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domingo, 9 de julho de 2023

Adeus implantes dentários: medicamento que regenera dentes está em fase de testes

Adeus implantes dentários - Medicamento que regenera dentes está em fase de testes

O medicamento já foi testado com sucesso em animais e os ensaios clínicos em humanos estão prestes a começar.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Você sabia que morangos podem clarear os dentes naturalmente ?


Você sabia que morangos podem clarear os dentes naturalmente ? 


Sabe aquela máxima “tudo o que é bom engorda”? Então, podemos completá-la e dizer que “tudo o que é bom engorda e mancha os dentes”. Afinal, se você parar para pensar por alguns segundos, se lembrará de que café, refrigerante, vinho e alguns doces podem comprometer o visual do seu sorriso.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Arrancando a Dor - Odontologia



ARRANCANDO A DOR - Odontologia



As sessões de sofrimento na cadeira do dentista estão com os dias contados. Novos equipamentos, materiais e técnicas prometem vida melhor para os pacientes e os profissionais.

A palavra dentista está associada para milhões de pessoas, à sensação de medo. E não é para menos. Salvo os muitos jovens, que já nasceram sob o signo das tecnologias que começam a ser aplicadas ao tratamento dentário, não há quem não tenha sofrido ao tratar os dentes. Com uma rapidez impressionante, porém, as histórias de terror na cadeira do dentista vão ficando distantes. em vários países, uma especialização profissional crescentemente detalhada, o desenvolvimento de técnicas avançadíssimas e a indispensável contribuição da Química tratam de espantar os velhos fantasmas dos consultórios. Ali as novas estrelas são cada vez mais os computadores e o laser.
Foi uma longa caminhada. De todos os equipamentos com que se defronta o paciente na sala do dentista nada assusta mais do que a broca a motor. Mas a verdade é que na sua versão mais moderna o aparelho, capaz de produzir 200 mil rotações por minuto, é um bálsamo comparado às brocas do passado. A alta rotação abrevia consideravelmente o processo de perfurações da coroa e evita as temidas vibrações das brocas antigas, que estremeciam a cabeça do paciente. Para os menos resistentes à dor há sempre o recurso da anestesia, com uma picada dolorida e de sabor desagradável, mas providencial no temível momento em que a broca se aproxima do nervo.
Diante disso, quem vai se lembrar que a perfuração a motor existe há apenas cem anos? De fato, em 1872 surgiram as primeiras brocas movidas a pedal, que lembravam máquinas de costura. Só então tornou-se possível escavar buracos lisos e uniformes, condição essencial a uma perfeita obturação do dente cariado. Mas o ritmo de trabalho desse engenho era de apenas 2 mil rotações por minuto. Perto do que havia, foi um progresso e tanto - o primeiro de uma série. Pois, antes da broca a metal, era a tortura: as cáries, tecidos dentários destruídos por bactérias, eram removidas com uma lima - a frio. Não é à toa que as gravuras da Idade Média, mostrando cenas de tratamento, por assim dizer de dentes mais parecem retratos de interrogatórios do Tribunal da Inquisição.
O dentista às portas do século XXI tem à sua disposição novíssimos métodos de tratamento, um moderno instrumental e materiais cada vez mais resistentes. Tanto assim que já se pode antever o tratamento sem dor - mesmo sem anestesia. Um bom exemplo é um aparelho para a remoção de pequenas cáries, que não perfura o esmalte dentário: simplesmente dissolve a cárie mediante um produto químico especial. O método, desenvolvido nos Estados Unidos, tem dado bons resultados, por exemplo, com pacientes da Faculdade de Odontologia da Universidade de Munique, na Alemanha. Apesar disso, não consegue encontrar mercado suficiente para a produção industrial. "O problema é que ele não se aplica a cáries mais profundas", explica Mário Sérgio Limberte, cirurgião-dentista de São Paulo, com 25 anos de experiência em reabilitação oral. "E, para cáries pequenas, a broca resolve bem", diz ele.
