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segunda-feira, 30 de março de 2015

Pesquisa genética revela que DNA de índios botocudos é da Polinésia


Pesquisa genética revela que DNA de índios botocudos é da Polinésia


Descoberta reforça tese de que os polinésios participaram do povoamento da América e desembarcaram no continente séculos antes do que os europeus.

Na época da colonização portuguesa, diversos grupos indígenas que ocupavam as regiões onde hoje se encontram os estados de Minas Gerais e Espírito Santo receberam o nome genérico de “botocudos”, em referência aos botoques que utilizavam para ornamentar o rosto – aqueles grandes discos de madeira que alargavam a boca e as orelhas. Apesar de terem sido muito numerosos naquela época, hoje estão praticamente extintos.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

A Civilização perdida da Amazônia - Arqueologia


A CIVILIZAÇÃO PERDIDA DA AMAZÔNIA - Arqueologia


Caverna da Pedra Pintada 11 200 anos atrás. Enquanto mulheres e crianças saem para colher castanhas-do-pará, os homens estão no meio da mata úmida caçando anta. A cena foi reconstituída a partir de uma descoberta que está colocando a arqueologia de pernas para o ar. Ela indica que o homem chegou ao continente americano há muito mais tempo do que se supunha, se adaptou bem a um ambiente considerado hostil e criou uma cultura superior à de outros pré-históricos de sau época. Nos fomos até lá ver de perto o berço da cultura pré-histórica do Amazonas. Agora é a sua vez.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Os Gringos querem a Amazônia ???

OS GRINGOS QUEREM A AMAZÔNIA?



Você certamente já recebeu um e-mail co-mo seguinte alerta de dar calafrios: boa parte da Amazônia não pertence mais ao Brasil e hoje é uma área internacionalizada. Boatos de uma conspiração americana para ocupar um dos maiores tesouros ecológicos mundiais são antigos. Mas, com certeza, nenhum deles fez tanto estardalhaço como esses e-mails, que divulgam mapas do Brasil supostamente adotados em instituições de ensino americanas e que mostram a região amazônica e o Pantanal irremediavelmente como "áreas de controle internacional".

Segundo os conspirólogos, americanos estariam doutrinando estudantes para uma guerra de posse de parte do território verde-amarelo. As mensagens espalhadas pelo correio eletrônico trazem anexa uma cópia de um suposto livro chamado An Introduction to Geography ("Uma Introdução à Geografia"), de autoria de David Norman, mostrando o Brasil sem a Amazônia, que é tratada como área internacionalizada.

O jornal O Estado de S. Paulo, na edição de 2 de dezembro de 2001, apurou os fatos e descobriu que o e-mail era falso. A matéria diz que a mensagem partiu de estudantes universitários e que não existe nenhum livro com tal título registrado na Biblioteca do Congresso. No entanto, tem muita gente que ainda teima em afirmar que estão nos ocultando a verdade.

YANOMAMIS

O burburinho da Amazônia anexada ganhou notoriedade através do site ultranacionalista brasil.iwarp.com, mantido por militares brasileiros na reserva. A página expõe uma carta geográfica similar ao tal mapa americano usado em aulas de geografia de colégios públicos dos Estados Unidos. O site afirma que o plano começou quando o FMI "forçou" o então presidente Fernando Collor de Mello a demarcar um imenso território de 94 000 metros quadrados como reserva yanomami. Esse seria o primeiro passo para que, no futuro, a Nação Yano-mami proclamasse a independência - ou entrasse em guerra com o Brasil pela liberdade - exigindo intervenção da ONU na região.

Muita gente garante que existe a tal República Socialista Yanomami no exílio. Seu presidente se chamaria Charles Dunbar, um americano supostamente "naturalizado" yanomami. O vice-presidente seria um alemão. De índio mesmo só haveria um entre eles, de nome Akatoa.

