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terça-feira, 13 de junho de 2023

PLACAS FOTOVOLTAICAS - Energia solar sem fio é transmitida do espaço para a Terra pela 1ª vez

PLACAS FOTOVOLTAICAS - Energia solar sem fio é transmitida do espaço para a Terra pela 1ª vez

O Instituto de Tecnologia da Califórnia fez um anúncio inovador sobre a transmissão de energia solar do espaço para a Terra sem a necessidade de conexões físicas. Essa conquista marca um marco significativo.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

FOTOVOLTAICA - Energia solar supera eólica e se torna 2ª maior fonte brasileira

FOTOVOLTAICA - Energia solar supera eólica e se torna 2ª maior fonte brasileira

Incentivos econômicos à instalação de usinas fotovoltaicas, menores custos da fonte e benefícios ambientais impulsionam resultado.

quinta-feira, 7 de julho de 2022

PLACA FOTOVOLTAICA - Tesla mostra atrelado solar na Alemanha

PLACA FOTOVOLTAICA - Tesla mostra atrelado solar na Alemanha

A Tesla aproveitou a IdeenExpo na Alemanha para mostrar algumas curiosidades, como um atrelado solar com Starlink e as baterias estruturais com células 4680.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Filtro que purifica água usando luz solar rende prêmio da ONU para jovem brasileira

Filtro que purifica água usando luz solar rende prêmio da ONU para jovem brasileira


Pela primeira vez, uma brasileira ganhou o prêmio Jovens Campeões da Terra Meio Ambiente, da Organização das Nações Unidas (ONU). 

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Tesla começa a produzir em larga escala telhas que geram energia solar

Tesla começa a produzir em larga escala telhas que geram energia solar


A telha solar da Tesla já foi testada, aprovada e agora está sendo comercializada em pequena escala em Fremont, na Califórnia. 

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Debate - Fevereiro de 2019

Debate - Fevereiro de 2019




Segue as 50 POSTAGENS  discutidas no DEBATE DO FERIADO DE CARNAVAL (iniciado em 27/05/2018) em FÓRUM FECHADO.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Índia inaugura a maior usina de energia solar do planeta


Índia inaugura a maior usina de energia solar do planeta

Usina tem capacidade de abastecer 150 mil casa e custou 2,1 bilhões

A Índia inaugurou a maior usina de energia solar do planeta este ano em Kamuthi. Com capacidade para gerar 648 MW/h, a usina ocupa uma área de cerca de 10km2 e ultrapassou a americana Topaz Solar Farm, até então a maior em atividade.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Paineis solares para janelas - Transparentes


Paineis solares para janelas - Transparentes


Pesquisadores da Universidade Estadual de Michigan desenvolveram um novo tipo de painel solar quase completamente transparente.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Bairros pobres nos EUA ganharão paineis solares comprados com dinheiro de poluidoras


Bairros pobres nos EUA ganharão paineis solares comprados com dinheiro de poluidoras


Bairros pobres no estado da Califórnia, nos Estados Unidos, receberão paineis solares comprados com o dinheiro de empresas que poluem o meio-ambiente. O projeto foi idealizado pela ONG Grid Alternatives, de Oakland, e utiliza a verba resultante de uma lei estadual que exige medidas compensatórias das companhias poluidoras. 

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Enfrentando a natureza condições climáticas podem ser o melhor aliado e o pior inimigo do primeiro avião solar


Enfrentando a natureza condições climáticas podem ser o melhor aliado e o pior inimigo do primeiro avião solar


O Solar Impulse Project foi destinado basicamente para duas questões. Uma delas é o estudo, design e desenvolvimento do primeiro avião solar. A segunda questão é o entendimento dos fatores meteorológicos com os quais um voo tem que interagir para poder aproveitar o melhor das condições climáticas favoráveis, assim como lidar com as adversas.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Invento evita evaporação de represas e gera energia


Invento evita evaporação de represas e gera energia

O aparato funciona como uma capa protetora para a superfície da água, diminuindo o fluxo de evaporação.[Imagem: RePower Design]


Antievaporadores
Se as chuvas não enchem as represas, pode ser possível evitar que uma parte da água evapore, restando mais para abastecer a população ou gerar energia.

Esta é a ideia de Moe Momayez e Nathan Barba, da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Cidade inglesa vai plantar 'árvore solar'


Cidade inglesa vai plantar 'árvore solar'


Feita de metal, escultura possui 36 painéis solares espalhados em sua copa como se fossem folhas.
Uma "árvore solar" de quatro metros de altura será instalada no centro da cidade de Bristol, no sudoeste da Inglaterra.

terça-feira, 16 de julho de 2013

China quer quadruplicar capacidade de geração de energia solar


China quer quadruplicar capacidade de geração de energia solar


Trabalhadores montam painel solar na companhia chinesa Suntech (Foto: Peter Parks/AFP)

Objetivo é acrescentar 10 Gigawatt por ano até 2015.
Analistas veem salto na produção com ceticismo.

sábado, 4 de maio de 2013

Avião movido a energia solar chega a Phoenix após 18 horas de voo


Avião movido a energia solar chega a Phoenix após 18 horas de voo

Piloto comemora aterrissagem do Solar Impulse. 
(Foto: Reprodução/live.solarimpulse.com)

Solar Impulse finalizou a primeira etapa de sua longa travessia dos EUA.
Ainda restam quatro etapas para concluir trajeto.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Partículas Fantasmas do Sol - Astrofísica


PARTÍCULAS FANTASMAS DO SOL - Astrofísica



Capazes de atravessar a terra como se nada houvesse em seu caminho, os neutrinos gerados pela fornalha solar revelam detalhes de sua natureza íntima.

