Mostrando postagens com marcador medicamentos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador medicamentos. Mostrar todas as postagens

domingo, 13 de abril de 2025

MEDICINA - O que são emergências oncológicas, que podem ocorrer durante o tratamento contra o câncer

MEDICINA - O que são emergências oncológicas, que podem ocorrer durante o tratamento contra o câncer

Carga tóxica de medicamentos utilizados e a própria progressão da doença criam um desafio a mais para os pacientes.

quarta-feira, 23 de outubro de 2024

Cientistas desenvolvem o menor computador quântico do mundo

Cientistas desenvolvem o menor computador quântico do mundo

Tecnologia pode revolucionar a inteligência artificial, desenvolvimento de medicamentos e segurança em redes de comunicação.

sexta-feira, 4 de agosto de 2023

Inteligência Artificial 'revive' moléculas neandertais para criar novos antibióticos

Inteligência Artificial 'revive' moléculas neandertais para criar novos antibióticos

Desextinção molecular poderá ser usada para desenvolver remédios capazes de tratar infecções causadas por bactérias altamente resistentes.

terça-feira, 11 de julho de 2023

Foguete da SpaceX coloca em órbita a primeira fábrica espacial da história

Foguete da SpaceX coloca em órbita a primeira fábrica espacial da história

Projeto tem o objetivo de produzir medicamentos mais estáveis aproveitando a gravidade zero.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

Robôs enfermeiros já são uma realidade nos Estados Unidos

Robôs enfermeiros já são uma realidade nos Estados Unidos

Um centro médico de Chicago usa dois deles para entregar remédios e outros suprimentos em suas instalações.

sábado, 12 de março de 2022

Pesquisadores criam 'Robôs Líquidos' que funcionam de forma autônoma e sem eletricidade

Pesquisadores criam 'Robôs Líquidos' que funcionam de forma autônoma e sem eletricidade

Os liquibots têm potencial para realizarem diferentes funções, como a administração de medicamentos em pacientes ou o manuseio de produtos químicos perigosos.

sábado, 19 de agosto de 2017

5 Técnicas medicinais do antigo Egito que são usadas até hoje


5 Técnicas medicinais do antigo Egito que são usadas até hoje


Milhares de anos mais tarde, ensinamentos dos antigos egípcios seguem firmes e fortes. 

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Boas novas sobre o Câncer - Medicina


BOAS NOVAS SOBRE O CÂNCER - Medicina


Drogas mais poderosas, coquetéis de medicamentos, mais eficientes equipamentos, combinação de quimio e radioterapia. Com essas armas, os médicos bloqueiam a doença e garantem: nem mesmo a metástase representa hoje uma sentença de morte irrecorrível. 

domingo, 30 de dezembro de 2012

Biotérios Quatro e Cinco Estrelas - Biologia


BIOTÉRIOS QUATRO E CINCO ESTRELAS - Biologia



Cama trocada todos os dias, água limpíssima, refeições preparadas com esmero, ar absolutamente puro - tudo isso devem oferecer os locais em que se criam animais para experiências científicas.

