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segunda-feira, 10 de julho de 2023

Robô diz na ONU que Inteligência Artificial pode governar o mundo melhor do que os humanos

Robô diz na ONU que Inteligência Artificial pode governar o mundo melhor do que os humanos

A mesma humanoide já havia causado espanto há alguns anos ao afirmar que iria destruir a humanidade.

sábado, 19 de junho de 2021

Estudo descobre a 'arma secreta' que salvou o Homo sapiens da extinção

Estudo descobre a 'arma secreta' que salvou o Homo sapiens da extinção

Pesquisadores encontraram genes responsáveis pela característica que colocou os humanos em vantagem evolucionária.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

SILÊNCIO POR FAVOR - AUSÊNCIA DE BARULHO PODE TURBINAR O CÉREBRO E A CRIATIVIDADE

SILÊNCIO POR FAVOR - AUSÊNCIA DE BARULHO PODE TURBINAR O CÉREBRO E A CRIATIVIDADE

Monges budistas do Templo Busshinji meditam nesta sexta-feira (19/02/2019) no topo do Edifício Copan, no Centro de São Paulo. Uma vez por mês, eles buscam silêncio
 em um dos pontos mais altos da capital paulista 

Ele permite que nos sintamos 'presentes' e nos dá espaço para pensar.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Cientistas criaram uma máquina que pode literalmente manipular o conteúdo dos seus sonhos


Cientistas criaram uma máquina que pode literalmente manipular o conteúdo dos seus sonhos



Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, nos EUA) criaram uma máquina que funciona como uma interface para a fase do sono em que ocorrem alucinações, permitindo que as pessoas controlem o conteúdo de seus sonhos.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

A verdadeira história do sabre de luz de Star Wars


A verdadeira história do sabre de luz de Star Wars


Atualmente, a saga Star Wars possui milhões de fãs em todo o mundo. Aos bilhões de dólares arrecadados em cada filme novo da franquia são somadas cifras exorbitantes, geradas pela venda de produtos associados. Um objeto em particular seduz tanto crianças quanto adultos: os sabres de luz utilizados pelos Jedi e Sith na ficção intergaláctica.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

A estranha batalha que os Persas venceram com arremesso de gatos


A estranha batalha que os Persas venceram com arremesso de gatos


Estratégia nada convencional adiou a conquista da Pérsia pelo Egito! 

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Sem pregos ou cola - Ela usa garrafas plásticas para fixar as junções de seus móveis


Sem pregos ou cola - Ela usa garrafas plásticas para fixar as junções de seus móveis


O novo método usado para fixar duas peças de madeira, desenvolvido por Micaella Pedros, de Londres, dispensa pregos. Em vez disso, ela envolve a junção com garrafas plásticas descartadas e esquenta o material. Nesse processo, o plástico se contrai proporcionando uma ligação extremamente sólida.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

As dez invenções mais malucas do passado



As dez invenções mais malucas do passado

A criatividade humana não tem limites.

Mas enquanto grandes ideias mudaram o mundo para sempre, outras invenções bizarras ficaram esquecidas no passado. Confira alguns dos equipamentos mais malucos já inventados:

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Mattel lança impressora 3D para crianças


Mattel lança impressora 3D para crianças


Depois de apresentar versões da Barbie em um skate voador e como desenvolvedora de games, a Mattel dá mais um passo para unir os brinquedos e a tecnologia. Nesta semana, a fabricante anunciou uma impressora 3D voltada para o público infantil. 

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Top 10 melhores comerciais da década (videos)


Top 10 melhores comerciais da década (videos)


Para saber quais foram os melhores comerciais dos últimos 10 anos, reunimos especialistas que compilaram esse top 10 que mudou o mundo do marketing e propaganda, muitos tentaram mais eles foram únicos.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Criatividade se Aprende na Escola - Educação


CRIATIVIDADE SE APRENDE NA ESCOLA - Educação



Instalada há doze anos num prédio do centro histórico de Roma, a S3 Studium ensina seus alunos a serem criativos e os prepara para enfrentar, com sucesso, as necessidades de um mercado de trabalho cada vez mais exigente.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Raymond Loewy - Gênio das Aparências


RAYMOND LOEWY - O GÊNIO DAS APARÊNCIAS



Pioneiro do desenho industrial, ele criou as formas mais marcantes deste século e símbolos conhecidos no mundo inteiro. Suas obras ajudaram a fazer o retrato dos tempos modernos.

