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sábado, 30 de maio de 2026

COLONIZANDO A LUA - Nasa revela seus planos para construir base lunar permanente até 2032

COLONIZANDO A LUA - Nasa revela seus planos para construir base lunar permanente até 2032

A agência espacial americana planeja enviar drones e veículos para a Lua como parte dos planos para uma base lunar permanente.

terça-feira, 14 de abril de 2026

CORRIDA ESPACIAL - Quantas vezes o homem pisou na Lua

CORRIDA ESPACIAL - Quantas vezes o homem pisou na Lua

Entre 1969 e 1972, EUA levaram 12 astronautas à Lua em seis diferentes missões. O sobrevoo da Artemis II reacendeu o interesse nas expedições lunares.

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

A outra corrida espacial - Por que somos obcecados em mandar objetos para a órbita da Terra

A outra corrida espacial - Por que somos obcecados em mandar objetos para a órbita da Terra

De templos budistas e cinzas de pessoas e animais a carros, os seres humanos estão enchendo o espaço com objetos de todos os tipos.

terça-feira, 30 de maio de 2023

EXPLORAÇÃO ESPACIAL - China anuncia plano de enviar astronautas à Lua antes de 2030

EXPLORAÇÃO ESPACIAL - China anuncia plano de enviar astronautas à Lua antes de 2030

País asiático entra de vez em uma nova corrida espacial com os Estados Unidos.

sábado, 12 de novembro de 2022

Diretor da NASA acusa a China de querer 'se apoderar' da Lua

Diretor da NASA acusa a China de querer 'se apoderar' da Lua

Bill Nelson disse ainda que está preocupado com o surgimento de uma nova corrida espacial

segunda-feira, 22 de julho de 2019

LUA VERMELHA - O Programa Lunar Ultrassecreto dos Soviéticos

LUA VERMELHA - O Programa Lunar Ultrassecreto dos Soviéticos



Nos 60 anos do lançamento da Luna 1, entenda por que os soviéticos fracassaram na corrida espacial contra os Estados Unidos

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Postagem Populares - Novembro de 2014


Postagem Populares - Novembro de 2014




O HOMEM NUNCA PISOU NA LUA? Esqueça tudo o que lhe ensinaram na escola: o homem nunca pisou na Lua. A célebre imagem da nave americana po...


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quinta-feira, 29 de maio de 2014

Houston, temos um problema aqui - Apolo 13


HOUSTON, TEMOS UM PROBLEMA AQUI - Apolo 13


Há vinte e cinco anos, essa frase marcou um dos mais dramáticos momentos da história da exploração espacial. Ela vinha da nave Apolo 13, avariada próxima à Lua, com três astronautas a bordo. A mensagem era endereçada ao centro de operações da Nasa, em Houston, nos Estados Unidos. Foi o início da heróica missão de trazer a nave de volta a Terra. A história é contada agora no filme Apollo 13, que estréia este mês com Tom Hanks no papel principal.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Ônibus espacial Endeavour começa a ser exibido



Ônibus espacial Endeavour começa a ser exibido em museu dos EUA

Veículo aposentado em 2011 ficará em centro de exposição de Los Angeles.
Estudantes, pais e professores se reuniram para ver cerimônia de abertura.

Milhares de pessoas compareceram na terça-feira (30) ao Centro de Ciências da Califórnia, em Los Angeles, nos EUA, para ver de perto o ônibus espacial Endeavour, aposentado no ano passado pela Nasa, junto com os outros veículos da frota.

Estudantes, pais e professores se reuniram com autoridades para assistir à cerimônia de abertura e conferir a exposição. Os participantes também receberam explicações sobre o Endeavour e as futuras missões da Nasa.


Convidados circulam pelo espaço onde ficará exibido o ônibus espacial Endeavour (Foto: Bill Ingalls/Nasa)


A inauguração faz parte de um esforço de seis dias chamado SpaceFest, que vai até este domingo (4). A Nasa planejou outras 30 exposições, atividades e manifestações educacionais em homenagem à Aeronáutica e ao passado, presente e futuro da exploração espacial.

Segundo o ex-astronauta e administrador associado da agência para educação, Leland Melvin, o lançamento dessa "nova missão" do Endeavour pode inspirar a próxima geração de exploradores. 

Após cruzar os EUA, a nave deve ficar permanentemente nesse novo espaço.Astronautas da Nasa Danny Olivas (esq.), Garrett Reisman, Barbara Morgan e Leland Melvin cumprimentam as crianças que comparecem ao Centro de Ciências da Califórnia, em Los Angeles (Foto: Bill Ingalls/Nasa)

Os ônibus espaciais estiveram em atividade por 30 anos. Só o Endeavour completou 25 missões, que, entre outras tarefas, ajudaram a construir a Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês). Ele substituiu o ônibus Challenger, que explodiu logo após o lançamento, em 28 de janeiro de 1986, e deixou sete astronautas mortos.

O Endeavour passou 299 dias em órbita e deu 4.671 voltas ao redor da Terra. Ao todo, percorreu 197.761.262 quilômetros.

Pneus usados no último voo do Endeavour são expostos separados do ônibus (Foto: Bill Ingalls/Nasa)

De acordo com o diretor do Centro de Pesquisa de Voos Dryden da Nasa, David McBride, a nova era da exploração espacial já está em andamento. Esta semana, a cápsula Dragon da empresa privada SpaceX partiu rumo à ISS em uma missão de abastecimento. Assim, a companhia se tornou a primeira dos EUA a ter sucesso nessa tarefa.

McBride destacou que, ao contar com a engenhosidade das empresas americanas para fazer transporte de rotina à ISS e outras viagens em órbita baixa, a Nasa pode se concentrar no desenvolvimento da cápsula tripulada Orion, que vai substituir a antiga geração de ônibus espaciais. Essa nova nave promete percorrer grandes distâncias, desde asteroides até Marte.


Dançarinos da Academia de Dança Debbie Allen fazem performance de 'Men in Black' (Foto: Bill Ingalls/Nasa)


quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Destino: Terra - Espaço


DESTINO: TERRA - Espaço



A preocupação com o ambiente invade os programas espaciais. Uma batelada de novos satélites vai ajudar os cientistas a entender melhor o que acontece com o planeta.

