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segunda-feira, 25 de agosto de 2025

Metais Poluentes - Antártida sofre impacto do turismo e da ciência; poluição afeta derretimento da neve

Metais Poluentes - Antártida sofre impacto do turismo e da ciência; poluição afeta derretimento da neve

Nas últimas duas décadas, o número de turistas aumentou de cerca de 20 mil para cerca de 120 mil, de acordo com a Associação Internacional de Operadores Turísticos da Antártida.

quinta-feira, 5 de setembro de 2024

PROJETO IMAGINE - Palco do Rock in Rio, Parque Olímpico se tornará o maior complexo de entretenimento da América Latina

PROJETO IMAGINE - Palco do Rock in Rio, Parque Olímpico se tornará o maior complexo de entretenimento da América Latina


Estão previstos centro de lazer, esportes e entretenimento, além de áreas dedicadas à indústria criativa e a serviços; impacto econômico é estimado em R$ 9,2 bilhões no primeiro ano.

quarta-feira, 21 de junho de 2023

O que pode ter acontecido com o submarino que sumiu durante expedição ao Titanic

O que pode ter acontecido com o submarino que sumiu durante expedição ao Titanic

Especialista explicou os problemas que o Titan pode ter enfrentando enquanto levava cinco pessoas até os destroços do navio.

quinta-feira, 26 de agosto de 2021

Encontrada enigmática mensagem deixada pelo último rei da Babilônia

Encontrada enigmática mensagem deixada pelo último rei da Babilônia

Artefato de 2550 anos traz o mais longo texto em escrita cuneiforme já descoberto na Arábia Saudita.

quinta-feira, 19 de agosto de 2021

As assombrosas esculturas incas esculpidas nos Andes

As assombrosas esculturas incas esculpidas nos Andes

Antigos deuses, espíritos e mitos andinos foram talhados em uma montanha de Cusco.

sábado, 8 de agosto de 2020

RIO DE JANEIRO - 32 atrações com o melhor da Cidade Maravilhosa

RIO DE JANEIRO - 32 atrações com o melhor da Cidade Maravilhosa


Muitos turistas chegam ao Rio de Janeiro sem ter planos no roteiro que incluam algo além do Cristo e das praias mais famosas. 

segunda-feira, 9 de julho de 2018

OS OCEANOS SE ENCONTRAM EM LISBOA - TURISMO CIENTÍFICO


OS OCEANOS SE ENCONTRAM EM LISBOA - TURISMO CIENTÍFICO



Se peixe falasse, o Oceanário de Lisboa seria uma Torre de Babel, com habitantes de todos os mares do planeta. Reunidos no maior aquário da Europa, eles são a atração da Expo 98, a grande feira mundial montada para debater o futuro dos oceanos.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Tesla Roadster é o 1º carro a viajar pelo espaço em foguete da SpaceX


Tesla Roadster é o 1º carro a viajar pelo espaço em foguete da SpaceX


Musk publicou imagem do Roadster com um
 boneco na direção (Foto: Elon Musk/Instagram via AP)


Lançamento de foguete da SpaceX, empresa de Elon Musk, foi feito com sucesso na terça (06/02/2018)

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Crer ou não crer - Santo Sudário


Crer ou não crer - Santo Sudário


Os pesquisadores querem retomar os estudos sobre a mortalha que teria recoberto o corpo de Jesus Cristo. Há dez anos, exames acusaram o lençol de ter sido criado na era medieval, por volta de 1300. Se isso for confirmado, estaremos diante da fraude mais enigmática e mais bem elaborada da História.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Encontrada pirâmide oculta dentro de templo maia em Chichen Itza


Encontrada pirâmide oculta dentro de templo maia em Chichen Itza


Uma terceira estrutura escondida dentro da famosa Pirâmide de Kukulkán foi descoberta por pesquisadores no México.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

É dezembro. Feliz Páscoa - Turismo Científico


É DEZEMBRO. FELIZ PÁSCOA - Turismo Científico


Aproveite as férias de verão. É a melhor época para visitar as milenares estátuas da ilha de Páscoa, terra dos Rapa Nui, um museu arqueológico ao ar livre.

sábado, 30 de novembro de 2013

Arranha Céus Voadores - Tecnologia


ARRANHA-CÉUS VOADORES - Tecnologia


No ano 2000, enormes aviões de dois andares transportarão tantos passageiros que poderão congestionar os aeroportos.

sábado, 13 de julho de 2013

Hotel-navio no alto de penhasco chama a atenção na Coreia do Sul


Hotel-navio no alto de penhasco chama a atenção na Coreia do Sul

O Sun Cruise Resort & Yacht é um hotel que fica dentro de um navio (Foto: Creative Commons/Parhessiastes)

Ele parece uma embarcação de cruzeiro comum, mas fica em terra firme.
Opções de entretenimento incluem karaokê e piscina de água do mar.