A aglomeração de ONGs na região também ajuda a alimentar as teorias conspiratórias. Ao todo, estima-se que haja mais de 500 organizações não-governamentais, muitas delas estrangeiras, espalhadas ao longo de 12 918 quilômetros da fronteira amazônica nacional, que é vigiada por pouco mais de 22 000 homens.

BIG BROTHER

O reforço no sistema de segurança da floresta brasileira também supõe tentativas de prevenir possíveis articulações pela posse da região: acompanhamento 24 horas, via terra e ar, dos 5,2 milhões de quilômetros quadrados da Amazônia, por seis satélites; 18 aviões especiais; sete radares fixos, seis transportáveis e 20 secundários; e outras 70 estações meteorológicas de superfície, que integram o Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam). Apesar do avanço tecnológico, a concorrência para fabricação e instalação dos componentes do Sipam foi feita pela mesma empresa americana responsável pelo abastecimento das forças armadas dos Estados Unidos. Dessa forma, as informações passariam pelo Pentágono antes de chegar ao Brasil.

Estranhas movimentações na Amazônia não são novidade. Em 1967, o bilionário americano Daniel Ludwig comprou uma fazenda de 16.000 quilômetros quadrados na divisa do Pará com o Amapá, o Projeto Jari. Ludwig queria vender celulose para o mundo todo e investiu 1,3 bilhão de dólares na fazenda, mas, por alguma razão, a iniciativa naufragou. Nacionalistas acusavam Ludwig de ser parte de uma ação conspiratória para criar uma Amazônia internacionalizada.

Todo esse interesse pela região não é à toa. A Amazônia tem potencial para transformar o Brasil na nação mais rica do planeta. Abriga 30% da biodiversidade da terra, um terço das florestas latifoliadas e a maior bacia de água doce do mundo. Segundo estimativas de pesquisadores da Universidade de Maryland, os benefícios criados pela floresta verde-amarela corresponderiam a 1,1 trilhão de dólares anualmente. Vivem na Amazônia 67% do total de mamíferos do mundo. "Caso o Brasil resolva fazer uso da Amazônia de forma que ponha em risco o meio ambiente nos Estados Unidos, temos que estar prontos para interromper esse processo imediatamente", afirmou Patrick Hugles, chefe do Órgão Central de Informações das Forças Armadas americanas.

Uma das primeiras mostras públicas de interesse estrangeiro de ocupar o território amazônico foi a campanha deflagrada por um tenente da marinha americana, Mattnew Fontaine Maury. Ele defendia a idéia de que a Amazônia era parte do complexo geográfico constituído pelo Golfo do México, sendo assim uma extensão natural do Mississipi. Por isso, acreditava que a América meridional deveria ser transformada em uma dependência dos Estados Unidos. "É o paraíso das matérias-primas, aguardando a chegada de raças fortes e decididas para ser conquistado científica e economicamente", afirmava a respeito do território onde se encontra uma das maiores reservas mundiais de minerais.

Em 1853, o governo americano enviou ao Congresso um texto em referência à Amazônia com os seguintes dizeres: "Uma região que, se aberta à indústria do mundo, ali se achariam fundos inexauríveis de riquezas." Já por volta de 1960, foi a vez de ficar famosa a proposta do futurólogo americano Herman Kahn, do Instituto Hudson. A idéia era a construção de sete barragens para criar cinco lagos gigantescos na Bacia Amazônica, com o objetivo de estimular o intercâmbio econômico entre os países da América do Sul, e o investimento estrangeiro em pesca, mineração e petróleo em toda a região.

EM CORO

Em 1983, a então premiê britânica Margareth Thatcher compactuou com os rumores de internacionalização de parte do território brasileiro, ao declarar: "Se os países subdesenvolvidos não conseguem pagar suas dívidas externas, que vendam suas riquezas, seus territórios e suas fábricas". Alguns anos depois, o presidente francês, François Mitterrand, fez coro: "O Brasil precisa aceitar uma soberania relativa sobre a Amazônia".
Mais recentemente, em 2000, durante sua tentativa frustrada de chegar à Casa Branca, o candidato democrata Al Gore declarou: "Os brasileiros pensam que a Amazônia é deles. Não é. Ela pertence a todos nós". O senador Robert Kasten fez eco à afirmação de Gore, acrescentando: "Assim como o ozônio, as chuvas, o oxigênio etc., a Amazônia deve pertencer a todos". Gore, como se sabe, foi derrotado pelo candidato republicano George W. Bush, mas não exatamente por ter externado em público essa posição que, segundo os conspirólogos, é defendida por muitos cidadåos americanos.