Há alguns meses, o Centro Cultural Georges Pompidou, em Paris, inaugurou com estardalhaço uma retrospectiva das obras do artista pop americano Andy Warhol, falecido no passado. Logo a seguir, o mesmo centro abriu outra exposição - mas tão discretamente que de início poucos ficaram sabendo do evento. Apesar disso, os objetos que o público podia entrever do lado de fora começaram a chamar a atenção. Não que fossem raros ou exóticos. Ao contrário, estão no cotidiano de todos os visitantes que passaram a afluir à mostra, curiosos em saber o que faziam, juntos, embalagens de cigarros, bombas de gasolina, aspiradores de pó, réplicas de trens, carros e aviões.
A primeira impressão era de que ali estava um concorrente de Warhol, que se celebrou nos anos 70 reproduzindo em seus quadros latas de sopa Campbell´s e garrafas de Coca-Cola. Mas não era bem isso: enquanto a primeira exposição contemplava o pintor que fazia arte com banais produtos de consumo a segunda era dedicada ao homem que passou a vida dando-lhes forma e appeal - o desenhista industrial Raymond Loewy. Ironicamente, seu nome é conhecido apenas por uma ínfima parcela dos incontáveis milhões de pessoas que, há um punhado de gerações, nascem, crescem, ficam adultas e envelhecem cercadas de coisas - objetos, símbolos e embalagens - concebidas por Loewy.
Foi esse francês naturalizado americano, com efeito, quem criou a forma branca, maciça e sem pés que se tornou sinônimo de geladeira; o emblema de um garfo e uma faca cruzados que indica restaurante nas estradas; o primeiro modelo de automóvel de passeio de linhas aerodinâmicas; a concha que no mundo inteiro identifica a Shell; uma profusão de eletrodomésticos, materiais de escritório, máquinas fotográficas, ônibus - enfim, até uma nave espacial. Ninguém mais ou melhor do que ele modelou tudo aquilo que, aos olhos da multidão, acabaria se confundindo com a própria noção de modernidade, a aparência mais sedutora do século XX. Escultor e ideólogo de seu tempo, Loewy se fez gente na vertigem das inovações tecnológicas que mergulhariam as sociedades humanas numa era de movimento e velocidade. Segundo dos três filhos de um economista austríaco, que se casara com uma francesa da Alsácia, nasceu em 1893 perto de uma Paris prestes a perder o fôlego diante dos inventos do dia - o automóvel e o avião. Fascinado pelas peripécias de Santos-Dumont, o garoto não deixava porém de achar os primeiros aeroplanos "meio ridículos", como escreveria muitos anos depois. Aos 15 anos, disposto a criar um objeto voador mais bonito, inspirou-se na delicadeza da libélula para desenhar um aviãozinho de madeira capaz de percorrer 150 metros impulsionado por um elástico. O brinquedo virou moda; seu autor, que embora jovem teve o tino de patenteá-lo, ganhou com ele dinheiro suficiente para custear os estudos de Engenharia.
Quando a Europa afundou nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial, em 1914, o universitário Loewy foi mobilizado e partiu para a frente de batalha aborrecido - por causa do corte grosseiro de sua farda. Quase uma obsessão, as preocupações estéticas o levaram a forrar de papel as paredes de seu alojamento e, num gesto de extravagância e panache, típico da porção dândi de seu temperamento, pendurou à porta uma placa de metal onde se lia: "Studio Rue de la Paix". Se isso sugere frescuras de um almofadinha adamado, engano. Loewy voltou à vida civil com a patente de capitão e a condecoração da Cruz de Guerra por bravura em combate. O conflito o fez ver, além da feiúra das casernas, que o Velho Mundo estava de fato muito velho para seu gosto. Por isso, em 1919, aos 26 anos, com 50 dólares no bolso e muita ambição, emigrou para os Estados Unidos, onde já morava um irmão mais velho, médico de profissão. Sua paixão pela América foi fulminante. "Ao vislumbrar a bandeira com as listras e estrelas - uma verdadeira obra de arte, viril, alegre e imponente -, soube imediatamente que amaria aquele país", lembra na autobiografia publicada em 1951. 
Ele se imaginava tendo de limpar a neve das ruas para ganhar o pão, de dia, e jantando de smoking com alguns milionários, à noite. Exagero, mas nem tanto: ainda sem trabalho, tomou do irmão dinheiro emprestado a fim de comprar uma elegante camisa social para tais ocasiões. No primeiro emprego, vitrinista da Macy´s, a mais popular loja de departamentos de Nova York, ficou dois dias. Ele mesmo se demitiu ao perceber que não havia sido exatamente bem recebida a sua primeira criação - uma vitrine inteira dedicada a expor um casaco de peles, arrematado por uma écharpe, um vaso de flores naturais, tudo sob forte iluminação de refletores. Os donos da loja queriam mostrar o máximo de mercadorias em um mínimo de espaço. Ele queria elegância e despojamento. Esse tipo de conflito o acompanharia anos a fio, mas ele não arredaria pé de sua inovadora marca pessoal.
Começou a fazer ilustrações para revistas de classe como Harper´s Bazaar, Vanity Fair e Vogue e nesse trabalho ficou quase dez anos. Graças aos contatos que tais publicações lhe proporcionavam, passou a freqüentar a borbulhante high society nova-iorquina do fim da década de 20, que sempre o fascinou. Loewy, adorando ambientes e pessoas chiques, movia-se à vontade nesses círculos, com seus ternos impecáveis, bigodinho de latin lover e talento inato de relações-públicas. Ávido por publicidade, mesmo quando a extraordinária ousadia de seu trabalho lhe assegurava toda a fama a que tinha direito, ele não perdia ocasião de colocar-se no foco das atenções. Literalmente: certa vez, a bordo de um avião, ao ver os fotógrafos em volta de Miss América, saiu de sua poltrona para tentar aparecer nas fotos. E nunca se deu o trabalho de desmentir a lenda de que a inconfundível garrafa de Coca-Cola era arte sua. Mas, a julgar por sua mulher, Viola, relações-públicas da Philip Morris, três décadas mais jovem, com quem se casou aos 55 anos, ele era na realidade tímido e inseguro. Se a frivolidade não chegava a incomodá-lo, o mau gosto o deixava doente. E mau gosto havia de sobra nos Estados Unidos daqueles tempos de estrepitoso crescimento industrial, que despejava nas lojas toneladas de artigos cujo desempenho era ótimo e a apresentação péssima.
