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quinta-feira, 10 de março de 2016

Quem foram os trovadores ? O Spotify da Idade Média


Quem foram os trovadores ? O Spotify da Idade Média


Atualmente, o acesso à música é algo fácil e natural. Por isso, é difícil imaginar um mundo em que as músicas estejam distantes de seus ouvintes e seu encontro seja limitado.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Os melhores clipes de 2014


Os melhores clipes de 2014

Confira quais vídeos de música mais bombaram este ano

Foi-se a época em que os videosclipes eram só simples panos de fundos para as músicas. Hoje eles ganham megaproduções, roteiro, histórias mirabolantes e efeitos dignos de cinema.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Descubra quais são as 20 músicas mais cativantes de acordo com a Ciência


Descubra quais são as 20 músicas mais cativantes de acordo com a Ciência


Uma pesquisa recente, feita por pesquisadores do Reino Unido, conseguiu descobrir quais são as músicas mais cativantes de todos os tempos. Para chegar à lista que você vai conferir logo a seguir, o Museu de Ciência de Indústria do Reino Unido utilizou um jogo online interativo chamado Hooked on Music, uma criação do musicólogo John Ashley Burgoyne em parceria com uma equipe das universidades de Amsterdã e Utrecht.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Essa Gíria é da Hora - Linguistica


ESSA GÍRIA É DA HORA! -Lingüística


Quase todo dia você esbarra em gírias novas. Elas se propagam com uma velocidade incrível. Eletrizam tudo o que é conversa. E todos ficam ligados nesse novo jeito de falar. Palavras cansadas, jogadas para escanteio, ressurgem como um furacão. Os Mamonas Assassinas estão aí para comprovar. Mesmo destruindo as mais elementares regras da língua portuguesa, com letras que beiram o mau gosto, eles arrebentam a boca do balão com o seu festival de "mina", "galera" e "chuchuzinho". Não satisfeitos, dão uma rasteira no inglês, traduzindo trabalhar por "workár"; e "arrombam" o coração da moçada. Como se fosse a maior festa da Jovem Guarda, mora?

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Cervejaria Becks cria garrafa que toca música como um disco de vinil


Cervejaria Becks cria garrafa que toca música como um disco de vinil


Projeto da divisão artística da empresa resgatou a técnica utilizada por Thomas Edison na criação do fonógrafo.

sábado, 4 de maio de 2013

10 musicas mais tocadas nos anos 80


10 musicas mais tocadas nos anos 80


A década de 1980 foi um marcada pelo ressurgimento do Rock e suas vertentes. Foi nos anos 80 que o mundo conhecia o hard rock com grandes representantes como Bon Jovi, Van Halen, AC/DC,Guns N’ Roses, Whitesnake e The Cure. O mundo também ouviu uma batida mais pesada, era oheavy metal crescendo com Iron Maiden, Metallica, Slayer, Megadeth e Anthrax.

Enquanto isso, no Brasil, surgia um dos maiores festivais de musica do mundo, o Rock In Rio, com muito Pop e Rock, e sucessos da época do RPM, Ultraje a Rigor, Titãs, Legião Urbana, Roupa Nova, Blitz, Kid Abelha e Ira!.

Usamos como critérios: os vários álbuns de coletâneas com a temática dos anos 80 e as primeiras colocações das paradas das rádios nos anos de 1980 a 1989 do Hot100 Brasil.

quarta-feira, 13 de março de 2013

10 artistas que mais venderam discos na história da música


10 artistas que mais venderam discos na história da música


Com a nova geração da música atual fazendo sucesso no mundo todo, muitas vezes, nos perguntamos: quem foram os maiores, os mais-mais da história? Em tempos de globalização, redes sociais e Youtube, é mais fácil (ou menos difícil) tornar um artista de fama mundial. Mas, em outrora, não havia nada disso. Essas estrelas reinavam (reinam) arrastando multidões aos seus shows e vendendo milhares de cópias de seus discos pelo mundo. Discos, que não foram poucos. O Elton John produziu sozinho, entre trilhas e compilações, 42 álbuns em sua carreira. E ainda figurou entre os músicos mais bem pagos de 2012 pela Forbes. Segue abaixo a lista dos artistas e seus albuns lançados.
A lista foi compilada pelo pessoal da Bcharts e usou como base as informações da Mediatraffic e ChartInFrance/UKMix.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Equações Sonoras - Física


EQUAÇÕES SONORAS - Física



O ar vibra com harmonia inigualável nos instrumentos acústicos. Mas os sons gerados por circuitos eletrônicos, mais cedo ou mais tarde, tendem a ocupar o lugar das antigas orquestras na sensibilidade musical humana.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Empresa sueca vende caixão de R$ 64 mil que toca músicas para o morto


Empresa sueca vende caixão de R$ 64 mil que toca músicas para o morto

Caixão com alto-falantes reproduz músicas para o morto (Foto: Reprodução)

Sistema 'CataCombo' possui alto-falantes e conexão Wi-Fi.
Parentes e amigos podem enviar músicas ao falecido de qualquer lugar.

O inventor sueco Fredrik Hjelmquist acredita que não é porque uma pessoa faleceu que o indivíduo não possa curtir uma boa música. Pensando nisso, o homem desenvolveu o “CataCombo”, que é descrito no anúncio como “o sistema mais avançado de entretenimento após a morte” (veja o vídeo, em inglês - http://www.youtube.com/watch?v=SDpC5ZYcA7M).

O produto, que custa pouco mais de 64 mil reais, é equipado com caixas de som internas que reproduzem faixas escolhidas pelo falecido e até por seus familiares. Além disso, o caixão possui um sistema de internet sem fio que permite que pessoas adicionem músicas à lista de reprodução de qualquer lugar do mundo, por meio de um aplicativo, ou mesmo da lápide do falecido, que conta com uma tela sensível ao toque ligada ao aparelho, que envia as escolhas musicais para o esquife.

Familiares e amigos podem tocar músicas diretamente da lápide ou via internet (Foto: Divulgação)

Fredrik garante no anúncio que o caixão é ligado a uma fonte de energia e tem sistema de refrigeração para que os componentes não superaqueçam. Os interessados podem entrar em contato com a empresa pelo site (http://www.catacombosoundsystem.com/), e Hjelmquist afirma que já existem empresas funerárias interessadas em vender o caixão musical.


terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Mozart, a Flauta Mágica


MOZART, A FLAUTA MÁGICA



O bicentenário de sua morte, este ano, desencadeou uma onda de homenagens e comemorações que nenhum outro compositor jamais recebeu. Ele fez por merecer todas elas

