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quarta-feira, 23 de março de 2016

A Evolução dos Zumbis na Cultura Pop nos últimos 100 anos em vídeo


A Evolução dos Zumbis na Cultura Pop nos últimos 100 anos em vídeo


Registro foi lançado para promover o game Dying Light: The Following.

Para promover o novo game Dying Light: The Following, a Microsoft e o Xbox lançaram recentemente um vídeo mostrando a evolução dos zumbis nos últimos 100 anos. Presentes na cultura popular principalmente através do cinema, essas criaturas apareceram pelas primeiras vezes em filmes na década de 30.


Segundo as crenças angolanas e afro-brasileiras, “zumbi” ou “cazumbi” é o espírito de um morto que vaga à noite assombrando as pessoas, inclusive em seus sonhos. Histórias de zumbis têm origem no sistema de crenças espirituais e nos rituais do vodu haitiano. 

De “Night Of The Living Dead” a “The Walking Dead”, confira a lista abaixo.





Filmes Clássicos de Zumbi


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Por que as pessoas acreditam em teorias da conspiração ?


Por que as pessoas acreditam em teorias da conspiração ?


Publicado na Scientific American

Christopher French, professor de psicologia em Goldsmiths, Universidade de Londres, explica:

Embora crenças conspiratórias possam ser, ocasionalmente, baseadas em análises racionais de evidências, muitas vezes, não são. Como espécie, um de nossos pontos fortes é a habilidade de achar padrões com algum significado no mundo a nossa volta e fazer inferências causais. Nós, às vezes, entretanto, vemos padrões e conexões causais onde não há, especialmente, quando sentimos que os eventos estão além do nosso controle.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

20 Edições Inesquecíveis da Dragão Brasil

20 Edições Inesquecíveis da Dragão Brasil

Há muito tempo atrás, bem, não tanto tempo assim, antes que a internet se popularizasse como o meio no qual os jogadores  e mestres de RPG têm acesso a diversidade de material de apoio existente, havia a Dragão Brasil.

A Dragão começou a ser publicada ainda em 1994 pela editora Trama, depois de diversas mudanças e com a queda nas vendas a revista encerrou suas atividades no ano de 2008, totalizando quase 15 anos de existência e alegria para muitos amantes do RPG. 

Responsável pela introdução do hobbie na vida de muita gente, a Dragão continha em suas páginas histórias em quadrinhos, resenhas, notícias, adaptações diversas de filmes, animes e desenhos animados no geral, bem como dicas para mestres e jogadores. Além de tudo isso, a revista possibilitou ainda a publicação de contos de literatura fantástica, cenários e sistemas de RPG, estes últimos com um preço muito mais acessível os gigantes da época. 


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Os 10 documentos mais antigos


Os 10 documentos mais antigos


Escrever coisas é uma das inovações mais importantes da história humana. Além de ser capaz de espalhar ideias com precisão através do tempo, a escrita também proveu os registros necessários para a lei funcionar.

Documentos literalmente mudaram o mundo, e alguns deles têm sobrevivido por centenas ou mesmo milhares de anos, fornecendo um olhar único sobre o patrimônio comum dos seres humanos. Confira:

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Conheça as lendas urbanas mais famosas sobre videogames


Conheça as lendas urbanas mais famosas sobre videogames


A história dos videogames, como acontece com a maioria dos marcos tecnológicos, gerou lendas e mitos urbanos um tanto insólitos. Embora, em muitos casos, possa existir algum tipo de fundamento para isso, a verdade é que o imaginário popular conseguiu criar, com base em exageros e invenções, as histórias mais inverossímeis, apesar de interessantes, em torno dos jogos de maior destaque de suas épocas. Abaixo, apresentamos cinco lendas urbanas emblemáticas sobre videogames.

domingo, 9 de novembro de 2014

Zumbis muito além do ‘The Walking Dead’ descubra 5 coisas incríveis sobre eles


Zumbis muito além do ‘The Walking Dead’ descubra 5 coisas incríveis sobre eles


Mas, apesar de todo mundo saber um tantinho que seja sobre o assunto, há detalhes e fatos sobre esses seres obscuros que pouca gente tem conhecimento. Acompanhe a lista que preparamos e desvende de vez esses “segredos” sobre os morto-vivos

terça-feira, 16 de julho de 2013

Fazendeiros fazem desenho gigante de fábula em campo na Alemanha

Fazendeiros fazem desenho gigante de fábula em campo na Alemanha

Traços rementem a burro, cão, gato e galo.
Imagem de 12 mil m² representa fábula d'Os Músicos de Bremen'.

