domingo, 30 de setembro de 2012

Arqueólogos acham indícios de divisão de classes na Idade da Pedra


Arqueólogos acham indícios de divisão de classes na Idade da Pedra

Pesquisadores israelenses encontraram produtos importados e 'de luxo' em terreno onde estrada será construída.

A escavação arqueológica no sítio de Ein Zippori, no norte de Israel, revelou a existência de uma comunidade pré-histórica do período Neolítico, onde já havia uma elite que possuía "objetos de luxo" importados de países distantes.

Os trabalhos, realizados pelo Departamento de Antiguidades de Israel, começaram há um ano, mas só agora as descobertas foram reveladas à imprensa.
No local, estava planejada a construção de uma estrada. No entanto, como essa região é conhecida pela abundância de antiguidades, costuma-se fazer a chamada "escavação de salvamento" – uma operação preliminar para garantir que os trabalhos não destruam itens importantes que possam estar enterrados na área.



Objetos raros e importados sinalizam divisão de classes sociais já no período Neolítico (Foto: Clara Amit)


Os diretores da escavação, os arqueólogos Ianir Milevski e Nimrod Getzov, se surpreenderam ao descobrir uma grande comunidade pré-histórica, com restos de casas cujas fundações foram feitas de pedra e paredes erguidas com tijolos de barro.
De acordo com Milevski, costuma-se pensar que nesse período da história humana as sociedades fossem "mais igualitárias".
"No entanto, as escavações revelaram indícios de que há 7 mil anos já havia uma pequena camada da sociedade que possuía objetos raros, o que a maioria da população não tinha", disse 
Milevski.




Placa de pedra com avestruzes talhados foi considerada pelos arqueólogos objeto de 'luxo' (Foto: Clara Amit)

Objetos 'de luxo' importados

Na escavação, foram encontrados milhares de objetos de pedra, sílex (rocha sedimentar) e cerâmica, mas o que chamou a atenção dos pesquisadores foram objetos raros feitos de materiais que não existiam nessa região.
Entre os objetos raros, estão lâminas feitas de rocha obsidiana, cuja fonte mais próxima se encontra na Turquia, e placas de pedra com desenhos próprios da cultura da Mesopotâmia (onde hoje se encontra o Iraque) e da Síria.
"Entre os objetos mais importantes que descobrimos, está uma placa de pedra com a imagem de duas avestruzes talhadas. É um trabalho simples, mas muito elegante e que nos remete à cultura da Mesopotâmia daquele período", disse Milevsky.
Também foram descobertas pequenas bacias de pedra feitas "com uma delicadeza impressionante" e, em uma delas, estavam cerca de 200 contas de colar – pretas, brancas e vermelhas.
O arqueólogo explicou que, como a comunidade era de um período anterior à descoberta do metal, a fabricação de objetos "tão delicados" era especialmente complexa e só uma elite poderia possuir objetos de tão difícil fabricação.
"Para fazer o buraco nas contas do colar, era necessária uma furadeira de poucos milímetros. Trata-se de uma técnica muito sofisticada para o período que estamos pesquisando", acrescentou Milevski.

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Esculturas de bronze de 7 mil anos de idade são encontradas na Sérvia



Esculturas de bronze de 7 mil anos de idade são encontradas na Sérvia

Peças foram descobertas no sítio arqueológico de Plocnik, no sul do país.
Manuseio de cobre e outros metais nos Bálcãs ocorreu antes do previsto.

Esculturas de bronze de 7 mil anos foram achadas no sítio arqueológico de Plocnik, no sul da Sérvia, a cerca de 300 km da capital Belgrado.

Os objetos pertencem a um povoado que viveu na região dos Bálcãs durante o período Neolítico, por volta de 5.300 a.C.

Abaixo, aparecem uma figura feminina e um machado de bronze.




Peças foram feitas por tribos que viveram nos Bálcãs por volta de 5.300 a.C. (Foto: Marko Djurica/Reuters)

Segundo os arqueólogos, as descobertas indicam que essas tribos já processavam bronze, cobre e outros metais antes do que havia sido previsto.




Figura feminina sem cabeça e pedaços de madeira e pedra (dir.) são achados (Foto: Marko Djurica/Reuters)

Nas imagens acima, aparece à esquerda uma figura feminina sem cabeça e, à direita, pedaços de metal e pedra encontrados no sítio.



Sítio arqueológico de Plocnik fica no sul da Sérvia, a 300 km da capital Belgrado (Foto: Marko Djurica/Reuters)





sábado, 29 de setembro de 2012

Computadores alugados clicaram secretamente usuários fazendo sexo nos EUA


Computadores alugados clicaram secretamente usuários fazendo sexo nos EUA

Investigação de autoridades americanas revelou ainda que dados sigilosos, como senhas e dados bancários, estavam expostos.



Computadores alugados clicaram secretamente usuários fazendo sexo nos EUA (Foto: BBC)

Uma investigação feita por autoridades americanas com sete companhias que alugam computadores nos Estados Unidos revelou que diversas das máquinas registraram secretamente fotos de seus clientes, alguns deles durante atos sexuais.

Os computadores investigados possuíam o software PC Rental Agent, da empresa Designerware, que coleta dados pessoais e até fotos dos usuários. Acredita-se que o PC Rental Agent esteja instalado em aproximadamente 420 mil computadores em todo o mundo.

A investigação foi feita pela Comissão Federal de Comércio (FTC, em inglês), uma agência do governo americano dedicada à proteção dos direitos dos consumidores.

A FTC disse que o aspecto mais nocivo do software é um dispositivo chamado Detective Mode ('modo detetive'), que é ativado quando os usuários não devolvem os computadores alugados dentro do prazo correto, ou quando não pagam pelo seu uso.

O Detective Mode era usado pelas locadoras americanas para rastrear os computadores e ajudar a recuperá-los das mãos dos usuários. O dispositivo faz com que uma janela se abra na tela, pedindo dados como telefone e e-mail dos usuários.

Mas o software vai além, e registra também dados como usuário e senha de contas de e-mail, sites de mídia social e de instituições financeiras.
A investigação revelou que dados ainda mais sensíveis foram coletados - como número da previdência social, históricos médicos, e-mails trocados com médicos e extratos de conta corrente e de cartão de crédito.

'Em vários casos, a ação do Detective Mode sobre a webcam tirou fotos de crianças, pessoas parcialmente nuas e casais realizando atividades sexuais', diz um dos relatórios da investigação.

A Designerware não comentou a investigação. A FTC determinou que esse tipo de software não pode ser usado pelas empresas americanas de locação de computadores.
Para o especialista em segurança online Graham Cluley, que trabalha na empresa britânica Sophos, este caso ressalta a importância de se verificar como funcionam todos os dispositivos do computador, especialmente em casos em que a máquina não pertence ao usuário.

'Sempre que você está usando o computador de outra pessoa, seja ele emprestado ou alugado, você pode nem sempre saber de todos os softwares que estão sendo utilizados e o que cada um está fazendo', disse Cluley à BBC.

'Se você for alugar um computador, leia a letra miúda no contrato, e pense duas vezes antes de fazer algo pessoal demais.'

Hebe Camargo morre aos 83 anos


29/09/2012 13h16 - Atualizado em 29/09/2012 19h09

Hebe Camargo morre aos 83 anos

Hebe fez várias cirurgias e tratamentos após descobrir câncer em 2010.
Consagrada como apresentadora de TV, ela começou a carreira cantando.




Hebe é um dos maiores ícones da televisão brasileira e ficou internada pela última vez por quase duas semanas em agosto. Nos últimos dois anos passou por cirurgias e tratamentos contra o câncer.
O velório começa nesta noite no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo do Estado de São Paulo, no Morumbi. Inicialmente, o velório estava marcado para às 18h – o carro funerário chegou à casa da apresentadora por volta das 16h15 e deixou a residência perto das 19h. Já o sepultamento está marcado para as 9h30 deste domingo (30), no cemitério Gethsemani, afirmam funcionários do local e o governo do Estado de São Paulo.
A morte da diva causa repercussão entre artistas e políticos brasileiros nesta tarde. A presidente Dilma Rousseff divulgou nota oficial em que se refere a Hebe como “minha querida amiga” e diz que ela foi “uma das mais importantes personalidades da televisão brasileira.”

A apresentadora Ana Maria Braga publicou no Twitter uma homenagem: “Os amigos do Sorriso da TV brasileira, Hebe, choram a Estrela que se vai. Saudade”, escreveu."Uma mulher estupenda, corajosa, e uma entrevistadora franca e leal. Vai deixar muitas saudades. O exemplo dela foi dignificante", declarou o deputado federal pelo PP de São Paulo, Paulo Maluf. Já o apresentador Jô Soares comentou a impressão que Hebe causava nas pessoas: "Uma vez, eu fui intérprete de uma entrevista dela com várias pessoas. E todas se referiam a ela como uma grande senhora, uma grande estrela. Ela realmente tinha uma certeza do que fazia que era sensacional. Ela estava acima do bem e do mal”.

FONTE:



quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Naves Sob Medida - Espaço



NAVES SOB MEDIDA - Espaço



Os novos trajes dos astronautas deixaram de ser apenas uma proteção contra um ambiente hostil para se tornar uma ferramenta de trabalho fora das estações orbitais.

