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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

Antenas de mosquitos podem ajudar pesquisadores a detectar desastres naturais

Antenas de mosquitos podem ajudar pesquisadores a detectar desastres naturais

Os cientistas estão recriando essas estruturas para entender melhor sua sensibilidade a vibrações de terremotos e tsunamis.

quinta-feira, 15 de março de 2018

O FETO APRENDE - PSICOLOGIA


O FETO APRENDE - PSICOLOGIA


Imagine como seria passar nove meses trancado em uma sala escura e morna, dormindo 16 horas por dia. O lugar, apertadinho, sem ser desconfortável, é envolvido por uma marcação de tambor constante, que não pára nem durante a noite, e por um barulho esquisito de líquidos borbulhando. Você ouve, sem poder entender, conversas abafadas do lado de fora, nas quais predomina sempre uma voz feminina clara, que parece vir de todos os lados ao mesmo tempo. Não há muito o que fazer lá dentro além de brincar com o saco transparente que te embrulha e beber o líquido quase sempre doce à sua volta.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

As 50 músicas mais importantes da história segundo a ciência


As 50 músicas mais importantes da história segundo a ciência


A música 'Smells Like Teen Spirit', do Nirvana, é a mais importante da história, apontou um estudo inglês que reuniu as 50 canções mais emblemáticas de todos os tempos - veja abaixo a lista completa.

sábado, 24 de setembro de 2016

Dispositivo promete criar 'bolha de silêncio'


Dispositivo promete criar 'bolha de silêncio'


A empresa estadunidense Celestial Tribe criou um dispositivo que promete gerar uma "bolha de silêncio" em torno do usuário. Chamado de Muzo, o aparelho pode ser usado para abafar ruídos exteriores ou mesmo para impedir que outras pessoas ouçam suas conversas em um local movimentado.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Sinestesia: saiba o que a neurociência já avançou sobre a mistura dos sentidos


Sinestesia: saiba o que a neurociência já avançou sobre a mistura dos sentidos


Sentir o cheiro de uma cor, distinguir a forma de uma voz ou ouvir uma textura suave: metáforas utilizadas na poesia, na literatura e na arte, em geral, são o único modo que algumas pessoas têm de compreender a realidade.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Descubra quais são as 20 músicas mais cativantes de acordo com a Ciência


Descubra quais são as 20 músicas mais cativantes de acordo com a Ciência


Uma pesquisa recente, feita por pesquisadores do Reino Unido, conseguiu descobrir quais são as músicas mais cativantes de todos os tempos. Para chegar à lista que você vai conferir logo a seguir, o Museu de Ciência de Indústria do Reino Unido utilizou um jogo online interativo chamado Hooked on Music, uma criação do musicólogo John Ashley Burgoyne em parceria com uma equipe das universidades de Amsterdã e Utrecht.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Psssiu, Ouça Essa... Biologia



PSSSIU, OUÇA ESSA ... Biologia



Os médicos desmontam a aparelhagem da audição humana e descobrem técnicas para consertar seus defeitos

