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domingo, 5 de julho de 2015

Saiba por que a vida pode acabar em menos de 100 anos na Terra


Saiba por que a vida pode acabar em menos de 100 anos na Terra


Em um artigo publicado pela agência Reuters, o escritor David Auerbach resgatou uma teoria do microbiólogo australiano Frank Fenner (ganhador do Prêmio Mundial de Ciências Albert Einstein e da Medalha da Organização Mundial da Saúde por seu trabalho na erradicação da varíola).

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Traços de radiação de Fukushima detectados na costa do Canadá


Traços de radiação de Fukushima detectados na costa do Canadá

AFP/AFP/Arquivos - Vestígios de radioatividade proveniente da usina nuclear japonesa de Fukushima, acidentada em 2011, foram detectados em uma amostra de água do mar recolhida perto da costa oeste do Canadá.

Vestígios de radioatividade proveniente da usina nuclear japonesa de Fukushima, acidentada em 2011, foram detectados em uma amostra de água do mar recolhida perto da costa oeste do Canadá - de acordo com um grupo de monitoramento.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Houston, temos um problema aqui - Apolo 13


HOUSTON, TEMOS UM PROBLEMA AQUI - Apolo 13


Há vinte e cinco anos, essa frase marcou um dos mais dramáticos momentos da história da exploração espacial. Ela vinha da nave Apolo 13, avariada próxima à Lua, com três astronautas a bordo. A mensagem era endereçada ao centro de operações da Nasa, em Houston, nos Estados Unidos. Foi o início da heróica missão de trazer a nave de volta a Terra. A história é contada agora no filme Apollo 13, que estréia este mês com Tom Hanks no papel principal.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Castigo do Céu - Chuva Ácida



CASTIGO DO CÉU - Chuva Ácida



A chuva ácida faz cair sobre o homem a poluição que ele mesmo lança ao ar. As gotas contaminadas estão envenenando florestas e lagos, corroem monumentos e podem fazer mal à saúde.

