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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Refugiados - Pessoas sem nação

REFUGIADOS - Pessoas sem nação



Cidade dos sem-país

O campo de Kakuma, no Quênia, foi construído em 1992 para abrigar provisoriamente os "garotos perdidos", crianças e adolescentes obrigados a deixar o Sudão. Virou permanente e cresceu - a população beira 100 mil pessoas. Uma cidade de tamanho médio habitada por gente que não tem para onde ir, mas também não pode trabalhar, plantar, nem criar gado.



Continente na contramão

Nas mãos da refugiada, o mapa da África central. Dos mais de 17 milhões de pessoas que procuram por refúgio no mundo inteiro, estão no continente cerca de 4,3 milhões - o correspondente a mais de 0,5% de todos os africanos. Além dos negros sudaneses - fugitivos da limpeza étnica promovida pelo governo árabe - Kakuma recebe refugiados de países como Somália, Etiópia e Uganda.



Com teto, sem futuro

Esta é a casa de Peter, um dos "garotos perdidos" que ainda vivem em Kakuma (ele não está na foto). Apesar de não contarem com luz elétrica ou água encanada, os moradores do campo geralmente têm mais confortos que os cidadãos quenianos que moram nos entornos. "O drama dessas pessoas é a falta de futuro", diz Marie Ange Bordas, autora destas fotos.



Estudo para nada

Mantidas por organizações não-governamentais, as escolas de Kakuma são freqüentadas por 70% a 80% das crianças do campo. Os alunos saem de lá alfabetizados em inglês e swahili, as línguas oficiais do Quênia. Mas o conhecimento tem pouco uso prático: os refugiados estão impedidos de voltar a suas pátrias, tampouco se integrar à sociedade queniana. E a realocação em outros países é coisa para muito poucos.



Retratos de uma refugiada

As imagens destas páginas fazem parte da exposição Deslocamentos, da fotógrafa e jornalista gaúcha Marie Ange Bordas. Além de Kakuma (Quênia), o projeto retrata o cotidiano de refugiados urbanos em Johannesburgo (África do Sul) e em Massy (França). Nos 3 lugares, visitados entre 2001 e 2004,Marie Ange se "infiltrou" nas comunidades - morou em suas casas, comeu de seu alimento. Ela afirma que a idéia surgiu a partir de reflexões sobre sua própria experiência: "Já morei em 7 países, então sei bem qual é a sensação de não pertencer a lugar nenhum".



Soldadinhos na lama
A guerra de brincadeira diverte os meninos. "Eles me disseram que reproduziam o que acontecia nas suas aldeias", diz Marie Ange. A situação dos adultos não é melhor: apenas 3 mil têm ocupação - o resto é proibido de trabalhar - em um lugar onde o lazer é quase inexistente. Uma das poucas diversões está nas videohouses, cabanas que exibem sessões de filmes de pancadaria no videocassete.

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