Durante os últimos 33 anos, desde que os soviéticos lançaram ao espaço o primeiro satélite artificial, o homem se acostumou a pensar nas conquistas espaciais como uma corrida para chegar cada vez mais longe. O Sputnik foi jogado numa órbita entre 228 e 947 quilômetros de distância. Em 1969, astronautas pisaram na Lua, a 384 mil quilômetros da Terra. Depois, naves automáticas rumaram para outros mundos, pousando em Marte e Vênus, tiraram fotos inesquecíveis dos gigantes Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. A sonda Pioneer cruzou os limites do sistema solar e enviou sinais a mais de 6 bilhões de quilômetros. Mas aquela que talvez venha a ser a maior conquista de todos os tempos e está sendo planejada agora dirá respeito a um corpo celeste do qual se supõe conhecer muita coisa: a própria Terra. A idéia de explorar do alto a casa do homem começou a tomar corpo num período relativamente breve. Há três anos, a então astronauta Sally Ryde, hoje professora da Universidade de Stanford, na Califórnia, referiu-se a uma certa Missão ao Planeta Terra no seu relatório sobre o futuro do programa espacial americano depois do desastre com a nave Challenger em 1986. O relatório feito a pedido da NASA desestimulava a busca de proezas mais ousadas, como a ida do homem a Marte ou o estabelecimento de uma colônia lunar, mostrando que a ciência espacial bem poderia contribuir para necessárias pesquisas aqui mesmo na Terra. Mas foi preciso que a crise ambiental se transformasse em assunto de todos os dias para que os promotores da conquista do espaço começassem a pensar seriamente em usar mais esse valioso instrumento para enxergar melhor o que acontece no quintal terrestre.
Na realidade, há anos que o homem aproveita os avanços tecnológicos que possibilitaram às naves espaciais ir tão longe para ter uma idéia melhor das ameaças ao meio ambiente. Já no final da década de 70, por exemplo, as imagens enviadas pelo satélite meteorológico Nimbus-7 deram aos cientistas a péssima noticia de que havia um buraco sazonal na camada de ozônio sobre a Antártida, um dos mais sérios problemas criados pela poluição industrial. As naves espaciais documentaram também o desmatamento das florestas tropicais, a desertificação na África, o ar envenenado das grandes cidades e o mau uso do solo. Os satélites de sensoriamento remoto verdadeiros olhos no espaço, captaram as radiações emitidas pela superfície do planeta tanto na faixa do visível como no infravermelho e em microondas.
Com essas imagens hoje se faz desde a avaliação dos recursos naturais a estimativas de colheitas agrícolas, passando pela observação de acidentes ecológicos, além de planejamento urbano e cartográfico. Mas os instrumentos disponíveis precisam evoluir muito para documentar todas as complexas interações entre o solo, os oceanos e a atmosfera. "A física e a química do funcionamento do planeta ainda não foram compreendidas e a nossa habilidade de prever mudanças é falha", diagnostica o microbiólogo sueco Thomas Rosswall, diretor-executivo do Programa Internacional de Geosfera e Biosfera (IGBP), ouvido por nos. Ele esteve há pouco no Brasil para participar de um seminário sobre mudanças ambientais na América Latina, no Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE) em São José dos Campos.
Segundo explicou, o programa IGBP, que funciona em 34 países, pretende justamente reunir dados que permitam aos pesquisadores prever a repercussão da atividade humana no meio ambiente, especialmente nas concentrações e misturas de gases na atmosfera, no clima e nas interações entre esses fenômenos. "Para isso precisamos de novos e mais eficientes instrumentos de trabalho", afirmou o cientista. "Não podemos compreender o funcionamento da Terra apenas vigiando aqui e medindo acolá, sem integrar todas as peças no quebra-cabeça." Para facilitar essa integração, cujos benefícios talvez incluam projeções menos polêmicas sobre as conseqüências do efeito estufa sobre o nível dos mares, os países envolvidos na exploração espacial planejam lançar até o final da década de 90 quinze satélites equipados com instrumentos para medir praticamente tudo que vale a pena neste mundo - da espessura do gelo na Groenlândia à força das tempestades tropicais no Oceano Índico.
Para o sueco Rosswall, esta nova versão daquilo que Sally Ride chamou Missão ao Planeta Terra apenas terá sentido se todas as informações forem usadas em pesquisas interdisciplinares - diferentemente dos experimentos espaciais anteriores que coletavam dados apenas para determinados estudos. Em sua opinião, "só assim os cientistas vão entender o delicado sistema de funcionamento do planeta e influenciar os responsáveis pelas decisões políticas para que tomem as medidas necessárias à redução da atividade destrutiva do homem".
O maior dos projetos que compõem a Missão ao Planeta Terra é o Earth Observing System (EOS), ou Sistema de Observação da Terra, de responsabilidade sobretudo da NASA, composto a princípio de duas séries de três plataformas polares, pesando cada uma 15 toneladas e com carga útil de 3,5 toneladas. Como comparação, um satélite de sensoriamento remoto da série Landsat, atualmente em órbita, pesa cerca de oito vezes menos. O projeto prevê o funcionamento ao mesmo tempo de duas plataformas, uma de cada série. O primeiro lançamento será em 1997. Cada plataforma ficará em órbita durante cinco anos a 824 quilômetros de altitude. Como os lançamentos serão sucessivos, espera-se que durante quinze anos o sistema forneça informações praticamente diárias sobre o planeta. Fazem também parte do projeto outras plataformas semelhantes, que serão lançadas pelo Japão e pela Agência Espacial Européia, e ainda a colocação de uma série de pequenos satélites em órbita equatorial com missões específicas, como por exemplo acompanhar as variações na espessura da camada de ozônio na atmosfera.
Se a NASA conseguir os dólares necessários, serão lançados mais cinco satélites em órbita geoestacionária a 36 mil quilômetros do equador. Nessa altitude, igual à dos satélites meteorológicos, estarão sempre na mesma posição e assim poderão medir qualquer processo no planeta de maneira contínua. Desde já, a Missão ao Planeta Terra é considerada um dos maiores e mais caros projetos concebidos pela agência espacial americana-estima-se que terá um orçamento de 20 bilhões de dólares, uns 3 milhões a menos do que serão gastos na controvertida estação espacial Freedom, onde também se prevê a instalação de medidores de chuva, de ventos e de radiação solar na região equatorial. Os defensores da Missão batalham para que os Estados Unidos o adotem como prioridade nacional, à maneira do projeto Apolo na década de 60, que levou o homem à Lua. Desta vez, poucos teriam a coragem de dizer, como então, que se trata de dinheiro jogado fora para satisfazer uma vaidade patriótica: o projeto pode ajudar a recuperar o meio em que o homem vive.
Embora o lançamento da primeira plataforma polar EOS só vá ocorrer daqui a sete anos - se não houver atrasos -, o seu funcionamento está sendo desenhado desde já. "É um projeto que requer planejamento e um complexo programa de análise e tratamento de dados", informa o engenheiro agrônomo Getúlio Batista, do Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE). "O Sistema de Observação da Terra deve coletar mil vezes mais informações do que os satélites Landsat." Batista, que vai passar os próximos dois anos no Goddard Space Flight Center, em Maryland, Estados Unidos, é o coordenador de um dos 55 projetos aprovados pela NASA para serem desenvolvidos com o auxílio dos dezenove sensores da plataforma polar. Ele vai acompanhar o ciclo da água na Amazônia para entender como o desmatamento afeta o ecossistema da floresta tropical.
"É uma oportunidade única para estudar o papel da floresta no clima do globo", entusiasma-se o pesquisador, um dos integrantes da equipe de sensoriamento remoto do INPE acostumada a denunciar com imagens vindas do espaço a extensão das queimadas brasileiras. Os satélites atuais não são capazes de detectar as taxas de evaporação e transpiração da floresta, o que significa que até hoje não se sabe com precisão quanto chove de verdade na Amazônia. Mas os sensores da plataforma polar do EOS podem medir temperatura, umidade e quantidade de poeira na atmosfera. Eles também vão fornecer a cada três dias, com resolução de até 500 metros, imagens da vegetação - ou de sua perda - na superfície da floresta.
A plataforma polar do EOS conta ainda com um instrumento de alta resolução e sensibilidade para observar mudanças biológicas nos rios da Amazônia, capaz de rivalizar com os satélites-espiões que Estados Unidos e União Soviética tanto apreciam para bisbilhotar as armas secretas um do outro. "Será uma espécie de lente zoom no espaço", compara Batista. "O sensor tem resolução de 30 metros, igual ao do Landsat, mas suas bandas espectrais, divisões das faixas de luz, serão 192, contra sete do satélite americano e quatro do francês Spot", contabiliza o pesquisador. "Com ele vamos acompanhar a vazão dos rios, a quantidade de sedimentos depositados, a qualidade da água nos reservatórios e o impacto das barragens." Esse mesmo sensor poderá identificar minerais e tipos de solos, quantidade de plânctons nas zonas costeiras, impurezas na neve e o efeito da umidade e da poluição nas folhas. Haja pesquisadores para interpretar tamanha constelação de dados.
Outro instrumento, dotado de laser deve medir os movimentos da crosta terrestre -proporcionando, quem sabe, informações de vital importância a populações de áreas sujeitas a terremotos, como a Califórnia -, a cobertura da camada de gelo nos pólos e até a altura das ondas oceânicas. E um radar, enfim, fará o mapeamento das terras, mares e superfícies geladas mesmo nos dias nublados e durante a noite. Além de participarem do EOS, os países que já mandaram seus brinquedos ao espaço têm outros projetos em andamento para esta década. Um deles é o Topex/ Poseidon, um empreendimento conjunto dos Estados Unidos e da Agência Espacial Européia, que será lançado em dois anos. Como o nome sugere, o engenho deverá estudar os padrões de circulação dos oceanos e sua relação com as mudanças no clima terrestre.
O satélite americano Space Radar Observatory, por sua vez, com lançamento marcado também para 1992, será o primeiro a fazer um mapeamento completo do planeta por radar, o que certamente será a alegria dos geógrafos. Mais importante ainda, o aparelho medirá as taxas de dióxido de carbono da atmosfera que são o principal indicador do efeito estufa. Os japoneses devem lançar o Geotail, destinado a estudar a energia na magnetosfera, camada além da ionosfera que se estende até a faixa-limite do espaço interplanetário. Os soviéticos têm dois satélites programados para estudar a influência da energia solar no planeta, um tema que por sinal vem mobilizando especialmente os cientistas desde o ano passado devido à intensificação da atividade do Sol neste período.
Estudar a Terra certamente não provoca tanta excitação quanto o sonho de enviar missões tripuladas a outros planetas, mas os próprios cientistas que têm a cabeça em Marte ou mais longe ainda estão acordando para o imperativo de que consertar o planeta é prioritário à sobrevivência da humanidade. Como diz o astrofísico americano John Eddy, da Universidade do Colorado, um dos integrantes do Programa Internacional de Geosfera e Biosfera, "quando escreverem o livro da História do século XXI, as próximas gerações se perguntarão porque demoramos tanto até olhar para a nossa casa". Antes tarde do que nunca: justamente para recuperar o tempo perdido, o Ano Internacional do Espaço, marcado para 1992 a fim de coincidir com as comemorações dos quinhentos anos da descoberta da América, será dedicado à Missão ao Planeta Terra. 