Em uma plantação em Utting, na Alemanha, o campo com milho, cânhamo, girassóis e malva foi cultivado para formar a imagem de uma fábula infantil alemã chamada “Os Músicos de Bremen”, exibindo um burro, um cão, um gato e um galo.
Os fazendeiros Corinne e Uli Ernst criaram o labirinto para celebrar os 200 anos da primeira edição da coleção de contos de fada Borthers Grimm, e o campo de mais de 12 mil m² estará aberto para visitante entre 18/7 e 22/9.


Imagem foi traçada em campo em referência à fábula infantil chamada 'Os Músicos de Bremen' (Foto: Peter Kneffel/AFP)



domingo, 26 de maio de 2013

16 Crimes cometidos em novelas


16 Crimes cometidos em novelas

Na novela "Paraíso Tropical" (2007) Taís (Alessandra Negrini) foi a ambiciosa gêmea, capaz de matar a própria irmã, Paula, para conseguir dinheiro e fama. Era uma mulher fútil, mentirosa e é capaz de tudo por dinheiro. Reprodução

16 Curiosidades sobre Star Trek que você não sabia


16 Curiosidades sobre Star Trek que você não sabia



Em comemoração aos 46 anos da estreia do seriado.

Foi por causa dessa série que me tornei nerd, e se algum dia desejei ser um astronauta como todos os garotos da minha e de tantas gerações, foi por causa das reprises de STAR TREK nos finais de tarde da TV aberta. Não fui o único novinho arrebatado para o universo trekker ao assistir os requentados duas décadas após o término do último episódio inédito. 

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

A Guerra sem fim - Tróia

A GUERRA SEM FIM



A guerra de Tróia talvez nem tenha acontecido. Se aconteceu, a causa pode não ter sido o rapto de Helena. Como pode não ter existido o famoso cavalo de madeira que iludiu os troianos: quem sabe os gregos atacaram pelo mar.

