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sábado, 31 de janeiro de 2026

Artemis II - Após adiamentos, Nasa se prepara para voo tripulado à Lua

Artemis II - Após adiamentos, Nasa se prepara para voo tripulado à Lua

Expedição marca a primeira etapa com astronautas do programa e leva quatro tripulantes em um sobrevoo lunar histórico, mais de 50 anos após a última missão humana ao satélite. Lançamento está previsto para o início de fevereiro, dependendo das condições do tempo.

sábado, 11 de novembro de 2023

Animal considerado extinto há 60 anos é encontrado na Indonésia

Animal considerado extinto há 60 anos é encontrado na Indonésia

Expedição que redescobriu a espécie de mamífero que bota ovo também identificou um surpreendente camarão que vive fora d'água.

quarta-feira, 11 de outubro de 2023

Últimos destroços do submarino Titan são encontrados pela Guarda Costeira dos EUA

Últimos destroços do submarino Titan são encontrados pela Guarda Costeira dos EUA

"Supostos restos humanos" também foram recolhidos pelo Conselho de Investigação Marinha da instituição.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Mais um grande salto para a humanidade - Nave chega a Júpiter - JUNO


Mais um grande salto para a humanidade - Nave chega a Júpiter - JUNO


Depois de uma viagem de cinco anos, em um marco sem precedentes na exploração interplanetária, uma nave espacial da NASA chegou ao maior planeta do Sistema Solar.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Encontrados restos de soldados sacrificados por astecas na Conquista do México


Encontrados restos de soldados sacrificados por astecas na Conquista do México


Uma equipe de arqueólogos encontrou os restos dos soldados que acompanharam Hernán Cortés na expedição que o escoltou durante a Conquista do México e que teriam sido sacrificados pelo Império Asteca, no início do século XVI. 

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Índios gigantes, uma história com um grande final feliz


ÍNDIOS GIGANTES, UMA HISTÓRIA COM UM GRANDE FINAL FELIZ



Eles se esconderam durante 200 anos no fundo da floresta do norte do Mato Grosso. Tão desconhecidos que nem nome tinham. Eram chamados de krenacore, kreen-akarore ou krenhakore. Eram uma lenda: "os índios gigantes".

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Acervo de 'pai' da teoria da evolução junto com Darwin é aberto na web


Acervo de 'pai' da teoria da evolução junto com Darwin é aberto na web


Ilustração de pássaro que consta no acervo de Alfred Wallace, cientista britânico 'pai' da evolução junto com Darwin (Foto: Reprodução/Wallace Online Project)

Site reúne mais de 28 mil documentos do pesquisador Alfred Wallace.
Cientista britânico esteve em expedição na Amazônia entre 1848 e 1852.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Ônibus espacial Discovery é lançado rumo à sua última missão

24/02/2011 18h53 - Atualizado em 24/02/2011 19h18
Ônibus espacial Discovery é lançado rumo à sua última missão
Decolagem acontece após série de adiamentos e problemas com a nave.
Programa de ônibus espaciais da Nasa será aposentado até o final de 2011.

Após quatro meses de tentativas frustradas e adiamentos, o ônibus espacial Discovery foi lançado no Centro Espacial Kennedy, nos Estados Unidos, partindo para sua última missão no espaço nesta quinta-feira (24), às 18h50 (horário de Brasília).

O lançamento acontece após uma série de adiamentos por conta de vazamentos, problemas elétricos e rachaduras nos tanques externos. A equipe também sofreu baixas, com a substituição do especialista Tim Kopra, que se machucou após cair da bicicleta, pelo astronauta Steve Bowen.

Após reparos no sistema de combustível do veículo, a Discovery retornou ao complexo de lançamento 39A, no Centro Espacial Kennedy, em fevereiro de 2011. Os tanques externos foram completamente abastecidos durante a manhã desta quinta-feira.

Conheça a história dos 25 anos do ônibus espacial
Confira galeria de imagens das missões no espaço
A missão STS-133 leva seis astronautas e um robo humanoide à Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês). A equipe deve permanecer no espaço durante 11 dias, levando novos instrumentos aos posto orbital. Para instalá-los, duas caminhadas no espaço serão feitas pelos especialistas a bordo Steve Bowen e Alvin Drew.

