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segunda-feira, 30 de março de 2015

A flor mais antiga do mundo é encontrada na China


A flor mais antiga do mundo é encontrada na China

EUANTHUS PANII (FOTO: DIVULGAÇÃO)


Espécime teria 160 milhões de anos.

Um grupo de pesquisadores acharam no nordeste da China o que poderia ser a flor mais antiga do mundo, uma espécime de aproximadamente 160 milhões de anos (período Jurássico).

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Árvores da Vida - Botânica


ÁRVORES DA VIDA - Botânica



Em geral, enxerga-se a floresta, raramente as árvores que a compõem. Mas alguns belos e históricos exemplares que sobrevivem em vários países, remanescentes de tempos mais felizes, mostram que elas também têm identidade.

A vida sem elas é impossível, um dia sem vê-las é assustador. Dão sombra, ar fresco e beleza a qualquer paisagem. Nada representa melhor a natureza que essas majestosas soberanas do reino vegetal-as árvores. De fato, assim como o homem é o organismo mais complexo e evoluído do reino animal, as árvores simbolizam o máximo da evolução vegetal. Se não podem andar como os animais, em compensação podem fabricar o próprio alimento. É o conhecido processo da fotossíntese, pelo qual transformam energia solar, gás carbônico e água em substancias nutritivas e oxigênio. Graças a essa capacidade, as plantas não dependem dos animais para sobreviver. Na verdade, são a fonte básica da cadeia alimentar dos seres vivos. Foi o surgimento dos vegetais, sintetizadores de oxigênio, que tornou possível a vida animal.

Mas, se as árvores são responsáveis pela preservação do homem, este nem sempre se preocupa em cuidar de suas protetoras. Raízes, troncos, folhas, flores e frutos têm sido indistintamente transformados em alimento, madeira, papel e medicamentos. Nesse processo, esqueceu- se o valor da árvore viva, que só começou a ser resgatado nos anos recentes, com a eclosão dos movimentos em defesa da natureza. No entanto, por motivos variados, certos exemplares conquistaram a simpatia humana e mereceram uma atenção que, em geral, não é dada a florestas inteiras. Por exemplo, o grande cipreste mexicano da aldeia de Tula, com 42 metros de diâmetro, ou a velha figueira de 22 metros de altura da Rua Haddock Lobo, no Jardim América, em São Paulo. "Essa atitude é prova de que o homem não é só destruidor", opina o engenheiro agrônomo Antonio Luiz Gonçalves, do Instituto de Botânica de São Paulo. "É também o único animal que preserva a vida dos mais fracos."

Tal esforço, porém, nem sempre é bem-visto por alguns pesquisadores. Eles argumentam que esse tipo de preservação tem muito pouco valor em termos científicos, pois os exemplares, na maioria das vezes, são figuras decadentes que representam mal a forma da espécie. As variedades de árvores que hoje vivem e se multiplicam no planeta são as que conseguiram sobreviver às sucessivas mudanças das condições naturais ao longo dos quase 400 milhões de anos transcorridos desde o aparecimento dessas formas vegetais de vida. "A natureza é uma fotografia do momento e as árvores preservadas servem como documento histórico de milhões de anos de evolução", justifica Gonçalves. A primeira grande alteração climática a devastar as primitivas florestas ocorreu há cerca de 300 milhões de anos, quando a temperatura da Terra caiu e o ar ressecou, transformando ricas vegetações nos atuais depósitos de carvão mineral. Nessa época, os vegetais se reproduziam exclusivamente por esporos (células reprodutivas), constituindo o antigo embrião das árvores-os chamados fetos arbóreos do grupo das pteridófitas, que se tornaram o protótipo das árvores. "São as samambaias arbóreas, um primeiro ensaio tão bem-sucedido que permanece até nossos dias", explica o engenheiro agrônomo. Depois, há 200 milhões de anos, surgiram as gimnospermas, capazes de se reproduzir por meio de sementes. Nesse grupo estão as araucárias, os pinheiros e os ciprestes, entre outros. Árvores floridas, com sementes dentro de frutos, vieram a formar, há menos de 100 milhões de anos, o terceiro e último grupo, o das angiospermas, que constituem a maior parte das árvores existentes.