Desde os anos 30, quando Buck Rogers era o herói do espaço nas histórias em quadrinho, os astronautas - de ficção, depois de verdade - são reconhecidos pelas roupas extravagantes que usam. Para os cientistas, contudo, não se trata de extravagância alguma. Ao projetar os trajes a ser usados, por exemplo, pelos tripulantes de ônibus espaciais nas chamadas atividades extraveiculares - ou Eva, no jargão da NASA -, eles buscam criar, para cada astronauta, o equivalente a uma nave sob medida. De fato, a moda espacial de hoje em dia avança tanto em relação às roupas dos pioneiros das incursões ao Cosmo, no final dos anos 50, como a estação Mir em comparação com a Vostock pilotada pelo cosmonauta Iúri Gagárin.
Nos tempos heróicos da aventura espacial, esses trajes serviam basicamente para manter a pressão sangüínea dos astronautas em níveis aceitáveis, quando a nave entrava em órbita terrestre, além, obviamente, de supri-los de oxigênio. A questão ficou complicada quando tiveram início as missões que envolviam as Eva. É fácil entender por quê. Sem a proteção proporcionada pela nave espacial, o astronauta depende de um traje extraveicular que impeça de ele ser torrado pelo Sol, ou que suas veias saltem através da pele, ou que um micrometeorito o atravesse como um tiro de fuzil.
Confeccionar um traje espacial, portanto, é como fabricar um salvavidas: o que interessa é a função, não a estética. Mesmo assim, tem lá suas semelhanças com a encomenda de um modelo exclusivo a um grande costureiro francês: custa muito caro, é feito sob medida e, o que é pior, não é reutilizável. O próprio ato de envergá-lo exige cuidados dignos de uma grande dama da França de antes da Revolução preparando-se para um baile de gala em Versalhes: dependendo da missão, vestir um traje espacial pode requerer um trabalho meticuloso de algumas horas. Para pisar na Lua, há vinte anos, por exemplo, o astronauta americano Neil Armstrong usou uma roupa pressurizada de nada menos de 21 camadas, sob as quais havia uma complexa aparelhagem de sobrevivência.
Atualmente, os projetistas de trajes para astronautas estão pensando nas futuras estações espaciais, como a Freedom, que os Estados Unidos lançaram em 1995, das quais os passeios ao exterior serão mais freqüentes, com várias saídas no mesmo dia. Até hoje, um astronauta precisa se submeter a um período de pré-respiração antes de colocar o traje. Isso se não quiser que a diferença de pressão fora da Terra faça com que o nitrogênio de sua corrente sangüínea forme bolhas que podem levá-lo à morte. Esses períodos de pré-respiração duram cerca de quatro horas, durante as quais o astronauta consome oxigênio puro para expurgar o nitrogênio do organismo. Demasiado tempo, sem dúvida, se for necessário sair da nave mais de uma vez ao dia. O ideal seria que a pressão arterial do interior da estação - similar à da Terra - fosse mantida nos trajes.
Até há pouco, porém, isso parecia impossível, porque muita pressão dentro do traje acabaria por transformá-lo numa espécie de armadura cósmica, prejudicando a mobilidade do astronauta. No entanto, se depender de Hubert Vykukal, do Ames Research Center, da NASA, a solução pode estar próxima. Sua criação, o traje AX-5, feito inteiramente de alumínio, pode manter uma pressão interna de até uma atmosfera (1,033 quilo por centímetro quadrado), que é a pressão ao nível do mar, sem comprometer a mobilidade. A única exceção é a área das luvas, onde os movimentos são mais freqüentes, pressurizada a 600 gramas por centímetro quadrado, pouco mais da metade de uma atmosfera. Por sinal, a mesma pressão que outro projetista americano, apropriadamente chamado Joseph Kosmo, conseguiu para todo o seu modelo Mark-3.
A maior inovação desses dois trajes, porém, está na solução encontrada para que sejam utilizados por qualquer outro astronauta - o que promete acabar com um crônico contratempo das viagens espaciais. O segredo se localiza na região do dorso, onde foram instalados anéis de expansão, que aumentam longitudinalmente o tamanho do traje. Assim, tanto um hipotético astronauta de 1,60 m quanto um mais plausível, de 1,90 m, poderiam usar o mesmo traje - uma facilidade de dar inveja a qualquer pai de filhos adolescentes. Dependendo da altura da pessoa, anéis são encaixados ou retirados.
Outra novidade muito útil é o artifício criado para facilitar o trabalho de vestir e despir o traje. O astronauta literalmente entra na roupa como se entrasse numa mininave espacial. Essa concepção certamente contribuirá para mudar o conceito dos trajes espaciais herdado de Buck Rogers. Daqui para a frente, a vestimenta do astronauta não será tão-somente uma carapaça de proteção, mas uma ferramenta de trabalho no espaço. Dentro dela, o astronauta poderá ir mais longe da nave, com mais auto-suficiência, e, na volta, guardá-la no guardaroupa da estação para que outro colega possa também fazer uso de seus recursos.

Na ficção científica, a moda do exotismo

A ficção científica sempre apelou para o exótico na concepção dos trajes espaciais de seus heróis. Já em 1934, o idealizador do personagem de história em quadrinhos Buck Rogers cobria-o com uma vestimenta supostamente capaz de protegê-lo contra condições hostis nos planetas onde vivia suas aventuras - embora, vista pelos olhos atuais, não pareça dar proteção nem mesmo aqui na Terra. Da mesma forma, num dos primeiros seriados levados à TV, no final dos anos 50, Flash Gordon surgia paramentado como um cavaleiro europeu do século XIX. Nos anos 60, Jane Fonda foi transformada numa cinematográfica Barbarella dentro de um modelito de acrílico que Ihe valorizava as formas e expunha o umbigo a todos os perigos. Só a partir do filme 2001 - uma odisséia no espaço de 1969, os cineastas passaram a buscar ajuda especializada para vestir seus personagens espaciais com um mínimo de realismo.

Congestionamento Invisível - Comunicações



CONGESTIONAMENTO INVISÍVEL - Comunicações



Há algo no ar além dos aviões de carreira: a superlotação dos caminhos por onde viajam as ondas eletromagnéticas que transportam um número cada vez maior de sinais de rádio, TV e telefone. Como desafogar esse trânsito?