Será a 35ª viagem de um ônibus espacial à ISS. O programa de ônibus espaciais da Nasa será aposentado até o final de 2011, com o voo final da Endeavour, na missão STS-134, e da Atlantis, que será utilizada novamente após a agência espacial norte-americana ter anunciado o fim do uso desta nave em 2010.


Da esquerda para a direita, os tripulantes da missão STS-133, a última da Discovery: Nicole Scott, Michael Barratt, Alvin Drew, Steve Bowen, Eric Boe e Steve Lindsey, comandante da tripulação (Foto: Nasa)

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A Brasileirinha de 11500 anos - Luzia

A BRASILEIRINHA DE 11 500 ANOS - Luzia



Até há pouco tempo, acreditava-se que todos os povos indígenas encontrados pelos europeus no continente americano descendiam de mongolóides vindos da Ásia. Mas um estudo apresentado em 1998 pelo pesquisador Walter Neves, da Universidade de São Paulo (USP), colocou em xeque essa teoria. Ao analisar o crânio de "Luzia" - nome dado à brasileira mais antiga de que se tem notícia até hoje -, a equipe do cientista descobriu que ela não pertencia ao grupo mongolóide. Os pesquisadores mediram 45 diferentes características do crânio e o compararam com espécimes de outras partes do mundo correspondentes a populações atuais. Conclusão: Luzia apresentava características muito mais próximas das de habitantes de algumas regiões da África e da Oceania que as dos mongolóides.

A hipótese foi reforçada posteriormente por um trabalho feito na Universidade de Manchester, na Inglaterra. Com a ajuda de computadores, cientistas ingleses reconstituíram a fisionomia de Luzia, que apresentava feições nitidamente negróides, de nariz largo, olhos arredondados, queixo e lábios salientes. A descoberta representou uma revolução nas teorias sobre o povoamento das Américas. A hipótese de Neves é que, antes da chegada dos grupos mongolóides da Ásia, uma leva migratória de povos negróides teria ocupado as Américas há mais de 11 000 ou 12 000 anos atrás. Esses povos foram batizados de "paleoíndios" por Neves e por seu principal colaborador, o arqueólogo André Prous, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Luzia é o crânio humano mais antigo já encontrado no continente americano. O esqueleto, de 11 500 anos, fora descoberto nos anos 70 no sítio arqueológico da Lapa Vermelha, em Lagoa Santa, na região metropolitana de Belo Horizonte, e levado para o Museu Nacional do Rio de Janeiro. Estima-se que a ossada tenha pertencido a uma mulher baixa, com 1,50 metro de altura. À época de sua morte, ela teria entre 20 e 25 anos.
A nova tese sobre a ocupação das Américas ganhou força com a descoberta de outros crânios humanos em diversos pontos do continente, com características não compatíveis com as dos mongolóides. É o caso do homem de Kennewick e de Spirit Caveman, encontrados na América do Norte e datados de cerca de 9 000 anos. As mesmas configurações cranianas de Luzia foram descobertas em fósseis de 9 000 anos, perto da cidade colombiana de Tequendama e na Terra do Fogo, nos confins da América do Sul.

Por que Luzia?
O nome Luzia foi dado por analogia com Lucy, a mais famosa ancestral humana, de 3,2 milhões de anos, encontrada na África. Um repórter perguntou ao pesquisador Walter Neves se o fóssil seria a versão americana de Lucy. Neves respondeu que, devido à procedência brasileira, a descoberta estava mais para Luzia do que para Lucy. Fêmea de Australopitecus afarensis, uma das espécies ancestrais do homem moderno, Lucy foi encontrada pelo antropólogo americano Donald Johanson em 30 de novembro de 1974, na Etiópia. Na mesma noite, a equipe de Johanson festejou a grande descoberta com muita bebida e dança ao som dos Beatles. A música "Lucy in the Sky with Diamonds" embalava a festa e, de tanto ser tocada, acabou dando nome ao esqueleto.
Luzia, por sua vez, ganhou notoriedade internacional após a publicação do trabalho de Neves na prestigiosa revista americana Science. A repercussão do trabalho dos cientistas brasileiros foi tanta que a rede de televisão inglesa BBC fez um documentário sobre Luzia e encomendou a reconstituição de sua face, feita com argila, após um minucioso trabalho de pesquisa que incluiu exames do crânio por meio de tomografias computadorizadas.

