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terça-feira, 11 de janeiro de 2022

Para Francisco diz que sexo fora do casamento não é um pecado tão grave

Para Francisco diz que sexo fora do casamento não é um pecado tão grave

Declaração surgiu em resposta a uma pergunta sobre o arcebispo de Paris, que renunciou devido a um relacionamento com uma mulher.

sábado, 11 de setembro de 2021

Fatia de bolo do casamento do príncipe Charles e Lady Di é leiloado por preço recorde

Fatia de bolo do casamento do príncipe Charles e Lady Di é leiloado por preço recorde

Um comprador arrematou a relíquia por £ 1.850 (cerca de R$ 13 mil).

segunda-feira, 10 de maio de 2021

Como era a vida íntima dos casais no Antigo Egito

Como era a vida íntima dos casais no Antigo Egito


Civilização apresentava semelhanças com culturas modernas no que diz respeito a relacionamentos.

domingo, 18 de abril de 2021

Carruagem cerimonial de luxo é encontrada nas ruínas de Pompeia

Carruagem cerimonial de luxo é encontrada nas ruínas de Pompeia

Arqueólogos italianos anunciaram a descoberta de uma carruagem cerimonial praticamente intacta nas ruínas de Pompeia. 

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Ciência recria milagre do vinho de Jesus


Ciência recria milagre do vinho de Jesus



Não foi um milagre qualquer, mas a amostra da capacidade de Jesus de transformar substâncias, a pedido de sua mãe, Maria, durante um casamento em Caná.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Por que ainda perguntamos se Jesus foi casado ou não ?


Por que ainda perguntamos se Jesus foi casado ou não ?


A decodificação recente de um texto antigo, que revela Jesus Cristo como o marido de Maria Madalena e pai de dois filhos, reaviva a hipótese de que o messias bíblico foi casado. Esses são os cinco motivos pelos quais ainda nos questionamos sobre o estado civil de Jesus: 

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Quanto mais caro o anel, maior a chance de divórcio


Quanto mais caro o anel, maior a chance de divórcio


Quantos quilates têm aquele seu belíssimo anel de noivado? Se o valor for alto demais, cuidado! Pesquisadores da Universidade Emory (Georgia, EUA) publicaram um estudo que faz uma ousada afirmação. Adultos norte-americanos que gastam cifras generosas com anéis de noivado ou de casamento estão mais propensos ao divórcio.

De acordo com o relatório (disponível aqui, em inglês), homens que gastam de US$ 2 mil a US$ 4 mil têm 1,3 a mais de chances de se divorciarem do que aqueles que compram anéis entre os valores de US$ 500 e US$ 2 mil. Casamentos que custam US$ 20 mil também estão sujeitos a acabar – de acordo com o The Knot, o valor médio dessas festanças nos EUA é de US$ 30 mil.

Via Em Resumo 

FONTE(S) SSRNMy Fox Houston




terça-feira, 26 de agosto de 2014

Eu vos declaro marido e mulher - História


EU VOS DECLARO MARIDO E MULHER - História


Depois da invenção da pílula anticoncepcional, em 1960, o casamento andou em baixa. Mas nunca saiu de moda. E olha que é uma moda antiga. Está estabelecida há pelo menos 3 000 anos. Nesse período muita coisa mudou, principalmente até o século XIX, quando a rainha Vitória, da Inglaterra, inaugurou o estilo de núpcias que persiste até hoje. É isso mesmo, no que diz respeito à união entre homens e mulheres, nós ainda somos vitorianos. E a fama de maio, mês das noivas, está aí para comprovar.

sábado, 30 de novembro de 2013

Por que nós usamos anéis de casamento?


Por que nós usamos anéis de casamento?


Descubra a origem e o simbolismo de uma das tradições mais difundidas na cultura ocidental

Você já parou para se perguntar por que nós usamos anéis de casamento? Ou melhor, por que eles são usados no quarto dedo da mão esquerda?

domingo, 18 de novembro de 2012

Saiba como a bicicleta revolucionou o sexo e a genética

Saiba como a bicicleta revolucionou o sexo e a genética


Bicicleta surgiu no século 19 (Foto: BBC)

Invenção foi crucial para evolução humana, diz geneticista britânico.

Que invenção pode ter sido mais revolucionária para o sexo do que a pílula anticoncepcional, a camisinha ou o Viagra? Para um dos geneticistas mais renomados da Grã-Bretanha, a resposta é clara: a bicicleta.
Stephen Jones, professor do University College de Londres (UCL), uma das mais respeitadas instituições de ensino e pesquisa do país, destaca que a invenção da bicicleta foi o evento mais importante dos últimos 100 mil anos da história da evolução humana.

Para Jones, em entrevista ao programa da BBC Science Club, a bicicleta "fez com que os homens não se limitassem mais a encontrar sua companheira sexual na porta ao lado, mas, sim, transportar-se a aldeias vizinhas e manter relações sexuais com uma mulher do povoado ao lado".

Transporte barato e eficiente
Embora a bicicleta tenha sido inventada no início do século 19, não foi até pouco mais de um século atrás que se converteu em um fenômeno de massa. Os primeiros modelos tinham rodas pesadas e pouco confiáveis, mas dois elementos transformaram a bicicleta em um dos milagres da tecnologia moderna: a corrente e as rodas com raios.

A roda com raios feitos de cabos de metal finos e esticados permitiu acelerar o funcionamento da bicicleta.
Antes da criação da corrente dentada, as rodas eram acionadas por meio de pedais acoplados, o que obrigava contar com uma roda frontal de enorme tamanho, que acabava sendo incômoda e instável.

