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quinta-feira, 15 de março de 2018

O FETO APRENDE - PSICOLOGIA


O FETO APRENDE - PSICOLOGIA


Imagine como seria passar nove meses trancado em uma sala escura e morna, dormindo 16 horas por dia. O lugar, apertadinho, sem ser desconfortável, é envolvido por uma marcação de tambor constante, que não pára nem durante a noite, e por um barulho esquisito de líquidos borbulhando. Você ouve, sem poder entender, conversas abafadas do lado de fora, nas quais predomina sempre uma voz feminina clara, que parece vir de todos os lados ao mesmo tempo. Não há muito o que fazer lá dentro além de brincar com o saco transparente que te embrulha e beber o líquido quase sempre doce à sua volta.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Cientistas descobrem que orcas conseguem imitar a fala humana


Cientistas descobrem que orcas conseguem imitar a fala humana


Algumas espécies de animais, como o papagaio, são conhecidas por suas habilidades de imitar a voz humana. 

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Isolaram a voz de Freddie Mercury em “We Are the Champions” - Veja como ficou...


Isolaram a voz de Freddie Mercury em “We Are the Champions” - Veja como ficou...

Freddie Mercury - Sempre brilhou nos palcos


Uma das maiores vozes do mundo da música já traz emoção quando combinada aos acordes e as batidas do Queen.

terça-feira, 8 de março de 2016

Gênio Cibernético - Inteligência Artificial


Gênio Cibernético - Inteligência Artificial

Durante trinta anos, um computador de ficção científica foi a referência mais comum quando se falava de inteligência artificial. É compreensível. Afinal, o HAL 9000, do filme 2001: Uma Odisséia no Espaço, é uma criação de Arthur Clarke, um craque em previsões. Na história de Clarke, o HAL conta que foi ligado em 1997. Por isso, este ano era esperado como aquele em que a criação de uma máquina inteligente já seria um problema resolvido pela tecnologia. Há quem diga que desta vez Clarke errou, mas não é bem assim. O HAL não existe ainda, mas a inteligência artificial começa a sair dos laboratórios.

domingo, 28 de abril de 2013

Museu encontra pela 1ª vez áudio com voz do cientista Graham Bell


Museu encontra pela 1ª vez áudio com voz do cientista Graham Bell

Disco de cera encontrado no Smithsonian, nos Estados Unidos, com a gravação da voz do inventor Alexander Graham Bell (Foto: Richard Strauss/Museu Smithsonian/AP)

Graham Bell, considerado inventor do telefone, fez gravação em 1885.
Transcrição feita em disco de cera ajudou na identificação.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Como o homem fala - Biologia


COMO O HOMEM FALA - Biologia



E canta, chora, cochicha, geme e grita, graças a um dos mais versáteis instrumentos da natureza: as cordas vocais. A ciência já consegue ver por dentro toda a sonora riqueza da voz humana.