Quando alguém, dentro do ônibus ou do carro, é obrigado a enfrentar o trânsito infernal de qualquer grande cidade não imagina que acima de sua cabeça outro meio de transporte também disputa um espaço cada vez mais concorrido. São as ondas eletromagnéticas de variadas intensidades, amplitudes e freqüências, que vão e vêm carregando todo tipo de mensagens e imagens. Não se pode vê-las, mas elas estão lá, assim como em toda parte ao redor do mundo - certos tipos de ondas, como algumas de radiodifusão e todas as de televisão, conseguem atravessar a ionosfera terrestre, a 100 mil metros de altitude, e se propagar pelo Cosmo.
É muito difícil estimar o número de todos os tipos de ondas eletromagnéticas que trafegam pela atmosfera. Para se ter uma idéia basta pensar que existem dezenas de milhares de estações de radiodifusão e pouco mais de mil estações de TV espalhadas pelo mundo. Somem-se a esse número os milhões de aparelhos de radiocomunicação instalados em aviões civis e militares, navios, carros de polícia e de bombeiros, ambulâncias, radioamadores e serviços de telecomunicações estatais e privados via satélite. Se todas as ondas eletromagnéticas fossem visíveis a olho nu, o mundo certamente ficaria irreconhecível.
O atual congestionamento do espectro eletromagnético é uma boa medida da necessidade de comunicação entre as pessoas. Desde os primeiros passos da civilização, essa necessidade levou o homem a criar meios de enviar mensagens a distância. Para trocar informações, enviar notícias e saudações já foram usadas as mais diversas formas de comunicação, como pombos-correio, nuvens de fumaça ou mensageiros a cavalo, em carroças ou em navios. Há não mais de cem anos uma mensagem demorava cerca de um mês para ir de navio do Ocidente ao Japão. Até que em 1864 James Clerk Maxwell, professor de Física experimental em Cambridge, na Inglaterra, provou que uma corrente elétrica poderia se propagar à velocidade da luz (300 mil quilômetros por segundo) na forma de ondas.
Pouco tempo depois. em 1888, o físico alemão Heinrich Hertz demonstrou que a previsão de Maxwell era verdadeira. Mas foi o físico italiano Guglielmo Marconi quem primeiro usou as ondas eletromagnéticas em 1901 para transmitir uma mensagem através do Oceano Atlântico. O eletromagnetismo é uma das quatro forças fundamentais que compõem o Universo - junto com a gravitação e as interações nucleares forte e fraca. Uma forma de enxergar o campo magnético (um dos componentes das ondas eletromagnéticas) é fazer a velha experiência escolar de espalhar limalha de ferro numa cartolina e colocar sobre ela uma barra de ímã - imediatamente as minúsculas partículas metálicas se alinham ao longo do campo.
Embora ainda não se conheça tudo sobre essa energia, ela tem sido amplamente explorada nos últimos cinqüenta anos. Depois que se descobriu que uma onda eletromagnética pode se propagar por longas distâncias, o desafio tem sido o de aperfeiçoar técnicas para fazê-la carregar uma quantidade cada vez maior de informação mais e mais longe. Essa onda é chamada portadora porque transporta uma mensagem embutida na variação de sua amplitude e na freqüência com que oscila. Para alguém transmitir um sinal qualquer basta fazer com que um pulso de corrente elétrica passe por uma antena. Como a energia elétrica pode ser uma corrente alternada - porque está constantemente alternando sua polarização, entre positivo e negativo -, no momento em que o pulso é positivo a corrente provoca uma oscilação magnética no campo à volta da antena em certo sentido. Quando o pulso fica negativo, a oscilação é no sentido oposto. Assim, a constância desse movimento alternado cria uma onda.
A grande idéia de Marconi foi a de influir nos pulsos elétricos que passam pela antena de forma similar às batidas dos tambores usados para enviar mensagens entre tribos africanas. Aumentar e diminuir a velocidade das batidas dos pulsos (ou seu ciclo) altera a freqüência com que a onda eletromagnética sobe e desce. Da mesma forma que aumentar e diminuir a força do pulso interfere no tamanho da onda. Foi a Primeira Guerra Mundial que desencadeou a exploração das freqüências de ondas de rádio como meio de comunicação, com a produção em massa de transmissores e receptores encomendados pelos exércitos em conflito. Foi também a partir daí que a atividade radiofônica começou a ser controlada pelos governos.
No final dos anos 20, somente nos Estados Unidos já existiam 732 estações transmissoras de programas de rádio que, particularmente nas maiores cidades, sobrepunham suas ondas umas às outras, criando interferências que tornavam incompreensível a recepção. Para pôr ordem nessa torre de Babel, as autoridades começaram então a regulamentar o uso do que se chamava impropriamente o "éter" (os espaços por onde as ondas se propagam). O rápido crescimento do número de estações de radiodifusão mostrou que as ondas eletromagnéticas são um recurso limitado, que, se não for bem distribuído, gera uma grande confusão. É um recurso natural tanto quanto o são a água e o ar.
A rigor, as ondas servem da mesma forma que as embalagens de produtos das prateleiras dos supermercados: as latas de ervilha devem conter ervilhas que serão compradas por quem quer consumir ervilhas. O fabricante de xampu não pode usar uma lata de ervilhas para vender seu produto pela simples razão de que quem estiver precisando de xampu não vai buscá-lo na prateleira de latas de ervilhas. Como as ondas eletromagnéticas são utilizadas para o transporte de todo tipo de comunicação, podem ser entendidas como embalagens de produtos muito diferentes. Basta imaginar como seria absurdo um piloto de linha aérea ligar o aparelho de comunicação do avião e ouvir música de uma estação de rádio comercial em vez das instruções do controlador de vôo do aeroporto.
Para evitar desastres como esse, a solução foi definir um tipo de onda para cada tipo de usuário. Disciplinou-se o uso do espectro das ondas eletromagnéticas: uma distribuição dessas ondas de acordo com a freqüência. É uma escala dividida em bandas ou faixas ocupadas por ondas que vão das freqüências mais baixas, 30 ciclos por segundo ou 30 hertz (em homenagem ao cientista alemão) até as mais altas de 300 gigahertz ou 300 bilhões de hertz. As ondas curtas e médias são refletidas pela ionosfera e por isso mesmo usadas pelos serviços de radiodifusão que desejam atingir locais distantes - geralmente estações de rádio estatais, como a Radiobrás com sua Voz do Brasil, a Voz da América, do governo americano, ou a emissora pública BBC de Londres.
Da mesma forma fazem os radioamadores, cujos equipamentos têm potência para alcançar outros países. As telecomunicações via satélite, por sua vez, usam freqüências extremamente altas, chamadas microondas, porque conseguem atravessar todas as camadas da atmosfera. Portanto, cada usuário deve utilizar determinada faixa de comprimento de onda, ou faixa de freqüência, alocada para o fim a que ele se propõe. A divisão desse espectro foi definida por um acordo internacional de 1959, mas desde então sucessivas reuniões da União Internacional de Telecomunicações (UIT), ligada à ONU, têm aperfeiçoado e realocado algumas faixas na medida da evolução da tecnologia. Embora o espectro da UIT tenha limites bem definidos, cada país membro da organização estabeleceu pequenas variações de acordo com suas próprias necessidades.
Como se pode perceber na escala do espectro brasileiro, algumas faixas já estão bastante congestionadas. Em São Paulo, onde existe o maior fluxo de telecomunicações do país, na faixa de freqüências muito altas (VHF. do inglês very high frequencies), que vai de 30 megahertz (30 milhões de hertz) até 300 megahertz. não cabe mais nada. É por ela que são transmitidos os sinais de televisão VHF, como os da Rede Globo ou os do SBT, de algumas estações de rádio FM (freqüência modulada) e ainda comunicações de navios, aviões e até de alguns radioamadores. Embora uma imagem de TV precise de um total de 6 megahertz (MHz), tanto na faixa de VHF como na de UHF (ultra high frequencies, dos 300 MHz até os 3 GHz - gigahertz), cabem de fato apenas sete canais na faixa de VHF e pouco mais de dez na de UHF.
Isso porque, além de serem obrigados a compartilhar esse espaço com outros serviços, os canais receberam do governo mais 6 MHz para que não houvesse interferência entre um e outro, o que inevitavelmente aconteceria se existissem emissoras do 2 ao 13. Sendo assim. quem deseja a concessão de uma nova estação de TV em São Paulo precisa utilizar as UHF, como já é o caso da TV +, que ocupa o canal 29, e a TV Jovem Pan, canal 16, ainda em caráter experimental. Este ano deverão estar no ar mais dois ou três canais em UHF, entre eles o 32 da TV Abril.
Embora a situação de São Paulo não seja a mesma em todo o país, o espectro brasileiro já encontra alguma dificuldade para acomodar todas as transformações pelas quais as telecomunicações passaram nos últimos vinte anos. Tanto que o mapa da distribuição de serviços por faixas de onda está sendo revisto pelo Dentel, órgão do Ministério das Comunicações que regula o assunto. Algumas faixas já foram redefinidas. "O mapa mais atualizado e disponível é de 1975 e de lá para cá muita coisa mudou, como as comunicações no meio rural, por exemplo, explica Ivan Pereira Pena, diretor da área de telecomunicações do Dentel. Como a telefonia rural ainda é muito precária, os fazendeiros se comunicam por rádio, numa determinada freqüência que. evidentemente, não pode ser pública.
O exemplo do congestionamento paulista, porém, nem chega perto da situação muito mais estrangulada do espectro americano. Nos Estados Unidos, no caso das TVs, além da ocupação total da faixa de VHF em quase todas as grandes cidades, boa parte das UHF também estão sendo usadas. Outros tipos de serviço criam um aperto ainda mais difícil de administrar. Apenas o governo, incluindo as forças armadas, utiliza boa parte do espectro para telecomunicações reservadas. Pesquisas científicas em Radioastronomia, outro tanto. O caso da telefonia móvel é bem representativo. Esse tipo de telefone funciona à base de ondas de rádio, geralmente em VHF, e pode ser transportado para todo lugar, dentro do carro ou até mesmo na pasta. A demanda pela telefonia móvel cresceu muito nos Estados Unidos nos últimos anos; para atendê-la, as companhias telefônicas reivindicam a ocupação de faixas de UHF, em sua maior parte originalmente destinadas às redes de TV.
Concorrem por esse mesmo espaço os serviços de radiofonia móvel que atendem à polícia e aos bombeiros. Sem falar nas grandes redes de TV que querem investir na HDTV - televisão de alta definição. É que a HDTV, ainda em desenvolvimento, precisará de faixas 50 a 100 por cento maiores que as das televisões comuns. Embora também o brasileiro ainda esteja distante da maravilha que será a HDTV, está próximo de usufruir a comodidade da telefonia móvel. No ano passado, o governo abriu concorrência para que empresas privadas comecem a explorar esse mercado em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Ainda não existe decisão oficial acerca da faixa de onda a ser usada por esses telefones, mas é muito provável que seja em UHF.
Como a tendência geral é aumentar o número de usuários de um espaço que fisicamente não pode crescer, governos e universidades de vários países, entre eles o Brasil, estão patrocinando estudos para maximizar o aproveitamento do espectro. Uma hipótese é a digitalização de sinais - transformar os sinais de rádio e TV em sinais digitais, a linguagem usada pelos computadores -, o que reduziria bastante o espaço ocupado por uma transmissão. Mas ainda resta desenvolver tecnologia de baixo custo para esse fim. "O maior desafio é definir uma tecnologia que possa ser produzida em massa", observa Joseph Straubhaar, professor do Departamento de Telecomunicações da Universidade do Estado de Michigan, temporariamente lecionando na Universidade de São Paulo. Enquanto isso não acontece, existe uma alternativa que pode desafogar bastante o congestionamento do espectro: o uso dos cabos de fibra ótica, capazes de transportar quantidades colossais de dados por um fio de fibra de vidro da espessura de um cabelo, sem ocupar o espectro eletromagnético no meio ambiente.

Confusão ganha a guerra eletrônica

Nos momentos finais da Segunda Guerra Mundial, o primeiro-ministro britânico Winston Churchill previu que os futuros conflitos passariam a ser travados principalmente entre engenheiros eletrônicos militares. Quarenta anos depois, os fatos lhe dão razão: o novo campo de batalha é efetivamente o espectro eletromagnético. Mas, ao contrário da distribuição organizada que existe entre os usuários dos serviços pacíficos, é justamente a confusão o que mais interessa aos guerreiros eletrônicos. Foi assim que os argentinos conseguiram pôr a pique o navio britânico Sheffield na Guerra das Malvinas, em 1982.
Um caça supersônico argentino Etendard localizou o Sheffield utilizando um sinal de radar com ondas eletromagnéticas tão precisas e potentes que os marinheiros ingleses o confundiram com os sinais de radar de seus próprios caças Harrier. Depois foi só lançar um missil Exocet também equipado com um sofisticado sistema de orientação eletrônica. O radar do Sheffield apenas percebeu seu engano segundos antes do impacto. Na guerra eletrônica as melhores armas são as que conseguem fazer o melhor uso de determinadas faixas de ondas. Como a informação rápida e exata é imprescindível até mesmo para a menor das unidades de combate, ganha quem possuir os equipamentos com os quais se possa comunicar sem que o inimigo interfira.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Artista venezuelano faz sucesso com tatuagens hiper-realistas


Artista venezuelano faz sucesso com tatuagens hiper-realistas


Tatuagem que lembra braço mecânico é destaque.

Yomico Moreno mantém estúdio de tatuagens em Caracas.


O artista venezuelano Yomico Moreno, que mantém um estúdio de tatuagens em Caracas, ganhou



destaque por causa de suas tatuagens hiper-realistas.


Tatuagem feita pelo artista Yomico Moreno lembra um braço mecânico. (Foto: Reprodução)
Em seu site, Moreno traz inúmeros trabalhos. A tatuagem que lembra um braço mecânico é uma
das que chamam atenção.

Yomico Moreno ganhou destaque por causa de suas tatuagens hiper-realistas. (Foto: Reprodução)


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Museu recria história da humanidade com 1,5 milhão de peças Lego


26/09/2012 08h38 - Atualizado em 26/09/2012 08h57

Museu recria história da humanidade com 1,5 milhão de peças lego

Mostra pode ser visitada na cidade alemã de Hamburgo.
Exposição reproduz com peças Lego cenários da história.

O museu arqueológico Helms, na cidade alemã de Hamburgo, recria a partir desta quarta-feira em uma exposição a história da humanidade com o uso de 1,5 milhão de peças lego.


