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quinta-feira, 9 de novembro de 2023

Cientistas criam macaco com dedos fluorescentes usando células-tronco

Cientistas criam macaco com dedos fluorescentes usando células-tronco

Segundo os pesquisadores, o animal é uma quimera, ou seja, seu corpo contém dois conjuntos distintos de DNA.

domingo, 26 de dezembro de 2021

Encontrados fósseis de espécie que caminhava como humano e escalava como macaco

Encontrados fósseis de espécie que caminhava como humano e escalava como macaco

Australopithecus sediba viveu na África do Sul há cerca de dois milhões de ano.

sábado, 5 de junho de 2021

Macaco consegue jogar videogame com a mente por meio de implante cerebral

Macaco consegue jogar videogame com a mente por meio de implante cerebral

No futuro, dispositivos do gênero podem ajudar pessoas com limitações físicas a realizar atividades cotidianas.

segunda-feira, 11 de maio de 2020

Macacos teriam navegado da África para a América há milhões de anos

Macacos teriam navegado da África para a América há milhões de anos


Nos anos 1980, surgiu uma teoria que dizia que os primeiros macacos que chegaram nas Américas vieram “navegando” da África.  

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Cientistas conseguem desenvolver ser híbrido entre humano e macaco

Cientistas conseguem desenvolver ser híbrido entre humano e macaco


Pela primeira vez, cientistas conseguiram criar um híbrido entre humano e macaco. 

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Morre Koko - A gorila que se comunicava por sinais


Morre Koko - A gorila que se comunicava por sinais


Foi anunciado que a gorila Koko, que ficou famosa por se comunicar por linguagens de sinais, morreu dormindo aos 46 anos, nos Estados Unidos. 

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

O Rei e a sua floresta submersa - Natureza


O Rei e a sua floresta submersa - Natureza


Dizem os cientistas que se alguém mostrar a foto desse bicho aí do lado a um morador da cidade de Tefé, bem no coração da Amazônia (veja no mapa), o cidadão ia ficar espantado de nunca ter visto coisa igual. É que o uacari-branco é raríssimo. Foi ao estudá-lo, em 1983, que o biólogo José Márcio Ayres despertou para a necessidade de proteger  a região. Por um admirável capricho da evolução, o uacari-branco, com cerca de 20 centímetros de comprimento, só existe por lá - e em nenhum outro lugar do mundo. Em 1996, finalmente, o reino do uacari-branco se transformou na primeira Reserva de Desenvolvimento Sustentado do Brasil.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Testando a evolução humana em laboratório

Testando a evolução humana em laboratório


A identificação de características celulares e moleculares que diferem os humanos de outros primatas é algo essencial para o entendimento básico da evolução da nossa própria espécie. Com as melhorias da tecnologia de sequenciamento de DNA, descobrimos que somos muito parecidos geneticamente com nossos primos evolutivos, incluindo os chimpanzés, os bonobos e os gorilas. Por outro lado, análises anatômicas e comportamentais mostram o quanto diferentes somos dos outros primatas.

Um terço dos americanos rejeita a Teoria da Evolução, diz estudo

Um terço dos americanos rejeita a Teoria da Evolução, diz estudo


Apoiadores do Partido Republicano creem menos na teoria que há 4 anos.
Entre os democratas, 67% acreditam na evolução.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

As cordiais acrobacias do Muriqui - Natureza



AS CORDIAIS ACROBACIAS DO MURIQUI - Natureza



O maior mamífero brasileiro, maior macaco do Continente, é um bicho ágil, sociável e de bom gênio. A ciência trata de conhecê-lo numa corrida contra o tempo: também ele pode desaparecer.

