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domingo, 26 de outubro de 2025

Cometa Lemmon se aproxima da Terra e pode ser visto a olho nu no Brasil

Cometa Lemmon se aproxima da Terra e pode ser visto a olho nu no Brasil

Fenômeno atingiu o ponto mais próximo do planeta na última terça (21/10/2025) e deve ficar visível por alguns dias. Objeto não voltará a passar pelo Sistema Solar interno antes de 1.300 anos.

A Terra agora tem duas luas - Entenda o que é o 2025 PN7

A Terra agora tem duas luas - Entenda o que é o 2025 PN7

Astrônomos descobriram recentemente um pequeno corpo celeste que acompanha o nosso planeta na mesma rota ao redor do Sol há seis décadas. Ele, contudo, não é uma segunda lua, mas segue tão perto da Terra que parece um satélite temporário, uma 'quase-lua'.

quinta-feira, 26 de junho de 2025

Supertelescópio James Webb descobre seu 1º planeta fora do Sistema Solar

Supertelescópio James Webb descobre seu 1º planeta fora do Sistema Solar

Mundo distante fica a cerca de 111 anos-luz da Terra e é dez vezes mais leve que outros exoplanetas já fotografados por observatórios espaciais.

terça-feira, 28 de maio de 2024

Astrônomos sugerem que lua de Marte pode ser um cometa

Astrônomos sugerem que lua de Marte pode ser um cometa

Imagens de Fobos captadas por uma sonda a Agência Espacial Europeia revelaram características surpreendentes.

domingo, 28 de abril de 2024

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023

Exoplaneta descoberto próximo da Terra pode estar coberto de água

Exoplaneta descoberto próximo da Terra pode estar coberto de água

Batizado de TOI-1452 b, ele é um pouco maior em tamanho e massa do que o nosso planeta.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

Descoberta - Mercúrio deixa de ser o corpo celeste mais próximo ao sol

Descoberta - Mercúrio deixa de ser o corpo celeste mais próximo ao sol

Astrônomos descobriram que existe um outro objeto que ocupa essa posição.

quinta-feira, 22 de julho de 2021

Etanolamina - A molécula alienígena que pode ter originado a vida na Terra

Etanolamina - A molécula alienígena que pode ter originado a vida na Terra 

Novo estudo pode ajudar a entender como os primeiros processos biológicos terrestres começaram.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Asteroide com poder de 35 bombas atômicas passou raspando pela Terra em janeiro


Asteroide com poder de 35 bombas atômicas passou raspando pela Terra em janeiro


Cientistas só detectaram a ameaça com 24 horas de antecedência!

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Asteroide 2012 TC4 poderá se chocar contra a Terra em 2017


Asteroide 2012 TC4 poderá se chocar contra a Terra em 2017


O asteroide 2012 TC4 foi descoberto pelo Observatório Pan-STARRS, no Havaí, em outubro de 2012. 

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Uma missão ridiculamente difícil - pousar em um cometa


Uma missão ridiculamente difícil - pousar em um cometa


*Este é o planejamento que possibilitou o sucesso na missão de Pouso do Philae no 67P

Está chegando a hora de um feito histórico . Na próxima quarta feira, dia 12 de novembro, a sonda Philae deve pousar no núcleo do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko. Já falei bastante dessa missão e dos desafios que foram um a um vencidos. Agora chegou a vez do maior deles: o pouso.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

LUA NOVA - Astronomia


LUA NOVA - Astronomia



A tradicional figura prateada do velho satélite da Terra dá lugar às imagens  codificadas em cores, produzidas por instrumentos modernos. Elas marcam a volta do interesse pelo corpo celeste mais próximo do homem.

sábado, 18 de maio de 2013

Equipamento da Nasa capta forte impacto de rocha com a Lua


Equipamento da Nasa capta forte impacto de rocha com a Lua

Imagem mostra centenas de impactos de rochas com a Lua, registrados por equipamento da Nasa. O ponto em vermelho é a colisão mais recente, considerada a mais forte (Foto: Nasa/Reuters)

A explosão foi maior desde o início do monitoramento de impactos na Lua.
Rocha de 40 quilos tinha 30 cm de diâmetro e viajava a 90 mil km/h

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Mapa aponta locais onde já caíram meteoritos



Mapa aponta locais onde já caíram meteoritos em todo o mundo

Mapa mostra áreas onde já caíram mais meteoritos no mundo (Foto: Reprodução/CartoDB)

Trabalho foi feito com base em dados de quase 35 mil pedras.
No Brasil, quase não há registros na Região Norte.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Maior meteorito já encontrado no Brasil fica em exposição no Rio


Maior meteorito já encontrado no Brasil fica em exposição no Rio


Meteorito tem cinco toneladas e é conhecido como Bendegó.
Ele está exposto no Museu Nacional da Quinta da Boa Vista.


terça-feira, 2 de outubro de 2012

Quase uma Estrela - Astronomia



QUASE UMA ESTRELA - Astronomia



Como é o pequeno sistema solar formado por Júpiter e sua família de luas? 
A resposta começará a vir em 1995, quando a sonda Galileo tem um encontro marcado com o planeta.