A cor do mar e o efeito estufa

Que será que os plânctons, microscópicos organismos da superfície dos oceanos, tem a ver com o equilíbrio climático da Terra? As imagens coloridas dos oceanos transmitidas pelo satélite Nimbus-7 de 1978 a 1986 dão uma pista e mostram de maneira exemplar o que os cientistas do Programa Internacional de Geosfera e Biosfera (IGBP) querem dizer quando falam em interação dos processos físicos, químicos e biológicos do sistema terrestre. Como os vegetais do solo, os plânctons contêm clorofila e outros pigmentos que absorvem a luz solar nas faixas azul, amarela e vermelha do espectro. Assim, existe uma relação entre as cores das camadas superiores do oceano, captadas pelos sensores do infravermelho do satélite, e a concentração de plânctons ali.
Os cientistas que estudam o clima terrestre, os climatologistas, não sabem ainda qual o volume de dióxido de carbono, emitido pela queima de combustíveis fósseis, que acaba absorvido pelos oceanos, mas calculam que seja significativo. Uma boa porcentagem desse gás, um dos principais causadores do efeito estufa, é usada biologicamente pelos plânctons na fotossíntese e portanto não contribui para o aquecimento da atmosfera. Esses organismos também são responsáveis pela absorção de nitrogênio e partículas de fósforo e ferro da atmosfera na síntese de proteínas. Quanto eles absorvem dessas substâncias é uma questão por responder. E a resposta pode fornecer uma indicação a mais sobre a quantas anda o ar do mundo.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Uma Casa em Órbita - Espaço


UMA CASA EM ÓRBITA - Espaço



Daqui a seis anos começará a surgir a Freedom, a maior estação espacial já planejada pelo homem. Ela será o lar de oito astronautas e servirá para experiências em microorganismos.

