Mostrando postagens com marcador comercio. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador comercio. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

COMERCIO - A magia da Black Friday - Conheça 5 curiosidades sobre a data

COMERCIO - A magia da Black Friday - Conheça 5 curiosidades sobre a data

Consumidores de todo o planeta aguardam ansiosamente a data para comprarem produtos com desconto.

domingo, 26 de dezembro de 2021

A origem da Black Friday nos Estados Unidos e no Brasil

A origem da Black Friday nos Estados Unidos e no Brasil

Com promoções imperdíveis, a data se consolidou como um dos momentos mais importantes para o comércio.

quarta-feira, 20 de março de 2019

Carne artificial - Os cientistas britânicos que estão criando bacon em laboratório

Carne artificial - Os cientistas britânicos que estão criando bacon em laboratório

Diversos projetos buscam produzir proteína animal artificial em larga escala, 
mas produtos ainda não estão sendo comercializados — Foto: BBC

Pesquisas com proteína animal de laboratório buscam um futuro em que não precisemos abater animais para nos alimentar; além disso, reduz emissões e consome menos água.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

O que de fato representa o encontro entre Donald Trump e Kim Jong-Un


O que de fato representa o encontro entre Donald Trump e Kim Jong-Un


Há pouco mais de um ano, poucos apostariam que um dia os atuais líderes dos Estados Unidos e da Coreia do Norte iriam se encontrar civilizadamente. 

sábado, 4 de março de 2017

Inventor do primeiro videogame também foi um dos criadores da bomba atômica


Inventor do primeiro videogame também foi um dos criadores da bomba atômica


Uma versão moderna de "Tennis for Two", conhecido popularmente como o primeiro videogame do mundo.

Para quem nasceu na década de 1970 para cá, videogames têm sido uma parte relativamente corriqueira de suas vidas, de uma forma ou de outra.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

World Wide Web - 13 principais momentos


World Wide Web - 13 principais momentos


Artigo de Berners-Lee que deu origem à rede saiu em 12 de março de 1989.
Guerra de navegadores, Napster e vírus fazem parte da história da 'www'.

quinta-feira, 17 de março de 2016

NASA destaca possibilidade de colapso da civilização


NASA destaca possibilidade de colapso da civilização


Estudo encomendado pela agência espacial americana sugere que a humanidade está em risco - o sistema de produção e exploração seria impossível de ser mantido.

Um estudo encomendado pela NASA e divulgado essa semana destaca a possibilidade de que, nas próximas décadas, a humanidade entre em colapso. A exploração insustentável de recursos naturais e o aumento da desigualdade na distribuição de renda seriam as principais causas.

terça-feira, 31 de março de 2015

Invasão do muco verde pelo mundo expõe marca pegajosa da destruição da natureza


Invasão do muco verde pelo mundo expõe marca pegajosa da destruição da natureza


Um estranho limo verde está se espalhando pelo mundo e obstruindo rios na Europa, América do Sul e Oceania. Trata-se de uma espécie de muco, produzido pela alga microscópica Didymosphenia geminata. O Didymo, como foi apelidado, é transportado pelo ser humano, através de barcos que navegam por diferentes rios.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Tudo beleza - Bioquímica


TUDO BELEZA - Bioquímica


No ano passado, os brasileiros gastaram 906 milhões de dólares tentando apagar as rugas. Para quem acha que eles compraram ilusão em potes e bisnagas, os pesquisadores da área da Cosmiatria - o estudo médico e bioquímico dos cosméticos - rebatem: suas novas poções são científicas. Desde o dia 1º deste mês, a Sociedade Européia das Indústrias de Cosméticos proíbe que um produto acene com efeitos mágicos se eles não forem provados. As maiores empresas brasileiras do setor têm acordos com os europeus e, por isso, devem topar essa prova de fogo. Além dos exames biológicos, entram computadores para analisar a imagem de cada centímetro quadrado de pele antes e depois de um tratamento. Poros, marcas, tamanho das rugas, tudo vai ser milimetricamente medido. Quem quiser experimentar um creme, deve procurar os resultados de testes na bula. Se não conseguir achá-las é porque o cosmético não pertence à nova safra. Melhor deixá-lo na loja.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

1ª loja física do Brasil a vender bitcoin quer levar moeda virtual para a rua


1ª loja física do Brasil a vender bitcoin quer levar moeda virtual para a rua

Casa de câmbio BitcoinToYou, em Curitiba, a primeira do Brasil a vender a moeda virtual em loja física. (Foto: Divulgação/BitcoinToYou)

Curitiba recebe casa de câmbio; venda física já ocorre em NY e Londres.
São Paulo, Brasília e Florianópolis devem receber lojas até agosto.

Criado para ser negociado pela internet, o BITCOIN começa a sair do mundo dos computadores no Brasil. A casa de câmbio BitcoinToYou abre nesta terça-feira (17) a primeira loja física do país para comprar e vender a moeda virtual.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Alô, Alô, Câmbio - Economês Traduzido

ALÔ, ALÔ, CÂMBIO - Economês Traduzido



Antes um assunto obscuro de especialistas, o câmbio virou centro das atenções desde que governos inventaram de estabilizar suas economias com base nele. Agora, você tem que saber como funciona o câmbio para dormir tranqüilo. Ou para entender por que muita gente anda perdendo o sono.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Por que o livro é caro no Brasil - Cultura


POR QUE O LIVRO É CARO NO BRASIL - Cultura


Não é novidade para ninguém. Nos Estados Unidos e na Europa, um livro sai bem mais barato que no Brasil. Vamos só lembrar um dos muitos exemplos. Na França, um dos volumes com as aventuras de Asterix (vendidos em livrarias, não em bancas) sai pelo equivalente a R$ 8,95. Aqui, custa R$ 17,00. A capa, o tamanho, o número de páginas, os quadrinhos, tudo é idêntico. Só o que muda é o idioma que vem dentro dos balões. Claro: os custos da tradução não explicam o aumento.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Internet S.A. - Informática

INTERNET S.A. - Informática


Serviços comerciais e programas mais simples de usar transformam a maior rede de informações do planeta em um negócio que rende muito dinheiro.

terça-feira, 11 de março de 2014

Por que elas estão sumindo - Lontras


POR QUE ELAS ESTÃO SUMINDO - Lontras


Pescadores, poluição, mercado de peles - estes são os pdas Pescadores, poluição, mercado de peles - estes são os principais acusados pelo desaparecimento das lontras. Espertas, elas pareciam ter tudo para ser invulneráveis.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Encontro de Civilizações - História


ENCONTRO DE CIVILIZAÇÕES - História


Há 500 anos, quando chegou ao Caribe, Colombo não imaginava que sua aventura colocaria frente a frente mundos tão estranhos. De um lado, a Europa, dividida entre a modernidade e o passado feudal. Do outro, a rica cultura de astecas e incas, que infelizmente não sobreviveu ao confronto.

domingo, 30 de dezembro de 2012

A velha mania de estar na MODA - Comportamento


A VELHA MANIA DE ESTAR NA MODA - Comportamento



No desfile da história, as pessoas sempre se vestiram para expressar desejos e influenciar os outros. A roupa pode ajudá-las a seduzir, a impor respeito, a se destacar na sociedade. Muitas vezes, elas querem mostrar ao mundo que estão bem informadas: é quando seguem os lançamentos dos estilistas.

Não, o primeiríssimo grito da moda não deve ter sido a folha de parreira para cobrir o sexo, como dita a Bíblia, mas peles de animais jogadas sobre os ombros feito estolas-um estilo típico do Período Paleolítico, há quase 100 000 anos. O modelo fazia sucesso por total falta de opção, já que impedia os movimentos e, ainda por cima, deixava exposta boa parte do corpo à baixa temperatura da Época Glacial. Mas, então, o homem não conseguia vestir nada diferente: teve, primeiro, de aprender a amaciar as peles; no início, com uma laboriosa mastigação, como até hoje fazem as mulheres dos esquimós; além disso, só há 40 000 anos surgiram as agulhas de chifres, para costurar os retalhos das caças sob medida para o manequim primitivo. 