A grande esperança do momento em matéria de tratamento de cáries é a broca a laser, que vem sendo testada nos Estados Unidos e na Alemanha. O laser dentário trabalha com luz ultravioleta (UV) de ondas extremamente curtas, é rápido e principalmente indolor. Cada raio luminoso age por ínfimos bilionésimos de segundo - algo tão breve que os nervos humanos nem chegam a registrar. Os finíssimos raios UV-laser têm a vantagem adicional de trabalhar com a precisão de 1 milésimo de milímetro, graças a que retiram muito menos da valiosa substância dental do que a broca mecânica.
"O laser certamente fará parte da Odontologia do futuro", aposta Antônio Giordani, um gaúcho radicado em São Paulo, que desde o início de sua carreira de cirurgião-dentista tem como preocupação básica diminuir a dor do paciente . "O que os pesquisadores ainda não sabem é até que nível de extensão das cáries será possível empregar o laser", diz ele. Enquanto se procura conhecer a resposta, os dentistas vão dispondo do recurso para outras funções, como, por exemplo, acelerar a cicatrização de cirurgias e afecções da boca e auxiliar no tratamento de certos tipos de dores musculares na face e inflamações.
Rapidez, perfeição e supressão da dor. Estas são as metas para as quais se volta a revolução odontológica. O avanço é tanto que os pesquisadores entraram entusiasmados até mesmo pelos domínios da estética. Em vários países, entre eles o Brasil, é possível fazer uma espécie de maquiagem nos dentes anteriores. Trata-se da aplicação de um revestimento laminado de porcelana, que recobre dentes escuros ou manchados, devolvendo a alegria de sorrir, como dizem os comerciais de dentifrício, para quem se envergonhava de abrir a boca. 
Uma das áreas de ponta na pesquisa odontológica é a dos materiais para obturação e prótese. A perfeição chegou com as resinas compostas, que proporcionam resultados difíceis de distinguir dos  dentes naturais . Quando é eliminada a região doente do esmalte dentário, o local precisa ser novamente preenchido e vedado. Isso até os curandeiros medievais já sabiam, mas até o começo do século passado não se conhecia nenhum material confiável para esse fim. Os dentistas testaram as mais diversas substâncias. Chumbo e estanho fundidos eram derramados nos buracos. Até cera chegou a ser usada, com o inconveniente de exigir reposição diária. Hoje, as últimas palavras no assunto são, de um lado, as metalocerâmicas para encapar dentes danificados e, de outro, um aparelho que está sendo experimentado em clínicas americanas, suíças e alemãs, para fazer as peças com perfeição.
Trata-se de um computador programado para fornecer um molde óptico da cavidade dentária, com precisão micrométrica. O dentista simplesmente coloca uma minicâmera de vídeo sobre o dente aberto e obtém uma imagem. Essa aparece na tela do computador, permitindo que a cavidade a ser recoberta seja delimitada com exatidão. Com base nas medidas fornecidas pelo computador, em quinze minutos é possível com uma pequena fresa de diamante esculpir a peça de restauração num bloco de porcelana ou cerâmica.
Além de preencher muito melhor a cavidade do que o amálgama introduzido com calcador, a cerâmica combina perfeitamente com a cor do dente: não fica vestígio algum de que houve ali um reparo. "Com esse aparelho será possível obturar vários dentes em poucas horas", prevê o cirurgião-dentista Mário Sérgio Limberte. A novidade, em todo caso, ainda não chegou ao Brasil. Mesmo nos Estados Unidos, a técnica é usada há apenas um ano. E pensar que ao longo da história humana os dentes seriamente cariados eram arrancados, pois não se acreditava que pudessem ser salvos.
Este, por sinal, sempre foi o primeiro mandamento dos práticos-dentistas: em caso de dor de dente, tira-se o dente. Em tempos idos, a dor de dente foi um flagelo que não distinguia poderosos e plebeus. E os historiadores se perguntam quantas desgraças desabaram sobre os povos por culpa de cáries sem cura. Acredita-se, por exemplo, que o rei Luís XIV, quando resolveu acabar com a liberdade religiosa dos protestantes franceses, em 1685, estivesse fora de controle por causa de uma dor de dente. Nesse estado, ele não teria sido capaz de avaliar que seu gesto provocaria o êxodo de 400 mil nobres e burgueses protestantes - o creme do creme da elite mercantil do país -, causando uma sangria de riquezas e espíritos empreendedores da qual a França talvez jamais tenha se recuperado.