O impacto da descoberta
A análise do crânio de Luzia dá força a uma nova teoria segundo a qual, antes da chegada de grupos mongolóides da Ásia - ancestrais dos índios atuais -, uma leva migratória de povos negróides teria ocupado as Américas há mais de 11 000 ou 12 000 anos

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Langsdorff: No coração do Brasil

LANGSDORFF: NO CORAÇÃO DO BRASIL



Um tempo de viagens clássicas. Assim pode ser definido o início do século 19. No Brasil, que mal começava a ocupar o território longe do litoral, um barão alemão que passara um quarto de século em expedições científicas pelo mundo - e trabalhava como cônsul da Rússia no Rio de Janeiro - se transformaria no mais importante explorador daquelas terras vastas e desconhecidas. Ele se chamava Jorge Henrique Langsdorff e seu sobrenome batizou a expedição russa que, de 1821 a 1829, revelaria aspectos totalmente ignorados da fauna, flora, geologia e geografia de nosso país.

Nos primeiros cinco anos, esse naturalista, etnógrafo e diplomata conheceu como poucos o interior das Minas Gerais, o Rio de Janeiro e o litoral de São Paulo. Nesta reportagem, você vai acompanhar a segunda (e mais importante) parte da Expedição Langsdorff: o percurso feito entre 1826 e 1828, de Porto Feliz, no interior paulista, a Santarém, no Pará. Foi, ao mesmo tempo, uma verdadeira aventura pelo coração do Brasil e a mais cuidadosa e bem preparada expedição que jamais cruzou o território nacional. Estudiosos e artistas puderam fazer contato com as populações locais, coletar plantas e bichos e retratar, em desenhos e pinturas, tudo o que se via pelo caminho. Descobertas que, logo nos primeiros anos, ajudariam a fixar, no exterior, a imagem de nosso país em seus primeiros anos de existência independente. Mas que em seguida seriam esquecidas, pois todos os registros acabariam perdidos nos arquivos da Academia de Ciências de Leningrado (hoje São Petersburgo), na Rússia - para ser reencontrados quase um século depois, em 1930.

Na hora da partida, em Porto Feliz, a equipe contava com 39 homens. Além de escravos, remadores e guias, havia astrônomo, botânico, cartógrafo, médico, zoólogo e três artistas: Johann Moritz Rugendas, Adrian Taunay (tio do futuro Visconde de Taunay) e Hércules Florence. Rugendas ficou com o grupo por uns poucos meses. Taunay morreu em janeiro de 1828, quando se afogou no Rio Guaporé, em Vila Bela (onde hoje é Rondônia). Florence, um francês de 22 anos, chegara ao Brasil dois anos antes. Naquele 22 de junho de 1826, todos partiram em duas grandes canoas cavadas em troncos grossos, três batelões e outras três embarcações menores. O destino: subir o rio Tietê até seu encontro com o Paraná, de lá seguir pelo Pardo, o Cuiabá, o Arinos e o Tapajós, para chegar a Santarém (veja no mapa da página 60 o percurso percorrido pela Expedição Langsdorff). "É difícil descrever essa maravilha da natureza, a rapidez com que aquela água se transforma em espuma branca e poeira. Junto às rochas, a terra treme. Nossos artistas, o senhor Taunay e o senhor Florence, fizeram alguns croquis. Mas a cena é muito grande e extensa; seriam necessárias várias semanas de estudo para representar todo o espetáculo num único retrato", escreveu o comandante em seu diário logo nos primeiros dias da viagem.

Em seus relatos, a emoção muitas vezes se sobrepõe aos objetivos científicos. Além de anotar informações como nomes de lugares, plantas, sementes e bichos, o barão reveria vários de seus pré-conceitos sobre os indígenas - e passaria a questionar e criticar o que via e sentia. A rotina era bastante simples: navegar, tomar notas, descer do barco para coletar materiais, caçar e explorar aquelas terras virgens. Acima de tudo, Langsdorff considerava que o mais importante era estreitar laços de amizade com a população. Foi assim que ele e sua equipe entraram em contato com inúmeras tribos indígenas. Acredita-se que a expedição foi a única a encontrar-se com os apiacás quando eles ainda eram numerosos.

