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sexta-feira, 24 de abril de 2015

Parente do Godzilla - Ovos de dinossauro localizados na China


Parente do Godzilla - Ovos de dinossauro localizados na China


Pois é, os nossos antigos e queridos amigos, os lendários e perigosos dinossauros, não param de gerar notícias no Planeta Azul. Agora, quem trouxe a novidade foi a agência oficial chinesa “Xinhua”, revelando que um grupo de arqueólogos locais localizaram 43 ovos jurássicos em um simples canteiro de obras em Heyuan, cidade que faz parte da província de Cantão, ao sul da China.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Cerco ao Campo - Parque Nacional das Emas


CERCO AO CAMPO - Parque Nacional das Emas



O Parque Nacional das Emas, a maior área de cerrados do país e principal reduto de sua fauna, corre perigo: as piores ameaças são os periódicos incêndios e os agrotóxicos nas fazendas próximas.

Vista do alto, a paisagem lembra as savanas africanas. E, embora não existam ali animais de grande porte, como elefantes, girafas e rinocerontes, o Parque Nacional das Emas acolhe a mais diversificada fauna dos cerrados brasileiros - o valioso ecossistema que na época do Descobrimento ocupava nada menos de 1 quarto de todo o território nacional e hoje, reduzido a 1 décimo de 1 por cento da área primitiva, não conta sequer com proteção formal específica na nova Constituição. Criado em 1961, na divisa de Mato Grosso e Goiás. recebeu o nome por abrigar grande número de emas. a maior ave brasileira (30 quilos de peso e 1.40 metro de altura).
Apesar da semelhança com a savana, a ausência de mamíferos de grande porte no cerrado é explicada por ocorrências de milhões de anos atrás, quando a América do Sul e a África formavam um só continente. Depois da separação, os ancestrais da fauna atual brasileira e africana evoluíram segundo as pressões dos respectivos ambientes, do que resultou uma acentuada diversificação das espécies. Pelas características da vegetação, o cerrado permite avistar facilmente a sua fauna, desde aves até mamíferos. Essa formação vegetal serve de habitat para uma infinidade de animais, como o lobo-guará, o veado-campeiro, o cervo do-pantanal, a suçuarana, o tamanduá, as araras, os tucanos, os tatus, as queixadas, os cupins, além de grande número de aves de rapina.
Embora algumas dessas espécies também sejam encontradas no Pantanal e na Floresta Amazônica, outras só existem nessa reserva, o que aumenta a importância de sua preservação. Os cerrados do Parque das Emas apresentam quatro tipos de vegetação: os campos limpos, dominados por plantas rasteiras e gramíneas; os campos sujos, com alguns arbustos dispersos na paisagem; o cerrado propriamente dito, com vegetação arbustiva não muito densa; e o cerradão, quase um bosque. As árvores típicas, de casca e folhas grossas, têm aparência retorcida, com 5 a 6 metros de altura. Devido à freqüente exposição ao fogo e ao ataque de insetos e doenças. essa vegetação desenvolveu grande resistência às ameaças físicas e biológicas do próprio meio. Ao todo são cerca de 770 espécies de arbustos e árvores, 205 delas também encontradas na Mata Atlântica e duzentas na Floresta Amazônica.
Nas áreas de campos limpos sobressaem cerca de 25 milhões de cupinzeiros, alguns com 2,5 metros de altura. Sua coloração varia do acinzentado ao avermelhado, conforme o tipo de solo com que foram construídos, o que gera um efeito paisagístico bastante interessante. Curioso mesmo, porém, é o seu aspecto nas noites de primavera. Durante esse período as colônias de cupins apresentam o maior fenômeno de bioluminescência - emissão de luz produzida por seres vivos - registrado no mundo. No inicio da estação das chuvas, ao anoitecer, milhares de larvas de uma espécie de vaga-lume (Elaterídeo) emitem intensa luz esverdeada, salpicando a paisagem com uma miríade de pontos luminosos.
Tudo começa quando a fêmea da espécie, depois de ser fecundada, deposita os ovos no pé dos cupinzeiros. Ali se transformam em larvas e cavam buraquinhos nas paredes do próprio cupinzeiro, onde farão suas casas. À noite acendem suas "luzes", para infelicidade dos insetos. Atraídos pela claridade muitos deles descobrem tarde demais que se trata de uma armadilha de caça montada pela voraz larva predadora Mariposas, cupins e formigas aladas são as principais vítimas dessa adaptação biológica. Mas nem tudo é maravilha para as larvas de vaga-lumes. As grandes queimadas que acontecem com freqüência na área do parque tendem a diminuir a população daquele inseto tornando o espetáculo luminoso menos intenso ano a ano.
A rigidez dos cupinzeiros. por outro lado, não é garantia absoluta de invulnerabilidade. Existem no cerrado muitos devoradores de insetos. que perturbam a vida dessa habitação comunitária, como o tamanduá-bandeira, o tamanduá-mirim, os tatus-canastras, pebas e galinhas e ainda um pequeno roedor (Oximyterus). Os tamanduás e os tatus possuem as patas dianteiras muito bem adaptadas para quebrar ou escavar o cupinzeiro, abrindo caminho até os cupins. Apesar da péssima visão que o impede de enxergar mesmo esses enormes cupinzeiros, o tamanduá, para compensar, tem excelente olfato. (Por isso. aliás, é possível chegar bem perto desse animal quando se caminha contra o vento.)
Alguns dos animais que povoam o parque estão com os nomes em listas oficiais de espécies ameaçadas de extinção. Entre eles o lobo-guará, que se alimenta de pequenos vertebrados, mas, principalmente, da fruta-do-lobo, um arbusto com frutos arredondados e folhas muito espinhosas. Existem também na região outros cães selvagens, como o cachorro-do-mato e a raposa-do-campo. A ave mais freqüente, a ema, já foi vista em bandos de mais de oitenta espécimes, entre machos e fêmeas. A vegetação aberta do cerrado também é um prato cheio para as aves de rapina. como as corujas, os gaviões e os urubus, todas dotadas de excelente visão. O urubu-rei, uma das espécies em vias de extinção, é um bom representante desse grupo de aves caçadoras, com 1,80 metro de envergadura (distância de asa a asa) e cerca de 30 quilos de peso.
Já o diminuto falcão quiriquiri, uma das menores aves de rapina do mundo (com 25 centímetros de altura), representa o outro extremo. Alimentando-se de lagartixas, gafanhotos e insetos grandes. As margens dos rios da região são cobertas por uma formação vegetal denominada mata ciliar que se acredita ser uma "invasão" da Floresta Amazônica no ecossistema do cerrado. É constituída por árvores mais altas, apresentando-se como uma formação de bosques densos ao longo dos rios. Serve de habitat e refúgio a uma série de animais. O maior mamífero da América do Sul, a anta, que pode ultrapassar os 200 quilos, assim como a capivara, o maior roedor do mundo ainda são encontradas com freqüência nas proximidades dos cursos de água.
Diversos predadores buscam esse ambiente atrás de caças como a capivara. A suçuarana ou puma, um felino com cerca de 60 quilos, se alimenta de roedores e de grandes mamíferos como o veado. Em suas investidas, costuma esconder o que sobrou para comer mais tarde cobrindo os restos de sua presa com folhas e ramos. As estações do ano ali são bastante definidas. No inverno, a estação seca, os dias são muito quentes, com a temperatura acima de 30 graus, e as noites muito frias, abaixo de 10. É nessa época que a vegetação já esturricada se transforma em excelente combustível para os incêndios. "A situação se agrava depois das geadas, que costumam acontecer de três em três anos", observa o técnico agrícola Antonio Malheiros, que vive no parque há 28 anos e o dirige há dezessete. No verão, a estação das águas, desabam chuvas torrenciais. Nesse período do ano a vegetação é mais exuberante e os chamados herbívoros gastadores, como o veado-campeiro e o cervo-do-pantanal aproveitam para criar seus filhotes.
Essas chuvas alcançam a Amazônia pelas nascentes do rio Araguaia, que por sinal já fizeram parte da área do parque. Na década de 70, em pleno regime militar, um decreto do então presidente Emílio Médici tomou do parque 50 mil quilômetros quadrados, que acabaram transformados em propriedades particulares. Nelas, o desmatamento para a formação de pastagens e cultivo descaracterizaram a região, favorecendo a erosão do terreno e a formação de enormes voçorocas (desmoronamentos por erosão subterrânea), destruindo assim a beleza natural daquelas nascentes. A área das Emas ainda engloba a maioria das nascentes do Rio Formoso e da margem direita do Rio Jacuba, ambos de águas cristalinas. Nos meandros do Formoso é possível enxergar o leito do rio em locais com até 3 metros de profundidade. Um mergulho nesses rios revela um pequeno "bosque subaquático", que se forma pela facilidade com que os raios solares penetram na água.
Como o parque está ilhado em meio a um mar de soja, as características desses rios começam a se alterar. O solo, que boa parte do ano fica totalmente exposto sem cultivo algum, é facilmente carregado pelas chuvas em direção aos rios, principalmente para o Jacuba, parte de cujas nascentes fica fora do parque. Esses sedimentos turvam a água, prejudicando o crescimento de plantas e algas e, conseqüentemente, afetam os invertebrados e peixes que dela se nutrem, interferindo em toda a cadeia alimentar aquática. Isso sem contar o dano à beleza natural das águas. Com o passar dos anos, o excesso de sedimentos irá assorear, ou seja fará subir o leito do rio, deixando-o cada vez mais raso.
Mais grave ainda são as toneladas de agrotóxicos despejados por aviões nas plantações vizinhas, que também acabam carregados pelas chuvas para as águas do parque, alterando sua qualidade, comprometendo a vida aquática e a de todos os animais que dela se utilizam. O parque é todo delimitado por uma cerca de arame de oito fios. Mas isso não impede que as espertas emas cruzem a fronteira à procura dos grãos de soja, abundantes na época da colheita. Nesse período, temendo a praga das lagartas, o agricultor combate-as com pesticidas. Comendo o grão ou as lagartas, a ema ingere assim grandes quantidades desses produtos químicos. Se fosse respeitada a legislação que obriga a existência de um cinturão verde de 20 por cento das fazendas ao redor das áreas preservadas, a situação poderia ser minimizada. Problemas desse tipo acumulam-se de modo a ameaçar o maior refúgio de fauna de cerrado do país, patrimônio genético de importância incalculável. 

