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quarta-feira, 5 de abril de 2023

NOVELA 'Vai na Fé' - Promovendo 'Super Mario Bros o Filme'

NOVELA 'Vai na Fé' -  Promovendo 'Super Mario Bros o Filme'

'Super Mario Bros. - O filme' corre por referências divertidas como se fossem lista de tarefas.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Akira previu as Olimpíadas de Tóquio em 2020 há 30 anos


Akira previu as Olimpíadas de Tóquio em 2020 há 30 anos


Um marco na história do mangá e do anime, Akira foi escrito em 1982 e teve sua versão animada lançada em 1988. 

sexta-feira, 4 de março de 2016

Os 10 maiores ditadores da história mundial


Os 10 maiores ditadores da história mundial


Você saberia dizer quais foram os maiores ditadores que a história moderna já conheceu?
A palavra ditador está associada, inevitavelmente, ao autoritarismo. Um ditador é, por definição, um governante que assume todos os poderes do Estado. Isolado, por decisão própria, de qualquer controle constitucional ou legislativo. Abaixo, apresentamos dez dos maiores ditadores dos últimos tempos.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Que poderes mágicos se escondem por trás dos crânios de cristal


Que poderes mágicos se escondem por trás dos crânios de cristal


Existem muitas perguntas em torno desses crânios cristalinos, que apareceram em diferentes momentos dos últimos séculos; e uma quantidade proporcional de mitos, lendas e teorias que se apresentam como respostas.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

5 livros antigos que prometiam poderes sobrenaturais


5 livros antigos que prometiam poderes sobrenaturais


Nos tempos antigos, a popularidade de rituais de magia era algo comum, pois isso passou a ser amplamente utilizado para os mais diversos objetivos (mesmo sem fundamentos se eles funcionavam ou não).

De qualquer forma, o sobrenatural era algo que fascinava muita gente, que era atraída pela promessa de obtenção de poder e iluminação espiritual.

quarta-feira, 26 de março de 2014

O Brasil à sombra da Lua - Eclipse

O BRASIL À SOMBRA DA LUA - Eclipse



O último eclipse total do Sol nesse século vai transformar a manhã de algumas cidades do sul numa curta noite de quatro minutos.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Fio Maravilha - Porcelana

FIO MARAVILHA - Porcelana



Se tudo der certo, antes ainda do final do século estarão prontos os frutos da revolução dos supercondutores - os fios de cerâmica que são capazes de transportar eletricidade sem nenhuma perda de energia e cujos poderes magnéticos vão criar novidades fantásticas, como, por exemplo, o trem que anda no ar a altíssimas velocidades.