Há três meses, setecentos cientistas de mais de trinta países reuniram-se em Hilton Head, na Carolina do Sul, Estados Unidos, para discutir um problema que está literalmente caindo sobre a cabeça de todos: a chuva. Não bastasse provocar um rombo na camada de ozônio da alta atmosfera e ameaçar o planeta de superaquecimento, a poluição, nas suas diversas modalidades, também envenena a chuva - algo tão benfazejo e essencial à vida como o próprio ar. Em conseqüência, 10 mil lagos na Suécia estão praticamente mortos. Na Noruega, outros 2 mil perderam seus peixes. Na Alemanha Ocidental, 35 por cento das florestas estão doentes. O Taj Mahal, um dos mais belos monumentos hindus, está perdendo a sua imaculada cor branca. E na Península de Yucatán, ao sul do México, a chuva está rapidamente destruindo obras da civilização maia, que floresceu ali pelo menos 1500 anos antes da chegada do homem branco.
No Brasil, a poluição da chuva quase não é estudada. Isso não quer dizer que os aguaceiros que aqui desabam sejam sempre limpos. Há quatro anos, pesquisadores da Universidade Federal Fluminense constataram que a vegetação da Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro, estava sendo afetada pela sujeira da chuva. Outros estudos, estes realizados pela Universidade Federal de Viçosa, mostraram que a flora do Parque Florestal do Rio Doce, nas proximidades do Vale do Aço, em Minas Gerais, também teria sido atingida. Apesar disso, o químico Cláudio Alonso, da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), que controla a poluição do ar em São Paulo, afirma que "o problema não tem a gravidade que adquiriu em outros países".
Como sempre, em todos os lugares onde a chuva está servindo de meio de transporte para a poluição, os vilões da história são as indústrias e os veículos que despejam no ar, todo santo dia, toneladas de dióxido de enxofre e óxidos de nitrogênio. Esses gases reagem com o vapor de água e outros compostos químicos da atmosfera para formar os perigosos ácido sulfúrico (H2SO4) e ácido nítrico (HNO3). Nem por isso se deve entrar em pânico quando um toró nos apanha desprevenidos sem guarda- chuva - o risco maior ainda é ficar resfriado. "Ninguém vai sentir picadas na pele ou ficar com a roupa corroída por causa da poluição", brinca Cláudio Alonso, da Cetesb. "O problema da chuva ácida é a degradação do meio ambiente a longo prazo."
Além de poluir rios e lagos e acabar com a flora e a fauna aquática, a chuva ácida se infiltra no solo liberando certos metais potencialmente tóxicos, como alumínio, chumbo e cádmio. Estes podem se introduzir na cadeia alimentar através das plantas e acabar prejudicando a saúde do homem. Segundo o médico Paulo Saldiva, do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da Universidade de São Paulo, "a presença de gotículas ácidas na atmosfera talvez represente um risco para a saúde de asmáticos, pessoas com infecções pulmonares, crianças e velhos".
Ao contrário do que se imagina, mesmo nos locais mais limpos, como o Ártico, a água da chuva é levemente ácida, ou seja, tem pH 5,6. O pH mede o teor de íons positivos de hidrogênio de uma solução. (Por uma convenção, pH designa o inverso do logaritmo da concentração desses íons.) Explica o professor Ivano Gutz, do Instituto de Química da USP, que a tabela do pH vai de zero a catorze: "Quanto maior for a concentração daqueles íons, menor será o pH logo, mais ácida a chuva". Em várias cidades do oeste da Europa e do leste dos Estados Unidos, a chuva chegou a ter pH entre 2 e 3, ou seja, entre o do vinagre e o do suco de limão. A diferença é maior do que parece: uma chuva com pH3 contém dez vezes mais hidrogênio do que outra com pH 4 e cem vezes mais do que outra com pH 5. Gutz, porém, explica que o conceito de chuva ácida vai mais além: "A acidez é a ponta do iceberg. Como a manifestação mais óbvia de que a chuva está poluída é o baixo pH, adota-se o nome chuva ácida para qualquer precipitação com alto teor de poluentes".
Nesses últimos anos, quando o homem parece acordar para os estragos que vem causando à natureza, a chuva ácida costuma ser citada - até com certo exagero - como uma espécie de holocausto ecológico recente em forma líquida. Mas a ameaça é quase tão antiga quanto a própria Revolução Industrial. A expressão foi usada originalmente no século passado, mais precisamente em 1872, quando o químico inglês Robert Argus Smith analisou a qualidade do ar da cidade de Manchester. No seu livro Air and rain: the beginnings of a chemical climatology  (Ar e chuva: os inícios de uma climatologia química), Smith estabelece pela primeira vez uma ligação entre o pH da chuva e a combustão do carvão naquele centro industrial. Quase meio século depois, o biólogo norueguês Knut Dahl reconhecia a relação entre a acidez das chuvas e a morte de plantas e peixes em vários lagos de seu país.
Os lagos saudáveis em toda a Escandinávia, aqueles dos cartões-postais, teriam um pH em torno de 7,0. Em muitos deles, esse valor baixou para 5,0. A acidez matou algas, plânctons e insetos. Sem esta vida microscópica, as águas adquiriram uma transparência não natural. Depois, à medida que o pH baixava, desapareceram os peixes, em especial salmões e trutas. Enfim, os pássaros, sem ter o que comer, também sumiram. Na primeira Conferência Mundial do Meio Ambiente, realizada em Estocolmo, em 1972 (a próxima, por sinal, será no Brasil, em 1992), os suecos deram o alerta. Se a guerra química do homem contra a natureza continuasse, em cinqüenta anos, calcularam eles, metade dos lagos de seu país estariam mortos. Por ironia da sorte - ou mais exatamente devido ao complexo mecanismo do clima no planeta -, suecos e noruegueses estavam arcando com um desastre armado a bons mil quilômetros de distância, na nevoenta e industrializada Inglaterra.