Exposição reproduz com peças Lego cenários da história. (Foto: Reprodução/Helmsmuseum.de)
A mostra, intitulada 'Viagem pelo tempo de lego', ilustra ao longo de 30 metros doze ambientes, que vão desde uma aldeia neandertal até uma estação espacial, passando pela Roma antiga, com seus moradores e gladiadores, todos feitos de lego.
Para construir os ambientes, que já puderam ser vistos anteriormente no Museu Neandertal de Mettmann, foram gastos cinco meses na montagem das peças.
A exposição, que sucede a bem-sucedida mostra sobre a Idade do Gelo, reproduz com detalhes cenários da história da humanidade.
O visitante pode ver homens pré-históricos caçando um mamute, gladiadores lutando na areia e colonos americanos guiando seus rebanhos pelas planícies.
Entre as diversas maquetes, figuram paisagens como os Jardins Suspensos de Babilônia, a Grande Pirâmide de Gizé e a Grande Muralha chinesa, assim como modelos de navios vikings, castelos da Idade Média e naves espaciais.
A exposição é complementada com objetos originais da coleção do museu arqueológico, como um machado de pedra de um caçador de mamute, tabuletas cuneiformes de Mesopotâmia, cerâmica do Egito dos faraós e flechas de índios da América do Norte.
A exposição fica em cartaz até 31 de janeiro de 2013.

Cientistas criam "bola de futebol" mais fina que um fio de cabelo


25/09/2012 06h00 - Atualizado em 25/09/2012 06h00

Cientistas criam 'bola de futebol' mais fina que um fio de cabelo

Superfície da 'suprabola coloidal' tem gomos como um bola de futebol.
Objeto poderia ser aplicado na produção desde remédios até televisores.

Cientistas anunciaram nesta segunda-feira (24) a criação de uma “bola de futebol” que é mais fina que um fio de cabelo. O avanço pode ter diversas aplicações no campo da nanotecnologia, sendo usado na produção desde remédios até televisores.
As bolas são formadas por um conjunto de micropartículas de poliestireno, que é um tipo de plástico. As partículas se juntam em uma esfera quase perfeita por meio de um processo natural, usando a evaporação da água.


À esquerda, a microbola; à direita, a superfície em detalhes, com os 'gomos' da bola (Foto)

A equipe de Álvaro Marín, da Universidade de Twente, na Holanda, colocou as micropartículas suspensas em água. Essa solução foi colocada sobre uma superfície “hidrofóbica”, ou seja, que repele a água.
Nessa superfície, a solução fica praticamente suspensa. As gotículas de água se apoiam sobre pequenos pontos como em uma cama de pregos – os cientistas chamaram esse efeito de “faquir”, em referência a quem pratica a técnica de se deitar sobre essas camas.

Sobre esses “pregos” as gotículas de água adquirem um formato redondo e mantêm esse formato durante a evaporação, mesmo quando adquirem tamanhos microscópicos. Quando toda a água evapora, as micropartículas de poliestireno se juntam no mesmo formato redondo, criando as “microbolas de futebol”.
A comparação com bolas de futebol foi feita pelos próprios pesquisadores, porque cada micropartícula fica marcada na superfície, em um pentágono que lembra a costura dos gomos de uma bola. O nome científico do objeto é “suprabola coloidal”.
“Nossa principal motivação era construir uma estrutura microscópica como essa de uma forma passiva, sem manipulação complexa. É o que chamamos de ‘automontagem’ e é a abordagem que tentamos seguir para construir coisas no mundo microscópico”, afirmou Marín.
O pesquisador disse que o objeto poderia ser usado para encapsular medicamentos com segurança, já que envolve pouca manipulação. Ele afirmou ainda que o objeto tem “propriedades ópticas interessantes”, e que pode ser usado nesse sentido, na produção de televisores, por exemplo.
O estudo foi publicado pela "PNAS", revista da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.

ISS pode ter que fazer manobra para desviar de lixo espacial


26/09/2012 14h18 - Atualizado em 26/09/2012 14h18
ISS pode ter que fazer manobra para desviar de lixo espacial

Satélite aposentado russo pode entrar na rota da estação espacial.
Em 2011, astronautas buscaram refúgio em nave por situação semelhante.


Mapa mostra lixo espacial na órbita terrestre
(Foto: Nasa / AP Photo)

A Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) pode ser obrigada a manobrar para se esquivar dos restos de um satélite de espionagem militar russo abandonado, informou nesta quarta-feira (26) um porta-voz do Centro de Controle de Voos Espaciais (CCVE) da Rússia.
"Dois pedaços do aparelho espacial Kosmos-2251 podem ameaçar a segurança da estação. Para evitar o lixo espacial, pode ser necessária uma manobra da ISS", afirmou a fonte à agência "Interfax".
Em caso de necessidade, a plataforma orbital poderia corrigir sua órbita já nesta quinta-feira, com ajuda do cargueiro europeu ATV. Em janeiro, a estação corrigiu sua órbita para evitar a colisão com um fragmento de satélite americano Iridium-33.

Os restos deste satélite se espalharam pela órbita terrestre em 10 de fevereiro de 2009, depois que ele se chocou com o Kosmos-2251, o que fez com que ambos se partissem em mais de mil fragmentos.
Em junho de 2011, a perigosa proximidade do lixo, que passou a apenas 250 metros da estação, obrigou os seis tripulantes a evacuar a plataforma e buscar refúgio nas naves Soyuz que nela estavam acopladas.
A corporação aeroespacial russa Energuia constrói uma nave tripulada para recolher lixo espacial, principal ameaça para a ISS. Os pesquisadores das principais agências espaciais acreditam que mais de 700 mil fragmentos de lixo espacial vaguem na órbita terrestre.


sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Ardente Prazer - Cebola e Alho


ARDENTE PRAZER - Cebola e Alho



O alho e a cebola estão entre os primeiros vegetais que o homem aprendeu a cultivar. Valeu a pena - apesar do cheiro e do choro.