Outro exemplo de estragos que a dor de dente pode provocar é dado pelo rei Gustavo I da Suécia (1496-1560). Ele era temido tanto por amigos quanto por inimigos, pelo seu humor instável e pelas reações tirânicas que era capaz. Sabe-se hoje que tal comportamento era fruto de cáries tão devastadoras que quase corríam o monárquico maxilar. Tanto se padeceu de dor de dente que o homem capaz de extirpar o mal pela raiz ficava famoso em dois tempos. Tiradentes, enforcado em 1792 por seus ideais de liberdade, talvez fosse mais conhecido na época em Minas Gerais pela habilidade como dentista prático do que por suas idéias políticas. Dela se dizia que punha e tirava dentes com a competência de um mestre. De fato, Tiradentes não se limitava a tirar dentes, como a grande maioria de seus colegas. Ele também colocava coroas artificiais, feitas possivelmente de marfim ou de osso de boi.
A preocupação em recolocar dentes perdidos é bem mais antiga do que talvez se imagine. Há 2500 anos os fenícios prendiam arames nas partes sadias da arcada dentária para segurar as peças substitutas. Uma prática de pouca eficácia, mas que servia para disfarçar as falhas de aspecto desagradável, razão pela qual sobreviveu até o século passado. Os dentes naturais retirados de cadáveres eram os substitutos de maior aceitação.
Mas havia de tudo. Num museu da época Colômbia, uma mandíbula da época dos incas exibe, no lugar do dente extraído, uma concha lapidada. Todos esses recursos apresentavam um inconveniente: não podiam ser forçados. Por isso era regra tirar a prótese na hora de comer. O primeiro presidente dos Estados Unidos, George Washington (1732-1799), quando jovem, mandou fazer uma prótese de dentes de hipopótamo para a boca inteira, unindo com uma mola a dentadura superior à inferior, como era costume. A história registra que, ao falar, Washington contraía o rosto de maneira estranha por causa da prótese. Em certa ocasião, quando teve que se deixar retratar, o pintor o aconselhou a colocar algodão na boca, como recheio. O resultado está ainda hoje ao alcance da vista de quem tenha em mãos uma nota de 1 dólar. O presidente americano aparece com o rosto todo embolotado, como se sofresse de uma doença da pele. As dificuldades de hoje, comparadas às agruras do passado, são inegavelmente pequenas. A chamada terceira dentição, no entanto, ainda é um senhor problema. Quando se trata de substituir um dente, os dois vizinhos são trabalhados como se fossem pilares e revestidos de coroas. O dente substituto é então soldado entre as coroas.
Esta é a versão moderna da ponte dentária dos fenícios. Ocorre, porém, que as superfícies de contato entre o dente artificial e os naturais freqüentemente deixam espaço livre onde se acumula placa bacteriana. A razão principal está na construção da ponte, a partir de moldes de gesso. Aqui, mais uma vez, o computador é chamado em auxílio da Odontologia. Com ele, o grau de precisão de encaixe pode ser melhorado de vários centésimos para 20 milésimos de milímetro. A construção da ponte é igual à da obturação por computador, mas seu uso ainda está limitado aos centros de pesquisa.
"Apesar do progresso nessa área, a ponte está sendo menos usada que os implantes", diz Ângelo Luciano Roccella, presidente da Associação Paulista de Implantologia Oral. "A vantagem do implante é que os dentes sadios não são afetados", observa. As opções de implante são grandes. Podem-se usar parafusos, pinos ou lâminas de metal, fixadas no maxilar, como se fossem raízes. Os metais empregados também variam, já que alguns são bem-aceitos pelo organismo humano. Recentemente, descobriu-se que o titânio, um metal empregado há anos em implantes, tem a rara propriedade de estimular a formação óssea à sua volta, fazendo com que a raiz artificial acabe se integrando como se fosse parte do próprio osso. Com a raiz bem ancorada, fixam-se nela os dentes. Um implante realizado com essa técnica dura pelo menos dez anos.