Quem pensa, no entanto, que a roupa só servia para espantar o frio, se engana. Os desenhos nas cavernas mostram que, mesmo nas regiões mais quentes do planeta, onde se desfilava nu há cerca de 20.000 anos, vestiam-se roupas em ocasiões muito especiais. Isto é, nos rituais mágicos, onde nasceu a moda. A ancestral latina dessa palavra, modus, se desdobra em dois significados: é maneira como algo deve ser feito e, também, a lei. Uma lei com força suficiente para impulsionar as confecções a movimentar, no ano passado, cerca de 25 bilhões de dólares, só no Brasil. O segredo desse faturamento continua sendo a magia-hoje, bordada pela publicidade-, ou seja, a crença de que um pedaço de pano dá ao usuário o poder de influenciar o mundo em que vive. Da mesma maneira como o homem primitivo tinha uma moda ou um modo de vestir para atrair a caça, para vencer uma guerra ou para cultuar os mortos, o homem moderno se veste de jeito diferente para seduzir, para fechar um negócio ou para descer a rampa de um palácio. A sensualidade se expressa na transparência de um tecido, a competência se transforma no alinhado terno, a seriedade pode ficar por conta de uma gravata francesa, marca Hermès, quem sabe.O figurino varia com o cenário. Ninguém faz ginástica de fraque", ironiza o economista Carlos Eduardo Machado. professor da Universidade de São Paulo, com pós-graduação em Comunicação. "Mas, independente disso, o fato é que esse figurino serve para cada um encarnar o seu personagem." Na opinião de Machado, em matéria de guarda-roupa, as pessoas seguem mitos ou seja, comportamentos idealizados: "A idéia inconsciente é que se você imita a aparência de uma pessoa bem-sucedida, então compartilhará esse sucesso", exemplifica. Autor de uma tese sobre indumentárias, Machado tem o aspecto desleixado, alvo de duras críticas da filha: "Ela diz que estudo moda porque não sei me vestir", e dá de ombros. Ele próprio sempre, evitou o fenômeno da imitação que diagnostica na sociedade. "Na minha adolescência, os jovens usavam topete como Elvis Presley, mas meus cabelos não paravam no lugar", Iembra o professor, hoje aos 47 anos. "Então, desisti do penteado da moda."Assim como Machado teimava com o topete diante do espelho, para ficar parecido com o ídolo americano, milhares de pessoas insistem em discar para o Centro de Atendimento ao Telespectador (CAT), instalado pela Rede Globo de Televisão, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Meia dúzia de funcionários dão conta de 10.000 ligações semanais: 2.000 delas são em busca dos endereços das lojas onde se encontram os modelitos exibidos pelos repórteres dos jornais e pelos astros das telenovelas. De acordo com os registros do CAT, a última musa foi Stela, interpretada por Glória Pires, a heroína com alma de noviça e corpo de manequim, da novela O dono do mundo. "Já me vesti como a Madonna, como a Tieta da novela e como alguma personagens de cinema", admite, compreensiva, a atriz; baiana Ingra Liberato, estrela da novela Ana Raio e Zé Trovão, exibida pela, Rede Manchete em seu horário nobre. Sua personagem uma peoa, disparou e uma exótica onda de botas, chapéus e esporas nos centros urbanos. "Isso vai desaparecer", prevê a atriz. "O Brasil não tem clima para moda country"De fato, o clima sempre foi um fator determinante da moda-a tanga provavelmente só poderia ter aparecido no escaldante Rio de Janeiro. "Atenção: a moda ousa sob medida", adverte o economista Machado. "Se ela for contra algum tabu da sociedade, não se disseminará." Dai talvez a desenvoltura das minissaias das cariocas, contrastando com a deselegância discreta das paulistanas, cantada por Caetano Veloso. " Por mais que as revistas mostrem decotes, a moda só cola nos locais onde as pessoas aceitam a idéia de mostrar o corpo", alinhava o professor.
Mas, esclareça-se, cortar tecido, para desnudar certas curvas da carne, não é sinônimo de modernidade. Há dois milênios, na Grécia Antiga, as cidadãs cretenses lançaram o topless: Da realidade, elas exibiam vestidos com mangas e saia em forma de sino, que deixavam os seios descobertos. Creta, aliás, é passarela obrigatória para quem vai seguir os passos da história da moda. Em primeiro lugar, porque ali a roupa ganhou o caráter de sedução, o qual nunca mais despiu- fora de seus arredores, as túnicas das mulheres eram muito parecidas com os trajes masculinos. A grande diferença, então, era o comprimento: nas mulheres, o tecido arrastava até os tornozelos. enquanto nos homens, mal escondia os joelhos. O mais curioso é que foi justamente na Grécia, famosa pelo legado da democracia, que a roupa passou a ser o divisor de ricos e pobres. O historiador Heródoto (484 - 420 a.C.) menciona em seus escritos um decreto ateniense que proibia os escravos e as pessoas de classes inferiores a freqüentar o teatro e outros lugares públicos com roupas tingidas. As chamadas classes superiores, no entanto, tinham liberdade para usar tons vivos, como o vermelho, o amarelo e o roxo.
Roma, nos mesmos tempos antigos, não era diferente: listras estreitas estampavam a toga de magistrados e aristocratas, enquanto as listras largas indicavam que a túnica pertencia a um senador ou a um alto oficial. Segundo o sociólogo José Carlos Durand, professor da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, da Antiguidade até o fim da Idade Média o vestuário passou a ser, cada vez mais, um símbolo de status. Na medida em que as monarquias centralizadas colocaram fim ao feudalismo, criou-se todo um código de regulamentação do vestuário. "Existiam leis que limitavam o uso de cores e dos tecidos mais raros aos poderosos", explica o professor.
Essas leis, chamadas suntuárias, foram derrubadas pela Revolução Francesa, em 1789, com seus ideais de liberdade. igualdade e fraternidade. "Até hoje, passados mais de dois séculos, a classe alta tenta se distinguir pela roupa", observa Durand, em trajes sóbrios, que denotam cuidado na escolha. "Uma moda criada pela classe alta, até chegar ao cabide do operário ou da empregada doméstica, já passou pela classe média", raciocina o sociólogo. Desse modo, ao cumprir esse trajeto, já não serve para destacar os ricos que, nessas alturas, começam a consumir outra moda."A igualdade pregada pelos revolucionários franceses ficaria sem reflexo no espelho, se a Europa não tivesse presenciado, na mesma época, entre 1760 e 1830, a chamada Revolução Industrial-esta, literalmente, deu panos para manga."Antes, o material de costura era praticamente restrito às elites", compara Durand. "As máquinas para confecção, porém, permitiram o desenvolvimento das fiações, que passaram a produzir muito mais tecido." Por sua vez, essa montanha de tecido não podia ficar às traças. "Até o final do século XVIII, ser chique era aparentar tradição, como muitas pessoas defendem até hoje", conta a economista doméstica Maria Elisa Garavello, da Universidade de São Paulo, que mora na tranqüila Piracicaba, cidade do interior do Estado. "Mas, para desencalhar suas mercadorias, a indústria passou a valorizar o novo. Surgiu, assim, a moda sazonal, os lançamentos de inverno e de verão", explica. Os homens, contudo, não escorregaram no consumismo. E desse modo, vestiram a fama de ser um sexo irredutivelmente clássico. Mas, de acordo com os estudiosos, ninguém deveria comprar essa idéia: no pouco caso masculino existia uma enorme preocupação com a moda. Aliás, talvez, nunca os homens estiveram tão sintonizados com o jogo das aparências. Afinal, imperava o ócio no Antigo Regime derrubado pelos revolucionários franceses.Nenhum homem podia fazer muita coisa, carregando entre 8 e 10 quilos de babados - era quanto pesava, em média, o traje típico de um senhor elegante, no final do século XVII. As perucas masculinas, no mesmo período, tornaram-se ainda mais longas do que no século anterior, quando eram a grande novidade. Os revolucionários, portanto, ao protestar contra o regime, adotaram um visual oposto ao vigente, ou seja, extremamente simples e sóbrio. "Estar na moda é incorporar os símbolos de determinado grupo social", justifica Maria Elisa "É como afirmar aos outros, através das roupas, que você está bem informado sobre o que se passa no mundo." De fato, a palavra demodé -do francês, fora de moda- chega a ser sinônimo de desatualizado. "O curioso é que, na mesma época, as mulheres começaram a se enfeitar cada vez mais", observa Maria Elisa. A economista, aliás, escreveu um estudo sobre o consumo de vestuário de suas companheiras de sexo. "As lojas recebem menos mulheres acima dos 30 anos", garante." As solteiras gastam muito dinheiro com roupa", suspeita. "Depois do casamento, é como se tivessem cumprido seu papel social. Então, apelam para modelos discretos e transferem os enfeites para os filhos." Segundo Elisa, as jovens se comportam de maneira oposta: "Suas roupas têm de ser realmente justas, elas detestam qualquer acréscimo de pano, que escondem os contornos do corpo", revela. Uma das mais antigas disputas do mundo da moda também nasceu logo depois da Revolução Francesa. A Inglaterra e a França começaram a se alfinetar por motivos políticos, mas a briga continuou no guarda-roupa: nas ruas londrinas, as mulheres não dispensaram os vestidos de Paris, que sempre eram os mais bordados e cheios de panos; os alfaiates ingleses, de seu lado, vingaram a onda estrangeira, com cortes exemplares de roupas masculinas. Resultado: até nestes tempos modernos, da camiseta e da calça jeans, muitas mulheres ainda sonham em possuir a obra de um costureiro francês no armário, da mesma maneira como os homens esnobam elegância ao usar o tradicional terno inglês.
A mulher só optou pela praticidade no início deste século, quando eclodiu a Primeira Guerra Mundial. Boa parte dos tecidos, já escassos, era destinada à confecção de uniformes para os soldados nos campos de batalha europeus. Na ausência do marido convocado, a mulher começou a trabalhar -muitas vezes, usando a roupa do companheiro distante ou morto na guerra. Ninguém traduziu melhor o novo comportamento feminino do que a francesa Gabrielle Chanel (1883 1971). Coco Chanel, como preferia ser chamada cortou os cabelos na nuca-no penteado que notabilizou seu nome-, substituiu o rodado dos vestidos por uma saia reta, cujo comprimento também passou pela tesoura, parando um palmo abaixo dos joelhos, facilitando a vida de quem, a partir da década de 20, teria de andar até um escritório e, quem sabe, pegar o bonde. O traje era complementado por um casaco: estava criado o famoso tailleur. O novo visual, para a época, era chocante. Mas Coco Chanel, embora tenha nascido em uma família pobre, circulava pela nata da sociedade européia-e assim, das colunas sociais, acabou sendo imitada pela multidão de trabalhadoras.
Nesse mesmo período o homem deprimido pela guerra e pela situação  econômica mundial, começou a vestir, com freqüência, preto e cinza", compara Fernando de Barros, diretor da revista Claudia Moda. "Só recentemente, ele voltou a usar roupas coloridas. A moda masculina muda numa velocidade muito mais lenta do que a feminina." Para Barros, que nunca dispensa o par da gravata e do lenço guardado com falsa displicência no bolso do paletó, os homens são muito mais ligados em griffes da moda do que o sexo oposto-constatação que pode ser surpreendente. "Eles são muito mais técnicos, querem a roupa perfeita. As mulheres são mais criativas, aceitam o efêmero, querem sempre renovar", analisa com segurança.
Na verdade, as mulheres abandonaram a austeridade ainda na década de 40, quando Hollywood, a capital do cinema americano, passou a ditar a moda. Era a fantasia dos musicais contra o clima deprimente pós-Segunda Guerra. "O dia-dia incorporou o glamour dos filmes", nota a historiara da arte Cyntia Garcia, ex-estilista, diplomada em Florença, na Itália. Hoje, ela passa os dias prestando consultoria de moda a diversas confecções. "Na verdade, as pessoas o continuar seguindo a moda pelos mesmos motivos do homem primitivo A próxima revolução quem sabe, vai estar no estilo das roupas, com a chegada das fibras sintéticas", estima Cyntia. "Essas fibras permitem a criação de modelos como o próprio cinema já havia previsto para o futuro-coladas no corpo, tal como nos filmes de ficção científica. " 

