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quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Cientistas descobrem que orcas conseguem imitar a fala humana


Cientistas descobrem que orcas conseguem imitar a fala humana


Algumas espécies de animais, como o papagaio, são conhecidas por suas habilidades de imitar a voz humana. 

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Cientistas descobrem o que unia os humanos antes do surgimento das religiões


Cientistas descobrem o que unia os humanos antes do surgimento das religiões


Um grupo de pesquisadores da University College London, no Reino Unido, revelou em um relatório publicado pela revista Nature, o que unia os antigos grupos de humanos em períodos anteriores ao aparecimento das religiões organizadas.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Pensa louro - Zoologia


Pensa louro - Zoologia

Você já viu algum animal de estimação que se despede do seu dono à noite desejando-lhe um bom jantar? Ou que sabe contar objetos e dizer a cor de cada um? 

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Como o homem fala - Biologia


COMO O HOMEM FALA - Biologia



E canta, chora, cochicha, geme e grita, graças a um dos mais versáteis instrumentos da natureza: as cordas vocais. A ciência já consegue ver por dentro toda a sonora riqueza da voz humana.

A platéia fica de boca fechada, sem dar um pio, para ouvir uma ária da ópera Carmen. A intérprete é Celine Imbert, paulistana de 38 anos, dona de uma elogiadíssima voz de soprano, a mais rara e requintada que uma cantora lírica pode ter. Mas o silêncio dos ouvintes naquela apresentação tinha um motivo incomum. A cigana criada no século passado pelo escritor francês Prosper Mérimée e transformada em ópera por seu conterrâneo Georges Bizet (1838-1875) provavelmente jamais havia sido vista dessa maneira: em vez da dança sensual da personagem, assistia-se então à coreografia de um tubo rosado e oco, contraindo-se e esticando-se no ritmo da música. Não se tratava de uma montagem performática de Carmen, mas da gravação de um vídeo para a Escola Paulista de Medicina, há poucos meses, Celine exibia a laringe a um distinto público de pesquisadores, graças a um equipamento desenvolvido para possibilitar que os cientistas compreendam a harmonia existente entre os gritos e os sussurros, os graves e os agudos da voz humana.
Há mais tempo do que a ciência é capaz de rastrear, o homem aprendeu a erguer, com a fala, a esplêndida catedral da linguagem, o que lhe permitiu conquistar para sempre um lugar à parte entre todos os seres vivos. Mas, até há alguns anos, existia uma única maneira de observar os mecanismos da voz: segurando-se a língua para pôr um espelho dentro da garganta. Nessa situação desconfortável, o máximo que alguém consegue é soltar grunhidos. Assim, aos estudiosos restava apenas deduzir a fisiologia a partir da anatomia, imaginando como seria a ação das cordas vocais, o par de músculos produtores do som, revestidos de mucosas, que, apesar do nome sugestivo, em nada lembram violinos ou harpas. Aliás, a julgar pela aparência, esses músculos merecem a designação menos elegante de pregas vocais, preferida pelos pesquisadores. Hoje sua imagem ficou mais nítida: ao se introduzir uma delgada fibra ótica (ligada a uma câmera de TV) pelo nariz até a laringe, como se tornou possível fazer, o aparelho fonador permanece livre e desimpedido para que a pessoa examinada fale normalmente ou, como no caso de Celine Imbert, cante uma ária.
O vídeo mostra que, vez ou outra, quando a cantora inspira, as duas cordas vocais relaxadas, uma de cada lado, formam uma fenda triangular que se chama glote. Dessa maneira, o ar trafega sem obstáculos até os pulmões, onde abastece o organismo de oxigênio. Quando o diafragma, o grande músculo que separa o tórax do abdômen, expulsa o ar para fora, pode-se romper o silêncio. Se alguém resolve soltar a voz, o cérebro ordena que os músculos da laringe fechem a glote. O ar então fica no meio do caminho, preso no canal da traquéia, entre os pulmões comprimidos pelo diafragma e a glote inapelavelmente cerrada. Mas, tamanho acaba sendo o aperto ali, que o ar, sob pressão, força a passagem estreita entre as cordas vocais e estas, imediatamente depois da fuga, voltam a se unir. O pouco do gás que escapa, no entanto, é suficiente para empurrar partículas de ar que estavam  na laringe; elas, por sua vez, empurram outras partículas e assim por diante, como pedras de dominó caindo uma depois de outra. O traçado dessa cadeia de partículas teria a forma de uma onda -e de fato se trata de uma onda sonora. Na verdade, as cordas vocais abrem e fecham tão rápido que não se pode notar o movimento a olho nu. Por esse motivo, ao examinar a laringe com fibra ótica, os médicos costumam recorrer a uma luz estroboscópica, como as usadas em discotecas, que dão a ilusão da imagem em câmara lenta. Nas crianças, o movimento se repete mais de 250 vezes por segundo. Com isso, a vibração do ar é grande e o resultado é uma onda mais condensada de energia ou de alta freqüência, que gera sons mais agudos. Para preservar essa voz fina e angelical é que em tempos idos surgiu a desumana idéia de castrar rapazes destinados ao canto. Isso porque, na adolescência, a entrada em cena dos hormônios sexuais, nos meninos e nas meninas, aumenta a massa muscular do organismo; as cordas vocais, em coro com essa transformação, tornam-se mais espessas e longas-desse modo, também mais resistentes à vibração.