As correntes de ar que se deslocavam do oceano para o continente carregavam a maior parte dos 5 milhões de toneladas anuais de dióxido de enxofre expelidas pelas centrais elétricas movidas a carvão das Ilhas Britânicas. Quando alcança o sul da Noruega e o sudoeste da Suécia, a mistura poluída se precipita sob a forma de chuva. Calcula- se que algumas regiões da Suécia chegaram a ser contempladas todo ano com um presente de grego: 2 gramas de ácido sulfúrico por metro quadrado de chão. A Península Escandinava não foi a única premiada. As emissões de dióxido de enxofre na Europa na última década foram estimadas em 70 milhões de toneladas anuais. Esses gases não respeitaram fronteiras: Alemanha Ocidental, França, Checoslováquia, União Soviética, Itália e Espanha tiveram sua cota de participação no involuntário comércio internacional de poluição. No Brasil, a termelétrica de Candiota, em Bagé, Rio Grande do Sul, por queimar carvão de má qualidade, acidifica as chuvas que caem no Uruguai. Paradoxalmente, até as medidas antipoluentes adotadas na década de 70 contribuíram para o mercado exportador da chuva ácida. Foi o que aconteceu, por exemplo, no Parque Nacional de Adirondack, uma extensa área verde no nordeste dos Estados Unidos com montanhas e lagos aprazíveis, protegidos por uma rigorosa legislação de defesa do meio ambiente. Ninguém imaginaria que naquele paraíso terrestre houvesse qualquer sinal de poluição. Mas em 1976 constatou-se que os peixes de mais da metade dos lagos de Adirondack haviam desaparecido. De onde veio o veneno que teria acabado com eles? O autor do crime estava a cerca de 800 quilômetros do Parque. Trata-se do complexo siderúrgico de Sudbury, em Ontário, no Canadá.
Para impedir que a poluição prejudicasse as áreas vizinhas, em Sudbury as chaminés têm descomunais 400 metros de altura. Lançados às camadas mais altas da atmosfera, os gases venenosos são levados pelo ventos que sopram para o leste até encontrar a barreira dos Montes Apalaches e se precipitar como chuva ácida em pleno parque. Os americanos se queixaram, mas não puderam fazer papel de vítima inocente. Segundo as últimas pesquisas, o Canadá recebe dos Estados Unidos quatro vezes mais dióxido de enxofre e onze vezes mais óxido de nitrogênio do que envia para esse país.
As florestas da América do Norte não foram afetadas pela chuva ácida. Mas, na Europa, os efeitos parecem devastadores. Na Alemanha Ocidental, Suíça, França e Áustria, as árvores estão doentes, talvez porque o solo ou o tipo de vegetação seja especialmente vulnerável à acidez. Na Alemanha, uma paisagem desoladora: pinheiros e abetos, antes grandiosos, apresentam folhagem amarelada, com manchas escuras que provam a falta de nutrientes (cálcio e magnésio). As árvores mais afetadas já perderam a folhagem: os troncos nus estão cobertos de ramos finos, raquíticos e quebradiços.
Nas cidades, a corrosão dos monumentos, edifícios e veículos é de duas a dez vezes mais rápida do que no campo. Na região de Katowice, no sul da Polônia, por exemplo, os trens não podem correr a mais de 40 quilômetros por hora devido à corrosão dos trilhos. Os gregos, por sua vez, estão lutando contra o tempo para contra-atacar a chuva ácida que aos poucos dissolve seus conhecidos monumentos históricos. Para o especialista em corrosão, T. N. Skoulidikis, alguns dos grandes templos do seu país, como o Partenon, em Atenas, se deterioraram mais nesse último quarto de século do que em todos os 2 400 anos anteriores. A poluição praticamente já apagou as delicadas frisas e figuras gravadas na entrada da construção.
Ali, a solução de ácido sulfúrico reage com o mármore transformando a superfície em gesso macio. Problema semelhante se suspeita que esteja ocorrendo com o Coliseu, em Roma. Às vezes, são falsos alarmes. Quando as esculturas dos doze profetas, obra em pedra-sabão do Aleijadinho, na cidade mineira de Congonhas do Campo, começaram a ser corroídas, afirmou-se que a culpada era também a chuva ácida. Dessa vez, parece que tudo não passou de um ataque de fungos. Melhor sorte não tiveram os monumentos no sul do México. Um estudo mostrou que as esculturas e ruínas maias estão sendo destruídas pela chuva ácida.
Na América do Sul, chuvas com pH médio 4,7 têm sido registradas tanto em áreas urbanas e industrializadas como em regiões remotas. "Isso não quer dizer que a poluição se espalhou por toda parte", tranqüiliza a física Lycia Moreira Nordemann, do Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE) de São José dos Campos, no interior paulista, uma das poucas pesquisadoras brasileiras de chuva. Ela observa, por exemplo, que os estudos realizados na floresta amazônica mostraram que os valores dos pH na região (entre 4,5 e 4,7) estão próximos daqueles observados em áreas das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. A explicação é natural. A chuva ácida provem da oxidação do sulfeto de hidrogênio, ou seja a reação do sulfeto em contato com o oxigênio do ar, que se volatiliza nas regiões alagadas. Mas resulta principalmente da grande quantidade de ácidos orgânicos emitidos pela própria floresta.
Nos últimos dois anos, a equipe de Lycia Nordemann analisou a composição das chuvas em seis cidades do litoral brasileiro. "Nossa preocupação foi determinar o índice de poluição e não apenas o pH", frisa a pesquisadora. Como exemplo, ela cita o caso de Cubatão, cidade em que já havia medido a acidez da chuva há cinco anos. Naquela época, quando Cubatão era considerada um dos lugares mais poluídos do mundo, o pH da chuva ali era 6,4, ou seja, acima do índice perigoso. Isso porque uma das principais fontes de poluição, as indústrias de adubos químicos, jogavam no ar toneladas de fosfato de cálcio que acabavam por neutralizar a acidez da chuva. "O pH da água estava dentro dos padrões, mas havia uma concentração elevada de poluentes", interpreta Lycia.
Ela afirma que a poluição começa a ser detectada na costa cearense e já é pronunciada na região fluminense de Niterói. Ali, o pH é 5,5, o que em princípio deveria ser tranqüilizador. "Mas a acidez que poderia resultar da alta concentração de nitratos e sulfetos é neutralizada pela presença de cálcio e amônio", avalia Lycia. A pesquisadora do INPE concorda com o químico da Cetesb, Cláudio Alonso, quando ele sustenta que a chuva ácida, por enquanto, não é um problema grave - nem em São Paulo, onde o pH gira em torno de 5,0. Mas a pesquisadora avisa: "Se a emissão de dióxido de enxofre e de óxido de nitrogênio aumentar, aí poderemos ter motivo de preocupação, porque nossos solos já são naturalmente muito ácidos".