Olhando para meu filho de quase 13 anos, entretido em seu videogame, não posso deixar de pensar que, se ele se chamasse Wolfgang Amadeus, já seria com essa idade o autor de onze sinfonias, duas óperas, 24 sonatas para piano ou violino, missas, oratórios, serenatas e uma infinidade de peças menores. Dá para assustar, não é mesmo? O mundo teve muitos gênios precoces, mas nenhum tão impressionante quanto esse menino austríaco, cujo bicentenário de morte comemora-se este ano, dotado pela natureza de um dom misterioso, que fazia com que fluísse dele, instintivamente, desde a infância, música de qualidade inigualável.
Já é espantoso que, em 1766, aos 10 anos de idade, Wolfgang Amadeus Mozart tenha sido convidado a colaborar com Michael Haydn e Anton Adlgasser, dois compositores adultos e experientes, no oratório Die Schuldigkeir des erstens Gebotes (A obrigação do primeiro mandamento). Como Johann Sebastian Bach antes dele, Mozart não inventou formas novas. Mas levou à perfeição todas as que existiam em seu tempo. Nenhum outro compositor, na história da música, conseguiu, como ele, trabalhar com tanta inventividade todos os gêneros então existentes, da ópera à música de câmara.Mas perfeito domínio de forma não é tudo: outros compositores de seu tempo o tiveram no mesmo alto grau. Genialidade em estado puro é o que explica que suas idéias musicais vejam sempre mais originais do que as de qualquer um de seus contemporâneos. Mozart é o dono de uma das mais marcantes "assinaturas" musicais da história da música: a um amante da música clássica basta ouvir meia dúzia de compassos para saber que é dele a melodia tocada. E não apenas dispunha de uma gama imensa de recursos como sabia instintivamente empregá-los da forma mais adequada; tanto assim que foi capaz de transcender um libreto simplório como o da Flauta Mágica, transformando-a numa das mais sublimes criações da mente humana.
Dos sete filhos que Leopold Mozart-violinista, cantor, compositor e vice-mestre-de- capela do Arcebispado de Salzburgo, na Áustria-teve com sua mulher, Anna Maria Pertl, apenas dois sobreviveram. Uma menina, chamada Maria Anna, cujo apelido era Nannerl, e um menino, nascido a 27 de janeiro de 1756, dia de São João Crisóstomo, a quem foi dado o nome de Joannes Chrysostomus Wolfgang Theophilus (ou Gottlieb, em alemão, que, em 1770, época da viagem para a Itália, ele trocaria pela forma latina Amadeus).Não fosse essa data, 1756 teria sido um ano obscuro na história da humanidade. França e Inglaterra iniciaram mais uma de uma longa série de guerras inúteis. Os ingleses conseguiam, pela primeira vez, produzir veludo a partir do algodão, e um famoso cavalheiro, Giacomo Casanova, fugia da prisão em Veneza para continuar sua vida de aventura.A infância e a adolescência, Wolfgang-cujo talento para a música revelara-se desde os 3 anos de idade-as passou percorrendo as estradas européias com seu pai, que o levava a exibir-se por toda parte, como um macaquinho amestrado. Sem avaliar os danos que podia estar causando ao filho, que não tinha tempo para ser criança, Leopold não hesitava em explorar o talento do geninho, capaz, aos 6 anos, de improvisar sobre qualquer tema, executar as peças mais complexas ou fazer malabarismo tocando com um pano sobre o teclado do cravo.
Enquanto o príncipe-arcebispo de Salzburgo, para quem os Mozart trabalhavam, era o tolerante Sigismund von Schrattenbach, essas viagens constantes não foram um grande problema. Mozart tocou em Viena para o imperador Francisco I e à princesa Maria Antonieta- mais tarde, a infeliz rainha da França-, que o ajudou a levantar-se depois de um escorregão, disse: "Quando crescer, vou-me casar com você".Em Versalhes, foi recepcionado nos aposentos particulares de Madame Pompadour, a amante de Luís XV. Recebeu títulos das academias filarmônicas de Bolonha e Verona e a Ordem da Espora Dourada das mãos do papa Clemente XIV Em Roma outra prova de seu gênio: após ouvi-lo uma única vez, na Capela Sistina, reproduziu de memória o Miserere, a nove vozes, de Allegri, cuja transcrição era proibida. E -um recorde para a época-seu Mitridate alcançou vinte récitas no Scala de Milão.Mas a morte de Schrattenbach, em 1771, mudou essa situação. Seu sucessor, Hieronimus Joseph Franz von Paula, o Conde de Colloredo, era intratável, exigente, desaprovava excursões e o interesse de Mozart pela música profana. Ele ainda conseguiu,entre 1777 e 1778, fazer uma estada em Manaheim, onde entrou em contato com a orquestra- laboratório que Johann Stamitz criara para fazer pesquisas de técnica instrumental. Com Christian Cannabich, o sucessor de Stamitz, Mozart aprofundou seu conhecimento das possibilidades da escrita orquestral.
Foi em Mannheim também que conheceu a família Weber, e apaixonou-se por Aloysia, talentosa soprano, a mais velha das quatro irmãs. Mas Leopold desaprovava esse casamento, que perturbaria a carreira do filho, a quem não queria ver "reduzido a mero acompanhador de uma cantora". Para afastá-lo de Aloysia, mandou-o a Paris com a mãe; mas Anna Maria adoeceu subitamente, e morreu em julho de 1778. Mozart estava com 22 anos, e já testemunhara alguns acontecimentos de grande importância.
As colônias inglesas no remoto continente americano declararam-se independentes. Na Inglaterra, Adam Smith publicou sua Pesquisa sobre a natureza e a causa da riqueza das nações, logo reconhecida como a bíblia do novo modelo econômico que tomava conta da Europa-o capitalismo. Descobertas recentes revelavam que o ar era composto principalmente de oxigênio e nitrogênio. O mundo musical enriquecia-se com a copiosa produção de dois talentos extraordinários: o próprio Mozart e Joseph Haydn (não era parente de Michael Haydn), que já havia chegado à sua 63 a sinfonia. E um outro gênio precoce começava a ser exibido em concertos pelo pai-chamava-se Ludwig van Beethoven.Para Mozart, à dor com a perda da mãe, juntou-se a de saber que Aloysia, agora no elenco da Ópera de Munique já não se interessava mais por ele (e, no ano seguinte, se casaria com Joseph Lange, ator e pintor da corte em Viena). Tudo isso concorreu para tornar insuportáveis as pressões sofridas em Salzburgo. Em maio de 1781, Mozart pediu demissão; e foi dispensado nos termos mais humilhantes. Estava com 25 anos: restavam-lhe só mais dez para viver; mas esse seria o período mais fulgurante de sua produção, desenvolvido em Viena, um dos maiores centros musicais do mundo. Wolfgang Amadeus Mozart estava no limiar da maturidade.Decidindo-se a ficar na capital, Mozart hospedou-se na pensão da senhora Weber e, ali, apesar uma vez mais da oposição paterna, apaixonou-se por Constanze, irmã caçula de Aloysia e com ela se casou em agosto de 1782, em aberto desafio a Leopold. O casal levaria vida atribulada, acima de suas posses e, por isso mesmo, sempre cheio de dívidas; a saúde de Constanze era minada pelas gravidezes freqüentes (de seis filhos em nove anos, apenas dois sobreviveram); e a de Wolfgang-que já sofrera enfermidades graves na infância-, gradualmente solapada pela vida dissipada que levava.
Mas suas relações com Constanze sempre seriam marcadas por intensa atração física, e por uma paixão que se revela, da forma mais explícita, em cartas da mais cândida e tórrida sensualidade. É nessas cartas também que melhor se percebe-como o demonstrou o biógrafo Wolfgang Hildesheimer-o quanto o desenvolvimento psicológico dessa criança, obrigada cedo demais a comportar-se como um adulto, ficou truncado; e quantos traços do caráter desse gênio assombrosamente maduro permaneceram paradoxalmente infantis.
A última década da vida de Mozart assiste a um verdadeiro dilúvio de obras primas dos mais diversos gêneros, que jorravam dele de tal forma acabadas que os seus manuscritos pareciam cópias definitivas. É a fase de seu encontro com o italiano Lorenzo da Ponte (1749-1838), pseudônimo de Emanuele Conegliano, judeu convertido ao catolicismo, estranha mistura de padre, poeta e aventureiro, Casanova de batina, que, tendo sido obrigado a fugir da Europa por suas dívidas e intrigas galantes, seria o fundador, em Nova York, do primeiro teatro de ópera dos Estados Unidos.Esse homem-que fugira de Veneza por causa de seus "pecados de amor" e conseguira tornar-se poeta oficial da corte austríaca-escreveria para Mozart seus três maiores libretos: o das Bodas de Figão, baseado na subversiva comédia de Beaumarchais; o do Don Giovanni, história do legendário libertino sevilhano; e o Così fan tutte, ácida crítica à dissolução dos costumes em seu tempo. Mozart e Da Ponte formariam um dos grandes pares de compositor/libretista da história da ópera, realizando plenamente o ideal da fusão perfeita da música com a palavra.
É em Viena, também, que Mozart- fascinado pelo ideário liberal e humanista posto em moda pela Revolução Francesa-aderirá à Maçonaria. As lições da loja maçônica impregnarão muitas de suas obras, mas nenhuma tão intensamente quanto sua última ópera, A Flauta Mágica, resultado do encontro, nos ambientes maçônicos, com outra estranha figura: o empresário, ator e cantor Emanuel Schikaneder, que dirigia uma sala suburbana de variedades, o Theater auf der Wieden.É para esse palquinho mambembe que será concebido um dos mais sublimes testemunhos do poder criador da mente humana. Fábula ingênua e disparatada, A Flauta Mágica conta a história do príncipe Tamino, encarregado pela Rainha da Noite de libertar sua filha Pamina das garras de um suposto bruxo, Sarastro. Ele, na verdade, é o sumo-sacerdote do templo do Sol. Junto com Papageno, o locador da flauta que encanta os animais, Tamino é admitido no templo. Eles derrotam a rainha, e Tamino se casa com Pamina.Interrompida em julho de 1791 a fim de que, em poucos dias, Mozart compusesse A Clemência de Tito, para a coroação do imperador Leopoldo II, em Praga, como rei da Boêmia, A Flaura Mágica é a maior das muitas obras-primas que ele escreveu em seu último ano de vida. O Concerto para piano K 595, o Quinteto K 614, o Concerto para clarinete K 622, o Ave Verurn CorPus sucedem-se febrilmente, como se Mozart, com a saúde em frangalhos, percebesse ser pouco o tempo que Ihe restava de vida. Nos últimos dias, estava obcecado pela encomenda feita, por um misterioso mensageiro vestido de cinza, de uma Missa de Réquiem. Tratava-se do mordomo de um certo conde Franz von Walsegg, milionário habituado a comprar músicas que apresentava como suas; e que pretendia mandar cantar uma missa dos mortos por sua mulher, recém- falecida. Mas para Mozart, já perturbado pela doença, aquilo parecia um sinal do destino. Era para si mesmo que compunha aquela música fúnebre, que deixaria inacabada (a família escolheu Franz Süssmayr para terminá- la, pois fora quem o ajudara a anotar suas últimas idéias para a Lachrymosa, a 4 de dezembro, antes de entrar em coma).
Chovia torrencialmente sobre Viena, a 6 de dezembro de 1791, dia seguinte ao de sua morte. Os poucos amigos que levaram seu corpo ao cemitério entregaram-no, na porta, aos coveiros. Nunca se soube onde foram colocados seus restos mortais. Não há garantia alguma de que o crânio conservado no Mozarteum de Salzburgo seja realmente o dele. Um dos maiores gênios da humanidade passou pela vida como um fulgurante cometa e desapareceu aparentemente sem deixar rastros. Mas é sintomático que, justamente naquele momento, o jovem Beethoven começava a receber lições do mestre Haydn, na mesma Viena-e a arte da música iniciava uma nova fase de um período universalmente reconhecido como prodigioso. 

O mundo homenageia Mozart

Nenhum outro artista, em toda a história da humanidade mereceu comemorações tão grandiosas. Bonecas, relógios, marcas de bebida e de chocolate, posters, álbuns de fofos -sem mencionar os inúmeros concertos que foram programados durante o ano inteiro desde Paris, a capital da França, a Dunedin, cidade perdida no interior da Nova Zelândia. De todas as formas será celebrado o bicentenário da morte do mais singular entre os gênios que a raça humana já produziu. Basta dizer que a Philips está gravando todas as suas composições catalogadas, numa série de 180 CDs, reunidos em 45 álbuns, num total de 200 horas de música, e que a Polygram já prometeu importar, a partir do segundo semestre deste ano, para distribuição no Brasil. Que também está preparando o seu Ano Mozart: A Flauta Mágica em Campinas, o Così fan tutte em São Paulo, visitas da Camerata de Salzburgo ao país, montagem de Don Giovanni no Rio e execuções em São Paulo do Réquiem e da Grande Missa K 427. A Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo organiza um Encontro Mozart, coordenado pelo filósofo Adauto Novaes, com a participação de especialistas do mundo inteiro. E o Centro Cultural do Banco do Brasil, no Rio, tem um dos mais extensos programas comemorativos, com concertos, filmes e a ópera Bodas de Fígaro, dirigida por Ítalo Rossi.


Salieri, o rival inofensivo

Durante muito tempo, o italiano Antônio Salieri (1750-1825) - desde 1788 mestre-de-capela da corte vienense-foi suspeito de, por inveja, ter envenenado Wolfgang Amadeus. Ele próprio foi o responsável pelo surgimento da lenda, pois, no fim da vida, já totalmente insano, tentou suicidar-se, alegando remorsos por ter sido o causador da morte de Mozart. Esse episódio, utilizado pelo poeta russo Aleksandr Púshkin em sua peça Mozart e Salieri (1830)-uma reflexão sobre o conflito entre o gênio e o mero talento, transformada em ópera por Nikolái Rimski-Kórsakov-, serviu de inspiração para a peça do dramaturgo inglês Peter Shaffer, em que se baseou o filme Amadeus, de Milos Forman. Trata-se, entretanto-hoje se tem certeza -, de pura lenda. Por menos que gostasse de Mozart, Salieri era bom músico: modernas reavaliações demonstrem que estava longe de ser medíocre como se quis fazer acreditar. E era generoso e um professor brilhante, como o testemunharam seus alunos: Beethoven, Schubert, Liszt ou Franz Xaver Wolfgang, o filho sobrevivente de Mozart, a quem ele muito ajudou em sua carreira de músico. E as queixas que Mozart fazia, no fim da vida, de que se sentia envenenado, podem atribuir-se à tintura de iodo que ele tomava, para tratamento da sífilis, que provoca intoxicação renal. De que morreu, então, Wolfgang  Amadeus? Estudiosos nunca chegarão, provavelmente, a uma conclusão definitiva. A hipótese mais aceita, hoje, é a de que ele tenha sido vítima de moléstia provocada por problemas renais crônicos. A vida inteira, ele sofrera de doenças graves-escarlatina, varíola, febre reumática, hepatite-, cujas conseqüências foram agravadas pela vida dissipada e de trabalho intenso que levava. 

