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quarta-feira, 29 de junho de 2022

NASA registra imagem incrível de poderosa erupção solar que afetou a Terra

NASA registra imagem incrível de poderosa erupção solar que afetou a Terra

Fenômeno provocou a ocorrência de auroras e apagões de rádio no nosso planeta.

segunda-feira, 18 de maio de 2020

51 anos da internet - Como a rede mundial de computadores transformou o mundo

51 anos da internet - Como a rede mundial de computadores transformou o mundo


Criada em 1969, a internet continua a trazer cada vez mais possibilidades para a educação, o empreendedorismo e o voluntariado

segunda-feira, 7 de março de 2016

Do Morse Ao 4G - Onde Tudo Começou ?


Do Morse Ao 4G - Onde Tudo Começou ?


Em 5 de maio comemoraremos o dia mundial das comunicações. Dia 11 de maio será o dia do telégrafo, uma ferramenta há muito não mais utilizada, mas que foi de extrema importância e inovação em sua época. No próximo dia 24, será o dia do telegrafista, um profissional pioneiro nos meios de comunicação a longas distâncias. Sendo maio o mês da comunicação, há de se valorizar ainda mais esse tataravô do celular e seus usuários, pois foi em equipamentos como esse que tudo começou.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Congestionamento Invisível - Comunicações



CONGESTIONAMENTO INVISÍVEL - Comunicações



Há algo no ar além dos aviões de carreira: a superlotação dos caminhos por onde viajam as ondas eletromagnéticas que transportam um número cada vez maior de sinais de rádio, TV e telefone. Como desafogar esse trânsito?

Quando alguém, dentro do ônibus ou do carro, é obrigado a enfrentar o trânsito infernal de qualquer grande cidade não imagina que acima de sua cabeça outro meio de transporte também disputa um espaço cada vez mais concorrido. São as ondas eletromagnéticas de variadas intensidades, amplitudes e freqüências, que vão e vêm carregando todo tipo de mensagens e imagens. Não se pode vê-las, mas elas estão lá, assim como em toda parte ao redor do mundo - certos tipos de ondas, como algumas de radiodifusão e todas as de televisão, conseguem atravessar a ionosfera terrestre, a 100 mil metros de altitude, e se propagar pelo Cosmo.
É muito difícil estimar o número de todos os tipos de ondas eletromagnéticas que trafegam pela atmosfera. Para se ter uma idéia basta pensar que existem dezenas de milhares de estações de radiodifusão e pouco mais de mil estações de TV espalhadas pelo mundo. Somem-se a esse número os milhões de aparelhos de radiocomunicação instalados em aviões civis e militares, navios, carros de polícia e de bombeiros, ambulâncias, radioamadores e serviços de telecomunicações estatais e privados via satélite. Se todas as ondas eletromagnéticas fossem visíveis a olho nu, o mundo certamente ficaria irreconhecível.
O atual congestionamento do espectro eletromagnético é uma boa medida da necessidade de comunicação entre as pessoas. Desde os primeiros passos da civilização, essa necessidade levou o homem a criar meios de enviar mensagens a distância. Para trocar informações, enviar notícias e saudações já foram usadas as mais diversas formas de comunicação, como pombos-correio, nuvens de fumaça ou mensageiros a cavalo, em carroças ou em navios. Há não mais de cem anos uma mensagem demorava cerca de um mês para ir de navio do Ocidente ao Japão. Até que em 1864 James Clerk Maxwell, professor de Física experimental em Cambridge, na Inglaterra, provou que uma corrente elétrica poderia se propagar à velocidade da luz (300 mil quilômetros por segundo) na forma de ondas.
Pouco tempo depois. em 1888, o físico alemão Heinrich Hertz demonstrou que a previsão de Maxwell era verdadeira. Mas foi o físico italiano Guglielmo Marconi quem primeiro usou as ondas eletromagnéticas em 1901 para transmitir uma mensagem através do Oceano Atlântico. O eletromagnetismo é uma das quatro forças fundamentais que compõem o Universo - junto com a gravitação e as interações nucleares forte e fraca. Uma forma de enxergar o campo magnético (um dos componentes das ondas eletromagnéticas) é fazer a velha experiência escolar de espalhar limalha de ferro numa cartolina e colocar sobre ela uma barra de ímã - imediatamente as minúsculas partículas metálicas se alinham ao longo do campo.
Embora ainda não se conheça tudo sobre essa energia, ela tem sido amplamente explorada nos últimos cinqüenta anos. Depois que se descobriu que uma onda eletromagnética pode se propagar por longas distâncias, o desafio tem sido o de aperfeiçoar técnicas para fazê-la carregar uma quantidade cada vez maior de informação mais e mais longe. Essa onda é chamada portadora porque transporta uma mensagem embutida na variação de sua amplitude e na freqüência com que oscila. Para alguém transmitir um sinal qualquer basta fazer com que um pulso de corrente elétrica passe por uma antena. Como a energia elétrica pode ser uma corrente alternada - porque está constantemente alternando sua polarização, entre positivo e negativo -, no momento em que o pulso é positivo a corrente provoca uma oscilação magnética no campo à volta da antena em certo sentido. Quando o pulso fica negativo, a oscilação é no sentido oposto. Assim, a constância desse movimento alternado cria uma onda.
A grande idéia de Marconi foi a de influir nos pulsos elétricos que passam pela antena de forma similar às batidas dos tambores usados para enviar mensagens entre tribos africanas. Aumentar e diminuir a velocidade das batidas dos pulsos (ou seu ciclo) altera a freqüência com que a onda eletromagnética sobe e desce. Da mesma forma que aumentar e diminuir a força do pulso interfere no tamanho da onda. Foi a Primeira Guerra Mundial que desencadeou a exploração das freqüências de ondas de rádio como meio de comunicação, com a produção em massa de transmissores e receptores encomendados pelos exércitos em conflito. Foi também a partir daí que a atividade radiofônica começou a ser controlada pelos governos.
No final dos anos 20, somente nos Estados Unidos já existiam 732 estações transmissoras de programas de rádio que, particularmente nas maiores cidades, sobrepunham suas ondas umas às outras, criando interferências que tornavam incompreensível a recepção. Para pôr ordem nessa torre de Babel, as autoridades começaram então a regulamentar o uso do que se chamava impropriamente o "éter" (os espaços por onde as ondas se propagam). O rápido crescimento do número de estações de radiodifusão mostrou que as ondas eletromagnéticas são um recurso limitado, que, se não for bem distribuído, gera uma grande confusão. É um recurso natural tanto quanto o são a água e o ar.
A rigor, as ondas servem da mesma forma que as embalagens de produtos das prateleiras dos supermercados: as latas de ervilha devem conter ervilhas que serão compradas por quem quer consumir ervilhas. O fabricante de xampu não pode usar uma lata de ervilhas para vender seu produto pela simples razão de que quem estiver precisando de xampu não vai buscá-lo na prateleira de latas de ervilhas. Como as ondas eletromagnéticas são utilizadas para o transporte de todo tipo de comunicação, podem ser entendidas como embalagens de produtos muito diferentes. Basta imaginar como seria absurdo um piloto de linha aérea ligar o aparelho de comunicação do avião e ouvir música de uma estação de rádio comercial em vez das instruções do controlador de vôo do aeroporto.
Para evitar desastres como esse, a solução foi definir um tipo de onda para cada tipo de usuário. Disciplinou-se o uso do espectro das ondas eletromagnéticas: uma distribuição dessas ondas de acordo com a freqüência. É uma escala dividida em bandas ou faixas ocupadas por ondas que vão das freqüências mais baixas, 30 ciclos por segundo ou 30 hertz (em homenagem ao cientista alemão) até as mais altas de 300 gigahertz ou 300 bilhões de hertz. As ondas curtas e médias são refletidas pela ionosfera e por isso mesmo usadas pelos serviços de radiodifusão que desejam atingir locais distantes - geralmente estações de rádio estatais, como a Radiobrás com sua Voz do Brasil, a Voz da América, do governo americano, ou a emissora pública BBC de Londres.
Da mesma forma fazem os radioamadores, cujos equipamentos têm potência para alcançar outros países. As telecomunicações via satélite, por sua vez, usam freqüências extremamente altas, chamadas microondas, porque conseguem atravessar todas as camadas da atmosfera. Portanto, cada usuário deve utilizar determinada faixa de comprimento de onda, ou faixa de freqüência, alocada para o fim a que ele se propõe. A divisão desse espectro foi definida por um acordo internacional de 1959, mas desde então sucessivas reuniões da União Internacional de Telecomunicações (UIT), ligada à ONU, têm aperfeiçoado e realocado algumas faixas na medida da evolução da tecnologia. Embora o espectro da UIT tenha limites bem definidos, cada país membro da organização estabeleceu pequenas variações de acordo com suas próprias necessidades.
Como se pode perceber na escala do espectro brasileiro, algumas faixas já estão bastante congestionadas. Em São Paulo, onde existe o maior fluxo de telecomunicações do país, na faixa de freqüências muito altas (VHF. do inglês very high frequencies), que vai de 30 megahertz (30 milhões de hertz) até 300 megahertz. não cabe mais nada. É por ela que são transmitidos os sinais de televisão VHF, como os da Rede Globo ou os do SBT, de algumas estações de rádio FM (freqüência modulada) e ainda comunicações de navios, aviões e até de alguns radioamadores. Embora uma imagem de TV precise de um total de 6 megahertz (MHz), tanto na faixa de VHF como na de UHF (ultra high frequencies, dos 300 MHz até os 3 GHz - gigahertz), cabem de fato apenas sete canais na faixa de VHF e pouco mais de dez na de UHF.
Isso porque, além de serem obrigados a compartilhar esse espaço com outros serviços, os canais receberam do governo mais 6 MHz para que não houvesse interferência entre um e outro, o que inevitavelmente aconteceria se existissem emissoras do 2 ao 13. Sendo assim. quem deseja a concessão de uma nova estação de TV em São Paulo precisa utilizar as UHF, como já é o caso da TV +, que ocupa o canal 29, e a TV Jovem Pan, canal 16, ainda em caráter experimental. Este ano deverão estar no ar mais dois ou três canais em UHF, entre eles o 32 da TV Abril.
Embora a situação de São Paulo não seja a mesma em todo o país, o espectro brasileiro já encontra alguma dificuldade para acomodar todas as transformações pelas quais as telecomunicações passaram nos últimos vinte anos. Tanto que o mapa da distribuição de serviços por faixas de onda está sendo revisto pelo Dentel, órgão do Ministério das Comunicações que regula o assunto. Algumas faixas já foram redefinidas. "O mapa mais atualizado e disponível é de 1975 e de lá para cá muita coisa mudou, como as comunicações no meio rural, por exemplo, explica Ivan Pereira Pena, diretor da área de telecomunicações do Dentel. Como a telefonia rural ainda é muito precária, os fazendeiros se comunicam por rádio, numa determinada freqüência que. evidentemente, não pode ser pública.
O exemplo do congestionamento paulista, porém, nem chega perto da situação muito mais estrangulada do espectro americano. Nos Estados Unidos, no caso das TVs, além da ocupação total da faixa de VHF em quase todas as grandes cidades, boa parte das UHF também estão sendo usadas. Outros tipos de serviço criam um aperto ainda mais difícil de administrar. Apenas o governo, incluindo as forças armadas, utiliza boa parte do espectro para telecomunicações reservadas. Pesquisas científicas em Radioastronomia, outro tanto. O caso da telefonia móvel é bem representativo. Esse tipo de telefone funciona à base de ondas de rádio, geralmente em VHF, e pode ser transportado para todo lugar, dentro do carro ou até mesmo na pasta. A demanda pela telefonia móvel cresceu muito nos Estados Unidos nos últimos anos; para atendê-la, as companhias telefônicas reivindicam a ocupação de faixas de UHF, em sua maior parte originalmente destinadas às redes de TV.
Concorrem por esse mesmo espaço os serviços de radiofonia móvel que atendem à polícia e aos bombeiros. Sem falar nas grandes redes de TV que querem investir na HDTV - televisão de alta definição. É que a HDTV, ainda em desenvolvimento, precisará de faixas 50 a 100 por cento maiores que as das televisões comuns. Embora também o brasileiro ainda esteja distante da maravilha que será a HDTV, está próximo de usufruir a comodidade da telefonia móvel. No ano passado, o governo abriu concorrência para que empresas privadas comecem a explorar esse mercado em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Ainda não existe decisão oficial acerca da faixa de onda a ser usada por esses telefones, mas é muito provável que seja em UHF.
Como a tendência geral é aumentar o número de usuários de um espaço que fisicamente não pode crescer, governos e universidades de vários países, entre eles o Brasil, estão patrocinando estudos para maximizar o aproveitamento do espectro. Uma hipótese é a digitalização de sinais - transformar os sinais de rádio e TV em sinais digitais, a linguagem usada pelos computadores -, o que reduziria bastante o espaço ocupado por uma transmissão. Mas ainda resta desenvolver tecnologia de baixo custo para esse fim. "O maior desafio é definir uma tecnologia que possa ser produzida em massa", observa Joseph Straubhaar, professor do Departamento de Telecomunicações da Universidade do Estado de Michigan, temporariamente lecionando na Universidade de São Paulo. Enquanto isso não acontece, existe uma alternativa que pode desafogar bastante o congestionamento do espectro: o uso dos cabos de fibra ótica, capazes de transportar quantidades colossais de dados por um fio de fibra de vidro da espessura de um cabelo, sem ocupar o espectro eletromagnético no meio ambiente.