Nas mulheres, as cordas passam a se movimentar entre 200 e 220 vezes por segundo, enquanto nos homens o ciclo vibratório é de cerca de 110 vezes. Todos podem ouvir o efeito da diferença: a voz engrossa porque a freqüência da onda sonora se torna mais baixa. Até que a laringe se acostume com a transformação, a voz desafina, o que fica mais evidente nos homens, nos quais a mudança é drástica. No entanto, mesmo entre adultos, ninguém fala no mesmo tom o tempo inteiro. "A laringe ajusta o tamanho conforme a altura do som, grave ou agudo", explica o otorrinolaringologista Paulo Pontes, da Escola Paulista de Medicina, um dos maiores especialistas brasileiros em laringe. Ele estende a mão e a compara a uma corda vocal: "Ao fechar a mão, a pele do dorso se estira e fica mais tensa; o mesmo ocorre com a mucosa da prega vocal quando ela é estirada pelo alongamento para produzir um som mais agudo. Ao se encurtar, a prega fica menos tensa-mais massa vibra e o som é mais grave. O mesmo acontece com a mão aberta: a pele relaxa, podendo formar mais dobras." 
Para falar em alto e bom tom, porém, é preciso muito mais do que cordas vocais bem afinadas pela laringe: é necessária uma lubrificação adequada. Assim, a voz enrouquece quando se fica gripado, porque o excesso de muco segura as cordas vocais. O inverso, a secura, tampouco é o ideal. "É comum querer gritar de nervoso e a voz não sair", exemplifica Pontes, "porque a tensão chega a secar as glândulas salivares e, sem lubrificação, as cordas vocais não conseguem vibrar direito." Contudo, se dependesse exclusivamente do que se passa na laringe, o homem viveria quase mudo, pois o som produzido ali é tão baixo quanto o de um cochicho. Por isso, ao longo da evolução da espécie, órgãos a serviço das funções respiratória e digestiva foram se adaptando para o trabalho extra de modular a voz humana.
As ondas sonoras geradas na glote atravessam um verdadeiro sistema de amplificadores, formado pelos próprios pulmões, mais a laringe, a faringe, a boca, o nariz e por uma série de cavidades existentes nos ossos da face, os seios paranasais. Ao entrar em uma dessas estruturas, chamadas caixas de ressonância, é como se a onda sonora batesse em uma parede e ricocheteasse; desse modo, acaba se chocando com outra onda sonora no caminho. Conforme a combinação resultante do encontro, aquela primeira onda sonora pode ser amplificada, tornando-se audível. Mas também ocorre o oposto -uma onda atenuar outra. E justamente o jogo de abafar ou de aumentar o volume de certos sons que dá ao homem uma voz quase tão rica em nuances quanto a música de um piano. As cordas vocais são como o samba de Tom Jobim: emitem uma nota só, o chamado tom fundamental; outras notas podem entrar-os tons harmônicos, múltiplos do fundamental-, mas a base é uma só, de novo como na canção. Mesmo partindo de um único tom, o homem constrói toda uma gama sonora. O médico Paulo Pontes disseca a proeza: "A onda do tom fundamental, ao atravessar as caixas de ressonância, é ampliada apenas em determinadas faixas conforme o som desejado. Assim, podemos emitir, por exemplo, o som de vogais diferentes". Tudo é calculado, embora não se perceba. O sistema nervoso comanda músculos, do abdômen até a face, de tal maneira que a onda sonora termina sendo guiada para determinados pontos de determinadas caixas de ressonância, sempre de acordo com o som.
É fácil notar, por exemplo, as alterações que ocorrem na boca, que fica escancarada para emitir um "a" de exclamação ou faz bico para produzir o acachapante "u" de uma vaia. Assim como a boca, outras caixas de ressonância, graças à ação muscular, também vivem mudando de formato. "É claro que uma bela voz vai depender de fatores físicos, como estruturas do aparelho fonador perfeitas e bem-proporcionadas", cita Pontes. "No entanto, mais importante do que isso, é saber guiar a onda sonora até a caixa de ressonância certa. É essa sensibilidade que os cantores têm de especial." De fato, o jogo de caixas de ressonância é responsável pelos atributos estéticos da voz. É o trajeto da onda sonora, abafada em algumas faixas, amplificada em outras, que resulta em um tom aveludado como o de um locutor de rádio de fim de noite ou grasnante como o de um  imitador  do Pato Donald. No final, cada um cria maneiras exclusivas de gerar seus sons, com esse ou aquele conjunto de movimentos musculares.