Diz uma antiqüíssima lenda turca que, ao ser expulso por Deus do Paraíso, Satanás ao menos conseguiu cair sobre a Terra com equilíbrio e galhardia. Onde o Demônio colocou o seu pé esquerdo nasceu o alho. Onde ele pôs o pé direito brotou a cebola. De fato, tais produtos referem muito do Inferno em seu caráter e na sua biológica composição. A cebola, especialmente, ostenta em seu bulbo uma essência volátil e lacrimogênea, fortemente sulfurosa e cianídrica, como deve ser o Reinado das Trevas, se de fato existir em algum lugar.
Parentes muito próximos, o alho e a cebola, como o aspargo, provêm todos da ordem das Lilifloras. Como também a cebolinha-verde, a echalota e o poró, cebola e alho fazem parte da família botânica das Liliáceas e do gênero Allium, conforme a clássica descrição do taxionomista sueco Carolus Linnaeus (1707-1778). Desse ramo em diante, todavia, a confusão se estabelece através de 950 espécies diferentes.
A cebola se chama Allium cepa. O alho, A. sativum. O poró, A. porrum ou A. ampeloprasum, dependendo do definidor. A cebolinha-verde, A. shoenoprasum, A. fistulosum ou A. tuberosum. Denomina-se igualmente A. fistulosum a cebolinha-de-inverno, scallion para os ingleses e scalogno para os italianos, muito semelhante à verde, com a raiz bem mais gorducha e alentada. E ainda existe quem considere no mesmo molde a famosíssima echalota, miúda, de pele bronzeada e no formato de um dente gigantesco de alho, na realidade A. ascalonicum. O motivo da bagunça é fácil de explicar. Ocorre que o gênero Allium é desconhecido em estado selvagem.
Suas plantas estão entre as primeiras que o homem aprendeu a cultivar, perto de 10 ou 12 mil anos atrás, e todas parecem derivar de um certo A. oschaninii, que, posteriormente, por meio de misturas e hibridações, abriu-se no atual leque formidável de variedades bem semelhantes e ao mesmo tempo, em seus mais íntimos meandros, totalmente diferenciáveis. Só na categoria da A. cepa  há perto de 350 subtipos no formato, na cor, no aroma e no paladar. Ocorreu um emaranhado de perplexidades, por conseqüência, na determinação histórica do nome comum do produto.
A meada provavelmente iniciou-se no grego arcaico kepe, que significava ardência, e aos poucos foi-se transformando em kepaia  e, no latim, virou caepa  e no gaulês se tornou cepa  e cive, civet, ciboulette. Simultaneamente, nos dialetos românicos, falava-se em unio, pois a cebola é monocotiledônea, ou seja, possui uma única membrana embrionária ao redor da sua semente individual. De unio se chegou a unionen, a ungeon, a oingnon  e enfim ao francês oignon  e ao inglês onion. Felizmente perdeu-se na obscuridade o termo aigrum, que nos idos medievais se utilizava para caracterizar o alho, a cebola, a echalota, a raiz-forte e até o agrião.
Quem chorou primeiro ao cortar uma cebola? Provavelmente os mesopotâmicos, os assírios e os caldeus que a transportaram ao Egito. Uma inscrição cuneiforme na linguagem gráfica mais primitiva que se conhece, a sumeriana, relata que autoridades da cidade de Babilônia foram punidas, nos entornos de 2400 a.C., por roubarem a iguaria, acompanhada de pepinos, que os cidadãos deixavam num templo de oferendas divinas. O venerando Código de Hammurabi, princípio de todas as leis do planeta, já estipulava que os miseráveis receberiam como donativo do governo uma ração mensal de pão e cebola - aliás, o alimento básico dos escravos que erigiram as pirâmides de Quéops, Quéfrem e Miquerinos.
Era hábito, naqueles tempos, rodearem-se os corpos dos defuntos mumificados com cebolas, particularmente entre o tórax e os braços, sobre os olhos e junto às orelhas, e em toda a zona pélvica. Havia a crença de que o produto, por causa das suas infindáveis folhas superpostas, funcionaria como um caminho no rumo da imortalidade. Mágica sabedoria. De fato a A. cepa  dispõe da comprovada propriedade de auxiliar a conservação de outros alimentos, graças a um de seus componentes químicos, o qüercitol, admirável antioxidante e antifermentante natural. Ainda hoje, na França, sobrevive uma curiosa seita religiosa, com cerca de 4 mil fanáticos, que adoram a cebola como uma deidade capaz de lhes assegurar a vida eterna - cada fiel da coisa come meia dúzia delas, cruas, por dia. No século de Péricles, entre 500 e 400 a.C., o então famoso mercado ateniense de vegetais se destacava pelo vasto rol de espécies que os gregos comiam com alho, repolho, ervilhas e lentilhas.
Não se sabe exatamente, porém, de que maneira e quando a cebola desembarcou em Roma. No último século antes de Cristo, o poeta Horácio glorificou a A. cepa como um componente crucial de sua "dieta econômica". Marcus Gavius Apicius, na mesma época, desandou a usar a cebola nas receitas então muito requintadas de seu pioneiríssimo compêndio gastronômico, como integrante de marinadas, molhos ou companhia para pratos de carne ou de peixe. Logo, pão com cebola passou a representar uma combinação muito comum no desjejum dos romanos, rapidamente apegados ao seu cultivo na península inteira, em especial nas áreas mais pobres do centro e do sul.
No primeiro livro sobre agricultura jamais escrito, o filósofo Lucius Yunius Moderatus Columella, nos entornos do ano 50, manifestou a sua paixão ardente pela cebola de Pompéia, nos arredores de Nápoles. Ironicamente, quando os arqueólogos escavaram as ruínas da cidade destruída em minutos por uma erupção do vulcão Vesúvio, um dos itens encontrados foi uma cesta de cebolas calcinadas pelo calor. Local do achado: um bordel, circunstância capaz de demonstrar que os freqüentadores e/ou as damas do local não se constrangiam com a pungência da iguaria.
Nas feiras romanas, de todo modo, os vendedores de cebola eram obrigados a expor a sua mercadoria bem distante dos tabuleiros com frutas e outros vegetais. Apenas por volta de 110, quando o imperador Trajano construiu o seu fantástico mercado em Roma, a cebola mereceu mais respeito num recanto da edificação em que réstias gigantescas, como uma floresta de estalactites, desciam do teto ao piso do andar inferior. Germanos e eslavos também se fascinaram com o produto, uma escolta indispensável de seus assados. Carlos Magno (742-814), o inspirado e visionário rei dos francos, fundador do Sacro Império Romano - Germânico, dominador de um território que se espraiava da Áustria à Bélgica, exigiu a sua plantação organizada nas hortas de seu palácio; aliás, grande gastrônomo e fascinado pela agronomia, ele foi o responsável pela implantação extensiva na Europa de uma infinidade de cultivares.
A cebola fazia parte obrigatória das relações de dotes que os camponeses entregavam, como pagamento de impostos, aos senhores feudais. Na Inglaterra de Elizabeth I (1533-1603), o matrimônio de cebola e alho-poró, representava a salada predileta da aristocracia. E A. cepa  ia fazendo o seu providencial sucesso também no Novo Mundo. Em 1624, um certo padre francês, Père Marchette, instalou uma colônia num ponto remotíssimo ao sul do Lago Michigan, nos futuros Estados Unidos, e deu-lhe o nome de Chicago, a palavra que os nativos locais utilizavam para definir o forte olor que emanava das abundantes plantações de cebola da região. Tal iguaria acabou codificada, por Linnaeus, como Allium canadensis.
Do outro lado do planeta, os arquitetos eslavos se baseavam nos desenhos bulbosos da A. cepa e das suas variedades para com eles enfeitarem as cúpulas e as torres das igrejas, um hábito que se estenderia do apogeu do czarismo russo até a vitória dos revolucionários comunistas sobre o despotismo e o desgoverno de Nicolau II em 1917. Nesse trajeto, ninguém resolveu, porém, a questão do choro induzido imediatamente pelo corte de uma cebola.
As simpatias antilágrimas se multiplicaram, certamente a um número incomparável dentro das atividades culinárias. Há quem descasque e fatie o produto debaixo da água ou perto do fogo, na esperança de dissipar os gases da incômoda essência. Há quem congele a cebola antecipadamente e há quem lhe dê um banho de forno aceso em ponto forte. Há quem coloque um palito de fósforo na boca - a madeira teria a capacidade de absorver a oleosidade sulfurosa e cianídrica que a cebola dissipa no ar. Há, enfim, quem crie uma máscara protetora, mordendo uma lasca bem grande de casca de pão.
Patetices à parte, a solução ideal é sempre a mais simples e mais prática. Basta talhar a cebola ao meio e então cortá-la finalmente, no sentido vertical, o miolo voltado para baixo, com uma faca bem delgada, superafiada, com movimentos firmes, que separem sem machucar. O cheiro que perdurar nas mãos pode ser eliminado com sal e limão, ou sal e vinagre. Encontram-se amostras de A. cepa o ano inteiro, embora as melhores costumem maturar nos meses de frio. A produção mundial, em 1988, situou-se em torno de 20 milhões de toneladas, quase a metade delas proveniente da Ásia, em particular da China, o maior plantador mundial.
O Brasil participa com quase 3,5 por cento da produção, 650 mil toneladas, 40 por cento colhidas no Estado de São Paulo, dos tipos Baía-Piracicaba (de aspecto periforme, bojudo, película clara e interior creme-avermelhado) e Monte Alegre (de bulbo esférico e tonalidades creme-amareladas). Em geral, as cebolas menores e mais jovens apresentam maciez e pungência superiores, devendo ser privilegiadas, na gastronomia, em relação às maiores e às idosas. De todo modo, durante o cozimento, praticamente todos os tipos de A. cepa se igualam. O ideal é se escolherem cebolas firmes, de bom peso em relação ao seu volume, com as peles exteriores bem secas e transparentes, sem machucaduras ou brotos aparentes. Evitar, sempre, as molengas, umedecidas ou transpirantes, com pontos pretos nas camadas de fora.
Dependuradas em algum lugar fresco, enxuto, escuro e ventilado, as cebolas podem resistir várias semanas ao armazenamento, sem desperdício de suas características alquímicas. Evitar, sempre, sacos de plástico ou outro material não poroso. Jamais guardar cebolas no refrigerador. No caso, eventual, de surgirem brotos numa A. cepa, os seus verdes podem tranqüilamente ser utilizados como cebolinhas. No departamento das técnicas culinárias, a A. cepa  é tratada com extrema simplicidade. Os seus múltiplos métodos de cozimento não exigem espertezas especiais de chef algum. De todo modo parece interessante revelar alguns truques. Por exemplo, quando se despejam cebolas inteiras num caldo ou molho, não se esquecer de furá-las até o meio, com um garfo ou um espeto, cruzadamente, a fim de aliviar as pressões internas e impedir que o bulbo exploda. Durante uma fritura, usar o fogo forte exclusivamente no princípio da operação e rebaixar a chama pouco a pouco para que os óleos essenciais do produto se misturem à gordura em vez de se evaporar. Nunca permitir que as cebolas se queimem, pois isso as tornará acres e difíceis de digerir.
A A. cepa  não se destaca por seu conteúdo vitamínico. Dentre os sais minerais que contém, os mais abundantes são o cálcio, o potássio, o sódio, o fósforo e principalmente o flúor. Na sua composição, 88 por cento corresponde à água e 10 por cento aos glicídios, numa correlação de aproximadamente 40 calorias por cada 100 gramas. Medicinalmente, desde os mesopotâmicos a cebola carrega a tradição de ser um bom diurético, auxiliando as funções renais. Também se comprovou a sua competência no tratamento das bronquites asmáticas de estimulação alérgica.

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Dez Teorias à Procura de uma Prova - Ciências


DEZ TEORIAS À PROCURA DE UMA PROVA - Ciências



Um Universo que se divide sem cessar em infinitos outros mundos. Um planeta dotado de vida, cujos habitantes são escravos de seus genes e um dia serão imortais, fazendo parte de máquinas mais inteligentes do que eles. Eis algumas das hipóteses que perturbam o senso comum e desafiam a própria ciência enquanto esperam o julgamento.

No século XVII, era preciso ter boa dose de imaginação e mente aberta a idéias novas, por mais anticonvencionais que fossem, para aceitar que a Terra girava ao redor do Sol e não o contrário. Os mesmos predicados eram necessários no século passado para que se começasse a desconfiar da existência de organismos ainda menores do que as bactérias, os vírus. Neste século, especialmente nos últimos quarenta anos, as ciências se expandiram tanto e em tantas direções que apenas imaginação e mente aberta não parecem bastar para receber com o devido respeito as elucubrações científicas que a toda hora vêm contradizer verdades aceitas. Isso porque, freqüentemente, as novidades oferecidas pelos cientistas tendem a lidar com conceitos e acontecimentos cada vez mais distantes não só da experiência cotidiana como também dos horizontes intelectuais das pessoas leigas.
Como encarar, por exemplo, a idéia de que o Universo pode possuir uma brecha no espaço e tempo semelhante a um buraco aberto por um verme na polpa de uma fruta? Ou que toda matéria orgânica seria dotada de uma espécie de memória que Ihe permite assumir a sua forma específica? Ou ainda que a Terra é um gigantesco ser vivo, que controla os entes que a habitam? Dez dessas teorias são apresentadas nestas páginas. Elas têm em comum, além da aparente excentricidade, o fato de não haverem ainda vencido cabalmente o desafio da demonstração: só o futuro dirá se de fato desencadearam as revoluções científicas que prometiam ou não passaram de lamentáveis enganos. Instigantes como são, em todo caso, e por trazerem as assinaturas de pesquisadores profissionais ligados quase sempre a boas casas do ramo, merecem ser apreciadas com imaginação e mente aberta - até porque, como já foi dito, se a realidade fosse apenas aquilo que aparenta ser, a ciência seria desnecessária.