Se o Sol, por algum motivo, parasse de produzir energia, as forças que lhe dão sustentação interna deixariam de existir. Em conseqüência disso, a imensa esfera solar desmoronaria sobre si mesma e explodiria, destruindo a Terra e todos os outros planetas. Por incrível que pareça, porém, durante muitos anos a luz e o calor que o Sol armazena assegurariam sua integridade e nenhum vestígio da catástrofe em andamento transpareceria em sua superfície. Ironicamente, o único sinal de alerta seriam partículas subatômicas, invisíveis e dificílimas de detectar, denominadas neutrinos. Foi, portanto, com grande surpresa que, depois de dar caça aos neutrinos durante duas décadas, os cientistas descobriram que essas furtivas entidades não estavam jorrando do Sol na devida proporção.
Esse fato é tão intrigante, que pelo menos durante algum tempo, chegou-se a imaginar, com seriedade, se o coração do Sol não estaria danificado. "Foi uma tentativa desesperada de eliminar o mistério", relata o físico americano Murray Gell-Mann, um dos gênios que elucidaram a mecânica das partículas subatômicas, nos últimos trinta anos. Ele esclarece que essa proposta nunca teve muitos adeptos mas expõe com clareza as estranhas proezas do neutrino, visto como uma espécie de fantasma entre as partículas elementares.
O motivo é a facilidade com que ela atravessa os mais sólidos e espessos obstáculos - por exemplo, quando escapa do centro do Sol, onde está encerrado por 650 000 quilômetros de gases altamente comprimidos. Nessa fornalha, fonte de toda a energia solar, a temperatura eleva-se a 15 milhões de graus, e um volume de gases com o tamanho de um balde chega a pesar 1 tonelada, quinze vezes mais que um balde de chumbo na Terra. Em vista disso, quando uma porção de energia toma a forma de um raio de luz, por exemplo, esse imediatamente colide com uma infinidade de átomos, em frenética agitação. E acaba prisioneiro de um violentíssimo bilhar atômico do qual demora 1 milhão de anos para fugir e chegar ao espaço. Totalmente diferente é a situação dos neutrinos: como se nada houvesse no seu caminho, trespassam o Sol com a velocidade da luz e em minutos atravessam também a Terra e toda a sua população. De acordo com a teoria, trata-se de um verdadeiro dilúvio: a cada segundo, nada menos que 600 bilhões deles atravessam o corpo de uma pessoa. Mas, naturalmente, ninguém sente o menor impacto, já que, para tais partículas, o corpo humano é tão rarefeito quanto o espaço sideral. Essa profunda falta de sensibilidade impressionou os próprios cientistas desde que, literalmente, tropeçaram no neutrino, há sessenta anos. O ponto de partida foi um inesperado sumiço de energia nos átomos de rádio, cujo núcleo periodicamente se fragmentava e emitia elétrons muito rápidos - esse fenômeno, desde então, passou a chamar-se radioatividade.
Como a energia final desses fragmentos era menor que a energia inicial contida no rádio, deduziu-se que, além do elétron, havia mais uma partícula, até então desconhecida. Ela transportaria a energia que faltava. Suas características desafiavam a imaginação, pois parecia ser mais leve que o elétron, a mais leve das partículas, e também não possuía carga elétrica (a palavra neutrino foi usada para indicar uma partícula pequena e eletricamente neutra). Apesar disso, em 1930, o físico austríaco Wolfgang Pauli (1900-1958) assumiu sua paternidade.
Bem-humorado, ele justificou sua decisão numa carta aos grandes especialistas da época, então sediados na Universidade de Zurique, na Suíça, chamando-os de "senhoras e senhores radioativos". Reconheceu seu ousado gesto, mas afirmou que era a melhor saída diante do que se observava na desintegração do rádio. Mas a existência do neutrino só foi comprovada em 1954, depois da construção das usinas nucleares, que são copiosas fontes de radiação. Mesmo assim, não foi possível medir a sua massa e, nos anos seguintes, fortaleceu-se a hipótese de que ela era rigorosamente zero.
Foi esse fato que acabou transformando o neutrino num personagem popular, mesmo fora da universidade. Prova disso é o divertido poema que o romancista americano John Updike decidiu dedicar-lhe. Intitulado "Cosmic Gall" (Indiscrição cósmica), o poema ironiza a capacidade do neutrino de atravessar todas as coisas, inclusive a intimidade de um quarto de dormir. No fim, considera tudo isso uma grande "falta de educação". Mas, não por acaso, Updike escreveu esses versos nos anos 60, período em que a importância do neutrino começou a crescer, chamando a atenção para suas folclóricas propriedades materiais. O grande físico brasileiro Mário Schenberg, atualmente aposentado pela Universidade de São Paulo, contribuiu para isso. Ele foi um dos primeiros a tomar consciência, por exemplo, do papel decisivo dessa partícula durante a explosão e morte das estrelas: ela é nada mais, nada menos que o gatilho responsável por essa explosão.
O problema é que, nos instantes finais de sua vida, as estrelas oscilam fortemente. Quando o seu combustível nuclear se esgota, tendem a desmoronar, porque é o fluxo de energia de dentro para fora que mantém as estrelas inteiras, como se fossem um balão inflado. O desmoronamento, no entanto, comprime as regiões internas e, assim, acelera a queima dos restos de combustível, aumenta a produção de energia e volta a inflar a estrela. Até a década de 40, não se conhecia nenhum meio capaz de tirar o astro agonizante desse vai-e-vem, mas Schenberg sugeriu que o neutrino poderia decidir a parada. Produzido em proporções anormalmente altas, numa das contrações finais, ele podia drenar energia para fora da estrela, já que quase não interage com a matéria. O resultado é que as camadas externas desabam num átimo e produzem uma explosão capaz de estilhaçar definitivamente a estrela.
O brasileiro recorda que, por analogia com o antigo Cassino da Urca, no Rio de Janeiro, esse mecanismo foi chamado de "Processo Urca". Ele diz que os neutrinos roubavam energia na mesma velocidade com que o dinheiro deixava o bolso dos jogadores no cassino. Esse processo foi espetacularmente comprovado, em 1987, durante a mais próxima explosão estelar já registrada pelos astrônomos, denominada Supernova 197 A. Um pouco antes da detonação, de fato, diversos detectores na Terra assinalaram uma forte vaga de neutrinos, os primeiros até então captados do espaço exterior. Foi uma dupla vitória, pois o registro também confirmou a eficiência dos detectores. O mais antigo deles, construído pelo físico americano Raymond Davis, em 1968, para tentar medir as emissões solares, emprega 600 toneladas de um detergente de tinturaria, o percloretileno. O motivo é que os átomos de cloro desse produto têm uma chance de reagir com os neutrinos e denunciá-los. 
A imensa maioria passa despercebida, mas, como a quantidade é muito grande, pelo menos alguns são registrados. Desde o início, Davis sabia que o número de reações seria muito baixo- apenas três a cada dois dias. Isso é tão pouco, que a experiência poderia ser deturpada por diversos outros fenômenos produtores de neutrinos, como a radioatividade das centrais nucleares e os raios cósmicos (partículas pesadas vindas do espaço). Esse fato obrigou o físico a enterrar o seu tanque sob 2 000 metros de rochas, no fundo de uma mina abandonada, no estado de Dakota do Sul, Estados Unidos. A massa de rochas, raciocinou ele, serviria de filtro contra influências indesejáveis.
O esquema deu certo, mas foram necessários vinte anos para aprimorar o instrumento. O procedimento, em si, era bem simples, pois, de acordo com a teoria, o neutrino deveria colidir com os átomos de cloro e transformá-los em átomos de argônio. Ao cabo de algum tempo, esses últimos eram extraídos do tanque por meios químicos e contados tinha-se, assim, o número de neutrinos detectados. Na prática, porém, não era brincadeira vasculhar 600 toneladas de percloretileno. Mesmo ao cabo de dois meses, a uma taxa teórica de três neutrinos a cada dois dias, esse formidável volume esconderia apenas noventa átomos de argônio.
Depois de afastadas todas as dificuldades, surgiu a primeira evidência de que a Terra não recebia tantos neutrinos solares quanto deveria. A contagem do detector de Davis limita-se sistematicamente a apenas um neutrino a cada dois dias e desde 1987 essa medida recebeu o aval de um detector mais preciso, o Kamiokande II, construído pelos japoneses. Finalmente, há alguns meses, um sofisticado aparelho de nome Sage, montado na província de Baksan, na União Soviética, parece ter posto fim a todas as dúvidas. De qualquer forma, o número dessas complicadas "antenas" líquidas vai ampliar-se: uma delas, a Gallex, está em fase de conclusão, na Itália, e outra, a ser instalada no Canadá, encontra-se em fase de projeto.
No Brasil, existe a idéia de aproveitar, com esse fim, antigos túneis da mina de ouro de Morro Velho, em Minas Gerais. "Os primeiros estudos já foram feitos e estamos aguardando a liberação de verba para prosseguir no trabalho", diz o físico José Augusto Chinellatto, da Universidade de Campinas, SP. Desde os primeiros resultados de Davis, entretanto, as idéias sobre o dilema modificaram-se bastante, e ninguém mais duvida que as emissões do Sol estão em ordem. Os neutrinos é que parecem ser ainda mais escorregadios do que se pensava. Eles existem em três variedades diferentes e podem transformar-se uma na outra, e assim escapar dos detectores. Esses, até agora, são sensíveis apenas à variedade observada por Pauli, que sempre aparece nas desintegrações associada com o elétron.
Mas também existem neutrinos associados a mais duas partículas parecidas com o elétron, o múon e o teu. Quando os neutrinos do tipo elétron deixam o Sol, interagem fracamente com a matéria e, em decorrência disso, dois terços deles se transformam em neutrinos do tipo múon e do tipo teu. Assim se explica por que apenas um terço do fluxo original produzido pelo Sol deixa marcas nos detectores terrestres. Mas a transformação só é possível, dizem os físicos, se as partículas, tiverem massa, que, segundo os cálculos já feitos, deve ser 25.000 vezes menor que a do elétron. Não é muita coisa: para alcançar um milésimo de grama, o número de partículas que caem sobre uma pessoa a cada segundo - 600 bilhões - teria que ser 40 bilhões de vezes maior.
Mesmo assim, as conseqüências desse fato podem ser muito relevantes para a Física moderna, boa parte da qual se baseia na suposição de que a massa do neutrino é zero. O próprio destino do mundo está em jogo, pois o número de neutrinos é tão grande, que, por mais leve que seja, pode aumentar substancialmente a massa do Universo. Hoje se discute se o Cosmo vai se expandir eternamente, ou se voltará a se contrair até se tornar um ponto de altíssima densidade, tal como era no início dos tempos. A escolha de um ou outro caminho depende da sua massa total. Não se sabe, ainda, se a massa do neutrino pode ditar os rumos do Universo. Mas, como se vê, mesmo um fantasma pode decidir questões bem concretas. 