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Morre Steve Jobs - Fundador da Apple

05/10/2011 20h40 - Atualizado em 05/10/2011 22h24

Morre Steve Jobs, fundador da Apple
Criador da Apple impôs visão de simplicidade no mercado da tecnologia.


Steve Jobs, fundador da Apple, morre aos 56 anos nos Estados Unidos (Foto: Moshe Brakha/AP)

Morreu nesta quarta-feira (5) aos 56 anos o empresário Steven Paul Jobs, criador da Apple, maior empresa de capital aberto do mundo, do estúdio de animação Pixar e pai de produtos como o Macintosh, o iPod, o iPhone e o iPad.
Idolatrado pelos consumidores de seus produtos e por boa parte dos funcionários da empresa que fundou em uma garagem no Vale do Silício, na Califórnia, e ajudou a transformar na maior companhia de capital aberto do mundo em valor de mercado, Jobs foi um dos maiores defensores da popularização da tecnologia. Acreditava que computadores e gadgets deveriam ser fáceis o suficiente para ser operados por qualquer pessoa, como gostava de repetir em um de seus bordões prediletos, que era "simplesmente funciona" (em inglês, "it just works"). O impacto desta visão foi além de sua companhia e ajudou a puxar a evolução de produtos como o Windows, da Microsoft.

A luta de Jobs contra o câncer desde 2004 o deixou fisicamente debilitado nos anos de maior sucesso comercial da Apple, que escapou da falência no final da década de 90 para se transformar na maior empresa de tecnologia do planeta. Desde então, passou por um transplante de fígado e viu seu obituário publicado acidentalmente em veículos importantes como a Bloomberg. Há 42 dias, deixou o comando da empresa.
Foi obrigado a lidar com a morte, que temia, como a maioria dos americanos de sua geração, desde os dias de outubro de 1962 que marcaram o ápice da crise dos mísseis cubanos. "Fiquei sem dormir por três ou quatro noites porque temia que se eu fosse dormir não iria acordar", contou, em 1995, ao museu de história oral do Instituto Smithsonian.
"Ninguém quer morrer", disse, posteriormente, em discurso a formandos da universidade de Stanford em junho de 2005, um feito curioso para um homem que jamais obteve um diploma universitário. "Mesmo as pessoas que querem ir para o céu não querem morrer para chegar lá. E, por outro lado, a morte é um destino do qual todos nós compartilhamos. Ninguém escapa. É a forma como deve ser, porque a morte é provavelmente a melhor invenção da vida. É o agente da vida. Limpa o velho para dar espaço ao novo."
Homem-zeitgeist
A melhor invenção da vida, nas palavras do zen-budista Jobs, deixa a indústria da tecnologia órfã de seu "homem-zeitgeist", ou seja, o empresário que talvez melhor tenha capturado a essência de seu tempo. Jobs apostou na música digital armazenada em memória flash quando o mercado ainda debatia se não seria mais interessante proteger os CDs para fugir da pirataria.



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segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Fiesta de Ritmos - Dança


FIESTA DE RITMOS - Dança



Nem só de salsa e tango vive a música latino-americana. Nesse caldeirão de etnias, línguas, culturas e instrumentos, o processo de fusão é constante e subgêneros surgem sem parar. Conheça alguns dos ritmos que animam festas de rua e salões de dança no continente.



Cuba - Son

Mistura o violão espanhol com batidas de percussão. O son teve seu auge na era pré-Fidel Castro e é base de vários outros ritmos como a rumba, o mambo, o cha-cha-cha e a salsa.



Porto Rico - Bomba

Acredita-se que tenha origem puramente africana. O ritmo é dado por congas e a dança representa um duelo entre percussionista e dançarino, em que o objetivo é ser o mais rápido.



Rep. Dominicana - Merengue

Surge em meados do século 19. A base desse ritmo acelerado vem dos tambores e da güira. A dança, fácil de aprender, faz muito sucesso entre turistas.



Salsa

Fusão da música cubana, porto-riquenha, dominicana, jazz e R&B, "salsa" é, sobretudo, um nome comercial para este tipo de música.



México - Mariachi

Surgiu no estado de Jalisco, por volta de 1850 e varia de região para região. É popular em casamentos e serenatas. Violinos, trompetes, violão espanhol, viola e baixo formam a banda.



América Central - Punta

É uma releitura moderna de um ritmo africano chamado bunda. Chocalhos, tambores e até cascos de tartaruga ganham o reforço de instrumentos modernos. As letras falam de política, sociedade e economia.



Martinica - Zouk

Combina ritmos das Pequenas Antilhas, pop dos EUA e França, percussão africana e sons nativos. O zouk ("festa" em creole) lembra a lambada e sua dança chega a ser até mais sensual.



Países Andinos - Huayño

Romance, tristeza e alegria são cantados neste ritmo andino-peruano, de elementos pré-hispânicos (incas). Flautas, cordas e tambores animam os bailes.



Colômbia - Cumbia

Origens indígenas, espanhola e africana. As variações são mais populares que o estilo tradicional. Instrumentos de sopro, corda, percussão e acordeão são os mais usados. Os temas das canções vão de amor a pobreza.



Brasil - Samba

Do batuque improvisado na caixa de fósforos à "bateria pesada" de uma escola de samba na avenida. Cordas e percussão de ascendência africana fazem o som do ritmo-símbolo do Brasil.



Argentina - Tango

Nasce vulgar, em 1880, faz sucesso em Paris e só então é aceito em Buenos Aires. O som sofisticado mistura flauta, piano, violino e violão. Drama e sensuailidade marcam as coreografias.



Paraguai - Guarânia

Criada em 1925 por José Asunción Flores, pode ser cantada em espanhol, guarani ou jopará (mescla das línguas nacionais). As letras falam de nostalgia a heroísmo. Destaque para instrumentos sinfônicos e harpa.



Uruguai - Candombe
Chegou com os escravos de origem banto (Angola e Congo). Canta os lamentos e a nostalgia de uma gente que foi arrancada da terra natal. O som vem dos tambores, tocados pelas ruas da cidade.


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segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Música sem fronteiras - Mídia


MÚSICA SEM FRONTEIRAS - MÍDIA



A música produziu líderes e revolucionários em cada época. Gente que, de alguma forma, modificou o estabelecido, criou novas tendências, transformou comportamentos. Nomes como Frank Sinatra, Elvis Presley, John Lennon, Johnny Rotten, Kurt Cobain, Shawn Fanning… Shawn, quem? Fanning. Acredite. Ele foi o último revolucionário da indústria musical.

No final dos anos 90, Fanning criou um programa perturbador chamado Napster, capaz de fazer arquivos musicais circularem livremente pela internet. Um usuário no Alabama podia pegar de um outro em Campinas o novo disco do U2. Virou febre. Os artistas ficaram confusos. A indústria pirou. Com um ano de funcionamento, o Napster já tinha 50 milhões de usuários cadastrados.

A alegria de Fanning - e dos fãs de música - acabou em 2001, quando a Justiça americana mandou fechar o Napster sob a alegação de violar direitos autorais. Mas a semente já estava plantada. Milhares de programas semelhantes (Soulseek, Kazaa, por exemplo) pipocaram em seguida e a troca de música pela internet virou uma realidade. A cada mês, de acordo com a Recording Industry Association of America (Riaa), são baixadas - de forma ilegal - 2,6 bilhões de músicas pela internet.

O que a indústria não esperava era que o mundo se tornaria digital e móvel. Com isso, o MP3, o mesmo arquivo capaz de fazer a música circular sem dono, pode virar a salvação nos próximos anos, quando a música estará disponível onde e quando bem entendermos. Livre. Tão livre que não poderá ser aprisionada em qualquer formato ou num CD. Na era digital, quem largou na frente foi a Apple. A empresa de Steve Jobs criou o iPod, um tocador portátil capaz de armazenar milhares de músicas e que pode ser conectado ao computador, ao aparelho de som, ao carro ou simplesmente a um fone no ouvido. Com o iPod, a Apple criou o iTunes, o primeiro grande programa legal para download de arquivos musicais. Você escolhe a canção, paga (menos de 1 dólar), baixa o arquivo e recebe a conta no cartão de crédito. Por enquanto, o iPod reina absoluto no mercado. Desde seu lançamento, em outubro de 2001, já vendeu mais de 4 milhões de aparelhos em todo o mundo. Já o iTunes, em seu primeiro ano de existência, vendeu 70 milhões de músicas.

O iPod - e todos os portáteis semelhantes - é o símbolo da geração wireless, do mundo digital sem fronteiras e totalmente móvel. Com a chegada de novos players no mercado, especialistas apontam que esses aparelhos estarão, no máximo em dois anos, bem em conta para quem quiser entrar no mundo da música digital. Atualmente, o preço é bem salgado. Um iPod Mini, capaz de armazenar o conteúdo de cerca de 60 CDs, é vendido no Brasil por quase 2 000 reais.

As facilidades da música digital abriram caminho para o surgimento de novos artistas, músicos capazes de criar suas composições em um computador caseiro, produzir e mixar as gravações com programas e distribuir por meio da internet. Tudo a um custo reduzido, sem precisar de estúdios ou gravadoras.



De cabelos em pé

Toda essa liberdade, no entanto, promete deixar os donos de gravadoras e de lojas "reais" de discos com os cabelos em pé. De 2003 para 2004, as vendas de CDs caíram 7,6%. Foi a terceira queda consecutiva, que a cada ano se mostra mais acentuada. Enquanto isso, o mercado de discos piratas cresceu 35%, estabelecendo a marca de um pirata para cada três CDs vendidos no mundo. A médio prazo, prevêem alguns especialistas, as cinco principais gravadoras (BMG, Sony, Warner, EMI e Universal) do planeta poderão ser engolidas pelo avanço da Apple e da Microsoft.