A platéia fica de boca fechada, sem dar um pio, para ouvir uma ária da ópera Carmen. A intérprete é Celine Imbert, paulistana de 38 anos, dona de uma elogiadíssima voz de soprano, a mais rara e requintada que uma cantora lírica pode ter. Mas o silêncio dos ouvintes naquela apresentação tinha um motivo incomum. A cigana criada no século passado pelo escritor francês Prosper Mérimée e transformada em ópera por seu conterrâneo Georges Bizet (1838-1875) provavelmente jamais havia sido vista dessa maneira: em vez da dança sensual da personagem, assistia-se então à coreografia de um tubo rosado e oco, contraindo-se e esticando-se no ritmo da música. Não se tratava de uma montagem performática de Carmen, mas da gravação de um vídeo para a Escola Paulista de Medicina, há poucos meses, Celine exibia a laringe a um distinto público de pesquisadores, graças a um equipamento desenvolvido para possibilitar que os cientistas compreendam a harmonia existente entre os gritos e os sussurros, os graves e os agudos da voz humana.
Há mais tempo do que a ciência é capaz de rastrear, o homem aprendeu a erguer, com a fala, a esplêndida catedral da linguagem, o que lhe permitiu conquistar para sempre um lugar à parte entre todos os seres vivos. Mas, até há alguns anos, existia uma única maneira de observar os mecanismos da voz: segurando-se a língua para pôr um espelho dentro da garganta. Nessa situação desconfortável, o máximo que alguém consegue é soltar grunhidos. Assim, aos estudiosos restava apenas deduzir a fisiologia a partir da anatomia, imaginando como seria a ação das cordas vocais, o par de músculos produtores do som, revestidos de mucosas, que, apesar do nome sugestivo, em nada lembram violinos ou harpas. Aliás, a julgar pela aparência, esses músculos merecem a designação menos elegante de pregas vocais, preferida pelos pesquisadores. Hoje sua imagem ficou mais nítida: ao se introduzir uma delgada fibra ótica (ligada a uma câmera de TV) pelo nariz até a laringe, como se tornou possível fazer, o aparelho fonador permanece livre e desimpedido para que a pessoa examinada fale normalmente ou, como no caso de Celine Imbert, cante uma ária.
O vídeo mostra que, vez ou outra, quando a cantora inspira, as duas cordas vocais relaxadas, uma de cada lado, formam uma fenda triangular que se chama glote. Dessa maneira, o ar trafega sem obstáculos até os pulmões, onde abastece o organismo de oxigênio. Quando o diafragma, o grande músculo que separa o tórax do abdômen, expulsa o ar para fora, pode-se romper o silêncio. Se alguém resolve soltar a voz, o cérebro ordena que os músculos da laringe fechem a glote. O ar então fica no meio do caminho, preso no canal da traquéia, entre os pulmões comprimidos pelo diafragma e a glote inapelavelmente cerrada. Mas, tamanho acaba sendo o aperto ali, que o ar, sob pressão, força a passagem estreita entre as cordas vocais e estas, imediatamente depois da fuga, voltam a se unir. O pouco do gás que escapa, no entanto, é suficiente para empurrar partículas de ar que estavam  na laringe; elas, por sua vez, empurram outras partículas e assim por diante, como pedras de dominó caindo uma depois de outra. O traçado dessa cadeia de partículas teria a forma de uma onda -e de fato se trata de uma onda sonora. Na verdade, as cordas vocais abrem e fecham tão rápido que não se pode notar o movimento a olho nu. Por esse motivo, ao examinar a laringe com fibra ótica, os médicos costumam recorrer a uma luz estroboscópica, como as usadas em discotecas, que dão a ilusão da imagem em câmara lenta. Nas crianças, o movimento se repete mais de 250 vezes por segundo. Com isso, a vibração do ar é grande e o resultado é uma onda mais condensada de energia ou de alta freqüência, que gera sons mais agudos. Para preservar essa voz fina e angelical é que em tempos idos surgiu a desumana idéia de castrar rapazes destinados ao canto. Isso porque, na adolescência, a entrada em cena dos hormônios sexuais, nos meninos e nas meninas, aumenta a massa muscular do organismo; as cordas vocais, em coro com essa transformação, tornam-se mais espessas e longas-desse modo, também mais resistentes à vibração.
Nas mulheres, as cordas passam a se movimentar entre 200 e 220 vezes por segundo, enquanto nos homens o ciclo vibratório é de cerca de 110 vezes. Todos podem ouvir o efeito da diferença: a voz engrossa porque a freqüência da onda sonora se torna mais baixa. Até que a laringe se acostume com a transformação, a voz desafina, o que fica mais evidente nos homens, nos quais a mudança é drástica. No entanto, mesmo entre adultos, ninguém fala no mesmo tom o tempo inteiro. "A laringe ajusta o tamanho conforme a altura do som, grave ou agudo", explica o otorrinolaringologista Paulo Pontes, da Escola Paulista de Medicina, um dos maiores especialistas brasileiros em laringe. Ele estende a mão e a compara a uma corda vocal: "Ao fechar a mão, a pele do dorso se estira e fica mais tensa; o mesmo ocorre com a mucosa da prega vocal quando ela é estirada pelo alongamento para produzir um som mais agudo. Ao se encurtar, a prega fica menos tensa-mais massa vibra e o som é mais grave. O mesmo acontece com a mão aberta: a pele relaxa, podendo formar mais dobras." 
Para falar em alto e bom tom, porém, é preciso muito mais do que cordas vocais bem afinadas pela laringe: é necessária uma lubrificação adequada. Assim, a voz enrouquece quando se fica gripado, porque o excesso de muco segura as cordas vocais. O inverso, a secura, tampouco é o ideal. "É comum querer gritar de nervoso e a voz não sair", exemplifica Pontes, "porque a tensão chega a secar as glândulas salivares e, sem lubrificação, as cordas vocais não conseguem vibrar direito." Contudo, se dependesse exclusivamente do que se passa na laringe, o homem viveria quase mudo, pois o som produzido ali é tão baixo quanto o de um cochicho. Por isso, ao longo da evolução da espécie, órgãos a serviço das funções respiratória e digestiva foram se adaptando para o trabalho extra de modular a voz humana.
