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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Terra de Gigantes - Obesidade


TERRA DE GIGANTES - Obesidade



Nos próximos anos, se nada for feito para mudar o quadro atual, estaremos fritos. E em óleo cheio de gordura trans, aquela que faz bastante mal à saúde. Tudo por conta da epidemia de obesidade, que alcança níveis alarmantes no mundo todo. Até países com grande número de subnutridos, como a Índia, vêm assistindo a um salto gigantesco na quantidade de obesos - lá, 55% das mulheres entre 20 e 69 anos estão acima do peso. Aqui no Brasil as coisas não são muito diferentes. Uma pesquisa divulgada em dezembro de 2004 pelo IBGE mostra que a obesidade já atinge mais brasileiros do que a desnutrição. Segundo o levantamento, 40% dos brasileiros adultos, ou 38,8 milhões de pessoas, estão pesando mais do que deveriam. Desse total, 10,5 milhões podem ser consideradas obesas. No mundo todo, de acordo com uma estatística da Força-Tarefa Internacional de Obesidade, 1,7 bilhão de pessoas - ou uma em cada cinco - estão com sobrepeso ou obesas.

O problema resume-se a uma equação simples, que todos estão cansados de saber: comer alimentos gordurosos, aliado à falta de atividade física, resulta no aumento de peso. É exatamente isso que vem acontecendo nos últimos anos. E, se quisermos culpar alguma coisa pela epidemia de obesidade, culpemos nossos genes. Ao longo da evolução, enquanto nos transformávamos de macacos em seres humanos, vivemos durante milhões de anos num mundo escasso em comida. Para compensar a falta de alimentação, nossas células adquiriram a capacidade de armazenar gordura - assim, poderíamos sobreviver um tempo maior caso não encontrássemos alimento. O problema é que o mundo mudou e, hoje, não há mais escassez de comida.

Não há milagres
Quem espera que a situação se reverta com o auxílio da medicina pode ir tirando o cavalo da chuva. "Milhões e milhões de dólares são investidos todos os anos na pesquisa genética da obesidade. Mas não se acredita mais que o remédio mágico vá ser encontrado. Ao menos não nos próximos dez anos", afirma o endocrinologista Walmir Coutinho, chefe do Grupo de Obesidade e Transtornos Alimentares, serviço público que atende 400 pessoas por mês.

De fato, desde a década de 50, medicamentos ditos "milagrosos" aparecem nas prateleiras como a salvação dos gordinhos. As anfetaminas, que aceleram o metabolismo e inibem o apetite, foram as grandes vedetes dos anos 50 e 60 - até descobrirem que elas causavam dependência química. Substâncias como fenfluramina e fertemina, que provaram realmente serem eficazes no emagrecimento, também causavam reações colaterais e podem estar ligadas a problemas cardíacos. Novas drogas, como orlistat, causam desconforto intestinal. "A médio prazo, entrará no mercado um novo medicamento. Mas ele não irá solucionar o problema", afirma o endocrinologista gaúcho Giuseppe Repetto, presidente da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade). "Precisamos muito mais do que uma droga mágica."

Qual, afinal, é o prognóstico para os próximos anos? Se os Estados Unidos servem de parâmetro, a perspectiva não é nada animadora. "Atualmente, entre 65% e 80% dos americanos estão acima do peso ou obesos", afirma o especialista David Katz, diretor de estudos médicos de saúde pública da Universidade de Yale e autor de The Way to Eat (algo como O jeito de comer, sem tradução para o português). "A maior parte deles não era obesa quando criança. Mas muitas crianças são obesas hoje em dia. Por isso, a tendência é que no futuro o número de americanos acima do peso aumente ainda mais, chegando perto dos 100%." E no Brasil? De acordo com o endocrinologista Walmir, a situação aqui pode ser ainda pior, se é que isso é possível. "O tipo étnico do latino-americano favorece o aparecimento de problemas de saúde já com níveis menores de obesidade", diz.