Eu acredito!

"Muito se fala sobre o futuro da floresta amazônica, mas o fato é que, se não prestarmos atenção no que está acontecendo, corremos o sério risco de perdê-la para os gringos. Se cruzarmos os mapas de localização das sedes das principais ONGs que atuam na região com os mapas de localização das principais reservas de riquezas minerais, veremos que eles coincidem. Será que essas ONGs estão lá para cuidar dos nossos índios e animais em extinção ou para monitorar e mapear essas riquezas subterrâneas para, no momento oportuno, tomarem-nas de nós, como estão tomando o petróleo dos árabes? Será que é pura teoria conspiratória ou existe um pouco de verdade nisso?"
Felipe Xavier é humorista da rádio 89FM. Fez parte do programa Sobrinhos do Ataíde e comanda hoje o quadro Chuchu Beleza

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A Brasileirinha de 11500 anos - Luzia

A BRASILEIRINHA DE 11 500 ANOS - Luzia



Até há pouco tempo, acreditava-se que todos os povos indígenas encontrados pelos europeus no continente americano descendiam de mongolóides vindos da Ásia. Mas um estudo apresentado em 1998 pelo pesquisador Walter Neves, da Universidade de São Paulo (USP), colocou em xeque essa teoria. Ao analisar o crânio de "Luzia" - nome dado à brasileira mais antiga de que se tem notícia até hoje -, a equipe do cientista descobriu que ela não pertencia ao grupo mongolóide. Os pesquisadores mediram 45 diferentes características do crânio e o compararam com espécimes de outras partes do mundo correspondentes a populações atuais. Conclusão: Luzia apresentava características muito mais próximas das de habitantes de algumas regiões da África e da Oceania que as dos mongolóides.

A hipótese foi reforçada posteriormente por um trabalho feito na Universidade de Manchester, na Inglaterra. Com a ajuda de computadores, cientistas ingleses reconstituíram a fisionomia de Luzia, que apresentava feições nitidamente negróides, de nariz largo, olhos arredondados, queixo e lábios salientes. A descoberta representou uma revolução nas teorias sobre o povoamento das Américas. A hipótese de Neves é que, antes da chegada dos grupos mongolóides da Ásia, uma leva migratória de povos negróides teria ocupado as Américas há mais de 11 000 ou 12 000 anos atrás. Esses povos foram batizados de "paleoíndios" por Neves e por seu principal colaborador, o arqueólogo André Prous, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Luzia é o crânio humano mais antigo já encontrado no continente americano. O esqueleto, de 11 500 anos, fora descoberto nos anos 70 no sítio arqueológico da Lapa Vermelha, em Lagoa Santa, na região metropolitana de Belo Horizonte, e levado para o Museu Nacional do Rio de Janeiro. Estima-se que a ossada tenha pertencido a uma mulher baixa, com 1,50 metro de altura. À época de sua morte, ela teria entre 20 e 25 anos.
A nova tese sobre a ocupação das Américas ganhou força com a descoberta de outros crânios humanos em diversos pontos do continente, com características não compatíveis com as dos mongolóides. É o caso do homem de Kennewick e de Spirit Caveman, encontrados na América do Norte e datados de cerca de 9 000 anos. As mesmas configurações cranianas de Luzia foram descobertas em fósseis de 9 000 anos, perto da cidade colombiana de Tequendama e na Terra do Fogo, nos confins da América do Sul.