Cifras em voga

Há muito dinheiro dentro da cesta da costura verde e amarela: as 13 830 confecções nacionais empregam 1,6 milhão de pessoas e, juntas, faturaram cerca de 25 bilhões de dólares no ano passado. Em comparação com 1989, porém, as vendas das vinte maiores empresas da área retrocederam, em média, 18,7%. Nesse período, a indústria têxtil também diminuiu 10% de sua produção As razões da queda não estão apenas na crise econômica, que multiplica o número dos descamisados, mas também na fabricação das fibras sintéticas: no Brasil, a matéria prima tem qualidade inferior e, para agravar, são bem mais caras. 

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Fenícia S.A. Comércio & Navegação - História



FENÍCIA S.A. COMÉRCIO & NAVEGAÇÃO - História



Qualquer porto onde os magníficos barcos fenícios atracassem logo se transformava em fervilhante mercado. Eles foram os negociantes por excelência da Antigüidade.

É natural pensar que um povo que passou capítulo por capítulo de sua história dominado por grandes potências não tivesse muitas chances de se destacar. Pior quando se trata de uma nação que nunca foi unida e, ainda por cima, viveu em uma região acidentada e com poucos recursos naturais. No entanto, os fenícios venceram todos esses obstáculos e, enquanto a humanidade dava os primeiros passos na escrita e o uso habitual da moeda apenas tinha começado a substituir o primitivo sistema de trocas, eles já exibiam o faro dos grandes homens de negócio. Com a mais poderosa frota da Antigüidade, criaram entrepostos para o seu comércio em diversos pontos estratégicos e assim acabaram dominando o cenário econômico da época.
À diferença de outros povos antigos, não se pode dizer que os fenícios devam a sua glória a invenções originais. Antes de mais nada, sua vantagem era possuir um notável senso prático, adaptando e aperfeiçoando as obras alheias. Se os egípcios, por exemplo, foram responsáveis pela idéia de escrever em inumeráveis hieróglifos, os fenícios tiveram a iniciativa de facilitar a compreensão da escrita desenvolvendo um alfabeto limitado a 22 letras. Na verdade, eles são atípicos em muitos outros aspectos, a começar por sua origem praticamente desconhecida.
Sabe-se apenas que, há quase 5 mil anos, vários grupos estabeleceram-se em aldeias de pescadores, ao norte de uma estreita faixa no litoral do Mediterrâneo. Em comum tinham somente a pele cor de cobre e a língua semita. Segundo o historiador grego Heródoto (484 a.C.-430 a.C.), teriam vindo do Oceano Índico, o que contradiz as hipóteses da maioria dos estudiosos modernos, segundo os quais aqueles grupos teriam migrado, por motivos misteriosos, da região entre o Mar Morto e o Mar Vermelho. Os documentos assinados pelos próprios fenícios decepcionam quem procure pistas, pois sempre que falavam de si faziam referência somente ao endereço para o qual haviam mudado; e como aquela região mediterrânea era conhecida na Antigüidade por terras de Canaã, eles se auto-denominaram cananeus.
Mais tarde, porém, por volta do segundo milênio antes de Cristo, conheceram os gregos, que os chamavam phoinix -  de onde viria a palavra fenício -, que quer dizer vermelho. De duas, uma: ou os gregos se referiam à pele bronzeada daqueles tais cananeus ou prestavam homenagem ao mais requisitado item de qualquer mercado fenício: a púrpura, substância usada para tingir tecidos, extraída do molusco múrex. Tamanho sucesso não era para menos: naquela época, a maioria dos homens se vestia nos monótonos tons acinzentados entre o preto e o branco dos tecidos naturais. Colorir, nos tempos dos fenícios, era sinal evidente de boa posição social e vem daí o fato de que, durante muito tempo, o vermelho fosse associado aos nobres e ao poder.
Justamente porque os fenícios tinham a oferta certa para atrair os consumidores, aquelas pequenas aldeias em Canaã se tornaram autênticas cidades: na Síria, havia Ugarit - atual Ras-Shamra; onde viria a ser o atormentado Líbano, encontravam-se Tiro, ainda hoje com esse nome, e Biblos, que agora se chama Jubeil; no norte da África, na região em que está a Tunísia, ficava Cartago, talvez a cidade fenícia de maior importância histórica, por ter sido a única a desafiar os grandes impérios, como o romano.
Cada cidade cuidava exclusivamente de seus próprios negócios. Para defender seus interesses, possuíam monarcas, cujo trono era passado de pai para filho. Como os textos bíblicos mostram, os monarcas eram também os que mais lucravam. Mas justiça se faça: boa parte do sucesso dos fenícios no comércio se deveu à política de boa vizinhança de seus reis. Era, afinal um talento necessário quando se tinha vizinhos tão fortes: ao norte, o Império Hitita; ao sul, o Egito; a leste, os assírios e os babilônios; a oeste, a ilha de Creta. Os reis fenícios aceitavam até pagar tributos - tudo era válido, desde que tivessem livre iniciativa no comércio. Outra estratégia dos monarcas era permitir que estrangeiros viessem morar em suas cidades, com pleno direito de abrir qualquer negócio - uma autêntica raridade naqueles idos. É bem verdade que, embora levasse a fama, nem sempre o rei era autor das táticas brilhantes a ele atribuídas. Suas decisões eram respaldadas por um governador civil que, por sua vez, liderava um conselho das famílias mais influentes da cidade - aquelas que equipavam a marinha mercante e custeavam expedições. Assim, na Fenícia a monarquia e a oligarquia andavam de mãos dadas.
O rei ainda prestava contas aos sacerdotes, que usavam boa parte dos lucros das cidades para construir templos a toda uma coleção de deuses. Apesar do progresso que alcançaram, os fenícios obedeciam às imposições de uma religião primitiva. As mulheres, por exemplo, tinham de oferecer a virgindade aos sacerdotes do templo de Ashtart, a deusa da fertilidade. Para garantir o fluir das estações, crianças eram sacrificadas em altares a céu aberto.
Informações como essas sobre os costumes dos fenícios eram raridades até meados do século passado, quando os historiadores sabiam apenas o que contam as passagens bíblicas, além de algumas citações do poeta grego Homero, que viveu provavelmente no século IX a.C. Mas o descobrimento casual, em 1855, de um sarcófago na atual cidade libanesa de Sayda (Sidon) despertou uma verdadeira febre nos arqueólogos. Tratava-se do sarcófago de Eshmun´azor, que reinou naquela região no século XI a.C.
Existem, é claro, questões que continuam sem resposta: não se tem idéia. por exemplo, do tamanho da população fenícia. Mas ficou claro que de fato os fenícios eram não só competentes comerciantes como ainda os mais hábeis construtores de barcos da Antigüidade. Essa fama já havia sido espalhada pelos egípcios, cujas inscrições deixadas em pirâmides contam que certa vez, por volta de 2600 a.C., o faraó Sakuré comprou quarenta embarcações fenícias, feitas com um tipo de madeira de qualidade e abundante na região - o cedro, que viria a ser o símbolo do Líbano. Essa madeira clara foi durante séculos um grande trunfo.
Afinal, durante catorze séculos, de 2600 a.C. a 1200 a.C., a Fenícia ficou sob o domínio do Egito, que, além de cobrar pirâmides de taxas, impôs aos dominados seus valores artísticos e religiosos. Mas, como dos portos da Fenícia seguia todo o cedro de que os egípcios precisavam para as suas construções, os fenícios tiveram como barganhar com eles e assim obter a garantia de negociar o que quisessem com quem bem entendessem. Por volta do século XIII a.C., porém, o Egito já não era a única potência a dominar a Fenícia: havia também os hititas. Mas, para impedir que a luta entre os dois impérios rivais Ihes atrapalhasse a vida, as cidades fenícias dividiram o seu apoio.
Só um século mais tarde, a invasão dos indo-europeus, os chamados povos do mar, provocou a queda do império hitita e o retraimento do Egito. Então a Fenícia pôde experimentar o sabor da independência: seus gigantescos cedros serviram para construir barcos que até por volta do século XIII a.C. foram praticamente os únicos donos do Mediterrâneo. O que era bom, porém, durou pouco e a lista de povos que invadiram a região é quase de perder o fôlego. De início, os fenícios passaram a ser dominados pelos assírios, que desejavam uma saída para o mar. Em 612 a.C., pelo mesmo motivo, é a vez dos povos babilônios ditarem as regras na Fenícia; cerca de setenta anos depois, contudo, os babilônios foram dominados pelos persas e, conseqüentemente, o poder também mudou de mãos na Fenícia. Mais tarde, os fenícios ficariam sob o comando dos gregos e, em seguida, obedeceriam aos romanos.
No entanto, nessa interminável seqüência de conturbações existia um oásis construído sobre rochedos, os quais serviam de proteção natural contra os invasores: a cidade fenícia de Tiro. Essa condição privilegiada ajudou seus cidadãos a iniciar uma corrida sem paralelo na história antiga. Por onde os navegantes de Tiro passavam, construíam aldeias, mais parecidas com grandes mercados. Chegaram a alcançar até a região da atual Espanha. onde por volta de 1100 a.C. fundaram a cidade portuária de Gadir - hoje Cádiz - na costa atlântica. Com o tempo, Gadir tornou-se o centro econômico mais importante da região, monopolizando o comércio de toda a faixa entre o norte da Argélia e a ilha de Ibiza, além do litoral atlântico do Marrocos.
Quando os fenícios fundaram essa colônia, talvez nem esperassem tanto. A princípio, sua única ambição em relação a Gadir era extrair a prata, metal facilmente encontrado em seus arredores. Já não seria um mau negócio: a prata tinha no Oriente consumidores fiéis, que a comprariam a qualquer preço. Boas oportunidades de lucrar nunca passavam despercebidas aos fenícios, cuja mola propulsora sempre foi o comércio. Inspirados nessa atividade, chegaram a lançar novidades na arte da navegação. As embarcações fenícias eram facilmente identificadas pelo casco arredondado, que aumentava o espaço interno, permitindo maior volume de carga.
Os fenícios também inventaram os trirremes, barcos que, graças a três fileiras superpostas de remos, podiam ser tocados com velocidade, mesmo quando o vento não dava força, soprando as velas. Já os barcos de guerra ganharam o esporão, uma espécie de espigão metálico instalado na proa, com o qual se punham a pique navios inimigos. Mas é interessante notar que os fenícios jamais recorreram à força para expandir seu território. Os navios de guerra serviam muito mais para afugentar os piratas que tentavam roubar suas preciosas mercadorias.
Extremamente persuasivos, os fenícios não gozavam, porém, da fama de comerciantes honrados onde quer que desembarcassem. Não sem motivo: com freqüência convidavam gentilmente os filhos de nativos a conhecer o barco, para então capturá-los e vendê-los como escravos. Às vezes ficavam poucos dias oferecendo seus produtos e, em seguida, levantavam âncora. Vendiam azeite, cereais e vinho, mas o carro-chefe eram os artigos de luxo, como pratos de ouro, garrafas de marfim, enfeites de prata ou de bronze, cerâmica fina e vidros com perfumes e ungüentos. Aos povos mais beligerantes, ofereciam ainda lanças e escudos de ferro.
Excelentes artesãos, seria exagero considerá-los originais. Suas obras, longe de serem criativas, seguiam sempre a moda do freguês. Sob a milenar hegemonia egípcia, por exemplo, a arte fenícia era uma cópia dos traços inscritos nas pirâmides; já quando a Grécia dominou o cenário, os fenícios rapidamente adotaram um estilo à grega. No final, acabaram influenciados por diversas culturas, pois supõe-se que tenham entrado em contato com quase todas as civilizações da Ásia Menor e do Ocidente, além de povos primitivos africanos. Quando entraram em decadência, depois de terem os romanos conquistado Tiro, em 332 a.C., e destruído Cartago em 146 a.C., os fenícios provavelmente nem sequer falavam sua língua de origem, mas sim uma mistura de grego e aramaico.
A perda de características próprias ajudou a apagar suas marcas registradas nos lugares pelos quais passaram. No entanto, documentos de outras civilizações antigas indicam que, se os fenícios pagaram o preço de serem muito influenciáveis, tiveram pelo mesmo motivo um papel na História muito maior do que o de grandes comerciantes. De porto em porto, os fenícios divulgavam a cultura de um povo para outro. Sabe-se que ensinaram aos gregos os princípios de Aritmética e Astronomia descobertos pelos povos orientais. E, dessa maneira, acabaram sendo os transmissores de informações sem as quais o homem não teria saído da Antigüidade com o mesmo grau de conhecimento.