As ondas sonoras geradas na glote atravessam um verdadeiro sistema de amplificadores, formado pelos próprios pulmões, mais a laringe, a faringe, a boca, o nariz e por uma série de cavidades existentes nos ossos da face, os seios paranasais. Ao entrar em uma dessas estruturas, chamadas caixas de ressonância, é como se a onda sonora batesse em uma parede e ricocheteasse; desse modo, acaba se chocando com outra onda sonora no caminho. Conforme a combinação resultante do encontro, aquela primeira onda sonora pode ser amplificada, tornando-se audível. Mas também ocorre o oposto -uma onda atenuar outra. E justamente o jogo de abafar ou de aumentar o volume de certos sons que dá ao homem uma voz quase tão rica em nuances quanto a música de um piano. As cordas vocais são como o samba de Tom Jobim: emitem uma nota só, o chamado tom fundamental; outras notas podem entrar-os tons harmônicos, múltiplos do fundamental-, mas a base é uma só, de novo como na canção. Mesmo partindo de um único tom, o homem constrói toda uma gama sonora. O médico Paulo Pontes disseca a proeza: "A onda do tom fundamental, ao atravessar as caixas de ressonância, é ampliada apenas em determinadas faixas conforme o som desejado. Assim, podemos emitir, por exemplo, o som de vogais diferentes". Tudo é calculado, embora não se perceba. O sistema nervoso comanda músculos, do abdômen até a face, de tal maneira que a onda sonora termina sendo guiada para determinados pontos de determinadas caixas de ressonância, sempre de acordo com o som.
É fácil notar, por exemplo, as alterações que ocorrem na boca, que fica escancarada para emitir um "a" de exclamação ou faz bico para produzir o acachapante "u" de uma vaia. Assim como a boca, outras caixas de ressonância, graças à ação muscular, também vivem mudando de formato. "É claro que uma bela voz vai depender de fatores físicos, como estruturas do aparelho fonador perfeitas e bem-proporcionadas", cita Pontes. "No entanto, mais importante do que isso, é saber guiar a onda sonora até a caixa de ressonância certa. É essa sensibilidade que os cantores têm de especial." De fato, o jogo de caixas de ressonância é responsável pelos atributos estéticos da voz. É o trajeto da onda sonora, abafada em algumas faixas, amplificada em outras, que resulta em um tom aveludado como o de um locutor de rádio de fim de noite ou grasnante como o de um  imitador  do Pato Donald. No final, cada um cria maneiras exclusivas de gerar seus sons, com esse ou aquele conjunto de movimentos musculares.
"Por isso, a voz é uma espécie de impressão digital sonora", compara a fonoaudióloga paulista Mara Behlau, a única especialista credenciada a dar pareceres em tribunais brasileiros sobre identificação de vozes. Ela trabalhou junto com peritos americanos na comparação de vozes gravadas ao telefone, quando as autoridades italianas recorreram aos Estados Unidos ao investigar o seqüestro e assassínio do primeiro-ministro Aldo Moro, em 1978. Embora o fator desenvolvimento do organismo também deva ser ouvido, a rigor o aparelho fonador é esculpido pelo uso. Assim, os órgãos de fonação do brasileiro geram com facilidade os sete fonemas vogais do português-a, é, ê, i, ó, ô, u. Isso explicaria a ginástica que é para muitos brasileiros falar outras línguas. O inglês americano, por exemplo, faz soar catorze fonemas vogais-o dobro do que os músculos dos brasileiros se habituaram a realizar. Que dizer então do sueco, que vocaliza 22 sons vocálicos.
Antes de ser moldado, porém, o aparelho fonador é capaz de aprender qualquer língua sem rastros de outros sons. Análises feitas por computadores provam que os bebês no mundo inteiro emitem no mesmo tom quatro tipos de sons. O primeiro é o grito do nascimento, algo que humano algum será capaz de repetir na vida. "É um som peculiar, pois serve para expulsar o líquido contido no trato respiratório", esclarece Mara. Por sinal, o homem é o único animal que grita ao nascer; os bichos costumam vir ao mundo calados; provavelmente, especula- se, para não denunciar sua frágil presença a ouvidos predadores.
A voz do recém-nascido, qualquer que seja a sua origem, vai do tom mais grave ao mais agudo até que a mãe perceba que ele sente fome. Mas, quando o choro se limita a um único tom, insistente e monótono, é porque a voz reclama de dor. Finalmente, os bebês também soltam sons anasalados, leves gemidos que indicam prazer. "Para o resto da vida o homem associará prazer e afeto à voz anasalada", informa Mara. Segundo ela, existem apenas três línguas em que os tons anasalados predominam: o português, o francês e o polonês. "Parte da fama de românticos dos franceses e de sensualidade dos brasileiros se deve ao idioma que eles falam", acredita a especialista.
"Cada emoção tem voz própria", garante de seu lado o psicólogo Ailton Amélio da Silva, da Universidade de São Paulo, que ensina o tema para alunos de pós-graduação. Quando Ailton começou a estudar expressões faciais em filmes e novelas, há dez anos, descobriu que era necessário tirar o som, porque a voz distrai, chamando mais a atenção do que a imagem. Há quatro anos, ele inverteu o processo e passou a ouvir apenas o som das telenovelas. Com a ajuda de computadores, a gravação é fragmentada e os segmentos, remontados ao acaso. O resultado são vozes que mantêm o tom e o ritmo originais, mas que emitem ruídos sem sentido algum. "Com uma freqüência espantosa, os ouvintes costumam identificar a emoção de quem emitiu a voz", revela o pesquisador.
Embora recentes, pesquisas nessa área já indicam pistas valiosas. Quando alguém mente, por exemplo, a voz tende a não oscilar de tom, como se o mentirosos temesse escorregar para a informação verdadeira. Quem está feliz fala mais fino e mais alto, ao contrário da voz tristonha e desanimada, mais baixa e mais grave. Fala grosso quem sente raiva, mas a voz afina e baixa de volume em situação de constrangimento. "Em épocas primitivas, quando a agressão fazia parte do convívio social, devia ser importante para cada um perceber na hora se a voz do outro revelava medo ou raiva", supõe Ailton. Algumas emoções, quando constantes, podem prejudicar a voz, de acordo com a fonoaudióloga Carla Miéle, do Hospital Albert Einstein, de São Paulo.
É o caso da tensão e da ansiedade. A respiração curta do ansioso fornece pouco fôlego para a emissão de sons. "Sem pressão suficiente do ar, as cordas vocais se esforçam em dobro e deixam de trabalhar em sincronia", descreve Carla. Surgem então ali nódulos, os famosos calos nas cordas vocais, um dos mais comuns distúrbios de voz. O problema aparece naqueles que abusam da voz, cantores, professores, políticos, locutores, mães que vivem gritando com os filhos-gente que, às vezes, acredita que pigarrear ajuda a combater a rouquidão, um sonoro mito. Felizmente, foi-se o tempo em que para resolver um problema de calos vocais a vítima corria o risco de ficar calada para sempre. Hoje em dia, microcirurgias retiram os calos, deixando as cordas vocais intactas. Aliás, justamente porque a Medicina atual consegue observar as cordas vocais em ação, como durante a audição de Celine Imbert, existe tratamento para a maioria de seus males, sem afetar a voz dos donos-algo que deveria fazer os cientistas cantar de alegria.