Confusão ganha a guerra eletrônica

Nos momentos finais da Segunda Guerra Mundial, o primeiro-ministro britânico Winston Churchill previu que os futuros conflitos passariam a ser travados principalmente entre engenheiros eletrônicos militares. Quarenta anos depois, os fatos lhe dão razão: o novo campo de batalha é efetivamente o espectro eletromagnético. Mas, ao contrário da distribuição organizada que existe entre os usuários dos serviços pacíficos, é justamente a confusão o que mais interessa aos guerreiros eletrônicos. Foi assim que os argentinos conseguiram pôr a pique o navio britânico Sheffield na Guerra das Malvinas, em 1982.
Um caça supersônico argentino Etendard localizou o Sheffield utilizando um sinal de radar com ondas eletromagnéticas tão precisas e potentes que os marinheiros ingleses o confundiram com os sinais de radar de seus próprios caças Harrier. Depois foi só lançar um missil Exocet também equipado com um sofisticado sistema de orientação eletrônica. O radar do Sheffield apenas percebeu seu engano segundos antes do impacto. Na guerra eletrônica as melhores armas são as que conseguem fazer o melhor uso de determinadas faixas de ondas. Como a informação rápida e exata é imprescindível até mesmo para a menor das unidades de combate, ganha quem possuir os equipamentos com os quais se possa comunicar sem que o inimigo interfira.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Escultura de Luz - Holografia

ESCULTURAS DE LUZ - Holografia



Conhecida há um quarto de século, só agora se começa a descobrir as utilidades da holografia. Mas as luminosas imagens em três dimensões que ela permite são ainda um mistério para o grande público.

