Mostrando postagens com marcador radio. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador radio. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 23 de maio de 2014

As novas estrelas da comunicação - Estrelas


AS NOVAS ESTRELAS DA COMUNICAÇÃO - Satélites


Você está num barco no meio do Oceano Pacífico. Ou a pé no Saara, com areia por todos os lados. Não importa. Dentro de pouco tempo, ninguém mais vai ficar isolado da civilização. Porque todo mundo estará ao alcance de um celular ou de um micro, esteja onde estiver. As maiores empresas de comunicação do mundo prometem: dentro de dois anos, começarão a circundar o planeta mais de 1 000 novos satélites, transmitindo sinais de telefone, fax, TV e ligando computadores. Hoje, estão em órbita apenas 150.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Baderna Eletromagnética - Tecnologia


BADERNA ELETROMAGNÉTICA - Tecnologia 


Robôs enlouquecidos, computadores com amnésia e aviões fora de controle: a interferência eletromagnética que estraga a imagem da TV também provoca.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

À procura da Inteligência Extraterrestre - Astronomia


À PROCURA DA INTELIGÊNCIA EXTRATERRESTRE - Astronomia


Desta vez é para valer: em outubro do ano passado, depois de três décadas de ensaios e pequenas tentativas, os astrônomos começaram a busca sistemática de Ets pelo Universo.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Congestionamento Invisível - Comunicações



CONGESTIONAMENTO INVISÍVEL - Comunicações



Há algo no ar além dos aviões de carreira: a superlotação dos caminhos por onde viajam as ondas eletromagnéticas que transportam um número cada vez maior de sinais de rádio, TV e telefone. Como desafogar esse trânsito?

