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quinta-feira, 11 de julho de 2024

terça-feira, 19 de setembro de 2023

Descoberta inédita - Encontrada família completa da Idade do Bronze

Descoberta inédita - Encontrada família completa da Idade do Bronze

Um estudo genético revelou as relações familiares e matrimoniais entre os membros do grupo que viveu há 3.800 anos na estepe russa.

sábado, 26 de novembro de 2022

Estudo de DNA sugere que indígenas das Américas descendem de chineses pré-históricos

Estudo de DNA sugere que indígenas das Américas descendem de chineses pré-históricos

Análise genética de misteriosa população do sul da China pode desvendar mistérios da migração humana.

sábado, 22 de outubro de 2022

Estudo confirma que tartaruga considerada extinta há 100 anos reapareceu em Galápagos

Estudo confirma que tartaruga considerada extinta há 100 anos reapareceu em Galápagos

Apelidado de "Fernanda", animal teve seu genoma sequenciado e comparado com o de outro espécime coletado em 1906.

quarta-feira, 27 de abril de 2022

Pesquisadores descobrem 'vírus fósseis' da era dos dinossauros no DNA humano

Pesquisadores descobrem 'vírus fósseis' da era dos dinossauros no DNA humano

Um estudo genético apontou que eles infectaram mamíferos há mais de 100 milhões de anos.

terça-feira, 30 de novembro de 2021

DNA de múmia indica que ela tem parentesco com três pessoas vivas (um famoso)

DNA de múmia indica que ela tem parentesco com três pessoas vivas (um famoso)

Cruzamento entre estudos genéticos e genealógicos revelou parentesco com três pessoas vivas, entre elas uma personalidade britânica.

quinta-feira, 26 de agosto de 2021

Cientistas da China descobrem vírus gigantes no local mais profundo da Terra

Cientistas da China descobrem vírus gigantes no local mais profundo da Terra



Descoberta feita a 11 mil metros de profundidade, na Fossa das Marianas, causou surpresa.

terça-feira, 13 de julho de 2021

sexta-feira, 10 de abril de 2020

Encontrado o primeiro animal que não precisa de oxigênio para sobreviver

Encontrado o primeiro animal que não precisa de oxigênio para sobreviver


Uma equipe de cientistas identificou pela primeira vez um tipo de animal que não precisa respirar para sobreviver. 

sábado, 8 de dezembro de 2018

George Solitário - A famosa tartaruga das Ilhas Galápagos pode ser a chave para a longevidade

George Solitário - A famosa tartaruga das Ilhas Galápagos pode ser a chave para a longevidade


O exemplar de tartaruga-gigante de Galápagos chamado 
George Solitário morreu em junho de 2012

Mais de seis anos depois da sua morte, George segue dando lições. Cientistas dos Estados Unidos e da Espanha sequenciaram e analisaram o genoma do famoso quelônio e encontraram coisas surpreendentes no seu DNA.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Os primeiros cães das Américas que desapareceram com a chegada dos europeus


Os primeiros cães das Américas que desapareceram com a chegada dos europeus

Primeiros cães vieram para as Américas apenas por volta de 10 mil anos atrás, segundo 
achados arqueológicos (Foto: Illinois State Archaeological Survey)


A relação de amizade e dependência entre cães e homens remonta a pré-história, em que a aproximação de um animal que buscava restos de comida era interessante, pois podia significar proteção.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Cientistas criam vida artificial em laboratório


Cientistas criam vida artificial em laboratório

Bactéria se reproduziu gerando novos seres com DNA totalmente artificial (.)

Primeiro ser vivo artificial é uma bactéria unicelular capaz de se reproduzir. Para chegar ao feito, equipe sintetizou a estrutura completa do DNA

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Físico descobre uma nova e misteriosa forma de vida na Antártida


Físico descobre uma nova e misteriosa forma de vida na Antártida


Recentemente, Serguéi Bulat, chefe do laboratório de criobiologia da Universidade de Física Nuclear de São Petersburgo, anunciou a descoberta de uma bactéria misteriosa em um lago subglacial na Antártida. O genoma do micro-organismo difere em 86% de qualquer outra forma de vida conhecida na Terra. 

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Cientistas criam o micróbio com genética mais econômica da história


Cientistas criam o micróbio com genética mais econômica da história


Cientistas americanos desenvolveram um genoma microscópico, com menos de 500 genes, ao manipular em laboratório múltiplos fragmentos de DNA.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Cientistas sequenciam genoma de homem africano de 4.500 anos


Cientistas sequenciam genoma de homem africano de 4.500 anos

Escavação da rocha sob a qual foi encontrada o crânio do qual se retirou o material para sequenciamento do genoma (Foto: Kathryn e John Arthur/Divulgação )

Achado revelou características da imigração da Eurásia para a África.
Foi primeiro caso de sequenciamento completo de africano da antiguidade.