Ali, não é qualquer um que consegue entrar e nem se entra de qualquer jeito. Primeiro, o visitante abandona os sapatos, pula o muro de 0,5 metro e apanha chinelos. Então, um corredor comprido conduz ao banheiro, onde quatro duchas, juntas, expulsam do corpo nu a sujeira vinda de fora. Uma roupa esterilizada fica à espera. De banho tomado e vestida como um cirurgião, a pessoa abre a porta que dá para um cubículo, menor do que um elevador, decorado apenas com um interfone. Ela, assim, pede autorização para passar e, se a resposta é positiva, recebe jatos de ar, que correm do teto em direção ao chão, para varrer eventuais clandestinos, como insetos -afinal o banheiro ainda fica em uma área considerada suja. Só quando se destranca a outra porta do cubículo, oposta à primeira, é que se vai para a chamada área limpa, freqüentada apenas por quem passou por todo esse ritual e pelos animais destinados a experiências científicas.
Esse é o roteiro de quem visita o biotério central da Universidade de Campinas (Unicamp), no interior de São Paulo, um dos raros exemplares brasileiros que seguem os padrões internacionais estabelecidos para esses locais de criação. "As portas que interrompem o percurso têm maçanetas eletrônicas, acionáveis só de um lado- o de entrar, nunca o de sair. É um caminho sem volta", explica a bióloga Delma Pegolo Alves, que coordena o setor de gnotobiologia, ou seja, das cobaias cujos parasitos do organismo são bem conhecidos. A impossibilidade de retornar é uma medida de segurança: "Caso alguém se contamine em um dos ambientes, não levará o agente da infecção para outro lugar da área limpa", diz Delma. "Isso porque, quando já está dentro de uma câmara, como chamamos a sala em que ficam os animais, a pessoa só tem uma saída, que é voltar para a área suja."
Mas não existem apenas cuidados de percurso. Um biotério, como o da Unicamp, tem de ser um lugar especial até no próprio projeto do prédio. As câmaras dos animais devem ficar no miolo da construção, cuja pressão atmosférica é programada para ser maior do que a do corredor, a qual por sua vez é maior do que a de áreas mais externas e mais sujas, entre aspas, do edifício. Desse modo, o ar tende sempre a escapar para fora. Se alguém, por exemplo, passeia por ali com um germe de carona na roupa, é grande a probabilidade do microorganismo invasor voar para longe das câmaras. "Além disso, a cada hora ocorrem quinze a dezoito trocas de ar, que é filtrado, mantendo se puríssimo", conta a bióloga. Delma planejava trabalhar em um laboratório de Medicina, quando se formou. Mas, então, assistiu a um vídeo sobre bioterismo: "Fiquei encantada", recorda. O resultado é que há cinco anos, vaidosa, desfila de colar de pérolas entre ratos e camundongos.
"Muitos cientistas nem sequer fazem idéia sobre o que é um verdadeiro biotério-muito diferente de uma sala com um amontoado de gaiolas, como, infelizmente, se encontra em diversas escolas e centros de pesquisas brasileiros", critica a imunologista Teresa Kipnis, da Universidade de São Paulo. "Ao pensar em cobaias, a maioria das pessoas lembra que costumam morrer depois de experimentos científicos, sem se preocupar em como elas passam a vida", diz ela, famosa entre os pesquisadores por lutar pelo estabelecimento de melhores biotérios no país.
De fato, muitos animais são sacrificados em laboratórios. Mas, em princípio, eles não devem sentir qualquer sofrimento. Condená-los dessa maneira faz parte da luta pela sobrevivência do homem tanto quanto se alimentar com uma salsicha-feita a partir de um porco também criado para morrer, só que sem anestesia. No Rio de Janeiro, por exemplo, o Instituto Vital Brasil mata cerca de 17 000 camundongos, oitenta cobaias e sessenta coelhos por mês. Mas, com isso, são fabricadas 60 000 doses de soro antiofídico, 120.000 doses da vacina anti-rábica e 5 milhões de doses da vacina antitetânica, produtos que podem ser vitais. Sobretudo, os animais de laboratório são fundamentais à pesquisa, que irá utilizar determinada espécie conforme sua finalidade. Hoje em dia, é verdade, os pesquisadores procuram economizar cobaias, deixando-as para a última etapa de seu trabalho, iniciado com simulações em computador ou mesmo observando-se culturas de células em tubos de ensaio.
Sem os animais, contudo, a roda das ciências biológicas não teria girado: talvez ainda se acreditasse que os organismos obedecem a leis mecanicistas sendo um punhado de células isoladas entre si, funcionando certinhas como um relógio. Na década de 1870, porém, o francês Claude Bernard (1813 -1878), um dos precursores da Fisiologia experimental demonstrou com a ajuda de cobaias que existia uma relação entre todos os órgãos. Mas hoje se sabe: não é qualquer animal que serve para o pesquisador. "Às vezes, precisamos de uma cobaia com certa doença hereditária, para estudar um fenômeno especifico. Mesmo assim, ela não pode ter outros problemas de saúde, porque isso influenciaria o resultado da experiência. Daí os biotérios oferecerem tantos cuidados quanto um berçário", compara o imunologista Mário Mariano, professor do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo, ao qual pertence um dos melhores biotérios brasileiros-o de camundogos isogênicos, isto é, camundongos que possuem os mesmos genes. Dessa maneira, os camundogos da chamada linhagem Balb-C que se encontram em um laboratório brasileiro são idênticos aos Balb-C da China ou dos Estados Unidos. "Desse modo, uma experiência realizada aqui pode ser repetida em qualquer lugar do mundo", conclui Mariano.