Por que Luzia?
O nome Luzia foi dado por analogia com Lucy, a mais famosa ancestral humana, de 3,2 milhões de anos, encontrada na África. Um repórter perguntou ao pesquisador Walter Neves se o fóssil seria a versão americana de Lucy. Neves respondeu que, devido à procedência brasileira, a descoberta estava mais para Luzia do que para Lucy. Fêmea de Australopitecus afarensis, uma das espécies ancestrais do homem moderno, Lucy foi encontrada pelo antropólogo americano Donald Johanson em 30 de novembro de 1974, na Etiópia. Na mesma noite, a equipe de Johanson festejou a grande descoberta com muita bebida e dança ao som dos Beatles. A música "Lucy in the Sky with Diamonds" embalava a festa e, de tanto ser tocada, acabou dando nome ao esqueleto.
Luzia, por sua vez, ganhou notoriedade internacional após a publicação do trabalho de Neves na prestigiosa revista americana Science. A repercussão do trabalho dos cientistas brasileiros foi tanta que a rede de televisão inglesa BBC fez um documentário sobre Luzia e encomendou a reconstituição de sua face, feita com argila, após um minucioso trabalho de pesquisa que incluiu exames do crânio por meio de tomografias computadorizadas.

O impacto da descoberta
A análise do crânio de Luzia dá força a uma nova teoria segundo a qual, antes da chegada de grupos mongolóides da Ásia - ancestrais dos índios atuais -, uma leva migratória de povos negróides teria ocupado as Américas há mais de 11 000 ou 12 000 anos

sábado, 27 de novembro de 2010

Navajo Joe - Pistoleiro Implacavel - Filme

Navajo Joe - Pistoleiro Implacavel - Filme de 1966



Sinopse

Joe (Burt Reynolds, em um de seus primeiros papéis como protagonista) é o guerreiro Navajo que enfrenta sozinho o bando liderado por Duncan (Aldo Sambrell) após o massacre de sua aldeia. Demonstra certa crítica social abordando o tema dos índios. Trilha sonora épica de Ennio Morricone.

VISUALIZAÇÃO RAPIDA:

http://www.youtube.com/watch?v=qLDemFGdhuM


DOWNLOAD DO FILME LEGENDADO EM PORTUGUES:

http://www.4shared.com/file/SKCuiVJR/Joe-pistoleiro_implacavel.html

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Langsdorff: No coração do Brasil

LANGSDORFF: NO CORAÇÃO DO BRASIL



Um tempo de viagens clássicas. Assim pode ser definido o início do século 19. No Brasil, que mal começava a ocupar o território longe do litoral, um barão alemão que passara um quarto de século em expedições científicas pelo mundo - e trabalhava como cônsul da Rússia no Rio de Janeiro - se transformaria no mais importante explorador daquelas terras vastas e desconhecidas. Ele se chamava Jorge Henrique Langsdorff e seu sobrenome batizou a expedição russa que, de 1821 a 1829, revelaria aspectos totalmente ignorados da fauna, flora, geologia e geografia de nosso país.

Nos primeiros cinco anos, esse naturalista, etnógrafo e diplomata conheceu como poucos o interior das Minas Gerais, o Rio de Janeiro e o litoral de São Paulo. Nesta reportagem, você vai acompanhar a segunda (e mais importante) parte da Expedição Langsdorff: o percurso feito entre 1826 e 1828, de Porto Feliz, no interior paulista, a Santarém, no Pará. Foi, ao mesmo tempo, uma verdadeira aventura pelo coração do Brasil e a mais cuidadosa e bem preparada expedição que jamais cruzou o território nacional. Estudiosos e artistas puderam fazer contato com as populações locais, coletar plantas e bichos e retratar, em desenhos e pinturas, tudo o que se via pelo caminho. Descobertas que, logo nos primeiros anos, ajudariam a fixar, no exterior, a imagem de nosso país em seus primeiros anos de existência independente. Mas que em seguida seriam esquecidas, pois todos os registros acabariam perdidos nos arquivos da Academia de Ciências de Leningrado (hoje São Petersburgo), na Rússia - para ser reencontrados quase um século depois, em 1930.