"Quando a lenda fica mais interessante do que a realidade, publique-se a lenda". (John Ford, cineastra americano, pela boca do jornalista personagem do seu clássico O Homem que Matou o Facínora).Melhor exemplo dessa verdade não existe do que a Guerra de Tróia. com seu cavalo fantático, o rapto de Helena pelo apaixonado Páris, o herói Aquiles e seu calcanhar vulnerável, os deuses e as deusas do Olimpo assanhadíssimos, divididos entre gregos e troianos e fazendo, periodicamente, com que a sorte favorecesse um ou outro lado graças aos seus poderes divinos. Tudo isso está contado na Ilíada, poema épico de Homero, escrito aí pelo século IX a.C. Mais recente e quase tão fantasiosa quanto a lenda que pretende conferir, é a batalha travada há bem uns cem anos por historiadores e arqueólogos em torno do que haveria de verdade nos episódios narrados por Homero.A lenda conta que a guerra foi provocada pelo rapto de Helena, a filha de Tíndaro, o rei de Esparta. Helena era tão bonita, tinha tantos pretendentes, que seu pai já previa alguma coisa desse tipo, tanto que promoveu uma grande reunião de todos os interessados e obteve deles um compromisso: qualquer que fosse o escolhido por Helena, os demais se comprometiam a defender o casal contra as ofensas que pudesse sofrer.
Helena escolheu Menelau, que graças a essa preferência tornou-se, além de seu marido, rei de Esparta. E a vida correu feliz e serena até o dia em que Páris, filho do rei de Tróia, Príamo, conheceu Helena e por ela se apaixonou. Páris não tinha sido um dos pretendentes preferidos, não estava amarrado ao compromisso por Tíndaro, e fez o que era muito comum na época: raptou Helena e levou-a para Tróia. O gregos até que tentaram negociar e esquecer o episódio, mas os troianos não aceitaram. Assim, Agamenon, irmão do ofendido Menelau, convocou todos os antigos pretendentes à mão de Helena, lembrou-lhes o pacto de fidelidade e organizou a primeira expedição contra Tróia. Foram dez longos anos de luta em que a sorte ora pendeu para um lado, ora para outro. E acabou sendo Ulisses, um guerreiro grego sem nenhum poder extraordinário, a não ser uma cabeça fértil para inventar truques e expedientes, quem pensou no estratagema que os levaria à vitória: construir um grande cavalo de madeira, capaz de abrigar, em seu interior, alguns guerreiros. Os troianos, que consideravam o cavalo um animal sagrado, recolheram o presente deixado diante do portão de suas muralhas, acreditando ser um reconhecimento da derrota por parte dos gregos, e passaram a noite comemorando a vitória. Os soldados escondidos dentro do cavalo aproveitaram a festa para sair, abriram os portões - e Tróia foi invadida e destruída. Nasceu ai a expressão presente de grego. Essa é a lenda, em linhas bem gerais. Em 1870 o negociante alemão Heinrich Schliemann, autodidata e arqueólogo amador, após estudar detidamente os textos de Homero, lançou-se à localização de Tróia, fazendo escavações por conta própria. Detevesse na colina de Hissarlik, na entrada do estreito de Dardanelos, atual Turquia. Em companhia da mulher, Sofia, e de outros colaboradores, descobriu vasos de ouro, jarras de prata, braceletes e colares cuidadosamente fabricados. Deduziu, então, que teriam pertencido a um rico e poderoso senhor: seria o tesouro de Príamo, rei de Tróia e pai de Páris. Mas a declaração de Schliemann, de que havia encontrado Tróia e seu famoso tesouro, não resistiu aos ataques dos historiadores especializados.Hoje, a maioria dos arqueólogos afirma que o tesouro apresentado por Schliemann não passava de um conjunto de peças isoladas recolhidas durante as escavações O grande mérito do pesquisador alemão foi descobrir que na colina de Hissarlik existiram várias Troias, cada uma construída sobre as ruínas da outra, e que a região estava habitada desde a Idade do Bronze, por volta de 3 000 a.C, até o ano 400 da nossa era. Ao todo existiram nove Tróia As primeiras de Tróia I a V, correspondem à Idade do Bronze egeu; Tróia VI, ao Bronze médio e final; Tróia VII teria sido habitada por um povo diferente que deixou o local cerca de 700 a.C, época que corresponde ao início de Tróia VIII; e, por fim, Tróia IX, que era a cidade romana de Ilium Novum.Como foi possível fazer de uma montanha a base de várias cidades? Especialistas explicam que Tróia I estava sobre a base e ali se levantaram casas feitas de pedra, terra, adobe, madeira e palha; pouco resistentes, eram sujeitas a incêndios que rapidamente as destruiam por estarem, além do mais, muito próximas umas das outras. Na época do cobre e do bronze, as cidades apenas começavam a se desenvolver. Se ocorria um terremoto ou um incêndio, tirava-se o que era aproveitável das ruínas, aplainava-se o que restara e construíam-se novas casas em cima. Assim, uma cidade se edificava sobre a outra. Era costume naquela época jogar no chão desde restos de comida até utensílios quebrados. Mas, a partir de determinado momento, ficava insuportável conviver com a sujeira e então cobria-se o chão com uma espécie de capa de barro e tudo ficava novo e limpo.
O pouco recomendável costume dos troianos teve pelo menos uma serventia: ajudou os arqueólogos a descobrir se as casas - das quais, na maioria das vezes, só ficavam os muros - foram habitadas por muito ou pouco tempo. Para Schliemann, a Tróia de Príamo era a Troía II. Depois de sua morte, em 1890, outro pesquisador, o arqueólogo Wilhelm Dörpfeld, também alemão, prosseguiu as escavações em 1892 e 1893 e estabeleceu que Tróia VI tinha sido o cenário da guerra. No entanto, pesquisadores da universidade norte-americana de Cincinatti, que ali realizaram escavações de 1932 a 1938, concluíram que Tróia VII era a Tróia de Príamo. A chave para se saber qual era a Tróia da guerra era provar a existência do inimigo, isto é, dos gregos do final da Idade do Bronze, a época de Tróia VII.
