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segunda-feira, 2 de maio de 2011

Imazon acusa 'aumento expressivo' do desmatamento na Amazônia

23/02/2011 16h16 - Atualizado em 23/02/2011 17h02

Imazon acusa 'aumento expressivo' do desmatamento na Amazônia
Detecção em dezembro de 2010 foi 994% maior que um ano antes.
Cobertura de nuvens impossibilitou análise de 70% da região.

O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), organização que faz um levantamento paralelo ao oficial da devastação na região amazônica, registrou desmatamento de 175 km² de floresta em dezembro. A estimativa está em relatório do órgão divulgado nesta quarta-feira (23).


Mapa do Imazon mostra pontos de desmatamento detectados em dezembro. (Foto: Reprodução)De acordo com o instituto, o número representa um “aumento expressivo de 994% em relação a dezembro de 2009, quando o desmatamento somou somente 16 km²”. Já em janeiro de 2011, foram registrados 83 km² de desmatamento, o que representou um aumento de 22% em relação a janeiro de 2010 quando o desmatamento atingiu 68 km².

O instituto destaca que os números podem estar subestimados. Em dezembro de 2010, assim como em em janeiro de 2011, foi possível monitorar somente 30% da Amazônia. Os outros 70% estavam cobertos por nuvens, dificultando a análise, em especial no Amapá, Pará e Acre, que tiveram mais de 80% da área florestal cobertos por nuvens.

Degradação

O Imazon detectou ainda 541 km² de florestas degradadas (parcialmente destruídas) em dezembro e 376 km² em janeiro. Os números também são maiores em relação a um ano antes. O instituto estima que o carbono emitido pelo desmatamento no período de agosto de 2010 a janeiro de 2011 (seis primeiros meses do chamado "calendário de desmatamento") foi de 13,9 milhões de toneladas.

Em dezembro, Rondônia contribuiu com 43% da área total desmatada na Amazônia Legal. Mato Grosso teve 31% e o Amazonas, 16%. Nos outros estados, o desmatamento foi proporcionalmente menor, ficando o Pará com 5%, o Acre com 4% e Tocantins com 1%. O desmatamento detectado no Pará, no entanto, foi menor possivelmente devido à densa cobertura de nuvens.

Em janeiro de 2011, a devastação foi maior em Mato Grosso, com 57%. O estado foi seguido do Pará, com 20%, e Rondônia, com 18%. O restante ocorreu no Amazonas (4%) e Roraima (1%).

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que faz o levantamento oficial da destruição da floresta amazônica, já indicavam um aumento da devastação no fim do ano passado, em comparação a 2009.

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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Chifrudo Imponente - Cervos-de-schomburgk

CHIFRUDO IMPONENTE - Cervos-de-schomburgk



Em 1938, restava apenas um exemplar dos possantes cervos-de-schomburgk. Sabia-se que, após a morte do macho, mantido como relíquia de estimação em um templo tailandês da província de Samut Sakhon, a humanidade jamais veria um animal semelhante vivo, pois a ação de caçadores e a interferência do homem no habitat já tinham acabado com todos os demais indivíduos. O que ninguém contava era com a possibilidade de um bêbado entrar no cativeiro e abreviar a existência de uma das espécies selvagens mais bonitas da Tailândia.
Os cervos-de-schomburgk habitavam uma região de planícies pantanosas com pasto alto e arbustos. A produção em larga escala de arroz para exportação na Tailândia, iniciada na segunda metade do século 19, alterou as características da área onde viviam essas populações selvagens. Na virada do século, cresceu o interesse de caçadores por esse animal robusto, cujo nome era uma referência a Robert H. Schomburgk, cônsul britânico em Bangcoc de 1857 a 1864.
Gracioso e com chifres imponentes, o cervo-de-schomburgk tinha 1,80 metro de comprimento e 1,04 metro de altura (até o ombro) e pesava entre 100 e 120 quilos. Os machos ostentavam chifres marrons que chegavam a ter mais de 30 pontas, remetendo à forma de um cesto. Entre o fim do século 19 e o início do 20, cientistas europeus tentaram salvar alguns exemplares para a criação em cativeiro. Mas todas as ações foram em vão.

Cervo-de-Schomburgk
Nome científico: Cervus schomburgki
Ano da extinção: 1938
Habitat: Tailândia

domingo, 23 de janeiro de 2011

Antártida - Região Selvagem

ANTÁRTIDA - Região Selvagem



Muito pouco além do branco e azul infinitos enchem os olhos de quem tem coragem de ir à Antártida. Destino inóspito até para os mais aventureiros, é o único continente na Terra que o homem não conseguiu conquistar. Um lugar em que 98% da superfície estão cobertos por uma enorme capa de gelo de milhares de metros de espessura. Um lugar com temperaturas abaixo de 0° C no verão e abaixo de -25° C no inverno. Fácil entender por que lá os seres humanos são espécie rara.

Antes do caçador de focas americano John Davis pisar lá, em 1821, não se tem notícia de povo algum habitando a Antártida, nem mesmo indígenas. Desde Davis, o que se acumulou de gente vivendo no continente gelado é basicamente uma população internacional: pesquisadores de diversas áreas do mundo, inclusive do Brasil, concentrados na costa e nos arquipélagos próximos ao continente. No verão, o número de habitantes chega a apenas 10 mil e, no inverno, não passa de mil. Só nas últimas décadas a locomoção foi facilitada, com botes infláveis movidos a motor.

O prazer de ver paredes de gelo gigantescas com formatos inusitados vem inevitavelmente acompanhado de um frio seco e muito vento gelado batendo no rosto (com a possibilidade de, do nada, sofrer o impacto de um vendaval de 100km/h e força de furacão!). Pode-se considerar a Antártida um deserto, já que é o continente mais árido do planeta. No verão, a luz do sol perdura por até 20 horas seguidas. No inverno, ao contrário, se vê escuridão a maior parte do tempo.