A equipe de cirurgiões otorrinos do Hospital das Clínicas, em São Paulo, se considera preparada para o grande desafio-em breve, ela deve implantar em dez pacientes já selecionados, totalmente surdos, um aparelho desenvolvido no Brasil, capaz de devolver-lhes a audição. "Entraremos na sala de cirurgia ainda este ano", promete o otorrino Ricardo Bento coordenador do audacioso projeto. Ao apresentá-lo, o médico paulista, de 37 anos, se exalta, agita-se na cadeira, acelera o ritmo da fala. Ele não abafa o entusiasmo, diga-se, justificado, pois os brasileiros são a quarta equipe no mundo a tentar reverter a surdez profunda, nome sugerido pelo seu ponto de origem, o ouvido interno. Ali, fica a chamada cóclea, a espiral com cerca de 35 milímetros de comprimento, em que as vibrações sonoras se transformam em impulsos para o cérebro. Sem essa conversão, reina o silêncio.
Com delicadíssimos instrumentos, os cirurgiões otorrinos consertam a maioria dos danos à audição. Eles podem, até mesmo, reconstituir um tímpano perfurado, em uma refinada plástica, usando um outro tecido do próprio paciente. Mas, até há poucos meses, as proezas cirúrgicas tinham um limite bem definido: iam, no máximo, até o ouvido médio, a porção entre o tímpano e a janela oval, onde começa o  ouvido interno . A Medicina nada podia fazer por aqueles cuja causa da surdez, congênita ou não, se situava no território mais adiante, o da cóclea. Nesses casos, os aparelhos convencionais de surdez não adiantam: "Eles são amplificadores", explica Bento. "E a cóclea danificada nunca reage, por maior que seja a intensidade do som."A idéia de se criar um substituto para a cóclea surgiu na mesma época e local do sonho de conquistar a Lua. No ano em que o foguete Apollo 7 iria orbitar a Terra, 1968, o otorrino americano William House trabalhava para a NASA, a agência espacial dos Estados Unidos. Era praxe manter um otorrino por perto, sempre que se lançava um foguete tripulado: a ausência da gravidade podia provocar distúrbios de ouvido nos astronautas e, quando isso acontecia, o médico dava consulta à distância. A voz dos pacientes, porém, tinha de ser decodificada-era, afinal a época da guerra fria. Os sinais de rádio eram transformados em sinais elétricos, indecifráveis para os russos que tentassem interceptar a conversa. Na base da NASA, um equipamento interpretava os impulsos elétricos, para torná-los novamente ondas de rádio. O otorrino percebeu que aquele sistema era uma imitação da cóclea, o decodificador do  ouvido. A partir daí, House criou o protótipo do aparelho de implante coclear, seguido por cientistas da Austrália e da França. Até hoje, no entanto, apenas o modelo australiano foi aprovado, no ano passado, pela rigorosa FDA (sigla de Food and Drugs Administration), o órgão do governo americano encarregado, entre outras coisas, de controlar os equipamentos medicinais. No Brasil, a estimativa dos médicos de existirem 300 000 candidatos ao implante é modesta, pois esse número baseia-se em estudos sobre a população americana, cujas mulheres são vacinadas contra rubéola. "Aqui, só essa doença em grávidas, ao atacar o ouvido do feto, representa 18% dos brasileiros com surdez profunda", compara Bento. Essas pessoas completamente surdas, por sua vez, seriam apenas cerca de um décimo dos casos de distúrbios auditivos, que aparecem sempre que há danos na aparelhagem do ouvido. "Os problemas até agravam, quando a pessoa usa aparelhos de surdez mal adaptados, porque não passaram por um médico", adverte Ricardo Bento.Os sons, da mais agradável melodia ao mais estridente ruído, são vibrações de corpos que, deslocando-se de maneira alternada provocam ondas acústicas ao seu redor, isto é, variações na pressão do ar, percebidas pelo ouvido. Este, curiosamente, deve ter tido sua origem há cerca de 500 milhões de anos, em animais incapazes de ouvir qualquer ruído, os celerenterados aquáticos, como as medusas. Pois. Acredita-se, a função primitiva do ouvido não era captar sons, e sim manter o equilíbrio do corpo-algo tão importante quanto a própria audição. Há cerca de 200 milhões de anos, cenas espécies de peixes, que tinham recursos semelhantes para equilibrar-se, desenvolveram bolsas natatórias-bexigas de ar, para ajudar o corpo a flutuar, sensíveis a ponto de contrair ou expandir de acordo com as pequenas variações na pressão da água, provocadas por uma onda sonora. Essa dança das bolsas natatórias acabava agitando os fluídos dentro daqueles órgãos de equilíbrio conectados com o cérebro-a audição, enfim, podia acontecer.
O ouvido mudou bastante, ao longo da evolução. Os seres humanos, por exemplo, perderam a mobilidade da sua parte visível, o pavilhão auditivo, que todos conhecem por orelha. Nas outras espécies, essa estrutura cartilaginosa é capaz de se mover na direção do som. Ao alcançarem a orelha, as ondas sonoras perde 2,5 centímetros no meato, grande túnel central do ouvido externo. Ali as glândulas sudoríparas da pele passaram por alterações drásticas, a ponto de praticamente abandonarem a produção do suor, para fabricarem uma cera amarga em seu lugar. Há uma boa razão para a troca: o sabor amargo espanta os insetos que ousam se aproximar dessa entrada exclusiva para o som. No final desse corredor, as ondas sonoras batem em uma finíssima membrana, com apenas três camadas de células, tão sensível que o choque de uma única molécula de hidrogênio é capaz de fazê-la tremer. Trata-se do tímpano.
Para trabalhar direito, no entanto, o tímpano precisa que a pressão do ar seja idêntica em seus dois lados. Isso é regulado por um canal, a trompa de Eustáquio, que liga o ouvido médio à faringe. Normalmente, a comunicação com a faringe permanece fechada, a não ser em situações especiais-por exemplo, quando a pessoa espirra, boceja ou deglute. Aliás, é por isso que alguns passageiros de avião carregam goma de mascar na valise. Pois, durante o vôo, a pressão externa pode repentinamente ficar muito menor que a do ouvido médio. Mascar alguma coisa, então, força a trompa de Eustáquio a se abrir. Quando isso não acontece, o passageiro desembarca com a sensação de ouvido tapado.
