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sábado, 11 de setembro de 2021

Corpo mumificado encontrado em Pompeia intriga arqueólogos

Corpo mumificado encontrado em Pompeia intriga arqueólogos

Junto à tumba também foi encontrada uma lápide contendo inscrições em grego.

sábado, 21 de março de 2020

GIORGIO MORODER - Compositor e produtor musical

GIORGIO MORODER - Compositor e produtor musical


Compositor e produtor musical italiano, Giovanni Giorgio Moroder nasceu em 26 de abril de 1940, em Ortisei.

domingo, 8 de dezembro de 2019

Cientistas provam que ponte revolucionária projetada por Da Vinci há 500 anos seria viável

Cientistas provam que ponte revolucionária projetada por Da Vinci há 500 anos seria viável


Em 1502, o sultão Bayezid II lançou um concurso para encontrar uma maneira de ligar Constantinopla (atual Istambul) à cidade vizinha de Gálata. 

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Arqueólogos encontram "tesouro de feiticeira" nas ruínas de Pompeia

Arqueólogos encontram "tesouro de feiticeira" nas ruínas de Pompeia


As ruínas de Pompeia são uma fonte inesgotável de descobertas arqueológicas. Agora, escavando uma antiga residência, pesquisadores se depararam com um "tesouro de feiticeira". Entre os artefatos encontrados, estão amuletos e outros objetos que tinham o propósito de afastar a má sorte.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Arqueólogos encontram restos mortais de cavalos nas ruínas de Pompeia

Arqueólogos encontram restos mortais de cavalos nas ruínas de Pompeia


Arqueólogos encontraram os restos mortais de três cavalos que morreram durante a erupção do Vesúvio, que destruiu Pompeia, na Itália. 

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

A incrível história da espada Excalibur da vida real

A incrível história da espada Excalibur da vida real

A lenda de Excalibur, a espada do Rei Artur, é popular desde a Idade Média. 


O que poucos sabem é da existência real de outra lâmina incrustada em uma pedra. O objeto está abrigado na Capela Montesiepi, na região italiana da Toscana.

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

O QUE O BRASIL FEZ NA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL ?

O QUE O BRASIL FEZ NA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL ?

Soldados norte-americanos durante o conflito 

Há 101 anos, o Brasil declarava guerra às potências centrais. Entenda o que veio depois disso

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Enciclopédia de 380 páginas em uma língua que ninguém conhece descreve mundo paralelo


Enciclopédia de 380 páginas em uma língua que ninguém conhece descreve mundo paralelo


Nos anos 70 um ilustrador, designer industrial e arquiteto italiano Luigi Serafini fez uma enciclopédia de um mundo desconhecido, talvez um universo paralelo. Tem de 360 a 380 páginas e foi escrito em uma língua desconhecida, que consiste em um alfabeto desconhecido também. 

sexta-feira, 4 de março de 2016

Conheça a doença fatal que impede as pessoas de dormirem


Conheça a doença fatal que impede as pessoas de dormirem


Estima-se que menos de 30 famílias no mundo sofram de uma "maldição genética" chamada Insônia Familiar Fatal (IFF).

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Frio pra caramba: cientistas estão perto de atingir o zero absoluto


Frio pra caramba: cientistas estão perto de atingir o zero absoluto


Segundo as leis da termodinâmica, o zero absoluto (0 Kelvin ou -273,15 graus Celsius) é impossível de ser alcançado. Porém, cientistas do Instituto Nazionale di Fisica Nucleare (INFN) na Itália conseguiram algo próximo do impossível: resfriar um objeto, com massa e volume relativamente grandes, quase ao 0 K. O objeto em questão é um cubo de cobre com 1 metro cúbico. Ele foi congelado a ponto de chegar a uma temperatura de 6 milikelvin, ou -273,144 graus Celsius. Esse é o maior objeto, em massa e volume, a chegar tão perto do zero absoluto.

sábado, 26 de abril de 2014

Veneza vai virar Mar? Urbanismo


VENEZA VAI VIRAR MAR? Urbanismo


A mais bela cidade do mundo está sucumbindo às marés,  altas como nunca. Há alguns anos, estudam-se diversas maneiras de barrar o avanço do mar. Na prática, porém, nada foi feito até hoje. Falta de dinheiro. Veneza corre risco de vida. Cada vez com menos moradores. Cada vez com mais turistas, mais poluição e mais água.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Encontrado na Itália manuscrito da Torá mais antigo do mundo


Encontrado na Itália manuscrito da Torá mais antigo do mundo

Exemplar que pode ser o mais antigo da Torá foi encontrado na Itália (Foto: Universidade de Bolonha/AFP)

Segundo professor, texto sagrado foi escrito no século XII.
Pergaminho foi catalogado de modo equivocado por arquivista em 1889.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

A Salvação da Torre - Engenharia


A SALVAÇÃO DA TORRE - Engenharia



Fechada há mais de um ano para os turistas, a Torre de Pisa corre o risco de desabar. Para mantê-la de pé, dois projetos tentam recuperar sua fundação e sua estrutura.

