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terça-feira, 28 de dezembro de 2021

Bomba da Segunda Guerra Mundial explode durante obras na Alemanha

Bomba da Segunda Guerra Mundial explode durante obras na Alemanha

Detonação acidental do artefato em ferrovia de Munique feriu ao menos três pessoas.

terça-feira, 24 de agosto de 2021

Pedra relacionada à lenda da fundação de Roma é encontrada durante obras

Pedra relacionada à lenda da fundação de Roma é encontrada durante obras

O artefato serviria para estabelecer o Pomério, a fronteira romana criada por Rômulo.

segunda-feira, 11 de maio de 2020

Museu desafia público a recriar obras de arte em casa

Museu desafia público a recriar obras de arte em casa


Apesar dos museus e centros culturais estarem fechados por conta do coronavírus, muitos estão engajados em entreter as pessoas seja oferecendo exposições online ou desafiando o público.

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Raios X revelam desenho secreto em quadro de Leonardo da Vinci

Raios X revelam desenho secreto em quadro de Leonardo da Vinci


Uma pesquisa recente submeteu a célebre pintura “Virgem das Rochas”, do genial Leonardo da Vinci, a um mapeamento com fluorescência de raios X.

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Incêndio em Notre-Dame - Conheça a importância cultural da catedral

Incêndio em Notre-Dame - Conheça a importância cultural da catedral

A Catedral de Notre Dame é um dos monumentos mais importantes da Europa

Local levou 180 anos para ficar pronto e foi palco de grandes eventos históricos como a coroação de Napoleão Bonaparte.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Você já pode comprar um apartamento resistente a ataques nucleares


Você já pode comprar um apartamento resistente a ataques nucleares


Unidades ficam nos EUA e custam uma pequena fortuna!

terça-feira, 11 de outubro de 2016

7 obras monumentais da civilização mundial destruídas pela guerra


7 obras monumentais da civilização mundial destruídas pela guerra


Além de ceifar a vida de milhares de pessoas, as guerras reduzem ao pó a infraestrutura dos locais afetados, incluindo o legado arquitetônico de civilizações milenares.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Os 100 melhores livros - Você não pode deixar de ler


Os 100 melhores livros - Você não pode deixar de ler


Para se chegar ao resultado fizemos uma compilação de 15 listas publicadas por jornais, revistas e sites especializados em listas, mercado editorial e livros. O objetivo da pesquisa era identificar, baseado nestas listas, quais eram os 100 melhores livros da história. Algumas das listas pesquisadas incluíam apenas romances, outras — livros não ficcionais. 

sexta-feira, 22 de julho de 2016

15 Filmes que irão colocar sua mente em xeque


15 Filmes que irão colocar sua mente em xeque


Alguns filmes esquisitos e incomuns às vezes nos colocam num beco sem saída; fazem pensar e ir a fundo para tirar conclusões. E, passados os créditos no final, nos perguntamos: “como o autor foi capaz de criar uma trama como essas?“

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Pinturas rupestres de 12 mil anos são descobertas na Espanha


Pinturas rupestres de 12 mil anos são descobertas na Espanha

Foto não datada mostra pinturas encontradas na caverna Atxurra, na Espanha, e que teriam mais de 12 mil anos (Foto: HO/AFP)


Ao menos 70 pinturas de animais estão foram achadas no País Basco.
Caverna Atxurra não será aberta ao público para preservar as obras.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Top 10 obras fundamentais da ficção científica


Top 10 obras fundamentais da ficção científica


Desta vez não foi possível condensar tanta coisa importante em somente 7 obras,  por isso abrimos uma exceção nessa listagem das 10 principais obras da ficção científica como gênero, englobando todos os formatos. Ainda assim, várias obras que ficariam de fora da lista principal foram incluídas nas menções honrosas, tendo-se em vista a enorme quantidade de obras angulares nesse gênero.

Reprodução de postagem de Ralph Solera originalmente publicada em: 
http://maxiverso.com.br/blog/2016/02/12/top-10-obras-fundamentais-da-ficcao-cientifica-revistas-livros-filmes-etc/
*A pedido do autor deixamos bem explicito a fonte da publicação.