A paisagem não depende das horas para se modificar, mas do humor do clima, por isso o perigo é iminente em todos os cantos. Esqueça do relógio e conte com alguém que saiba se orientar pelos satélites. Uma tempestade de névoa pode anular a visibilidade do lugar em minutos e transformar uma simples saída de barco num passeio sem volta. Geleiras formam-se rapidamente entre os caminhos e, se o aventureiro não prestar atenção, fica perdido mesmo a alguns poucos metros de seu destino.

As condições extremas de permanência na Antártida mais o silêncio, o excesso ou falta de luz e uma beleza de poucas cores podem perturbar o equilíbrio psicológico de seus visitantes em poucos meses. Pesquisadores estão sujeitos a crises de estresse. Mas, apesar de remota e hostil, a Antártida é rica em vida selvagem, paisagens de tirar o fôlego e reservas naturais únicas.

Quase 100% do local ainda estão intactos e há muito mais biodiversidade dentro da água do que fora dela. A vida animal em terra é dominada por invertebrados, a maioria deles parasita de animas de sangue quente. Todas as 18 espécies de mamífero são total ou parcialmente marítimas, como as baleias e as focas, respectivamente. Os pássaros dominam a cena. São cerca de 100 milhões de indivíduos competindo pelos melhores lugares para arrumarem seus ninhos durante a procriação. Há sete espécies e oito categorias do cativante pingüim, um dos animais-símbolo do continente. O pingüim-imperador é o maior de toda a espécie no mundo - chega a pesar 30 quilos e a medir 1,15 metro de altura -, e o pingüim-rei, o segundo maior. Suas colônias estão entre os grandes fenômenos da vida selvagem na Terra, chegando às vezes aos milhões de indivíduos.

O ecossistema marinho é extremamente produtivo, o mais rico do universo e mostra seu potencial principalmente no verão, a estação de crescimento na Antártida. Com quase 24 horas diárias de sol (a propósito, enlouquecedor até para os mais acostumados), o fitoplâncton floresce e se afirma como base da cadeia alimentar. Alimenta o krill, um pequeno crustáceo que, por sua vez, serve de alimento para pássaros e mamíferos.

Apesar de seis meses de luminosidade por ano, o continente ainda esconde muitas áreas completamente inacessíveis, como um lago que fica embaixo de uma camada de gelo de 3 quilômetros de espessura, na Estação Vostok, base científica russa a 2 mil quilômetros do Pólo Sul. Não se tem idéia do que realmente pode ser encontrado em suas profundezas - 14 mil quilômetros quadrados de puro mistério (quem sabe animais pré-históricos congelados há milhares de anos?).

Por um lado, a inacessibilidade pode parecer um obstáculo ao conhecimento. Por outro, sorte do meio ambiente. Enquanto outros santuários ecológicos correm riscos imediatos de degradação, a Antártida deverá ser por muitas décadas a última fronteira do planeta para os homens.



Área total - 13 900 000 km²

Área intacta - 99%
Área protegida - 0.025%


Conservação e ameaça
As mesmas condições selvagens que nos encantam são responsáveis por boa parte da conservação ao criar um ambiente inóspito para a instalação de grandes populações. Os tratados assinados pelos países que lá mantêm suas bases também têm contribuído decisivamente para sua preservação. Dois grandes acordos regulam as atividades humanas no continente: o Tratado da Antártida, de 1961, e o conhecido Protocolo de Madri, estabelecido em 1991. O primeiro, assinado originalmente por 12 países, determinou principalmente o uso pacífico da região, proibindo os testes nucleares, e reafirmou sua condição de território livre - a Antártida não pertence a nenhum país. A exploração mineral foi terminantemente proibida como também qualquer atividade que venha a colocar em risco as espécies ameaçadas. Há ainda vários anexos referentes à avaliação de impacto ambiental, conservação da fauna e da flora, coleta e tratamento de lixo, prevenção de poluição marinha e criação e gerenciamento de áreas protegidas. Mesmo assim, a Antártida ainda sofre ameaças. As principais são: introdução de espécies não nativas, a pesca do krill e a exploração de minérios e óleo. A mais severa, no entanto, parece ser o impacto do aquecimento global. Se as temperaturas continuarem a subir, uma parte do gelo pode derreter, com conseqüências drásticas para áreas mais baixas em todo o planeta.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Caatinga - Região Selvagem

CAATINGA - Região Selvagem



Nenhum outro lugar do mundo mostra de forma tão escancarada a explosão da vida como na caatinga. Bioma que se apresenta em constante metamorfose, é o único exclusivamente brasileiro, a despeito dos preconceitos em torno dele. Erroneamente, diz-se da caatinga um pedaço grande de secura, miséria e bichos mortos pelo caminho. O sertanejo já foi retratado como homem amargurado e isolado. Sem dúvida há o problema da seca no Nordeste, há fome e há áreas em ameaça de desertificação. Mas não se pode negar a existência de fauna e a flora únicas na região semi-árida, que mostram suas cores não apenas na estação das chuvas.

A caatinga, na verdade, é rica em biodiversidade e quase toda inexplorada. Tem como aspecto mais marcante a força dos seres vivos que se adaptam misteriosamente a condições que até a ciência duvida. Espécies vegetais, animais e também os humanos: o sertanejo é mesmo um forte.