Na hora da partida, em Porto Feliz, a equipe contava com 39 homens. Além de escravos, remadores e guias, havia astrônomo, botânico, cartógrafo, médico, zoólogo e três artistas: Johann Moritz Rugendas, Adrian Taunay (tio do futuro Visconde de Taunay) e Hércules Florence. Rugendas ficou com o grupo por uns poucos meses. Taunay morreu em janeiro de 1828, quando se afogou no Rio Guaporé, em Vila Bela (onde hoje é Rondônia). Florence, um francês de 22 anos, chegara ao Brasil dois anos antes. Naquele 22 de junho de 1826, todos partiram em duas grandes canoas cavadas em troncos grossos, três batelões e outras três embarcações menores. O destino: subir o rio Tietê até seu encontro com o Paraná, de lá seguir pelo Pardo, o Cuiabá, o Arinos e o Tapajós, para chegar a Santarém (veja no mapa da página 60 o percurso percorrido pela Expedição Langsdorff). "É difícil descrever essa maravilha da natureza, a rapidez com que aquela água se transforma em espuma branca e poeira. Junto às rochas, a terra treme. Nossos artistas, o senhor Taunay e o senhor Florence, fizeram alguns croquis. Mas a cena é muito grande e extensa; seriam necessárias várias semanas de estudo para representar todo o espetáculo num único retrato", escreveu o comandante em seu diário logo nos primeiros dias da viagem.

Em seus relatos, a emoção muitas vezes se sobrepõe aos objetivos científicos. Além de anotar informações como nomes de lugares, plantas, sementes e bichos, o barão reveria vários de seus pré-conceitos sobre os indígenas - e passaria a questionar e criticar o que via e sentia. A rotina era bastante simples: navegar, tomar notas, descer do barco para coletar materiais, caçar e explorar aquelas terras virgens. Acima de tudo, Langsdorff considerava que o mais importante era estreitar laços de amizade com a população. Foi assim que ele e sua equipe entraram em contato com inúmeras tribos indígenas. Acredita-se que a expedição foi a única a encontrar-se com os apiacás quando eles ainda eram numerosos.

Os últimos quilômetros até Cuiabá eram só descida. Primeiro, o rio Coxim, depois o Taquari e, enfim, uma cachoeira antes da cidade. No diário, Langsdorff relatou a festa que os tripulantes fizeram ao passar pelo local, "com uma salva de espingardas, danças e cantos". Era meados de dezembro quando a caravana entrou no rio Paraguai. Depois de um susto com os índios guaicurus, que atearam fogo na mata, o grupo foi para a outra margem, onde havia uma comunidade de negros, caburés, mestiços e índios. Logo depois do Natal, os expedicionários chegaram a Dourados. "No dia 26 de dezembro, ouvimos o latido de cães e o cantar dos galos. Que alegria!", comemorou Langsdorff. Em seguida apareceram canoas cheias de índios guatós, com quem todos conviveram algum tempo, antes de partir novamente. "Sem dúvida alguma é (o brasileiro) muito mais hospitaleiro do que qualquer outro da Europa. O viajante sabe que, em qualquer parte em que houver um morador, há de ser por ele acolhido e tratado." Graças a esses relatos costuma-se dizer que a expedição revelou um outro Brasil para o mundo.

Doença e morte

Logo após o encontro com os parecis, perto de Cuiabá, um dos integrantes da equipe voltou ao Rio de Janeiro, levando caixotes com bichos e plantas, relatórios e manuscritos, cartas e um maço de desenhos. Langsdorff, então, resolveu dividir o grupo em dois. Um, chefiado por ele, se embrenharia rumo ao norte por caminhos pouco conhecidos. O outro tentaria atingir o Amazonas descendo os rios Guaporé, Madeira e Mamoré. O ponto de encontro seria o Forte de São José, na barra do rio Negro (onde hoje é Manaus). Em janeiro, depois de visitar Casalvasco, na fronteira da Bolívia, Taunay chegou ao rio Guaporé sob forte chuva. Mesmo assim, resolveu atravessá-lo a nado, desaparecendo para sempre nas águas.

