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quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Polêmica conquista científica - China clona o primeiro gato

Polêmica conquista científica - China clona o primeiro gato


A clonagem de mamíferos é uma realidade desde que os cientistas criaram a ovelha Dolly, em 1996. E, neste ano, foi dado um passo muito importante para o desenvolvimento da técnica polêmica. Isso porque o primeiro gato foi clonado com sucesso na China.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

O ano novo da Onça - Zoologia

O ANO NOVO DA ONÇA - Zoologia


O maior predador das Américas terá um feliz 1995: as 5 000 onças brasileiras ainda não estão na lista de animais em extinção. E se depender do trabalho de biólogos e ecologistas - o maior já realizado no país -, o ano que vem será ainda melhor.

quinta-feira, 14 de março de 2013

A Fera Sob a Pele de Um Gato - Natureza


A FERA SOB A PELE DE UM GATO - Natureza



Domesticado graças à sua habilidade como caçador, o gato é um dos mais independentes animais que convivem com o homem, conservando até hoje características de seus ancestrais selvagens.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Onça-pintada - A dona da América


ONÇA-PINTADA: A DONA DA AMÉRICA



Ela é o maior felino das Américas. Tem também outro troféu de dar medo: o da mordida mais poderosa entre todos os grandes gatos, incluindo o leão e o tigre. A onça-pintada é capaz de partir com seus caninos mesmo os maiores ossos, como o crânio de uma anta, ou até cascos de tartaruga. Pode abater uma enorme variedade de presas - e as abate, pois quase nenhum animal escapa à sua voracidade. Fazem parte do menu mais de 80 espécies - há quem afirme que o número chega a 150. Ela se alimenta de jacarés, queixadas, capivaras, pacas, tatus - cutias também -, macacos, catetos, veados, aves, peixes, antas e até touros e búfalos. É uma exímia nadadora, capaz de atravessar até 1 quilômetro de rio atrás de comida ou de companheiros para reprodução, e consegue subir com destreza em árvores. Mas, devido ao porte encorpado e às pernas relativamente curtas, não é uma boa corredora - e prefere a emboscada.

"A onça-pintada é evolutivamente adaptada para encontrar, atacar, matar e se alimentar de sua presa de forma extremamente eficiente", afirma Fernando Azevedo, biólogo da Associação Pró-Carnívoros. "Para isso, ela precisa ter três sentidos bastante aguçados: a visão, a audição e o olfato. Em conjunto, são os responsáveis por seu sucesso em procurar e achar uma potencial presa." Apesar disso, o índice de bom êxito de uma caçada não passa de 10%.

Também conhecida como jaguar - nome de origem tupi mais popular no exterior do que aqui -, a onça costuma estar mais ativa à tarde ou à noite, o que dificulta o trabalho dos pesquisadores em observá-la caçando. "Sua atividade diária é solitária. As únicas fases de sua vida que são compartilhadas com outras onças são o período de acasalamento e a fase em que a mãe cria os filhotes", diz Fernando.

Os bebês ficam com as mães até completarem aproximadamente 2 anos. Durante esse período, a maior lição que aprendem é como caçar de forma eficiente. O aprendizado inicia já bem cedo - com 3 ou 4 meses de idade, as oncinhas acompanham a mãe durante as caçadas. No começo ficam só olhando, para depois começarem a ajudar de verdade. "Os felinos, em geral, têm infância bem maior que os outros animais", afirma Carlos C. Alberts, especialista em felinos da Unesp de Assis. "É durante esse período que eles aprendem as técnicas básicas de predação: escolher a presa, pegá-la, matá-la e prepará-la para ser consumida. A preparação é necessária porque as onças não comem pêlos nem penas. Se o filhote não for criado com a mãe, não saberá caçar." Quase adultos, a mãe os força a procurar o próprio território e achar o jantar sozinhos.

Peter Crawshaw, analista ambiental do Ibama e especialista em onças, teve duas oportunidades de assistir a uma mãe ensinando seus filhotes a caçar. "Em uma das vezes, eles haviam matado três queixadas, cujas carcaças estavam uma ao lado da outra", diz. Na outra, viu um filhotão de quase 1 ano correndo ao lado de um touro, acompanhado da mãe e de outro filhote. "Acredito que ela estava ensinando os filhotes o que não caçar, porque um touro é um animal perigoso", afirma.

