Mostrando postagens com marcador teoria da evolução. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador teoria da evolução. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 8 de novembro de 2021

A outra obra-prima de Charles Darwin que quase ninguém conhece

A outra obra-prima de Charles Darwin que quase ninguém conhece

A obra-prima “A Origem das Espécies", lançado em 1859, não foi o único livro importante escrito pelo naturalista Charles Darwin. 

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Cientistas confirmam que Darwin tinha razão sobre teoria formulada há 160 anos

Cientistas confirmam que Darwin tinha razão sobre teoria formulada há 160 anos

Um estudo recente confirmou uma explicação que Charles Darwin deu há 160 anos sobre a capacidade de voo dos insetos. 

sábado, 28 de novembro de 2020

Universidade de Cambridge denuncia roubo de cadernos de Darwin

Universidade de Cambridge denuncia roubo de cadernos de Darwin


Retrato do biólogo inglês Charles Darwin, autor da teoria da evolução 
e do livro 'A Origem das Espécies' 

Originais desapareceram da biblioteca da universidade há 20 anos e eram procurados até hoje. Um deles contém o desenho da "árvore da vida", que se tornou o símbolo da teoria da evolução.

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

O “abominável mistério” que atormentou Charles Darwin

O “abominável mistério” que atormentou Charles Darwin

No ano de 1859, o naturalista inglês Charles Darwin publicou seu livro “A Origem das Espécies”, no qual explica que a evolução pela seleção natural atua com o “acúmulo de variações pequenas, sucessivas e favoráveis”. 

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Encantado com a biodiversidade e indignado com a corrupção - O que Charles Darwin achou do Brasil do século 19

Encantado com a biodiversidade e indignado com a corrupção - O que Charles Darwin achou do Brasil do século 19



Legenda- 'Darwin ficou encantado com a nossa biodiversidade. A Mata Atlântica foi o bioma mais rico que ele conheceu. Por outro lado, ficou revoltado com a escravidão. Sua família lutava contra o comércio de escravos' — Foto: Getty Images/BBC


Nos quatro meses em que passou no país, em 1832 e 1836, o futuro pai da Teoria da Evolução se encantou com a natureza, mas também mencionou em seus relatos muita irritação com a corrupção e a burocracia.

Teoria da Evolução - Por que é errado dizer que viemos dos macacos e outras 4 questões sobre nossa origem

Teoria da Evolução - Por que é errado dizer que viemos dos macacos e outras 4 questões sobre nossa origem


Livro 'A Origem das Espécies', em que naturalista britânico estabeleceu a base da teoria da evolução pela seleção natural, completa 160 anos.

segunda-feira, 18 de março de 2019

O filósofo muçulmano que formulou teoria da evolução mil anos antes de Darwin

O filósofo muçulmano que formulou teoria da evolução mil anos antes de Darwin

Charles Darwin - Teoria da Evolução

Charles Darwin ficou conhecido por ser o pai da teoria da evolução, mas no mundo islâmico o pensamento evolutivo existe há muito mais tempo e remonta ao cientista iraquiano Al-Jahiz.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

AS ILHAS DE DARWIN - A TEORIA DA EVOLUÇÃO


AS ILHAS DE DARWIN - A TEORIA DA EVOLUÇÃO


Novas leis de proteção ambiental asseguram a sobrevivência dos animais das Galápagos, onde o inglês Charles Darwin buscou inspiração para escrever a Teoria da Evolução.

terça-feira, 5 de abril de 2016

A luta pelo cientista mais forte continua com o jogo brasileiro Science Kombat


A luta pelo cientista mais forte continua com o jogo brasileiro Science Kombat


A Revista Superinteressante finalmente lançou Science Kombat, um cativante jogo de luta que coloca oito dos cientistas mais influentes de nossa história para lutar entre si. Os mesmos “kombatentes” que tomou a internet nos últimos meses.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Darwin - A evolução de um homem.

DARWIN: A EVOLUÇÃO DE UM HOMEM



Ele nunca teve um diploma universitário, mas o gosto pela natureza levou-o a uma verdadeira revolução no conhecimento humano. Sempre devagar, como as espécies que descreveu.