A fauna paga o preço maior

Quando a vegetação tropical pega fogo não é difícil descobrir como tudo começou. Os incêndios de origem natural, geralmente conseqüência de um relâmpago, não chegam a atingir grandes proporções, pois as descargas elétricas são logo seguidas de fortes chuvas. Identificam-se ainda pelo formato circular da queimada e tendem a ocorrer nos meses de junho a setembro, tempo seco na região Centro-Oeste do país. Mas como se sabe, o principal causador de incêndios na mata é o homem. No Parque das Emas, incêndios criminosos traduzem a ambição dos fazendeiros vizinhos de estender suas plantações de soja. O incêndio de julho de 1988, que destruiu 80 por cento de sua área - algo como 1 000 quilômetros quadrados, o equivalente a 70 por cento do município de São Paulo -, foi o quarto de grandes proporções desde a sua criação, há quase trinta anos.
O fogo trouxe prejuízos cumulativos à fauna da região, principalmente a algumas aves, como a perdiz e a ema, que fazem os ninhos no solo na época da seca. Entre os mamíferos a vítima por excelência é o tamanduá-bandeira: por causa da péssima visão e do andar muito lento, lhe é muitas vezes impossível escapar das chamas. Mas nem sempre a rapidez assegura a sobrevivência: veados-campeiros quebram o pescoço na tentativa desesperada de pular a cerca dos limites do parque. Uma técnica simples e eficiente de reduzir o alcance dos incêndios consiste em criar aceiros - faixas de 20 a 60 metros de largura onde se deve manter a vegetação rasa ou já queimada - para isolar a área destruída. Se a planejada rede de aceiros no Parque das Emas tivesse ficado pronta a tempo o fogo de 1988 não teria sido tão devastador.
Os efeitos locais de uma queimada variam conforme a cobertura vegetal que houver sobre o solo e o ambiente da região. Como a Floresta Amazônica e a Mata Atlântica são formações vegetais mais densas e com maior biomassa, a temperatura se eleva mais, causando danos imediatos aos seres vivos e à composição dos nutrientes do solo. Já no cerrado a temperatura da chama sobre o solo às vezes não chega a ultrapassar o calor da simples exposição ao sol diário. Em solos pobres em matéria orgânica, como o do cerrado, o fogo acelera a longo prazo a reciclagem de minerais, o que favorece o crescimento das plantas. Nesse ambiente bastante suscetível a incêndios, as plantas desenvolveram ao longo de milhares de anos adaptações que lhes favoreceram a sobrevivência. Elas possuem cascas grossas para se proteger do fogo e produzem sementes resistentes a altas temperaturas. Algumas delas florescem logo após as queimadas. Isso permite a um inseto localizar facilmente uma flor num mar negro de carvão e recolher o pólen necessário à fecundação de outra flor, restabelecendo assim o ciclo da vida.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Natureza Mestre-de-obras - Arquitetura


NATUREZA MESTRE-DE-OBRAS - Arquitetura



O modo pelo qual os bichos constroem seus abrigos pode ter inspirado as edificações humanas. É o que diz uma instigante teoria - a Bioarquitetura.