Das antigas e delicadas porcelanas chinesas às sofisticadas telhas usadas para proteger do calor o nariz do ônibus espacial americano, a cerâmica tornou-se uma das técnicas mais bem conhecidas do homem. O que ninguém nunca imaginou. porém, é que ela podia também ser empregada para construir fios elétricos pela simples razão de que sempre foi tida como péssima condutora de eletricidade e excelente isolante nas linhas de alta tensão. Mas aquela convicção desmoronou em meados de 1986 quando, totalmente por acaso, dois químicos franceses tiraram do forno uma cerâmica capaz de fazer milagres. Ela não apenas era uma boa condutora de eletricidade, mas possuía eficiência absoluta, coisa nunca vista sequer em um fio metálico. No novo condutor de barro , uma vez iniciadas, as correntes elétricas jamais se interrompiam. A partir de então, os pesquisadores começaram a sonhar com as mil e uma utilidades capazes de advir desse fio maravilhoso. Alguns cientistas chegaram a sugerir que estava aberta a via para a levitação qualquer um poderia andar sobre as águas, a exemplo de Cristo sobre o Jordão. "Em vez de esteiras como as que existem nos aeroportos mais modernos, as pessoas poderão deslizar acima de um tapete magnético", prevê, por exemplo, um dos mais imaginativos especialistas nas novas possibilidades da cerâmica Praveen Chaudhari, vice-presidente da empresa de computadores IBM. Todo fio que transmite eletricidade se transforma em um fraco imã, argumenta Chaudhari. A sua força se multiplica em uma bobina, que contém grande extensão de fio enrolado. Por isso, os poderes magnéticos dos fios de cerâmica criariam novidades fantásticas.
Mesmo os mais céticos acreditam que essas novidades começarão a invadir a vida cotidiana num prazo não superior a cinco anos. Uma usina como a de Itaipu fornece um bom exemplo das mudanças que poderão ocorrer rapidamente. Toda hidrelétrica desperdiça energia, pois, devido a contingências geográficas, está em geral sempre longe dos centros de consumo. No trajeto entre a usina e o consumidor perde-se energia, porque a resistência dos fios metálicos cria uma espécie de atrito que dificulta a passagem da eletricidade. A corrente elétrica acaba se transformando em calor, que não serve para nada. Estima-se que as perdas por esse motivo representam até 20 por cento da produção de energia. Esse desperdício poderá ser evitado com uma cerâmica supercondutora - isto é, capaz de transmitir eletricidade sem nenhuma resistência.
Em segundo lugar, haveria ganhos nos próprios geradores de Itaipu que, como todo motor elétrico, opera com o auxílio de bobinas eletromagnéticas. Com a eficiência dos novos eletroimãs, essas máquinas se reduzirão a um décimo do seu tamanho atual, multiplicando a sua potência. Mas há ainda um meio muito especial de aproveitar os supercondutores nas hidrelétricas: estocando a força da queda dos rios, à noite. Ela não pode ser usada por completo porque nesse período o consumo é muito baixo e não há para onde enviar a energia produzida. As máquinas "giram no vazio", como dizem os operadores, enquanto o rio corre sem proveito. Mas uma bobina supercondutora poderia receber essa energia e mantê-la girando nos fios de cerâmica sem nenhuma perturbação. Pela manhã, conectada à rede de transmissão, a bobina devolveria a eletricidade estocada como se tivesse acabado de recebê-la. O mesmo truque poderia ainda ser útil em um futuro carro elétrico - algo com que se sonha desde o advento da eletricidade. Esse carro, além de um motor reduzido, mais viável que os protótipos existentes, dispensaria também as baterias químicas, caras e pesadas, como fonte de energia: teria uma bobina supercondutora de estocagem elétrica no lugar dos tanques de gasolina. Isso, se alguém ainda se animar a construir automóveis, ironiza Chaudbari, da IBM. Segundo ele, de fato, todo o sistema de transportes pessoais poderá ser alterado com possibilidades inesperadas, daqui para a frente. Bobinas magnéticas embutidas nos sapatos das pessoas poderiam carregá-las por toda a parte, sobre uma rede de tapetes magnéticos.
É verdade que os engenheiros ainda gastarão muitas noites sobre as pranchetas até que estas e outras maravilhas se tornem parte da vida cotidiana. Mas na Universidade de São Paulo já existe um modelo antigo de bobina supercondutora à base de fios metálicos super resfriados que tem o tamanho de um punho fechado mas é capaz de levantar um automóvel. Nada impede que as cerâmicas super condutoras revolucionem as máquinas elétricas que povoam casas, fábricas e escritórios no mundo moderno. Pois tudo que funciona com eletricidade poderá mudar - dos relógios de pulso e secadores de cabelo até as linhas férreas e os metrôs. "Os supercondutores são uma mina intocada de sonhos", definiu de modo preciso e poético o especialista americano Paul Grant.
De inicio, as descobertas surpreenderam os próprios cientistas. Poucos acreditaram que existia um material capaz de trazer para a temperatura ambiente os segredos do comportamento das substâncias em condições de frio absoluto - ou seja, perto dos 273 graus abaixo de zero. Ai, nessa fronteira silenciosa do Universo, onde já não há o mais leve vestígio de calor, ocorre a supercondução. Mas, para efeitos práticos, isso equivale a não haver supercondução alguma, pois o esforço de conservar um fio a tal temperatura não pagaria o resultado. Por isso, os supercondutores metálicos ficaram inicialmente confinados às instituições de pesquisa. A coisa muda de figura quando a supercondução pode ser criada em temperaturas mais amenas, a "apenas" 200 graus negativos.
Este é o horizonte descortinado pelas novas cerâmicas, uma simples mas extraordinária mistura de quatro elementos químicos relativamente fáceis de encontrar: cobre, oxigênio, bário e outro ingrediente que pode ser o lantânio ou algum dos seus parentes, como o ítrio Basta misturá-los em determinadas proporções, moê-los e depois assá-los em um forno para ter à mão o novo material magnético. Assim, quando se deram conta de que a descoberta era real, em toda a parte os cientistas lançaram-se a explorar melhor os seus ingredientes. A febre da supercondução mobilizou também os cérebros no Brasil. A corrida mundial começou em Zurique, Suiça, com dois pesquisadores da IBM local, George Bednorz e Alex Müller. Eles descobriram que uma certa cerâmica estudada na França, por motivo completamente diverso, era capaz de conduzir corrente sem resistência, a uma temperatura relativamente alta. Até então, os supercondutores de metal funcionavam a cerca de 250 graus negativos. De imediato, a cerâmica elevava o patamar para 238 graus negativos - um espanto, pois desde 1911 a coluna do termômetro só havia avançado 20 graus, a contar do zero absoluto, até chegar aos 250 graus. Os primeiros testes de Müller e Bednorz, realizados com o lantânio na mistura de argila. datam de janeiro de 1986 e foram publicados em setembro do mesmo ano. Logo em seguida, os seus números começaram a ser melhorados - especialmente pelo professor Paul Ching-Wu Chu, da Universidade de Houston, nos Estados Unidos.
Em novembro, Chu já havia se igualado aos europeus. Então. no decurso de uma verdadeira maratona contra o frio-da qual participam cientistas do mundo inteiro - ele acabou substituindo o lantânio pelo ítrio e estabeleceu o recorde: uma cerâmica supercondutora à temperatura de 181 graus negativos - três vezes mais do que o obtido nos 65 anos anteriores de pesquisas. A proeza foi realiza da em fevereiro deste ano; de lá para cá, diversas combinações de argilas deram. resultado idêntico. Apenas Chu e sua equipe acharam mais nove misturas, e os laboratórios Bell, nos Estado. Unidos testaram outras doze.Em vários laboratórios ao redor do mundo já foram construídas cerâmicas supercondutoras em temperaturas bem mais elevadas. Os cientistas soviéticos anunciaram ter alcançado menos 23 graus. Pouco depois, divulgou-se que pesquisadores japoneses haviam conseguido o recorde dos recordes: 20 graus positivos. Mas, nos dois casos. o efeito durou apenas um par de horas. A corrida prossegue para se chegar ao fabuloso supercondutor que se mantenha à temperatura ambiente. No entanto, os resultados obtidos até agora já garantem transformações tecnológicas profundas. As cerâmicas estão sendo manipuladas por técnicos especializados, que procuram transformar esse material quebradiço em peças práticas como fios, filmes ou placas.O que causa furor no mundo da ciência e da indústria é a velocidade dos avanços. Apenas este ano os Estados Unidos vão gastar 38 milhões de dólares em pesquisas nessa área. A maior parte das dotações Vêm do governo, mas também as empresas privadas estão fazendo planos: querem investir pesado nos produtos que podem nascer a partir das experiências. Pelo menos um bilhão de dólares devem rolar nessa direção, até 1990.
Alguns sonhos da supercondução já se converteram em realidade - ainda que, por enquanto, à base dos supercondutores antigos. Em primeiro lugar nessa lista estão os tomógrafos médicos que operam por ressonâncias magnéticas. Trata-se de uma espécie de máquina de raios X que se aproveita dos fracos ímãs existentes em todas as substâncias - especialmente nas moléculas do organismo. Uma bobina nos tomógrafos perturba as minúsculas cargas elétricas dessas moléculas. Um computador analisa as perturbações e assim pode dizer o tipo das moléculas examinadas e a forma do órgão em que estão contidas.
Os tomógrafos atuais operam com supercondutores metálicos à base de nióbio mas para isso e preciso resfriá-los com gás hélio liquefeito. Eis o nó do problema: descoberto no Sol antes de ser avistado na própria Terra, é dificílimo manter o hélio em forma liquida, pois isso ocorre a cerca de 270 graus negativos e exige capas especiais de isolamento térmico, que custam 100 mil dólares a peça. Se forem construídos com as novas cerâmicas, os tomógrafos poderão ser resfriados com nitrogênio liquido, a apenas 196 graus negativos, dispensando, portanto, os sofisticados protetores térmicos. Além disso, enquanto o suprimento anual de hélio custa aos hospitais em torno de 30 mil dólares, o nitrogênio custaria quarenta vezes menos, isto é, a bagatela de 750 dólares ao ano. O mesmo poder de criar fortes perturbações magnéticas é que deu aos Japoneses a idéia de usar a supercondução em seu Maglev. Essa máquina é um trem experimental que não precisa de trilhos: flutua sobre forças ou campos magnéticos fortíssimos, gerados por ímãs supercondutores. Sem o atrito da roda com o trilho, o gasto de combustível para mover o comboio ferroviário é mínimo. Assim, a sua velocidade pode chegar a 524 quilômetros por hora - uma proeza alcançada já em 1979. Esse desempenho é quase duas vezes melhor que o do mais veloz trem em operação comercial no mundo, o TGV, que circula entre Paris e Lyon, na França, e atinge 298 quilômetros por hora.
O supertrem japonês - cujas imagens são o símbolo até agora mais vistoso da nova era tecnológica - opera com oito magnetos em cada vagão. Seus trilhos são milhares de bobinas enfileiradas no leito de uma ferrovia de oito quilômetros, onde é testado. Como a força magnética dos vagões aponta em direção oposta à força das bobinas - trilhos, o Maglev é mantido no ar a cerca de dez centímetros de altura. Só usa as rodas para pousar e decolar, como os aviões.
Os governos parecem mais propensos a gastar grandes somas mas num instrumento formidável da pesquisa científica: os aceleradores de partículas, onde a força dos eletroimãs impulsiona fragmentos de átomos a altíssimas velocidades e os obrigam a se chocar violentamente entre si. Estudando os restos das colisões, os físicos esperam descobrir como o átomo é construído por dentro. Só nos Estados Unidos está se gastando 25 milhões de dólares com esses aceleradores, soma que deve subir para 300 milhões até 1990.Pelo menos metade dessa montanha de dinheiro será empregada em supercomputadores muito menores que os menores existentes no mercado. O que impede a redução ainda mais acentuada dos computadores atuais é o calor criado pela resistência dos fios metálicos: à medida que os microcircuitos ficam cada vez mais compactados, o calor se concentra e tende a fundir os fios. Esse problema, naturalmente, não surge quando os fios não têm resistência, como nas cerâmicas. E por esse motivo, aliás, que os novos materiais de mil e uma utilidades não prestam para uma coisa: fazer chuveiros elétricos, que dependem de alta resistência para gerar calor e aquecer a água.Mas não é só no tamanho que a supercondução vai melhorar os computadores: eles também deverão se tornar ainda mais precisos. Na Inglaterra, por exemplo, já se testou uma máquina supercondutora usada para fabricar circuitos eletrônicos mais eficientes. Ela pode criar detalhes até dois milhões de vezes menores que um metro, dobrando a precisão das atuais linhas de montagem. Em outro caso, um microcircuito dotado de fios supercondutores pôde dominar correntes elétricas infinitamente fugazes, que duram até dois trilhões de vezes menos que um segundo.
Nesses casos, o que está em jogo é a arquitetura microscópica das substâncias - o reino abissal das moléculas e átomos. A moderna ciência está cada vez mais próxima desses tijolos fundamentais da matéria, mas o seu mundo fica tão distante da nossa experiência que parece mágico. É o que imaginou o escritor argentino Ernesto Sábato. "A física moderna parece uma feira de diversões, com salas de espelhos, labirintos de surpresas e homens que apregoam fenômenos", escreveu ele em um artigo denominado "Física Escandalosa", de seu livro Nós e o Universo.Afinal, dizem os físicos, mesmo o aço maciço é feito em sua maior parte de nada. Uma barra de qualquer material é de fato um agregado com um número imenso de partículas minúsculas que estão a grandes distancias umas das outras, comparativamente ao seu tamanho. Essas partículas vivem em perpétuo movimento. São os átomos ou moléculas, aos quais se pode chegar, partindo e tornando a repartir as substâncias Por exemplo, pode-se dividir uma laranja ao meio e depois dividir uma de suas metades novamente: se a operação for repetida apenas 38 vezes, será possível chegar aos seus átomos. Não é fácil como poderia parecer - os átomos são mais de cem milhões de vezes menores que um metro, e não se conhecem muitas facas capazes de cortá-los ao meio No entanto, já existem instrumentos para construir um material trabalhando molécula por molécula, como se fosse um quebra-cabeça infinitamente pequeno. Com os supercondutores, é preciso pensar em algo semelhante: como é possível projetar as moléculas de um fio? Quando se descobrir a resposta a esse desafio, será possível montar supercondutores que funcionem a qualquer temperatura.A teoria não explica porque as atuais cerâmicas podem imitar um comportamento que normalmente só ocorre a baixíssimas temperaturas. Os físicos estão procurando adaptar idéias que foram elaboradas inicialmente na década de 50 e que resultaram no transistor. Segundo eles, quando não há calor, os átomos realizam uma espécie de balé altamente coordenado, que acaba levando à supercondução. Essa teoria demorou 45 anos para ser formulada, desde a descoberta da supercondução, em 1911.
Desde então, nada de novo havia surgido até que o pioneirismo dos suíços Müller e Bednorz os levasse à sua cerâmica, abrindo uma fronteira inesperada por onde a pesquisa pura poderá agora avançar.



Boxes da reportagem

As cerâmicas se tornaram as campeãs da supercondução em temperaturas elevadas, mas os avanços nesse campo começaram em 1911, com a descoberta do fenômeno no metal mercúrio. Entre os supercondutores surgidos depois, os recordistas eram as ligas do metal nióbio.

