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sábado, 27 de novembro de 2021

Tzilacatzin, o guerreiro selvagem que conseguiu afugentar os conquistadores Espanhóis

Tzilacatzin, o guerreiro selvagem que conseguiu afugentar os conquistadores Espanhóis

Lendário herói aterrorizou os inimigos europeus com sua coragem, fúria e destreza com as armas.

domingo, 12 de julho de 2020

Nova extinção em massa da vida selvagem está acontecendo em tempo recorde

Nova extinção em massa da vida selvagem está acontecendo em tempo recorde


Há cinco anos, um estudo liderado pelo biólogo Paul Ehrlich, da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, indicava que a sexta extinção em massa da vida selvagem mundial já estava em andamento. 

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Crânio de garota indica prática de canibalismo


Crânio de garota indica prática de canibalismo entre ingleses nos EUA

O crânio e a reconstrução facial de Jane, garota de 14 anos que teria sido vítima de canibalismo nos EUA no século 17 (Foto: Carolyn Kaster/AP Photo)

Segundo arqueólogos, adolescente teria sido canibalizada no século 17.
Primeiros colonizadores viveram período de escassez e fome.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

As quatro estaçoes dos Ursos - Natureza


AS QUATRO ESTAÇÕES DOS URSOS - Natureza



São mesmo uns bichos curiosos: na primavera, cuidam da boa forma; no verão, são namorados fiéis; no outono, se empanturram; e no inverno dormem, mas não hibernam .