Aparelhos de som

A rigor, não existe um órgão cuja única função seja permitir a emissão de sons. Mesmo as cordas vocais fazem parte da laringe, que serve para conduzir o ar aos pulmões. Mas, ao longo da evolução da espécie humana, órgãos ligados à respiração e à digestão passaram a trabalhar também na produção da voz.


Jogo de ondas

Ao entrar em uma caixa de ressonância, a onda sonora bate e volta, cruzando com outra onda que vem atrás, no mesmo trajeto. No encontro, se uma onda for exatamente o oposto da outra, os dois sons se anularão. Se as duas ondas se encaixarem, acabarão se somando e dessa maneira o som será amplificado. Se, no entanto, as ondas não se encaixarem perfeitamente, o som original será abafado.


O rei da imitação

A voz do papagaio nada tem a ver com a do homem, a quem imita: para início de conversa, como nas demais aves seu som não é produzido por cordas vocais, mas por uma membrana, a seringe, situada entre os brônquios e a traquéia. De uma espécie de ave para outra existem diferenças na membrana, assim como nos músculos que a fazem vibrar para produzir a onda sonora-daí a diversidade do canto dos pássaros. "A seringe de uma ave canora é muito mais complexa do que a dos papagaios", compara a bióloga Elizabeth Hofling, da Universidade de São Paulo. Em compensação, o cérebro do papagaio tem uma capacidade de aprendizado maior para imitar sons." Outras aves conseguem a mesma proeza, como certas araras e as gralhas. Já os pássaros pretos, excelentes  imitadores, preferem copiar outras  espécies-por exemplo, canários.

A voz da verdade

Nem o mais hábil imitador consegue reproduzir exatamente o jeito de falar de outra pessoa. Na década de 30, os cientistas ainda não haviam descoberto que a voz é algo tão pessoal e intransferível quanto uma impressão digital. Apesar disso, em 1935, nos Estados Unidos, o jardineiro Bruno Hauptmann acabou executado pelo seqüestro e assassino de uma criança de 2 anos-foi a primeira vez em que se usou a voz como prova em um tribunal. Embora a memória costume falhar nessas coisas, o júri confiou no pai da vítima, Charles Lindbergh (1902-1974), o primeiro aviador a atravessar o Atlântico sem escalas, que reconheceu a voz do antigo empregado no telefone.
Equipamentos capazes de identificar vozes com segurança apareceram na Segunda Guerra Mundial: os americanos verificaram que as tropas alemãs costumavam usar os mesmos soldados para transmitir mensagens de rádio-assim, identificá-los seria uma forma de acompanhar os deslocamentos dos inimigos. Na época, era preciso comparar duas frases idênticas para saber se haviam sido ditas pela mesma pessoa. Atualmente, porém, computadores analisam mais de setenta indicações, ou parâmetros, para informar se duas vozes pertencem ao mesmo dono, ainda que falando línguas diferentes.