Pesquisadores conseguiram sequenciar o genoma de um homem africano de 4.500 anos, um desafio que tornou-se ainda mais difícil devido ao calor - que complicou a recuperação do DNA dos antigos restos mortais.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Procuram-se super-heróis genéticos


Procuram-se super-heróis genéticos


O entendimento de doenças genéticas tem se beneficiado muito com os recentes avanços e progressos da genômica, especialmente no que se refere ao sequenciamento do DNA. A tecnologia tem evoluído tanto que em breve será possível sequenciar todos indivíduos do planeta, principalmente com a queda no custo operacional. 

sábado, 29 de junho de 2013

DNA do cavalo tem 700 mil anos e é o mais antigo já decifrado por cientistas


DNA do cavalo tem 700 mil anos e é o mais antigo já decifrado por cientistas

Cavalos Przewalski em reserva natural West Lake, na China. Cientistas decifraram genoma do cavalo, que já é considerado o mais antigo DNA já descrito pelo homem até hoje (Foto: Ed Jones/AFP)

Pesquisadores divulgaram feito em artigo publicado na revista 'Nature'.
Estudo foi possível a partir de fragmentos encontrados congelados.

sábado, 17 de dezembro de 2011

O Livro da Vida, Edição Integral - Genoma

O LIVRO DA VIDA, EDIÇÃO INTEGRAL - Genoma



É uma revolução: a ciência quer decifrar o genoma - a enciclopédia que registra em código toda hereditariedade do homem. Serão quinze anos de trabalho e uma conta de 3 bilhões de dólares. O alvo são mais de 3 mil doenças genéticas.