A Força do Sol - Energia


A FORÇA DO SOL - Energia



Utilizadas a princípio nos satélites, as células de energia fotovoltaica desceram à Terra e fazem a luz do dia virar eletricidade.

Transformar a luz do Sol diretamente em energia elétrica parece enredo de ficção científica. Mas desde que um satélite americano lançado em 1959 foi assim alimentado, a energia fotovoltaica, nome dessa quase mágica, deixou de ser sonho futurista. A técnica de usar pequenas lâminas para captar a luz do Sol e gerar eletricidade foi lentamente saindo dos laboratórios até chegar à aplicação prática na vida cotidiana. Hoje, a forma mais banal de energia fotovoltaica se encontra nos relógios e calculadoras solares. A aplicação mais importante, porém, é fornecer energia em lugares isolados, distantes das redes elétricas, o que a longo prazo pode significar uma bela solução para países subdesenvolvidos. Energia fotovoltaica é bem diferente de energia solar termal, que já existe até em residências, onde o calor do Sol é usado para aquecer água. A conversão da luz em eletricidade é feita pelas células fotovoltaicas, pequenas lâminas circulares recobertas por uma camada de décimos de milímetro de um material semicondutor, como o silício - o mesmo usado nos chips de computadores. Quando as células são expostas a uma fonte de luz, nesse caso o Sol, os fótons (partículas de luz) excitam os elétrons do semicondutor.
Com a energia absorvida dos fótons, os elétrons passam para a banda de condução do átomo e criam corrente elétrica, que será captada por pistas metálicas. As células são depois agrupadas para formar os painéis solares. Essa forma de produzir energia não causa danos ao meio ambiente, não polui e normalmente não precisa de movimentos de máquinas para funcionar. Nem por isso é a solução para todos os problemas energéticos do mundo. A energia fotovoltaica ainda é mais cara do que a proveniente de petróleo, usinas nucleares ou hidrelétricas. Foi só a partir da primeira grande crise do petróleo, no começo da década de 70, que a idéia de se usar tal energia comercialmente ganhou corpo. Naquela época, a produção de energia fotovoltaica custava nos Estados Unidos 60 dólares por kilowatt/hora. Com o desenvolvimento em laboratórios e o aumento da produção, hoje custa cerca de 30 centavos de dólar por kilowatt/hora, e mesmo assim o preço é cinco vezes superior ao das formas de energia convencionais. Por isso, não se pensa em substituir usinas por painéis solares, fazendo o mundo todo viver à luz do Sol. A energia fotovoltaica simplesmente apresenta melhores soluções para problemas que as outras fontes de energia foram menos eficientes em resolver.
A maior utilização em larga escala acontece na Califórnia, Estados Unidos, onde foram implantadas centrais elétricas fotovoltaicas pioneiras de grande porte. Compostas por gigantescos painéis com milhares de células, controlados por computador para acompanhar a trajetória do sol tal qual girassóis, elas dão suporte à rede pública fornecendo mensalmente centenas de megawatts. Os painéis solares cobrem o aumento de consumo justamente ao meio-dia, quando o sol é mais intenso e a demanda de eletricidade aumenta, porque os aparelhos de ar condicionado funcionam com potência máxima. Para substituir toda a produção de energia elétrica dos Estados Unidos por fontes de origem fotovoltaica, seria preciso um painel solar de 34 000 quilômetros quadrados, ou 0,37 por cento da área total do pais.
Quando se domina a tecnologia, a quantidade de aparelhos que surge é bem extensa. Com energia fotovoltaica já se criaram um equipamento de medição de emissões radioativas, dispensando qualquer tipo de bateria ou conexão à tomada, aparelhos de análises sangüíneas e até uma caixa de ferramentas que serve de módulo de energia fotovoltaica para a furadeira. 
Na costa americana, existem hoje mais de 11 000 sinalizadores marítimos alimentados por energia fotovoltaica. As vantagens são evidentes: antes, eram substituídos aproximadamente 200 quilos de baterias por ano; com as células solares é suficiente trocar apenas 30 quilos de bateria a cada cinco anos. Já em países subdesenvolvidos e escassamente povoados, a energia fotovoltaica é a melhor maneira de fazer chegar eletricidade em lugares distantes. Hoje já existem, inclusive no Brasil, estações retransmissoras das redes de telecomunicações, em locais no meio do mato e de difícil acesso, dotadas de células fotovoltaicas para a produção da eletricidade necessária. É uma solução economicamente mais viável do que estender até lá a linha de uma rede hidrelétrica. Na Índia, um projeto levou a 700 vilarejos distantes de grandes centros a energia fotovoltaica, que permite aos povoados ter uma televisão comunitária, bombeamento de água, iluminação pública e postos telefônicos.
No âmbito doméstico, com painéis fotovoltaicos e baterias recarregáveis é possível contar com energia elétrica durante as 24 horas do dia, em qualquer parte do mundo. Para eletrificar uma casa de campo ou uma fazenda, não é necessário estender a rede elétrica, depender de gigantescas baterias ou do funcionamento de um gerador a diesel. Pode-se obter um equipamento completo de energia fotovoltaica para alimentar, silenciosamente e sem necessidade de manutenção, a iluminação, a geladeira, a TV e o sistema de radioamador. À noite, quando o sol não brilha. a energia vem de uma bateria que foi sendo carregada durante o dia.
Embora cresça 25 por cento ao ano, o mercado de energia fotovoltaica ainda é pequeno. A potência elétrica total instalada no mundo é de 40 megawatts - uma central energética convencional produz sozinha vinte vezes mais. Prevê-se que apenas pela virada do século a energia do Sol possa se tomar competitiva. Um grande passo será dado logo em 1992, quando deverá entrar em operação a primeira central solar de 50 megawatts da Califórnia, onde o Estado investe para complementar a demanda de eletricidade diurna. Outro forte impulso virá dos laboratórios, com o aperfeiçoamento da tecnologia. que permitirá maior eficiência e diminuição nos custos.
A fabricação de células solares é parecida com a produção dos chips de computadores, baseada em materiais semicondutores. Depois de purificado, o silício é fundido num cristal cilíndrico. Depois, esse cristal será cortado por uma serra de dentes de diamante em fatias muito finas. Essas lâminas passam por etapas de limpeza e recozimento em fornos de alta temperatura, quando se difunde fósforo sobre elas.
A reunião de uma camada contaminada com fósforo ao silício puro constitui a junção semicondutora responsável pelo funcionamento da célula fotovoltaica. O passo seguinte é a impressão das pistas metálicas captadoras da energia elétrica liberada. A célula está pronta para ser montada nos painéis. No princípio dos anos 80, a matéria-prima das células fotovoltaicas, o caríssimo silício monocristalino, tinha grau de eficiência de 10 por cento.
Ou seja, de toda a luz do Sol que incidia sobre a célula, apenas 10 por cento viravam energia elétrica. Na fabricação em escala industrial, esse índice subiu para 15 por cento. O grau de eficiência máximo conseguido até agora em laboratório é de 28,5 por cento. Um sílicio monocristalino é um cristal perfeito, com seus elementos dispostos de forma ordenada, como os apartamentos de um prédio. Custa caro porque muita energia é gasta para produzi-lo Existe também o silício policristalino, mais barato, porque consome menos energia em sua produção, onde os grãos são maiores e mais desorganizados, como se em lugar de um prédio houvesse um monte de casas sobrepostas. O policristalino ganha no fator custo mas perde na eficiência, pois seu rendimento máximo obtido até hoje é de 14 por cento.
Outro concorrente nessa disputa é o silício amorfo, desenvolvido em camadas não cristalinas. Diferentes das células solares, que têm o tamanho de um pires, os módulos amorfos são compostos por camadas de milésimos de milímetro de espessura, depositadas, por meio de gases, sobre lâminas de vidro ou de aço. Não há limite para o tamanho das células de silício amorfo: usinas automatizadas podem produzi-las em metros quadrados. As primeiras fábricas européias desses módulos fotovoltaicos estão em Munique, na Alemanha. O silício amorfo permite a fabricação de produtos sofisticados, como o teto solar que refrigera automóveis enquanto estão estacionados.
Com ele, também pode se tornar possível a produção de energia solar em grande escala. Em pouco tempo, as centrais ou usinas elétricas fotovoltaicas, com dimensões de quilômetros quadrados, deixarão provavelmente de ser uma utopia. Basta apenas que se consiga baratear a fabricação desse tipo de módulo, que possibilitará um dos projetos mais fascinantes para a aplicação da energia fotovoltaica. As fachadas dos grandes edifícios de escritórios, com seus milhares de metros quadrados de vidro, são ideais para receber um revestimento de silício amorfo. Assim, elas poderiam converter a luz do dia em eletricidade e atender parte da demanda energética do edifício. As primeiras experiências nesse sentido estão sendo feitas em Tóquio, no Japão.
As células solares das calculadoras de bolso nada mais são que plaquinhas de silício amorfo com um rendimento muito baixo, de apenas 3 por cento. Esse é justamente um dos problemas dessa tecnologia. O grau de eficiência alcançado até agora em células de grande dimensão é de 5 por cento, muito pouco para torná-lo comercialmente viável em demandas energéticas maiores do que uma calculadora. Outro problema é conseguir no amorfo a mesma estabilidade do silício mono ou policristalino, que mantém suas propriedades por vários anos. Em laboratório, a melhor marca alcançada foi de 15,6 por cento de rendimento, numa nova mistura de silício com cobre, índio e selênio.
A idéia que move as pesquisas e as aplicações da energia fotovoltaica não é substituir toda fonte de energia do mundo pela solar. Mesmo assim, os pesquisadores com olhos no futuro divisam grandes usinas fotovoltaicas instaladas em regiões desérticas com grande insolação. A estocagem da eletricidade produzida se daria pela produção de hidrogênio por eletrólise - hidrogênio que poderia se tornar no próximo século o principal combustível utilizado pelo homem. A curto prazo, a energia fotovoltaica tem a vantagem de ser autônoma. Ela é produzida e consumida no mesmo lugar, sem necessitar de ligação a redes de distribuição de energia. Uma residência dotada de painéis solares poderia até vender o possível excesso de energia que produzisse.