Estímulos que relaxam.

Há mais de vinte anos, quando começou a trabalhar no Rio Grande do Sul, o cirugião-dentista Antônio Giordani já se preocupava com a angústia e a dor de seus pacientes. Como paliativo, ele procurava criar um ambiente menos tenso à base de música suave e sons naturais gravados com o maior capricho. Hoje radicado em São Paulo, Giordani trocou a música por um sofisticado aparelho de relaxamento. Trata-se do Mio Tens 14, por ele desenvolvido há sete anos e do qual existem no Brasil quase 2 mil aparelhos em uso. O Mio Tens produz estimulação nervosa através da pele, combinando efeitos de alta e baixa freqüência traduzidos por impulsos. Na baixa freqüência, o ritmo é de quarenta a cem impulsos por minuto, simultâneos aos cem impulsos por segundo provocados pela alta freqüência. A sensação é de um certo torpor na pele acompanhado de relaxamento muscular. Não é raro o paciente dormir cinco minutos depois do aparelho ter sido ligado. Do tamanho de um rádio-relógio de cabeceira, o Mio Tens 14 é conectado à pele por eletrodos adesivos e descartáveis, semelhantes aos dos eletrocardiogramas. Os eletrodos sobre a articulação mandibular, ao lado dos ouvidos e na testa. A estimulação nesses pontos libera mais endorfinas, analgésicos naturais do organismo. "O Mio Tens não substitui a anestesia em tratamentos maiores", ressalva Giordani, "mas deixa o paciente tranqüilo para ser anestesiado e tratado". 

Meia escova por habitante.

Com os primeiros colonizadores portugueses vieram para o Brasil mestres de diversos ofícios, entre eles os cirurgiões, cuja prática profissional era regulamentada por lei, e os barbeiros, que, além de cortar  cabelo e barbear, extraíam dentes. Até o século XVII, porém, a prática do tira-dentes não era regulamentada e só em 1631 foi instituída multa para quem tirasse dentes sem licença. Mas os primeiros cursos de Odontologia no Brasil só foram criados em 1884.
Nos cem anos que se seguiram o país viu aumentar, de um lado as condições de aperfeiçoamento da Odontologia e, de outro, a população de desdentados, que deve estar beirando os 25 milhões de brasileiros, algo como um em cinco habitantes. Dados da indústria indicam que são vendidos no país 70 milhões de escovas de dentes por ano. o que dá cerca de meia escova por habitante. Não é por outro motivo que os profissionais da área vivem falando na necessidade de se criarem hábitos de alimentação e higiene para melhorar a prevenção à cárie - a grande inimiga da boa dentição.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Orca : Dentes e Cérebro


ORCA: DENTES E CÉREBRO



Se algum dia você tiver a chance de caminhar pela praia nas ilhas Crozet, um fim-de-mundo entre a costa leste da África e a Antártida, é provável que presencie uma cena meio impensável: uma baleia encalhando por vontade própria. Não, o bicho não endoidou, mesmo porque essa não é exatamente uma baleia. Se prestar atenção nos guinchos desesperados que vêm da boca da presa, você consegue resolver o mistério: essa é uma orca, e ela acaba de arriscar o próprio couro só para abocanhar um filhote de elefante-marinho que tomava sol por ali. De repente, uma onda mais forte atinge aquela parte da praia e carrega a caçadora de volta para o mar, em segurança - e com o almoço no papo.

A técnica de captura nada ortodoxa é só uma amostra dos talentos múltiplos das orcas, um dos predadores mais versáteis e cheios de manhas da Terra. É claro que ter várias toneladas e dentes afiados ajuda, mas o segredo do sucesso desses bichos é mesmo o cérebro. Não é à toa: na verdade, a orca não é uma baleia, como muita gente pensa. Ela é, sim, um golfinho avantajado, animal que, como todo mundo sabe, é sinônimo de inteligência. "De fato, as orcas são cetáceos (o grupo das baleias e golfinhos) odontocetos, ou seja, que possuem dentes na boca, e atualmente se encontram na família dos delfinídeos, junto com diversas espécies de pequenos golfinhos", afirma o biólogo Marcos César de Oliveira Santos, da USP.