Erros gritantes

Na hora de abrir a boca para manifestar-se sobre voz, muita gente talvez devesse permanecer em silêncio para não propagar conceitos falsos como estes:

Quem muito grita pode arrebentar as cordas vocais As cordas vocais nunca arrebentam, deixando as pessoas mudas. Quem força muito a garganta pode, isso sim, ficar rouco de cansaço ou, a longo prazo, desenvolver calos nas cordas vocais.

Um gole de bebida alcoólica aquece a garganta e ajuda a voz a sair mais fácil O álcool não traz beneficio algum à voz; além disso, é um dos principais causadores de câncer de laringe.

O único mal do cigarro, para a voz, é diminuir o fôlego A fumaça do cigarro aumenta a quantidade de muco nas cordas, o que altera a voz.

Mel e limão ajudam a curar a rouquidão Esta pode ser uma excelente receita, mas para inflamação de garganta. Pois a glote se fecha quando se engole alimentos, impedindo que entrem no aparelho respiratório. Se uma gota de mel chegar a cair sobre as cordas vocais, o efeito será um enorme engasgo. O único remédio para a voz rouca é o silêncio.

Pigarrear ajuda a tornar a voz mais clara Pigarrear é um truque psicológico-a pessoa se assegura de que a voz está na garganta e não irá lhe falhar. Infelizmente, nada arranha mais as cordas vocais do que um simples pigarro.

Na velhice, a voz muda por falta de hormônios sexuais A diminuição de hormônios e o próprio envelhecimento da mucosa que reveste as cordas vocais podem afinar a voz na terceira idade. Mas, como qualquer outro músculo, cordas vocais exercitadas, como as dos cantores, mantêm a forma. Aliás, a voz chega ao ápice entre os 40 e os 50 anos de idade.

domingo, 14 de outubro de 2012

Camundongos podem aprender a cantar


Camundongos podem aprender a cantar

Camundongos podem aprender a cantar, aponta estudo
Pesquisadores dizem que animais têm mecanismos cerebrais e comportamentais semelhantes a humanos.

Camundongo teria mecanismo cerebral e comportamental semelhante a humanos e pássaros (Foto: BBC)

Camundongos são capazes de aprender canções com base nos sons que escutam, afirmam 
pesquisadores americanos. Segundo novos estudos publicados no periódico "PLoS ONE", quando camundongos compartilham o mesmo espaço, eles aprendem a modular seus tons de voz entre si. E têm mecanismos cerebrais e comportamentais semelhantes a humanos e pássaros no que diz respeito à aprendizagem vocal.

Mas alguns acadêmicos se dizem céticos quanto à pesquisa, alegando que as provas são insuficientes para tais conclusões. Pesquisas prévias nesse campo haviam mostrado que camundongos machos seriam capazes de cantar canções complexas quando diante de fêmeas, e essas canções seriam uma parte importante do "namoro".

Essas "serenatas" são ultrassônicas - entre 50 e 100 Khz, muito além dos tons que podem ser captados pelos humanos. Quando esses sons são processados para se tornarem audíveis ao ouvido humano, eles soam como uma série de assobios de lamento.

Habilidade rara
Há tempos já se presume que camundongos seriam incapazes de mudar a sequência de seus tons de voz. Essa habilidade, chamada de aprendizado vocal, é rara na natureza - é restrita a alguns pássaros, como papagaios, a baleias, golfinhos, leões-marinhos, morcegos e elefantes.Mas, nos experimentos recém-divulgados, pesquisadores da Universidade de Duke (EUA) afirmam ter descoberto que os camundongos têm tanto os circuitos cerebrais como os atributos comportamentais para o aprendizado vocal. O cientista Erich Jarvis, que supervisionou o estudo, disse à BBC que as descobertas mudaram seu entendimento a respeito de como os camundongos produzem sons. "Descobrimos que, nos camundongos, os caminhos que estão ao menos modulando essas vocalizações estão no prosencéfalo, como em humanos", afirmou.
Jarvis fez a ressalva de que o estudo não apresenta provas claras de que os camundongos têm exatamente a mesma habilidade vocal que pássaros e humanos. Mas avalia que há um espectro de diferentes graus de habilidades para diferentes espécies. "Acreditamos que os camundongos estejam em um estágio intermediário de habilidade, entre uma galinha e um pássaro, ou mesmo entre um primata não-humano e um humano", afirmou o cientista.