Há dois tipos de predadores na natureza: os especialistas e os oportunistas. Os primeiros são aqueles que, como o nome diz, se especializam em determinado tipo de caça - caso dos guepardos, que perseguem quase exclusivamente duas espécies de gazela africana. Já o predador oportunista aproveita toda ocasião que surja para capturar qualquer animal que possa subjugar. "A pintada é um pouco dos dois tipos", afirma Crawshaw. "É oportunista por se alimentar de uma gama variada de presas, de tatus e primatas a sucuris e lagartos. E pode ser considerada especialista porque criou técnicas especiais para caçar determinados animais." No Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná, por exemplo, as pintadas predavam mais queixadas do que seria esperado, em relação à densidade do animal no parque. "Isso indica uma preferência por essa espécie."

As onças passam a maior parte da vida em busca de comida. Ingerir entre 5% e 10% de seu peso é uma batalha diária - ou quase, porque, quando comem presas muito grandes, elas podem ficar alguns dias sem se alimentar. "Boa parte do tempo de uma onça é gasto no deslocamento dentro de seu território, no intuito de demarcá-lo, achar comida ou parceiros para reprodução", diz Fernando Azevedo. O território do macho normalmente é maior e tem pontos em comum com o de várias fêmeas - ele pode chegar a 200 quilômetros quadrados.

É dentro de sua área que a onça caça, se alimenta, se acasala. E a defende com unhas e dentes. Literalmente. "Por serem animais de uma constituição física muito forte, as onças evitam o contato físico com outras onças no caso de defesa do território. Uma briga entre elas pode acarretar danos físicos muito graves ou até mesmo a morte", diz Fernando. Isso porque os músculos da mandíbula do animal são muito desenvolvidos e ela tem uma mordida de potência bastante grande - mais ainda que a do tigre ou do leão.

Por causa da força na mandíbula, a onça costuma matar suas presas quebrando o pescoço delas. "Ela insere os caninos, que podem ter até 5 centímetros, entre a primeira e a segunda vértebra da presa. Assim, rompe sua medula espinhal. A morte é instantânea", diz Peter Crawshaw. Em outras ocasiões, ela morde o crânio da presa para matá-la. A forma como a onça agarra as vítimas varia bastante - pode ser pelo focinho, pelas costas, pela garganta ou pela cabeça. Em presas maiores, morde na garganta e mata por asfixia ou golpeia de forma que elas caiam no chão com o peso do corpo sobre o pescoço, quebrando-o.
Normalmente, a onça só come o animal que abateu. Não é comum ela se alimentar de bichos que morreram de causas naturais. "A pintada não precisa se preocupar em defender a carcaça de sua presa, porque não há nenhum outro competidor com ela em seu hábitat", diz Carlos C. Alberts. Vem daí a famosa expressão popular que diz respeito a seu hálito. O felino nem sempre tem um bafo de onça, mas, quando caça animais grandes, pode se alimentar da carcaça por dias. Acontece que a carne em florestas tropicais apodrece logo por causa da umidade. Assim, não tem quem agüente o odor exalado pela boca do felino. Nem quem é amigo da onça.


Dopada, mas não morta


Nem mesmo sedada uma onça perde seu instinto. Em julho de 1991, o biólogo Peter Crawshaw capturou e anestesiou uma onça-pintada no Parque do Iguaçu (PR), para colocar um rádio-transmissor. O processo foi acompanhado por um casal de turistas estrangeiros, que passeava pelo local. No final da tarde, a onça já se recuperava - mas ainda estava tonta - quando o casal resolveu tirar uma foto. O felino se assustou com o flash e arrancou na direção da mulher. Peter, num impulso, se colocou entre as duas. "Felizmente, as pessoas tiveram a presença de espírito de entrarem nos veículos", diz ele - que, depois de momentos angustiantes, fez o mesmo. Por sorte, o biólogo acabou apenas com ferimentos leves. Culpa da imprudência humana.