Segundo o imunologista, as linhagens de laboratório têm duas características: sua bagagem genética é bem conhecida; além disso, são selecionados geneticamente os animais mais mansos e fáceis de manipular. No Brasil, por enquanto, o biotério da Unicamp é o único que possui um banco de embriões, para preservar essas linhagens sob medida para a pesquisa. "Não teremos de importar novamente os bichos, toda vez que eles forem contaminados", comemora o microbiologista baiano Humberto Rangel, que dirige o biotério. Os embriões são retirados das trompas maternas e congelados, cinco dias depois da fecundação, quando somam entre quatro e oito células. "Mais tarde, eles poderão ser implantados em qualquer fêmea, mesmo que ela pertença a outra linhagem", diz Rangel. Antes disso, porém, é preciso realizar a vasectomia no macho que irá acasalar com a mãe de aluguel. Sim, porque sem esse namoro prévio o organismo da fêmea, como ocorre na maioria das espécies, não produz os hormônios que mantêm a gravidez-e ela aborta.
Outra cirurgia na rotina dos biotérios é a histerectomia, no caso uma espécie de cesariana com a finalidade de limpar -no jargão dos especialistas-uma linhagem. "Quando os filhotes de uma fêmea infectada estão para nascer, nós retiramos todo o útero", descreve a veterinária Rosália Regina De Luca, acostumada a fazer a operação no biotério de isogênicos da USP, o qual ela chefia. O vidro que divide a pequena sala cirúrgica é cortado por uma banheira, repleta de solução anti-séptica. Nela, Regina mergulha o útero extraído. Um cirurgião, no outro lado, apanha a bolsa e reanima depressa uma por uma das crias, que ficaram temporariamente sem receber oxigênio. De tão pequenas, a massagem para ressuscitar o coração é feita com um cotonete. "Como, durante a gestação, os filhotes estavam protegidos pela placenta, capaz de barrar os germes, e mais tarde, durante o parto, não tiveram nenhum contato com o corpo infectado da mãe, eles nascem limpos, ou seja, sem herdar a infecção", conclui Regina.
O trabalho, porém, não termina aqui. "Programamos uma fêmea para dar crias poucos dias antes da histerectomia, assim ela pode servir de ama-de-leite. O problema é que ela só irá cooperar se for enganada", conta a veterinária. É um seqüestro: enquanto alguém distrai a mãe zelosa, outra pessoa troca os filhos legítimos pelos camundongos órfãos. "O truque é sujá-los com a maravalha que revestia a cama da primeira ninhada", revela Regina. "Com um pouco de sorte, a fêmea irá ignorar as diferenças, ao sentir o cheiro dos próprios filhotes."
No biotério de isogênicos da USP, os camundogos são SPF-sigla do nome em inglês, que significa livre de patógenos específicos. "São animais que possuem apenas as bactérias da própria flora intestinal, sem nenhum parasito estranho, capaz de provocar doenças", esclarece Regina. Por criar linhagens SPF, o biotério recebe a classificação de quatro estrelas. Sim, porque tais quais hotéis, os biotérios são devidamente estrelados. Uma única estrela recebem os biotérios onde não há nenhum tratamento especial com os animais, que no caso podem ser até doentes; duas estrelas vão para aqueles biotérios com animais sem determinadas bactérias que costumam provocar diarréias; três estrelas merecem os biotérios com barreiras, como filtros de ar para evitar as contaminações; quatro estrelas são para os que criam SPF; na categoria máxima, a das cinco estrelas, estão os biotérios de animais germfree -em inglês, livre de germes-que não têm sequer as bactérias da flora intestinal.
Manter um biotério quatro estrelas já não é fácil. O biotério da USP conta com sistemas de barreiras similares aos da Unicamp. Todo dia, os funcionários trocam cama por cama dos camundongos, forrada de maravalha de pinho. "De acordo com testes, essa madeira oferece menor risco de alergias nos animais", esclarece Regina. Tudo, do bebedouro à comida propriamente dita é esterilizado em autoclaves. O material também recebe banhos de ultravioleta, raios que têm ação bactericida. Além disso, periodicamente, é feita uma série de testes em 10% dos animais, a fim de flagar microorganismos indesejáveis. Os animais isogênicos, especificamente, exigem exames extras, com substâncias marcadoras de DNA, a fim de mapear seus genes, para verificar se continuam, de fato, idênticos entre um indivíduo e outro.