Luz para os trópicos

O Brasil dispõe de energia fotovoltaica desde 1978, quando a Telebrás importou a tecnologia solar para eletrificar uma de suas estações retransmissoras no interior de Goiás. Nessa mesma época, a Marinha também adotou o sistema para a eletrificação de seus sinalizadores e bóias. A partir de 1980, com a criação da Heliodinâmica, o Brasil não só passou a produzir células e painéis solares, como também começou a exportar células para países como Índia, Canadá, Alemanha e Estados Unidos. Um dos projetos pioneiros da Heliodinâmica foi a criação de um sistema fotovoltaico de bombeamento de água, implantado em Caicó no Rio Grande do Norte, em 1981. Os agricultores de uma fazenda no sertão passaram a dispor de água o ano todo para a lavoura.
Ainda que lentamente, o sistema já chegou a outras localidades do Nordeste e até mesmo à Ilha de Marajó, onde além de irrigar a terra, abastece bebedouros para o consumo do gado. No Pantanal Mato-grossense, muitas fazendas estão equipadas com células solares. Só que nesses lugares elas alimentam sistemas de radiocomunicação, refrigeração, iluminação, televisores e recepção de sinais via satélite por antenas parabólicas. É uma opção bem mais barata a longo prazo do que fazer chegar até lá a rede elétrica, ou mesmo fornecer energia com um gerador a diesel. Mas o investimento inicial para a implantação dos painéis ainda é maior do que o exigido para a energia convencional, o que limita sua aplicação a projetos subsidiados pelo governo ou a particulares de alto poder aquisitivo.
O Exército brasileiro entrou na era da energia solar a partir de 1988, quando equipou com energia fotovoltaica dois pelotões na Amazônia, parte do projeto de ocupação militar das fronteiras conhecido como Calha Norte. Os sistemas suprem os acampamentos com energia elétrica para iluminação externa de emergência, refrigeradores, radiocomunicação e recepção de televisão via satélite. Mesmo num estado tão eletrificado como São Paulo, ainda há lugares sem energia, onde a tecnologia fotovoltaica está sendo usada para fornecer eletricidade a postos de saúde.
Embora todo o país tenha um clima propício ao uso da energia fotovoltaica, a Região Nordeste é a que melhor se adapta a sua aplicação, por ter muito sol brilhando e deficiência de energia instalada. A Companhia Hidrelétrica do São Francisco, Chesf, tem um projeto para implantar em Recife a primeira usina de energia solar do país, com a meta de chegar a produzir 1 megawatt. Até em alto-mar a energia fotovoltaica já viajou. Quando o navegador Amyr Klink cruzou o Atlântico, seu barco a remo Paraty levava um painel de células fotovoltaicas para alimentar o radiocomunicador.

domingo, 25 de novembro de 2012

Organizações dizem que Brasil desperdiça potencial de energia limpa



Organizações dizem que Brasil desperdiça potencial de energia limpa

Usinas eólicas instaladas no Rio Grande do Sul (Foto: Divulgação/ABEEólica)

Relatório de ONGs afirma que energias solar e eólica são subaproveitadas.
Texto aponta que sistema atual de geração de energia tem grandes perdas.

Relatório elaborado por organizações não governamentais, divulgado nesta segunda-feira (12), aponta que o Brasil não aproveita seu potencial de geração de energia solar e eólica devido à falta de infraestrutura.

De acordo com o documento “O setor elétrico brasileiro e a sustentabilidade no século 21: oportunidades e desafios”, produzido por especialistas da área ambiental e técnicos de ONGs como WWF, Greenpeace e Instituto Socioambiental (ISA), gargalos técnicos impedem o crescimento dessas modalidades consideradas limpas.

O texto diz que a falta de estrutura para transmissão e distribuição de energia eólica inviabiliza a instalação de mais torres pelo país. Segundo dados do Atlas Eólico Brasileiro, o país tem potencial para gerar 143 GW apenas com a força dos ventos, número que é 12 vezes maior que a capacidade instalada da futura usina hidrelétrica de Belo Monte, em construção no Rio Xingu, no Pará.

Outro entrave citado no documento está ligado à falta de mão-de-obra e de tecnologias para suprir o setor, o que inviabilizaria uma “arrancada” na expansão desta forma de geração de eletricidade. Sobre a energia solar, o relatório aponta que se fosse aproveitada a luz solar para consumo elétrico em menos de 3% da área urbanizada do Brasil, seria possível atender a 10% de toda a demanda atual de energia elétrica do país.

No entanto, projetos do governo que implantam placas solares em regiões distantes dos grandes centros consumidores torna inviável economicamente a construção de redes de transmissão. “Os maiores entraves ao aproveitamento e à expansão da energia solar no Brasil seguem sendo a falta de incentivos e políticas públicas que consolidem a indústria e o mercado”, informa o documento.

Desperdício e custo maior ao consumidor

O texto faz críticas à política brasileira de geração de energia por hidrelétricas e aponta possíveis prejuízos ao meio ambiente e a culturas indígenas devido a implantação de empreendimentos na Amazônia.

O relatório afirma também que o país tem registrado grandes perdas de quantidades de energia elétrica devido a problemas no sistema de transmissão elétrico. Baseado em dados Tribunal de Contas da União (TCU), o documento diz que em 2004 as perdas técnicas (causadas pelas peculiaridades do sistema) e comerciais (por exemplo, instalação de "gatos") de energia no país foram de 20,28% do total gerado.

O índice supera em muito os registrados em países vizinhos como Chile (5,6%) e Colômbia somadas (11,5%%) no mesmo período. Ainda segundo o relatório, tais perdas teriam causado um reajuste de ao menos 5% na tarifa ao consumidor. 

Energia solar é alternativa para obter eletricidade em meio a reserva ambiental. Distância de grandes centros consumidores inviabiliza instalação de redes transmissoras. 

Perda é inevitável, diz operador nacional

De acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a perda técnica é inevitável e está associada ao processo de transmissão. Segundo o órgão, o aquecimento dos cabos durante as transmissões provoca tais extravios, considerados naturais e com índices que se igualam a padrões mundiais.

Sobre as perdas comerciais, o ONS afirma que é um problema que deve ser resolvido pelas distribuidoras, já que seriam provocadas por vários fatores, entre eles, ligações clandestinas (conhecidas como gatos) em diversas cidades.

De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), entre 2007 e 2010 as perdas técnicas de energia no país atingiram índice de 7%. A Aneel não divulgou o percentual de perdas comerciais para o mesmo período.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

S.O.S. Ozônio

S.O.S. OZÔNIO



Um buraco na camada de ozônio sobre a Antártida, maior que toda a América do Sul, ameaça o clima do planeta. Tudo indica que o culpado é um produto usado em sprays, geladeiras e embalagens para sanduíches. Apesar das advertências dos cientistas, pouco se faz para acabar com esse grave perigo.