De clima semi-árido que um dia - até 12 mil anos atrás - já foi úmido, a região tem duas estações, a seca e a de chuvas. Na estação seca há uma economia em massa de energia por parte de todas as espécies. Onde havia folhas, há espinhos. Répteis e anfíbios somem quase que totalmente. Não se sabe se hibernam, se apenas se escondem, mas é certo que voltam. Os mamíferos maiores aglomeram-se em áreas mais úmidas, como as serras. Algumas aves e pequenos animais, como o tatu, ainda circulam pelas áreas secas. Dá para ver os seres vivos em resistência, mas o olhar tem de ser mais apurado para enxergar a beleza áspera. Não é qualquer aventureiro que chega no meio da estação seca e percebe os movimentos. Mesmo porque a lentidão impera, sons não são tão perceptíveis como numa mata tropical. Andar pela caatinga é mais fácil do que andar pela floresta - embora haja redutos de matas e árvores maiores no meio desse bioma - porque se vê melhor onde se pisa.

A fauna, comparada à da Amazônia ou mesmo à do Cerrado é mais reduzida, em quantidade e tamanho - a onça-pintada de lá é menor que a onça das florestas tropicais. A vegetação, caracterizada por cactos e bromélias é mais baixa, como os homens e os bichos. Ser menor em tamanho é ser do tamanho facilitado pela natureza para, no caso da fauna, se movimentar, andar por entre as mais de mil espécies espinhosas como o xique-xique, o facheiro, o quipá e a coroa-de-frade. Não é à toa que o pequeno mamífero que mais se vê no chão, entre os galhos finos e as plantas urticantes, é o tatu. Compacto, protegido por uma carcaça, sai em busca de comida dando curtos e rápidos passos. E se os vegetais também são compactos é por pura economia de energia. Cada gota de água armanezada não pode ser perdida - um organismo grande trabalharia muito mais nas reações químicas e biológicas para permanecer em tamanha secura. A vegetação da caatinga encolhe-se, troca folhas por espinhos e muda de posição para evitar um sol ardente tão em cima de seu organismo porque quer continuar viva.

A rigidez das espécies em estado de alerta acaba com a grande festa do sertão, que é a troca de estação, época do carnaval de cores que explode em menos de um mês de pluviosidade. Antes das chuvas começarem, os olhos dos bichos e dos homens já reparam em nuvens densas e escuras se aglutinando no céu. É um nublado, sim, mas em terra de céu azul constante o bonito é o cinza, o prenúncio da esperada queda d’água. Quem conhece bem o pedaço fica de olho no mandacaru, vegetação-símbolo, personagem até de letra de forró por ser um dos mais famosos sinalizadores da chuva. O cacto, que só existe lá, prenuncia a chegada da água céu abaixo quando mostra seus frutos vermelhos, cheios de gosmas por dentro, que alimenta aves e dá esperança a quem vive no solo rachado. ("Mandacaru quando flora na seca, é o sinal que a chuva chega no sertão", Luiz Gonzaga em "Xote das Meninas").

Já por volta do 15º dia de chuva a paisagem se transforma. Passar pelo mesmo lugar duas vezes pode trazer a surpresa de um verde inusitado nas gramíneas, nos arbustos e árvores. Os animais que estavam muquiados nos troncos, se movimentando pouco e fugindo do sol dão as caras. Revoadas de borboleta cruzam os caminhos. É bicho que sai de todos os lados para se encontrar, reproduzir, tirar alimento novo dos ecossistemas.

O local de maior destaque nacional da caatinga é a serra da Capivara, no sudeste do estado do Piauí. Considerado pela Unesco patrimônio cultural da humanidade desde 1991, o parque nacional esconde relíquias naturais de cerca de 20 mil anos. Além da paisagem que ainda conserva exemplares vegetais da época em que a região era úmida - isso há mais de 10 mil anos -, encontra-se lá uma quantidade incrível de pinturas rupestres nas pedras que representam as relações dos homens e sua convivência com o meio ambiente.

O Museu do Homem Americano, no município piauiense de São Raimundo Nonato, abriga, além das pinturas, uma mandíbula de tigre- dentes-de-sabre, um pedaço de crânio fossilizado e um machado de pedra polida. Mais selvagem, difícil de explorar e quatro vezes maior em tamanho, a serra das Confusões só foi 20% explorada.

Andar pelo meio da vegetação, descer por entre os cânions e embrenhar-se em cavernas não é tarefa simples nem para os próprios sertanejos nessa região de pouco acesso. O nome - Confusões - mostra que muitos colonizadores já se perderam por ali, principalmente pela luz forte refletida das grandes pedras. Até com potentes óculos escuros é difícil se acostumar com tanta claridade. Muito ainda está escondido nesse ecossistema, como em todo o bioma da caatinga.



Área total - 735 000 km²

Área intacta - 70%
Área protegida - 4,8%


Conservação e ameaça
Pobreza, desigualdade de divisão de terras, queimadas e expansão mal planejada da agricultura configuram as maiores ameaças a esse bioma. As entidades internacionais geralmente têm atenção voltada quase toda para a Amazônia, deixando de lado outros biomas brasileiros, como o da caatinga - apesar de a região ter sido reconhecida como reserva da Biosfera, pela Unesco. A primeira tentativa recente de mudar o preconceito em relação à região ocorreu no fim do governo Fernando Henrique Cardoso. Foi realizado pelo Ministério do Meio Ambiente e um consórcio de entidades (bancos, ONGs e comunidade científica) um workshop de áreas prioritárias para conservação da caatinga, em 2000, em Petrolina (PE). A idéia era mostrar que a caatinga não é um "resto" de outros biomas, mas sim um bioma diferenciado que tem muito que oferecer em biodiversidade. O governo Lula, por meio do Ministério do Ambiente e Secretaria de Biodiversidade e Floresta, criou no começo de 2004 o Núcleo do Bioma Caatinga. Esse núcleo pretende potencializar o que já tem sido feito na região - trabalhos de ONGs e ações do governo, como o manejo da lenha e carvão - e articular novos trabalhos. Áreas que já estão em fase de implementação dos projetos: sertão que une Alagoas, Sergipe e Bahia, sudoeste baiano, norte de Minas Gerais, Petrolina/Chapada do Araripe, em Pernambuco, Seridó, no Rio Grande do Norte e Paraíba, Serra de Ibiapaba, no Piauí e Ceará, Cariri Paraibano e serras da Capivara e das Confusões, no Piauí. Está em pauta também a revitalização do rio São Francisco, que está quase todo localizado na caatinga. Ao que tudo indica, uma esperança para a vida do sertão.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Desertos Norte-americanos - Região Selvagem

