dos estudos em Medicina, que normalmente parte da constatação de uma doença para então, ir atrás dos agentes causadores. Chagas, ao contrário, chegou à realidade de mal partindo de uma observação corriqueira - a de que um estranho inseto costumava picar o rosto das pessoas. 

Se fosse seguir os desígnios da familia, Carlos Chagas teria sido engenheiro. Nascido em 9 de julho de 1879, Carlos Ribeiro Justiniano das Chagas passou o inicio da infância na Fazenda Bom Retiro, na cidadezinha mineira de Oliveira. Quando o menino não tinha ainda 5 anos, o pai morreu, deixando uma viúva de 24 anos de idade, quatro filhos e uma fazenda por pagar. As dificuldades financeiras obrigaram a mãe de Carlos Chagas a mandá-lo, com 7 anos, para o Colégio dos Jesuítas, em Itu, no interior de São Paulo, pois ali a matrícula era grátis. Mas o garoto ficou menos de dois anos por lá.No dia 13 de maio de 1 888, ao saber que a princesa Isabel abolira a escravatura, ele fantasiou que a mãe estava tendo problemas com os negros da fazenda. E, aí, por um dos traços marcantes de sua personalidade - a determinação - explodiu: ele fugiu da escola para "salvar" a mãe. Em poucas horas foi capturado, mas depois de mostrar sua tristeza por viver longe da família acabou voltando para Minas Gerais. Começou a cursar, então, a já famosa Escola de Minas, em Ouro Preto. Em 1895, no entanto, um ataque de beribéri o levou de volta a Oliveira. Ali, encontrou o tio, Carlos Ribeiro de Castro, que acabara de chegar do Rio de Janeiro e instalara uma clínica cirúrgica na cidadezinha. Encontrou, também, sua vocação: a Medicina e a Biologia.Assim, já em 1896, aos 17 anos, ele ingressou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Na casa onde morava com outros colegas, Carlos Chagas estudava à luz de velas-metódico, todas as noites ele só fechava os livros depois de consumir duas delas. Ainda estudante, ele tornou-se assistente do professor Francisco Fajardo, no curso de malária. Nesse tempo, também, grassava a epidemia de febre amarela, no Rio. Chagas acompanhava, sempre que podia, um de seus professores prediletos, Miguel Couto, em suas andanças pelos hospitais. Ele varava noites à beira de um leito quando sabia que um doente vivia longe da família.Ao contrário da imagem que se faz de um cientista - uma pessoa séria, sisuda, com o livro sempre grudado no nariz -, Chagas era exuberante, impetuoso, vibrante, e se apaixonava pelo que fazia. Em 1902, ainda sem saber direito que especialidade seguir, ele foi se aconselhar com Miguel Couto. Como o ex-aluno acabara de escrever uma tese sobre malária, o velho professor Ihe indicou um jovem médico recém chegado do Instituto Pasteur, em Paris, que começava a criar a Medicina Experimental no Brasil: Oswaldo Cruz. Na mesma época, Chagas passou algum tempo trabalhando no então recém criado Instituto de Manguinhos (hoje Instituto Oswaldo Cruz), mas recusou a oferta para se empregar ali. Ele preferiu aceitar um pequeno posto no Hospital dos Pestosos, em Jurujuba, na periferia do Rio de Janeiro, e abriu um consultório. Ironicamente, essa opção teve um simples motivo: Chagas acreditava não ter dons para a investigação experimental.Contudo, três anos mais tarde, em 1905, o salário do hospital e a renda do consultório já não eram suficientes pois Chagas estava casado com dona Íris e tinha um filho, Evandro. Por isso, aceitou o convite de Francisco Fajardo para trabalhar em uma campanha de profilaxia da malária na Companhia das Docas de Santos. Assim, aos 26 anos, ele deixou a família no Rio de Janeiro, para atuar na primeira campanha de profilaxia bem- sucedida no Brasil. De volta ao Rio, o cientista passou a integrar a equipe de Manguinhos, para disparar uma campanha semelhante na Baixada Fluminense. É quando cunha uma frase que se tornaria célebre: "A malária é adquirida nos domicílios humanos e raramente no exterior". Desse modo, Carlos Chagas desmontou a tese de que os focos da doença eram as proximidades dos pântanos, as margens dos rios e águas paradas. No final do ano de 1907, Oswaldo Cruz encarregou-o de uma nova missão: a Estrada de Ferro Central do Brasil prolongava suas linhas para o interior de Minas Gerais e, ao chegarem os novos trilhos a Lassance, um arraial quase às margens do Rio São Francisco, a malária devastou o acampamento dos operários.Chagas e seu colega Belisário Pena foram para lá, instalando uma espécie de hospital e laboratório em um vagão, na estação ferroviária. E foi nesse cenário que os trabalhos de Carlos Chagas tomaram um rumo imprevisto - e fundamental - para a Medicina. Na região, muitas pessoas morriam de uma doença estranha. Certa vez, Chagas resolveu fazer uma autópsia no corpo de um desses doentes e constatou grandes lesões no músculo cardíaco, o que deveria provocar a morte daquelas pessoas. Poucos dias depois, numa viagem a Pirapora, à noite, Chagas pousou numa casinha de pau-a-pique. Ali, o chefe da comissão de engenheiros que construía a estrada de ferro mostrou-lhe um inseto desconhecido, chamado chupão, chupança ou barbeiro, porque tinha o hábito de picar no rosto e chupar o sangue.O irrequieto Chagas logo capturou alguns desses insetos e examinou-lhes o aparelho digestivo, apesar de nem desconfiar da relação do que estava fazendo com o resultado da autópsia realizada dias antes. Surpreendentemente, ele encontrou no intestino do barbeiro um tripanossoma, espécie de microorganismo unicelular, de 15 milésimos de milímetro. Curioso, Chagas enviou alguns barbeiros para Oswaldo Cruz e pediu-lhe que deixasse os insetos em contato com sagüis. Vinte dias depois, de volta a Manguinhos, o cientista notou que os sagüis estavam infectados pelo mesmo tripanossoma.No dia 17 de dezembro de 1908, ele descreveu. num relatório, oTrypanosoma cruzi-sendo "cruz", uma homenagem a Oswaldo Cruz. Chagas precisava, então, descobrir as vitimas desse microorganismo. Francisco Gomes, que se tornou técnico no Instituto de Manguinhos, foi uma testemunha dessa busca. Na época, ele ainda era garoto e estava no acampamento dos cientistas quando conseguiu capturar um  gambá  nas imediações. "Chagas dizia: "Ih, cuidado com esse bicho". Ele correu para a barraca, foi apanhar a bandeja com o material-lâmina, tesoura etc.", conta Gomes, em um depoimento publicado nos Cadernos da Casa de Oswaldo Cruz, elaborado pela Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz). E continua: "Imprensei a cabeça do gambá, consegui segurar as patas traseiras; ele veio correndo e deu um pique na orelha, tirou uma gota de sangue, botou na lâmina, saiu correndo para a barraca. Quando olhou no microscópio, deu um tremendo berro, que ecoou pelo campo afora. Foi o segundo animal descoberto como hospedeiro do Trypanosoma cruzi.  O primeiro era o tatu. Mas o primeiro ser humano foi a menina Berenice Soares de Moura, de 2 anos, que tinha acessos de febre intensos e intermitentes. Ao examinar o sangue da menina, Chagas encontrou o mesmo tripanossoma. Estava descoberta a doença de Chagas. 