Em igrejas e outros prédios ricamente ornamentados, cheios de reentrâncias, dezenas de pombos se aninham em cada cavidade. No forro do telhado de certas casas, famílias de gambás e morcegos disputam um espaço. Estes são exemplos de como os animais sabem tirar proveito da arquitetura humana. Mas o contrário talvez ocorra também: a arquitetura animal inspiraria o talento humano. De fato, há quem diga até que ao longo da história essa situação se manifeste com tanto maior freqüência quanto maior o grau de progresso das sociedades humanas. A tal ponto que isso daria ensejo a uma nova especialidade científica, dedicada a investigar as idéias que o homem supostamente toma emprestado dos bichos na hora de fazer sua casa - a Bioarquitetura.
Para os defensores dessa idéia, bastaria examinar o caso mais trivial de todos - uma parede. Antigamente, a função de uma parede era sustentar o teto. Daí ser uma estrutura compacta, pesada. No entanto, depois que o homem aprendeu a erguer pilares para desempenhar essa função, as paredes viraram apenas elementos de separação entre ambientes, sólidos, mas leves. E nada mais resistente e leve do que os favos de abelhas, compostos de uma sucessão de compartimentos hexagonais ocos. A solução proporcionada pelas abelhas resolve também o problema de levantar paredes que devem deixar passar a luz. Outra aplicação ainda do que se poderia chamar de apiarquitetura estaria nas adegas, onde a estrutura dos suportes de garrafas lembra inevitavelmente o design interno das colméias.
Às adegas se chega descendo os degraus de uma escada - freqüentemente uma construção helicoidal ou em caracol, que comunica diferentes alturas em um mínimo espaço. Seria suficiente observar uma concha cortada na transversal para descobrir a semelhança - um braço ou eixo central, em torno do qual se dispõe um corredor de acesso. O próprio símbolo por excelência da habitação humana - o telhado - trairia sua verdadeira origem. Com a finalidade básica de proteger da chuva o interior das casas, seu desenho parece associado à disposição das escamas dos peixes e das asas das mariposas. Delas seriam cópias fiéis as ricas placas de ardósia ou as comuns telhas de barro cozido. No passado mais remoto, especulam os técnicos da Bioarquitetura, a imitação devia ser a regra. O homem, segundo eles, procurava reproduzir à sua maneira a natureza circundante. Naquele estágio de primitivismo absoluto, ele se limitava a resolver seus problemas de habitação adotando recursos do reino animal. O objetivo, antes de mais nada, era conseguir uma morada segura e, quando possível, confortável. E foi nos buracos que o homem teria encontrado pela primeira vez esses atributos.
À falta de cavidades naturais, construiu seus lares picando ou escavando a rocha, tal como fazem os pássaros abelheiros e, na terra roedores como o texugo. Os antropólogos descobriram cavernas escavadas pela mão humana um tipo de túnel de entrada com ligeira inclinação ascendente. Trata-se, originalmente, de uma especialidade do martim-pescador. Esse pequeno pássaro aprendeu a construir na beira dos rios galerias inclinadas o suficiente para evitar que no período das cheias a água invadisse o quarto das crianças, quer dizer, a câmara de filhotes.
Como acontece com as cavernas naturais, onde uma infinidade de estalactites e estalagmites contribui para sustentar o teto, as construções humanas - muitos milênios depois que o homem se mudou das cavernas - recorrem a colunas e pilares, repartidos de forma regular para distribuir por igual o peso. Nesse caso, portanto, o professor de Arquitetura teria sido o reino mineral, não o animal. Atualmente já se sabe construir abóbadas sem aquele tipo de suporte, como na estação de telecomunicações espaciais de Pleumeur-Bodou, na Bretanha, França.
Especialistas afirmam que a obra segue os princípios físicos de uma bolha - o frágil envoltório permanece estável graças ao equilíbrio entre a pressão do ar interno e a tensão superficial. Nessa enorme bolha se conseguiu uma economia de 90 por cento do peso calculado, algo impossível de ser obtido pelos métodos convencionais. Já os partidários da Bioarquitetura compararam aquela estação à estrutura de um ovo, capaz de suportar grandes pressões sobre seus pólos. Para eles, o que supõem ser a imitação dos padrões naturais se justifica pela premissa de que tudo o que a natureza exibe é produto da evolução, portanto fruto de uma adequação milenar às circunstâncias do ambiente.
O castor, por exemplo, para represar as águas, prende nas margens dos rios galhos e troncos, que ele mesmo corta com seus dentes desenvolvidos. O resultado, por incrível que pareça, pode ser ainda mais sólido que as réplicas humanas em concreto armado. O segredo está na elasticidade dos troncos, capazes de suportar o impacto das cheias sem rachar, como ocorria com as primeiras represas de cimento. Depois, os engenheiros tornaram - deliberadamente ou não - a imitar os bichos ao construir represas que, como as barragens dos castores, apresentam poros para a passagem permanente de pequenas quantidades de água, mantendo o nível da superfície. Muitas vezes, quando as construções dos castores perturbam o homem, o único remédio é queimá-las, tamanha a sua solidez.
"O que temos", explica o engenheiro civil paulista Augusto Vasconcelos, uma das poucas autoridades brasileiras em Bioarquitetura, "são seres que aprenderam a construir boas casas e foram preservados pela seleção natural." Ele observa que os animais bem adaptados criaram estruturas de abrigo, armazenamento e aprisionamento sem dispor de nenhum instrumento de medida. Já o que o homem arquiteto fez foi não criação, mas manipulação daquilo que a natureza ensinou. Vasconcelos, que intercala em sua biblioteca de Engenharia livros de Biologia, identifica-se apenas como um apreciador apaixonado do assunto.
Ma sua invejável capacidade de discorrer sobre comportamento animal, com muita riqueza de exemplos, costuma valer-lhe seguidos convites para palestras. "Só vemos aquilo que sabemos, por isso temos de estudar a natureza para ver o que ela pode nos ensinar", pontifica. Mas esse é apenas o primeiro passo. Antes de aplicar um recurso copiado, mesmo os construtores ou arquitetos ditos naturalistas têm de levá-lo aos laboratórios de ensaio a fim de submetê-lo as situações piores que as reais. Mais do que o conteúdo estético e demais considerações do gênero em arquitetura o principal é a segurança e o bem-estar dos moradores - e, nesse sentido, a natureza ainda é o melhor banco de provas já criado. O pioneiro da Bioarquitetura, como matéria de pesquisa e estudo, foi o austríaco, apesar do nome, Raoul H. France, que, no século XIX, aventurou-se a construir diversas teorias sobre a aplicação de superfícies de estrutura oca ou flutuante.
Naqueles tempos se praticava em toda a Europa - e, por imitação, nas Américas - uma arquitetura tradicionalista, e as inovações revolucionárias, excessivamente teóricas e pouco experimentadas, eram vistas com muita desconfiança. Em outras palavras, os profissionais limitavam- se a encolher os ombros e esperar que novos acontecimentos certificassem a valia da inovação. E precisou passar um século para que o assunto ganhasse atenção. A universidade alemã de Stuttgart foi a pioneira nesse terreno, com a fundação do Instituto para Estruturas de Suporte de Superfícies, com pesquisadores encarregados de investigar tudo o que se relacionasse como novos materiais ou com desenhos que aliviassem o peso das construções, sem torná-las menos resistentes. A partir daí, procurou-se a resposta na natureza.
Em pouco tempo, estudiosos dessa área tornaram-se ávidos investigadores das relações entre os elementos naturais e os edifícios construídos, idealizando ainda novos procedimentos de execução. Eles afirmaram, por exemplo, que a configuração de pórticos monumentais é aparentada às cavernas, sobretudo as de rocha calcária ou quartzita, que resolvem sua fragilidade superior com um pontal no meio do vão.
Os bioarquitetos comparam-nas visualmente aos edifícios religiosos, como catedrais, igrejas e abadias. Eles trataram de estabelecer parentesco entre a paisagem natural e a paisagem humana a partir de uma multiplicidade de pontos de vista, levando em conta estruturas, funções e formas externas. Daí surgiu, entre outras, a chamada teoria do abeto, que pretende resolver na prancheta os eventuais problemas causados pelo choque do vento nas edificações com base nessa árvore típica dos climas temperados. Fincada no alto das montanhas, sua situação a qualifica como verdadeiro modelo de adaptação às ventanias.
Podendo chegar aos 45 metros de altura, o abeto tem uma forma cônica ou piramidal, com a copa um tanto esvaziada e galhos com ramos finos - um conjunto que deixa passar o ar sem arquear-se.
Sua réplica em construções poderá ser encontrada principalmente em companários e outros arremates de cúpulas e telhados dos edifícios religiosos. Mas os estudos localizaram um campo ainda mais interessante no produto do trabalho daqueles animais tipicamente construtores. Existem aí, de fato, técnicas para todos os gostos, algumas tão complexas e refinadas como as do homem. O mundo animal tem, por exemplo, arquitetos que privilegiam as cavidades esculpidas, como os pássaros carpinteiros; ou as clássicas enramadas, como as cegonhas, águias e abutres; ou as moradas semi-esféricas, como os confortáveis ninhos de pêlo, lã ou musgo dos pintassilgos, tentilhões e rouxinóis; ou de barro, como o do conhecido joão-de-barro; ou, ainda, os labirintos de peças rigorosamente idênticas entre si, admiráveis obras das abelhas e cupins. 
Observando as proezas arquitetônicas que desempenham papel essencial na sobrevivência das espécies, o homem resolveu pelo menos um problema que durante muito tempo desafiou as melhores réguas e compassos. Décadas a fio, os desenhistas perderam o jogo para a questão de como projetar estádios com tetos, por causa da grande superfície que haveriam de cobrir. Hoje, porém, os estádios cobertos já são comuns. Tomando como referência a teia de aranha, arquitetos desenharam a gigantesca cobertura do Estádio Olímpico de Munique. Ao vê-la de longe, percebe-se que existem dezenas de fios que sustentam a teia propriamente dita com total segurança.
O campo de comparações se alarga ainda mais quando se levam em conta as espécies menores, usualmente fora de alcance visual humano. Desde pequenas aranhas, que fazem sua casa como falsos frutos dos carvalhos (as galhas), os caranguejos ermitões, que pegam uma concha qualquer e a seguram durante toda a vida sobre o corpo, até as vespas e pulgões, que vivem dentro de bolhas que eles mesmo fabricam, todos desenvolveram técnicas próprias que os habilitam a multiplicar-se e competir pela sobrevivência em condições favoráveis.
A Bioarquitetura definitivamente supõe uma certa inovação no conceito de construção das sociedades civilizadas. Arquitetos futuristas asseguram que é possível erguer grandes cidades com edifícios que tenham personalidade própria, sem por isso deixar de serem atraentes e seguros. De seu lado, porém, arquitetos naturalistas, como o paulista Fábio Canteiro, criticam o que consideram tendência exibicionista da arquitetura contemporânea. "As grandes cidades são catástrofes em potencial e as pessoas são cúmplices disso sem perceber", acusa. Para viver o que diz, ele construiu sua casa na periferia de São Paulo, integrando-a com a criação de cães, gatos, aves, coelhos, abelhas, peixes e vários tipos de plantas. "O homem brigou com a terra e a cobriu de cimento", teoriza ele. "Nós somos parte da terra e devemos nos sentir em casa, apenas convivendo com a natureza." Ou, quando isso não for possível, pode-se acrescentar, sabendo tirar partido de sua rica diversidade na busca de soluções tipicamente humanas para problemas tipicamente humanos.