Os elétrons brincam de dominós
Pode-se comparar a supercondução à conhecida brincadeira de derrubar dominós enfileirados. Esse jogo funciona apenas se a fila estiver muito bem arrumada: assim, quando. o primeiro dominó é derrubado, o demais caem inevitavelmente um após o outro, em um movimento de. cascata. Na condução comum de energia elétrica pelos fios não há uma ordem adequada na fila de dominós: eles caem ao acaso, ou se chocando de raspão com as peças seguintes, ou mesmo tombando no vazio O movimento se interrompe e é preciso fazê-lo recomeçar com outro empurrão.A supercondução, de fato, é apenas uma forma de organizar o movimento das partículas que existem dentro de todo fio elétrico. O fio supercondutor é composto de átomos enfileirados, como no jogo de dominós, e a corrente elétrica é formada pelos elétrons, partículas que se soltam dos átomos a que pertencem. Nesse caso, o movimento dos elétrons e dos átomos se torna perfeitamente harmonioso. Os elétrons nunca se chocam com os átomos ou entre si mesmo, e nem a corrente se transforma em calor - o responsável pela resistência elétrica nos cabos comuns e verdadeiro sinônimo de caos.No fluxo normal da eletricidade, empurrados pela força dos geradores de energia - o que equivale ao empurrão nos dominós -, os elétrons avançam aos trambolhões. Acabam transformando a sua energia em calor, isto é, em movimento caótico dos átomos ou moléculas dos fios (moléculas são grandes grupos de átomos que se agregam nas substâncias).A supercondução permaneceu um mistério até a Segunda Guerra Mundial. Ela havia causado grande espanto quando foi descoberta, no inicio do século, porque até então se pensava que todo movimento devia cessar na ausência de calor. É o que ocorre próximo dos 273 graus negativos - ou zero absoluto, como dizem os físicos, pois nada pode ser mais frio que isso. Por tal razão, dizia-se que calor é apenas átomos em movimento: se não há um, não há outro. Mas essa é uma conclusão apressada, mostrou o físico sueco Heike Kamerlingh Onnes, o descobridor da supercondução, em 1911, quando estudava o comportamento do mercúrio a baixas temperaturas. Ele viu que, na ausência de calor, surgia de fato uma espécie de movimento perfeito entre átomos e elétrons.Apenas 45 anos mais tarde, se descobriu que esse movimento é gerado por uma notável cooperação entre as partículas atômicas. Ocorre que os átomos se entregam a uma suave ondulação, onde os elétrons deslizam aos pares como surfistas no mar. Pois é esse balanço invisível nas profundezas atômicas dos cabos o responsável pela supercondução. As cerâmicas, aparentemente, são capazes de imitá-lo, mesmo em altas temperaturas, devido a algum detalhe químico em sua arquitetura: esse é o enigma que a ciência agora espera desvendar.

Receita de pastilha
As escolas têm condições de verificar como funciona a supercondução. Sob a direção do professor, os alunos podem construir sua própria pastilha e depois vê-la flutuar sobre um imã na sala de aula. Os ingredientes são adquiridos nas lojas de material didático. a começar pelos óxidos: 5 gramas de óxido de ítrio (Y2, O3), 20 gramas de óxido de bário (BaO) e 30 gramas de óxido cuproso (CuO). Eles devem ser misturados com um pouco de água e moídos por três horas em um cadinho, com um pilão. Leva-se ao forno e aumenta-se gradualmente a temperatura até 900 graus, por seis horas, desaquecendo-se por mais seis horas até desligar.O pó preto obtido precisa ser triturado durante três horas. Bem fino, pode ser prensado em forma de pastilha em uma caixa de aço. Com um torno ou um macaco de carro, tem-se a pressão necessária: mil atmosferas. A pastilha volta ao forno por mais 12 horas, agora a 1050 graus e com boa circulação de ar. Pronto, o supercondutor flutuará entre os pólos de imã de ferro-boro, de 3 quilo gauss, imerso em uma vasilha de vidro ou plástico cheia de nitrogênio líquido. A empresa White Martins, de São Paulo, produz nitrogênio líquido. Todo o material - com exceção do forno sairá por cerca de cinco mil cruzados. O professor deve tomar cuidado de não tocar no nitrogênio com a mão.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Invisibilidade - Chá de sumiço.

INVISIBILIDADE: CHÁ DE SUMIÇO



Num dia qualquer de 1987, Peter, um homem de 37 anos que morava na cidade de Gloucestershire, na Inglaterra, estava numa festa com a namorada e um grupo de amigos. Em certo momento, ele subiu para o segundo andar da casa para ir ao banheiro. Uma mulher o seguiu com a mesma intenção, mas deixou que Peter entrasse primeiro e ficou esperando sua vez junto à porta do toalete. O homem fez lá o que tinha de fazer e saiu, fechando a porta. Desceu as escadas e foi ao encontro de alguns amigos na festa. Começou a conversar com eles, mas, estranhamente, ninguém lhe deu bola. Dirigiu-se então à namorada e pediu um cigarro. Mais uma vez, foi completamente ignorado.

Peter começou a ficar irritado. Achava que todos haviam combinado uma brincadeira - que, aliás, estava indo longe demais. Decidiu subir novamente para o segundo andar e encontrou ali a tal mulher, ainda à porta do banheiro. Quando o viu, ela fez uma cara de surpresa. "Ela pensava que eu ainda estava no banheiro", relatou mais tarde. Peter desceu de novo as escadas e tudo parecia ter voltado ao normal: os amigos e a namorada conversaram com ele como se nada tivesse acontecido. Ele perguntou aos acompanhantes por que o haviam ignorado. Todos juraram que não o haviam visto nem ouvido minutos atrás.

Incrível? Não é o que a pesquisadora americana Donna Higbee acha. Ela teve seu primeiro contato com um relato do que chama de "invisibilidade humana involuntária e espontânea" em 1994. Conversou com colegas parapsicólogos e descobriu que muitos deles já haviam ouvido falar sobre o fenômeno. Publicou um anúncio em jornais pedindo a pessoas que tivessem vivenciado uma situação semelhante que escrevessem para ela. Desde então, coleciona cartas e e-mails de pessoas do mundo todo (inclusive do Brasil) que afirmam: ficaram, sim, invisíveis. E sem querer.

Os casos têm alguns pontos em comum, além do fato de serem involuntários. As pessoas com a capacidade de sumirem estariam, na verdade, sempre presentes fisicamente, embora não sejam vistas nem ouvidas. Do ponto de vista dos invisíveis, tudo parece normal. Tanto que eles geralmente experimentam uma sensação estranha de estarem sendo ignorados. O fenômeno dura apenas alguns segundos. Depois, tudo volta ao normal.

Mas o que acontece? Donna ainda não achou uma explicação razoável para o fenômeno. Ela até tentou estabelecer uma ligação com uma possível abdução das "vítimas" por extraterrestres - mas não conseguiu. Outra explicação, que Donna pegou emprestada do manual de uma fraternidade esotérica, é que, quando a essência do espírito se concentra em muitos minúsculos pontos de energia elétrica, sob determinadas condições, ela consegue se materializar em elétrons. Uma nuvem de elétrons livres é capaz de absorver toda a luz que entra nela - a luz não reflete nem sofre refração. Assim, os olhos do observador não conseguem ver a pessoa envolta por essa nuvem de elétrons. Simples assim.

O parapsicólogo brasileiro Oscar Gonzalez-Quevedo, presidente do Centro Latino-Americano de Parapsicologia (Clap), tem outra explicação. Para ele, o fenômeno pode ser uma quase experiência de bilocação - como o nome diz, estar em dois lugares ao mesmo tempo. "A pessoa pode emanar ectoplasma e formar uma espécie de fantasma de si mesma", diz Quevedo. Ectoplasma, para quem não sabe, é nossa energia corporal, transformada e exteriorizada, de forma que é visível para os outros. No caso da invisibilidade humana, o ectoplasma pode ter-se formado, mas não ficado completamente visível. O observador então não enxerga a pessoa - que, na verdade, não está lá, mas sim a pelo menos 50 metros do local do fenômeno.
O parapsicólogo Paul Rogers, pesquisador da Universidade de Central Lancashire, no Reino Unido, não acredita que a invisibilidade seja possível. "Até onde sabemos, a invisibilidade espontânea vai contra todas as leis da física. Claro que há alguns ilusionistas que desaparecem, mas é simplesmente truque", diz Rogers. Então, quem afirma já ter passado por um caso de invisibilidade está mentindo, com a conivência de quem assistiu (ou melhor, não assistiu) ao fato? "Não. Tenho certeza de que há pessoas que realmente acreditam nisso, e também pessoas que têm certeza de ter testemunhado o fato. Mas, para isso, há simples explicações que nada têm de paranormais. São simplesmente psicológicas ou mágicas, no sentido literal da palavra."

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Clarividência - Espionagem Mental

CLARIVIDÊNCIA: ESPIONAGEM MENTAL



Já pensou se você fosse capaz de, sem receber nenhuma pista, descrever objetos hermeticamente trancados numa caixa? E que tal dar detalhes sobre pessoas e lugares que você nunca viu na vida? Não seria legal enxergar mentalmente as questões de uma prova na véspera de ela ser aplicada? Pois há quem afirme ter a habilidade de ver locais distantes, coisas, pessoas e acontecimentos futuros, presentes ou passados. Se as informações não foram transmitidas por outra mente - como ocorreria na telepatia -, o sujeito pode ter experimentado a clarividência, uma forma de percepção extra-sensorial de algo físico. Uma arma poderosa para uma potência vasculhar segredos de países inimigos, certo? Foi isso que o governo dos Estados Unidos pensou quando, nos anos 70, começou a financiar um programa de visão remota - técnica de pesquisa experimental em que uma pessoa tenta obter informações de uma localidade distante, por meio da clarividência.

A experiência americana teve início em 1972 e foi desenvolvida pelo Instituto de Pesquisa de Stanford (SRI), em Menlo Park, na Califórnia. Tudo começou quando o artista plástico Ingo Swann entrou em contato com o físico Harold Puthoff, pesquisador do SRI, e sugeriu que se fizesse um estudo de parapsicologia. Swann afirmava ser capaz de visualizar detalhes de objetos, lugares e pessoas mentalmente, sem usar os olhos ou outros sentidos. Puthoff o convidou então para passar uma semana no SRI. Antes de Swann chegar, o cientista trancou um magnetômetro - instrumento que mede a intensidade do campo magnético - num contêiner no porão, sem que o convidado soubesse. E se surpreendeu ao verificar que Swann não só "perturbou" o aparelho como também foi capaz de desenhá-lo a partir de uma visão mental. O feito chamou a atenção da CIA (Agência Central de Inteligência americana), que estava interessada em financiar um estudo sobre a aplicação da parapsicologia para fins militares, pois tinha informação de que a União Soviética já trabalhava nisso desde os anos 60. Em plena Guerra Fria, as duas nações teriam apostado na possibilidade de montar uma equipe de espiões clarividentes, capazes de obter informações valiosas sobre instalações militares e documentos secretos.