O dia amanhece. Começando a se debruçar sobre as montanhas, o sol acorda os pássaros da floresta cuidadosamente conservada da Fazenda Montes Claros, no município mineiro de Caratinga, 321 quilômetros a leste de Belo Horizonte. Aos gritos, eles disparam em busca da primeira refeição. Nos galhos mais altos das árvores, porém, outros bichos, abraçados, esperam preguiçosamente que a luz da manhã os aqueça, para só então cuidarem do desjejum vegetariano. De temperamento cordial, acrobáticos nos movimentos, eles são os muriquis, os maiores macacos das Américas e os maiores mamíferos nativos e exclusivos do Brasil. Por outros motivos também, formam uma população peculiar naquele ambiente. Para começar, tais representantes da espécie Brachyteles archnoides têm nomes próprios, quase todos em inglês, e isso se relaciona ao fato de estar em curso ali uma ambiciosa investigação científica a cargo de instituições brasileiras e americanas.
Black, Bruna e Brigitte, Cher, Cutlip e Clyde, Dian, Daniel e Diamond, Nilo, Nina e Nancy são alguns dos machos e fêmeas, adultos e jovens, cujas peripécias vêm sendo acompanhadas pela ciência tão de perto quanto permitem o habitat arbóreo, o zelo dos pesquisadores e os hábitos dos pesquisados. Graças ao dono da fazenda, Feliciano Abdalla, de 83 anos, que há mais de quarenta tomou a decisão de conservar nos 1 100 hectares da propriedade a Mata Atlântica e a integridade de seus habitantes, funciona ali desde 1976 um autêntico laboratório natural. Essa Estação Biológica, como dizem os cientistas, transformou-se no local que rendeu mais pesquisas com primatas do país.
Os primatas muriquis, às vezes chamados impropriamente monos-carvoeiros, o que costuma irritar os especialistas, fazem por merecer todas essas atenções. Em parte, por suas características, ainda mal conhecidas. Em parte, por não existirem em nenhum outro país. Mas, principalmente, porque - também eles - estão sob ameaça de extinção, dizimados pelos caçadores e pela destruição de seu magnífico território, o ecossistema único da Mata Atlântica, reduzida a menos de 10% do que devia ter sido quando aqui chegou o homem branco. Até onde é possível supor essas coisas com razoável precisão, viviam no Brasil de 400 anos atrás algo como 400 000 muriquis, designação dada pelos indígenas, querendo dizer "gente vagarosa".
Um esforço cuidadoso de recenseamento, em 1971, chegou a um total aproximado de 3 000 animais. No ano seguinte, outra contagem apurou cerca de 2 000. Os números mais recentes oscilam de 350 a não mais de 500 indivíduos, esparsos em áreas protegidas em Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo. Nos 890 hectares da Estação Biológica de Caratinga, pesquisadores brasileiros e do exterior tratam de acumular conhecimentos sobre esses macacos de 1 metro de altura e 20 quilos de peso. Os 84 muriquis da Fazenda Montes Claros dividem-se em dois grupos, Matão e Jaó, com aproximadamente o mesmo número de indivíduos. Os homens e mulheres que os estudam procedem de entidades nacionais, como a Universidade Federal de Minas Gerais e a Universidade de São Paulo, internacionais, como World Wildlife Fund, e americanas, como National Science Foundation e National Geographic Society. O primeiro pesquisador a descobrir os muriquis da Fazenda Montes Claros, em 1971, foi Álvaro Aguirre, já falecido, da Fundação Brasileira para a Conservação da Natureza (FBCN), do Rio de Janeiro. Depois dele, biólogos e zoólogos freqüentaram sistematicamente o local ao longo da década e rodaram um filme, O lamento do muriqui que se tornaria um marco no esforço pelo conhecimento e pela preservação da espécie. Hoje pesquisam os muriquis o antropólogo Francisco Dyonísio e o casal de biólogos Adriana e José Rimoli, todos da USP.
Como seria de prever, muito tempo (e paciência) foi necessário até que os macacos se acostumassem com a presença desses humanos - os primeiros que não vinham para matá-los. Já nos contatos iniciais, os pesquisadores puderam perceber que os muriquis adotavam uma reação criativa ao que seria uma ameaça - o "comportamento de intimidação". Um macaco fica suspenso apenas pela cauda, de cabeça para baixo portanto; nessa posição, recolhe os membros e contrai os músculos da cauda para se elevar. Enquanto isso, outros membros do grupo se abraçam a fim de parecerem maiores e emitem ruídos intensos. Então, o muriqui suspenso estica rapidamente os braços e a cauda como se fosse se lançar sobre o homem. À distância de apenas 3 metros, é um susto e tanto para o observador. Hoje, habituados aos homens, a conduta dos muriquis chega a ser amigável. O espetáculo da intimidação saiu de cartaz por falta de agressores.