A corrente, além das marchas, permitiu que, com apenas uma volta do pedal, a roda se movesse várias vezes e assim foi como nasceram, há um século, as bicicletas "seguras para damas". Dessa forma, essa maravilha da engenharia se converteu em um sistema de transporte barato, eficiente, e acessível a homens e mulheres de todas as classes sociais.

Mais 'paqueras' e menos piano
A imprensa da época na Grã-Bretanha reportou que a invenção mudou a forma de cortejo entre os jovens do final do século 19. Nos jornais britânicos daqueles dias, é possível encontrar notícias de que a bicicleta reduziu a frequência do comparecimento de pessoas à igreja, criou novas tendências de cortejo entre os jovens e até mesmo provocou uma diminuição no uso do piano.

Mas, além das transformações sociais, a ciência destaca que a contribuição mais importante da bicicleta se refletiu nos nossos genes. Stephen Stearns, professor de ecologia e biologia evolutiva da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, defende que a bicicleta ampliou em 48 quilômetros a distância de 'paquera' dos homens ingleses no final do século 19.

Ele diz que a invenção estimulou ainda a pavimentação das ruas, o que facilitou, mais tarde, a incorporação do automóvel ao mundo do transporte. Para os especialistas, deu-se assim o início a um processo de migração que dura até hoje.

Diversidade genética
Jones, do University College de Londres, ressalta que a distância entre o lugar de nascimento dos futuros cônjuges não parou de aumentar desde então. 

O cientista pede aos leitores que se façam uma pergunta simples: Quão distante é a origem de seu marido/mulher em comparação com a dos seus pais?
"Se caminharmos por uma cidade como Londres hoje em dia, vemos uma variedade genética que não teríamos visto em outra época".

A bicicleta, segundo Jones, deu início assim a um caminho rumo à diversidade genética sem precedentes, algo que tem um papel primordial no desenvolvimento do nosso sistema imunológico -- o que teve repercussões futuras cruciais para a humanidade.

"A diversidade genética é a base da evolução, se não a tivéssemos, ainda seríamos muito parecidos com os primatas", concluiu.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

A regra é não ter regra - Familia


A REGRA É NÃO TER REGRA - Familia



Seu pai trabalha fora, sua mãe fica em casa cuidando dos quatro filhos e seus irmãos, quando terminam os estudos, casam-se e saem de casa? Se a resposta for afirmativa, saiba que sua família está prestes a virar peça de museu. Nos últimos 30 anos, o modelo tradicional de família sofreu profundas alterações. Crianças acostumaram-se a ter duas casas por causa do divórcio dos pais. Mães e pais solteiros começaram a tornar-se comuns. Mulheres entraram no mercado de trabalho e passaram a sustentar suas casas. Casais homossexuais saíram do armário e adotaram filhos... Nos próximos 20 anos, segundo vários pesquisadores, a tendência é que esses novos modelos familiares se consolidem. Todos eles.

Isso quer dizer que não vai existir uma "família-modelo" como a de nossos pais ou avós. No começo do século passado, as famílias eram quase sempre iguais. O núcleo era patriarcal: o pai fazia as vezes de "homem da família", trabalhava fora e era o único responsável pelo sustento da mulher e dos vários filhos. À mãe cabia o papel de educadora dos filhos e "rainha do lar". Ela cuidava da limpeza da casa, do preparo das refeições, da educação das crianças. Os filhos cresciam, estudavam e saíam de casa assim que arrumavam o primeiro emprego - para casar-se e começar a mesma história tudo de novo.

Mas, nas últimas décadas, o conceito de família começou a se alterar profundamente. A seqüência casamento-sexo-filho mudou - muitas vezes, já nem existe o casamento. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2002 mostram que os brasileiros estão se casando cada vez menos. A taxa de matrimônios caiu de 8 por mil habitantes em 1990 para 5,7 por mil em 2001. Enquanto isso, no mundo todo, as taxas de coabitação, ou seja, de pessoas que simplesmente vão morar juntas, triplicou. Aqui no Brasil, entre 1991 e 2000, esse tipo de união chegou a 28,9% do total.

Por outro lado, o divórcio, que apareceu no século 20 como um dos principais agentes de mudança da família tradicional, não pára de crescer. Nos últimos 30 anos, os índices dobraram. No Brasil, estima-se que, a cada dez casamentos, três acabem em separação. É cada vez mais comum encontrar crianças que dividem seu tempo entre a casa da mãe e a do pai.

Outra mudança considerável foi o aumento do número de pais solteiros. Nos Estados Unidos, o número deles aumentou em 25% nos últimos cinco anos. No Brasil, dados do último censo do IBGE revelam que o crescimento foi ainda mais significativo. Em dez anos, o número de homens que cuidam de seus filhos em casa subiu 74,5%. No mesmo período, o número de mães solteiras cresceu 58,8%.



A FAMÍLIA ENCOLHEU

Especialistas acreditam que tendências como divórcio, coabitação, filhos fora do casamento e pais solteiros serão ainda mais pronunciadas em 2020. Ao mesmo tempo, as famílias nos moldes tradicionais devem continuar encolhendo. De acordo com o IBGE, em 1980 as famílias tinham, em média, 4,5 integrantes. Em 1992, o tamanho médio passou para 3,7 pessoas. Em 2001, caiu para 3,3 pessoas.

"Isso não quer dizer que as famílias vão desaparecer", diz a psicanalista Belinda Mandelbaum, do Laboratório de Estudos da Família, Relações de Gênero e Sexualidade do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP). "A família é universal e tem diversas funções. Atende a necessidades econômicas, uma vez que é muito mais fácil manter-se com ajuda de alguém; tem função afetiva, já que é uma espécie de ancoradouro dos indivíduos; e tem função social, pois é através dos laços que formam uma família que o tecido social fica coeso. E isso tudo não vai mudar."