Nos Estados Unidos, as gravadoras apostam na plataforma Snocap como sua grande salvação nos próximos anos. Com ela, as empresas podem registrar músicas e informações de direitos autorais num banco de dados. Depois, gravadoras e artistas podem administrar a distribuição do conteúdo por meio do sistema digital. A Snocap oferecerá aos consumidores opções autorizadas semelhantes às encontradas nos serviços de troca de arquivos. Os consumidores, por sua vez, poderão ter um serviço de melhor qualidade, evitando o risco de vírus, arquivos nocivos ou publicidade indesejada. Junto com a Snocap vai trabalhar a MashBoxx, um novo serviço de troca de arquivos que deve ser lançado já em 2005.
Um detalhe curioso: sabe quem é o criador da Snocap? Um tal de Shawn Fanning. O algoz pode virar o salvador.


Tendências




- MOBILIDADE

Cada vez mais, a música digital estará disponível para você consumir quando e onde bem entender.



- TOCADORES

Com o lançamento de outros tocadores portáteis para concorrer com o iPod, esses aparelhos estarão disponíveis, no máximo em dois anos, a preços bem mais acessíveis do que hoje.



- COMPOSITORES

A tecnologia digital abre caminho para o surgimento de novos artistas independentes, que podem criar suas músicas em um computador caseiro, produzir e mixar as gravações com programas e distribuí-las pela internet.



- GRAVADORAS
Para sobreviverem, as grandes gravadoras deverão adotar novos sistemas de distribuição de conteúdo.


terça-feira, 26 de julho de 2011

Festival Verde-Amarelo ROCK BRASILEIRO

FESTIVAL VERDE-AMARELO





Segunda-feira - Anos 50

As raízes do rock brasileiro no primeiro dia do festival



Show de abertura

18h

Nora Ney grava "Rock Around the Clock", de Bill Halley & His Comets



Primeiro rock em português

19h

Cauby Peixoto compõe "Rock and Roll em Copacabana"



20h

Celly e Tony Campello cantam seus maiores sucessos: "Banho de Lua", "Boogie do Bebê" e "Estúpido Cupido"



Terça-feira - Anos 60

Para quem gosta de romance e barulho



18h

O grupo The Sputniks mostra os primórdios da Jovem Guarda



19h

Roberto e Erasmo Carlos cantam versões de sucessos internacionais



Os hits da década "É Proibido Fumar" "O Calhambeque"

20h

Roberto e Erasmo voltam ao palco. Desta vez, com sucessos próprios



Intervalo

No telão Record, imagens do programa Jovem Guarda com Wanderléa, Ronnie Von e Jerry Adriani



22h

Os Mutantes mostram o que pode sair da mistura entre psicodelia californiana e ritmos regionais



23h

Gilberto Gil, Caetano Veloso e o maestro Rogério Duprat pegam nas guitarras para mostrar o verdadeiro espírito da Tropicália



Quarta-feira - Anos 70

Hoje, alguns dos melhores grupos do festival



1 milhão de discos vendidos

18h

Ney Matogrosso lidera o grupo Secos & Molhados



19h

Made in Brazil e Tutti Frutti: guitarras pesadas e letras em português



20h

Rock progressivo com os grupos Módulo 1000, O Terço, Bixo da Seda e Barca do Sol



21h

Os Novos Baianos apresentam o disco Acabou Chorare, que funde samba com rock



22h

Invasão nordestina: Alceu Valença e Geraldo Azevedo, Zé Ramalho, Robertinho do Recife e Belchior



23h

O grupo mineiro 14 Bis e os sucessos do seu primeiro disco



00h

O show mais disputado da noite: Raul Seixas canta os sucessos "Metamorfose Ambulante" e "Maluco Beleza"



Quinta-feira - Anos 80

Palcos diferentes, com programação simultânea



Palco Rio de Janeiro - O rock de bermudas

16h

Gang 90 & As Absurdettes cantam "Perdidos na Selva", canção que, apesar da torcida, não ganhou o Festival MPB-81, da Globo



17h

Sem medo de ser pop: Kid Abelha & Os Abóboras Selvagens dividem o palco com Blitz



18h

Barão Vermelho emplaca grandes sucessos do vocalista Cazuza



19h

Os Paralamas do Sucesso fazem rock com guitarra, reggae e samba



20h

Leo Jaime fecha com "Solange" e "Só"



Palco São Paulo - O contra-ataque

17h

O punk de Cólera, Os Inocentes, AI-5, Ratos de Porão e Verminose



18h

Momento cabeça com Ira!, Voluntários da Pátria e Mercenárias



19h

Kid Vinil trai o punk cantando os hits "Tique Nervoso" e "Sou Boy"



20h

Ultraje a Rigor e Titãs. A gente somos inútil, mas gostamos de rock’n’roll



21h

Pode gritar à vontade! RPM faz sucesso com seu tecnopop



Palco Brasília - A capital também faz rock n’ roll

19h

Legião Urbana e os eternos hits: "Eduardo e Mônica", "Tempo Perdido", "Quase sem Querer" e "Índios"



21h

Capital Inicial emplaca "Música Urbana". Na sequência, Plebe Rude faz show relâmpago com canções como "Até Quando Esperar"



Palco Fora do Eixo - O que rola no resto do país

19h

Letras profundas na música dos gaúchos do Engenheiros do Hawaii. Palavrões à vontade com os baianos do Camisa de Vênus



Sexta-feira - Anos 90

Os ritmos se misturam na busca pelo rock brasileiro



Programação suspensa...

16h

Telão MTV mostra os primeiros clipes brasileiros



17h

Sepultura, a banda que faz mais sucesso lá fora do que aqui



18h

Oficina rock independente: Faça como as bandas Killing Chainsaw, Pin Ups, Greforréia e Xilarmônica: aprenda a gravar seu disco em casa



19h

Skank põe guitarra em ritmos jamaicanos. Raimundos mistura punk e forró



20h

Pato Fu toca seu pop esquisito em hits como "Made in Japan"



21h

Planet Hemp agrada o país com hip hop e discursos sobre drogas



22h

Guitarra pesadas, dub e reggae na música de O Rappa



23h

Charlie Brown Jr. e seu mix de rock e rap



O melhor da noite

00h

Um show como há tempos não se via: Chico Science & Nação Zumbi revelam o Mangue Beat



Sábado - Anos 00

Diversidade, imitações e um bocado de revivals



18h

As bandas que tocaram na quinta voltam em versões acústicas produzidas pela MTV



19h

Los Hermanos, a banda do momento, com disco mais próximo da MPB



20h

Paixões juvenis e protestos contra tudo nas letras do CPM 22 e Pitty



21h

Marcelo D2, o vocalista do Planet Hemp, segue com força total em carreira solo



22h
Para encerrar, Wado, Autoramas, Kassim, De Leve, MQN, Cansei de Ser Sexy e outras bandas mostram que há vida no rock independente

domingo, 10 de julho de 2011

YO ! HIP HOP

YO! HIP HOP



O hip hop não cabe em si. Das trilhas de novela ao top ten das rádios, das paradas de videoclipe às campainhas de celular, das principais premiações musicais a anúncios de marcas de cerveja ou de tênis, ele extrapola, dia após dia, a imagem desgastada de cultura de gueto e se torna figurinha fácil, onipresente, sutil ou abertamente.

Astros como Eminem cobram cachês na casa do milhão de dólares por um show. De acordo com a revista Rolling Stone, em 2003, ano em que não teve disco lançado, ele embolsou cerca de 20 milhões de dólares com turnês, discos anteriores, merchandising, entre outros meios - quantia que chega a quase um quarto dos 84,1 milhões de dólares faturados pelos Rolling Stones no mesmo ano.

Um dos mais vistosos fenômenos do rap feito por branquelos, Eminem enfileira controvérsias em sua carreira, com peripécias que incluem um processo aberto pela própria mãe contra ele e brigas públicas com gente como Michael Jackson. Velho truque da indústria pop, a pose de menino mau ajudou seu disco mais recente, Encore (lançado em 2004), a superar, em dois dias, o que Britney Spears havia vendido em uma semana, na Inglaterra. Placar: 122 459 cópias para o bad boy e 115 341 para Britney.

Eminem é um sintoma da escalada do rap no mundo do consumo, como ilustra a guerra dos tênis. Gigantes como Nike, Adidas e Reebok travam batalhas inclementes usando popstars do rap no pelotão de frente das campanhas publicitárias. Há dois anos, por exemplo, a Reebok ganhou fôlego com a contratação de Jay-Z. Pela primeira vez a campanha de uma coleção de tênis teve um rapper como protagonista. Conjugada a uma investida no mercado asiático, a ação ajudou a catapultar o faturamento da empresa para 3,5 bilhões de dólares em 2003, 11% a mais que em 2002. E consolidou o espaço dos rappers com uma parceria com o fenômeno 50 Cent - que contabiliza 12 milhões de cópias de seu primeiro disco - para a linha de footwear G-Unit Collection by Rbk.

Ninguém tem dialogado nesse universo como Jay-Z. No Natal de 2003, o rapper ganhou uma edição especial do modelo 3300 do celular Nokia. Batizado de Black Phone, o aparelho chegou às lojas com faixas de seu Black Album, além de papéis-de-parede para o visor do telefone com sua imagem e mensagens com sua assinatura.

A publicidade é a ponta reluzente desse iceberg chamado hip hop. A expansão dos diferentes elementos que compõem a cultura de rua pela moda e o comportamento grita aos olhos num momento em que o rap é, nos Estados Unidos, a bola da vez da indústria da música - uma das armas de marketing mais eficientes de todos os tempos. De acordo com estimativa da Riaa, a associação da indústria fonográfica americana, o rap perde apenas para o rock (que fatura 3 bilhões de dólares) e faz circular cerca de 1,5 bilhão de dólares por ano nos Estados Unidos - e isso apenas com a venda de discos.

A disseminação da cultura de rua vai muito além disso (veja os quadros ao longo da reportagem). O estilo largado das roupas, o jeito alargado de andar e gesticular, a cadência canto-falada das músicas, o tom reivindicativo das letras, o apelo social consciente, isso tudo transborda de um canto a outro, contamina aqui (na dança, nas artes visuais, no audiovisual) e influencia acolá (no trabalho das ONGs, no modelo pedagógico das escolas), até mesmo em círculos que sequer sabem o que diferencia hip hop de rap.

Conhecimento
E o que distingue um do outro, afinal? Bem, o rap (junção das iniciais de rhythm and poetry, ou música e poesia) é a faceta musical do hip hop. E só. Parece óbvio, mas muita gente que ouve rap diz por aí que adora dançar hip hop. E não tem como. O rap é apenas um dedo entre os cinco da mão que balança o berço do hip hop. É verdade que quando o berço foi construído falava-se em quatro dedos - ou, na linguagem do movimento, quatro elementos: DJ (responsável pelas bases da música) + MC (quem rima), o dedo musical, break, o dedo corporal, e grafite, o dedo visual.