As angiospermas se dividem em duas classes: as mais complexas são as monocotiledôneas, que incluem palmeiras, bananeiras, bambus e dracenas; e as dicotiledôneas, mais numerosas, que incluem carvalhos, ipês e jequitibás. Todas essas classificações podem parecer simples passatempos de botânicos excêntricos pois, afinal não é difícil reconhecer uma árvore quando se está diante de uma. Entretanto, estudos mais profundos demonstram que a estrutura anatômica de certas árvores não se diferencia muito de alguns arbustos, trepadeiras ou ervas. Assim, a partir do estudo das relações evolutivas e genéticas, o conceito de árvore passou a se associar a uma planta que renova seu crescimento a cada ano, sustenta-se com um caule simples recoberto por tecidos mortos, ditos suberificados e, na maioria das espécies, produz ramos secundários, mais conhecidos como galhos. Para crescer, as pontas dos galhos e das raízes possuem os chamados tecidos meristemáticos, compostos por células que se dividem.

O crescimento na largura é causado por outros meristemas entre a madeira e a casca. Em coníferas (árvores em forma de cone) e dicotiledôneas é fácil observar os anéis concêntricos do caule, que indicam suas idades. Desse modo, as raízes se estendem menos ou mais profundamente pelo solo, captando água e nutrientes (a seiva bruta) e por efeito, evitando a erosão. O tronco e os galhos funcionam como vasos sangüíneos, levando a seiva do solo às folhas, as quais agem como uma espécie de célula solar, que capta a luz do sol para a fotossíntese. O processo pelo qual a seiva sobe até as folhas, sem contar com uma bomba eficiente como o coração dos animais, é uma das proezas evolutivas desses vegetais. Devido à propriedade que as moléculas de água têm de ficar fortemente unidas, elas formam uma grande corrente até o topo da árvore. Assim, à medida que uma molécula evapora na superfície da folha, outra é empurrada para o seu lugar. A grande maioria das espécies de árvores faz parte da vegetação de lugares com índices de chuva ao redor de 700 milímetros por ano. Algumas espécies, como os juazeiros do Nordeste brasileiro, estão adaptadas a climas semidesérticos, mas é nas regiões tropicais, com grande quantidade de chuva, que elas aparecem em grande variedade e abundância. "Com o calor, as reações químicas se aceleram, o que permitiu o surgimento de plantas mais evoluídas, no caso as monocotiledôneas", ensina o engenheiro agrônomo Gonçalves.

Por essa razão, o Brasil apresenta uma das floras mais ricas do mundo, com muitas árvores belas e valiosas. Perobas, cerejeiras, mognos, imbúias, cedros e jacarandás, entre outras, são alguns exemplos de árvores com madeira de boa qualidade para uso nobre, isto é, para a fabricação de móveis finos. "Não admira sermos o único país do mundo com nome de árvore", lembra ele. De fato, os colonizadores portugueses chamaram sua colônia de Brasil em referência à estranha árvore de miolo cor de brasa (daí o nome pau-brasil) encontrada por aqui. Já os indígenas a denominavam Pindorama que, no idioma tupi, quer dizer "terra das palmeiras", plantas que embora pertençam a outro grupo botânico, têm o porte de árvore.

A presença das árvores na cultura dos vários povos é sinal de reverência a esses impressionantes vegetais. Não há livro sagrado que não se refira a um símbolo inspirado nelas. Da árvore genealógica hebraica, à qual pertence Jesus Cristo, até as folhas de palmeira e oliveira que celebraram a passagem do Messias por Jerusalém, a Bíblia está cheia delas. Antes, os gregos já cultuavam em sua mitologia as figuras dos sátiros e das ninfas, os espíritos das árvores. Os antigos sacerdotes druidas (no velho idioma céltico, "aqueles que conhecem o segredo do carvalho"), que habitaram a região da Inglaterra há 23 séculos, também cultuavam a floresta, oferecendo-lhe sacrifícios humanos. Não é preciso ser tão radical hoje em dia para defender a natureza, mas seria o caso de pelo menos aprender com os druidas que a boa árvore é a árvore viva.


sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Botânicos fazem lista com 1,25 milhão de nomes de plantas

29/12/2010 14h41 - Atualizado em 29/12/2010 14h41

Botânicos fazem lista com 1,25 milhão de nomes de plantas
Banco de dados traz denominações científicas e comuns de vegetais.
Com maioria das espécies conhecidas, 'Plant List' está disponível online.