Encostado no tímpano, encontra-se o cabo de um ossículo chamado martelo. A proximidade dos dois faz o martelo vibrar ao embalo do tímpano, mesmo quando esse se desloca apenas 1 milionésimo de milímetro; assim, a ponta do martelo começa a batucar no osso vizinho, a bigorna. O movimento desta, por sua vez, contagia um terceiro e último osso -por sinal, o menor do organismo, do tamanho da ponta de uma caneta-, cuja aparência revela por que é chamado estribo. Essas estruturas tão frágeis assim como todas as outras do ouvido, ficam incrustadas no osso temporal, que o otorrino coreano Sung Ho Joo exibe na palma da mão, na sala do Hospital Albert Einstein, em São Paulo: "Quando operamos um ouvido, estamos sempre desviando de alguma coisa. Porque, dentro do osso temporal passa a artéria carótida que irriga o cérebro, assim como a veia que traz de volta o sangue sem oxigênio. Mas, pior, o osso é atravessado pelo nervo facial: qualquer esbarrão ali pode causar paralisia".
Quando a familia Ho Joo saiu da Coréia para Brasil em 1966, para que o filho mais velho escapasse do alistamento militar-e da guerra contra o Vietnã-, o caçula Sung, então com 10 anos, já sonhava em fazer Medicina, mas nem cogitava se especializar em ouvido, nariz e garganta. A Otorrinolaringologia ganhou sua preferência, depois de terminar a faculdade, quando um colega chamou sua atenção para a difícil tarefa de interferir no osso temporal. O médico, hoje, depois de estágios nos Estados Unidos e no Japão, orgulha-se de sua escolha. "O primeiro transplante realizado no Brasil foi justamente o de tímpano", ressalta. Os cirurgiões continuam realizando transplantes como aquele pioneiro, feito em 1962. Aliás, costuma-se transplantar também os três ossinhos do ouvido médio, que podem enrijecer-se graças ao abuso de certos medicamentos ou mesmo fraturar por causa de sons intensos, como o de um estouro.Hoje, os otorrinos têm também novas soluções: nos Estados Unidos, por exemplo, começam a ser implantados ossinhos artificiais, feitos de teflon. No caso do tímpano, opta-se pela plástica de reconstituição, sempre que a perfuração é pequena. Essa película rompe-se com certa facilidade-até mesmo por causa de um beijo estalado na orelha. Embora o escape de ar pelo furo faça a pessoa não ouvir direito, na maioria das vezes ela nem desconfia do dano, pois, como qualquer pele, o tímpano cicatriza sozinho.
A entrada do ouvido interno, a janela oval, é fechada pela própria base do pequeno estribo. Na verdade, a saída do ouvido médio é 25 vezes menor do que a entrada pelo tímpano. Esse afunilamento concentra as ondas sonoras -pois o que ocorrerá, então, poderá ser comparado ao efeito de uma pedra batendo em um lago, isto é, apenas 0,01% do som será absorvido pela água. Afinal, a cóclea é recheada de líquido. Sua estrutura é tão sensível que o cérebro mantém mecanismos para protegê-la. Quando o volume do som é estrondoso, o sistema nervoso ordena a contração de músculos ligados aos ossos do ouvido médio, e, com isso, suavizam-se as vibrações."A estratégia, porém, não é eficiente para sons muito agudos ou repentinos", esclarece Sung Ho Joo.Volume ou intensidade corresponde à amplitude das ondas sonoras, cuja unidade de medida é o decibel. "Essa unidade é um logaritmo, ou seja, a diferença entre 50 dB e 100 dB é muito maior do que o dobro", nota Ho Joo. De fato, isso corresponde ao barulho de um restaurante tranqüilo e o som de uma britadeira, respectivamente. Para a cóclea, no entanto, tão importante quanto a intensidade é a freqüência de um som, isto é, a quantidade de vezes que a onda acústica agita as moléculas do meio, durante o seu percurso-e isso é medido em hertz. Entre 20 e 200 hertz, o som é percebido como grave e, entre 7 000 e 20 000 hertz, como agudo. Mas, na verdade, o ouvido humano é um especialista em captar os tons medianos, entre 200 e 7 000 hertz, como o da voz. Essas freqüências precisam de menos volume para serem percebidas.
Se a cóclea fosse esticada, a linha resultante seria uma espécie de piano com cerca de 12 000 teclas-as células ciliadas, que funcionam como filtros, quebrando a onda sonora complexa em diversas freqüências. Pois, no ponto de partida da cóclea, os cílios agitam-se com sons agudos; à medida que se avança para a outra extremidade, as células são sensíveis a sons cada vez mais graves. O movimento da membrana basilar, em que essas células se apóiam, estimula os terminais dos nervos auditivos logo embaixo.
Desse modo, para o sistema nervoso, as diferenças de tonalidades em uma escala musical, por exemplo, são uma questão topográfica: embora o impulso elétrico de uma nota dó seja idêntico ao impulso elétrico das notas ré, mi, fá, esses estímulos partem de pontos diversos no nervo auditivo. Existem, no entanto, pessoas com a audição muito mais aguçada do que a maioria da população-e os otorrinos ainda não entendem por que isso acontece. Pode estar no cérebro o segredo do que os músicos chamam ouvido absoluto, conceito aplicável àqueles com memória fabulosa para freqüências de sons.Julio Medaglia, um dos mais renomados maestros brasileiros, lembra-se de uma prima, que abandonou o estudo do piano na infância: "Ela é capaz de ouvir uma serra elétrica e afirmar se aquilo é um si bemol ou não. Mas isso não parece ser tão importante para um músico. Arturo Toscanini não tinha ouvido absoluto", argumenta Medaglia, referindo-se ao genial maestro italiano, que morreu em 1957, em Nova York, nos Estados Unidos. O irônico é que, às vezes, ter um ouvido absoluto até atrapalha. "No coro de uma capela é comum o efeito proposital de baixar um pouco o tom no final da música. Um ouvido absoluto, no meio dos cantores, fica angustiado -e desafina em relação ao resto", exemplifica Medaglia.Mas isso nem se compara aos apuros da surdez. "O surdo costuma sentar-se encostado na parede, de frente para a porta. com medo de que alguém se aproxime sem que ele perceba". observa o otorrino Ricardo Bento. Ninguém com audição normal ou parcial consegue imaginar, o que seja o silêncio- mesmo se entrar numa câmara acústica, com zero decibel, ouvirá ainda os sons do próprio organismo, como as batidas do coração. Além disso, a audição nunca desliga. Mesmo no mais profundo dos sonos, ela permanece em alerta. Só que, nesse estado, o sistema nervoso aciona uma espécie de filtro, que seleciona informações importantes. Torna consciente, por exemplo, o toque do despertador-e, então, o ouvido acorda para qualquer som. 