O alarme começou a soar há mais de dez anos e nos últimos meses aumentou de intensidade, causando impacto no mundo inteiro. A camada de ozônio que envolve a Terra como um escudo protetor contra os perigosos raios ultravioleta do Sol diminuiu de 3 a 7 por cento. Mas isso é uma insignificância comparado com o verdadeiro rombo que acontece sobre a Antártida, - alí, todo mês de setembro, no início da primavera, quase a metade da concentração de ozônio é misteriosamente sugada da atmosfera. O fenômeno cíclico deixa a descoberta uma área de 3 milhões de quilômetros quadrados, maior do que toda a América do Sul, ou 15 por cento da superfície do planeta.
Sem o filtro protetor do ozônio, os adoradores do Sol ficarão expostos diretamente a radiação ultravioleta média - aquela do período das 10 às 14 horas, que todo dermatologista adverte, como a mais perigosa para a saúde. Calcula a Academia de Ciências dos Estados Unidos que uma diminuição de 1 por cento da camada de ozônio pode causar 10 mil novos casos de câncer de pele por ano só entre os americanos. As estatísticas brasileiras não são tão precisas. Mas o cancerologista Francisco Belfort, do Hospital A.C. Camargo, em São Paulo, confirma: o número de casos de carcinoma -o tipo mais comum de câncer de pele está aumentando. Dos males este ainda é o menor.
As piores conseqüências da diminuição da camada de ozônio serão sentidas no clima do planeta. O engenheiro alemão naturalizado brasileiro Volker Kirshhoff, chefe do laboratório de ozônio do INPE (Instituto de Pesquisas Espaciais), explica por quê: "Na atmosfera", ele diz. "tudo funciona como um jogo de xadrez. Qualquer movimento de uma das peças pode abalar a posição das outras". Por isso, teme-se que a diminuição de ozônio possa contribuir para um futuro aquecimento da Terra, quando parte da calota polar derreter, causando inundações em outras áreas do planeta. Os cientistas chamam a essa catástrofe "efeito estufa".
Por enquanto, a situação é mais preocupante na Antártida, onde a perda anual de ozônio parece estar atrasando a chegada da primavera. Supõe-se que invernos mais longos tendam a comprometer o ciclo biológico das espécies animais e vegetais da região. Com maior segurança, os cientistas relacionam o déficit periódico de ozônio com a quebra da cadeia alimentar da fauna antártica. No ano passado, um erro atribuído à ministra do Meio Ambiente da Suécia, Birgitta Dahl, assustou os brasileiros.
Ela teria afirmado que o buraco na camada de ozônio cresceu tanto que atingiu o paralelo 16, no hemisfério sul, ou seja, o Sul da África, a maior parte da Austrália e metade da América do Sul. Na verdade, a ministra teria querido dizer paralelo 60, que nem alcança a Argentina. "Por sorte", explica o engenheiro Kirshhoff, "a extensão do buraco no ozônio não aumentou nos últimos dois anos." Pode ser que os seus limites estejam fixados pelas condições peculiares do clima na Antártida. De qualquer forma, há dez anos o INPE faz o monitoramento do ozônio sobre o Brasil por meio de balões e sondas, em operação conjunta com a NASA americana. E até agora não apareceram motivos de inquietação.
Quanto mais os cientistas investigam a causa da diminuição de ozônio na atmosfera, mais certos estão de que o homem, ou melhor, um composto químico chamado clorofluorcarbono, produzido pelo homem, está por trás desse desastre. Não deixa de ser uma ironia. Quando foi criado pelos químicos da General Motors em 1928, o clorofluorcarbono - ou CFC, iniciais dos três elementos que o compõem - parecia a maravilha das maravilhas. Podia ser usado com segurança como spray em inseticidas, produtos de limpeza e tinta, sem o risco de reagir com o conteúdo das latas.
Até o inicio da década de 70, o uso do CFC - também conhecido como Freon, marca do produto fabricado pela Du Pont - cresceu sem barreiras. Dos sprays, passou para os circuitos de refrigeração de geladeiras e aparelhos de ar - condicionado. Depois, tornou-se um dos elementos das fôrmas de plástico poroso usadas para embalar sanduíches, comida congelada e ovos, além de servir como solvente na indústria eletrônica. Não havia por que imaginar que uma matéria-prima tão útil pudesse ser também perigosa.
O primeiro alarme foi acionado em 1974 pelos químicos americanos Sherwood Roland e Mario Molina. Embora inofensivo na Terra - advertiam eles -, o CFC podia ser um veneno na atmosfera. Suas moléculas passavam intactas pela troposfera - a faixa de ar que vai da superfície até cerca de 10 mil metros de altitude, onde ocorrem todas as mudanças de clima do planeta - para desembocar na estratosfera. Ali, os raios ultravioleta do Sol quebrariam as moléculas de CFC e liberariam átomos do gás cloro.

Tudo igual nos céus do Brasil

Uma notícia tranqüilizadora para os brasileiros: a variação da camada de ozônio sobre o pais permanece estável - no máximo, aumenta ou diminui apenas 5 por cento. Pelo menos é o que dizem os instrumentos de medição do INPE. Desde 1978, o instituto acompanha a movimentação do gás na atmosfera. Quase duzentos balões já foram lançados da base da Barreira do Inferno, em Natal. As informações dos balões foram complementadas por foguetes e instrumentos de superfície instalados em Manaus, Belém, Natal, Fortaleza, Cuiabá e São José dos Campos.
Isso é possível graças a um convênio com a NASA, que fornece os equipamentos, inclusive foguetes do tipo Loki e Super-Loki, comparáveis ao Sonda-3, de fabricação nacional. Os americanos estão interessados no estudo do comportamento do ozônio perto do equador, algo até recentemente pouco conhecido. Nos últimos anos, o INPE tem aperfeiçoado suas medições. Começou a observar também o monóxido de carbono, que participa de uma série de reações quírnicas junto com o ozônio. O objetivo, diz Volker Kirshhoff, responsável pelas medições, é controlar os poluentes que podem afetar a vida na Terra.