Há 25 anos, os físicos americanos Emmett Leith e Juris Upatnieks causaram a maior sensação no congresso anual da Sociedade Ótica dos Estados Unidos, realizado em Washington. Eles surpreenderam os colegas ao apresentar nada mais nada menos que um imagem em três dimensões de uma locomotiva. Havia razão de sobra para o espanto; pela primeira vez, o mundo assistia à aparente materialização de objetos no espaço. Como nos truques do mágico Mandrake, era possível ter diante de si a imagem real de algo sem que se pudesse tocá-la. Nas histórias em quadrinhos, Mandrake hipnotiza as pessoas a quem quer iludir. Mas no caso da imagem exibida pela dupla Leith c Upatnieks não cabia falar em ilusão. E tamanho foi o impacto da novidade que muita gente acreditou que a holografia - nome da técnica utilizada para obter a imagem tridimensional - substituiria a fotografia como forma de registrar a realidade.
Como se sabe, previsões tão radicais não se concretizaram. O clique da camara fotográfica não foi substituído. Até porque, após todos esses anos, o processo que envolve a holografia continua tão pouco estudado que se contam nos dedos não só os laboratórios equipados para realizá-lo como também os técnicos devidamente habilitados. O truque, se é que se pode chamá-lo assim, é possivel graças à propriedade ondulatória da luz. Enquanto o filme da fotografia convencional registra apenas a variação de amplitude, ou seja, a intensidade das ondas de luz, a holografia, com o auxilio do laser, pode gravar também os picos e vales das ondas, o que possibilita reproduzir a imagem em profundidade. As artes plásticas, a publicidade, a pesquisa científica e a indústria têm sido as áreas preferenciais de sua aplicação.
Não é à toa, portanto, que artistas tratam a holografia poeticamente como Esculturas de luz". Na verdade, a própria palavra holografia já dá uma pista sobre suas propriedades. Holos em grego significa inteiro e ,graphos quer dizer sinal ou imagem -holografia é a imagem por inteiro l. um ohieto. Mas o termo é atual. Foi criado pelo físico húngaro Dennis Gabor, o inventor da técnica. Formado na Alemanha mas radicado na Inglaterra desde a ascensão do nazismo, em 1933, Gabor chegou à holografia em 1 948, quando pesquisava uma forma de aumentar a nitidez do microscópio eletrônico. Não pôde aplicá-la na prática, porque para captar a dimensão de profundidade necessitava de um tipo de luz coerente - cujas ondas não se difundissem em todas as direções-e que tivesse apenas uma cor. Ou seja, Gabor precisava de um laser, que só seria descoberto em 1960. Mesmo assim, durante a década de 50, foram testados alguns hologramas com lâmpadas de mercúrio. Um dos incentivadores da pesquisa nessa área foi o físico americano Albert Baez, pai da célebre cantora de folk-music Joan Baez.
A descoberta dos princípios que tornariam possível a técnica da holografia valeu a Gabor o Prêmio Nobel em 1971, no mesmo ano em que completou 71 anos. Ele morreu em 1979, quando muitas das aplicações de sua invenção já estavam se desenvolvendo. Isso não aconteceu de uma tacada só. No começo, à parte meia dúzia de cientistas imaginosos ninguém sabia o que fazer com a holografia, em boa medida por causa de um grave inconveniente: tanto na gravação como na reprodução da imagem, necessitava-se do laser. Aos poucos, porém, as dificuldades foram vencidas. Em 1965, o físico russo Yu Denisyuk conseguiu, pela primeira vez, ver os hologramas com a luz comum.
No início da década de 70, a hoIografia já se tinha afirmado o suficiente para despertar o interesse das galerias de arte. Para isso, contribuiu a descoberta da holografia em cores e em movimento. Ao receber todo o espectro de luz, em vez de apenas uma banda, o holograma pode ser visto em todas as cores do arco-íris. Só que para alcançar esse efeito sacrifica-se a perspectiva tridimensional vertical. Em conseqüência, ao ser examinado de cima para baixo, ou de baixo para cima, o holograma colorido perde a dimensão de profundidade.
A descoberta do movimento foi produto do trabalho de muitos cientistas, mas ficou conhecida graças ao físico americano Lloyd Cross. Com a seqüência de fotogramas de uma moça sobre o mesmo holograma, ele criou em 1977 um efeito estereoscópico de movimento -- o mesmo princípio do cinema. A moça, considerada a Mona Lisa da holografia, costuma piscar e jogar beijos para as pessoas que a contemplam. O efeito do movimento chegou ao Brasil em 1980, quando, ao percorrer a 1º Mostra Brasileira de Holografia, em São Paulo, os visitantes puderam acompanhar a seqüência de uma luta de caratê e uma cena do seriado O Incrível Hulk.
A união da holografia com o cinema começou na Itália, mas primeiros a projetar um filme capaz de ser visto por mais de uma pessoa ao mesmo tempo foram os soviéticos. A cena de uma jovem andando com um buquê de flores na direção do espectador foi vista exatamente da mesma maneira pelas cinqüenta pessoas que participaram de uma exibição especial em Moscou. Isso foi possível graças a uma tela holográfica dotada de um conjunto de espelhos côncavos superpostos, onde o foco é dirigido para cada lugar da sala de projeção. Agora há estudos para a transmissão da imagem de um holograma pela televisão. Não é nada simples holografar uma cena. Devido à dependência do laser, só formas de tamanhos limitados podem ser filmadas. Um grande ambiente, por exemplo, está excluído. Uma tomada do grandioso filme Cleópatra, com seus 2 mil figurantes, está fora do alcance da holografia.
Artistas, curiosos, cientistas - durante anos, a holografia foi dominada por tipos excêntricos, com seus trabalhos de fundo de quintal. A técnica era utilizada em jóias, painéis de propaganda, museus, mas costumava-se dizer que os únicos que, de fato, lucravam com a holografia eram os produtores de imagens pornográficas. A situação só mudou mesmo em 1984.
A virada foi a edição da revista americana National Geographic que reproduziu a imagem tridimensional de uma águia na capa de seus 10 milhões de exemplares. Foi um sucesso editorial e tanto. No ano seguinte, a National Geographic repetiu a dose, imprimindo dessa vez na capa uma caveira chinesa pré-histórica.
Em 1987, cerca de 100 milhões de exemplares de livros e revistas circularam pelo mundo com algum tipo de holografia impressa. Nos Estados Unidos, a Hasbro, fabricante de brinquedos, lançou uma linha de oito bonecos e quatro veículos com detalhes em holografia. A Purina, outra empresa americana que produz cereais para crianças, colocou hologramas dos personagens do filme Caçafantasmas em suas embalagens. E no mundo todo o MasterCard surgiu com um novo tipo de cartão de crédito com dois logotipos holográficos nas laterais. A idéia da empresa, que no Brasil é associada ao Credicard, é impedir a falsificação dos cartões - é quase impossível imitar um holograma.
No Brasil, a holografia já começou a interessar grandes empresas. Fernando Catta-Preta, diretor do primeiro laboratório holográfico no país, realizou uma série de trabalhos em cartões de Natal, imagens de santos, material promocional, catálogos e selos. Psicólogo de formação, Catta-Preta, 32 anos, interessou-se pela holografia quando trabalhava com crianças que tinham dificuldade para aprender a ler. "De acordo com certos teóricos", diz, "os princípios da holografia podem ser aplicados à psicologia do conhecimento, com base num modelo tridimensional do cérebro, que permitiria estudar a percepção, o reconhecimento e a memória do ser humano."
São apenas suposições. Certo é que a holografia se tornou uma ferramenta sofisticada. Sua grande vantagem é a capacidade de reconstituir o tamanho, a forma e as três dimensões de um objeto. Isso permite, por exemplo, perceber qualquer mudança -mesmo milimétrica -numa peça industrial. Os testes podem ser feitos com a peça real em vez de protótipos, e não é preciso inutilizá-la, mesmo que as falhas não estejam ao alcance da vista, como na estrutura interna de um equipamento. Fica-se sabendo que há alguma modificação no objeto estudado pela análise das franjas, que são traços de luz e sombra na sua superfície, provocados pela diferença da luz antes e depois de ser a peça deformada. Na Itália, um grupo de hológrafos utiliza essa técnica, chamada interferometria holográfica, na restauração de quadros de pintores renascentistas. Os técnicos alteram deliberadamente a temperatura e o grau de umidade do ambiente para ressaltar os pontos mais frágeis da obra. A interferometria holográfica ainda é uma novidade no Brasil. Um dos raros especialistas é o engenheiro paulista Ricardo Forneris Júnior 27 anos, de São Paulo, que se encaminhou para essa área quase por acaso.
Há três anos, ao procurar um tema para sua tese de mestrado, Forneris foi aconselhado por um tio, professor do Instituto de Física da USP, a trabalhar com holografia. Atualmente, ele cuida do controle de qualidade em peças de automóveis e circuitos impressos com o auxilio da interferometria holográfica. "Na Europa e Estados Unidos", compara, "isso já é feito até em tubulações de usinas nucleares." Outro especialista, nascido na Argentina mas radicado no Brasil, José Joaquim Lunazzi, do Instituto de Física da Unicamp, usa a interferometria para controlar as alterações provocadas pela umidade e pelo vento em sementes de feijão. O artista plástico Moyses Baumstein mostrou suas últimas holografias na exposição coletiva "A Visão do Artista - Missões 300 Anos" realizada no Museu de Arte de São Paulo no inicio do ano.
Outra vantagem dos hologramas é a capacidade de armazenar informações. Ao se variar o ângulo de iluminação, eles registram informações diferentes. Assim, um holograma pode arquivar 10 mil vezes mais dados do que os discos e fitas dos computadores eletroóticos. Por enquanto, dispositivos óticos holográficos já são usados em larga escala apenas em caixas registradoras de supermercados que lêem os códigos de barra impressos nas embalagens. Já se começa a utilizar a holografia como complemento dos raios X na Medicina. No futuro, a imagem holográfica poderá substituir a radiografia convencional. Nos Estados Unidos, hologramas também começam a ser usados no aproveitamento da luz solar ou artificial em estufas, hotéis e escritórios, para economizar energia elétrica.
Enfim, a todo momento são descobertas novas possibilidades da holografia. Este ano, a indústria ótica inglesa anunciou o lançamento de lentes de contato holográficas bifocais; os alemães, de seu lado, decidiram construir 0 primeiro microscópio eletrônico de holografia de alta resolução. Aplicações tão especificas, embora de inegável utilidade, pouco fazem para aproximar a holografia do grande público. Pode repetir-se em qualquer lugar a cena que ocorreu há alguns anos na joalheria Cartier, na elegante Quinta Avenida de Nova York. Ao observar uma fantasmagórica mão feminina exibindo uma pulseira cravejada de brilhantes, uma assustada velhinha saiu pelas ruas gritando: "Obra do diabo!", sem saber que se tratava apenas de uma fotografia tridimensional.

Pelas frestas da cortina

Como a fotografia convencional, a holografia é uma técnica para registrar determinada imagem num filme. Mas a semelhança termina ai. As fontes de luz usadas na fotografia emitem radiação em diferentes comprimentos e freqüências de onda. Ao contrário, a luz do laser - a mais apropriada para holografia -se difunde em ondas paralelas e igualmente espaçadas. Ou seja, tem o mesmo comprimento (a distância entre as duas cristas) e freqüência (número de cristas que passa por um ponto a cada segundo). Para captar a dimensão de profundidade, o filme de um holograma registra as ondas emitidas pelo laser, que é dividido em duas partes. Um feixe é refletido pelo objeto antes de atingir o filme; o outro vai direto ao filme, para servir de referência.
Quando os dois feixes de luz se cruzam, as ondas interferem umas com as outras. Onde as cristas das ondas se encontram, forma-se luz mais intensa; onde uma crista de um feixe encontra o intervalo de onda de outro, forma-se uma região escura. É por isso que o filme depois de revelado não mostra uma imagem mas um padrão de faixas ou anéis claros e escuros. Para ver a imagem no filme, usa-se o mesmo laser com que se gravou o objeto. Atrás da chapa fotográfica, se formará. então, uma imagem que poderá ser vista de vários ângulos como se ela fosse tridimensional. Daí por que se costuma comparar o holograma a uma janela. Se for parcialmente tampado ou cortado, a imagem atrás ainda será visível como pelas frestas de uma cortina.


A imagem, passo a passo

1- A imagem que serve como modelo dever ser pintada de branco e colada sobre uma base de vidro fosco.

2 - Qualquer ruído, deslocamento de ar ou mudança de temperatura pode afetar a posição do modelo e prejudicar a imagem. Por isso, a sala de holografia é a prova de som, com uma temperatura constante de 22 graus.

3 - Da mesma forma que é necessário fazer foco numa fotografia convencional, o canhão de luz laser é regulado para que a lente obtenha o melhor ângulo do modelo. Os espelhos que dividem o feixe de luz também são colocados no ponto exato de reflexão.

4- Uma parte do feixe de laser ilumina diretamente o cavalo-marinho antes de capturar a imagem num filme fotográfico. A outra parte do feixe, depois de refletida pelos espelhos, incide diretamente sobre o filme.

5 - A revelação da película é semelhante à das fotografias tradicionais. Obtém- se o holograma de transmissão, que só é visto na luz laser ou de mercúrio. Para ser visto na luz comum, é necessário repetir todo o processo com o holograma de transmissão.

6 - O feixe de laser atravessa o filme de transmissão e também o cavalo-marinho original antes de gravar a imagem no filme definitivo. O holograma final, depois de revelado, passa por um processo de metalização e impressão em poliéster.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

De Antenas Ligadas - Rádio Frequência

DE ANTENAS LIGADAS - Radio Frequência



As parabólicas estão provocando uma revolução nas comunicações. Permitindo captar emissões de TV do mundo inteiro, abrem espaço a mudanças culturais capazes de influir profundamente no perfil das sociedades do futuro.