Despertada pelo sol da primavera, após mais de três meses de sono, a fêmea pela primeira vez olha a cria com atenção. O urso, um dos mais bizarros animais da face da Terra, nasce assim de uma mãe sonolenta, cujo corpo lhe serve de felpudo cobertor no início da vida, quando apenas dorme e mama. Os bichos adultos nem sequer sentem necessidade de se alimentar enquanto dura o frio e a família não sai da toca por nada. Isso porque, no inverno, o metabolismo dos ursos faz maravilhas, reciclando as substâncias do organismo, sem perder muita coisa. Mas um urso pode de repente ficar completamente alerta por causa de um ruído e até lutar com quem o despertou.
Daí seu comportamento nos meses frios ser considerado uma falsa hibernação, o que o torna um animal ainda mais peculiar. O urso não entra para o seleto clube dos hibernantes, do qual fazem parte o esquilo e o morcego, por razões que só os fisiologistas compreendem bem. Apesar de poupar energia refugiando-se em um longo sono, sua temperatura, por exemplo, não cai suficientemente para se falar em hibernação - um estado em que o organismo está fisiologicamente à beira da morte. Assim, enquanto um esquilo quase se congela ao hibernar, os termômetros marcam apenas 9 graus abaixo do normal no corpo de um urso adormecido.
Esse  singular metabolismo  chega a interessar cientistas que imaginam descobrir aí novas terapias para doenças humanas. É verdade que nem todo urso dorme dessa maneira. O urso-polar não imita a hibernação como seus primos de outras latitudes, pois, além de estar acostumado ao clima invariavelmente gelado dos pólos, tampouco tem problemas de abastecimento : seu prato predileto, a foca, está ao alcance das patas o ano inteiro. De fato, há ursos e ursos, cada qual com suas manias. Ocorre que a família dos ursídeos, os últimos carnívoros que surgiram na evolução das espécies, há cerca de 6 milhões de anos, se espalhou da Eurásia para todo o globo, com exceção do continente africano.
Conforme o ambiente em que se desenvolveu, o bicho adotou hábitos apropriados e até se transformou morfologicamente, o que deu origem a várias espécies. Muitos outros animais, por serem fisicamente parecidos, são confundidos com membros da família. É o caso, principalmente, do panda, que não é ursídeo mas ailuropódeo. Certamente, o pai de toda a legítima família é o Ursus spelaeus, o extinto urso das cavernas, um feroz parente dos cães. Ao se adaptar a determinados ambientes escassos em caça, porém, certos ursos perderam os caninos afiados do ancestral. Hoje se considera que os ursos são capazes de devorar um variado cardápio: de castanhas a raízes e frutas, de peixes a pequenos roedores, de mel a insetos.
Embora cada espécie tenha suas preferências, com fome qualquer urso traça o que vier. Ou seja, é um animal carnívoro, como dizem os biólogos. No entanto, é bom que se esclareça os ursos parecem não apreciar a carne humana e só atacam o homem com patadas fatais quando se sentem ameaçados. No outono, eles se tornam verdadeiros glutões e passam vinte horas por dia mastigando o que encontram pela frente. Cada adulto começa a consumir cerca de 20 mil calorias diárias, cinco vezes mais do que o habitual. "A gula, no caso, é uma excelente tática de sobrevivência", justifica o zoólogo Rogério Ribeiro da Universidade de São Paulo, que estuda ursos entre tantos outros bichos.
No final da estação, o urso já formou uma camada de gordura de aproximadamente 15 centímetros. "O tecido gorduroso não serve apenas como reserva de energia para o período em que o animal dormirá", explica Ribeiro, "mas também é um isolante térmico, o segredo da manutenção de calor no corpo". Obeso após tanta comilança, o urso procura um lugar para a temporada de inverno, que nem sempre é a tradicional toca. Os zoólogos observam que parece existir um gosto individual, de forma que alguns ursos insistem em determinada escolha ano após ano, mesmo sem ser a ideal.
Desse modo, é comum um urso-pardo, na América do Norte, perambular até encontrar um canto qualquer que lhe agrade e construir ali uma espécie de ninho a céu aberto. O animal às vezes termina coberto por um lençol branco de neve, mas isso não incomoda o extravagante dorminhoco. Quando os ursos despertam com o calor da primavera, a primeira providência é recuperar a boa forma para um namoro de verão, a época do acasalamento. Na  família dos ursídeos , seja qual for a espécie, os machos têm fama de amantes fiéis, capazes eventualmente de perseguir, com a ajuda do faro apuradíssimo, a fêmea com que se acasalaram em anos anteriores. Para conferir até onde ia, literalmente, o romantismo da fera, pesquisadores espanhóis vestiram um exemplar de urso-pardo com uma coleira dotada de emissores de radar, para acompanhar seus passos. Salsero (intrometido), como foi apelidado o bicho, começou a seguir a fêmea por quem se sentiu atraído.
Esta, por charme ou impulso da natureza, correu mais de 100 quilômetros até se deixar alcançar. A história de amor teria tido logo um final feliz se não aparecesse um rival. A briga de machos por uma fêmea, no caso dos ursos, lembra cenas de filmes pastelão. Os rivais passam rasteiras, batem as palmas das patas feito inimigos desajeitados. A real intenção dos contendores não é machucar o outro, mas vencê-lo pelo cansaço. Como ganhador da luta, Salsero recebeu de prêmio os carinhos da fêmea. Mas, para surpresa dos pesquisadores, o vencido não saiu de cena. Afastado, aguardou pacientemente o dia seguinte, sabendo que teria direito às mesmas atenções, só que depois de um campeão. Pois, para as fêmeas dos ursos, as paixões parecem eternas apenas enquanto duram.
Os filhotes, normalmente um ou dois, nascem após sete meses, já em pleno inverno. Mesmo em espécies como o urso-pardo, em que o adulto chega a pesar mais de 200 quilos, as crias são pequenas e frágeis, não ultrapassando 400 gramas na balança - daí o encanto que esses bichinhos provocam. A mãe, uma exímia professora, passa dois anos e meio ensinando os filhotes a buscar comida e a se defender. O treinamento inclui várias técnicas de caça e pesca. O estilo do acasalamento e a persistência da mãe são traços comuns a todos os ursos, como também o gosto por amplos territórios. O urso-pardo, por exemplo, se irrita quando tem companhia em seu pedaço - um espaço de 200 metros quadrados.
As espécies, porém, evoluíram com temperamentos muito diferentes. Talvez em resposta a tais diferenças, os sentimentos do homem em relação a esses animais gorduchos também variam conforme o lugar. Na América do Norte, por exemplo, a relação entre ursos e homens sempre foi das mais amistosas. Os índios americanos venderam o urso como um animal sagrado, o qual, aliás, aparece desenhado em totens e amuletos. Uma lenda indígena conta que certa vez um castor, cansado de roer os cedros dos bosques, começou a devorar a lua, até a noite ficar em completa escuridão. A grande Mãe pediu então a um corvo para capturar outra lua, colocada sobre a sua casa. A partir daí o urso ficou incumbido de cuidar que ninguém roube a lua da noite. Certas tribos americanas também acreditam que os homens são descendentes dos ursos. Os europeus, por sua vez, preferem tradicionalmente o urso na mira de uma espingarda. Os antigos romanos o descrevem como uma fera, que matava ou quebrava os braços dos soldados.
Na Suíça, uma lenda atribui a fundação da cidade de Berna - depois de Zurique a segunda mais populosa do país -, em 1191, a um duque alemão que decidiu dar-lhe o nome do primeiro animal que matou na região: um urso, é claro, ou bär, em sua língua. É também o famoso símbolo de Berlim. A primeira descrição completa do mamífero, porém, surgiu em um livro de caça escrito em meados do século XIV a pedido do rei Afonso XI, de Castilha e León. Emblema de força e resistência, o urso aparece em muitos brasões europeus. Isso não impediu que até recentemente os espanhóis incluíssem ursos nas touradas - prática afinal proibida em 1973. É possível que o costume tenha sido herdado da França, pois os parisienses, até o século passado, apostavam em brigas de ursos e cachorros. O pretexto para tudo isso era a crença de que o urso-pardo, a única espécie européia fora do círculo polar, é sempre um bicho feroz.
Na verdade, o urso-pardo ou Ursus arctos, com seus 2 metros de altura, agride homens apenas quando provocado. Suas duas centenas de quilos são mantidas habitualmente com uma singela dieta à base de morangos, amoras, groselhas, raízes e, claro, mel. No entanto, em épocas menos fartas, esse animal de pelugem que varia do preto ao marrom-escuro e acobreado não hesita em atacar criações de gado. Até a Idade Média, podia ser visto em todo o território europeu. Hoje, as populações de ursos-pardos se concentram nas áreas selvagens de montanhas, sobretudo na União Soviética - quem não se lembra do ursinho Micha, mascote das Olimpíadas de Moscou em 1980? 
Já na América do Norte existem três espécies de ursos, das quais a dos grizzly ou Ursus horribilis tem mais de oitenta subespécies catalogadas. Com seus 3 metros de altura e quase 800 quilos, o acizentado grizzly é sem dúvida o maior carnívoro terrestre. Bem mais forte do que um leão ou um tigre, um grizzly esfomeado ataca pequenos roedores ou resolve pescar salmões. Isso mesmo: essa é uma espécie de exímios pescadores que, sobre pedras nas corredeiras, tiram os peixes da água com ágeis patadas.
O célebre urso-polar branco ou Tharlarctos maritimus habita todo o círculo polar ártico, sobre blocos flutuantes de gelo. "É incrível como se adaptou a um meio tão hostil, tornando-se diferente do resto da família", comenta o zoólogo Rogério Ribeiro, da Universidade de São Paulo. De fato, o urso-polar se transformou tanto, mas tanto, que mal pode ser considerado um animal terrestre, pois passa mais de dois terços da vida dentro das águas geladas. As patas e o peito são mais largos que os de seus primos de terra firme, o que lhe facilita a natação. "Além disso", nota o zoólogo, "é o único urso cujas plantas das patas são peludas; com isso, desliza sobre o gelo como se calçasse esquis."
Na Ásia, a família também passou por modificações morfológicas importantes. Ali, os ursos-preguiças, por exemplo, também chamados Ursus ursinus, têm um beiço semelhante ao do tamanduá para abocanhar alimentos que, na Índia, onde vivem, podem encontrar com facilidade: formigas e cupins. Suas garras também são mais afiadas e compridas pelo mesmo bom motivo, pois dessa maneira os preguiças conseguem cavar a terra. O nome preguiça desse urso de pêlo curto e crespo surgiu por causa de seu modo na infância: o filhote se agarra aos ombros da mãe e dali só sai quando, com cerca de 6 meses de idade e 10 quilos, é expulso do colo pela exausta genitora.
O mais curioso dos ursos, cujos hábitos os cientistas conhecem muito pouco e cuja população nem é estimada, é o urso-de-óculos ou Tremarctos ornatus. Trata-se do único membro da família ursídea que vive na América do Sul, nos bosques que contornam a cordilheira andina e nas montanhas com mais de mil metros de altitude na região noroeste da floresta amazônica, onde o Brasil faz fronteira com o Peru. O nome desse bicho essencialmente herbívoro é devido às manchas brancas nos olhos, que causam a impressão de que está de óculos.
Desde 1973, um  acordo internacional proíbe a caça aos ursos; só podem ser abatidos em legítima defesa. A medida faz sentido. Afinal, não existem mais de 10 mil ursos-pardos na Europa. O número pode não parecer alarmante, mas é. Pois esses animais, que vivem até 30 anos, começam a se reproduzir tarde. As fêmeas geram no máximo um par de filhotes e só então se acasalam novamente. Se não houver cuidado, o urso pode engrossar a já extensa lista de animais em extinção.