1 Teorema de Bell

"Quem não estiver preocupado com o teorema de Bell é porque tem uma pedra no lugar do cérebro", afirmou certa vez, maldosamente, a renomada revista científica Physics Today. "Quem", no caso, não seria um mortal comum, preocupado com as trivialidades do mundo aparente, mas algum desbravador dos rarefeitos territórios da Física de Partículas, alguém familiarizado, por exemplo, com o chamado Paradoxo de Einstein - Podolsky-Rosen, ou EPR. Trata-se do mortífero torpedo intelectual armado em 1935 por Einstein e seus colegas Boris Podolsky e Nathan Rosen para pôr a pique o polêmico Princípio da Incerteza, formulado oito anos antes pelo alemão Werner Heisenberg e que constitui um dos fundamentos da Mecânica Quântica. Tal princípio afirma a primazia do acaso na ordem universal; contra ela o mesmo Einstein comentou com sarcasmo que "Deus não joga dados".
 Ao contrário da Relatividade, a teoria quântica sustenta que a mera observação de um fenômeno pode afetar o dito fenômeno - pelo menos no plano subatômico. Ou seja, a ciência não pode garantir que algo aconteceu efetivamente; apenas pode dizer que existe a probabilidade de algo ter acontecido. Pois bem. Reduzida aos seus termos mais simples, a armadilha montada pela trinca de físicos antiquânticos consistiu em enunciar que a medição de uma partícula jamais poderia afetar outra partícula gêmea que estivesse a anos-luz de distância, pois nada pode viajar mais depressa do que a luz.
Mas, se a Mecânica Quântica estivesse certa, ao mudar o movimento de rotação interna (spin) de uma partícula pertencente a um sistema de duas partículas idênticas, sua irmã gêmea seria afetada, estivesse onde estivesse. Em 1964, o físico americano John Bell, trabalhando no CERN de Genebra, atual Laboratório Europeu de Física de Partículas, construiu a base teórica para se testar experimentalmente o paradoxo EPR. Ele desenvolveu uma fórmula matemática que ficou conhecida como a Desigualdade de Bell, por expressar a diferença entre a teoria quântica e a Relatividade. O resto foi uma questão de tempo. Em 1982, de fato, os resultados de uma experiência com partículas de luz, conduzida pelo francês Alain Aspect, da Universidade de Paris, permitiram concluir que os quânticos afinal estavam com a razão - provavelmente.

2 Hipótese Gaia

O planeta Terra está vivo e pode regular a sua geologia, o seu clima e os seres que o habitam. Esta é a essência da Hipótese Gaia, exposta pela primeira vez há quase vinte anos pelo biólogo inglês James Lovelock e considerada atualmente a Bíblia dos ecologistas. Parece estranho à primeira vista que uma bola de rocha fundida, flutuando em algum ponto da Via Láctea, esteja viva e dotada de um mecanismo auto-regulador. Mas Lovelock, um estudioso de várias disciplinas que já foi consultor da NASA, compara o planeta a uma árvore gigante, com 99 por cento de madeira morta, e apenas uma fina película de tecido vivo sobre a superfície.
Segundo a teoria de Lovelock, que recebeu o nome de Gaia em homenagem à deusa grega que designa a Terra, os seres que povoam o planeta se encarregam de produzir dióxido de carbono e outros gases que mantêm a temperatura de sua superfície. São esses mesmos seres que regulam a turbulenta e instável mistura gasosa da atmosfera, ao utilizá-la ao mesmo tempo como fonte de matéria-prima e depósito de materiais que não necessitam. Lovelock afirma, por exemplo, que um dos fatores de equilíbrio do planeta são as florestas, que, ao causar seus próprios incêndios, mantêm a taxa de oxigênio do ar e assim se auto-renovam.
Se a concentração de oxigênio na atmosfera fosse de 30 por cento em vez dos 21 por cento normais, especula o biólogo, os incêndios florestais seriam devastadores. Se, ao contrário, a taxa fosse só de 12 por cento, não haveria incêndios e as florestas acabariam. Qual o papel do homem nesse eterno jogo de xadrez entre a vida e o ambiente? Para Lovelock, o ser humano, parte desse sistema, contribui ao ajuste do equilíbrio terrestre. Mas, adverte, à medida que o homem o altera e prejudica o ecossistema da Terra, ela própria se encarregará de eliminá-lo. Isso lembra inevitavelmente a teoria da mão invisível do mercado, tão cara aos economistas liberais clássicos. Segundo eles, o mercado tende por si só a regular os interesses conflitantes de vendedores e compradores de bens e serviços de modo a manter o sistema em permanente equilíbrio. Existiria também a mão invisível da natureza?

3 Mundos múltiplos

Os princípios da Mecânica Quântica, desenvolvidos a partir da década de 20, segundo os quais a matéria tanto pode manifestar-se como partícula ou como onda, levaram os físicos americanos Hugh Everett III e Bryce De Witt a conclusões que desafiam o senso comum. Segundo afirmam, se existir esse Universo descontínuo implícito nas hipóteses quânticas, a cada momento podem estar sendo criados novos mundos separados e inacessíveis entre si. Ou como afirmou De Witt, atualmente na Universidade do Texas, referindo-se ao movimento que ocorre nas microscópicas dimensões subatômicas da matéria: "As transições quânticas existentes em cada estrela, em cada galáxia, em cada canto remoto do Cosmo, fazem com que ele se divida em incontáveis cópias de si mesmo". De Witt explica que não se trata de algo comparável a imagens espelhadas dos corpos celestes conhecidos, como por exemplo uma Terra igual a esta do outro lado do Universo. Para ele, tais cópias do Cosmo teriam suas próprias dimensões de espaço e tempo, portanto não seriam observáveis nem acessíveis de forma alguma.

4 Universo de dez dimensões  

As três dimensões conhecidas do homem são apenas uma fração do total que existe no Universo - dez, das quais nove espaciais e uma temporal. Toda essa abundância existe com certeza, senão no Universo, ao menos na teoria das supercordas, formulada, entre outros, pelos físicos John Schwartz, americano, e Michael Green, inglês. Cordas, naturalmente, é força de expressão. Trata-se de fios inacreditavelmente extensos, finos e pesados nos quais se teria cristalizado, logo depois da formação do Universo, parte da energia liberada na Grande Explosão.
A noção de supercordas é uma conseqüência da teoria sobre a unificação das forças básicas do Universo, o que englobaria a gravitação. As dez dimensões, no caso, são artifícios matemáticos que permitiriam essa unificação. Para que o Universo viesse a ser o que é, concebe-se que seis daquelas dimensões se compactaram durante o processo do Big Bang. Em contrapartida, as outras quatro - comprimento, altura, largura e o tempo - se expandiram. Segundo Schwartz e Green, ainda deve existir algum resíduo cósmico daquela compactação fantástica. Mas onde estariam as seis dimensões ocultas? Em tudo, respondem os pesquisadores, ocupando porém um espaço imperceptível, algo como a expressão 10-33, ou seja, o número 1 antecedido de 33 zeros.

5 Campos morfogenéticos 

Quando, em 1981, o jovem biólogo inglês Rupert Sheldrake (rima com Mandrake) publicou a obra em que expunha sua excêntrica teoria dos campos morfogenéticos, a respeitada revista científica britânica Nature afirmou que o livro era "o melhor candidato que havia aparecido em muitos anos para ser lançado ao fogo". Um colega de Sheldrake, talvez mais caridoso, limitou-se a dizer que suas idéias eram "moderadamente brutas". De fato, contrariando os conceitos fundamentais da Biologia Molecular, Sheldrake, um especialista em fisiologia vegetal que foi trabalhar na mística Índia, formulou a hipótese de que a forma e mesmo a conduta de toda matéria orgânica, das células aos organismos complexos, é determinada por um tipo peculiaríssimo de memória, os campos morfogenéticos.
Graças a eles, por exemplo, o DNA de uma célula da pele do braço saberia por assim dizer que pertence ao braço e não ao fígado - e isso explicaria por que as formas de um organismo se preservam, embora as células se renovem sem cessar. Em outras palavras, cada nova célula já nasceria conhecendo o seu lugar, sem ter sido ensinada pela herança das miríades de células que a antecederam. Mais ainda: essa misteriosa, impalpável memória se acumularia entre os seres vivos de uma mesma espécie de tal modo que os novos membros aprenderiam determinada tarefa sempre mais facilmente do que seus ancestrais.
Segundo Sheldrake, o campo morfogenético estaria para a Biologia como o campo gravitacional está para a Física: uma área elástica na qual uma grande massa provocou um afundamento. O campo das formas seria semelhante, uma dimensão plana até aparecer o primeiro átomo, que nela produzirá a primeira dobra; quando a forma estiver completa, haverá ali um vale. Quanto mais a forma se repetir, mais fundo será o vale - alcançando profundidades abissais no caso de formas com milhões de anos de existência. As células encontrariam o campo morfogenético que lhes corresponde por meio de um efeito que Sheldrake denomina ressonância morfogenética, algo tão imaterial que não seria descabido comparar à telepatia. E o DNA, enfim, seria a antena que captaria as mensagens pelas quais as células se orientariam.

6 Buraco de verme

Um dos conceitos da Física moderna que mais arrepia o senso comum e soa extravagante mesmo para ouvidos habituados aos malabarismos cosmológicos é o do buraco de verme - nada menos do que um rasgo no tecido do espaço e tempo ou, como já foi comparado, um túnel às paragens mais remotas do Universo. A idéia de que o Cosmo possa comportar tal abertura, da mesma forma que uma fruta pode conter em sua polpa uma cavidade aberta por um inseto, foi anunciada num congresso científico americano há exatamente um ano pelo físico Alan Guth, do Massachusetts Institute of Technology, o respeitado MIT. No início da década, Guth também espantou muita gente ao propor a teoria chamada do Universo inflacionário, segundo a qual, uma fração de segundo depois do Big Bang, a matéria, ainda incrivelmente condensada, começou a inflar como um balão e nunca mais parou, gerando o Universo conhecido.
O conceito do buraco de verme descende em linha direta da noção da Relatividade formulada por Albert Einstein. Nela, o genial físico sustentava que corpos extremamente densos ou maciços distorcem o espaço e o tempo nas proximidades. Ora, raciocinou Guth, uma dessas distorções poderia assumir matematicamente a forma de um tubo. atravessando o Universo por dentro. Daí a analogia com o buraco através do qual um bichinho entra numa maçã, percorre o seu interior por esse atalho e sai do outro lado muito mais depressa do que se tivesse feito o mesmo itinerário rastejando pela casca.
A implicação da idéia para a Cosmologia é atordoantemente simples: a partir do buraco de verme, um novo Universo poderia formar-se, "criando seu próprio tempo e espaço no processo", segundo teoriza Guth. Já para a fantasia científica, a implicação não é menos embriagadora: a partir do buraco seria possível fazer viagens instantâneas no tempo, rumo ao futuro bem como ao passado. O problema é que o buraco aberto pelos conceitos de Guth seria mais estreito do que um átomo, com a desvantagem adicional, por razões que a razão mal consegue conhecer, de sumir no mesmo momento em que se formou.