Com 165 metros de comprimento, 211 cabines e dois restaurantes, o “Sun Cruise” parece um navio de cruzeiro comum, desses que oferecem várias opções de entretenimento. Karaokê, sala de ginástica, discoteca, campo de golfe e uma grande piscina cheia de água do mar estão entre os atrativos para não entediar os hóspedes.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Turistas no Espaço


TURISTAS NO ESPAÇO



A 320 quilômetros de altitude, o astronauta James Adamson fotografa a Terra através da janela do ônibus espacial Atlantis. Munidos de equipamentos profissionais, os astronautas têm como tarefa da missão captar imagens do planeta, que depois são distribuídas a cientistas de todo o mundo. Com elas, os cartógrafos podem ver detalhes de regiões já mapeadas, mas nunca esquadrilhadas. Embora amadores, os astronautas têm competência de profissional para fotografar pontos predeterminados, em condições de luz que mudam rapidamente, a bordo de uma nave que viaja 28.000 quilômetros por hora

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Pantanal, Terra das Águas - Natureza


PANTANAL, TERRA DAS ÁGUAS - Natureza



Uma das maiores planícies do mundo não é um pântano, mas um ecossistema único: pelo tamanho, pela diversidade de suas formas de vida e pelo lugar onde fica. Sua beleza é fruto disso tudo.