Foi a americana Karen Barbara Strier, bióloga da Universidade Harvard, quem teve a idéia de dar nomes aos muriquis, ao notar entre os quase quarenta membros do grupo estudado, o Matão, acentuadas diferenças - pigmentação do rosto, cor dos pêlos, temperamento -, que permitiam a identificação individual. Cutlip, por exemplo, é um macho de pelagem marrom-clara, sem pigmentação no nariz e com um corte (cut) no lábio (lip) inferior. De índole sossegada, aprecia ficar sentado nos galhos, o olhar distante. Irv, de pelagem escura que torna preto o seu rosto, por ser um dos mais velhos do grupo, recebe muitas atenções. A partir dos primeiros nomes, criou-se um código de letras para facilitar o desenho de árvores genealógicas: a inicial do nome dos filhos deveria ser sempre a mesma da mãe. Assim, Bruna e Brigite são filhas de Bess. Nilo e Nina descendem de Nancy. Cecília (homenagem à bióloga paulista Cecília Torres de Assumpção, falecida em 1987) vem de Cher.
Os muriquis se locomovem entre as árvores com extraordinária rapidez, erguendo sobre a cabeça os braços de 70 centímetros em movimentos pendulares. Os dedos igualmente longos permitem-lhes agarrar com firmeza mesmo os galhos mais distantes. Sua agilidade, comparável apenas à dos gibões da Ásia e dos macacos-aranha da Amazônia, faz deles os grandes acrobatas da floresta. Ao contrário dos símios africanos, asiáticos e europeus, porém, os muriquis (assim como os macacos-aranha) não têm o chamado polegar oponível, o quinto dedo que tanto ajuda a segurar e a manipular objetos. A ausência não é uma carência. mas uma adaptação à vida na copa das árvores. Para balançar-se de um galho a outro, dedos compridos funcionam como perfeitos ganchos; o polegar só iria atrapalhar o movimento.
Outra adaptação à vida na copa das árvores é a cauda preênsil de 1,20 metro, que funciona como um quinto membro na locomoção e na alimentação. Sem pêlos na face ventral, a pele ali se assemelha à da palma das suas mãos. Sensível assim ao tato, permite ao muriqui manipular objetos tão pequenos quanto uma ervilha e carregá-los durante o deslocamento. A poderosa musculatura da cauda sustenta tranqüilamente o corpo do animal pendurado.
Capaz de destinguir cores, ele identifica facilmente árvores frutíferas e folhas tenras, seus alimentos prediletos. Os olhos frontais proporcionam-lhe uma visão binocular, como a dos humanos, felinos e algumas aves de rapina. Isso possibilita avaliar com precisão a distancia dos objetos - um atributo essencial para quem vive pulando de galho em galho.
Mesmo assim, muriqui nenhum nasce sabendo saltar. As mães precisam ajudar os filhotes nas passagens mais difíceis, usando o próprio peso para aproximar os galhos de árvores diferentes ou quando a madeira for rija demais, formando com o corpo deitado, os braços e a cauda estendidos, uma ponte sobre a qual o júnior fará a travessia. Na sociedade muriqui, cuidar dos filhotes é tarefa exclusiva das mães. Nessa espécie, em que a expectativa de vida é de vinte anos, as fêmeas são férteis um mês por ano quando copulam indistintamente com vários machos. O acasalamento às vezes ocorre na presença de terceiros, sem que isso dê motivo a conflitos - algo infreqüente entre os primatas sociais. Depois de sete a oito meses, nasce o filhote (há casos de gêmeos). Durante os primeiros oito meses de vida o filhote se mantém preso ao ventre da mãe, perto das mamas. À medida que cresce, muda de posição, ficando, primeiro, agarrado lateralmente, depois nas costas, até perder definitivamente a carona materna. O desmame não ocorre antes de ano e meio, podendo dar-se aos 2 anos.
Nesse prolongado convívio com a mãe, o filhote aprende não só a saltar como também a emitir sons - um comportamento valioso à sobrevivência dos indivíduos e à coesão do grupo. Os pesquisadores da Estação Biológica de Caratinga descobriram que os muriquis produzem nada menos de 22 vocalizações distintas, cada uma com sua finalidade específica. Incluem-se aí o choro do filhote faminto, o trinado da fêmea no cio, o grito para assustar um eventual predador (como um quati atraído por um filhote que se soltou da mãe e caiu no chão). Quando o grupo se desloca, ao contrário do que ocorre com as espécies em que os machos formam um círculo protetor em volta das fêmeas e dos filhotes, o centro muriqui é masculino e a periferia, feminina.