Tudo estaria esclarecido não fosse por uma questão: embora Homero diga que Tróia foi destruída por um incêndio, as últimas escavações provam que o que houve ali foi um terremoto e que depois os assentamentos continuaram. Diante disso, 0 historiador inglês Moses Finley, falecido em 1986, abriu fogo: "Não há uma só prova consistente de que a colina de Hissarlik coincida com a Tróia da Idade do Bronze que Homero descreve, nem de que a guerra entre troianos e gregos tenha alguma vez existido. Propomos tirar definitivamente a guerra de Tróia dos livros de História".Entretanto, uma descoberta do lingüista Calvert Watkins, professor da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, desmontou um dos principais argumentos dos críticos de Homero. Ao examinar primitivos documentos escritos em uma extinta língua da antiga Anatólia, na região orienta do que hoje é a Turquia, Watkins encontrou o seguinte fragmento de texto:"... quando vinham os alcantilado de Wilusa..." Para ele, o fragmento seria parte de uma primitiva Ilíada escrita em hitita, a língua dos troianos Os alcantilados de Wilusa (que significam rochas escarpadas de Wilusa) são, segundo Watkins, os que aparecem na Ilíada como "os alcantilado´ de Ilíon" Tróia era também chamada de Ilíon. Tal descoberta derrubava a teoria de que uma cidade grande e poderosa como Tróia, que apoiava o império hitita, não constava dos testemunhos escritos sobre aquele povo. Os críticos de Homero também duvidavam da descrição dos funerais de Pátroclo - grande amigo do guerreiro Aquiles - mencionados no final da Ilíada O poema diz que ele foi cremado. Os céticos afirmavam que naquela época não era costume cremar os mortos.
Recentemente, porém, arqueólogos alemães, que há três anos realizam escavações no porto de Tróia, na baia de Besica, sob o comando do professor Manfred Körfmann, da Universidade de Tübigen, descobriram vestígios de piras onde os mortos eram cremados. Mas se Tróia existiu, será que isso quer dizer necessariamente que houve também a guerra de Tróia? Como e por que ela se deu? Ao que parece, os motivos foram mais banais do que o resgate da honra de Menelau e, sua mulher, Helena. Como a corrente marítima na parte mais estreita dos Dardanelos é muito mais forte, um barco mercante da Idade do Bronze só poderia chegar ao Mar Negro se contasse com bons ventos a seu favor. Mas, à excessão de uns poucos dias do ano, o vento sopra na direção oposta, de Leste a Oeste. Por isso, os gregos preferiam desembarcar suas mercadorias no porto de Tróia para que fossem transportadas até o Mar de Mármara - a meio caminho entre o estreito e o Mar Negro - através da planície troiana.
Mesmo que resolvessem esperar pelos ventos favoráveis os gregos dependiam dos troianos. E estes certamente cobravam pelos serviços prestados, tais como estadia na baia, abastecimento de água e alimentos, transporte de mercadorias por terra etc. E possível até que os troianos cobrassem pedágio ou saqueassem um barco de vez em quando. Do ponto de vista arqueológico não há nada que prove que Tróia fosse um covil de ladrões, mas é cabível que uma cidade situada no eixo do comércio entre o Mar Egeu e o Mar Negro representasse um problema para os gregos. Logo, qualquer pretexto servia para liquidar aqueles que tanto atrapalhavam seus negócios.
O historiador Francisco Murari Pires, professor de História Antiga da Universidade de São Paulo, acha provável que um evento como a guerra de Tróia tenha existido, embora o conjunto de documentos descobertos não permita uma afirmação exata, precisa. O que a lenda quer preservar, diz ele é que o fim da Idade do Bronze e o inicio da Idade do Ferro correspondem a um período de desestruturação do império hitita. Havia uma situação de conflito permanente entre hititas e gregos. Ambos disputavam o controle sobre os reinos que apoiavam tradicionalmente o império hitita e que, em conseqüência da atuação do gregos, começaram a se desestabilizar
Com base nos conhecimentos históricos e arqueológicos disponíveis, arqueólogo alemão Franz Stephan reconstituiu o que em sua opinião pode ter sido a guerra de Tróia: os Tróia nos, enfraquecidos por causa de um terremoto, não estavam preparada para enfrentar uma guerra. Os gregos, sabendo disso, atracaram no porto inimigo um veleiro com aparência de barco mercante; só que, em vez de mercadorias, transportava uma tropa de elite. Durante a noite o comando grego tomou a cidade. Nessa versão, não há lugar para o Cavalo de Tróia. O professor Murari Pires diz que é impossível resolver essa questão. Mas, verdade histórica ou não, a lenda é importante por fixar o principio de que uma guerra não se decide só pela força. "Tanto o valor da astúcia, da manobra enganosa", observa Murari, "quanto o valor guerreiro propriamente dito estão em pé de igualdade." Por mais que historiadores e arqueólogos tentem demonstrar a veracidade do episódio, o que parece prevalecer na memória do homem comum é a imagem poética da lenda, que tem contornos muito mais fortes do que a realidade. Por mais pesquisas que se façam, é pouco provável que um dia essa situação seja invertida.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Onde tudo começou - George Wells