Quando alguém, dentro do ônibus ou do carro, é obrigado a enfrentar o trânsito infernal de qualquer grande cidade não imagina que acima de sua cabeça outro meio de transporte também disputa um espaço cada vez mais concorrido. São as ondas eletromagnéticas de variadas intensidades, amplitudes e freqüências, que vão e vêm carregando todo tipo de mensagens e imagens. Não se pode vê-las, mas elas estão lá, assim como em toda parte ao redor do mundo - certos tipos de ondas, como algumas de radiodifusão e todas as de televisão, conseguem atravessar a ionosfera terrestre, a 100 mil metros de altitude, e se propagar pelo Cosmo.
É muito difícil estimar o número de todos os tipos de ondas eletromagnéticas que trafegam pela atmosfera. Para se ter uma idéia basta pensar que existem dezenas de milhares de estações de radiodifusão e pouco mais de mil estações de TV espalhadas pelo mundo. Somem-se a esse número os milhões de aparelhos de radiocomunicação instalados em aviões civis e militares, navios, carros de polícia e de bombeiros, ambulâncias, radioamadores e serviços de telecomunicações estatais e privados via satélite. Se todas as ondas eletromagnéticas fossem visíveis a olho nu, o mundo certamente ficaria irreconhecível.
O atual congestionamento do espectro eletromagnético é uma boa medida da necessidade de comunicação entre as pessoas. Desde os primeiros passos da civilização, essa necessidade levou o homem a criar meios de enviar mensagens a distância. Para trocar informações, enviar notícias e saudações já foram usadas as mais diversas formas de comunicação, como pombos-correio, nuvens de fumaça ou mensageiros a cavalo, em carroças ou em navios. Há não mais de cem anos uma mensagem demorava cerca de um mês para ir de navio do Ocidente ao Japão. Até que em 1864 James Clerk Maxwell, professor de Física experimental em Cambridge, na Inglaterra, provou que uma corrente elétrica poderia se propagar à velocidade da luz (300 mil quilômetros por segundo) na forma de ondas.
Pouco tempo depois. em 1888, o físico alemão Heinrich Hertz demonstrou que a previsão de Maxwell era verdadeira. Mas foi o físico italiano Guglielmo Marconi quem primeiro usou as ondas eletromagnéticas em 1901 para transmitir uma mensagem através do Oceano Atlântico. O eletromagnetismo é uma das quatro forças fundamentais que compõem o Universo - junto com a gravitação e as interações nucleares forte e fraca. Uma forma de enxergar o campo magnético (um dos componentes das ondas eletromagnéticas) é fazer a velha experiência escolar de espalhar limalha de ferro numa cartolina e colocar sobre ela uma barra de ímã - imediatamente as minúsculas partículas metálicas se alinham ao longo do campo.
Embora ainda não se conheça tudo sobre essa energia, ela tem sido amplamente explorada nos últimos cinqüenta anos. Depois que se descobriu que uma onda eletromagnética pode se propagar por longas distâncias, o desafio tem sido o de aperfeiçoar técnicas para fazê-la carregar uma quantidade cada vez maior de informação mais e mais longe. Essa onda é chamada portadora porque transporta uma mensagem embutida na variação de sua amplitude e na freqüência com que oscila. Para alguém transmitir um sinal qualquer basta fazer com que um pulso de corrente elétrica passe por uma antena. Como a energia elétrica pode ser uma corrente alternada - porque está constantemente alternando sua polarização, entre positivo e negativo -, no momento em que o pulso é positivo a corrente provoca uma oscilação magnética no campo à volta da antena em certo sentido. Quando o pulso fica negativo, a oscilação é no sentido oposto. Assim, a constância desse movimento alternado cria uma onda.
A grande idéia de Marconi foi a de influir nos pulsos elétricos que passam pela antena de forma similar às batidas dos tambores usados para enviar mensagens entre tribos africanas. Aumentar e diminuir a velocidade das batidas dos pulsos (ou seu ciclo) altera a freqüência com que a onda eletromagnética sobe e desce. Da mesma forma que aumentar e diminuir a força do pulso interfere no tamanho da onda. Foi a Primeira Guerra Mundial que desencadeou a exploração das freqüências de ondas de rádio como meio de comunicação, com a produção em massa de transmissores e receptores encomendados pelos exércitos em conflito. Foi também a partir daí que a atividade radiofônica começou a ser controlada pelos governos.
No final dos anos 20, somente nos Estados Unidos já existiam 732 estações transmissoras de programas de rádio que, particularmente nas maiores cidades, sobrepunham suas ondas umas às outras, criando interferências que tornavam incompreensível a recepção. Para pôr ordem nessa torre de Babel, as autoridades começaram então a regulamentar o uso do que se chamava impropriamente o "éter" (os espaços por onde as ondas se propagam). O rápido crescimento do número de estações de radiodifusão mostrou que as ondas eletromagnéticas são um recurso limitado, que, se não for bem distribuído, gera uma grande confusão. É um recurso natural tanto quanto o são a água e o ar.
A rigor, as ondas servem da mesma forma que as embalagens de produtos das prateleiras dos supermercados: as latas de ervilha devem conter ervilhas que serão compradas por quem quer consumir ervilhas. O fabricante de xampu não pode usar uma lata de ervilhas para vender seu produto pela simples razão de que quem estiver precisando de xampu não vai buscá-lo na prateleira de latas de ervilhas. Como as ondas eletromagnéticas são utilizadas para o transporte de todo tipo de comunicação, podem ser entendidas como embalagens de produtos muito diferentes. Basta imaginar como seria absurdo um piloto de linha aérea ligar o aparelho de comunicação do avião e ouvir música de uma estação de rádio comercial em vez das instruções do controlador de vôo do aeroporto.