No início da década de 60, quando nascia o programa espacial americano, rastrear satélites em órbita da Terra era uma atividade especializada, restrita a um seleto grupo de funcionários da NASA. Dificilmente alguém poderia imaginar na época que, menos de vinte anos mais tarde, milhões de pessoas espalhadas pelo mundo iriam transformar essa atividade numa rotina doméstica. Eis ai um dos efeitos mais notáveis da revolução nas comunicações, que imprimiu sua marca portentosa na vida do planeta neste fim de século. De fato, a disseminação das antenas parabólicas, que permitem captar em casa uma variedade estonteante de emissões de televisão de muitas partes do globo, representa um salto de proporções grandiosas na relação do homem comum com um dos mais glamourosos produtos da tecnologia contemporânea. O potencial de mudanças sociais e de comportamento que disso deverá resultar mal pode ser imaginado a esta altura, mas alguns indícios não deixam margem a dúvidas -sem falar na transformação por que já começam a passar os próprios televisores.
As primeiras antenas parabólicas domésticas começaram a chegar aos lares americanos em 1975. Hoje, nos Estados Unidos, são mais de 10 milhões de unidades instaladas nos tetos de prédios e casas, proporcionando a seus usuários o privilégio de acompanhar o que vai pelo mundo das imagens no mesmo instante em que entram no ar. A febre contagiou Europa e Ásia e, guardadas as proporções tende a se reproduzir no Brasil.
Aqui, á parabólica começou a ser comercializada há menos de cinco anos. Os primeiros clientes foram hotéis e grandes empresas. Hoje, calcula-se em cerca de 20 mil o número de antenas em funcionamento no país. Como resultado, já existe um respeitável público que se mantém informado vendo todas as noites, além (ou em vez) do Jornal Nacional da TV Globo, o noticiário das grandes redes dos Estados Unidos. "Nossa expectativa é que até o final de 1989 estejam em operação 100 mil antenas", diz Roberto Pedroso, dono de uma loja do ramo em São Paulo.
Quando você liga o aparelho de TV e tecla o canal de determinada emissora, a imagem que chega ao receptor foi gerada nos estúdios daquela estação e transportada por cabos para uma torre de transmissão que emite ondas eletromagnéticas. Tais ondas viajam pelo ar à velocidade da luz em linha reta e alcançam outra torre. Esta, por sua vez, retransmite as ondas para a antena de TV comum que está ligada ao aparelho de televisão. Ao percorrer essa trajetória, as ondas de televisão ficam sujeitas a todo tipo de interferência, desde a montanha no meio do caminho até a vibração do motor de um carro passando na rua.
Quando um aparelho de TV está ligado a uma antena parabólica e ela está voltada para a órbita de determinado satélite, é como se uma verdadeira avenida se abrisse para as ondas. Elas partem da estação rumo ao espaço, atingindo o satélite que as reflete para a Terra, onde são colhidas pelo prato da antena parabólica. Essa trajetória, naturalmente, está livre de interferências. Obtém-se, dessa forma, mais nitidez na imagem e no som. Tal vantagem, porém, nem sempre é o principal motivo que leva alguém a adquirir uma parabólica. A televisão a cabo, que trafega pelos fios, como um telefonema, por exemplo, propicia ganhos muito maiores em qualidade de imagem, pois o sinal segue diretamente do estúdio ao aparelho de TV, sem intermediações de qualquer espécie. Se assim é, o que teria levado milhões de telespectadores a instalar uma parabólica em casa? Ao que tudo indica, a resposta está mais perto da cultura do que da técnica.
Para o escritor americano Alvin Toffler, autor de O choque do futuro e A terceira onda, o homem do final do século XX está criando o que ele denomina infosfera, isto é, independente de fronteiras, nacionalidades ou correntes políticas, número crescente de habitantes do planeta Terra está se aproximando via informação. Saber o que está acontecendo a todo o momento pelo mundo afora passou a fazer parte do ato de viver nas sociedades modernas. Para os setores mais dinâmicos das populações dos países avançados, já não basta ler nos jornais o que aconteceu no dia anterior- nem tampouco acompanhar pela TV à noite os fatos ocorridos horas antes. No mundo cada vez mais integrado pela informática e pelas telecomunicações, se as cotações da Bolsa de Valores de Nova York caem drasticamente às 11h30 da manhã, os investidores em Londres ou Tóquio precisam saber disso na hora para reagir imediatamente à novidade.
Cultural no sentido estrito da palavra é o interesse por programas especiais, que só podem ser apreciados enquanto acontecem por meio de uma parabólica, como a apresentação do Balé Bolshoi em Mascou ou a cobertura ao vivo dos Jogos Olímpicos de Inverno em Calgary, no Canadá. As redes nacionais de televisão, cujos programas são vistos por dezenas de milhões de pessoas, procuram definir sua programação diária de modo a satisfazer a grande massa do público. Como é sabido, isso muitas vezes limita o alcance e a qualidade dos programas, sobretudo na área da informação. Assim, os eventos internacionais passam por vários filtros, ou edições, como se diz, para que o produto final seja assimilável pelo maior número de telespectadores. Para quem esse padrão é insuficiente, nada melhor do que poder buscar a versão original, graças à transmissão via satélite captada por uma parabólico.
A utilização de antenas parabólicas em nível doméstico no Brasil só ganhou impulso após o lançamento do satélite Brasilsat 1, em 1983. Hoje, os usuários brasileiros têm condições de captar programas de oito países -Argentina, Chile, Colômbia, Cuba, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha e URSS. O campeão de audiência , é o canal das Forças Armadas dos Estados Unidos, que retransmite 24 horas por dia o melhor da programação das redes americanas. As imagens chegam de onze satélites geoestacionários, que estão em órbita da Terra a aproximadamente 36 mil quilômetros de altura, no chamado cinturão de Clarke. O nome é uma homenagem ao escritor inglês de ficção científica Arthur Clarke. Ele foi o primeiro a calcular, em 1945, a altura certa em que um satélite acompanharia o movimento de rotação do planeta e por isso pareceria estacionado sobre uma região.
Para captar com a parabólica os sinais transmitidos por um satélite, o usuário rastreia o espaço acionando o motor que movimenta a antena, ligado a um controle remoto. As imagens captadas pela antena são transmitidas para o aparelho de TV através de um receiver-aparelho que transcodifica o sinal das televisões estrangeiras para a nossa televisão. O meio de transporte das imagens via satélite são as microondas-ondas eletromagnéticas, que se fossem visíveis se pareceriam com os círculos concêntricos que se formam quando atiramos uma pedra num lago. A freqüência com a qual as microondas são emitidas determina a sua potência de alcance. A modulação da onda forma o código de informações que ela transmite.
Dessa forma, a imagem captada pela lente de uma câmara de TV é transformada em modulações de ondas eletromagnéticas, que se propagam pelo ar .O trabalho do receptor de são é converter essas ondas em sinais de imagem que serão projetados na pequena tela. Para que uma parabólica possa captar os sinais retransmitidos por um satélite, ela precisa estar localizada dentro da faixa de alcance desse mesmo satélite. Assim se explica por que apenas onze, entre as dezenas de satélites de telecomunicações que estão em órbita, alcançam as antenas no Brasil. Uma trasmissão do Japão só chega até aqui se dois satélites estiverem envolvidos na operação. As imagens do Grande Prêmio do Japão de Fórmula 1, por exemplo, são enviadas para um satélite que está acima do arquipélago japonês. Este, por sua vez, retransmite os sinais para outro, localizado no espaço próximo ao território brasileiro.
As antenas parabólicas são feitas de alumínio ou fibra de vidro, com diâmetros que variam dos 4 aos 6 metros. As menores só conseguem captar sinais gerados no território nacional; já as maiores alcançam as transmissões internacionais. Parecem pratos gigantes ou guarda-chuvas abertos de cabeça para baixo. A forma tem uma função: as microondas que atingem os pratos são refletidas para seu centro por efeito da curvatura geométrica da antena. Na ponta da haste presa no centro do prato há um componente eletrônico chamado alimentador, que como o próprio nome diz, alimenta aparelho de TV das microondas vindas do satélite.
Um sistema de captação de satélite brasileiro-que se compõe da ante na propriamente dita, de receptor cabos, conectores e instalação-ter um custo aproximado de 280 OTN (Cz$ 229 600 em março). Já um sistema para captação de televisões estrangeiras está em torno de 750 OTNs (Cz$ 615 000).
Na França e no Japão testa-se atualmente uma antena plana no lugar da forma parabólico. Nesse modelo, toda a antena é formada por microcircuito impressos, que transformam automaticamente as microondas em sinais a serem enviados ao aparelho de TV. A concorrência entre as grandes indústrias do Japão, Europa e Estados Unidos está produzindo também outros avanços tecnológicos. E o caso da microantena, de apenas meio metro de diâmetro, mas tão potente quanto uma oito vezes maior. Antenas parabólicas desse tipo, já em experiência, fixadas na janela de casa, podem captar sinais emitidos por satélites com poder de retransmissão cada vez maior. Parabólicas ou planas, grandes ou pequenas, tais antenas vão povoar cada vez mais a paisagem da civilização.