Males para a saúde

Desde que os cientistas começaram a estudar os efeitos da chuva ácida, especulou-se sobre os danos que ela causaria ao organismo humano. Mas os médicos não chegaram a resultados conclusivos. Segundo o patologista Paulo Saldiva, do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da USP, tudo indica que as partículas ácidas presentes na chuva têm efeito cumulativo sobre o organismo, podendo acelerar o desenvolvimento de doenças em pessoas menos saudáveis. "Em geral, antes de alcançar os pulmões, as partículas se acumulam no nariz e na garganta", informa. "Quando isso acontece, pioram os casos de asma, rinite e sinusite alérgica."
Se as partículas de ácido sulfúrico e ácido nítrico solúveis na chuva se infiltram nos brônquios, reduzem os seus mecanismos de defesa contra infecções. Isso, segundo Saldiva, predispõe ao aparecimento de broncopneumonias. "Se chegam aos pulmões", diagnostica, "podem aumentar os riscos de enfisemas." Ele acredita que o acúmulo de secreção, a forma de defesa do organismo contra os intrusos, pode obrigar o coração a um trabalho extra para bombear o sangue através dos pulmões - o que predisporia a doenças cardiovasculares. Por último, os olhos expostos à poluição da chuva têm probabilidade maior de apresentar conjuntivite.

Onde o organismo sofre

Nariz e garganta
Mais casos de asma e sinusite.
Olhos
Maior probabilidade de conjuntivite.
Brônquios
Predisposição à broncopneumonia.
Pulmões
Riscos de enfisema.
Coração
Mais doenças cardiovasculares.