Raízes, ossos e chifres

Também no caso dos materiais, a Bioarquitetura justifica a aplicação de seus postulados na construção de uma residência. Por exemplo: como as raízes das árvores, que se prendem à terra e às rochas, as modernas placas de fundação exercem efeito semelhante integradas ao cimento, ao suportarem o peso dos pilares, autênticos troncos recheados de ferro que, por sua vez, sustentam pisos superiores ou o teto. A grande vantagem das estruturas naturais aparece aqui claramente. Se os troncos por algum motivo se inclinam, as raízes passam a crescer do lado oposto para compensar o peso e evitar a queda da árvore. Uma casa nessas condições, simplesmente ruiria. 
Em países sujeitos a terremotos, os bioarquitetos sugerem trocar o concreto armado tradicional por outro à base de materiais porosos, a fim de aumentar a resistência dos edifícios. A exemplo do osso fêmur humano, cuja estrutura reticulada é capaz de suportar o peso de mais de quinze pessoas, ou dos chifres dos cervos, que, com a mesma estrutura, resistem a fortíssimos golpes e tensões transversais, o concreto armado feito de pedras porosas, como a fonolita (perlita), deverá pesar menos e permitir que a superfície das pedras mantenha perfeita aderência.


As quatro estaçoes dos Ursos - Natureza


AS QUATRO ESTAÇÕES DOS URSOS - Natureza



São mesmo uns bichos curiosos: na primavera, cuidam da boa forma; no verão, são namorados fiéis; no outono, se empanturram; e no inverno dormem, mas não hibernam .