Cinema em casa

O aparelho de televisão mudou. Sua forma está diferente, seus recursos são mais variados. O próximo passo é exibir uma imagem impecável -- um desafio que pode significar mudanças em todo o sistema de transmissão.
Aos poucos, sem que os telespectadores se dêem conta, a televisão está passando por uma verdadeira cirurgia plástica. O velho tubo de imagem dos aparelhos convencionais caminha rápido para a aposentadoria. Será substituído pela tela plana de cristal liquido, colocada sobre a parede como um quadro. Além disso, o som está se tornando estereofônico- já é possível diferenciar na TV graves e agudos e distinguir os diversos instrumentos de uma orquestra. Mas o melhor de tudo é outra novidade: a qualidade da imagem também está para mudar.
Quando o chamado sistema de alta definição (HDTV, na sigla em inglês), inventado pelos japoneses em 1980, se espalhar pelo planeta, a televisão só perderá para o cinema no quesito tamanho. Então, os telespectadores poderão se deliciar com exibições de alta qualidade de superproduções cinematográficas que perdem muitos de seus encantos nos receptores de hoje. Mas a cirurgia plástica do velho aparelho esbarra num desafio: como melhorar a imagem que o telespectador recebe em casa sem mudar os próprios equipamentos das emissoras?
Na teoria parece simples. A imagem da televisão no sistema alemão PAL-M, como o usado pelos brasileiros, é formada por 525 linhas horizontais paralelas. Bastaria então que os engenheiros descobrissem uma forma de aumentar o número dessas linhas, diminuindo o espaço entre elas, para que a imagem ganhasse mais nitidez. Mas não é bem assim: para que o aparelho receba esses sinais adicionais, sem outras alterações, as emissoras teriam de ampliar sua banda de transmissão-algo como a Globo ocupar também o espaço por onde trafegam os sinais emitidos pela Manchete, TVS, Record e Bandeirantes.
Para evitar tamanhas colisões, recorreu-se aos satélites, que transmitem em freqüências mais altas. Em 1986, a estação Nippon Hoshio Kiokai (NHK), de Tóquio, começou a transmitir, via satélite, imagens pelo sistema Japan Hi Vision, de 1 125 linhas, para receptores especiais desenvolvidos pela indústria eletrônica japonesa. O resultado são imagens tão nítidas e cores tão fiéis como as de um filme de 35 milímetros. Além disso, como a tela dos aparelhos experimentais é retangular a proporção é de três de altura por cinco de largura, em vez dos atuais 3 x 4-, as imagens de alta definição são proporcionais às do cinema. Nada daqueles cortes nos cantos que muitas vezes comem o melhor de uma cena na telinha.
Aliás, a imagem produzida pela nova TV é tão boa que até o cinema já se curva diante dela: os efeitos especiais dos filmes Guerra nas estrelas, de George Lucas, e Caçadores da arca perdida, de Steven Spielberg, foram gravados em HDTV e depois editados junto com as cenas registradas em película normal.
Japoneses, americanos e europeus concordaram em trabalhar juntos para conseguir um padrão técnico de TV de alta definição que, de um lado, seja compatível com a maioria dos receptores existentes no mercado e, de outro, livre as emissoras dos formidáveis investimentos necessários à substituição de seus equipamentos.
Ao mesmo tempo, a indústria eletrônica dedica-se a oferecer aos telespectadores inovações que dispensem mudanças drásticas na ponta da emissão. O receptor digital, por exemplo, consegue o máximo de eficiência no velho limite das 525 linhas. Ao contrário dos modelos analógicos tradicionais-em que cada sinal corresponde a uma voltagem -, os digitais podem exibir imagens em câmara lenta, permitem sintonizar até cinco canais ao mesmo tempo (naturalmente, com quatro imagens mudas) em partes diferentes da tela e até congelar imagens durante a transmissão.
Ao pressionar uma tecla do televisor digital, o telespectador vê uma pequena janela aparecer no canto da tela-do tamanho de 1/4 ou 1/16 do vídeo. Embora não emita som, essa janela pode ser congelada, ou exibir imagens transmitidas por um aparelho de videocassete ou ainda por uma câmara de segurança instalada na entrada da casa. Ao receber os sinais eletromagnéticos das emissoras e transformá-los em dígitos de computador, o aparelho corrige automaticamente eventuais defeitos da emissão. Assim, ao receber uma imagem dupla-o chamado fantasma-, o circuito eletrônico envia à tela apenas os sinais originais que fazem a imagem mais forte-e cancela os mais fracos.
Da mesma forma, se uma interferência na transmissão afetar o colorido da TV, um circuito compara duas linhas de cores diferentes, uma ao lado da outra, e tira a média. Essa linha média intercalada entre as duas originais atenua as diferenças. Os televisores digitais ainda não estão a venda no Brasil. "As peças teriam de ser importadas, o que encareceria demais o aparelho", explica Flávio Pena, subgerente de produtos da National-Panasonic.
Durante o 1º Vídeo Trade Show. realizado no início de março em São Paulo, os visitantes puderam ver- com o auxílio de óculos especiais- um modelo de videodisco em três dimensões, desenvolvido pela Sharp.
Nos antigos filmes em 3-D, cada olho vê apenas uma imagem. O cérebro percebe o relevo pela convergência de duas imagens. De seu lado, a National-Panasonic desenvolveu um aparelho com imagens de alta definição-produzidas pela superposição dos sinais de cinco câmaras que podem ser vistas em três dimensões, sem que se tenha de usar óculos especiais. Contudo, essa nova maravilha ainda está muito longe das lojas de eletrodomésticos.
Minúsculos como relógios ou gigantescos como o Jumbotron, exibido em I985 na Feira de Ciências de Tsukuba. no Japão, os modelos de aparelhos de TV não deixam de inovar. Mas até a próxima década, prevê o engenheiro paulista Herbe Zambrone Júnior, que há onze anos trabalha com telecomunicações, "as grandes mudanças estarão nascendo nos departamentos de pesquisas das indústrias". Sentado em sua poltrona favorita, em frente à telinha de TV, o telespectador não se beneficiará a curto prazo da revolução em marcha nos aparelhos. Mas, quando menos perceber, a telinha terá mudado e ele estará assistindo a cinema em casa.

A tecnologia muda a imagem da aldeia global

Quando o astronauta americano Neil Armstrong pisou pela primeira vez o solo lunar, em julho de 1969, milhões de pessoas em todo o mundo acompanharam a proeza ao vivo em seus televisores. Isso parecia coroar as conhecidas teorias do canadense Marshall McLuhan (1911-1980), segundo as quais o planeta caminhava rápido para se tornar uma aldeia global, em que, de um pólo a outro, gostos, hábitos e idéias seriam cada vez mais parecidos-e todos induzidos pela onipresente TV.
Passados quase vinte anos, as tecnologias das telecomunicações que se desenvolveram ao longo desse período, como a TV por cabo e as antenas parabólicas de uso doméstico, tendem a desenhar um cenário que ao mesmo tempo reforça e desmente as previsões de McLuhan. Reforça na medida em que as novas técnicas ampliam o lugar da tela de TV na vida de cada um e, com isso, a dependência das pessoas em face dela. Desmente, porém, na medida em que tais avanços tecnológicos aumentam o leque de emissões à disposição do espectador. Com isso, pode diminuir a dependência do público em relação às grandes redes.
"No futuro, as redes irão buscar seu público nas classes C e D, abrindo espaço para o surgimento de sistemas de TV para platéias mais sofisticadas, com maior liberdade de criação", afirma o professor Ciro Marcondes, da Escola de Comunicações da USP. Mas a "segmentação da sociedade informatizada", como dizem os especialistas, coexistirá por muito tempo ainda como modelo tradicional, em que poucos (as redes) falam para muitos (a massa do público). Mesmo assim, no entanto, o acesso de um número crescente de pessoas às parabólicas multiplica o repertório de escolhas e acaba afetando a própria atitude do espectador diante da TV.
Três experiências já permitem espiar o futuro. Numa cidade-satélite de Quioto, no Japão, em Biarritz, na França, e em Columbus, nos Estados Unidos, domicílios estão interligados por cabos de fibras Óticas, conectadas simultaneamente a canais de TV. Esses canais oferecem programas bem distintos, pelos quais o espectador paga uma taxa mensal. "Dois vizinhos poderão passar anos sem assistir ao mesmo programa, a não ser as noticias dos telejornais", imagina Walter Clark, ex-diretor da TV Globo e um dos papas da televisão brasileira.
Nesse tipo de sociedade, a tela de televisão será um meio pelo qual as pessoas vão se comunicar entre si, receber informações de bancos de dados, fazer compras, movimentar suas finanças particulares e assistir a seus espetáculos preferidos. Diz Ethevaldo Siqueira, jornalista especializado em telecomunicações: "A tela de TV se transformará numa ferramenta sem a qual será muito difícil viver em sociedade".

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Globo - A voz do Brasil

A VOZ DO BRASIL



Era o Cid Moreira de sempre. Terno impecável, topete no cabelo grisalho como em todo Jornal Nacional. Ele olhou para a câmera e disse: "Tudo na Globo é tendencioso e manipulado. Não reconheço à Globo autoridade em matéria de liberdade de imprensa, e basta para isso olhar a sua longa e cordial convivência com os regimes autoritários e com a ditadura de 20 anos que dominou o nosso país."



A fala histórica foi ao ar ao vivo, na noite de 15 de março de 1994. Não era um pedido público de demissão. O apresentador transmitia um direito de resposta concedido pela Justiça ao ex-governador Leonel Brizola, que redigiu o texto após ser a acusado, no Jornal Nacional, de "declínio da saúde mental" e "deprimente inaptidão administrativa" por tentar proibir a transmissão do Carnaval. Naquele dia, milhares de brasileiros devem ter se deliciado com o texto de Brizola, lido no programa jornalístico que com média de 68% dos televisores ligados é, proporcionalmente, o mais assistido do mundo. Pessoas que como eu, e talvez você, cresceram fazendo lição-de-casa diante da Sessão da Tarde, jantando com a novela das 7 e indo dormir depois dos dramas de Regina Duarte na novela das 8. Após 40 anos como líder da televisão no Brasil, a Globo se tornou uma paixão nacional - mas uma paixão tão grande quanto a de falar mal dela.

Todos os anos, cada brasileiro passa em média 700 horas assistindo à Globo. Sem William Bonner, Xuxa ou Sinhozinho Malta, nossas roupas, jeito de falar, famílias e a imagem que temos do lugar em que vivemos seriam diferentes. "Tire a televisão de dentro do Brasil e o país desaparece", diz Eugênio Bucci, presidente da Radiobrás, co-autor do livro Videologias e ex-diretor de redação da SUPER. Exagero? Nas páginas seguintes, você verá como a Globo inventou o Brasil.



O Brasil sem a Globo

Na década de 1950, quando a televisão começou por aqui, o país escutava Tonico e Tinoco, ria de Mazzaropi e tinha 70% das pessoas morando no campo. Na cidade, ter um televisor era mais chique que home theater nos dias de hoje. As famílias deixavam de ir à ópera para assistir ao "teleteatro" em casa - e depois ligavam para o camarim cumprimentando os atores. E como não existiam satélites, cada cidade tinha sua programação, com celebridades, piadas e notícias locais.

Nos anos 1960, esse Brasil rural passou por um banho de loja cultural. Até o início dos anos 1970, o número de livros impressos passaria de 43 milhões para 191 milhões, a venda de discos cresceria 800% e a televisão viraria profissional, com antenas mais potentes, tecnologia para gravar programas e um aumento de 500 mil casas com televisores por ano. Percebendo a reviravolta, um grupo de comunicação resolveu se modernizar para virar empresa. Em 1963, contratou quase 100 funcionários num só dia - entre eles Chico Anysio e Gianfrancesco Guarnieri - e começou a fazer novelas diárias. Não, essa empresa não era a Globo. Era a TV Excelsior.

A Excelsior tinha tudo para dar certo, menos um item - isenção política. Com o golpe militar de 1964, foi boicotada pelos militares. Seu proprietário, Wallace Simonsen, que usava abertamente a televisão para apoiar o presidente João Goulart, sofreu retaliações financeiras. A emissora fechou em 1969. A outra grande TV da época, a Tupi, do magnata Assis Chateaubriand, dado a negociatas e ameaças políticas, entrou em declínio até falir em 1979. O trono estava vago para uma nova dinastia. "Os militares queriam uma empresa com visão moderna e que fosse parceira da expansão da televisão pelo país", afirma a psicanalista e estudiosa de televisão Maria Rita Kehl. É aí que entra Roberto Marinho.