Disse certa vez o celebrado escritor de ficção científica Isaac Asimov que, se um visitante  do espaço contemplasse a distância o sistema solar, acabaria concluindo que o "único objeto que interessa por essas bandas é aquele grande planeta, o quinto a partir do Sol. Tudo o mais são fragmentos de matéria que não merecem consideração." O imaginário observador extragalático estaria se referindo, é claro, a Júpiter, o maior planeta do sistema solar, não por acaso assim chamado em homenagem ao deus máximo da mitologia para os romanos. Calcula-se que Júpiter possui 70 cento de toda a matéria que gira em torno do Sol. É tão gigantesco que no seu interior caberiam folgadamente mais de mil Terras. Comparadas a tal gigante, até os planetas mais avantajados, como Urano, Netuno e Saturno - este, o segundo maior - não passam de anões.Não é de estranhar, portanto, que, quando foi formado junto com os outros planetas, há cerca de 4,5 bilhões de anos, Júpiter podia perfeitamente bem se transformar numa estrela. Se isso tivesse acontecido, os habitantes deste pequeno mundo chamado Terra , a cerca de 600 milhões de quilômetros de distância, passariam pela provavelmente desconfortável experiência de viver com dois sóis no céu e talvez nenhuma noite. Não seria uma novidade na Via Láctea, onde a maioria das estrelas é binária, ou seja, faz parte de sistemas duplos.Mas o Sol permaneceu solitário: Júpiter teria que acumular cinqüenta vezes mais massa para que a temperatura no seu interior desse início às reações de fusão nuclear que caracterizam uma estrela, e ele passasse a brilhar com luz própria.
Como isso não ocorreu, o planeta se tornou uma espécie de bola gigantesca de gases - hidrogênio, hélio, metano e amônia - que por motivos ainda não explicados pela Astronomia emite duas vezes mais energia do que recebe do Sol. Dotado de um sistema particular de dezesseis luas, Júpiter passou a ser um alvo importante das sondas espaciais. Quatro delas, as Pioneer 10 e 11 e as Voyager 1 e 2, mostraram imagens fantásticas da atmosfera multicolorida desse planeta, que lhe dão a aparência de um ovo de Páscoa achatado, pintado a mão. Outra sonda, a novata Galileo, lançada em 18 de outubro do ano passado, promete determinar a composição química e o estado físico da atmosfera do gigante, quando dele se aproximar em dezembro de 1995.
"As observações convencionais feitas na Terra não podem se comparar aos resultados obtidos pelas sondas espaciais" reconhece o astrônomo Jair Barroso, do Observatório Nacional, no Rio de Janeiro. "Mas ainda podem trazer alguma contribuição." Pensando assim, este astrônomo carioca, um cinqüentão calmo e meticuloso, pretende passar algumas noites em claro no fim do ano, em Brazópolis, sul de Minas, onde estão os telescópios do Laboratório Nacional de Astrofísica, para observar as órbitas dos quatro maiores satélites de Júpiter - Io, Europa, Ganimedes e Calisto. À primeira vista, a tarefa não requer muito esforço nem habilidade para quem, como ele, está acostumado a observar estrelas a milhares de anos-luz de distância.
Afinal, Júpiter é conhecido desde a Antiguidade, por ser o segundo astro mais brilhante no céu (depois de Vênus e, naturalmente, sem contar o Sol e a Lua), podendo portanto ser localizado facilmente a olho nu. Além disso, seus satélites, todos com nomes de amigos e amantes dos deuses, foram avistados por Galileu (1564-1642) há mais de trezentos anos com uma simples luneta. Mas Barroso não se limita a observar. Ele está engajado num projeto coordenado pelo astrônomo francês Jean Arnot e com a participação de pesquisadores de várias partes do mundo que usam a técnica de fotometria rápida, ou seja, a análise das variações da intensidade de luz recebida dos satélites em intervalos de milésimos de segundo. Com esse método é possível calcular a posição das luas de Júpiter com uma precisão de 100 quilômetros - menos da metade da distância do Rio a Brazópolis."Estas observações vão beneficiar a Galileo, que será a primeira sonda espacial a navegar entre todos os grandes satélites do planeta", comenta Barroso. Considerada um dos mais perfeitos equipamentos no espaço, devido à extraordinária precisão dos seus instrumentos, a Galileo - cujo nome presta homenagem ao cientista que descobriu as luas de Júpiter - deve percorrer dez órbitas em volta do planeta. Durante quase dois anos, essa maravilha de pouco mais de 1 metro de diâmetro colecionará imagens mil vezes mais próximas e com uma resolução dezenas de vezes mais nítida do que as produzidas pelas sondas que a antecederam. Seu programa inclui ainda uma acrobacia suicida. Baseado numa experiência semelhante realizada em 1978 pela sonda Pioneer 1 em Vênus, uma parte da nave deve se separar do corpo principal e mergulhar na atmosfera de Júpiter.