Começa no mês que vem a temporada das chuvas no Pantanal Mato-grossense. Como acontece infalivelmente todos os anos, desde há pelo menos 30 milênios, um mar de água deverá se elevar lentamente, invadindo toda a planície do centro da América do Sul. As dimensões dessa inundação serão colossais. Aos poucos, 2/3 dos 150 000 quilômetros quadrados do território ficarão encharcados-uma área igual à do Estado de Santa Catarina ficará embaixo da água. Caso isso acontecesse no sul do país, seria uma tragédia de proporções inimagináveis. Mas, no Pantanal, encravado entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, a chegada das águas significa renovação. Sem as enchentes, a região seria um deserto. Por causa delas, ali se encontra uma das mais deslumbrantes paisagens das Américas-aproveitá-la como cenário de telenovela é o menor tributo que o homem pode lhe prestar.
Até os anos 50, aproximadamente, os cientistas chegaram a desconfiar que, no passado remoto, um mar interior cobria a região, como um enorme lago de água salgada. Quando foi avistado pela primeira vez por uma expedição branca, no século XVI, a área estava inundada e recebeu o nome de Lago dos Xaraiés. Foi uma homenagem à tribo desse nome, da família dos guaranis, com quem os exploradores fizeram contato. O lago, depois se descobriu, não existia realmente. Mesmo durante a época das cheias, muitos terrenos, que os moradores do Pantanal chamam cordilheiras, escapam de ficar embaixo da água e, por isso mesmo, ali se refugiam bois e animais selvagens. Ademais, todo ano, durante os seis meses que dura a estiagem, quase toda a planície fica descoberta. E, com a falta de chuvas, o gado chega a passar sede.
Se não foi um mar nem um lago, o Pantanal tampouco é um pântano. Pelo menos, é o que dizem os pesquisadores, que implicam com o nome com que a região foi batizada, em época incerta, pelos habitantes do lugar. Aparentemente, eles se referiam às primeiras áreas inundadas pelos rios como pantanais-e o termo pegou. "Jamais se descobriram ali os charcos estagnados ou os lodaçais traiçoeiros típicos dos pântanos", objeta o geógrafo Aziz Ab´Saber, da Universidade de São Paulo, um dos maiores especialistas em Geomorfologia brasileira, o estudo do relevo terrestre. Ab´Saber prefere chamar o Pantanal de planície inundável - "única pelo seu tamanho porque está no interior do continente e pela diversidade de domínios da natureza", enumera.
A imagem de pântanos movediços não se aplica a nenhum pedaço do Pantanal Mato-grossense. Mesmo os filmes de terror classe B, onde costumavam aparecer, exageram as suas características. Trata-se, na verdade, de pequenos afloramentos de água estagnada, resultantes do movimento do subsolo, e de difícil escoamento. Em alguns lugares, as plantas ali acumuladas transformam-se em turfeiras, depósitos de carvão vegetal que deixam o solo mole e pegajoso, como em certas regiões da Inglaterra e também no Brasil, mais precisamente no Vale do Paraíba e em Ribeira de Iguape, São Paulo. As  planícies inundáveis  são muito mais comuns. Estão presentes do Amazonas ao Rio Grande do Sul e suas áreas mais facilmente alagadas são chamadas brejos, várzeas, banhados ou vargens, conforme a região. Também são comuns pelo mundo afora.
O magnífico cenário do Pantanal, hoje se sabe, enfeita um fundo de concha situado entre as terras altas bolivianas a oeste e as serras brasileiras a leste. Há cerca de 60 milhões de anos, quando se elevaram tanto a Cordilheira dos Andes como o Planalto Brasileiro, a região do Pantanal, ao contrário, esvaziou- se. Uma malha impressionante de rios, formada pelo Paraguai e seus afluentes, despencou nesse imenso anfiteatro, vinda do norte e do leste, escavando os planaltos vizinhos e acumulando os sedimentos na planície. A região foi sendo lentamente aterrada. O Rio Paraguai, muito raso para suportar a imensa descarga que recebe de seus afluentes, ainda encontrou obstáculos ao sul, ao atravessar a Serra do Bodoquena. Ao percorrer esse assoalho liso, cuja declividade não passa de 33 milímetros por quilômetro, não tem alternativa senão transbordar.
Assim, é fácil entender por que a enchente demora para baixar-avançando cerca de 10 quilômetros por dia, leva seis meses para atravessar o Pantanal. Enquanto ainda está ganhando terreno no sul, já começa a diminuir de volume no norte. Areia, vegetação decomposta, aguapés, tudo se movimenta com a cheia. Quando ocorre a vazante e a água escorre para outras paragens, fica no lugar uma sopa de detritos na qual nascem capim, ervas, arbustos e uma infinidade de flores-um conjunto exuberante de vegetação que jamais brotaria naquele solo pobre sem a contribuição das águas. Até porque no Pantanal não chove muito. Na tórrida cidade de Corumbá, no sul da planície, por exemplo, chove menos do que em São Paulo. Esse fenômeno lembra o que ocorre no Rio Nilo, na África, cujas enchentes fertilizaram o deserto e fizeram a grandeza do Egito há 5.000 anos.
Não é preciso ir muito longe para imaginar o que seria do Pantanal sem o constante vaivém das águas. Do outro lado da fronteira, no território da Bolívia, fica uma das áreas da planície do Chaco, formada na mesma época e da mesma maneira que a planície mato-grossense. Apesar do nome, que lembra charco e por isso pode dar margem a confusão, a terra ali não é úmida, mas árida. A palavra chaco vem do idioma quíchua, ainda hoje falado pelos indígenas da região, e significa terra de caça. Na sua parte central, o Chaco é um imenso descampado, dominado por bosques baixos e vegetação de savanas. Ali não ocorrem inundações. Os poucos córregos que percorrem a planície são parcamente alimentados nas cabeceiras, localizadas nos altiplanos andinos, onde raramente chove-ao contrário do que acontece nas úmidas serras nas bordas do Pantanal, onde estão as nascentes do Paraguai e seus afluentes.
Do lado de cá da fronteira, o verde se transforma à medida que o Paraguai atravessa os 700 quilômetros de seu percurso pantaneiro. De leste para oeste da planície, o grande rio e seus afluentes passam por matas, cerrados e campos que, em alguns trechos, lembram a caatinga nordestina. Na parte sul e na borda ocidental, a vegetação se parece com a dos bosques chaquenhos. Calcula-se que durante o Período Quaternário, há 20 ou 30.000 anos, espécies de vegetação tropical e subtropical dos cerrados, do Chaco e da periferia da Amazônia disputavam o espaço enquanto os rios abriam caminho na planície. É por isso que um cientista como Fernando Flávio Marques de Almeida, da Universidade Estadual de Campinas, que trocou a Engenharia pela Geologia e estuda a região há quarenta anos, desde que se apaixonou por ela, afirma que não existe um único Pantanal na região. "São quase uma dezena, cada um com características diferentes", esclarece. A gente do lugar reconhece esses pantanais por nomes diferentes: pantanal de Cáceres, ou de Poconé, ou de Nhecolândia etc.
"Trata-se de uma espécie de mosaico, onde se interpenetram diversos ecossistemas e suas respectivas faunas", concorda outro pantanólogo, Francisco de Arruda Machado, o Chico, biólogo da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Filho de pescadores, nascido numa vila perto de Cuiabá, Chico só podia mesmo se especializar no estudo da multidão de peixes da bacia do Paraguai. Segundo ensina, eles representam um dos elos mais importantes da riquíssima cadeia alimentar do Pantanal, capaz de sustentar animais de grande porte, em vias de extinção  em outros pontos do território brasileiro, como a onça-pintada, o lobo-guará, o tamanduá, a capivara e o cervo.
Durante a época das cheias, cardumes e mais cardumes sobem os rios para a desova, no conhecido fenômeno da piracema. Os filhotes se alimentam de microorganismos e da vegetação aquática, como os aguapés, que cobrem as áreas inundadas, ou baías, conforme se diz na região. Quando vem a vazante, muitos rios interrompem seu curso, formando uma seqüência de pequenos lagos, onde jacarés, cobras, pequenos roedores e pássaros fazem a festa. "Numa lagoa de 2 metros quadrados se encontram sessenta espécies de peixes convivendo lado a lado", contabiliza Chico, orgulhoso.
Alterar esse sistema, a conseqüência inevitável da interferência humana em larga escala na região, significa desequilibrar o ciclo de vida no Pantanal. Sabe-se, por exemplo, que o acréscimo de aguapés, provocado pelo assoreamento dos rios, e a matança indiscriminada dos jacarés, estão aumentando os cardumes de piranhas nos rios. Não existem números comparativos a respeito, mas o fato é certo. As aves -a forma de vida que mais chama a atenção no Pantanal- também estão ameaçadas. No caso, o vilão é o uso de agrotóxicos nas plantações de soja a em volta da planície. Mas a fartura de asas e plumas é tamanha que, ao menos por enquanto, ainda não há por que se preocupar.
Infinidades de aves coloridas, entre os quais espécies migradoras, habitam os viveiros pantaneiros, que às vezes cobrem mais de 1 quilômetro de bosques. Ali voam garças, araras, papagaios, biguás, maçaricos, batuíras, colhereiros -e os tuiuiús, de corpo branco e pescoço vermelho, escolhidos por sua beleza como o símbolo oficial da região. Deslumbrados com toda essa abundância, os mais entusiasmados fãs leigos do Pantanal asseguram que a região, como manancial de espécies, é ainda mais rica que a Amazônia. É e não é. Na verdade, explica o ecólogo Wellington Braz Carvalho Delitti, da USP, "as espécies da floresta são mais variadas, mas no Pantanal a quantidade é mais perceptível". 