Bem na mariposa

Os agentes da CIA assistiram a alguns testes com Swann. Num deles, o clarividente tinha de descrever objetos que estavam fechados em caixas. Numa rodada, ele disse: "Vejo algo pequeno, marrom e irregular, uma folha ou algo com formato semelhante. Mas parece estar vivo e até se mexe". Era uma mariposa. Embora nem todas as descrições fossem precisas, foi o suficiente para que o SRI recebesse 50 mil dólares para recrutar os primeiros espiões e começasse a treiná-los. No ano seguinte, a CIA deu as coordenadas de uma base militar soviética em Semipalatinsk, na Sibéria, e pediu aos clarividentes que descrevessem o local por meio de desenhos. A experiência foi considerada um fracasso, tanto que a CIA decidiu suspender o projeto, em 1975. No entanto, um dos clarividentes, chamado Pat Price, rabiscou prédios vistos do alto e um enorme guindaste, de formato inusitado. Posteriormente, fotos feitas por satélite captaram uma imagem do tal guindaste, com uma incrível semelhança nos detalhes.

É claro que, por se tratar de um assunto confidencial e estratégico, o governo dos Estados Unidos não fica publicando relatórios anuais para divulgar suas descobertas nesse campo. Mas sabe-se que o treinamento de clarividentes para espionagem e os estudos sobre outros fenômenos da mente tiveram prosseguimento no país, por meio de um programa do Departamento de Defesa e de outras agências federais. Nos anos 80, o ex-militar e escritor Joe McMoneagle revelou ter usado técnicas de visão remota para ajudar a localizar funcionários da embaixada americana tomados como reféns no Irã, em 1979, entre outras ações. Sabe-se também que o Exército americano utilizou clarividentes na Guerra do Golfo, em 1991, para tentar localizar armas iraquianas. Em 1995, alegando não haver resultados, o governo de Bill Clinton pôs fim ao programa, que havia consumido mais de 20 milhões de dólares. Em tese, a Casa Branca teria abandonado as pesquisas sobre clarividência, mas há indícios de que ainda utiliza essa forma de espionagem, agora contratando empresas privadas de treinamento criadas por ex-integrantes dos primeiros projetos.

Apesar de alguns estudos sugerirem a possibilidade de existência da clarividência, essa percepção extra-sensorial não pode ser comprovada diretamente. É o que afirmam parapsicólogos como o padre Oscar Gonzalez-Quevedo, presidente do Centro Latino-Americano de Parapsicologia (Clap), em São Paulo. "A não ser que se matem todos os homens passados e futuros de todo o nosso globo numa margem de dois séculos. Do contrário, como garantimos que alguém conheceu diretamente uma coisa física, e não um pensamento que outra pessoa teve, tem ou terá sobre aquele fato?", indaga o padre.

Em um de seus livros, Quevedo relata casos que poderiam estar associados à clarividência. Uma das histórias é sobre o italiano João Belchior Bosco, o São João Bosco. Nascido em 1815, ele teria, quando criança, sonhado com um ditado que seria aplicado na escola no dia seguinte. Acordou e escreveu o texto. Como já tinha tudo registrado no papel, não prestou atenção durante a aula. Só que o apressado mestre ditou só a metade do material. Na hora da correção, o professor se surpreendeu ao ver que João tinha escrito tudo, inclusive a parte que não ditara. Chamado para se explicar, o garoto contou que vira o texto num sonho. "Clarividência? Talvez. Mas pode ser telepatia. Como saber?", diz Quevedo. Ele acrescenta que uma mente não pode ser treinada para a visão remota. "Todos nascemos com as faculdades. Quando se manifestam, são espontâneas, incontroláveis. Não podem ser provocadas nem repetidas em laboratório."

A explicação do parapsicólogo seria um balde de água fria na campanha de marketing de empresas privadas, como a americana PSI Tech, contratada em 1991 pelas Nações Unidas para tentar adivinhar os locais onde o ditador Saddam Hussein estaria escondendo armas de destruição em massa no Iraque. Seus profissionais são ex-militares que se apresentam como especialistas em desenvolver - em qualquer indivíduo - a capacidade de ver remotamente. Em maio de 1998, um telejornal do canal americano UPN lançou um desafio para Jonina Dourif, a presidente da PSI Tech: a produção escolheria um fato, uma coisa ou uma pessoa. A partir daí, Jonina deveria fazer uma descrição. O alvo escolhido foi um acidente com um helicóptero do Corpo de Bombeiros de Los Angeles, ocorrido em março daquele ano e no qual haviam morrido quatro pessoas. "Para cima, para baixo, diagonal, som mecânico, rodando como um ventilador, movimento. Estamos lidando com pessoas dentro de uma estrutura", disse ela. "Quantas pessoas?", questionou o repórter. "Uma, duas, três, quatro. Quatro pessoas, e nenhuma importante." Como diria o padre Quevedo, pode ser clarividência, mas também pode ser telepatia ou mesmo simples coincidência. Como saber?



A serviço da polícia

Talvez o filão mais rentável para os clarividentes seja a investigação policial. A americana Kathlyn Rhea leva o crédito pela solução de mais de uma centena de casos ao longo de três décadas. Um deles aconteceu na Califórnia com um homem chamado Russell Drummond. Ele estava acampando com a mulher, saiu para uma caminhada e não retornou. Mais de 300 policiais foram mobilizados no caso, mas seis meses se passaram e nada. Procurada pela mulher da vítima, Kathlyn descreveu o local, no meio da mata, onde dizia enxergar o cadáver de Russell. Com as pistas fornecidas pela clarividente, a polícia encontrou o corpo de Drummond, que havia morrido de ataque cardíaco. Apesar desse e de outros acertos, Kathlyn é vista por muitos como uma charlatã.

Mesmo quem realiza experimentos com a visão remota reconhece que, até o momento, os resultados não são satisfatórios. "Como os fenômenos parapsicológicos são, em quase sua totalidade, espontâneos, a sua repetibilidade em laboratório é de uma pobreza franciscana", diz Valter da Rosa Borges, presidente do Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas. "Isso não quer dizer que os casos de clarividência espontânea devam ser rejeitados e, sim, que eles não apresentam a segurança que nos é dada pela pesquisa experimental", acrescenta Borges, reforçando a explicação de Quevedo sobre a dificuldade de comprovar o fenômeno. Ainda assim, Borges destaca um caso célebre registrado como sendo de clarividência. Foi uma pesquisa experimental realizada nos anos 20 pelos professores franceses Charles Richet e Gustave Geley com o engenheiro polonês Stephan Ossowiecki. Em um dos testes, Ossowiecki precisava adivinhar o conteúdo de envelopes fechados. "Estou num zoológico, uma luta está acontecendo com um animal grande, um elefante. Ele não está na água? Vejo a sua tromba enquanto nada. Vejo sangue", descreveu o polonês. "Bom, mas não é tudo", observou Geley durante o experimento. "Espere, ele não está ferido na tromba?", interrompeu Ossowiecki. "Muito bem, houve uma luta", reconheceu o cientista. "Sim, com um crocodilo", emendou o polonês. A frase dentro do envelope era: "Um elefante se banhando no Ganges foi atacado por um crocodilo, que mordeu a sua tromba".

Em 1923, durante um congresso internacional de pesquisa psíquica, em Varsóvia, Ossowiecki adivinhou parte do conteúdo de uma nota embalada várias vezes em papéis coloridos e guardada num envelope lacrado. A nota trazia desenhos de uma bandeira e de uma garrafa. No canto, havia uma data: agosto, 22, 1923. O polonês conseguiu reproduzir a bandeira e a garrafa, mas escreveu a data desta forma: 19-2-23. Mesmo assim, Ossowiecki foi ovacionado.
Mas a polêmica em torno dessas adivinhações persiste e, até hoje, os parapsicólogos não chegaram a uma explicação sobre o seu mecanismo. "Enquanto a pesquisa sobre as relações mente-cérebro não alcançarem um patamar de maior clareza a respeito de experiências psíquicas e estados cerebrais, é temerário procurar uma explicação científica consistente para os fenômenos psi", diz Borges ("fenômenos psi", para quem não sabe, é como alguns estudiosos se referem aos fenômenos parapsicológicos). "Temos dados sugestivos, temos procedimentos metodológicos confiáveis, mas não dispomos de meios para operacionalizar, com segurança, essas experiências."