A obesidade pode ser medida de acordo com o IMC (índice de massa corporal), numa conta fácil: o peso do indivíduo dividido pela sua altura ao quadrado. Se o resultado for superior a 25, a pessoa está acima do peso. Se passar de 30, é obesa. A obesidade é considerada um problema de saúde pública porque diversas doenças, como diabetes tipo 2, problemas cardíacos, hipertensão arterial, infarto e até alguns tipos de câncer, estão associadas a ela. Um estudo de 2003 mostra que os custos do excesso de peso no Brasil chegam a 1,5 bilhão de reais por ano, contando internações hospitalares, tratamentos médicos e gastos indiretos, como faltas no trabalho e morte precoce. A previsão é que esse valor deve crescer nos próximos anos.

Aqui no Brasil, assim como no resto dos países em desenvolvimento, quem mais vai sentir os efeitos da epidemia de excesso de peso nos próximos anos serão as pessoas de classe mais baixa. "O nível de sedentarismo é muito maior em populações mais pobres", diz Coutinho. Entre outras coisas, elas não costumam praticar exercício em academias, por exemplo - principalmente as mulheres. Em oito anos, o número de mulheres obesas das classes D e E cresceu 30% na região Sudeste. No mesmo período, houve queda de 40% no total de brasileiras obesas das classes A e B. Outro fator que contribui é o econômico. Como nos últimos anos a capacidade aquisitiva da população aumentou, quando sobra um dinheiro no final do mês a tendência é comprar alimentos mais calóricos - agora eles podem se "dar ao luxo" de ter uma bolacha ou um chocolate no armário.

Outra camada ferozmente atingida pela epidemia é a das crianças. Segundo a Organização Mundial de Saúde, um em cada dez pequenos está obeso no mundo todo. No Brasil, 15% das crianças estão acima do peso e 5% obesas. Especialistas afirmam que a probabilidade de uma criança com pais magros tornar-se obesa é de 9%. Se um dos pais for obeso, a taxa sobe para 50%. Se os dois forem obesos, a criança terá 80% de chance de seguir os passos deles. Mais do que a herança genética, o problema é do ambiente propício à obesidade.

Aulas de como comer
Para combater o problema, uma medida eficiente já está em prática no Brasil: o nome dela é Escola Saudável. Uma parceria da Abeso com outras entidades do gênero e com o apoio do Ministério da Saúde, o programa está implantando em escolas do país todo aulas de alimentação saudável como matéria da grade curricular. "É uma tentativa de educar as crianças para que elas não sejam obesas", afirma Giuseppe Repetto. O programa Escola Saudável já conseguiu que as cantinas de escolas públicas do Rio de Janeiro não vendam guloseimas nem refrigerantes, mas apenas alimentos saudáveis.
Walmir Coutinho acredita que, em 2020, estaremos discutindo medidas para reverter o quadro de epidemia. "O governo federal terá de tomar algumas medidas, como a restrição de propaganda de alimentos que provocam obesidade, principalmente os voltados para o público infantil. Por exemplo, teremos de colocar no rótulo de uma barra de chocolate que, se consumido em excesso, o produto fará mal à saúde."

Tendências


- BOLA DE NEVE

Como os filhos de pais obesos têm maior propensão a ficarem também obesos, se nada for feito, o problema deve se agravar nos próximos anos.


- POBRES E NUTRIDOS

A epidemia da obesidade tende a crescer mais entre pessoas de baixa renda, que, graças ao aumento do poder aquisitivo, passaram a ter acesso a alimentos mais calóricos.

- SEM REMÉDIO
Pelo menos nos próximos dez anos não deve surgir nenhum remédio revolucionário para acabar com a obesidade, apesar dos milhões de dólares investidos anualmente no combate ao problema.


domingo, 26 de dezembro de 2010

Código de barras é coisa de Satã ???

CÓDIGO DE BARRAS É COISA DE SATÃ?