Um mundo de cheias

No coração da América do Sul, o Pantanal Mato-grossense é uma exceção à regra da formação das planícies inundáveis. As demais surgem quase sempre junto à costa e na altura dos deltas dos rios. A bacia do Amazonas, que se estende por quase 7 milhões de quilômetros quadrados, tem épocas variadas de cheias, conforme o trecho do rio, e apenas uma estreita faixa de várzea inundada. As maiores planícies inundáveis do mundo estão na Ásia. É o caso da planície do Rio Yang Tsé, na China, que ocupa 2 milhões de quilômetros quadrados, onde existem cidades, como Xangai, cujas populações também se contam aos milhões. As enchentes do Rio Yang Tsé podem inundar centenas de quilômetros de planície. Além deste, também o Rio Huang Ho, no norte da China, forma terras inundáveis e pantanosas.
No Sudeste Asiático, o Rio Mekong inunda as planícies do Laos, Camboja, Vietnã e Tailândia, sendo responsável pela principal cultura da região: o arroz. A planície do delta do Ganges, entre a Índia e Bangladesh, também forma um dos territórios mais férteis e por isso mesmo mais populosos do mundo. Ali, a paisagem alterna plantações de chá e de arroz com florestas tropicais e pântanos. Em contraste, no norte do continente, os rios siberianos Ob, Ienissei e Lena recebem a neve e o gelo derretido dos maciços da Ásia Central e inundam uma terra menos habitada e coberta pela vegetação de tundra, antes de desaguar no Ártico. Uma das planícies inundáveis mais famosas do mundo fica no delta do Mississípi, o maior rio dos Estados Unidos, que cobre uma área superior a 3 milhões de quilômetros quadrados. Antes de desaguar no Golfo do México, forma uma malha de canais, cercados por bosques baixos, povoados por uma infinidade de aves e jacarés-agora raros.

Mau exemplo na Flórida

Corresponde apenas a 6% do Pantanal Mato-grossense. No entanto, representa a maior planície inundável dos Estados Unidos. A região de Everglades (literalmente, clareira perpétua, em inglês), quase 10 mil quilômetros quadrados no sul da Flórida, foi até o século passado um emaranhado de pequenos córregos, lagos e brejos, uma terra pantanosa, habitada por crocodilos, panteras e aves a não poder mais. Hoje, quase dois terços do território estão ocupados por plantações. Grandes cidades, como Miami e Fort Lauderdale, se assentam sobre as suas bordas; uma rede de rodovias absorve a água das chuvas. O pantanal americano ficou confinado ao Parque Nacional de Everglades, que margeia o Atlântico até a ponta da península, e a algumas áreas vizinhas, onde subsistem treze espécies de animais em extinção, entre as quais, contadas uma a uma, trinta panteras.
A água circulava nessa planície sedimentar no mesmo ritmo lento de enchentes do Pantanal brasileiro. Mas em vez de um grande rio, ali está uma cadeia de lagos, ainda existente ao sul de Orlando, terra da Disneyworld. São esses lagos que alimentam o grande reservatório de Okeechobee, considerado o coração de Everglades. Dali, a água se espalha por quilômetros, inundando uma terra baixa e de vegetação rasteira até misturar-se com o mar. Para sustentar o desenvolvimento da região, todo esse sistema foi drenado. Mas, com o tempo, o solo secou. E o suprimento de água dos 5 milhões de habitantes do sul da Flórida corre o risco de entrar em colapso. Para evitar a calamidade, planeja-se o retorno aos bons velhos tempos. Isso significa restaurar o curso original de rios e o nível dos lagos, afastar os poluentes, reconstruir estradas e desapropriar terras-uma respeitável conta de 300 milhões de dólares.