Cena documentada pelos pesquisadores na Fazenda Montes Claros: diante de uma apetitosa árvore frutífera um enfrentamento entre o grupo Matão e o Jaó. Dois machos matões se abraçam, gritando, os olhos voltados ora para os machos jaós, ora para o parceiro. Na tentativa de impedir a aproximação dos adversários, outros cinco indivíduos se abraçam à dupla original, formando um cacho de sete machos adultos dependurados apenas pelas caudas. No entanto, o alarido da turma do Jaó, mais numerosa naquela circunstância, acaba prevalecendo e os matões desistem daquela fonte de alimento, retirando-se, como talvez fosse o caso de dizer, com o rabo entre as pernas. A importante moral da história é que a disputa foi resolvida literalmente no grito, sem combates físicos.
A escassa beligerância é uma das características mais interessantes dos muriquis. "Tão reduzida agressividade é muito incomum", comentou, admirada, a bióloga Karen Barbara Strier. Nisso eles se distinguem de outras espécies primatas, como o macaco-prego e o bugio, conhecidos pelo temperamento briguento. Dentro do grupo, mesmo quando um filhote provoca um adulto, quebrando um galho sobre sua cabeça, por exemplo, o máximo que pode acontecer é a vitima pôr o moleque a correr, mais para se livrar dele do que para castigá-lo. Tolerantes uns com os outros, dotados de grande capacidade de convívio, sua organização social é decididamente atípica, a ponto de os pesquisadores não terem conseguido identificar uma hierarquia rígida entre os indivíduos.
Embora os machos adultos - a elite muriqui - tenham mais direitos do que os jovens e, entre aqueles, os mais velhos sejam, digamos, mais iguais que os outros, não existe nada que lembre a figura do líder, o brutamontes que conquista no tapa ou na ameaça a prioridade na obtenção de comida ou no acesso a parceiras sexuais. O macho muriqui a quem o grupo concede o direito de ser o primeiro a alimentar-se não terá necessariamente a mesma primazia no acasalamento. A discriminação sexual, porém, é evidente: machos e fêmeas circulam em patotas separadas. Os grupos tampouco se misturam, embora a norma seja menos rígida quando se trata das fêmeas.
Normalmente quando chegam à idade reprodutiva, elas migram de uma turma para outra. Esse comportamento, observam os biólogos, é benéfico à espécie, pois amplia às possibilidades de adaptação às variações do meio, ao promover trocas genéticas entre os diferentes grupos e reduzir a ocorrência de problemas de consangüinidade.
Apesar desses ganhos adaptativos, o exercício da prerrogativa feminina de ir e vir não é isento de contratempos. Black que o diga. Fêmea nascida no grupo Matão, tendo se baseando para o Jaó, resolveu, para surpresa geral, tornar à casa antiga. Pois bem: durante bons cinco meses, a dita senhora foi alvo de desdém e hostilidade, permanecendo à margem da sociedade .Teimosa, ou talvez à falta de alternativas insistiu em readquirir a cidadania original. Aos poucos, as reações agressivas dos outros começaram a diminuir e, um belo dia, ela se viu novamente aceita, passando a ser procurada pelos machos tanto quanto qualquer outra dama nos períodos férteis.
Todos esses eventos da vida muriqui são diligentemente anotados pelos pesquisadores, cientes de que ainda têm muito a aprender.
O interesse não é apenas acadêmico: o conhecimento, no caso dessa população minguante, tem por objetivo "contribuir para a continuidade de sua existência", nas palavras do antropólogo paulista Francisco Dyonísio, o Dida, cuja tese de dourado trata justamente desses bichos. Ou, segundo a bióloga Adriana Rimoli, "a coleta de informações visa não só a preservar a espécie, mas também o ecossistema em que ela vive, pois são coisas integradas". Ela dá um exemplo prático do que isso pode significar: "Se um dia o local for ameaçado pela construção de uma hidrelétrica, digamos, será possível reintroduzir os muriquis em outro ambiente natural, em vez de simplesmente jogá-los num zoológico".