Botânicos britânicos e norte-americanos anunciaram nesta quarta-feira (29) ter inventariado 1,25 milhão de denominações de plantas, dando forma à lista mais ampla do mundo, que pode ser consultada no site www.theplantlist.org, em inglês.

O banco de dados, considerado uma contribuição essencial para a preservação da flora global, contém os nomes científicos e comuns da maioria das espécies vegetais conhecidas, das ervas mais simples a legumes, passando por rosas, samambaias exóticas, musgos e coníferas.

A "Plant List" comporta igualmente links de publicações científicas relacionadas às espécies em questão, para ajudar o trabalho de pesquisadores, tanto em botânica quanto em farmácia.


Página da 'Plant List'. (Foto: Reprodução)A lista foi elaborada a tempo, para a conclusão do Ano Internacional da Biodiversidade, por cientistas do Royal Botanical Gardens (Kew Gardens) da Grã-Bretanha e do Missouri Botanical Garden americano.

"É crucial para pesquisas, previsões, vigilância de programas de preservação das plantas no mundo inteiro", destacou o diretor dos Kew Gardens, Stephen Hopper, citado em comunicado.

"Sem os nomes corretos, a compreensão e a comunicação sobre a vida dos vegetais se perderiam num caos, custariam somas faraônicas, além de colocar vidas em perigo, no caso de plantas utilizadas em medicina", segundo o comunicado dos Kew Gardens.

Entre o mais de milhão de nomes de espécies repertoriadas, cerca de um quarto (25,4%) dessas denominações são ainda consideradas não-resolvidas, não entrando nem nos sinônimos, precisaram os autores da lista.

Os especialistas em botânica e em tecnologia de informação das duas instituições iniciaram suas pesquisas em 2008 para estabelecer esta lista como base de comparação entre famílias de plantas compiladas por Kew Gardens e o sistema Tropicos, um banco de dados alimentado desde 1982 pelo Missouri Botanical Garden.

Em outubro, os 193 países membros da Convenção sobre a Diversidade Biológica reunidos em Nagoya no Japão, decidiram criar até 2020 um banco de dados online com toda a flora conhecida no mundo.

Segundo um estudo divulgado em setembro pela União internacional de Conservação da Natureza, uma planta em cinco é ameaçada de desaparecimento.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

'Flor-cadáver' floresce pela 1ª vez na América Latina em MG

19/12/2010 15h14 - Atualizado em 19/12/2010 19h08

'Flor-cadáver' floresce pela 1ª vez na América Latina em MG, diz botânico
A flor tem um cheiro característico de carne podre.
O fenômeno é raro e foi visto, pela última vez, no Japão, em julho de 2010.


A 'flor-cadáver'Floresceu neste domingo (19), em Brumadinho, Minas Gerais, um exemplar da planta conhecida como ‘flor-cadáver’. Segundo o botânico Eduardo Gonçalves, esta é a primeira vez que esta espécie floresce na América Latina. O fenômeno, raro, está no viveiro do centro de arte e botânica Inhotim, na cidade da região central de Minas. O fenômeno foi registrado pela última vez no Japão, em julho de 2010.

Como o nome já anuncia, a floração da espécie Amorphophallus titanum, natural da Indonésia tem um cheiro característico de carne em estado de putrefação. Gonçalves, que é curador botânico de Inhotim, foi quem plantou a semente da planta rara, que virou uma espécie de batata, até virar a flor que está desabrochada neste domingo (19). Segundo ele, existem várias espécies de plantam que fedem, mas nenhuma atinge o tamanho da flor-cadáver, que pode chegar a três metros de altura.

“Várias flores têm cheiro ruim, mas são sempre pequenas. Geralmente, elas não causam o estardalhaço que esta causa. Ela tem cheiro ruim porque os polinizadores, ao contrário dos que os que a gente conhece, como borboleta, abelha, que gostam de cheiros agradáveis e bonitas cores, os polinizadores desta espécie são besouros e, ocasionalmente, moscas”, disse Gonçalves. O doutor em botânica explica que a planta conseguiu evoluir até reproduzir o cheiro de carne podre para enganar os besouros, de forma que eles fizessem a polinização para a perpetuação da espécie. O besouro, segundo o especialista, também é atraído pela cor interna da planta, que se assemelha à cor de carne em putrefação.