Construída para resistir a pressões vinte vezes maiores que as existentes na Terra, a minissonda descerá no planeta a uma estonteante velocidade de 200 mil quilômetros por hora até que a desaceleração torne possível a abertura de um pára-quedas. Antes que seja destruída, a cápsula enviará à NASA uma série de dados sobre a estrutura física da atmosfera de Júpiter. Será um dossiê e tanto. Pois, por tudo o que se sabe, Júpiter é um planeta muito peculiar. Nele não existem montanhas, vales, vulcões ou lagos subterrâneos. Apenas um vasto oceano de gás e nuvens densas. Por causa disso, sua atmosfera mais parece com repulsiva fumaça que exala do caldeirão de uma feiticeira dos velhos contos infantis de terror.
Abraçando todo o planeta, se estendem camadas e mais camadas de nuvens de centenas de quilômetros de espessura. Como na Terra, ali as correntes de ar se deslocam dos pólos para o equador a baixas altitudes e do equador para os pólos a altitudes mais elevadas. Mas pára aí a semelhança. Em Júpiter, as faixas ascendentes são brancas e provavelmente têm em sua composição cristais de amônia. As mais profundas e quentes, de cor marrom-avermelhada, podem conter cristais de fósforo, enxofre ou, não é impossível, até mesmo alguma substância orgânica. Como tudo o que se refere a Júpiter é exagerado, sua rotação também é a mais rápida do sistema solar.
O planeta tem o diâmetro onze vezes maior que o da Terra; no entanto gira em torno do seu eixo em menos da metade do tempo. "Por causa desse deslocamento rápido, as nuvens a distância parecem se mover em faixas paralelas e são cortadas intermitentemente por grandes turbilhões", comenta o astrônomo Oscar Matsuura, da Universidade de São Paulo, um estudioso da física dos planetas. Perto do equador de Júpiter avista-se, com o auxílio de telescópios, uma das mais misteriosas peculiaridades desse carrossel climático: a Grande Mancha Vermelha, conhecida desde 1610 e cuja área é quase igual à da Terra. "Nesses últimos trezentos anos, esse colossal furacão se expandiu, contraiu, escureceu, clareou, mas nunca deixou de soprar", surpreende-se o astrônomo.Justamente um dos objetivos da sonda é colocar na balança a proporção de gases existente nessa atmosfera gelada - ali a temperatura gira em torno de 150 graus negativos. "Parece que estamos participando de uma pesquisa arqueológica", entusiasma-se Matsuura. "Júpiter reteve desde a sua origem a maior parte do material de que foi composto e portanto deve ter a mesma natureza química da nebulosa que formou o sistema solar." Matsuura calcula que esse mundo de gases deve ter no centro uma massa informe de rocha e ferro. Em volta dela, numa zona onde o calor chega a 400 graus Celsius e onde a pressão é inconcebíveis 3 milhões de vezes maior que a da atmosfera da Terra, deve existir um grande oceano derretido e escuro de hidrogênio. Nessas condições, afirmam os físicos, o hidrogênio, embora líquido, se torna um condutor elétrico como qualquer metal, com a peculiaridade de não oferecer resistência à passagem de correntes, como se fosse uma cerâmica supercondutora. O que alguns planetas têm demais, em outros não existe. Na Terra, por exemplo, sonha-se com a produção em laboratório de hidrogênio supercondutor a altas temperaturas, o que levaria a uma revolução na indústria eletrônica. Em Júpiter, o hidrogênio metálico é tão abundante que dele se origina o campo magnético do planeta, que, para variar, é também o maior do sistema solar. Além disso, recebe os vapores de enxofre ionizados na atmosfera, provenientes dos vulcões em atividade do satélite Io. Quando passar por Júpiter, a Galileo vai analisar as partículas do campo magnético e medir sua densidade e carga elétrica.
Até março de 1979, data do encontro da Voyager 1 com as luas Io e Calisto, os satélites de Júpiter chamados galileanos constituíam pontos de luz ofuscados pelo brilho do planeta gigante. "Sua aparência era completamente desconhecida", lembra o astrônomo Sylvio Ferraz Mello, da Universidade de São Paulo. Há vinte anos, Ferraz Mello, então trabalhando na sua tese de doutoramento sobre a órbita desses satélites, teve que bancar o detetive para descobrir o pouco que se conhecia dos astros. Hoje já existem fotografias não só de lo e Calisto, mas também de seus semelhantes Europa e Ganimedes, tiradas pela Voyager 2 também em 1979, e ainda dos anéis muito tênues, feitos de poeira e gás, em volta do planeta. "Não é impossível que esses anéis sejam restos de corpos maiores cujas partículas estão demorando para se dissipar", especula Ferraz Mello.