Os últimos quilômetros até Cuiabá eram só descida. Primeiro, o rio Coxim, depois o Taquari e, enfim, uma cachoeira antes da cidade. No diário, Langsdorff relatou a festa que os tripulantes fizeram ao passar pelo local, "com uma salva de espingardas, danças e cantos". Era meados de dezembro quando a caravana entrou no rio Paraguai. Depois de um susto com os índios guaicurus, que atearam fogo na mata, o grupo foi para a outra margem, onde havia uma comunidade de negros, caburés, mestiços e índios. Logo depois do Natal, os expedicionários chegaram a Dourados. "No dia 26 de dezembro, ouvimos o latido de cães e o cantar dos galos. Que alegria!", comemorou Langsdorff. Em seguida apareceram canoas cheias de índios guatós, com quem todos conviveram algum tempo, antes de partir novamente. "Sem dúvida alguma é (o brasileiro) muito mais hospitaleiro do que qualquer outro da Europa. O viajante sabe que, em qualquer parte em que houver um morador, há de ser por ele acolhido e tratado." Graças a esses relatos costuma-se dizer que a expedição revelou um outro Brasil para o mundo.

Doença e morte

Logo após o encontro com os parecis, perto de Cuiabá, um dos integrantes da equipe voltou ao Rio de Janeiro, levando caixotes com bichos e plantas, relatórios e manuscritos, cartas e um maço de desenhos. Langsdorff, então, resolveu dividir o grupo em dois. Um, chefiado por ele, se embrenharia rumo ao norte por caminhos pouco conhecidos. O outro tentaria atingir o Amazonas descendo os rios Guaporé, Madeira e Mamoré. O ponto de encontro seria o Forte de São José, na barra do rio Negro (onde hoje é Manaus). Em janeiro, depois de visitar Casalvasco, na fronteira da Bolívia, Taunay chegou ao rio Guaporé sob forte chuva. Mesmo assim, resolveu atravessá-lo a nado, desaparecendo para sempre nas águas.

Percalços desse tipo eram comuns na época. Dos 39 integrantes que partiram de São Paulo, só 12 chegaram ao Pará. Doenças e desavenças fizeram com que vários ficassem pelo caminho - e outros tantos morressem. O próprio barão foi acometido de febre amarela e malária. Perdeu a memória em maio de 1828, às margens do rio Juruena. No dia 26 de março do ano seguinte, os sobreviventes da Expedição Langsdorff chegaram ao Rio de Janeiro no navio Dom Pedro I. Traziam o chefe, já em estado de loucura. Jorge Henrique de Langsdorff voltou para a Europa em 1830. Depois de mais 22 longos anos de agonia, morreu.
O percurso, que em sua versão original consumiu quase três anos, seria refeito por uma equipe de documentaristas, durante um mês em 1999. Nesse grupo estava Adriana Florence, tataraneta de Hércules - que também é artista plástica e teve a chance de desenhar alguns dos mesmos lugares em que seu antepassado francês havia estado. A paisagem acima mostra essa viagem no tempo. As outras imagens que ilustram estas páginas retratam esses dois momentos do Brasil. Terminada a viagem de barco, Adriana foi à Rússia ver os manuscritos de seu tataravô. "O que senti ao abrir o diário é inexplicável", escreveu ela no livro No Caminho da Expedição Langsdorff. "As folhas envelhecidas pelo tempo e o frescor de cada palavra, cada descrição minuciosa do que viveu. Reconheço os lugares enquanto leio sua narrativa precisa. Posso estar lá novamente. Vou me lembrando de cada passagem. Naquele momento somos um só."

Um país redescoberto

1. PORTO FELIZ

A expedição partiu de Porto Feliz, em junho de 1826, pelo rio Tietê. No caminho até Mato Grosso, cachoeiras e fazendas. Os índios apareciam nas tribos ou no meio da mata

2. CAMAPUÃ

Essa foi uma das fazendas que serviram de pouso. Todos tiveram contato com a pobreza, o trabalho escravo, as doenças e o descaso das autoridades com a população. Langsdorff doou várias sementes para hortas individuais e cuidou dos doentes

3. CUIABÁ

A chegada a Cuiabá, em janeiro de 1827, foi uma das grandes alegrias. A cidade ganhou muito espaço nos diários e nos desenhos dos artistas. Ao final da estadia, o grupo foi dividido em dois, para se reencontrar na barra do rio Negro