ONDE TUDO COMEÇOU - George Wells



Com a estréia nos cinemas de Guerra dos Mundos, do diretor Steven Spielberg, a mais importante obra de ficção científica dos nossos tempos volta a ser comentada em todo o planeta. Lançado em 1898, o romance homônimo do inglês Herbert George Wells tem versões em dez línguas, foi adaptado para o cinema três vezes, rendeu uma polêmica esquete de rádio de Orson Welles (veja na página 72) e ganhou diversas releituras em quadrinhos. Por que um livro exerce tanto fascínio mais de um século depois de publicado? Porque H. G. Wells foi o primeiro escritor a usar a ficção científica para criticar a sociedade de sua época. Quem decifrou a metáfora entendeu que tinha em mãos muito mais do que uma aventura de alienígenas e naves espaciais. A Guerra dos Mundos tornou-se um arrepiante relato da nossa fragilidade no Universo. Se hoje existe a ufologia, a largada foi dada por Wells.

Naquele final de século 19, a Inglaterra era a grande potência mundial. A rainha Victória enviava seus exércitos para a África e garantia a expansão do Império Britânico. Os marcianos que invadem a Terra, passando por cima de homens e mulheres, são os próprios ingleses tomando posse das terras dos africanos. Os humanos não compreendem tamanha brutalidade dos ETs. Eis o que diz Wells, já no primeiro capítulo de seu livro: "Antes de julgá-los com demasiada severidade, devemos nos lembrar das destruições totais e implacáveis que nossa própria espécie empreendeu, não apenas contra os animais, como os extintos bisões e dodôs, mas contra as raças humanas inferiores. Os tasmanianos, apesar de sua configuração humana, foram totalmente varridos da existência, num período de 50 anos, numa guerra de extermínio empreendida pelos imigrantes europeus. Somos por acaso tamanhos apóstolos da misericórdia para podermos nos queixar de que os marcianos tenham feito a guerra no mesmo espírito?". Uma senhora patada no orgulho britânico.
A Guerra dos Mundos estreou como folhetim, publicado em nove partes entre abril e dezembro de 1897 na revista inglesa Pearson’s Magazine. Em maio do mesmo ano, a revista americana Cosmopolitan lançou o texto nos Estados Unidos. A história foi um sucesso de público e ganhou versão em livro em fevereiro do ano seguinte. O impacto foi tremendo. Numa época em que aviões, raio laser e viagens espaciais eram só promessas de cientistas sonhadores, os leitores ficaram arrepiados com a possibilidade de seres de outros mundos estarem mesmo de olho na Terra. A humanidade preparava-se para a virada do século, período em que costumam aparecer profetas do apocalipse. Embora não fosse essa a intenção de Wells, a destruição de A Guerra dos Mundos foi interpretada pelas pessoas mais assustadas como um relato perfeito do juízo final.
Os jornais dos Estados Unidos ficaram doidos com a história. Em janeiro de 1898, o New York Evening Journal publicou uma pretensa continuação da aventura de Wells, chamada Edison’s Conquest of Mars (A Conquista de Marte de Edison), escrita por Garrett P. Serviss. Nesse plágio escancarado de A Guerra dos Mundos, Thomas Edison - o mesmo que inventou a lâmpada elétrica - embarca numa nave espacial para se vingar dos marcianos que invadiram a Terra e foram mortos por nossas bactérias. Os terráqueos não falham e exterminam a raça alienígena do planeta vermelho.