"Em português, durante muito tempo, se utilizava o nome ‘baleia-assassina’. Além de ser um termo pejorativo, ele traz problemas à compreensão do que os animais realmente são. Por isso, nos anos recentes, há uma tendência entre os pesquisadores para chamá-las de orcas, que quer dizer tonel ou barril em latim", diz o pesquisador. Pelo menos em relação aos humanos, a fama de assassina é infundada, porque praticamente não existem relatos de um ataque direto dos bichos contra pessoas. Há quem diga que o significado original do termo se referia ao fato de que as orcas eram assassinas de baleias - nesse caso, até que é verdade. Que fique claro: ela só mata para se alimentar e, assim, sobreviver.

Mas reduzir esses animais a meros comedores de baleias, focas e afins não é muito justo. Na hora do jantar, as orcas não têm preconceito, e também se fartam de peixes, lulas, pingüins, tartarugas-marinhas e até lontras-do-mar. Como fazem alguns dos outros grandes carnívoros em terra, como leões e lobos, a especialidade delas é a caça coordenada, em grupo. "A sociabilidade é uma ferramenta de extrema valia para mamíferos que vivem em ambiente aquático", diz Marcos César.

A vida debaixo d’água fez com que a evolução favorecesse uma espécie de sonar para achar a presa. Como o som se transmite muito depressa no meio aquático (viajando a uns 1 500 quilômetros por hora), os bichos usam os estalidos, um de seus tipos de chamado, para localizar o possível jantar. Basicamente, é como se o som viajasse até a presa, fosse rebatido na forma de eco, e as características das ondas sonoras que voltam permitissem a formação de uma "imagem mental" da presa, ainda que a água esteja turva. O mesmo mecanismo vale para verificar a profundidade da água, para evitar o encalhe, que só dá certo se for friamente calculado. Já os assobios, outro tipo de chamado, permitem a comunicação entre os membros do bando e a coordenação dos ataques. As horas e horas de gravações que os pesquisadores obtiveram mostram que cada bando têm seu próprio dialeto - um recurso para avisar os competidores de que eles não devem se aproximar, pois a presa já tem dono.

As diferenças de dialeto, aliás, se refletem também em preferências de caça. Uma das subpopulações mais bem estudadas da espécie, a das orcas que rondam as costas do Canadá e do noroeste dos Estados Unidos, se divide em basicamente dois grupos: residentes e transientes. As primeiras têm bandos bem maiores, que passam de 100 indivíduos, e ficam de olho principalmente em peixes, como salmões e trutas. As transientes, em grupos menores (compostos de no máximo poucas dezenas), caçam em águas mais rasas, perto de rochedos, por exemplo, e se concentram em mamíferos marinhos - principalmente focas.

Presas diferentes, estratégias diferentes. Os bandos maiores costumam brincar de cão pastor com os cardumes de salmões e trutas, cercando-os e direcionando-os para águas mais fechadas. Quando a concentração parece a ideal, todos mergulham e começam o banquete. Se o cardume está particularmente alerta e difícil de cercar, as orcas apelam para o que os cientistas chamam de comportamento percussor - trocando em miúdos, encher a água de pancadas com a cauda ou as nadadeiras, de forma a atordoar os peixes.

Os animais parecem conhecer tão bem a caça que, quando a comida é peixe, emitem seus sons típicos sem parar - sabem que as presas não conseguem ouvi-los. Mas tomam todo o cuidado para não ser vistos. Não é incomum ainda que as orcas subam um trecho dos rios da costa oeste da América do Norte atrás dos salmões, que vão procriar em água doce. Mas, quando vão dar um bote em um cardume, certificam-se de chegar por trás e, assim, surpreender os peixes.