4. SANTARÉM
Aqui terminou a expedição, depois de mais de 13 mil quilômetros por cinco estados. Langsdorff, com malária, já não tinha mais como continuar o trabalho. Ficaram os relatos e desenhos de quase três anos de viagem

Índios e mais índios

Os xavantes, que Langsdorff cruzou quando descia o rio Tietê até Cuiabá, vivem hoje na serra do Roncador e em vales de rios no leste de Mato Grosso. Os caiapós habitam aldeias dispersas ao longo dos rios Iriri, Bacajá, Fresco e outros afluentes do Xingu, na mesma região em que a equipe de Langsdorff os encontrou. Considerados extintos por 40 anos, os guatós foram reencontrados no Pantanal Mato-Grossense, perto do município de Corumbá (MS). Os parecis viviam no planalto de Mato Grosso e eram freqüentemente escravizados pelos bandeirantes, no século 19. Um desses povos, os halítis, vive no oeste de Mato Grosso. Na língua nativa, "pátio da aldeia". Os índios dessa etnia, que ocupavam uma grande região de cerrado do Brasil Central, se limitam hoje a Mato Grosso. Conhecidos como guerreiros, os apiacás só perderam a língua e o modo de vida tradicional após dois séculos de contato com os não-índios. Hoje vivem em Mato Grosso e no Pará. Povo de tradição guerreira, os mundurucus dominavam culturalmente o vale do Tapajós. Hoje, luta para garantir a integridade de seu território.

Paixão pelo Brasil...

Grigory Ivanovitch von Langsdorff nasceu em abril de 1774 na Alemanha. Médico e naturalista, foi botânico da primeira expedição russa ao redor do planeta. Ao passar pelo Brasil, em 1804, encantou-se pelo país. Mudou de nome para Jorge Henrique em abril de 1813, ao assumir como cônsul-geral da Rússia no Rio de Janeiro. Hércules Florence nasceu em 1804 na França. Conhecedor das artes e da ciência e encantado pelos desafios das viagens, veio ao Brasil em 1824. Também se apaixonou à primeira vista. O grande encontro entre os dois se deu porque Langsdorff publicou um anúncio para contratar um desenhista disposto a participar de sua viagem fluvial pelo interior do país. Florence leu o anúncio, se candidatou e ficou com a vaga. A bordo, viraram grandes amigos. Ao final da expedição, porém, tiveram de se separar. Langsdorff, doente, voltou à Alemanha. Aposentado, foi viver em Freiburg, no sul daquele país, onde morreu em 1852. Florence, por sua vez, ficou no Brasil. Escolheu Campinas para viver o resto de sua vida. Em 1830, publicou, como resultado de suas observações durante a viagem, um estudo sobre o som produzido pelos animais, que chamou de Zoophonia. Nessa época também realizou experiências com fotografia, técnica da qual é reconhecido como um dos pioneiros. Morreu em 27 de março de 1879.

domingo, 21 de novembro de 2010

Everest - No topo do mundo

EVEREST: NO TOPO DO MUNDO



No dia 25 de maio de 2002, quando Peter Hillary conseguiu escalar o Everest, sabia que tinha pouco tempo para saudar seu grande herói. Antes que o ar rarefeito e o vento gelado consumissem a pouca energia que lhe restava, pegou o telefone por satélite e ligou para a Nova Zelândia: "Papai, estamos no topo. O que o senhor fez há quase 50 anos é inacreditável".

No acampamento-base da expedição (organizada pela National Geographic Society como parte das comemorações de meio século da conquista do Everest), Peter tinha o apoio de Jamling Norgay. Os dois são filhos, respectivamente, do neozelandês Edmund Hillary e do sherpa Tenzing Norgay, os primeiros homens a colocar os pés no ponto mais alto do planeta, a 8850 metros de altitude. Inacreditável talvez seja mesmo a melhor palavra para descrever a façanha alcançada às 11h30 da manhã de 29 de maio de 1953. Desde um século antes, mais precisamente em 1852, sabia-se que aquela montanha, na cordilheira do Himalaia, bem na fronteira entre o Nepal e o Tibete, era a mais alta do mundo. Na época, porém, era conhecida apenas como Pico XV. Em 1865, foi rebatizada em homenagem a George Everest, ex-topógrafo-geral da Índia. Quase seis décadas mais tarde, em 1921, Charles Howard-Bury chefiou a primeira expedição britânica à região. O grupo chegou a 6860 metros de altitude e saiu de lá confiante de ter descoberto o caminho rumo ao ponto mais alto do planeta. Acreditava-se que ele tinha 8848 metros, mas medições com GPS realizadas em 1999 confirmaram que o "grande E" tem 2 metros a mais (veja a lista das maiores montanhas na página 55).