Após um dia de intenso trabalho, um bom jantar, uma conversa com a família, uma partida de xadrez e o sono merecido. No dia seguinte, exercícios para manter a forma, uma ducha revigorante, café da manhã reforçado e tudo recomeça. A rotina, típica dos nossos dias, não teria nada de excepcional se não fosse vivida por uma equipe de oito astronautas afastados do cotidiano terrestre durante bons seis meses. Para esses homens e mulheres, atividades corriqueiras, como tomar banho ou se alimentar, não serão o que se pode chamar tarefas banais. O capítulo banho, por exemplo, pode se arrastar por mais de uma hora, enquanto a acomodação confortável no vaso sanitário, entre cintos de segurança e prendedores de pé, não será algo instantâneo como na velha Terra - e lá se irão outros preciosos minutos.
Problemas aparentemente menores como esses fazem parte da infindável pauta dos engenheiros da agência espacial americana NASA, que há algum tempo estudam maneiras de tornar a vida no espaço um pouco mais parecida com a que segue por aqui, apesar da quase total ausência de gravidade. Ultimamente, tais estudos se tornaram ainda mais urgentes porque os Estados Unidos, os países da Comunidade Econômica Européia
(menos a Inglaterra), além do Japão e do Canadá, concentram esforços no que é considerado hoje um dos mais ousados e por isso mesmo polêmicos projetos da conquista espacial: a estação orbital Freedom (liberdade, em inglês), a última grande incursão tripulada ao espaço deste século. Trata-se de um hotel-laboratório permanente de 110 metros de comprimento, ou um campo de futebol, que aqueles países pretendem montar a cerca de 400 mil metros da Terra. 
Se o projeto levantar vôo financeiramente - o que depende sobretudo do Congresso americano, do qual se espera o sinal verde para 15 dos 23 bilhões de dólares que se supõe necessários ao empreendimento -, no final de 1995 um ônibus espacial sairá de Cábo Canaveral, na Flórida, carregado com 18 toneladas de material de construção. A carga será abandonada durante algumas semanas em órbita até que outra nave leve os astronautas ao serviço. Presos apenas por cabos, começarão em pleno espaço a montar a estação. Esse processo se repetirá ao longo de dois anos. Se o calendário for cumprido conforme os planos atuais, em 1998, vinte vôos depois, a Freedom estará pronta para receber os primeiros inquilinos.
A experiência não é inédita. A começar de 1973, a União Soviética lançou sete estações Salyut (saudação, em russo), precursoras da atual Mir (paz), que com seus 40 metros de comprimento fica bem atrás em termos de tamanho e capacidade de acomodação do custoso projeto ocidental.    Embora pequena, a Mir abrigou até três cosmonautas em missões de longa duração. No ano passado, os cosmonautas Vladimir Titov e Musa Manarov permaneceram a bordo o tempo recorde de 366 dias, 19 horas e 30 minutos. Os americanos também já tiveram uma experiência com estação orbital: o laboratório Skylab, onde, em 1973, três astronautas passaram 84 dias. Em 1979, seis anos e quatro versões depois, uma pane no sistema de correção de órbita fez com que o último Skylab se espatifasse na atmosfera. Anunciada em 1984 pelo então presidente Ronald Reagan, a Freedom deve continuar com mais recursos o trabalho de sua antecessora. Para os defensores do projeto nos Estados Unidos, ela é a base em que se assenta o futuro do programa espacial americano.
Para os críticos, não passa de uma extravagância: experiências a bordo dos ônibus espaciais - cujos lançamentos custam cerca de 50 milhões de dólares - ou mesmo numa estação mais modesta, segundo esses críticos, produziriam resultados iguais. Pode ser. Mas a diferença é que em nenhuma dessas naves oito astronautas poderiam viver quase normalmente. "A Freedom é uma excelente oportunidade para preparar o homem para longas viagens espaciais", justifica o físico John Bartoe, coordenador científico do projeto, ouvido por SI.
A estação é uma grande arcabouço horizontal de tubos ultraleves de fibra de carbono e epóxi. Nas duas pontas serão instalados painéis solares contendo cada um 250 mil células fotovoltaicas. Calcula-se que a estação levará 91 minutos para dar uma volta completa em torno da Terra. Durante os 54 minutos em que estiver voltada para o Sol em cada giro, poderá captar 75 mil watts de energia, suficientes para abastecer com folga os quatro módulos pressurizados - um de habitação e três laboratórios - no centro dessa torre espacial. A parte habitável terá paredes duplas de alumínio para amenizar o possível impacto do lixo à solta no espaço - restos de foguetes e satélites deixados em órbita.
Além de construir todo o arcabouço de estação, a NASA está encarregada de projetar o módulo habitacional e um dos laboratórios, de forma cilíndrica e medindo 13 metros de comprimento. De seu lado, a Agência Espacial Européia (ESA) pretende fazer um laboratório acoplado, além de um terceiro, que nem sequer precisará da estação para funcionar. Será uma nave solitária, mantida a cerca de 50 quilômetros da Freedom e usada para experiências científicas, que não poderiam ser realizadas a bordo por causa das interferências no ambiente produzidas pela presença dos astronautas. A cada seis meses, a tripulação de plantão da Freedom trará o módulo-laboratório para a estação, trocará seus experimentos por outros para em seguida liberá-lo por mais seis meses de vôo orbital independente.
Já a contribuição japonesa ao projeto será mais modesta: um laboratório de 10 metros, um pouco menor do que as versões americana e européia. Todo o conjunto será servido por um braço mecânico - contribuição do Canadá para a estação -, quase um  robô móvel capaz de operar equipamentos, manipular ferramentas e consertar instrumentos. É com esse braço - e com mais outro a ser construído pelos americanos para tarefas mais delicadas - que os astronautas pretendem montar a estação no espaço.
Imaginada com tanta antecedência, essa configuração por certo não é definitiva. "Pelo menos mais cinco módulos poderão ser acrescentados no futuro", anuncia Bartoe, da NASA. Europeus, japoneses e americanos também querem construir mais cinco satélites. Estes, ao contrário da Freedom - em órbita equatorial -, devem girar em volta dos pólos. O módulo habitacional com cerca de 13 metros de comprimento será o coração da Freedom. Parecido com o carro-leito de um trem, terá um corredor comprido cercado por todos os lados - literalmente, porque na ausência de gravidade não existe chão nem teto - por armários, cabines, bancadas de trabalho, painéis de controle e pelo menos uma grande janela com direito a uma paisagem para ninguém botar defeito: o planeta Terra. Os astronautas da Skylab que passaram 84 dias no Cosmo eram ex-pilotos de testes acostumados com espaços apertados e imunes à claustrofobia. Mesmo assim, houve ocasiões em que eles se sentiram "como se estivéssemos enterrados vivos num caixão", nas palavras do astronauta Gerald Carr. 
A fim de contornar esse problema. a NASA pretende fazer tudo para transformar a estação num lugar bom para viver e trabalhar - e nesse sentido ela proporcionará lições valiosas para futuras viagens a outros planetas. "A Freedom não deve refletir apenas a habilidade da tripulação em sobreviver em condições adversas", lembra a psicóloga da NASA Ivonne Clearwater. Mesmo porque, refletindo os novos tempos que se anunciam para a conquista espacial, ela não só terá uma população heterogênea, em termos das aptidões de cada um, o que já acontece nos ônibus espaciais, mas também de várias nacionalidades, moda que começou nas estações soviéticas. "A Freedom terá provavelmente astronautas da Europa e do Japão", disse a SI em Paris o engenheiro francês Patrick Eymar, da empresa Aerospatiale, encarregada da construção da parte  européia da Freedom.
Mantido o esquema atual, cada astronauta terá seu próprio quarto - se é que assim se pode chamar a área um pouco maior que uma cabine telefônica. Mas, como chão, paredes e teto poderão ser usados indistintamente, segundo os engenheiros, ninguém terá a sensação de sardinha em lata tão conhecida das gerações anteriores de viajantes espaciais. Cada quarto terá um saco de dormir preso à parede, pois a ausência de gravidade dispensa cama tradicional. Gavetas e armários estarão ao alcance da mão, bem como o terminal de vídeo, mediante o qual os astronautas poderão se comunicar com a Terra e programar suas atividades diárias. "Não se descarta a possibilidade de enviar mulheres ou mesmo casais para a estação". informa o americano Bartoe. Neste último caso, as paredes entre dois quartos individuais seriam retiradas. Mas cada astronauta terá o seu saco de dormir individual. Para ajudar a tripulação a reproduzir a sensação de pés na Terra, os módulos terão o que supostamente seria o chão pintado de uma cor mais escura do que o suposto teto.
A rotina diária dos oito astronautas deverá ser igual à do cotidiano terrestre: oito horas de trabalho, oito de lazer e oito de sono. Durante as horas reservadas à pesquisa, os cientistas poderão estudar temas tão díspares como a formação de cristais de proteína, dinâmica de materiais e a fisiologia de plantas, animais e deles próprios em condições extraterrestres. "Programar o lazer dos astronautas também é importante", frisa o engenheiro Max Grimard, chefe do chamado Programa de Infra-estrutura Orbital da Aerospatiale. A tripulação poderá ouvir música, assistir a um vídeo ou conversar com a família no centro de controle da NASA em Houston, Texas.
Como os cosmonautas soviéticos na Mir (SI n.º 11, ano 2), os futuros moradores da Freedom terão de  adaptar o organismo às condições do Cosmo. Viver na ausência de gravidade pode trazer conseqüências desagradáveis para a saúde. Os músculos, por exemplo, quase não são utilizados e acabam perdendo a rigidez - daí a preocupação com a ginástica corretiva. Além de usar roupas especiais com elásticos que exercem pressão sobre os músculos, os astronautas poderão recorrer a aparelhos clássicos para quem quer, ou precisa, manter a forma: uma esteira rolante, obviamente com cintos que prendem os pés ao tapete, e a bicicleta ergonométrica, também munida de presilhas. Os astronautas também serão submetidos a eletrocardiogramas diários, pois, devido à microgravidade, a atividade cardíaca é menor.
A cada três meses, a tripulação receberá a visita de um ônibus espacial encarregado de levar alimentos, água, roupas e cartas de casa. "Uma das nossas maiores preocupações é diminuir ao máximo a carga transportável", diz o francês Grimard. Por isso, os técnicos estudam maneiras de purificar cada gota de água e cada molécula de oxigênio a bordo. O dióxido de carbono (CO2 ) eliminado na respiração será recuperado para a obtenção de oxigênio. A água - inclusive da urina - será reaproveitada na higiene das roupas, pratos e nos banhos. Ela só não servirá para beber. "Do ponto de vista psicológico não se pode exigir de um astronauta que passe seis meses bebendo urina reciclada", brinca Patrick Eymar.
Já a comida não deverá ser produzida a bordo. Cardápios completos serão enviados na forma desidratada ou congelada. A cozinha de bordo terá dois fornos de microondas e um freezer-geladeira, além de uma máquina de lavar pratos, naturalmente. Esses eletrodomésticos são um luxo para astronautas acostumados à comida padrão dos ônibus espaciais. Mesmo assim, preparar um delicioso filé com fritas a bordo da Freedom não será uma tarefa fácil: como sempre, qualquer alimento deve estar bem encaixado no prato para não flutuar pela nave, obrigando o faminto astronauta a uma indesejável brincadeira de pega-pega.
"Tomar banho na estação também será uma operação complicada e desagradável", reconhece o francês Eymar. A água flutuando livremente é um aborrecimento, além de prejudicar os experimentos de bordo. Assim, cada astronauta deverá sugar com uma espécie de aspirador até a última gota que sobrou dentro do boxe, antes de abri-lo. Da mesma forma, o que os engenheiros chamam polidamente waste management system (sistema de administração de dejetos), ou, em bom português, privada, será dotado de um aspirador para evitar que os tais dejetos flutuem livremente pela estação. A propósito, o cosmonauta soviético Georgy Grechko conta que em 1985, quando esteve na Salyut 7, viu, flutuando no espaço, sacos de fezes jogados da nave.
Nos próximos anos - se for efetivamente dada a largada para a construção da Freedom -, cientistas de  universidades e grandes empresas estarão começando a planejar a utilização da estação. Segundo o físico Bartoe, da NASA, o tempo a bordo será controlado da mesma forma como os institutos astronômicos dividem o tempo de uso de seus telescópios. Só que, nesse caso, não para ver estrelas, mas para conseguir remédios, plantas e materiais melhores. Mas o grande sonho dos participantes do programa é fazer da Freedom um local para reabastecer e prestar serviços a satélites, além de trampolim para foguetes que se dirijam a lugares ainda mais distantes - a Lua ou o planeta Marte.