Se os sete sinos da Torre de Pisa voltassem a tocar, como fizeram até 1911, a oscilação provocada pelo movimento dos seus 9 500 quilos de metal fundido e pelo som harmônico seria, quase certamente, fatal à famosa Torre inclinada. Os sinos dobrariam pela última vez. Dobrariam pela própria Torre, campanário da Catedral de Pisa, construída afastada alguns metros da igreja, como mandavam as noções de estática da Física da época - para evitar que as ondas sonoras causadas pelo toque dos sinos afetassem o equilíbrio da catedral inteira. Seria um réquiem para o monumento que, com 818 anos de vida e uma inclinação de 4,86 metros em relação à vertical, pode desabar a qualquer momento. O medo da repetição da tragédia de 1989, quando uma torre em Pavia foi ao chão, matando várias pessoas, levou o governo a fechar a Torre, e desde janeiro de 1990 não é mais possível visitá-la."É suficiente um vento forte para que a Torre desmorone", disse a nos o professor Giorgio Macchi, um dos treze especialistas italianos e estrangeiros convocados pelo governo da Itália para encontrar  remédios urgentes que possam salvar um dos monumentos mais visitados do mundo. Antes de essa situação de emergência ser detectada, subir na Torre de Pisa era programa tão obrigatório para os turistas como ver o papa em Roma. De 1922 até o fechamento, 18 milhões de turistas subiram alegremente os seis lances de escada em espiral dos seus oito andares. Ao contrário dos demais campanários, dotados de uma impraticável escada de serviço, as escadas da Torre de Pisa, de 1 metro de largura, encastradas nos muros, foram feitas para serem usadas pelo público.De seu topo, a vista é de perder o fôlego. A poucos metros, sobressaindo do verde do gramado da Praça dos Milagres, a clara arquitetura da catedral, do batistério e do cemitério ofusca os olhos. Em volta, descortina-se a cidade de Pisa, entrecortada pelo Rio Arno, e ao longe o porto e o Mar Mediterrâneo. Os visitantes mais sensíveis certamente se emocionam ao lembrar a lenda de que Galileu Galilei, aproveitando-se da sua inclinação, fez em 1590 experiências para provar a constância da aceleração da gravidade na queda dos corpos. Muitos, emocionados, ignoram que a história não foi bem assim.Foi a descoberta de um ponto crítico na estrutura, que pode ceder de um momento para o outro - não a inclinação -, que obrigou o governo italiano a fechar a torre ao público e a convocar os especialistas em busca de uma solução imediata. Se o ângulo de inclinação continuar a aumentar no ritmo atual, em média 1,2 milímetro por ano, calcula-se que num dia incerto, entre 200 e 1000 anos, o centro de gravidade da torre vai se projetar para fora da base e ela se espatifará no gramado da praça.A situação de fragilidade estrutural, porém, é tão mais grave que exige medidas urgentes de segurança. A primeira vai ser enfaixar a Torre na moldura entre o primeiro e o segundo andar, onde foi identificado o ponto crítico, com três anéis formados por quatro cabos de aço inoxidável cada um. Os cabos de aço funcionarão como os aros de um barril. Devem contrabalançar provisoriamente uma fragilidade insustentável, até que uma medida definitiva seja encontrada, como explicou o professor Carlo Viggiani, da Universidade de Nápoles, um dos cientistas convocados para salvar o monumento: "Se o alicerce da Torre se apoiasse de modo igual no terreno, a pressão na sua base seria igual em todos os pontos. Como o terreno do lado sul vem cedendo progressivamente, observa-se atualmente uma pressão de 11 quilos por centímetro quadrado deste lado e uma pressão pouco maior do que zero do lado oposto. Entre o primeiro e o segundo andar, porém, existe uma pressão de 80 quilos por centímetro quadrado do lado da inclinação. Para suportar esta pressão seria necessária uma estrutura de concreto armado. Do lado oposto, há forças de tração para o alto".Não é preciso subir à Torre para poder admirar a sua original forma redonda. Da praça, como fazem diariamente 15 000 turistas, percebe-se a leveza de seis andares ornados de pórticos com harmoniosos arcos equilibrados em trinta colunas finas em cada andar. Aprecia-se também a solidez da estrutura secular de alvenaria de pedras retangulares.Muitos elementos inexplicáveis e incomuns na vida da Torre de Pisa contribuem para criar em tomo dela uma aura de mistério. A forma circular é absolutamente original. Todas as torres de campanários italianas da mesma época têm formato quadrado. Não se sabe de quem foi o projeto da Torre, pois ninguém assumiu sua autoria, enquanto os demais edifícios da praça (a catedral, o batistério e o cemitério) são assinados em diversos pontos por seus autores.A inclinação crescente desafia a compreensão dos historiadores e arquitetos. Tanto que até hoje, oito séculos depois da sua construção, existem duas correntes de opinião antagônicas entre os especialistas, que se combatem à força de livros e tratados. Para uns, a Torre foi construída inclinada de propósito, como um desafio arquitetônico e estético. Esta facção é liderada pelo decano dos catedráticos de História da Arquitetura da Itália, Guglielmo De Angelis d´Ossat. É certo que, depois de apenas três dos oito andares estarem concluídos, já se podia perceber a desigualdade da fundação sobre o solo de uma argila macia. Procurou-se compensar a inclinação construindo os andares um pouco mais altos no lado inclinado, o que só serviu para afundá-la ainda mais. Somente no século XIV, depois de várias interrupções, a Torre foi concluída, já pendente.A situação ficou mais crítica no início dos anos 60, período do boom econômico na Itália. O aumento do consumo de água levou os pisanos a explorar com ânsia crescente poços cavados nas proximidades da Praça dos Milagres. No subsolo da praça, embaixo da Torre, a cerca de 60 metros de profundidade, existe um lençol freático. A exploração dos poços nos arredores fez com que o lençol sofresse profundas oscilações, rapidamente. Segundo os especialistas, a variação chegou a até 1 metro em poucos dias. No início dos anos 70, a prefeitura decretou o fechamento dos onze poços de 50 a 200 metros de profundidade encontrados num raio de 1000 metros em torno da Torre.O movimento se estabilizou. Um aqueduto chegou a ser financiado pelo governo, mas nunca foi construído. Atualmente, a exploração do lençol freático profundo não só continua, como aumentou. À espera de novas verbas para o aqueduto, que alimentaria a cidade com água vinda de longe, o professor Viggiani explicou qual seria possivelmente a conduta da comissão de especialistas: "Nossa proposta é impermeabilizar o subsolo na zona da Praça dos Milagres, isolando o lençol freático embaixo da Torre dos demais que alimentam os poços da cidade". A idéia seria criar um diafragma que empacotasse o lençóis, possibilitando manter sob controle sua pressão interna.A solução de isolar hidraulicamente o subsolo da praça já tinha sido levantada em 1973, quando foi realizado um concurso público para projetos de estabilização da Torre. Nesse concurso, diversas soluções para reequilibrá-la foram apresentadas. A ambição de endireitar a Torre seduz a fantasia de muitos. Uma garota de Buenos Aires enviou um projeto que consistia em tirar terra aos poucos por baixo do alicerce do lado contrário ao da inclinação.O concurso selecionou os cinco meIhores projetos, misturados depois para dali sair uma solução final. A maioria das propostas previa a consolidação do alicerce com o uso de uma rede de estacas finas fincadas a grande profundidade. Um deles propôs a solidificação do terreno por meio da injeção de cimento e de aditivos químicos com aparelhos especiais. O projeto mais sofisticado pretendia endireitar parcialmente a Torre com uma tração feita por cabos ligados a estacas. Na fase atual, a única proposta pública de equilibrar a Torre foi feita pela empresa alemã DMT. Para Viggiani, que há trinta anos participa de comissões para salvar o monumento, se o caso fosse recuperar um edifício comum, o problema já estaria resolvido. "Pôr a mão numa obra de arte que atravessou mais de oito séculos de história é uma decisão mais difícil", justifica. A ousadia da proposta da DMT para salvar a Torre de Pisa só se explica pela sua experiência rotineira em endireitar prédios, igrejas e chaminés na sua região. Essen, cidade onde está sediada, é apinhada de minas de carvão, e a instabilidade do terreno progrediu no mesmo ritmo voraz do consumo de energia exigido pela industrialização da Alemanha.No currículo da DMT está mais de uma centena de endireitamentos de edifícios, inclusive uma colossal chaminé de 120 metros de altura. Seu projeto prevê um corte da Torre logo acima dos alicerces com serras de diamante, do tipo usado para extrair blocos de mármore nas minas de Carrara, no centro da Itália. Em seguida, a parte superior da Torre, apoiada numa plataforma, deverá ser levantada por 160 macacos acionados por prensas hidráulicas, com movimentos graduais de 0,1 milímetro.O peso da Torre é 14 500 toneladas, e cada guindaste pode levantar até 100 toneladas. A variação de pressão na estrutura a cada momento será mantida sob controle por computador, que ajustará automaticamente a força das prensas. O lado contrário à inclinação deverá ser abaixado. A operação será repetida até que a parte inclinada seja levantada em 20 centímetros. Este espaço será preenchido com um material de grande resistência - mármore por fora e pedra de mármore e cimento por dentro. Talvez seja de cor clara, praticamente semelhante ao mármore da Torre, ou de cor mais escura, a fim de deixar claro que é uma restauração. Outra possibilidade é fazer o corte mais embaixo ainda, de modo que o enxerto não seja visto. Depois dessa operação, a inclinação da Torre deverá se reduzir a pouco mais de 4 metros, e sua sobrevivência estará assegurada por outros oito séculos.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Rita Levi-Montacini: A Detetive dos Nervos


RITA LEVI-MONTALCINI: A DETETIVE DE NERVOS



Aos 81 anos, a obstinada italiana, Prêmio Nobel de Medicina, adora uma investigação-seja nos livros policiais que lê, seja nos laboratórios onde persegue todas as pistas sobre o fator de crescimento das células nervosas

Naquela manhã de dezembro, de 1986, Rita Levi-Montalcini acordou, como todos os dias, antes que o relógio marcasse 6 da manhã. Abriu as cortinas sobre a Bala de Estocolmo e pediu à camareira do Grand Hotel o desjejum habitualmente frugal, chá e biscoitos. Diante do espelho, deu aos cabelos cândidos a costumeira onda, toda para um lado, que emoldura o rosto enrugado muito alvo, sereno, e ressalta o olhar risonho azul-claro. Finalmente, vestiu um conjunto de seda pérola, estampado com flores estilizadas, de caimento perfeito no corpo esguio, quase frágil, como o de um passarinho. Só assim, aparentemente pronta para um passeio, a elegante senhora sossegou em um canto, sentando-se na poltrona para folhear um romance policial de Agatha Christie. Há muito tempo, aprendeu a usar os livros da escritora inglesa feito um escudo diante da menor ameaça de tensão. Ela sempre carrega uma aventura do detetive Hercule Poirot, por exemplo, quando precisa enfrentar uma viagem aérea. Naquela vez, porém, as peripécias do personagem serviram para relaxar a leitora que, à noite, receberia o Prêmio Nobel de Medicina das mãos do rei Carlos Gustavo da Suécia.O Nobel premiou uma descoberta feita em parte no Brasil dos anos 50, nos laboratórios do Instituto de Biofísica da Universidade Federal do Rio de Janeiro: ali, a cientista italiana teve a certeza da existência do NGF, sigla, em inglês, de fator de crescimento dos nervos. Trata-se de um fluído produzido pelo próprio organismo, que, ao tocar as células nervosas, feito uma varinha mágica, tem a espantosa propriedade de fazê-las crescer. 