Charles Darwin, o único e aristocrático passageiro do HMS Beagle (His Majesty´s Ship Beagte), teve uma feliz e venturosa estada nas ilhas Galápagos ao largo do Equador, no oceano Pacífico, naquele longínquo ano de 1835. Foram quatro semanas de muito sol, passeios de barco pelas praias e enseadas, incursões pelas ilhas, onde a insaciável curiosidade do naturalista amador se deliciou observando e colecionando fantásticos espécimes animais e vegetais. Uma tarde, caminhando pela ilha Charles, surpreendeu-se com a declaração do governador Nicholas Lawson de que seria capaz de dizer exatamente de qual ilha provinha cada uma das inumeráveis tartarugas que encontravam pelo caminho.
"Está sugerindo que cada ilha produz seu tipo especial de tartaruga?", perguntou Darwin. O governador não tinha dúvidas, pois há mais de ano aprendera a identificá-las observando as carapaças, com os gomos mais altos ou mais baixos, a espessura, o colorido, o comprimento do pescoço e das pernas Abismado Darwin perguntou se o governador sabia por que isso acontecia. "Só sei o que os meus olhos me dizem", ou como resposta.
Os olhos do próprio Darwin já haviam visto algo parecido, ali mesmo nas ilhas Galápagos. Ele observara que os tentilhões, pequenos pássaros que lá existem aos milhares, tinham bicos diferentes, maiores ou menores, conforme fosse a ilha de origem. Assim, de observações quase casuais de um leigo, surgiu a idéia que, devida mente ordenada e desenvolvida, produziu uma das mais extraordinárias revoluções na história do conhecimento humano: a teoria da evolução das espécies pela seleção natural. Nesse trabalho, pode-se considerar a evolução como um fato experimentalmente comprovado como atestam as tartarugas e os tentilhões e milhares de outras espécies observadas. A seleção natural é uma teoria que explica os mecanismos pelos quais se produz a evolução.
Muitos anos depois de seu veraneio nas Galápagos, quando sua teoria já estava solidamente reconhecida pelo mundo científico, Darwin escreveu: "Tenho dois objetivos distintos em vista: primeiro, mostrar que as espécies não têm sido criadas separadamente; e, segundo, que a seleção natural tem sido o agente principal das mudanças (...). Se eu estiver enganado (...), se houver exagerado no poder da seleção natural (...), terei, pelo menos, prestado um bom serviço ajudando a derrubar o dogma da criação separada".
Por essas palavras, percebe-se que ele não pretendia ser um revolucionário. Na verdade, foi um tímido inglês interiorano, de idéias liberais, que desde criança cultivou o hábito de colecionar besouros, o que se transformou numa obsessão. Nasceu em Shrewsbury, Inglaterra, no dia 12 de fevereiro de 1809. Até a adolescência não apresentou nenhum traço especial de genialidade ao contrário, como parece ser regra nas biografias de grandes cientistas, seu pai chegou a temer que ele não fosse capaz de nada além de caçar ratos e besouros e, assim, fatalmente, desgraçaria o bom nome da família.
Tornou-se um hábil caçador e isso o levou a uma investigação acurada dos hábitos dos pássaros e animais em geral. Mas logo perdeu o gosto pelos tiros de caçador, e explicou: "Descobri, ainda que inconscientemente, que o prazer de observar e refletir era muito mais compensador do que a perícia da caça como esporte. Os instintos primitivos do bárbaro lentamente se transformaram no paladar de um homem civilizado".
Na Universidade de Edimburgo, onde foi estudar Medicina para seguir os passos do pai e do avô, Darwin descobriu que não tinha nascido para isso ao experimentar a para ele terrível sensação de operar um doente sem anestesia. E fez, então, uma descoberta tranqüilizadora: "Em Edimburgo me convenci de que meu pai iria me deixar propriedades suficientes para eu sobreviver com algum conforto, embora não fizesse idéia de quão rico eu era. Foi o suficiente para me tranqüilizar a respeito da minha incapacidade para aprender a Medicina".
De fato, Darwin nunca precisou trabalhar para garantir o próprio sustento, embora não se possa dizer que tenha sido um ocioso. Reconhecida sua incompatibilidade com a Medicina, o pai sugeriu que ele se dedicasse à Igreja Anglicana. E assim, no outono de 1827, Charles Darwin entrou para o Christ´s College, em Cambridge, acalentando a vaga idéia de que seria agradável ser um pároco do interior. Nem ele mesmo podia imaginar, àquela altura, que seria responsável pela demolição de alguns dos mais formidáveis dogmas da Igreja. Mas é certo que desde então se aborreceu com os ensinamentos que recebia.