Para o astrônomo, "o sistema solar não é um atlas imutável, mas um sistema em constante modificação". Os quatro grandes satélites, por exemplo, tiveram histórias geológicas e evoluções diferentes. Calisto, o mais afastado de Júpiter, ganha a distinção de ser o objeto mais esburacado do sistema solar. Suas camadas de gelo não puderam impedir as marcas do impacto de milhões de meteoritos na superfície. E, em pelo menos um lugar, o calor provocado pelo choque de um projétil grande fundiu o material da superfície cavando uma depressão de 600 metros de diâmetro parecida com os mares lunares.Ganimedes também é uma mistura de rocha e gelo parcialmente coberta de crateras. Ali, o derramamento de lavas vulcânicas limpou uma parte da superfície, deixando áreas claras e escuras, estas últimas as mais esburacadas. Europa, um globo onde o chão é coberto de pólo a pólo com o que parece uma teia de aranha, lembra a rede de canais que os terrestres mais imaginosos pensavam ter sido construída pelos hipotéticos habitantes de Marte. Europa já foi inteirinho coberto de gelo. Hoje sua carapaça possui rachaduras, espécies de janelas que permitem a passagem da luz.Nas fotos das Voyagers podem ser vistos vulcões gelados que lançam cristais de gelo e água no céu de Europa. Por isso, cientistas da Associação Americana de Geofísica formularam a ousada hipótese de que a luz, penetrando nas rachaduras, poderia assegurar a sobrevivência de microorganismos em oceanos subterrâneos do satélite, como aqueles encontrados sob o gelo perpétuo que cobre os lagos antárticos da Terra. O mais colorido de todos os satélites de Júpiter chama-se Io e tem o tamanho da Lua terrestre. Queimado de amarelo e vermelho e salpicado de pontos negros, ou vulcões, Io já foi comparado a uma pizza descomunal. O calor gerado pela enorme força gravitacional de Júpiter, do qual está muito próximo, detona explosões de enxofre e sulfeto de enxofre do seu interior. Quando isso acontece, o material jorra dos vulcões a quilômetros de altura para depois voltar sob a forma de neve sulfúrica. Io tem atmosfera - uma raridade entre os satélites do sistema solar compartilhada apenas por Titã, de Saturno, e Tritão, de Netuno - composta de uma fina camada de dióxido de enxofre. Diante de tanto enxofre, os especialistas da NASA costumam brincar que se Io fosse realmente uma pizza teria um insuportável cheiro de ovo podre.Se os quatro grandes satélites de Júpiter fossem do tamanho de uma bola de futebol, os doze menores não passariam de um grão de areia - sem falar na possibilidade de que haja outros mais ainda invisíveis. Desses pequenos astros conhecidos, quatro sobrevivem como podem no ambiente hostil muito próximo de Júpiter, expostos ao contínuo bombardeio de partículas carregadas de sua magnetosfera e de dejetos sulfurosos dos vulcões de Io.
Em órbitas mais afastadas estão quatro luas companheiras, também com diâmetro de algumas centenas de quilômetros. Tanto estas como as quatro mais distantes, que giram no sentido oposto ao da rotação do planeta, podem ser asteróides, arrancados de suas primitivas órbitas entre Marte e Júpiter por uma espécie de cabo-de-guerra gravitacional em que o planeta derrotou o Sol. A gigantesca atração gravitacional de Júpiter teria afetado até o próprio cinturão de asteróides, onde se concentram milhares de pedaços de astros "Há evidências indiretas de que ali começou a se formar um planeta que por algum motivo desconhecido não vingou", explica Ferraz Mello, da USP. "Os fragmentos foram confinados a determinadas órbitas por causa da influência de Júpiter." Quase uma estrela dotado de uma família de satélites e influenciando os astros a seu redor, Júpiter pode mesmo ser considerado um sistema solar em miniatura - se é que essa palavra pode ser aplicada a um corpo tão gigantesco. Quando a Voyager 2 passou perto dele, há mais de dez anos, foram enviadas à Terra 18 mil fotografias. Ainda hoje elas estão sendo analisadas. Resta agora esperar mais cinco anos para que a sonda Galileo, dotada de aparelhos mais modernos do que os da Voyager 2, mande mais uma batelada - não apenas de imagens bonitas, mas principalmente de informações importantes sobre o sistema solar, a origem e o processo de evolução dos nove planetas e de seu pequeno sol. 