Um atalho na caça ao tesouro




Em 1907, o arqueólogo Frederick Bligh Bond pediu ajuda ao clarividente John Allan Bartlett para encontrar a capela de Edgar, na Abadia de Glastonbury, Inglaterra, em ruínas desde o século 16. Seguindo as instruções de Bartlett, foi possível determinar o local exato para as escavações. A notícia se espalhou e outros arqueólogos passaram a ver a paranormalidade como um meio de agilizar as descobertas.
Em 1979, o americano Stephan A. Schwartz liderou uma expedição em busca de tesouros arqueológicos no Egito, incluindo as ruínas da Biblioteca de Alexandria. Um dos membros da equipe era a clarividente Hella Hammid. Mesmo antes de sair dos Estados Unidos, Hella deu as indicações para as escavações: "Uma rua estreita ou viela com muros altos dos dois lados, vigas caídas, grande, madeira... Um tubo ou um canal com luz no final". Em Alexandria, onde jamais havia estado, Hella conduziu o grupo ao local exato. Lá estavam a passagem estreita e a coluna de madeira desmoronada. Outro caso célebre com a clarividente se deu em 1987, no Mar do Caribe. Depois de uma hora a bordo de um pequeno barco, Hella determinou o ponto onde havia "algo". Quatro semanas de escavação revelaram uma embarcação coberta por vegetação e areia. Assim foi descoberto um navio mercante americano que havia afundado nas primeiras décadas do século 19.

Precognição - Farejando desgraça

PRECOGNIÇÃO: FAREJANDO DESGRAÇAS



No dia 5 de setembro de 2001, o médium irlandês Zak Martin descreveu uma visão assustadora: "Na última semana, tive uma premonição muito nítida de um avião - parecido com uma aeronave comercial de passageiros - colidindo num arranha-céu e explodindo em chamas. Acho que é nos Estados Unidos - possivelmente Chicago". O relato de Martin foi enviado para o Registro de Premonições Psíquicas, uma entidade de parapsicologia do Reino Unido. Seis dias depois, não apenas um, mas dois aviões comerciais foram jogados contra as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York. Como se sabe, ambos explodiram e cobriram de fogo e fumaça os prédios mais altos daquele país, que acabaram ruindo e virando uma pilha de vidro, concreto e aço. Coincidência? Previsão do futuro? Levando-se em conta que Martin, aparentemente, nada tinha a ver com a Al Qaeda, o grupo terrorista acusado de promover o atentado, e contou o sonho quase uma semana antes da tragédia, a história rapidamente se transformou num badalado caso de precognição. Fenômeno mais freqüente da paranormalidade, precognição é o nome que os parapsicólogos dão para a premonição, o conhecimento prévio do futuro sem dados do presente que permitam a dedução do que vai acontecer. Todos os dias, dezenas de pessoas relatam fatos desse tipo. Muitos caem no esquecimento, sem nunca serem confirmados. Outros se materializam, com uma espantosa perfeição de detalhes, e enchem páginas de jornais, revistas, livros e sites de parapsicologia. Quanto mais universal a história, mais fácil de ganhar fama.

É o que aconteceu com o pintor americano Charles Burwell. Em setembro de 2000, ele terminou de pintar um quadro em estilo surrealista de 60 por 84 centímetros. A obra tinha tudo para permanecer anônima fora da turma das artes plásticas, não fosse um bizarro detalhe: em vez de relógios derretidos como os de Salvador Dalí, Burwell desenhou a imagem de um prédio coberto pelo que parece ser uma nuvem de fumaça em forma de sorvete de casquinha, destacando-se no horizonte de uma metrópole. Exatamente um ano depois, o próprio pintor se surpreendeu com a semelhança entre a tela e as fotografias das torres gêmeas queimando, publicadas no mundo todo. "O simbolismo de minha pintura lembrou-me quase imediatamente o 11 de setembro", escreveu o artista em seu site pessoal. "Mesmo depois dessa formidável coincidência, não estou certo se tenho ou não habilidades precognitivas."

Independentemente da explicação, a tela foi batizada de Omen, ou "presságio", em português. Afinal, Burwell pode ter tido uma precognição? Qualquer pessoa pode pressentir o futuro diante de seus olhos? "As faculdades parapsicológicas, todos têm, mas ninguém as domina", afirma o padre Oscar Gonzalez-Quevedo, um dos mais polêmicos parapsicólogos do Brasil. Assim, num momento de desequilíbrio, febre alta, dor de cabeça ou sonho, você poderia ver detalhadamente alguma coisa que ainda vai acontecer. Como envolve fortíssimas doses de emoção, as precognições normalmente estão relacionadas a acidentes, desastres e más notícias em geral.



Salvos por um sonho

Não é por acaso que o naufrágio do Titanic, uma das mais célebres tragédias do século 20, seja acompanhado de diversas histórias de pessoas que pressentiram a viagem sem volta do transatlântico. O empresário inglês J. Connon Middleton havia reservado passagens para ele e a família. Dez dias antes do embarque, ele sonhou com um navio de quilha para o ar, rodeado por passageiros e bagagem boiando. Para não assustar os parentes, ficou quieto. Mas o sonho se repetiu na noite seguinte. Middleton resolveu adiar a passagem, pois a viagem não era urgente, e contou tudo para três amigos. Na fatídica noite de 14 de abril de 1912, o Titanic bateu num iceberg e afundou no Atlântico Norte, matando 1500 pessoas, entre passageiros e tripulantes. Middleton relatou o caso para a Sociedade de Parapsicologia de Londres, acompanhado dos passaportes, das reservas e de uma carta com o testemunho assinado dos amigos. Dias depois, novos registros foram aparecendo. O marinheiro Colin MacDonald, por exemplo, recusou a função de subchefe de máquinas do Titanic por causa de um presságio de desastre.

Em alguns casos, foi pura superstição, como os milionários J. P. Morgan e George W. Vanderbilt, que admitiram ter cancelado as passagens por medo de estar na viagem inaugural de um navio. Em outros, faltavam detalhes que pudessem relacionar os sonhos e as precognições ao acidente do Titanic. Se o problema são os detalhes, a história do escritor inglês Morgan Robertson é de arrepiar. Em 1898, ele publicou um romance sobre o naufrágio de um grande navio, que ocorria num mês de abril, após chocar-se com um iceberg no norte do Atlântico. Metade dos passageiros morria por falta de botes salva-vidas, tal qual ocorreria com o Titanic. Mera coincidência ou terrível premonição, o livro chamava-se Futility or the Wreck of the Titan ("Futilidade ou o Naufrágio de Titan", sem versão para o português). Robertson não viajou no Titanic, logo, não virou personagem da própria ficção.

Já o jornalista inglês W. T. Stead não teve a mesma sorte. Até 1912, ele tinha publicado várias histórias, entre as quais o conto "O Fantasma Branco do Desastre", a respeito de navios que afundavam no oceano e os passageiros morriam à deriva. Stead se interessava pelo sobrenatural e visitou alguns médiuns, em busca de novas idéias fantásticas para os seus textos. Nesses contatos, três deles teriam avisado sobre o acidente do Titanic, com premonições como "será perigoso viajar no mês de abril de 1912" ou "você estará no meio de uma catástrofe na água". Mesmo assim, Stead embarcou naquela primeira e última travessia do Titanic. E, como costumava narrar em seus livros, foi um dos que morreram no mar porque não havia botes suficientes para todos. Embora fossem escritores de ficção, Robertson e Stead teriam visto o futuro? Ou foram vítimas casuais da própria imaginação literária?

Os céticos citam um dado comum a esses acontecimentos: todos se referem a preocupações de suas épocas. No começo do século 20, quando os navios dominavam o transporte de pessoas de um continente para outro, preocupar-se com naufrágios era tão comum quanto temer um atentado aéreo nos dias de hoje, quando os turistas preferem o avião. A pergunta racional seria: por que ouvimos poucas premonições de tragédias marítimas no século 21 em comparação às visões de Boeings explodindo no ar? Nesse caso, Robertson e Stead teriam apenas denunciado um fato daqueles anos: as empresas marítimas descuidavam da segurança. Em 1998, a inteligência americana alertou a Casa Branca para a possibilidade de ataques terroristas, com o uso de aviões, dentro dos Estados Unidos. O relatório estava certo, como comprovou o atentado de 11 de setembro, e não foi feito por uma equipe de precognitivos. No site Dicionário do Cético (brazil.skepdic.com), o americano Robert Todd Carroll cita a lei dos números muito grandes. Essa lei diz que, numa amostra suficientemente grande, muitas coisas estranhas demais para parecerem coincidências são prováveis e nada estranhas. "Digamos que a possibilidade de uma pessoa sonhar com a queda de um avião, e um cair no dia seguinte, seja de 1 para 1 milhão. Com 6 bilhões de pessoas tendo em média 250 temas de sonho por noite, devem existir 1,5 milhão de pessoas por dia tendo sonhos que parecem clarividência", escreve Carroll. A análise cética utiliza também a regra do efeito Forer - quanto mais vagos forem o sonho, a premonição ou a predição, mais exatos eles parecerão.

Na parapsicologia, a precognição só é reconhecida se a pessoa não tiver informações no presente que permitam a dedução do futuro. Em 1915, Edward Bowen, um bem-sucedido vendedor de calçados de Boston, nos Estados Unidos, estava com bilhete comprado para embarcar no luxuoso transatlântico britânico Lusitania. Na véspera da viagem, ele sentiu uma súbita preocupação e resolveu ficar. "Um sentimento cresceu dentro de mim de que algo ia acontecer ao Lusitania. Conversei seriamente com minha esposa, e decidimos cancelar nossa passagem, apesar de eu ter um negócio importante marcado em Londres", contou a amigos, na ocasião. Um dia antes da partida, os tripulantes do Lusitania interpretaram como mau agouro a fuga do mascote do navio, um pequeno gato preto. Em 7 de maio de 1915, um torpedo alemão afundou o Lusitania. Naquele ano, Grã-Bretanha e Alemanha combatiam em lados opostos na Primeira Guerra Mundial. Os jornais dos Estados Unidos publicavam anúncios da embaixada alemã alertando que os viajantes deveriam assumir os riscos de atravessar o Atlântico. O clima era hostil, mas ninguém imaginava ataques a navios de passageiros. A Marinha alemã pensou diferente, matando 1200 pessoas que estavam a bordo do Lusitania. Bowen teve uma premonição verdadeira ou estava influenciado pelas notícias vindas do front? O comerciante estaria impressionado com os perigos de viajar para a Europa durante a guerra ou pressentiu a tempo a tragédia? Para céticos ou não, a única certeza é que Bowen e a mulher sobreviveram.