A coisa muda de figura quando o alvo é outro cetáceo. Nesse caso, a estratégia da orca é manter o bico calado. Quando se trata de uma baleia de grandes dimensões, os adultos do bando avançam por todos os lados, mordiscando pedaços e mais pedaços do gigante marinho até que ele morra e seja devorado. Há relatos de que, como acontece entre os leões, os machos só começam a se alimentar quando as fêmeas já dominaram a presa grande - mas isso ainda precisa ser confirmado por novas pesquisas. Seja como for, os enormes pedaços de carne são engolidos de uma vez: as orcas não mastigam a comida.

No caso de presas menores, como focas, lobos-marinhos e elefantes-marinhos, os golpes de cauda e nadadeira ajudam a deixá-las fora de combate antes de serem devoradas. Mas, se o animal está esperto e não se arrisca a entrar na água, as orcas de lugares como a Antártida, por exemplo, costumam usar um truque que quase sempre se revela recompensador. Imagine um pingüim tranqüilo sobre uma plataforma de gelo. O que ele não sabe é que uma orca acaba de nadar para debaixo dela. Com um impulso, o cetáceo arrebenta a crosta congelada, joga o pingüim pelos ares e o agarra com a boca quando ele cai de volta.
Talvez o mais surpreendente na vida desse "lobo dos mares" é que os cientistas comprovaram a existência de uma forma rudimentar de cultura entre os bandos de orcas. Animais que caçam por encalhe, por exemplo, só habitam dois pontos do planeta: além das Ilhas Crozet, na região argentina da Patagônia. "Mães passam a estratégia para os filhotes por meio de treinamentos e da própria captura", conta Marcos César. "E isso passa de geração a geração. Por que nem todas as populações de orcas fazem isso? Por que há populações que se alimentam somente de peixe e outras que comem exclusivamente animais de sangue quente? Muito provavelmente há uma contribuição da transmissão cultural", afirma o biólogo. Pelo visto, técnica de caça também é cultura.


Frisbee de arraia


Orcas adoram brincar. A pesquisadora Ingrid Visser encontrou na costa da Nova Zelândia um grupo de orcas que mergulhava até 20 metros para capturar arraias. As arraias, com até 2 metros, pertenciam a três espécies diferentes. A cientista via uma das orcas subindo para a superfície com o bicho vivo na boca e o jogando para as outras, até que o peixe ficasse provavelmente numa posição em que não houvesse risco de feri-la com sua cauda venenosa. Só então a orca devorava a arraia. Ingrid acha que essa tática seja também um jeito de ensinar orcas mais jovens a lidar com presas perigosas.


Como é a caçada




1. Preparar...

Da água, a orca localiza o alimento



2. ...Apontar...

Ela toma impulso e se lança sobre a superfície sólida



3. ...Fogo!
A presa é capturada e a orca volta rapidamente à água


Fatos selvagens




Nome vulgar

Orca, baleia-assassina



Nome científico

Orcinus orca



Dimensões

Até 9,8 metros de comprimento



Peso

Até 10 toneladas



Principais armas

Batidas de rabo, dentes de 10 centímetros, cérebro avantajado e sistema de sonar



Comportamento social

Bandos que variam entre algumas dezenas e pouco mais de 100 indivíduos



Ataques a humanos

Não há relatos confiáveis sobre esse tipo de evento na natureza



Expectativa de vida

Média de 35 anos (machos) e 50 anos (fêmeas)



Quanto come

Até 400 quilos por dia



Dieta

Trutas, salmões, lulas, elefantes-marinhos, leões-marinhos, focas, baleias-jubartes, arraias, lontras-do-mar



Principais inimigos

Tubarões-brancos



Se você encontrar uma
As orcas nunca vão perseguir um nadador humano até matá-lo, mas é bom não tentar contato físico com os bichos


Para saber mais




Na livraria

Dolphin Societies - Discoveries and Puzzles - Karen Pryor e Kenneth S. Norris (org.), University of California Press, EUA, 2004
Becoming a Tiger - How Baby Animals Learn to Live in The Wild - Susan McCarthy, Harper-Collins, EUA, 2004