Não era para menos. Segundo ele mesmo contou mais tarde, teve de aprender que a Terra foi criada às 9 horas do dia 23 de outubro de 4004 a.C.; que todas as espécies animais haviam sido produzidas ao longo dos seis dias da Criação; e que jamais haviam sofrido mudança em suas características originais. A data da criação do mundo havia sido fixada no trabalho conjunto do arcebispo de Armagh, James Ussher, e do eminente estudioso da religião hebraica John Lightfoot, publicado no final do século XVII. Um disparate, sem dúvida, mas na época aceito sem discussões. Muitos anos mais tarde, quando Darwin já publicara sua teoria revolucionária, seu companheiro de viagem no Beagle, o capitão Robert Fitzroy, ainda explicava a extinção de algumas espécies, evidenciada pelos fósseis descobertos no fundo da Terra, dizendo que esses animais simplesmente não haviam chegado a tempo para embarcar na arca de Noé.
Tais dogmas, no entanto, já estavam sendo contestados pela ciência. No final do século XVIII, o escocês James Hutton lançara as bases de uma nova Geologia Seu discípulo Charles Lyell continuou a desenvolvê-la no século XIX e mostrou que a Terra sofrera lentos e constantes processos de formação. E não apenas tais processos haviam consumido um tempo longuíssimo, mas continuavam a se produzir, interminavelmente. Começou-se a admitir, então, que o mundo era muito mais antigo do que se supunha. Um passo adiante já estava a convicção de que as espécies animais também eram antigas e também evoluíram ao longo desse tempo.
Outros cientistas já haviam se aproximado dessa idéia, antes que Darwin o fizesse. Seu próprio avô, Erasmus, médico, poeta e filósofo. Outro foi o francês JeanBaptiste de Lamarck, que publicou sua teoria no ano em que Darwin nasceu, 1809. Lamarck, porém, errou ao acreditar que a evolução ocorrera porque as características adquiridas durante a vida do animal eram transmitidas aos descendentes. Se isso fosse verdade, significaria que a girafa tem pescoço comprido porque seus ancestrais viviam esticando o pescoço para alcançar os galhos mais altos das árvores.
Charles Darwin desenvolveu sua paixão pela natureza encorajado por um professor, J.S. Henslow. Nunca foi um estudante brilhante, mas tinha imensa curiosidade. Foi uma sugestão e uma recomendação de Henslow, aliadas ao fato de ser um perfeito gentleman, que lhe asseguraram um lugar a bordo do Beagle. A tarefa do capitão Fitzroy era mapear mares e costas ainda pouco conhecidos pela Marinha britânica. A viagem devia durar três anos na verdade, durou cinco. Preso aos rígidos regulamentos da Marinha, o capitão não podia conversar com os subordinados fora das horas de trabalho. Como não havia passageiros no Beagle, significava que ele teria de fazer todas as refeições sozinho.
Darwin foi incorporado à tripulação como naturalista, embora não tivesse qualificação acadêmica para isso quando muito, era um diletante aplicado. Seu dever era mesmo fazer companhia ao capitão, e ele o cumpriu fielmente, embora em muitos momentos lhe tenha sido penoso suportar a conversa de uma pessoa autoritária, com quem não tinha nenhuma afinidade intelectual ou política (o capitão era um torie, conservador, e Darwin um whig, ou liberal). Quem pode imaginar o que tenham representado cinco anos de almoços e jantares a dois, nessas condições?
Zarparam dois dias depois do Natal de 1831. Passaram pelas ilhas Ocidentais, contornaram o extremo sul da América do Sul, passaram pelas Galápagos, chegaram à Austrália, seguiram para o sul da África, tocaram outra vez na América do Sul (Bahia) e voltaram para a Inglaterra. Darwin cumpriu zelosamente seus deveres de gentleman, mas aproveitou cada parada do navio para coletar quanto material pudesse rochas, fósseis, aves, insetos e até animais de grande porte, que ele próprio empalhava; era um exímio taxidermista. De cada porto, despachava pacotes e pacotes para Henslow, na Inglaterra, encarregado de cuidar de sua coleção de naturalista. E ainda encontrou tempo para escrever um diário.
Quando desembarcou, no dia 2 de outubro de 1 836 estava convencido de que as espécies animais sofrem mutações, se transformam. O problema era explicar como isso acontecia. Seis meses depois havia classificado todo o material coletado durante a viagem, com a ajuda de Richard Owen. Preparou a publicação oficial Zoologia da viagem do Beagle, do diário e de três outros livros. E só em 1837 começou as anotações para o seu trabalho sobre a transmutação das espécies. Persistia, porém, o mistério como ocorrem as transformações?