Para evitar desastres como esse, a solução foi definir um tipo de onda para cada tipo de usuário. Disciplinou-se o uso do espectro das ondas eletromagnéticas: uma distribuição dessas ondas de acordo com a freqüência. É uma escala dividida em bandas ou faixas ocupadas por ondas que vão das freqüências mais baixas, 30 ciclos por segundo ou 30 hertz (em homenagem ao cientista alemão) até as mais altas de 300 gigahertz ou 300 bilhões de hertz. As ondas curtas e médias são refletidas pela ionosfera e por isso mesmo usadas pelos serviços de radiodifusão que desejam atingir locais distantes - geralmente estações de rádio estatais, como a Radiobrás com sua Voz do Brasil, a Voz da América, do governo americano, ou a emissora pública BBC de Londres.
Da mesma forma fazem os radioamadores, cujos equipamentos têm potência para alcançar outros países. As telecomunicações via satélite, por sua vez, usam freqüências extremamente altas, chamadas microondas, porque conseguem atravessar todas as camadas da atmosfera. Portanto, cada usuário deve utilizar determinada faixa de comprimento de onda, ou faixa de freqüência, alocada para o fim a que ele se propõe. A divisão desse espectro foi definida por um acordo internacional de 1959, mas desde então sucessivas reuniões da União Internacional de Telecomunicações (UIT), ligada à ONU, têm aperfeiçoado e realocado algumas faixas na medida da evolução da tecnologia. Embora o espectro da UIT tenha limites bem definidos, cada país membro da organização estabeleceu pequenas variações de acordo com suas próprias necessidades.
Como se pode perceber na escala do espectro brasileiro, algumas faixas já estão bastante congestionadas. Em São Paulo, onde existe o maior fluxo de telecomunicações do país, na faixa de freqüências muito altas (VHF. do inglês very high frequencies), que vai de 30 megahertz (30 milhões de hertz) até 300 megahertz. não cabe mais nada. É por ela que são transmitidos os sinais de televisão VHF, como os da Rede Globo ou os do SBT, de algumas estações de rádio FM (freqüência modulada) e ainda comunicações de navios, aviões e até de alguns radioamadores. Embora uma imagem de TV precise de um total de 6 megahertz (MHz), tanto na faixa de VHF como na de UHF (ultra high frequencies, dos 300 MHz até os 3 GHz - gigahertz), cabem de fato apenas sete canais na faixa de VHF e pouco mais de dez na de UHF.
Isso porque, além de serem obrigados a compartilhar esse espaço com outros serviços, os canais receberam do governo mais 6 MHz para que não houvesse interferência entre um e outro, o que inevitavelmente aconteceria se existissem emissoras do 2 ao 13. Sendo assim. quem deseja a concessão de uma nova estação de TV em São Paulo precisa utilizar as UHF, como já é o caso da TV +, que ocupa o canal 29, e a TV Jovem Pan, canal 16, ainda em caráter experimental. Este ano deverão estar no ar mais dois ou três canais em UHF, entre eles o 32 da TV Abril.
Embora a situação de São Paulo não seja a mesma em todo o país, o espectro brasileiro já encontra alguma dificuldade para acomodar todas as transformações pelas quais as telecomunicações passaram nos últimos vinte anos. Tanto que o mapa da distribuição de serviços por faixas de onda está sendo revisto pelo Dentel, órgão do Ministério das Comunicações que regula o assunto. Algumas faixas já foram redefinidas. "O mapa mais atualizado e disponível é de 1975 e de lá para cá muita coisa mudou, como as comunicações no meio rural, por exemplo, explica Ivan Pereira Pena, diretor da área de telecomunicações do Dentel. Como a telefonia rural ainda é muito precária, os fazendeiros se comunicam por rádio, numa determinada freqüência que. evidentemente, não pode ser pública.
O exemplo do congestionamento paulista, porém, nem chega perto da situação muito mais estrangulada do espectro americano. Nos Estados Unidos, no caso das TVs, além da ocupação total da faixa de VHF em quase todas as grandes cidades, boa parte das UHF também estão sendo usadas. Outros tipos de serviço criam um aperto ainda mais difícil de administrar. Apenas o governo, incluindo as forças armadas, utiliza boa parte do espectro para telecomunicações reservadas. Pesquisas científicas em Radioastronomia, outro tanto. O caso da telefonia móvel é bem representativo. Esse tipo de telefone funciona à base de ondas de rádio, geralmente em VHF, e pode ser transportado para todo lugar, dentro do carro ou até mesmo na pasta. A demanda pela telefonia móvel cresceu muito nos Estados Unidos nos últimos anos; para atendê-la, as companhias telefônicas reivindicam a ocupação de faixas de UHF, em sua maior parte originalmente destinadas às redes de TV.
Concorrem por esse mesmo espaço os serviços de radiofonia móvel que atendem à polícia e aos bombeiros. Sem falar nas grandes redes de TV que querem investir na HDTV - televisão de alta definição. É que a HDTV, ainda em desenvolvimento, precisará de faixas 50 a 100 por cento maiores que as das televisões comuns. Embora também o brasileiro ainda esteja distante da maravilha que será a HDTV, está próximo de usufruir a comodidade da telefonia móvel. No ano passado, o governo abriu concorrência para que empresas privadas comecem a explorar esse mercado em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Ainda não existe decisão oficial acerca da faixa de onda a ser usada por esses telefones, mas é muito provável que seja em UHF.
Como a tendência geral é aumentar o número de usuários de um espaço que fisicamente não pode crescer, governos e universidades de vários países, entre eles o Brasil, estão patrocinando estudos para maximizar o aproveitamento do espectro. Uma hipótese é a digitalização de sinais - transformar os sinais de rádio e TV em sinais digitais, a linguagem usada pelos computadores -, o que reduziria bastante o espaço ocupado por uma transmissão. Mas ainda resta desenvolver tecnologia de baixo custo para esse fim. "O maior desafio é definir uma tecnologia que possa ser produzida em massa", observa Joseph Straubhaar, professor do Departamento de Telecomunicações da Universidade do Estado de Michigan, temporariamente lecionando na Universidade de São Paulo. Enquanto isso não acontece, existe uma alternativa que pode desafogar bastante o congestionamento do espectro: o uso dos cabos de fibra ótica, capazes de transportar quantidades colossais de dados por um fio de fibra de vidro da espessura de um cabelo, sem ocupar o espectro eletromagnético no meio ambiente.