Vamos à lista:

terça-feira, 19 de abril de 2016

Museus do mundo na sua casa


Museus do mundo na sua casa


Um site que oferece visitas virtuais ao redor de museus famosos mundialmente, permite aos internautas vislumbrar detalhes minúsculos em obras de arte e os capacita a criar coleções personalizadas em alta resolução. 

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Os 10 melhores filmes de ficção científica de todos os tempos



Os 10 melhores filmes de ficção científica de todos os tempos


Nesta seleção estão em destaque os 10 melhores filmes de ficção científica de todos os tempos. Usamos como base alguns critérios, que envolve a impressionante produção, o significativo impacto sobre o gênero, histórias e idéias com importância sobre o que a produção de filmes possa ser, e a reação da cultura pop, originalidade e escolha do editor. São grandes obras que mudaram para sempre o que conhecemos da ficção científica. Estes filmes são inspirações de vários sucessos de bilheterias atuais e influenciaram gerações.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Último sebo a resistir na Praça Tiradentes, Livraria Marins se prepara para fechar as portas


Último sebo a resistir na Praça Tiradentes, Livraria Marins se prepara para fechar as portas

Atualmente, cerca de 30 pessoas passam ao longo do dia na Livraria Marins, que tem 60 mil livros

Proprietário aponta o preço dos aluguéis, a concorrência com a internet e a violência na cidade como motivos para passar ponto.
Em meio a títulos como “A cada dia um novo começo", “Como vender seu peixe na internet" e “Os jovens e a leitura: uma nova perspectiva" — que parecem resumir sua atual fase —, a Livraria Marins, última a resistir na Praça Tiradentes, prepara-se para pôr um ponto final na própria história. Adelbino de Marins Espíndola, seu proprietário, á se mobiliza para passar o ponto. Hoje com 68 anos, o carioca aponta o preço dos aluguéis, a concorrência com a internet e a violência na cidade como alguns dos motivos pelos quais se diz cansado de manter o seu sebo aberto.

terça-feira, 31 de março de 2015

Conheça cinco tesouros históricos descobertos totalmente por acaso


Conheça cinco tesouros históricos descobertos totalmente por acaso


Muitos dos tesouros históricos e arqueológicos mais fabulosos do mundo foram descobertos por acidente. Abaixo, segue uma lista de alguns dos achados casuais que revelaram relíquias importantes e de valor incalculável.

domingo, 10 de julho de 2011

As portas da percepção - Drogas

AS PORTAS DA PERCEPÇÃO - Drogas



Veneza. 3 de agosto, 1956: "Caro Doutor, gostaria de agradecer sua carta. Anexo segue o artigo sobre os efeitos das várias drogas que usei. Não sei se é apropriado para o seu jornal. Não faço objeção quanto a meu nome ser usado. Nenhuma dificuldade com a bebida. Nem desejo de consumir qualquer droga. Saúde geral excelente. Por favor, transmita minhas saudações a Mr. - (nome omitido). Utilizo seu sistema de exercícios diariamente, com excelentes resultados. Estive pensando em escrever um livro sobre narcóticos, se encontrar um colaborador que saiba lidar com a parte técnica."

O texto, intitulado "Carta de um empedernido viciado em drogas perigosas", é do escritor americano William Burroughs e foi endereçado a John Dent, médico britânico pesquisador do vício em drogas, que a publicou no British Journal of Addiction. Na carta, Burroughs, que passava por um período de desintoxicação, descreve de maneira minuciosa suas experiências com dezenas de drogas de diferentes classes: opiáceos (morfina, ópio, heroína), estimulantes (anfetamina, cocaína, bezedrina), cannabis (maconha, haxixe), alucinógenos (mescalina, ayuahuasca) e álcool, entre outras. As descrições foram incluídas como um apêndice ao tal livro sobre narcóticos que ele acabou escrevendo. Naked Lunch ou Almoço Nu, traduzido para o português, foi publicado em 1959. Delirante, caótica e autobiográfica, a obra, conseqüência de mais uma das recaídas do autor, foi repudiada pela crítica. Seu valor só foi reconhecido anos depois, e até hoje é tida como um dos marcos da história das letras. Mais: Almoço Nu, ao lado de On the Road (1957), de Jack Kerouac, e Uivo (1956), de Allen Ginsberg, converteu-se num clássico da literatura beatnik - e da literatura sobre (ou sob o efeito de) drogas também.