Para saber mais: 
Silêncio: som demais 
(SUPER número 1, ano 3)


O fim do mais absoluto silêncio

Há três anos, com a proposta de se criar um aparelho para substituir a cóclea do ouvido, o otorrino Ricardo Bento desceu até o subsolo do Instituto do Coração, sem São Paulo- ali, cientistas se reúnem em um dos mais avançados laboratórios de Bio-engenharia do mundo. "Ficamos motivados por ser um projeto difícil do ponto de vista da Engenharia", conta o médico e engenheiro Adolfo Leirner, que dirige o laboratório. "Mas, sobretudo, o aparelho terá resultados visíveis no horizonte." O engenheiro eletrônico Miltom Oshiro conta que os primeiros implantados usarão um aparelho não-portátil. "De acordo com seus relatos, ajustaremos a versão final do aparelho, que será carregado na cintura como um bip."Uma equipe de fonoaudiólogos ensinará os implantados a ouvir com o equipamento. De fato, não será a mesma coisa do que contar com a engenhosa maquinaria do ouvido interno normal. As 12 000 células ciliadas da cóclea, afinal, separam uma enorme gama de freqüências sonoras; o aparelho de implante, por sua vez, possui um banco de filtros capaz de separar apenas dezesseis freqüências do som, captado por um microfone. O toque de um telefone soará como um "zzzz"-os implantados, claro, serão treinados para reconhecer esse ruído. Mas o aparelho permite à informação sonora chegar a seu destino: o cérebro."Do banco de filtros, as ondas sonoras vão para um microcomputador, que seleciona aquelas com intensidade superior a 55 dB", descreve Oshiro. Então, o som é transmitido em ondas de rádio por uma antena, grudada atrás da orelha, graças a uma ímã. Sob a pele, está outro ímã, com uma antena para captar essas ondas. Um eletrodo, no lugar da cóclea, finalmente transforma o som em sinais elétricos para o nervo auditivo. Assim, é possível ouvir, ainda que as vozes sempre pareçam anasaladas, como a de um robô.


Os canais do equilíbrio

Manter-se em pé, subir ou descer escadas sem cair, caminhar firme, e não cambaleante como um bêbado -o homem só consegue ficar equilibrado graças aos chamados canais semicirculares do vestíbulo, uma câmara pequenina no labirinto. "O sistema vestibular é notoriamente o principal responsável pelo equilíbrio do corpo humano", explica o otorrino Sung Ho Joo. Em cada labirinto, encontram-se três canais dispostos em planos diferentes, preenchidos por um líquido que chacoalha conforme as rotações da cabeça. O vai-vém do liquido, por sua vez, movimenta os cílios no revestimento dos canais. "Esses cílios funcionam como interruptores: para um lado, disparam um estímulo nervoso e, para outro, inibem o sinal elétrico", descreve Sung. "No ouvido direito, porém, a direção inibidora dos movimentos ciliares é oposta àquela do ouvido esquerdo. Ou seja, é como se, enquanto um dos ouvidos diz liga, o outro dissesse desliga."Constantemente, o cérebro soma e interpreta os sinais dos seis canais semicirculares. Quando não consegue fazer isso direito, a vida se transformar em uma corda bamba-basta mexer o corpo, para sentir a ameaça do tombo, acompanhada de tonturas, o sintoma clássico da labirintite, como é conhecido o problema. "A labirintite tem causas diversas e seus efeitos podem ser percebidos em qualquer situação, não apenas quando a pessoa está em lugares altos", esclarece Sung. "Felizmente, a maioria dos casos tem tratamento."

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Corujas - Rainhas da Escuridão


CORUJAS - RAINHAS DA ESCURIDÃO



A natureza fez delas excelentes caçadoras, graças à plumagem e à visão e audição privilegiadas. Os mesmos atributos que garantem sua segurança.