Imitando o sono dos ursos

Para sobreviver, um organismo quebra moléculas. O que sobra dessa operação é a uréia, uma substância que, ao se acumular no sangue, leva à morte. Mas, durante o inverno, os ursos produzem tão pouca uréia que os rins nem têm de filtrá-la como de costume. Cientistas americanos querem saber como eles conseguem a proeza. Parece que um dos segredos dos animais é obter energia exclusivamente da gordura acumulada no corpo roliço, graças à mesma substância que os faz dormir no inverno. Queimada a gordura, sobram apenas água e gás carbônico, ou seja, nenhuma uréia. 
Para imitar os ursos, setenta pacientes de insuficiência renal seguiram uma dieta à base de gordura e assim dispensaram por dez dias a hemodiálise - filtração artificial do sangue que costuma ser aplicada três vezes por semana. Agora os pesquisadores querem isolar o hormônio do sono dos ursos, capaz de fazer o organismo transformar todo alimento em gordura e daí obter energia, o que reduz a produção de uréia. Com isso poderá surgir um remédio para seres humanos, os quais, dispensando o trabalho dos rins, como os ursos durante o sono, conseguirão aguardar por mais tempo o inevitável transplante.

Parecem, mas não são

Afinal, o que faz de um urso um urso? Segundo o zoólogo Ladislaw Deutsch, de São Paulo, o essencial é um pré-molar pontiagudo pronto para dilacerar em vez de mastigar, o que faz dos ursos típicos carnívoros, como cães e felinos. Alguns animais, por exemplo certas focas, não têm nem essa outra característica dos ursos e, no entanto, recebem o seu nome. Mas há casos, como o do panda, em que até a presença de pré-molares engana. 
A ficha dos falsos ursos:
Urso-panda - É tão parecido com um urso de verdade que, durante muito tempo, os próprios zoólogos o consideravam da mesma família. Estudos minuciosos provaram porém que, embora também seja carnívoro, não tem ancestrais com os ursos.

Urso-gato - Bem menor que o panda, pertence na verdade à mesma família ailuropódeo.

Urso-lavador - Também conhecido como mapache, pertence à família dos procionídeos, que talvez tenham sido aparentados com os ursos no início da evolução.

Ursos-marinhos - Por esse nome são chamadas oito espécies de focas que têm uma pelugem nas costas. Essa característica teria criado a confusão com os ursos.

Retrato de família
As principais espécies    

Nome popular : grizzly    
Nome científico: Ursus horribilis    
Aparência: o pêlo varia do acinzentado ao marrom; 
é feroz quando provocado    
Quanto mede:2,5 a 3 metros    
cerca de 780 quilos    
O que come: mel, insetos, roedores e frutas    
Onde vive: em toda a América do Norte, especialmente na fronteira do Canadá e Estados Unidos    
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Nome popular: polar     
Nome científico: Tharlarctos maritimus    
Aparência: o pêlo branco ou muito claro chega a cobrir as plantas das patas    
Quanto mede: cerca de 1,5 metro     
Quanto pesa: cerca de 400 quilos    
O que come: peixes e focas
Onde vive: sobre blocos flutuantes de gelo, em todo o círculo polar ártico    
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Nome popular: preto
Nome científico: Enarctos americanus    
Aparência: pêlo negro, corpo roliço, é o mais brincalhão de todos    
Quanto mede: cerca de 1,5 metro     
Quanto pesa: de 250 a 300 quilos    
O que come: raízes, mel e frutas    
Onde vive: na América do Norte, dos bosques californianos ao estreito de Bering    
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Nome popular: tibetano    
Nome científico: Selenarctos thibetanus    
Aparência: apresenta um mancha branca em forma de meia-lua; por isso é conhecido também como urso-de-lua    
Quanto mede: 1,2 a 1,5 metro    
Quanto pesa: de 100 a 125 quilos    
O que come: prefere pequenos roedores, mas costuma atacar gado e comer carniça    
Onde vive: na Ásia, do Irã às ilhas setentrionais do Japão, sempre em regiões altas.    
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Nome popular: preguiça    
Nome científico: Ursus ursinus    
Aparência: o focinho é mais comprido que o de outras espécies, daí também ser chamado de urso-beiçudo    
Quanto mede: de 1,5 a 1,8 metro     
Quanto pesa: cerca de 150 quilos    
O que come: predileção por formigas e cupins    
Onde vive: na Índia e no Sri Lanka    
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Nome popular: malaio    
Nome científico: Helarctos malayanus    
Aparência: pêlo escuro com uma mancha dourada no peito, devido à qual é chamado urso-sol;
é o menor de todos     no Quanto mede: máximo 1 metro    
Quanto pesa: cerca de 45 quilos    
O que come: mel e pequenos roedores    
Onde vive: no Sudeste da Ásia e na Oceania    
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Nome popular: urso-de-óculos    
Nome científico: Tremarchos ornatus    
Aparência: preto, com manchas brancas nos olhos    
Quanto mede: de 1 a 1,5 metro    
Quanto pesa: cerca de 140 quilos    
O que come: raízes e folhas, especialmente as de palmeira    
Onde vive: nas selvas que contornam a cordilheira dos Andes e na região noroeste da floresta amazônica    