Viver em harmonia
Quando camundongos machos com diferentes tons vocais foram colocados no mesmo ambiente, descobriu-se que seus tons gradualmente se equilibraram após cerca de oito semanas. Segundo Jarvis, trata-se de uma evolução importante. "Ao colocarmos uma fêmea na gaiola com dois machos, descobrimos que um macho mudou seu tom para ficar parecido com o do outro", diz o pesquisador. "Em geral, o animal menor muda seu tom para se equiparar ao animal maior."
Mas nem todos os cientistas concordam. Kurt Hammerschmidt, especialista em comunicação vocal no Centro Primata Alemão, em Goettingen, lançou dúvidas a respeito das descobertas do estudo sobre camundongos machos. "A história de convergência de tons é pouco convincente", afirmou. Jarvis rebateu dizendo que o ceticismo é infundado. "A reclamação (de Hammerschmidt) é de que não usamos animais o suficiente, mas descobrimos isso (a convergência de tons) em 12 pares de camundongos. Ao menos sob o nosso ponto de vista, isso é confiável e estatisticamente significativo"



sábado, 27 de novembro de 2010

Para que serve a música ? - Musicoterapia

PARA QUE SERVE A MÚSICA? MUSICOTERAPIA



Antes de ler este relato, tente lembrar quantas vezes na última semana você ouviu música. Não só as baladas do rádio, mas também as pílulas de sonolência na sala de espera do dentista. Ou o canto de alguém a seu lado no ônibus. É muito provável que você não tenha passado um único de seus últimos dias sem escutar alguns acordes. Às vezes nem nos damos conta, mas a música nos cerca por todos os lados. Há música para dançar, namorar, estudar. Música para enfrentar o trânsito, trabalhar, fazer ginástica e para relaxar no final do dia. Música para rezar, curar e memorizar. Para comunicar as emoções que não conseguimos transmitir só por meio de palavras. E música simplesmente para ouvir e curtir. Dos aborígines australianos aos esquimós no Alasca, todas as sociedades do mundo a têm em sua cultura - até porque, você pode não saber, mas a música está conosco desde quando ainda nem éramos seres humanos propriamente ditos.

Com base no achado de flautas de ossos feitas há 53 mil anos pelos neandertais, pesquisadores estimam que a atividade musical deve ter pelo menos 200 mil anos - contra 100 mil anos de vida do Homo sapiens. É bacana imaginar que talvez esses hominídeos já buscassem formas de diversão. Mas, pensando bem, que sentido pode fazer a música em um período no qual nossos ancestrais estavam muito mais preocupados em não ser devorados por um leão do que com o próprio prazer? E mesmo na sociedade contemporânea, se nos cercamos de música com tanto afinco, é de supor que, assim como a fala, ela sirva para alguma coisa, tenha alguma função específica para a humanidade. Mas qual?

A pergunta atormenta filósofos e cientistas há séculos e, infelizmente, ainda não tem resposta conclusiva. Já se imaginou, por exemplo, que a música é responsável por reger a harmonia entre os homens e os astros que mantém a ordem do Universo - uma idéia formulada por Pitágoras no século 5 a.C. Hoje, boa parte da pesquisa científica por explicações tem uma perspectiva evolutiva e biológica. Muitos ainda a vêem apenas como produto cultural voltado ao prazer, sem nenhuma importância para o desenvolvimento humano. "Uma primorosa iguaria que estimula as nossas outras faculdades mentais", defende o psicólogo Steven Pinker em seu livro Como a Mente Funciona. Apesar de meramente especulativas, teorias evolutivas são as que parecem estar mais próximas de nos responder as perguntas acima. Então, vamos a elas.

INICIAÇÃO MUSICAL
A primeira hipótese sobre a função da música foi levantada por Charles Darwin. O biólogo que popularizou o conceito de evolução das espécies dizia que a música é determinante para a escolha de parceiros sexuais, uma vez que as fêmeas seriam atraídas pelos melhores cantores. "O homem que canta bem, é afinado, expõe melhor seus sentimentos. Parece mais sensível, mais inteligente. E isso agrada as mulheres", afirma o jornalista e músico brasileiro Paulo Estêvão Andrade, que está escrevendo um livro sobre pesquisas que relacionam música e cérebro. Isso soa bastante familiar: qual mulher nunca teve uma quedinha pelos músicos - dos modernosos DJs aos eternos tocadores de violão em rodas de amigos? "A música sempre está ligada ao comportamento sexual, desde os rituais de acasalamento, até as conquistas dos jovens de hoje em danceterias ou shows", afirma o neurocientista americano Mark Tramo, que coordena o Instituto para Ciências da Música e do Cérebro, da Universidade Harvard.