Em busca do guarda-chuva

Cerca de 90 por cento do dióxido de enxofre encontrado no ar da Noruega vem de outros países. É claro que os noruegueses pouco poderão fazer para salvar seus lagos do envenenamento, se não contarem com a ajuda dos vizinhos europeus. Isso vale também para outros países do continente. Assim, há dois anos, os membros do Mercado Comum Europeu assinaram um acordo que prevê, até 2003, a redução pela metade no total das emissões do dióxido de enxofre em relação aos níveis da década de 80. O mesmo acordo determina uma redução de 30 por cento nas emissões de óxido de nitrogênio até 1998. O documento estabelece patamares diferentes para cada país segundo o volume de poluentes que atravessa suas fronteiras e sua dependência do carvão, uma das maiores fontes de enxofre.
Aproveitando os novos ventos políticos, os países ocidentais se prontificaram a ajudar os vizinhos do Leste europeu. As duas Alemanhas, por exemplo, assinaram um acordo de intercâmbio de tecnologia e controle da qualidade do ar. A Suécia ofereceu 45 milhões de dólares para assistência ambiental à Polônia nos próximos três anos; os Estados Unidos repartirão outros 40 milhões entre a Polônia e a Hungria. Na frente interna americana, por outro lado, corre solto no Congresso e na Casa Branca o debate sobre a ampliação do Clean Air Act, legislação ambiental criada em 1970 e nunca obedecida ao pé da letra, visando reduzir pela metade as emissões dos gases geradores da chuva ácida.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Prometeu, Mártir e Herói - Mitologia


PROMETEU, MÁRTIR E HERÓI - Mitologia



Um dos mais poderosos mitos de todos os tempos conta a tragédia do titã que roubou o fogo do Olimpo para dá-lo aos homens. Simboliza o eterno combate pela liberdade e o conhecimento.