Despertada pelo sol da primavera, após mais de três meses de sono, a fêmea pela primeira vez olha a cria com atenção. O urso, um dos mais bizarros animais da face da Terra, nasce assim de uma mãe sonolenta, cujo corpo lhe serve de felpudo cobertor no início da vida, quando apenas dorme e mama. Os bichos adultos nem sequer sentem necessidade de se alimentar enquanto dura o frio e a família não sai da toca por nada. Isso porque, no inverno, o metabolismo dos ursos faz maravilhas, reciclando as substâncias do organismo, sem perder muita coisa. Mas um urso pode de repente ficar completamente alerta por causa de um ruído e até lutar com quem o despertou.
Daí seu comportamento nos meses frios ser considerado uma falsa hibernação, o que o torna um animal ainda mais peculiar. O urso não entra para o seleto clube dos hibernantes, do qual fazem parte o esquilo e o morcego, por razões que só os fisiologistas compreendem bem. Apesar de poupar energia refugiando-se em um longo sono, sua temperatura, por exemplo, não cai suficientemente para se falar em hibernação - um estado em que o organismo está fisiologicamente à beira da morte. Assim, enquanto um esquilo quase se congela ao hibernar, os termômetros marcam apenas 9 graus abaixo do normal no corpo de um urso adormecido.
Esse  singular metabolismo  chega a interessar cientistas que imaginam descobrir aí novas terapias para doenças humanas. É verdade que nem todo urso dorme dessa maneira. O urso-polar não imita a hibernação como seus primos de outras latitudes, pois, além de estar acostumado ao clima invariavelmente gelado dos pólos, tampouco tem problemas de abastecimento : seu prato predileto, a foca, está ao alcance das patas o ano inteiro. De fato, há ursos e ursos, cada qual com suas manias. Ocorre que a família dos ursídeos, os últimos carnívoros que surgiram na evolução das espécies, há cerca de 6 milhões de anos, se espalhou da Eurásia para todo o globo, com exceção do continente africano.
Conforme o ambiente em que se desenvolveu, o bicho adotou hábitos apropriados e até se transformou morfologicamente, o que deu origem a várias espécies. Muitos outros animais, por serem fisicamente parecidos, são confundidos com membros da família. É o caso, principalmente, do panda, que não é ursídeo mas ailuropódeo. Certamente, o pai de toda a legítima família é o Ursus spelaeus, o extinto urso das cavernas, um feroz parente dos cães. Ao se adaptar a determinados ambientes escassos em caça, porém, certos ursos perderam os caninos afiados do ancestral. Hoje se considera que os ursos são capazes de devorar um variado cardápio: de castanhas a raízes e frutas, de peixes a pequenos roedores, de mel a insetos.
Embora cada espécie tenha suas preferências, com fome qualquer urso traça o que vier. Ou seja, é um animal carnívoro, como dizem os biólogos. No entanto, é bom que se esclareça os ursos parecem não apreciar a carne humana e só atacam o homem com patadas fatais quando se sentem ameaçados. No outono, eles se tornam verdadeiros glutões e passam vinte horas por dia mastigando o que encontram pela frente. Cada adulto começa a consumir cerca de 20 mil calorias diárias, cinco vezes mais do que o habitual. "A gula, no caso, é uma excelente tática de sobrevivência", justifica o zoólogo Rogério Ribeiro da Universidade de São Paulo, que estuda ursos entre tantos outros bichos.
No final da estação, o urso já formou uma camada de gordura de aproximadamente 15 centímetros. "O tecido gorduroso não serve apenas como reserva de energia para o período em que o animal dormirá", explica Ribeiro, "mas também é um isolante térmico, o segredo da manutenção de calor no corpo". Obeso após tanta comilança, o urso procura um lugar para a temporada de inverno, que nem sempre é a tradicional toca. Os zoólogos observam que parece existir um gosto individual, de forma que alguns ursos insistem em determinada escolha ano após ano, mesmo sem ser a ideal.
Desse modo, é comum um urso-pardo, na América do Norte, perambular até encontrar um canto qualquer que lhe agrade e construir ali uma espécie de ninho a céu aberto. O animal às vezes termina coberto por um lençol branco de neve, mas isso não incomoda o extravagante dorminhoco. Quando os ursos despertam com o calor da primavera, a primeira providência é recuperar a boa forma para um namoro de verão, a época do acasalamento. Na  família dos ursídeos , seja qual for a espécie, os machos têm fama de amantes fiéis, capazes eventualmente de perseguir, com a ajuda do faro apuradíssimo, a fêmea com que se acasalaram em anos anteriores. Para conferir até onde ia, literalmente, o romantismo da fera, pesquisadores espanhóis vestiram um exemplar de urso-pardo com uma coleira dotada de emissores de radar, para acompanhar seus passos. Salsero (intrometido), como foi apelidado o bicho, começou a seguir a fêmea por quem se sentiu atraído.
Esta, por charme ou impulso da natureza, correu mais de 100 quilômetros até se deixar alcançar. A história de amor teria tido logo um final feliz se não aparecesse um rival. A briga de machos por uma fêmea, no caso dos ursos, lembra cenas de filmes pastelão. Os rivais passam rasteiras, batem as palmas das patas feito inimigos desajeitados. A real intenção dos contendores não é machucar o outro, mas vencê-lo pelo cansaço. Como ganhador da luta, Salsero recebeu de prêmio os carinhos da fêmea. Mas, para surpresa dos pesquisadores, o vencido não saiu de cena. Afastado, aguardou pacientemente o dia seguinte, sabendo que teria direito às mesmas atenções, só que depois de um campeão. Pois, para as fêmeas dos ursos, as paixões parecem eternas apenas enquanto duram.
Os filhotes, normalmente um ou dois, nascem após sete meses, já em pleno inverno. Mesmo em espécies como o urso-pardo, em que o adulto chega a pesar mais de 200 quilos, as crias são pequenas e frágeis, não ultrapassando 400 gramas na balança - daí o encanto que esses bichinhos provocam. A mãe, uma exímia professora, passa dois anos e meio ensinando os filhotes a buscar comida e a se defender. O treinamento inclui várias técnicas de caça e pesca. O estilo do acasalamento e a persistência da mãe são traços comuns a todos os ursos, como também o gosto por amplos territórios. O urso-pardo, por exemplo, se irrita quando tem companhia em seu pedaço - um espaço de 200 metros quadrados.
As espécies, porém, evoluíram com temperamentos muito diferentes. Talvez em resposta a tais diferenças, os sentimentos do homem em relação a esses animais gorduchos também variam conforme o lugar. Na América do Norte, por exemplo, a relação entre ursos e homens sempre foi das mais amistosas. Os índios americanos venderam o urso como um animal sagrado, o qual, aliás, aparece desenhado em totens e amuletos. Uma lenda indígena conta que certa vez um castor, cansado de roer os cedros dos bosques, começou a devorar a lua, até a noite ficar em completa escuridão. A grande Mãe pediu então a um corvo para capturar outra lua, colocada sobre a sua casa. A partir daí o urso ficou incumbido de cuidar que ninguém roube a lua da noite. Certas tribos americanas também acreditam que os homens são descendentes dos ursos. Os europeus, por sua vez, preferem tradicionalmente o urso na mira de uma espingarda. Os antigos romanos o descrevem como uma fera, que matava ou quebrava os braços dos soldados.
Na Suíça, uma lenda atribui a fundação da cidade de Berna - depois de Zurique a segunda mais populosa do país -, em 1191, a um duque alemão que decidiu dar-lhe o nome do primeiro animal que matou na região: um urso, é claro, ou bär, em sua língua. É também o famoso símbolo de Berlim. A primeira descrição completa do mamífero, porém, surgiu em um livro de caça escrito em meados do século XIV a pedido do rei Afonso XI, de Castilha e León. Emblema de força e resistência, o urso aparece em muitos brasões europeus. Isso não impediu que até recentemente os espanhóis incluíssem ursos nas touradas - prática afinal proibida em 1973. É possível que o costume tenha sido herdado da França, pois os parisienses, até o século passado, apostavam em brigas de ursos e cachorros. O pretexto para tudo isso era a crença de que o urso-pardo, a única espécie européia fora do círculo polar, é sempre um bicho feroz.
Na verdade, o urso-pardo ou Ursus arctos, com seus 2 metros de altura, agride homens apenas quando provocado. Suas duas centenas de quilos são mantidas habitualmente com uma singela dieta à base de morangos, amoras, groselhas, raízes e, claro, mel. No entanto, em épocas menos fartas, esse animal de pelugem que varia do preto ao marrom-escuro e acobreado não hesita em atacar criações de gado. Até a Idade Média, podia ser visto em todo o território europeu. Hoje, as populações de ursos-pardos se concentram nas áreas selvagens de montanhas, sobretudo na União Soviética - quem não se lembra do ursinho Micha, mascote das Olimpíadas de Moscou em 1980? 
Já na América do Norte existem três espécies de ursos, das quais a dos grizzly ou Ursus horribilis tem mais de oitenta subespécies catalogadas. Com seus 3 metros de altura e quase 800 quilos, o acizentado grizzly é sem dúvida o maior carnívoro terrestre. Bem mais forte do que um leão ou um tigre, um grizzly esfomeado ataca pequenos roedores ou resolve pescar salmões. Isso mesmo: essa é uma espécie de exímios pescadores que, sobre pedras nas corredeiras, tiram os peixes da água com ágeis patadas.
O célebre urso-polar branco ou Tharlarctos maritimus habita todo o círculo polar ártico, sobre blocos flutuantes de gelo. "É incrível como se adaptou a um meio tão hostil, tornando-se diferente do resto da família", comenta o zoólogo Rogério Ribeiro, da Universidade de São Paulo. De fato, o urso-polar se transformou tanto, mas tanto, que mal pode ser considerado um animal terrestre, pois passa mais de dois terços da vida dentro das águas geladas. As patas e o peito são mais largos que os de seus primos de terra firme, o que lhe facilita a natação. "Além disso", nota o zoólogo, "é o único urso cujas plantas das patas são peludas; com isso, desliza sobre o gelo como se calçasse esquis."
Na Ásia, a família também passou por modificações morfológicas importantes. Ali, os ursos-preguiças, por exemplo, também chamados Ursus ursinus, têm um beiço semelhante ao do tamanduá para abocanhar alimentos que, na Índia, onde vivem, podem encontrar com facilidade: formigas e cupins. Suas garras também são mais afiadas e compridas pelo mesmo bom motivo, pois dessa maneira os preguiças conseguem cavar a terra. O nome preguiça desse urso de pêlo curto e crespo surgiu por causa de seu modo na infância: o filhote se agarra aos ombros da mãe e dali só sai quando, com cerca de 6 meses de idade e 10 quilos, é expulso do colo pela exausta genitora.
O mais curioso dos ursos, cujos hábitos os cientistas conhecem muito pouco e cuja população nem é estimada, é o urso-de-óculos ou Tremarctos ornatus. Trata-se do único membro da família ursídea que vive na América do Sul, nos bosques que contornam a cordilheira andina e nas montanhas com mais de mil metros de altitude na região noroeste da floresta amazônica, onde o Brasil faz fronteira com o Peru. O nome desse bicho essencialmente herbívoro é devido às manchas brancas nos olhos, que causam a impressão de que está de óculos.
Desde 1973, um  acordo internacional proíbe a caça aos ursos; só podem ser abatidos em legítima defesa. A medida faz sentido. Afinal, não existem mais de 10 mil ursos-pardos na Europa. O número pode não parecer alarmante, mas é. Pois esses animais, que vivem até 30 anos, começam a se reproduzir tarde. As fêmeas geram no máximo um par de filhotes e só então se acasalam novamente. Se não houver cuidado, o urso pode engrossar a já extensa lista de animais em extinção.