Todas elas têm a mesma aparência: cabeça e olhos grandes, bico curvo, plumagem macia que às vezes chega até os dedos dos pés, rabo curto, garras afiadas e as fêmeas são um pouco maiores que os machos. De olhar profundo e penetrante, as corujas parecem ameaçadoras e, embora inofensivas, são cercadas por lendas e superstições. Alguns acreditam que elas trazem sorte, mas geralmente estão associadas com mau agouro. Não é por acaso que todo filme de terror que se preze sempre tem uma coruja piando como se anunciasse a tragédia que, invariavelmente, está por vir. Predadoras noturnas, as corujas pertencem à ordem dos estrigiformes e são divididas em duas famílias: titonídeos e estrigídeos. Brancas, acinzentadas ou avermelhadas, as corujas não têm dimorfismo sexual das cores, ou seja, na mesma espécie tanto machos quanto fêmeas podem ter a mesma cor. O tamanho varia entre 12 e 70 centímetros, e a envergadura das asas pode chegar a quase 2 metros. Caçadoras por excelência, essas aves se valem, principalmente, da visão, da audição e da plumagem, três verdadeiros prodígios da evolução. Por serem enormes, os olhos se destacam e, ao contrário dos olhos humanos, enxergam perfeitamente num noite escura, porque têm grande capacidade de dilatar a pupila, captando a maior quantidade de luz possível.
Muitos fotógrafos se aproveitam disso e usam uma lanterna potente para localizar essas aves, que, sob o facho de luz, ficam com os olhos vermelhos e brilhantes. A estrutura do olho das corujas também é singular. Os bastonetes, células especializadas em captar a luz dos objetos, estão densamente concentrados na região central da retina - a fóvea, onde é a maior a incidência de raios luminosos. Já nos humanos, as fóveas têm somente células captoras de cor, ou seja, cones. "A coruja-buraqueira (Speotyto cunicularia), por exemplo, muito comum no Paraguai e no Brasil, tem quatro bastonetes para cada cone nas fóveas e, na região periférica da retina, essa proporção aumenta para mais de nove bastonetes, explica Ricardo Luiz Smith, professor de Anatomia da Escola Paulista de Medicina.
Por isso mesmo, os cientistas deduziram que as corujas não enxergam cores, ou, pelo menos, não têm uma visão desenvolvida das cores. O que não é nenhuma desvantagem, já que ela é um bicho especialmente adaptado à escuridão. Por outro lado, a disposição frontal dos olhos diminui o ângulo de observação, prejudicando a visão global. Mas a natureza compensou tal limitação com uma solução no mínimo curiosa: graças à versatilidade das vértebras do pescoço, as corujas são capazes de virar a cabeça num ângulo de 270 graus e assim conseguem olhar em todas as direções. Os ouvidos, diferentemente do que se pode imaginar, nada têm a ver com os tufos de penas que mais parecem orelhas ou chifres na cabeça de algumas espécies. Na verdade, eles estão bem escondidos debaixo de finíssimas plumas que lembram uma máscara - os chamados discos faciais. Essas penas concentram os sons e os transmitem ao ouvido externo -pequenas aberturas situadas na parte lateral da cabeça.
Em muitas espécies, o conduto auditivo esquerdo está voltado para baixo e o direito para cima, numa assimetria que favorece a percepção de ruídos, pois há uma pequena diferença nos sons que os ouvidos dessa forma conseguem captar.  Eles são analisados independentemente pelo cérebro e, dessa maneira, a ave consegue saber a posição correta de quem os emitiu. "A disposição correta das penas torna os discos faciais verdadeiras conchas acústicas. O som encontra-se com elas e é enviado para as aberturas do ouvido, que funcionam como uma espécie de microfone", diz a bióloga Elizabeth Höfling, da Universidade de São Paulo.
Mas afinal, no instante crítico em que a coruja tem que identificar uma presa ou predador, o que atua primeiro? Os olhos ou os ouvidos? Apesar de enxergarem muito bem, numerosas experiências científicas provaram que, na hora H, o que conta mesmo é a audição. Uma coruja cega não teria problemas em capturar suas presas, ao passo que, surda, mesmo que apenas de um dos ouvidos, não conseguiria dar golpes tão certeiros. Mas as corujas ainda possuem uma terceira arma: as plumas extremamente sedosas estão estreitamente ligadas à audição durante a caça. A textura da plumagem faz com que elas passem despercebidas durante o vôo. Além disso, as chamadas "penas do vôo", que recobrem a borda das asas, formam uma espécie de franja, que reduz o atrito com o ar, tornando-as ainda mais silenciosas. Com tantos atributos, não é difícil imaginar como se dá uma manobra de caça em plena noite. Pousada em alguma árvore, no mais completo silêncio, a coruja gira a cabeça em todas as direções para ver se consegue captar algum indício, por mais leve que seja, de alguma presa. Em seguida, ela fixa seu infalível radar num ponto e, rápida, se lança certeira sobre a vítima. Pouco tempo depois, tranqüilamente, ela despedaça a presa com as garras afiadíssimas ou a come inteira. Apesar de contar com poderosos sucos gástricos para fazer a digestão, algumas partes do corpo das vítimas, como os ossos (principalmente os do crânio), os dentes e os pêlos, não são digeridos. Acumulam-se no estômago, para depois serem expulsas via oral em forma de pelotas, as chamadas bolotas de regurgitação, valiosas fontes no estudo da dieta desses animais. 
Hoje, os pesquisadores já sabem que a parte fundamental de sua alimentação se compõe de aves, peixes às vezes, insetos e, principalmente, de pequenos mamíferos, como morcegos e roedores. 
Em geral, as corujas costumam ter um único período reprodutivo por ano, mas se a caça for farta podem ter mais de um. É que existe uma relação direta entre a taxa de natalidade e a presença de alimentos. Quando a caça míngua, as fêmeas não chegam a pôr ovos, pois precisam de energia extra para formá-los. O acasalamento geralmente ocorre no começo da primavera, e a quantidade de ovos varia de espécie para espécie. Como as corujas ainda não foram suficientemente estudadas, os cientistas sabem apenas que o número de ovos que elas põem varia de acordo com a quantidade de caça.
O sucesso na reprodução também depende da escolha de um lugar seguro para o ninho, o que varia de espécie para espécie. A maioria prefere árvores ocas ou ninhos abandonados por outras aves, mas a corujinha-buraqueira, por exemplo, faz ninhos em cupinzeiros e buracos de tatu. Mais amiga das alturas, a suindara ou coruja-das-torres (Tyto alba), também comum no Brasil, prefere fazer ninhos em sótãos ou torres de igrejas. Por seus hábitos discretos, as corujas são difíceis de ser localizadas por inimigos e eventuais observadores humanos. Durante o descanso diurno, elas se empoleiram num galho, contraem a plumagem, alongam o corpo e ficam com os olhos semicerrados, para não atrair a atenção de visitantes indesejados. Quando se sentem ameaçadas, assumem uma postura intimidatória abrindo as asas pela metade e fazendo com elas um movimento de rotação, além de arrepiar as penas, estalar o bico e cravar os enormes olhos no inimigo. Por isso, qualquer um aposta que elas são quatro vezes maiores. O canto também é muito importante, tanto na defesa do território quanto na época do acasalamento. É através dele que um indivíduo se faz reconhecer pelos outros. Cada espécie tem um canto, com afinação, timbre e ritmo únicos que podem variar desde os pios dados pelas corujas maiores até os trinados das menores. Embora sem melodia como o canto de certos pássaros, algumas corujas emitem sons que podem até parecer musicais aos ouvidos humanos. Já foram muito perseguidas, principalmente por causa das falsas crenças que as cercam. Algumas vão parar nos laboratórios clandestinos de taxidermia e viram corujas empalhadas. Para os cientistas, seu futuro ainda é incerto, pelo menos enquanto não se pesquisar mais sobre essas assustadoras aves de rapina.