Até então, o único mal conhecido causado por um tripanossoma em seres humanos era a chamada doença do sono, transmitida pela mosca tsé-tsé, endêmica em muitas regiões da África. Em abril de 1909, a descoberta de Carlos Chagas foi divulgada para o mundo, com a publicação de um artigo numa revista científica alemã. Ao mesmo tempo, Oswaldo Cruz leu o trabalho na sede carioca da Academia Nacional de Medicina. Durante quatro anos, Carlos Chagas viveu entre o Rio de Janeiro e Lassance, investigando a doença. Até que, em 1912, foi enviado por Oswaldo Cruz para fazer outro trabalho de profilaxia e saneamento no vale do Amazonas. Trabalhando no meio das florestas, muitas vezes acompanhado por índios, ele percorreu os rios Solimões, Juruá, Purus, Acre, Yaco e Negro. Nesse período, trabalhou com Pacheco Leão, que foi diretor do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.É Pacheco Leão quem conta que Chagas viveu duros dias na Amazônia: caía nos igarapés, não gostava nem da comida nem dos frutos típicos e, à noite, com os outros membros da expedição, era obrigado a caçar na mata, pois só chegava carne ao acampamento de sete em sete dias. Na Amazônia, Chagas identificou várias espécies de insetos e se revoltou com a pobreza e a ignorância, que matavam os habitantes. Em uma de suas anotações, o médico revelou ter ficado extremamente impressionado com a situação na cidadezinha de São Felipe, à beira do Rio Juruá. Ali chegando, soube que, só no primeiro semestre de 1911, haviam morrido 400 pessoas por causa da malária. "Metade dos habitantes vitimada em seis meses por uma moléstia evitável!", escreveu.