Para os antigos gregos, a conquista do fogo estava intimamente ligada à luta pela liberdade. Basta ver como eles contavam a história do domínio do fogo - num dos mais poderosos mitos já criados pelo homem. Existia no Olimpo, a montanha em que moravam os deuses, um titã (deus gigante) muito brincalhão, chamado Prometeu (que significa o que pensa antes), descendente do casamento de Urano, o céu, com Gea, a Terra. Eles tiveram, entre outros filhos, Japetos, que viria a ser pai de Prometeu. Como Zeus, a divindade suprema, era filho de Cronos, o tempo, irmão de Japetos, Zeus e Prometeu eram primos. Ora, Prometeu vivia fazendo artes e piadas. Uma de suas brincadeiras, justamente, foi criar o ser humano, ou melhor, só o homem, o sexo masculino, e colocar nele uma centelha do fogo divino, a alma. Os homens assim criados assumiram o compromisso de homenagear Zeus com sacrifícios animais. Em troca, podiam usar o fogo, até então considerado exclusivo das divindades.
Mas pouco depois Prometeu fez outra brincadeira: escondeu a carne de um animal sacrificado, de modo que Zeus ficou só com os ossos e a gordura. Irritado ao descobrir o engano, Zeus retirou o fogo dos homens e proibiu que eles o utilizassem novamente. Os homens começaram a passar frio e fome, pois não podiam mais usar o fogo nem para se aquecer, nem para cercar a caça, nem para moldar as armas usadas na caça, nem para cozinhar os alimentos, dos quais muitos, como os cereais, deixaram assim de ser comestíveis. Penalizado com a situação dos homens - afinal ele fora o seu criador -, Prometeu fez uma brincadeira a sério: roubou uma brasa da forja de Hefaistos, o deus ferreiro, escondeu-a no oco de um pau, com o qual saiu do Olimpo, sem que os outros deuses percebessem que desse modo ele estava entregando o fogo de novo aos homens. Com isso, os homens puderam voltar a fazer tudo o que precisavam para sobreviver.
Quando soube que o fogo tinha sido roubado do Olimpo, Zeus ficou furioso e resolveu se vingar duplamente: dos homens e de Prometeu. Dos homens, Zeus se vingou criando a primeira mulher, Pandora, com a idéia de que as mulheres passassem a infernizar-lhes a vida. E, de fato, Pandora logo seduziu Epimeteu (que significa, o que só pensa depois), um irmão menos esperto de Prometeu. E Epimeteu, ao contrário do que lhe aconselhava o irmão, casou-se com Pandora. Esta então abriu uma caixinha - os antigos, por sinal, designavam o objeto "caixinha" pela palavra "boceta"- e da caixinha ou boceta saíram todos os males que desde então têm atazanado os homens, como as discórdias, as doenças e a necessidade de trabalhar duro para sobreviver. Em seguida, Pandora fechou a tampa da caixinha, com o que ficou presa dentro dela a Esperança, desde então inacessível aos homens. Contra Prometeu, a vingança de Zeus foi particularmente cruel.
O deus supremo ordenou que o deus ferreiro Hefaistos forjasse uma corrente indestrutível, de elos invioláveis - incumbência que ele aceitou de bom grado porque afinal fora de sua forja que Prometeu roubara o fogo. Com essa corrente a toda prova, Prometeu ficou acorrentado ao alto de um pico no Cáucaso -  onde hoje fica a Geórgia, na União Soviética, portanto bem longe do Olimpo grego - condenado a ter o fígado eternamente devorado por uma águia. Cada vez que a águia terminava de devorar todo o fígado de Prometeu, a víscera renascia e a águia começava de novo a devorá-lo. Esse castigo impiedoso - e acima de tudo injusto, pois que mal podiam os homens mortais fazer com o fogo contra os deuses imortais? - deveria em princípio durar eternamente. E durou mesmo alguns séculos ou milênios, até que o herói Héracles (Hércules, para os romanos) entrou em cena. Para os gregos antigos, um herói era o filho de uma divindade com um ser humano, sendo portanto mais poderoso que um homem, mas não imortal como um deus. No caso, Héracles era filho de Zeus com a humana Alcmena. Ele matou a águia e com sua força literalmente hercúlea arrebentou a corrente dita indestrutível, libertando Prometeu.
O mito de Prometeu acabou se tornando a metáfora de um mártir pela liberdade, a terrível saga de quem ousa se contrapor à tirania arbitrária dos que governam o destino humano, como no caso de Zeus. Prometeu representa também um símbolo da luta pela civilização e a cultura, pois diz a lenda que, com o fogo, ele outorgou também à humanidade, as artes e as ciências. A aventura da busca do conhecimento, a matéria-prima da liberdade, imprimiu na mente humana, desde os tempos antigos, um claro sentido de tragédia. O sofrimento de Prometeu, ao menos, é redimido pela intervenção de Héracles. Outra lenda, porém, é irremediavelmente implacável: a expulsão de Adão e Eva do Éden não teve volta. Eles foram punidos por provarem do fruto da árvore do bem e do mal, ou seja, por terem se apropriado de uma preciosidade, o saber, tão exclusivo da divindade como o fogo dos senhores do Olimpo.
A história emocionante da conquista do fogo e da cultura por Prometeu há milênios inspira poetas e prosadores, suscitando diversas interpretações do mito. Um dos primeiros foi o grego Ésquilo (525-456 a.C.), que em sua peça Prometeu acorrentado, até hoje considerada um hino à liberdade, mostra Prometeu, preso à montanha e perseguido pela águias conversando com sucessivos visitantes que lhe trazem notícias. O titã reage violentamente contra o castigo imposto por Zeus. Sabe-se que Ésquilo escreveu ainda dois outros textos sobre o mesmo tema, Prometeu libertado e Prometeu traz o fogo, mas essas peças se perderam. Cerca de 23 séculos depois, o dramaturgo alemão Johann Elias Schlegel, em 1797, e o poeta inglês George Gordon Byron, em 1816, escreveram também sobre Prometeu. Nessa época, o personagem inspirou uma das maiores mudanças na história da música ocidental. Até fins do século XVIII, de fato, não era costume os grandes compositores fazerem música de balé, deixada para autores quase desconhecidos. Mas o alemão Ludwig van Beethoven (1770-1827) abriu a primeira exceção para uma coreografia do italiano Salvatore Vigno e em 1801 compôs a música do balé As criaturas de Prometeu.
Exatamente dois decênios mais tarde, o poeta inglês Percy Bysshe Shelley (1792-1822), que passou os últimos anos da vida na Itália, lançou em 1821 a peça em versos Prometeu libertado. Shelley continuou a história de Ésquilo: Prometeu, que representa a espiritualidade, consegue destronar Zeus, símbolo do apego às coisas materiais, e assim começa uma nova idade de ouro para a humanidade. Depois foi a vez do suíço Carl Spitteler (1845-1924), que em 1880 publicou a epopéia Prometeu e Epimeteu, em que dá vazão a sua espiritualidade aristocrática e pessimista, que quer distância dos outros seres humanos. Não satisfeito com a beleza formal de sua obra, Spitteler tornou a publicá-la, reescrita, em 1924, por sinal, ano de sua morte, acrescentando ao trabalho uma recusa ao progresso material.
Talvez mais característica do espírito moderno seja a versão do francês André Gide (1869-1951), que em 1899 lançou o conto filosófico Prometeu mal acorrentado, fazendo uma reflexão sobre a luta de cada ser humano para conquistar seus próprios valores individuais e não os valores impostos pela sociedade. Gide escreve que Prometeu conseguiu comer a águia, símbolo das paixões que fazem o homem sofrer, e assim reencontrou seu equilíbrio. O titã da mitologia grega sobrevive ainda no nome do metal raro promécio, elemento ainda não encontrado na natureza, mas isolado em laboratório em 1947 - tal como o homem apropriou-se do fogo milênios atrás.