Para Belinda, a família tem a capacidade de se adaptar ao momento histórico. "A entrada da mulher no mercado de trabalho, por exemplo, foi um fator fundamental para a mudança da família dos últimos tempos", diz. De fato, de acordo com o IBGE, hoje existem 13,8 milhões de famílias (27,3% do total) nas quais a mulher é a "pessoa de referência". Ou seja, é ela quem trabalha e coloca dinheiro na casa.

Belinda acredita que, nos próximos 20 anos, a regra será não ter regra. "Não vai haver uma fórmula, porque as opções são múltiplas." Quer um exemplo? Embora as estatísticas apontem a tendência de famílias menores, Belinda diz que vem percebendo uma mudança ainda não refletida nas pesquisas: o retorno das famílias extensas. "Antigamente, era muito comum, principalmente no ambiente rural, que avós, pais e netos vivessem juntos", diz. "Hoje em dia, por causa do desemprego, muitos pais de família, com seus filhos, estão voltando para a casa de seus pais. E são eles, os aposentados, que mantêm a todos."

O novo Código Civil Brasileiro, que entrou em vigor em 2003, é um reflexo da mudança comportamental da família. A começar pela definição de "família". No antigo Código, de 1916, a família legítima era a formada pelo casamento formal. Já no novo conjunto de leis, o conceito abrange as unidades familiares formadas por casamento, união estável ou comunidade de qualquer genitor e descendente.

Se, por um lado, o século passado se caracterizou por profundas mudanças na estrutura familiar, os próximos anos devem ser marcados pela consolidação de aceitação de todas essas mudanças. Quando o divórcio surgiu, os casais que optavam por ele eram estigmatizados. Hoje é perfeitamente comum e aceitável. Segundo especialistas, o mesmo deverá ocorrer, em alguns anos, com os pais solteiros e com os casais homossexuais.



TENHO DOIS PAIS

Famílias completas compostas de pais gays e mães lésbicas costumam se enquadrar em uma das três situações seguintes: a) pessoas que assumem a homossexualidade depois de um casamento heterossexual no qual tiveram filhos; b) homossexuais que adotam filhos; c) lésbicas que fazem inseminação artificial. Embora esse fenômeno ainda não tenha sido dimensionado no Brasil, acredita-se que a situação seja similar à dos Estados Unidos. Lá, 22% dos casais gays têm a guarda de seus filhos.

O interessante é que justamente esse grupo parece buscar o modelo antigo de família. "Um fenômeno atual e bastante curioso é que há uma espécie de luta entre os componentes de um casamento homossexual para que ele seja reconhecido como família, como um casal realmente", diz a psicanalista Belinda. "Eles tomam como referência a tradicional família burguesa na medida em que tentam ser um casal que apresenta as funções masculina e feminina, paterna e materna. Eles podiam tentar algo revolucionário, mas apenas buscam manter o status quo."

Todas essas mudanças podem dar um nó na cabeça das pessoas - principalmente das crianças. Uma pesquisa britânica mostra, por exemplo, que filhos de pais divorciados têm, em média, uma taxa de aprendizado educacional menor que a de filhos de pais casados. Além disso, famílias pequenas e dispersas podem trazer à tona um sentimento nada agradável: a solidão. Para combatê-la, vai ser cada vez mais comum pessoas "adotarem" seus amigos como parte da família - como acontecia no finado seriado de TV Friends. "Do ponto de vista sociológico e antropológico, a família é uma relação de alianças, afinidades e também de consangüinidade", diz Belinda. "Mas, do ponto de vista psicológico, os amigos podem ser vistos como uma família que não existe."
Na opinião da psicóloga Renate Vicente, coordenadora do núcleo de Terapia Familiar da PUC do Paraná, os próximos anos serão um período de superação de algumas contradições. "As mães que trabalham fora ainda são condenadas pela sociedade quando os filhos têm problemas, por exemplo. E acabam se culpando", diz. Renate "Além disso, ninguém pode falar mal de casais homossexuais porque isso é preconceito, mas eles ainda não podem adotar filhos." Para Renate, nos próximos anos isso tudo - com o perdão do trocadilho - vai ser coisa do passado. "Com certeza, será um tempo bom e teremos novos paradigmas. Que estarão aí para serem questionados novamente."


Tendências




- DIMINUINDO

Em 1980, as famílias brasileiras tinham em média 4,5 integrantes. Em 2001, caíram para 3,3 pessoas. A tendência é que continuem encolhendo.



- DUPLO ENDEREÇO

Vai ser cada vez mais comum encontrar crianças que dividem seu tempo entre a casa da mãe e a do pai - a cada dez casamentos no Brasil, três acabam em separação.



- VOLTANDO PARA CASA

Por causa do desemprego, muitos pais de família, com seus filhos e tudo, estão voltando para a casa dos pais. E os avós sustentam todo mundo.



- AMIGOS
Para combater a solidão, muita gente vai "adotar" seus amigos como parte da família - como acontecia no seriado de TV Friends.

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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Casamento GAY - certo ou errado ?

Casamento GAY - certo ou errado ?




Até 1977, casar no Brasil era aventura para sempre. Pode parecer estranho para quem não viveu aqueles tempos, e mais estranho ainda para quem os viveu, mas naquela época a lei proibia o divórcio. E, quando finalmente o governo autorizou a separação de casais, instituiu que cada cidadão poderia fazê-lo uma única vez na vida. Na sessão que aprovou o divórcio, um parlamentar disse que o país criava uma "fábrica de menores abandonadas". O deputado Nélson Carneiro, espécie de paladino da causa, batalhou duas décadas para emplacar seu projeto de legalização. Nesse tempo, foi tratado como qualquer coisa entre o herói libertário e o anticristo que enfrentava católicos e desprezava crianças.