A longa viagem da Galileo

A 18 de outubro do ano passado, foi lançado de Cabo Canaveral, na Flórida, o ônibus espacial Atlantis, levando a sonda Galileo. Começou então para a nave uma jornada de 4 bilhões de quilômetros, em cinco etapas, ao final das quais alcançará o seu destino: o planeta Júpiter. Da mesma forma que as Voyagers, suas antecessoras, a Galileo recorre aos campos gravitacionais de outros planetas para acelerar sua velocidade sem necessitar de propulsores potentes, mas também perigosos e antieconômicos - um procedimento que os técnicos da NASA apelidaram de "estilingue cósmico". A primeira escala, marcada para este mês, é o planeta Vênus, pelo qual passará a 19 mil quilômetros de distância. Em dezembro a Galileo torna a se aproximar da Terra, aproveitando para tirar fotografias da face escura da Lua. Depois de mais idas e vindas, a Galileo toma definitivamente o rumo de Júpiter em agosto de 1993. No caminho, deve fazer uma visita ao satélite Io, quatro a Calisto e Europa e cinco a Ganimedes, a distâncias de centenas a dezenas de milhares de quilômetros. É quando ela realiza suas atividades mais importantes. O corpo principal da sonda e a cápsula que dela se desprenderá, para mergulhar na atmosfera de Júpiter, são dotados de espectrômetros a fim de medir a composição e a temperatura da atmosfera jupiteriana e captar suas eventuais moléculas orgânicas. As duas partes da Galileo possuem também detectores de partículas energéticas e de plasma para medir o campo magnético e um instrumento para calcular as massas e as órbitas precisas do planeta e seus satélites. As câmaras mandarão às estações rastreadoras da NASA as imagens dos astros, sob a forma de sinais digitais, com uma resolução inferior a 1 quilômetro.Todo esse equipamento está protegido por um escudo térmico contra as altas temperaturas de Júpiter e por uma espécie de pára-sol, contra a ação dos raios solares. Quando passar perto do Sol, durante o longo trajeto até Júpiter, a Galileo vai analisar a nuvem de hidrogênio que se supõe ser de origem cometária que se vê à sua volta. Na distância em que estará da Terra, a Galileo não poderá contar com painéis solares para fornecer a energia necessárias às suas comunicações e ao funcionamento dos instrumentos científicos. A NASA optou então por instalar dois geradores de eletricidade movidos a plutônio, o material radioativo que resulta da fissão do urânio, acondicionados em cápsulas de irídio, um metal extremamente duro, capaz de resistir a uma explosão semelhante à que destruiu o ônibus espacial Challenger há quatro anos. Essa foi também a fonte de energia das Voyagers, lançadas em 1977. Mesmo assim, grupos antinucleares americanos tentaram sustar o embarque da Galileo, para impedir eventual contaminação radioativa do espaço.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Fábrica de Estrelas - Astronomia


FÁBRICA DE ESTRELAS - Astronomia



A Via Láctea abriga 250 bilhões de astros como o Sol. Nossa galáxia pode explicar alguns enigmas cósmicos, como a natureza da chamada "matéria escura". É possível que seu núcleo seja um buraco negro.