Loewy acreditava que a produção em massa não era incompatível nem com a beleza nem com a funcionalidade - e esse foi seu primeiro estalo de gênio. Mandou imprimir cartões de visita com o nome, endereço e um credo: "Entre dois produtos de igual qualidade e preço, o que tiver melhor aspecto venderá mais". Mas ninguém parecia interessado nas propostas com sotaque estrangeiro daquele francês diplomado em Engenharia, mas que só havia desenhado croquis para revistas de moda. "Foi uma época de camas frias, refeições frias, chuvas frias e um monte de aspirinas", conta ele, talvez com alguma hipérbole, em suas memórias.
Em plena crise de 1929, a sorte bateu à porta de seu quarto em Manhattan na pele de Sigmund Gestetner, um inglês gordinho e míope, dono de uma fábrica de copiadoras. O modelo que Gestetner produzia era barulhento e sujava com facilidade. O mecanismo exposto fazia com que parecesse confuso e os operadores viviam tropeçando nos estranhos pés compridos da engenhoca.
Com o prazo de três dias para desenvolver um novo protótipo, Loewy começou por eliminar do aparelho as protuberâncias inúteis, diminuiu as manivelas e alojou todo o mecanismo dentro de um móvel liso, de fácil manutenção. Sem tempo para mandar executar a maquete em aço, fabricou-a ele mesmo em argila, como um escultor. Com o passar dos anos, aperfeiçoaria o método, trabalhando com gesso, isopor e plástico. A rigor, Loewy realizara apenas uma cirurgia cosmética no mimeógrafo de mister Gestetner. Mas, ao simplificá-lo, tornando o conjunto harmônico e funcional, deixou-o mais prático e sem dúvida mais atraente. O novo modelo, como seu autor previra, foi um sucesso de vendas. O público comprou a decisiva mensagem implícita na criação de Loewy: equipamentos de aparência simples certamente são simples de usar. Nascia o desenho industrial, voltado originalmente para a conquista dos consumidores americanos, duramente golpeados pela recessão econômica, mediante a sedução das formas. E a forma por excelência que Loewy tinha em mente eram as linhas elegantes, alongadas, em fluxo, do traçado aerodinâmico. Era a face futura de um mundo em constante aceleração, a sintaxe visual dos quadrinhos de Flash Gordon e Buck Rogers.
De olho nas grandes corporações e esperando realizar um sonho de infância, Loewy procurou o presidente da Pennsylvania Railroads, uma das mais ricas ferrovias particulares do país. Entrou querendo projetar fantásticas ferrovias, saiu com uma oferta para desenhar novas latas de lixo para a Estação Central de Nova York. Durante três dias, ficou espiando o comportamento de viajantes e funcionários e aprontou um modelo prático, fácil de limpar, barato e discreto. Tendo conquistado a confiança da empresa, pouco depois podia ser visto encarapitado sobre um trem a toda a velocidade, testando com bandeirinhas a resistência do ar. Suas idéias baseavam-se invariavelmente nos princípios da simplicidade e da lógica. Nas locomotivas que viria a projetar, por exemplo, as chapas de ferro fundido, habitualmente fixadas com arrebites, eram substituídas por uma única peça soldada.
Dotada dessa carapaça, a máquina ganhava velocidade e sua manutenção ficava mais econômica. De quebra, ele modificou toda a concepção interna dos vagões, para torná-los mais funcionais e confortáveis. Resultado: em um ano o movimento da Pennsylvania Railroads aumentou quase 40%. Loewy desenhou cerca de vinte locomotivas, entre elas a S1, de 1938, considerada a mais bela do mundo. Capaz de ir além de 200 quilômetros por hora, dispunha de um único farol central - o que lhe valeu o apelido de "Cíclope" - e um desviador de fumaça, tudo para facilitar a visão do maquinista. Loewy amava a velocidade. Com enorme prazer, desenvolveu alguns de seus melhores projetos para a indústria automobilística. A moda tradicional de carros altos, de linhas retas e pára-brisa vertical, ele contrapôs pára-brisa inclinado, carroceria rebaixada, pára-choques e faróis incrustados nos pára-lamas de linhas alongadas. "Os automóveis devem ser considerados obras de arte, que tem ao mesmo tempo valor prático e estético. Sobretudo, devem proporcionar conforto e sensação de liberdade", pontificava. Seu carro ideal, no entanto, surgiria apenas durante a Segunda Guerra Mundial, quando Loewy tinha já uma centena de funcionários sob suas ordens em quatro escritórios nos Estados Unidos (o principal apropriadamente instalado em um arranha-céu da Quinta Avenida, em Nova York) e outro na Inglaterra.
Em 1942, às portas da falência, a indústria de automóveis Studebaker apostou todas as fichas que lhe restavam em um modelo para quando a guerra acabasse - e deu carta branca a Loewy para concebê-lo. Sem a menor idéia de qual seria o gosto do público americano no incerto futuro de paz, limitou-se a buscar o produto que considerava perfeito: um veículo que pesasse o mínimo, desse aos passageiros o máximo de visibilidade, parecesse estar em movimento mesmo quando parado e fosse, ainda, confortável e espaçoso, elegante e refinado no conjunto.