Nome popular: pardo    
Nome científico: Ursus arctos    
Aparência: o pêlo varia do marrom ao acobreado    
Quanto mede: 2 metros    
Quanto pesa: cerca de 200 quilos     
O que come: frutas, mel, insetos e roedores    
Onde vive: nas montanhas européias    


quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Corrida no fim do mundo

CORRIDA NO FIM DO MUNDO



Todos os anos, durante seis dias, dezenas de homens e cachorros enfrentam as paisagens glaciais da Noruega, na corrida de trenó mais longa da Europa. Nosso repórter percorreu os 1 000 km do trajeto, que se estende pelo extremo norte do planeta



Largada

A corrida, que tem o singelo nome de Finnmarkslopet, começa na pequena cidade de Alta - 2 mil km ao norte de Oslo, capital norueguesa, e a apenas 1 800 km do Pólo Norte - e transcorre dentro dos limites do Círculo Polar Ártico



Cenário ártico

As jornadas diárias superam 18 horas. O time, formado por um musher (o piloto do trenó) e 14 cachorros, percorre até 200 km por dia sob temperaturas baixíssimas, ventos cortantes e nevascas



Ida e volta

Vilarejos noruegueses funcionam como checkpoints, onde veterinários avaliam as condições físicas dos cães e mushers descansam ou pernoitam. A prova vai até Kirkenes, na fronteira com a Rússia, e retorna a Alta



Questão de honra

Cães machucados não podem prosseguir na prova. E, uma vez retirado, o cão não pode ser substituído. O trenó segue desfalcado, o que quase sempre representa a derrota do piloto



Parada à vista
Um dos maiores desafios da prova é se orientar na brancura desoladora da paisagem. Os bastões vermelhos espetados na neve são um alívio para competidores. Indicam a proximidade de um ponto de descanso e, portanto, o momento de comer e dormir antes de encararem a etapa seguinte

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Tigre de Bengala - O Caçador Invisível


TIGRE-DE-BENGALA: O CAÇADOR INVISÍVEL



Parque Nacional Ranthambhore, Índia, 2001. O jornalista Colin Stafford Johnson filmava um tigre-de-bengala de 5 anos, que ele chamava de Chips, para um documentário da emissora inglesa BBC. O felino estava atrás do jipe da equipe e percebeu a aproximação de um chital, espécie de cervo asiático, um pouco mais à frente. O cervo saltou para a estrada e avançou para um ponto em que havia precipícios de ambos os lados. Chips não titubeou: disparou atrás do chital. Uns 270 metros adiante, o tigre o pegou, o matou e desabou de exaustão, permanecendo sentado com uma pata sobre a presa. O banquete só começou depois de o felino se recuperar do enorme esforço físico.

A cena foi rara. Tigres não são como guepardos, que perseguem a presa em grande velocidade. E geralmente a vítima tem agilidade suficiente para virar de um lado para outro e safar-se do predador. O caso presenciado pela equipe da BBC foi uma exceção porque o cervo podia correr somente para uma direção. E o tigre só foi atrás dele porque estava convencido de que conseguiria pegá-lo. Senão, tenha certeza: não teria feito tamanho esforço.

Caçadas espetaculares não são a prioridade dos tigres. Na verdade, eles são bem objetivos: querem encontrar a maior presa possível e jantar sem fazer muito esforço. Ocorre que é muito difícil encontrar uma vítima fácil. As presas também têm mecanismos eficazes de se livrar do predador. Macacos sobem em árvores, o que o felino não consegue fazer. Aves podem voar e os ungulados (animais com casco), o prato predileto dos tigres, são extremamente alertas. Além disso, o tigre caça sozinho. Por essas e outras, apenas cerca de 10% das caçadas são bem-sucedidas. "As frustrações são uma parte normal do trabalho semanal do tigre", afirma o pesquisador Stephen Mills, autor do livro Tiger ("Tigre", inédito no Brasil).

Ainda assim, o tigre é uma máquina de caça eficiente. Esse felino tem força e rapidez suficientes para perseguir e matar, em curta distância, quase todos os animais de seu hábitat. E o seu instinto matador garante, ainda que precariamente, a sobrevivência da espécie (todas as cinco subespécies de tigre estão ameaçadas e três já foram extintas no século passado, quando a população total dos felinos ultrapassava os 100 mil indivíduos - hoje, os tigres-de-bengala, variedade mais numerosa, não chegam aos 5 mil indivíduos).

Uma qualidade do tigre faz a diferença: a habilidade de aproximar-se silenciosamente da presa. A camuflagem exerce aqui um papel importantíssimo. As listras verticais se confundem com o ambiente e quase desaparecem por trás das folhas da vegetação. "Mesmo que seja um animal gigante, um tigre em movimento no meio da floresta pode ser praticamente impossível de ser visto", diz Stephen Mills. Aliada a ela, o modo de caminhar do animal e as patas, arredondadas e fofas embaixo, contribuem para que a vítima não perceba sua aproximação.

Nas caçadas do tigre, o fator surpresa é essencial. Quase sempre o felino desiste da caça se ela notar sua presença. Isso levou as vítimas em potencial a criar sistemas de alarme sonoro para avisar ao tigre que ele foi desmascarado - mais que para alertar os outros animais da floresta. É uma barulheira só: o pavão grita, os primatas soltam um tipo de tosse seca e o chital emite um som que lembra um choro. "O tigre é o maior predador de seu hábitat. Por isso todos os outros animais desenvolveram essa vocalização, mesmo os que não são presas habituais, como os macacos, esquilos e pássaros", afirma Belinda Wright, diretora-executiva da Sociedade de Proteção da Vida Selvagem da Índia.