Em 26 de abril de 1965, 3 anos após ganhar a concessão do então presidente Goulart, o dono do jornal O Globo levou ao ar o canal 4 do Rio de Janeiro. Em poucos meses deu para ver as novidades. A grade de atrações era conhecida do público e não mudava de repente, como na Tupi, na Excelsior ou na Record. Outra inovação: os anúncios publicitários, que apareciam ao longo do dia todo, mas em breves intervalos. Em resumo, igualzinho ao que assistimos hoje. Foi a Globo que implantou esse formato no Brasil.

Por trás do arrojo da Globo estava quem mais entendia de televisão na época: o grupo Time-Life, dos EUA. Um contrato assinado em 1962 previa que a Globo desse aos americanos 30% de seus lucros em troca de dinheiro para investimentos e experiência. O acordo virou escândalo nacional. A lei proibia que grupos estrangeiros fossem sócios de empresas de comunicação. Uma CPI foi instalada para apurar o caso e o governo podia até ordenar o fechamento da emissora - mas como uma legítima CPI brasileira, tudo terminou em pizza. Em 1969, insatisfeita com a rentabilidade do negócio, a Time-Life desistiu do contrato.



A Globo é o Brasil

Em 1969, uma casualidade mudou os rumos da TV Globo. Um incêndio destruiu a sede da emissora em São Paulo e, com os estúdios destruídos, a cidade teve de assistir à programação que ia ao ar do Rio. Surpreendentemente, a audiência na cidade não caiu. O que começou como estratégia de emergência, virou a maior vantagem da Globo, que se tornou a primeira emissora nacional do país. E uma rede que alcançasse o país inteiro era tudo o que os militares queriam. "Acreditava-se na época que o território nacional só estaria livre da ameaça estrangeira se as fronteiras estivessem em contato com o centro", diz o jornalista Gabriel Priolli, da PUC-SP e autor do livro A Deusa Ferida. Essa mentalidade fez nascer megaprojetos, como a estrada Transamazônica e a instalação de um sistema nacional de torres de televisão. Em muitos países, esse investimento foi feito pela iniciativa privada. Aqui, o estado bancou tudo. E ainda abriu linhas de crédito para qualquer pessoa comprar um televisor sem juros. O resultado foi um país unificado na tela da televisão.

Você já parou para pensar o que um descendente de alemães do interior gaúcho, um paulistano e um ribeirinho da Amazônia têm em comum? Eles falam português, ainda que um português bem diferente, descansam nos mesmos feriados e têm uma carteira de identidade que diz: brasileiro. Até 1969, era só isso. Mas depois que a Globo se tornou uma rede nacional, todos passaram a ter um enorme universo em comum. O mesmo sonho de conhecer o Rio, os mesmos bordões como "Não, Pedro Bó", o mesmo desejo de comer pizza com guaraná. "A televisão igualou o imaginário de um país cuja realidade é constituída de enormes contrastes, conflitos e contradições", afirma Eugênio Bucci.

Um estudo do pesquisador Luiz Augusto Milanesi, da USP, sobre a chegada da televisão a Ibitinga, interior de São Paulo, deixa claro os efeitos desse fenômeno. Assistindo a atores e jornalistas, os moradores descobriram que palavras como "compreto" e "frauta" estavam erradas. Mas, sem certeza do quanto já tinham se enganado, acabaram também trocando as letras em palavras corretas - "freira" virou "fleira". E se "paia" virou "palha", "meia" passou a ser "melha".



A Globo governa

Ok, a política de integração nacional deu ao país uma cara moderna e uma rede de telecomunicações de primeiro mundo. Mas o avanço também serviu como espaço de propaganda política. O programa Amaral Neto, o Repórter, por exemplo, se dedicava a noticiar os feitos milicos. No resto da programação, a censura encrencava com a roupa das chacretes e investigava até se Tom & Jerry tinha mensagens revolucionárias subliminares.

Além disso, a televisão rendeu cartadas no jogo de poder. Um estudo da pesquisadora Susy dos Santos, da Universidade Federal da Bahia, mostrou que pelo menos 40 afiliadas da Globo pertencem a políticos locais, todos ex-aliados dos militares. Os Magalhães, na Bahia, os Sarney, no Maranhão, os Collor, em Alagoas. O clima de paz e amor com o governo era tanto que, em 1972, o presidente Médici chegou a dizer: "Fico feliz todas as noites quando assisto ao noticiário. Porque, no noticiário da Globo, o mundo está um caos, mas o Brasil está em paz".

Mesmo após 1976, com o fim da censura prévia, o noticiário da Globo continuou sem farpas contra os militares. "Quando o país começou a se democratizar, a resistência da Globo às mudanças ficou clara", diz Valério Brittos, professor da pós-graduação em ciências da comunicação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, no Rio Grande do Sul. Foi assim durante as greves do ABC, entre 1978 e 1980, que mal foram mencionadas pela emissora, e na campanha pelas eleições diretas em 1984 (leia quadro na página 57). Esse comportamento fez surgir nos muros e passeatas o lema "O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo". "Na prática do jornalismo, como em qualquer outra atividade, erros podem acontecer", diz Luis Erlanger, diretor da Central Globo de Comunicação. "O importante é ter humildade para corrigir rumos e agir com transparência."

Nos últimos anos da ditadura, o poder de Roberto Marinho era de espantar mesmo. Para tentar diminuir sua força, o governo abriu concorrência para novas concessões de TV, em 1980. O Jornal do Brasil e a Editora Abril, que edita a SUPER, estavam no páreo, mas a disputa acabou ganha por Adolpho Bloch, que fez a Manchete, e Silvio Santos, do SBT. Enquanto esses canais engatinhavam, Roberto Marinho decidia os rumos do país. "Eu brigo com o papa, com a Igreja Católica, com o PMDB. Só não brigo com o doutor Roberto", disse o presidente eleito Tancredo Neves, em 1985, a Ulysses Guimarães, que estava indignado com a indicação de Antonio Carlos Magalhães para o Ministério das Comunicações. ACM não foi o único ministro que Roberto Marinho nomeou ou demitiu nessa época (leia quadro ao lado).



Revolução dos costumes

Para muitas pessoas, a história da Globo acaba aqui. A emissora só chegou aonde chegou graças a barganhas políticas e ponto final. É aí que esses críticos quebram a cara. A Globo não se fez apenas apoiando militares e jogos. "Estamos diante de um caso de talento artístico. Nenhuma emissora do mundo domina tão bem a produção técnica em vídeo quanto a Globo. Melhor que ela, só a produção em película de Hollywood", diz Gabriel Priolli. Hoje, não é só líder no Brasil: é a maior produtora de televisão do mundo. "Em 2004, produzimos 2 546 horas de programação, o que equivale a mais de 1 000 longas-metragens", afirma Erlanger, da Globo. Neste momento, 62 países estão assistindo a programas que você viu meses atrás.

Foi combinando alcance nacional e capacidade técnica acima da média mundial que a Globo protagonizou a construção da identidade brasileira. E esse talento se concentrou principalmente nas novelas. Para escrevê-las, foram chamados os melhores dramaturgos. Muitos deles vieram de jornais e grupos de teatro de esquerda da década de 1960, como Benedito Ruy Barbosa, Dias Gomes e Aguinaldo Silva. "Os autores disseminaram em cadeia nacional novos estilos de vida", diz o pesquisador Cláudio Paiva, da Universidade Federal da Paraíba. Em vez das velhas histórias da moça virgem que tinha um pai carrancudo e fora enganada por um homem, trama típica do dramalhão latino-americano, aparecem os adolescentes que transam sem culpa, o homem que chora, a mulher separada, o gay. "O Brasil tem costumes mais modernos que o restante da América Latina também porque nossas novelas são mais realistas que as mexicanas", diz Priolli.

Em 1994, a pesquisadora Anamaria Fadul, da Universidade Metodista de São Paulo, montou a árvore genealógica de 33 novelas da Globo produzidas entre os anos 1970 e 1990. Apenas duas mostravam famílias com mais de 2 filhos. "Não se pode fazer uma relação de causa e efeito, mas ficou claro que as novelas da Globo anteciparam o modelo da família atual em 2 décadas", diz Anamaria. "Há quase 30 anos a Rede Globo promove o reexame das relações homem e mulher", afirma o filósofo Renato Janine Ribeiro, autor do livro O Afeto Autoritário. "Os movimentos feministas iniciaram esse questionamento, mas a rede Globo assumiu a causa e não a abandonou." 2 produções dessa linha marcaram época:

- Dancin’ Days (1978), que mostrava a vida de Júlia (Sônia Braga), ex-presidiária que luta para retomar a vida ao lado da filha, criada pela irmã milionária.

- Malu Mulher (1979), em que Malu (Regina Duarte) é uma socióloga que decide se separar depois de ser traída pelo marido. A minissérie questionava tabus como aborto e virgindade, narrando os dramas da mulher madura que passa a ter de sustentar a filha. Malu Mulher foi sucesso na Inglaterra e na Holanda - e censurada em países da América Latina.

No caldo sem-gracinha do melodrama, também entraram pitadas de sátira, que parodiavam a política brasileira. "O Jornal Nacional mostrava políticos, em geral nordestinos, que depois de servir a todos os ditadores haviam se reciclado com a volta da democracia. Apareciam como grandes homens da República. Meia hora depois, a principal novela da mesma Globo expunha clones deles como emblemas do que há de pior em nossa sociedade", diz Renato Janine. Você deve se lembrar de algumas dessas novelas:

- Roque Santeiro (1985), que tinha 36 capítulos gravados quando foi censurada pela ditadura, em 1975. Regravada 10 anos depois, mostrava como protagonista Sinhozinho Malta (Lima Duarte), um típico coronel nordestino.

- Que Rei Sou Eu? (1989), passada no reino de Avilan, país imaginário da Europa do século 18 que vivia crises comuns às do Brasil de 1989: inflação, planos econômicos furados, moedas que mudavam de nome. Sem falar nas falcatruas e negociatas políticas.