Difíceis de fotografar

"Para fazer fotos de um animal qualquer, é preciso conhecer seu modo de viver, seus hábitos. Assim, não prejudicamos o bicho e, ao mesmo tempo, flagramos situações interessantes. Não se trata de simplesmente dar um clic." Assim, o fotógrafo Haroldo Palo Júnior, especialista em fotos de natureza e animais, explica o trabalho que faz. Com as corujas, a tarefa é ainda mais complicada, porque são bichos noturnos e, à noite, é quase impossível localizá-las. Para isso, são necessários outros equipamentos além dos normais. Haroldo, por exemplo, quando vai fotografar uma determinada espécie de coruja, costuma levar uma potente lanterna e um gravador que reproduz os cantos de outras espécies. Assim que o gravador é ligado, as corujas que estão por perto começam a cantar, na ilusão de que precisam defender seu território de algum intruso. Os sons que elas emitem orientam o fotógrafo. A lanterna serve para focalizar os olhos dessas aves, que se tornam vermelhos e brilhantes assim que a luz bate neles. Isso acontece porque parte dessa luz reflete na retina, que é avermelhada. Para fotografar os ninhos, é preciso redobrar os cuidados, porque as corujas se tornam mais agressivas e podem ferir um fotógrafo desavisado, como aconteceu com o inglês Eric Hosking, que perdeu um olho nessa aventura.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Sinto muito - Os Sentidos

SINTO MUITO - Os Sentidos



Tente descrever qual é a graça de andar em uma montanha russa usando só os 5 sentidos. Enquanto você coça a cabeça para descobrir se a vertigem e o frio na barriga se encaixam no tato, na visão, no olfato, na audição ou no paladar, aproveite para pensar em outra coisa: como você sabe que seu braço está de fato coçando a sua cabeça, se não consegue vê-lo? Se quiser mais desafios, olhe de novo a página anterior e responda: por que a imagem de um prego no olho traz uma sensação de dor? Por que alguns padrões de cor e de formas dão a ilusão de vibrar? Por que ver uma mulher beijando um rato embrulha o estômago? Aliás, qual dos 5 sentidos lhe diz que você teve um embrulho no estômago?

Não fique tonto com essas questões (até porque a tontura é outra sensação que não dá para explicar só com audição, visão, tato, olfato e paladar). Como você já deve desconfiar pelas perguntas acima, os nossos sentidos são muito mais complexos do que sempre nos disseram. A idéia de que temos apenas 5 formas de perceber o mundo foi formulada pelo filósofo grego Aristóteles no século 4 a.C. e, de forma um tanto impressionante, permanece popular até hoje. A ciência, no entanto, já percebeu que os nossos sentidos passam de 20 e são bastante maleáveis, complexos e interessantes. Quando começaram a estudar as portas da percepção, coisas incríveis aconteceram: pessoas passaram a enxergar pela língua ou pelo ouvido, pintar coisas que nunca viram, sentir o tato só pela visão. É a nova ciência dos sentidos - e ela pode mudar tudo o que sabemos sobre a realidade à nossa volta.



Vendo tudo

Quantas formas de perceber o mundo nós temos? Não é uma pergunta fácil, principalmente porque, para respondê-la, precisamos antes saber de que mundo estamos falando. É que, nesse caso, existem dois: o externo e o interno. Os 5 sentidos tradicionais são específicos para observar o que acontece fora de nós. Além deles, existem aqueles que servem para percebermos nós mesmos e a relação do nosso corpo com o espaço. Mesmo de olhos fechados, você sabe que tem pés, braços, cabeça, um corpo inteiro, certo? O sentido encarregado de informar o que faz parte do nosso corpo é a propriocepção. O neurologista inglês Oliver Sacks, no livro O Homem que Confundiu sua Mulher com um Chapéu, cita o caso real de Christina, que, aos 27 anos, perdeu a propriocepção depois de receber antibióticos. De uma hora para outra, ficou incapaz de sentir o próprio corpo e precisou aprender a se virar usando outros sentidos, como a visão e a audição. Precisava ver as pernas ou as mãos para andar ou pegar um objeto. Falar se tornou muito difícil - é graças à propriocepção que sentimos a posição da boca.