Um inabalável caso de amor

Há 46 anos, quando comprou a Fazenda Montes Claros, Feliciano Miguel Abdalla prometeu ao antigo dono não mexer nas matas nem nos animais que ali viviam. Era o que se podia esperar de alguém que desde pequeno tinha paixão pela terra e pelos bichos. No entanto, livrar-se dos caçadores que invadiam a região não era fácil. Certa vez, um empregado veio avisá-lo de que havia homens e cães caçando na mata. Indignado, Feliciano levantou-se, puxou as calças acima da cintura, num gesto decidido, e mandou expulsar à bala os invasores, com uma ordem expressa: "É para acertar os caçadores, não os cachorros". Pai de sete filhos, dos quais quatro mulheres, de dois casamentos, Feliciano, ou Ciano, como todos o chamam, é um homem afável, bem-humorado, bom de prosa. É também um dos fazendeiros mais ricos da região de Caratinga, no nordeste de Minas, onde nasceu: tem nada menos de doze fazendas, algumas de café e outras de gado leiteiro.
Filho de um dos muitos imigrantes libaneses que começaram a vida como mascates nos sertões das Gerais e terminaram prósperos comerciantes e fazendeiros, aos 14 anos Ciano escolheu trabalhar nas terras do pai -e nunca saiu do campo. Isso não o impediu de se tornar um homem informado, que gosta de ler e discutir sobre tudo, de política a religião. De hábitos simples, não há quem o convença a colocar luz elétrica na fazenda. Dorme pouco, acorda às 4 horas e, apesar dos 83 anos, só pára de trabalhar quando escurece. Não há um palmo da fazenda que não conheça nem um arbusto que não mereça o seu carinho. Rigoroso, não permite que se retire nem um galho sequer da mata - tão intenso o seu inabalável amor pela natureza.

A grande árvore dos primatas

Entre macacos, símios - e o próprio homem, seu aparentado -, o grupo dos primatas compreende cerca de 200 espécies, todas descendentes de um remotíssimo ancestral comum, o musaranho, pequeno mamífero comedor de insetos, do qual se originaram também seres tão diferentes entre si como os morcegos, as baleias e os tamanduás. Os primeiros primatas surgiram há uns 65 milhões de anos. Tinham hábitos noturnos, viviam tanto em árvores como no chão e se alimentavam de frutos e folhas. Por volta de 50 milhões de anos atrás, começaram a espalhar-se pelo mundo. No processo de competição por recursos vitais, acabaram varrendo do mapa outros primatas, os chamados prossímios, dos quais sobreviveram apenas os antepassados dos atuais lêmures em sossegado isolamento na ilha de Madagascar, a leste da África.
Como os símios vieram parar aqui é uma questão que divide os pesquisadores. Uma teoria sustenta que os macacos da América do Sul originaram-se de espécies africanas que atravessaram o Atlântico a bordo de jangadas - na verdade, grandes blocos de terra, recobertos de raízes, que se haviam desprendido das margens dos rios, levando consigo seus moradores. A distância relativamente pequena entre a África e a América há 40 milhões de anos torna essa hipótese plausível. Outra teoria afirma que a macacada sul-americana descende de prossímios da América do Norte que migraram por um istmo onde hoje é América Central; milhões de anos depois, quando a passagem deixou de existir, os tatataranetos daqueles viajantes, isolados, desenvolveram suas próprias linhagens e uma característica anatômica exclusiva - a cauda preênsil que funciona como um quinto membro.
Uma coisa é certa: todos os primatas sul-americanos têm um antepassado comum, tenha ele vindo por mar ou por terra. A prova está nas suas narinas achatadas e afastadas, com as aberturas orientadas lateralmente, motivo pelo qual se chamam platirrínios. Já seus primos do Velho Mundo, os catarrínios, como os gorilas, chimpanzés, babuínos e mandris, têm as narinas unidas, com as aberturas para baixo ou para a frente. Maior território da América do Sul, o Brasil é por excelência o país dos primatas, abrigando nada menos de 44 espécies, agrupadas pelos zoólogos em três famílias. Os cebídeos compreendem, entre outros, o muriqui, o bugio, o macaco-prego e o aranha, num total de 24 espécies; os calitriquídeos, como o mico-leão e o sagüi, são dezenove; calimiconídeo só existe um, o calimico-goeldi.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Sinal Vermelho - Macaco colobos vermelho