7 Era do silício

As previsões aterradoras de certos contos de ficção científica de um Universo dominado pelas máquinas, em que o homem seria apenas um escravo dos computadores, não assustam o cientista da NASA Robert Jastrow. Astrônomo e geólogo, Jastrow lidera uma corrente de pensamento entre o místico e o científico que acredita na possibilidade de uma fusão do homem com os equipamentos por ele criados, visando a sua própria imortalidade - e não acha nada de errado nisso. "A Terra está assistindo ao fim da era em que a vida se baseou no carbono", assegura o cientista, referindo-se à matéria-prima dos seres vivos. "Em seu lugar estão começando a aparecer novas formas de existência - indestrutíveis imortais, com infinitas possibilidades - baseadas no silício", a matéria-prima dos chips eletrônicos.
Segundo as surpreendentes idéias de Jastrow e de outros que pensam como ele, o computador cada vez mais especializado salvará a humanidade de um mundo cada vez mais complexo. O engenheiro americano James McAlear, por exemplo, fundou uma empresa especializada na fabricação de biochips. O seu grande sonho é criar uma espécie de cyborg, como o personagem do seriado americano de televisão, parte humano e parte máquina, que supere em eficiência os simples mortais.

8 Memória holográfica

Durante muito tempo se pensou que a memória habitasse no cérebro um espaço determinado. Pensou-se também que esse domicílio ficasse na região chamada hipocampo, no centro da cidade cerebral - e de fato o hipocampo tem papel decisivo na fixação das informações a serem armazenadas no processo de memorização. A idéia de que as lembranças têm residência fixa foi um desdobramento da teoria segundo a qual cada manifestação do organismo, sem exceções, possui casa própria na anatomia do cérebro. Embora elegante, esse modelo não conseguiu passar pela prova das experiências em laboratório. Isso induziu os cientistas a buscar uma hipótese alternativa para explicar o mistério da memória.
Entre outros, o neurofisiologista americano Karl Pribram, da Universidade de Stanford, na Califórnia, acabou encontrando o que lhe pareceu a chave do enigma: a memória não se localizaria em algum ponto específico da estrutura cerebral, como um documento impresso apenas ali, mas se distribuiria igualmente por toda parte do cérebro, como um holograma no espaço. Justamente ao conhecer os fundamentos matemáticos do holograma, descobertos pelo húngaro Denis Gabor, pesquisadores como Pribram perceberam de estalo as analogias entre aquela técnica e a memória. No holograma, com efeito, as informações se encontram uniformemente divididas, ou seja, cada parte contém a imagem do conjunto. Segundo Pribram, todos os estímulos chegam ao cérebro como se fossem dados matemáticos percorrendo as células nos impulsos nervosos. E o cérebro os codifica em forma de holograma, armazenado como uma impressão na estrutura cerebral inteira.

9 Panspermia

No começo do século, o físico-químico sueco Svante Arrhenius (1859-1927), Prêmio Nobel em 1903, sugeriu que as minúsculas formas primordiais de vida na Terra vieram do espaço, propelidas por algum vento cósmico. Embora não tivesse base científica, a suposição serviria de fundamento, várias décadas depois, para uma original hipótese sustentada pelo cientista inglês Fred Hoyle e pelo cingalês Chandra Vickramansinghe. Para eles, os microorganismos originais alcançaram a Terra a bordo de um cometa que desabou aqui há cerca de 4 bilhões de anos. A hipótese contesta a idéia mais aceita sobre a origem da vida terrestre a partir da chamada sopa primitiva onde se teriam formado, com o concurso da energia desencadeada por chuvas de relâmpagos, as primeiras moléculas orgânicas; delas se originariam os aminoácidos, as proteínas, os genes e, enfim, por sucessivas mutações, organismos cada vez mais complexos.
Hoyle calcula que, para surgir uma única proteína, teriam sido necessárias algo como 1040 (o número 1 seguido de quarenta zeros) tentativas de combinações de aminoácidos - uma probabilidade virtualmente nula mesmo nessa loteria de dimensões cósmicas. Já o cometa, argumenta ele, é um maravilhoso veículo interestelar, cuja cauda desprende um calor capaz de proteger seus eventuais micropassageiros das baixíssimas temperaturas no espaço. Na suposta colisão com a Terra, tais passageiros foram parar num ambiente paradisíaco, onde a água do oceano e a radiação solar lhes davam sustento e condições de se desenvolver. Essa hipótese supõe que a vida surge em toda parte no Universo, daí o nome panspermia (do grego pan, total, e sperma, semente). É. Pode ser.

10 Gene egoísta

O biólogo inglês Richard Dawkins, professor da Universidade de Oxford, defende uma idéia assustadora: todo ser vivo é na essência um escravo de seus genes e tudo o que faz se destina no fundo a garantir a sobrevivência, não exatamente de si próprio como indivíduo, mas dessas moléculas da vida. E a evolução seria o mecanismo que proporcionaria condições cada vez melhores à existência e à reprodução dos genes. Assim, dotados da extraordinária propriedade de criar cópias de si mesmos, os genes induziriam o processo de seleção natural sempre de modo a aumentar as suas chances de perpetuar-se. Isso equivale a dizer, por exemplo, que um peixe é uma máquina destinada a assegurar a sobrevivência de genes no meio aquático, assim como os pássaros no meio aéreo.
O gene, de acordo com essa tese, poderia ser comparado a um patrão que tivesse uma e apenas uma idéia fixa - sobreviver a qualquer custo - e obrigasse os seus servos a trabalhar para sempre exclusivamente com tal objetivo. Isso engendraria o egoísmo humano, também absoluto, mesmo quando o que se manifesta é o seu oposto, o altruísmo, o comportamento capaz de desconsiderar conveniências pessoais em beneficio do outro. Nada disso, sustenta Dawkins. Toda conduta expressa uma insondável estratégia dos genes, como se eles tivessem procedido a uma análise exaustiva, em cada caso, do que assegura maior probabilidade de sobrevivência. Ou seja, o altruísmo seria o egoísmo mais eficiente para uma situação especifica. Dawkins jura que ele mesmo não consegue acostumar-se com essa sua idéia. Não deve ser o único.



A Grande Família dos Elefantes - Natureza



A GRANDE FAMÍLIA DOS ELEFANTES - Natureza



Durante trezes anos, duas cientistas viram de perto como vivem os maiores animais terrestres e fizeram uma descoberta: pelos laços sociais que mantêm, são parecidos com o homem.