Surgiu assim o Studebaker Commander, um produto sob medida para uma América que saía da guerra mais orgulhosa, mais rica, mais consumista e mais ostentatória do que nunca. Durante quase duas décadas, o Studebaker influenciaria a concepção dos novos modelos fabricados em Detroit - embora Loewy torcesse o nariz ao festival de cromados que infestava as carrocerias. Muito antes de se tornar uma celebridade pública, com a indispensável chancela da revista Time, que lhe inflou o ego com uma reportagem de capa em 1949, Loewy permitia-se todos os luxos que o dinheiro pode comprar. Ainda nos anos 30 era dono de um apartamento em Manhattan, uma vila na Côte d´Azur, sul da França, e um castelo nos arredores de Paris, onde recebia a crème de la crème dos grã-finos europeus. Profissionalmente, concorrendo com designers de primeiríssimo time, como Henry Dreifus, Normal Bel Geddes e Walter Dorwin Teague, tinha sobre eles a vantagem da inigualável habilidade em pensar naquilo em que ninguém havia pensado antes e em transformar o pensamento em dinheiro. Idéia original foi a metamorfose da Coldspot, um dos primeiros modelos de geladeira doméstica, comercializada nos anos 30 pela Sears. Era um trambolho grandão a se equilibrar sobre pernas magras e muito altas. Painéis e molduras sem graça e uma maçaneta de má qualidade completavam o desajeitado conjunto. "Um armário para sapatos", fulminou Loewy. Como se não bastasse a feiúra, as prateleiras, confeccionadas com fios de aço e montadas à mão, acabavam enferrujando. Loewy estudou o problema e começou a resolvê-lo - pelo exterior, como sempre.
Mais uma vez, eliminou os pés inúteis, substituindo-os por uma gaveta, o que não só aumentou a capacidade da geladeira como ainda eliminou o inconveniente de limpar essa área de difícil acesso. A maçaneta foi trocada por outra, elegante como a dos carros de luxo. A porta foi redesenhada de modo a produzir um som que indicasse estar hermeticamente fechada. Em seguida, Loewy mandou fazer prateleiras das mesmas chapas de alumínio perfurado usadas na fabricação de automóveis, à prova de ferrugem.
Fazer dinheiro com uma idéia original consistiu em projetar no ano seguinte um novo modelo, alterando apenas algumas linhas do anterior, e em repetir a dose no ano seguinte. A essa tacada comercial ele chamou "melhoria constante", um conceito até então desconhecido da indústria. Com ele, produtores e vendedores podiam provocar no consumidor o desconforto de achar que o seu exemplar estava ficando obsoleto, incentivando-o assim a trocá-lo por outro, aparentemente melhor. A Coldspot, a propósito, saltou de 60 000 para 275 000 unidades vendidas por ano. Está aí provavelmente a certidão de nascimento da chamada sociedade de consumo. "Não há linha mais bela do que a da progressão nos gráficos de vendas", escreveu o desenhista.
Muita gente boa do ramo não rezava por esse cartilha. Dizia-se que Loewy traçava seus projetos com um olho na prancheta e outro na caixa registradora - o que sem dúvida era verdade. As críticas mais contundentes procediam da velha Europa. Com suas origens na revolucionária escola alemã Bauhaus de um lado, e na Revolução Soviética, de outro, o desenho industrial europeu cresceu alimentando-se de ideologias de forte conteúdo social. Para seus praticantes, Loewy representava uma detestável manifestação do design capitalista americano. Não se pode dizer que ele tivesse ficado com insônia por isso. Em todos os seus projetos, obedecia ao credo de que o feio vende mal e que belo e funcional são faces da mesma moeda. Daí por que nenhum de seus trabalhos contém traços desnecessários ou componentes supérfluos. "O talento de um criador se traduz na sua capacidade de alcançar a simplicidade", ensinava. "Mas o verdadeiro estilo tem personalidade definida e os objetos que o possuem parecem ter vida própria." Tinha faro invejável também para os humores do público. Durante a guerra, quando havia escassez de metais, lançou um batom numa embalagem caleidoscópica de cartolina - "modesta contribuição para levantar o moral da mulher americana". Nos maços de cigarros Lucky Strike, trocou o fundo verde que imitava a camuflagem de combate, soltava tinta e parecia velho, pelo branco, luminoso e asséptico, sobre o qual aplicou a marca, em preto, dentro de um círculo sanguíneo.
Uma de suas preocupações principais no trabalho era justamente a escolha das cores. Loewy sabia que cada uma exerce um efeito próprio sobre as pessoas e as utilizava em função disso. Quando a Air France o procurou para ver como ele podia diminuir a sensação de aperto causada pela estreiteza da fuselagem do supersônico Concorde, mandou pintar uma larga faixa preta no interior do aparelho, criando com isso um efeito psicológico de evasão. Ele sabia muito sobre muitas coisas mais. Quando a NASA pediu sua contribuição para o desenho do laboratório espacial Skylab, no começo dos anos 70, decretou que cada tripulante precisaria ter uma área própria onde pudesse se isolar oito horas por dia e que a tripulação deveria fazer as refeições em conjunto. Recomendou ainda que uma grande escotilha fosse colocada nas paredes da cápsula, para que os astronautas pudessem ver a Terra. De volta do espaço, eles disseram que, sem as sugestões de Loewy, não teriam suportado a viagem.
Seu prestígio era grande no Japão, terra de um design todo particular, onde foi consultor de indústrias em reconstrução no pós-guerra. Milionário, boa vida, arauto do capitalismo, era recebido de braços abertos na União Soviética para projetar desde câmeras fotográficas a tratores. Os únicos objetos em que jamais quis pôr o signo de sua inventividade foram as armas. "O objetivo do desenho industrial é melhorar a vida das pessoas, não destruí-la", explicava. Encarnação do sonho americano, morreu aos 93 anos em Mônaco, onde mantinha uma de suas muitas propriedades suntuosas. Conservara o mesmo bigode e o mesmo peso de quando jovem, este à custa de um implacável regime. Só lamentava não ter inventado aquela que julgava a forma mais perfeita do mundo - a do ovo.