No começo, a idéia tinha um tom quixotesco. Uma turma de cinqüenta biólogos, reunidos em março de 1986 no Laboratório Nacional de Los Alamos, famoso por ter sido palco do desenvolvimento da bomba A americana, discutiam uma empreitada fora do comum, tanto que um dos presentes a comparou à saga dos cavaleiros da Távola Redonda em busca do cálice de Cristo. "Decifrar o genoma humano vai ser o Santo Graal da Genética" ousou, entusiasmado o biólogo norte-americano Walter Gilbert, prêmio Nobel de Química de 1980, para uma platéia entre cética e espantada. Para começar, mesmo os geneticistas evitavam usar a palavra genoma, pois designa algo amplo demais - o patrimônio completo da herança genética de um ser vivo.
Mas, ao fim da reunião de Los Alamos, não só a palavra acabava de ser entronizada, como a proposta de Gilbert tinha seduzido seus colegas. Nascia, em suma, um dos mais audaciosos projetos de investigação científica já imaginados pelo homem - desvendar, um a um, todos os segredos da hereditariedade e do código genético humano. Três meses depois, em outra reunião, Gilbert rabiscou no quadro-negro a cifra que daria ao projeto uma dimensão histórica: 3 bilhões de dólares, a serem gastos ao longo de quinze anos. A partir de então, a idéia passou a conquistar adeptos entre cientistas e leigos, todos de olho no fruto dourado que ela promete - revolucionar a Medicina, descobrindo a origem e talvez a cura das mais de 3 mil doenças hereditárias que afligem a humanidade.
Numa escalada sem precedentes na história da ciência, pouco menos de dois anos depois de lançado, o Projeto Genoma entrou na reta final para obter o apoio financeiro do governo dos Estados Unidos. E, em fevereiro último, foi oficialmente apoiado pela Associação Americana para o Progresso da Ciência (equivalente à SBPC brasileira). Trata-se de um avanço portentoso para um ramo do conhecimento com apenas um século de existência. De fato, faz pouco mais de cem anos que o abade austríaco Gregor Mendel (1822-1884) lançou as bases da Genética. Foi somente em 1944 que se descobriu o lugar onde se escondia, nas células, a molécula portadora das regras da hereditariedade.
Mais recentemente ainda, em 1953, os americanos James Watson e Francis Crick descobriram enfim a estrutura dessa prodigiosa molécula que faz passar, de geração em geração, todos os segredos da vida. Batizada de DNA, ácido desoxirribonucléico, ela comanda tudo: faz uma única célula de um embrião transformar-se nos 40 trilhões de células de um humano adulto e cumpre centenas de milhares de outras tarefas como determinar cada característica de um ser vivo. Ostenta a condição de mais longa molécula do corpo humano: completamente desenrolada alcança quase 1,80 m. Mas, aninhada no núcleo de uma célula, é discreta: ocupa o modestíssimo espaço de 6 milionésimos de metro.
Chamar o genoma de livro da vida, como fazem os cientistas, é mais que uma analogia. De fato, interpretar o que contém a molécula de DNA é um trabalho semelhante ao de organizar uma enciclopédia com todos os seus volumes, capítulos, verbetes (com as respectivas sentenças, palavras e sinais de pontuação). Os 23 pares de cromossomos armazenados no núcleo das células representariam os volumes da coleção, com os membros de um par trazendo informações mais ou menos correlatas. O par XX ou XY, por exemplo, tem a ver com a determinação do sexo. Se os cromossomos são os volumes, os capítulos em que se dividem são os genes - aproximadamente 100 mil ao todo, carregando as receitas para a fabricação das proteínas necessárias a coisas tão variadas como a nutrição das células ou a constituição dos músculos ou ainda as defesas contra as infecções.
O alfabeto que a natureza usa para escrever essas mensagens químicas é de uma simplicidade espantosa. Tem apenas quatro letras, chamadas bases, que andam sempre aos pares e têm os nomes de adenina (A), tinida (T), citosina (C) e guanina (G). A base A só faz par com a T, assim como C com G. Também o modo de escrever nessa curiosa língua é peculiar: na verdade, o livro inteiro da vida tem apenas uma única e compridíssima linha que lembra uma dupla espiral ou uma escada retorcida. Cada degrau é formado por um par de bases. Uma seqüência de três degraus forma uma palavra - o tripleto, na linguagem dos cientistas. Todas as palavras tem o mesmo tamanho. O vocabulário que essas palavras formam também é restrito - apenas 20 significados, cada qual correspondendo a um aminoácido, as substâncias básicas da vida que chegam às células via alimentos.
Os aminoácidos se juntam numa seqüência vigorosamente determinada pelos genes e assim constituem as proteínas que, por sua vez, constróem os tecidos, músculos, nervos, ossos - enfim, todo o organismo e todas as substâncias de que ele necessita. Ora, como 4 letras combinadas 3 a 3 produzem 64 possíveis resultados e como apenas 20 dessas palavras bastam para codificar aminoácidos, o que acontece com os 44 restantes?
A ciência ainda não tem uma resposta absolutamente segura para isso. Mas. ao que tudo indica. muitas dessas são apenas sinônimos, ou seja, codificam o mesmo aminoácido. Outras não codificam coisa alguma - aparentemente funcionam como uma espécie de ponto final. Quando aparecem, é sinal de que o gene já acabou de fornecer a seqüência completa de uma proteína, liderando a maquinaria celular para outras atividades. Como se não bastasse toda essa semelhança, algumas combinações de palavras genéticas agem como advérbios, regulando a intensidade da ação de outros genes. Em todo caso a gramática do livro da vida só poderá ser plenamente entendida quando todas as seqüências dos pares de bases formados pelas substâncias A, T, C e G - que constituem o genoma - forem identificadas e postas na ordem certa.
Compreende-se o custo e a duração do Projeto Genoma: o número de bases a seqüenciar é da ordem de 3 bilhões. Para se ter idéia da enormidade da tarefa, a mais comum e mais estudada das bactérias, a Escherichia coli, que habita o intestino humano, com menos de 2 mil genes, até hoje não teve seu DNA completamente decifrado. No caso da espécie humana, só se conseguiu por enquanto seqüenciar, isto é, saber letra por letra, apenas 1 por cento dos genes. O Projeto Genoma parte da premissa de que será possível completar esse seqüenciamento em quinze anos, usando máquinas automáticas. Numa segunda fase deverão entrar em cena sistemas avançados de computação para interpretar os resultados do seqüenciamento.