Liberdade e Paz

As diferenças entre a estação americana e a soviética      
FREEDOM    
Comprimento     110 metros                  
espaço interno    448 metros cúbicos            
área útil             166 metros quadrados            
peso                 320 toneladas                        
consumo de 
energia               75 quilowatts                        

 MIR    
Comprimento   40 metros    
espaço interno  125 metros cúbicos 
área útil            52 metros quadrados
peso                  50 toneladas 
consumo de 
energia            16 quilowatts


Dos pólos ao espaço

A experiência de passar seis meses no espaço dentro de uma estação parecida com um vagão de trem faz parte do original tema de estudo de uma pesquisadora brasileira, a socióloga Lúcia Regina Marcondes D´Elia, há oito meses em Paris a convite do Centro de Estudos Árticos, para analisar o comportamento dos ocupantes das bases francesas na região polar norte. Suas conclusões e mais o relato da duas viagens que fez à Antártida, em 1984 e 1985, serão levadas à NASA para ajudar a agência a elaborar métodos de treinamento dos astronautas da Freedom.
"Astronautas, pesquisadores polares, tripulações de submarinos e operários de plataformas marítimas de petróleo têm muita coisa em comum", identifica a socióloga. "Todos estão confinados em espaços limitados que, por serem inóspitos, podem oferecer perigo. Por isso, eles são obrigados a aprender um conceito de vida em comunidade, onde de cada um depende a sobrevivência de todos." Ela explica que em geral tais profissionais são extremamente individualistas, o que complica a adaptação.
Além de observar o comportamento alheio, Lúcia Regina aplicou na Antártida e no Ártico testes cronobiológicos para avaliar a influência do ambiente sobre os períodos de vigília e sono, além de testes de níveis de percepção, afetados ali pela falta de estímulo, como cores e formas. Mas, para ela, um dos melhores materiais de pesquisa está no reaproveitamento do espaço pelos seus habitantes. "Por mais que se queira projetar um quarto racional e esteticamente perfeito, ele sempre será rearrumado por seu ocupante", comenta. "Um objeto pessoal aqui, uma foto acolá dão ao lugar mais insólito uma aparência de casa normal."


quinta-feira, 30 de agosto de 2012

O Maior Espetáculo - Espaço



O MAIOR ESPETÁCULO - Espaço



Há quarenta e três anos, um bilhão de pessoas viram aquilo que ainda hoje é o feito mais audacioso da corrida espacial - a descida na Lua.