Perigos no paraíso

Mesmo os ambientalistas radicais hão de concordar que, às vezes, a intervenção do homem na natureza vem para bem. A introdução do gado no paraíso mato-grossense, nas primeiras décadas deste século, por exemplo, acabou trazendo benefícios insuspeitados. A criação extensiva preencheu milhares de quilômetros quadrados com atividades econômicas que jamais perturbaram o equilíbrio ecológico. E o terreno arenoso, que não se presta à agricultura, serve perfeitamente ao florescimento de pasto, excelente alimento para bois e outros herbívoros. A região possui poucas cidades (as maiores são Campo Grande, com perto de 400 000 habitantes, Cuiabá e Corumbá) e a maior parte do território é ocupado por fazendas pastoris, daquelas que se percorre melhor de avião, escassamente povoadas.
Outros perigos, no entanto, ameaçam este éden. Recentemente, um encontro realizado em São Paulo pela Fundação Pantanal Alerta Brasil, uma organização ambientalista, mostrou a fragilidade do equilíbrio ecológico da planície. "As terras inundáveis sofrem muito com as alterações que acontecem nas bordas da planície", acusou na ocasião o geólogo José Domingos Godoy Filho, da UFMT. "O Pantanal recebe toda a carga de agrotóxicos das plantações de soja situadas nas cabeceiras dos rios e sente seus efeitos, como a erosão, assoreamento e contaminação das águas." Além disso, a mineração, praticada na beira dos rios, já transformou trechos da paisagem idílica em verdadeiras crateras. Como também lembra o geólogo, um paulista seduzido pelo Pantanal, o mercúrio usado pelos garimpeiros para localizar ouro, depois de escapar para a atmosfera, retorna ao solo e aos rios, trazido pela chuva, contamina a natureza e envenena gente e bichos. Se isso não bastasse, descobriu-se que as queimadas realizadas nos cerrados do Brasil Central elevam a níveis alarmantes a concentração de gás carbônico na atmosfera do Pantanal, durante a estação seca. Como se sabe, o gás carbônico, resultante do fogo ou da combustão de derivados de petróleo, é um dos maiores causadores do efeito estufa. Como acontece em Porto Velho, a capital de Rondônia, por causa dos gigantescos incêndios provocados pelo desmatamento da Amazônia, também em Cuiabá, no Mato Grosso, que fica ao norte do Pantanal, a fumaça das queimadas obrigou várias vezes ao fechamento do aeroporto por falta de visibilidade.
No encontro de São Paulo, os cientistas brasileiros que defendem uma ocupação menos predadora do Centro Oeste, como uma forma de evitar a destruição da paisagem do Pantanal, contaram com o apoio de um ilustre colega americano. O biólogo Estus Whittfield, diretor da área de meio ambiente do governo da Flórida, comparou a região de Everglades, no seu Estado, ao Pantanal Mato-grossense. Segundo explicou, a ocupação do pântano de Everglades causou tamanho problema no abastecimento de água do sul da Flórida que hoje os americanos estão gastando cerca de 300 milhões de dólares para curar as dores de cabeça que o desenvolvimento trouxe à região. "Se eu lhes contar a nossa história, vocês não vão querer cometer os mesmos erros", ofereceu-se Whittfield. Resta esperar que os brasileiros estejam dispostos a ouvir.

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quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Cem anos nos céus de Paris - Torre Eiffel


CEM ANOS NOS CÉUS DE PARIS - Torre Eiffel



Inaugurada em maio de 1889, a Torre Eiffel é um prodígio de engenharia e o símbolo de um tempo. Seus 300 metros ergueram as aspirações de um mundo em transformação.