Mas eis que, nos anos 80, o homem que deu sentido ao termo hip hop achou por bem ampliar o cardápio, enxertando um item novo que unifica todos os demais: o conhecimento. Esse homem é Afrika Bambaataa, um dos nomes fundamentais no nascimento e, principalmente, na conceituação do hip hop. Ele, porém, não passaria no teste de paternidade do termo. Criada por Lovebug Starski, a expressão hip hop (ao pé da letra, balançar os quadris) surgiu a reboque do jogo de palavras típico do rap. Era, à época, uma espécie de lema gritado ao microfone para inflamar a pista durante as festas.

Parece que foi ontem, mas o fenômeno acaba de completar 30 anos de idade, comemorados em Nova York, o grande pátio de escola em que os conceitos e a prática do movimento foram exercitados. O marco simbólico, 12 de novembro de 1974, é a data do primeiro aniversário de fundação da Universal Zulu Nation, a organização criada por Bambaataa para disseminar o receituário mundo afora. Desde que ele e seu colega Grandmaster Flash popularizaram o modelo de festa de rua que o jamaicano Kool Herc levou aos subúrbios nova-iorquinos em fins dos anos 60 e resolveram usá-lo para mediar os conflitos de gangues no bairro do Bronx (propondo que as disputas fossem resolvidas em combates de dança), nem as rixas nos guetos nem a música foram os mesmos. Com o passar do tempo, alguns artistas saídos de gangues enveredaram pelo chamado gangsta, o estilo barra-pesada que começava em tiroteio verbal e muitas vezes ia para as vias de fato. E pelo menos dois nomes importantes morreram em decorrência disso na década de 1990: Notorius B.I.G e Tupac Shakur.

O tom dominante no rap nacional, no entanto, é o avesso do gangsta ou de sua face mais comercial, o "rap luxúria" que se vê em boa parte dos clipes americanos. Em vez da ostentação (carrões, correntes de ouro, mulheres mil), o foco é o da reivindicação de direitos e da denúncia social. "É um discurso político da maior importância", diz o produtor André Midani, ex-diretor da gravadora Philips e nome fundamental da indústria musical no país.

Talvez o melhor termômetro do alastramento do hip hop pelo Brasil seja a televisão. Artistas como o rapper carioca MV Bill, crítico ferrenho do abismo social, ou a dupla Helião e Negra Li, militantes do rap paulista engajado, ganharam visibilidade em programas como o Faustão. "Um dos mais importantes artistas do rap nacional", como disse o apresentador, Bill ficou no ar durante 40 minutos. "Nunca vi uma jovem liderança tanto tempo ao vivo na tevê, num programa que fala para 70 milhões de pessoas", diz o antropólogo Hermano Vianna.

DJs e trancinhas
Marco Aurélio Paz Tella, doutorando em antropologia pela PUC-SP, defendeu em sua dissertação de mestrado que a fase em que o rap era consumido apenas pela periferia - para a qual serve de voz - é parte do passado. "De alguns anos para cá, os principais DJs de rap tocam nas casas noturnas de bairros nobres paulistanos como os Jardins, Vila Madalena e Vila Olímpia porque tem gente com dinheiro que consome rap", afirma Marco. A linguagem do hip hop transbordou para outros segmentos da música, do rock ao eletrônico. "O hip hop cria a cultura de DJs. A figura do DJ como entendemos hoje é oriunda do Kool Herc, do Grandmaster Flash, do Bambaataa, que desenvolveram a idéia de criar música a partir de dois toca-discos", diz Eugenio Lima, DJ da Soulfamily e diretor do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, com trabalho voltado para o que chama de teatro hip hop - um cruzamento da pesquisa teatral brechtiana com os elementos da cultura de rua.

O uso de trancinhas coladas ao couro cabeludo mostra que as influências do estilo hip hop vão dos pés à cabeça. Característica dos astros do rap e do basquete americano, elas disseminaram-se no Brasil para além do circuito de iniciados. O estilo já extrapolou os limites raciais. "Faço trança em japonês, loira, branco de cabelo liso, gente de qualquer tipo e de todas as raças", diz Fátima Aparecida de Abreu, cabeleireira do salão e loja de roupas 4P, dos rappers KLJ (DJ dos Racionais MCs) e Xis. Com 20 anos de atividade na área, Fátima contabiliza hoje oito homens entre cada dez clientes que fazem trança.

A 4P, também um selo musical, funciona na meca da black music paulistana, a Galeria 24 de Maio, conhecida como Galeria do Rock, mas cada vez mais chamada de Galeria do Rap. Síndico do prédio e comerciante no local há 30 anos, Antonio de Souza Neto, o Toninho da Galeria, afirma que foi ali que a cultura de rua tomou corpo em São Paulo. "O pessoal se encontrava aqui e ia para o largo São Bento", diz, em referência ao local onde as rodas de break ganharam popularidade, nos anos 80, depois do período embrionário na própria 24 de Maio. "O hip hop saiu daqui, foi pra periferia e tomou o asfalto", afirma. Toninho vê o movimento como "possibilidade de revolução cultural no país". Na sua leitura, o rock tornou-se "pequeno em relação ao hip hop".

Se o dedo musical amplia cada vez mais as suas influências, dança e artes visuais não ficam atrás. Fundador e coreógrafo da companhia mineira SeráQuê?, o dançarino Rui Moreira formou-se entre aulas de dança moderna e os bailes black de São Paulo e vê com interesse a absorção da dança de rua pela dança moderna e contemporânea. Segundo ele, o gestual da rua se incorporou à dança no fim dos anos 60 a partir de coreógrafos americanos como Alvin Ailey. E, na década seguinte, houve um reflexo no trabalho de criação do Grupo Corpo, assim como no do Ballet Stagium, que incorporaram o que na época era chamado de jazz de rua. "No cenário contemporâneo, os bailarinos buscam cada vez mais o diálogo gestual com os b-boys, como forma de ampliar as possibilidades de uso dos planos espaciais", diz Rui.

Sinônimo de dançarino de break, o b-boy dá mortais, gira e rodopia dentro de parâmetros do vocabulário da dança de rua. Assim é também com os outros dois estilos principais da dança hip hop: o locking (movimentos imitam um robô) e o popping (influenciado pelos passos do funk), um sistema de códigos corporais que se reproduz por todo o mundo. "Cada um se destaca no seu estilo, como no futebol" afirma Nelson Triunfo, mestre na dança de rua e pioneiro das jornadas empreendidas pelos b-boys nos calçadões do centro velho paulistano desde 1984.

Depois da grande visibilidade dos anos 80, oferecida pelos concursos em programas de auditório como o de Barros de Alencar ou por participações em humorísticos como Os Trapalhões, a dança de rua já não desperta o mesmo interesse na mídia, mas deixou como resíduo a incorporação, até hoje, de cursos de break em academias de dança voltadas para a classe média.

A vez do grafite
O vocabulário visual do hip hop também demarca seu espaço em outros territórios. Muito além das frases de protesto e das guerras de ego de adolescentes que carimbam com spray os muros, pontes e edifícios das cidades, a pichação e o grafite ganham respeito, deixam de ser vistos como "caso de polícia" e contaminam outras linguagens, como o design gráfico e a publicidade.

O esforço de compreensão do abecedário dos pichadores e das crônicas visuais dos grafiteiros rende estudos acadêmicos e projetos vinculados ao poder público, como é o caso do Guernica, focado em oficinas de arte, mantido pela Prefeitura de Belo Horizonte desde 1999. "A pichação é uma escrita aparentemente sem memória e conteúdo, mas temos de aprender a ler essa escrita porque os jovens estão querendo dizer alguma coisa", disse o prefeito Célio de Castro à época. Desde então, o estigma deu lugar a aulas, ministradas por alguns dos "fora-da-lei", e a prática dos murais públicos grafitados ganhou reconhecimento entre a população e as empresas - gerando parcerias que já resultaram em curtas-metragens ou em balões dirigíveis e totens estampados com a linguagem do grafite.

O hip hop atualizou, em versão urbana, uma prática secular. "O grafite existe há, no mínimo, 30 mil anos", afirma Pedro Portella, autor do ensaio "Memórias Escritas da Cidade Inscrita". De acordo com ele, os aborígenes australianos sopram pigmento para contornar suas mãos nas grutas até hoje, como ocorreu em Lascaux, na França, e em algumas grutas da Patagônia. "Eles dizem que muitas vezes fazem isso para expressar uma demanda, um impulso de criação, e não para assinar a parede da gruta, como pensavam muitos arqueólogos", diz Pedro.

O trânsito do grafite pelo circuito de museus e galerias tem pelo menos duas décadas. O interesse pela linguagem das diferentes formas de intervenção visual que se multiplicaram pelas cidades alcançou seu ápice nos anos 80, nos Estados Unidos. Bajulados por revistas como a respeitada Artforum, artistas surgidos nas ruas e estações de metrô, como Jean-Michel Basquiat e Keith Haring, ganharam notoriedade e foram rapidamente integrados ao circuito de marchands e galeristas. Não demorou para que a indústria cultural tomasse os signos e ferramentas da arte de rua para si. Para o designer gráfico Rico Lins, que já fez trabalhos para a Time e a Newsweek, o uso dessa linguagem é bastante perceptível, "especialmente quando (o produto) é direcionado ao público jovem, na propaganda, em capas de livro, CDs, camisetas etc.". Rico vê forte ascendência da cultura urbana em geral - e do hip hop em particular - sobre seu estilo. "As pichações e grafites estão presentes em trabalhos que eu faço."

Essa intersecção entre áreas levou a uma mutação no jeito de se fazer grafite. Se de um lado a origem "artesanal" e única da inscrição no muro proliferou e perpetuou-se, de outro as possibilidades técnicas de manipulação e circulação da imagem abriram novas frentes.
Conhecida como stencil art, a técnica de criar uma "fôrma" sobre a qual o spray era aplicado, muito usada na década de 1980, desembocou nos stickers, adesivos desenvolvidos muitas vezes em computador, com imagens e/ou mensagens, encontráveis em postes, latas de lixo e telefones públicos de centros urbanos. A idéia? Disseminar o dedo visual do hip hop. Mas, também, estampar, com um grafismo peculiar e para todo mundo ver, que o hip hop ultrapassou qualquer gueto. Como se diz na quebrada: tá tudo dominado.