TRAÇOS BRASILEIROS
A primeira edição de A Guerra dos Mundos foi ilustrada pelo inglês Warwick Goble, mas os desenhos preferidos de Wells foram de autoria de um brasileiro que morava na Bélgica, o carioca Henrique Alvim Corrêa. O artista viajou para Londres, em 1903, para apresentar rascunhos que fizera após ler a versão francesa do livro. Wells gostou tanto do trabalho que convidou Corrêa para ilustrar a edição de luxo lançada em 1906 pela editora belga L. Vandamme. São 31 gravuras que pertencem ao antiquário fluminense Sebo Fino e estão expostas temporariamente no Museu e Hall da Fama da Ficção Científica, nos Estados Unidos.
O cinema não ficaria indiferente à história de Wells. O primeiro filme, dirigido por Byron Haskin, é considerado uma das melhores películas de ficção científica. Nessa versão de 1953, a produção ignorou boa parte das lições morais de Wells e transformou a história numa aventura tecnológica. O brilhante e charmoso doutor Clayton Forrester (vivido pelo ator Gene Barry) engata um discreto romance com a lindona Sylvia Van Buren (Ann Robinson). Fora a chegada dos marcianos e a vitória das bactérias, pouca coisa sobrou do texto original.
A versão de Steven Spielberg para A Guerra dos Mundos, lançada no final de junho, tem pelo menos um ponto em comum com o livro: trata-se da invasão da Terra sob o ponto de vista dos refugiados, particularmente do personagem de Tom Cruise. Com as novas invenções e as descobertas da ciência, o mundo mudou radicalmente nos últimos cem anos e o que assustava em 1898 não cola mais no século 21. Por isso, os alienígenas não são do inabitado planeta Marte, o poder de destruição extraterrestre cresceu e há muito mais gente correndo de um lado para o outro nas ruas. O cenário é contemporâneo.
O charme da história de Wells, pelo menos, está garantido em uma produção paralela do diretor Timothy Hines. A versão de Hines, a ser lançada também neste ano, é uma reprodução fiel do livro: a ação ocorre na Inglaterra vitoriana, os vilões vêm de Marte e eles acabam sendo aniquilados pelas bactérias terrestres.
Com tanta adrenalina que vem por aí, vai ser difícil ficar indiferente à Guerra dos Mundos em 2005. Leia o livro e assista aos filmes. É uma boa oportunidade para tentar entender como surgiu essa curiosidade humana pelo extraterreno. Se alguém merece culpa por enriquecer o imaginário popular, esta pessoa é H. G. Wells.

"Antes de julgá-los com demasiada severidade, devemos nos lembrar das destruições totais e implacáveis que nossa própria espécie empreendeu, não apenas contra os animais, como os extintos bisões e dodôs, mas contra as raças humanas inferiores"
trecho de a guerra dos mundos, de H. G. Wells

Ficção e realidade

Marte é um planeta árido, cheio de crateras e nunca esteve a menos de 56 milhões de quilômetros da Terra. Como é que um lugar sem graça desses inspirou tantas histórias de ficção científica? A explicação talvez remonte a 1877, quando o astrônomo italiano Giovanni Schiaparelli observou uma rede de canais na superfície marciana, que foi interpretada por alguns cientistas como estruturas artificiais de irrigação. Com teorias desse tipo, que outro lugar poderia alimentar tanto a imaginação dos escritores? H. G. Wells não ficou indiferente e também brincou com os marcianos. Em 1897, quando publicou A Guerra dos Mundos na forma de folhetim, o planeta fervia com as recentes invenções do homem: o telefone (1876), a lâmpada elétrica (1879), o automóvel (1885), o rádio (1896). Wells era um sujeito antenado. Tudo o que os marcianos do seu livro possuíam na fictícia invasão da Terra seria inventado pelo homem nos anos seguintes: o segredo de voar (avião, em 1906), o raio de calor (raio laser, em 1960) e a máquina de manipular (robôs, em 1961). Mas Wells temia o uso destrutivo das novas invenções e viveu o suficiente para descobrir que tinha razão. Em 1915, a Alemanha usou armas químicas contra os franceses na Primeira Guerra Mundial. Em 1945, os Estados Unidos jogaram duas bombas atômicas sobre o Japão, no lance final da Segunda Guerra. A primeira frase do capítulo 6 do livro de Wells soa profética: "Ainda é motivo de espanto o modo como os marcianos são capazes de matar gente tão rápida e silenciosamente". Quando morreu, em 1946, Wells já tinha perdido a confiança no ser humano.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Que fim levou Atlântida ???

QUE FIM LEVOU ATLÂNTIDA?



"Vou lhes contar uma antiga história que ouvi de um homem de quase 90 anos quando eu tinha pouco mais de dez..." É assim, como quem inventa uma história para embalar o sono dos filhos pequenos, que o narrador Critias começa a revelar nos Diálogos do filósofo grego Platão (427-347 a.C.) o que viria a ser uma das histórias mais fascinantes da humanidade: a existência ou não de Atlântida.