A busca do design brasileiro

Quando chegava ao Palácio Buckingham e se as conveniências reais permitiam, Lord Snowdon, o fotógrafo Tony Armstrong-Jones, então marido da princesa Margaret, não deixava de praticar um de seus rituais prediletos: sentar-se na poltrona Sherriff, como era conhecido na Inglaterra o móvel aconchegante, em couro e jacarandá, criado em 1957 pelo arquiteto carioca Sérgio Rodrigues, pioneiro na iniciativa de fazer, nas formas e nos materiais, um mobiliário genuinamente brasileiro. A "poltrona mole" de Rodrigues valeu-lhe um importante prêmio internacional e transformou-se na glória do design nacional. Na verdade, o movimento inicial nessa direção data do fim dos anos 20, quando o arquiteto russo Gregori Warchavchik concebeu os móveis da Casa Modernista, em São Paulo, também projetada por ele, a primeira realização do gênero no país.
Logo depois da Segunda Guerra Mundial, estimulado pelo italiano Pietro Maria Bardi, fundador do Museu de Arte de São Paulo, um grupo de europeus, entre eles Carlo e Ernesto Hauner, Lina Bo Bardi e Giancarlo Palanti, também se preocupou em criar um design brasileiro.
Mas só em 1958, também em São Paulo, foi montado o primeiro escritório de design, o Forminforn. Até então, quase todos os trabalhos estavam limitados ao mobiliário e, embora produzidos por fábricas, não se ajustavam aos critérios da produção industrial em série, em larga escala. e com preocupações como funcionalidade e custo.
"Em qualquer lugar, a profissionalização só começa quando tem início o ensino", diz um dos fundadores da Forminforn, o alemão Karl Heinz Bergmiller, por sinal uma das figuras centrais da pioneira Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI), do Rio de Janeiro. No entanto, apenas a partir de 1973, quando o governo passou a favorecer as exportações de manufaturados e os produtos brasileiros tiveram de concorrer no mercado internacional, o design passou a ser visto pela indústria como fator importante nos negócios. Esse interesse gerou a procura de designers. Resultado: as 26 escolas de Desenho Industrial fundadas no país já formaram cerca de 5 000 profissionais.
"Ainda assim, o design brasileiro nasceu e permanece ligado ao mobiliário", ressalva o diretor da ESDI, Pedro Luís Pereira de Souza.
De todo modo, algumas indústrias de eletrodomésticos, de metais de banheiros, de luminárias e de talheres também vêm fazendo incursões pelo design industrial - e com resultados animadores. O único produto brasileiro incluído no acervo permanente do Museu de Arte Moderna (MOMA), de Nova York, é um conjunto de talheres para camping, fabricado pela Zivi-Hércules. A grande sacada está no cabo da faca, onde duas abas laterais formam um vão para encaixar os cabos do garfo e da colher. Se o design de produtos made in Brasil ainda está decolando, o design gráfico já voa alto. Logotipos, cartazes, embalagens e outros símbolos visuais têm conseguido estabelecer atraente relação entre a imagem e a identidade de empresas e mercadorias. Isso vale tanto para bancos, por exemplo, quanto para produtos vendidos em supermercados. Nesse campo, o design gráfico brasileiro já alcançou a maioridade.

Na fronteira da obra de arte

Se nos Estados Unidos o desenho industrial surgiu associado a uma industrialização rápida e desenfreada, na Europa resultou de postulados sociais e culturais ligados aos movimentos artísticos do começo do século. Isso não impediu que surgissem designers europeus voltados para as máquinas. É o caso, entre muitos outros, do suíço Paul Jaray, que concebeu o Zepellin  ainda nos idos de 1914, de Ferdinand Porsche, criador do Volkswagen e do carro que leva o seu nome, e do italiano Battista Pininfarina, que fundou em 1930 aquele que viria a ser o mais importante centro de desenho de carrocerias do mundo.
Dos atuais designers europeus, o francês Philippe Starck é o mais influenciado por Raymond Loewy. Como este, defende um desenho simples e despojado. O interior de uma casa projetada por ele parece nu. Ilusão de ótica: o telefone, as mesas, as gavetas, os armários estão todos escondidos numa superfície aparentemente lisa.
"Sou partidário do rigor, da economia de gessos e de materiais", define-se. Responsável pela impecável programação arquitetônica das salas de conferências da Cidade da Ciência La Villette, na periferia de Paris, Starck, ao contrário de Loewy, detesta automóveis. Seu prazer está em criar objetos na fronteira entre o funcional e a obra de arte, "cada vez mais úteis e cada vez menores".

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Emprego que não acaba mais - Futuro

EMPREGO QUE NÃO ACABA MAIS - Futuro



Em meados dos anos 90, o economista americano Jeremy Rifkin causou polêmica com seu livro O Fim do Emprego (Makron Books), no qual previa que a era do emprego estava com os dias contados. Segundo Rifkin, o aumento da produtividade resultante da adoção de novas tecnologias - como a informática, a robótica e as telecomunicações - iria provocar efeitos devastadores no nível de emprego mundial. Milhões de pessoas perderiam seu ganha-pão no campo, na indústria e no setor de serviços. Somente uma pequena elite de trabalhadores especializados conseguiria prosperar numa economia global dominada pela tecnologia.

Rifkin estava certo? As estatísticas sobre o mercado de trabalho mundial parecem lhe dar razão. As taxas de desemprego, aqui no Brasil e lá fora, não param de bater recordes. De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), há pelo menos 550 milhões de pessoas no planeta - 20% do total de trabalhadores - que sobrevivem com remuneração inferior a 1 dólar por dia. Além de ganhar mal, muitos enfrentam longas jornadas e péssimas condições de trabalho. E mais: das 186 milhões de pessoas consideradas oficialmente desempregadas no mundo no final de 2003, quase a metade (47%) tinha entre 15 e 24 anos, desenhando um futuro especialmente nebuloso para os mais jovens.

Mas nem todos concordam com os prognósticos pessimistas de Rifkin. "Embora a tecnologia possa tanto criar trabalhos como extingui-los, o efeito líquido é geralmente o aumento do emprego", diz um relatório do Future of Work, um programa do governo neozelandês que discute as grandes tendências no mercado de trabalho. "Ao aumentar a produtividade, a tecnologia aumenta a renda e, portanto, a demanda na economia como um todo", afirma o estudo. Que, no entanto, reconhece que o problema não é tão simples: "Motivo de maior preocupação é que trabalhadores que perderam seus empregos devido a mudanças na tecnologia podem não ter as habilidades ou os meios para adquirir as habilidades que serão exigidas no mercado de trabalho do futuro".

Se a tecnologia pode decretar o fim do emprego para alguns, ela pode, paradoxalmente, representar um aumento do trabalho para muitos. Nos últimos anos, o advento de inovações como a internet e o telefone celular acabou com as limitações de tempo e espaço. Qualquer pessoa pode hoje ser encontrada a qualquer momento, em qualquer lugar, ampliando seu ambiente virtual de trabalho. "Se não houver uma mudança no perfil cultural da sociedade como um todo, as tecnologias só trarão mais e mais trabalho para a vida das pessoas", diz o consultor Simon Franco.