SINAL VERMELHO - Macaco Colobos Vermelho Miss Waldron



A África já foi a casa de milhões de macacos-colobos-vermelhos e suas subespécies, que vagavam por florestas em grupos barulhentos. No século 20, essas populações sofreram reduções drásticas, sendo que a subespécie Procolobus badius waldroni é considerada extinta. E isso não se deu por falta de aviso. Ao descobrirem esse macaco, em dezembro de 1933, os cientistas avisaram que ele corria risco por viver num habitat restrito de Gana e da Costa do Marfim. Mas o desaparecimento acelerado só começou a ser sentido por volta de 1950, época em que pessoas famosas, como o escritor Ernest Hemingway, exaltavam a caça e incentivavam centenas de estrangeiros a irem para a África atrás de aventuras. O Procolobus badius waldroni se tornou conhecido da comunidade científica quando o naturalista britânico Willoughby Lowe comandava uma expedição para a coleta de animais na África. Interessada nos macaquinhos com detalhes vermelhos na testa e nas pernas, a equipe matou oito exemplares e os levou para estudo na Inglaterra. Já no Museu de História Natural de Londres, o especialista em mamíferos R. W. Hayman batizou o primata de colobo-vermelho-de-miss-waldron, em homenagem à senhorita F. Waldron, funcionária da instituição que participou da expedição.
Com exceção dos detalhes coloridos da pelagem, esse colobo-vermelho não se diferenciava das demais subespécies. Vivia em florestas densas, andava em bandos de 20 ou mais indivíduos, fazia estardalhaço chamando os companheiros e comia folhas de mais de 100 tipos de árvores, digerindo a celulose com seu estômago similar ao dos bovinos.
Em 1976, a especulação imobiliária acelerou a transformação das florestas de Gana, que passaram a ser ilhas de vida selvagens cercadas por um oceano de prédios. Caçadores invadiam a região atrás de carnes exóticas na mesma proporção em que as árvores - fonte de alimento - eram derrubadas. Desde 1978, não existe relato confiável de alguém que tenha deparado com um desses macaquinhos. Em 12 de setembro de 2000, a extinção da subespécie foi anunciada, marcando o desaparecimento oficial do primeiro primata antropóide desde 1800.
O especialista em primatas Scott McGraw, da Universidade de Ohio, nos Estados Unidos, um dos responsáveis pelo artigo que deu o animal como extinto em 2000, ainda tem esperança de encontrar algum desses macacos com vida e oferece recompensas a nativos que relatem aparições. Em 2002, McGraw ganhou a cauda de um primata morto dois anos antes, e um exame de DNA confirmou ser de algum tipo de colobo-vermelho. Além da cauda, só restava o relato do caçador. Em 2003, o cientista recebeu uma foto do que seria um desses macaquinhos - mais uma vez, morto. Como jamais foi fotografado, não se sabe se o bicho era um autêntico Procolobus badius waldroni.

Macaco-colobo-vermelho-de-miss-waldron
Nome científico: Procolobus badius waldroni
Ano da extinção: 2000
Habitat: Gana e Costa do Marfim

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Filhotes fêmeas de chimpanzé 'parecem brincar com bonecas'

22/12/2010 06h34 - Atualizado em 22/12/2010 11h51

Filhotes fêmeas de chimpanzé 'parecem brincar com bonecas'
Diferença na forma como meninos e meninas brincam pode ter fundo genético, dizem cientistas.