terça-feira, 26 de julho de 2011

E se... Um Tsunami atingisse o Brasil ?

E SE... UM TSUNAMI ATINGISSE O BRASIL?



Os resultados seriam bem parecidos com o que você viu na televisão, nas revistas e na internet desde o dia 26 de dezembro. Milhares de pessoas desabrigadas. Corpos sendo resgatados em alto-mar. Crianças órfãs, plantações destruídas e outra infinidade de mazelas que as catástrofes naturais têm uma habilidade única de provocar.

Mas um tsunami como o da Ásia é quase impossível de acontecer por aqui. Lá, a seqüência de ondas gigantes foi resultado de um terremoto provocado pelo movimento das placas tectônicas Australiana e Eurasiana. As placas tectônicas, encaixadas como num gigantesco quebra-cabeça, formam um manto sobre o magma, a camada do centro da Terra composta por rochas em estado fluido. Quando uma dessas placas raspa ou se encosta em outra, nós sentimos tremores nos continentes. Se isso ocorre no fundo do mar, a energia liberada forma uma onda, que vai se propagando até atingir terra firme. Foi exatamente o que ocorreu no sul da Ásia. "Já o Brasil, para nossa sorte, está localizado bem no centro de uma placa e, mesmo quando ela se move, provoca apenas abalos de pouca intensidade", diz o professor de engenharia oceânica da UFRJ Paulo Cesar Rosman.
Acontece que terremotos no fundo do mar não são a única razão para o surgimento de um tsunami. Quedas de meteoros e erupções vulcânicas também podem gerar ondas gigantes. Nesses casos, a força do tsunami depende do tamanho do material que é arremessado ao mar. Se você acha que escapamos mais uma vez, engana-se. O pesquisador Steven Ward, da Universidade da Califórnia, é autor de um estudo sobre o impacto que uma erupção do vulcão Cumbre Vieja poderia causar nas Américas. O vulcão está localizado na ilha La Palma, no arquipélago das Ilhas Canárias, perto da costa africana. De acordo com Ward, uma próxima erupção pode fazer parte da ilha deslizar e cair no mar. Essa queda produziria uma energia tão grande que, em poucas horas, ondas gigantescas se formariam e destruiriam várias ilhas do Caribe, alguns estados americanos e o Norte e Nordeste brasileiros. "Ninguém sabe ao certo quando o Cumbre Vieja pode entrar em erupção", diz o pesquisador americano. "Ele entrou em colapso há 550 mil anos. Desde então, reconstruiu-se e pode estar voltando novamente ao fim de seu ciclo." Como o Brasil não tem sistema de alarme de tsunami, moradores e turistas seriam pegos de surpresa, repetindo as cenas trágicas que aconteceram no último ano na Ásia.


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