FLEXIBILIZAÇÃO

Franco é um dos que não acreditam na extinção pura e simples do emprego, mas está convencido de que mudanças importantes deverão ocorrer nos próximos anos. Segundo ele, há no mundo uma tendência de flexibilização das leis trabalhistas, o que vai permitir a geração de novas vagas no mercado de trabalho formal. "Na França só é permitido dispensar um colaborador após seis meses da sua contratação. No Brasil, as leis trabalhistas foram criadas por Getúlio Vargas, um ditador populista que precisava do apoio das massas para se manter no poder. Normas criadas para superproteger o cidadão trabalhador tornam a geração de novos postos insustentável", diz Franco.

Outra tendência apontada pelo consultor - e que deverá propiciar novas oportunidades de trabalho - é o aumento da mobilidade internacional de mão-de-obra graças ao relaxamento das leis de migração em alguns países. Nos Estados Unidos, por exemplo, o número de vistos concedidos a profissionais de outras nações dobrou na última década. Outros países desenvolvidos deverão enfrentar uma escassez na oferta de mão-de-obra, em conseqüência da contínua queda nas taxas de natalidade. Nos 30 países ricos que formam a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a previsão é que, nos próximos 25 anos, cerca de 70 milhões de pessoas deverão se aposentar, enquanto apenas 5 milhões de jovens ingressarão no mercado de trabalho - gerando um déficit de 65 milhões de trabalhadores somente nesse bloco de países. "O que se observa é o esforço de governos para tornar possível a entrada de profissionais estrangeiros competentes", diz Franco. O profissional do futuro, segundo ele, não terá fronteiras: vai encontrar trabalho aqui, na Europa ou no Japão com o mesmo esforço.



SALÁRIOS VARIÁVEIS

Uma mudança significativa deverá ocorrer também na forma de remuneração dos trabalhadores. Cada vez mais, eles serão pagos de acordo com seu desempenho, indica uma pesquisa realizada pela consultoria Hewitt Associates em 36 países. "Vinte e nove por cento das 55 empresas de grande porte entrevistadas disseram que estão substituindo a política de aumentos do salário-base por programas de remuneração variável, como ganhos com participação sobre os lucros e bônus para funcionários de alto desempenho", diz Patrícia Hanai, consultora de remuneração da Hewitt.

Em função dessa mudança no sistema de remuneração, os funcionários deverão participar mais ativamente dos planos estratégicos das corporações no futuro, acredita o consultor Simon Franco. "A administração participativa, ou seja, aquela em que todos os funcionários se reúnem para tomar decisões no ambiente de trabalho, ganhará força", prevê Franco. "Isso porque a globalização vai aumentar a competitividade entre as empresas e seus colaboradores terão de encarar esse desafio como se fosse deles, o que de fato é, já que seus empregos irão depender do sucesso das corporações em que trabalham."



DUAS CARREIRAS

Em muitos países, o declínio das taxas de natalidade deve fazer com que os mais velhos adiem sua aposentadoria. "Vantagens especiais serão oferecidas aos profissionais acima de 45 anos para que permaneçam em seus cargos", prevê o programa Future of Work.
Esse fenômeno, aliado ao aumento da expectativa de vida, deve fazer com que muitas pessoas repensem suas carreiras profissionais. Gilberto Guimarães, diretor da consultoria francesa BPI no Brasil, aponta a tendência de se planejar duas carreiras: uma antes da aposentadoria, outra depois dela. Isso porque, após 30 ou 35 anos de trabalho, ainda restam ao menos 25 de vida pela frente. Se não pela necessidade financeira, essa segunda carreira poderá cumprir o papel de manter ocupadas pessoas ainda saudáveis. "A busca de um novo meio de trabalho após a aposentadoria já é uma realidade e vai ganhar impulso no futuro", afirma Guimarães.


Tendências




- LEGISLAÇÃO

Para poder gerar mais empregos, os governos terão de flexibilizar as leis trabalhistas. Alguns países vão mudar as leis de migração para atrair profissionais estrangeiros qualificados.



- REMUNERAÇÃO

Os salários tendem a tornar-se variáveis, baseados na produtividade. E os funcionários terão maior participação nas decisões das empresas.



- APOSENTADORIA
Muitas pessoas vão estender sua permanência no mercado de trabalho. E terão duas carreiras: uma antes da aposentadoria, outra depois dela.


Profissões do futuro




O físico britânico Stephen Hawking afirma que a única atividade que as máquinas não podem executar é o pensamento, a criação - para todo o resto, existem os computadores. Não à toa, o consultor Simon Franco diz que a capacidade de pensar é o aspecto mais procurado em um profissional e tende a ser cada vez mais valorizada. "Os indivíduos mais requisitados pelas empresas são aqueles capazes de se comunicar em várias línguas e questionar as informações que recebem", diz.

No livro As Profissões do Futuro (Publifolha, 2001), o economista e sociólogo Gilson Schwartz diz que, após a explosão de crescimento da internet, permaneceram as profissões criadas para atuar em redes de conhecimento. Coordenadores de projetos na rede mundial de computadores, gerentes de terceirização, administradores de comunidades virtuais são algumas oportunidades que estão em alta em diversas partes do mundo.

A biotecnologia é outra área promissora. Deverá demandar profissionais qualificados em atividades como agricultura e pecuária, engenharia de alimentos, saúde e meio ambiente. Parasitologia, bioquímica e genética são algumas especializações que vão despertar o interesse de grandes indústrias e institutos de pesquisa, graças, em especial, ao avanço do uso de células-tronco no tratamento de doenças.
A crescente preocupação com a qualidade de vida deve abrir um leque de oportunidades para profissionais com formação na área de humanas. "Com o aumento da longevidade do homem, haverá oportunidades crescentes para arquitetos, engenheiros e profissionais de turismo, entre outros, capazes de criar produtos e serviços para atender esse público dos mais idosos", diz Simon Franco.


terça-feira, 26 de julho de 2011

As grandes invenções - Dois mil anos

AS GRANDES INVENÇÕES



"Uma velha piada diz mais ou menos o seguinte: um cara está fazendo uma pesquisa nacional sobre a mais extraordinária invenção de todos os tempos. Durante suas viagens, vê-se no extremo sul dos Estados Unidos e encontra um cavalheiro distinto, balançando-se na cadeira na varanda da frente de sua casa. O pesquisador aproxima-se dele e pergunta:

- Senhor, se não se importa, eu gostaria de fazer-lhe uma pergunta para a pesquisa que estou realizando. Estou interessado em descobrir o que as pessoas consideram a maior invenção de todos os tempos. O senhor tem alguma opinião a respeito?