Muitos cientistas não se convencem de que essa teoria explica, sozinha, toda a importância da música para diferentes sociedades do planeta. Uma das hipóteses mais aceitas hoje é a de que a música teve função primordial na formação e sobrevivência dos grupos e na amenização de conflitos. Se ela existe e persiste, é porque provoca respostas que agem como um forte fator de coesão social. "Precisávamos caçar e nos defender juntos e para isso tivemos de nos organizar. A música abriu o caminho para nos comunicarmos e dividir nossas emoções", explica Mark.

Mas como era essa música feita por nossos antepassados? Provavelmente ela surgiu como uma manifestação das emoções. Uma sofisticação, por exemplo, do choro e da risada. Principalmente, como uma forma de chamar a atenção do grupo e motivá-lo para a realização de uma atividade que precisava ser feita em conjunto. É possível imaginar que um indivíduo batesse palmas, ou pedras ou gravetos, mas o mais plausível é que o primeiro instrumento musical tenha sido mesmo a voz humana. O cientista cognitivo William Benzon, autor do livro Beethoven’s Anvil ("A Bigorna de Beethoven", sem tradução para o português) especula que tudo começou muito tempo antes, com a imitação dos sons de outros animais.

Benzon sugere que o Homo erectus, ao se espalhar pelo planeta a partir do leste da África, há 2 milhões de anos, teve de procurar novas formas de se proteger enquanto atravessava as estepes, já que não contava mais com o abrigo das árvores das florestas. Entre muitas outras artimanhas, esses hominídeos teriam começado a emitir chamados ameaçadores. "Se rosnar e rugir como um leão, você não só vai dispersar as presas naturais dele como também outras espécies que estejam por perto", afirma. Essa imitação teria proporcionado o início do controle do aparelho vocal, primeiro passo para a origem da música e da linguagem. A reprodução dos sons dos animais e da natureza, como o vento ou os trovões, deve ter evoluído até que as necessidades passaram a ser outras, e a imitação deu espaço para a criação. Daí a perceber como o som do "uh-uh-uh" servia para instigar a guerra, por exemplo, não deve ter demorado. Tudo isso sem que fosse necessário dizer uma palavra.

Chegamos então a um ponto delicado: a música surgiu antes ou depois da linguagem falada? Essa é outra pergunta que divide cientistas. As duas aptidões são universais, mas a linguagem obviamente parece muito mais útil que a música, o que leva a crer que ela tenha se desenvolvido primeiro, "com a música ramificando-se da linguagem apenas após ter sido feita boa parte do trabalho evolucionário pesado", como escreveu o pianista Robert Jourdain em seu livro Música, Cérebro e Êxtase.

Acreditar que primeiro desenvolvemos a fala e depois apuramos a técnica musical pode parecer um caminho lógico. Mas a verdade é que não é exatamente assim que funciona nosso ciclo de aprendizado. Antes de os bebês saberem falar, eles já balbuciam de uma forma muito musical. "É comum vê-los inventando musiquinhas mesmo desconhecendo a reprodução dos sons convencionais", diz a psicóloga Sandra Trehub, da Universidade de Toronto, que pesquisou a percepção musical em crianças. Isso pode ser um indicativo de como nossos ancestrais se manifestavam antes de desenvolver a linguagem. "Talvez as cordas vocais e bocas deles ainda não estivessem prontas para falar, mas eles tinham ritmo e podiam grunhir e fazer sons. Isso poderia ser tomado como música, ou ao menos como sua raiz", afirma Mark Tramo.

CANTAR PARA QUÊ?
Mas se o uso da música como ferramenta de comunicação foi ultrapassado pela linguagem, por que ela continuou existindo? Para essa pergunta nem precisamos da ajuda dos cientistas. Todo mundo que já se apaixonou e dedicou uma música ao ser amado pode responder sem medo. É porque ela assumiu um papel que a fala sozinha não deu conta: transmitir emoções. E essa característica nós podemos notar independentemente das preferências pessoais de cada um. Para provar isso o psicólogo John Sloboda, da Universidade de Keele, na Inglaterra, uma das maiores autoridades em emoção musical do mundo, fez um teste interessante. Ele colocou 83 voltuntários para ouvir uma série de peças musicais e depois pediu que eles descrevessem qual sensação tiveram. Cerca de 90% reportaram "frio na espinha" e "nó na garganta". Alguns chegaram a chorar. Ao checar quais trechos haviam provocado essas reações, Sloboda constatou que eram basicamente os mesmos.

