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sábado, 9 de novembro de 2019

Encontrados os restos mortais de jovem que sofreu uma das piores mortes da história

Encontrados os restos mortais de jovem que sofreu uma das piores mortes da história


Arqueólogos da Universidade de Milão descobriram os restos mortais de um jovem que sofreu uma das piores mortes da história. 

quinta-feira, 10 de março de 2016

Quem foram os trovadores ? O Spotify da Idade Média


Quem foram os trovadores ? O Spotify da Idade Média


Atualmente, o acesso à música é algo fácil e natural. Por isso, é difícil imaginar um mundo em que as músicas estejam distantes de seus ouvintes e seu encontro seja limitado.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Telescópio espacial Hubble, 25 anos revolucionando a astronomia


Telescópio espacial Hubble, 25 anos revolucionando a astronomia


O primeiro telescópio espacial Hubble, que revolucionou a astronomia e a nossa visão do Universo com imagens espetaculares de galáxias distantes geradas por ele, celebra esta semana seu 25º aniversário no espaço. "O Hubble mudou a forma como a humanidade olha para o universo e vê seu lugar nele", diz a astrônoma Jennifer Wiseman, cientista do telescópio no centro Goddard da Nasa, em Greenbelt, Maryland (nordeste dos Estados Unidos).

terça-feira, 27 de maio de 2014

Na era da Bionáutica - Cirurgia


NA ERA DA BIONÁUTICA - Cirurgia


Olhos, braços e cérebros eletrônicos fazem do médico um bionavegante, que viaja pelo corpo humano em busca de caminhos mais certeiros e menos traumáticos para as cirurgias.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Fiesta de Ritmos - Dança


FIESTA DE RITMOS - Dança



Nem só de salsa e tango vive a música latino-americana. Nesse caldeirão de etnias, línguas, culturas e instrumentos, o processo de fusão é constante e subgêneros surgem sem parar. Conheça alguns dos ritmos que animam festas de rua e salões de dança no continente.



Cuba - Son

Mistura o violão espanhol com batidas de percussão. O son teve seu auge na era pré-Fidel Castro e é base de vários outros ritmos como a rumba, o mambo, o cha-cha-cha e a salsa.



Porto Rico - Bomba

Acredita-se que tenha origem puramente africana. O ritmo é dado por congas e a dança representa um duelo entre percussionista e dançarino, em que o objetivo é ser o mais rápido.



Rep. Dominicana - Merengue

Surge em meados do século 19. A base desse ritmo acelerado vem dos tambores e da güira. A dança, fácil de aprender, faz muito sucesso entre turistas.



Salsa

Fusão da música cubana, porto-riquenha, dominicana, jazz e R&B, "salsa" é, sobretudo, um nome comercial para este tipo de música.



México - Mariachi

Surgiu no estado de Jalisco, por volta de 1850 e varia de região para região. É popular em casamentos e serenatas. Violinos, trompetes, violão espanhol, viola e baixo formam a banda.



América Central - Punta

É uma releitura moderna de um ritmo africano chamado bunda. Chocalhos, tambores e até cascos de tartaruga ganham o reforço de instrumentos modernos. As letras falam de política, sociedade e economia.



Martinica - Zouk

Combina ritmos das Pequenas Antilhas, pop dos EUA e França, percussão africana e sons nativos. O zouk ("festa" em creole) lembra a lambada e sua dança chega a ser até mais sensual.



Países Andinos - Huayño

Romance, tristeza e alegria são cantados neste ritmo andino-peruano, de elementos pré-hispânicos (incas). Flautas, cordas e tambores animam os bailes.



Colômbia - Cumbia

Origens indígenas, espanhola e africana. As variações são mais populares que o estilo tradicional. Instrumentos de sopro, corda, percussão e acordeão são os mais usados. Os temas das canções vão de amor a pobreza.



Brasil - Samba

Do batuque improvisado na caixa de fósforos à "bateria pesada" de uma escola de samba na avenida. Cordas e percussão de ascendência africana fazem o som do ritmo-símbolo do Brasil.



Argentina - Tango

Nasce vulgar, em 1880, faz sucesso em Paris e só então é aceito em Buenos Aires. O som sofisticado mistura flauta, piano, violino e violão. Drama e sensuailidade marcam as coreografias.



Paraguai - Guarânia

Criada em 1925 por José Asunción Flores, pode ser cantada em espanhol, guarani ou jopará (mescla das línguas nacionais). As letras falam de nostalgia a heroísmo. Destaque para instrumentos sinfônicos e harpa.



Uruguai - Candombe
Chegou com os escravos de origem banto (Angola e Congo). Canta os lamentos e a nostalgia de uma gente que foi arrancada da terra natal. O som vem dos tambores, tocados pelas ruas da cidade.