Darwin estava casado com Ema, com quem teria dez filhos, continuava a escrever um diário e nele, supõem seus biógrafos, anotava disfarçadamente todas as relações sexuais que mantinha com a mulher. Coisas de gentleman da rígida era vitoriana. No dia 3 de outubro de 1838, lendo "para me distrair" um livro sobre população de Thomas Malthus (1766 - 1834), encontrou a afirmação de que as populações tendem a crescer geometricamente, a menos que sejam impedidas. Percebeu, então, que ali estava sua resposta: as alterações que favoreciam um indivíduo permitiam que ele prosperasse, enquanto os outros não beneficiados pela mudança pereciam. Uma sutil e fundamental diferença para a teoria de Lamarck. Não é que as girafas fossem ficando com o pescoço cada vez mais comprido pela necessidade de alcançar os galhos mais altos das árvores, mas a necessidade de alcançar os galhos mais altos fazia com que só sobrevivessem as girafas de pescoço mais comprido.
Animais ainda quando da mesma espécie, são diferentes de indivíduo para indivíduo. Como os homens- há os de nariz comprido, de olhos tortos, pernas curtas ou longas, capazes de correr menos ou mais depressa, e por ai vai. Essas diferenças se transmitem geneticamente, através de mecanismos que só seriam devidamente explicados muito tempo depois. Darwin, no entanto, intuiu o caminho certo com notável precisão.
Um ano antes ele publicara A transmutação das espécies, em que aludia às mudanças que ocorrem, mas não arriscava explicação para elas. Mais de vinte anos passaram entre o desembarque do Beagle, o inicio das anotações e a publicação de Sobre a origem das espécies por meio da seleção natural, sua obra máxima. E ela só foi publicada porque em 1858 ele recebeu uma carta de outro naturalista inglês, Alfred Russel Wallace, que, ao longo de uma expedição à ilha de Ternate, nas Molucas, havia feito observações semelhantes às de Darwin e chegado às mesmas conclusões.
E assim aconteceu que a teoria da seleção natural chegou à Linnaean Society, a sociedade dos naturalistas ingleses, com um co-autor. Sobre a origem das espécies por meio da seleção natural chegou às livrarias no dia 24 de novembro de 1859. Eram 1.250 exemplares de 502 páginas e foram todos vendidos no mesmo dia. Darwin demonstrou ali como, por meio de adaptação lenta, extremamente gradual, e de alterações produzidas de geração em geração, uma espécie podia produzir indivíduos diversificados. E como, com a passagem do tempo, algumas espécies permaneciam iguais e outras se transformavam. Tudo sob a regência da seleção natural quem estivesse mais adaptado ao ambiente sobreviveria. Um quadro de progressão de complexidade biológica que culminou no homem, o mais sofisticado de todos os organismos.
Darwin jamais usou a palavra evolução, que logo passou a caracterizar e dar nome à sua teoria e sobre a posição do homem nesse painel limitou se a um comentário sobre a muita luz que no futuro ainda seria derramada sobre a questão. Muitos anos mais tarde ele voltaria a esse assunto no livro A descendência do homem e seleção em relação ao sexo. Mas em 1859 o cuidado de pouco adiantou: uma tempestade desabou sobre ele, pois sua teoria levava à demolição de algumas precisas construções religiosas sobre a criação do mundo e dos seres que nele vivem, feitas pela Igreja.
Foram anos de ferozes debates. Os principais adversários de Darwin foram seu antigo companheiro Richard Owen, o bispo de Oxford, Samuel Wilberforce, o escritor Edmund Gosse. Grandes defensores foram Charles Lyell, Joseph Hooker e Thomas Henry Huxley, considerado na época o melhor geólogo, o melhor botânico e o melhor zoólogo da Inglaterra. O próprio Darwin pouco apareceu, mas Huxley envolveu-se em discussões públicas que se tornaram célebres. Como, por exemplo o debate travado com o bispo Wilberforce. em 1860, diante de setecentos estudantes que lotavam o auditório da Sociedade Britânica para o Progresso da Ciência, em Oxford.
Charles Darwin deixou uma obra muito extensa, embora, desde o final da viagem no Beagle, tivesse uma saúde muito frágil-suspeitasse mesmo que durante 2.sua estada no Brasil.2 tenha adquirido a doença de Chagas. Tudo na natureza o interessou muito. Seu escritório, no terceiro andar de sua casa, Dow House, além de livros continha frascos com exemplares das mais variadas espécies animais e vegetais. Apesar da campanha severa que a Igreja fez contra suas idéias, acabou sepultado na abadia de Westminster, ao lado de Isaac Newton, em 19 de abril de 1882, aos 73 anos. Depois do enterro, seu filho William comentou: "Você pode imaginar que conversas deliciosas o pai e Sir Isaac vão ter de noite, depois que a abadia fechar e tudo ficar quieto?"