Percalços desse tipo eram comuns na época. Dos 39 integrantes que partiram de São Paulo, só 12 chegaram ao Pará. Doenças e desavenças fizeram com que vários ficassem pelo caminho - e outros tantos morressem. O próprio barão foi acometido de febre amarela e malária. Perdeu a memória em maio de 1828, às margens do rio Juruena. No dia 26 de março do ano seguinte, os sobreviventes da Expedição Langsdorff chegaram ao Rio de Janeiro no navio Dom Pedro I. Traziam o chefe, já em estado de loucura. Jorge Henrique de Langsdorff voltou para a Europa em 1830. Depois de mais 22 longos anos de agonia, morreu.
O percurso, que em sua versão original consumiu quase três anos, seria refeito por uma equipe de documentaristas, durante um mês em 1999. Nesse grupo estava Adriana Florence, tataraneta de Hércules - que também é artista plástica e teve a chance de desenhar alguns dos mesmos lugares em que seu antepassado francês havia estado. A paisagem acima mostra essa viagem no tempo. As outras imagens que ilustram estas páginas retratam esses dois momentos do Brasil. Terminada a viagem de barco, Adriana foi à Rússia ver os manuscritos de seu tataravô. "O que senti ao abrir o diário é inexplicável", escreveu ela no livro No Caminho da Expedição Langsdorff. "As folhas envelhecidas pelo tempo e o frescor de cada palavra, cada descrição minuciosa do que viveu. Reconheço os lugares enquanto leio sua narrativa precisa. Posso estar lá novamente. Vou me lembrando de cada passagem. Naquele momento somos um só."

Um país redescoberto

1. PORTO FELIZ

A expedição partiu de Porto Feliz, em junho de 1826, pelo rio Tietê. No caminho até Mato Grosso, cachoeiras e fazendas. Os índios apareciam nas tribos ou no meio da mata

2. CAMAPUÃ

Essa foi uma das fazendas que serviram de pouso. Todos tiveram contato com a pobreza, o trabalho escravo, as doenças e o descaso das autoridades com a população. Langsdorff doou várias sementes para hortas individuais e cuidou dos doentes

3. CUIABÁ

A chegada a Cuiabá, em janeiro de 1827, foi uma das grandes alegrias. A cidade ganhou muito espaço nos diários e nos desenhos dos artistas. Ao final da estadia, o grupo foi dividido em dois, para se reencontrar na barra do rio Negro

4. SANTARÉM
Aqui terminou a expedição, depois de mais de 13 mil quilômetros por cinco estados. Langsdorff, com malária, já não tinha mais como continuar o trabalho. Ficaram os relatos e desenhos de quase três anos de viagem

Índios e mais índios

Os xavantes, que Langsdorff cruzou quando descia o rio Tietê até Cuiabá, vivem hoje na serra do Roncador e em vales de rios no leste de Mato Grosso. Os caiapós habitam aldeias dispersas ao longo dos rios Iriri, Bacajá, Fresco e outros afluentes do Xingu, na mesma região em que a equipe de Langsdorff os encontrou. Considerados extintos por 40 anos, os guatós foram reencontrados no Pantanal Mato-Grossense, perto do município de Corumbá (MS). Os parecis viviam no planalto de Mato Grosso e eram freqüentemente escravizados pelos bandeirantes, no século 19. Um desses povos, os halítis, vive no oeste de Mato Grosso. Na língua nativa, "pátio da aldeia". Os índios dessa etnia, que ocupavam uma grande região de cerrado do Brasil Central, se limitam hoje a Mato Grosso. Conhecidos como guerreiros, os apiacás só perderam a língua e o modo de vida tradicional após dois séculos de contato com os não-índios. Hoje vivem em Mato Grosso e no Pará. Povo de tradição guerreira, os mundurucus dominavam culturalmente o vale do Tapajós. Hoje, luta para garantir a integridade de seu território.