Essa relação entre drogas, criação e escritores e outros artistas, como pintores, músicos e atores, não foi inaugurada por Burroughs e sua turma. Registros de 50 mil anos atrás indicam que os neandertais já usavam uma erva estimulante com propriedades semelhantes às da efedrina e desenhos feitos em cavernas no período Paleolítico sugerem que os artistas conheciam alguns alucinógenos. Na Odisséia (cerca de 8 a.C.), Homero faz referências a uma bebida, oferecida por Helena a Telêmaco, capaz de aliviar a dor, e a uma planta (lótus) que seduz alguns marinheiros de Odisseu. O primeiro livro realmente dedicado ao tema é de 1821: Confissões de um Comedor de Ópio, escrito pelo inglês Thomas De Quincey.

Assim, por um lado, os beats (o termo foi usado pela primeira vez em 1948 por Kerouac e pretendia transmitir a idéia de "beatitude") não foram os primeiros a usar drogas e a escrever sobre elas. Por outro, não foram também os últimos. Álcool, maconha, heroína, ácido lisérgico (LSD) e substâncias afins sempre embalaram intimamente a criação artística (não toda, obviamente) e negar essa relação é tão ingênuo quanto ainda acreditar que o Sol gira ao redor da Terra - e não o contrário.

A lista de artistas e intelectuais que produziram ou produzem de mãos dadas com as drogas é gigante. Na música, os exemplos vão de Charlie Parker a Kurt Cobain; nas letras, do alcoólatra Lima Barreto e o "maldito" Leminski ao jornalista doidão Hunter Thompson; no teatro, de Antonin Artaud (viciado em ópio) a Fauzi Arap; no cinema, de Easy Rider a Zé do Caixão (sim, ele fez um filme chamado O Despertar da Besta, em que um psiquiatra injeta LSD em viciados para estudar os efeitos do tóxico diante de imagens do próprio Zé do Caixão); e, finalmente, nas artes plásticas, de Van Gogh (viciado em absinto) a Hélio Oiticica.

O importante - longe da apologia ou da condenação - é mostrar como essa união se relaciona com o desenvolvimento das artes e como ela operou transformações, boas ou ruins. Há bad trips e overdoses nesse casamento de risco? Sem dúvida. Há obras e histórias geniais decorrentes dele? Sem dúvida também.

"Para determinados artistas, as drogas serviram para aguçar a sensibilidade", diz Jorge Coli, professor de história da arte da Unicamp. "Mas elas não desencadeiam a criação se não houver o espírito criador." Jean-Arthur Rimbaud, poeta francês do século 19 e autor dos clássicos Uma Temporada no Inferno e Iluminações, acreditava no "desregramento dos sentidos" como meio de criação. "O poeta se faz vidente por um longo, imenso e racional desregramento de todos os sentidos", afirmava ele. O objetivo do desregramento era "reter a quintessência" das coisas. E, de acordo com Rimbaud, o haxixe, o ópio e o absinto eram bons elementos para atingi-lo.

Os beatniks - incluindo Gregory Corso, Gary Snider, Lawrence Ferlinghetti, entre outros da geração -, por sua vez, queriam ser um estilo de vida. "Antes da aparição dos beats não havia, nos jovens da época, qualquer relação entre seus mundos e suas mentes", afirma o jornalista Bruce Cook em seu livro The Beat Generation ("A Geração Beat", sem tradução para o português). A época, vale lembrar, era a década de 1950. "Em 1954, os Estados Unidos viviam o apogeu da Guerra Fria, acabando de sair da Guerra da Coréia e em pleno período do macarthismo, de perseguições a intelectuais militantes ou suspeitos de pertencerem a organizações de esquerda", afirmou Cláudio Willer na introdução da versão brasileira de Uivo, Kaddish e Outros Poemas, de Allen Ginsberg.