Confusão ganha a guerra eletrônica

Nos momentos finais da Segunda Guerra Mundial, o primeiro-ministro britânico Winston Churchill previu que os futuros conflitos passariam a ser travados principalmente entre engenheiros eletrônicos militares. Quarenta anos depois, os fatos lhe dão razão: o novo campo de batalha é efetivamente o espectro eletromagnético. Mas, ao contrário da distribuição organizada que existe entre os usuários dos serviços pacíficos, é justamente a confusão o que mais interessa aos guerreiros eletrônicos. Foi assim que os argentinos conseguiram pôr a pique o navio britânico Sheffield na Guerra das Malvinas, em 1982.
Um caça supersônico argentino Etendard localizou o Sheffield utilizando um sinal de radar com ondas eletromagnéticas tão precisas e potentes que os marinheiros ingleses o confundiram com os sinais de radar de seus próprios caças Harrier. Depois foi só lançar um missil Exocet também equipado com um sofisticado sistema de orientação eletrônica. O radar do Sheffield apenas percebeu seu engano segundos antes do impacto. Na guerra eletrônica as melhores armas são as que conseguem fazer o melhor uso de determinadas faixas de ondas. Como a informação rápida e exata é imprescindível até mesmo para a menor das unidades de combate, ganha quem possuir os equipamentos com os quais se possa comunicar sem que o inimigo interfira.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Onde tudo começou - George Wells

ONDE TUDO COMEÇOU - George Wells



Com a estréia nos cinemas de Guerra dos Mundos, do diretor Steven Spielberg, a mais importante obra de ficção científica dos nossos tempos volta a ser comentada em todo o planeta. Lançado em 1898, o romance homônimo do inglês Herbert George Wells tem versões em dez línguas, foi adaptado para o cinema três vezes, rendeu uma polêmica esquete de rádio de Orson Welles (veja na página 72) e ganhou diversas releituras em quadrinhos. Por que um livro exerce tanto fascínio mais de um século depois de publicado? Porque H. G. Wells foi o primeiro escritor a usar a ficção científica para criticar a sociedade de sua época. Quem decifrou a metáfora entendeu que tinha em mãos muito mais do que uma aventura de alienígenas e naves espaciais. A Guerra dos Mundos tornou-se um arrepiante relato da nossa fragilidade no Universo. Se hoje existe a ufologia, a largada foi dada por Wells.

Naquele final de século 19, a Inglaterra era a grande potência mundial. A rainha Victória enviava seus exércitos para a África e garantia a expansão do Império Britânico. Os marcianos que invadem a Terra, passando por cima de homens e mulheres, são os próprios ingleses tomando posse das terras dos africanos. Os humanos não compreendem tamanha brutalidade dos ETs. Eis o que diz Wells, já no primeiro capítulo de seu livro: "Antes de julgá-los com demasiada severidade, devemos nos lembrar das destruições totais e implacáveis que nossa própria espécie empreendeu, não apenas contra os animais, como os extintos bisões e dodôs, mas contra as raças humanas inferiores. Os tasmanianos, apesar de sua configuração humana, foram totalmente varridos da existência, num período de 50 anos, numa guerra de extermínio empreendida pelos imigrantes europeus. Somos por acaso tamanhos apóstolos da misericórdia para podermos nos queixar de que os marcianos tenham feito a guerra no mesmo espírito?". Uma senhora patada no orgulho britânico.
A Guerra dos Mundos estreou como folhetim, publicado em nove partes entre abril e dezembro de 1897 na revista inglesa Pearson’s Magazine. Em maio do mesmo ano, a revista americana Cosmopolitan lançou o texto nos Estados Unidos. A história foi um sucesso de público e ganhou versão em livro em fevereiro do ano seguinte. O impacto foi tremendo. Numa época em que aviões, raio laser e viagens espaciais eram só promessas de cientistas sonhadores, os leitores ficaram arrepiados com a possibilidade de seres de outros mundos estarem mesmo de olho na Terra. A humanidade preparava-se para a virada do século, período em que costumam aparecer profetas do apocalipse. Embora não fosse essa a intenção de Wells, a destruição de A Guerra dos Mundos foi interpretada pelas pessoas mais assustadas como um relato perfeito do juízo final.
Os jornais dos Estados Unidos ficaram doidos com a história. Em janeiro de 1898, o New York Evening Journal publicou uma pretensa continuação da aventura de Wells, chamada Edison’s Conquest of Mars (A Conquista de Marte de Edison), escrita por Garrett P. Serviss. Nesse plágio escancarado de A Guerra dos Mundos, Thomas Edison - o mesmo que inventou a lâmpada elétrica - embarca numa nave espacial para se vingar dos marcianos que invadiram a Terra e foram mortos por nossas bactérias. Os terráqueos não falham e exterminam a raça alienígena do planeta vermelho.