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quinta-feira, 30 de junho de 2011

Beatles forever - Recorde de vendas - CULTURA

BEATLES FOREVER - Recorde de Vendas - CULTURA



Eles venderam mais discos e fitas do que qualquer outra banda na história: 1 bilhão, num planeta que tem hoje pouco mais de 6 bilhões de habitantes. Foram descobertos há mais de 40 anos e continuam nas paradas de sucesso. Dizem até que são mais famosos que Jesus Cristo. São eles: os Beatles, o quarteto de Liverpool que conquistou o mundo inteiro com seu Yeah, Yeah, Yeah.

John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr fazem sucesso mesmo entre os netos da primeira geração de fãs. A maioria dos compradores do disco 1 - coletânea de 27 canções que atingiram o primeiro lugar nas paradas de sucesso na Inglaterra e nos Estados Unidos - tinha menos de 20 anos. O CD entrou no Guinness como o disco que mais rápido sumiu das lojas. Lançado em 13 de novembro de 2000, vendeu no primeiro mês 13,5 milhões de cópias em todo o mundo - 3,6 milhões só no primeiro dia. Alcançou o primeiro lugar em 35 países, ganhando pelo menos 100 discos de platina no mundo.
E os recordes da beatlemania não param por aí. Os Beatles são a banda que tem o maior número de álbuns no topo da parada de sucesso dos Estados Unidos: 19, mais que o dobro do americano Elvis Presley e dos ingleses Rolling Stones, que tiveram nove álbuns cada em primeiro lugar. No Reino Unido, até hoje nenhum álbum vendeu mais do que o Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band: 4,5 milhões desde seu lançamento, em junho de 1967.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Eminem supera Lady Gaga como artista preferido no Facebook

25/02/2011 13h36 - Atualizado em 25/02/2011 13h41

Eminem supera Lady Gaga como artista preferido no Facebook
No momento, há 28.980.568 pessoas que 'curtiram' ele na rede social.
Rapper deve superar Michael Jackson, que conta com 29 milhões de 'curtiu'.

É oficial: Eminem é o artista vivo de quem mais pessoas no Facebook dizem "curtir". O rapper de Detroit superou Lady Gaga esta semana nesse quesito. No momento, há 28.980.568 pessoas que afirmam "curtir" ele na rede social, contra 28.929.906 que dizem curtir Lady Gaga.

Eminem, 38 anos, vem recebendo ultimamente, em média, meio milhão de adeptos por dia, segundo a Famecount. Se continuar nesse ritmo, em breve ele deve ultrapassar Michael Jackson como o artista "preferido" no Facebook, já que o Rei do Pop conta atualmente com 29,1 milhões de indicações.


Eminem é o artista vivo que os usuários do Facebook mais 'curtiram' (Foto: Reprodução)Mas, no quadro mais amplo de influência nas redes sociais, Lady Gaga está muito à frente de Eminem em matéria de seguidores no Twitter, com 5 milhões a mais que o rapper.

Esta semana Eminem alcançou a marca de 1 bilhão de vezes em que suas músicas foram tocadas no YouTube, tornando-se, com isso, o terceiro artista a conseguir esse feito. Ele perde para Lady Gaga e Justin Bieber, estando atrás dos dois por uma diferença de 190 milhões e 340 milhões de vezes, respectivamente, em que suas músicas foram tocadas.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

'The fame monster', de Lady Gaga, é o disco mais vendido de 2010

28/12/2010 16h54 - Atualizado em 28/12/2010 16h58

'The fame monster', de Lady Gaga, é o disco mais vendido de 2010
Ela vendeu 6 milhões de CDs em todo o mundo, 300 mil a mais que Eminem.
Cantora vai anunciar lançamento de novo disco no primeiro minuto de 2011.


A cantora Lady Gaga (Foto: AP)"The fame monster", segundo trabalho de Lady Gaga, se tornou o álbum mais vendido de 2010, segundo nota publicada nesta terça-feira (28) pelo site do semanário britânico "NME".

O álbum é uma versão estendida do seu primeiro CD "The fame" (2008). Ao todo, foram comercializados seis milhões de discos em todo o mundo neste ano.

A cantora americana terminou 2010 seguida pelo rapper Eminem. Ele conseguiu vender 5,7 milhões de cópias de "Recovery".

Gaga planeja fazer um anúncio especial sobre o seu próximo álbum, "Born this way". Segundo ela, será o melhor disco da década. A popstar disse em entrevistas recentes que falará mais sobre o novo trabalho a partir do primeiro minuto de 2011.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Um, dois, três, quatro ! - Rock

UM, DOIS, TRÊS, QUATRO! - Rock



Foram cinco décadas bem vividas. O rock’n’roll, quem diria, está fazendo 50 anos regados a sexo, a drogas e a ele próprio. Não pensem que foi uma vida fácil: entre tapas e beijos, o rock viveu um romance conturbado com a sociedade. Numa hora, era o queridinho de todos, para logo depois ser chutado e escorraçado como um cão sem dono.

Nesse meio século, o rock’n’roll foi celebrado por multidões, massacrado pela Igreja, explorado por publicitários, dissecado por historiadores, cooptado pela moda, malhado por puristas, dignificado pelos Beatles e maltratado por Bon Jovi e Simply Red. Passou por bons e maus bocados, e chegou a ser dado por morto algumas vezes. Mas, como fênix, sempre deu um jeito de reaparecer, resgatado das trevas por algum adolescente talentoso e entediado. É uma história e tanto.

Segundo historiadores, o marco zero do rock teria acontecido em julho de 1954, quando um caminhoneiro chamado Elvis Presley entrou no Sun Studios, em Memphis, e gravou "That’s Allright Mamma".

Vamos deixar uma coisa bem clara: Elvis não inventou o rock. Antes dele, gente como Chuck Berry e Bill Halley já tocavam rock. Desde o fim dos anos 40, "rock’n’roll" era usado em letras de música como sinônimo de "dançar" ou "fazer amor". Em 1952, o radialista Alan Freed - que depois viria a reivindicar a criação do termo - batizou seu programa de Moondog’s Rock and Roll Party.

Se não criou o rock’n’roll, Elvis ao menos pode ser considerado o mensageiro que apresentou o rock ao mundo. Era o homem certo no momento certo: bonito, talentoso e carismático. Mais importante: era branco e, por isso, aceitável para a América dos anos 50. "Eu agradeço a Deus por Elvis Presley", disse o negro Little Richard, um dos grandes pioneiros do rock. "Ele abriu as portas para muitos de nós."

A tarefa de Elvis não foi fácil: a sociedade norte-americana demorou bastante para aceitar aquele branco que cantava e dançava como um negro. Em uma de suas primeiras apresentações na TV, as câmeras o filmaram apenas da cintura para cima, sem mostrar aquele quadril que teimava em rebolar. Elvis, ao contrário de vários outros ídolos da época (como Pat Boone, por exemplo), nunca renegou a origem de sua música. "O que eu faço não é novidade", disse. "Os negros vêm cantando e dançando dessa forma há muito tempo."

Se a vida nos anos 50 não era moleza para um roqueiro branco como ele, o que dizer de artistas negros como Little Richard, Chuck Berry, Bo Diddley e Fats Domino? Num país de escolas segregadas, que ainda via negros serem linchados, o simples fato de um artista negro viajar para mostrar sua música assumia proporções épicas de heroísmo e bravura.

Uma história emblemática do período é a de Shelley "The Playboy" Stewart, um radialista negro que apresentava um programa de rock na estação WEDR, no Alabama. O programa de Stewart atraía um público predominantemente branco, que aprendera a gostar dos artistas "de cor" que o DJ tocava.

No dia 14 de julho de 1960, Stewart estava apresentando um show na cidade de Bessemer, quando recebeu um aviso do dono do clube: a Ku Klux Klan, temida organização racista, havia mandado 80 homens para atacá-lo. Os encapuzados cercavam o clube e ameaçavam invadir o local. Sem perder a calma, Stewart avisou à platéia - formada por 800 brancos - que teria de parar o show. Foi aí que o inesperado aconteceu. "Os jovens que estavam no clube se rebelaram", disse Stewart, anos depois. "Eles saíram correndo do local e atacaram a Klan, lutando por mim." A simbologia do fato é forte demais: brancos lutando contra brancos, pelo direito de ouvir música negra.

Sim, o rock’n’roll é música negra. Como o blues, o samba e o hip hop, o rock nasceu da escravidão e tem suas origens na migração forçada de milhões de africanos, que foram tirados de suas aldeias e jogados em terras estranhas. Todos esses gêneros musicais têm duas características comuns, herdadas da África: a primeira é a predominância de uma base rítmica constante e repetitiva; a segunda é a utilização da música de uma forma emocional e espiritual. Nas colheitas de algodão dos Estados Unidos, os escravos cantavam para celebrar sua espiritualidade e seus ancestrais. Também cantavam sobre as mazelas da escravidão, estabelecendo assim uma relação direta entre sua música e a realidade social. O rock herdou essa capacidade de radiografar o presente.

Na época, a sociedade americana começava a abandonar preconceitos seculares. De uma certa forma, a explosão do rock simbolizou uma América nova, mais liberal, próspera e livre das dificuldades econômicas do pós-guerra. Adolescentes brancos começaram a curtir uma música antes relegada a salões de baile nos bairros negros e pobres.

Em 1956, "Blue Suede Shoes", de Carl Perkins, tornou-se a primeira música a chegar ao topo das paradas de pop, rhythm’n’blues e country. O fato representou um marco não só para a música, mas para toda a sociedade americana. Pela primeira vez, brancos e negros estavam gostando da mesma coisa. Em 1959, outra canção, "The Twist", de Chubby Checker, também uniu o país. O ativista e autor Eldridge Cleaver, fundador do grupo radical Panteras Negras, escreveu: "A canção conseguiu, de uma forma que a política, a religião e a lei nunca haviam sido capazes, escrever na alma e no coração o que a Suprema Corte só havia conseguido escrever em livros".

O rock’n’roll não mudou a sociedade, mas serviu como espelho de mudanças e tendências. Claro que ninguém deixou de ser racista ao ouvir Elvis Presley cantando música "de negros", mas o simples fato de Elvis aparecer em cadeia nacional, rebolando os quadris e celebrando uma cultura marginal, mostrava que o país estava mudando.

Paralelamente ao surgimento do rock, a sociedade norte-americana via o aparecimento de outro fenômeno, que se tornaria vital para a explosão do rock’n’roll: o adolescente.

Até meados do século 20, adolescentes tiveram uma vida dura nos Estados Unidos. O país havia passado por duas guerras mundiais e pela Grande Depressão; ser jovem por lá significava trabalhar duro e ajudar os pais a sustentar a casa.