DESERTOS NORTE-AMERICANOS



Vales escaldantes e secos com temperaturas que podem chegar aos 50° C no verão ao lado de montanhas que têm seus picos cobertos de neve no inverno. Campos de flores selvagens que colorem desertos costeiros de paisagens desoladas cheios de imponentes cactos em suas mais variadas formas. Os desertos norte-americanos escondem um universo de contrastes e cenários improváveis.        

São quatro os grandes desertos situados no largo corredor de ecossistemas áridos que vai (norte e sul) do sudeste de Washington, nos Estados Unidos, até o estado de Hidalgo, no platô do México Central, e (leste e oeste) do centro do Texas até a costa do Pacífico, na península da Baja Califórnia: o da Grande Bacia, o Mojave, o Sonoran e o Chihuahuan.

Três desses são considerados "quentes": o Chihuahuan, o Sonoran e o Mojave, com altas temperaturas por todo o verão. O da Grande Bacia é o único "deserto frio" entre eles. O deserto de Chihuahuan é o maior de todos e também uma boa amostra das disparidades da região. Ainda que quase 90% do Chihuahuan tenham uma altitude relativamente baixa, uma das mais interessantes paisagens da região são as cadeias de montanhas, usualmente com mais de 1 800 metros de altura, separadas por grandes vales.

A topografia bacia-cadeia de montanhas é uma das razões para a alta diversidade de espécies, nem sempre comum numa região tão árida: os locais mais altos viram ilhas que abrigam organismos de temperaturas mais frias, e os mais baixos contêm organismos que se adaptam melhor no calor. Nos topos das montanhas prevalece a floresta conífera, muito diferente da vegetação seca que as cerca. A variação de temperatura, como não poderia deixar de ser, é impressionante: vai de recordes positivos de 50° C e negativos de -15° C.

Na vegetação seca, os cactos sobressaem-se, não apenas pela beleza, mas por seu endemismo e sua raridade também. Chiahuahuan é considerado o epicentro da diversidade de cactos e a mais rica região da Terra nesse grupo de plantas: são 318 espécies (21,2% das espécies do mundo, 70% das quais endêmicas). Ao longo do solo árido, duas das 318 espécies de cacto do deserto de Chihuahuan destacam-se por estarem bem representadas em diversas áreas.

O tipo de cacto conhecido pelos mexicanos como bisnaga gigante tem os espinhos amarelos e é usado como alimento para gados. E outro, bastante comum, é popularmente chamado de "tubo de fogo" devido aos brilhantes espinhos vermelhos de forma tubular. Pode alcançar até 3 metros de altura e 50 centímetros de diâmetro - é um verdadeiro sobrevivente do deserto, pois necessita de pouca água e suporta de calores intensos a geadas.

O deserto de Sonoran é considerado o mais quente dos quatro, e o que mais recebe chuvas, principalmente nas épocas de ação do El Niño, fenômeno natural de correntes que aquecem o mar. Durante esses períodos, a área desértica renova-se e prepara-se mais uma vez para enfrentar décadas de chuvas fracas e esparsas. Por isso, os animais dessa região são tão fortes: lobos, pumas, cachorros da pradaria, águias e cascavéis.

Perto da fronteira entre os desertos de Mojave e da Grande Bacia está o ponto mais baixo do Hemisfério Norte, a 282 pés abaixo do nível do mar: o vale da Morte (no Mojave). É o lugar mais seco dos Estados Unidos, onde foi registrada a mais alta temperatura (57° C!) da história do país. Não é nada raro o calor ultrapassar a marca dos 40° C.

A causa do nome soturno é pela inacessibilidade do local porque a paisagem não é nada soturna: os arredores do vale abrigam dunas douradas e cânions avermelhados que dão o contraste ideal para um pôr-do-sol entre os mais belos do mundo - principalmente na primavera, quando a paisagem fica repleta de flores selvagens.

Um dos principais parques nacionais da Grande Bacia é o Platô do Colorado. Lá também concentram-se relevos complexos, de altos e baixos separando locais frios e quentes. O território é côncavo, repleto de precipícios e a sensação é de estar sempre escondido.

O deserto do Sonoran é o local onde as culturas nativas sobreviveram em maior escala. Ao menos sete grupos mantêm suas identidades e três deles - os pápago, os sand pápago e os seri - sobreviveram totalmente dentro das fronteiras do deserto de Sonoran e suas dificuldades. Traços selvagens que, se depender da geografia de isolamentos, continuarão protegidos, embora não necessariamente vivendo em boas condições.