Hoje, com recursos da Engenharia Genética para produzir o NGF, sabe-se que sua aplicação clínica, no futuro, poderá curar uma série de doenças degenerativas do sistema nervoso-como, aliás, já está começando a se tentar na Suécia e nos Estados Unidos, para tratar o mal de Alzheimer, a atrofia dos nervos, e o mal de Parkinson, uma espécie de atrofia cerebral. 

Quando o NGF foi descoberto, porém, poucas pessoas Ihe deram a devida importância, talvez porque a substância pudesse ser encontrada em quase todos os tecidos do corpo. Incansável, Rita continuou colhendo pistas do NGF, determinada a provar que a substância também está por trás de outras funções importantes, como a imunológica, ajudando o organismo a vencer suas batalhas contra agentes nocivos. A história da cientista, nesse sentido, se parece com os romances que tanto aprecia, com investigações dignas dos mais perspicazes detetives lutas-não físicas, é verdade-, perseguições implacáveis, como a dos nazistas pelo fato de ser judia, e, sobretudo, cenas de grande-emoção."No verão carioca de 1953, o NGF saiu das sombras de maneira triunfal e grandiosa, como se fosse estimulado pela atmosfera dessa exuberante manifestação de vida que é o Carnaval do Rio". descreveu a cientista em sua autobiografia, O elogio da imperfeição. "Nas vésperas do Natal de 1986, o NGF apareceu de novo em público, sob a luz dos refletores, na presença dos reis suecos, de príncipes, de damas em vestidos de gala e cavalheiros em fraque." Nessa noite, Rita Levi-Montalcini também estava vestida de gala: usava um longo desenhado pelo refinado e pouco conhecido estilista romano Roberto Capucci, autor de verdadeiras esculturas em tecidos. Na verdade, Capucci confeccionou duas roupas para a ocasião, uma bordô e outra verde com mangas roxas. E por que duas? Porque a cientista, famosa por sua vaidade, queria escolher o modelo apenas no dia de receber o prêmio. O requinte da escolha-venceu o vestido com mangas roxas, sua cor predileta-surpreendeu quem estava acostumado a vê-la com o avental branco dos laboratórios.Há sessenta anos, contudo, ninguém imaginaria que aquela jovem, nascida em Turim, passaria boa parte da vida nesse ambiente. Afinal, Rita vinha de uma família culta, mas de convicções vitorianas a respeito do papel da mulher. Na adolescência, ela teve o mesmo destino de suas duas irmãs, isto é, o chamado colegial feminino, um curso que não dava acesso à faculdade: Nina, a mais velha, resolveu se casar; Paola, irmã gêmea da pesquisadora, dedicou-se à pintura e à escultura. Já o caminho de Rita foi traçado quando ela completou 22 anos, com a doença que causou a morte de sua velha babá. Então, contrariando os princípios paternos, Rita decidiu estudar Medicina.Hoje em dia, aos 81 anos de idade, a cientista não hesita em se declarar feminista, na entrevista a SUPERINTERESSANTE, realizada em Castelporziano, uma antiga reserva de caça nos arredores de Roma. Em um cenário de bosques, onde javalis pastavam e faisões ciscavam, 21 Prêmios Nobel se reuniram, em dezembro (1991), para trocar idéias sobre como estimular a pesquisa nos países da Comunidade Européia. Ali, Rita mergulhou em lembranças dos tempos de universitária, quando teve um mestre excepcional, o professor Giuseppe Levi, conhecido por suas idéias antifascistas. "Ele tinha um método de trabalho rigoroso, mas seguia de modo apaixonado as pesquisas de seus alunos", ela recorda.Na mesma época, Giuseppe Levi orientava três futuros Nobel de Medicina: além da própria Rita, Renato Dulbecco, premiado em 1975 pela identificação dos genes desencadeadores do câncer, e Salvador Luria, laureado em 1969 pela descoberta das características dos genes de vírus e de bactérias (veja quadro). "Rita trabalhava no laboratório ao lado do meu", conta Luria. "Por isso, seu Nobel me deixou particularmente contente, apesar de ter chegado atrasado", opina o orgulhoso colega. A perseguição anti-semita durante a Segunda Guerra interrompeu a carreira dos dois jovens pesquisadores de origem judaica. Luria fugiu de bicicleta, cruzando a fronteira da Itália. Rita, por sua vez, escondeu-se no quarto, onde improvisou um laboratório, como uma Robinson Crusoe da ciência.Quando a perseguição contra os judeus estendeu-se da Alemanha para a Itália, a família Levi-Montalcini partiu de Turim para viver refugiada em Florença. Mas, no último período da guerra após o desembarque dos soldados aliados na cidade, Rita saiu do esconderijo para socorrer a população florentina em meio a uma epidemia de tifo. "Só então percebi que não tinha desprendimento emocional para clinicar", diz ela. "Por isso, decidi me dedicar à pesquisa."Assim, em 1951, Rita embarcou para os Estados Unidos, determinada a passar horas com os olhos grudados no microscópio, observando o desenvolvimento dos nervos em embriões de galinha. Naquela época, ela intuía que algo, uma substância qualquer, fazia os nervos dos embriões crescer, quando lhes enxertava células de tumores de ratos-era ali, no tumor, que devia estar o que batizou de NGF. Faltava apenas provar cientificamente a sua presença. Rita, então, pensou em recorrer a uma técnica, que havia usado nos anos 40, com o professor Giuseppe Levi-a cultura de tecido. Ou seja, ao se mergulhar células em um coquetel de nutrientes, elas continuam vivas e, desse modo, consegue-se observá-las, pode-se dizer, em plena ação. Essa técnica estava sendo desenvolvida no Brasil pela cientista alemã Hertha Meyer, que Rita conhecera em Turim. Hertha também judia, tinha fugido para o Brasil em 1939, sendo acolhida pelo biólogo e biofísico Carlos Chagas Filho, no Instituto de Biofísica, no Rio de Janeiro-cidade em que, por sinal, Hertha morou até morrer, no ano passado."Rita me escreveu pedindo para estagiar conosco, com uma bolsa da Fundação Rockefeller", conta Chagas Filho, na sala do Instituto de Biofísica que hoje leva seu nome, atrás de uma de suas duas mesas de trabalho, onde muitas vezes ele almoça. No final de 1952, Rita desembarcou no Rio de Janeiro sob um pé-d´água tropical. "Eu a encontrei no aeroporto, extrovertida, com uma capa impermeável e dois ratinhos portadores de tumor no bolso", recorda o professor. O biofísico levou a estagiária italiana direto ao laboratório, para colocar os passageiros-clandestinos em gaiolas. Só agora Rita confessa: "Eu poderia ter feito a cultura de células nos Estados Unidos. Mas, diante da possibilidade de realizar o sonho de vir para o Brasil, eu não hesitei". Ela só lamenta a falta de tempo para visitar outras cidades-"nem São Paulo eu cheguei a conhecer".Um dia depois de chegar, Rita iniciou a experiência com Hertha Meyer, preparando uma cultura de gânglios embrionários de pintos com um pedacinho do tumor de ratos. Para comparar, as duas cientistas também prepararam uma cultura apenas de gânglios de embriões. Segundo Carlos Chagas Filho, o resultado surgiu no dia seguinte: "Foi espetacular, pois o gânglio com células de tumor tinha lançado inúmeras fibras nervosas-e nada tinha acontecido com o outro gânglio. É raro uma experiência ter sucesso logo na primeira tentativa. Mas nesse caso o êxito era tão evidente, que mandei estourar uma champanhe Moët et Chandon para comemorar". O Instituto de Biofísica, embora bem - aparelhado, não dispunha de um microscópio de fotografia. Por isso, Chagas Filho entrou em seu automóvel e saiu em busca de um equipamento emprestado. Assim, Rita conseguiu provar a existência do NGF.Para o professor, hoje com 80 anos, o episódio marcou o início de uma grande amizade: "A primeira coisa que faço, quando chego a Roma, é ligar para Rita", revela o cientista, que antes de deixar a presidência da Academia de Ciências do Vaticano, há cerca de dois anos, depois de tê-la exercido por dezesseis, ia várias vezes por ano à Itália. As viagens, agora, reduzem-se a dois passeios anuais-mas o hábito de telefonar para a colega permanece. "Ela é uma das mulheres mais femininas que eu conheço", diz ele, sem esconder a admiração. Tão logo sabe que o amigo brasileiro está em Roma, Rita toma seu Alfa Romeo branco, que ela mesma pilota, para ir encontrá-lo. Invariavelmente, eles jantam juntos-ou em elegantes restaurantes, como o do Jardim Borghese, ou no apartamento que Rita divide com a irmã pintora Paola.Os sustos que Chagas Filho leva no trajeto de carro-"ela dirige muito depressa, como todos os motoristas em Roma"-são compensados pela excelência dos jantares, segundo o professor, quando são servidos "seis pratos e vinhos deliciosos", embora Rita só beba água San Pallegrino. Nos encontros, o assunto costuma ser literatura, o lazer predileto da cientista, que adora discutir sobre autores italianos modernos, como Umberto Eco e Alberto Moravia. "Rita também tem um enorme interesse pela política do país", conta Chagas Filho é conhecida sua preocupação com os estudantes pobres, para os quais ela criou uma fundação com o dinheiro de vários prêmios que já recebeu. "Eu sempre digo aos jovens que o primeiro truque é não concentrar-se excessivamente em si próprios, pois isso equivale a fechar-se em um quartinho", ela ensina. "O segundo truque é buscar com obstinação o próprio caminho. O medo da opinião alheia não deve condicionar alguém a tomar uma decisão que, no fundo, sente ser a escolha errada." Por causa de seu carisma, Rita acaba de ser convidada a participar de uma campanha de televisão contra as drogas. Mas nem sempre a pesquisadora teve essa popularidade.Rita viveu toda a década de 50 nos Estados Unidos. Quando voltou para a Universidade de Washington, depois do estágio no Rio de Janeiro, ela conheceu o bioquímico americano Stanley Cohen, com quem, anos mais tarde, dividiria o Nobel pela investigação do NGF. Juntos, eles descobriram aos poucos molécula por molécula que compõe a substância-que os dois cientistas, aliás, identificaram como uma proteína. Preocupada com a mãe idosa e com a irmã gêmea, que vivia sozinha, Rita retornou ao seu país em 1962, quando foi discriminada por muitos cientistas italianos, por ter passado tanto tempo no exterior. Em 1974, no entanto, ela foi a primeira mulher a entrar para a Pontifícia Academia de Ciências do Vaticano, por indicação de Carlos Chagas Filho Os conhecimentos sobre o NGF permitem a busca de novos tratamentos para o câncer, o crescimento desenfreado de uma célula, assim como para uma série de processos degenerativos. "Nos animais, o NGF é capaz de regenerar células nervosas, mas não temos provas de que isso ocorre com o homem. Por enquanto, é apenas uma esperança, esclarece a cientista. Fora prováveis aplicações clínicas, graças as pesquisas coordenadas por Rita, hoje se sabe que o NGF é muito mais do que o responsável pelo crescimento das células nervosas. 