A gripe espanhola chegou ao Rio de Janeiro em 1918, quando Carlos Chagas ainda estava deprimido com a morte, no ano anterior, de Oswaldo Cruz, a quem sucedeu na direção do Instituto de Manguinhos. Em dois meses, a gripe matou 15 000 pessoas na cidade, e a população estava em pânico. Chagas foi chamado para dirigir os serviços assistenciais. Em uma semana, criou hospitais improvisados, mobilizou a parte ativa da população, instalou laboratórios de emergência. No ano seguinte, foi convidado pelo presidente da República, Epitácio Pessoa, a reformular todo o sistema de saúde do país, sendo nomeado diretor do recém-criado Departamento Nacional de Saúde Pública. Para aceitar o cargo, Chagas fez uma única exigência: continuar no comando de Manguinhos. Até 1926, ele acumulou os dois cargos. Nesse período, criou serviços de profilaxia rural, inspetorias especializadas no combate à tuberculose, à sífilis e à lepra.Chagas conseguiu também uma verba da Fundação Rockefeller para criar a Escola de Enfermagem Ana Neri. Tudo isso Ihe rendeu muita inveja: ele chegou a ser acusado de tráfico de escravas brancas em conluio com os americanos, quando chegaram ao Rio de Janeiro as primeiras enfermeiras que iam lecionar na escola. O pior foi, em 1916, quando cientistas brasileiros e argentinos fizeram uma verdadeira campanha contra suas pesquisas: "As descobertas de Carlos Chagas são uma ilusão e a doença de Chagas não existe", afirmou o argentino R. Krauss, diretor do Instituto Bacteriológico de Buenos Aires, durante um congresso.Por sorte, Chagas estava presente no evento e, no dia seguinte, falou para um auditório repleto durante duas horas e meia, demonstrando com base em documentos a validade de sua descoberta. Essas vicissitudes, porém, jamais tiraram de Carlos Chagas o bom humor. "Nossa casa era simples, mas, aos domingos, ela vivia cheia de seus amigos cientistas. Conversava-se muito, ria-se muito. Meu pai só se irritava quando alguém falava demais. Aí, ele logo emitia seu mais característico sinal de impaciência: tamborilava com os dedos", lembra Carlos Chagas Filho, que seguiu a trilha do pai no caminho da ciência.Carlos Chagas adorava repousar lendo clássicos portugueses. Citava frases inteiras de Camilo Castelo Branco e de Antero de Quental. Os anos entre 1926 - quando deixou o Departamento Nacional de Saúde Pública e se dedicou apenas a Manguinhos - e 1934, quando morreu, foram os mais felizes de sua vida. Era então um cientista reconhecido e mais de quarenta sociedades científicas estrangeiras o elegerem membro honorário. Como participante do Comitê de Higiene da Liga das Nações, viajou à Europa todos os anos. No Rio, o cientista caminhava até a praia do Flamengo para um rápido banho de mar, antes de partir para o trabalho, no Instituto de Manguinhos.Chagas carregava sempre uma marmita, preparada com esmero por sua mulher. Dona Íris não desconfiava que o marido jamais provava a comida. Chagas levava a refeição para um colega, Adolfo Lutz - o famoso médico, criador do primeiro instituto bacteriológico brasileiro, não suportava comer no refeitório de Manguinhos. No dia 8 de novembro de 1934, Carlos Chagas foi ao hospital, pela manhã, visitar um aluno operado. Mas, indisposto, resolveu não ir a Manguinhos, preferindo ficar em casa. Aos 55 anos, o cientista morreu de infarto sobre a mesa do escritório, trabalhando. Ou melhor, procurando um meio de se vencer a doença de Chagas. Hoje, calcula-se, cerca de 600 pesquisadores brasileiros dão continuidade a essa busca. 