Cientistas americanos dizem que filhotes fêmeas de chimpanzés parecem tratar pedaços de pau como bonecas, carregando-os consigo até terem seus próprios filhotes.

Os pesquisadores, da universidade de Harvard, em Cambridge, Massachusetts, e do Bates College, em Lewiston, Maine, dizem que filhotes machos se comportam dessa forma com muito menos frequência.

O estudo, publicado pela revista científica Current Biology, é o primeiro a obter evidências de espécies não humanas, selvagens, brincando com bonecas rústicas. O trabalho também é o primeiro a observar diferenças na escolha de brinquedos por animais selvagens de sexos diferentes.

Os especialistas acreditam que o comportamento observado pode ser um indício de que a diferença na forma como meninos e meninas brincam teria um fundo genético - ou seja, as crianças não estariam simplesmente imitando o comportamento de outras.

Biologia
Os cientistas especulam que o hábito de brincar com bonecas, entre os humanos, poderia ter origem no hábito de carregar objetos entre os primeiros macacos.

'Em humanos, há diferenças marcantes na forma como crianças de sexos diferentes brincam com brinquedos, e elas são incrivelmente similares em diferentes culturas', disse a bióloga Sonya M. Kahlenberg, do Bates College.

'A socialização por adultos e outras crianças tem sido vista como a explicação principal, mas nosso estudo sugere que a biologia pode ter também um papel importante nas preferências por determinadas atividades'.

Bonecas
Kahlenberg e o biólogo Richard W. Wrangham, de Harvard, passaram 14 anos observando o comportamento de chimpanzés no Kibale National Park, em Uganda, na África.

Eles identificaram mais de cem exemplos de animais carregando pedaços de pau. Em muitos casos, as fêmeas filhotes não estavam usando as varetas para procurar comida ou brigar - como os macacos adultos às vezes fazem - ou por qualquer outra razão clara.

Alguns filhotes carregavam as varetas para o ninho para dormir com elas e, em uma ocasião, um filhote construiu um ninho separado para a vareta.

'Vimos alguns casos de jovens chimpanzés carregando os pedaços de pau por muitos anos, e como às vezes eles os tratavam como bonecas, queríamos saber se, de maneira geral, esse comportamento representaria algo como brincar com bonecas', disse Wrangham.

'Se a hipótese das bonecas fosse correta, achávamos que as fêmeas deveriam carregar os pedaços de pau mais vezes do que os machos, e que os chimpanzés deveriam parar de carregar as varetas quando tivessem seus primeiros filhotes. Agora, observamos os jovens chimpanzés o suficiente para testar ambos os pontos'.

Kahlenberg e Wrangham observaram algumas fêmeas adultas carregando pedaços de pau, mas apenas antes de se tornarem mães pela primeira vez. As evidências apontaram vínculos claros entre as brincadeiras infantis e o comportamento adulto, uma vez que, em 99% do tempo, as fêmeas, e não os machos, carregam os bebês chimpanzés.

'Obviamente, em humanos, os amigos, pais e outros (membros do grupo) têm um papel importante em influenciar as preferências das crianças por diferentes tipos de brinquedos, e o mesmo pode acontecer com os chimpanzés', disse Wrangham.

'Uma das coisas que tornam nossa descoberta tão fascinante é que existe pouca evidência de algo comparável em outras comunidades de chimpanzés. Isso levanta a possibilidade de que os chimpanzés estariam copiando uma tradição local de comportamento. Esse pode ser o caso de influências biológicas e sociais se combinando.'

domingo, 14 de junho de 2009

Macacos, porcos e doninhas também eram pets na Idade Média

25/10/08 - 08h09 - Atualizado em 25/10/08 - 08h09

Macacos, porcos e doninhas também eram pets na Idade Média
Tradição de manter bichos em casa se espalhou nos séculos XVII e XVIII.
Esses animais eram, além de companhia, fonte de alimento e de dinheiro.



Foto: Ilustração mostra animais que eram tidos como pets na Idade Média. Na Idade Média, o valor dos animais e o tratamento dado a eles eram bem diferentes dos dos dias atuais. Mas o conceito de bicho de estimação já existia e era mais, digamos, abrangente que o de hoje.