Paixão pelo Brasil...

Grigory Ivanovitch von Langsdorff nasceu em abril de 1774 na Alemanha. Médico e naturalista, foi botânico da primeira expedição russa ao redor do planeta. Ao passar pelo Brasil, em 1804, encantou-se pelo país. Mudou de nome para Jorge Henrique em abril de 1813, ao assumir como cônsul-geral da Rússia no Rio de Janeiro. Hércules Florence nasceu em 1804 na França. Conhecedor das artes e da ciência e encantado pelos desafios das viagens, veio ao Brasil em 1824. Também se apaixonou à primeira vista. O grande encontro entre os dois se deu porque Langsdorff publicou um anúncio para contratar um desenhista disposto a participar de sua viagem fluvial pelo interior do país. Florence leu o anúncio, se candidatou e ficou com a vaga. A bordo, viraram grandes amigos. Ao final da expedição, porém, tiveram de se separar. Langsdorff, doente, voltou à Alemanha. Aposentado, foi viver em Freiburg, no sul daquele país, onde morreu em 1852. Florence, por sua vez, ficou no Brasil. Escolheu Campinas para viver o resto de sua vida. Em 1830, publicou, como resultado de suas observações durante a viagem, um estudo sobre o som produzido pelos animais, que chamou de Zoophonia. Nessa época também realizou experiências com fotografia, técnica da qual é reconhecido como um dos pioneiros. Morreu em 27 de março de 1879.

sábado, 15 de maio de 2010

Cinco tribos isoladas correm risco de desaparecer

28/05/09 - 07h20 - Atualizado em 28/05/09 - 09h26

Cinco tribos isoladas correm risco de desaparecer, alerta ONG
Quatro delas estão na Amazônia, duas no Brasil.
Desmatamento é a principal ameaça aos povos, diz Survival International.

Cinco povos que nunca tiveram contato com o mundo externo correm o risco de serem exterminados. Um relatório lançado pela ONG inglesa Survival International indica que quatro tribos da Amazônia e uma no Chaco paraguaio estão perdendo suas terras para madeireiros, criadores de gado, fazendeiros e petrolíferas.

Das cinco tribos, duas estão no Brasil. A mais ameaçada é a dos awás, no Maranhão. A terra deles se transformou em uma ilha de floresta rodeada por devastação. Por causa disso, a região é cobiçada por madeireiros, que querem derrubar as últimas árvores do local. Situação semelhante ocorre com os índios do Rio Pardo, no noroeste de Mato Grosso, onde há retirada ilegal de madeira.

Segundo relatório lançado nesta quarta-feira (27), duas outras tribos ficam no norte do Peru. Os povos que vivem entre os Rios Napo e Tigre, próximos à divisa com o Equador, correm o risco de ter suas terras ocupadas por poços de petróleo. Já as tribos do Rio Envira, na fronteira com o Brasil, fogem das madeireiras que buscam mogno.

A única tribo de fora da Amazônia é a dos ayoreo-totobiegosode, que vivem no Chaco paraguaio – uma região parecida com o Cerrado brasileiro. Lá, o perigo são os grandes fazendeiros que derrubam floresta para criar gado.




Em 2008, a Funai conseguiu fotografar tribos isoladas brasileiras que vivem no Acre. Elas podem entrar em conflito com outros povos isolados que fogem de madeireiras no Peru. (Foto: Gleilson Miranda-Funai/Divulgação)
Isolamento voluntário

A maior parte dos povos que vive de forma isolada na Amazônia sabe da existência do mundo exterior, mas evita o contato. Mesmo que o encontro entre essas tribos com o mundo externo aconteça de forma pacífica, há grande risco para os índios. Como não têm anticorpos para lidar com doenças comuns, como a gripe, eles morrem facilmente.