Central de premonições

Apesar das centenas de precognições vagando pelo planeta, ninguém consegue evitar os desastres a tempo. Primeiro, porque é preciso acreditar que um sonho seja premonitório e não um pesadelo causado pelo jantar. Segundo, porque é impossível determinar se a visão de um acidente vai se tornar realidade. Em 1967, o psiquiatra J. C. Barker criou o Escritório Britânico de Premonições, na Inglaterra, com a proposta de centralizar as experiências precognitivas. Qualquer um que tivesse sonhado ou pressentido um evento podia telefonar para o escritório e relatá-lo. A idéia de Barker era simples: se um número considerável de pessoas descrevesse situações parecidas, ele poderia construir um sistema de alerta e prevenção de desastres. Em seis anos, foram recebidas 1 206 ligações. Poucas pareciam conter premonições verdadeiras de assuntos de interesse público, além de serem feitas normalmente pelas mesmas pessoas. Barker não conseguiu estabelecer um padrão claro de repetições ou uma quantidade considerável de registros de um único evento. Ainda que tenha obtido algum sucesso em antecipar determinados fatos, o escritório foi incapaz de evitar qualquer tragédia e fechou. Hoje existem trabalhos similares, como o da entidade para a qual Zak Martin comunicou a visão do 11 de setembro, que apenas registram as precognições. Entretanto, continua-se não conhecendo alguém que impediu uma catástrofe a tempo.



Está tudo escrito?

Algum dia será possível prevenir um acidente baseado num relato de precognição? "A precognição é o conhecimento direto do futuro", afirma o padre Quevedo, do Centro Latino-Americano de Parapsicologia. "Se o fato for evitado, foi uma falsa precognição." Por isso, segundo a parapsicologia, as tragédias previstas não poderiam ser evitadas. No filme Minority Report - A Nova Lei, de Steven Spielberg, baseado no livro do escritor americano de ficção científica Philip K. Dick, três jovens precognitivos visualizam os assassinatos antes de eles acontecerem. Com a informação em mãos, os policiais de Washington prendem os criminosos antes do crime. Seguindo o raciocínio dos parapsicólogos, como os crimes não ocorriam, os três precognitivos erravam todas as previsões. Se eles erravam, os acusados não se tornariam assassinos.

Claro que o livro e o filme Minority Report são obras de ficção, mas a explicação parapsicológica das precognições questiona a viabilidade de usar paranormais na investigação de crimes. Simplesmente porque as visões não escolhem hora para aparecer. "As precognições são fenômenos espontâneos e incontroláveis", diz Quevedo. O padre ficou famoso como caçador de falsos paranormais e virou um dos maiores inimigos de videntes, adivinhos e futurólogos em geral que garantem dominar poderes extra-sensoriais de precognição, clarividência e telecinese, entre outros.
Se pode fazer o cérebro humano acertar o futuro, a percepção extra-sensorial tem pelo menos uma limitação, conforme a parapsicologia. As precognições são sempre relacionadas ao nosso conhecimento do mundo e dentro de um prazo existencial de dois séculos, para frente ou para trás. Por isso, ninguém conseguiu acertar previsões sobre outros planetas já visitados por sondas terrestres ou decifrar um hieroglifo por meio da retrocognição - a capacidade de ver o passado. Com tantos estudos sobre o assunto, o que falta para a precognição ser reconhecida como um fenômeno verdadeiro? A resposta está na estatística, a grande divergência entre céticos e parapsicólogos. Ao seu modo, cada um interpreta os números de premonições que se materializaram. Voltemos ao caso de Zak Martin. No mesmo relato de 5 de setembro de 2001, no qual antecipou o avião batendo no arranha-céu, o médium irlandês descreveu outras duas visões: "Eu também prevejo duas mortes na família real, uma logo depois da outra" e "Tenho a impressão de uma tentativa de assassinato do líder palestino Yasser Arafat. Não tenho certeza, mas acho que envolve uma explosão". Como se sabe, a rainha-mãe britânica Elizabeth morreu no dia 29 de março de 2002, menos de dois meses após a morte da filha, a princesa Margaret. Já Yasser Arafat morreu, internado num hospital militar na França, no dia 11 de novembro de 2004. Dois acertos em três previsões indicam coincidência, sorte ou precognição? Depende do lado em que você estiver.


Na onda do Tsunami




Em outubro de 2004, a médium americana Sylvia Browne disse num programa de TV que os turistas, por questões de segurança, deveriam evitar ir à Índia. Sua previsão era muito vaga, como costumam ser as profecias desse tipo (a médium não explicou o que queria dizer com as tais "questões de segurança"). O fato é que, dois meses depois, no dia 26 de dezembro, parte da Índia foi atingida pelo tsunami, a onda gigante causada por um maremoto no sul do Pacífico. Rapidamente, Sylvia contabilizou o desastre como mais uma das premonições da sua bem-sucedida carreira de vidente. Para os céticos, no entanto, faltou mencionar o maremoto, o tsunami e a Indonésia - de longe, o país mais castigado pela catástrofe.

No dia 29 de dezembro, Sylvia foi novamente à TV para dizer que os astros Brad Pitt e Jennifer Aniston, um dos casais mais famosos de Hollywood, iriam se separar. O programa fora gravado no dia 8 de dezembro. Quase um mês depois, no dia 7 de janeiro deste ano, Brad Pitt e Jennifer Aniston anunciaram o fim de seus quatro anos de casamento.

Sylvia ganha a vida dando palestras e escrevendo livros de auto-ajuda. Algumas de suas obras viraram best sellers nos Estados Unidos e foram publicadas no Brasil, como O Outro Lado da Vida (Sextante, 2000) e A Vida no Outro Lado (Sextante, 2001). Em 2001, a médium aceitou colocar seus poderes à prova do cético e caçador de paranormais James Randi - até hoje ela não se apresentou para o desafio.

Para quem prefere acreditar nos poderes mediúnicos de Sylvia, convém anotar algumas previsões que ela faz para os próximos cem anos (veja mais no site www.sylvia.org):

- O câncer vai ser erradicado e, se isso não bastasse, será desenvolvida uma nova forma de extração de dentes sem dor, usando um método de sucção.

- Alienígenas farão contato conosco em 2010 (não se preocupe, pois eles não nos farão mal - querem apenas observar o que estamos fazendo com nosso planeta).

- A paz finalmente chegará ao Oriente Médio, mas ainda precisaremos aguardar até o ano 2050.

- Em 2055, a maioria das pessoas viverá em cidades dentro de domos, devido às "pobres condições atmosféricas".

- Ainda neste século, os Estados Unidos deixarão de ter um presidente e passarão a ser administrados pelo Senado.

- Não haverá mais somente um papa, mas três - cada um responsável por uma determinada região do mundo católico.
- O planeta viverá em paz por volta de 2050 a 2100 - depois disso, Sylvia não põe a mão no fogo ("Não vejo nada além, o que pode significar que ‘o fim virá como um ladrão na noite’", afirma a médium em seu site).

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

O Parapsicólogo - Duvidar para crer.

O PARAPSICÓLOGO: DUVIDAR PARA CRER



Wellington Zangari, 40 anos, começou a se interessar pelo estudo de fenômenos paranormais ainda adolescente, aos 12 anos. Aos 15, já tinha devorado praticamente tudo o que havia de literatura sobre esse assunto em português. Hoje, é um dos maiores especialistas brasileiros em parapsicologia - ou estudos de psi, como prefere chamar. Psicólogo com mestrado em Ciências da Religião pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e com doutorado em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP), Zangari coordena o Inter Psi - Grupo de Estudo de Semiótica, Interconectividade e Consciência da PUC-SP (www.pesquisapsi.com). Já participou de investigações sobre diversos fenômenos supostamente paranormais. Entre os casos mais conhecidos está o da "Virgem Maria da vidraça", em 2002. Na época, uma misteriosa mancha que surgiu na janela de uma casa na cidade de Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo, chamou a atenção de muitos curiosos. Para alguns, a mancha lembrava a silhueta da Virgem Maria, o que foi recebido como um milagre por vários católicos que foram visitar o local. Os laudos técnicos, no entanto, apontaram que tudo não passava de um defeito natural no vidro. Zangari também ajudou a investigar supostos poderes paranormais atribuídos ao "entortador de talheres" Thomaz Green Morton e ao cirurgião psíquico Maurício Magalhães. Nos dois casos, ele encontrou indícios de fraude.

Para Zangari, os fenômenos ditos paranormais nada têm de místico ou sobrenatural. São apenas eventos naturais que ainda não conhecemos direito e, na falta de explicação melhor, acabam caindo no terreno da religião e da superstição. Buscar essa explicação melhor e encaixá-la no resto da teoria científica é a essência da parapsicologia, afirma Zangari na entrevista a seguir:



Por que a parapsicologia, muitas vezes, é encarada com desconfiança pelos céticos?

Tradicionalmente, as pessoas relacionam parapsicologia a religião ou a terapias alternativas, embora não exista relação alguma. Isso acontece porque no Brasil há várias pessoas religiosas que se valem de conhecimentos parapsicológicos para fins como provar a ocorrência de milagres ou confirmar a existência dos espíritos. No entanto, essas duas coisas estão fora do campo de atuação da parapsicologia científica.