Isso porque dos aproximadamente 3 bilhões de bases do genoma apenas 5 por cento parecem comprometidos com a síntese de proteína. Os 95 por cento restantes, segundo os cientistas, formam uma espécie de genes obsoletos ou são simplesmente mensagens sem sentido - algo como ruídos de estática numa transmissão de rádio. Para ajudar a resolver esse problema, até a CIA, o serviço de espionagem americano, deu sua contribuição. Modelos de uma futuro máquina de seqüenciamento vão usar um chip projetado originalmente para separar automaticamente informações valiosos nos milhares de hora de sinais de rádio soviéticos gravado pela CIA. Esse chip supersecreto vai garimpar no genoma os 5 por cento de palavras que interessam de fato aos cientistas.
O certo é que a ciência e talvez o mundo não serão mais os mesmos depois do seqüenciamento completo do genoma. Desde já, aliás, tem-se uma formidável amostra do que poderá ser esse futuro nas proezas da engenharia genética, a manipulação de genes para a produção de substâncias como a insulina, ou para defender plantações de pragas ou ainda - a grande meta - para cortar pela raiz o mal das doenças hereditárias. Nessa área, as técnicas e instrumentos são tão fora do convencional como o chip da CIA. Para começar, quando um pesquisador fala num banco ou livraria de genes não está se referindo a algo impresso.
Aqui, as bibliotecas são coisas vivas. Tome-se, por exemplo, colônias de Charon - 21, um vírus que não transmite doenças. De posse delas, o geneticista recorre à engenharia genética cara abrigar dentro do seu código genético trechos do código humano. Ou seja, abre o DNA do vírus e nele emenda um pedaço do DNA humano. Resultado: o vírus passa a produzir as mesmas substâncias que tais genes fariam produzir numa célula humana. A ferramenta básica nesse trabalho, como à tesoura para o alfaiate, são as enzimas de restrição, as famosas laminas químicas que cortam o microscópico DNA em pontos exatos que não poderiam ser alcançados nem pelo mais fino bisturi.
As enzimas foram descobertas quase por acaso. Os cientistas notaram que certas bactérias conseguiam safar-se de infecções liderando série de elementos que matavam imediatamente o vírus. Ao fazer a autópsia desses vírus, descobriram que seus DNAs estavam completamente picotados.
Atualmente, já foram identificadas perto de cem dessas enzimas, cada uma cortando o DNA num lagar certo. Outra ferramenta indispensável são as sondas, fragmentos de DNA correspondentes a um trecho de um cromossomo, que podem ser inseridos em vírus de Charon - 21. O cientista não sabe que material genético humano os vírus têm armazenado em seus DNAs. Supõe-se, por hipótese, que esse material venha do cromossomo Y, que define, entre outras coisas o sexo masculino.
Nesse cromossomo, porém, estão muitas seqüências silenciosas. O trabalho do geneticista, então, é localizar o gene que interessa dentro do cromossomo e descobrir para que ele serve. Pois - e isso é importante - , mesmo quando ficar pronto o seqüenciamento do genoma humano, não se saberá automaticamente qual o gene que codifica a proteína responsável, digamos, pela cor dos olhos ou por determinada doença.
Em outras palavras, o livro da vida não vem acompanhado de algo parecido à pedra de Roseta, a partir da qual foi possível decifrar os hieroglifos do antigo Egito. Com métodos químicos, o geneticista abre em dois a espiral do DNA do vírus, um trecho do qual é igual ao humano.
E como serrar uma escada no sentido longitudinal no meio de cada degrau. Depois, faz-se o mesmo com o DNA do cromossomo Y de uma pessoa que tem alguma doença genética. As duas metades - a do vírus, com um trecho do DNA humano, e a do doente - vão-se encaixar como peças complementares de um jogo de dominó. Se a sonda não grudar em lugar algum do cromossomo, é sinal de que a pessoa não tem esse gene. Ora, como o geneticista conhece os sintomas - da doença, pode afirmar que a sonda inserida no vírus Charon - 21, que não grudou no cromossomo do doente, é o gene que falta - e sua ausência provoca a doença detectada no paciente.
O geneticista pode assim mapear o cromossomo, indicando onde fica o gene ausente responsável pela doença. Em seguida, ele analisa a proteína produzida pelo trecho do DNA humano inserido no vírus. A reposição dessa substância impedirá que a moléstia se manifeste. No futuro, especula-se, será possível fazer algo mais sensacional ainda: mudar as próprias proteínas. Hoje, a engenharia genética permite implantar numa bactéria, por exemplo, o gene que codifica a proteína responsável pela produção de insulina. Amanhã, o que se pode chamar de engenharia de proteína permitirá criar a proteína da insulina. É fácil perceber as conseqüências revolucionárias da existência de proteínas sob medida: basta lembrar que quase todas as substâncias produzidas pelas células vivas são proteínas e são elas que controlam quase todas as funções biológicas.
A nova Medicina não vai mais diagnosticar os males pelos órgãos nos quais se exprimem, mas diretamente o - na bagagem hereditária das pessoas. - Um exame pré-natal, por exemplo - revela que a criança é portadora de fernilcetonúria, defeito no gene que produz uma proteína encarregada de metabolizar o aminoácido fenilalanina. Quando a doença se manifesta, é tarde demais: a criança fica retardada. - "No caso da detecção precoce, examinando-se por meio de técnicas químicas o material colhido no liquido amniótico da gestante, uma dieta especial, sem aquele aminoácido, nos primeiros anos de vida da criança, salvará sua vida", explica a biomédica Marilia Cardoso Smith, da Escola Paulista de Medicina. "O segredo é tratar do paciente antes que a doença se manifeste."
No Brasil, onde se pode contar nos dedos o número de especialistas dedicados ao estudo dos genes humanos e onde eles às vezes precisam esperar uma eternidade pelo material de pesquisa importado, ainda se está relativamente longe dos milagres que talvez sejam banais depois da decifração do genoma. Marília Smith e sua equipe, por exemplo, não contam com instrumentos mais sofisticados do que um microscópio ótico. Mesmo assim, já trabalham na ante-sala do futuro, salvando vidas. Dentro de algumas décadas, suas técnicas vão parecer coisa de museu. Afinal, o genoma decodificado será então um banco de dados acessível a todos os centros de pesquisa e investigação.
Consultando a enciclopédia do genoma humano, o médico localizará o gene defeituoso de um paciente. Uma cópia perfeita desse gene, tirada de uma pessoa saudável, será introduzida num vírus inócuo, que passará a sintetizar a proteína ou o hormônio que falta ao doente. Amo e senhor de seu próprio genoma, o homem dará um salto inimaginável - se souber fazer uso desse segredo que a natureza guarda tão zelosamente.