Imitando o sono dos ursos

Para sobreviver, um organismo quebra moléculas. O que sobra dessa operação é a uréia, uma substância que, ao se acumular no sangue, leva à morte. Mas, durante o inverno, os ursos produzem tão pouca uréia que os rins nem têm de filtrá-la como de costume. Cientistas americanos querem saber como eles conseguem a proeza. Parece que um dos segredos dos animais é obter energia exclusivamente da gordura acumulada no corpo roliço, graças à mesma substância que os faz dormir no inverno. Queimada a gordura, sobram apenas água e gás carbônico, ou seja, nenhuma uréia. 
Para imitar os ursos, setenta pacientes de insuficiência renal seguiram uma dieta à base de gordura e assim dispensaram por dez dias a hemodiálise - filtração artificial do sangue que costuma ser aplicada três vezes por semana. Agora os pesquisadores querem isolar o hormônio do sono dos ursos, capaz de fazer o organismo transformar todo alimento em gordura e daí obter energia, o que reduz a produção de uréia. Com isso poderá surgir um remédio para seres humanos, os quais, dispensando o trabalho dos rins, como os ursos durante o sono, conseguirão aguardar por mais tempo o inevitável transplante.

Parecem, mas não são

Afinal, o que faz de um urso um urso? Segundo o zoólogo Ladislaw Deutsch, de São Paulo, o essencial é um pré-molar pontiagudo pronto para dilacerar em vez de mastigar, o que faz dos ursos típicos carnívoros, como cães e felinos. Alguns animais, por exemplo certas focas, não têm nem essa outra característica dos ursos e, no entanto, recebem o seu nome. Mas há casos, como o do panda, em que até a presença de pré-molares engana. 
A ficha dos falsos ursos:
Urso-panda - É tão parecido com um urso de verdade que, durante muito tempo, os próprios zoólogos o consideravam da mesma família. Estudos minuciosos provaram porém que, embora também seja carnívoro, não tem ancestrais com os ursos.

Urso-gato - Bem menor que o panda, pertence na verdade à mesma família ailuropódeo.

Urso-lavador - Também conhecido como mapache, pertence à família dos procionídeos, que talvez tenham sido aparentados com os ursos no início da evolução.

Ursos-marinhos - Por esse nome são chamadas oito espécies de focas que têm uma pelugem nas costas. Essa característica teria criado a confusão com os ursos.