O primeiro bê-a-bá

Com tantos mercados, tantas ofertas, tantos fregueses, os fenícios só encontraram uma saída para os negócios não se enredarem em um emaranhado de mal-entendidos: registrar em placas de barro cada compra e cada venda. Na prática, porém, a teoria era inviável: seria preciso passar uma vida inteira aprendendo os significados do complexo sistema de hieróglifos - as centenas de sinais gráficos criados pelos egípcios e usados pelos povos antigos que engatinhavam na arte da escrita. Mas, sempre dispostos a destruir obstáculos, os fenícios não descartaram a idéia e assim nasceu aquela que seria sua maior herança à humanidade: o alfabeto.
Não se tem, infelizmente, a menor idéia de como conseguiram simplificar o processo egípcio a ponto de chegar a um sistema que funcionava com apenas 22 sinais. Na verdade, pouco se sabia sobre a escrita fenícia até o pesquisador francês Pierre Montet descobrir, em 1923, em Biblos, cidade histórica do Líbano, o sarcófago do rei Ahiram - peça decorada com inscrições lidas da direita para a esquerda. Hoje o sarcófago está guardado no Museu Nacional de Beirute. "Embora aquele texto seja o mais antigo, outras descobertas arqueológicas também são documentos valiosos sobre o alfabeto fenício", nota Haiganuch Sarian, coordenadora do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo, onde, aliás, existe uma reprodução em gesso do famoso sarcófago, feita por volta do século XII a.C.
O fato é que ao se compararem diversas inscrições se constatou que as cidades fenícias podiam falar a mesma língua, mas não a escreviam da mesma maneira. Apesar das pequenas variações, quando em 1750 o inglês John Swinton, encarregado de conservar os arquivos da Universidade de Oxford, resolveu aproveitar os momentos de folga para debruçar-se sobre inscrições fenícias encontradas na Ilha de Chipre, a decifração foi relativamente rápida. É que tanto a língua como a escrita da Fenícia eram muito parecidas com o idioma hebraico. Assim, tornou-se possível traduzir toda a coleção disponível de textos funerários e registros comerciais deixados por aquele povo que, até onde se conhece, não se interessou em produzir nenhum tipo de literatura. Os fenícios tampouco se interessaram em ensinar sua escrita aos compradores de suas mercadorias. Na verdade, foram os gregos que, ao colonizar cidades fenícias por volta do ano 800 a.C., tomaram a iniciativa de importar o alfabeto para o Ocidente, acrescentando-lhe uma novidade - as vogais. Mais tarde, os povos itálicos igualmente adaptariam aquele primeiro alfabeto, criando ramificações que estão na origem de todas as formas modernas de escrita.

Ascensão e queda de Cartago

Quando o sacerdote fenício Arquebas foi assassinado, por volta de 814 a.C., sua mulher, a princesa Elisa, fugiu da cidade de Tiro, acompanhada por vários aristocratas, disposta a fundar uma nova cidade. O grupo acabou se estabelecendo em uma península no norte da África, numa região próxima a Túnis, atual capital da Tunísia. Assim surgiu a única cidade fenícia que não viveu exclusivamente para o comércio: Cartago preocupava-se também com o poder. Dominou rotas marítimas, explorou províncias e chegou a guerrear com grandes potências. Disputou com os gregos diversas colônias na Península Ibérica. Roma, no entanto foi sua pior inimiga.
Enquanto a economia romana se baseava na agricultura, as relações com Cartago foram das mais amigáveis. Mas o clima de camaradagem desapareceu quando o interesse de Roma despertou na direção do Mediterrâneo. Cartago então propôs dois tratados em 306 a.C. para limitar pacificamente as áreas de influência dos dois Estados. Tudo ia bem até entrar em pauta a ilha de Sicília - um ponto estratégico nas rotas para o Oriente, do qual ninguém queria abrir mão. Sem acordo, veio a primeira guerra púnica, que terminaria apenas em 241 a.C., quando os cartagineses cederam.
Além de perderem a Sicília, tiveram de amargar por mais de três anos a revolta dos mercenários estrangeiros que queriam receber seu pagamento. Mal o comandante Amílcar Barca pôs fim à confusão, criou bases militares na Espanha, para comprar novas brigas com Roma. Assim, romanos e cartagineses voltaram a entrar em conflito em 218 a.C. e 149 a.C. Em 146 a.C., enfim, os romanos conseguiram sitiar Cartago, aniquilar o exército local e arrasar a cidade. Os sobreviventes do massacre foram vendidos como escravos e ficou proibida qualquer outra construção em solo cartaginês.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

As Dimensões do Metro - Pesos e Medidas


AS DIMENSÕES DO METRO - Pesos e Medidas



Uma das mais antigas criações humanas, os pesos e as medidas surgiram para facilitar o comércio primitivo. Depois, ajudaram a conhecer o mundo.