A célula é como uma cidade que guarda numa biblioteca uma grande enciclopédia de 46 volumes: os 23 pares de cromossomos.

Cada cromossomo é um livro com milhares de páginas onde estão todas as informações genéticas do organismo humano.

Cada gene é um capítulo que ensina como sintetizar as proteínas (a cor da pele, por exemplo, é resultado da presença ou não da melanina).

Cada tripleto é uma palavra que especifica um aminoácido, ou a parada de uma reação química ou o início de outro processo.

Cada nucleotídeo é uma letra com que se descreve tudo o que é vivo.

Como funciona o seqüenciador

Com as técnicas atuais, uma equipe de mil cientistas levaria quase um século para identificar todos os 3 bilhões de bases do genoma humano. Mas já existe um equipamento capaz de fazer em apenas três dias o trabalho que um técnico faria em um ano. É o seqüenciador, uma aparelho de 100 mil dólares desenvolvido pelo bioquímico Leroy Hood, da Califórnia. O seqüenciador funciona como um híbrido de picotador de papel com olho eletrônico usado em corrida de cavalos. Primeiro, o fragmento de DNA cuja seqüência se quer descobrir é copiado milhares de vezes. As cópias são divididas em quatro grupos e a cada um se adiciona uma enzima de restrição - a tesoura química que corta o DNA em lugares específicos Formam-se então quatro tipos de sopas químicas de letras, cada uma terminada numa das bases A,G,C e T.
O passo seguinte é tingir essas sopas com um corante fluorescente diferente. As sopas, a seguir, são depositadas na ponta de uma placa de vidro coberta com uma emulsão neutra. A placa é uma espécie de pista de corrida para as moléculas pois o pólo positivo que tem na outra ponta atrai os fragmentos de DNA, de carga elétrica negativa. Quanto menor a molécula, ou seja, quanto menor o número de bases que ela carrega (o que depende do lugar onde foi cortado o DNA), mais rápido ela corre para a linha de chegada iluminada por um laser. Cada fragmento que passa por ele brilha na cor com o qual foi tingido e que identifica a sua origem - do grupo A, G, C ou T. A colocação final, anotada por um olho eletrônico sensível a cores, coincide exatamente com a ordem em que se encontravam as bases no segmento original. Está decifrada uma fração do genoma.

Herança genética pode ter dono?

Quando se começou a falar a sério em decifrar o genoma humano, houve cientistas que compararam o projeto ao episódio bíblico da expulsão de Adão e Eva do paraíso: o DNA seria a árvore do bem e do mal, cujos segredos dariam ao homem poderes para os quais ele não estaria preparado. O rol de conseqüências nefastas da identificação da bagagem genética seria de arrepiar os cabelos: a criação acidental de um supervírus que acabaria com a raça humana ou, mais terra a terra, a possibilidade de empregadores recusarem trabalho a candidatos geneticamente suscetíveis a certas doenças - ou, ao contrário, o favorecimento de trabalhadores portadores de certos genes.
Além disso, dependendo da legislação, os exames genéticos pré natais poderiam transformar-se em sentenças de morte para milhares de fetos. E a quem pertencerá o genoma? Um cientista que seqüenciar um gene poderá reivindicar direitos autorais sobre ele, cobrando royalties sobre todas as aplicações médicas de sua descoberta? Para o Prêmio Nobel Walter Gilbert, nada mais justo do que o copyright dos genes seqüenciados. "Os hospitais não cobram pelos serviços que prestam?", argumenta ele. Já outro Prêmio Nobel (de Medicina, 1980), o francês Jean Dausset, combate a idéia. "A herança genética pertence a toda a humanidade e não pode ser propriedade de empresas", contra-ataca.
Fiel a suas convicções, Dausset distribui de graça a pesquisadores do mundo inteiro sondas de DNA que ajudam a mapear a posição dos genes nos cromossomos - com a condição de que as descobertas resultantes também fiquem à disposição de quem precisar, sem pagamentos. Os pesquisadores brasileiros ainda estão longe desse debate que corre entre seus colegas americanos e europeus. Mas, pelo menos para um cientista familiar com a questão, não há por que se atemorizar. Diz Carlos Alberto Moreira Filho, professor de Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas da USP: "Os riscos são grandes, mas seguramente a humanidade saberá controlar os abusos para desfrutar dos enormes benefícios desse conhecimento novo".



