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domingo, 8 de outubro de 2023

Amazônia pode ter 10 mil estruturas pré-colombianas escondidas, diz estudo

Amazônia pode ter 10 mil estruturas pré-colombianas escondidas, diz estudo

Usando uma tecnologia de mapeamento remoto, pesquisadores identificaram obras desconhecidas na parte brasileira da floresta.

sábado, 18 de dezembro de 2010

E se... Os Espanhóis tivessem perdido na América

E SE... OS ESPANHÓIS TIVESSEM PERDIDO NA AMÉRICA?



Até Che Guevara se intrigou com a hipótese: no filme Diários de Motocicleta, ele se pergunta como as coisas poderiam ter sido sem os espanhóis. Para decepção de Che, liberdade e igualdade não seriam artigos comuns por aqui. A vantagem é que, sem capitalismo, não haveria miséria.

As projeções de uma América sem influências ocidentais não apontam um aglomerado de tribos indígenas rurais, mas também não revelam nenhuma civilização high tech.

O te rritório seria temperado com muitas línguas e culturas. Os astecas construiriam uma grande metrópole, mas manteriam vilarejos agrícolas no interior. Os incas seriam urbanos, mas suas cidades seriam menos monumentais.

As maiores mudanças em relação à América que conhecemos hoje seriam religiosas e sociais. As religiões nativas pregavam a igualdade de condições do ser humano em relação a animais e plantas. "A religião seria politeísta e cada deus teria uma função", diz o historiador e arqueólogo Klaus Hilbert, da PUC do Rio Grande do Sul. As formalidades das crenças cristãs dariam lugar ao esoterismo das pirâmides. O calendário também seria bem diferente. Os "séculos" aconteceriam a cada 52 anos e os anos teriam 18 meses de 20 dias cada um.

Sem o capitalismo, a economia funcionaria à base de um sistema de impostos - o Estado forneceria estradas, escolas e saneamento básico em troca de tributos. Mas isso não significa que as sociedades seriam totalmente igualitárias - elite e povão continuariam separados. "Os bens eram comunitários em algumas tribos, mas isso não acontecia em todas as nações indígenas", afirma a historiadora Janaína Amado, professora aposentada da Universidade de Brasília.

Na América não-espanhola, as mulheres teriam o mesmo status dos homens, com direito a ocupar cargos importantes. "A ótica de dominação masculina, em que a mulher só servia para a maternidade, foi trazida pelos espanhóis", afirma a historiadora Tânia Navarro Swain, da Universidade de Brasília.
A derrota dos espanhóis na América repercutiria até na Europa. "Não haveria mercantilismo, já que não haveria o ouro trazido das Américas. Conseqüentemente, não haveria revolução industrial", afirma Félix Sanches, historiador da PUC-SP. O mundo seria também menos globalizado: como a navegação não era o forte dos povos americanos, não haveria contato com a Europa.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A Brasileirinha de 11500 anos - Luzia

A BRASILEIRINHA DE 11 500 ANOS - Luzia



Até há pouco tempo, acreditava-se que todos os povos indígenas encontrados pelos europeus no continente americano descendiam de mongolóides vindos da Ásia. Mas um estudo apresentado em 1998 pelo pesquisador Walter Neves, da Universidade de São Paulo (USP), colocou em xeque essa teoria. Ao analisar o crânio de "Luzia" - nome dado à brasileira mais antiga de que se tem notícia até hoje -, a equipe do cientista descobriu que ela não pertencia ao grupo mongolóide. Os pesquisadores mediram 45 diferentes características do crânio e o compararam com espécimes de outras partes do mundo correspondentes a populações atuais. Conclusão: Luzia apresentava características muito mais próximas das de habitantes de algumas regiões da África e da Oceania que as dos mongolóides.

A hipótese foi reforçada posteriormente por um trabalho feito na Universidade de Manchester, na Inglaterra. Com a ajuda de computadores, cientistas ingleses reconstituíram a fisionomia de Luzia, que apresentava feições nitidamente negróides, de nariz largo, olhos arredondados, queixo e lábios salientes. A descoberta representou uma revolução nas teorias sobre o povoamento das Américas. A hipótese de Neves é que, antes da chegada dos grupos mongolóides da Ásia, uma leva migratória de povos negróides teria ocupado as Américas há mais de 11 000 ou 12 000 anos atrás. Esses povos foram batizados de "paleoíndios" por Neves e por seu principal colaborador, o arqueólogo André Prous, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Luzia é o crânio humano mais antigo já encontrado no continente americano. O esqueleto, de 11 500 anos, fora descoberto nos anos 70 no sítio arqueológico da Lapa Vermelha, em Lagoa Santa, na região metropolitana de Belo Horizonte, e levado para o Museu Nacional do Rio de Janeiro. Estima-se que a ossada tenha pertencido a uma mulher baixa, com 1,50 metro de altura. À época de sua morte, ela teria entre 20 e 25 anos.
A nova tese sobre a ocupação das Américas ganhou força com a descoberta de outros crânios humanos em diversos pontos do continente, com características não compatíveis com as dos mongolóides. É o caso do homem de Kennewick e de Spirit Caveman, encontrados na América do Norte e datados de cerca de 9 000 anos. As mesmas configurações cranianas de Luzia foram descobertas em fósseis de 9 000 anos, perto da cidade colombiana de Tequendama e na Terra do Fogo, nos confins da América do Sul.

Por que Luzia?
O nome Luzia foi dado por analogia com Lucy, a mais famosa ancestral humana, de 3,2 milhões de anos, encontrada na África. Um repórter perguntou ao pesquisador Walter Neves se o fóssil seria a versão americana de Lucy. Neves respondeu que, devido à procedência brasileira, a descoberta estava mais para Luzia do que para Lucy. Fêmea de Australopitecus afarensis, uma das espécies ancestrais do homem moderno, Lucy foi encontrada pelo antropólogo americano Donald Johanson em 30 de novembro de 1974, na Etiópia. Na mesma noite, a equipe de Johanson festejou a grande descoberta com muita bebida e dança ao som dos Beatles. A música "Lucy in the Sky with Diamonds" embalava a festa e, de tanto ser tocada, acabou dando nome ao esqueleto.
Luzia, por sua vez, ganhou notoriedade internacional após a publicação do trabalho de Neves na prestigiosa revista americana Science. A repercussão do trabalho dos cientistas brasileiros foi tanta que a rede de televisão inglesa BBC fez um documentário sobre Luzia e encomendou a reconstituição de sua face, feita com argila, após um minucioso trabalho de pesquisa que incluiu exames do crânio por meio de tomografias computadorizadas.

O impacto da descoberta
A análise do crânio de Luzia dá força a uma nova teoria segundo a qual, antes da chegada de grupos mongolóides da Ásia - ancestrais dos índios atuais -, uma leva migratória de povos negróides teria ocupado as Américas há mais de 11 000 ou 12 000 anos