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terça-feira, 26 de julho de 2011

Festival Verde-Amarelo ROCK BRASILEIRO

FESTIVAL VERDE-AMARELO





Segunda-feira - Anos 50

As raízes do rock brasileiro no primeiro dia do festival



Show de abertura

18h

Nora Ney grava "Rock Around the Clock", de Bill Halley & His Comets



Primeiro rock em português

19h

Cauby Peixoto compõe "Rock and Roll em Copacabana"



20h

Celly e Tony Campello cantam seus maiores sucessos: "Banho de Lua", "Boogie do Bebê" e "Estúpido Cupido"



Terça-feira - Anos 60

Para quem gosta de romance e barulho



18h

O grupo The Sputniks mostra os primórdios da Jovem Guarda



19h

Roberto e Erasmo Carlos cantam versões de sucessos internacionais



Os hits da década "É Proibido Fumar" "O Calhambeque"

20h

Roberto e Erasmo voltam ao palco. Desta vez, com sucessos próprios



Intervalo

No telão Record, imagens do programa Jovem Guarda com Wanderléa, Ronnie Von e Jerry Adriani



22h

Os Mutantes mostram o que pode sair da mistura entre psicodelia californiana e ritmos regionais



23h

Gilberto Gil, Caetano Veloso e o maestro Rogério Duprat pegam nas guitarras para mostrar o verdadeiro espírito da Tropicália



Quarta-feira - Anos 70

Hoje, alguns dos melhores grupos do festival



1 milhão de discos vendidos

18h

Ney Matogrosso lidera o grupo Secos & Molhados



19h

Made in Brazil e Tutti Frutti: guitarras pesadas e letras em português



20h

Rock progressivo com os grupos Módulo 1000, O Terço, Bixo da Seda e Barca do Sol



21h

Os Novos Baianos apresentam o disco Acabou Chorare, que funde samba com rock



22h

Invasão nordestina: Alceu Valença e Geraldo Azevedo, Zé Ramalho, Robertinho do Recife e Belchior



23h

O grupo mineiro 14 Bis e os sucessos do seu primeiro disco



00h

O show mais disputado da noite: Raul Seixas canta os sucessos "Metamorfose Ambulante" e "Maluco Beleza"



Quinta-feira - Anos 80

Palcos diferentes, com programação simultânea



Palco Rio de Janeiro - O rock de bermudas

16h

Gang 90 & As Absurdettes cantam "Perdidos na Selva", canção que, apesar da torcida, não ganhou o Festival MPB-81, da Globo



17h

Sem medo de ser pop: Kid Abelha & Os Abóboras Selvagens dividem o palco com Blitz



18h

Barão Vermelho emplaca grandes sucessos do vocalista Cazuza



19h

Os Paralamas do Sucesso fazem rock com guitarra, reggae e samba



20h

Leo Jaime fecha com "Solange" e "Só"



Palco São Paulo - O contra-ataque

17h

O punk de Cólera, Os Inocentes, AI-5, Ratos de Porão e Verminose



18h

Momento cabeça com Ira!, Voluntários da Pátria e Mercenárias



19h

Kid Vinil trai o punk cantando os hits "Tique Nervoso" e "Sou Boy"



20h

Ultraje a Rigor e Titãs. A gente somos inútil, mas gostamos de rock’n’roll



21h

Pode gritar à vontade! RPM faz sucesso com seu tecnopop



Palco Brasília - A capital também faz rock n’ roll

19h

Legião Urbana e os eternos hits: "Eduardo e Mônica", "Tempo Perdido", "Quase sem Querer" e "Índios"



21h

Capital Inicial emplaca "Música Urbana". Na sequência, Plebe Rude faz show relâmpago com canções como "Até Quando Esperar"



Palco Fora do Eixo - O que rola no resto do país

19h

Letras profundas na música dos gaúchos do Engenheiros do Hawaii. Palavrões à vontade com os baianos do Camisa de Vênus



Sexta-feira - Anos 90

Os ritmos se misturam na busca pelo rock brasileiro



Programação suspensa...

16h

Telão MTV mostra os primeiros clipes brasileiros



17h

Sepultura, a banda que faz mais sucesso lá fora do que aqui



18h

Oficina rock independente: Faça como as bandas Killing Chainsaw, Pin Ups, Greforréia e Xilarmônica: aprenda a gravar seu disco em casa



19h

Skank põe guitarra em ritmos jamaicanos. Raimundos mistura punk e forró



20h

Pato Fu toca seu pop esquisito em hits como "Made in Japan"



21h

Planet Hemp agrada o país com hip hop e discursos sobre drogas



22h

Guitarra pesadas, dub e reggae na música de O Rappa



23h

Charlie Brown Jr. e seu mix de rock e rap



O melhor da noite

00h

Um show como há tempos não se via: Chico Science & Nação Zumbi revelam o Mangue Beat