Hoje, para muita gente essa passagem parece um episódio folclórico dos tempos em que o Brasil era um país tacanho e conservador. Mas há quase três décadas a legalização do divórcio despertava emoções e debates tão fortes quanto a idéia de permitir, em 2004, que duas pessoas do mesmo sexo tenham permissão para se casar. Para os críticos, trata-se de uma ameaça à família, à sociedade e às crianças que serão educadas por esses casais. Para os defensores, estamos diante de uma questão de escolha individual e direitos iguais. Legalizar o casamento gay significa que o governo brasileiro está reconhecendo que naquele ato não existe nada de errado. Pelo contrário: que o casal está plenamente apto a formar uma família - provavelmente a mais fundamental de todas as instituições da sociedade, onde futuros cidadãos recebem carinho, aprendem valores morais e noções de certo e errado.

Desde 1996, o Congresso tem entre seus projetos uma proposta que autoriza a parceria civil entre homossexuais no Brasil. Por parceria civil, entenda algo muito próximo de casamento. Se fosse aprovada no ano em que foi proposta, o Brasil estaria na vanguarda dos direitos homossexuais. Hoje não é mais assim: desde 2001, na Holanda, os direitos de casamento valem para todos os cidadãos - as palavras homo e heterossexual nem são citadas pela lei. É impossível saber quantos casamentos gays aconteceram no país: os registros não dão conta se os noivos eram do mesmo sexo, assim como desconhecem se eram negros, judeus ou canhotos. Na Bélgica, Canadá e no estado americano de Massachusetts, a situação é semelhante. França, escandinavos e Buenos Aires, entre outros, já autorizam a união civil entre gays.

Do lado oposto está a maioria dos países árabes, que condenam à prisão quem transar com alguém do mesmo sexo. Ou o Zimbábue, cujo ditador Robert Mugabe enxerga gays como "subanimais" e "sem direitos". Na última década, o planeta lentamente começou a se polarizar entre nações que garantem direitos aos gays e as que não os reconhecem como cidadãos. É nesse quadro que o Brasil vai ter de se posicionar.

Procurar um lugar para a minoria homossexual dentro da sociedade não é um problema recente. Aristófanes, um dos discursantes no Symposium, de Platão, contava que a raça humana foi criada com três gêneros: os duplamente machos, os duplamente fêmeas e os que eram macho e fêmea ao mesmo tempo. Cada um deles com quatro pernas e quatro braços. Como toda boa mitologia, em algum momento as criaturas erraram e foram punidas pelos deuses, que as separam em duas partes. Desde então, estamos todos procurando nossa outra metade. Com uns 3 mil anos de antecedência, Aristófanes concebeu uma parábola para o amor nos tempos modernos, contemplando o relacionamento não só entre homens e mulheres, mas também entre homens e homens e mulheres e mulheres. Mais ainda, ofereceu uma explicação idílica e romântica para o desejo de nos aventurarmos na mais radical das declarações de amor: viver junto, e de preferência para sempre, com outra pessoa.

A LEI
Se você entende casamento como a união de dois pombinhos que dormem na mesma cama todas as noites, se amam, dividem as contas, são fiéis, moram sob o mesmo teto, brigam com certa regularidade para depois fazerem as pazes, então casamento gay já existe. Homossexuais têm relacionamentos estáveis idênticos aos dos heterossexuais. E continuarão tendo, queira sua vontade ou não. Portanto, o assunto desta reportagem não é discutir se duas pessoas do mesmo sexo têm o direito de viver juntas, mas se o Estado deve reconhecer tal relacionamento da mesma maneira como faz com um homem e uma mulher. Mesmo porque, ao pé da letra, não há nada na Constituição brasileira que proíba a união gay.

O artigo 226, que define regras para o casamento, em nenhum momento diz tratar-se de uma exclusividade para os sexos opostos. A maioria dos juristas enxerga no silêncio da principal legislação brasileira uma proibição à combinação homem com homem, mulher com mulher e uma certidão de casamento. Trata-se de uma questão de interpretação: foi aproveitando uma brecha parecida que ativistas holandeses conseguiram fazer a Suprema Corte do país afirmar que a união entre gays era legal - e assim celebrou-se o primeiro casamento gay plenamente reconhecido dos tempos modernos, dia 9 de abril de 2001, em Amsterdã.

No Brasil, o Congresso ainda tenta aprovar a lei autorizando que pessoas do mesmo sexo tenham acesso ao dispositivo legal batizado de parceria civil, que garante seu reconhecimento como casal. Não é um casamento, porque não dá aos parceiros as mesmas garantias que os casados têm, como permissão para adotar crianças. Não é também uma equiparação plena de direitos porque, se fosse, o casamento homossexual se chamaria casamento, e não parceria civil. Passeando pela pauta há oito anos, a proposta sequer entrou em votação - se entrasse, provavelmente receberia o "não" dos congressistas. "É um projeto emblemático dos direitos homossexuais, e por isso enfrenta resistência maior. Vai ser difícil aprová-lo", diz a senadora Ideli Salvatti, presidente da Frente Parlamentar pela Livre Expressão Sexual, formada por deputados e senadores. "Nenhum legislador vai desagradar seu eleitorado. O caminho para a aprovação do casamento é o Judiciário, que não pode manter uma desigualdade", afirma a desembargadora Maria Berenice Dias, especialista em direitos homossexuais.