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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Quem quer viver mil anos ??? Longevidade

QUEM QUER VIVER 1 000 ANOS? Longevidade



O sonho da vida eterna é tão antigo quanto a autoconsciência humana da inevitabilidade da morte. Segundo os textos bíblicos, é acalentado desde o dia em que a curiosa Eva se rendeu à tentação do conhecimento, experimentou o fruto proibido e foi expulsa do paraíso da inconsciência, ao descobrir-se mortal. O fato é que, do primeiro casal para cá, não somente perdemos a prerrogativa da imortalidade como também alguns séculos de vida, pois dizem que Adão teria morrido aos 930 anos. Desde então, a pessoa que, comprovadamente, viveu mais tempo foi a francesa Jeanne-Louise Calment, morta em 1997, aos 122 anos - sinalizando que esse seria aproximadamente o limite de sobrevivência do corpo humano.

Mas há quem desafie esse senso comum. O biogerontologista inglês Aubrey de Grey está convencido de que o envelhecimento é um processo biológico que pode perfeitamente vir a ser controlado, da mesma forma que a ciência já conseguiu combater muitas doenças que antes eram tidas como incuráveis. De Grey, que é formado em ciência da computação, mas se tornou um dos principais teóricos do mundo em longevidade humana, trabalha atualmente no Departamento de Genética da Universidade de Cambridge. Ele já comparou o corpo humano a um carro. Com manutenção periódica e adequada - conserta um defeito aqui, põe um lubrificante ali, troca uma peça velha acolá -, dá para aumentar significativamente a vida útil de um carro. Embora o corpo humano seja muito mais complexo do que um carro, De Grey acredita que é possível fazer o mesmo, combatendo regularmente os processos que levam ao envelhecimento e à morte das células.



Vida pra chuchu

Para estimular as pesquisas sobre a longevidade, De Grey criou há alguns anos a Fundação Matusalém, cuja principal atividade é promover um concurso para premiar a equipe de cientistas que conseguir prolongar por mais tempo a vida de um Mus musculus, uma espécie de camundongo comumente utilizada em experiências em laboratório. O recordista atual é um exemplar que viveu 1 819 dias, o dobro da média desse animal. A intenção de De Grey é que os resultados obtidos com camundongos chamem a atuação de empresas dispostas a investir na pesquisa sobre a longevidade humana. Se tudo correr conforme prevê o cientista inglês, em dez anos a ciência conseguirá prolongar significativamente a vida de camundongos. E, aplicando-se o conhecimento adquirido com essas experiências, até 2030 já será possível aumentar a expectativa de vida do homem para algo em torno de 130 anos - quase o dobro da média mundial atual. De Grey vai mais longe em seus prognósticos para lá de otimistas. Em um artigo publicado no final de 2004 no site da rede BBC, ele disse acreditar que a primeira pessoa a viver até 1 000 anos já está entre nós e tem hoje por volta de 60 anos.

É difícil encontrar na comunidade científica quem faça coro às previsões mirabolantes de De Grey. A opinião predominante é que, a despeito de toda a tecnologia, não deverá haver avanços significativos na longevidade humana em um futuro próximo. Sobre o assunto, cientistas reunidos em um painel promovido há alguns anos pela revista Scientific American não deram motivos para muito otimismo: considerando todas as conquistas iminentes, como a terapia gênica e a possibilidade de substituição de quase todos os órgãos naturais, e mesmo a hibernação humana, a expectativa de vida no planeta alcançará, quando muito, 140 anos... Em 2500!

Mas, se ainda não descobriu a improvável receita da imortalidade, a humanidade já obteve conquistas sólidas, em especial no último século: nunca na história tantos viveram tanto como nos dias atuais. A faixa da população que mais cresce no mundo é a dos idosos, sobretudo os com mais de 100 anos - que, segundo as previsões, no ano de 2050 formarão um grupo 20 vezes maior que o de centenários do ano 2000. A maioria deles viverá nos países desenvolvidos. Nos Estados Unidos, estima-se que haverá 131 000 pessoas com um século ou mais de vida em 2010 e 834 000 em 2050. Entre 1990 e 2020, aumentará 74% o número de idosos de 65 a 74 anos naquele país, onde a expectativa de vida ao nascer saltou de 47,3 anos no início do século passado para 78 anos ao seu final. No Japão, atualmente, a expectativa de vida ultrapassa 80 anos, enquanto no Brasil chegou a 71,3. A média mundial situa-se em 66 anos - 20 mais do que em 1959.

Para se ter uma idéia do extraordinário avanço que isso representa, basta dizer que, entre os antigos romanos, a expectativa de vida era de 20 anos. Um terço deles sucumbia antes dos 6 anos e apenas 60% sobreviviam até os 16. Aos 26 anos, 75% haviam desaparecido e, aos 46, a morte já havia tolhido 90% dos romanos. À condição de ancião, alcançada aos 60, somente chegava 3% da população.