Descobriu-se que a substância é capaz de estimular o sistema imunológico e o endócrino. Algumas experiências mostram que esse mesmo fator é capaz de condicionar a agressividade de ratos, o que mostra sua influência até no comportamento dos seres vivos. Diante de tudo isso, em abril do ano passado, a inquieta Rita Levi, elaborou uma hipótese: "O NGF pode ser uma espécie de maestro na orquestra do organismo", especula, os olhos brilhando de entusiasmo. "Ele parece estar ligando as funções vitais." 

Animada com a tese, ela não pára. Acorda quando o dia mal amanhece e vai direto para a máquina de escrever. Ela está sempre escrevendo-seja artigos, seja conferências. "Quando era adolescente, eu queria ser escritora, como a inglesa Virginia Woolf", conta. Em parte, esse sonho não deixou de ser realizado: sua autobiografia, lançada depois do Nobel, foi um best-seller nas livrarias italianas. E, agora, Rita aproveita os primeiros meses do ano para terminar dois livros de divulgação científica para o público jovem.Depois de escrever algumas folhas, ela pega o carro e dirige para o Instituto de Biologia Celular do Conselho Nacional de Pesquisa da Itália. Ali. permanece três ou quatro horas trabalhando na sua antiga paixão, o NGF, até sair para o almoço- uma dieta espartana, à base de peixes e verduras cozidas. Às 17 horas, ela volta para o laboratório, onde fica pesquisando até o anoitecer. A agenda só é diferente quando a cientista faz conferências fora de Roma, o que costuma acontecer duas vezes por semana. Rita também é uma ativa militante pela conservação da memória da comunidade hebraica italiana, causa para a qual doou parte do dinheiro recebido com o Nobel. "Apesar disso, não sou religiosa, ela assume. "Minha crença se baseia no respeito à liberdade individual."De fato, ela não tolera a menor lembrança do anti-semitismo dos tempos de guerra-e um episódio doméstico recente ilustra bem esse horror. Em seu escritório, entre prateleiras de livros e plantas. Rita tinha um pôster do líder negro americano Martin Luther King. Mas, há poucos meses, caiu nas mãos da insaciável leitora uma biografia de Lutero, o fundador do protestantismo, que a deixou escandalizada pelo pensamento anti-semita. Ao chegar no ponto final do livro, a primeira atitude de Rita foi arrancar a imagem de Luther King da parede. Ainda o considero uma pessoa muito nobre" esclarece. "Só não quero esbarrar diariamente com o nome de seu xará."

Italianos premiados 

Com Rita Levi-Montalcini, dezessete italianos conquistaram o Nobel de disciplinas científicas-a Itália, aliás, é o nono país mais premiado. Isso não reflete uma tradição de investimento em pesquisa. A maioria desses pesquisadores teve de emigrar para se dedicar às suas experiências, como aconteceu com quatro dos cinco cientistas que receberam o Nobel de Medicina. Antes de Salvador Luria, Renato Dulbecco e Rita Levi Montalcini, foram contemplados Camilo Golgi, em 1906, por estudar o papel dos neurônios, e Daniele Bovet que, trabalhando na Suíça, descobriu os anti-histamínicos.


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terça-feira, 30 de outubro de 2012

Pompéia Eletrônica- Informática


POMPÉIA ELETRÔNICA - Informática



A partir de ruínas, programas de computação reconstituem, rua por rua, casa por casa, a antiga cidade sepultada pelo Vesúvio.

O turista passeia pelas ruas luminosas da cidade italiana de Pompéia, 24 quilômetros ao sul de Nápoles. Quase sempre, encontra jardins bem cuidados, decorados com chafarizes. De repente, uma casa chama-lhe a atenção por suas colunas imponentes ou pelos afrescos multicoloridos. O desejo de entrar é irresistível e, sem hesitar, o viajante começa a perambular pelos cômodos repletos de utensílios antigos bem conservados e peças de inestimável valor artístico. Até há três meses, uma situação como essa só poderia acontecer na fantasia de um forasteiro imaginoso: afinal, ali só existem as ruínas da cidade destruída no dia 24 de agosto de 79 d.C. pela mais furiosa erupção do Vulcão Vesúvio. No entanto, o passeio foi real, ainda que se trate de uma realidade eletrônica.
De fato, vinte computadores interligados permitiram aos visitantes de uma recente exposição em Nova York conhecer a paisagem e a vida cotidiana do célebre lugar, antes da catástrofe. O evento, chamado Redescobrindo Pompéia, prova que, além de tudo que os homens já os mandam fazer, os computadores podem desempenhar o papel de túnel do tempo. Foi uma operação de truz. Durante dois anos, 22 técnicos em Informática e 120 arqueólogos trabalharam lado a lado no projeto Consortium Neapolis, patrocinado pelo Ministério da Cultura da Itália e por duas empresas - a Fiat e a IBM, que desenvolveu os computadores.
"A Informática ajuda a contar a história de Pompéia ao público, que assim passa a valorizar mais esse patrimônio", resumiu Ennio Presutti, presidente da IBM italiana, em entrevista a nos. "Ademais, todo o trabalho está agora à disposição dos arqueólogos". Nunca havia se compilado um número tão grande de informações sobre Pompéia, onde as primeiras escavações ocorreram 1748. Os cientistas alimentaram a memória dos computadores com mais de 300 000 dados. O primeiro passo foi analisar toda a área queimada pelo Vesúvio, que depositou 5 metros de cinza não apenas sobre Pompéia, mas também na cidade vizinha, a aristocrática Herculano, exumada pelos arqueólogos em 1719.