Área total - 1 416 134 km²

Área intacta - 75%
Área protegida - 23%


Conservação e ameaça
Os desertos norte-americanos enfrentam atualmente uma série de crescentes ameaças ambientais como a industrialização, a extração de minérios, a expansão dos limites das terras agrícolas, a introdução de espécies forasteiras por visitantes e pesquisadores, o crescimento populacional e o incremento do turismo (especialmente na costa do México). Todas essas ações levam à degradação da área e à perda de hábitat para a vida selvagem dos desertos e suas delicadas conexões. Apesar da região estar bastante intacta, as mudanças para pior têm sido rápidas. Mas felizmente também tem aumentado o interesse das pessoas em conservar esses biomas. Um exemplo de grande área entre as mais protegidas é o Platô do Colorado. Lá, 53% das terras estão sob proteção. No deserto do Mojave, 34% do território está protegido. Em Mojave, contudo, há uma contradição que merece ser analisada: a presença de seis grandes bases militares que lá estão instaladas. Ao mesmo tempo em que afetam a vida selvagem local com suas atividades, têm importante papel na conservação, limitando o acesso ao local e ajudando em pesquisas e descobertas.  

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Tundra e florestas boreais - Região Selvagem

TUNDRA E FLORESTAS BOREAIS



O derradeiro estágio antes da última floresta do topo do mundo transformar-se em gelo é uma extensa área de gramíneas com um subsolo permanentemente congelado e liquens, musgos e arbustos mirrados. É o que ocorre na maior área florestal da Terra: a floresta boreal que, a grandes altitudes ou quando se aproxima do Pólo Norte (aumento da latitude) se transforma em tundra. Juntas, essas duas imensas áreas selvagens têm três vezes o tamanho de toda a Amazônia. É nesses biomas que encontramos resquícios finais de vida no planeta antes do gelo absoluto. Lá, moram os esquimós, os ursos polares, tigres siberianos, leões-marinhos e toda a fauna que imaginamos sobreviver sob a neve.

Nas regiões de transição é possível ver pedaços densos de árvores serpenteados por falhas no solo e uma mistura de fauna e flora. O mais interessante é perceber que, no nível do mar, as áreas baixas perto do Círculo Polar Ártico têm as mesmas características de topos de montanha altíssimos. É a confirmação, a olhos nus, do formato redondo da Terra. A tundra domina praticamente todo o topo da América do Norte, Europa e Ásia. A mata boreal já aparece no meio desses continentes pegando a área do Alasca, do Canadá, da Finlândia, da Suécia e da Rússia.

A transição entre as duas vegetações é bem perceptível no interior do Parque Nacional de Denali, no estado do Alasca (Estados Unidos). A entrada do parque fica numa planície imensa, em altitude baixa, onde predomina a floresta boreal. Conforme-se avança para dentro da floresta, ganhando em latitude, ou para cima nas montanhas, elevando a altitude, a tundra ártica ganha espaço. Pouco a pouco, a luz e o colorido das árvores coníferas e sua folhagem verde e amarela, propiciada pelos pinheiros e folhas outonais, são substituídas pelas gramíneas. As árvores simplesmente param de crescer - existe até um simbólico limite onde fica a suposta última árvore das matas boreais na região.

Enquanto na floresta boreal o clima é subártico, com uma camada de neve cobrindo a paisagem por cerca de seis meses por ano, nas regiões de tundra ártica o verão dura no máximo dez semanas e o inverno (congelante e escuro) pode durar nada menos que dez meses.

Com tanto frio, o povoamento nesses lugares nunca foi significativo. Muito do norte do Canadá continua habitado por povos indígenas até os dias de hoje, assim como a floresta boreal na Eurásia. Os takuts, por exemplo, sobreviveram em grande número e são o mais numeroso grupo étnico da Sibéria. Os que vivem nas regiões florestais mantêm-se seminômades criadores de renas. O Alasca é o reduto dos esquimós e sua cultura. Exímios caçadores de mamíferos marinhos na costa e de alces no interior, suas presas não forneciam apenas carne, mas roupas e utensílios. O contato com o homem europeu, no entanto, fez com que seus costumes fossem mudados, suas presas caçadas pelos forasteiros e doenças nunca antes registradas, como a tubercolose, proliferaram. Como conseqüência, a população de esquimós foi drasticamente reduzida.

A lei do mais forte prevalece nesses ambientes rudes e gelados, e os animais mais facilmente associados a eles são mamíferos de grande porte - como os alces, o bisão americano (apenas nas florestas boreais) o lobo cinza, e os ursos polares e marrons.

Apesar da aparência cativante, um encontro com ursos é um dos maiores perigos nessas regiões. Quando importunadas, essas feras podem ser extremamente agressivas. É importante não surpreendê-los: assustados, as possibilidades de um ataque fatal aumentam consideravelmente. Recomenda-se falar alto, fazer barulho e até mesmo cantar ao caminhar em áreas habitadas por ursos. Aproximar-se deles, então, nem pensar: no Alasca há uma lei que determina em meio quilômetro a distância mínima de proximidade para esses animais.

O único bicho capaz de enfrentar o urso é o tigre siberiano, seu inimigo número 1. Competidores por natureza, ambos gostam de caçar as mesmas presas, e às vezes até a si mesmos - um combate de pesos pesados. Apesar de estarem presentes nos dois ambientes, os ursos polares têm na tundra ártica seu verdadeiro paraíso. Esses gigantes podem alcançar 2,5 metros de altura e 800 quilos. A população de ursos polares está entre 22 mil e 27 mil indivíduos, a maioria no Canadá.

Longe de terem a força dos ursos, as aves mostram sobrevivência admirável nessa atmosfera gelada. Uma simples andorinha é capaz de realizar a maior migração de um pássaro na Terra, viajando 20 mil quilômetros de pólo a pólo para fazer seus ninhos. Essas espécies raramente conviveram com o escuro da noite em suas vidas, pois chegam em ambos os pólos a tempo de aproveitar somente os dias intermináveis de verão.