O velho cavalheiro coça a cabeça e então responde:

- Bem, eu diria a garrafa térmica.

Isso deixa o pesquisador perplexo.

- Senhor, das milhões de respostas que recolhi, ninguém falou da garrafa térmica. Pode ter a bondade de dizer por que ela é sua escolha?

- É fácil - diz o velho. - Veja, a garrafa térmica mantém o que é frio, frio. E o que é quente, quente. Mas como é que ela sabe?"

Contada pelo neurocientista cognitivo Marc Hauser, professor de Harvard, essa piada pode parecer não estar à altura de uma lista séria com as maiores invenções de todos os tempos. Mas tudo bem: a lista não é lá muito séria mesmo. Afinal, imagine uma centena de cientistas, pesquisadores, artistas e intelectuais tentando impressionar uns aos outros ao responder à pergunta: "Qual é a maior invenção dos últimos 2 mil anos?". Foi exatamente o que aconteceu e é também o que faz ser tão interessante a lista coordenada pelo editor e ensaísta americano John Brockman em seu site Edge (www.edge.org).

A pesquisa, que deu origem ao livro As Maiores Invenções dos Últimos 2 Mil Anos, publicado no Brasil, traz a colaboração de gente como o grande especialista em inteligência artificial Rodney Brooks (que escolheu como a maior invenção o motor elétrico), o editor da revista Nature John Maddox (o cálculo) ou o maior evolucionista da atualidade, o inglês Richard Dawkins (o espectroscópio, aparelho que analisa a luz das estrelas e mostra do que são feitas).

Não se trata de uma ação isolada. A exemplo do que já acontece há alguns anos na indústria de música, cinema e entretenimento, listas parecem ser a nova coqueluche da ciência. Também acaba de sair por aqui o volume Idéias que Mudaram o Mundo, em que o historiador Felipe Fernández-Armesto lista 178 idéias que, adivinhe, mudaram o mundo.

As maiores invenções
No caso da maior invenção dos últimos 2 mil anos, Brockman aproveitou a chegada do novo milênio e lançou a pergunta numa lista de discussão, de modo que cada um dos convidados podia ler o que os outros escreveram. Assim, quando o primeiro deles, o biólogo Brian Goodwin, tascou a imprensa como a maior invenção, poucos se dignaram a segui-lo - apesar de, mesmo assim, a imprensa ter sido a campeã em citações, com seis votos (leia o comentário de Goodwin no quadro da página ao lado).

Logo começaram a pipocar algumas idéias diferentes, como o estribo, a música clássica ou a borracha de apagar. Um dos convidados, o jornalista Stephen Budianski, matou a charada: "Há uma distorção inerente em tudo isso, porque todos se esforçam por ser originais e surpreendentes, e assim evitam as respostas óbvias, mas provavelmente mais corretas, como o aço, o tipo móvel de Gutenberg ou o antibiótico, para citar apenas três das mais óbvias invenções que transformaram extremamente não apenas o modo como as pessoas vivem, mas como sentem a vida".

É aí que a lista dos cientistas de Brockman fica realmente boa: as justificativas de algumas das maiores mentes do mundo para que invenções aparentemente estapafúrdias possam ser consideradas grandes descobertas.

"Minha preferidas são as de Freeman Dyson e Nicholas Humphrey", afirmou Brockman à Super. "Por quê? Chame-as de atletismo intelectual. Ambas vão além do mesmo de sempre e dão saltos imaginativos em novos territórios, produzindo idéias deliciosas e inesperadas", diz Brockman.

O físico Dyson escolheu o feno, enquanto o psicólogo Humphrey preferiu os óculos (confira na página 66 a justificativa desses dois e de outros oito intelectuais e cientistas que escolheram invenções curiosas).

Apesar da boa vontade do coordenador da lista, alguns convidados talvez tenham dado saltos imaginativos demais, como o pesquisador de asteróides, cometas e meteoros Duncan Steel. Para ele, a maior invenção é o calendário protestante inglês de 33 anos que nunca foi implementado. É que, afirma Steel, os ingleses não teriam colonizado a América do Norte no momento em que o fizeram se não fosse a necessidade provocada por esse calendário de estudarem a longitude além-mar. "E os Estados Unidos como são hoje não existiriam, e todos os acontecimentos científicos, tecnológicos e culturais do mundo nos últimos dois séculos seriam bastante diferentes", finaliza, retumbante.

Além de tentarem ser cada um mais original que os outros, os cientistas mostraram outra faceta: não gostam de seguir ordens. O documentarista Karl Sabbagh, por exemplo, quebra as poucas regras da lista na maior cara-de-pau: "Como cheguei tarde, meu amigo Nicholas Humphrey faturou minha primeira idéia e, por isso, vou quebrar as regras escolhendo uma coisa inventada há mais de 2 mil anos. Na verdade também quebrarei as regras escolhendo duas invenções". E lá vão a cadeira e a escada para o topo.

John Brockman não se importou com a rebeldia. "O charme deles é que nunca fazem o que eu peço. Quando se lida com gente assim, você cria parâmetros para garantir alguma disciplina, mas limitar algumas das maiores mentes de hoje não é algo que eu esteja tentando fazer."

As maiores idéias
Brockman ficou tão satisfeito com o resultado de sua questão que não parou mais. A última pergunta que fez, que pode ser acompanhada em inglês no www.edge.org/q2005/q05_print.html, é a resposta de 120 colaboradores a "O que você acredita que seja verdade mesmo que não possa provar?". Nesse caso, as respostas têm ficado bem mais próximas do mundo das idéias - e bem mais complexas também, versando sobre temas como a infinitude do Universo, a consciência humana ou linguagens secretas do cérebro.