Não era raro ver em uma casa medieval um macaco, uma doninha, uma ovelha ou um porco. Esses animais eram, além de companhia, fonte de alimento e de dinheiro, pois podiam ser trocados ou vendidos.

"Quando uma criança se comportava bem, ela geralmente ganhava uma ovelha de presente dos pais", explicou ao G1, por telefone, Barbara Hanawalt, especialista em história medieval e professora da Universidade Estadual de Ohio, nos Estados Unidos. Segundo ela, além dos cachorros, que eram muito comuns nas casas, as famílias mantinham esquilos, papagaios, ovelhas e macacos.

Os gatos não eram tidos como animais de estimação, mas sim de trabalho. Seu papel era espantar os ratos das redondezas das casas.

Os camponeses geralmente davam a comida que eles próprios comiam para os bichos, que ficavam dentro das casas, em locais reservados para eles. Uma prática comum era levar animais às igrejas.

Segundo a professora de literatura inglesa da Universidade da California e autora do recém-lançado "For the Love of Animals: The Rise of the Animal Protection Movement", Kathryn Shevelow, em entrevista ao G1 por e-mail, o costume de manter animais em casa se espalhou pela Europa entre os séculos XVII e XVIII. "Mas a aristocracia já mantinha uma longa tradição de animais de estimação, pois podia pagar."

Valor
Os animais eram muito valiosos na Idade Média. "Entre os camponeses, eles significavam um instrumento de trabalho, e entre as classes altas, um artigo de luxo", explica Hanawalt.

Segundo ela, hoje nós temos mais pets que nos servem de companhia do que na Idade Média e nós provavelmente damos mais características humanas aos animais. "Mas eles conheciam mais intimamente os animais, porque viviam mais com eles."


quinta-feira, 21 de maio de 2009

Paraíso dos gorilas no Congo

05/08/08 - 14h10 - Atualizado em 05/08/08 - 14h10

Primatólogos descobrem paraíso dos gorilas no Congo, com 125 mil macacos
Achado na floresta equatorial africana dobra o número de indivíduos conhecidos de espécie.
Primatas estão entre os mais ameaçados do mundo, sob pressão de caça e do vírus Ebola.


Reprodução
Mamãe e filhote vivem em tranqüilidade no santuário de gorilas da República do Congo


(Foto: Reprodução)Pesquisadores anunciaram nesta terça (5) a descoberta de 125 mil gorilas-da-planície-ocidentais, nas profundezas da floresta equatorial da República do Congo. Com isso, a população estimada da espécie, uma das mais ameaçadas entre os primatas, pode dobrar, afirma a Sociedade para a Conservação da Vida Selvagem (WCS, na sigla inglesa).


A "explosão populacional" dos grandes macacos vem de duas áreas recentemente descobertas no norte da República do Congo. Estimativas anteriores, feitas nos anos 1980, afirmavam que a população da espécie era inferior a 100 mil indivíduos. Acreditava-se que esse número tinha caído pelo menos 50% desde então, graças à caça e a epidemias. Os novos indivíduos da espécie significam que a população real deve estar entre 175 mil e 225 mil gorilas.

"É uma descoberta muito significativa, se levarmos em conta o terrível declínio populacional dessas criaturas magníficas causado pelo vírus Ebola e pela busca por carne de caça", diz Emma Stokes, membro da equipe de pesquisa. A estimativa foi feita contando os "ninhos" que os gorilas constroem para dormir -- os primatas, muito tímidos, são difíceis de contar individualmente.

Todos ameaçados
As quatro espécies reconhecidas de gorilas (às vezes também classificadas como subespécies) são consideradas ameaçadas ou criticamente ameaçadas (a pior situação possível para um animal ainda não extinto) pelos critérios internacionais. Por isso, Stokes afirma que o novo senso não quer dizer que os bichos estejam a salvo. "Não podemos nos tornar complacentes. O Ebola é capaz de matar milhares deles num período muito curto", afirma.
Os dados esperançosos foram liberados em Edimburgo, na Escócia (Reino Unido), junto com um novo relatório sobre a situação dos primatas no mundo. As notícias não são boas: quase metade das 634 espécies e subespécies dos parentes mais próximos do homem correm risco de desaparecer.