Atacar na surdina permite ao tigre-de-bengala abater animais muito mais velozes e maiores que ele, como o gauro, um bisão da Índia. A emboscada é simples. Ao perceber a presença da presa com os poderosos ouvidos e olhos (que enxergam seis vezes mais que os olhos humanos), o tigre se aproxima em silêncio. Quando está a cerca de 20 metros ou menos do animal, ataca. Dá um pulo longo e rápido, segura a presa com suas garras e prende os caninos no pescoço ou na nuca da vítima. E fica lá até que o animal morra por asfixia. "Os tigres não matam a presa para aparecer em documentários na televisão", afirma Mills. "Eles usam a menor quantidade de energia necessária, tentam fazer a caçada mais fácil e são eficientes em espaços curtos. Um pulo rápido, agarrar e matar estrangulado não são necessariamente cenas espetaculares. Às vezes, de tão mundana a cena, até parece que o tigre pegou sua comida direto da prateleira de um supermercado."

Mas é bem mais complicado que isso - uma nova "oferta" pode demorar muito a aparecer. Assim, quando consegue uma caça grande, o tigre se empanturra de carne. E pode ficar três ou quatro dias sem se preocupar com comida. Presas muito grandes, no entanto, têm um problema: o desperdício. Em florestas tropicais como Nagarahole, na Índia, em apenas cinco dias a carne do animal morto já está completamente podre. E tigres não comem carniça. Se o felino tiver matado um gauro, que pesa até 1 000 quilos, ele só tem tempo e espaço no estômago para devorar um quinto de sua caça antes de ela apodrecer. Em casos como esses, ele escolhe "dividir" a comida: a mãe com os filhotes, irmãos entre eles. O tigre-siberiano não tem esse problema: como seu hábitat é muito mais frio, a carne do animal morto dura até duas semanas.

A verdade é que um tigre faminto vai atacar qualquer coisa que vir pela frente. Até homens. Embora carne humana não costume fazer parte do cardápio, na Floresta de Sundarbans, na fronteira entre a Índia e Bangladesh, o ser humano virou praticamente parte da dieta alimentar do tigre - fato que vem sendo observado e estudado desde pelo menos o final do século 19. Hoje, acredita-se que isso ocorre porque os tigres sofreram algum tipo de interferência: foram perturbados, machucados, tirados de seu território ou tiveram suas presas habituais extintas.
Poucos animais estão a salvo de um tigre-de-bengala. Stephen Mills descreve em seu livro o felino caçando sucuris de 20 metros, ursos, elefantes e rinocerontes. E o tal fator surpresa é mandado para o espaço quando o predador está convicto do sucesso da caçada. Se a presa não dispõe de uma saída, não há por que ser discreto - veja o caso da perseguição do tigre Chips, descrita no começo do texto. "A confiança faz toda a diferença", afirma Stephen Mills. Mesmo na tática habitual, o tigre só é sorrateiro até o momento em que chega a uma distância curta o suficiente para dar o bote. Aí, ele já não se importa mais se a vítima irá vê-lo ou não. O tigre-de-bengala apenas ataca, mata e come.


Predileção por carne humana


O Parque de Sundarbans - entre a Índia e Bangladesh - tem um território de 10 mil quilômetros quadrados, as maiores florestas de mangue do mundo e tigres-de-bengala com uma particularidade: gosto especial por carne humana. Não se sabe ao certo quantos felinos habitam a área - especula-se algo em torno de 300 - nem os motivos de seus ataques. O fato é que, nos anos 80, entre 50 e 60 pessoas eram devoradas todos os anos pelos felinos. As vítimas eram coletores de mel e lenhadores que se embrenhavam nas florestas para trabalhar. Algumas estratégias foram elaboradas pelos governos dos dois países para tentar diminuir o número de mortes na região. Uma delas foi espalhar pela mata manequins equipados com mecanismos de choque. Assim que um tigre os atacava, levava um choque - e aprendia a ficar longe de humanos. A medida funcionou, mas foi descartada por ser cara e trabalhosa. A forma que atualmente parece mais eficiente é uma prosaica máscara de plástico ou de borracha usada pelos trabalhadores na parte de trás da cabeça. Como os tigres costumam atacar pelas costas, para não serem surpreendidos, as máscaras os enganam: eles acham que os homens estão olhando para eles e - às vezes - desistem da caçada.


Fatos selvagens




Nome vulgar

Tigre-de-bengala



Nome científico

Panthera tigris tigris



Dimensões

Até 3,8 metros da cabeça até ao fim da cauda



Peso

Até 250 quilos



Principais armas

Os poderosos dentes caninos e a camuflagem



Comportamento social

É uma espécie naturalmente solitária, embora sua convivência forçada com outros tigres em parques de áreas restritas da Índia esteja provocando uma aproximação maior entre os indivíduos nos últimos anos



Dieta

Sambar e chital (espécies de veados indianos), porcos selvagens, bisões, antílopes distribuição geográfica



Ataques a humanos

Embora não sejam comuns, eles acontecem. Na Floresta de Sundarbans, na Índia, são registrados cerca de 20 ataques por ano - a maior parte com morte



Quanto come

Na natureza, cerca de 10 quilos de carne por dia



Expectativa de vida

10 anos na natureza; 20 anos em cativeiro



Principais inimigos

Os únicos animais que oferecem algum perigo ao tigre-de-bengala são os cães-selvagens, mas apenas quando atacam em bandos numerosos



Se você encontrar um
Tente não se assustar - em geral, tigres não costumam atacar humanos. Evite agachar ou se curvar


Para saber mais




Na livraria

Tiger - Stephen Mills, Firefly Books, 2004



Na internet
www.5tigers.org - Site mantido por fundações e centros de pesquisa


terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Tundra e florestas boreais - Região Selvagem

TUNDRA E FLORESTAS BOREAIS



O derradeiro estágio antes da última floresta do topo do mundo transformar-se em gelo é uma extensa área de gramíneas com um subsolo permanentemente congelado e liquens, musgos e arbustos mirrados. É o que ocorre na maior área florestal da Terra: a floresta boreal que, a grandes altitudes ou quando se aproxima do Pólo Norte (aumento da latitude) se transforma em tundra. Juntas, essas duas imensas áreas selvagens têm três vezes o tamanho de toda a Amazônia. É nesses biomas que encontramos resquícios finais de vida no planeta antes do gelo absoluto. Lá, moram os esquimós, os ursos polares, tigres siberianos, leões-marinhos e toda a fauna que imaginamos sobreviver sob a neve.

