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segunda-feira, 23 de junho de 2014

Um buraco no meio de tudo - Astronomia


UM BURACO NO MEIO DE TUDO - Astronomia


Situado na periferia da Via Láctea, o Sol é uma estrela relativamente solitária. Num raio de 4 anos-luz não há nenhuma outra estrela além dele. Em comparação, a região central da galáxia parece um vespeiro, um lugar apertado e violento, repleto de matéria e energia. Lá, num espaço equivalente ao que cerca o Sol (quase 40 trilhões de quilômetros), existe não uma, mas pelo menos 1 milhão de estrelas. Foi por isso, em parte, que há pouco mais de vinte anos a comunidade astronômica aceitou bem a sugestão inusitada de dois cientistas ingleses, Donald Lynden-Bell e Martin Rees. Em 1971, observando o brilho que vem do coração da galáxia, eles propuseram a idéia de que ali reside um monstro: um buraco negro gigante. 

Para se ter uma idéia, o estranho astro concentraria a massa de 1 milhão de sóis. E num volume incrivelmente pequeno, no qual, em condições normais, caberiam somente quatro sóis e meio! Por causa dessa característica, a força gravitacional dos buracos negros fica  concentrada de maneira absurda. A tal ponto que nem a luz, a coisa mais rápida que existe, pode escapar de sua superfície. Ainda mais grave é a situação das estrelas muito próximas - elas tendem a ser simplesmente destroçadas pelo buraco negro. Depois disso, sua matéria seria engolida por ele, gerando a energia luminosa que se vê no centro galáctico. Essa tese é plausível justamente devido ao grande número de estrelas existentes por lá. Estima-se que há pelo menos 300 astros numa vizinhança perigosa da superconcentração gravitacional. 

"As observações mais recentes indicam que o buraco negro esmaga e engole os destroços de uma ou duas estrelas por ano", disse à SUPER por telefone o radioastrônomo americano Farhad Yusef-Zadeh, da Universidade do Noroeste, em Illinois, Estados Unidos. Há anos ele tenta associar a matéria das estrelas ao objeto central da Via Láctea.

A evidência vem do gás interestelar

O astrônomo Yusef-Zadeh explica que não dá para dizer com segurança se a esfera negra existe realmente. "Mas na minha opinião os sinais de sua presença são muito fortes." No início deste ano, o cientista americano usou as pistas mais importantes já coletadas para montar um mapa detalhado do coração da galáxia (veja o infográfico ao lado). O indício decisivo são os movimentos alucinantes de gases, que ficam rodopiando no centro galáctico. É provável que a matéria gasosa venha das estrelas partidas pela esfera negra. 

Observações feitas no final do ano passado comprovam que há um grande grupo de estrelas gigantes muito perto do centro. O grupo pode ser o "rebanho" que alimenta a fera. O gás é arrancado pela força do buraco e despenca para o seu interior numa vasta espiral, atingindo temperaturas da ordem de milhões de graus Celsius. Por isso, brilha com grande intensidade. O jorro de luz é tão forte que uma parte da matéria, em vez de ser arrastada para o buraco, é soprada para longe.

O problema, agora, é identificar o próprio buraco negro, que não emite luz. Todo o seu brilho sai da nuvem à sua volta. Mas ela fica o tempo todo escondida pelas massas de estrelas e pela poeira de átomos que existem entre o centro da Via Láctea e a Terra. Só duas formas de luz, as ondas de rádio e os raios infravermelhos, passam com mais facilidade pelos obstáculos. Por essa razão, é grande a expectativa em torno de um novo telescópio de raios infravermelhos, o ISO, lançado pela Comunidade Européia no início de novembro. Dois dias depois, ele já estava em ação, contou à nós o brasileiro José Antônio de Freitas Pacheco, atualmente diretor do Observatório de Nice, perto de Paris. "O ISO certamente vai espiar o centro da galáxia e pode resolver de vez o enigma que existe por lá."

Com violência no coração

Sopro de luz
Dados do final do ano passado confirmam que estas estrelas, a cerca de 10 trilhões de quilômetros do centro, estão sendo varridas por um vento de partículas e luz fortíssima. Um efeito indreto da energia do buraco negro

Gigantes torturadas

Estrelas que estaria perto o bastante para serem não apenas atraidas, mas "rasgadas" pela força do monstro, do qual estariam a 1 trilhão de quilômetros. O que se observa com certeza é a grande velocidade do gás que parace estar despencando para o centro.

Supermassa

Pelos movimentos rápidos das estrelas e nuvens de gás próximas, estima-se que no centro galáctico exista um objeto cuja massa seria 1 milhão de vezes maior que a do Sol.

Vórtice luminoso

Antes de cair no buraco negro, o gás arrancado de estrelas próximas gira com velocidade próxima à da luz e temperatura superior a 100 000 graus Celsius. O próprio buraco negro não tem brilho. Sua luz vem desta espiral de gás.


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