Sempre à margem da política

A importância da obra científica de Darwin é definida em quatro pontos pelo antropólogo queniano Richard Leakey. Primeiro, ele viu o mundo vivo como mutável, e não estático, como se acreditava em seu tempo; segundo, propôs a idéia da descendência comum para os membros da mesma espécie (por isso nunca disse, como se acredita erroneamente, que o homem descende do macaco; homens e macacos são ramos diferentes de uma mesma espécie, os mamíferos, que têm, todos, um ancestral comum); terceiro, ele acreditava que o processo de mutação era lento e gradual (hoje há cientistas questionando essa idéia, dadas as descobertas de evidência do surgimento de novas espécies quase que de repente); e quarto, estabeleceu que o mecanismo da mudança era a seleção natural.
Hoje sabemos que a variação ocorre em nível molecular. As características se transmitem dos pais aos filhos por unidades químicas que chamamos genes. A variação é, em grande parte, produto de uma recombinação de genes, quando se unem as instruções genéticas do pai e da mãe. A seleção natural apenas favorece os animais mais bem adaptados ao ambiente onde vão viver. Devido à variação, alguns indivíduos dentro de uma espécie são mais capazes que outros de sobreviver e, portanto, de procriar.
Houve quem tentasse levar para a política essa explicação da organização do mundo animal. Na verdade, a expressão "sobrevivência do mais apto" foi cunhada pelo filósofo inglês Herbert Spencer. Tentava-se usar as leis da Biologia enunciadas por Darwin para explicar e justificar a sociedade estratificada produzida, na época, pelo capitalismo industrial. Certamente, não foi culpa dele: politicamente, era um liberal, e todo seu trabalho científico levou-o a uma sólida convicção filosófica materialista de que ele jamais fez alarde.
Karl Marx, então empenhado como nunca na construção de suas doutrinas políticas, econômicas e filosóficas, vislumbrou isso em seus escritos e tentou, mais de uma vez, aproximar-se dele e, quem sabe, cooptá-lo para sua causa. Darwin sempre se esquivou-e polidamente recusou até mesmo a dedicatória que Marx pretendeu lhe fazer, no segundo volume de O capital. Mas não pôde impedir que ele escrevesse: "E notável como Darwin reconhece entre os animais e plantas sua sociedade inglesa, com sua divisão de trabalho, competição; abertura de novos mercados, invenções e uma malthusiana luta pela existência".

O Brasil era lindo mas os brasileiros...

Ao anoitecer do dia 4 de abril de 1832, o Beagle entrou na baia do Rio de Janeiro, então uma base da Marinha Real Britânica e por isso repleta de navios de guerra. Darwin anotou: "É a baía mais bela que o mundo e a Geologia poderiam apresentar, com a massa do Pão de Açúcar se destacando contra o céu límpido da noite . Do porto, ele e o artista de bordo, Augustus Earle, andaram 6 quilômetros por uma estrada de terra, ao longo do litoral, para chegar a Botafogo, onde ficaram hospedados durante as onze semanas que o Beagle ficou na cidade.
Era uma casa de madeira, pintada de cinza-pérola, varandas com telas nos três lados, uma sala modesta, três dormitórios com catre, mesa, cadeira. Do refeitório, num alpendre nos fundos, os hóspedes viam o morro do Corcovado, cujos 612 metros escalaram, seguindo pelo aqueduto que exista na época. Pagaram aos proprietários da casa, senhor e senhora Bolga, ingleses como eles, 22 shillings por semana, "um bom preço", segundo Darwin.
Seu primeiro contato com a sociedade carioca da época, formada basicamente por estrangeiros, foi num restaurante movimentado, "onde se podia beber uma aguardente gostosa e onde havia homens de negócios britânicos e americanos. cônsules de vários países, oficiais da Marinha e viajantes". Dias depois, Patrick Lennon, proprietário de terras em Macaé, levou Darwin até lá. Foi uma cansativa viagem a cavalo, sob um calor de 35 graus. O que mais encantou o naturalista foi a variedade da vegetação, multicolorida, e dos animais. "Era uma tarefa gigantesca descrever, classificar, catalogar, dissecar, espetar, preservar tudo o que colhi, entre animais, vegetais e minerais", ele anotou no diário.
Sua estada no Rio, no entanto, não foi dedicada apenas ao trabalho de naturalista. Levado pelo capitão Fitzroy, a quem devia fazer sempre companhia, Darwin freqüentou a noite carioca. Jantou na casa do ministro plenipotenciário inglês e foi várias vezes convidado para jantar na casa do almirante Thomas Baker, comandante-e-chefe inglês no Rio de Janeiro. Assistiu a um concerto de piano na casa do adido britânico, que lhe garantiu que se permanecesse mais algum tempo na cidade certamente ganharia um bom emprego e uma bela moça de família rica em casamento.
Apesar de ter gostado daquele período e ter admirado bastante a paisagem, a flora e a fauna do pais, Darwin anotou em seu diário que não sentia amizade pelos brasileiros. Cenas de violências contra escravos que presenciou não apenas no Rio mas também em Salvador e no Recife, onde o Beagle passou mais tarde, fizeram-lhe "ferver o sangue nas veias".