Nas regiões de transição é possível ver pedaços densos de árvores serpenteados por falhas no solo e uma mistura de fauna e flora. O mais interessante é perceber que, no nível do mar, as áreas baixas perto do Círculo Polar Ártico têm as mesmas características de topos de montanha altíssimos. É a confirmação, a olhos nus, do formato redondo da Terra. A tundra domina praticamente todo o topo da América do Norte, Europa e Ásia. A mata boreal já aparece no meio desses continentes pegando a área do Alasca, do Canadá, da Finlândia, da Suécia e da Rússia.

A transição entre as duas vegetações é bem perceptível no interior do Parque Nacional de Denali, no estado do Alasca (Estados Unidos). A entrada do parque fica numa planície imensa, em altitude baixa, onde predomina a floresta boreal. Conforme-se avança para dentro da floresta, ganhando em latitude, ou para cima nas montanhas, elevando a altitude, a tundra ártica ganha espaço. Pouco a pouco, a luz e o colorido das árvores coníferas e sua folhagem verde e amarela, propiciada pelos pinheiros e folhas outonais, são substituídas pelas gramíneas. As árvores simplesmente param de crescer - existe até um simbólico limite onde fica a suposta última árvore das matas boreais na região.

Enquanto na floresta boreal o clima é subártico, com uma camada de neve cobrindo a paisagem por cerca de seis meses por ano, nas regiões de tundra ártica o verão dura no máximo dez semanas e o inverno (congelante e escuro) pode durar nada menos que dez meses.

Com tanto frio, o povoamento nesses lugares nunca foi significativo. Muito do norte do Canadá continua habitado por povos indígenas até os dias de hoje, assim como a floresta boreal na Eurásia. Os takuts, por exemplo, sobreviveram em grande número e são o mais numeroso grupo étnico da Sibéria. Os que vivem nas regiões florestais mantêm-se seminômades criadores de renas. O Alasca é o reduto dos esquimós e sua cultura. Exímios caçadores de mamíferos marinhos na costa e de alces no interior, suas presas não forneciam apenas carne, mas roupas e utensílios. O contato com o homem europeu, no entanto, fez com que seus costumes fossem mudados, suas presas caçadas pelos forasteiros e doenças nunca antes registradas, como a tubercolose, proliferaram. Como conseqüência, a população de esquimós foi drasticamente reduzida.

A lei do mais forte prevalece nesses ambientes rudes e gelados, e os animais mais facilmente associados a eles são mamíferos de grande porte - como os alces, o bisão americano (apenas nas florestas boreais) o lobo cinza, e os ursos polares e marrons.

Apesar da aparência cativante, um encontro com ursos é um dos maiores perigos nessas regiões. Quando importunadas, essas feras podem ser extremamente agressivas. É importante não surpreendê-los: assustados, as possibilidades de um ataque fatal aumentam consideravelmente. Recomenda-se falar alto, fazer barulho e até mesmo cantar ao caminhar em áreas habitadas por ursos. Aproximar-se deles, então, nem pensar: no Alasca há uma lei que determina em meio quilômetro a distância mínima de proximidade para esses animais.

O único bicho capaz de enfrentar o urso é o tigre siberiano, seu inimigo número 1. Competidores por natureza, ambos gostam de caçar as mesmas presas, e às vezes até a si mesmos - um combate de pesos pesados. Apesar de estarem presentes nos dois ambientes, os ursos polares têm na tundra ártica seu verdadeiro paraíso. Esses gigantes podem alcançar 2,5 metros de altura e 800 quilos. A população de ursos polares está entre 22 mil e 27 mil indivíduos, a maioria no Canadá.

Longe de terem a força dos ursos, as aves mostram sobrevivência admirável nessa atmosfera gelada. Uma simples andorinha é capaz de realizar a maior migração de um pássaro na Terra, viajando 20 mil quilômetros de pólo a pólo para fazer seus ninhos. Essas espécies raramente conviveram com o escuro da noite em suas vidas, pois chegam em ambos os pólos a tempo de aproveitar somente os dias intermináveis de verão.



Área total - 25 049 500 km²

Área intacta - 85%
Área protegida - 9,3%


Conservação e ameaça
Regiões temperadas sempre tiveram seus hábitats mais modificados ao longo do tempo do que as tropicais. A floresta boreal e a tundra ártica, no entanto, parecem ser uma exceção à regra, principalmente pelo clima não muito convidativo à permanência dos homens. Ainda assim, faltam esforços para manter as áreas protegidas. Nos Estados Unidos, apenas os hábitats de tundra e matas boreais do Alasca permanecem relativamente intactos, com 194 mil quilômetros quadrados de área protegida. Um bom exemplo de como a proteção de terras por meio da lei pode salvar a vida selvagem é o lago Baikal, na Sibéria, com 1.620 metros de profundidade - o mais profundo do mundo. Lar de 1200 espécies endêmicas, incluindo a única foca de água doce do mundo, a Baikal, o lago teve a área que o circunda transformada em reserva natural em 1969, salvando-o da degradação. Historicamente, a caça de animais sempre foi, o maior problema da região, levando à extinção espécies incríveis, como a vaca-marinha de Steller, um dócil e indefeso animal que alcançava os 8 metros de comprimento, infelizmente, extinto no século 18. Hoje em dia, estão entre as grandes ameaças a exploração comercial de madeira e minerais e a instalação de fábricas. A longo prazo, porém, o aquecimento global será o grande inimigo da região: a floresta boreal pode expandir, diminuindo o espaço da tundra e acabando com ecossistemas de diversas espécies.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Miombo-mopane e Delta do Okavango