Retrato de família
As principais espécies    

Nome popular : grizzly    
Nome científico: Ursus horribilis    
Aparência: o pêlo varia do acinzentado ao marrom; 
é feroz quando provocado    
Quanto mede:2,5 a 3 metros    
cerca de 780 quilos    
O que come: mel, insetos, roedores e frutas    
Onde vive: em toda a América do Norte, especialmente na fronteira do Canadá e Estados Unidos    
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Nome popular: polar     
Nome científico: Tharlarctos maritimus    
Aparência: o pêlo branco ou muito claro chega a cobrir as plantas das patas    
Quanto mede: cerca de 1,5 metro     
Quanto pesa: cerca de 400 quilos    
O que come: peixes e focas
Onde vive: sobre blocos flutuantes de gelo, em todo o círculo polar ártico    
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Nome popular: preto
Nome científico: Enarctos americanus    
Aparência: pêlo negro, corpo roliço, é o mais brincalhão de todos    
Quanto mede: cerca de 1,5 metro     
Quanto pesa: de 250 a 300 quilos    
O que come: raízes, mel e frutas    
Onde vive: na América do Norte, dos bosques californianos ao estreito de Bering    
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Nome popular: tibetano    
Nome científico: Selenarctos thibetanus    
Aparência: apresenta um mancha branca em forma de meia-lua; por isso é conhecido também como urso-de-lua    
Quanto mede: 1,2 a 1,5 metro    
Quanto pesa: de 100 a 125 quilos    
O que come: prefere pequenos roedores, mas costuma atacar gado e comer carniça    
Onde vive: na Ásia, do Irã às ilhas setentrionais do Japão, sempre em regiões altas.    
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Nome popular: preguiça    
Nome científico: Ursus ursinus    
Aparência: o focinho é mais comprido que o de outras espécies, daí também ser chamado de urso-beiçudo    
Quanto mede: de 1,5 a 1,8 metro     
Quanto pesa: cerca de 150 quilos    
O que come: predileção por formigas e cupins    
Onde vive: na Índia e no Sri Lanka    
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Nome popular: malaio    
Nome científico: Helarctos malayanus    
Aparência: pêlo escuro com uma mancha dourada no peito, devido à qual é chamado urso-sol;
é o menor de todos     no Quanto mede: máximo 1 metro    
Quanto pesa: cerca de 45 quilos    
O que come: mel e pequenos roedores    
Onde vive: no Sudeste da Ásia e na Oceania    
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Nome popular: urso-de-óculos    
Nome científico: Tremarchos ornatus    
Aparência: preto, com manchas brancas nos olhos    
Quanto mede: de 1 a 1,5 metro    
Quanto pesa: cerca de 140 quilos    
O que come: raízes e folhas, especialmente as de palmeira    
Onde vive: nas selvas que contornam a cordilheira dos Andes e na região noroeste da floresta amazônica    

Nome popular: pardo    
Nome científico: Ursus arctos    
Aparência: o pêlo varia do marrom ao acobreado    
Quanto mede: 2 metros    
Quanto pesa: cerca de 200 quilos     
O que come: frutas, mel, insetos e roedores    
Onde vive: nas montanhas européias    


quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Um Santuário para os Rinocerontes - Natureza



UM SANTUÁRIO PARA OS RINOCERONTES - Natureza



Os governos de países africanos patrocinam operações de salvamento para manter fora da mira dos caçadores de chifres os sobreviventes das chacinas que quase extinguiram duas espécies desses animais.