Comece a viajar nesse mundo interno e vão pipocar sentidos que nos informam situações como o equilíbrio, a pressão sanguínea, a sede ou a fome. Um exemplo é a cinestesia, que nos diz quando cada parte do corpo se move. Só que alguns cientistas acreditam que, mesmo somando todos esses sentidos, ainda não temos o retrato completo. Quem sabe se cada um desses não é um agrupamento simplista de muitas formas de percepção? Afinal, sentir um toque gelado é diferente de sentir um toque com pressão. E enxergar formas é diferente de enxergar cores - o que é comprovado pelo fato de que é possível ficar cego apenas para as cores, como bem sabem os daltônicos. Será correto agrupar no nome "visão" a percepção das formas, dos vermelhos, dos verdes e dos azuis? Ou deveríamos falar de pelo menos 4 sentidos? Não existe ainda entre os cientistas um consenso sobre o que deve ou não ser considerado um sentido isolado. As diferentes respostas a essas perguntas podem fazer o nosso número total de sentidos oscilar entre 10 e 33 (veja tabela à direita). Sentiu o problema? Pois ele é só o começo.



Fazendo sentido

Os sentidos são como uma gangue: além de serem muitos, agem sempre em grupo. E basta acionar um para que todos respondam. Segundo Alvaro Pascual-Leone, neurologista da Universidade Harvard, em Massachusetts, EUA, nosso cérebro está sempre usando todas as percepções para criar um cenário mental da situação. É o que se chama de "mãos da mente": ao olhar para um abacaxi, você sente a textura espinhenta da fruta, enquanto mentalmente é capaz de sentir seu cheiro e o sabor doce e ácido.

Por que isso acontece? Antes de mais nada, é importante entender que sensação e percepção são processos complementares, mas diferentes. A sensação é a parte passiva da coisa, quando simplesmente recebemos um estímulo. É quando as ondas sonoras atingem o aparelho auditivo, fazem o tímpano vibrar e, na forma de impulsos elétricos, são levadas pelo nervo auditivo até o cérebro. A partir daí, entra em cena a percepção, que assimila, decodifica e processa esses dados.

As nossas sensações estão sempre funcionando, mas nossa percepção varia bastante. Ela pode ser temporariamente desativada: como qualquer um que tenha assistido a uma aula chata pode dizer, é possível escutar palavras sem ouvir nada. Por outro lado, é só andar em uma rua deserta para perceber como ficamos mais perceptivos a barulhos e sombras. O desligamento é seletivo: quando queremos conversar com alguém em uma festa barulhenta, precisamos ignorar todas as conversas paralelas, mas basta mencionarem nosso nome para voltarmos a atenção a outra conversa. Na Universidade Harvard, os psicólogos Daniel Simons e Christopher Chabris pediram que voluntários contassem o número de passes dados em um jogo de basquete, o que fez com que muitos não percebessem uma pessoa vestida de gorila atravessando a quadra. (Preste atenção: alguém pode estar chamando o seu nome enquanto você lê esta matéria.)

É possível ter problemas na percepção - um mal neurológico conhecido como agnosia que impede o reconhecimento de qualquer imagem, cheiro ou som. Existem relatos de pessoas incapazes de diferenciar um círculo de um quadrado, apesar de enxergar bem as duas formas. Oliver Sacks cita o caso de um professor de música com um processo degenerativo nas partes visuais do seu cérebro que foi aos poucos perdendo a capacidade de enxergar o todo de uma imagem. Identificava apenas os detalhes ou os movimentos. A confusão chegou a tal ponto que ele não conseguia mais entender uma rosa, apesar de descrevê-la com riqueza de detalhes. Durante uma consulta médica, confundiu seu pé com o sapato e, depois, pegou a cabeça de sua mulher para colocá-la na sua própria cabeça, literalmente confundindo-a com um chapéu.

Mais impressionantes ainda são os casos em que a sensação não acontece, mas a percepção sim. Nosso cérebro é capaz de sentir texturas através da visão (olhe para um cachorro fofinho, por exemplo) ou formar imagens através do tato. O pintor turco Esref Armagan é cego de nascença e seus olhos não detectam nenhum tipo de luz, mas mesmo assim ele é capaz de pintar imagens complexas, como paisagens ou peixes, respeitando as regras da perspectiva. Ele retrata até mesmo objetos distantes, como montanhas e nuvens. Como consegue?

Em primeiro lugar, ele conhece os objetos através do tato e pelas explicações de pessoas que enxergam. Para saber o que está pintando, ele usa uma tinta com textura que lhe permite sentir os próprios traços. Mas o segredo mesmo está na cabeça de Armagan. O córtex visual (área responsável por processar a visão) de uma pessoa funciona mesmo sem estímulos visuais objetivos. Por exemplo, ao fechar os olhos e imaginar uma cena, seu cérebro vai ativar a área relacionada às imagens, mesmo que em uma intensidade mais baixa. O mesmo acontece com o cérebro de Armagan: atividade leve quando ele imagina alguma imagem e bem mais alta quando está desenhando ou pintando. Nessas horas, sua atividade no córtex visual é praticamente igual à de alguém que enxerga perfeitamente. Usando informações da memória, tato, descrição, localização espacial e outros sentidos, ele consegue formar uma imagem parecida com a que temos ao enxergar.