MIOMBO-MOPANE E DELTA DO OKAVANGO



O silêncio pode ser enganador nos cerrados e savanas da região de Miombo-Mopane, no sul da África. A monotonia raramente impera nessa área. Quando tudo parece calmo demais, os elefantes começam a surgir lentamente no horizonte. Não aos três, quatro, mas sim dezenas, às vezes até centenas, pisando firme no solo incrivelmente seco. Os majestosos elefantes africanos são, sem dúvida, os donos do pedaço: cerca de 280 mil animais da espécie vivem na região, 80% da população mundial de elefantes. Não se deixe levar, no entanto, pela memória de filmes da infância ou pela aparência amorosa desses bichos: encontrar uma manada de elefantes africanos é um dos maiores perigos escondidos pela área. Com força bestial, e facilmente chateados com a presença humana, eles podem matar um homem sem muito esforço, com um simples golpe.

Além deles, há os rinocerontes negros, um bicho feroz que já foi abundante no continente, mas, hoje, tem na região seu único grande reduto. A concentração de animais é maior nos vales, onde solos mais férteis e a boa qualidade de nutrientes da vegetação propiciam um ambiente melhor para a vida. Os pássaros também são abundantes e o número de peixes é particularmente impressionante no lago Malaui: entre 600 e 800 espécies vivem nessas águas, com um impressionante índice endêmico de 99%!

Uma parte dessa riqueza de biodiversidade pode ser atribuída à uma pequena porém perturbadora mosca tsé-tsé. Vilã dos homens, protetora involuntária dos animais, a picada dessa mosca não é lá muito doída, mas suas conseqüências podem ser fatais: é ela quem transmite a doença do sono (doença de trypanosomiais). Uma picadinha já é suficiente para transmitir esse mal que, se não for bem tratado, causa a morte principalmente de mulheres e crianças. O medo da tsé-tsé ajudou a manter afastados os homens de vastos territórios de Miombo-Mopane, especialmente na Zâmbia.

O convívio do homem com a vida selvagem, porém, é evento antigo nessas bandas: o leste e o sul da África são reconhecidos como berços da espécie humana. Hoje, 71 milhões de pessoas vivem na região, mas grande parte da área selvagem, não vivem mais de cinco habitantes por quilômetro quadrado. O sustento vem da agricultura de subsistência e da caça, e depende dos produtos naturais oferecidos pelo cerrado, que viram desde matéria- prima para construção de casas a plantas e ervas para a feitura de remédios. Mais de 250 tribos, e seus diversos grupos de dialetos, ainda vivem no lugar, mas a miscigenação está, aos poucos, apagando os grandes contrastes entre elas.

Os cerrados e savanas da variada vegetação de Miobo-Mopane circundam o delta do rio Okavango, uma das maiores áreas alagadas do mundo. É o pantanal africano, localizado em Botsuana, que cobre aproximadamente 16 mil quilômetros quadrados. O delta tem origem em Angola, com o nome de rio Cubango. Depois passa pela Namíbia com o nome de Kavango. Há milhões de anos esse rio desaguava num lago que secou e "obrigou" as águas a abrir um enorme leque em busca de um local para fluir. É alimentado por uma inundação anual, que tem seu pico depois dos meses de chuvas fortes no Angola. A enchente demora nada menos que cinco meses para atravessar todo o delta e, por sorte, alcança a parte sul na época de seca. É uma dádiva para o local, já que a terra, ressecada, recebe água. Mesmo assim, o ecossistema é extremamente frágil: uma mudança mais brusca em torno do rio pode acabar com o fluxo de água da região.

O delta do Okavango pode ser facilmente chamado de "Arca de Noé" de Botsuana. A existência de uma grande fonte de água em um ambiente árido sustenta espécies de mamífero grande cada vez mais raras. São bichos que estão presentes em toda a região de Miombo-Mopane, mas que se concentram bastante nessa pequena área.

Elefantes africanos, búfalos, girafas, hipopótamos, zebras e impalas são grandes atrações, ao lado de ferozes predadores como o leão, o leopardo, o guepardo. Entre os répteis, o crocodilo-do-nilo é bastante comum, assim como seus ataques a humanos, com alto índice de sucesso - para os crocodilos, claro. A maioria dos crcocodilos vive e procria ao longo do Panhandle, onde águas profundas e abundantes em peixes compõem o perfeito hábitat para esses animais.



Área total - 1 176 000 km²

Área intacta - 85%
Área protegida - 36%


Conservação e ameaça
Uma das grandes ameaças ao meio ambiente é a pobreza extrema da população africana. Seis países da região estão entre os considerados menos desenvolvidos do planeta. Esse fator faz boa parte das pessoas levar a vida por meio da agricultura de subsistência, que empobrece o solo, destrói a vegetação. Com isso, há fragmentação e perda de importante área selvagem. O problema é que a falta de uma perspectiva de melhora política e econômica nessa região indica que esse tipo de agricultura continuará, no mínimo, a médio prazo. Aproximadamente 21% do território já foram transformados para cultivo. Outros perigos consideráveis para a região são: a derrubada de árvores: cerca de 87% das pessoas do lugar dependem de madeira para prover energia doméstica; e o aumento do comércio de carne de caça. Em contraponto, um terço da área considerada selvagem está localizada em santuários protegidos legalmente. Na região do Delta, a grande ameaça no futuro envolve a saída da água e interrupção do fluxo. A caça, a introdução de espécies forasteiras e a disseminação de doenças que afetam a vida selvagem também estão entre os problemas ainda distantes de uma solução.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Nova Guiné - Lugares selvagens

NOVA GUINÉ - Lugares Selvagens



As vozes da colorida população de Nova Guiné falam mais de mil línguas e dialetos. São tribos que vivem a distância física e cultural que um relevo acidentado, cheio de vales, proporciona. Não bastam canoas para se encontrar no meio das serras que rasgam a paisagem: as línguas são tão diferentes umas das outras que é impossível determinar até se possuem a mesma origem. Uma verdadeira torre de Babel, em pleno século 21. Para entender esses idiomas, seriam necessários 850 dicionários em Papua Nova Guiné e 250 em Papua, a metade leste e a metade oeste da ilha, respectivamente. Uma em cada três línguas usadas atualmente pela raça humana é encontrada nessa ilha bizarra e magnífica. Isso porque há apenas 6 milhões de habitantes: 0,1% da população total do planeta!