Paris, 25 de junho de 1792. Por ordem da Academia Francesa de Ciências, uma equipe de respeitáveis físicos, astrônomos e agrimensores deu início a uma tarefa nascida do mesmo espírito racionalista que iluminara a Revolução de 1789. Naquela manhã de verão, eles se puseram em campo para medir a distância entre Barcelona, no nordeste da Espanha, e Dunquerque, noroeste da França, correspondente a um arco do meridiano que passava por Paris. O que se pretendia era encontrar uma base objetiva para definir cientificamente uma unidade a partir da qual fosse possível estabelecer um conjunto de medidas aceito por todos. O novo sistema, fundamentado no metro surgiu para pôr fim à colossal confusão de pesos e medidas fixados com mais do que razoável margem de arbítrio e que representavam um estorvo de proporções crescentes para a vida de toda gente na Europa em expansão econômica.
Essa confusão vinha de muito longe e a História do Ocidente registra mais de uma tentativa de pôr ordem na casa das dimensões utilizadas pelo homem para funcionar no mundo. O imperador Carlos Magno, no século VIII, e o rei inglês João Sem Terra, no século XIII, foram duas cabeças coroadas que se preocuparam com o assunto, baixaram decretos e instituíram medidas, cuja imprecisão, vista pelos olhos atuais, chegava a ser cômica. De fato, de tal maneira o homem incorporou à vida diária as unidades (de comprimento, massa, volume, principalmente), como parâmetros constantes e portanto confiáveis, que parece impossível conceber a civilização, e quem sabe a própria existência humana, dissociada do ato de medir e pesar. Quando as primeiras comunidades começaram a dispor de excedentes alimentares, nasceu o comércio primitivo, o sistema de trocas. Este exigia que se fizessem comparações - a forma básica de avaliar grandezas.
Ora, para realizar essas comparações, era necessário naturalmente um ponto de referência estabelecido de comum acordo. O homem primitivo logo deve ter-se dado conta de que dispunha de uma referência capaz de ser aceita sem resmungos por seus semelhantes - o próprio corpo. Assim, a mão e o pé foram adotados como as unidades inaugurais de comprimento. Há 25 séculos, um filósofo grego de nome Protágoras afirmou que "o homem é a medida de todas as coisas", querendo com isso coroar a importância absoluta que conferia aos humanos na ordem universal. A expressão, pelo visto, também ilustraria o antiqüíssimo costume humano de buscar em si mesmo os padrões para cotejar grandezas.
A criação do sistema métrico consistiu precisamente em atirar essa tradição à lata do lixo da História, não porque os cientistas e filósofos franceses dos séculos XVII e XVIII repudiassem o humanismo - muito ao contrário -, mas porque se deram conta de que o humanismo seria melhor servido por um sistema de pesos e medidas que pudesse ser aceito com naturalidade por todos os homens, sem distinção.
Não só as primeiríssimas unidades de comprimento mas também as de peso fundamentaram-se no corpo humano. No caso do peso, supõe-se que o homem comparava o que ele mesmo conseguia carregar com a capacidade de carga de um animal. Como o sistema não primava exatamente pelo conforto, foi descartado no devido tempo em favor de uma referência mais racional - um recipiente. O desdobramento lógico foi a balança, cuja invenção, 5 mil anos antes de Cristo, parece ter antecedido em dois milênios a das unidades de peso, originárias do Egito e da Mesopotâmia (parte do atual Iraque). O mais antigo padrão de medida linear - que originou medidas de área e volume - também foi concebido no Egito, por volta de 3000 a.C. Era o côvado, baseado no comprimento do braço, desde o cotovelo até a ponta do dedo médio. O submúltiplo básico era o dígito, como o nome sugere, da largura de um dedo. O côvado que os egípcios usavam como padrão era um bloco de granito negro de 52,4 centímetros de comprimento, subdividido em 28 dígitos.
Estes, por sua vez, eram divididos em até dezesseis partes - cada uma dedicada a uma divindade. Conforme hieróglifos da época, a padronização do côvado se deve ao faraó Anemenés I, que reinou entre 1991 e 1962 a.C. A precisão das barras de um côvado como unidade de medida pode ser atestada até hoje: após 4 500 anos de sua construção, os lados da pirâmide de Quéops variam apenas 0,05 por cento da largura média de 230 metros. Devido à inundação anual do rio Nilo, os agricultores egípcios desenvolveram métodos e instrumentos específicos para medir suas terras, baseados nas cheias. Eram feitas marcas nas margens dos rios, provavelmente com pedras. Quando as águas recuavam, os limites das propriedades podiam ser prontamente restabelecidos. As medidas agrárias originaram também uma atividade curiosa: a dos esticadores de corda. Esses agrimensores primitivos mediam as plantações com cordas graduadas com nós, cada nó valendo 2 côvados. A Babilônia, que ficava no sul do atual Iraque, e cuja civilização alcançou o apogeu entre os séculos VI e VII a.C., também gerou um rol de medidas. A mais antiga unidade babilônica era a mina, padrão de peso, que variava entre 500 e 600 gramas.
Um milênio havia transcorrido quando Carlos Magno, além de unificar as terras cristãs da Europa Ocidental, tentou uniformizar as medidas. Instituiu, entre outras coisas, a libra esterlina (350 gramas) para distingui-la dos padrões não-oficiais. A palavra esterlina vem do inglês medieval steorra, estrela. Por isso, a libra padrão de Carlos Magno trazia a gravura de uma estrela em alto-relevo. Não consta, porém, que tais padrões gozassem de popularidade comparável a uma medida da Antiguidade, campeã absoluta a seu tempo - por motivos óbvios. Era o velho pé, pous em grego. O matemático Pitágoras, que viveu no século VI a.C., observou que os estádios de várias cidades da Grécia eram todos divididos em 600 pés. Dai surgiu outra medida - o estádio, equivalente a 600 pés, como se os brasileiros adotassem o Maracanã, igual a 110 metros. Os romanos, que conquistaram a Grécia em 146 a.C., dividiram o pé grego em 12 onças (unciae) ou polegadas (polex), usando a mesma subdivisão para o peso - cuja unidade era a libra (cerca de 325 gramas).
Depois dos ensaios unificadores de Carlos Magno com sua libra estelar, quatro séculos se passaram até que um monarca europeu fizesse algo para disciplinar a balbúrdia das dimensões utilizadas pelos mortais comuns. O rei inglês João Sem Terra, o mesmo que em 1215 assinou a Magna Carta - a primeira declaração de direitos e deveres surgida na Europa -, anos mais tarde baixou um decreto chamado Padrão de Pesos e Medidas. O decreto foi tão bem aceito que vigorou quase seiscentos anos; seu problema era a imprecisão das medidas. A jarda real, por exemplo, unidade de comprimento, media três pés, "nem mais nem menos", como dizia o decreto. Interpretar a lei devia ser uma dor de cabeça, pois, é óbvio, os pés variam de pessoa para pessoa. Naqueles tempos, o pé real era, evidentemente, o pé do rei. Assim, a cada novo soberano, mudava o pé padrão e, conseqüentemente, todas as outras unidades derivadas.
No século XVII, cientistas europeus tentaram desenvolver um sistema racional e uniforme de pesos e medidas, para acabar com a desordem medieval - que atrapalhava, entre outras coisas, a incipiente comunicação científica. Em 1670, Gabriel Mouton (1618-1694), matemático e vigário da paróquia de São Paulo,em Lyon, na França, propôs um sistema baseado num padrão universal e invariável: a própria Terra. Era a primeira vez que alguém deixava de lado o homem no mundo das medições. A idéia era simples: medir a distância do equador ao pólo norte, através do meridiano que passa por Paris; um décimo de milionésimo daquela distância seria o metro (do grego metron, medida), com múltiplos e submúltiplos decimais. Esses múltiplos seriam criados a partir dos prefixos numéricos gregos, como kilo, mil, e centi, cem.
A proposta de Mouton, embora revolucionária, serviu apenas para mais de um século de discussões acadêmicas, porque o absolutismo político reinante na Europa não acolhia de bom grado novas idéias. Somente a Revolução Francesa de 1789 possibilitaria o ambiente político propício para um modelo que rompesse com os padrões da Idade Média. Em 1790, o influente pensador Charles-Maurice de Talleyrand (1754-1838) recomendou que a Academia Francesa de Ciências reformulasse os padrões de medida vigentes no país.
Para tanto, a Academia criou um comitê com as melhores cabeças da época, entre as quais o pai da Química moderna, Antoine-Laurent Lavoisier (SI nº 8, ano 3). Ele foi incumbido de calcular o peso de um volume conhecido de água, para determinar a unidade de massa. Em 1792, a Academia ressuscitou as idéias de Gabriel Mouton e mandou medir o meridiano de Paris. Nesse mesmo ano, uma equipe de físicos, astrônomos e geodesistas iniciou os trabalhos. Eles mediram a distância entre Barcelona e Dunquerque. Isso porque, para medir o segmento de meridiano era preciso escolher um arco, ou seja, um pedaço do quadrante. O arco entre Dunquerque e Barcelona ocupa 9,5 graus do quadrante. Como um quarto de circunferência tem 90 graus, calcula-se por extrapolação astronômica o comprimento total. Os pontos extremos desse arco básico não foram escolhidos ao acaso: Dunquerque e Barcelona ficam ao nível do mar, o que facilitou a medição.
Além disso, como a Terra não é perfeitamente esférica, os meridianos têm forma de elipse. A maior curvatura encontra-se no equador; a menor, nos pólos. Por essa razão, os graus da subdivisão dos meridianos aumentam do equador para os pólos. Escolhendo-se uma parte da Europa, entre a França e a Espanha, próxima ao paralelo 45 - que indica a distância ao equador -, fica-se num meio termo. Dessa forma, tornava-se mais fácil calcular o valor médio de um dos noventa graus que dividem o quadrante todo. Com esse método, os cientistas chegaram a 5 130 740 toesas, unidade dos tempos de Carlos Magno, ou aproximadamente 10 mil quilômetros - com uma margem de erro de 0,023 por cento, segundo medições recentes. Dividindo esse valor por 10 milhões, como sugerira o bom vigário Mouton, chegou-se ao metro, um padrão constante como o tamanho do planeta que lhe deu origem.
Em junho de 1799, finalmente, o metro padrão, uma barra de platina, foi apresentado à Assembléia Nacional, que oficializou o chamado sistema métrico na França. Os outros padrões foram calculados a partir do metro. O grama, unidade básica de massa, era igual à massa de 1 decímetro cúbico de água pura, à temperatura de sua maior densidade (4º C). Depois, um cilindro de platina, conhecido como Quilograma dos Arquivos, foi declarado padrão para 1000 gramas. O litro foi definido como o volume equivalente ao de um cubo com 10 centímetros de lado - um decímetro cúbico. Também foi definida a unidade de área, o are, igual a um quadrado com 10 metros de comprimento.
O  sistema métrico  acabou conquistando toda a Europa, não só por ser mais prático e lógico mas na esteira das vitórias militares de Napoleão Bonaparte. Napoleão ainda permitiu o uso do sistema antigo na França. Mas as vantagens do sistema métrico prevaleceram e, em 1840, ele foi declarado o único sistema legal do país - o que de novo ajudou a espalhar o metro pelo mundo. Trinta e cinco anos depois, tornou-se oficial também no  Brasil.  Os países anglo-saxões resistiram muito mais à inovação gaulesa. A Inglaterra só em 1963 decidiu abandonar legalmente o sistema antigo de polegadas, libras e galões - mas ainda hoje a libra-moeda, decimalizada, compra não 1 quilo de carne, mas 2,2 libras-peso.
A unificação da Europa, prevista para 1992, deverá apressar o fim dessa dualidade. Em conseqüência, até os renitentes americanos terão de aceitara hegemonia do metro, em última análise, para não perder dinheiro. O engenheiro José Carlos de Castro Waeny, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo, vai mais longe:"Todo progresso científico e tecnológico está amarrado ao progresso dos sistemas de medidas".