"Porque está lá"
Na ocasião, perguntaram a George Mallory por que escalar o Everest. O alpinista respondeu com uma frase que se tornaria célebre: "Porque está lá". Porque estava lá, Mallory, Howard Sommervell e Arthur Wakefield fizeram a primeira tentativa de chegar ao pico no ano seguinte. Fracassaram. Em 1924, nova investida. No dia 8 de junho, Mallory e Andrew Irvine estavam muito perto do topo quando foram "engolidos" pelas nuvens. Nunca mais voltaram. Nem mesmo a descoberta do corpo congelado de Mallory, em 1999, respondeu à pergunta que muitos se fazem desde então: eles conseguiram? (Leia mais no quadro da página 55).

Novas derrotas, ao longo dos anos seguintes, só fizeram aumentar o fascínio exercido pela montanha. "Se os primeiros tivessem sido bem-sucedidos, o feito teria sido saudado como notável e logo depois esquecido", afirma o historiador Walt Unsworth, especialista em Everest. Na primeira metade do século passado, 18 pessoas morreram ao tentar a escalada, até porque as condições em que partiam rumo ao cume eram bastante precárias. Não havia tecidos ou calçados capazes de resistir ao frio e à umidade, as barracas eram pesadas e até o uso de oxigênio suplementar era complicado e inseguro.

Por tudo isso, a conquista de 1953 foi festejada com enorme alegria e admiração. Foi uma megaexpedição, com dez alpinistas e 350 carregadores de origem sherpa, povo que vive no Himalaia desde o século 16 e que se mostraria essencial para vencer a montanha (leia o quadro da página 54). Na época, já se sabia que é imperativo habituar o organismo à falta de ar nas grandes altitudes. A técnica, usada até hoje, consiste em montar um acampamento-base a cerca de 5300 metros. Em locais assim, a pressão atmosférica é metade da registrada ao nível do mar, ou seja, só há 50% do oxigênio disponível na maioria das concentrações urbanas. Dali para cima, a situação se torna cada vez mais crítica. A 8 mil metros, por exemplo, o oxigênio corresponde a apenas 30% do que o nosso corpo está acostumado. É a chamada zona da morte - o batimento cardíaco passa de 120 por minuto, em repouso; e as alucinações são freqüentes. Sem falar nos ventos constantes, nas temperaturas que variam de 15ºC a 45ºC negativos e na possibilidade de ser atropelado por uma avalanche, fenômeno responsável pela maior parte das mortes.

É preciso querer muito superar o desgaste físico pelo prazer de desafiar a natureza. Por isso, os alpinistas sobem cada dia um pouco mais, mas voltam ao acampamento-base, até que o corpo se ajuste ao ar mais rarefeito. Uma vez completada essa adaptação, o que dura em torno de um mês, é hora de montar novo acampamento, em ponto mais elevado. E assim sucessivamente, até o "ataque final". Tenzing Norgay e Edmund Hillary, por exemplo, voltaram oito vezes ao acampamento-base e escalaram o equivalente a 3,5 Everest para conseguir chegar ao topo. E, dois dias depois de estar lá, já haviam retornado à segurança dos 5300 metros.