Para obter animais isogênicos, os cientistas cruzam vinte gerações de irmãos-os acasalamentos e os nascimentos ficam gravados na memória de um computador que pode fornecer rapidamente a árvore genealógica de qualquer animal do biotério. "Para saber se os bichos são isogênicos, realizamos um transplante", ensina a bióloga Sílvia Maria Gomes Massaroni, da USP. Sílvia corta a orelha de um camundongo, para costurá-la nas costas de outro. "Se não necrosar, passados 100 dias, é porque os dois organismos são idênticos", raciocina a bióloga, com jeito sereno. "Tantos cruzamentos entre irmãos, aumenta as chances de mutações".
As mutações, no entanto, às vezes são bem-vindas. "Nem sempre elas resultam em um monstrinho", afirma a bióloga Mirian Ghiraldini, da Escola Paulista de Medicina. Entre os 6 000 ratos que seu biotério abriga estão os de uma linhagem de hipertensos, que surgiu na Universidade de Quioto, no Japão. Mirian, sempre falante, mostra o aparelho que tira a pressão do rato pela cauda. "Ele é um dos modelos preferidos pelos cardiologistas", brinca. Outro mutante no biotério é um ratinho com um tipo de diabete em que não se produz o hormônio antidiurético, com o qual o organismo prende o líquido de que necessita. "Por acaso, um pesquisador americano notou que o bebedouro daquele rato estava sempre vazio", conta Mirian. "Constatada a mutação o sumiço da água fazia sentido: diabete deixa as vítimas sedentas." O metabolismo de uma cobaia pode ser avaliado em uma gaiola redonda de vidro. "Deixamos o animal doze horas ali dentro", explica Mirian. "Sabemos quanta água há no bebedouro e quantos gramas de ração, no prato. Assim, podemos calcular o consumo do animal nesse período." O Brasil também tem o seu mutante, um rato completamente careca chamado Paraíba, numa homenagem ao Estado em que apareceu. "Ele possui um sistema imunológico deficiente. Vamos cruzá-lo para tentar obter uma linhagem. Ela ajudará em pesquisas como a da AIDS", acredita.
A dificuldade do biotério da Escola Paulista de Medicina é ser multiespécie, reunindo ratos, camundongos, cobaias e coelhos. "O que não causa mal em uma espécie pode provocar doenças em outra", admite a bióloga. A pior batalha, porém, é a de um biotério cinco estrelas, para impedir o acesso de absolutamente qualquer microorganismo. O único cinco estrelas brasileiro está na Universidade Federal de Minas Gerais, em Belo Horizonte. Nele, os camundongos ficam dentro da proteção dos isoladores. Mas, há dois meses, mal pisou no biotério, às 7 da manhã como de costume, a técnica Ronilda Santos sentiu um cheiro estranho. Os colegas, a princípio, discordaram: "Afinal, aqui não se nota sequer o odor de ração e do pêlo dos animais, que ficam isolados", explica a técnica. Mas o nariz de Ronilda, apurado pelos quinze anos de experiência lidando com cobaias sem germes, notou que os bichos estavam contaminados. Felizmente, o biotério já importou novos animais.
O célebre microbiologista francês Louis Pasteur (1822 -1895) imaginava que seria impossível conseguir um animal sem parasitos - se existisse um ovo asséptico, então o filhote se contaminaria pela alimentação. Contudo, em 1928, R. Kimura, no Japão, e J. Reyniers, nos Estados Unidos, criaram filhotes nascidos de cesarianas com uma, dieta esterilizada. "Esses animais são extremamente úteis para a Medicina, porque têm um sistema imunológico praticamente virgem", ressalta o médico mineiro Ênio Vieira, que trouxe os primeiros exemplares de camundongos sem germes para o Brasil, há sete anos. "Só praticamente, porque os alimentos excitam as células de defesa", diz ele, especialista em alimentação.
Cheio de humor, Vieira mostra a pasta lotada de papéis-onde se lê, na etiqueta, Dia de São Nunca-perdida sobre a mesa, entre pilhas de projetos de estudos. "Com essas cobaias, podemos notar exatamente como as vitaminas influem no sistema imunológico ou observar até que ponto as cáries dentárias são provocadas pelos alimentos e pelas bactérias", conta animado. Hoje em dia, porém, ele prefere se dedicar à pesquisa de doenças freqüentes no Brasil, como o mal de Chagas. "Comparamos esses problemas em animais sem germes e animais convencionais. Temos descoberto coisas curiosas", revela. Segundo o professor, a flora bacteriana do intestino parece interagir com o organismo, ajudando-o a se defender em muitos casos. "Uma única salmonela, encontrada no alimento, é capaz de matar um camundongo sem germes", nota Vieira. "Podemos infectar o camundongo convencional com 10 000 salmonelas, que nada lhe acontece." Noventa por cento do número de células presentes no organismo humano são alheias, isto é, são bactérias da flora. "É natural que essa massa celular tenha um papel importante", opina a bióloga Leda Quércia Vieira.
Filha do professor Ênio, depois de fazer mestrado na Escócia, ela voltou para o laboratório chefiado pelo pai. É dela o desafio de entender como essas bactérias influenciam fenômenos aparentemente distantes. "Se inocularmos amostras da flora de um animal em um camundongo sem germes, ele se torna capaz de aceitar o implante de um órgão do primeiro. Sinal de que a flora tem algum papel nos mecanismos de rejeição-resta saber qual." Estudos como esse, no entanto, ficam emperrados cada vez que os bichos se contaminam. "Seremos menos dependentes quando existir mais biotérios cinco estrelas", torce Leda. 