Metro, quilo e segundo, hoje

Os padrões de medidas criados no século XVIII não tinham a precisão exigida pela ciência atual. Por isso, uma convenção formulou, em 1960, o novo Sistema Internacional de Medidas, conhecido como SI. (Mais tarde, em 1983, a 17ª Conferência Geral de Pesos e Medidas alterou a definição do metro padrão internacional.) Suas unidades básicas são:  

Comprimento: metro. Definido como o comprimento do trajeto percorrido pela luz, no vácuo, durante um intervalo de tempo de 1/299 792 458 de segundo.

Massa: quilograma. O padrão é um cilindro de platina iridiada, depositado no Escritório Internacional de Pesos e Medidas, em Sèvres, na França.

Tempo: segundo. A duração de 9 192 631 770 ciclos de uma determinada radiação de transição (mudança de nível energético) do átomo de césio.


No Brasil varas, onças e jeiras.

O Brasil, no tempo da colônia e mesmo no Império, tinha um sistema de medidas muito confuso e diversificado. O comprimento, por exemplo, era medido em palmos, côvados, varas, braças e léguas; o peso (ou a massa) em libras, onças e quintais; a área, em jeiras e alqueires. Em 1862, dom Pedro II determinou a adoção do sistema métrico decimal. Em 1875, o Brasil foi um dos vinte países que assinaram, em Paris, o Tratado do Metro, ratificando o uso oficial do novo sistema. Apesar do pioneirismo, o sistema métrico não é absoluto no país até hoje.
Tintas e solventes industriais, por exemplo, são geralmente vendidos não em litros, mas em latas de 1 galão (4,54 litros, padrão inglês, ou 3,78 litros, padrão americano); barras de ferro e tubulações para a construção civil são comercializados não em centímetros, mas em polegadas (2,54 cm); e, como todos sabem, os calibradores de pneus dos postos de gasolina expressam a pressão em libras-força por polegada quadrada - normalmente conhecida apenas por libras, quando a unidade oficial de pressão é o pascal. Se ela fosse usada, em vez de pedir ao frentista que deixasse os pneus com 26 libras, o motorista falaria em 169 quilopascals (kPa).
Sérgio Ballerini, diretor do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), nota que "o problema está na estrutura educacional brasileira, pois até mesmo nas faculdades se ensina a medir em polegadas". Embora o Inmetro possa aplicar pesadas multas aos que não usam o sistema métrico, Ballerini prefere, pessoalmente, investir na conscientização. Assim,diante de recentes anúncios de refrigerantes; que apregoavam as vantagens de seus "litrões" e "superlitros", o Inmetro limitou-se a mandar cartas de advertência aos fabricantes.


terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Passagem para o Futuro - Renascimento

PASSAGEM PARA O FUTURO - Renascimento



Itália, 1400: a revolução comercial cria novas classes, abre as cidades e impõe outra mentalidade. Os efeitos sobre a cultura e a ciência são imediatos e profundos. É a explosão do Renascimento, que lança a semente do mundo moderno