Em seguida, desenhou-se o mais completo mapa de Pompéia, a partir de fotografias, desenhos, anotações de cientistas e, obviamente, estudos sobre o assunto. Com o mapa devidamente traçado na tela do computador, os técnicos passaram então a se concentrar nas habitações: onde na vida real existe apenas uma parede quebrada, a máquina faz aparecer na tela um edifício em perfeito estado, resultado de complexos cálculos matemáticos, capazes de deduzir qual seria o projeto de arquitetura original. "A Informática se transformou em grande aliada para se entender o passado", reconhece o arqueólogo Norberto Luiz Guaranello da Universidade de São Paulo. Realmente, no mundo inteiro, cada dia mais arqueólogos trabalham em salas, repletas de computadores.

Para Guaranello, que há oito anos se dedica às escavações de Pompéia, nada melhor do que usar o  computador  para centralizar as descobertas dos cientistas. "O registro de qualquer observação feita em Pompéia, por mais simples que pareça, é fundamental", nota o arqueólogo. "A cidade está desprotegida a céu aberto: algo que pode ser visto hoje talvez não seja encontrado na mesma situação no dia seguinte." De qualquer modo, os visitantes da exposição nova-iorquina, ao atravessarem um longo corredor revestido de lava, lama e cinzas-simulando a camada que escondeu as ruínas por dezesseis séculos-, tinham a impressão de que o tempo parou nos primeiros anos da era cristã.

Na entrada, um computador programado por pesquisadores italianos do Grupo Nacional de Vulcanologia mostrava a evolução do Vesúvio, de hora em hora, nos dois dias que durou a tragédia. Em outro equipamento estava a planta da cidade, funcionando como uma espécie de guia: um simples toque em seu teclado era suficiente para localizar separadamente, por exemplo, as padarias, os palácios ou os templos. Ou, ainda, selecionar verdadeiras atrações conforme o estilo arquitetônico ou sua função. Conseguindo localizar os pontos de interesse no mapa, o visitante devia escolher por qual quarteirão gostaria de caminhar -na verdade, a decisão implicaria acionar computadores diferentes, um para cada região. Depois, bastava apontar na tela a rua desejada, um edifício e, até mesmo, no interior deste, um objeto qualquer.

Assim, ao entrar no templo conhecido como Casa dos Ritos Mágicos, podia-se ver sob todos os ângulos, como se estivesse sendo manipulada à vontade, uma mão de bronze. O computador é capaz de se comportar como um bom cicerone, fornecendo informações extras: aquela mão, por exemplo, costumava ser usada em cultos típicos da Ásia Menor, cuja influência religiosa sobre os habitantes de Pompéia era notável. Da mesma maneira, o computador informa quais os alimentos preferidos pelos antigos romanos ao apresentar a imagem de um vasilhame ou de uma magnífica peça de bronze, sempre presente nas mesas dos banquetes para conservar o calor da comida.

Os cientistas reuniram 200 objetos, escavados recentemente; ao computador coube a tarefa de colar cacos, projetar os pedaços ausentes, pintar as áreas descascadas ou descoloridas pelo tempo. O trabalho se estendeu às pinturas e afrescos, o que pôde ser notado nas famosas termas estabianas, onde os antigos habitantes aproveitavam os momentos de lazer, e no chafariz decorado com mosaicos-foi, aliás, a primeira vez que se viu um dos chafarizes de Pompéia, que, por isso mesmo, mereceu um lugar de honra, na saída da exposição. Os computadores conseguiram mesmo tornar legíveis papiros carbonizados. Programados para detectar a menor diferença no tom de uma imagem, destacaram os riscos de tinta escondidos sob a cor do carvão.

Esse tipo de programa, na verdade tem como principal objetivo ajudar a tarefa dos restauradores. A equipe italiana reconstruiu, por exemplo, um quarto com paredes revestidas por afrescos. "Uma espécie de palheta eletrônica com 64 000 tonalidades permitiu que testássemos no vídeo diversos tons de pigmento para cobrir as partes destruídas e completar o desenho", conta o arqueólogo Baldassare Conticelli, atual supervisor das ruínas de Pompéia. A restauração fica perfeita, pois o equipamento descobre qual era exatamente a tonalidade original. Isso, porém, não é o mais importante, lembra Conticelli: "Antes da Informática, os restauradores testavam os materiais diretamente em peças delicadas, que muitas vezes não suportavam as sessões de experimentação".

Expedições ao computador

A Informática e a Arqueologia ensaiaram os primeiros passos em sincronia ainda no final da década de 70, em centros de pesquisa europeus dedicados à Pré-História. Mas a idéia, na época, era usar o computador apenas como um tremendo arquivo, para guardar os relatos das expedições arqueológicas. Dez anos mais tarde, contudo, estava claro que nenhum cientista era capaz de relacionar dados, fazer cálculos e criar mapas tão depressa quanto a máquina. Os computadores, por exemplo, têm sido usados sistematicamente para orientar escavações na Garganta de Olduvai, no oeste da Tanzânia, África, onde foram achados restos dos mais antigos ancestrais da espécie humana.

O grande salto, no entanto, foi o avanço dos chamados computadores gráficos, capazes de desenhar plantas de cidades desaparecidas como Pompéia e até de projetar a restauração de ruínas. Atualmente, o recurso é aproveitado por cientistas da Universidade de Paris que trabalham com ruínas de pirâmides em Saara, no Egito. Eles pretendem recuperar a Cidade dos Mortos dos antigos egípcios com a tecnologia de Informática criada para realizar modernos projetos de urbanização-uma aventura que nem mesmo o cineasta americano Steven Spielberg ousou imaginar para seu arqueólogo Indiana Jones.

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domingo, 2 de setembro de 2012

Derretimento de geleira na Itália revela munição


Derretimento de geleira na Itália revela munição da 1ª Guerra Mundial

Quase 200 objetos foram encontrados em montanha de Trentino, na Itália.
Munição teria sido usada em batalhas entre 1915 e 1918.


Mais de 200 peças de munição usadas na 1ª Guerra Mundial surgiram depois do derretimento de geleira no pico de uma montanha em Trentino, na Itália. Cada peça encontrada pesa entre 7 e 10 kg.
Os artefatos de guerra foram descobertos a uma altitude de 3.200 metros quando a geleira Ago de Nardis foi parcialmente derretida devido a uma recente onda de calor que atingiu em picos mais altos da Itália. A unidade de polícia dos Alpes viu pontos de metal emergirem do gelo espalhados em uma área de 100 metros quadrados. As fotos foram feitas na última sexta-feira (31)
Especialistas estiveram no local e disseram que as munições não foram descartadas, mas utilizadas durante a série de batalhas entre os exércitos do Império Austro-Húngaro e Itália entre 1915 e 1918.
Foto mostra munição usada na 1ª Guerra Mundial descoberta na Itália. (Foto: Maffei Glauco/EPA/EFE)

sábado, 17 de dezembro de 2011

Como surgiram as massas populares - Gastronomia

COMO SURGIRAM AS MASSAS POPULARES - Gastronomia



Ao contrário do que diz a lenda, Marco Polo não tem nada a ver com a descoberta do macarrão. Um dos mais famosos derivados do trigo é uma invenção árabe que conquistou a Sicília.