Qual é a ligação que existe entre a parapsicologia e a psicologia convencional?

É um ramo da psicologia como um todo, já que nós estudamos experiências humanas, como sonhar com o futuro ou ver quadros virarem nas paredes. Nós não assumimos antecipadamente a existência dessas anomalias, mas procuramos avaliar todas as experiências que apontam nessa direção.



O que é considerado uma anomalia?

É aquilo que não é totalmente conhecido ou explicável pela ciência num determinado momento histórico. Não tem nada a ver com ser sobrenatural. O objetivo do parapsicólogo é verificar até que ponto essas alegações de paranormalidade são verdadeiras e até onde elas podem ser explicadas por processos científicos.



Como saber se um fenômeno é mesmo paranormal ou se é um simples truque ou obra do acaso?

A primeira hipótese a ser eliminada é a fraude. A segunda é que seja um problema perceptivo, no qual a pessoa interpreta equivocadamente aquilo que percebe. Podem ocorrer também problemas de transtornos mentais: a pessoa vê o que não existe, o que pode ser resultado de uma doença mental. A experiência humana sempre é subjetiva. Por trás dela, pode haver um fenômeno real, mas ele só pode ser definido cientificamente de maneira experimental. Qualquer alegação de paranormalidade, por mais detalhada que seja, não dá garantia de que a possibilidade de coincidência foi eliminada. A pesquisa experimental procura produzir o fenômeno numa circunstância livre de fraudes e diminuir ao mínimo a chance de coincidências.



Já se consegue demonstrar cientificamente a ocorrência de fenômenos paranormais?

É uma polêmica que existe entre psicólogos, engenheiros e físicos, pois os resultados são flutuantes. Temos uma série de estudos experimentais, que são avaliados por meta-análises [combinação de diversos resultados de diferentes experimentos sobre o mesmo assunto]. Um exemplo são os experimentos Ganzfeld [isolamento sensorial e eletromagnético de duas pessoas em salas separadas e verificação de alguma eventual comunicação]. Os resultados obtidos estão acima do esperado por mero acaso, mas há polêmicas sobre como interpretá-los. Muitas das meta-análises são favoráveis à existência da paranormalidade, outras não. Eu considero que há mais evidências favoráveis do que não favoráveis, mas não há provas definitivas.



O fato de trabalhar com meta-análises e não conseguir descrever os mecanismos dos fenômenos não torna as explicações frágeis?

Nesse sentido, acho que toda a explicação científica é frágil. Não conhecemos totalmente os mecanismos de praticamente fenômeno nenhum. Pouco se sabe sobre certas regiões do cérebro e vários fenômenos físicos. Recentemente, Stephen Hawking esteve revisando sua teoria sobre os buracos negros. Isso mostra que não é um problema que só acontece com fenômenos anômalos, mas com todas as áreas da ciência.



O que separa os parapsicólogos dos céticos?

Parapsicólogos são céticos. Senão, assumiríamos a existência dos fenômenos em vez de utilizar metodologia científica para avaliá-los. Os que se auto-intitulam céticos geralmente negam o fenômeno antes de estudá-lo. No Brasil e no resto do mundo, temos instituições de ceticismo que não fazem outra coisa a não ser negar, já de início, a existência de determinados fenômenos. Por outro lado, existem também parapsicólogos que assumem a existência do fenômeno antes de estudá-lo, o que também é errado.



A parapsicologia tem pouco mais de um século de existência. Nesse período, afinal, o que se produziu de sólido e incontestável?

Nada. Todos os resultados são freqüentemente contestados pelos próprios pesquisadores da área. Mas muitos experimentos tiveram resultados consistentes e positivos em relação à existência da paranormalidade. Por exemplo: se não existe transmissão telepática, os sujeitos que passam por esse tipo de experimento deveriam ter um índice de acerto muito próximo de 25%. Mas a maior parte das meta-análises indica que, na média, eles são capazes de acertar 35% da vezes. Do ponto de vista estatístico, é uma diferença bastante significante. De maneira que algo além do acaso deve estar acontecendo entre a pessoa que emite e a que recebe essas informações.



Há pessoas que dizem ser capazes de desenvolver ou aprimorar habilidades paranormais em outras. Essas habilidades são adquiríveis?

Todas as pesquisas realizadas até o momento sobre aprendizagem demonstram que nenhuma técnica é eficaz para desenvolver ou mesmo para controlar essas habilidades. Isso significa que os fenômenos são espontâneos, involuntários e inconscientes, de forma que nenhuma técnica seria capaz de desenvolvê-los de maneira consistente. Não se pode afirmar que isso seja impossível, mas nenhum estudo realizado conseguiu resultados significativos.



Por que há tanto espaço para a charlatanice nos assuntos que envolvem esses fenômenos?
Porque existem pessoas que são facilmente enganáveis, que não têm um senso crítico apurado e que querem acreditar no que é aparentemente sobrenatural. É obrigação do pesquisador dessa área mostrar para o público o risco que elas correm ao acreditar ou confiar em pessoas que dizem possuir esses "poderes". Tudo o que sabemos mostra que ninguém pode controlar essas habilidades. Então, quando alguém se diz capaz de fazê-lo quando e como quiser, é muito provável que seja uma fraude. Essa é uma dica para que as pessoas não caiam no conto-do-vigário.


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Fraudes - Me engana que eu gosto.

FRAUDES: ME ENGANA QUE EU GOSTO


A suspeita de fraude sempre rondou os fenômenos ditos paranormais. Algumas histórias causaram comoção em suas épocas, antes de serem desmascaradas. Um dos episódios mais célebres foi um verdadeiro - ou melhor, um fictício - conto de fadas e envolveu duas meninas inglesas, Elsie Wright, de 16 anos, e sua prima Frances Griffiths, de 10. Em 1917, elas garantiram ter visto pequenas fadas, com 10 centímetros de altura, em um lugarejo chamado Cottingley Glen, pequeno pântano cercado de árvores, onde costumavam brincar. Contaram a história ao pai de Elsie, que não acreditou. As meninas resolveram, então, pegar emprestada a câmera fotográfica dele e "provar" com fotografias.

Elas obtiveram duas imagens. A primeira mostrava um grupo de pequenas mulheres com asas de borboleta dançando à frente de Frances. Na outra, era Elsie quem brincava com um gnomo. A história correu o país e ganhou um defensor famoso: o escritor Arthur Conan Doyle, criador de Sherlock Holmes. Espiritualista "fanático", ele não hesitou em tratar as aparições das fadas como autênticas, ignorando falhas evidentes nas imagens. A primeira foto, por exemplo, mostra quatro fadas dançando e tocando flautas. No fundo aparece uma cachoeira borrada, indício de que a foto foi feita com uma velocidade lenta do obturador. Se estivessem em movimento, as fadas também deveriam aparecer borradas na foto, certo?

Ao longo das décadas seguintes, as protagonistas da história deram explicações evasivas sobre as curiosas imagens. Até que Elsie, já idosa, admitiu ter desenhado as fadas inspirada nas ilustrações de um livro infantil. Assim como a prima, no entanto, ela continuou afirmando que ambas realmente viram fadas, só não tinham como provar - daí a idéia de forjar as imagens.



Ruídos do outro mundo

Em 1848, duas irmãs que viviam em um lugarejo próximo a Nova York - Kate, de 11 anos, e Margareth, de 13 - começaram a relatar a ocorrência de barulhos estranhos no quarto delas. E o mais incrível é que ambas conseguiam se comunicar com os ruídos, atribuídos ao fantasma de um comerciante que vivera na mesma casa, para a qual a família Fox havia se mudado no ano anterior. Era assim: as meninas batiam palmas e o espírito "respondia" com estalos. A história se espalhou rapidamente e logo atraiu todo tipo de curiosos. O caso foi investigado sem que ninguém pudesse classificá-lo como fraude: os ruídos pareciam mesmo vir do além.

Quatro décadas se passaram até que Margareth decidiu confessar a fraude - e o fez em uma demonstração pública, presenciada por dezenas de espectadores, em 1888. Ela revelou que os ruídos eram resultado de uma estranha habilidade das irmãs: estalar as juntas dos dedões dos pés, que se mexiam quase imperceptivelmente.



Truques do homem do "rá!"

O mineiro Thomaz Green Morton, o homem do "rá!" (seu grito "energizante"), ficou famoso nos anos 80 como um paranormal capaz de produzir luzes, entortar talheres e fazer perfume brotar das mãos, poderes que teria desenvolvido aos 12 anos, depois de ser atingido por um raio enquanto pescava. Aclamado por alguns como o "maior paranormal do mundo", ele atraiu uma legião de personalidades para o seu sítio em Pouso Alegre (MG). Gal Costa, Elba Ramalho, Ivo Pitanguy, Baby Consuelo e Sérgio Reis estavam entre os que não hesitavam em testemunhar sobre as façanhas do guru. No auge da fama, consta que ele chegou a cobrar 20 mil dólares por cinco dias no seu sítio para "tratamento de energização".

Hoje, estudiosos de fenômenos paranormais não têm dúvida de que Morton não passa de um ilusionista - e nem é dos melhores. "Ele é uma farsa", afirma o psicólogo Wellington Zangari, coordenador do Inter Psi (Grupo de Estudo de Semiótica, Interconectividade e Consciência), ligado à PUC de São Paulo. "Morton diz ter todos esse poderes, mas jamais conseguiu demonstrá-los a pesquisadores com conhecimento de ilusionismo e prestidigitação", diz Zangari.