Eles estão em toda parte: no sabão em pó que lava mais branco, na lata de molho de tomate que você compra no supermercado, na capa da sua revista preferida. Padrão de reconhecimento e catalogação de produtos, os códigos de barras UPC estão presentes em nossa vida de forma tão avassaladora que se tornaram um ícone pop do capitalismo moderno. Mas, ao mesmo tempo em que fazem o dinheiro mudar de mão e alimentam o comércio mundial, os códigos de barras talvez sejam a única prova material de que, já há bastante tempo, o Anticristo está entre nós. Uma conspiração movida a dólares, tecnologia de ponta e capitalismo transnacional. Como se vê, o tempo de sacrifícios sangrentos e possessões demoníacas acabou. Nos dias que correm, o Filho do Demo está mais para um yuppie de Wall Street, possivelmente metrossexual e amante da música eletrônica, do que para a criatura de chifres e pernas de bode celebrizada em filmes como O Bebê de Rosemary (1968), O Exorcista (1973) e A Profecia (1976).

Para entender as teorias conspiratórias que cercam os códigos de barras, é preciso voltar ao ano de 1948. A pedido de uma rede de supermercados da Filadélfia, os estudantes Bernard Silver e Norman Woodland, do Drexel Institute of Technology, começaram a trabalhar em um sistema de identificação de produtos. Depois de pesquisar outros métodos, os dois nerds finalmente chegaram, em 1952, à criação dos códigos de barras UPC, que patentearam como um "Método e Aparato de Classificação Através da Identificação de Padrões".

Apesar da eficácia do novo sistema, ele só seria implantado comercialmente em 1966, quando foram inventados os primeiros leitores de códigos de barras. A primeira empresa a utilizá-los foi a rede de supermercados Kroger, em Cincinatti, Ohio, que logo depois descartou a novidade. O motivo foi a falta de um padrão, pois cada loja imprimia os códigos UPC de uma maneira diferente. Um problema que foi resolvido apenas em 1974, quando um comitê formado pela National Association of Food Chains (NAFC) adotou as etiquetas com linhas verticais pretas, utilizadas até hoje no mundo inteiro. A apresentação ao público foi em 26 de junho de 1976. Um pacote de chicletes Wrigley’s, o primeiro produto industrializado a vir com os códigos UPC impresso na embalagem, inaugurou o novo sistema.

CONTROLE SOCIAL

Parece difícil estabelecer alguma conexão entre essa história e a vinda do Anticristo e o Dia do Juízo Final. Mas, segundo os teóricos da conspiração, os códigos de barras podem servir para tudo, menos para a identificação de produtos. Eles seriam uma forma de controle social criada por Satã, o passo definitivo rumo ao Apocalipse, quando toda a Terra irá se curvar ante os poderes do Mal (não que isso já não esteja acontecendo - afinal, desgraça é o que não falta neste planeta). Nas etiquetas que seguem o padrão UPC, cada algarismo é representado por duas linhas que variam na espessura e na distância entre elas. O número oito, por exemplo, é representado por duas linhas finas. Já o número sete é representado por uma linha grossa e outra de tamanho médio. Ao todo, cada etiqueta contém 12 números - que indicam, entre outras coisas, o preço, o fabricante e o país de origem do produto - distribuídos em 30 linhas verticais.

Até aí, tudo bem, não fossem as chamadas "linhas-guia". Formadas por um conjunto de seis linhas verticais, elas servem para indicar o começo, o meio e o fim da leitura dos códigos. Em cada etiqueta, elas são encontradas em três lugares: no canto direito; no meio, separando pela metade os 12 números de cada código; e no canto esquerdo, indicando que a leitura dos códigos chegou ao final. Como as "linhas-guia", apesar de um pouco mais longas, seguem o mesmo padrão do número seis (duas linhas finas próximas uma da outra), cada código de barras, obrigatoriamente, carrega o número 666, o número da Besta.

Daí para as teorias mais absurdas é um pulo. As teses conspiratórias baseiam-se em uma das mais famosas profecias bíblicas, o Apocalipse de São João, capítulo 13, versículos 16, 17 e 18: "A segunda Besta faz também com que todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e escravos, recebam uma marca na mão direita ou na fronte. E ninguém pode comprar nem vender se não tiver a marca, o nome da Besta ou o número do seu nome. Aqui é preciso entender: quem é esperto, calcule o número da Besta; é um número de homem; o número é 666".