Tal pai, tal filho

Quando estava no último ano do curso de Medicina, Carlos Chagas Filho chegou perto de seu pai e disse que queria se especializar em ciências básicas. "Acho que a Medicina tropical é mais importante", respondeu Carlos Chagas, "mas ciência, no Brasil, não se faz sem ciência básica." Foi assim, com a bênção paterna, que o criador é até hoje diretor do Instituto de Biofísica do Rio de Janeiro iniciou uma carreira que o levou até a presidência da seríssima Academia Pontifícia de Ciências do Vaticano - cargo que exerceu de 1972 até 1988, convivendo com dezenas de ganhadores do Nobel.Filho mais novo do descobridor da doença de Chagas, ele nasceu no Rio de Janeiro em 12 de setembro de 1910. Depois de formado, iniciou uma meteórica carreira como professor da Faculdade Nacional de Medicina, a ponto de aos 26 anos já ser o catedrático de Física Biológica. Mas foi a partir de 1938, depois de ter estudado no Instituto Pasteur, em Paris, que ele passou a se dedicar verdadeiramente à pesquisa. Sua atenção concentrou-se sobre o poraquê, um peixe elétrico do Amazonas, a respeito do qual publicou mais de 150 trabalhos. Chagas Filho descreveu as propriedades elétricas do poraquê, até então desconhecidas, e mostrou como era sua transmissão pelos nervos do peixe.Inéditas também foram suas pesquisas sobre o curare - o veneno dos índios da Amazônia-, que permitiram a compreensão de como se distribuem no organismo algumas substâncias radioativas usadas em remédios. Em 1945, Carlos Chagas Filho fundou o Instituto de Biofísica, implantando a pesquisa científica dentro da universidade. A partir de 1947, ele iniciou sua atuação internacional, presidindo o Comitê de Estudo das Radiações Ionizantes sobre Seres Vivos, das Nações Unidas, as comissões de pesquisas da Organização Pan-Americana de Saúde e, mais tarde, da Organização Mundial de Saúde.De 1966 a 1970, o cientista morou em Paris, como representante brasileiro junto à UNESCO. Nesse período, ele se tornou vice-presidente do Comitê Internacional de Salvaguarda de Veneza, a magnífica cidade italiana que, aos poucos, afunda nas águas do Mar Adriático. Nenhuma dessas honrarias, contudo, retirou dele a gentileza e a doçura. Hoje (1991), aos 81 anos, Chagas Filho costuma ir, diariamente, ao Instituto de Biofísica. Ali, nos corredores do prédio, ele distribui cumprimentos gentis aos funcionários mais humildes e, nos laboratórios, preciosas lições aos seus alunos e pesquisadores.