O sherpa Norgay (nome que significa afortunado) tinha 39 anos e participara de outras seis expedições. Destacava-se pela força física, pela tenacidade e pela reverência que guardava em relação à montanha - os tibetanos a chamam de Chomolungma, ou deusa-mãe do mundo. No ano anterior, tinha chegado a 8598 metros junto com o suíço Raymond Lambert, marca nunca antes alcançada. O apicultor Hillary, 33 anos, se aventurava pela segunda vez. Estava no auge da forma física e tinha experiência como montanhista na Nova Zelândia e em expedições de reconhecimento na Cordilheira do Himalaia (numa delas, ajudara a mapear o lado sul do Everest). No percurso, Norgay salvou Hillary de uma queda numa fenda - e ambos se aproximaram. Em 21 de maio, 40 dias após o início da aventura, os dois passaram a escalar sempre juntos. Exatamente uma semana mais tarde, eles passaram a noite a 8500 metros de altitude. Na manhã seguinte, partiram para o último e mais complicado trecho: superar um paredão de cerca de 12 metros de rocha lisa quase sem pontos de apoio, batizado mais tarde de Escalão Hillary. "Uma saliência de gelo pendia sobre a rocha à direita, com uma longa fenda em seu interior. Sob ela, a montanha descia pelo menos 3 mil metros até a geleira Kangshung. Será que ela me agüentaria? Só havia um modo de descobrir", contou Hillary. O resto é história.

Os dois viraram celebridades. Hillary ganhou o título de sir (cavaleiro do Império Britânico) e sua foto foi reproduzida em selos na Inglaterra e em notas de 5 dólares na Nova Zelândia. Norgay recebeu uma condecoração da Coroa britânica e foi recebido pelo papa, antes de ser aclamado na Índia, no Tibete e no Nepal. A palavra sherpa, que quer dizer "pessoa originária do oriente" e é usada pelos descendentes dessa etnia como último sobrenome, passou a ser sinônimo de "guia de alta montanha" (leia mais sobre os dois pioneiros no quadro da página 53).

A proeza não desanimou os outros que sonhavam - e sonham - em escalar o Everest. Ao contrário. Hoje, os governos do Tibete e do Nepal cobram taxas altíssimas dos alpinistas. Mesmo assim, há congestionamentos nas principais trilhas e um grave problema ecológico, que aumenta a cada ano: o lixo que repousa no gelo. Outra questão que inquieta alpinistas é a crescente comercialização da aventura. Já há, nos Estados Unidos, empresas especializadas em "levar quem quiser ao topo" - como se vendessem um cruzeiro pelo Caribe ou um tour pela Toscana.
Nestes 51 anos, mais de 10 mil pessoas já desafiaram a montanha. Até o ano passado, 175 tinham morrido ao longo do caminho. E pouco mais de 1200 conseguiram atingir o cume. Em maio de 1975, a japonesa Junko Tabei foi a primeira mulher. Em agosto de 1980, o italiano Reinhold Messner completou outra façanha inédita: chegou lá sem oxigênio suplementar. No dia 14 de maio de 1995, Waldemar Niclevicz e Mozart Catão levaram a bandeira brasileira ao topo do mundo. E em maio de 2001 o americano Erik Weihenmayer, conduzido por amigos e amarrado por cordas, saltou fendas literalmente no escuro para se tornar o primeiro cego a completar a subida. Tudo para poder repetir a frase de Edmund Hillary a seu colega George Lowe, que o aguardava no acampamento IV, a mais de 6 mil metros de altitude, em maio de 1953: "Pronto, liquidamos o filho da mãe".

Os primeiros a derrotar a montanha
Os dois primeiros a subir o Everest tinham quase nada em comum antes da conquista, mas se tornaram grandes amigos. Tanto que sempre evitaram confirmar quem pôs o pé no topo do mundo antes do outro. "Chegamos juntos", diziam. Neozelandês de Auckland, Edmund Hillary começou a escalar em 1935, aos 16 anos. Em 1951 decidiu aventurar-se no Himalaia. Com sua primeira mulher, Louise, teve os filhos Peter (que escalou o Everest em 2002), Sarah e Belinda, que morreu com a mãe num acidente aéreo. Ao lado de June Mulgrew, a segunda esposa, continuou se dedicando a projetos sociais voltados para a comunidade sherpa, como a construção de escolas, hospitais e pontes. "Chegar ao cume parece hoje menos importante do que outros passos que dei para melhorar a vida de meus amigos no Nepal", disse Hillary no ano passado. Aos 84 anos, vive na Nova Zelândia. Tenzing Norgay nasceu em Thame, na região do Khumbu, no Nepal, em 1914. Era pastor de iaques e plantava batatas e grãos. Teve quatro filhos com a primeira mulher: Norbu, Dhamey, Deki e Jamling, que repetiu o feito do pai em maio de 1996. Nunca aprendeu a ler e escrever. Era budista e começou a fazer alpinismo na década de 1930. Rapidamente ficou conhecido pela força e agilidade. Ao voltar da grande conquista, em 1953, afirmou: "Minha montanha não me pareceu uma coisa morta de rocha e gelo, mas quente, amiga e viva". Morreu aos 72 anos, em 9 de maio de 1986.