De acordo com Gonçalves, para que a planta atinja sua floração, ela própria se aquece, e produz substâncias que solta no ar em pequenos pulsos. Essas substâncias, sendo dois tipos delas as cadaverinas e as putrescinas, são o que faz com que sintamos o cheiro de podridão.

Apesar da aparência bem diferente, a ‘flor-cadáver’ é da família do copo-de-leite. Conhecida como a maior flor do mundo, na verdade, segundo o curador, ela é uma floração, uma reunião de pequenas flores em um conjunto compacto.

Sônia Zanon, que visitou a flor-cadáver neste domingo (19), achou a espécie muito exótica. “Muito exótica, diferente. Achei que se pareceria com uma orquídea, muito linda, muito delicada, pelo o que falaram na recepção. Me surpreendeu muito. Olhando de longe, achei que isso aqui (a planta) era uma escultura e que a planta estaria por aqui. E qual não foi minha surpresa ao ver que a escultura é a própria planta. Achei muito bonita, muito exótica", disse a visitante.

O idealizador e membro do Conselho de Administração de Inhotim, Bernardo Paz, falou sobre o trabalho de excelência do centro, que vem sendo montado, e que a 'flor-cadáver' é um exemplo de conquista. “A tendência agora é amplificar a botânica o máximo possível e ter todos os exemplares raros do mundo inteiro. E estamos neste caminho. A gente fica muito feliz quando acontece uma coisa desta proporção na América Latina. É uma coisa extraordinária”, completou Paz.

A 'flor-cadáver' começou a floração neste sábado e até terça-feira (21), já vai ter caído. A ‘batata’, que fica sob a terra, pode ser retirada do lugar, segundo Gonçalves porque entra em um estado de dormência e pode ser replantada em qualquer outro local. Normalmente, a floração acontece a cada dez ou 12 anos, mas a equipe de botânicos do Inhotim tem a expectativa de presenciar o fenômeno de novo em dois anos, porque, segundo eles, esse exemplar floresceu muito antes do previsto e muito rapidamente.

O fenômeno pode ser visto pelo site do Inhotim ao vivo. Uma câmera acompanha o desabrochar em tempo real até a planta cair totalmente.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Planta prospera 'comendo' fezes

25/06/09 - 15h51 - Atualizado em 25/06/09 - 15h51

Planta prospera 'comendo' fezes de mamífero, afirma nova pesquisa
Flor é parente das chamadas plantas carnívoras, que digerem insetos.
Estratégia ajuda vegetal a obter nitrogênio para seu organismo.




Foto: Reprodução Uma das formas da planta (Foto: Reprodução)As plantas Nepenthes estão entre as espécies mais estranhas do planeta. Sua flor possui um amplo “recipiente” pendurado, onde a planta digere formigas e outros insetos que escorregam para dentro.

Porém, a Nepenthes lowii, encontrada em Bornéu, é ainda mais estranha. Ela obtém sua alimentação não de insetos, mas de musaranhos, que usam a planta como privada.

Jonathan A. Moran, da Universidade Royal Roads na Columbia Britânica, Charles M. Clarke, da Universidade Monash na Malásia, e colegas, descrevem essa “original estratégia de sequestro de nitrogênio” num artigo na revista científica "Biology Letters". Usando uma análise isotópica, eles estimam que as fezes do musaranho, depositadas nos recipientes da N. lowii, sejam uma fonte significativa de nitrogênio para as plantas.

A N. lowii é encontrada em altitudes elevadas, onde formigas e outros insetos são menos frequentes, contou Moran, que estuda plantas Nepenthes há duas décadas. Em seu estado imaturo, a planta desenvolve seu “recipiente” próximo ao solo e aproveita as poucas formigas disponíveis. “Quando você começa pequeno, é preciso capturar algo”, disse Moran.

Todavia, a planta madura desenvolve os recipientes no ar. Os musaranhos visitam as plantas para comer o néctar que vaza da cobertura aberta no recipiente, posicionando-se diretamente por cima dele.

“A forma acompanha a função”, disse Moran. Os recipientes da N. lowii “até mesmo se parecem com privadas”, acrescentou, “embora fôssemos educados demais para dizer isso no artigo”.