O olhar mostra segurança. O corpo, uma nudez sem pudor. A musculatura, relaxada, uma anatomia perfeita. A figura toda é uma procura de graça e beleza. A estátua é de um personagem bíblico, Davi, o pastor que virou rei de Israel por volta do ano 1000 a.C. Mas sua forma lembra antes um jovem deus pagão da mitologia grega. A beleza é fortemente idealizada, mas ainda assim indiscutivelmente humana. Sob a rigidez do mármore, há palpitação de vida. Diante do Davi de Michelangelo, esculpido na virada do século XVI não há dúvida de que se está contemplando um mundo diferente do da Idade Média.
De fato, desenhista soberbo, pintor, escultor, arquiteto e poeta, Michelangelo Buonarroti (1475-1564) foi uma das maiores expressões do Renascimento - essa grande convulsão cultural que sacudiu a Europa durante os séculos XV e XVI e abriu caminho aos tempos modernos. Quando Michelangelo terminou a obra, em abril de 1504, o Renascimento já havia completado um século na Itália. Foi, antes de tudo, um poderoso movimento artístico e literário, mas com grandes repercussões na filosofia e nas ciências, no pensamento político, na moda e nos costumes. Seus precursores foram poetas e prosadores italianos como Petrarca (1304-1374) e Boccaccio (1313-1375), pintores como Giotto (1266-1336) e Masaccio (1401-1428).
Por volta do final do século XV, o movimento atravessou os Alpes para atingir a Alemanha, a região que corresponde atualmente à Bélgica e Holanda, e a Suíça. Ramificou-se também pela França, Inglaterra, Espanha e Portugal. Sua força irresistível vinha de profundas transformações econômicas conduzidas por uma nova classe social urbana em ascensão - a burguesia mercantil. Na Itália, esses mercadores haviam enriquecido de maneira fantástica graças ao comércio com o Oriente e traziam consigo uma nova visão de mundo, baseada na valorização da realidade material, em contraste com a religiosidade profunda da Idade Média.
Estabelecendo representações nos países orientais, investindo na construção de navios e no desenvolvimento do transporte terrestre, eles compravam no Oriente, para vender na Europa, matérias-primas, como minerais para tinturas, produtos de luxo, como seda e brocados, e especiarias, como cravo e canela, utilizados na conservação e tempero dos alimentos e na produção de remédios.
O enorme dinheiro acumulado, administrado por novos métodos de contabilidade, era depois multiplicado várias vezes, por meio de atividades bancárias, com empréstimos a juros, e manufatureiras, com a produção de tecidos, mineração, siderurgia e metalurgia.
Com esses recursos econômicos, obtinham ainda dos príncipes governantes a concessão para cobrar tarifas aduaneiras e cunhar moedas. Subordinada à burguesia, surgia também uma nova e numerosa classe de assalariados, que trabalhavam juntos nas primeiras oficinas ou separados, cada qual em sua casa, recebendo dos patrões matérias-primas e ferramentas e entregando-lhes o produto acabado.
Era uma verdadeira revolução na vida européia, com a decadência das fechadas e hierarquizadas corporações de artesãos, que monopolizavam a produção industrial na Idade Média. Também os camponeses autônomos passavam a dedicar parte de seu tempo ao trabalho assalariado pelo sistema doméstico.
Por outro lado, a crescente demanda de alimentos e matérias-primas pelas cidades em expansão levava também a uma transformação na produção agrícola. Esta se voltava cada vez mais para o mercado e, portanto, deixava de ser fechada e auto-suficiente. O lugar de honra na estrutura social, antes ocupado pela nobreza latifundiária, era agora disputado pela burguesia ascendente. Na Itália, a mais ilustre família da nova classe de comerciantes enobrecidos foi a dos Medici, que governou Florença do século XV ao XVII.
Giovanni (1360-1429), o fundador da família, havia enriquecido graças ao comércio com o Oriente e ao monopólio da produção de alumínio, que obteve do papa. Somente no ramo têxtil, empregava mais de 10 mil trabalhadores, distribuídos por 300 indústrias - números para nenhum empresário moderno pôr defeito. Com o dinheiro e uma habilidosa política de casamentos, seus descendentes exerceriam enorme influência em toda a política européia, tornando-se príncipes e papas.
Sob o governo de Cosimo de Medici (1389-1464), filho de Giovanni, e principalmente de Lorenzo, o Magnífico (1449-1492), neto de Cosimo, Florença foi a capital do Renascimento. Arquitetos, escultores e pintores, como Donatello, Brunelleschi, Ghiberti e Filippo Lippi, patrocinados por Cosimo - ou Botticelli, o próprio Michelangelo e Leonardo da Vinci, protegidos por Lorenzo -, davam à corte dos Medici brilho, prestígio e sofisticação incomparáveis, que compensavam em muito as origens plebéias da família. O Renascimento foi também uma época de políticos refinados - e destituídos de escrúpulos.
Homens como Cesare Borgia (1475-1507), filho do papa Alexandre VI, que tentou conquistar toda a Itália para si e fazia da conspiração e assassínio de seus opositores sinistras obras de arte. E Niccoló Machiavelli (1469-1527), o fundador da ciência política moderna, via em Cesare o ideal do príncipe renascentista e nele depositou sua esperança de unificação da Itália. O que a impediu foi a rivalidade entre as cidades-Estado e a política papal.
Cultos, humanistas, mundanos e ambiciosos ao extremo, os grandes papas renascentistas não eram suficientemente fortes para promover eles mesmos a unificação do país, mas eram fortes e ardilosos o bastante para impedir que outro o fizesse. Paradoxalmente, a pulverização da Itália representou um forte estímulo ao Renascimento. Em lugar de um único centro de atração, representado em outros países pela corte real, vários centros, como Florença, Roma, Veneza e Milão, disputavam e patrocinavam a cultura. Ter a sua volta um punhado de artistas e intelectuais brilhantes era prova de prestígio para os príncipes e papas da época.
Nos jardins do palácio Medici, Cosimo fundou em 1440 a Academia Platônica, copiada da famosa escola de Filosofia ao ar livre mantida por Platão em Atenas, no século IV a.C. Sob a direção de Marsilio Ficino (1433-1499), a Academia tornou-se durante o governo de Lorenzo o mais importante centro de irradiação cultural do Renascimento. Ajudado por um grupo de eruditos bizantinos, fugidos de Constantinopla após a ocupação da cidade pelos turcos, em 1453, Ficino realizou um imenso trabalho de tradução e comentário das obras de Platão e seus seguidores. A biblioteca da Academia reunia enorme coleção de manuscritos gregos.
A obsessão do homem culto renascentista por tudo que viesse da Antiguidade clássica greco-romana levou os historiadores dos séculos XVIII e XIX a uma imagem tão fácil quanto falsa do Renascimento. A Idade Média teria sido um período de completo esquecimento da herança cultural da Antiguidade. Rompendo radicalmente com o obscurantismo medieval, o Renascimento - daí o seu nome - seria o renascer da cultura clássica. Essa interpretação é amplamente contestada pela pesquisa histórica do século XX. Nem a Idade Média foi, em toda a sua duração, um período de trevas nem o Renascimento representou uma ruptura total com a Idade Média.
Quem leu o livro O nome da rosa, de Umberto Eco, ou assistiu ao filme baseado nele, teve uma brilhante amostra da veneração quase religiosa do sábio medieval pelo filósofo grego Aristóteles (384-322 a. C.). A obra de Aristóteles formava uma verdadeira enciclopédia do saber humano. Nela se encontrava de tudo: Matemática e Lógica, Física e Metafísica, Medicina e Astronomia, Ciências Naturais e Psicologia, Política, Ética e Estética. Embora se baseasse mais na especulação do que na observação direta da natureza, era para o mundo das coisas concretas que ela se voltava. A Igreja refutou muito em aceitar esse corpo de conhecimentos. Aristóteles teve que ser, de certa forma, cristianizado por filósofos como São Tomás de Aquino (1224-1274), antes que sua obra se transformasse numa segunda Bíblia da Idade Média.
Assim, o aristotelismo tornou-se, pouco a pouco, um congelado sistema de dogmas, verdades prontas e acabadas, em que havia um lugar para cada coisa. Cada coisa devia estar no seu lugar e nenhum espaço existia para a inovação - um espelho da organização social da época. Foi justamente contra esse sistema petrificado que o homem culto do Renascimento se rebelou, estimulado pelas formidáveis transformações materiais que o desenvolvimento burguês colocava diante de seus olhos. O platonismo da Academia florentina, altamente espiritual e místico, era antes de tudo uma reação ao aristotelismo na versão consagrada pela Igreja medieval.
Por outro lado, se admirava o passado clássico, o homem renascentista tinha também a consciência de que o estava ultrapassando. A febril exploração dos mares - que levou o português Bartolomeu Dias a atingir a ponta meridional da África (1487), o genovês Cristóvão Colombo a alcançar a América (1492), o português Vasco da Gama a chegar à Índia (1498) e também o português Fernão de Magalhães a circunavegar a Terra (1519-1522) - exerceu um tremendo impacto no Renascimento. Ficava claro que havia muito mais maravilhas no mundo do que haviam pensado os gregos.
O desenvolvimento das cidades na época renascentista ampliou o lugar ocupado pela cultura. Antes, o conhecimento estava confinado às raras universidades e aos mosteiros. Agora, a multiplicação das universidades, junto com a invenção da imprensa de tipos móveis pelo alemão Johannes Gutenberg (1400-1468), permitia uma difusão muitíssimo maior do conhecimento. A laboriosa atividade do copista medieval, que reproduzia a mão os preciosos manuscritos gregos e latinos, era substituída com enorme vantagem pelo trabalho dos impressores.
Do ponto de vista cultural, um dos resultados mais espetaculares da Reforma protestante foi a tradução da Bíblia do latim para o alemão, por Martinho Lutero (1483-1546) e o amplo movimento de educação inspirado pela idéia de que todo fiel deveria ser capaz de ler e interpretar por conta própria as Escrituras Sagradas. No mundo da grande cultura, porém, o latim continuava a ser a língua oficial. Um dos traços mais característicos da época, aliás, era a existência de uma multinacional comunidade de eruditos que dominavam o saber clássico e não só se expressavam em latim como tinham seus próprios nomes latinizados.
Eles formavam o que o escritor húngaro Arthur Koestler (1905-1983) denominou a "República das Letras" e foram a própria alma do Renascimento. Para esses homens, a demolição do sistema escolástico representava uma enorme liberdade de pensamento, a possibilidade de uma especulação intelectual sem limites. A verdade já não devia ser procurada nos livros de Aristóteles, mas na grande obra da natureza. Ocorre que a destruição da ciência aristotélica deixou o Renascimento desprovido de uma ciência sistematizada. Os sábios da época estavam deslumbrados demais com a infinita variedade das coisas deste mundo para se dar ao árido trabalho de sistematização dos novos conhecimentos.
Eles procuravam por toda a parte a diversidade, lançavam-se à aventurosa exploração de mundos desconhecidos, criavam jardins botânicos e jardins zoológicos, colecionavam minerais, dissecavam cadáveres humanos e de animais, mediam o movimento dos astros, escreviam minuciosas descrições das mais diversas atividades profissionais e técnicas, mas seus tratados não ultrapassavam ainda o estágio dos catálogos. O alemão Leonhard Fuchs (1501-1566), por exemplo, escreveu e arrolou em ordem alfabética cerca de quinhentas plantas. Foi incapaz, porém, de formular qualquer teoria sobre a vida vegetal.
As exceções são o monumental livro de anatomia do belga André Vesálio (1514-1564), De humani corporis fabrica (A organização do corpo humano), e o livro de cosmologia do polonês Nicolau Copérnico (1473-1543), De revolutionibus orbium coelestium (A revolução das esferas celestes). Nele, o cônego Copérnico afirmava, contrariando as teorias dominantes, que o Sol - e não a Terra - estava no centro do Cosmo. Antes, o alemão Nicolau de Cusa (1401-1464) já havia dito que o Sol era apenas o centro de um sistema, e não do Universo.
As idéias de Cusa influenciaram o filósofo italiano Giordano Bruno (1548-1600). Ele afirmava existirem no Universo infinitos mundos habitados, como a Terra. Mas nem Cusa nem Bruno eram astrônomos, e suas corajosas hipóteses permaneceram meras especulações. A grande sistematização científica na qual iria se basear o pensamento moderno foi um produto do século XVII. Mas aí já não se pode falar em Renascimento. No período renascentista, assistiu-se a um enorme interesse pela magia e pelo hermetismo. A idéia de um Renascimento banhado em ciência, em oposição a uma Idade Média mística e supersticiosa, é outro estereótipo que não resistiu à pesquisa histórica.
Um trabalho mais orientado para a ciência, embora dispersivo, como o de Leonardo da Vinci (1452-1519), permaneceu inédito. Para os homens cultos do Renascimento, já que Aristóteles não era mais a autoridade suprema, então tudo era possível. E foi com óculos de mágico que procuraram ler o livro da natureza. Quando, em 1460, um agente de Cosimo de Medici trouxe-lhe da Macedônia um manuscrito grego com catorze dos quinze tratados que constituíam o Corpus hermeticum, isso causou enorme sensação. O texto era atribuído a um autor mitológico, Hermes Trismegisto, ou Hermes "Três Vezes Grande", síntese do deus egípcio Toth, inventor do cálculo e da escrita, e do deus grego Hermes, mensageiro e detentor dos segredos dos deuses.
Na verdade, tratava-se de um escrito dos primeiros séculos da era cristã, originário provavelmente de Alexandria, no Egito, o grande centro da cultura helenística. Com caráter misterioso, os manuscritos combinavam filosofia grega e helenística (Pitágoras, Platão, Aristóteles, Plotino etc. ), cabala (o misticismo judaico) e elementos cristãos. Seu corpo englobava Matemática e Alquimia, Astronomia e astrologia, magia e várias formas de ocultismo. A idéia central era a de uma afinidade mística entre o mundo e o homem, sendo este capaz de descobrir elementos divinos dentro de si.
Pela tradução de Ficino, o diretor da Academia Platônica, esses escritores exerceram enorme influência no Renascimento, mexendo com as artes, as ciências e a Filosofia. Seu principal herdeiro foi o suíço Paracelso. Ele pode ser considerado o mais acabado representante de um momento na História da civilização que, sem romper drasticamente com o passado, plantou uma semente de exuberância e ousadia da qual nasceria o mundo moderno.