Definir a visão parecia ser uma tarefa simples, mas se torna um pouco mais complicado agora: um indivíduo com agnosia é capaz de reagir à luz, mas não vê certos objetos. Armagan não reage à luz, mas usa relatos para "enxergar" a ponto de pintar melhor do que muita gente com a visão perfeita. Casos como o dele reforçam a teoria de que a percepção das coisas não depende exatamente do caminho pelo qual o estímulo chega. Ou seja, seu cérebro consegue ver de várias formas - os olhos são apenas o caminho mais tradicional.



Olhando pela língua

Em uma pesquisa na Inglaterra, tudo o que voluntários precisavam fazer era colocar o braço debaixo de uma mesa. Por cima, ficava um braço de borracha, usado em shows de mágica. Os braços real e falso eram tocados pelos mesmos objetos, ao mesmo tempo. Foram precisos apenas 11 segundos para que eles começassem a considerar como sua a mão que estava visível, o que ficou provado pelo monitoramento da atividade cerebral e porque, no final da experiência, vários apontaram a mão de borracha como sendo a real. Já o neurologista Alvaro Pascual-Leone, de Harvard, foi mais longe: fez pessoas com a visão perfeita passarem 5 dias com óculos que bloqueavam toda a luz. Durante esse período, eles relataram um aumento nos outros sentidos e também algumas alucinações visuais. Além disso, estímulos táteis ou auditivos tornaram-se capazes de ativar o córtex visual do cérebro. Todos esses sintomas desapareceram menos de 24 horas depois que os voluntários retiraram os óculos.

As duas experiências mostram que os nossos sentidos são muito mais flexíveis e adaptáveis do que se acreditava. Por estarem todos interligados, é só limitar um pouco um deles para que outros tentem compensar a deficiência. Na primeira experiência, a visão interagiu - e acabou substituindo - a propriocepção. E, na segunda, Pascual-Leone acredita que o córtex visual dos voluntários começou a se adaptar para funcionar com estímulos não-visuais. Nos dois casos, o que interessava ao cérebro era a informação disponível. Com os dados que tinha, ele tentava montar uma imagem mental.

Descobertas como essas abriram caminho para encontrar formas de compensar deficiências como cegueira e surdez. Um dos resultados mais promissores é o vOICe, um dispositivo criado pelo inventor holandês Peter Meijer para fazer pessoas enxergarem por meio de música. Ele usa um padrão de sons para descrever imagens captadas por uma câmera, que pode ser acoplada aos óculos de um deficiente visual. Agudos indicam um objeto em posição elevada, como uma prateleira, enquanto sons mais graves indicam algo perto do chão. O volume está relacionado à luminosidade: quando mais alto o som, mais claro o objeto. A ausência de luz é representada pelo silêncio. Pode parecer estranho, mas com algum tempo de uso o sistema pode guiar uma pessoa por um ambiente.

Algo parecido pode ser feito com o paladar. O BrainPort, da Universidade de Wisconsin, EUA, é formado por 144 eletrodos dispostos em um quadrado do tamanho de um selo, que fica em contato com a língua. O alpinista Erik Weihenmayer, cego há mais de 20 anos, usou o dispositivo para projetar em sua língua as imagens captadas por uma câmera localizada em sua cabeça. Em pouco tempo de uso, foi capaz de identificar objetos e apanhar uma bola em movimento. Já a americana Cheryl Schiltz usou o BrainPort para recuperar a sensação de equilíbrio. No caso dela, um aparelho localizado também na cabeça registrava todas as vezes que ela se inclinava, indicando o desnível através dos eletrodos - ao deixar a cabeça alinhada, ela sentiria uma sensação mais forte na parte central da língua. Foi o suficiente para que Cheryl andasse pela rua, subisse e descesse escadas e até mesmo carregasse uma bandeja.
A viagem através dos sentidos está apenas começando. Cada um desses novos equipamentos levam a descobertas ainda mais profundas sobre como percebemos o mundo, que por sua vez levam a tecnologias mais avançadas. Talvez um dia os cientistas cheguem à conclusão de que temos mais de 35 sentidos ou, quem sabe, a uma resposta ainda mais radical: um só. Como o que está em jogo é nada menos a forma com que lidamos com o mundo e com que sabemos que tudo existe, é possível que essas pesquisas mudem toda a nossa relação com a realidade. O que estaremos vendo e ouvindo daqui a algumas décadas? Ninguém sabe.



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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Designer coloca zíper em fone de ouvido

10/05/09 - 10h00 - Atualizado em 10/05/09 - 10h00

Designer coloca zíper em fone de ouvido
Produto ainda conceitual de Ji Woong foi divulgado pelo ‘Yanko Design’.
Usuário abre zíper na hora de ouvir música e o fecha na hora de guardá-lo.




Usuário abre zíper na hora de ouvir música e o fecha na hora de guardar. Produto conceitual foi divulgado pelo site 'Yanko Design'. (Foto: Divulgação )




Usuário pode controlar, no próprio fone, o volume da música. (Foto: Divulgação )



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