No dia 15 de maio de 1989, uma das mais belas filhas da França completou a respeitável idade de 100 anos. Símbolos por excelência de Paris, como o Coliseu é de Roma e o Cristo Redentor do Rio de Janeiro, a Torre Eiffel - construção vizinha à margem esquerda do Sena, num  dos pontos mais elegantes da cidade - é também um dos símbolos característicos de um período de formidável expansão da civilização humana, na esteira da Revolução Industrial desencadeada na Inglaterra. Naquele final do século XIX, tudo era movimento e mudança, inovação e invento. Por toda parte vicejava a ordem burguesa, cujo grande edifício político começara a ser construído na Revolução de 1789 na França - em celebração da qual se decidiu erguer em Paris um marco imperecível. Para não melindrar as muitas monarquias ainda existentes, porém, optou-se por festejar o advento da República francesa longe da memória da guilhotina, valorizando mais o presente e o futuro.
Era uma idéia esculpida sob medida para um homem que encarnava em seu métier o espírito ousado da época - Gustave Eiffel, engenheiro nascido em Dijon, a terra da mostarda, no sul do país, em 1832. Monsieur Eiffel era um construtor de pontes, conhecido também pela criação de algumas obras nada convencionais, como a estrutura da Estátua da Liberdade, em Nova York, a cúpula do observatório de Nice, no sul da França - que tinha a peculiaridade de poder ser girada apenas com as mãos, devido a um genial mecanismo apoiado num lençol de água. Usando seu extraordinário talento para cálculos, concebeu pontes como se fossem kits, para serem montadas em poucas horas. Foi um sucesso de vendas, pois Eiffel era ainda um excelente homem de negócios.
Cinco anos antes do centenário da Revolução Francesa, os organizadores da Exibição Universal de Paris, de 1889 - uma exposição periódica de inventos do mundo inteiro -, tomaram a decisão de construir um monumento para honrar a data. Seria uma torre de mil pés (304,8 metros), altura que pairava como um desafio ao engenho tecnológico do tempo. Dois engenheiros da construtora Eiffel, Emile Nouguier e Maurice Koechlin, trabalhavam então no projeto de um imenso pilar de ferro - o material da moda, na época - formado por quatro bases que se encontravam no topo. Segundo seu desenho, a torre seria intercalada por plataformas metálicas, o que serviria para fixar a construção.
As plantas foram apresentadas a Eiffel. Este, embora não aparentasse maior interesse, permitiu que os dois discípulos continuassem com os estudos. A eles se juntou o arquiteto Stephen Souvestre, outro veterano da empresa, responsável por diversas modificações no projeto inicial. Para começar, Souvestre idealizou um imenso salão envidraçado que ocuparia todo o primeiro andar. O salão e as quatro colunas seriam unidos por arcos monumentais, que não só dariam impressão de maior estabilidade ao conjunto como também serviriam de portão de entrada da Exibição.
Tais alterações e, sobretudo, a possibilidade de ser o primeiro a levantar uma obra de 300 metros, despertaram a vaidade do construtor. Em março de 1885, Eiffel se apressou a exibir o projeto à Sociedade dos Engenheiros Civis. Resultado: quando o ministro do Comércio, Eduard Leckroy, abriu a concorrência para a escolha da torre, o texto deixava claro qual tinha sido a fonte de inspiração: "Sugerimos que se pense na alternativa de projetar uma torre de ferro de 300 metros de altura, com quatro pilares de base, que formem um quadrado de 125 metros de lado..."
A 12 de junho, a comissão julgadora anunciou a decisão, de resto já esperada por todos: entre setecentos projetos de 107 autores, o de Gustave Eiffel tinha sido escolhido para o monumento à Revolução. Ele receberia uma subvenção de 1,5 milhão de francos para os trabalhos, que custariam na verdade 7,8 milhões - uma dinheirama equivalente ao custo de 20 mil casas de padrão médio. O resto do orçamento deveria ser levantado pelo próprio Eiffel. Ele teria, em compensação, o direito de explorar o monumento por vinte anos. Era pegar ou largar. Eiffel pegou. O terreno doado pela Prefeitura de Paris, ficava junto aos jardins do Campo de Marte na Rive gauche. Nos dezoito meses seguintes, cinquenta engenheiros desenharam nada menos de 5 300 plantas. As 18 038 peças da torre foram pré-fabricadas, nas oficinas Lavallois-Perret, algo até então nunca tentado em obras de grande porte (nesses casos, as peças eram produzidas no local da montagem).
De 150 a 300 operários trabalharam na construção da torre propriamente dita, enquanto outros tantos fabricaram os 2,5 milhões de parafusos e o milhão de rebites que uniriam com precisão de décimos de milímetro todas as partes desse gigantesco brinquedo de montar. As vigas já subiam no tamanho certo e devidamente furadas - só os parafusos eram fixados no local. Para sustentar os quatro pilares voltados para os pontos cardeais, que deveriam repousar sob o solo num lençol arenoso, foi necessário remover 30 mil metros cúbicos de lodo, argila e terra; só isso consumiu quase meio ano de trabalho. Mais uma vez, Eiffel se mostrou revolucionário: para trabalhar no subsolo, utilizou caixas de ar comprimido que eram progressivamente empurradas até alcançar a profundidade ideal. Depois, preenchidas com cimento, serviram de fundações para a torre.
Houve quem não gostasse da idéia de espetar nos céus de Paris tão extravagante agulha de ferro. Um respeitável número de artistas, por exemplo, redigiu uma carta de protesto contra a "aberração" que "ofendia o bom gosto dos franceses". O escritor Guy de Maupassant, por exemplo, dizia tratar-se de um "esqueleto horroroso". Impassível Eiffel levou adiante seu propósito. A construção acima do solo finalmente começou a 1 de julho de 1887. A maior dificuldade era atingir o primeiro andar. A partir dali a estrutura básica estaria armada, bastando apenas, por assim dizer, empilhar algumas toneladas de traves e parafusos.
Antes disso, porém, os quatro pés eram colunas inclinadas, soltas no espaço. Foi preciso escorá-las com postes de madeira que sustentavam as caixas de areia onde as colunas de ferro se apoiavam. Estas atingiam a inclinação exata à medida que, pouco a pouco, se escoava a areia. Além disso, sob cada uma das quatro bases, foi colocado um macaco hidráulico, para ajustar a altura ideal. O resultado foi uma perfeita coincidência dos quatro pilares a 57 metros de altura - não foi preciso limar ou cortar 1 centímetro sequer. As obras, em si, logo viraram uma grande atração: parisienses, franceses de outras cidades e até estrangeiros vinham todos contemplar a colossal armação.
A perfeição do trabalho entusiasmou tanto os franceses que alguns deles se dispuseram a escalar 345 degraus, o equivalente a dezenove andares de um prédio, até uma barraca improvisada onde o exigente Eiffel e sua equipe festejavam a proeza. Seu desafio seguinte era a altura. Como não existiam guindastes capazes de içar peças a tamanha elevação, o engenheiro recorreu a um sistema inovador que, depois de imaginado, parece óbvio: a própria torre sustentaria quatro gruas a vapor para transportar as vigas.