"Por isso, a voz é uma espécie de impressão digital sonora", compara a fonoaudióloga paulista Mara Behlau, a única especialista credenciada a dar pareceres em tribunais brasileiros sobre identificação de vozes. Ela trabalhou junto com peritos americanos na comparação de vozes gravadas ao telefone, quando as autoridades italianas recorreram aos Estados Unidos ao investigar o seqüestro e assassínio do primeiro-ministro Aldo Moro, em 1978. Embora o fator desenvolvimento do organismo também deva ser ouvido, a rigor o aparelho fonador é esculpido pelo uso. Assim, os órgãos de fonação do brasileiro geram com facilidade os sete fonemas vogais do português-a, é, ê, i, ó, ô, u. Isso explicaria a ginástica que é para muitos brasileiros falar outras línguas. O inglês americano, por exemplo, faz soar catorze fonemas vogais-o dobro do que os músculos dos brasileiros se habituaram a realizar. Que dizer então do sueco, que vocaliza 22 sons vocálicos.
Antes de ser moldado, porém, o aparelho fonador é capaz de aprender qualquer língua sem rastros de outros sons. Análises feitas por computadores provam que os bebês no mundo inteiro emitem no mesmo tom quatro tipos de sons. O primeiro é o grito do nascimento, algo que humano algum será capaz de repetir na vida. "É um som peculiar, pois serve para expulsar o líquido contido no trato respiratório", esclarece Mara. Por sinal, o homem é o único animal que grita ao nascer; os bichos costumam vir ao mundo calados; provavelmente, especula- se, para não denunciar sua frágil presença a ouvidos predadores.
A voz do recém-nascido, qualquer que seja a sua origem, vai do tom mais grave ao mais agudo até que a mãe perceba que ele sente fome. Mas, quando o choro se limita a um único tom, insistente e monótono, é porque a voz reclama de dor. Finalmente, os bebês também soltam sons anasalados, leves gemidos que indicam prazer. "Para o resto da vida o homem associará prazer e afeto à voz anasalada", informa Mara. Segundo ela, existem apenas três línguas em que os tons anasalados predominam: o português, o francês e o polonês. "Parte da fama de românticos dos franceses e de sensualidade dos brasileiros se deve ao idioma que eles falam", acredita a especialista.
"Cada emoção tem voz própria", garante de seu lado o psicólogo Ailton Amélio da Silva, da Universidade de São Paulo, que ensina o tema para alunos de pós-graduação. Quando Ailton começou a estudar expressões faciais em filmes e novelas, há dez anos, descobriu que era necessário tirar o som, porque a voz distrai, chamando mais a atenção do que a imagem. Há quatro anos, ele inverteu o processo e passou a ouvir apenas o som das telenovelas. Com a ajuda de computadores, a gravação é fragmentada e os segmentos, remontados ao acaso. O resultado são vozes que mantêm o tom e o ritmo originais, mas que emitem ruídos sem sentido algum. "Com uma freqüência espantosa, os ouvintes costumam identificar a emoção de quem emitiu a voz", revela o pesquisador.
Embora recentes, pesquisas nessa área já indicam pistas valiosas. Quando alguém mente, por exemplo, a voz tende a não oscilar de tom, como se o mentirosos temesse escorregar para a informação verdadeira. Quem está feliz fala mais fino e mais alto, ao contrário da voz tristonha e desanimada, mais baixa e mais grave. Fala grosso quem sente raiva, mas a voz afina e baixa de volume em situação de constrangimento. "Em épocas primitivas, quando a agressão fazia parte do convívio social, devia ser importante para cada um perceber na hora se a voz do outro revelava medo ou raiva", supõe Ailton. Algumas emoções, quando constantes, podem prejudicar a voz, de acordo com a fonoaudióloga Carla Miéle, do Hospital Albert Einstein, de São Paulo.
É o caso da tensão e da ansiedade. A respiração curta do ansioso fornece pouco fôlego para a emissão de sons. "Sem pressão suficiente do ar, as cordas vocais se esforçam em dobro e deixam de trabalhar em sincronia", descreve Carla. Surgem então ali nódulos, os famosos calos nas cordas vocais, um dos mais comuns distúrbios de voz. O problema aparece naqueles que abusam da voz, cantores, professores, políticos, locutores, mães que vivem gritando com os filhos-gente que, às vezes, acredita que pigarrear ajuda a combater a rouquidão, um sonoro mito. Felizmente, foi-se o tempo em que para resolver um problema de calos vocais a vítima corria o risco de ficar calada para sempre. Hoje em dia, microcirurgias retiram os calos, deixando as cordas vocais intactas. Aliás, justamente porque a Medicina atual consegue observar as cordas vocais em ação, como durante a audição de Celine Imbert, existe tratamento para a maioria de seus males, sem afetar a voz dos donos-algo que deveria fazer os cientistas cantar de alegria.