Os reis das grandes altitudes
Se não fossem os sherpas, provavelmente a conquista do Everest teria demorado ainda mais tempo. Povo das montanhas, eles vivem nos vales de grandes altitudes que serpenteiam o maciço do Himalaia desde o século 16, quando os primeiros habitantes chegaram à região vindos do leste do Tibete. Durante mais de 400 anos, viveram em paz com as montanhas. Budistas, eles acreditavam que elas eram o lar dos deuses e, por isso, não deviam ser devassadas. Criavam iaques e negociavam com os tibetanos e indianos. O plantio de batatas só foi introduzido pelos britânicos no século 19, mas é considerado muito importante para a fixação dos moradores no local.

Nos anos 1910, o pesquisador escocês Alexander Mitchell Kellas, pioneiro no estudo dos efeitos da altitude no organismo humano, descobriu que os sherpas têm enorme capacidade de adaptação à baixa pressão atmosférica (e, portanto, ao ar rarefeito). Hoje, acredita-se que gerações e gerações de habitantes das montanhas promoveram essa alteração genética que lhes permite viver a 3 mil metros ou mais - sem nenhum problema. O segredo estaria na respiração: mais rápida, de forma a inalar mais ar. Em 1921, quando os britânicos organizaram sua primeira expedição ao Everest, contrataram alguns moradores como carregadores. Nunca mais eles deixariam de escalar a montanha.

Além de carregar peso, passaram também a subir a montanha junto com os alpinistas estrangeiros. A chegada de Tenzing Norgay ao topo, em 1953, fez explodir o turismo no Himalaia. Hoje, muitos sherpas trabalham como guias para os cerca de 20 mil aventureiros que visitam a região todos os anos - vale lembrar que há muito mais pessoas interessadas em fazer caminhadas em altitudes inferiores a 5 mil metros do que os que sonham em conquistar o Everest.
Em Namche Bazaar, maior cidade do Khumbu, há pizzarias, telefone e acesso à internet, além de banco, correio e hospital. Mas muitos sherpas deixam a região para se instalar em Katmandu, a capital do Nepal, onde se concentra a infra-estrutura para os viajantes. Tudo porque os que trabalham com montanhismo ganham cinco vezes mais que os que permanecem ligados apenas à agricultura.


As 14 maiores

- Nível do mar - 0 m

- Gashenbrum ii - 8035 m

- Shisha Pangma - 8046 m

- Broad Peak - 8047 m

- Gashenbrum i - 8068 m

- Annapurna - 8091 m

- Nanga Parbat - 8125 m

- Manaslu - 8156 m

- Dhaulagiri - 8172 m

- Cho Oyu - 8201 m

- Makalu - 8463 m

- Lhotse - 8501 m

- Kangchenjunga - 8598 m

- K2 - 8611 m
- Everest - 8850 m

Será que eles conseguiram?
De todas as tentativas de subir o Everest, só uma rivaliza com a escalada de Hillary e Norgay em prestígio e mística: a expedição britânica de 1924. Tudo porque George Mallory e Andrew Irvine podem ter chegado ao topo - mas provavelmente nunca saberemos. Os dois foram vistos pela última vez bem próximos do cume, no dia 8 de junho. Pela manhã, eles haviam deixado a barraca do acampamento avançado, para logo sumir em meio às nuvens. Noel Odell, um dos companheiros de equipe, conseguiu avistá-los ao longe, às 12h50. Será que eles conseguiram? Em 1999, uma expedição foi montada para repetir o percurso feito pelos britânicos. O corpo de Mallory foi encontrado (congelado e bem conservado) a cerca de 8290 metros de altitude. Os alpinistas procuraram a câmera fotográfica que ele carregava, na esperança de, 75 anos depois, poder revelar o filme em preto-e-branco capaz de desvendar o mistério. Em vão.