Área total - 25 049 500 km²

Área intacta - 85%
Área protegida - 9,3%


Conservação e ameaça
Regiões temperadas sempre tiveram seus hábitats mais modificados ao longo do tempo do que as tropicais. A floresta boreal e a tundra ártica, no entanto, parecem ser uma exceção à regra, principalmente pelo clima não muito convidativo à permanência dos homens. Ainda assim, faltam esforços para manter as áreas protegidas. Nos Estados Unidos, apenas os hábitats de tundra e matas boreais do Alasca permanecem relativamente intactos, com 194 mil quilômetros quadrados de área protegida. Um bom exemplo de como a proteção de terras por meio da lei pode salvar a vida selvagem é o lago Baikal, na Sibéria, com 1.620 metros de profundidade - o mais profundo do mundo. Lar de 1200 espécies endêmicas, incluindo a única foca de água doce do mundo, a Baikal, o lago teve a área que o circunda transformada em reserva natural em 1969, salvando-o da degradação. Historicamente, a caça de animais sempre foi, o maior problema da região, levando à extinção espécies incríveis, como a vaca-marinha de Steller, um dócil e indefeso animal que alcançava os 8 metros de comprimento, infelizmente, extinto no século 18. Hoje em dia, estão entre as grandes ameaças a exploração comercial de madeira e minerais e a instalação de fábricas. A longo prazo, porém, o aquecimento global será o grande inimigo da região: a floresta boreal pode expandir, diminuindo o espaço da tundra e acabando com ecossistemas de diversas espécies.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Congo - Região Selvagem

CONGO - Região Selvagem



Poucos lugares do planeta mexem tanto com o imaginário dos homens quanto as florestas do coração da África. É nessa região que estão aqueles mamíferos de grande porte que fazem sucesso em filmes de safári, como os gorilas, antílopes, girafas e búfalos. São os bichos que as crianças gostam, os bichos que lotam zoológicos e que, em seu hábitat, provocam um encanto inevitável.

Macacos, tucanos e papagaios enfeitam as árvores. Crocodilos e hipopótamos são os donos das margens dos rios. Nas relvas, imperam os antílopes e búfalos. Costuram as paisagens, criam caminhos, abrem clareiras, alimentam-se de outros bichos, isolam-se quando necessário. A cena se passa na frente de quem consegue chegar em torno do rio Congo, um dos maiores do mundo em volume d’água. Ali está o segundo maior bloco de florestas tropicais - só perde em tamanho para a Amazônia. Sete países englobam esse bioma: República Democrática do Congo, República do Congo, Gabão, Camarões, República da África Central, Guiné Equatorial e Angola.

O grande atrativo do Congo é a concentração de gorilas acima da média: mais de cinco indivíduos por quilômetro quadrado. Os que melhor representam a área são os de grande porte: o gorila de terras baixas, o chimpanzé da África Central e o bonobo, o parente mais próximo do ser humano, com o qual dividimos 98% de nosso DNA. O número de gorilas de terras baixas é o maior do mundo, mais de 100 mil indivíduos. Endêmico da região da República Democrática do Congo, o bonobo é encontrado entre os rios Congo e Kasai e se espalha por uma área de 840 mil quilômetros quadrados. Sua população está estimada em até 20 mil indivíduos. A caça desses macacos não é apenas um ameaça à existência deles, mas também aos próprios seres humanos que se alimentam dos bichinhos: são fortes as evidências da conexão entre as epidemias do mortal vírus Ebola e o consumo de carne de macaco. Talvez um dos primeiros grandes castigos à invasão humana numa das regiões selvagens mais importantes do mundo.

O lugar é como a floresta Amazônica, mas chove bem menos que no bioma brasileiro. Embrenhar-se pelas florestas do Congo também é trabalhoso, mas a mata é mais aberta e há clareiras naturais, chamadas bai, onde os animais procuram por água, sais minerais e comida. Cada um fica na sua - difícil ver mamíferos grandes como elefantes e macacos dividindo a mesma bai.

Para chegar lá, porém, é necessário fazer uma via sacra. Viajar horas pelo rio Congo, em pequenas canoas. Dormir em tendas de campana no meio da selva e caminhar em trilhas - algumas, até mesmo, são criadas por elefantes! Pelo caminho, navegando o Congo, já é possível ouvir macacos gritões se jogando das árvores e o barulho agudo dos pássaros. O acesso a esse mundo colorido é mais comum pelo Parque Nacional de Odazala, um dos dois parques mais importantes da região. O outro é o Parque Nacional de Nouabalé-Ndoki.

Até hoje, poucos estudos mapearam a vegetação da África Central. Três áreas principais podem ser identificadas: a floresta tropical perene, a floresta tropical semidecidual e os pantanais, às margens dos rios Congo e Sangha - lar do mítico animal mokélé mbembe, o matador de elefantes, uma criatura folclórica que parece um dinossauro que alguns habitantes dizem avistar na região.



Área total - 1 725 221 km²

Área intacta - 70%
Área protegida - 8,1%


Conservação e ameaça
A exploração comercial dos recursos naturais ocorre há séculos na África Central e ainda é intensa nos dias de hoje, causando conflitos entre os diversos países do Congo. A instabilidade que essas batalhas trazem para a área somadas à exploração são as maiores ameaças à biodiversidade. As matas são cortadas mais rapidamente do que podem crescer e os animais são caçados em velocidade maior que sua reprodução. A construção de estradas, a instalação de indústrias e a conversão da agricultura são preocupações ainda mais imediatas. Na República da África Central, quase todas as regiões de florestas do país serão transformadas em terras agrícolas até 2025, se nada não for feito. A manutenção da biodiversidade da vida selvagem nas florestas do Congo dependerá da atenção e ação de organismos internacionais, já que há, no país, instabilidade política e econômica.