.
.
.
C=91227
.
.
.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Em nome da Ciência - Beagle

BEAGLE: EM NOME DA CIÊNCIA



Costuma-se dizer que as viagens ampliam os horizontes, mas a expedição de Charles Darwin ao redor do mundo fez mais do que isso. Um jovem naturalista amador tornou-se um investigador seguro e respeitado pela comunidade científica. Cinco anos de pesquisas permitiram-lhe criar a teoria sobre a origem e a evolução das espécies, pilar do pensamento contemporâneo.

Quando foi indicado como pesquisador do Beagle, Charles Darwin era um jovem de 22 anos, formado em Teologia. A viagem representou uma oportunidade única de adiar o início de sua carreira como clérigo, para se dedicar de corpo e alma a sua verdadeira vocação: a investigação científica. O veleiro deixou a Inglaterra em dezembro de 1831 e dois meses mais tarde lançou ferros em Salvador. Na capital baiana, e depois no Rio de Janeiro, Darwin ficou fascinado com as orquídeas e outras espécies da Mata Atlântica. Coletados pelo jovem naturalista, os vegetais e animais obtidos durante a viagem seriam periodicamente enviados a cientistas na Inglaterra.

Se a natureza era fonte de encantamento, Darwin viu com reservas outros aspectos do país. Ele era contrário à escravidão. Além disso, a atitude displicente dos brasileiros o exasperava. Em seu livro sobre a viagem do Beagle, ele conta que, nas vendas do interior, que servem refeições aos viajantes, é preciso esperar horas pelo alimento. Quem reclama é expulso de estômago vazio.

Em julho de 1832, o Beagle atracou na capital uruguaia. Até maio de 1834, o veleiro permaneceria no sul do continente, basicamente realizando levantamentos cartográficos. Darwin aproveitou a longa estadia para realizar excursões terrestres, nas quais entrou em contato com os gaúchos uruguaios e argentinos e com fósseis. Os primeiros a ser desenterrados, na região argentina de Bahía Blanca, foram ossos fossilizados de pelo menos três megatérios, um tipo de preguiça gigante pré-histórica. Darwin registrou a descoberta dos restos de nove espécies de quadrúpedes, alguns do tamanho de elefantes. Esses fósseis provocaram uma série de reflexões: O que causava a extinção de uma espécie? Havia algum parentesco entre os animais desaparecidos e os existentes?

Seleção natural
Depois de enfrentar os perigos do estreito de Magalhães, o Beagle passou a navegar pelo Pacífi-co. Em setembro de 1835, chegou às ilhas Galápa-gos, berço de espécies só encontradas ali, como as tartarugas gigantes e os iguanas marinhos e terrestres. Darwin escreveu que as Galápagos remetem "ao mistério dos mistérios - o aparecimento inicial de novos seres sobre a Terra". E registrou "a característica mais notável na história natural desse arquipélago, ou seja, que as diferentes ilhas são habitadas em larga medida por diferentes conjuntos de seres". Esse aspecto surgiu numa conversa com o representante britânico na região. O cônsul informou que podia dizer de qual ilha vinha cada exemplar de tartaruga e explicou que as carapaças diferiam em altura, cor e espessura. Além disso, elas tinham tamanhos diferentes e pescoços e pernas mais longos ou mais curtos.