No dia 20 de julho de 1969 , um domingo, dois homens pisaram pela primeira vez na Lua. Um deles, o comandante Neil Armstrong, de 38 anos, um tímido ex-piloto de testes de aviões americanos, escorregou na  escada da pequena nave com a qual pousou na superfície lunar e por pouco não imprimiu ali a mão antes do pé. O outro, Edwin Aldrin, "Buzz", igualmente com 38 anos, veterano piloto de jatos da Força Aérea dos Estados Unidos, sentiu uma vontade humaníssima de fazer xixi. E fez, dentro do traje de astronauta, reforçado com 21 camadas de tecido, numa bolsa de coleta para tais contingências. A 96 mil metros de altura, o ex-piloto de testes Michael Collins, de 38 anos, como os outros, encarregado de pilotar o módulo de comando da Columbia, só conseguiria sentir-se verdadeiramente aliviado no dia seguinte, quando seus dois companheiros se uniram a ele para a viagem de volta a Terra.
Passados vinte anos do evento literalmente mais espetacular da história humana documentada, que esgotou os estoques da melhor retórica da espécie, a conquista do Cosmo parece menos próxima, em parte porque o programa espacial americano perdeu a direção, enquanto o soviético segue uma rota lenta, gradual, segura - e sem muito charme. Além disso, a ida a Lua ocorreu num período efervescente, marcado por mudanças de toda a sorte, em que a confiança nas possibilidades de resultados imediatos da ação humana era seguramente maior, assim como o encantamento com a tecnologia. A Lua, em suma, chegou antes da crise do petróleo, antes dos microcomputadores e antes que as preocupações com a saúde do planeta virassem moda.
Quando Collins, Aldrin e Armstrong partiram a bordo da nave Apolo 11 na luminosa manhã de 16 de julho, 1 milhão de pessoas munidas de câmeras e binóculos se apinhavam nas vizinhanças de Cabo Canaveral, depois chamado Cabo Kennedy, na Flórida, onde até hoje ocorre a grande maioria dos lançamentos espaciais americanos. Nada menos de 850 jornalistas de 55 países, falando 33 línguas diferentes, registraram o acontecimento. Calcula-se que cerca de 1 bilhão de pessoas, algo como um em cada quatro seres humanos, viram pela TV quando, às 23h56min20s (horário de Brasília) do dia 20, o comandante Armstrong, já recuperado do escorregão, cuidadosamente ergueu o pé esquerdo e marcou o solo do Mar da Tranqüilidade - a planície escolhida para a alunissagem.
"Este é um pequeno passo para o homem, um gigantesco salto para a humanidade", disse o emocionado Armstrong, numa frase que inevitavelmente ecoou pelo mundo. Quem estava de olho na tela naquele momento não deve ter esquecido a sua figura fantasmagórica movendo-se desajeitadamente devido à ínfima gravidade (um sexto da que existe na Terra) a 384 mil quilômetros de distância. O astronauta contou à base de controle e a todos que o ouviam que o chão da Lua era fino e poeirento. "Adere à sola e aos lados das minhas botas, formando uma  camada fina como poeira de carvão", descreveu. Vinte minutos depois, Aldrin uniu-se a ele. Com as duas mãos agarradas à escada, experimentou o solo da Lua e sua gravidade com dois pulos de pés juntos. "Lindo, lindo", exclamou, surpreendido com a facilidade de movimentação. 
Os dois astronautas passaram 2 horas e 10 minutos no Mar da Tranqüilidade. Numa das pernas do módulo, chamado Eagle (águia, em inglês), havia uma placa comemorativa. Neil Armstrong leu então em voz alta:"Aqui, homens do planeta Terra pisaram na Lua pela primeira vez. Nós viemos em paz, em nome de toda a humanidade". O texto levava a assinatura dos três tripulantes e a do então presidente americano Richard Nixon. A dupla ainda fixou a bandeira dos Estados Unidos e ouviu pelo rádio as congratulações de Nixon, que falava da Casa Branca.
A liturgia prosseguiu com Armstrong afirmando que eles representavam não apenas os Estados Unidos mas os homens de todas as nações, que têm interesse, curiosidade e visão do futuro". Em seguida, ele e Aldrin começaram o trabalho de colher os 27 quilos de pedras e pó da Lua que nos anos seguintes fariam a alegria de muitos cientistas. Depois, instalaram um sismógrafo, um refletor de raios laser, uma antena de comunicação, um painel para o estudo dos ventos solares e uma câmera de TV. Terminadas as tarefas, os astronautas voltaram à Eagle e tentaram em vão dormir, apertados e sem conforto, atulhados nos 4,5 metros quadrados do interior do módulo lunar.
Começaram enfim os preparativos para o regresso. A metade inferior da Eagle ficou na Lua. A parte de cima do pequeno módulo elevou-se da superfície até encontrar o seu parceiro em órbita. Os dois veículos alinharam-se para o acoplamento. Enquanto Aldrin e Armstrong se reuniam a Collins na Columbia, o resto da Eagle foi deixado rodando em volta da Lua, cada vez com menos impulso, até se espatifar de encontro ao solo. A 24 de julho, oito dias, três horas e 18 minutos depois de lançada de Cabo Canaveral, a Apolo mergulhou nas lonjuras do Pacífico sul, na altura da Polinésia. Uma das mais antigas fantasias do homem - ir à Lua e voltar são e salvo - finalmente tinha se tornado realidade.
Aquele "pequeno passo" havia começado a rigor muitos anos antes, em 1945, quando a Segunda Guerra Mundial terminava com a derrocada da Alemanha nazista e dos seus parceiros japoneses. Os vencedores, os Estados Unidos e a União Soviética, lançaram-se à disputa de um dos mais valiosos espólios da guerra - os cientistas alemães envolvidos na fabricação das bombas V-2, as precursoras dos foguetes. Embora os americanos tivessem capturado o maior número e os melhores entre eles, como o notório Wernher von Braun, e os pusessem a trabalhar no desenvolvimento de mísseis teleguiados, foram os soviéticos que saíram na frente na corrida espacial. A 4 de outubro de 1957 surpreenderam o mundo e humilharam os Estados Unidos ao lançar o Sputnik, primeiro satélite artificial da Terra.
A 12 de abril de 1961, o cosmonauta, como dizem os russos, Iúri Gagárin (1934-1968) completou o primeiro vôo orbital tripulado. Único ser humano até então a ver o planeta do espaço, Gagárin informou: "A Terra é azul". Menos poeticamente, o líder soviético Nikita Kruschev (1894-1971) lançou o desafio: "Que os países capitalistas tentem alcançar-nos". Os americanos aceitaram. No mesmo ano de 1961, o presidente John Kennedy (1917-1963) pediu a seus assessores um plano ambicioso o suficiente para segundo se dizia na época, "ganhar as manchetes dos jornais e por meio delas conquistar o coração de todos os povos do mundo": levar um homem à Lua e trazê-lo de volta.
Os americanos mergulharam no projeto com a mesma gana que tiveram vinte anos antes ao entrar na guerra em seguida ao ataque japonês à base de Pearl Harbor. As melhores cabeças foram recrutadas pela agência espacial NASA para elaborar três missões - Mercury, Gemini e Apolo - com tipos diferentes de naves e foguetes, que sucessivamente levariam astronautas cada vez mais longe até alcançar a Lua. Enquanto isso, os soviéticos desenvolviam as Vostok, Voskhod e Soyuz; estas últimas aperfeiçoadas até se tornarem hoje os veículos transportadores de cosmonautas para a estação espacial Mir, há três anos no espaço.
Foi também em 1961 que os americanos começaram a selecionar os astronautas para o programa espacial. A escolha, descrita no romance The right stuff, de Tom Wolfe (não editado no Brasil), depois transformado no filme Os eleitos, de 1983, era feita entre os pilotos de testes da Marinha, Força Aérea e Fuzileiros Navais. Homens como Armstrong, Aldrin e Collins tinham de ser bons aviadores, ter nível universitário e boa estrutura psicológica para enfrentar situações difíceis e imprevistas. Comentou-se na época que os três escolhidos para a viagem histórica à Lua eram os mais sérios e menos comunicativos astronautas do programa espacial - características da personalidade que não mudaram até hoje. Armstrong e Aldrin foram pilotos na guerra da Coréia e já haviam participado do projeto Gemini.
Collins, outro veterano da Gemini, deveria ter voado na Apolo 8 que realizou as primeiras órbitas tripuladas em volta da Lua, em dezembro de 1968; mas uma cirurgia de última hora fez com que fosse substituído e acabasse entrando para a tripulação da Apolo 11. Em 1967, teoricamente, soviéticos e americanos já possuíam os fantásticos foguetes e naves que poderiam fazer a viagem à Lua de ida e volta.
Mas durante um ensaio de lançamento da Apolo 1, a 27 de janeiro daquele ano, uma explosão matou os tripulantes Virgil Grissom, Edward White e Roger Chaffee. Três meses depois, nova tragédia ocorreu do lado soviético. A destruição do pára-quedas de freagem da Soyuz 1 matou o cosmonauta Vladimir Komarov. As naves foram redesenhadas para atender a maior preocupação com a segurança.
Nos Estados Unidos, os veículos seguintes da série Apolo, até o de número 6, não foram tripulados. Mas, no início de 1969, quase ao mesmo tempo, soviéticos e americanos estavam prontos para reiniciar a corrida espacial. Antes que se pudesse enviar homens à Lua, já havia sido preciso despachar várias naves não-tripuladas para descobrir se a alunissagem seria mesmo praticável. Era necessário, por exemplo, avaliar o comportamento dos mecanismos de freagem e pouso nas condições de baixa gravidade e nenhuma atmosfera do satélite.
Sabia-se que as manchas escuras da superfície lunar, que receberam o nome de mares, eram na realidade planícies cheias de crateras, mas não se tinha certeza de que poderiam suportar o peso de uma nave. Essa possibilidade foi confirmada com as primeiras fotos enviadas pelas sondas Ranger a partir de 1964. Por sua vez, a nave soviética Luna 9 conseguiu realizar o primeiro pouso suave na Lua, antecipando-se em alguns meses às americanas Surveyor. Nos anos seguintes, naves dos dois países mostraram imagens de TV da Lua, provando que além de pó havia matéria firme na superfície.
Estava enfim preparado o caminho para a Apolo 11, uma pequena nave de 45 toneladas, composta de um módulo de comando, serviço e lunar. Ela foi lançada no bico do maior foguete já construído, o Saturno 5, de três estágios e 110 metros de altura, mais alto do que um edifício de 35 andares. No momento da partida, o Saturno pesava mais de 3 mil toneladas, algo como vinte jumbos juntos, a maior parte constituída de combustível destinado a acelerar a carga à velocidade de 40 mil quilômetros por hora. O primeiro estágio do foguete queimava oxigênio líquido misturado com querosene, produzindo uma fogueira colossal que emocionou a multidão aglomerada para acompanhar a partida da nave (pela TV, os Estados Unidos viram tudo em cores; os outros países, ainda em preto-e-branco).
Foi um espetáculo impressionante, para dizer o mínimo. Quando o foguete começou a subir, suas 3.500 toneladas de empuxo provocaram um ruído tão insuportável que chegou a matar os pássaros que voavam nas proximidades. O megaprojeto havia custado 22 bilhões de dólares, quase dez vezes mais do que o lançamento do ônibus espacial Discovery em outubro do ano passado - isso sem contar a inflação acumulada no período. O módulo de comando, ou Columbia, um compartimento pequeno, de uns 6 metros quadrados, era o centro de controle da nave. Os três tripulantes dispunham de poltronas individuais, uma ao lado da outra, razão pela qual precisavam tomar cuidado para não atrapalhar uns aos outros. A sua frente e nas laterais ficavam os painéis de instrumentos.
Por baixo das poltronas estavam as "camas" onde os astronautas dormiam protegidos para não flutuar na nave sem gravidade. Havia também uma série de armários com comida desidratada, roupas e equipamentos auxiliares. À direita dos armários ficava o "banheiro", ou, mais precisamente, o canto onde os astronautas se aliviavam usando pequenas bolsas de plástico. As paredes da nave eram providas de quadrados de velcro, um produto que ficaria muito conhecido como fecho de bolsas e tênis, que servia para que os equipamentos manuais não flutuassem. Atrás do Columbia, vinha o módulo de serviço com o sistema de propulsão e retrofoguetes e finalmente o módulo lunar Eagle.
O alvo da Apolo 11, a rigor, não seria a Lua, mas um ponto no espaço onde ela estaria quatro dias após o lançamento, prevendo-se o seu movimento em torno da Terra. De acordo com a operação, denominada TLI -Injeção Translunar -, quem pilotava efetivamente a nave eram as leis da Física enunciadas no século XVII pelo físico inglês Isaac Newton. Como ele descobriu, Terra, Sol e Lua atraem os corpos como se fossem ímãs. Por isso, os foguetes da Apolo foram acionados durante 3 segundos. Nesta mínima fração de tempo, os astronautas, tendo a nave sob controle, voltaram-na para a direção calculada, de modo a fazê-la escapar do campo gravitacional da Terra e ser atraído pela gravidade lunar.
Durante o trajeto, os astronautas usaram uma técnica para impedir que metade da nave - a que estava voltada para o Sol - literalmente torrasse e a outra se congelasse. Com uma leve ignição dos foguetes auxiliares, eles faziam-na girar lentamente em seu próprio eixo, como um frango assado no espeto. Com o auxílio do computador de bordo, a Apolo executava um movimento de rotação de 3 décimos de grau por segundo, o que significava uma volta completa a cada 20 minutos, para que o calor e o frio se distribuíssem de maneira uniforme por toda a sua superfície. 
Somente após o regresso à Terra  os técnicos da NASA descobriram que Armstrong e Aldrin por pouco não espatifaram a Eagle de encontro à Lua. De fato, depois de soltarem o módulo da nave-mãe, os astronautas foram descendo gradualmente até onde acreditavam estar o local de pouso - o Mar da Tranqüilidade, escolhido por ser plano e próximo ao equador, o que facilitaria a volta. Mas, quando Armstrong esquadrinhou pela escotilha o terreno já bem próximo, não sabia onde estava. Utilizando o controle manual, dirigiu a Eagle para onde imaginava ficar a cratera que seria seu ponto de referência, enquanto Aldrin controlava o combustível. Faltavam não mais de 30 segundos para que este acabasse quando Armstrong pousou - 1 quilômetro além do ponto marcado.
Enquanto Armstrong, Aldrin e Collins, já de volta, eram recolhidos do mar pelo porta-aviões Hornet, uma nave soviética, a Luna 15, se perdia em algum ponto entre o planeta e o satélite. Lançada dois dias antes da Apolo, sem tripulantes, tinha como objetivo recolher amostras do solo lunar e voltar à Terra. Até hoje não se sabe o que aconteceu com a Luna - não faltando quem suponha que ela tenha sido desviada de sua trajetória por sinais de rádio americanos. O mundo, de qualquer maneira, estava mais preocupado com os três participantes da primeira grande odisséia extraterrestre. Malcheirosos, depois de oito dias sem tomar banho, durante os quais foram obrigados a usar uma precária privada, tiveram de vestir um traje à prova de contaminação antes de deixar a cápsula espacial. Para se ter certeza de que não tinham trazido nenhum microorganismo lunar eventualmente daninho aos terráqueos, ficaram de quarentena em companhia de algumas cobaias. Se algo acontecesse a elas, seria a prova de que estavam contaminados.
Como se sabe, nada aconteceu. Depois de desfilarem em carro aberto com as famílias nas principais cidades americanas, sob a infalível chuva de papel picado, os astronautas fizeram-uma série de viagens promocionais pelo mundo - Armstrong e Collins estiveram, por exemplo, em outubro de 1969 no Brasil. No mês seguinte, outros três americanos - Charles Conrad, Alan Bean e Richard Gordon - tornaram à Lua a bordo da Apolo 12. Como da primeira vez, a expedição foi, viu e voltou sem problemas. Os Estados Unidos continuaram com o programa lunar até 1972. Ao todo enviaram dezoito homens em seis Apolos. Desses, doze puseram os pés no satélite. Depois começou a era dos ônibus espaciais, capazes de orbitar a Terra e voltar inúmeras vezes. A União Soviética, de seu lado, optou por não mandar cosmonautas à Lua. Mas suas naves ali estiveram até 1976, enquanto se desenvolvia o projeto das estações espaciais Salyut e, depois, Mir.
Passados vinte anos, nunca mais houve um acontecimento na história da conquista espacial de impacto comparável àquele - à exceção da tragédia da Challenger em janeiro de 1986. A ida à Lua, vista na perspectiva do tempo, representa acima de tudo o triunfo da vontade humana. Bem pensadas as coisas, é até possível que, pelos padrões atuais de segurança nos vôos ao espaço, a aventura da Apolo 11 não teria sido autorizada. E, por maior que tenha sido, por exemplo, o aporte tecnológico para as viagens espaciais trazido pela estratégia de encarapitar uma pequena nave num potentíssimo foguete de múltiplos estágios, ou por mais importantes que tenham sido para a ciência as pedras lunares coletadas pelos astronautas, é certo que nada supera até hoje a força simbólica daquele primeiro passo a 20 de julho de 1969.