Se for autorizada, a parceria civil representará uma conquista gay sem precedentes no Brasil. Ainda assim, entrará em vigor já obsoleta - é considerada demasiadamente preocupada com bens e patrimônio. Na França, que tem a legislação familiar considerada por especialistas como a mais liberal no mundo, o Pacto Civil de Solidariedade, como é conhecido, estipula que duas pessoas maiores de idade - de qualquer sexo - podem constituir família e regular por completo o regime de direitos e deveres entre elas. "Tudo que diz respeito ao casal, inclusive a fidelidade sexual, pode ser definido nesse documento", afirma o juiz federal Roger Raupp Rios, autor de um doutorado sobre discriminação. "Até o início do século 20 existia um conceito rígido de família: homem, mulher e criança. Hoje não é mais assim. Pessoas vivem juntas, e a lei precisa estar aberta para novas formas de casamento."

Mesmo sem amparo legal, homossexuais vêm conseguindo na Justiça a equiparação de seus relacionamentos com os de heterossexuais. E não é raro terem benefícios idênticos ao casamento - o caso da esposa de Cássia Eller, que conseguiu a guarda do filho da parceira morta, é um exemplo. Mas vitórias na Justiça não podem ser confundidas com direitos iguais. É impossível dizer que alguém obrigado a contratar um advogado e enfrentar os tribunais para ter acesso a uma herança, por exemplo, tenha os mesmos direitos de quem recebe o dinheiro automaticamente. Um exemplo: os Supremos Tribunais de Justiça e Federal devem decidir em breve se um homem que viveu 47 anos com um parceiro recém-falecido tem direito a herdar seus bens. A pedido da Super, especialistas prepararam uma lista com diferenças entre um casal heterossexual e um casal gay que mantenha relação estável. Chegaram a pelo menos 37 direitos que o país nega para aqueles que têm duas escovas de dentes azuis - ou duas rosas - no banheiro de casa. O casamento certamente encabeça a lista das desigualdades. Mas há outras. Em caso de emergência, um gay não pode autorizar que seu marido ou esposa seja submetido a uma cirurgia de risco. Aos casais homossexuais também é vetado fazer declaração do Imposto de Renda em conjunto, e deduzir dela gastos com dependentes. Ou seja, no Brasil um casal gay paga, em tese, mais impostos que seu equivalente heterossexual. Pior: recebe menos benefícios, pois, entre outros, eles raramente conseguem incluir o parceiro no plano de saúde. Todas essas desigualdades poderiam ser eliminadas com a legalização do casamento (veja mais exemplos na pág. 51).

Se o Estado faz diferença entre pessoas por causa da orientação sexual, como devemos entender o princípio, expresso na Declaração Universal dos Direitos Humanos, de que todos somos iguais perante a lei? "A Constituição é soberana para aplicar o princípio da igualdade da maneira que quiser", diz o jurista Ives Gandra Martins, da Universidade Mackenzie. "Existem inúmeras exceções ao princípio da igualdade. A proibição do casamento entre gays é só um exemplo. Da mesma maneira, existem atividades econômicas que pagam mais impostos que outras."

No final das contas, o debate sobre casamento gay é um confronto entre cidadania e valores morais. De um lado, pessoas que pagam impostos e, portanto, exigem ter os mesmos direitos que o restante da população. Do outro, aqueles para quem esse direito é uma afronta à sociedade em que preferem viver. Aqui, e em boa parte do mundo, a vontade anticasamento da maioria prevalece sobre os direitos da minoria. E isso é perigoso. "Tirar o direito da minoria é tirar o direito de todos. Ou a lei vale para todos ou ela não vale nada", diz o filósofo Roberto Romano, professor de Ética e Política da Unicamp.

A MORAL
Ao se deparar com esse tipo de reflexão, grande parte das pessoas alega valores morais para se posicionar contra o casamento gay. Em fevereiro, quando propôs um remendo na Constituição americana proibindo que homossexuais casassem, o presidente George W. Bush disse que agia para proteger "a instituição mais fundamental da civilização". O comentarista Charles Krauthammer escreveu na revista Time que a maioria dos americanos considerava gays "moral e psicologicamente repugnantes e não merecedores de aprovação social". Nos Estados Unidos, a concordância com o casamento gay oscila pouco abaixo dos 50%. Na União Européia chega a 57%, mas fica abaixo da maioria em países como Itália e Reino Unido. Na ausência de pesquisas específicas no Brasil, outros levantamentos de opinião tornam difícil acreditar que sejamos favoráveis ao reconhecimento da parceria entre pessoas do mesmo sexo. Em 1998, 60% dos entrevistados afirmaram ao Ibope que não contratariam um homossexual. No início deste ano, uma pesquisa da Unesco mostrou que 25% dos estudantes não gostariam de ter um colega de sala homossexual.

Para entender quais são os valores morais que fundamentam tal rejeição, é preciso olhar para a mais comum de suas origens: a religião. Antes disso, é importante lembrar que nenhum movimento em defesa do casamento gay pede autorização para o matrimônio religioso. Nessa área, cada doutrina é livre para estabelecer as regras que bem entender. Luta-se apenas pela autorização do casamento civil, aquele reconhecido pelo Estado e que, por sermos um país laico, deve passar ao largo das convicções religiosas da população.

Todas as grandes religiões monoteístas rejeitam o sexo homossexual. Islamismo, judaísmo e cristianismo consideram-no "antinatural". No Levítico, a Bíblia afirma que "se um homem dormir com outro homem como se fosse uma mulher, ambos cometeram uma coisa abominável. Serão punidos de morte...". Para incrementar a rejeição ao tema, as igrejas ainda consideram que o casamento é uma união de amor entre homens e mulheres, para toda vida e com o objetivo de procriar e educar as crianças. Gays, portanto, são incapazes de cumprir inteiramente a missão do casamento. "Em 2 mil anos de história, a Igreja Católica tornou-se uma perita em humanidade. E entendemos como complicada a entrega total entre dois indivíduos do mesmo sexo. A pessoa do homossexual pode ser feliz? Achamos difícil", diz dom José Benedito Simão, doutor em moral e bispo-auxiliar da Arquidiocese de São Paulo.