A região mais densamente povoada que simboliza a diversidade cultural de Nova Guiné são as Highlands, que, curiosamente, foi a última a ser descoberta: só na década de 30. Nessa época, as tribos não se conheciam mesmo, tinham diferentes costumes e vestimentas. Hoje em dia, muitos povos, como os dani, mantêm suas tradições. Agressivos, robustos e ávidos por uma batalha, os homens da tribo vestem apenas um ornamento que cobre o pênis e as mulheres uma pequena saia feita de grama.

Em algumas vilas na região do rio Sepik - um lugar onde os humanos e crocodilos convivem tranqüilamente - tribos se encontram em total isolamento. Bom exemplo de local inóspito é a província da Sandaun, na Papua Nova Guiné, próxima à fronteira de Papua. Chegar lá é extremamente complicado: não há estradas, como em grande parte da ilha, mas os rios são tão estreitos que o transporte se resume a longas e estreitas canoas. Uma vez lá, o sacrifício vale a pena: a região é circundada por praias soberbas, lindos lagos, vilas pitorescas. Até meados do século passado, o canibalismo era praticado pelos clãs que povoavam a área como forma de proteção contra o espírito do inimigo morto na batalha, e também para incorporar seus poderes físicos e espirituais. Ainda hoje a bruxaria continua uma prática difundida e utilizada, especialmente entre as tribos mais isoladas, com os feiticeiros sendo muito respeitados e temidos.

Situada ao norte da Austrália, Nova Guiné é a maior ilha tropical do mundo em tamanho e em riqueza de espécies. Suas florestas tropicais constituem a maior área selvagem e mais despovoada na região da Ásia e do Pacífico, e perdem em tamanho só para as florestas do Congo e a Amazônia. O ambiente natural é tão variado como a população: inclui matas tropicais em baixadas e serras, florestas de monções, pantanais, savanas e pastos inundados sazonalmente, florestas subalpinas e imensos matagais alpinos. O clima é quente, úmido e chuvoso durante quase todo o ano e, mesmo assim, precipitações de neve podem ocorrer nas alturas mais elevadas.

O principal motivo de o ambiente ser selvagem é a dificuldade de chegar lá. O relevo jovem é marcado por picos que, em muitos lugares, excedem os 3 mil metros de altura e alcançam 4 884 metros no Pucak Jay (antigo Mt Carstensz), ao oeste. Isso significa mais uma penca de praias paradisíacas, fantásticas cachoeiras e vulcões ativos - o último caso de erupção foi em 1851.

Como se não bastasse ter relevo peculiar e a diversidade de tribos, Nova Guiné ainda coleciona pássaros esquisitos. Há o venenoso pitohui (Pitoshui spp) que se defende quimicamente por meio das penas que levam um potente veneno, idêntico ao dos sapos mais tóxicos da América do Sul!

A relação dos pássaros com a cultura local também é singular. Muitos clãs tradicionais da Nova Guiné têm um pássaro como totem e cantam e dançam em devoção a ele. Outro bicho bastante intrigante da ilha é o marsupial de árvore. Bonitinho e vegetariano, ele sobe nos galhos para descansar e fugir dos predadores. É tão desconhecido que, desde 1990, duas novas espécies e duas novas subespécies foram descobertas por pesquisadores australianos. Infelizmente, esse mamífero está entre os mais ameaçados da ilha por ser caçado tanto para servir de comida quanto por sua valiosa pele.

De aparência nada fofa, o crocodilo de água salgada é considerado animal-símbolo. Esse bicho assustador pode atingir 6 metros de comprimento e tem a reputação de ser um devorador de humanos, com diversos casos já registrados. Mesmo assim, são cultuados por muitas tribos, como os pássaros. Em alguns grupos, os homens tatuam marcas circulares nas costas para imitar as escamas de um crocodilo. Incrível pensar que o interesse dos pesquisadores em relação a essa ilha é recente. Mas incrível mesmo é acreditar que Nova Guiné viva no mesmo tempo cronológico do resto do nosso planeta.



Área total - 828 818 km²

Área intacta - 70%
Área protegida - 11%


Conservação e ameaça


As ameaças à biodiversidade da Nova Guiné são similares às que afetam outras partes dos ambientes tropicais do mundo. Isso inclui, em curto prazo, a caça, a instalação de indústrias, a construção de estradas, o desenvolvimento desordenado e a mineração. A grande preocupação dos ambientalistas a longo prazo é o crescimento da população e a conversão de áreas da floresta em terras para a monocultura (especialmente o óleo de palmeira), que pode se tornar inimigo da vida selvagem. As alterações climáticas e a introdução de espécies não-nativas também podem causar impacto nos ecossistemas da ilha. Não é de se estranhar que, numa terra de tão complicada comunicação, Papua Nova Guiné e Papua precisem de uma legislação clara - e atualizada - para a conservação do hábitat e de suas espécies. Mesmo com essa defasagem, a ilha foi beneficiada, na última década, com alguns projetos. Mais recentemente, a Conservação Internacional tomou a iniciativa do desenvolvimento de dois grandes programas: um deles visa a conservação e o gerenciamento sustentável dos recursos marítimos e do hábitat em uma zona marinha de 10 milhões de hectares na Província de Milne Bay; o outro é focado nas florestas e bacias hidrográficas do rio Mamberamo, no norte de Papua, em uma área de também 10 milhões de hectares, que vai do nível do mar a regiões com mais de 4 mil metros de altitude.