Depois da Lua

Neil Armstrong, o homem que pisou na Lua pela primeira vez, hoje prefere manter os pés bem firmes em terra, de preferência na sua fazenda em Ohio, no nordeste dos Estados Unidos, onde vive com a mulher e dois filhos. De temperamento introspectivo, o ex-astronauta, às vésperas de completar 59 anos, detesta falar de sua experiência espacial. Já em 1970 ele deixou a NASA para se tornar professor de Engenharia Aeronáutica e Mecânica Aplicada na Universidade de Ohio. Nos dez anos seguintes, só tornou a ser visto uma vez por milhões de pessoas - num comercial da Chrysler. Depois disso, como presidente de uma empresa especializada em programas de computador para aviões executivos, voltou a fazer uma viagem histórica em janeiro de 1988 - como um dos convidados do vôo do Jumbo que deu a volta ao mundo no tempo recorde de 36 horas, 54 minutos e 15 segundos. "Meu passeio lunar foi uma experiência de pedestre", comparou, brincando.
Em 1986, nomeado vice-presidente da comissão do Congresso que investigou as causas do desastre do ônibus espacial Challenger, afirmou que, "como sociedade, temos parte da responsabilidade pelo acidente, devido à enorme pressão que fazemos sobre a NASA". Mas defendeu a continuidade dos vôos com a construção de uma base permanente no espaço. Edwin Aldrin, o companheiro de Armstrong, não foi exatamente feliz nos últimos vinte anos. Divorciado duas vezes, sofreu de depressão e alcoolismo depois de deixar a carreira de astronauta em 1971. Ele atribui parte de seus problemas à viagem lunar. Lembra, por exemplo, que ao voltar à Terra esperava ser recebido como herói pela família. Mas ao reencontrar o pai ouviu a desconcertante pergunta: "Por que você não foi o primeiro?"
Depois de tanto tempo, com 59 anos e mais tranqüilo, casado pela terceira vez, Aldrin dirige uma empresa de consultoria espacial e se revela defensor de uma missão a Marte. "Todos os astronautas que estiveram na Lua deveriam lutar para que esse seja o próximo objetivo espacial americano; diz. Dos três tripulantes da Apolo 11, Michael Collins foi o único que não andou na Lua, mas a ele cabe cuidar de certo modo da memória da viagem. Avesso a falar da proeza - "o melhor da comemoração é não dar entrevistas", comentou certa vez -, como diretor da Instituição Smithsonian ajudou a instalar em Washington o célebre Museu de Aeronáutica e Espaço, onde existe um réplica do módulo lunar.
Quatro meses após o primeiro pouso do homem na Lua, três astronautas bem mais extrovertidos que os primeiros repetiram a experiência. Charles Conrad; Alan Bean e Richard Gordon, da Apolo 12, hoje ainda se sentem muito orgulhosos da viagem. Conrad, de 58 anos, um dos vice-presidentes da macroempresa de aviação McDonnell Douglas, gosta de dizer que pediria demissão do cargo se lhe fosse oferecida outra oportunidade de voltar ao espaço. Alan Bean, que desceu à Lua junto com Conrad, tem uma frase pronta para o acontecimento: "Tive o privilégio de realizar um sonho". Bean, hoje com 57 anos, tornou-se pintor desde que deixou a NASA em 1981. Seu tema preferido é o espaço, naturalmente.
Richard Gordon, o piloto do módulo da Apolo 12, é dono de uma empresa de equipamentos de computação na Califórnia. Aos 59 anos, não se furta a refletir sobre as repercussões íntimas da aventura. "Depois de uma viagem como aquela, todos os valores pessoais são questionados", ele disse a SI. Gordon associa a missão à Lua a um episódio doloroso de sua vida: "De toda aquela excitação guardei dentro de mim uma imagem, o nosso planeta Terra, tão bonito e frágil. Quando meu filho Jimmy, com 22 anos, morreu num acidente de automóvel em 1982, compreendi o que sentira ao contemplar a solidão do nosso planeta. Fora dele é como se estivéssemos mortos".

domingo, 26 de agosto de 2012

Morre Neil Armstrong, primeiro homem na Lua

25/08/2012 16h15 - Atualizado em 25/08/2012 20h34 

Morre Neil Armstrong, primeiro homem na Lua
Armstrong passou por uma cirurgia de coração em 7 de agosto. Americano comandou a Apollo 11 e pisou na Lua em 20 de julho de 1969.