Se não há dúvidas sobre a condenação bíblica à homossexualidade, os objetivos do matrimônio parecem ser aliviados pelos religiosos em outras situações. Nenhuma igreja proíbe o casamento de pessoas estéreis, que sabidamente não podem procriar. As escrituras também falam sobre escravos e pena de morte, e nem mesmo os mais devotos seguem à risca esses mandamentos. "A Bíblia precisa ser constantemente reinterpretada. É uma questão de evolução. O Antigo Testamento precisa ser contextualizado a um povo antigo e sua cultura", afirma dom José.

Por que, então, se abrandaram as rejeições para alguns tabus e não para outros? A resposta está fora da Bíblia, afirma o sociólogo da religião Antônio Flávio Pierucci, da USP. Apesar de justificada em valores religiosos, a condenação à homossexualidade é fundamentada num conceito chamado de tradicionalismo pelos acadêmicos. Em geral, temos dificuldade para lidar com questões cujas respostas vão de encontro ao que aprendemos como correto. E não há dúvida que enxergar os homossexuais como iguais é uma novidade radical na realidade dos heterossexuais. "Desde que o mundo é mundo, casamento é entre homem e mulher", diz Antônio. Gays, então, teriam rompido um acordo histórico - homens dormem com mulheres e vice-versa.

O problema é que, segundo a ciência, somos incapazes de escolher e conduzir nossa orientação sexual. Como diz uma piada comum entre gays, homossexualidade não é escolha, mas falta de escolha. Pesquisas sobre o tema apontam para uma mistura de fatores biológicos, psicológicos e socioculturais nos motivos que fazem alguém ser gay (veja quadro na pág 52). Mas todas são unânimes ao afirmar que ser gay não é ideologia, crença ou frescura de meninos malcriados. Independentemente do país, cultura e religião, as estatísticas se repetem mostrando que uma parcela pouco abaixo de 10% da população prefere parceiros de mesmo sexo. Há relatos de práticas homossexuais no passado de culturas tão diferentes com os gregos ou comunidades isoladas de Papua Nova Guiné. Isso faz dos relacionamentos gays um fato tão antigo quanto a civilização humana. E nos obriga a reconhecê-los como parte do convívio em sociedade. "A homossexualidade não precisa ser explicada. Ela apenas existe", escreveu Colin Spencer no livro Homossexualidade: Uma História"

O CASAMENTO
Ter direito a se casar é o maior sonho de todos os gays, um marco da aceitação na sociedade, certo? Errado. Existe uma facção do ativismo político homossexual, em sua maioria intelectuais de esquerda, para quem o casamento deixaria os gays ainda mais invisíveis para o restante da sociedade. "O casamento mina nosso objetivo de liberação. Só haverá justiça quando formos aceitos e apoiados independentemente de nossas diferenças em relação à cultura dominante", escreveu a ativista lésbica americana Paula Ettelbrick.

Realmente, parece incrível que os gays estejam brigando pelo casamento. Em pleno século 21, essa desponta como a última causa que grande parte dos héteros escolheria para lutar. Além dos homossexuais, provavelmente apenas as instituições religiosas ainda fazem campanha para que seus fiéis mantenham-se fiéis também a um modelo milenar de relacionamento. Nas últimas três décadas, a taxa de matrimônios caiu 40% nos Estados Unidos. Não é surpreendente, então, saber que a luta pelo casamento homossexual nasceu entre correntes conservadoras do ativismo gay. Editor de Same-Sex Marriage: Pro and Con ("Casamento Gay, Pró e Contra", sem tradução para o português), o jornalista americano Andrew Sullivan é dono de uma das vozes mais ouvidas na defesa da causa. Sullivan é homossexual, conservador, republicano ferrenho, apoiou a Guerra do Iraque e acha que os gays só serão respeitados quando se comportarem como os heterossexuais. Esse tipo de argumento deixa de cabelo em pé ativistas como Paula. Do outro lado, Sullivan e seus companheiros subverteram a ordem do movimento conservador, que ficou dividido entre os que historicamente defenderam intervenções mínimas do Estado na vida das pessoas e aqueles que vêem na imagem de dois barbudos se beijando uma ameaça a valores fundamentais da sociedade.

Adversários do casamento gay dizem que autorizá-lo ameaça a "instituição casamento" e enfraquece os valores de família. Se hoje liberamos para homossexuais, por que amanhã não permitiremos a poligamia? Por que duas pessoas? E por que não três? Os defensores alegam que a união entre homossexuais fortalecerá família e casamento. E que o divórcio é uma ameaça muito maior - e nem por isso deve ser proibido. Na realidade, é difícil medir os efeitos positivos e negativos da legalização, afinal eles envolvem conceitos subjetivos. O que aconteceria com a família? Com o casamento? Depende do que você pensa dessas instituições. O pesquisador americano Stanley Kurtz, do Instituto Hoover, ligado à Universidade Stanford, analisou esses efeitos no artigo The End of Marriage in Scandinavia ("O Fim do Casamento na Escandinávia"), publicado no início do ano. Nele, Kurtz afirma que a tolerância dos países nórdicos à parceria entre gays (o casamento continua proibido) "deu à sociedade a impressão de que o casamento está fora de moda" e que "qualquer unidade familiar, inclusive a produção independente, é aceitável". O resultado disso tudo, conclui Kurtz, é que "o casamento está lentamente morrendo na Escandinávia" - cerca de 60% das crianças que nascem na Dinamarca não são filhas de pais casados.