Gordo, orelhas grandes, nariz alongado e dentuço. Se fosse homem seria um homem muito estranho. Como se trata do elefante, a comparação faz mais sentido do que se imagina. Afinal, o maior ser vivo terrestre parece ter muito em comum com os humanos, como descobriram as zoólogas americanas Cynthia Moss e Joyce Poole, após treze anos observando grupos desses paquidermes no Parque Nacional de Amboseli, ao pé do monte Kilimanjaro, no Quênia, África Oriental. A maior novidade, revelada no livro Elephant Memories (Memórias de Elefante, ainda não publicado no Brasil), é que esses robustos animais possuem uma rede de vínculos sociais muito mais complexa, por exemplo, que a de outros mamíferos superiores, como os chimpanzés e os gorilas.
Da mesma forma que nas sociedades humanas, a família ocupa o lugar central na vida dos elefantes. Ou ocupava - antes que o extermínio em massa provocado pelo comércio de presas, afinal proibido, desarticulasse por falta de indivíduos a organização social da espécie. Uma família de paquidermes se compõe de dez a trinta espécimes, dirigidos por uma velha e experiente elefanta, obedecida igualmente por todos - com exceção dos machos adultos -, desde os filhotes até as mães, tias e outras avós na casa dos sessenta anos, idade em que começam a perder definitivamente os dentes, para morrer em seguida. Mesmo quando uma fêmea velha perde o posto de chefe de manada, para outra mais jovem, não perde o respeito e as atenções da família, que Ihe reconhece a experiência.
Boas avós, aproveitam a aposentadoria para cuidar ativamente dos netos menores. Elas não são as únicas nesta tarefa. Na verdade, as mães em fase de amamentação e os bebês-elefante, que as seguem por toda a parte, recebem proteção e cuidados especiais dos outros membros da família, incluindo outras mães. Fora desses estreitos laços familiares, uma manada de fêmeas e filhotes marchando em fila também mantém contato com outras manadas em busca de comida. Se a vegetação for abundante após a época das chuvas, nos meses de janeiro e fevereiro, mais de cem animais podem se reunir de madrugada ou no fim da tarde para pastar em grupo - num único dia um deles é capaz de comer até 225 quilos de vegetação, ou seja, algo como 0,03 de seu peso; para um homem de 70 quilos, isso equivaleria a ingerir diariamente pouco mais de 2 quilos de comida. Outra missão coletiva é afugentar inimigos, como é o caso dos leões. Se alguma cria for atacada, as fêmeas, não importando sua relação familiar com a vítima ou sua posição hierárquica dentro da manada defenderão com toda força o filhote. Apesar dos mais de 100 quilos de um elefante recém-nascido, a preocupação com sua fragilidade não é um exagero de mães corujas.
De certa forma como o homem, que nasce despreparado para sobreviver sozinho após nove meses de gestação, os bebês-jumbo vêm ao mundo precisando ser cuidadosamente liberados do ventre da mãe pelas trombas das tias, que trabalham como excelentes parteiras, antes de se tornarem babás. Depois de 22 meses de gestação, os filhotes aprendem a colocar-se sobre as patas, ainda cambaleantes, e a deslocar-se junto com a manada logo no primeiro dia de existência. Em compensação, não sabem mamar corretamente. Inexperientes, podem confundir a mãe com uma tia que não dispõe de leite, um erro habitual que explica a elevada taxa de mortalidade entre crias menores de dois anos. Ainda que a alimentação do filhote seja completada com matéria vegetal a partir dos três ou quatro meses, o leite materno é fundamental para seu desenvolvimento. Ao nascer, um macho pesa apenas 2 por cento do seu peso de adulto, que pode chegar a 7 toneladas (a altura alcançará 4 metros, até o lombo). Já as fêmeas mais volumosas chegam a 3,6 toneladas e 3,5 metros.
Mesmo entre os elefantes um pouco mais velhos a amamentação pode representar a diferença entre a vida e a morte na época da seca, quando o alimento e a água escasseiam.
O período em que o leite materno está disponível dura normalmente três anos e termina quando a mãe dá à luz um novo bebê. Mas a falta de alimento obviamente torna o leite menos nutritivo e abundante. Cynthia e Joyce, as pesquisadoras americanas, observaram que os filhotes machos consomem mais alimentos que as fêmeas e continuam a buscar com insistência as tetas da mãe até os oito anos de idade. Assim, nos tempos de seca, embora privilegiados pelas mães, os machos sofrem mais com a falta de leite. Daí porque apenas metade deles chega à idade adulta. A expectativa de vida das fêmeas, ao contrário, é maior: só um terço morre antes dos doze anos. Não só nisso os elefantes machos manifestam um comportamento bem diferente. Na sociedade paquiderme existe uma separação estrita dos sexos: não há machos que liderem manadas mistas.
Os jovens permanecem no circuito familiar um máximo de doze anos, idade em que abandonam a manada para viver solitários quase todo o ano ou entrar para a sua versão de clube do Bolinha, onde quem manda é o elefante maior ou mais forte. Durante a juventude, os machos não contam para nada na hierarquia social e até os 25 anos não representam ameaça ao poder dos maiores. A partir dos 30 anos, quando começam a competir pelas fêmeas, tornam-se violentos, a ponto de serem temidos por outros mais velhos. Nessa idade, ocorre o fenômeno conhecido como musth, provocado pelo aumento do hormônio sexual testosterona no organismo, que excita o animal, tornando-o agressivo por um período de aproximadamente três meses.
Essa mudança temporária de comportamento só havia sido documentada antes entre os elefantes asiáticos, uma espécie diferente, de porte menor, que habita a península indiana e o Sudeste asiático, onde são ao mesmo tempo santificados e utilizados como animais de carga. Em seu livro, Cynthia descreve uma daquelas lutas por fêmeas: "Dionysius, um magnífico exemplar de 5,5 toneladas de peso, não temia nenhum adversário até que se encontrou com Iain. Lutaram quase oito horas no extremo de um bosque de acácias, enquanto o resto da manada os observava. Finalmente, Dionysius caiu ao solo. Havia perdido, ainda que, dessa vez, conservasse a vida." Em ambas as espécies, o macho vencedor da batalha passa a investir em seguida contra a fêmea, que é acossada, encurralada e montada sucessivamente. Em três ou quatro dias, o trombudo Dom Juan perde o interesse pela fêmea e deixa o campo livre a outros candidatos. Ao se aproximarem da manada masculina, as fêmeas são atraídas pelos perfumes afrodisíacos produzidos pelos machos nos momentos de excitação sexual.
Glândulas situadas na altura das têmporas segregam essa substância odorífera. Muito sociáveis e comunicativos, os elefantes também têm uma vida amorosa apaixonante fora do período de acasalamento. É comum vê-los se apalpando e se acariciando com a tromba. Revestida por grande número de condutos nervosos, esta se caracteriza pela forte sensibilidade. Algumas vezes eles a introduzem ousadamente na boca do outro, fazendo lembrar beijos ardorosos do cinema. Em outras ocasiões, um elefante furioso pode utilizá-la para golpear o solo ameaçadoramente numa situação de conflito. Na verdade, a tromba de um elefante é como uma ferramenta de múltiplos usos, equivalente, guardadas as devidas proporções, à mão humana. Valendo-se dela, os paquidermes podem arrancar com grande facilidade ervas e rochas e transportar ou deslocar enormes troncos de madeira. Mas o elefante não nasce sabendo do que sua tromba é capaz. O elefante jovem muitas vezes limita-se a conservá-la na boca, como um bebê chupando o dedo. Para realizar tarefas mais complicadas como animal de tração, são precisos pelo menos vinte anos de treino com domesticadores especializados.
A tromba é imprescindível para beber. O elefante, verdadeira caixa-d´água ambulante, pode sugar de uma só vez até vinte litros de água, que ficam armazenados em seu estômago como reserva para ser esguichada sobre a cabeça e assim resfriar seu cérebro sensível durante as longas caminhadas sob o sol. Graças a este recurso, esses animais conseguem suportar as longas estiagens da savana africana, embora tenham poucas glândulas sudoríparas na pele, cuja espessura não é tão grande quanto o volume do corpo que recobre. Depois da tromba, as orelhas são as partes mais comunicativas dos paquidermes. A tal ponto que se pode dizer que os elefantes falam pelas orelhas.
Na espécie africana, cada uma pode medir até dois metros quadrados de área, constituindo um dos sistemas de percepção mais sensíveis entre todos os seres vivos: distinguem e analisam as diferentes expressões sonoras de seus semelhantes como se formassem uma verdadeira linguagem. Ajustáveis em diversas posições, também servem como um perfeito sistema de sinalização, parecido com as bandeirolas utilizadas para orientar as manobras dos aviões em aeroportos. Assim, o bater de orelhas contra a cabeça pode significar ou uma saudação, quando duas famílias amigas se reencontram, ou um simples chamado da fêmea para suas crias. Quando dois machos se preparam para a luta, abrem ao máximo as orelhas a fim de se apresentarem maiores aos olhos do inimigo.
As orelhas dos elefantes são também inconfundíveis documentos de identificação. Não apenas possuem formas individuais, mas apresentam, com o decorrer das longas vidas dos bichos, marcas especiais como cavidades e riscas. Esta característica permitiu às investigadoras americanas saber quem era quem na vastidão dos 200 quilômetros quadrados do Parque Nacional de Amboseli. "Cada orelha é como uma impressão digital humana. O que fizemos foi fotografar cada uma dessas "impressões" para classificar e estudar depois os animais", conta Cynthia Moss. Ela e sua companheira só não conseguiram encontrar os lendários cemitérios de elefantes, descritos pelos nativos da região.
A conclusão das pesquisadoras é que tais cemitérios não existem, embora seja verdade que os elefantes se retiram para morrer solitários em um lugar onde esperam obter água e abrigo sem muito esforço. "O que esses colossos parecem ter é um pressentimento da morte", explica Joyce Poole. Quando uma manada encontra um colega sem vida, todos param, inspecionam cuidadosamente com suas trombas o corpo imóvel - como para determinar sua identidade - e o cobrem com terra e folhagens. Os elefantes que acabam de perder um parente direto seguem a manada à distância durante alguns dias. É sua maneira peculiar de manifestar publicamente o luto pela perda de um ente querido.

Presas fáceis

Dez anos atrás, 1,3 milhão de elefantes pisavam o solo da África. Hoje existem talvez 625 mil. Os números falam por si: nesse ritmo a espécie desaparecerá inteiramente no tempo recorde de dez anos. E nunca antes a sobrevivência da espécie dependeu menos da adaptação ao meio natural do que das decisões de homens engravatados instalados a vários milhares de quilômetros das savanas africanas. De fato, em outubro último, delegados de uma centena de nações reuniram-se em Lausanne, na Suíça, para tentar salvar os elefantes. Eles representavam os países que assinaram a Convenção Internacional sobre Comércio de Espécies em Extinção (CITES, na sigla em inglês), de 1986 que regula o comércio do marfim, obtido das presas de elefantes, além de outros produtos de animais em extinção.
A vítima mais próxima, em mais de um sentido, é o rinoceronte, abatido por causa do seu chifre. Segundo a versão anterior do acordo, os elefantes podiam ser livremente comercializados dentro de cotas estabelecidas pelos países que possuem manadas. Agora, 76 votos declararam a espécie em extinção, não podendo mais ser caçada, na mesma condição de gorilas e pandas. A decisão ganhou o apoio mundial para acabar com o mercado do marfim, que movimenta anualmente 1 bilhão de dólares, o equivalente, por exemplo, ao valor da produção brasileira de suco de laranja.
Entretanto, países africanos como Zimbábue, Burundi e Moçambique, que sustentam suas economias com o marfim, negam-se a respeitar o acordo. Calcula-se que, apenas durante a semana dos debates na Suíça, cerca de mil elefantes foram mortos naqueles países por caçadores mercenários. A fascinação pelo marfim faz parte da história humana há mais de 5 mil anos. Pentes e utensílios dessa modalidade de osso foram encontrados em antigas tumbas egípcias. Acredita-se que o rei hebreu Salomão pode ter se sentado em um trono de marfim.
Neste século, o marfim tornou-se uma matéria-prima industrial. Na década de 20, por exemplo, milhares de elefantes foram mortos para atender à demanda dos Estados Unidos de 60 mil bolas de bilhar, além de incontáveis teclas de pianos. Hong Kong, o maior mercado do mundo, importou 3 900 toneladas de marfim na última década, o que representou a morte de mais de 400 mil elefantes. Na verdade, se a regulamentação agora pretendida perder a batalha para a beleza meramente decorativa de uma estatueta, a derradeira esperança dos elefantes poderá ser o consumidor. Afinal, depende de cada um comparar o enfeite à terrível imagem dos animais com as presas arrancadas, e tomar a decisão certa.

Que bicho é esse?

Tamanho e peso são algumas das mais evidentes características dos elefantes, que podem ser de duas espécies: Loxodonta africana, encontrada ao sul do deserto do Saara, e Elephas maximus, nativa da península indiana e do Sudeste asiático, ambas da família Elephantidae, ordem Proboscidea. O elefante africano é maior, com até 7 toneladas e 4 metros contra um máximo de 5 toneladas e 3 metros de seu distante primo asiático. Sua figura também é facilmente reconhecida pelo inconfundível nariz alongado - a tromba -, pernas em forma de coluna, cinco dedos nas patas, orelhas grandes (especialmente a variedade africana) e cabeça ainda maior. Em geral. os elefantes são cinza ou marrom, com pêlos esparsos e presas, estas ausentes apenas nas fêmeas da espécie indiana. Os mamutes, uma espécie de elefante de pêlos avermelhados e longas presas, foram uma variedade pré-histórica de 2,5 milhões de anos, semelhante à dos elefantes de hoje, apenas adaptada ao clima frio do hemisfério norte. O elefante que se conhece hoje já podia ser encontrado cerca de 20 milhões de anos atrás.