PANTANAL - Região Selvagem

PANTANAL - Região Selvagem



Metade do ano inundado, um paraíso gigantesco que fica no meio do Brasil. Banhado periodicamente pelo rio Paraguai e seus afluentes - Cuiabá, Aquidauana, Miranda e Negro -, o Pantanal é um dos lugares mais animadores para aventureiros que adoram ver animais selvagens. Não é difícil, porém, perder o horizonte de vista na maior planície inundável do mundo: a luz vem de todos os lados e parece que o sol se põe devagar. As águas caudalosas movem-se calmamente e os milhares de jacarés parecem viver em extrema tranqüilidade. Tanta facilidade para estar no meio do bioma é uma porta aberta para ecoturistas, mas pode ser um pesadelo para os preocupados com a preservação do local, ainda em estado bastante selvagem.

O Pantanal é situado 35% no estado do Mato Grosso e 65% no Mato Grosso do Sul. Tem duas estações distintas: a de seca e a de chuva. Por mais que a paisagem se altere em cada uma delas, o visual é eminentemente plano. Como está localizado no centro da América do Sul, a região não sofre influência direta dos oceanos. Se o clima tropical se altera além do normal é por massas de ar que podem vir dos pampas e do chaco. Geralmente, faz muito calor no Pantanal mas a temperatura pode chegar próxima a 0° C. De qualquer forma, são as águas doces dos rios alimentados pela chuva que vão determinar o funcionamento dos ecossistemas desse lugar. Os ecologistas chamam o processo anual de enchente e seca no Pantanal de "processo ecológico essencial". Traduzindo, é o processo que comanda a abundância e distribuição de vida nesse lugar.

Entre novembro e março, quando os rios transbordam - as terras arenosas e as gramíneas não dão conta de absorver toda a água -, depressões se transformam em grandes lagos. Parte da vegetação alagada morre e a matéria orgânica serve de alimento para peixes e substrato para a formação de algas e microorganismos. Os alagamentos não são tão rápidos. Dá tempo de os bichos fugirem em busca de terrenos mais elevados. Isso se eles não forem os jacarés, animal presente em grande quantidade na região, que adora a volta das águas.

Quando vem a época de seca no Pantanal, a vegetação terrestre cresce de novo nas áreas que eram alagadas e as regiões mais baixas viram ótimas pastagens para o gado. Mais altas que os rios, as árvores perdem suas folhas para proteger-se. Agora para se defender do calor e da falta de água, muitos jacarés se enterram na lama, entre as folhagens ou debaixo dos galhos perto de poças d’água. Estudos comprovaram que os jacarés não se movimentam só na água, mas em distâncias de mais de 10 quilômetros por terra, mesmo que em procura de locais mais úmidos.

Os jacarés estão espalhados por toda a planície pantaneira: jacaré-do-pantanal, jacaré-do-papo-amarelo e jacaré-paguá. É comum vê-los aglomerados: milhares podem estar em apenas centenas de metros quadrados, um em cima do outro. A aparência nada amigável, no entanto, assusta mais do que deve. Eles geralmente não atacam humanos, só quando são molestados. E andam em bandos.

O animal mais simbólico na região é a onça-pintada. Bem mais difícil de ser vista - quem a encontrar na beira de um lago tomando água, deve parar, observar e agradecer a sorte de ter contemplado um bicho selvagem tão encantador. Não faz parte de sua natureza atacar as pessoas, mas é bom tomar cuidado. Andam sozinhas, atacam répteis, mamíferos e até peixes. Num só salto conseguem capturar a presa. Sobem em árvores se for necessário. Apesar de ágeis, são espécie ameaçada pelo homem.

Mansa mesmo, e espalhada aos montes pelo Pantanal, é a capivara. Um dos maiores roedores do mundo, esse animal está presente em toda a América do Sul, mas, no Brasil, principalmente nessas terras centrais onde há água, campo de pastagem e mata. Circulam livremente perto de humanos. Entram na água para se refrescar nos picos de calor e passeiam pelos campos nos fins de tarde. Mas os reis da paisagem são as aves. Há mais de 400 espécies de cores e tamanhos diversos. Habitam o Pantanal cerca de 5 mil pássaros. São garças, araras, maguaris e outros. A ave-símbolo é o tuiuiú. Espetáculo mais procurado entre pesquisadores e turistas são os grandes ninhais que as aves formam nas árvores para se procriar juntas. O aspecto selvagem está tão presente e tão acessível que a preocupação com essa área deveria ser redobrada.



Área total - 210 000 km²

Área intacta - 80%
Área protegida - 2,7%


Conservação e ameaça
O maior desafio à preservação da região do Pantanal é controlar as atividades econômicas e suas modificações. A pecuária, o turismo e a pesca são práticas tradicionais dessa região e, até agora, não causaram impactos muito significativos ao bioma. O Ministério do Meio Ambiente, no entanto, concluiu recentemente que a forma como essas atividades têm sido desenvolvidas pode mudar o quadro da relativa estabilidade. E para pior. A pecuária está mais competitiva: os fazendeiros estão desmatando as partes mais altas das planícies para o gado fugir para lá na época da enchente. O turismo, praticado geralmente sem grandes preocupações com a conservação, atrai cada vez mais novos visitantes por causa da divulgação das belezas do Pantanal. A pesca artesanal, que sempre foi praticada pela população local de forma inofensiva tem sofrido concorrência com a pesca recreativa. Uma competição injusta, já que uma é para a alimentação e a outra apenas para a diversão. Tendo em vista esses problemas, o governo federal montou o Programa de Desenvolvimento Sustentável do Pantanal, que prevê gestão dos recursos hídricos e solos, proteção dos ecossistemas e melhoria das condições ambientais das áreas indígenas. Paralelamente ao governo há ação de ONGs e iniciativas privadas. Há13 reservas particulares do patrimônio natural que protegem mais de 200 mil hectares. Uma dessas é a Fazenda Rio Negro, adquirida pela Conservação Internacional, que tem feito pesquisas, workshops e projetos de conservação no Pantanal.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Miombo-mopane e Delta do Okavango