Existem no planeta mais de mil tipos diferentes de macarrão. A massa fresca e a massa seca. A massa longa e a massa curta. A massa plena e a massa furada. A massa lisa e a massa rajada. A massa simples e a massa recheada - de mil modos diferentes, também. Cada qual tem seu nome de batismo e sua maneira peculiar de ser feita. Cada qual pode ganhar a proteção sagrada de infinitos molhos e inumeráveis companhias. E, no entanto, só um deles é efetivamente o macarrão.Tudo depende da região de nascimento e produção, das minúcias do desenho e do formato, da fidelidade à tradição. Na Itália, pátria-mãe da nobre pasta, cada indústria ostenta o seu catálogo, a sua própria nomenclatura. Lasange, alisanzas e lagane, por exemplo, não passam de apelidos diversos para as mesmíssimas placas de farinha amalgamada que se sobrepõe em largas séries intercaladas por recheios mais ou menos suculentos, da carne embebida em sugo de tomates a meras camadas de creme e queijo parmesão Agnillini, agnolini, marubini e angiolottus não passam de apodos localizados para os agnolotti tão em moda hoje em dia no Brasil-gordos pasteizinhos de patês ou ricotas condimentados com ervas, frutas frescas, frutas secas e até licores. As penne do Norte são os maltagliati do Sul. Os ravioli de Bolonha são os casonsei de Bergamo, os gobbein de Torino, os culurzones da Sardenha. Só na província da Puglia, as domésticas orecchiette são denominadas orecchino, recchietelle, recchie ou ricchielle, oricchia di prete ou oricchia di judeu - orelhinhas, orelhas-de-padre ou orelhas-de-judeu.Pior ou mais engraçado: com a mesma alcunha de rigatoni se indicam as maniche di frate, as mezze manichine, os chifferoni, os bucatini e os perciatelli, massas de aspecto cilíndrico, vazadas no miolo e estriadas na superfície exterior, precisamente aquelas que o rigor histórico prefere batizar, com exclusividade, de maccheroni. Acabou? Jamais. Maccheroni, os macarrões, são as denominações que recebem, na Itália central, as tugliatelle da Emilia-Romagna, as fettuccine do Lazio, as trenette da Liguria, as tagghiarine da ilha da Sicília.Formidável, superinteressante confusão. De onde ela provém? Antes de detalhar a evolução do macarrão, é necessário conhecer um pouco da aventura antológica de sua matriz essencial, o trigo. Trata-se, sumariamente, do alimento mais universal de todos. Os cereais, em geral, são responsáveis por 80 por cento de todas as calorias consumidas pela humanidade. Quase metade delas corresponde ao trigo, que ocupa nada menos que 215 das terras agricultáveis destinadas aos grãos. Semente de uma planta da família das gramíneas, segundo o botânico soviético Nikolai I. Vazilov, há no globo mais de 30 mil variedades de trigo.Elas são agrupadas em quinze espécies, por sua vez separadas em três grupos, de acordo com a quantidade de seus cromossomos: sete pares, catorze pares e 21 pares. O macarrão nasceu de uma espécie intermediária, o Triticum durum, catorze pares de cromossomos, abundante nos arredores do mar Mediterrâneo, desde o Levante dos fenícios até o Tirreno dos etruscos. A cronologia do poder no Velho Continente, aliás, está radicalmente ligada à dominação das plantações do Triticum. Quem possuía a capacidade de colhê-lo, transportá-lo e conseqüentemente vendê-lo tinha também o predomínio sobre os outros povos e as outras nações de seu período. Aconteceu assim com Esparta, com Atenas e com a Grande Roma.O homem pré-histórico aprendeu, empiricamente, a macerar os grãos de trigo em água, de modo que eles amaciassem e fermentassem e dessa maneira se originou a cerveja. Depois, conseguiu cozinhá-los em potes de argila- e dessa maneira se originou a bisavó da polenta, um impasto chamado pultes, que perdurou até a era dos latinos. Na Grande Roma, uma iguaria muito requisitada se fazia com tal impasto e favas debulhadas, a puls fabota, que se oferecia aos deuses. Havia, igualmente, a puls punica, com carne, antecessora do atual cuscuz. À farinha mesclada ao óleo, um pouco de água e de ovos, eventualmente, se chamava de picea- um disco que se abria com as mãos e se assava sobre pedras incandescentes-, a tataravó da pizza.As vezes, se cortava a picea em finas tiras que se fritavam e então se lançavam em sopas borbulhantes de carnes ou de peixes ou de cereais, como o grão-de-bico. Eram os testaroi ou testareli, tios das futuras togliatelle, que o poeta Horácio (65-8 a.C.) descreveu, extasiado, em alguns poemas. Em outras ocasiões, a picea se dividia em laminas maiores - laganum, lasanum, lasanha. Todas essas massas, porém, se serviam muito frescas, obrigatoriamente. No dia seguinte, afinal, a farinha azedava, literalmente mofava por excesso de fermentação. Apenas sete ou oito séculos depois do apogeu de Roma o mundo teria o privilégio de conhecer a pasta asciutta, a massa seca que redundaria na mágica graça que se denomina macarrão.Fique bem claro, o aventureiro veneziano Marco Polo não tem a mínima responsabilidade na descoberta. O explorador viveu entre 1254 e 1324 e, de fato, segundo o seu livro de viagens, II milione, encontrou no Oriente a cidade de Fanfur, meio mongol e meio chinesa, na qual Ihe ofereceram "magiari di pasta assai e buoni", excelentes pratos de massas. As receitas, todavia, não utilizavam farinha de trigo em sua composição, mas sim, um impasto de sagu. Foi o editor de ll milione, Giambattista Ramosio, no século XVI, quem introduziu na obra, de seu próprio punho, uma nota supostamente explicativa: "Com aquele impasto se faziam lasanhas... que o dito Polo provou muitas vezes e, depois de secas, carregou consigo de volta a casa".Infelizmente, a arbitrariedade de Ramusio complicou a história, embora os sucessivos editores do volume tenham expurgado do texto o que Marco Polo não havia escrito. Na realidade, a palavra e o produto macarrão são sicilianos, de raízes arábes-mouriscas. A expressão é dialetal e perdura até hoje, derivada de maccarrani, plural maccarruna, filha do verbo maccari, que significa achatar ou esmagar-amassar com bastante força, enfim. Naqueles idos, a Sicília controlava a produção, o transporte e a comercialização do Triticum durum, lá implantado pelos fenícios ao menos 2 mil anos antes de o pai de Marco Polo ter se casado.Comprova documentalmente essa teoria o tratado Nuzhat Al-mushtaq fi Ikhtiraq Al-afaq (ou "A dissertação de um apaixonado pelas peregrinações através do mundo"), escrito por um certo Abu Abdallah Muhammad ibn Muhammad ibn Idris em 1154 e no qual aparece pela primeira vez na história a descrição do processo de fabricação da pasta asciutta.Segundo Idris, porque viajavam bastante e longamente, os árabes cortavam os seus impostos de farinha e água em longos fios, de modo que se desidratassem e enrijecessem depressa, ao sol, e assim pudessem se conservar por muitos meses. Aos fios se dava o apelido de al-itryia, ou trujje, ou trie no idioma siciliano-de onde provêm, ostensivamente, as aletrias, que até mesmo os portugueses utilizam na sua gastronomia.As trujje fulminantemente se tranformaram na iguaria-padrão dos siclianos de oitocentos anos atrás. Senhoras, senhoritas e meninas se reunem até hoje nos quintais da ilha fim de perpetrar a sua massa sagrar -e há mulheres tão habilidosas que conseguem fazer fios de até 50 metro de comprimento. Das trujje brotara todas as massas longas, finas ou grosas, maciças ou furadas, arredondadas ou achatadas, que no correr das épocas virariam os spaghetti, os tagliarini as fettuccine et cetera que se consomem no mercado internacional.Também na Sicília surgiram massas recheadas, a partir do prmeiro raviolo, função de todos outros tipos. A palavra raviolo, singular de ravioli vem do dialetal ravis - pequeno pedaço de impasto dobrado sobre um patê de carne. Na Sicília apareceu o primeiro aparelho fabricador de macarrão, o arbitriu-literalmente, o abridor de trujje, uma prensa manipulada por dois trabalhadores,que espremiam a massa na direção de um funil que lhe impunha o formato de fitas ou de fios. Depois da dominação dos árabes, na Idade Média, as águas ao redor da ilha passaram ao controle da prodigiosa marinha genovesa. E os navegadores da Liguria se encarregaram de disseminar a massa seca dos sicilianos por toda a Itália, em regiões que lhes deram novos desenhos e novos nomes. No final do século XVI, finalmente, aconteceu a explosão, com a chegada dos tomates à cidade de Nápoles.O episódio também é superinteressante pelas peripécias que o envolveram. Os tomates são nativos da América do Sul, mais propriamente do Peru. Descobertos pelos espanhóis, que se apaixonaram por sua linda cor vermelha, sofreram inicialmente um feroz combate de médicos e cientistas. Na corte de Madri, uma intoxicação coletiva levou à sua proibição por edito real. Um botânico italiano, Pierandrea Mattioli, acusou os de "corruptores e venenosos". De fato, os talos e as folhas do tomateiro podem intoxicar. O sucesso do belo fruto só aconteceu nos entornos de 1595, quando um cozinheiro napolitano colocou na panela pela primeira vez apenas as partes rubras dos tomates e inventou o molho mais famoso do Universo.Inaugurou-se, então, uma parceria indestrutível, tão majestosa que, por causa dela, ainda há quem acredite ser Nápoles a inventora do macarrão. Dos tomates em diante, o trajeto se resume. Em 1824, Antonio Viviani, num poema intitulado "Gli maccheroni di Napoli", cunhou a expressão spaghetti, diminutivo de spago, que significa barbante. Em 1919, depois do advento da energia elétrica, um certo Paolo Cirillo, mecânico de Torre Annunziata, cidade localizada 30 quilômetros ao sul de Nápoles, desenvolveu um sistema artificial de secagem das massas: o macarrão se dispunha no interior de um enorme barril de madeira aquecido por brasas, o calor distribuído por meio de um ventilador mecânico. Na década de 20, já existiam, na Velha Bota, cem indústrias de macarrão. Hoje, são mais de mil.
O último grande passo aconteceu em 1967, quando a empresa italiana Braibanti desenvolveu uma máquina, a Cobra 2000, capaz de produzir duas toneladas de massa longa por hora, ou 2,5 toneladas de massacurta. Dante Gallian Netto, superintendente da Adria, fundada em 1951, a mais antiga companhia brasileira do setor, que dispõe de várias Cobra, explica como o equipamento funciona: "A massa, mistura de farinha, ovos, água e nutrientes como betacaroteno (um metabolizador da vitamina A), cai através deum funil numa série de trafilas de bronze ou de teflon, que lhe dão o formato necessário. Os fios são então cortados por uma guilhotina e começam a atravessar um túnel enorme, com cerca de 50 metros, onde passam, sucessivamente, por banhos de vapor e de ar muito quente. Isso, além de secar lenta e naturalmente a massa, faz com que todo o amido da mistura se gelatinize em seu interior, impedindo que o macarrão venha a se desmanchar ou a grudar durante o cozimento".Evidentemente, a modernização do modo de produzir as paste asciutte fez crescer em proporção geométrica o seu consumo internacional. Os italianos comem 28 quilos per capita/ano. Os argentinos e os venezuelanos, 12 quilos. Os suiços, nove. Os norte americanos, sete. Os franceses, 6,5. O Brasil ainda estaciona na faixa dos 3,8 quilos per capita/ano. O que é uma pena, pois o macarrão é mais nutritivo do que o prato nacional de arroz e feijão. A potencialidade do macarrão não se mede, apenas, pela sua qualidade dietética ou pelo espaço que ocupa na Terra. Não fossem os spaghetti, por exemplo, talvez o mundo não conhecesse os garfos de quatro pontas com que se come hoje em dia. Eles foram inventados, no século passado, por um patisseiro napolitano, Gennaro Spadaccini, que não agüentava mais enrolar os seus fios num apetrecho de três pontas só.