Mas, enquanto antigamente nos perguntávamos se chegaríamos a envelhecer, hoje a questão é: será que vale a pena prolongar tanto o período da vida em que somos naturalmente mais frágeis e vulneráveis? Segundo o estudo Our Ageing World (Nosso Mundo que Envelhece), de Justin Healey, publicado em 2003, na Austrália, a resposta é sim, a vida vale a pena mesmo aos 100 anos. A pesquisa constatou que apenas um terço dos centenários vive acamado e precisa de cuidados constantes. Um outro terço precisa de alguma ajuda e o restante é capaz de viver com independência. O mesmo autor afirma que somente 3% a 4% das pessoas com 60 a 74 anos são dependentes de cuidados de terceiros e que, entre os que têm de 75 a 85 anos, esse índice sobe para 10%. Após os 85 anos, 21% dos homens e 28% das mulheres precisam de ajuda no dia-a-dia - o que significa que mais de 70% conseguem dar conta de si mesmos. E esse percentual tende a crescer.



Bons e maus hábitos

A conquista de uma existência mais longa no século 20 resultou da melhoria das condições sanitárias nas cidades, com a criação de serviços públicos de saúde. Além disso, a ciência descobriu vacinas e antibióticos que possibilitariam a prevenção de doenças e o controle de epidemias. Se não para ampliar ainda mais a longevidade, o aumento do nível educacional e de renda deverá contribuir para melhorar a qualidade de vida na terceira ou - talvez possamos dizer - quarta idade. Até porque essas são condições importantes para o acesso à avalanche de informações sobre cuidados com a saúde que tem jorrado dos veículos de comunicação nas últimas décadas e despertado a consciência de que viver mais e melhor depende também de hábitos saudáveis. Sabe-se hoje, por exemplo, que o consumo excessivo de calorias é prejudicial à saúde. Um estudo da Universidade de Loma Linda, nos Estados Unidos, de 2001, demonstrou que dietas pobres ou isentas de gordura animal podem resultar em ganho de dois anos de vida e que exercícios diários moderados ajudam a aumentá-la em seis anos. Além disso, o estudo revelou que fumantes vivem em média 10 a 11 anos menos do que não-fumantes.

Enquanto se multiplicam no mundo os estudos sobre bons e maus hábitos, os cientistas matutam para encontrar drogas capazes de curar ou impedir o surgimento das doenças que acometem os mais idosos, como o Alzheimer, além das herdadas geneticamente. Inventam órgãos artificiais. Aprendem a corrigir genes defeituosos. Aprimoram técnicas de transplante e conhecimentos sobre células-tronco que, no futuro, servirão para cultivar novos órgãos - da pele ao pênis, do coração ao fígado. E se debruçam sobre o mapa genético humano na tentativa de encontrar uma causa específica para o envelhecimento.
Os cientistas querem descobrir agora como funciona o relógio orgânico que, fatalmente, conduz o ser humano ao fim. Eles até já teriam pistas do funcionamento do gene responsável por desencadear o processo. Se um dia se desvendará o mistério, ainda não se sabe. Mas, na dúvida, é melhor começar a pensar. Se o inglês De Grey estiver certo, você corre o risco de se aposentar aos 65 anos e viver até 1 000 anos. E aí: o que faria para não morrer de tédio nos 935 anos que ganharia de lambuja?


Tendências




- CENTENÁRIOS

No mundo todo, a faixa da população que vem crescendo mais é a dos idosos, sobretudo aqueles com mais de 100 anos. No ano de 2050, eles deverão formar um grupo 20 vezes maior que o de centenários do ano 2000.



- PERSPECTIVA

Mesmo levando-se em conta os avanços da ciência que devem ocorrer nos próximos anos, a maioria dos cientistas se mantém cética quanto à possibilidade de um aumento dramático na expectativa de vida do homem neste século.



- QUALIDADE DE VIDA
Se não vamos viver muito mais, ao menos deveremos viver melhor durante a velhice. O número de idosos que conseguem viver sem a ajuda de outras pessoas tende a crescer.


Eterna obsessão




Enquanto os místicos tentam transcender os limites do corpo pela força espiritual, alguns pensadores, na direção oposta, acreditam que poderemos chegar ao paraíso pelo caminho da ciência e da tecnologia. Eles se autodenominam "transumanistas" e acreditam que a humanidade será radicalmente modificada pela tecnologia no futuro - a tal ponto que, em algum momento da história, nossos descendentes deixarão de ser, sob muitos aspectos, seres humanos. Uma das idéias combatidas pelos transumanistas é que o envelhecimento e a morte são acontecimentos inevitáveis. Mas, ao contrário de algumas religiões, que pregam a imortalidade espiritual ou a vida depois da morte, os transumanistas acreditam na possibilidade da imortalidade física. Para isso, bastaria superar as atuais limitações biológicas do homem, por meio dos avanços esperados em áreas como nanotecnologia, engenharia genética e cibernética. Para os transumanistas, cedo ou tarde, vai chegar o dia em que a morte só ocorrerá por acidente ou por decisão voluntária.