Fatos selvagens




Nome vulgar

Onça-pintada



Nome científico

Panthera onca



Dimensões

Até 2,60 metros do focinho à ponta da cauda



Peso

Até 160 quilos



Principais armas

A poderosa audição e caninos de até 5 centímetros



Comportamento social

É solitária, exceto na época de reprodução, e tem hábitos noturnos



Ataques a humanos

São raríssimos (o último registrado foi em 2004, na Argentina)



Quanto come

Até 16 quilos por dia



Expectativa de vida

Na natureza, 15 anos



Dieta

Queixadas, capivaras, tartarugas



Principais inimigos

Jacarés e cobras



Se você encontrar uma
Não corra. Olhe-a nos olhos para ela perceber que você a viu - a onça ataca de surpresa


Para saber mais




Na internet
www.savethejaguar.com - Site da Wildlife Conservation Society com informações sobre onças e um link para "adotar" financeiramente animais


Leopardo - Campeão de Resistência


LEOPARDO: CAMPEÃO DE RESISTÊNCIA



O leopardo é um mestre da sobrevivência. Entre os grandes felinos, é o único que não sente na pele pintada a ameaça imediata de extinção. Ele resiste graças à versatilidade e ao senso de oportunidade. E, é claro, à excelência na caça. Que ele prefere praticar na escuridão. Basta o sol dar uma trégua na savana ou na floresta para os olhos do leopardo ficarem alerta. Escondido na vegetação, ele caminha silenciosamente pelo breu da noite. Seus passos são pensados - o felino coloca suas patas traseiras exatamente no mesmo lugar das dianteiras, para minimizar qualquer ruído na hora do ataque.

Em meio a uma brisa refrescante, ele avista o cenário perfeito: um grupo de gazelas que descansa próximo a uma árvore, e que não faz a menor idéia do que está por vir. De repente, o leopardo desfere seu ataque fulminante. Em questão de segundos, ele salta para cima do grupo de mamíferos - o pulo do leopardo pode ter até 15 metros de distância. Ligeiras, as gazelas partem em disparada mata adentro, tentando se desvencilhar do predador. Mas o leopardo raramente volta com as mãos abanando. Com uma forte patada, consegue desequilibrar uma das gazelas e a sufoca rapidamente com uma mordida no pescoço. Menor e mais fraca, ela não demora a morrer e virar um banquete perfeito.

Notívago, o leopardo (ou pantera) age quando as vítimas estão mais vulneráveis à sua visão noturna, uma de suas principais características predatórias. A visão do animal é seis vezes mais definida do que a dos humanos e, por isso, ele é capaz de perceber sua presa a 20 metros de distância mesmo no breu total e preparar seu ataque com maior precisão. Além disso, como todos os outros felinos, o leopardo também lança mão de seus aguçados faro e audição.

"Os sentidos dos felinos têm um papel muito importante na hora da caça. É como um pacote: já vêm com a função adaptada para atacar suas presas", afirma o pesquisador Alan Shoemaker, do grupo de especialistas em felinos da União Mundial para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês). "Mas o leopardo, por ser o mais boêmio da turma, desenvolveu melhor sua visão, seu faro e sua audição. À beira de um rio, à noite, por exemplo, ele pode facilmente pegar um peixe em uma fração de segundos."

Embora seus hábitos sejam noturnos, é bom lembrar que o leopardo não passa os dias descansando. Esparramado em sua toca nas alturas das árvores, ele continua à espreita. Se percebe a aproximação de uma vítima, o felino pode arrematar seu almoço mesmo estando a mais de 5 metros de altura. Sua mira? Sempre a jugular de seu alvo.