O primeiro homem a pisar na Lua, Neil Armstrong, morreu aos 82 anos nos Estados Unidos neste sábado (25), informou a família do astronauta em nota à imprensa.
"Estamos de coração partido ao dividir a notícia de que Neil Armstrong faleceu após complicações ligadas a procedimentos cardiovasculares", diz a nota. "Neil foi um marido, pai, avó, irmão e amigo amoroso."
Em 7 de agosto, ele passou por uma cirurgia de emergência no coração, após médicos encontrarem quatro entupimentos em suas artérias,  e desde então estava se recuperando no hospital em Cincinnati, onde morava com a esposa.
No Twitter, a Nasa ofereceu "seus sentimentos pela morte de Neil Armstrong, ex-piloto de testes, astronauta e primeiro homem na Lua."

FONTE:
http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2012/08/morre-neil-armstrong-primeiro-homem-pisar-na-lua-dizem-agencias.html

http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2012/08/primeiro-homem-na-lua-passa-por-cirurgia-de-emergencia-no-coracao.html


domingo, 12 de dezembro de 2010

Colisões Cósmicas - Telescópio Hubble

COLISÕES CÓSMICAS - Telescópio Hubble



Com as suas lentes voltadas para Júpiter, o telescópio espacial Hubble e a sonda Galileu flagraram a colisão de fragmentos do cometa Shoemaker-Levy 9 contra a superfície do maior planeta do sistema solar. Naqueles seis dias de julho de 1994, os cientistas documentaram um dos eventos celestes mais importantes do século. Ao vivo, astrônomos e telespectadores do mundo todo puderam assistir à desintegração de pedaços do cometa na atmosfera mais alta de Júpiter, liberando uma quantidade de energia superior à de todo o arsenal nuclear existente no nosso planeta. Imagens captadas por telescópios de grande potência eram divulgadas na internet, provocando sobrecarga. Só um site mantido pelo Instituto de Tecnologia da Califórnia recebeu mais de 1 milhão de solicitações para baixar imagens atualizadas da colisão nas duas semanas durante e imediatamente após o grandioso acontecimento no céu.

O que foi apenas um espetáculo visual para pessoas comuns reforçou duas convicções dos cientistas. Primeira, a de que Júpiter tem um papel importante como escudo protetor do sistema solar. "Sem ele, esses cometas poderiam entrar com mais facilidade em órbita de colisão com a Terra", diz o físico Marcelo Gleiser, professor catedrático do Dartmouth College, nos Estados Unidos. Segunda, a de que essas colisões podem ocorrer inclusive aqui em nosso planeta. "Somos mais frágeis do que imaginamos", afirma Gleiser.

O Shoemaker-Levy 9 foi descoberto por Eugene e Carolyn Shoemaker, e David Levy, em 1993. Logo depois, determinou-se que o cometa estava em uma trajetória elíptica bem acentuada, em rota de colisão com Júpiter. Durante o choque, em julho de 1994, foram observados pelo menos 21 fragmentos do cometa, com diâmetro de até 2 quilômetros. Os fragmentos chocaram-se numa velocidade superior a 200 000 quilômetros por hora. A explosão do primeiro pedaço do cometa na atmosfera criou uma bola de fogo gigantesca e levantou uma coluna de detritos com mais de 3 000 quilômetros de altitude. Esses detritos voltaram à superfície do planeta e produziram uma mancha negra correspondente a um terço do diâmetro da Terra. Isso tudo em Júpiter, que é 11 vezes maior do que nosso planeta.
Depois que o Hubble e a Galileu registraram a colisão, uma pergunta ficou no ar: o que aconteceria conosco se o alvo do Shoemaker-Levy 9 fosse a Terra? Parte da resposta está no nosso passado terrestre, pois acredita-se que o choque de um cometa de 10 quilômetros de diâmetro a 72 000 quilômetros por hora tenha dizimado os dinossauros, há 65 milhões de anos. A outra parte veio numa explosiva seqüência fotografada em 1994. Em seu livro O Fim da Terra e do Céu, Gleiser escreve que atualmente três programas em busca de cometas e asteróides com rotas próximas à Terra funcionam com sucesso: Linear (do Massachusetts Institute of Technology - MIT e da força aérea americana), Neat (do Laboratório de Propulsão a Jato de Pasadena e da força aérea americana) e Loneos (do Observatório de Lowell, no Arizona).

Marcado para morrer
Os astrônomos reconhecem: graças ao telescópio espacial Hubble, o mundo pode ver as mais fantásticas imagens já feitas do Universo. Além de flagrar os estragos causados pelo choque do cometa Shoemaker-Levy contra Júpiter, o Hubble ajudou os cientistas a entenderem o nascimento e a morte de estrelas, caçou buracos negros, identificou cerca de 1 500 galáxias, estudou as atmosferas planetárias e encontrou algumas dezenas de planetas fora do sistema solar. A Nasa colocou o supertelescópio - cuja construção começou em 1978 - em órbita há 14 anos. Ele permitiu aos astrônomos observar o cosmos sem as distorções causadas pela atmosfera terrestre nos telescópios instalados na superfície do nosso planeta. Pena que o governo americano decidiu cancelar a manutenção futura do Hubble, alegando preocupação com a segurança dos astronautas, crescente desde a explosão do ônibus espacial Columbia, em 2003. O telescópio que homenageou o astrônomo americano Edwin Hubble - que em 1929 comprovou a expansão do Universo - deve virar sucata cósmica em 2008. Seu sucessor será o telescópio James Webb, assim batizado em homenagem a um ex-administrador da Nasa, com lançamento previsto para 2011.

O impacto da descoberta
A observação do choque do cometa Shoemaker-Levy 9 com Júpiter mostrou que o planeta é um escudo protetor do sistema solar. Foi outra prova de que somos frágeis no Universo. E nos ajudou a entender ainda mais a extinção dos dinossauros na Terra

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A aventura no Cosmo - Exploração Espacial

A AVENTURA NO COSMO - Exploração Espacial



Viajar para cada vez mais longe. Essa tem sido uma das grandes obsessões da humanidade. E o céu, com sua aparência de mundo desconhecido e infinito, sempre estimulou nossa imaginação e nosso espírito de aventura. Desde que iniciou a exploração do espaço, o homem já pisou na Lua, enviou sondas para Marte, viveu em estações orbitais e instalou poderosos telescópios para observar o cosmo. Foram várias as conquistas, que nos permitiram conhecer um pouquinho mais sobre uma ínfima parte do Universo. Veja uma seleção dos 12 fatos mais marcantes registrados no último meio século.



1957

4 de outubro

A então União Soviética põe em órbita o primeiro satélite artificial, o Sputnik 1, tornando-se a primeira potência espacial



3 de novembro

A cadela Laika é o primeiro ser vivo enviado ao espaço, a bordo do Sputnik 2, da União Soviética. Ela morre alguns dias depois do lançamento



1958

1º de fevereiro

Os Estados Unidos entram na corrida espacial com o seu primeiro satélite artificial, o Explorer 1



1959

4 de outubro

O satélite soviético Luna 3 transmite as primeiras imagens da face oculta da Lua, jamais vista pela humanidade



1960

3 de novembro

A Nasa, criada em outubro de 1958, lança seu primeiro satélite, o Explorer 8. Começa a história da mais bem-sucedida agência espacial do mundo



1961

12 de abril

O soviético Yuri Gagárin torna-se o primeiro homem no espaço. A bordo da Vostok 1, ele dá uma volta na Terra em 1h48min



1963

16 de junho

A bordo da Vostok 6, a soviética Valentina Terechkova torna-se a primeira mulher no espaço



1969

21 de julho

Neil Armstrong torna-se o primeiro homem a pisar na Lua. A façanha da Apollo 11 é assistida, em todo o mundo, por 600 milhões de telespectadores



1981

12 de abril

A Nasa lança o primeiro vôo tripulado de um shuttle, nave capaz de ir ao espaço e retornar à Terra. É o ônibus espacial Columbia



1986

19 de fevereiro

Lançamento da estação espacial soviética de terceira geração MIR. Ela opera até março de 2001, tornando-se o projeto há mais tempo em órbita da Terra



1990

24 de abril

Lançamento do supertelescópio Hubble, levado ao espaço pelo ônibus espacial americano Discovery



2004

21 de junho
O foguete GoFast é o primeiro projeto amador a alcançar 100 quilômetros de altitude, fronteira da Terra com o espaço