Um dos principais teóricos do transumanismo foi o escritor F.M. Esfandiary. Filho de um diplomata iraniano, ele nasceu na Bélgica, em 1930, e escreveu algumas obras de ficção científica antes de mudar seu nome para FM-2030, por acreditar que viveria pelo menos até os 100 anos. "Eu não tenho idade. Nasço e renasço todos os dias. Pretendo viver para sempre. E provavelmente viverei, a não ser que ocorra um acidente", disse certa vez.
FM-2030 morreu em 2000, aos 69 anos, vítima de câncer no pâncreas. Seu corpo foi congelado na Alcor Life Extension Foundation, nos Estados Unidos, seguindo a prática da criogenia, que consiste em preservar o corpo à baixa temperatura - à espera de um dia em que a ciência possa ressuscitá-lo e realizar sua obsessão de vida eterna.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Quem precisa do Genoma ? - DNA

QUEM PRECISA DO GENOMA? - DNA


No curso de biologia da USP, tradicionalmente os veteranos dão uma aula inaugural repleta de bobagens para receber os calouros. Este ano aceitei, com muita honra, o convite para ser o professor dessa "aula-trote". Um dos tópicos foi a "Genética de aves de altitude". Essa suposta linha de pesquisa teria como objetivo o melhoramento genético de urubus para obter uma espécie que não voasse tão alto, evitando assim o choque com aviões.

Foi aí, então, que um dos calouros perguntou: "Se eu estou entendendo", disse ele, "vocês querem fazer melhoramento genético de urubus." "Isso mesmo", respondi. "Mas não seria mais fácil", retrucou, "buscar alguma solução nos aviões para que os urubus não entrem nas turbinas?" Como não podia dar o braço a torcer, respondi que os engenheiros não tinham uma solução aerodinamicamente viável e, como o problema persistia, os biólogos entraram em ação.

Trotes à parte, no dia seguinte fui surpreendido pela notícia de que cientistas brasileiros estão sendo festejados por terem identificado genes do verme Schistosoma mansoni, causador da esquistossomose, que poderiam servir como vacina contra essa doença. Conforme o que foi divulgado, cobaias vacinadas retêm 50% a menos de vermes e, como convém às pesquisas de destaque, o resultado acabava de ser publicado em renomada revista internacional, e a devida patente dos genes já estava sendo requerida nos EUA.

A pesquisa mereceu atenção sobretudo porque a doença, conhecida também como barriga d’água, atinge 10 milhões de pessoas só no Brasil. É típica de países subdesenvolvidos e de locais sem saneamento básico, pois o verme chega ao corpo humano após o contato com as chamadas "lagoas de coceira", onde vivem os caramujos que abrigam o verme.

O trabalho baseou-se no seqüenciamento do genoma do Schistosoma e consumiu milhões de dólares dentro e fora do Brasil. Ele, contudo, parece não ter como objetivo principal erradicar a doença, e, em certa medida, segue o mesmo raciocínio absurdo do melhoramento genético de urubus. Não seria mais fácil investir em outro ponto?

Sendo a doença um problema de saneamento, não seria mais fácil investir no tratamento da água? Ainda que isso não fosse possível, não seria mais fácil esclarecer a população quanto à relação de causa e efeito entre nadar em lagoas de coceira e ficar barrigudo? Não valeria a pena estudar maneiras de como reduzir as populações de caramujos, de maneira parecida com o que é feito com o mosquito transmissor da dengue? Há muito tempo existem pessoas trabalhando nessas áreas, mas seu financiamento é infinitesimal quando comparado ao dos projetos que envolvem seqüenciamento.

Isso mostra que a motivação maior de alguns cientistas não é erradicar a doença, mas sim fazer a pesquisa da moda, publicar artigos, fazer uma carreira brilhante resolvendo problemas que não existem. Poder-se-ia argumentar que se trata de pesquisa básica, em que estão sendo desenvolvidas técnicas que podem lançar luz nas teorias da biologia. Entretanto, nem esse ponto de vista é aceitável, pois o seqüenciamento é meramente uma técnica, que em boa parte pode ser executada por qualquer pessoa bem treinada e na qual não deveríamos desperdiçar nossos graduandos e pós-graduandos. Estes deveriam pensar em problemas reais e não apenas em publicar artigos e fazer carreira com pesquisas sem objetivo.

Mas o pior de toda a história é que as agências de fomento à pesquisa, como CNPq, Capes e Fapesp, entraram nessa onda: projetos que incluem os termos "genoma" ou "seqüenciamento" parecem ter chances maiores de conseguir financiamento, mesmo que seus objetivos não sejam muito claros. Esse tipo de pesquisa incrementa os "indicadores científicos" do Brasil, como número de doutores "formados", artigos publicados etc. Mas nem sempre atende aos interesses do país.

E a imprensa tem sido pouco crítica em relação a essa situação. O sensacionalismo impera, decifrar o genoma é a panacéia. Apesar de muita coisa seqüenciada, poucas são as soluções teóricas ou aplicadas. Será que decifrar genomas é o caminho para os cientistas tupiniquins?


* Mestre em biologia e professor do ensino fundamental