Aparelhos de som

A rigor, não existe um órgão cuja única função seja permitir a emissão de sons. Mesmo as cordas vocais fazem parte da laringe, que serve para conduzir o ar aos pulmões. Mas, ao longo da evolução da espécie humana, órgãos ligados à respiração e à digestão passaram a trabalhar também na produção da voz.


Jogo de ondas

Ao entrar em uma caixa de ressonância, a onda sonora bate e volta, cruzando com outra onda que vem atrás, no mesmo trajeto. No encontro, se uma onda for exatamente o oposto da outra, os dois sons se anularão. Se as duas ondas se encaixarem, acabarão se somando e dessa maneira o som será amplificado. Se, no entanto, as ondas não se encaixarem perfeitamente, o som original será abafado.


O rei da imitação

A voz do papagaio nada tem a ver com a do homem, a quem imita: para início de conversa, como nas demais aves seu som não é produzido por cordas vocais, mas por uma membrana, a seringe, situada entre os brônquios e a traquéia. De uma espécie de ave para outra existem diferenças na membrana, assim como nos músculos que a fazem vibrar para produzir a onda sonora-daí a diversidade do canto dos pássaros. "A seringe de uma ave canora é muito mais complexa do que a dos papagaios", compara a bióloga Elizabeth Hofling, da Universidade de São Paulo. Em compensação, o cérebro do papagaio tem uma capacidade de aprendizado maior para imitar sons." Outras aves conseguem a mesma proeza, como certas araras e as gralhas. Já os pássaros pretos, excelentes  imitadores, preferem copiar outras  espécies-por exemplo, canários.

A voz da verdade

Nem o mais hábil imitador consegue reproduzir exatamente o jeito de falar de outra pessoa. Na década de 30, os cientistas ainda não haviam descoberto que a voz é algo tão pessoal e intransferível quanto uma impressão digital. Apesar disso, em 1935, nos Estados Unidos, o jardineiro Bruno Hauptmann acabou executado pelo seqüestro e assassino de uma criança de 2 anos-foi a primeira vez em que se usou a voz como prova em um tribunal. Embora a memória costume falhar nessas coisas, o júri confiou no pai da vítima, Charles Lindbergh (1902-1974), o primeiro aviador a atravessar o Atlântico sem escalas, que reconheceu a voz do antigo empregado no telefone.
Equipamentos capazes de identificar vozes com segurança apareceram na Segunda Guerra Mundial: os americanos verificaram que as tropas alemãs costumavam usar os mesmos soldados para transmitir mensagens de rádio-assim, identificá-los seria uma forma de acompanhar os deslocamentos dos inimigos. Na época, era preciso comparar duas frases idênticas para saber se haviam sido ditas pela mesma pessoa. Atualmente, porém, computadores analisam mais de setenta indicações, ou parâmetros, para informar se duas vozes pertencem ao mesmo dono, ainda que falando línguas diferentes.

Erros gritantes

Na hora de abrir a boca para manifestar-se sobre voz, muita gente talvez devesse permanecer em silêncio para não propagar conceitos falsos como estes:

Quem muito grita pode arrebentar as cordas vocais As cordas vocais nunca arrebentam, deixando as pessoas mudas. Quem força muito a garganta pode, isso sim, ficar rouco de cansaço ou, a longo prazo, desenvolver calos nas cordas vocais.

Um gole de bebida alcoólica aquece a garganta e ajuda a voz a sair mais fácil O álcool não traz beneficio algum à voz; além disso, é um dos principais causadores de câncer de laringe.