"Eu acho que a marijuana é um instrumento político. É um estimulante catalítico para toda consciência ligeiramente ampliada", afirmou Allen numa entrevista de 1960. Na mesma época, num depoimento para Gregory Corso, concluiu que "o negócio seria fornecer mescalina (alucinógeno extraído de um cacto) ao Kremlin e à Casa Branca, trancar os mandatários pelados num estúdio de televisão durante um mês e obrigá-los a ficarem falando em público até descobrirem o significado dos seus atos". "É assim que a televisão poderia ser adaptada ao uso humano."

Allen e companhia estavam, obviamente, contra a ordem do dia. E, contra eles, estava o establishment - de políticos a críticos. Uivo, quando publicado, em 1956, levou à cadeia seu editor, Lawrence Ferlinghetti, por venda de material obsceno. Liberado mais tarde, o livro se converteu num dos mais influentes da poesia americana do século 20. Além disso, abriu caminho para que On the Road (1957), escrito em três semanas e com 186 mil palavras num rolo de papel de telex, ficasse cinco semanas na lista dos livros mais vendidos. Só para lembrar: Kerouac precisou de muita benzedrina (estimulante), cigarro e café para pôr no papel suas frenéticas viagens pelos Estados Unidos e México embaladas pelo jazz.

À época, o bebop, uma variação "acelerada" do jazz, estava em voga. E Charlie Parker era um de seus representantes supremos. Bird, como o chamavam, tocava seu saxofone movido a vinho barato e muita heroína, a droga da moda e socialmente aceitável entre as pessoas ligadas à música. "Achava-se que usando heroína era possível tocar como Charlie Parker", disse Frank Morgan, um dos companheiros de Charlie, num documentário sobre o saxofonista. O uso da droga ajudou-o a gravar discos sensacionais como Jazz at Massey Holl, mas também levou-o a uma morte prematura, aos 34 anos. Para se ter uma idéia do estrago que a droga lhe fez, o médico responsável pela autópsia - sem saber a idade real do músico - estimou que o corpo era de alguém entre 55 e 60 anos de idade. "Música é a sua própria experiência. Pensamentos, sabedoria. Se você não vive isso, não transmitirá com o seu instrumento", afirmou Charlie certa vez.

No jazz, a heroína correu solta nas veias de muitos outros artistas. Entre eles, Billie Holiday, Chet Baker e Miles Davis, três nomes sagrados do gênero. Miles, dizem, teria criado o cool jazz ouvindo bebop e sendo auxiliado por algumas seringas. Mas nem sempre foi assim. No início do século 20, em Nova Orleans, o jazz era associado à maconha. Na década de 30, diversas músicas sobre o tema já haviam sido compostas e até Louis Armstrong falara bem a respeito da erva. Milton Mezzrow, um jazzista judeu de Nova York, fez o mesmo na década de 40 e afirmou em sua autobiografia, Really the Blues (algo como "O Verdadeiro Blues", sem tradução para o português), que fumar maconha o ajudava a tocar melhor.

Anos depois, porém, a heroína é que passaria a dominar a cena. E seu uso se disseminou até o rock‘n’roll dos tempos atuais (Pete Doherty, vocalista da banda inglesa Libertines, já foi internado e preso por causa de sua dependência da droga). Nesse gênero musical, pouquíssimos chegaram ao nível de Keith Richards, guitarrista dos Rolling Stones. Na década de 70, por exemplo, por conta do vício em heroína, ele chegou até a ter de "trocar de sangue" numa clínica suíça. "Trocar" é exagero. Na verdade, seu sangue foi filtrado numa máquina para que substâncias tóxicas fossem retiradas. Apesar da dependência de Keith (Jagger também não escapou), os Stones produziram alguns de seus melhores álbuns entre 1969 e 1971. Let It Bleed, de 69, pode ser considerado o primeiro "disco de heroína" do grupo. De acordo com a crítica inglesa, "Gimme Shelter", uma das faixas, teria sido composta por Keith numa "temporada" de algumas horas no banheiro de casa com a guitarra e um saquinho de heroína. Exile on Main Street, gravado em 1971 ( lançado em 72) e considerado a obra-prima dos Rolling Stones, é pico do começo ao fim. "Eu estava pegando pesado com heroína", afirmou Keith Richards no ano seguinte.