Mangia che ti fà bene

O macarrão nutre e não engorda. Quem afirmar o oposto - ah, esse não sabe o que está dizendo. Atualmente, aliás, mesmo os mais preclaros dietistas já não acusam o macarrão dos crimes da obesidade. A dieta da moda na Europa, a mediterrânea, proposta pelo cientista e cardiologista americano Ancel Keys, sugere que se comam massas como entrada nas duas principais refeições do dia, o almoço e o jantar. Desde que a continuação se faça com vegetais e carnes brancas.Keys, no entanto, não é o pioneiro nessa teoria. No começo do século, um príncipe siciliano, Enrico Alliata di Salaparuta, teósofo e fisiologista, exaltava as qualidades das massas como prato-base de uma culinária vegetariana. O que engorda, explicava Salaparuta, é a união das proteínas e carboidratos do macarrão com as substâncias tóxicas que se encontram nas gorduras saturadas dos animais. De fato, 100 gramas de macarrão contêm em média tantas calorias quanto um filé de boi com a metade desse peso. Ou seja: o segredo da leveza de uma massa está no controle daquilo que se mistura a ela. Quanto menos gorduras animais, melhor. Quanto mais vegetais, melhor ainda.Atletas em geral, principalmente os maratonistas, corredores de longas distâncias, se utilizam do macarrão como ração essencial de suas dietas. As massas, afinal, são riquíssimas nos carboidratos que no organismo se transformam em energia pura e acumulável. Além disso, são facílimas de digerir, graças à ação dos próprios fermentos salivares-em outras palavras, as massas não exigem muito esforço do estômago ou dos intestinos. Quem come apenas um belo prato de macarrão com alho e óleo em apenas uma hora volta a sentir sua doce fome.

Uma receita

As trujje sicilianas são as massas secas mais antigas de que se tem notícia. Não há, porém, qualquer dificuldade, além de uma certa paciência em se perpetrarem trujje (pronuncia se traie) hoje em dia. Basta o leitor acompanhar o passo a passo deste prato superinteressante, aqui demonstrado pelo jornalista e gastrônomo Silvio Lancellotti, que o recolhe. em velhíssimos arquivos familiares.Ingredientes para quatro pessoas: 500 gramas de farinha de semolina de trigo. Uma xícara de vinho branco, bem seco. Sal. Água tépida.1. Numa vasilha qualquer, misturar a semolina, o vinho branco e o sal. Acrescentar a água necessária para obter uma pasta bem homogênea.2. Depois de amalgamar bem a pasta, produzir pelotinhas de uns 2 centímetros da diâmetro. Deixar que as bolinhas descansem cerca de 30 minutos.3. Com o Indicador, furar cada pelota. Delicadamente, mexer o dedo a fim de aos poucos alargar o vazio e criar uma série do argolas.4. Enfiar as argolas, uma de cada vez, no chamado pau de macarrão. Ampilá-las ainda mais com movimentos breves e bem determinados.5. À medida que os colares se ampliam, recolher as meadas e enrolá-las delicadamente, não deixando de modo algum que os fios se rompam.6. Repetira operação até obter meadas da espessura de um spaghetto irregularmente grosso Deixar que sequem durante pelo menos 24 horas7. Cozinhar as meadas em caldo de carne denso e em plena ebulição, até que os fios atinjam o ponto al dente-20 a 30 minutos bastarão.8. Recolher e escorrer cuidadosamente as meadas. Polvilhá-las com pimenta, vermelha em pó e abundante queijo ralado (pecorino ou parmesão).9. Despejar azeite de oliva a gosto. Servir com um ovo frito, de gema ainda mole, por cima Acompanham as carnes da preparação do caldo.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Quem assassinou o Papa João Paulo I ???

QUEM ASSASSINOU O PAPA JOÃO PAULO I?



Odia 28 de setembro de 1978 ainda está bem vívido na memória dos católicos do mundo inteiro. Para eles, a data remete à morte precoce do papa João Paulo I. Mas, para muita gente ainda hoje, naquele dia coroou-se com êxito uma das mais bem armadas conspirações da história da Igreja. Os fatos que cercaram sua eleição, o curto mandato de apenas 33 dias e as circunstâncias da morte de Albino Luciani sugerem, para os defensores dessa teoria, que João Paulo I foi assassinado.

Mas que sorte de interesses aquele homem doce e discreto de 65 anos - conhecido como o "Papa Sorriso" - teria ameaçado contrariar? Antes de abordar a trama, convém relembrar os acontecimentos, amplamente debatidos pela mídia da época, e que renderam algumas obras polêmicas e o bem-documentado livro Um Ladrão na Noite, de John Cornwel, publicado na Inglaterra em 1989.

Filho de uma família proletária e de um pai socialista, Albino Luciani nasceu em 17 de outubro de 1912 onde hoje fica Canale d’Agordo, norte da Itália. Durante toda sua carreira, foi um clérigo inexpressivo e nunca foi cotado para o posto de papa. Sua eleição deixou todos boquiabertos, uma vez que concorreu com nomes fortes, como os cardeais Pignedoli, Baggio, Siri, Felici, Koenig, Bertoli e o brasileiro Aloísio Lorscheider. Também nunca havia integrado o serviço diplomático nem servido no Vaticano. Com essa história, para surpresa geral, foi eleito pontífice no conclave mais concorrido e rápido de que se tem notícia.

Para o escritor inglês David Yallop, autor do livro Em Nome de Deus - uma investigação do assassinato do papa João Paulo I, Albino Luciani teria sido eleito pelos conservadores simplesmente para cumprir ordens. Mas, ao demonstrar carisma, liderança e, principalmente, disposição para reformar os quadros e interferir no comando do Banco do Vaticano, teria despertado o receio de determinado grupo de prelados.

O diretor executivo do Banco do Vaticano, Paul Marcinkus, seria um dos primeiros prejudicados por João Paulo I. Sua exoneração traria à tona extensas negociatas com a Máfia Italiana e a Maçonaria. Marcinkus era notoriamente próximo do presidente do Banco Ambrosiano de Milão, Roberto Calvi, por sua vez amigo do advogado e financista siciliano Michele Sindona. Os três mantinham relações com Lício Gelli, outro financista que controlava a loja maçônica P2, a qual teria se infiltrado no Vaticano.