TRAÇOS BRASILEIROS
A primeira edição de A Guerra dos Mundos foi ilustrada pelo inglês Warwick Goble, mas os desenhos preferidos de Wells foram de autoria de um brasileiro que morava na Bélgica, o carioca Henrique Alvim Corrêa. O artista viajou para Londres, em 1903, para apresentar rascunhos que fizera após ler a versão francesa do livro. Wells gostou tanto do trabalho que convidou Corrêa para ilustrar a edição de luxo lançada em 1906 pela editora belga L. Vandamme. São 31 gravuras que pertencem ao antiquário fluminense Sebo Fino e estão expostas temporariamente no Museu e Hall da Fama da Ficção Científica, nos Estados Unidos.
O cinema não ficaria indiferente à história de Wells. O primeiro filme, dirigido por Byron Haskin, é considerado uma das melhores películas de ficção científica. Nessa versão de 1953, a produção ignorou boa parte das lições morais de Wells e transformou a história numa aventura tecnológica. O brilhante e charmoso doutor Clayton Forrester (vivido pelo ator Gene Barry) engata um discreto romance com a lindona Sylvia Van Buren (Ann Robinson). Fora a chegada dos marcianos e a vitória das bactérias, pouca coisa sobrou do texto original.
A versão de Steven Spielberg para A Guerra dos Mundos, lançada no final de junho, tem pelo menos um ponto em comum com o livro: trata-se da invasão da Terra sob o ponto de vista dos refugiados, particularmente do personagem de Tom Cruise. Com as novas invenções e as descobertas da ciência, o mundo mudou radicalmente nos últimos cem anos e o que assustava em 1898 não cola mais no século 21. Por isso, os alienígenas não são do inabitado planeta Marte, o poder de destruição extraterrestre cresceu e há muito mais gente correndo de um lado para o outro nas ruas. O cenário é contemporâneo.
O charme da história de Wells, pelo menos, está garantido em uma produção paralela do diretor Timothy Hines. A versão de Hines, a ser lançada também neste ano, é uma reprodução fiel do livro: a ação ocorre na Inglaterra vitoriana, os vilões vêm de Marte e eles acabam sendo aniquilados pelas bactérias terrestres.
Com tanta adrenalina que vem por aí, vai ser difícil ficar indiferente à Guerra dos Mundos em 2005. Leia o livro e assista aos filmes. É uma boa oportunidade para tentar entender como surgiu essa curiosidade humana pelo extraterreno. Se alguém merece culpa por enriquecer o imaginário popular, esta pessoa é H. G. Wells.

"Antes de julgá-los com demasiada severidade, devemos nos lembrar das destruições totais e implacáveis que nossa própria espécie empreendeu, não apenas contra os animais, como os extintos bisões e dodôs, mas contra as raças humanas inferiores"
trecho de a guerra dos mundos, de H. G. Wells

Ficção e realidade

Marte é um planeta árido, cheio de crateras e nunca esteve a menos de 56 milhões de quilômetros da Terra. Como é que um lugar sem graça desses inspirou tantas histórias de ficção científica? A explicação talvez remonte a 1877, quando o astrônomo italiano Giovanni Schiaparelli observou uma rede de canais na superfície marciana, que foi interpretada por alguns cientistas como estruturas artificiais de irrigação. Com teorias desse tipo, que outro lugar poderia alimentar tanto a imaginação dos escritores? H. G. Wells não ficou indiferente e também brincou com os marcianos. Em 1897, quando publicou A Guerra dos Mundos na forma de folhetim, o planeta fervia com as recentes invenções do homem: o telefone (1876), a lâmpada elétrica (1879), o automóvel (1885), o rádio (1896). Wells era um sujeito antenado. Tudo o que os marcianos do seu livro possuíam na fictícia invasão da Terra seria inventado pelo homem nos anos seguintes: o segredo de voar (avião, em 1906), o raio de calor (raio laser, em 1960) e a máquina de manipular (robôs, em 1961). Mas Wells temia o uso destrutivo das novas invenções e viveu o suficiente para descobrir que tinha razão. Em 1915, a Alemanha usou armas químicas contra os franceses na Primeira Guerra Mundial. Em 1945, os Estados Unidos jogaram duas bombas atômicas sobre o Japão, no lance final da Segunda Guerra. A primeira frase do capítulo 6 do livro de Wells soa profética: "Ainda é motivo de espanto o modo como os marcianos são capazes de matar gente tão rápida e silenciosamente". Quando morreu, em 1946, Wells já tinha perdido a confiança no ser humano.