Licença para matar

No ano passado, na Inglaterra, nove cientistas perderam a licença do governo para pesquisar, acusados de realizar experiências sem anestesiar os animais. "No Brasil, falta fiscalização", reclama a bióloga Mirian Ghiraldini, da Escola Paulista de Medicina. "Poucas pessoas sabem, mas é proibido usar animais em escolas de primeiro ou segundo grau, até mesmo para mostrar em feira de ciências", exemplifica. Por sua vez, segundo a veterinária Rosália Regina De Luca, da USP, as aparências podem enganar: "O que parece tortura, às vezes é uma maneira de proteger o animal. Amarrá-lo, em certos casos. é a melhor forma de evitar que ele, ao se debater, acabe se machucando", diz ela. "Os sacrifícios, porém, só deveriam ser permitidos sem dor".

C=203.204

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Novidades nas Prateleiras das Farmácias - Biologia

NOVIDADES NAS PRATELEIRAS DAS FARMÁCIAS - Biologia



Os cientistas não pretendem apenas que, no futuro, todo mal tenha remédio. Eles procuram medicamentos mais eficazes, quase sem efeito colateral, fáceis de tomar.

Conquistar espaço nas prateleiras das farmácias é privilégio de poucas substâncias: dos mais de 5 milhões das conhecidas pela ciência, apenas cerca de 6 000 servem de princípio ativo nas fórmulas de cápsulas, comprimidos, injetáveis, xaropes, soluções e pomadas. Para cada 12 000 compostos químicos candidatos a se transformar em remédio, somente um termina aceito como fármaco - substância com ação terapêutica comprovada -, no final de exaustivos testes, que consomem até quinze anos. Sua inscrição nesse clube seleto sai cara: a pesquisa de um novo medicamento chega a custar, do início ao fim, 1 bilhão de dólares. Mas, apesar da incessante busca, os cientistas do mundo inteiro encontram, com uma dose de sorte, setenta novos fármacos por ano.Dezenas de pesquisas brasileiras, na área das ciências farmacêuticas, caminham em ritmo de conta-gotas por falta de verbas. Especialmente aquelas que procuram drogas para curar doenças do Terceiro Mundo, que não tem recursos para recuperar o investimento. O fato é que, em toda a sua história, o Brasil nunca lançou uma novidade farmacológica. Mas entrará para a lista dos contribuintes no próximo mês, quando o Ministério da Saúde deverá registrar o primeiro medicamento brasileiro, um antiinflamatório extraído da Cordia verbenacea, conhecida popularmente por erva-baleeira.
Seu princípio ativo, a molécula chamada artemetina, parece resolver desde o problema de quem, por exemplo, levou uma martelada no dedo até aliviar o sofrimento provocado pela artrite reumática. Existem, é claro, dezenas de antiinflamatórios no mercado exibindo indicações idênticas na bula. Mas, segundo o químico farmacêutico Jayme Sertié, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo, a erva-baleeira tem uma vantagem: "Ela não ataca o estômago como os outros remédios do gênero", afirma. "Ao contrário, estimula a produção de um muco, que protege a parede gástrica." Além disso, a planta - na realidade, um arbusto - é comum de ponta a ponta da costa brasileira e oferece folhas verdes de janeiro a janeiro.
O principal objetivo dos pesquisadores do Laboratório de Farmacologia de Produtos Naturais, chefiado por Sertié, é justamente descobrir fármacos em vegetais abundantes no Brasil, país que importa oito de cada dez matérias-primas dos seus medicamentos. Essa caça a remédios nas matas brasileiras tem, evidentemente, um ponto de partida. "Estudamos plantas de uso popular consagrado para certa finalidade", explica Sertié. Sem essa pista, achar um medicamento específico para determinada doença na flora brasileira seria equivalente a ganhar na loteria: no planeta devem existir entre 250 000 e 300 000 espécies vegetais, das quais o Brasil possui cerca de 150 000; dessas, por sua vez, os químicos conhecem as características de uma única planta em cada 200."Às vezes, a sorte ajuda", revela Sertié, com riso matreiro. Acende e cigarro e, baixando o tom da voz como quem faz confidências, conta que, no ano passado, aceitou um estudante como estagiário. Apesar de, na época, o laboratório não ter muito serviço, o rapaz insistia a todo instante que gostaria de fazer alguma coisa. Sertié, então, lembrou-se de três vidrinhos, esquecidos na geladeira, repletos de óleo de copaíba. Trata-se de uma substância muito usada pela indústria de cosméticos extraída de uma árvore da região do Amazonas. Para aplacar a ansiedade do estagiário, Sertié entregou-lhe o óleo, que já havia sido usado sem sucesso em outra experiência, e pediu que o testasse em ratos com tumor. Os resultados dessa ordem ao acaso surpreenderam: "Ratos com câncer vivem em torno de dez dias, enquanto aquelas cobaias sobreviveram, em média 45 dias".