Para a sociedade de consumo, o adolescente não existia. Não havia música ou filmes feitos especialmente para eles. Pais e filhos eram obrigados a gostar das mesmas coisas: as big bands de Tommy Dorsey e Benny Goodman, as baladas de Nat King Cole e Frank Sinatra, a cafonice de Pat Boone e Perry Como.

Depois da Segunda Guerra, tudo mudou: os Estados Unidos entraram numa fase de prosperidade, a economia cresceu e os adolescentes, que antes davam duro ajudando os pais, passaram a receber mesada. Isso criou um novo mercado, voltado unicamente para o jovem.

Hollywood logo entrou na onda, lançando filmes direcionados aos adolescentes. Dois deles, O Selvagem (1954) e Rebelde sem Causa (1955), revelaram Marlon Brando e James Dean interpretando jovens em conflito com a geração de seus pais. A rebeldia estava na moda. Daí surgiu Elvis Presley, dando voz a uma geração cansada da caretice dos pais.

A sociedade de consumo não demorou para perceber o potencial do filão jovem. Foi só aí que o rock explodiu na América. E tome filmes, revistas, livros, badulaques, calendários e todo tipo de bugiganga direcionada aos novos consumidores. Elvis, o rebelde, tornou-se uma figura tão familiar aos lares americanos quanto o presidente Eisenhower.

As gravadoras, que nunca gostaram de arriscar, trataram de diluir o rock em fórmulas açucaradas, bem ao gosto do público branco médio. O canastrão Pat Boone, por exemplo, gravou Tutti Frutti, mudando a letra (escrita por Little Richard, negro, homossexual e orgulhoso), para não chocar as boas moças da América. Foi um estouro. Era a tal coisa: "rock sim, mas limpinho, por favor".

Apesar do sucesso, muita gente previa um fim rápido para o rock. O gênero era visto como uma moda passageira, a exemplo do calipso ou de tantas outras que tiveram seus 15 minutos de fama na América.

Para piorar, os roqueiros passavam por maus bocados no fim dos anos 50: Elvis Presley foi para o Exército, Chuck Berry ficou preso dois anos por ter atravessado uma fronteira estadual com uma prostituta menor de idade, Little Richard abandonou o rock e virou pastor depois de "ouvir o chamado de Deus" durante um vôo turbulento, Jerry Lee Lewis arruinou a carreira ao casar com uma prima de 13 anos, Buddy Holly morreu em um acidente de avião, que matou também Ritchie Valens (La Bamba) e Big Bopper (Chantilly Lace), e Eddie Cochran morreu em um acidente de carro. Quando o futuro do rock’n’roll parecia negro, surgiram os Beatles.

A influência dos Beatles é incalculável. Musicalmente, eles elevaram o rock a um nível até hoje inigualado, estabelecendo parâmetros e modelos para toda a música pop. Suas experimentações abriram novas possibilidades sonoras e ampliaram os horizontes musicais das gerações posteriores. Culturalmente, eles foram igualmente importantes: carismáticos, irreverentes e cheios de sex-appeal, eles surgiram no mundo como um sopro renovador, obliterando a caretice da década de 50 e inaugurando uma era mais livre e esperançosa - os anos 60.

O surgimento do rock e de seus primeiros ídolos - Elvis, Beatles, Rolling Stones - mudou a relação entre a música e o público. Até o rock aparecer, o "músico" - fosse produtor, instrumentista ou compositor - era visto como um profissional muito qualificado. Compositores de "música popular" eram sofisticados como Cole Porter e Irving Berlin; cantores eram Frank Sinatra e Bing Crosby.

O rock democratizou a música pop. Subitamente, qualquer um podia subir em um palco e cantar. Elvis, um caipira ignorante, passou a freqüentar as paradas de sucesso ao lado de Sinatra e Nat King Cole (dá até para entender por que Sinatra, acostumado a trabalhar com músicos experientes, não aceitou o novo estilo: "rock’n’roll é a coisa mais brutal, feia e degenerada que eu já tive o desprazer de ouvir", disse o "olhos azuis").

Essa "democracia" do rock teve um efeito imediato: os artistas ficaram cada vez mais parecidos com seu público, tanto em idade quanto em classe social. Os jovens passaram a se identificar mais com seus ídolos, estabelecendo uma relação mais próxima com a música. O rock também passou a buscar na sociedade - especialmente nos jovens - os temas de suas canções. Essa troca fez do rock a música mais popular e culturalmente impactante do século 20.

Para muitos, esse estreitamento entre artista e público também causa um declínio gradual na qualidade da música. A cada ano, um número maior de pessoas sem treinamento musical tem acesso a tecnologias de composição e gravação. Hoje, aparelhos como samplers e placas de som permitem a qualquer um gravar um disco em casa. E popularização raramente é sinônimo de qualidade.

O fato é que nenhuma outra música esteve tão sintonizada com a realidade de seu tempo quanto o rock. Desde os anos 50, ele passou a ser um espelho da sociedade, refletindo a moda, o comportamento e as atitudes dos jovens. Isso fez do rock uma música com prazo de validade, ou seja, tão ligada no "hoje" que corre o risco de sair de moda rapidamente, junto com os temas abordados (para confirmar, basta assistir a qualquer videoclipe de dez anos atrás).

Isso cria situações interessantes: o que é "bacana" e "moderno" para uma geração torna-se ultrapassado para a próxima. Sendo um gênero que se alimenta sempre do novo, o rock’n’roll gera conflito entre seus fãs. Um movimento surge como resposta ao anterior e assim por diante, numa renovação incansável.

Esses conflitos, mais que interessantes, são necessários: sem eles, estaríamos condenados à eterna repetição. Foi a partir desses "rachas" que nasceram alguns dos movimentos mais influentes do rock, como o punk, basicamente uma reação ao comercialismo e à pompa do rock dos anos 70, que havia perdido a identificação com as gerações mais novas. Ao contrário do que ocorria antes do rock’n’roll, agora ficou fora de moda curtir a mesma música que os pais. Mas isso é cíclico, claro: com o passar dos anos, a indústria descobriu o potencial do saudosismo. Hoje, temos canais de televisão que vivem de reembalar artistas velhos como se fossem a última novidade. E veteranos - como o Aerosmith, por exemplo - que, graças a seus clipes na MTV, reinventam-se para um público que nem era nascido quando eles faziam sua melhor música.

Os Beatles são um bom exemplo da capacidade do rock de se adaptar a cada época. Para entender as mudanças ocorridas nos anos 60, basta olhar as fotos do grupo durante o período. Nos primeiros anos, vestidos com terninhos idênticos e cabelos bem penteados, os quatro eram a imagem perfeita do otimismo da era Kennedy. Depois, como todos, abandonaram a inocência: os cabelos cresceram e os sorrisos deram lugar ao cinismo, enquanto Kennedy era morto e a guerra começava no Vietnã. No fim da década, quando jovens faziam passeatas na Europa, Martin Luther King era assassinado e o conflito do Vietnã piorava, os Beatles buscaram consolo espiritual na Índia, renegando o comercialismo ocidental. A banda acabou melancolicamente, junto com uma década que começara cheia de promessas e que terminava em guerra e decepção.

Não foram os únicos roqueiros que se tornaram símbolos de uma era: Bob Dylan, Jimi Hendrix e Jim Morrison também viraram ícones dos anos 60, tanto quanto o símbolo da paz ou o rosto de Che Guevara. Sid Vicious é, até hoje, a imagem mais reconhecível da rebeldia punk. E basta um passeio por qualquer grande cidade para ver, a qualquer hora, jovens usando camisetas com o semblante triste de Kurt Cobain.

Esses rostos passaram a representar mais que a simples paixão por uma banda ou artista: tornaram-se símbolos de um estado de espírito e de um jeito de ser. A iconografia, claro, reduz tudo a seu nível mais rasteiro - e um artista como Kurt Cobain, autor de dezenas de músicas, acabou reduzido a garoto-propaganda do suicídio e da alienação adolescente. John Lennon foi assassinado e virou "marca", transformado, como Gandhi, em símbolo de paz e amor. Logo ele, que nunca escondeu ter sido um pai ausente e que tratou Paul McCartney como um cachorro sarnento depois do fim dos Beatles. O rock simplifica tudo.
Talvez seja essa a razão de seu sucesso. Como bem disse Gene Simmons, do Kiss: "Eu não sou Shakespeare. Mas ganhei muita grana e transei com mais de 4 mil mulheres. Tenho certeza de que Shakespeare trocaria de lugar comigo a qualquer hora". Quem duvida?

sábado, 27 de novembro de 2010

Para que serve a música ? - Musicoterapia

PARA QUE SERVE A MÚSICA? MUSICOTERAPIA



Antes de ler este relato, tente lembrar quantas vezes na última semana você ouviu música. Não só as baladas do rádio, mas também as pílulas de sonolência na sala de espera do dentista. Ou o canto de alguém a seu lado no ônibus. É muito provável que você não tenha passado um único de seus últimos dias sem escutar alguns acordes. Às vezes nem nos damos conta, mas a música nos cerca por todos os lados. Há música para dançar, namorar, estudar. Música para enfrentar o trânsito, trabalhar, fazer ginástica e para relaxar no final do dia. Música para rezar, curar e memorizar. Para comunicar as emoções que não conseguimos transmitir só por meio de palavras. E música simplesmente para ouvir e curtir. Dos aborígines australianos aos esquimós no Alasca, todas as sociedades do mundo a têm em sua cultura - até porque, você pode não saber, mas a música está conosco desde quando ainda nem éramos seres humanos propriamente ditos.

Com base no achado de flautas de ossos feitas há 53 mil anos pelos neandertais, pesquisadores estimam que a atividade musical deve ter pelo menos 200 mil anos - contra 100 mil anos de vida do Homo sapiens. É bacana imaginar que talvez esses hominídeos já buscassem formas de diversão. Mas, pensando bem, que sentido pode fazer a música em um período no qual nossos ancestrais estavam muito mais preocupados em não ser devorados por um leão do que com o próprio prazer? E mesmo na sociedade contemporânea, se nos cercamos de música com tanto afinco, é de supor que, assim como a fala, ela sirva para alguma coisa, tenha alguma função específica para a humanidade. Mas qual?