Tem alguém ai? SETI

TEM ALGUÉM AÍ? SETI



Com a ajuda de potentes radiotelescópios, cientistas buscam um sinal de vida inteligente fora da Terra. Até agora, parece que ninguém quis falar com a gente. Mas há quem aposte que são boas as chances de captarmos algum sinal alienígena até 2025

Tudo o que a ciência sabe hoje leva a crer que estamos praticamente sozinhos no sistema solar. E, mesmo que não estejamos, nossas companhias não chegam nem aos pés da nossa civilização em termos de tecnologia. Mas, e se lá longe, a anos-luz de distância, houver alienígenas tão ou mais avançados do que nós? Será que eles também não estão procurando por outras formas de vida? Será que não têm os mesmos dilemas que nós sobre a vida no Universo? Quem sabe já esteja rolando uma grande festa intergaláctica e nós é que estamos longe demais de tudo? São pensamentos assim que povoam as mentes dos cientistas dos programas de busca de vida extraterrestre inteligente, mais conhecidos como Seti (Search for Extraterrestrial Intelligence).

Se você viu o filme Contato (1997), baseado no livro do astrônomo Carl Sagan, deve saber do que se trata. São cientistas que usam enormes antenas de radiotelescópios para tentar captar algum sinal vindo do espaço. Seria mais ou menos como percorrer o dial de um rádio procurando uma estação. O problema é que o "dial" do universo é gigantesco. E, até agora, todos os ruídos que captamos vinham aqui mesmo da Terra ou de algum de nossos satélites de comunicações. Melhor dizendo, quase todos.
Em agosto de 1977, o astrofísico Jerry Ehman estava trabalhando no radiotelescópio Big Ear (grande ouvido), da Universidade de Ohio, nos Estados Unidos. No meio de um monte de letras e números cuspidos pelo computador, uma seqüência fisgou os olhos de Ehman. Era uma coisa tão descomunal que ele não conseguiu pensar em nada. Apenas circulou a seqüência e escreveu WOW! (UAU!). Não era para menos. Havia um nível mínimo de força para se considerar que algum sinal valia a pena ser mais bem analisado. O WOW era 50 vezes mais forte do que esse mínimo e durou 72 segundos. Pelo jeito, os ETs haviam pregado o dedo na campainha. O sinal foi tão significativo que até hoje há pessoas buscando pela sua confirmação. Nenhuma obteve sucesso. Em 45 anos de escuta, essa foi a vez que chegamos mais perto de fazer contato. Se é que realmente havia alguma coisa lá fora.

ALÔ, ALÔ, MARCIANO
E por que os alienígenas usariam sinais de rádio para mandar uma mensagem? "Esse tipo de onda é muito eficiente", diz Seth Shostak, astrônomo sênior do Instituto Seti, na Califórnia. "Pouquíssima energia é necessária para mandar um sinal. Elas são fáceis de produzir, viajam na velocidade da luz e conseguem passar sem dificuldades pelas nuvens de poeira e gás que existem no espaço, sem muita interferência." As buscas se restringem às vizinhanças de estrelas parecidas com o Sol, onde a chance de haver planetas capazes de desenvolver vida é maior. Mas, só nos arredores do sistema solar, num raio de 100 anos-luz (uma mixaria astronômica), estima-se que existam milhares de estrelas desse tipo.
Nos últimos anos, o Seti tem sobrevivido só com dinheiro da iniciativa privada. É bem verdade que, com doadores do calibre de William Hewlett e David Packard (da HP), Gordon Moore (Intel) e Paul Allen (Microsoft), dinheiro não parece ser problema. Agora os cientistas estão esperando que a primeira fase do Conjunto de Telescópios Allen fique pronta na Califórnia. Em vez de um grande e único "prato", como o radiotelescópio porto-riquenho de Arecibo - a maior antena do mundo -, o novo projeto prevê centenas de antenas menores e mais modernas trabalhando em conjunto, em tempo integral. Seu poder de varredura será 300 vezes maior do que atualmente.