O problema das drogas para combater tumores é que elas agem como uma metralhadora na mira de um mosquito - disparam uma série de tiros que acertam o alvo e estilhaçam também o que eventualmente está ao redor. "O óleo de copaíba, aplicado no tumor, destruiu apenas as células cancerosas, deixando intactas suas vizinhas sadias", comemora Sertié. O pesquisador desconfia que, de duas, uma: "Ou o óleo estimula o sistema imunológico, acentuando as defesas do organismo, ou a substância inibe a manifestação dos genes que ordenam o crescimento celular desenfreado, típico do câncer. Para saber o que realmente acontece, os pesquisadores devem iniciar, em breve, uma série de testes. Os segredos de qualquer planta costumam ser desvendados pelos especialistas em Farmacognosia, nome derivado do grego, que significa "conhecimento dos medicamentos"."Quando se quer descobrir o que uma planta tem de especial para curar determinada doença, fazemos extratos diversos, à base de água, de etanol, de clorofórmio", exemplifica a professora Elfried Bacchi, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, da USP. "Assim, conforme o solvente, vão ser liberados diferentes componentes do vegetal. Mais tarde, testamos esses sucos em cobaias, para verificar qual deles tem o efeito esperado." Uma vez encontrado o extrato certo, Elfried lança mão de equipamentos, como o cromatógrafo, que denunciam as moléculas ali presentes - uma ou mais delas devem ser o fármaco ou princípio ativo, a substância que de fato é responsável pela ação de um remédio. A palavra remédio, aliás, no vocabulário dos cientistas, designa um conjunto de substâncias, entre elas o próprio fármaco, só que acompanhado, por exemplo, de corantes, flavorizantes para dar sabor agradável, solventes para dar certa consistência.
Até os anos 20, quando surgiu a indústria da síntese de compostos químicos, a área da Farmacognosia englobava os medicamentos existentes, pois eram todos de fontes naturais. Atualmente, 48,9% dos fármacos são sintéticos, isto é, criados em laboratórios. "A indústria prefere reproduzir em tubos de ensaio aquelas moléculas encontradas na natureza, porque o processo costuma sair mais barato", observa o farmacêutico Paulo Chanel de Freitas, também do Departamento de Farmacognosia da USP. "Certas moléculas, porém, são tão complexas, que não vale a pena sintetizá-las", nota o cientista. É o caso dos chamados remédios digitálicos, derivados da planta Digitalis purpurea, usados por cardíacos para regular a pulsação. "Parece muito mais fácil obter seu fármaco das folhas, do que reproduzi-lo em laboratório", diz Chanel. "Outro exemplo é a morfina, que continua sendo extraída da papoula."Existem também os medicamentos semi-sintéticos, como os anticoncepcionais - moléculas de hormônios extraídas de planta são ligeiramente modificadas em laboratório, para ficarem idênticas às do hormônio progesterona do organismo da mulher, que impede a gravidez. "E como se a natureza realizasse metade do trabalho", explica, risonho, o químico farmacêutico Andrejus Korolkovas, nascido na União Soviética, naturalizado brasileiro, cujos livros são leitura obrigatória em escolas americanas, alemãs e japonesas. Hoje, aos 68 anos, aposentado, Korolkovas talvez trabalhe mais do que nos tempos em que lecionava. Quase diariamente, visita seu antigo gabinete na Universidade de São Paulo, para orientar o trabalho de alunos e pesquisadores, além de preparar outro livro.O método mais antigo aplicado por especialistas em síntese, como Korolkovas é o da modificação molecular. Vale tudo para criar fármacos mais eficazes - acrescentar ou retirar anéis de átomos, alterar detalhes na distribuição espacial de uma molécula ou dividi-la em estruturas mais simples. "A tendência é os medicamentos serem criados sob medida", comenta o professor. Ou seja, acusados os culpados por um problema de saúde, os pesquisadores vão investigar suas origens. Não deram trégua, por exemplo, à norepinefrina, antes conhecida por noradrenalina, o hormônio que jorra das glândulas supra-renais na corrente sanguínea, especialmente nos momentos de estresse. Os cientistas relacionam essa substância à pressão alta.
Ocorre que, no organismo, a maioria das substâncias não nascem prontas: é como se existissem linhas de montagem, que os cientistas chamam vias metabólicas. Pois os bioquímicos resolveram impedir a formação da norepinefrina analisando etapa por etapa da construção de sua molécula. Desse modo, projetaram outra molécula capaz de bloquear uma única substância, requisitada pela supra-renal para formar o hormônio. Sem essa substância a linha de montagem da norepinefrina ficou emperrada.Abre-se um inquérito semelhante para se desenvolverem novos antibióticos. "Uma bactéria e um homem têm proteínas muito parecidas. Cabe ao bioquímico farmacêutico bisbilhotar o organismo da bactéria até encontrar pequenas diferenças", determina Korolkovas. "A meta dos antibióticos sempre é impedir a formação dessa proteína exclusiva do parasita, sem afetar as proteínas também presentes no organismo humano. Caso contrário, o remédio mata o paciente."O mais promissor recurso incorporado à síntese de medicamentos é, sem dúvida, a inteligência artificial. "Até então, você iniciava a procura de um fármaco sem a certeza de encontrar, no final, uma substância que funcionasse. Já o computador pode garantir à pesquisa um final feliz", compara Korolkovas. Os programas de Informática desenvolvidos para os laboratórios farmacêuticos são capazes de quebrar as moléculas das substâncias conhecidas em centenas de pedacinhos e, ao mesmo tempo, listar as propriedades químicas de cada uma dessas pequenas porções. Assim, o pesquisador realiza suas experiências na tela do computador - o que, óbvio, economiza tempo. Pode saber o que acontecerá com determinada substância se mexer aqui ou ali, dando-lhe átomos extras ou arrancando uma parte de sua molécula. No final das alterações, o computador analisa a molécula criada na tela e a define de acordo com três parâmetros considerados fundamentais, quando se trata de um medicamento.