No árido deserto do Novo México, nos Estados Unidos, 27 radiotelescópios alinhados na forma de Y observam atentamente o céu. O conjunto forma o VLA (Very Large Array, traduzido habitualmente por Arranjo de Muito Longa Base), uma espécie de antena gigante capaz de detectar emissões de ondas eletromagnéticas das mais distantes galáxias. Há seis anos, um grupo de astrônomo do Instituto de Tecnologia da Califórnia (CalTech) apontou o VLA na direção da constelação de Sagitário, onde fica o núcleo da Via Láctea. Quando os computadores combinaram os sinais recebidos em cada uma das 27 antenas, estava pronta a primeira imagem da extraordinária fonte de energia ali existente - algo como 10 milhões de sóis.
"Supõe-se pelo tamanho e pela forma dessa fonte de energia que no coração da Via Láctea existe um buraco negro", concluiu o astrônomo Kwok Yung Lo, da equipe do CalTech, referindo-se aos estranhos corpos, cuja existência ainda não foi comprovada, que exerceriam tamanha atração gravitacional sobre tudo que está a sua volta que nem a luz escaparia.
Pesquisas como a de Lo e seus colegas mostram que as respostas a algumas indagações importantes sobre a origem e a evolução do Universo - por exemplo, se o Cosmo está mesmo se expandindo - podem ser encontradas aqui mesmo na nossa galáxia, que abriga o Sol e o seu séquito de planetas, entre os quais a Terra. Deixada de lado durante algum tempo em favor de galáxias mais distantes, nestes últimos anos a Via Láctea "voltou ao centro das atenções", como afirma a astrônoma Sandra dos Anjos, da Universidade de São Paulo. Equipados com novos telescópios e sensores eletrônicos, os cientistas tentam construir uma imagem mais completa da Galáxia, o que antes não era possível por que suas nuvens de gás e poeira prejudicavam a observação. A nova imagem mostra que a Via Láctea, como as outras centenas de bilhões de galáxias que se calcula haver no Universo conhecido, é uma fábrica que transforma matéria gasosa em estrelas. Ela se condensou na mesma época que suas irmãs, até 10 bilhões de anos atrás, a partir de uma nuvem primordial de gás em movimento, composta na maior parte de hidrogênio, com alguma porcentagem de hélio.
Essa colossal nuvem  começou a se contrair pela ação da força gravitacional até ficar com uma aparência que pode ser comparada à de dois ovos fritos colados entre si pelas claras. A região interna, densa e concentrada, onde se supõe existir o buraco negro, gira mais rapidamente em redor de si mesma, como se fosse um corpo sólido. Já no disco em volta do núcleo, as nuvens de gás giram mais devagar. É o mesmo princípio, em escala descomunal, que permitiu a criação de um sistema planetário ao redor do Sol. Em torno desse conjunto, distribuídos numa imensa esfera chamada halo, estão os aglomerados globulares, formados por centenas de milhares de estrelas.
Desde Nicolau Copérnico ( 1473-1543) se sabe que a Terra não é o centro do sistema solar. Mas por muito tempo ainda se acreditou que o Sol estivesse no centro da Via Láctea. Em 1917, o astrônomo americano Harlow Shapley (1885-1972), considerado um dos fundadores da Cosmologia moderna, acabou com essa idéia. Ao medir as distâncias da Terra de alguns aglomerados globulares que giram perto do centro da Galáxia. Shapley pôs o sistema solar no seu devido lugar: nos subúrbios do disco da Via Láctea, longe do centro cerca de 30 mil anos-luz ou inimagináveis 285 quatrilhões de quilômetros. A Via Láctea, ela própria, faz parte do que se chama Grupo Local, uma família de umas vinte galáxias por assim dizer vizinhas, entre as quais as conhecidas Andrômeda e as Nuvens de Magalhães, onde foi avistada há dois anos a supernova 1987 A. O Grupo Local parece dirigir-se para uma superconcentração de galáxias que se imagina também estar sendo atraída por um aglomerado ainda maior e mais distante.
No interior da Via Láctea, há cerca de 10 bilhões de anos, começaram a aparecer os primeiros embriões de estrelas formados pela condenação de hidrogênio. No núcleo desses embriões, reações termonucleares transformaram o hidrogênio em outros elementos químicos: primeiro, hélio e depois carbono, que, por sua vez, provocou novas reações. Quando isso ocorreu, nasceram as primeiras estrelas e uma descomunal quantidade de energia foi liberada para o espaço sob a forma de luz e outras radiações eletromagnéticas. Dependendo de sua massa, depois de alguns bilhões de anos, muitas daquelas estrelas explodiram, expelindo o seu conteúdo para as nuvens de gás. Essas nuvens gigantescas são as incubadeiras de outras estrelas da Galáxia. Chamam-se nebulosas  porque, vistas da Terra, parecem manchas esbranquiçadas, pois o seu interior é iluminado por uma infinidade de estrelas recém-nascidas.
Parte da matéria-prima que compôs o Sol e os planetas , bem como a combinação de átomos que tornou possível a vida na Terra, foi gerada no forno das primeiras gerações de estrelas da galáxia. "Somos todos feitos de pedacinhos de estrelas", ousa o astrônomo Roberto Boczko, da Universidade de São Paulo. Ele explica que o espaço entre as estrelas é povoado por um arsenal de moléculas, formadas por átomos expelidos pelas próprias estrelas. 
Depois de bilhões de anos, as moléculas se organizaram de forma cada vez mais complexa. Já foram identificadas cerca de cem moléculas diferentes, algumas simples, como carbono, oxigênio e nitrogênio, outras mais complexas, como o cianopentacetileno. "Cada tipo de molécula tem uma assinatura - uma freqüência única de rádio", atesta o astrônomo Eugênio Scalise, do Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE), que há cinco anos pesquisa a existência de moléculas de água nas proximidades de estrelas muito jovens.