VOCÊS FALAM INGLÊS?
E se, finalmente recebermos a tão sonhada mensagem, o que faremos? Na prática, essa questão é deixada para depois. Primeiro porque, se recebermos um sinal vindo de, digamos, 100 anos-luz daqui, uma possível resposta levaria um século para atingir seu destino. Em segundo lugar, a maioria dos pesquisadores do Seti não acha que seríamos capazes de decifrar facilmente alguma língua alienígena. "Os radiotelescópios não foram feitos para identificar conteúdos de supostas mensagens", diz Shostak. "E como a mensagem provavelmente virá de uma civilização muito mais avançada do que a nossa, há uma boa chance de que nunca consigamos entendê-la." O importante seria simplesmente encontrar a prova. Aí a humanidade senta e vê o que faz.
Outra hipótese levantada pelos pesquisadores é que talvez não captemos algo endereçado a nós. "A Terra tem apenas 4,6 bilhões de anos de idade, enquanto a nossa galáxia tem mais de 13 bilhões. Nós aparecemos há pouco tempo na Via Láctea e, por isso, é muito improvável que tenhamos sido uma das primeiras civilizações a se desenvolver", diz Shostak. O mais provável seria captarmos transmissões entre diferentes ETs. Ou talvez sinais de comunicação doméstica deles, como os dos nossos satélites.
Só depois dessa prova - ou depois que a nossa tecnologia evoluir muito -, os cientistas acham que vai valer a pena tentar enviar mensagens. Até hoje, só foi feita uma transmissão, para celebrar uma grande reforma do radiotelescópio de Arecibo. Foi mandada uma mensagem composta de 1679 zeros e uns, que, se arrumados num quadro de 23 colunas e 73 linhas, mostrariam uma figura humana, um desenho da estrutura do nosso DNA, do próprio radiotelescópio e algumas indicações da posição da Terra no sistema solar e na Via Láctea. O destinatário escolhido foi um aglomerado de estrelas da constelação Hércules. Não se sabe se teremos resposta. E, mesmo que ela venha, vai demorar um pouquinho. Se a mensagem for respondida logo após ser recebida, vai levar algo em torno de... 50 mil anos para ela fazer a viagem de ida e volta.
Desanimador? Os astrônomos do Seti acham que não. "Meus cálculos sugerem que, como novo radiotelescópio Allen, conseguiremos captar um sinal alienígena até 2025", diz Shostak, que está envolvido em buscas desse tipo há 25 anos. "Com esse novo instrumento, poderemos verificar milhões de sistemas estelares nas próximas décadas." Até lá, o jeito é ter paciência e continuar escutando. "O Seti é uma jornada de descobertas", diz o astrônomo. "No final, o que você aprendeu durante o caminho pode ser muito mais importante do que encontrar aquilo que você procurava." Pode até ser, mas que ia ser mais fácil ter essa postura zen depois de bater papo com alguns ETs, disso ninguém duvida.

Caça virtual

Você quer ajudar a procurar extraterrestres de verdade sem sequer levantar da cadeira? Basta uma conexão com a internet e alguns cliques no mouse para participar do projeto Seti@Home, da Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos. A idéia é simples e engenhosa. Todos os dados captados pelos radiotelescópios precisam ser analisados por computadores, que avaliam se eles contêm algum sinal alienígena. Como são gerados 35 gigabytes de informação por dia e o processamento é demorado, os cientistas se concentram na análise apenas dos sinais mais fortes. Para passar um pente-fino nos dados captados, seriam necessários computadores gigantescos e caríssimos. A solução encontrada foi dividir para conquistar. O Seti@Home é um protetor de tela para Windows, Macintosh e Linux que usa o tempo ocioso do computador para procurar ETs. O programa baixa um pedaço desses sinais de rádio via internet, faz a análise (algo em torno de 3 trilhões de contas) e depois manda o resultado de volta. Como há milhões de colaboradores no mundo inteiro, o resultado final é equivalente ao dos maiores e mais caros supercomputadores que existem. Para saber mais, visite o site do Seti@Home no endereço http://setiathome. ssl.berkeley.edu/