A detalhada descrição de uma avançada civilização, que "em apenas um dia e uma noite desapareceu nas profundezas do oceano", como foi reproduzida nos diálogos platônicos Timeus e Critias, deixa intrigado qualquer cético de carteirinha. Prova disso é que a história pegou. Há 2 500 anos, arqueólogos, geólogos e curiosos de diversas áreas de estudo se debruçam sobre o mistério desse reino perdido no Oceano Atlântico. E sempre que há alguma nova pista ou descoberta, são feitas as devidas referências às latitudes e longitudes, dimensões e outras características contidas nos textos de Platão. "As buscas inesgotáveis por Atlântida sugerem a sua existência", diz o arqueólogo Álvaro Allegrette, professor da Pontifícia Universidade de São Paulo (PUC-SP). "O imperador Alexandre, o Grande, encontrou Tróia após seguir as indicações dadas na obra Ilíada, de Homero. Estes paralelos inspiram o imaginário humano e trazem em si uma dimensão mítica capaz de mover montanhas."

A novidade mais recente vem do geógrafo sueco Ulf Erlingsson, da Universidade de Uppsalla, autor no livro Atlantis from Geographer´s Perspective: Mapping the Fairy Land, lançado em setembro na União Européia. Erlingsson afirma que a descrição geográfica de Atlântida, presente no livro de Platão, é baseada numa ilha que ainda existe: a Irlanda. "Ela tem as mesmas dimensões, 480 quilômetros de extensão por 320 de largura, e apresenta um planalto central que encontra saída para o mar. Estudei as 50 maiores ilhas e somente a Irlanda possui essa descrição", disse Erlingsson ao jornal inglês The Guardian. Ele acredita que a Atlântida idealizada por Platão é utópica, mas que foi imaginada tendo como referência uma ilha de verdade - que, em sua opinião, só pode ser a Irlanda.

ELO PERDIDO?

Alguns fatos históricos que intrigam os pesquisadores são as semelhanças entre as culturas do Velho e do Novo Mundo. As pirâmides do Egito e as grandes construções dos maias e astecas, no México, estão todas localizadas na mesma latitude, 30 graus. No meio do caminho, no oceano Atlântico, estaria Atlântida, uma civilização avançada, saudável e bela que teria contribuído para a troca de informações entre as duas culturas. Uma hipótese é que a degeneração moral da sociedade lhe impingiu um histórico castigo: ela teria submergido após um maremoto e estaria na região das Bahamas, na América Central, próxima à Ilha de Andros e Bimini. Uma expedição liderada pelo explorador francês Jacques Cousteau achou por acaso na região uma grande caverna a 50 metros de profundidade. E, dentro dela, mergulhadores encontraram formações de estalactites, uma evidência de que o complexo de cavernas já estivera fora d’água. A análise geológica do sítio revelou que datam de 10 000 anos antes de Cristo, o que reforçaria a possibilidade de se tratar do império perdido.
Mas há pelo menos outras 15 teorias que localizam Atlântida em diferentes partes do planeta. Entre elas, na Sardenha (Itália), na ilha dos Açores (costa oeste africana), nos Andes (América do Sul), na Indonésia (Ásia) e em Santorini (Grécia). Mais recentemente, imagens de satélite revelaram, na região da Andaluzia (Espanha), duas estruturas retangulares rodeadas por anéis de terra. "Esse é o único lugar que se assemelha realmente ao que está nos escritos do Platão", disse à BBC o pesquisador alemão Rainer Kuhene.

Uma ilha sem fantasia

A Atlântida descrita por Platão era uma grande ilha, "maior que a Líbia e a Ásia juntas", com o formato circular, lembrando um imenso estádio de futebol. Sua capital ficava bem no meio de um conjunto de círculos concêntricos de terra e canais. Supondo que essa ilha realmente tenha existido, suas condições favoráveis - com água, terra fértil, metais preciosos e recursos naturais abundantes - a teriam provavelmente transformado numa potência nos dias de hoje. Só de pensar nessa hipótese, ela causa arrepios. "Parece-me aterradora a idéia da sobrevivência política de Atlântida. Ela teria imposto ao resto do mundo seu regime ditatorial de castas, em que uma elite dirigente se coloca acima de todas as leis", diz o arqueólogo Álvaro Allegrette, professor da PUC-SP. "Por ser hipoteticamente muito mais antiga, estaria já bem mais desenvolvida quando florescesse a civilização grega ou romana e poderia se impor sobre esses povos."

Eu acredito!