Kurtz não ofereceu provas de que a culpa pelo quadro seja da união gay, mas constatou que os processos aconteceram no mesmo período. Perto dali, na Holanda, casamentos gays foram legalizados e pouco mudou. Três anos após serem permitidos, a polêmica sumiu das mesas de bar. "Tão logo houve a legalização, ninguém mais falou no assunto", afirma Henk Krol, editor da revista Gaykrant e líder da campanha pró-união. A última diferença legal por orientação sexual, que dava aos héteros preferência para fazer adoções no exterior, foi abolida em fevereiro.

AS CRIANÇAS
A mudança fez da Holanda também o único país a dar pleno direito de adoção para casais do mesmo sexo. E esse é outro tema espinhoso. Gays podem educar crianças sem afetar o desenvolvimento delas? A resposta passa pela própria Holanda: estima-se que o país tenha atualmente 20 mil pimpolhos legalmente adotados por casais gays. Aparentemente, sem traumas. "Todos os estudos no país indicam que paternidade e adoção gay não causam problemas às crianças", diz Rob Tielman, pesquisador da Universidade de Utrecht e uma das maiores autoridades holandesas sobre o tema.

Mas o que é bom para a Holanda não é necessariamente bom para o Brasil. Nossas diferenças culturais, diz Tielman, impedem afirmar que os resultados obtidos lá seriam iguais por aqui. É preciso ter em mente também que ausência de problemas não quer dizer que crianças criadas por gays sejam idênticas às criadas por heterossexuais. "O simples fato de escolhermos um colégio e não outro já tem enorme impacto na pessoa que nossos filhos serão. Toda influência tem conseqüências", diz a psiquiatra Carmita Abdo, do Hospital das Clínicas de São Paulo, que coordenou o projeto "Sexualidade", maior pesquisa sobre hábitos sexuais dos brasileiros. "Quando subvertemos o papel da mulher e ela deixou de cuidar dos filhos em casa para trabalhar muita coisa mudou. Estamos piores? É questão de opinião. Creio que tivemos perdas e ganhos. Mas prever essas alterações antes de elas acontecerem é praticamente impossível."

Apesar da dificuldade, algumas hipóteses podem ser formuladas para os efeitos da adoção gay. A ausência de um referencial do sexo ausente não parece ser problema - segundo Carmita, a criança é capaz de reconhecê-lo em outras pessoas próximas. É o que acontece com filhos de pais solteiros. Gays tampouco induzem crianças à homossexualidade, concluiu mais de uma dezena de estudos diferentes. Outra pesquisa, apresentada pela professora Charlotte Patterson na Associação Americana de Psicologia, em 1995, mostrou que hábitos de crianças criadas por lésbicas eram praticamente idênticos aos dos filhos de heterossexuais. Assistiam aos mesmos programas de televisão, brincavam com os mesmos brinquedos, se relacionavam com os mesmos amigos no colégio. Consenso, no entanto, ainda é uma palavra que passa longe da comunidade científica. Um pool de especialistas que analisou todas as pesquisas disponíveis sobre o tema para o Journal of Divorce and Remarriage ("Jornal do Divórcio e Recasamento") afirmou que todas tinham falhas metodológicas. Acusou pesquisadores dos dois lados de estarem engajados numa causa e terminou espetando: "Não precisamos apenas saber se existem diferenças. Temos uma decisão moral a tomar: a sociedade teria o direito de prevenir a criação de indivíduos que eventualmente seriam mais abertos a comportamentos e relacionamentos homossexuais?".
E se... tivéssemos mais gays no mundo? Certamente veríamos uma parcela da população incomodada ao se deparar freqüentemente com algo que repulsam. Mas talvez esteja nessa tensão a saída para uma convivência harmoniosa. Todos os remédios contra o preconceito envolvem um fator indispensável: tempo. Quando os Estados Unidos permitiram que brancos e negros se casassem, em 1968, 72% da população desaprovava esse tipo de relação. Somente em 1991 é que pela primeira vez a maioria das pessoas afirmou não ver problemas no casamento inter-racial. Aceitar que duas pessoas do mesmo sexo se casem e sejam reconhecidas como família é um ato doloroso para boa parte dos brasileiros. Mas não há outro jeito de termos uma sociedade mais igual. Ser tolerante é um exercício que requer cuidado diário. Exatamente como o casamento.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Certidão de casamento virtual 'oficializa' união de casais

12/06/09 - 14h00 - Atualizado em 12/06/09 - 14h02

Certidão de casamento virtual 'oficializa' união de casais na internet
Sites usam até cerimônias de matrimônio on-line para atrair apaixonados.
Certificado diferente é opção de presente gratuito no Dia dos Namorados.




Foto: Arquivo Pessoal Lara e Miguel estão casados virtualmente há sete meses. (Foto: Arquivo Pessoal)Assim como a internet tem atuado como cupido para muitos casais, ela também ajuda na hora de reforçar o compromisso entre os enamorados. Não basta apenas se declarar “casado” nos perfis de redes sociais. O que muitos buscam é o casamento, nem que seja virtual. E como nesta sexta-feira (12) é Dia dos Namorados, os apaixonados podem surpreender os parceiros, dando um “upgrade” na relação, com um casório cibernético com direito a certidão e tudo.

Com um visual mais sóbrio do que outros sites do gênero, o VirtualVow.com se apresenta como um dos endereços mais democráticos da rede. Nele é possível casar com tudo que tenha valor sentimental para o internauta, ou seja, não só com outras pessoas, como também com animais e objetos - provando que não há barreiras para o amor.