Morton já foi flagrado diversas vezes, inclusive em frente às câmeras. Uma das imagens o mostrou em volta de uma mesa com amigos, segurando um garfo quebrado. Enquanto pedia aos presentes que dissessem um número de 0 a 100, ele buscou embaixo da mesa um talher já colado - em câmera lenta, o movimento era claro. De repente, gritou o famoso "rá!" e deu o garfo colado a quem supostamente teria acertado o número.

Em outra ocasião, um flash de máquina fotográfica escondido embaixo da mesa disparou antes da hora, revelando o truque usado para produzir os fenômenos luminosos. Morton ficou visivelmente desconcertado e tentou atrair a atenção dos presentes para outro ponto, afirmando que a luz havia vindo de lá. Houve também a cena em que ele passou um punhado de moedas de uma mão para a outra e exibiu, ao final, uma das moedas dobradas - o problema é que na mão de origem havia oito moedas e na mão de destino apareceram nove.

Apesar das evidências, ainda há quem consiga encontrar fatos inexplicáveis relacionados aos supostos poderes de Morton, como, por exemplo, a protuberância na testa que parece se inchar de vez em quando. "Isso pode ser feito com um sistema simples de sucção, como aquelas bombas usadas para extrair leite materno, ou pela utilização de alguma substância química que produza reação alérgica", diz Zangari. Para dar uma última oportunidade a Thomaz Green Morton - que anda um tanto recluso já faz algum tempo -, Zangari lança um desafio público: que ele se submeta a testes na sede do Inter Psi, com a presença de jornalistas e de equipes de TV.



Dois nomes, duas fraudes

A francesa Marthe Béraud iniciou sua "carreira" de médium em 1906, aos 19 anos. Após a morte do noivo, filho de um influente general, ela foi viver com os ex-futuros sogros na Argélia. Lá começou a se dizer capaz de materializar um fantasma. Nas apresentações, que atraíam representantes da alta sociedade, a figura de um homem com uma densa barba negra - e ostentando um turbante - surgia entre as cortinas que separavam Marthe da platéia. A aparição dizia se chamar Bien Boa, um hindu que teria vivido mais de 300 anos antes. Apesar dos detalhes quase cômicos (certa ocasião, a longa salva de palmas acompanhada de gritos de "bravo!" fez Bien Boa reaparecer de trás das cortinas para reverenciar o público), a credibilidade das apresentações só ruiu quando um cocheiro árabe chamado Areski revelou que era ele quem fazia o papel do hindu. Um alçapão oculto seria o truque para entrar em cena. Os defensores de Marthe alegaram que Areski estava mentindo para se vingar por ter sido demitido. De qualquer forma, a denúncia obrigou Marthe a sair temporariamente de cena.

Alguns anos depois, Marthe reapareceu em Paris, ostentando então o nome Eva Carrière - ou, como gostava de ser chamada, Eva C. As aparições de Bien Boa deram lugar a uma nova habilidade: materializar imagens de rostos humanos. Em processos novamente realizados em ambientes escondidos por cortinas, as imagens surgiam grudadas no pescoço ou no cabelo de Marthe. As fotografias das sessões de Eva C. causaram sensação no período entre 1909 e 1913. Aos olhos de hoje, contudo, soam até ingênuas - as "materializações" eram visivelmente feitas de papel amassado.

A fraude de Eva C. começou a ser desmascarada quando alguém notou que os rostos eram muito parecidos com os de fotos publicadas na revista Le Miroir, grosseiramente retocadas. Mesmo com todas as evidências, seus defensores ensaiaram uma explicação: ela era leitora assídua da revista e isso teria influenciado o seu dom paranormal.



O fantasma de Columbus

Em 1984, alguns fenômenos estranhos - ruídos inexplicáveis, objetos que caíam sozinhos, móveis que se arrastavam pelo chão - começaram a ocorrer na casa de Tina Resch, uma adolescente de 14 anos de Columbus, no estado americano de Ohio. A imprensa passou a cobrir o caso, logo chamado de "O poltergeist de Columbus" - em alusão ao filme Poltergeist, que fizera sucesso dois anos antes. Com a casa dos Resch cercada por jornalistas, a câmera de uma equipe de TV captou por acaso uma cena em que Tina gritava com horror ao ver um abajur se espatifar no chão. Parecia que o objeto tinha caído sozinho, mas a imagem mostrava que, na realidade, a garota havia discretamente puxado o fio do abajur.
A descoberta da fraude revelou um drama familiar. Tina era adotada pelo casal John e Joan Resch e quis chamar a atenção da mídia para encontrar seus pais verdadeiros. A história teve um final triste. Os verdadeiros pais de Tina nunca apareceram. Antes de fazer 20 anos, ela se envolveu com um rapaz e engravidou. Em 1992, a pequena Amber, de 3 anos, foi encontrada morta com vários ferimentos na cabeça. As investigações incriminaram Tina e, em 1994, ela foi condenada à prisão perpétua.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Os Mistérios da Mente

OS MISTÉRIOS DA MENTE



Apesar da impressionante quantidade de casos (ou "causos") relatados como paranormais, praticamente todos eles podem ser classificados em dois grupos: os que estão ligados ao conhecimento (PERCEPÇÃO EXTRA-SENSORIAL) e os que agem sobre a matéria (PSICOCINESE). Entenda como eles se relacionam e veja algumas de suas principais manifestações



PERCEPÇÃO EXTRA-SENSORIAL

Seria a capacidade humana de adquirir informações sem usar nenhum dos cinco sentidos conhecidos (visão, audição, olfato, paladar e tato). Seria, portanto, uma espécie de "sexto sentido". Há várias teorias para tentar explicar como isso seria possível. Uma delas diz que as pessoas podem sentir as descargas elétricas que transportam informações através do cérebro



CLARIVIDÊNCIA

É a aquisição de informações de lugares ou objetos, sem o envolvimento de outra mente. Ela pode se manifestar por meio das experiências fora do corpo, em que uma pessoa tem a sensação de se desprender do próprio corpo e obtém informações sobre pessoas e lugares desconhecidos, mas que realmente existem. Uma variante é o doppelganger, em que a pessoa diz enxergar uma sósia



PRECOGNIÇÃO

Também conhecida como premonição, envolve casos de pessoas que obtêm informações sobre o futuro sem dispor de dados do presente que lhes permitam deduzir o que vai acontecer. Pode se manifestar por meio de sonhos. Um dos episódios mais célebres é o de um homem que cancelou sua viagem no Titanic dois dias antes da partida, por ter sonhado que o navio iria naufragar



TELEPATIA

É a interação entre duas mentes, com a transmissão de pensamentos, imagens e memórias. Pode ser responsável por experiências como ouvir "vozes do além" - algumas delas teriam sido registradas eletronicamente e são conhecidas como fenômenos da voz eletrônica (ou EVP, sua sigla em inglês). Outras manifestações de telepatia seriam os casos de reencarnação, em que uma pessoa diz ter recordações de vidas passadas, e as experiências de quase-morte (EQM), nas quais alguém que esteve na fronteira entre a vida e a morte relata coisas relacionadas ao seu passado ou mesmo ao suposto futuro. A técnica mais sofisticada para estudar a telepatia é o experimento de Ganzfeld. Esses testes começaram a ser aplicados na década de 70 e, até o momento, segundo alguns estudiosos, tiveram êxito em demonstrar, pelo menos, a possibilidade de existência da telepatia



PSICOCINESE (PK)

É a suposta habilidade de afetar objetos físicos ou seres vivos a distância, sem usar a musculatura ou forças físicas conhecidas. Literalmente, significa mover coisas com o poder da mente. Os alegados feitos de entortadores de talheres entram nessa categoria. Casos de levitação, de movimentação de objetos grandes e pesados ou de quebrar coisas sem tocar nelas são bastante questionados pela ciência, mas há indícios de que efeitos menores, imperceptíveis a olho nu, podem realmente acontecer



MACRO-PK

São as manifestações visíveis de objetos sendo movidos. Uma das mais conhecidas seriam os Poltergeists ou casas mal-assombradas, com a ocorrência de eventos como fogo espontâneo e barulhos que saem das paredes. Os responsáveis por esses eventos não seriam espíritos, mas sim pessoas (geralmente crianças ou jovens) com problemas emocionais



BIO-PK

É a psicocinese aplicada diretamente num ser vivo. Um exemplo de sua manifestação seria o aumento temporário da condutividade elétrica na pele. Pode ser um dos componentes das alegadas curas mediúnicas. A sensação de estar sendo observado, mesmo sem ninguém por perto, pode ser resultado de uma ação de bio-PK. Há também relatos de pessoas que seriam capazes de secar folhas de plantas sem tocar nelas



MICRO-PK
Funciona da mesma forma que a macro-PK, mas com pedaços muito pequenos de matéria, perceptíveis apenas com aparelhos eletrônicos. O experimento mais usado para estudar esses fenômenos utiliza um aparelho chamado Gerador de Números Aleatórios (GNA). Essa máquina produz apenas dois resultados (0 ou 1), em uma seqüência aleatória. A pessoa que se submeter a esse teste deve tentar, apenas com sua concentração, alterar a distribuição dos números aleatórios, direcionando, para a esquerda ou para a direita, as partículas expelidas por um elemento radioativo em decomposição. Em alguns casos, deve fazer com que a máquina produza mais 1 do que 0, ou o contrário. É como atirar uma moeda para cima repetidas vezes e tentar obter mais caras do que coroas, ou vice-versa



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