O ozônio

uma molécula formada por três átomos de oxigênio (O3), reagiria com o cloro (Cl), formando monóxido de cloro (ClO) e mais oxigênio (O2).
A cadeia de reações químicas não ficaria nisso. O monóxido de cloro combinando-se com o oxigênio deixa novamente livres os átomos de cloro para reagir com o ozônio. Os cientistas que gostam de fazer contas no computador calculam que, por causa desse efeito cascata, cada átomo de cloro destrói 100 mil moléculas de ozônio da atmosfera. Eles ainda alertam para um detalhe importante - o CFC tem uma vida útil de pelo menos 75 anos. Portanto, já houve descarga suficiente do gás na atmosfera para comer o ozônio por quase um século - mesmo que nem um único grama de CFC fosse produzido daqui para a frente.
Pelo menos nos Estados Unidos, o susto com a descoberta dos cientistas foi grande - e a reação não tardou. Em 1978, os americanos trataram de banir o CFC da maior parte dos aerossóis - a exceção foram os remédios, como as bombinhas para asmáticos. Naquela época, os Estados Unidos usavam 470 mil toneladas de CFC em aerossóis e 350 mil em outros produtos. Só que desde então a situação se inverteu: em 1985, os americanos consumiam 235 mil toneladas de CFC em aerossóis e 540 mil toneladas em refrigeração, embalagens etc., ou seja, o banimento adotado dez anos atrás não resolveu grande coisa. Além disso, é claro, os Estados Unidos não são o único pais do mundo a usar produtos em spray.
Em 1979, a Du Pont - uma das maiores fabricantes mundiais de CFC - divulgou um comunicado, no qual dizia que todos os dados relativos à diminuição da camada de ozônio eram apenas projeções de computador baseadas em meras suposições. Foi então que estourou a bomba. Enquanto trabalhavam nas madrugadas gélidas do pólo sul, cientistas do Instituto Britânico de Pesquisas Antárticas descobriram acidentalmente que a concentração de ozônio sobre a região não só era muito mais baixa do que em qualquer lugar da Terra, como também vinha diminuindo a cada ano desde 1977.
A princípio, cientistas da NASA contestaram a informação, mas depois entregaram os pontos. E que o computador que manipulava as informações do satélite meteorológico Nimbus-7 estava programado para não levar em consideração mudanças como as que ocorriam nos céus da Antártida. Repassando todas as fitas gravadas, dessa vez com uma nova programação do computador, os cientistas americanos viram nos monitores surgir sobre o pólo sul uma acusadora mancha negra. Era a prova viva de que, de setembro a novembro, a camada de ozônio sobre a Antártida sofreria uma redução de 30 até 50 por cento. A partir dai, não havia mais dúvida sobre o que estava acontecendo na atmosfera.
Mas, também, como diziam funcionários do governo influenciados pelo lobby dos fabricantes de CFC, não havia certeza absoluta - como de fato não há até hoje - de que o gás era o principal culpado. Afinal, o que se convencionou chamar camada de ozônio é uma faixa de 30 mil metros de espessura, a partir de 15 mil metros acima da superfície terrestre, de um gás tão rarefeito que, se fosse comprimido a pressão e temperatura normais da Terra, formaria uma casquinha de apenas três milímetros. É impossível prever com exatidão o que acontece no seu interior. Ali, qualquer intromissão de gases quase tão perigosos como o CFC - como metano, dióxido de carbono, óxido nítrico - provoca mudanças. Descobriu-se, por exemplo, que o bromo um gás utilizado em extintores de incêndio, produz uma substância chamada halônio, cujo poder de destruição é dez vezes maior que o do CFC.
Se não conhecem detalhes, os cientistas têm uma visão bastante aproximada da vida íntima da atmosfera. Correntes de ar se deslocam dos pólos para o equador a baixa altitude e do equador para os pólos a altitudes mais elevadas, espalhando poluentes a milhares de quilômetros do local de origem. Mas na Antártida isso não ocorre. Durante o inverno, que começa em abril, a região permanece no escuro e os ventos giram em circu-los impenetráveis, que atraem massas de ar de outras partes da Terra com grandes quantidades de substâncias químicas. É o vórtex polar, onde ocorre o buraco na camada de ozônio. Em setembro, com os primeiros raios ultravioleta do Sol, as moléculas de CFC começam a se quebrar, destruindo o ozônio. O buraco só se fecha em novembro, com a renovacão do ar vinda de outras regiões.
Esta pelo menos era a teoria. Restava saber se isso realmente acontecia na prática. Uma expedição tira - teima com 150 cientistas de dezenove organizações de quatro países esteve em setembro último na Antártida para analisar a composição do vórtex polar. A NASA usou na pesquisa dois aviões: um jato DC-8 e um velho ER-2 adaptado dos aviões espiões U-2, como o que a União Soviética abateu em 1960. no mais célebre incidente da guerra fria. Com o que há de mais sofisticado em matéria de equipamentos, os aparelhos desafiaram os ventos do vórtex e, durante seis semanas, espionaram a quantidade de poluentes concentrada em seu interior.
Os resultados confirmaram as expectativas mais pessimistas. A concentração de monóxido de cloro sobre a região é cem vezes maior do que em qualquer outro lugar do globo terrestre. Como diz Volker Kirshhoff, do INPE, um veterano de expedições cientificas à Antártida, "a pesquisa não foi a resposta final, mas uma prova arrasadora de que realmente o CFC está fazendo alguma coisa de errado lá em cima".
A NASA prometeu divulgar este mês novos resultados da expedição - e cientistas europeus bem-informados receiam que a batelada completa de dados contenha conclusões de arrepiar os cabelos. Além disso, a agência americana está programando uma análise do ar na região do pólo norte. onde não parece ocorrer um fenômeno igual ao da Antártida.