A pergunta atormenta filósofos e cientistas há séculos e, infelizmente, ainda não tem resposta conclusiva. Já se imaginou, por exemplo, que a música é responsável por reger a harmonia entre os homens e os astros que mantém a ordem do Universo - uma idéia formulada por Pitágoras no século 5 a.C. Hoje, boa parte da pesquisa científica por explicações tem uma perspectiva evolutiva e biológica. Muitos ainda a vêem apenas como produto cultural voltado ao prazer, sem nenhuma importância para o desenvolvimento humano. "Uma primorosa iguaria que estimula as nossas outras faculdades mentais", defende o psicólogo Steven Pinker em seu livro Como a Mente Funciona. Apesar de meramente especulativas, teorias evolutivas são as que parecem estar mais próximas de nos responder as perguntas acima. Então, vamos a elas.

INICIAÇÃO MUSICAL
A primeira hipótese sobre a função da música foi levantada por Charles Darwin. O biólogo que popularizou o conceito de evolução das espécies dizia que a música é determinante para a escolha de parceiros sexuais, uma vez que as fêmeas seriam atraídas pelos melhores cantores. "O homem que canta bem, é afinado, expõe melhor seus sentimentos. Parece mais sensível, mais inteligente. E isso agrada as mulheres", afirma o jornalista e músico brasileiro Paulo Estêvão Andrade, que está escrevendo um livro sobre pesquisas que relacionam música e cérebro. Isso soa bastante familiar: qual mulher nunca teve uma quedinha pelos músicos - dos modernosos DJs aos eternos tocadores de violão em rodas de amigos? "A música sempre está ligada ao comportamento sexual, desde os rituais de acasalamento, até as conquistas dos jovens de hoje em danceterias ou shows", afirma o neurocientista americano Mark Tramo, que coordena o Instituto para Ciências da Música e do Cérebro, da Universidade Harvard.

Muitos cientistas não se convencem de que essa teoria explica, sozinha, toda a importância da música para diferentes sociedades do planeta. Uma das hipóteses mais aceitas hoje é a de que a música teve função primordial na formação e sobrevivência dos grupos e na amenização de conflitos. Se ela existe e persiste, é porque provoca respostas que agem como um forte fator de coesão social. "Precisávamos caçar e nos defender juntos e para isso tivemos de nos organizar. A música abriu o caminho para nos comunicarmos e dividir nossas emoções", explica Mark.

Mas como era essa música feita por nossos antepassados? Provavelmente ela surgiu como uma manifestação das emoções. Uma sofisticação, por exemplo, do choro e da risada. Principalmente, como uma forma de chamar a atenção do grupo e motivá-lo para a realização de uma atividade que precisava ser feita em conjunto. É possível imaginar que um indivíduo batesse palmas, ou pedras ou gravetos, mas o mais plausível é que o primeiro instrumento musical tenha sido mesmo a voz humana. O cientista cognitivo William Benzon, autor do livro Beethoven’s Anvil ("A Bigorna de Beethoven", sem tradução para o português) especula que tudo começou muito tempo antes, com a imitação dos sons de outros animais.

Benzon sugere que o Homo erectus, ao se espalhar pelo planeta a partir do leste da África, há 2 milhões de anos, teve de procurar novas formas de se proteger enquanto atravessava as estepes, já que não contava mais com o abrigo das árvores das florestas. Entre muitas outras artimanhas, esses hominídeos teriam começado a emitir chamados ameaçadores. "Se rosnar e rugir como um leão, você não só vai dispersar as presas naturais dele como também outras espécies que estejam por perto", afirma. Essa imitação teria proporcionado o início do controle do aparelho vocal, primeiro passo para a origem da música e da linguagem. A reprodução dos sons dos animais e da natureza, como o vento ou os trovões, deve ter evoluído até que as necessidades passaram a ser outras, e a imitação deu espaço para a criação. Daí a perceber como o som do "uh-uh-uh" servia para instigar a guerra, por exemplo, não deve ter demorado. Tudo isso sem que fosse necessário dizer uma palavra.

Chegamos então a um ponto delicado: a música surgiu antes ou depois da linguagem falada? Essa é outra pergunta que divide cientistas. As duas aptidões são universais, mas a linguagem obviamente parece muito mais útil que a música, o que leva a crer que ela tenha se desenvolvido primeiro, "com a música ramificando-se da linguagem apenas após ter sido feita boa parte do trabalho evolucionário pesado", como escreveu o pianista Robert Jourdain em seu livro Música, Cérebro e Êxtase.

Acreditar que primeiro desenvolvemos a fala e depois apuramos a técnica musical pode parecer um caminho lógico. Mas a verdade é que não é exatamente assim que funciona nosso ciclo de aprendizado. Antes de os bebês saberem falar, eles já balbuciam de uma forma muito musical. "É comum vê-los inventando musiquinhas mesmo desconhecendo a reprodução dos sons convencionais", diz a psicóloga Sandra Trehub, da Universidade de Toronto, que pesquisou a percepção musical em crianças. Isso pode ser um indicativo de como nossos ancestrais se manifestavam antes de desenvolver a linguagem. "Talvez as cordas vocais e bocas deles ainda não estivessem prontas para falar, mas eles tinham ritmo e podiam grunhir e fazer sons. Isso poderia ser tomado como música, ou ao menos como sua raiz", afirma Mark Tramo.

CANTAR PARA QUÊ?
Mas se o uso da música como ferramenta de comunicação foi ultrapassado pela linguagem, por que ela continuou existindo? Para essa pergunta nem precisamos da ajuda dos cientistas. Todo mundo que já se apaixonou e dedicou uma música ao ser amado pode responder sem medo. É porque ela assumiu um papel que a fala sozinha não deu conta: transmitir emoções. E essa característica nós podemos notar independentemente das preferências pessoais de cada um. Para provar isso o psicólogo John Sloboda, da Universidade de Keele, na Inglaterra, uma das maiores autoridades em emoção musical do mundo, fez um teste interessante. Ele colocou 83 voltuntários para ouvir uma série de peças musicais e depois pediu que eles descrevessem qual sensação tiveram. Cerca de 90% reportaram "frio na espinha" e "nó na garganta". Alguns chegaram a chorar. Ao checar quais trechos haviam provocado essas reações, Sloboda constatou que eram basicamente os mesmos.

Alguns acordes parecerem tristes e outros felizes pode ter também uma explicação evolutiva. Essa interpretação é relacionada com a forma como o nosso cérebro processa sons amistosos e ameaçadores desde a época em que éramos presas fáceis. "Pense num cão. Quando ele quer demostrar carinho faz um som mais agudo, mais tonal. Quando está agressivo é mais grave e ruidoso", diz Paulo Estêvão Andrade. Assim, dependendo da combinação de tons, a música é capaz de provocar uma sensação que vai do prazeroso ao desagradável. Quanto mais dissonantes forem os intervalos das notas musicais, maior será a sensação de tensão ou medo. Isso é fácil de ser identificado se ouvirmos as trilhas sonoras de filmes de terror ou suspense, como a clássica de Psicose, de Alfred Hitchcock.

Essa função musical de comunicar sentimentos faz sentido não só hoje, mas em sua própria origem. Se os animais também modificam a expressão vocal para demonstrar um sinal de pacto, como o ganido de submissão de um cachorro, "parece inevitável que as expressões formais de emoção sejam aos poucos fundidas em algo semelhante à melodia", escreve Jourdain. "É exercitando ou aplacando emoções que estabelecemos relação com outros seres humanos." E a música corporifica isso.

Para quem começou a reportagem falando que não havia utilidade aparente para a música, até que já alcançamos uma boa marca. Mas alguns pesquisadores ainda vão além. Para Ian Cross, diretor do Centro para Música e Ciência da Universidade de Cambridge, a música também é capaz de ativar capacidades como a memória e talvez até mesmo a inteligência. O efeito sobre a memória é facilmente detectado no dia-a-dia. Pegue, por exemplo, a época de eleições. Quem acompanhou a campanha para a Presidência em 1989 deve se lembrar até hoje de muitas das musiquinhas dos candidatos, como os clássicos "Lula-lá" e "Ey, ey, Eymael". Para fixar alguma informação, nada melhor do que musicá-la - veja as técnicas de alunos de cursinho para decorar fórmulas. Essa faceta da música parece ter sido útil para a transmissão da cultura na pré-história, quando ainda não dominávamos a escrita.

Já o impacto sobre a inteligência é mais difícil de constatar. A tentativa mais famosa ficou conhecida como "efeito Mozart". Quando foi proposta, em 1993, levou a um surto de compras de discos do compositor, mas até hoje é polêmica. Na ocasião o neurocientista Fran Rauscher, da Universidade de Wisconsin, e o neurologista Gordon Shaw, da Universidade da Califórnia, mostraram que crianças apresentavam desempenho matemático melhor após ouvir sonatas do compositor austríaco. O efeito da simples audição, no entanto, nunca foi comprovado. O que parece fazer mais sentido é quanto a possíveis benefícios relacionados ao aprendizado de música, que induz ao prolongamento dos neurônios e aumento das conexões entre eles. Os cérebros dos músicos, inclusive, acabam apresentando uma massa maior de neurônios, o que sugere maior inteligência.

CURA PELO SOM
De todas as funções abordadas até agora, nenhuma é tão misteriosa quanto o possível uso medicinal da música, principalmente para pacientes com mal de Parkinson ou Alzheimer e vítimas de derrame que só melhoram escutando música. Histórias complexas são relatadas pelo neurologista Oliver Sacks em livros como Tempo de Despertar, que foi adaptado para o cinema. É exemplar o caso da paciente Frances D., que sofria de Parkinson e durante as crises ficava paralisada, rangendo os dentes e sofrendo muito.

Sacks descobriu que a única coisa que acalmava os sintomas era a música. Quando Frances ouvia o som, desapareciam completamente todos os fenômenos "obstrutivo-explosivos" e ela ficava feliz. "A senhora D., repentinamente livre de seus automatismos, ‘regia’ sorridente a música ou se levantava e dançava ao seu som", escreveu Sacks. O médico percebeu o mesmo efeito em vários outros pacientes. Em alguns casos, só de pensar em música eles ficavam melhores.
Mas, infelizmente, o remédio é temporário, proporcionando uma espécie de equilíbrio momentâneo para o cérebro doente. "A música vence os sintomas ao transportar o cérebro para um nível de integração acima do normal. Ela estabelece fluxo no cérebro, enquanto, ao mesmo tempo, estimula e coordena as atividades cerebrais, colocando suas antecipações na marcha correta", diz Robert Jourdain. Para o pianista - que busca responder em seu livro por que gostamos tanto de música -, a mágica que ocorre com os pacientes é a mesma que ocorre com todos nós. "A música nos tira de hábitos mentais congelados e faz a mente se movimentar como habitualmente não é capaz. Quando somos envolvidos por música bem escrita, temos entendimentos que superam os da nossa existência. E quando o som pára, voltamos para nossas cadeiras de rodas mentais."