"Apesar de ser um cético, acredito que Atlântida possa ter existido. Fiquei fascinado por essa civilização desde a primeira vez que ouvi falar dela, num gibi do Tio Patinhas. A tecnologia atual está rastreando melhor o nosso planeta e, a qualquer momento, uma descoberta arqueológica pode revelar novidades sobre os atlantes. Mas só a possibilidade de Atlântida ter existido já é um fenômeno psicoemocional que tem a força do mito. Está no nosso (in)consciente coletivo e influencia nosso modo de ver o mundo."
Marcelo Musarra, publicitário e jornalista

sábado, 9 de janeiro de 2010

Novo filme de Tom Hanks, 'Anjos e demônios' desafia o Vaticano

10/05/09 - 21h56 - Atualizado em 10/05/09 - 23h31

Novo filme de Tom Hanks, 'Anjos e demônios' desafia o Vaticano
Em entrevista, ator conta os bastidores da polêmica produção.
Santa Sé aconselhou boicote ao filme, antes mesmo do lançamento.

O filme “Anjos e demônios” foi condenado pelo Vaticano antes mesmo de estrear nos cinemas: a Santa Sé aconselhou um boicote à produção. Essa é a sequência de uma briga que começou em 2006, com o lançamento do filme "O código da Vinci", também baseado em um livro de Dan Brown e estrelado por Tom Hanks.

"O código" irritou a igreja porque sugeria a hipótese de que Maria Madalena e Jesus Cristo teriam tido uma filha. Dessa vez, a história se passa no Vaticano. Mas o diretor não pôde filmar lá dentro, nem nas igrejas, e a autorização para filmagem nas ruas de Roma foi tão limitada que o diretor Ron Howard usou o que ele chama de técnica de guerrilha: ataques rápidos e sem falhas.

Não foi fácil. Tom Hanks lembra que, no único dia em que eles poderiam filmar em frente a uma igreja, havia um casamento programado por lá. Como resultado, a noiva teve uma surpresa inesquecível.

"Vi que o carro da noiva, por nossa causa, não conseguia chegar à praça. A única coisa que eu podia fazer era bater à porta e dizer ‘posso te levar até o altar?’ Quando cruzamos a praça, todo mundo aplaudiu. Aquele foi um momento especial para nós. Espero que para ela também", lembra. Durante a entrevista, um dos maiores atores de Hollywood se revela um divertido contador de histórias.

Currículo
A veia cômica de Tom Hanks lhe rendeu os primeiros papéis no cinema: era o bom moço de comédias românticas. Mas foi com "Filadélfia", de 1992, que Tom Hanks se consagrou.

Ao dar vida a um doente de Aids, ele fez mais para derrubar o preconceito contra o homossexualismo e contra a doença do que muitas campanhas de esclarecimento. Ganhou o Oscar de melhor ator. Um ano depois, repetiu o feito com "Forest Gump, o contador de histórias".

Pesquisar a fundo os assuntos tratados em seus filmes é uma marca de Tom Hanks. Para fazer o papel do sargento em "O resgate do soldado Ryan", ele enfrentou um treinamento militar intenso.

Ciência
A nova aventura se passa em laboratórios sofisticados. "Anjos e demônios" trata da ameaça de uma sociedade secreta de cientistas que querem destruir o Vaticano usando uma espécie de antimatéria produzida num superlaboratório. Por isso, Tom Hanks deu a entrevista em um laboratório do Centro Europeu de Pesquisa Nuclear, o CERN.

"Não tenho certeza de que entendi bem o que os cientistas fazem aqui, mas o trabalho que eles fazem produzirá grandes conseqüências, se conseguirem o que estão tentando", disse.

É verdade que, a cada vez que provoca a colisão de partículas, o CERN produz anti-matéria. E é verdade também que, com apenas um grama de antimatéria, é possível destruir a cidade do Vaticano e ainda um pedaço de Roma ao redor. Mesmo assim, a distância entre a ficção e a realidade ainda é de 1 milhão de anos, tempo necessário pra produzir esse um grama de antimatéria.

Em "Anjos e demônios", Tom Hanks faz o papel de um importante professor universitário americano que tenta impedir a destruição do Vaticano às vésperas de uma reunião de cardeais que vai eleger um novo papa. Pela primeira vez, ele repetirá um personagem, pois já tinha feito o papel do cientista em "O código da Vinci".

"Anjos e demônios" provoca uma polêmica na carreira do astro que tem uma biografia extraordinariamente tranquila para os padrões de Hollywood: nunca se envolveu em escândalos, tem um currículo amoroso discreto e se casou apenas duas vezes. Uma raridade na biografia dos superastros.