Quem olha para o céu numa noite límpida e sem luar percebe a Via Láctea como uma brilhante faixa leitosa. Daí o nome: aos antigos romanos parecia um caminho de leite. Se fosse possível retratá-la de cima, a Via Láctea pareceria uma imensa espiral girando como um cata-vento em torno do núcleo. Os braços dos cata-vento indicam concentrações de matéria e são formados por estrelas e nebulosas. Esses braços são interrompidos por nuvens de poeira. O espaço em volta, embora pareça vazio, possui hidrogênio e outros gases, de forma rarefeita. O caminho de leite dos romanos é a Via Láctea como que vista de perfil. A quantidade de estrelas que ela parece abrigar depende de onde se encontra e para onde olha o observador - fora da faixa branca os espaços são pouco povoados. Na faixa, se vêem tantas estrelas que parecem formar uma única massa luminosa. 
Com diâmetro de 100 mil anos-luz, que corresponde à metade da distância da Terra à Grande Nuvem de Magalhães, a Via Láctea tem cerca de 250 bilhões de estrelas (todas as 6 mil estrelas que se avistam a olho nu da Terra estão na Via Láctea). Mas uma boa parte da massa da Galáxia não se encontra nas estrelas, no gás ou nas moléculas interestelares até agora observadas. Ela pertence a alguma coisa que os astrônomos designam por matéria escura, por enquanto invisível, que ocupa um gordo naco de espaço, provavelmente na periferia do disco galáctico. "Não podemos ver a matéria escura, mas sabemos que existe pela influência gravitacional que exerce sobre os demais componentes observáveis da Galáxia", explica Roberto Boczko. Em outras palavras, a Via Láctea não teria exatamente a forma que aparenta se não houvesse essa misteriosa matéria escura à sua volta.
"O cálculo da massa do Universo, que é um dos parâmetros usados para medir a sua evolução, deverá levar em conta a matéria escura", esclarece Boczko. "Com esse dado será possível dizer se o Universo está mesmo em expansão, com as galáxias se afastando umas das outras como pontos na superfície de um balão de borracha que se enche." Em teoria, a matéria escura pode ser qualquer coisa, de prótons a planetas. Alguns astrônomos acreditam que se trata de corpos conhecidos, como estrelas anãs pouco luminosas ou asteróides pequenos demais para serem visíveis.
Outros acham que a matéria escura é constituída de partículas subatômicas ainda desconhecidas. Seja qual for a verdade, sua eventual descoberta nesta ou em outras galáxias será com certeza um extraordinário avanço científico, comparável por exemplo à captação em 1965 da radiação de fundo remanescente do Big Bang, a explosão que deu origem à expansão do Universo. Se a Terra ficasse no núcleo da Via Láctea, as noites seriam muitíssimo mais estreladas. Enquanto a vizinha mais próxima do Sol, Alfa, da constelação de Centauro, está a 4 anos-luz de distância, o intervalo entre as estrelas do núcleo da Via Láctea é bem menor, quase igual ao dos planetas em relação ao Sol.
A distância entre a Terra e o Sol, por exemplo, é de 8 minutos-luz. Acredita-se que as estrelas do núcleo estão sendo atraídas para um ponto central, onde se supõe existir o buraco negro, revelado nas imagens captadas pelo VLA sob a orientação dos astrônomos do CalTech. Ultimamente, imagens ainda melhores do caroço da Via Láctea mostram que ali existe um aglomerado de fontes de calor. Pode ser que a massa combinada daqueles astros seja responsável pela atração exercida pelo núcleo - como se ali existisse não um, mas vários pequenos buracos negros. Para o astrônomo americano George Rieke, da Universidade do Arizona, "há evidências muito fortes de que as galáxias vizinhas, como Andrômeda, têm grandes buracos negros no centro". Mas ele adverte: "Isso não significa que a Via Láctea tenha que seguir a mesma regra". Uma das teorias correntes sobre os buracos negros afirma que eles seriam os motores que fornecem aos quasares a sua extraordinária capacidade de radiação.
As emissões dos quasares, cujo nome significa fonte de rádio quase-estelar (do inglês quasi-stellar radio source), são captadas de galáxias distantes bilhões de anos-luz da Terra. São testemunhas dos primeiros tempos do Universo, ou seja, o jardim de infância das galáxias atuais. Alguns astrônomos acreditam que à medida que os quasares se apagam as galáxias amadurecem e herdam os buracos negros em seu núcleo. Segundo o astrônomo inglês Donald Lynden-Bell, da Universidade de Cambridge, e um dos mais respeitados estudiosos da Via Láctea, "os núcleos das galáxias são os cemitérios dos  quasares que vemos brilhando na aurora do Universo".
Há menos de dez anos, os astrônomos descobriram que as nuvens de gás quente em volta do núcleo da Via Láctea formam um arco agitado por enormes raios, resultado da ação de poderosas forças magnéticas. O espetáculo deve ser impressionante: esses raios, uma espécie de relâmpagos cósmicos, se estendem às vezes por centenas de anos-luz de distância. "Ao que parece, as nuvens de gás quente devem conduzir eletricidade, fornecendo o alimento necessário a esses relâmpagos", especula um dos seus descobridores, o americano Marc Morris, da Universidade da Califórnia. Esta, porém, não é a única manifestação de atividade magnética no núcleo da Via Láctea. Astrônomos japoneses captaram as emissões de ondas gigantes de matéria rarefeita que se elevam várias centenas de anos-luz acima do plano da Galáxia e podem ser comparadas aos turbilhões de plasma que agitam a superfície solar. 
Como em tantos outros campos da ciência, o que já se aprendeu sobre a Via Láctea rivaliza com o que ainda se ignora a seu respeito. Pode ser que nos próximos anos se saiba explicar alguns grandes mistérios, como a natureza da matéria escura e a constituição do núcleo galáctico - que, em última análise, estão ligados à origem e evolução do Universo. Como reconhece o astrônomo Marc Morris, "quanto mais se aprende sobre a Via Láctea mais complicada ela fica. Mas também se pode dizer que fica mais interessante:". 