"A heroína alimenta o simbolismo de se viver no limite, do tipo ‘até onde eu consigo ir?’", afirmou numa entrevista à revista britânica Q Harry Shapiro, autor de Waiting For the Man: The Story of Drugs and Popular Music (algo como "Esperando pelo Homem: A História das Drogas e a Música Popular", sem tradução para o português). Eric Clapton, Steven Tyler, Lou Reed e Iggy Pop chafurdaram nela, mas sobreviveram. Kurt Cobain e Janis Joplin, entre outros, foram além do limite.

Paul McCartney admitiu ter experimentado heroína também, mas sem saber do que se tratava. "Não me dei conta do que havia usado. Me deram algo para fumar e eu fumei", afirmou em 2004 à revista britânica Uncut. Na publicação, Paul relembrou quando ficou preso por dez dias no Japão, em 1980, por estar com 225 gramas de maconha na bagagem. "Estava prestes a ir para o Japão e não sabia se conseguiria fumar alguma coisa por lá", disse. "O negócio era bom demais para jogar na privada, então eu resolvi levar comigo."

Quanto aos Beatles, é inegável que a maconha e o ácido lisérgico (LSD) foram fundamentais na criação de determinados trabalhos, especialmente em Revolver, Rubber Soul e Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band. Ringo Starr conta na série de documentário Beatles Anthology que no período de Rubber Soul a atitude do grupo mudou. "Acho que a maconha teve muita influência nas nossas mudanças", afirmou. Na mesma série, Paul disse: "Mudamos de ‘She Loves You’ para canções mais surrealistas". Já a influência do LSD foi escancarada em "Lucy in the Sky with Diamonds" e "Day Tripper", além da história de que o produtor George Martin teve de levar Lennon para tomar um ar no telhado da gravadora por causa de uma viagem de ácido. Os Beatles, porém, como afirmou Ringo, não conseguiam fazer músicas se estivessem alterados demais. "Sempre que abusávamos a música que fazíamos era uma bosta total", disse ele.

O LSD foi o combustível fundamental para os anos 60, época do amor livre, da Guerra do Vietnã e dos festivais. Na terceira edição do festival da ilha de Wight, em 1970, na Inglaterra, drogas e música proporcionaram algo inusitado: um show de Gilberto Gil, Gal e Caetano para cerca de 200 mil pessoas. Os três e mais umas 20 pessoas tocaram no mesmo palco onde dias depois (foram cinco dias no total) estiveram Jimi Hendrix, The Doors e The Who.

A apresentação aconteceu graças a Cláudio Prado, membro do grupo que gravou uma jam session ocorrida à base de LSD e maconha na barraca do hoje ministro Gilberto Gil. Ele levou a fita até a organização do festival, que autorizou os brasileiros a tocarem no segundo dia - dedicado a artistas pouco conhecidos. O show durou cerca de 40 minutos. No repertório, "London, London", "Aquele Abraço" e muito improviso. "O ácido nos deixou entusiasmados", diz o escritor Antonio Bivar, que foi ao palco tocar reco-reco. Co-tradutor da edição brasileira de On the Road, ele contou a experiência da ilha de Wight em seu livro Verdes Vales do Fim do Mundo. "Caetano e Gal não haviam tomado LSD."
Nesse caso, o alucinógeno ajudou a catalisar um momento da expressão artística. Mas nem sempre nem com todo mundo é assim, do tipo experimente alguma droga e saia escrevendo poemas de qualidade, pintando belos quadros e fazendo boa música por aí. Veja o que o escritor Aldous Huxley, autor de As Portas da Percepção (em que relata seu uso da mescalina), de 1954, e protagonista de experiências com LSD, disse numa entrevista à Paris Review em 1960. Perguntaram se ele via relação entre o processo criativo e o uso de drogas como o ácido lisérgico. Trecho da resposta: "Para a maioria das pessoas é uma experiência significativa e eu suponho que de um modo indireto pode ajudar no processo criativo. Mas não acredito que alguém possa se sentar e dizer ‘Eu quero escrever um poema brilhante e por isso vou tomar ácido lisérgico’. Não acho, de maneira alguma, que você vai atingir o resultado esperado."


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