As pesquisas de Darwin confirmaram essas afirmações. Ele também verificou que as dimensões e o formato do bico de certas aves variavam em cada ilha, de acordo com o tipo de alimento. Mais tarde, ele explicaria pelo mecanismo de seleção natural a diferenciação das espécies: os indivíduos bem-sucedidos na luta pela sobrevivência tendem a deixar mais descendentes.

Em novembro de 1835, o navio alcançou o Taiti, onde Darwin encontrou um objeto de pesquisa bem mais convencional: a formação dos corais. Ele contestou as teorias em vigor, de que os corais se formavam na borda de vulcões submarinos. Suas observações mostraram que eles eram construídos por seres vivos (os pólipos) sobre suportes encontrados em limites precisos de profundidade e podiam se estender por milhares de quilômetros. Era a primeira vez que ele assumia plenamente a condição de investigador científico seguro de suas convicções, capaz de propor alternativas às opiniões consagradas.
O Beagle atracou na Inglaterra, em outubro de 1836, e uma série de surpresas agradáveis aguardava o jovem naturalista. Seu pai permitiu que ele seguisse a carreira científica, e a Universidade de Cambridge conferiu-lhe o grau de mestre. Darwin preparou-se para muitos anos de trabalho sobre a evolução de espécies. Amadurecidas ao longo de mais de duas décadas de pesquisa e reflexão, suas idéias sobre as transformações dos seres vivos seriam publicadas em 1859 no livro Origem das Espécies. Depois disso, a visão da humanidade sobre a vida no planeta nunca mais seria a mesma.

Nasce um cientista

1. Mata Atlântica
Em fevereiro de 1832, o Beagle chegou a Salvador. Nas vizinhanças da capital baiana, e depois no Rio de Janeiro, Darwin ficou fascinado com a exuberância da Mata Atlântica, suas orquídeas magníficas e uma profusão de insetos desconhecidos no Velho Mundo

2. Fósseis argentinos
Na Argentina, o cientista desenterrou fósseis de gigantescos quadrúpedes pré-históricos, entre os quais "partes de três cabeças de megatérios". Era uma descoberta sensacional: naquele momento, havia na Europa um só fóssil de megatério (num museu espanhol)

3. Estreito de Magalhães
No final de maio de 1834, o Beagle ingressou no estreito de Magalhães e iniciou a perigosa travessia. Em 10 de junho, o navio prosseguiu pelo canal Magdalen, que havia sido descoberto pouco tempo antes. No dia seguinte passou a navegar pelo oceano Pacífico

4. A vida em GalÁpagos
Darwin considerou as ilhas Galápagos um santuário de espécies únicas, como as tartarugas gigantes. Em cada ilha havia um tipo diferente de tartaruga: em seus relatos de viagem, ele conta que as da ilha Hood tinham carapaças altas "como uma sela espanhola"

5. Os corais do Taiti
Observando os corais do Taiti, o inglês contestou a teoria de que eles eram a ponta mais alta de vulcões submarinos. Pesquisas posteriores, na Austrália e em ilhas do Pacífico, comprovaram que as colônias de corais podem se estender por milhares de quilômetros

6. A volta para casa
Quando o Beagle chegou à África do Sul, Darwin soube que suas cartas sobre a geologia sul-americana haviam sido publicadas em livro na Inglaterra. Ele ainda tinha um diário de 770 páginas e cerca de 1750 páginas de notas sobre geologia e zoologia


Tartarugas de galápagos

No vulcão Darwin
As gigantescas tartarugas-de-galápagos (Geocheloni elephantopus) têm atualmente 11 subespécies. A microphyes é encontrada na Ilha Isabela, a maior do arquipélago, nas encostas meridionais e ocidentais do vulcão Darwin. Funcionários da Estação de Pesquisas Charles Darwin estão conseguindo recuperar a população, dizimada por baleeiros no século 19

George, o solitário
A mais famosa tartaruga das Galápagos é proveniente da ilha Pinta. Trata-se de um macho, conhecido como "Solitário George", último exemplar da subespécie abingdoni. Encontrado em 1971, George vive na Estação de Pesquisas Charles Darwin. Os cientistas procuram uma namorada para ele, mas George, até agora, não demonstrou interesse pelas candidatas