- O Bem-Amado (1973), onde a cidade fictícia de Sucupira era palco de diversos tipos brasileiros - não exatamente os melhores. Exemplo de como a novela transformada em minissérie retratou o país é a fala do general Golbery do Couto e Silva, braço-direito do presidente Geisel, que ao deixar o cargo de chefe da Casa Civil disse aos repórteres: "Não me perguntem nada. Acabo de deixar Sucupira".



A vida começa aos 40

E hoje? E o futuro? É difícil que, daqui pra frente, um canal de TV tenha tanta importância para o imaginário de Sucupira, ops!, do Brasil. "É uma tendência mundial as grandes televisões perderem audiência para outros canais ou tipos de mídia", diz o professor Valério Brittos. "Mas, dentro dessa segmentação, a Globo vai seguir como uma das principais produtoras do mundo."

O maior baque de perda de público aconteceu na década de 1990. A audiência média de 49% dos televisores ligados, em 1979, baixou para 37% em 1997. Record e SBT aproveitaram o barateamento da tecnologia de produção e lançaram programas populares. Também apareceu o controle remoto, arquiinimigo das líderes de audiência. Mas o susto passou rápido: a novela Terra Nostra, de 1999, recuperou antigos índices de audiência e provou que o modelo "sanduíche" de um jornal entre novelas, marca da Globo instituída em 1968, não estava acabado. Até programas típicos de emissoras B no resto do mundo, como o Big Brother, viraram atração global. "A capacidade de inovar e adaptar que a Globo tem é incomum em empresas tradicionais", diz Valério Brittos.

Essa inovação, porém, foi um tiro pela culatra no que se refere à televisão a cabo. Quando partiu para a transmissão por assinatura, a Globo teve, desta vez, de tirar do próprio bolso os custos de instalação da rede. O grupo que controla a emissora fez uma dívida que, com a crise do real, em 1999, virou uma bolha de 1,3 bilhão de reais. "A empresa pode até sanear essa dívida, mas terá dificuldades se precisar fazer mais investimentos em novas tecnologias", diz Brittos.

A tecnologia mais nova do pedaço, a TV digital, pode mudar todo o jeito de ver TV hoje. Se a transmissão de dados por computador se popularizar, em poucos anos você poderá escolher entre ler seu e-mail, escutar música ou assistir aos Simpsons enquanto espera o ônibus (pois é, os ônibus devem continuar os mesmos). Especialistas dizem que a tecnologia pode tornar obsoleto o sistema de concessões de canais usado hoje em dia.
Isso significa o fim da Globo? Será que a televisão generalista, que todos vêem ao mesmo tempo, é coisa do passado? A interatividade da internet fez de qualquer pessoa uma potencial emissora de conteúdo - e mudanças como essa, que cindem a idéia de uma sociedade uniforme, tem força para inaugurar uma nova idade histórica. Por isso, é difícil prever o futuro da emissora que deu uma cara ao Brasil - "aguarde e confie", diria Didi Mocó. Já é possível, no entanto, julgar seu papel nos últimos 40 anos. Sim, em muitos momentos a Globo foi mesmo porta-voz dos militares. Mas também não faltam motivos para tratá-la como agente modernizante e um orgulho do talento nacional. A Rede Globo tem uma grande dívida com o Brasil. Mas o Brasil também deve muito à Rede Globo.


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sexta-feira, 17 de junho de 2011

UM IRMÃOZINHO NO ESPAÇO - Satélite Artificial

UM IRMÃOZINHO NO ESPAÇO - Satélite Artificial



Com 5,9 toneladas, o canadense Anik F-2 é o maior satélite de telecomunicações em órbita da Terra. Ele foi lançado ao espaço no dia 17 de julho de 2004 pelo foguete europeu Ariane-5, que decolou do Centro Espacial de Kourou, na Guiana Francesa. O satélite pertence à empresa de telefonia canadense Telesat e, durante 15 anos, vai oferecer acesso à internet de alta velocidade e transmissão de imagens para a América do Norte. O Anik F-2 trabalha 35 000 quilômetros acima da linha do Equador, a 111,1 graus de longitude oeste, em posição geoestacionária - ou seja, sempre se mantém no mesmo lugar em relação ao planeta. Ele é o 150 satélite de telecomunicações da Telesat e o décimo em parceria com a Boeing, que construiu o equipamento.
A versão mais recente do Anik tem 14 refletores, com tamanhos que variam de 51 a 140 centímetros, e supera em dez vezes o tamanho da primeira geração de satélites do país, lançada em 1972. O F-2 carrega a bordo a inovadora tecnologia de banda-Ku, desenvolvida pela agência espacial canadense e por empresas privadas de telecomunicações. Essa tecnologia de baixo custo vai transmitir dados para as regiões mais distantes do Canadá, facilitando o acesso a serviços de telemedicina, educação a distância e comércio eletrônico. Uma curiosidade: apesar de ser o maior objeto do gênero no espaço, Anik significa "irmãozinho" na linguagem da tribo Inuit, nativa do Canadá.


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domingo, 5 de setembro de 2010

Conheça as lendas urbanas bizarras

28/06/09 - 14h00 - Atualizado em 28/06/09 - 14h00

Conheça as lendas urbanas bizarras que espalham terror na web
Sites reúnem histórias assombrosas dos EUA e do Brasil.
A lenda do roubo de rins virou até curta-metragem.

Disney ressuscitado

Foto: Reprodução Milhões de americanos pensam que Walt Disney teve o corpo congelado. (Foto: Reprodução)A primeira lenda urbana da lista envolve Walt Disney, criador do Mickey, do Pato Donald e da Disneylândia. Milhões de americanos “sabem” que o gênio dos desenhos animados teve o corpo congelado logo depois de sua morte para ser descongelado e ressuscitado no futuro. Fumante compulsivo, Disney morreu em decorrência de um câncer no pulmão no dia 15 de dezembro de 1966, aos 65 anos de idade. Mas a técnica de congelamento, chamada criogenia, foi aplicada pela primeira vez em um ser humano somente um mês depois. Ela conserva os tecidos e órgãos dos cadáveres em bom estado, mas não se conhece ainda uma forma de fazê-los voltar à vida. Oficialmente, Disney foi cremado depois de dois dias de velório.

Crocodilos na tubulação

Foto: Reprodução Tubulações subterrâneas de Nova York estariam infestadas de crocodilos. (Foto: Reprodução)As tubulações subterrâneas de água e esgoto de Nova York estariam infestadas de crocodilos assassinos. Eles teriam vindo da Flórida, como animais de estimação. Mas foram se tornando grandes e violentos demais, e os antigos donos os soltaram nos esgotos. Este mito foi criado por jornais sensacionalistas nos anos 1930, e resiste firme e forte até hoje.

A morte pede carona
A origem desta lenda é incerta. Vem provavelmente do tempo das charretes e carruagens. E tem diferentes versões, conforme a época e o lugar onde é contada. Nos Estados Unidos, conta-se que pessoas dirigindo por estradas desertas dão carona a uma garota até a casa dela, na cidade mais próxima. Mas, ao parar o carro, o motorista percebe que a moça desapareceu, deixando um lenço ou um cachecol no banco de trás. Confuso, ele toca a campainha, conta o que aconteceu e mostra o objeto. Os pais reconhecem a peça e dizem que a filha morreu há muitos anos em um acidente de carro no exato local onde o motorista parou para lhe dar carona.

No Brasil, são motoristas de táxi que pegam uma linda garota na frente do cemitério. Ela pede para dar um rolê pela cidade e desce novamente na porta do cemitério. Na hora de pagar, manda o motorista ir buscar o dinheiro na casa dos pais dela. Ele pega o endereço e vai. Ao chegar, é atendido por um senhor. Ele conta a história. O homem, a princípio desconfiado, fica transtornado quando o taxista descreve a moça, suas roupas e sua fisionomia. E ainda aponta uma foto na parede. “É aquela moça”, diz o taxista. “Era minha filha”, responde o velho. “Morreu muitos anos atrás.”

O roubo dos rins
Uma das lendas urbanas mais assustadoras foi também uma das primeiras a se espalhar como praga com a popularização da internet, inclusive no Brasil. Teria sido criada em 1997, quando um e-mail começou a circular na rede alertando para o novo e aterrorizante crime que acontecia em algumas cidades do planeta. As vítimas, no início da lenda, eram turistas ou pessoas viajando a negócios. Em algum bar da cidade, um estranho sedutor ou uma linda estranha puxava conversa, convidava o visitante para ir a um lugar mais tranquilo e oferecia um drinque. Em pouco tempo, a vítima ficava zonza e desmaiava. Acordava horas depois numa banheira cheia de gelo.

Ao lado da banheira, um telefone e um bilhete: “Ligue para o serviço de emergência imediatamente”. Apavorada, a pessoa descobria uma grande incisão nas costas. Seu rim tinha sido retirado cirurgicamente para ser vendido no mercado negro de órgãos. O pânico chegou a tal ponto que órgãos de saúde dos Estados Unidos fizeram uma campanha pedindo para que vítimas do tenebroso golpe fizessem contato. Ninguém ligou. Mas a história rendeu um curta-metragem que ainda circula pela rede.

A loira do banheiro
A loira do banheiro apavora a garotada no Brasil pelo menos desde o início dos anos 1970. Uma garota linda e loira vivia no banheiro matando aula ou fumando. Um dia, escorregou, bateu a cabeça no vaso e morreu. Desde então, ela assombra o lugar quando alguma menina entra sozinha, principalmente se a intenção for matar aula.

No início, ela apavorava só o toalete feminino; com o tempo, passou a atacar os meninos também, e com um visual mais assustador: cicatrizes mal fechadas no rosto e algodão no nariz ou até nos olhos. Alguns dizem que ela se tornou violenta.

Uma versão mais hardcore diz que a loira do banheiro era uma professora que foi torturada a navalhadas por alunos revoltados. Se você entrar no banheiro sozinho e não encontra-la, o ritual para invocar seu espírito é o seguinte: dê a descarga três vezes, chute a privada e vire-se rapidamente para o espelho.