Caracterizada a parte que cabe ao CFC nessa agressão à natureza, a lógica mandaria acabar com a produção do gás. Mas nem sempre a lógica dá a última palavra. Há, de um lado, os interesses da indústria. Mas, junto com eles, há o fato não menos real de que a vida das pessoas ficou mais confortável desde o advento dos clorofluorcarbonos. Afinal, ninguém contestará que um inseticida em spray é mais prático do que as velhas bombas de "flit". O caso do ozônio ilustra exemplarmente um dilema dos tempos modernos - como beneficiar-se das conquistas da tecnologia sem pagar o preço de prejuízos às vezes incalculáveis ao ambiente.
Controlar a produção de CFC no mundo, portanto, não é fácil. Os treze maiores fabricantes mundiais - com sede no Japão, Europa e Estados Unidos - assinaram um acordo em janeiro último comprometendo-se a acelerar os testes de identificação da toxicidade do produto e de eventuais substitutos. Mas as empresas não reconhecem como definitivas as evidências contra o CFC.
Para a Du Pont, por exemplo, "não existe nenhuma comprovação cientifica de que a camada de ozônio seja atingida pelo CFC", diz um porta-voz da companhia em São Paulo. Mesmo assim, segundo a fonte, a empresa está desenvolvendo pesquisas em nível mundial para estudar o assunto. De seu lado, a Hoechst do Brasil, que fabrica o CFC sob a marca Frigen, reconhece que há indícios de que o gás esteja afetando o ozônio Um executivo da empresa destaca em todo caso que o consumo 2.no Brasil. 2 ainda é baixo. De fato, enquanto nos países desenvolvidos o consumo é de 1 quilo a 1,3 quilo por habitante por ano, no Brasil esse valor cai para irrisórios 80 gramas.
Em agosto do ano passado, ainda antes portanto da última safra de más noticias vindas da Antártida, a rede de lanchonetes McDonald´s anunciou nos Estados Unidos a intenção de substituir as embalagens de espuma plástica de seus sanduíches por outras que não contivessem clorofluorcarbono. A idéia foi saudada com entusiasmo, mas ainda não se concretizou - as 9 600 lojas da rede em 46 países continuam a usar a embalagem poluidora. Enquanto isso, no Brasil, a Basf, que fabrica o tradicional isopor, usando o inofensivo gás pentano em vez do CFC, desistiu de entrar no mercado de embalagens para sanduíches, aparentemente a fim de não agravar a poluição da atmosfera.
Mas a iniciativa de restringir a produção de clorofluorcarbonos não é discutida só nas empresas. Exatamente há um ano, uma conferência em Genebra, na Suíça, reuniu delegados de 32 países. Eles começaram ali a discutir mecanismos para regular o uso do produto. Foi um primeiro passo - e seus frutos não tardaram. Cinco meses depois, representantes de 24 países, entre os quais Estados Unidos, Japão, Alemanha e França - os maiores produtores -, assinaram em Montreal, no Canadá, o compromisso de reduzir a produção de CFC pela metade até 1999. Mas o documento autoriza nações em desenvolvimento a aumentar o seu uso durante uma década inteira. O resultado final. asseguram os defensores do tratado, será uma redução de 35 por cento no total de CFC na atmosfera até o final do século. Por certo, isso é insuficiente para afugentar de vez o problema.
Sob o ponto de vista técnico, as medidas adotadas em Montreal foram pouco efetivas, critica o engenheiro Kirshhoff, do INPE. "Mas do ponto de vista diplomático serviram como um empurrão inicial. Quem sabe, no futuro, essas medidas não serão ampliadas?"
O Brasil mandou dois diplomatas a Montreal, mas não assinou o protocolo. Em todo caso o Itamaraty vem promovendo consuitas sobre o assunto a diversos órgãos do governo, como o INPE e a Secretaria Especial do Meio Ambiente. Ambos se manifestaram a favor da assinatura do protocolo. Segundo o secretário especial do Meio Ambiente, Roberto Messias Franco, "o uso do CFC nas proporções atuais realmente preocupa, mas posso garantir que a nossa participação ainda é pequena". Ele afirma que os países do Terceiro Mundo são responsáveis por apenas 6 por cento da fabricação internacional - e o Brasil por apenas 1 por cento. Messias Franco disse a SUPERINTERESSANTE que o Brasil assinará o protocolo de Montreal dentro de cinco a seis meses.
Segundo o presidente da Associação Brasileira de Aerossóis, Hugo Chaluleu, "menos de 5 por cento dos sprays produzidos no país usam o CFC. A maior parte dos fabricantes prefere uma mistura de butano e propano como propelente, até porque é muito mais barato". Na opinião de Chaluleu, "o CFC poderia ter sido abolido das latas de spray há muito tempo". Restariam de qualquer forma os aparelhos de refrigeração, onde ainda não foi encontrado um produto adequado para substituir o gás.
Os cientistas mais preocupados com a questão insistem em que ela deve ser resolvida - e imediatamente. "As mudanças ocorridas nos últimos trinta a cinqüenta anos na atmosfera não têm precedentes e a velocidade em que elas acontecem está se acelerando", alerta o cientista americano Gilbert White, da Universidade do Colorado. "É possível que um grande desastre esteja sendo armado. clima da Terra passou por mil mudanças ao longo dos bilhões de anos de sua existência. Mas sempre conseguiu manter o equilibrio - sem o qual o próprio planeta deixaria de abrigar a vida. Ou seja, o clima pode ser comparado a uma máquina que se corrige a si mesma, deixando entrar a quantidade certa de energia solar para harmonizar a temperatura e o desenvolvimento da vida. Mas o homem vem interferindo neste processo. Desde o surgimento do Homo sapiens até os tempos modernos, essa interferência foi desprezível. Nas últimas cinco décadas, porém, a explosão das novas tecnologias tornou a intromissão humana um fato cada vez mais carregado de riscos para a natureza no sentido mais geral. No caso especifico do ozônio. o alcance da ameaça não pode ser subestimado.