"Não há regras oficiais, você pode casar com seus animais de estimação se assim desejar. Ou até mesmo casar seus bichinhos, ou casar com o seu carro. O amor é universal!", defende o site, que não discrimina nada nem ninguém e pode ser a opção ideal para os mais excêntricos.

A brasileira Lara Maggione, de 22 anos, e o português Miguel Sottomayor, 23, completaram sete meses de casamento virtual no último sábado (6). Para realizar a cerimônia, o casal optou pelo site russo Virtual Wedding Chapel. "Resolvemos trocar os votos porque moramos longe e queremos ficar juntos", explica Lara. "Pretendemos casar no futuro".

Foi Miguel quem apresentou a Lara esse tipo de serviço. "Eu conheci o site através do meu namorado. Como moramos longe, ele sempre procura sites do tipo para nos sentirmos próximos", conta Lara, natural de Barretos, no interior de São Paulo, que se prepara para ir morar de verdade com seu marido virtual no mês que vem.

No Virtual Wedding Chapel é possível enviar o pedido de casamento por e-mail, preencher uma petição de casamento informando os nomes dos noivos, bem como cidade e país onde moram, e se é o primeiro casamento dos dois, assim como a data e o horário escolhidos para a cerimônia. Além disso, os usuários podem escolher uma testemunha e até permitir o acesso de convidados para o casório virtual. Outra opção é o The Internet Registry of Marriage (iROM.org).

Os internautas encontram uma versão nacional do serviço no site de namoro CyberLove. Na seção "CyberCasamento" é possível conseguir uma certidão virtual. Basta digitar o nome dos noivos e clicar no botão "Cerimônia" para que a figura de um padre apareça, dando início ao que ele chama de "Sagrado Matrimônio Virtual". Após a troca de votos, os noivos são declarados "marido virtual e mulher virtual", ao som da Marcha Nupcial, podendo imprimir sua certidão de casamento cibernética. Mas o site faz questão de ressaltar que o "certificado é apenas uma brincadeira virtual".




Foto: Reprodução Cerimônia na web tem padre virtual e até Marcha Nupcial. (Foto: Reprodução) E como a união não é oficial, muita gente encontra nesses sites a oportunidade ideal para se casar com ídolos da TV, do cinema, do esporte ou da música, ou qualquer pessoa - ou coisa - que a imaginação do internauta permitir.

Porém, como nem sempre o final feliz dura para sempre - inclusive no mundo virtual -, os sites também oferecem uma seção destinada ao divórcio, em que o marido ou a mulher podem optar pela separação, informando o motivo da dissolução da união cibernética.

Alguns sites até se especializam em contar essas histórias de rompimentos amorosos, como o Relashionship Obituaries, que coleciona obituários de relacionamentos desde 2003 e terá seus "melhores" textos transformados em livro que será lançado esse mês no Reino Unido.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Cursos de noivos da Igreja Católica

25/04/09 - 18h11 - Atualizado em 25/04/09 - 18h11


Cursos de noivos da Igreja Católica falam de sexo, camisinha e pílula em SP
Aulas são dadas para pessoas que pretendem se casar na igreja.
CNBB diz que métodos contraceptivos naturais devem ser enfocados.




Foto:O noivos Bruno Casagrande e Daiana Beber classificaram como avanço o curso tratar de temas como vida sexual e métodos contraceptivos
O ambiente religioso não constrange casais mais velhos e médicos que falam abertamente sobre sexo, orgasmo e camisinha em cursos de noivos de algumas igrejas católicas de São Paulo. Os palestrantes até desenham gráficos mostrando a diferença entre o estímulo sexual feminino e masculino e incentivam os noivos que estão na platéia a atentar para a importância de os dois atingirem o prazer durante a relação.

Médicos e casais que dão palestras nos cursos falam abertamente nos temas sem, necessariamente, destacar o que a religião considera como certo ou errado. “Temos que abordar todos os assuntos relativos ao casamento. Falamos o que existe. Não podemos fechar os olhos, estamos em 2009”, explica Stella Veloso, que faz parte da organização do curso ministrado na Paróquia São Luís Gonzaga, na Avenida Paulista.

O curso tem palestras de um casal que fala sobre diálogo no casamento, uma médica que alerta para doenças sexualmente transmissíveis e métodos contraceptivos, um senhor que discorre sobre vida sexual e o padre explica aos noivos sobre o sacramento religioso.

“É um curso realista”, define o advogado Bruno Casagrande e Silva, de 28 anos, que fez o curso em março na Paróquia São Luís Gonzaga. Ele disse ter se surpreendido com os temas abordados nas palestras. “Um dos palestrantes falou em zonas erógenas do homem e da mulher, da importância do casal conhecer essas zonas e de ter uma vida sexual saudável e frequente”, contou ele. “É uma inovação porque a Igreja Católica tem uma visão repressora da vida sexual, não acompanha as mudanças da sociedade”, afirmou. “Eles falaram sem falso moralismo, sem pregação ideológica”, afirmou a noiva dele, a bacharel em direito Daiana Costa Beber, de 24 anos. Eles vão casar em 12 de setembro em Mato Grosso, estado natal de Daiana, e onde o casal se conheceu.




Foto:José Catarinacho desenha o gráfico de estímulo sexual do homem e da mulher durante palestra sobre sexo e sexualidade na Igreja do Calvário (Foto: Daigo Oliva)Um veterano nesse tipo de curso, o administrador de empresas aposentado José Catarinacho, de 72 anos, é quem dá a palestra sobre sexo no encontro de noivos da Igreja do Calvário, em Pinheiros, na Zona Oeste da capital, há cerca de 10 anos. Ele aborda o tema de forma bem humorada e conta até piada para os frequentadores.