MIOMBO-MOPANE E DELTA DO OKAVANGO



O silêncio pode ser enganador nos cerrados e savanas da região de Miombo-Mopane, no sul da África. A monotonia raramente impera nessa área. Quando tudo parece calmo demais, os elefantes começam a surgir lentamente no horizonte. Não aos três, quatro, mas sim dezenas, às vezes até centenas, pisando firme no solo incrivelmente seco. Os majestosos elefantes africanos são, sem dúvida, os donos do pedaço: cerca de 280 mil animais da espécie vivem na região, 80% da população mundial de elefantes. Não se deixe levar, no entanto, pela memória de filmes da infância ou pela aparência amorosa desses bichos: encontrar uma manada de elefantes africanos é um dos maiores perigos escondidos pela área. Com força bestial, e facilmente chateados com a presença humana, eles podem matar um homem sem muito esforço, com um simples golpe.

Além deles, há os rinocerontes negros, um bicho feroz que já foi abundante no continente, mas, hoje, tem na região seu único grande reduto. A concentração de animais é maior nos vales, onde solos mais férteis e a boa qualidade de nutrientes da vegetação propiciam um ambiente melhor para a vida. Os pássaros também são abundantes e o número de peixes é particularmente impressionante no lago Malaui: entre 600 e 800 espécies vivem nessas águas, com um impressionante índice endêmico de 99%!

Uma parte dessa riqueza de biodiversidade pode ser atribuída à uma pequena porém perturbadora mosca tsé-tsé. Vilã dos homens, protetora involuntária dos animais, a picada dessa mosca não é lá muito doída, mas suas conseqüências podem ser fatais: é ela quem transmite a doença do sono (doença de trypanosomiais). Uma picadinha já é suficiente para transmitir esse mal que, se não for bem tratado, causa a morte principalmente de mulheres e crianças. O medo da tsé-tsé ajudou a manter afastados os homens de vastos territórios de Miombo-Mopane, especialmente na Zâmbia.

O convívio do homem com a vida selvagem, porém, é evento antigo nessas bandas: o leste e o sul da África são reconhecidos como berços da espécie humana. Hoje, 71 milhões de pessoas vivem na região, mas grande parte da área selvagem, não vivem mais de cinco habitantes por quilômetro quadrado. O sustento vem da agricultura de subsistência e da caça, e depende dos produtos naturais oferecidos pelo cerrado, que viram desde matéria- prima para construção de casas a plantas e ervas para a feitura de remédios. Mais de 250 tribos, e seus diversos grupos de dialetos, ainda vivem no lugar, mas a miscigenação está, aos poucos, apagando os grandes contrastes entre elas.

Os cerrados e savanas da variada vegetação de Miobo-Mopane circundam o delta do rio Okavango, uma das maiores áreas alagadas do mundo. É o pantanal africano, localizado em Botsuana, que cobre aproximadamente 16 mil quilômetros quadrados. O delta tem origem em Angola, com o nome de rio Cubango. Depois passa pela Namíbia com o nome de Kavango. Há milhões de anos esse rio desaguava num lago que secou e "obrigou" as águas a abrir um enorme leque em busca de um local para fluir. É alimentado por uma inundação anual, que tem seu pico depois dos meses de chuvas fortes no Angola. A enchente demora nada menos que cinco meses para atravessar todo o delta e, por sorte, alcança a parte sul na época de seca. É uma dádiva para o local, já que a terra, ressecada, recebe água. Mesmo assim, o ecossistema é extremamente frágil: uma mudança mais brusca em torno do rio pode acabar com o fluxo de água da região.

O delta do Okavango pode ser facilmente chamado de "Arca de Noé" de Botsuana. A existência de uma grande fonte de água em um ambiente árido sustenta espécies de mamífero grande cada vez mais raras. São bichos que estão presentes em toda a região de Miombo-Mopane, mas que se concentram bastante nessa pequena área.

Elefantes africanos, búfalos, girafas, hipopótamos, zebras e impalas são grandes atrações, ao lado de ferozes predadores como o leão, o leopardo, o guepardo. Entre os répteis, o crocodilo-do-nilo é bastante comum, assim como seus ataques a humanos, com alto índice de sucesso - para os crocodilos, claro. A maioria dos crcocodilos vive e procria ao longo do Panhandle, onde águas profundas e abundantes em peixes compõem o perfeito hábitat para esses animais.



Área total - 1 176 000 km²

Área intacta - 85%
Área protegida - 36%


Conservação e ameaça
Uma das grandes ameaças ao meio ambiente é a pobreza extrema da população africana. Seis países da região estão entre os considerados menos desenvolvidos do planeta. Esse fator faz boa parte das pessoas levar a vida por meio da agricultura de subsistência, que empobrece o solo, destrói a vegetação. Com isso, há fragmentação e perda de importante área selvagem. O problema é que a falta de uma perspectiva de melhora política e econômica nessa região indica que esse tipo de agricultura continuará, no mínimo, a médio prazo. Aproximadamente 21% do território já foram transformados para cultivo. Outros perigos consideráveis para a região são: a derrubada de árvores: cerca de 87% das pessoas do lugar dependem de madeira para prover energia doméstica; e o aumento do comércio de carne de caça. Em contraponto, um terço da área considerada selvagem está localizada em santuários protegidos legalmente. Na região do Delta, a grande ameaça no futuro envolve a saída da água e interrupção do fluxo. A caça, a introdução de espécies forasteiras e a disseminação de doenças que afetam a vida selvagem também estão entre os problemas ainda distantes de uma solução.