Um hóspede terrível

Em princípio, a doença de Chagas deveria estar restrita aos pequenos mamíferos das matas da América, desde a Patagônia até o sul dos Estados Unidos. Bichos, enfim, como os gambás, conviviam com os barbeiros e, assim, acabavam hospedando em seu organismo o Trypanosoma cruzi. A destruição das matas possivelmente desalojou os barbeiros, que, então, invadiram os casebres de barro e pau-a-pique, onde passaram a contaminar animais domésticos e seres humanos. Inseto hematófago, ou seja, que se alimenta de sangue, o barbeiro procura o rosto para dar sua picada - que não é sentida, já que ele expele um líquido anestésico. Logo depois de picar, o inseto defeca. Nas fezes está o perigo: o tripanossoma, que aproveita a brecha da picada para entrar no organismo.Quatro a seis dias mais tarde, aparece uma mancha avermelhada e dolorosa no lugar da picada. O infectado tem febre baixa e contínua, além de falta de apetite. Na fase aguda da doença, o baço e o fígado aumentam, enquanto os batimentos cardíacos aceleram. Esses sintomas duram algumas semanas, cedendo abruptamente. Aí, o problema torna-se crônico e o coração é o órgão mais prejudicado, pois o tripanossoma prefere se hospedar em suas fibras musculares. Aos poucos, esse órgão vai se dilatando - é o chamado "coração de boi". O maior problema é que parasitas como o Trypanosoma cruzi ou o plasmódio, causador da malária, driblam o sistema de defesa do organismo, dificultando a criação de vacinas. Por enquanto, contra o mal de Chagas só existe uma receita eficaz: manter distância do barbeiro. No Brasil, porém, 12 milhões de pessoas são vítimas da doença, que costuma atingir unicamente uma classe - a dos pobres.

sábado, 20 de março de 2010

Mania antivacinação coloca em risco saúde de crianças

15/05/09 - 13h56 - Atualizado em 15/05/09 - 13h56

Mania antivacinação coloca em risco saúde de crianças americanas
Médicos temem que ideias obscurantistas se popularizem no Brasil.
Infecção com sarampo, por exemplo, pode causar problemas sérios.


A cada ano mais pais americanos deixam de vacinar seus filhos pelos mais variados motivos, religiosos, crenças naturais ou pelo simples desconhecimento dos riscos. Em alguns estados a recusa de vacinação cresceu quase três vezes em 4 anos. Um dado interessante: a motivação religiosa não altera a cobertura vacinal, porem as razões filosóficas são as responsáveis pelo crescimento da recusa. O pior é que pais brasileiros estão embarcando nessa onda. Por enquanto, de acordo com pediatras consultados, o fenômeno está restrito a grupos ditos naturalistas.


A descoberta das vacinas talvez tenha sido o avanço mais importante em termos de saúde pública da história do homem. Acho que é hora de lembrarmos como era antes da era das vacinas. Vamos pegar como exemplo o sarampo, uma doença viral que muitos acreditam ser benigna.


Realmente, para 80% das pessoas que a contraírem, depois de passarem os sintomas não ficarão sequelas. Porém 20% dos casos de sarampo podem evoluir com complicacões. As infecções de ouvido poderão atingir 10% das vítimas e a pneumonia pode acontecer em 5% dos casos. Infelizmente, algumas poucas crianças poderão sofrer de infecções do sistema nervoso central, que podem levar a convulsões e deixar sequelas como retardo mental.


Para cada mil crianças que pegarem sarampo, 1 ou 2 morrerão. O sarampo ainda mata no mundo, nos dias de hoje, mais de 1 mihão de crianças por ano. Além dessas complicações diretas, se uma gestante se infectar com o sarampo, isso poderá levar a um aborto, parto prematuro ou um bebê de baixo peso.


Dois artigos científicos em revistas como "The New England Journal of Medicine" e "Archives of Pediatric and Adolescence Medicine" chamam a atenção para a repercussão da recusa em vacinar os filhos. Nos Estados Unidos, antes da era vacinal, aconteciam cerca de 2 milhões de casos de sarampo por ano. Após a implantação do esquema de vacinação, os casos caíram para pouco mais de 50 por ano.


Do ponto de vista de saúde pública o aparecimento de núcleos de crianças que não se vacinam pode significar o aumento do risco de que as outras crianças venham a se contaminar. No Estado do Colorado, de 1985 a 1992, o aumento da recusa na vacinação aumentou o risco da ocorrência de um surto de sarampo em 35 vezes para certas comunidades. Portanto, antes de tomar a decisão de não vacinar seu filho, seja por que causa for, pense no risco que você pode estar trazendo para as outras crianças que convivem com ele.