O primeiro deles são as forças elétricas presentes naquela molécula, pois toda reação química, olhada de perto, nada mais é do que uma troca de elétrons entre átomos. Ou seja, as cargas elétricas podem agir como ganchos, fazendo um fármaco reagir com outras substâncias - ou não. O segundo parâmetro é a solubilidade, ou seja, saber se o fármaco é mais ou menos solúvel em água ou em gordura. "Um medicamento bastante solúvel em água é rapidamente eliminado, através do suor e da urina; já um fármaco solúvel em gordura tende a se armazenar no organismo, o que pode ser perigoso se ele for muito tóxico", compara a farmacêutica Maria Amélia Barata da Silva, da USP. Finalmente, ao se sintetizar uma molécula, é indispensável conhecer direito o seu tamanho e a sua forma. Faz sentido: para uma substância qualquer causar efeito, bom ou ruim, ela deve se ligar, ainda que por poucos instantes, com células do próprio organismo do paciente - ou com a molécula de um parasita, no caso de antibióticos - para acontecer a reação. "É como se o fármaco fosse esculpido para ter encaixe perfeito no lugar desejado, como uma peça de quebra-cabeça", descreve Maria Amélia.Um dos maiores desafios dos cientistas, porém, é fazer com que esses fármacos, encontrados na natureza ou criados em laboratório, atinjam o foco de uma doença com a precisão de um antimíssil Patriot. "Inundamos o organismo de um paciente com 500 miligramas de um fármaco, quando 5 miligramas seriam suficientes, se soubéssemos dirigi-las ao lugar certo", exemplifica Hatem Fessi, professor da Universidade de Paris, cuja equipe é considerada uma espécie de vanguarda na área da Farmacotécnica encarregada de tornar as moléculas do fármaco um remédio, como se vê nas farmácias. O laboratório em que Fessi trabalha, no tranqüilo Chatenay-Malabry subúrbio parisiense, não se contenta em produzir cápsulas, pílulas, injetáveis, enfim, as formas comuns de medicamentos. Ali, se estudam, por exemplo, cápsulas tão pequeninas, os lipossomos, que seriam necessárias quarenta delas pará preencher o diâmetro de um fio de cabelo.Quando alguém engole um comprimido este é bombardeado pelos sucos gástricos, até literalmente estourar, soltando o princípio ativo. Essa liberação pode ser desastrosa. Os antiinflamatórios são casos típicos: enquanto não são absorvidos pela corrente sanguínea, ficam irritando a parede do estômago. "Os lipossomas são minúsculos, a ponto de atravessarem os poros do intestino", descreve Fessi. "Se uma molécula do antiinflamatório estiver ali dentro, não tocará as paredes do aparelho digestivo, durante o seu percurso." Segundo o professor, os lipossomas poderão resolver, entre outras coisas, o problema de diabéticos, que precisam injetar doses diárias de insulina. "Esse hormônio não pode ser tomado por via oral, porque o suco gástrico é capaz de destruí-lo. Os lipossomas, porém, podem protegê-lo da degradação." Trata-se, por enquanto, apenas de uma esperança. Afinal, é certo que a equipe de cientistas franceses conseguiu criar cápsulas em miniatura - aliás, audaciosos, começam a desenvolver as chamadas nanocápsulas, ainda mil vezes menores do que os lipossomas. Isso, no entanto, resolve somente um problema de tamanho.Resta saber se os pesquisadores terão êxito em desenvolver microcápsulas suficientemente fortes para chegarem incólumes ao seu destino - teoricamente, mergulhadas em uma solução, via oral, elas deveriam ser quebradas já no sangue, ao atravessarem o fígado. "Hoje, essas partículas parecem frágeis", reconhece Fessi. O cientista deve testar, nos próximos meses, a eficiência dos lipossomas, no tratamento de infecções e cânceres relacionados à AIDS: "A toxicidade dos medicamentos diminuirá até 30 vezes", calcula. Os franceses também experimentam grudar em cada microcápsula um anticorpo monoclonal, fabricado em laboratório para conduzir o fármaco, como um bom motorista, até o local da doença, sem ficar retido em órgãos onde sua presença é absolutamente desnecessária e, muitas vezes, até prejudicial. A farmacêutica paulistana Ida Caramico Soares, professora da Universidade de São Paulo, estagiou seis meses no laboratório francês. De lá voltou, em dezembro passado, com planos de desenvolver microcápsulas com drogas contra a malária, que são de difícil absorção. Outro projeto, porém, será disparado primeiro: "É possível criar um comprimido", ela conta, "que cole no estômago, ficando ali por algumas horas. O efeito de um remédio será prolongado, o que pode ser muito útil em algumas doenças, freqüentes no Brasil, como o mal de Chagas. Os médicos nunca têm certeza se os doentes, geralmente pessoas menos informadas, estão tomando todas as doses, como foi recomendado" diz Ida. "Aumentar os intervalos entre um comprimido e outro facilitará as coisas." 