O único mal do cigarro, para a voz, é diminuir o fôlego A fumaça do cigarro aumenta a quantidade de muco nas cordas, o que altera a voz.

Mel e limão ajudam a curar a rouquidão Esta pode ser uma excelente receita, mas para inflamação de garganta. Pois a glote se fecha quando se engole alimentos, impedindo que entrem no aparelho respiratório. Se uma gota de mel chegar a cair sobre as cordas vocais, o efeito será um enorme engasgo. O único remédio para a voz rouca é o silêncio.

Pigarrear ajuda a tornar a voz mais clara Pigarrear é um truque psicológico-a pessoa se assegura de que a voz está na garganta e não irá lhe falhar. Infelizmente, nada arranha mais as cordas vocais do que um simples pigarro.

Na velhice, a voz muda por falta de hormônios sexuais A diminuição de hormônios e o próprio envelhecimento da mucosa que reveste as cordas vocais podem afinar a voz na terceira idade. Mas, como qualquer outro músculo, cordas vocais exercitadas, como as dos cantores, mantêm a forma. Aliás, a voz chega ao ápice entre os 40 e os 50 anos de idade.

domingo, 14 de outubro de 2012

Camundongos podem aprender a cantar


Camundongos podem aprender a cantar

Camundongos podem aprender a cantar, aponta estudo
Pesquisadores dizem que animais têm mecanismos cerebrais e comportamentais semelhantes a humanos.

Camundongo teria mecanismo cerebral e comportamental semelhante a humanos e pássaros (Foto: BBC)

Camundongos são capazes de aprender canções com base nos sons que escutam, afirmam 
pesquisadores americanos. Segundo novos estudos publicados no periódico "PLoS ONE", quando camundongos compartilham o mesmo espaço, eles aprendem a modular seus tons de voz entre si. E têm mecanismos cerebrais e comportamentais semelhantes a humanos e pássaros no que diz respeito à aprendizagem vocal.

Mas alguns acadêmicos se dizem céticos quanto à pesquisa, alegando que as provas são insuficientes para tais conclusões. Pesquisas prévias nesse campo haviam mostrado que camundongos machos seriam capazes de cantar canções complexas quando diante de fêmeas, e essas canções seriam uma parte importante do "namoro".

Essas "serenatas" são ultrassônicas - entre 50 e 100 Khz, muito além dos tons que podem ser captados pelos humanos. Quando esses sons são processados para se tornarem audíveis ao ouvido humano, eles soam como uma série de assobios de lamento.

Habilidade rara
Há tempos já se presume que camundongos seriam incapazes de mudar a sequência de seus tons de voz. Essa habilidade, chamada de aprendizado vocal, é rara na natureza - é restrita a alguns pássaros, como papagaios, a baleias, golfinhos, leões-marinhos, morcegos e elefantes.Mas, nos experimentos recém-divulgados, pesquisadores da Universidade de Duke (EUA) afirmam ter descoberto que os camundongos têm tanto os circuitos cerebrais como os atributos comportamentais para o aprendizado vocal. O cientista Erich Jarvis, que supervisionou o estudo, disse à BBC que as descobertas mudaram seu entendimento a respeito de como os camundongos produzem sons. "Descobrimos que, nos camundongos, os caminhos que estão ao menos modulando essas vocalizações estão no prosencéfalo, como em humanos", afirmou.
Jarvis fez a ressalva de que o estudo não apresenta provas claras de que os camundongos têm exatamente a mesma habilidade vocal que pássaros e humanos. Mas avalia que há um espectro de diferentes graus de habilidades para diferentes espécies. "Acreditamos que os camundongos estejam em um estágio intermediário de habilidade, entre uma galinha e um pássaro, ou mesmo entre um primata não-humano e um humano", afirmou o cientista.


Viver em harmonia
Quando camundongos machos com diferentes tons vocais foram colocados no mesmo ambiente, descobriu-se que seus tons gradualmente se equilibraram após cerca de oito semanas. Segundo Jarvis, trata-se de uma evolução importante. "Ao colocarmos uma fêmea na gaiola com dois machos, descobrimos que um macho mudou seu tom para ficar parecido com o do outro", diz o pesquisador. "Em geral, o animal menor muda seu tom para se equiparar ao animal maior."
Mas nem todos os cientistas concordam. Kurt Hammerschmidt, especialista em comunicação vocal no Centro Primata Alemão, em Goettingen, lançou dúvidas a respeito das descobertas do estudo sobre camundongos machos. "A história de convergência de tons é pouco convincente", afirmou. Jarvis rebateu dizendo que o ceticismo é infundado. "A reclamação (de Hammerschmidt) é de que não usamos animais o suficiente, mas descobrimos isso (a convergência de tons) em 12 pares de camundongos. Ao menos sob o nosso ponto de vista, isso é confiável e estatisticamente significativo"



segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O futuro do Telefone

O FUTURO DO TELEFONE



A partir de hoje, a sua conta de telefone pode ficar mais barata. Só depende de você e de uma série de programas de computador. Talvez pareça estranho, mas a internet, até então famosa por aumentar as contas de telefone de quem fica muito tempo online, está levando milhões de pessoas em todo o mundo a fazer ligações quase de graça. E não é só isso: em breve, ela pode revolucionar a forma como usamos o telefone, o computador e até a televisão.

É o novo mundo da telefonia via internet - ou VoIP, sigla em inglês para "voz sobre protocolo de internet". São softwares que convertem a voz em pacotes de dados que são enviados pela rede à qualquer parte do mundo. A tecnologia existe há mais de uma década, mas só no último ano amadureceu a ponto de oferecer uma boa qualidade de som e de ser fácil de usar. A resposta do público tem sido rápida: o software mais popular de VoIP, o Skype, ganha 155 mil adeptos a cada dia e já reúne 29 milhões de usuários no mundo - 400 mil deles no Brasil, segundo o Ibope. Até grandes provedores de internet americanos já começam a oferecer serviços parecidos.

Entrar nessa onda não é difícil: basta ter uma conexão com a web, microfone, caixas de som e um programa que faça ligações (veja como consegui-los no quadro da página 57). Enquanto os telefones comuns precisam transformar sua voz em impulsos elétricos e encaminhá-la por várias centrais até achar o destinatário, o VoIP faz uma ligação como se ela fosse um e-mail. A principal vantagem é o preço. Uma chamada de dez minutos para Tóquio, que custaria cerca de 19 reais no telefone comum, sai de graça na internet se as duas pessoas tiverem o mesmo programa. Se não, elas ainda podem fazer ligações para telefones comuns ao custo de alguns centavos por minuto, não importa o lugar do mundo para onde se está ligando.

O sucesso da tecnologia tem aberto novas portas. Já existem um adaptador (chamado ATA), que conecta um aparelho comum à internet ou a uma rede local especialmente para fazer ligações. Também já estão à venda telefones desenvolvidos exclusivamente para ligações por internet. A única diferença é que, em vez daquela tomada quadradinha, eles possuem uma tomada de rede, que os liga diretamente à web. E, nos próximos anos, pode esperar celulares e até televisores prontos para conversas por internet.



Muda tudo

Junte um telefone e um computador e você terá um monte de recursos legais. Alguns dos sistemas, por exemplo, enviam por e-mail as mensagens de voz que chegam à sua caixa postal. Em breve, você poderá anexar arquivos a ligações telefônicas, da mesma forma como fazemos hoje com o correio eletrônico. Também vai dar para unir voz e dados para facilitar a hora de fazer pedidos ou preencher formulários em pizzarias, hospitais e órgãos governamentais. Isso sem falar em jogos online que combinem conversas e imagens.

É provável que, em breve, outro fator entre na brincadeira: a televisão. Se algumas operadoras de TV a cabo já oferecem serviços de internet, por que não incluir o telefone no pacote? Dessa união pode sair, por exemplo, a possibilidade de fazer videoconferências pela televisão ou pelo computador - algo que já existe há algum tempo, mas ainda se restringe a algumas salas de bate-papo com vídeo na internet. Além disso, se o telefone tocasse no meio da novela, uma mensagem na TV poderia dar o número da pessoa que está chamando.

O passo seguinte será entrar no mercado de telefonia celular. Já existem alguns lugares públicos nas grandes cidades onde é possível acessar a internet por meio de ondas de rádio - e a tendência é que, nos próximos anos, a cobertura desse tipo de serviço aumente. Na Filadélfia, Estados Unidos, a prefeitura espera implantar já nas próximas semanas uma rede sem-fio que cobrirá os 350 quilômetros quadrados da cidade. Em toda essa região, qualquer um poderá acessar a internet de graça. Basta então um telefone sem-fio equipado com VoIP para ligar de forma barata em qualquer canto da cidade.

Mas existem riscos. Por ser uma tecnologia ainda pouco estudada, ninguém sabe muito bem o quanto ela é vulnerável a ataques. O telefone poderia ser usado para espalhar vírus, por exemplo, ou como porta de entrada para os sistemas eletrônicos de empresas. E quanto mais pessoas em mais lugares usarem a nova tecnologia, maiores serão os prejuízos no caso de um ataque em massa. Esse medo tem levado a grandes investimentos para melhorar a tecnologia - e tem aumentado bastante as polêmicas, que já não eram poucas.