É por isso que, cada vez que um caixa de supermercado passa uma etiqueta de código de barras no leitor da máquina registradora, pode apostar que, em algum lugar do mundo, um fundamentalista religioso e paranóico respira fundo, morrendo de medo de que aquele pacote de macarrão instantâneo que acabou de comprar seja só mais um passo na grande conspiração satânica que pretende dominar a Terra e infligir aos seres humanos tormentos ainda mais terríveis do que o grupo BR’Oz ou o último filme da Maria Zilda.
De fato, os códigos de barras estão em toda parte e, hoje em dia, é quase impossível comprar ou vender algum produto que não esteja marcado com o número 666. Talvez seja apenas coincidência. Ou então um sinal de que, escondido na presidência de uma multinacional ou literalmente fervendo em alguma rave em Ibiza, o Anticristo comemora a chegada do Apocalipse. Satã conspira e nós é que pagamos a conta?

Eu acredito!

"Um dos meus passatempos quando criança era ir ao supermercado com minha avó, a saudosa Dona Alcinda. Ela adorava quebrar o pau com uma fiscal, Dona Neves, que vivia com o marcador de preços na mão. ‘Larga esse revolvinho, que um dia quem vai tomar tiro é você’, dizia minha avó. Um belo dia, ela teve uma surpresa: ‘Trocaram as etiquetas de preço por uns riscos na embalagem!’. Como ela iria ver os preços dos produtos? O que aconteceria à abominável Dona Neves? Dias depois, soubemos que Dona Neves foi morta com 18 tiros (três vezes seis, ou 666...). Foi a prova de que o código de barras é mesmo o alfabeto do demônio."
Eduardo Vieira, editor da Info Corporate, nunca mais comprou em supermercados

Echelon, o moderno Grande Irmão?

Cuidado: uma rede mundial de espionagem pode estar de olho em você. Supostamente criado por um consórcio que inclui agências de inteligência dos Estados Unidos, do Canadá, da Inglaterra, Austrália e Nova Zelândia, o projeto Echelon seria um sistema de computadores gigantesco capaz de registrar cada conversa telefônica, cada mensagem de fax e cada e-mail enviado mundo afora. Seria uma versão ultratecnológica das ferramentas de controle social do Big Brother, ou Grande Irmão, o ditador de 1984, do escritor George Orwell.

De acordo com os conspirólogos, o Echelon foi criado inicialmente para interceptar e decodificar comunicações diplomáticas e militares da antiga União Soviética. Com o fim da Guerra Fria, o sistema mudou seu foco, passando a monitorar grupos terroristas e traficantes de drogas. Além, é claro, de países "suspeitos", simpáticos ao fundamentalismo islâmico ou pouco interessados em se engajar na guerra contra as drogas empreendida pelo governo americano.

O poder atribuído ao sistema é tão grande que se especula que ele seja usado não só com objetivo estratégico-militar, mas também para fins menos nobres, como monitorar os hábitos de consumo dos internautas, informação que poderia ser vendida posteriormente para grandes corporações, e os e-mails de pessoas comuns. Ao todo, estima-se que cerca de 3 bilhões de trocas de mensagens - entre e-mails, faxes, telefonemas e conversas de rádio - sejam interceptadas diariamente pelo Echelon. Um número assustador, que levou a Comunidade Européia a emitir, em maio de 2001, um comunicado aconselhando os cidadãos a utilizarem e-mails criptografados para proteger sua privacidade.
Com a "Guerra contra o Terrorismo" do presidente George W. Bush alcançando os níveis mais altos de desrespeito aos direitos civis, é possível que o grau de interferência de sistemas como o Echelon aumente ainda mais à medida que a paranóia americana se intensifique. Resta saber se o Grande Irmão não tem coisa melhor para fazer do que ficar bisbilhotando telefonemas prosaicos entre duas pré-adolescentes conversando sobre garotos, duas comadres trocando receitas de sobremesa ou dois marmanjos debatendo um jogo de futebol.