AS IRMÃS DO SOL

Quando uma nuvem de gás nos braços em espiral da Via Láctea se contrai devido à própria gravidade, começam a ocorrer as reações termonucleares que fazem nascer as estrelas. Algumas, como as supergigantes vermelhas, são milhares de vezes mais brilhantes que o Sol; outras, como as anãs brancas, emitem uma luz tão fraca que equivale a 1 milionésimo da luminosidade solar. Essa espantosa diversidade tem uma explicação simples: trata-se apenas de uma questão de massa e idade. As estrelas mais pesadas produzem mais energia, sendo portanto mais brilhantes e quentes que as de massa menor. O Sol, por outro lado, deve esgotar seu combustível em 5 bilhões de anos. Então terá o tamanho de uma gigante vermelha, para depois murchar e virar uma anã branca. Sua massa será igual à que tem hoje, comprimida, numa esfera do tamanho da Terra. 
Se a maioria da estrelas morre pacificamente de velhice, algumas, sobretudo as de maior massa, têm um final violento. Quando a estrela chega ao fim de sua fase de super-gigante vermelha as reações nucleares próximas ao núcleo ficam tão fortes que tudo explode e a matéria que compõe o astro é projetada em fragmentos no espaço: é a supernova. Nessa explosão colossal, a supernova brilha brevemente como 1 bilhão de sóis. Depois da explosão, seu núcleo se contrai até que ela se transforme numa estrela de nêutrons ou pulsar. Ao girar feito um turbilhão, a estrela de nêutrons emite radiações rigorosamente regulares, como os lampejos de um farol.
Teoricamente, o centro de uma estrela se transformará numa anã branca ou num pulsar, conforme a sua massa. Mas, caso essa massa seja excepcionalmente grande, quando a estrela se contrair nada conseguirá impedir o seu colapso; e quanto maior o núcleo, e ao mesmo tempo mais concentrado, maior será também a força gravitacional. A estrela transforma-se então num buraco negro.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Galáxias Fantasmas - Cosmo

GALÁXIAS FANTASMAS



A Via Láctea, nosso endereço galáctico, é uma parte infimamente pequena do que o homem já desvendou no Universo. Descobrimos que somos ainda menores em 1999, quando astrônomos americanos e australianos comprovaram a existência de galáxias "fantasmas". Elas são quase invisíveis, mesmo para os mais poderosos telescópios, porque produzem pouquíssima luz e possuem grande quantidade de matéria escura (leia na página ao lado).

Os astrônomos John Kormendy, da Universidade do Havaí, e Kenneth Freeman, do observatório australiano de Mount Stromlo, examinaram cerca de 40 galáxias com luminosidade bem inferior à das galáxias já catalogadas. Eles acreditam que esses conjuntos de estrelas sejam mais pesados e existam em maior número do que as galáxias luminosas, como a nossa Via Láctea. Conclusão: nós somos minoria no Universo, mas ainda não sabemos para o que estamos perdendo.

Estima-se que menos de 10% de toda a matéria no Universo seja igual à nossa, composta de prótons, nêutrons e elétrons. Os 90% restantes ainda estão sendo estudados e continuam uma incógnita para os cientistas. Desde que essas galáxias "fantasmas" foram fotografadas, os observatórios apontaram as lentes de seus telescópios para dezenas de galáxias escuras. Constataram que as menores, com um centésimo da luminosidade da Via Láctea, têm apenas 1% de sua matéria em forma de estrelas. A Via Láctea, por exemplo, uma galáxia de grande porte, tem 50% de matéria luminosa.

Uma outra equipe de astrônomos encontrou evidências que corroboram o achado de Kormendy e Freeman. Durante dez horas, o telescópio Hubble captou imagens da distante galáxia chamada NGC 5907, a 40 milhões de anos-luz da Terra. "Esperávamos observar centenas de estrelas na galáxia, mas, na verdade, vimos muito poucas", disse o pesquisador Michael Liu, da Universidade da Califórnia. A galáxia não tem suficientes estrelas visíveis para manter uma coesão gravitacional. Mas parece ter grande quantidade de estrelas-anãs de baixa luminosidade, cuja presença pôde ser detectada graças à influência gravitacional nos corpos celestes vizinhos.
Embora diversas perguntas permaneçam sem resposta, a descoberta de galáxias distantes com matéria escura abundante oferece pistas de como elas se desenvolveram nos primórdios do Universo. E certamente já mudou aquele velho conceito que você aprendeu na escola - o de que as galáxias não passam de conjuntos de bilhões de estrelas.

Um passo no escuro
Nos anos 30, o astrônomo suíço Fritz Zwicky observou o movimento de aglomerados de galáxias e constatou que há muito mais coisas no espaço do que podemos enxergar. O Universo é rico num tipo de matéria diferente daquela de que somos compostos - prótons, nêutrons e elétrons. Essa matéria foi batizada de escura porque não emite luz própria, como as estrelas. A matéria escura não é visível nem por telescópios poderosos como o Hubble, mas pode ser detectada por causa de sua massa, que atrai a matéria comum pela força da gravidade. Os astrônomos sabem que ela existe porque registram os seus efeitos sobre a matéria que brilha. Os conhecimentos sobre a matéria escura param por aí. Ninguém sabe precisar do que ela é composta.
Sete décadas depois das observações de Zwicky, alguns cientistas propuseram que talvez as leis da física não sejam aplicáveis a todo o Universo. Outros acham que essa opinião seria jogar a toalha antes de tentar buscar uma explicação. Uma polêmica que, até agora, não tem vencedores.

O impacto da descoberta
É possível que as galáxias "fantasmas" sejam dominantes no Universo, superando as luminosas, como a Via Láctea. Isso reduziria incrivelmente nossa importância no espaço. Também ajudaria a entender os primórdios do Universo