Um grupo de clérigos também estaria envolvido na trama, por temer a perda de posições de prestígio no Vaticano. Essa versão foi explorada por obras como A Verdadeira Morte de João Paulo I, de Jean-Jacques Tierry, e pelo romance A Batina Vermelha, de Roger Peyrefitte, que ainda acrescentava à trama uma suposta participação da KGB, a polícia secreta da então poderosa União Soviética. Mas foi o escritor John Cornwel quem investigou mais seriamente o episódio e deu consistência à trama em Um Ladrão na Noite. Ex-seminarista, Cornwel foi estimulado pela própria Igreja a produzir uma obra conclusiva que pudesse desmantelar as teorias conspiratórias sobre a morte do papa.

LADRÃO NA NOITE

O autor parece ter ido fundo nas pesquisas (o livro é comparado a um bem documentado relatório), mas, para o desespero do Vaticano, manteve a dúvida no ar: "João Paulo quase com certeza morreu de embolia pulmonar. Necessitava de descanso e medicação. Se estes tivessem sido receitados, ele provavelmente teria sobrevivido. As advertências de uma doença mortal estavam claras, à vista de todos. Pouco ou nada foi feito para socorrê-lo", afirma ele nos parágrafos finais do livro, traduzido para mais de 30 idiomas, com tiragem total de mais de cinco milhões de exemplares.

No início de seu relato, Cornwel aponta dez contradições que envolvem a morte do papa até hoje não esclarecidas. A mais intrigante, divulgada pela Ansa, agência de notícias italiana, é sobre o horário em que um carro do Vaticano apanhou em suas casas os embalsamadores Renato e Ernesto Signoracci: às 5h. Acontece que há duas versões oficiais sobre o horário em que o corpo foi encontrado: uma, às 5h30. Outra, às 4h30. A causa oficial da morte também nunca foi esclarecida. Segundo alegou o Vaticano, as leis canônicas impediam que a autópsia fosse realizada.
Há ainda indícios de que Luciani pressentira sua morte. Ricardo de la Cierva, a única pessoa que teria tido acesso ao diário pessoal do papa, reproduz no livro O Diário Secreto de João Paulo I um trecho em que o pontífice revela essa premonição. De acordo com o livro, em julho de 1977, ele teria visitado irmã Lúcia, a anciã protagonista das aparições de Fátima, no convento das Carmelitas de Coimbra. Entre longos silêncios e súbitos olhares fixos, a religiosa teria lhe dito a frase: "E quanto ao senhor, senhor padre, a coroa de Cristo e os dias de Cristo". Em seu diário, João Paulo I teria escrito: "Os dias de Cristo serão meus dias, minhas semanas, meus anos? Não sei". Aquele era o 25o dia de seu pontificado - que durou exatos 33 dias.

Eu acredito!

"Creio em Deus Pai, Todo-Poderoso, Criador do céu e da terra. E em Jesus Cristo, seu Filho Unigênito, o qual foi concebido pelo Espírito Santo, nasceu de uma virgem, desceu ao mundo dos mortos, ressuscitou noterceiro dia, subiu ao céu e está sentado à direita de Deus Pai, de onde virá para julgar os vivos e os mortos. Creio também que Paul McCartney morreu em 1966, que a Aids foi criada em laboratório, que a viagem à Lua foi uma farsa e que o Dalai Lama é a 14ª reencarnação de Buda. Creio que Alá é Deus e Maomé o seu profeta. Creio na reencarnação, no poder dos astros, nos florais de Bach e no feng shui, nas cirurgias espirituais. Creio na infalibilidade de João Paulo II e que João Paulo I foi morto pela própria Igreja. Amém!"
Janer Cristaldo, escritor, tradutor e jornalista, só não acredita em Papai Noel. Apesar de ter a cara dele

O céu não os protege

O supremo pontífice foi peça central de inúmeras conspirações ao longo dos séculos, culminando com o assassinato de pelo menos uma dezena dos que ocuparam o posto. A primeira vítima foi João VIII, envenenado em 882. Mas ele acabou morto a golpes de martelo, pois o preparado demorou a surtir efeito. Anos mais tarde, em 896, o papa Formoso também foi envenenado por uma facção dissidente. Em 903, Cristóvão matou Leão V e assumiu o papado. Em 929, João X foi asfixiado pela filha de sua amante. Em 974, Bento VI foi estrangulado por seu sucessor, Bonifácio VII.

No final do século 13, Celestino V foi envenenado por seu sucessor, Bonifácio VIII, e logo em seguida, no início do século seguinte, Benedito XI teria morrido após ingerir vidro moído misturado a figos.

A partir de então, os assassinatos refluíram. Passaram-se 150 anos até a morte de Paulo II, que pode ter sido vítima de veneno ou simplesmente do pecado capital da gula (morreu após ter devorado dois grandes melões). Em 1503, Alexandre VI foi envenenado com uma dose de arsênico: seu corpo inchou tanto que foi preciso que pulassem sobre seu estômago para fechar o caixão.
Já Leão X, sucessor de Alexandre VI, teria sido vítima de uma tentativa frustrada de assassinato: cinco cardeais teriam contratado um cirurgião que, para "tratar-lhe" as hemorróidas, do papa introduziria veneno no ânus; mas a trama foi descoberta a tempo.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Sylvester Stallone entra para o Hall da Fama do Boxe Internacional

07/12/2010 19h28 - Atualizado em 07/12/2010 19h32

Sylvester Stallone entra para o Hall da Fama do Boxe Internacional
Também foram nomeados os campeões Mike Tyson e Julio Cesar Chavez.
Astro de 'Rocky' atuou, escreveu e dirigiu maioria dos filmes da série.


Sylvester Stallone em cena de 'Rocky Balboa', filme
mais recente da franquia, lançado em dezembro
de 2006 (Foto: Divulgação)O ator Sylvester Stallone, astro da série "Rocky", foi selecionado nesta terça-feira (7) para o Hall da Fama do Boxe Internacional. O intérprete do célebre Rocky Balboa, "o garanhão italiano", recebe a homenagem ao lado de gigantes do boxe profissional como Mike Tyson e Julio Cesar Chavez.

Também foram nomeados o campeão russo da categoria meio-médio Kostya Tszyu, o treinador mexicano Ignácio "Nacho" Beristain e o juiz Joe Cortez. Os nomes foram apontados pela Associação de Jornalistas de Boxe da América e historiadores dedicados ao esporte.

Além de protagonizar os filmes, Stallone é também o roteirista - e ocasionalmente diretor - dos seis longas-metragens da série "Rocky". O primeiro deles foi lançando em 1976 e venceu os Oscar de melhor filme, direção e edição.

O personagem Rocky Balboa é inspirado nos lutadores Chuck Wepner e no ítalo-americano Rocky Marciano, ídolo do esporte na década de 50.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Mulher fica presa no amante e é socorrida pelo marido

08/05/09 - 14h17 - Atualizado em 08/05/09 - 14h18

Mulher fica presa no amante e é socorrida pelo marido na Itália
Eles ficaram presos após a mulher sofrer uma forte cãibra.
Os dois trabalhavam em uma loja na cidade de Bérgamo.




Foto: Divulgação Salvatore Mazzi e Angelina Marcelo ficaram presos durante uma escapulida no banheiro. (Foto: Divulgação)Os italianos Salvatore Mazzi e Angelina Marcelo, ambos casados, deram uma escapulida e decidiram transar no banheiro da loja em que trabalhavam na cidade de Bérgamo, na Itália, mas o que era para ser um momento de prazer virou um pesadelo.

Segundo o jornal inglês "Daily Mirror", os dois precisaram ser socorridos por médicos após ficarem presos abraçados, já que a mulher sofreu uma forte cãibra e não conseguia soltar o colega de trabalho.

Salvatore e Angelina foram encontrados pelo marido de Angelina, que trabalhava como caixa na loja. Após o marido traído chamar os médicos, o casal foi separado. Mas a história não terminou bem para Salvatore.

Guarda de segurança da loja, ele foi despedido por ter relações sexuais durante o trabalho e sua mulher pediu a separação. Angelina manteve o trabalho, já que tinha acabado o seu turno, segundo a reportagem do jornal inglês.