O napster do telefone

É claro que, se você está fazendo ligações quase de graça, alguém está deixando de ganhar dinheiro com isso. Por esse motivo, empresas telefônicas de todo o mundo pressionam as autoridades para que criem regras específicas para VoIP. Além de levantar questões como segurança e privacidade do novo serviço, o que está em jogo é uma longa tradição de concessões, monopólios e muito, muito dinheiro para quem manda nesse mercado.

A polêmica é parecida com aquela que surgiu no nascimento do Napster, o clássico programa de troca de arquivos de música. Não por acaso, o criador do Skype, o sueco Niklas Zennström, também ajudou a desenvolver o Kazaa, um dos programas P2P (veja o glossário acima à esquerda) mais usados em todo o mundo para trocar músicas pela Internet. No caso da música, as gravadoras haviam investido milhões para criar discos que estavam sendo distribuídos de graça por pequenas empresas na internet. Na telefonia, as operadoras tradicionais investiram milhões para criar uma infra-estrutura que transmite voz e dados. Só que as empresas de VoIP usam essa mesma rede para distribuir a um custo baixíssimo as mesmas ligações. O mais assustador para qualquer operadora é que, hoje, qualquer pessoa, no país em que estiver, pode criar uma operadora de telefone de alcance mundial. Crie um bom programa, junte a tecnologia necessária e saia vendendo ligações a preços baixos.

É claro que isso ia terminar em disputas legais furiosas. O primeiro país a se levantar contra a novidade foi a Costa Rica, que propôs a criação de uma legislação que transformava uma simples ligação VoIP em crime. Detalhe: segundo o jornal local La Nación, cerca de 20% das ligações internacionais que partem do país já ocorrem via Skype. Mas o centro de todas as discussões são, evidentemente, os Estados Unidos. Por enquanto, prevalece lá a idéia de que o VoIP é um serviço de dados e, portanto, deve sofrer a mesma regulação que os e-mails (ou seja, quase nenhuma). Uma operadora da Carolina do Norte chegou a ser multada por bloquear tráfego de ligações VoIP. No Brasil, a situação é parecida: apesar de muita polêmica, não há ainda regras específicas. Detalhe picante: a própria Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) usa VoIP para interligar seus escritórios.
Apesar de tanto barulho, já dá para apostar que as ligações baratas tenham vindo para ficar. Assim como o Kazaa e outros serviços de troca de músicas pela internet, que se instalaram em países onde as leis são favoráveis a seus negócios, o VoIP sempre conseguirá achar onde crescer. E, de lá, todo o mundo poderá acessar o serviço de telefonemas de baixo custo. Talvez você não soubesse ainda, mas o mundo do telefone já mudou.



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segunda-feira, 14 de março de 2011

Especialistas afastam aspecto psicológico como causa da gagueira

15/02/2011 10h13 - Atualizado em 15/02/2011 11h53

Especialistas afastam aspecto psicológico como causa da gagueira
Distúrbio no ritmo da fala afeta 70 milhões de pessoas no mundo.
No passado, estudos tentaram provar que o distúrbio podia ser 'aprendido'.


O ator Colin Firth, no papel do monarca George IV,
que conviveu com a gagueira. (Foto: divulgação)Quase 70 milhões de pessoas sofrem com a gagueira, condição que foi enfrentada pelo rei inglês George VI, retratado no filme "O discurso do rei", com o ator Colin Firth no papel do monarca. A ciência ainda não chegou a uma conclusão sobre o que motiva o distúrbio na fala, mas uma candidata é cada vez mais afastada: a causa psicológica.

"Aqui no Brasil as pessoas ainda encaram a gagueira como um problema emocional, algo que veio por causa de um simples susto", afirma a fonoaudióloga Ignês Maia Ribeiro, presidente do Instituto Brasileiro de Fluência (IBF), grupo voltado à divulgação de informações sobre o distúrbio da fala. No país, quase 2 milhões de pessoas convivem com o problema.

A gagueira é entendida pelos médicos como uma dificuldade para manter o ritmo normal da fala. O portador pode repetir várias vezes uma sílaba, uma palavra e até trechos inteiros de frases. Também há casos nos quais a pessoa prolonga um som ou faz ruídos no meio do discurso que atrapalham a compreensão por parte do ouvinte (veja quadro abaixo).