O espírito no copo
No ritual do copo, os participantes dispõem números de zero a nove, letras de A a Z e as palavras “sim” e “não” em forma de círculo sobre uma mesa. No centro, é colocado um copo de boca para baixo, sobre o qual todos devem tocar levemente o dedo indicador enquanto fazem perguntas para um espírito, invocado minutos antes com orações em voz alta, feitas de mãos dadas.

Misteriosamente, o copo se move em direção às letras e números respondendo cada pergunta. Durante um desses rituais, feito por um grupo de adolescentes, um garoto incrédulo, de sacanagem, perguntou se algum deles morreria em breve. O copo caminhou em direção ao papel com a palavra “sim” e se estilhaçou. Pouco tempo depois, o jovem incrédulo morreu em um acidente de carro.

Cadáver no refri
Um funcionário de uma famosa fábrica de refrigerante morreu de repente durante o trabalho e caiu no imenso tanque com o líquido pronto para ser engarrafado. Na hora, ninguém percebeu. Seu corpo ficou submerso durante dias, decompondo-se enquanto o refri era engarrafado. Alguns consumidores acabaram dando de cara com dedos e outras partes do corpo do falecido enquanto saboreavam a bebida.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Inglaterra quer universalizar conexão banda larga até 2010

16/06/09 - 17h14 - Atualizado em 16/06/09 - 17h22

Inglaterra quer universalizar conexão banda larga até 2010
Cerca de 15% dos lares britânicos ainda não têm acesso à internet rápida.
Governo quer usar imposto de 3,6 bilhões de libras hoje destinado à BBC.

O governo da Inglaterra informou que pretende universalizar o acesso à banda larga até 2010 e planeja usar um imposto para financiar as conexões rápidas à internet, ao revelar planos que devem exigir uma parte dos recursos que hoje são destinados à empresa de mídia BBC.

A BBC recebe 3,6 bilhões de libras (quase R$ 11,5 bilhões) de um imposto pago por todos os domicílios na Grã-Bretanha com aparelhos televisores. Esse dinheiro nunca antes teve de ser repartido, e a rede indicou que manifestará sua oposição a quaisquer planos para realocação dos recursos.

O ministro britânico das Comunicações, Stephen Carter, afirmou que cerca de 200 milhões de libras (ou R$ 634 milhões) terão que ser gastos com a ampliação da cobertura para os 15% de domicílios que atualmente não têm acesso a conexões de banda larga de 2 megabits por segundo.

A maior parte desses 200 milhões de libras viria do dinheiro que atualmente é concedido à BBC. Os fundos estavam anteriormente ligados a um programa para ajudar idosos a trocarem suas televisões analógicas por digitais, mas o dinheiro não foi usado.

A empresa de telecomunicações BT deve ter um papel importante na ampliação da banda larga por meio de uma série de tecnologias já existentes.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

EUA encerram transmissões da TV analógica

12/06/09 - 18h42 - Atualizado em 12/06/09 - 19h15

EUA encerram transmissões da TV analógica em todo o país
Sexta-feira marca transição após seis décadas do uso desta tecnologia.
Quase 3 milhões de lares ainda estão despreparados para a TV digital.




Foto: Elise Amendola/AP Técnico instala conversor de TV digital em casa nos EUA, nesta sexta-feira (12), data do fim das transmissões analógicas no país. (Foto: Elise Amendola/AP)As estações de TV dos Estados Unidos deram início ao corte de todos os seus sinais analógicos, nesta sexta-feira (12), pondo fim ao uso da tecnologia que levou suas imagens para todos os cantos do país durante seis décadas. A data representa o prazo final para o processo de transição completa do sistema de radiodifusão para a tecnologia digital.

Segundo dados de uma pesquisa realizada pela Nielsen, cerca de 2,8 milhões de lares
norte-americanos estão completamente despreparados para a transição, apesar do bombardeio de anúncios na TV propagando a iminente mudança, informou o "New York Times".

Outras 9,5 milhões de famílias não estão totalmente prontas para receber o sinal digital, o que significa que podem ter atualizado alguns de seus televisores, mas não todos. "Lares jovens, afroamericanos e hispânicos são desproporcionalmente mais despreparados, enquanto os lares de idosos são os que estão mais prontos", publicou o "TVNewsDay".

A transmissão digital traz índices mais elevados de qualidade de imagem e som, além de novos canais para os telespectadores.A Comissão Federal de Comunicações dos EUA (FCC, na sigla em inglês) colocou 4 mil operadores de plantão para receber chamadas de telespectadores ainda confusos com a mudança, além de criar centros demonstração da nova tecnologia digital em várias cidades norte-americanas.

Até o início da tarde desta sexta-feira, a FCC recebeu 122.389 chamadas, quase quatro vezes mais do que na quinta-feira (11), que tinha sido o dia mais movimentado até agora, disse o porta-voz do órgão, Mark Wigfield, à agência de notícias Associated Press.

O recém-disponível espectro analógico deixado pelas emissoras de TV será utilizado para serviços sem fio avançados e comunicações de emergência, ainda segundo a FCC.

De acordo com o "New York Times", o governo dos EUA tinha a intenção de que a transição fosse iniciada em fevereiro, mas o processo sofreu um atraso de quatro meses, mesmo com a pressão feita pela administração Obama para uma rápida decisão do Congresso norte-americano.

sábado, 26 de setembro de 2009

RIM vê grande mercado no varejo e planeja próxima versão do Storm

04/05/09 - 16h17 - Atualizado em 04/05/09 - 16h20

RIM vê grande mercado no varejo e planeja próxima versão do Storm

TORONTO (Reuters) - A Research In Motion está planejando uma nova geração da versão do seu smartphone com tela sensível a toque, o Blackberry Storm, como parte de uma tentativa contínua de explorar o mercado de varejo, disse Jim Balsillie, co-presidente-executivo da companhia, nesta segunda-feira.

"Nós vemos um amplo e pouco usado mercado de consumo", afirmou Balsillie durante uma
apresentação a analistas e investidores, acrescentando que mais da metade dos 25 milhões de clientes da RIM agora se encaixam na categoria não-corporativa.

Questionado sobre se o aparelho Storm havia se tornado um "hit", Balsillie disse que "o produto foi um enorme sucesso em termos de vendas e adoção".

O modelo Storm foi visto por muitos analistas como a resposta direta da RIM ao popular iPhone, da Apple, que também possui tela sensível a toque.

Balsillie disse que as vendas do Storm continuam fortes.

O sucesso da venda de aparelhos individuais é crucial para a RIM, especialmente na medida em que a empresa se volta cada vez mais para o mercado de varejo, onde os gostos dos consumidores podem ser variáveis. O mercado potencial é enorme. Afinal de contas, todo usuário de celular pode teoricamente se tornar um usuário de smartphone. O varejo também é um caminho para a RIM diversificar sua base de usuários.

"Há várias formas de tratar o mercado de consumo e a RIM ... precisa ir atrás dos
consumidores", disse Duncan Stewart, um analista da DSAM Consulting, em Toronto.

A companhia elevou em 84 por cento sua receita no último trimestre, para 3,46 bilhões de dólares.

No mês passado, a RIM ofereceu uma projeção animadora que sinalizou um crescimento ainda maior, apesar do declínio econômico global. Analistas disseram anteriormente que companhias podem cortar os orçamentos de telecomunicações e consumidores podem apertar os cintos em meio à recessão.





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domingo, 26 de julho de 2009

Como funciona a internet rápida via rede elétrica

30/04/09 - 09h29 - Atualizado em 30/04/09 - 10h31

Entenda como funciona a internet rápida via rede elétrica
Anatel regulamentou alternativa, que pode ser oferecida ainda em 2009.
Principal vantagem é levar acesso rápido a regiões sem esta tecnologia.

A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) regulamentou recentemente a internet banda larga via rede elétrica, que já está sendo testada em cidades brasileiras. A principal vantagem dessa tecnologia, que fornecerá acesso à web pela tomada, é o fato de ela aproveitar uma estrutura já existente para chegar a regiões onde outras alternativas de acesso rápido ainda não estão disponíveis.

Para ser oferecida comercialmente, a internet via rede elétrica (também chamada de BPL, sigla em inglês para broadband over power lines) ainda depende de um acordo entre as empresas de telecomunicações e as concessionárias de energia elétrica. Marcos de Souza Oliveira, gerente de engenharia do espectro da Anatel, acredita que essa tecnologia pode chegar oficialmente ao mercado no segundo semestre de 2009.

Os preços e velocidade desse serviço ainda não estão definidos. Testes já realizados no país mostram que a conexão pode chegar a 21 megabits por segundo (Mbps), mas essa velocidade não será, necessariamente, repassada em sua totalidade para os consumidores.

Para adotar essa alternativa, os futuros usuários de BPL não precisarão fazer substituições no sistema elétrico -- a não ser que ele já esteja bastante deteriorado. O único investimento extra necessário para esse internauta é o modem BPL (com visual parecido ao de uma fonte para carregar bateria de notebooks), que leva a conexão da tomada até o PC.

Estrutura
Oliveira explica que a tecnologia é particularmente vantajosa por dispensar a criação de uma estrutura considerada cara -- como, por exemplo, a de cabeamento -- em regiões do país onde a internet rápida ainda não chega. Isso porque no caso da BPL a transmissão de dados é feita através da estrutura já existente de distribuição de energia elétrica.

Os dados podem ser enviados diretamente do provedor de acesso para a rede elétrica até chegar aos usuários. Também é possível mesclar a forma de transmissão onde já existem outras estruturas: a conexão pode ser feita via cabo a partir do provedor até a região de um prédio. Se o edifício não tiver cabeamento, por exemplo, a conexão pode continuar sendo feita via rede elétrica até os apartamentos.

Para os usuários dessa alternativa, a conta de luz continuará separada daquela referente à web. “Trata-se da mesma estrutura, mas usada para fins diferentes. Em vez de transmitir somente luz, a fiação elétrica também passará a fornecer acesso à internet”, explicou o engenheiro da Anatel. Segundo ele, cada tipo transmissão será feita através de frequências diferentes e, por isso, um serviço não vai interferir no outro.