Um tipo muito curioso.

O próprio nome latino que adotou já era um exagero: Theophrastus Philippus Aureolus Bombastus Paracelsus. Não se sabe se a palavra Paracelsus queria dizer "superior a Celsus", o célebre médico romano do século I. Mas não há dúvida de que Theophrastus von Hohenheim, como foi batizado, se considerava superior a qualquer medalhão da Antiguidade. Esse personagem tipicamente renascentista nasceu numa família de médicos, em Einsiedeln, Suíça, em 1493. Depois de estudar nas universidades de Basiléia (Suíça) e Ferrara (Itália), tornou-se um Robin Hood da medicina, cobrando honorários exorbitantes dos ricos e tratando os pobres de graça.
Seu espírito anticonvencional e incansável curiosidade, aliás, surpreendem mesmo pelos padrões atuais. Condenava com estardalhaço as ciências tradicionais, ao mesmo tempo que procurava aprender com os camponeses outros métodos de cura. Bebedor de marca maior, vencia os camponeses em monumentais competições etílicas nas tabernas; depois, passava a noite ditando seus tratados.
O fato de ter salvado a vida do influente editor Johannes Froben e de ter curado também o escritor e filósofo humanista Erasmo de Rotterdam (1466-1536) assegurou-lhe, em 1527, o cargo de médico municipal e professor de Medicina em Basiléia. Logo, porém, entrou em atrito com as autoridades acadêmicas, recusando-se a apresentar seus documentos de qualificação, fazendo conferências em alemão em vez de latim e admitindo cirurgiões-barbeiros em suas classes. Com a morte do protetor Froben, teve de abandonar a cidade - não sem antes queimar em praça pública o célebre cânon de medicina do persa Avicena (980-1037). Daí para a frente, até sua morte, em 1541, perambulou de lugar em lugar, como uma espécie de cavaleiro andante do anticonvencionalismo.
Alquimista, ao lado dos "quatro elementos fundamentais" enunciados no pensamento grego clássico - terra, água, ar e fogo -, reconhecia "três princípios básicos" - sal, enxofre e mercúrio -, que estariam presentes, em diferentes proporções, em todas as substâncias. O sal, simbolizado pelas cinzas que sobrevivem ao fogo, seria responsável pelo estado sólido; o enxofre, que desaparece ao queimar, pela natureza inflamável das coisas; e o mercúrio, que se volatiliza, pelo estado líquido e gasoso. Uma força geradora universal, o arqueu, combinaria os três princípios. De uma falha dela se originariam as doenças. Paracelso é reconhecido como um dos precursores da homeopatia.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Cada vez mais social - A Maconha

CADA VEZ MAIS SOCIAL - A Maconha



Não há como fazer vistas grossas: as chamadas drogas ilícitas - aquelas cuja produção, comercialização e uso são proibidos por lei - estão ao alcance de qualquer pessoa. E, a cada dia, novos curiosos embarcam nessa onda. Segundo o mais recente relatório do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crimes, existem 185 milhões de usuários de drogas ilícitas em todo o mundo. Isso significa que, de cada 100 pessoas, três consomem entorpecentes. Se considerarmos somente as pessoas com mais de 15 anos, a proporção sobe para quase cinco usuários em cada 100 pessoas.



FÁCIL, FÁCIL

Obter maconha é tão comum atualmente como tomar uma cervejinha no boteco da esquina. Sem procurar muito, é possível avistar nas ruas um comunista velho de guerra dividindo um baseado com uma patricinha com bolsa Louis Vuitton a tiracolo. Segundo a ONU, são 146 milhões de usuários de maconha no mundo, 2,3% da população mundial. Nos Estados Unidos, 11% da população consome a erva regularmente. Na Austrália, são 17%. E esses números estão crescendo a cada ano.

Mas é o ecstasy que desponta como a droga do século 21. Num mundo ultra-rápido, caracterizado pela tecnologia e embalado pela música eletrônica, nada parece fazer mais sentido do que uma droga sintética, capaz de alimentar horas e horas de euforia. De acordo com a ONU, já são 38 milhões de usuários de ecstasy e anfetaminas. No Brasil, mais de 100 000 pessoas consomem essa droga regularmente.

O avanço das drogas ilegais sobre a socieda-de escancara a ineficácia da política de repressão adotada até agora na maioria dos casos. Com isso, a estratégia de combate ao problema começa a mudar e, nos próximos anos, deveremos assistir ao abrandamento no tratamento de dependentes, bem como a um debate maior sobe a controversa descriminalização do consumo. Essa descriminalização, acredita-se enfraqueceria o crime organizado em torno do narcotráfico, cujo controle parece ter escapado das mãos da polícia em algumas cidades.

A estratégia de abrandamento é percebida, por exemplo, num decreto do governo federal, atualmente em análise, que possibilitaria a criação de locais seguros para dependentes graves. Um espaço restrito para atendimento de viciados, onde poderiam ser distribuídas seringas limpas para usuários de drogas injetáveis. Nesses lugares, não haveria repressão ao consumo.

Atualmente, à margem da lei, algumas organizações não-governamentais tentam implementar essa política de "redução de danos". Voluntários percorrem as ruas para distribuir seringas e preservativos a viciados. Não recebem nada por isso e ainda correm o risco de serem presos. No Brasil, a ONG Se Liga, de Pernambuco, é uma das entidades que defendem a nova abordagem, uma alternativa às estratégias de combate direcionadas, exclusivamente, para o abandono do consumo de drogas. Essas entidades acreditam que as políticas públicas devem visar também aos que não querem largar as drogas. Nesse caso, a maior preocupação é com a redução dos possíveis danos. O slogan do Se Liga: "Se for usar, não abuse".

Seguindo essa mesma estratégia, a Escola Paulista de Medicina vem realizando experiências com jovens viciados em crack. Eles passam por uma "terapia de substituição", com o objetivo de fazê-los trocar essa droga pela maconha, menos ofensiva à saúde. Os resultados, segundo a Escola Paulista, são positivos.



LEVES E PESADAS

Na esteira dessas experiências, um velho tabu parece começar a balançar: o de que a maconha seria a porta de entrada para outras drogas mais pesadas. Uma pesquisa do governo inglês, divulgada em artigo da revista britânica The Economist, questiona a teoria da escalada de drogas, segundo a qual o uso de substâncias mais leves levaria inevitavelmente às mais pesadas. Os resultados evidenciam que, embora a maioria dos usuários de cocaína e heroína tenha realmente utilizado maconha anteriormente, a recíproca nem sempre é verdadeira: a maioria dos usuários de maconha não passa a consumir drogas mais pesadas. O processo de escalada, segundo o artigo, depende de outros fatores, como a influência genética e as condições sociais e familiares.

No Brasil, um dos defensores da política de redução de danos é o ministro Nilmário Miranda, da Secretaria Especial de Direitos Humanos. Durante um seminário em Porto Alegre, o ministro declarou que o usuário de drogas ilegais deve ser tratado com políticas de saúde da mesma forma que aqueles que consomem drogas legais, como o álcool e o cigarro.
Fazendo coro, a psicoterapeuta Mônica Gorgulho, diretora da Associação Internacional de Redução de Danos e coordenadora da ONG Dínamo, sugere um caminho para a relação entre a sociedade e as drogas ilícitas na próxima década: "Se não é possível livrar o mundo das drogas, é melhor aprender a conviver com elas. E ensinar as pessoas a usarem as substâncias com o máximo de segurança possível". Já seria uma revolução no admirável mundo novo.


Tendências




- DESCRIMINALIZAÇÃO

O avanço das drogas ilegais - três em cada 100 pessoas no mundo consomem algum tipo de entorpecente - demonstra que a política de repressão adotada até agora na maioria dos países não tem sido eficaz. Assim, nos próximos anos, deverá crescer o debate a respeito da descriminalização do consumo de drogas.



- ABRANDAMENTO
Em vez de tentar convencer os usuários a abandonarem as drogas, uma abordagem alternativa seria focar a redução dos possíveis danos à saúde daqueles que não querem ou não conseguem se livrar do vício. Nos próximos anos poderão ser criados no país centros de atendimento de dependentes graves, onde seriam distribuídas seringas limpas para usuários de drogas injetáveis.