sábado, 11 de dezembro de 2010

Retrato de Bebê - Mapa do Universo

RETRATO DE BEBÊ- Mapa do Universo



O mapa mais antigo do Universo foi feito em 1992, pelo radiotelescópio orbital Cobe (abreviatura do inglês Cosmic Background Explorer, ou Explorador do Fundo Cósmico). Na época, com a sua precisão considerada extraordinária, capturou diferenças minúsculas na radiação cósmica de fundo (leia na página ao lado). Em resumo: o Cobe "fotografou" o brilho do Big Bang, o momento mais próximo à origem do Universo. Onze anos depois, o que já era fantástico ficou ainda mais impressionante para os olhos humanos com o mapa montado pela sonda WMAP (Wilkinson Microwave Anisotropy Probe, ou Sonda Wilkinson de Medida da Anisotropia em Microondas), da Nasa. Foi como se os astrônomos tivessem passado uma década olhando para uma fotografia fora de foco e, de repente, recebessem a mesma imagem centenas de vezes mais nítida. Para os leitores de publicações científicas, os mapas do Cobe e da WMAP proporcionaram uma visão espetacular do nosso mundo. Para os cientistas, solidificaram as convicções a respeito do Big Bang, a teoria de que o Universo começou a se expandir depois de uma grande explosão. "A possibilidade de o Big Bang ser descartado em favor de um outro modelo é, na prática, nula", afirma o astrofísico Ivo Busko, do Space Telescope Science Institute (STSci), nos Estados Unidos.

O impacto da descoberta extrapola os debates acadêmicos. Segundo Busko, os resultados da WMAP, somados aos do telescópio espacial Hubble e de telescópios terrestres gigantes como VLT, Keck, Gemini e VLBA, mudaram completamente o caráter da cosmologia observacional. Antes, essa ciência contentava-se em obter medidas com erros de 50% a 100%. Agora, pode-se testar modelos cosmológicos com erros mínimos, na casa de algumas unidades percentuais. "Isso está gerando um enorme progresso no estudo do Universo", diz Busko. Graças ao mapa da WMAP, os cientistas puderam, enfim, cravar a idade do Universo, com uma margem de erro de mero 1%: 13,7 bilhões de anos. Calcularam também que as primeiras estrelas surgiram 200 milhões de anos após o Big Bang.

O impacto da descoberta
Os mapas celestes revelaram a infância do cosmo. Também permitiram cravar a idade do Universo em 13,7 bilhões de anos. Cada vez mais, os cientistas acreditam que tudo começou com uma explosão: o Big Bang

O passado em ondas
O Universo está repleto de radiação de microondas liberada nos seus primórdios. Chamada de radiação cósmica de fundo, surgiu quando elétrons e prótons se juntaram para formar os primeiros átomos de hidrogênio, o elemento mais abundante no cosmo. Essa radiação foi prevista pelo físico russo George Gamow nos anos 40 e observada duas décadas depois pelos astrofísicos americanos Arno Penzias e Robert Wilson. O mapeamento feito pela sonda WMAP indica que esse processo aconteceu 380 000 anos após o Big Bang. Como o Universo tem 13,7 bilhões de anos, a WMAP conseguiu revelar a infância cósmica. A sonda não registrou o céu como uma câmera fotográfica, mas captou ondas de rádio de diferentes direções enquanto girava no espaço. O processamento desses dados permitiu verificar as variações de temperatura da radiação de fundo, com diferenças de apenas milionésimos de grau entre as diversas regiões do Universo. A temperatura varia conforme a distribuição de matéria. Quanto mais matéria presente, mais energia a radiação precisa gastar para escapar de sua atração gravitacional, tendendo ao vermelho. A cor puxa para o violeta onde há menos matéria.

EUA terão lançador de granadas "inteligente", controladas por rádio

30/11/2010 17h05 - Atualizado em 30/11/2010 17h05
EUA terão lançador de granadas 'inteligentes', controladas por rádio
Mira laser ajuda XM25 a determinar ponto de explosão de projétil.
Departamento de defesa encomendou 12.500 armas, a US$ 35 mil cada.


XM25 é capaz de atirar munição controlada por rádio. (Foto: Divulgação/US Army)Soldados do exército dos Estados Unidos atualmente em missão no Afeganistão vão ganhar uma nova arma inteligente. O Departamento de Defesa americano deve entregar a partir de dezembro para as tropas no país asiático o primeiro lote do lançador de granadas XM25, que dispara projéteis programáveis, controláveis por rádio, para explodir no local exato apontado pelo soldado. No total, foram encomendadas 12.500 unidades do XM25.

A arma, que consumiu sete anos de desenvolvimento e custa US$ 35 mil a unidade, é apontada como "revolucionária" pelos especialistas em indústria bélica. Por meio de lasers, é possível indicar um alvo a até 700 metros de distância. A detonação da granada pode ser ajustada para acontecer à frente ou após o alvo, e não apenas no impacto.

Por conta desta característica, o soldado passa a ter mais facilidade para eliminar inimigos que estejam protegidos por barreiras físicas. Com um botão, é possível indicar se o projétil deve explodir 3 metros antes, 3 metros depois ou no local exato do alvo.