À medida que a construção subisse, as roldanas das gruas também seriam deslocadas para andares superiores. Quatro meses depois, alcançou-se o segundo andar. 
Para que os trabalhadores não perdessem tempo subindo e descendo intermináveis escadas, Eiffel autorizou a construção de duas cantinas nas plataformas. O preço das refeições era módico: 65 centimes, pouco mais da metade do que os peões recebiam por um hora de serviço. Não obstante, e talvez motivados pela inquietação do final do trabalho, em setembro de 1888 os operários entraram em greve por melhores salários. Quatro dias parados depois, as reivindicações foram atendidas. Para Eiffel valia a pena pagar a diferença para não perder a batalha contra o tempo. Pouco mais tarde, outra greve eclodia. Dessa vez, porém, Eiffel foi inflexível: não só não aumentou os salários como também puniu de maneira peculiar os líderes do movimento, confinando-os ao primeiro andar - um humilhante rebaixamento para quem construía a grande obra de engenharia do século.
A tarefa de encaixar as milhares de peças do imenso quebra-cabeça tornava-se cada vez mais rápida: a torre afinava à medida que ganhava altura. Erguidas pelo sistema das gruas, as peças levavam em média apenas 15 minutos para alcançar a altura de 200 metros. Em fevereiro de 1889, quando a torre alcançou 264 metros, um obscuro matemático francês, cujo nome não entrou para a história, previu seu desmoronamento; naturalmente, nada aconteceu - ela se mantinha absolutamente rígida. O vento, esse sim, era uma das principais preocupações de Eiffel, construtor de uma ponte que ruiu sob um vendaval noturno. Para não correr riscos parecidos, o engenheiro desenhou a torre de maneira que resistisse a rajadas de até 250 quilômetros por hora, algo que os parisienses jamais tiveram o dissabor de ver nestes cem anos.
Mesmo nesse caso extremo, a estrutura da torre permitiria que a ponte se movesse nada menos de 70 centímetros, sem apresentar, contudo, o menor perigo (o recorde até hoje foram apenas 15 centímetros). Além do vento, também o sol influi na dança porque a face da torre diretamente exposta ao calor dos seus raios se dilata mais depressa, fazendo o conjunto se inclinar levemente na direção oposta. Hoje, um monitor de TV instalado no primeiro andar mostra aos visitantes, graças a um sistema de visualização por raios infravermelhos, como a torre oscila lá em cima.
A 31 de março de 1889, a construção estava pronta. Nos exatos dois anos, dois meses e cinco dias de trabalho, vários recordes foram batidos.
Em primeiro lugar, com seus 300,65 metros, a torre permaneceria a estrutura mais alta do mundo até a inauguração do Empire State Building, em Nova York, com 380 metros, 41 anos depois. (Atualmente, a mais alta construção é a torre da TV Nacional da Polônia, em Varsóvia com 646 metros.)
Além disso, numa época em que a segurança no trabalho era mínima, a inexistência de acidentes fatais foi um marco à parte. Enfim, trata-se, literalmente de um monumento à leveza. Perfeitamente encaixadas, devido aos impecáveis cálculos de Monsieur Eiffel, as 7 300 toneladas da torre propriamente dita exercem uma pressão de apenas 4,5 quilos por centímetro quadrado de seus pés - equivalente à pressão sobre uma cadeira exercida por uma pessoa sentada.
Mantidas as proporções reais entre altura e peso, se a Torre Eiffel medisse apenas 30 centímetros, como uma régua escolar, pesaria 7 gramas, como uma folha de papel. Ainda assim, pode suportar um total de 10 416 pessoas em suas três plataformas - e, desde que foi inaugurada, o que nunca faltou ali foi justamente muita gente. Só no primeiro ano de existência, foi visitada por 2 milhões de pessoas - pouco menos que toda a população de Paris na época. Cobrando 5 francos por uma excursão até o topo - de elevador, naturalmente - e 2 até o primeiro andar, a Sociedade da Torre, então fundada, logo arrecadou 6 milhões de francos, o suficiente não só para reembolsar os banqueiros que financiaram o engenheiro Eiffel mas também para fazer dele próprio um milionário.
Em pouco tempo, a fama do monumento e de seu autor correram mundo. O inventor americano Thomas Edison se apressou a cruzar o Atlântico e ver com os próprios olhos a nova maravilha. Eiffel, para ele, era nada menos que o "engenheiro de Deus". Os seis meses que durou a Exibição foram uma festa permanente. Eiffel, já perto dos 60 anos, tinha um prazer especial em convidar as pessoas para conhecer seus laboratórios, instalados num apartamento particular no terceiro andar do monumento. À época, ele se interessava por Astronomia, Meteorologia e Aerodinâmica, a que iria se dedicar integralmente anos depois. Para a nata da sociedade, o creme de la creme parisiense, não havia nada mais charmoso que almoçar num dos dois restaurantes do primeiro andar e comprar o diário Le Figaro no segundo, onde funcionaram a redação e as oficinas do jornal durante a mostra.
No entanto, um fantasma pairava sobre a torre - o limite de vinte anos da concessão outorgada a Eiffel. Ou seja, a partir de 1909, a inigualável torre de peças encaixadas poderia ser transformada numa montanha de sucata. Era preciso, portanto, torná-la útil para que sobrevivesse. O engenheiro, então com cerca de 70 anos, já tendo construído no Campo de Marte o primeiro túnel de vento do mundo para experimentos em Aerodinâmica, não parara de pensar no futuro de sua obra-prima. Em 1898, um certo Eugène Ducreter obtivera licença para instalar a antena de um aparelho de telégrafo sem fio no topo da torre. Eiffel logo percebeu que aí estava a garantia de longa vida para o monumento. No fim de 1903 ofereceu a torre ao Exército para a instalação dos equipamentos necessários à telegrafia militar. A oferta foi prontamente aceita.
Proporcionando uma visão de 360 graus a uma distância (em dias claros) de até 70 quilômetros, a torre possuía evidente utilidade como posto de observação militar. Por isso mesmo, ficou fechada aos civis nas duas guerras mundiais. Desde então, continua a servir como ponto de apoio a sistemas de comunicação. Em meados da década de 30 foram realizadas ali as primeiras experiências francesas com emissão de imagens - e em 1946 uma antena de TV instalada no topo elevou a altura da torre a 320 metros. Atualmente, ela pode receber e transmitir os sinais de seis emissoras de TV e dez estações FM de rádio. Passados cem anos, a majestosa construção permanece como uma das maiores atrações turísticas do mundo, visitada anualmente por cerca de 4 milhões de pessoas, que levam como souvenirs 1,5 milhão de cartões-postais e 100 mil chaveiros com o formato da torre.