Escapando dos ratos
A Geocheloni elephantopus ephippium é proveniente da pequenina ilha Pinzón. A população diminuiu desde o final do século 19, por causa da chegada de ratos (trazidos por navios), que devoram os ovos e os filhotes. Hoje vivem no local cerca de 150 tartarugas adultas e mais de 200 jovens, nascidas na Estação de Pesquisas Charles Darwin

Em nome de Deus
Charles Darwin nasceu em 1809 na Inglaterra. O pai, médico, matriculou-o aos 16 anos na Faculdade de Medicina de Edimburgo (Escócia). Como ele não demonstrava inclinação para a carreira, foi estudar Teologia em Cambridge. Lá, ficou amigo do naturalista John Henslow. Foi ele quem indicou o jovem para integrar uma expedição de volta ao mundo, em 1831. Depois de cinco anos, Darwin virou cientista respeitado e com um livro publicado (Henslow editara suas cartas sobre a geologia sul-americana). Duas décadas mais tarde, lançou suas teorias sobre a origem e a evolução das espécies. Ao morrer, em 1882, já era um dos maiores cientistas do nosso tempo.

sábado, 20 de março de 2010

Livro traz o essencial sobre a obra de Charles Darwin

05/05/09 - 09h56 - Atualizado em 05/05/09 - 09h56

Livro traz o essencial sobre a obra de Charles Darwin e a teoria da evolução
Obra reúne contribuições de biólogos, psicólogos e historiadores.
Textos curtos ajudam a entender o impacto da visão evolutiva sobre a vida.




Foto: Reprodução Livro é introdução sucinta à obra de Darwin e à teoria da evolução (Foto: Reprodução)As comemorações do Ano de Darwin ainda estão longe de acabar. Após a comemoração do segundo centenário do nascimento do naturalista britânico no começo deste ano, ainda celebraremos, em novembro, os 150 anos de seu maior clássico, "A origem das espécies". Diante da profusão de dados sobre a teoria da evolução e o legado de Darwin, por onde o leigo interessado em entender essa parte fundamental da biologia deve começar? As opções são muitas, mas uma das melhores nos últimos tempos é o livro "Charles Darwin: em um futuro não tão distante".



A verdade é que qualquer leigo inteligente é capaz de entender ao menos o essencial de uma dada teoria científica, mas para isso ele precisa de um "vocabulário" ou "alfabeto" básico da área -- mais ou menos como as pessoas precisam saber o que são átomos e moléculas para conseguir entender química. O grande mérito do livro, produzido pelo Instituto Sangari, reconhecido por suas ações na área de divulgação científica, é trazer para o leitor esse vocabulário, com textos curtos, objetivos e precisos. Os organizadores Maria Isabel Landim e Cristiano Moreira, do Museu de Zoologia da USP, conseguiram reunir um timaço de autores, entre os quais se destacam o etólogo (especialista em comportamento animal) César Ades, da USP, o geneticista Sérgio Pena, da UFMG, e a neurocientista Suzana Herculano-Houzel, da UFRJ.



Em obras comemorativas desse calibre, não podem faltar breves resumos biográficos sobre Darwin, incluindo sua visita ao Brasil. Temas polêmicos, como a verdadeira natureza das chamadas raças humanas (conclusão rápida: elas provavelmente não existem) ou a diferença entre o nosso cérebro e o de outros primatas (resultado: não somos tão especiais quanto parecemos). Mas a verdadeira jóia do livro para quem realmente quer entender a teoria da evolução são as 30 páginas escritas por Mário de Pinna, também do Museu de Zoologia da USP.



O pesquisador vai fundo na lógica da biologia evolutiva, do padrão de "arbusto" que explica a ramificação dos vários grupos de seres vivos -- e que deixa claro que não descendemos dos macacos, mas somos apenas "primos" deles, compartilhando com outros primatas um ancestral comum -- até a centralidade da seleção natural, bem como o fato de que ela não produz entidades perfeitas, mas apenas seres adaptados a determinadas condições localizadas no espaço e no tempo.



Também é louvável o fato de que os autores evitam ao máximo entrar em polêmicas religiosas ou teológicas ao abordar o tema. Se há um defeito no livro, não é a falta de didatismo, que na verdade abunda, mas o texto às vezes ligeiramente acadêmico, não muito sedutor para o leitor comum. Mas a iniciativa, de qualquer maneira, merece louvor.



Charles Darwin: em um futuro não tão distante

Maria Isabel Landim e Cristiano Rangel Moreira (org.)

Instituto Sangari

168 págs.

R$ 35,00