Depois de milhões de anos de existência relativamente pacífica, este século tem sido uma calamidade para um bicho sonolento e solitário, míope e vegetariano, de casca grossa e humor imprevisível, que mede mais de 3 metros do focinho ao rabo e pesa um bom par de toneladas - o poderoso rinoceronte. Para sua desgraça, o homem cismou de acreditar que o par de chifres que ele carrega acima do nariz, o maior com uns 60 centímetros, tem extraordinárias propriedades medicinais quando reduzido a pó: analgésico, antiespasmódico, antiinflamatório, diurético e, ainda por cima, afrodisíaco.
Ao que tudo indica, os primeiros a acreditar nessa lenda foram os chineses. Outros povos do Oriente, igualmente desinformados, aderiram ao mito, apesar dos desmentidos zangados dos médicos e da negativa igualmente cabal de sucessivos testes de laboratório, o mais recente deles realizado na Suíça em 1982. Resultado: o pó de chifre de rinoceronte é vendido a peso de ouro e o animal paga por isso com a vida. Trata-se, para piorar as coisas, de um produto em alta, cujo preço multiplicou-se por cem - isso mesmo, cem - nos últimos cinco anos. Nos mercados semiclandestinos de Cingapura, Formosa e Hong Kong, o quilo de chifre transformado em pó alcança milhares de dólares, batendo folgadamente o ouro.
Além disso, no Iêmen do Norte, no Oriente Médio, um cabo de adaga esculpido do mesmo material chega a ser negociado por mais de 10 mil dólares. A caça a esse remanescente da Pré-história equivale a um verdadeiro genocídio. De fato, se no fim do século passado, como se supõe, as cinco espécies de rinocerontes existentes no mundo (duas na África e três na Ásia) somavam 1 milhão de indivíduos, hoje o total é estimado em 10 mil. A maior espécie asiática (Rhinoceros unicornis) sobrevive no Nepal e no noroeste da Índia, com mil indivíduos. Outras se extinguem nas ilhas de Java e Sunda e nas Florestas da Birmânia e Malásia. Nas savanas da África, o alvo predileto dos caçadores é o chamado rinoceronte-preto (Diceros bicornis).
No Zimbábue, país do Sudeste africano até há pouco tido como um dos derradeiros lugares seguros para essa espécie, em média um rinoceronte é abatido todos os dias a tiros de fuzil de grosso calibre. Há duas décadas, ainda existiam 60 mil rinocerontes-pretos livres, fora de reservas e parques zoológicos. Atualmente, não devem restar mais de 3 mil, cerca de quinhentos dos quais no Zimbábue, a antiga Rodésia, que considera esse bicho um símbolo nacional. O rinoceronte-preto pesa entre 1700 quilos e poucos mais de 2 toneladas, perdendo em tamanho e peso para a outra espécie de rinocerontes africanos, a dos brancos (Ceratotherium simmum), que chega a pesar 4 toneladas. 
Pretos e brancos, na realidade, têm a mesma cor de lama acinzentado-escura - os nomes são conseqüência de um mal-entendido. Os exploradores ingleses achavam que wodje - palavra de língua africana significando "grande" - queria dizer white, "branco"; a outra espécie acabou sendo conhecida como preta, por simples oposição. Apesar do tamanho e da blindagem que os reveste, ao pegar embalo os rinocerontes africanos são capazes de correr a 50 quilômetros por hora - um desempenho terrível quando eles investem contra outros bichos em rompantes de fúria, mas definitivamente insuficiente para escapar aos caçadores profissionais de armas azeitadas e mira excelente.
O rinoceronte é diferente de outros animais chifrudos: seus tão valorizados cornos têm uma composição peculiar, pois nada mais são do que um compacto de finíssimos fios de cabelo unidos pela proteína queratina, substância dura que forma também as unhas. Na Ásia está cada dia mais difícil comprar chifre de rinoceronte - não tanto por causa da vigilância dos governos, mas pela escassez de animais. Por isso, os caçadores de rinocerontes, capazes de arrancar seus chifres em menos de 45 segundos, depois de abater o animal, partiram rumo à África nesta última década. O Zimbábue, porque sempre tratou de proibir a atividade desses invasores, foi o último país procurado pelos comerciantes de chifres.
Mesmo assim, desde 1985, quando o governo decretou o estado de emergência para impedir a carnificina, os guardas-florestais já encontraram aproximadamente quinhentos rinocerontes mortos. O número verdadeiro, imagina-se, deve ser até maior. O governo acabou autorizando que guardas-florestais fossem treinados como guerrilheiros com ordens de atirar para matar, instalados em vários postos de vigia ao longo dos 200 quilômetros da margem direita do rio Zambeze, na fronteira norte com Zâmbia - a porta de entrada da maioria dos caçadores. Além disso, foi iniciado um programa salvador destinado a deslocar animais do vale do Zambeze até os santuários de rinocerontes - verdadeiros esconderijos sob proteção oficial, cuja localização exata é mantida o quanto possível em segredo. Já existem seis desses refúgios, cada um com 26 mil hectares.
Para garantir a sobrevivência dos rinocerontes-pretos ainda existentes em seu território, o Zimbábue precisa ter outras dez áreas como essas. Como o país é pobre e as operações de salvamento são caras, apenas dois ou três animais são transferidos por dia. Mesmo com tais limitações os números demonstram que o projeto vale a pena: dois anos após seu início, já se conseguiu tirar nada menos de trezentos animais da mira dos caçadores. Toda a operação transcorre em ritmo de aventura. Para resgatar um rinoceronte-preto são necessários mais de cinquenta homens. Ao se avistar o animal, ele é alvejado por um projétil disparado de um fuzil que contém uma dose de tranquilizante. Esta deve ser a menor possível, pois se sabe que os rinocerontes são bastante sensíveis à droga.
Atordoado, o animal nem chega a tombar: fica parado, como se tivesse perdido a vontade ou a força para se movimentar. Nas vezes em que isso não acontece imediatamente, o rinoceronte ainda corre alguns quilômetros até o remédio produzir total efeito. Para que ele não escape, o helicóptero de onde toda a operação é coordenada indica pelo rádio o lugar em que o animal se encontra. Então, deslocam-se para ali caminhões e dezenas de homens a pé. Estes, por sinal, costumam ser os primeiros a chegar, por causa da precariedade das estradas naquelas lonjuras. Há ocasiões em que os veículos só chegam ao rinoceronte depois de quatro horas de viagem, quando o bicho já foi amarrado e deitado de lado, para evitar que sufoque, como pode acontecer caso o anestésico o faça desmoronar.
Para colocar o animal no caminhão, o ideal seria um equipamento mecânico. À falta deste, é preciso a força de quarenta homens e o serviço não dura menos de meia hora. Já no acampamento do Parque Nacional do Zimbábue, o rinoceronte é deixado numa jaula a céu aberto. Ali, um veterinário examina o seu sangue e a sua resistência motora. Em seguida, o bicho é numerado. A rotina do acampamento gira em torno das refeições desses hóspedes temporários, que parecem fazer questão de manter todo o seu espantoso peso: sempre comendo, são capazes de ingerir até 100 quilos de alimentos por dia. Por isso, é necessária uma equipe para colher galhos e mais galhos, oferecidos sem cessar aos animais.
Nem todos os rinocerontes-pretos, contudo, vão para os refúgios. Alguns são exportados para criar novas populações em outros países. O Quênia, na África Oriental, valeu-se desse recurso depois que seus rinocerontes estiveram à beira da extinção há dez anos. O Quênia, por sinal, é uma prova de que uma política inteligente de preservação da vida animal dá resultados. No começo do ano, o governo de Nairóbi anunciou orgulhosamente que o número de rinocerontes-pretos em suas quatro reservas especiais tinha superado a casa de seiscentos, um ganho de uma centena em relação aos dados estimados em 1988.
Ao chegar ao parque, o rinoceronte não é libertado de imediato. O problema é que esse animal imenso, com fama de ranzinza e capaz de reações violentas quando não está acostumado ao contato com humanos, é na realidade um grande medroso. Com o choque da captura ainda presente na memória, se fosse libertado na hora da chegada aproveitaria a oportunidade sem pestanejar: sairia feito um fugitivo em desabalada carreira, até perder o fôlego, algo extremamente perigoso para uma espécie cujo sistema respiratório é frágil em situações de sobrecarga física. Ainda enjaulado, o rinoceronte permanece observado pelos veterinários e recebe um tratamento de primeira classe, que inclui refrescantes chuveiradas todos os dias. Depois de algum tempo, quando se percebe que o rinoceronte se acostumou ao novo ambiente, é solto, enfim, para viver em paz, longe dos caçadores como seus ancestrais.

BICHO DE FARO FINO, DADO A ACESSOS DE IRA

Há 55 milhões de anos, a família dos Rhinocerotidae era formada por espécies que circulavam também em amplas regiões da Europa. Fósseis congelados mostram que na Sibéria havia uma espécie de rinoceronte cujo corpo era coberto por espessa camada de lã. As cinco espécies que sobreviveram até os tempos atuais têm, ao contrário, um couro pelado, embora muito resistente. Enxergando como um míope sem óculos, o rinoceronte se guia por um apurado faro, graças ao qual localiza o alvo de suas chifradas. Quem o observa, aliás, tem a falsa impressão de que ele vive afiando sua arma natural, pela maneira como esfrega nos galhos das árvores os dois chifres (o rinoceronte da Índia e o de Java só possuem um).
De qualquer modo, seus acessos de fúria não parecem ter motivo claro para os zoólogos. Afinal, com a imponência de seu tamanho, o rinoceronte adulto desconhece o que é ter inimigos - qual leão se atreveria a lançar seus 200 quilos contra as 2 ou 3 toneladas desse brutamontes? O rinoceronte, além de forte, é antes de tudo um solitário. É cada um por si, a não ser nas épocas de acasalamento. Essas não são freqüentes - um fato natural que também contribui para manter relativamente baixo o crescimento demográfico dos rinocerontes. As fêmeas preferem intervalos de até quatro anos entre uma gestação e outra. Compreende-se: a gestação dura dezenove meses. Para dificultar ainda mais a sobrevivência da espécie, tende a nascer só um filhote por gravidez - e este levará oito anos até se tornar sexualmente maduro

sábado, 18 de dezembro de 2010

Pássaros formam 'Pac-man gigante' para assustar predador

06/12/2010 11h54 - Atualizado em 06/12/2010 11h54

Pássaros formam 'Pac-man gigante' para assustar predador
Estorninhos se agruparam em bando e atacaram rival.
Cena foi feita pelo fotógrafo amador Giangiorgio Crisponi.

A cena de centenas de estorninhos se protegendo de um ataque de um predador em Cagliari, na Itália, lembrou o popular jogo "Pac-Man". "Estorninhos têm um modo muito particular de se defender de seus predadores, como falcões", disse o fotógrafo amador Giangiorgio Crisponi, de 69 anos, que fez a imagem. Os pássaros se agruparam em bando e voaram em direção do predador para assustá-lo, de acordo com o jornal inglês "Daily Telegraph".


Estorninhos se agruparam em bando e atacaram predador. (Foto: Reprodução)