A habilidade de caça do leopardo é surpreendente e ele pode fazer vítimas até três vezes maiores que seu peso. Que o digam os gnus - antílopes com cabeça e chifres semelhantes aos do búfalo -, que, todos os anos, são atacados pelos felinos em sua migração da Tanzânia para a fronteira do Quênia em busca de pastagens verdejantes. Mesmo não sendo um animal de grandes dimensões, comparado a felinos como o tigre e o leão, o leopardo tem a seu favor força, mobilidade e agilidade. Ele pode chegar a 2 metros de comprimento, mas seu corpo leve e compacto, guiado por uma pequena cabeça e um longo rabo que serve como leme, lhe permite alcançar altas velocidades em sua busca pela presa - chega a 56 quilômetros por hora em poucos segundos. Além disso, a perfeição de seu design garante uma grande habilidade com suas patas, que funcionam como os braços humanos: ele abraça sua vítima, que não consegue soltar-se por causa das unhas longas e afiadas.

Depois da mordida na garganta da presa, o leopardo trata de carregar rapidinho seu abate para casa - galhos altos de árvores, onde passa a maior parte de seu tempo. Essa é mais uma estratégia do territorial e zeloso leopardo na África para não correr o risco de perder sua refeição para outros animais. A habilidade requer força e destreza. Impulsionado pelas afiadas garras dianteiras, ele consegue escalar uma acácia de mais de 5,5 metros para esconder seu alimento de hienas e leões, por exemplo.

E, quando o assunto é comer, nada de frescura. A presa que ele guardou nos galhos da árvore pode ficar dias por lá e até começar a apodrecer que ele não se importará de comê-la mais tarde, quando tiver fome. Seu cardápio é bastante variado - ele aprecia de tudo um pouco: desde pequenos antílopes até babuínos e cachorros. "Outra característica importante do leopardo é seu senso de território. Ele sabe como ninguém defendê-lo e por isso é um bravo sobrevivente da selva", diz Alan Shoemaker.

O poderoso instinto de sobrevivência faz com que o leopardo seja, disparado, a maior população de felinos do continente africano. São cerca de 600 mil a 900 mil em toda África. E populações que podem chegar a 100 mil no total na Ásia - é o felino com maior distribuição geográfica do planeta. "Ele é um animal de fácil adaptação, talvez o mais versátil de todos os felinos. Mesmo com a caça à sua pele - febre nos 60, quando Jacqueline Kennedy lançou moda com seus casacos de leopardo -, a espécie esteve poucas vezes perto da extinção", afirma Alan.
O leopardo é um dos felinos que melhor convive com os humanos, embora possa haver graves problemas (leia quadro na pág. 35). Em subúrbios de Nairóbi, no Quênia, os moradores já se acostumaram à presença noturna dos leopardos, que perambulam pelos terrenos baldios à procura de comida. Mesmo assim, eles não abusam da boa vontade do felino e mantêm uma distância segura. Afinal, todo cuidado é pouco com um predador como esse.


Leopardos urbanos


A magalópole Mumbai, capital indiana de produção de filmes, cresce tanto que avança na direção do parque nacional Sanjay Gandhi, onde vivem leopardos selvagens. E os leopardos avançam para a cidade. Inclusive para os estúdios da chamada Bollywood. No ano passado, foram 30 ataques nos bairros vizinhos ao parque, com 19 mortes. Para 2005, a estimativa é que o número de ataques aumente. Uma possível razão para a invasão dos felinos é a escassez de presas nos limites do parque, devido à superpopulação de leopardos. Eles saem de lá para comer animais como cachorros - mas não poupam crianças ou idosos.


Fatos selvagens




Nome vulgar

Leopardo ou pantera



Nome científico

Panthera pardus



Dimensões

Até 2,90 metros



Peso

Até 80 kg



Principais armas

Mordida e patas



Comportamento social

Solitário



Ataques a humanos

Em ambiente selvagem, são muito raros



Quanto come

Até 3,2 quilos por dia



Expectativa de vida

Até 15 anos na selva; 20 anos em cativeiro



Dieta

Impalas, antílopes, macacos, babuínos, gnus



Principais inimigos

Leões e tigres



Se você encontrar um
Se não chegar perto demais, dificilmente será atacado


Para saber mais




Na livraria

Big Cat Siary: Leopard - Jonathan Scott e Angela Scott, Collins, Inglaterra, 2003



Na internet
http://lynx.uio.no/lynx/catfolk/ssaprd01.htm - Página da União Mundial para a Conservação da Natureza com informações sobre leopardos