ozônio mau
Enquanto na atmosfera o ozônio protege a Terra dos raios ultravioleta do Sol, na superfície é um poluente prejudicial, principalmente para as plantas. O ozônio mau nasce de uma reação da luz solar com o dióxido de nitrogênio das descargas dos automóveis. Nesse jogo entram também os hidrocarbonetos não destruidos no processo de queima do óleo combustível pelas indústrias. Esse ozônio é levado pelos ventos a centenas de milhares de quilômetros de distância.
Medicões realizadas pelo INPE em Natal, no Rio Grande do Norte, revelam que, em certos meses do ano, a concentração do ozônio sobre o Nordeste chega a dobrar. Provavelmente especula o engenheiro Volker Kirshhoff, o fenômeno resulta das queimadas durante a estação seca no Brasil Central.
Quanto maior a quantidade de ozônio na baixa atmosfera, maior também a perda agrícola. Pesquisas realizadas nos Estados Unidos apontam prejuízos enormes dos plantadores de soja, trigo, algodão e amendoim. E que o ozônio inibe a fotossíntese, produzindo lesões nas folhas. Nos animais, provoca irritação e ressecamento das mucosas do aparelho respiratório, além de envelhecimento precoce. Testes já mostraram que, em maiores concentrações, o ozônio destrói proteínas e enzimas.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Ônibus espacial Discovery é lançado rumo à sua última missão

24/02/2011 18h53 - Atualizado em 24/02/2011 19h18
Ônibus espacial Discovery é lançado rumo à sua última missão
Decolagem acontece após série de adiamentos e problemas com a nave.
Programa de ônibus espaciais da Nasa será aposentado até o final de 2011.

Após quatro meses de tentativas frustradas e adiamentos, o ônibus espacial Discovery foi lançado no Centro Espacial Kennedy, nos Estados Unidos, partindo para sua última missão no espaço nesta quinta-feira (24), às 18h50 (horário de Brasília).

O lançamento acontece após uma série de adiamentos por conta de vazamentos, problemas elétricos e rachaduras nos tanques externos. A equipe também sofreu baixas, com a substituição do especialista Tim Kopra, que se machucou após cair da bicicleta, pelo astronauta Steve Bowen.

Após reparos no sistema de combustível do veículo, a Discovery retornou ao complexo de lançamento 39A, no Centro Espacial Kennedy, em fevereiro de 2011. Os tanques externos foram completamente abastecidos durante a manhã desta quinta-feira.

Conheça a história dos 25 anos do ônibus espacial
Confira galeria de imagens das missões no espaço
A missão STS-133 leva seis astronautas e um robo humanoide à Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês). A equipe deve permanecer no espaço durante 11 dias, levando novos instrumentos aos posto orbital. Para instalá-los, duas caminhadas no espaço serão feitas pelos especialistas a bordo Steve Bowen e Alvin Drew.

Será a 35ª viagem de um ônibus espacial à ISS. O programa de ônibus espaciais da Nasa será aposentado até o final de 2011, com o voo final da Endeavour, na missão STS-134, e da Atlantis, que será utilizada novamente após a agência espacial norte-americana ter anunciado o fim do uso desta nave em 2010.


Da esquerda para a direita, os tripulantes da missão STS-133, a última da Discovery: Nicole Scott, Michael Barratt, Alvin Drew, Steve Bowen, Eric Boe e Steve Lindsey, comandante da tripulação (Foto: Nasa)

sábado, 9 de abril de 2011

Universo - Desastres Espaciais

Universo - Desastres Espaciais



Chegou a hora de darmos uma nova olhada em um universo muito antigo. Em seus mistérios, estamos descobrindo os segredos do nosso passado e a chave para o nosso futuro. Essa é uma história de como sabemos o que sabemos sobre o espaço.

Cinquenta anos já se passaram desde que o homem se aventurou pela primeira vez no espaço sideral, mas os céus apenas agora estão nos revelando seus maiores segredos. Veículos espaciais robôs nos permitem observar as rochas vermelhas de Marte.

Sondas da NASA se chocam contra cometas a velocidades supersônicas. Telescópios voltados para o espaço longínquo captam imagens violentas do nascimento de estrelas e de seu colapso nos buracos negros. Tudo isso tem mudado de forma significativa o modo como vemos a nós mesmos.

Na medida em que nosso próprio planeta sente os abalos dos efeitos do aquecimento global, é natural observar os céus e nos maravilhar com o resto do espaço. Há algum outro lugar no espaço que possa comportar a vida? Ou não há realmente nenhum lugar como o nosso lar? Cada episódio examinará como foram feitas as descobertas e as fascinantes estórias dos cientistas e exploradores que ousaram se aventurar no território inexplorado do universo.

Veja um pedaço no YOUTUBE:
http://www.youtube.com/watch?v=lsgEQZ_DdDQ


DOWNLOAD COMPLETO:
http://www.4shared.com/dir/2MDWnild/Documentarios.html

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