O ENGENHEIRO QUE PENSAVA GRANDE

O vencedor do concurso para o monumento da Exibição Universal de 1889 era um circunspecto cavalheiro de 53 anos, frios olhos azuis, baixote e rechonchudo, autoritário por temperamento e antimonarquista por convicção. Do pai, um veterano das guerras napoleônicas, Gustave Eiffel tinha herdado o espírito sonhador e inventivo; da mãe, a verdadeira chefe da família, o senso prático e o tino para negócios. Em 1857, aos 25 anos, de posse de um diploma de engenheiro químico da École Centrale de Paris, começou a trabalhar numa fábrica de máquinas a vapor e material para ferrovias. Tão bem se saiu que, no ano seguinte, já em outro emprego, supervisionou a construção de uma ponte ferroviária sobre o rio Garonne, em Bordéus, a maior do gênero na França.
Era a primeira de uma centena de obras que lhe dariam fama e fortuna como um dos grandes construtores de pontes de seu tempo, com obras pelos quatro cantos do mundo, da Rússia à Indochina, da Áustria ao Peru. Desde os 35 anos tinha sua própria empresa de engenharia e não se distinguia exatamente pela modéstia: todo fim de ano tinha o costume de dar um retrato seu de presente à mulher, Marie Gandelet, com quem se casara aos 30 anos e com quem teria cinco filhos. Marie morreu em 1877 de doença pulmonar. Muita gente não gostava de Monsieur Eiffel. Dizia-se que não primava pela lisura nos negócios e se apropriava com muita ligeireza de idéias alheias.
Um episódio em especial deu munição aos seus inimigos. Em 1887, no mesmo ano em que a Torre começava a surgir em Paris, projetou as eclusas do canal do Panamá - o que teria sido a maior obra de sua vida, não fosse um escândalo envolvendo acusações de corrupção que estourou no ano seguinte, mal haviam começado os trabalhos. A participação de Eiffel no caso nunca ficou efetivamente provada. Mesmo assim, foi condenado a dois anos de prisão, sentença depois suspensa pelo Supremo Tribunal. Inaugurada a Torre, o autor trocou as obras pelas pesquisas ligadas à aerodinâmica. Ao morrer, em 1923, aos 91 anos, tinha a seu crédito mais de 5 mil experiências e pelo menos dois projetos futuristas: o de um túnel sob o canal da Mancha, entre a França e a Inglaterra, de 1890, e o de um avião de combate de alta velocidade, de 1917. 


terça-feira, 26 de julho de 2011

São Paulo vista do céu

SÃO PAULO VISTA DO CÉU



SE ORIENTE
Na praça da Sé, o marco zero, rodeado pela rosa-dos-ventos (que indica os pontos cardeais), é a referência para a numeração das ruas e contagem das distâncias para outras cidades

ALTOS E MAJESTOSOS
Nesta foto, um dos mais importantes conjuntos arquitetônicos do centro de São Paulo: em primeiro plano, a praça da República com o colégio Caetano de Campos (em amarelo), de 1894; à esquerda, o edifício Itália, que já foi um dos mais altos da cidade, e o Copan, projetado por Niemeyer; ao fundo, o prédio redondo do hotel Hilton

DO REMO AO TÊNIS
Albarello fez seis vôos no dirigível da Goodyear, conhecido por auxiliar as tevês nas transmissões de futebol. Foi de norte a sul, de leste a oeste. Às margens do rio Tietê, na zona norte, flagrou tenistas nas quadras de saibro do Esperia, clube fundado em 1899 por sete italianos praticantes de remo

CORES DO CEBOLINHA
O Complexo Viário João Jorge Saad, conhecido como Cebolinha (o Cebolão, maior, é na Marginal Pinheiros), fica na avenida 23 de Maio, em frente ao parque do Ibirapuera. Tem um jardim desenhado pela artista plástica Amélia Toledo. Chama-se O Parque das Cores do Escuro e é formado por vários tipos de rochas brasileiras

TREM DOS IMIGRANTES
O trem do Metrô chega à estação do Brás, na linha vermelha, que liga a zona leste (Itaquera) à oeste (Barra Funda). No bairro, um dos mais antigos de São Paulo, ficava a Hospedaria dos Imigrantes, local que acolhia os estrangeiros vindos do porto de Santos no fim do século 19 e início do 20. Eles ficavam ali por algum tempo, conseguiam um emprego nas lavouras de café e partiam de trem rumo ao interior


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