Problema Efeito na fala Exemplo
Bloqueio
O portador não consegue terminar
uma palavra, 'travando' em um trecho da frase. . "Comi..."
Prolongamento
Um som é estendido além do necessário, como se uma sílaba fosse 'esticada'. "Comiiiiiiiiida"
Repetição
Sílabas, palavras e até
trechos inteiros são repetidos
mais de três vezes, em sequência. "Co / co / co / comida"
Intrusão
Um som aleatório entra no meio de uma frase, sem relação com o discurso. "Comi / ruído / da"
Segundo o IBF, 55% dos casos são motivados por herança genética. Os 45% restantes seriam causados por lesões no cérebro. Em fevereiro de 2010, os cientistas chegaram a descrever a descoberta de três genes ligados à gagueira. O estudo foi divulgado na revista médica "New England Journal of Medicine", uma das principais na área.

Estudo ‘monstro’
Segundo os Institutos Nacionais de Saúde norte-americanos (NIH, na sigla em inglês), as causas psicológicas eram aceitas no passado para explicar a gagueira.

Na época retratada pelo filme, uma pesquisa feita por Mary Tudor, estudante de psicologia clínica da Universidade de Iowa, nos Estados Unidos, tentou provar que as pessoas podiam ser "convencidas" a tornarem-se gagas.

Orientada por Wendell Johnson, professor da universidade e portador de gagueira desde os 6 anos de idade, Tudor trabalhou com 22 crianças -- 10 delas diagnosticadas com gagueira antes do experimento --, durante seis meses de 1939.

Divididas em grupos, metade das órfãs saudáveis eram levadas a acreditar que tinham gagueira. Já parte daquelas com o distúrbio de verdade eram convencidas de que falavam normalmente.

O trabalho é conhecido atualmente como "estudo monstro" dentro da comunidade científica, pois os métodos usados causaram problemas psicológicos reais nas crianças e não provaram que a gagueira podia ser induzida.

No ano de 2007, a corte do estado norte-americano de Iowa chegou a autorizar indenizações a agluns dos órfãos saúdáveis usados por Johnson e Tudor no experimento frustrado.

Sem consenso
Mesmo cada vez mais afastada, os especialistas reconhecem que as explicações psicológicas ainda estão presentes nos estudos sobre a gagueira. “Não há consenso ainda, algumas linhas de pesquisa ainda trabalham com as causas psicológicas”, afirma Clara Rocha, fonoaudióloga do Grupo Microsom, especializado em produtos para portadores de gagueira.

Para os especialistas, parece fazer mais sentido entender os problemas psicológicos como consequências possíveis da gagueira. "São pessoas que podem ter um ânimo muito baixo. Tem gente que não contrata quem sofra com gagueira, gente que acredita que o distúrbio é contagioso”, diz Clara. “A dificuldade para falar pode certamente levar a um trauma.”

Tratamento
Não existe cura e não há drogas para tratar a doença. Estudos do Instituto Nacional de Surdez e Distúrbios de Comunicação norte-americano (NIDCD, na sigla em inglês) mostram que remédios usados para combater outras doenças como depressão, epilepsia e ansiedade fracassam quando aplicados como terapia para tratar a gagueira.

Pior que as gozações é o isolamento. Se você não fala, você não gagueja"Ignês Maia Ribeiro,
presidente do IBFO rei George VI conta, no filme, com um fonoaudiólogo excêntrico, interpretado por Geoffrey Rush, que desenvolve muitas das técnicas atuais para diminuir a gagueira. "O filme mostra bem que o tratamento é mais refinado do que simplesmente fazer leitura em voz alta", explica Ignês. "É preciso aprender a soltar a musculatura, relaxamentos, é um trabalho cauteloso, mais do que simplesmente oratória."

A gagueira traz problemas de convívio motivados pelo preconceito e pela crença de que pessoas com o distúrbio tenham problemas não só na fala, mas também de compreensão. "A gagueira não atinge a cognição", diz a especialista. "A fala simplesmente não acontece como o portador quer, mas ele pensa e entende o mundo como uma pessoa normal."


Colin Firth, encarnando o monarca George VI, no filme 'O discurso do rei'. (Foto: divulgação)No filme, o monarca não tem a opção de fugir da vida pública, mas esta é uma tática adotada por muitas pessoas com gagueira. “Pior que as gozações é o isolamento. Se você não fala, você não gagueja”, explica Ignês.

Durante o tratamento com fonoaudiólogos, que pode durar até um ano, discursos como os vistos no filme são apenas o objetivo final do tratamento. "Chegar ao discurso é sempre a meta, especialmente agora que a fala é cada vez mais exigida", diz a presidente da IBF.