Alguns acordes parecerem tristes e outros felizes pode ter também uma explicação evolutiva. Essa interpretação é relacionada com a forma como o nosso cérebro processa sons amistosos e ameaçadores desde a época em que éramos presas fáceis. "Pense num cão. Quando ele quer demostrar carinho faz um som mais agudo, mais tonal. Quando está agressivo é mais grave e ruidoso", diz Paulo Estêvão Andrade. Assim, dependendo da combinação de tons, a música é capaz de provocar uma sensação que vai do prazeroso ao desagradável. Quanto mais dissonantes forem os intervalos das notas musicais, maior será a sensação de tensão ou medo. Isso é fácil de ser identificado se ouvirmos as trilhas sonoras de filmes de terror ou suspense, como a clássica de Psicose, de Alfred Hitchcock.

Essa função musical de comunicar sentimentos faz sentido não só hoje, mas em sua própria origem. Se os animais também modificam a expressão vocal para demonstrar um sinal de pacto, como o ganido de submissão de um cachorro, "parece inevitável que as expressões formais de emoção sejam aos poucos fundidas em algo semelhante à melodia", escreve Jourdain. "É exercitando ou aplacando emoções que estabelecemos relação com outros seres humanos." E a música corporifica isso.

Para quem começou a reportagem falando que não havia utilidade aparente para a música, até que já alcançamos uma boa marca. Mas alguns pesquisadores ainda vão além. Para Ian Cross, diretor do Centro para Música e Ciência da Universidade de Cambridge, a música também é capaz de ativar capacidades como a memória e talvez até mesmo a inteligência. O efeito sobre a memória é facilmente detectado no dia-a-dia. Pegue, por exemplo, a época de eleições. Quem acompanhou a campanha para a Presidência em 1989 deve se lembrar até hoje de muitas das musiquinhas dos candidatos, como os clássicos "Lula-lá" e "Ey, ey, Eymael". Para fixar alguma informação, nada melhor do que musicá-la - veja as técnicas de alunos de cursinho para decorar fórmulas. Essa faceta da música parece ter sido útil para a transmissão da cultura na pré-história, quando ainda não dominávamos a escrita.

Já o impacto sobre a inteligência é mais difícil de constatar. A tentativa mais famosa ficou conhecida como "efeito Mozart". Quando foi proposta, em 1993, levou a um surto de compras de discos do compositor, mas até hoje é polêmica. Na ocasião o neurocientista Fran Rauscher, da Universidade de Wisconsin, e o neurologista Gordon Shaw, da Universidade da Califórnia, mostraram que crianças apresentavam desempenho matemático melhor após ouvir sonatas do compositor austríaco. O efeito da simples audição, no entanto, nunca foi comprovado. O que parece fazer mais sentido é quanto a possíveis benefícios relacionados ao aprendizado de música, que induz ao prolongamento dos neurônios e aumento das conexões entre eles. Os cérebros dos músicos, inclusive, acabam apresentando uma massa maior de neurônios, o que sugere maior inteligência.

CURA PELO SOM
De todas as funções abordadas até agora, nenhuma é tão misteriosa quanto o possível uso medicinal da música, principalmente para pacientes com mal de Parkinson ou Alzheimer e vítimas de derrame que só melhoram escutando música. Histórias complexas são relatadas pelo neurologista Oliver Sacks em livros como Tempo de Despertar, que foi adaptado para o cinema. É exemplar o caso da paciente Frances D., que sofria de Parkinson e durante as crises ficava paralisada, rangendo os dentes e sofrendo muito.

Sacks descobriu que a única coisa que acalmava os sintomas era a música. Quando Frances ouvia o som, desapareciam completamente todos os fenômenos "obstrutivo-explosivos" e ela ficava feliz. "A senhora D., repentinamente livre de seus automatismos, ‘regia’ sorridente a música ou se levantava e dançava ao seu som", escreveu Sacks. O médico percebeu o mesmo efeito em vários outros pacientes. Em alguns casos, só de pensar em música eles ficavam melhores.
Mas, infelizmente, o remédio é temporário, proporcionando uma espécie de equilíbrio momentâneo para o cérebro doente. "A música vence os sintomas ao transportar o cérebro para um nível de integração acima do normal. Ela estabelece fluxo no cérebro, enquanto, ao mesmo tempo, estimula e coordena as atividades cerebrais, colocando suas antecipações na marcha correta", diz Robert Jourdain. Para o pianista - que busca responder em seu livro por que gostamos tanto de música -, a mágica que ocorre com os pacientes é a mesma que ocorre com todos nós. "A música nos tira de hábitos mentais congelados e faz a mente se movimentar como habitualmente não é capaz. Quando somos envolvidos por música bem escrita, temos entendimentos que superam os da nossa existência. E quando o som pára, voltamos para nossas cadeiras de rodas mentais."