Já o historiador inglês (filho de espanhol) Felipe Fernández-Armesto listou o que considera as 178 idéias mais importantes da humanidade no belo livro Idéias que Mudaram o Mundo. Segundo Fernández-Armesto, uma grande parte desses conceitos nasceu muito antes do que estamos acostumados a imaginar.

"De acordo com a tradição histórica, as idéias começam em geral com os gregos ou, na melhor das hipóteses, no Antigo Egito e Mesopotâmia. Na verdade, as idéias são pelo menos tão antigas quanto a humanidade. Algumas se originaram com nossos ancestrais hominídeos, algumas das melhores são da Idade da Pedra. O leitor terá lido mais ou menos um terço do meu livro antes de deparar com os gregos", diz Fernández-Armesto, professor de história na Universidade de Londres.

Seu livro traz uma idéia a cada duas páginas e, além de centenas de fotos e ilustrações, dá dicas de leitura (quase sempre em inglês) sobre cada um dos temas. Outra facilidade são as conexões que o autor faz. Ao lermos, por exemplo, sobre a agricultura, há remissão para os conceitos de remodelação da natureza e de seleção natural.
Para a Super, Fernández-Armesto ranqueou as três melhores idéias de todos os tempos. "Se por melhores entendermos as mais influentes - aquelas que significaram mais para mais pessoas por mais tempo -, elas devem estar entre as mais antigas. Quanto mais tempo elas estiverem por aqui, mais mudaram o mundo. Uma é a idéia de símbolos, de que uma coisa pode ser representada por outra. Ela está na origem da complexidade da linguagem humana, da arte e da escrita. A idéia da ilusão, de que há mais no mundo do que é visível, está na origem da ciência e também na da religião. E a idéia de Deus, que tem sido talvez a mais poderosa força para o bem e para o mal em todo o mundo.


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sexta-feira, 2 de abril de 2010

Agricultor de GO cria máquinas a partir de sucata

24/04/09 - 08h10 - Atualizado em 24/04/09 - 08h10

Agricultor de GO cria máquinas a partir de sucata
Inventos funcionam movidos por roda d'água.
Produtor desenvolve atualmente carro movido a ar comprimido.

Um agricultor do sul de Goiás aproveita sucata para criar máquinas que ajudam no trabalho do campo. As ideias começaram a partir de uma roda d’água. Há oito anos, Luís Pereira Ribeiro descobriu que a roda poderia originar uma série de máquinas que poderiam mudar sua rotina.

As invenções começaram quando Ribeiro precisou aumentar a renda da família, para manter a faculdade da filha. A partir da estrutura da roda d’água, montada com sucatas, o produtor desenvolveu um forno giratório para torrar farinha de mandioca.

A criatividade, entretanto, não parou por aí. O agricultor também desenvolveu um sistema composto por uma bicicleta velha, engrenagens e pedaços de antena de televisão para regar suas plantações. A força para mover as engrenagens vem da roda d’água. “Todos os equipamentos de loja são caros e isto não cabia no meu orçamento”, diz Ribeiro.

Há três anos, o produtor desenvolve um novo equipamento – um carro movido a ar comprimido, que, segundo ele, além de ser ecologicamente correto, não terá custos e poderá ajuda nos trabalhos do campo.

O carro, chamado de Próton, ainda está em fase de teste. Garrafas plásticas servem como tanque para o ar comprimido. O combustível também é obtido a partir da força da roda d’água, a qual movimenta o compressor que preenche as garrafas com ar.

O sonho de ver o carro funcionando ainda não tem data para se realizar, mas o agricultor já sabe qual será o destino de suas invenções. “A partir deste carro, quero desenvolver máquinas que utilizem energia natural para substituir o trabalho sofrido do homem do campo”, diz.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Mulher é acusada de faturar US$ 8,5 milhões com prostituição on-line

12/05/09 - 14h44 - Atualizado em 12/05/09 - 14h44

Mulher é acusada de faturar US$ 8,5 milhões com prostituição on-line
Michelle Braun divulgava modelos e atrizes em páginas na internet.
Ela pagou US$ 20 mil para ficar livre até próxima audiência.

A Justiça da Califórnia acusou uma mulher de faturar mais de US$ 8,5 milhões (cerca de R$ 17,5 milhões) com prostituição on-line, contratando para isso estrelas do universo pornográfico e modelos. Michelle Braun participou nesta segunda-feira (11) de uma audiência no tribunal federal de Orange County, nos Estados Unidos, e ficará livre pelo menos até a próxima audiência, em 29 de junho.

Michelle, que vive em Boca Raton (Flórida), cobrava US$ 50 mil ou até mais para seus
clientes passarem a noite com as mulheres que ela anunciava na internet. A empresária também é acusada de lavagem de dinheiro e de transportar indivíduos de Orange County para Nova York, com o propósito de prostituição. Ela negou ser culpada, mas os advogados acreditam que isso mudará até a próxima audiência.

A mulher pagou US$ 20 mil para aguardar em liberdade. De acordo com o “Orange County
Register”, é possível que a mulher seja condenada a cinco anos de prisão e a pagar uma multa de US$ 30 mil. Michelle e seu advogado se negaram a comentar o caso – quando questionada sobre o que faz, ela disse ser responsável por um “fundo de investimento”.

Em seu site, Michelle divulgavam “privacidade garantida, exclusividade e qualidade”. Ela tinha uma lista com 71 mulheres exibidas on-line, sendo que 50 apareciam como moradoras de Loa Angeles e duas em Orange County. Cada mulher tinha um perfil com fotos, biografia detalhada e suas fantasias sexuais.

Durante a investigação, um agente do FBI se inscreveu no site em março de 2006. Ele pagou US$ 2,5 mil para ter acesso a fotos de 138 mulheres, e o caso culminou na detenção de Michelle.