O caminho até o balcão

Cerca de 12000 compostos químicos são analisados, para se selecionar, em média, 2500 eventuais fármacos. Essas substâncias são testadas, primeiro, em animais pequenos, como ratos, aumentando o porte das cobaias até se chegar aos primatas. Conforme os resultados em macacos, começam os testes em seres humanos sadios voluntários, e, só depois, em doentes. Pode ser que, daí, nasça um novo remédio - ou não. São dez a quinze anos de trajetória sem Garantia de sucesso. Fonte: Faculdade De Ciências Farmacêuticas Da USP


Formas novas para velhos remédios

Para certas pessoas, qualquer comprimido é difícil de engolir. "O pior é que nem todo remédio pode ser encontrado na forma de gotas, porque alguns fármacos perdem efeito em combinação com a água", explica a farmacêutica Ida Caramico Soares. No futuro, porém, os comprimidos serão formados por uma espécie de esqueleto insolúvel, que confinará o princípio ativo propriamente dito. "Quanto menores os poros desse esqueleto, mais lenta será a liberação do medicamento", revela Ida. "Assim, o horário de repetir a dose ficará adiado."Quem tem medo de injeção também pode ficar otimista: os cientistas procuram substituir a picada, cuja vantagem é lançar o medicamento direto na circulação, por meios mais simples e menos dolorosos. Já começa a ser testada, por exemplo, a insulina na forma de spray, para ser vaporizada no nariz. "Aproveitam-se as mucosas, como a do olho e a do nariz", conta a farmacêutica. "Esses tecidos são irrigados por um enorme número de vasos, o que facilita o acesso rápido da droga no sangue."


Doses de exagero 

No ano passado, a indústria farmacêutica aliada às empresas que prestam serviços de saúde - como os convênios médicos - conquistaram o segundo lugar no rol dos maiores anunciantes brasileiros, perdendo apenas para os fabricantes de cigarros. Para o professor Fernando Lefèvre, especialista em Educação da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, isso reforça sua teoria de que os medicamentos viraram bens de consumo, como uma roupa da moda ou um carro último tipo. "As pessoas não tomam remédio porque cismam estar doentes, o que seria hipocondria. É diferente: elas engolem um comprimido porque só assim sentem manter a saúde", raciocina o professor, que passou os anos 70 ,em Paris, estudando Semiótica, a área das ciências humanas que investiga os símbolos. "O fenômeno é mundial, isto é remédio passou a representar saúde", diz Lefèvre, que publicou recentemente um livro sobre o assunto.No Brasil. porém, existe uma agravante: a automedicação. De acordo com o Ministério da Saúde, seis em cada dez pessoas que vão à farmácia entram ali sem receita médica e saem levando alguma droga para casa. Mesmo assim, Lefèvre insiste que a automedicação é a ponta de um iceberg. "Estudos médicos mostram que noventa por cento das dores de cabeça são passageiras", exemplifica. "As pessoas, no entanto, suportam melhor a dor se engolem um analgésico - a promessa química, com receita médica ou não, de que o tormento irá terminar."

C=199.754

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

E se as drogas fossem legalizadas ???

E SE... AS DROGAS FOSSEM LEGALIZADAS?



Se você imaginou um mundo alucinado, esqueça. "Legalização não é igual a falta de regulamentação", diz Justus Uitermark, do Centro de Pesquisas sobre Drogas da Universidade de Amsterdã. "Pelo contrário. Quando legalizados, todos os comportamentos considerados desviantes (como a eutanásia e o aborto, na Holanda), são submetidos a maior controle do governo."

Como Justus, a socióloga Beatriz Carlini-Marlatt também não acredita num cenário caótico. "Liberar ou proibir as drogas é um jogo muito delicado, com perdas e ganhos", diz ela. A legalização total acabaria com o narcotráfico, por exemplo. Ao mesmo tempo, facilitaria o acesso da população a entorpecentes.

Os efeitos para a sociedade do uso mais abrangente dependeriam do tipo da substância. "Drogas psicodélicas, como ecstasy e LSD, seriam usadas de forma experimental, sem interferir muito na sociedade", diz Peter Reuter, professor do Departamento de Criminologia na Universidade de Maryland, EUA. "Já o uso legal de cocaína e anfetamina causaria altos índices de dependência e acidentes."

Legalizadas, as drogas poderiam ser taxadas pelos governos. Impostos, além de encarecer o produto - e, portanto, afastar parte do público - garantiriam fundos para a criação de programas de recuperação de dependentes (provavelmente mais numerosos do que hoje) e para campanhas de prevenção do uso.

Mas há quem não acredite na subida dos preços. "O cigarro e o álcool vendidos no Brasil estão entre os mais baratos do mundo. A tendência é que, com várias substâncias concorrendo no mesmo mercado, os preços caiam ainda mais", diz Ronaldo Laranjeira, diretor da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas da Unifesp.
E quem produziria drogas legais? Peter Reuter acredita que algumas indústrias farmacêuticas não se envolveriam no assunto, para não prejudicar a imagem corporativa. Outras disputariam o mercado de entorpecentes. "O mais provável é que laboratórios investissem em pesquisas sobre uso medicinal de drogas, por uma simples questão mercadológica: criar novas necessidades e vender produtos para satisfazê-las", diz Beatriz.