Sábado - Anos 00

Diversidade, imitações e um bocado de revivals



18h

As bandas que tocaram na quinta voltam em versões acústicas produzidas pela MTV



19h

Los Hermanos, a banda do momento, com disco mais próximo da MPB



20h

Paixões juvenis e protestos contra tudo nas letras do CPM 22 e Pitty



21h

Marcelo D2, o vocalista do Planet Hemp, segue com força total em carreira solo



22h
Para encerrar, Wado, Autoramas, Kassim, De Leve, MQN, Cansei de Ser Sexy e outras bandas mostram que há vida no rock independente

sábado, 27 de novembro de 2010

Para que serve a música ? - Musicoterapia

PARA QUE SERVE A MÚSICA? MUSICOTERAPIA



Antes de ler este relato, tente lembrar quantas vezes na última semana você ouviu música. Não só as baladas do rádio, mas também as pílulas de sonolência na sala de espera do dentista. Ou o canto de alguém a seu lado no ônibus. É muito provável que você não tenha passado um único de seus últimos dias sem escutar alguns acordes. Às vezes nem nos damos conta, mas a música nos cerca por todos os lados. Há música para dançar, namorar, estudar. Música para enfrentar o trânsito, trabalhar, fazer ginástica e para relaxar no final do dia. Música para rezar, curar e memorizar. Para comunicar as emoções que não conseguimos transmitir só por meio de palavras. E música simplesmente para ouvir e curtir. Dos aborígines australianos aos esquimós no Alasca, todas as sociedades do mundo a têm em sua cultura - até porque, você pode não saber, mas a música está conosco desde quando ainda nem éramos seres humanos propriamente ditos.

Com base no achado de flautas de ossos feitas há 53 mil anos pelos neandertais, pesquisadores estimam que a atividade musical deve ter pelo menos 200 mil anos - contra 100 mil anos de vida do Homo sapiens. É bacana imaginar que talvez esses hominídeos já buscassem formas de diversão. Mas, pensando bem, que sentido pode fazer a música em um período no qual nossos ancestrais estavam muito mais preocupados em não ser devorados por um leão do que com o próprio prazer? E mesmo na sociedade contemporânea, se nos cercamos de música com tanto afinco, é de supor que, assim como a fala, ela sirva para alguma coisa, tenha alguma função específica para a humanidade. Mas qual?

A pergunta atormenta filósofos e cientistas há séculos e, infelizmente, ainda não tem resposta conclusiva. Já se imaginou, por exemplo, que a música é responsável por reger a harmonia entre os homens e os astros que mantém a ordem do Universo - uma idéia formulada por Pitágoras no século 5 a.C. Hoje, boa parte da pesquisa científica por explicações tem uma perspectiva evolutiva e biológica. Muitos ainda a vêem apenas como produto cultural voltado ao prazer, sem nenhuma importância para o desenvolvimento humano. "Uma primorosa iguaria que estimula as nossas outras faculdades mentais", defende o psicólogo Steven Pinker em seu livro Como a Mente Funciona. Apesar de meramente especulativas, teorias evolutivas são as que parecem estar mais próximas de nos responder as perguntas acima. Então, vamos a elas.

INICIAÇÃO MUSICAL
A primeira hipótese sobre a função da música foi levantada por Charles Darwin. O biólogo que popularizou o conceito de evolução das espécies dizia que a música é determinante para a escolha de parceiros sexuais, uma vez que as fêmeas seriam atraídas pelos melhores cantores. "O homem que canta bem, é afinado, expõe melhor seus sentimentos. Parece mais sensível, mais inteligente. E isso agrada as mulheres", afirma o jornalista e músico brasileiro Paulo Estêvão Andrade, que está escrevendo um livro sobre pesquisas que relacionam música e cérebro. Isso soa bastante familiar: qual mulher nunca teve uma quedinha pelos músicos - dos modernosos DJs aos eternos tocadores de violão em rodas de amigos? "A música sempre está ligada ao comportamento sexual, desde os rituais de acasalamento, até as conquistas dos jovens de hoje em danceterias ou shows", afirma o neurocientista americano Mark Tramo, que coordena o Instituto para Ciências da Música e do Cérebro, da Universidade Harvard.

Muitos cientistas não se convencem de que essa teoria explica, sozinha, toda a importância da música para diferentes sociedades do planeta. Uma das hipóteses mais aceitas hoje é a de que a música teve função primordial na formação e sobrevivência dos grupos e na amenização de conflitos. Se ela existe e persiste, é porque provoca respostas que agem como um forte fator de coesão social. "Precisávamos caçar e nos defender juntos e para isso tivemos de nos organizar. A música abriu o caminho para nos comunicarmos e dividir nossas emoções", explica Mark.

Mas como era essa música feita por nossos antepassados? Provavelmente ela surgiu como uma manifestação das emoções. Uma sofisticação, por exemplo, do choro e da risada. Principalmente, como uma forma de chamar a atenção do grupo e motivá-lo para a realização de uma atividade que precisava ser feita em conjunto. É possível imaginar que um indivíduo batesse palmas, ou pedras ou gravetos, mas o mais plausível é que o primeiro instrumento musical tenha sido mesmo a voz humana. O cientista cognitivo William Benzon, autor do livro Beethoven’s Anvil ("A Bigorna de Beethoven", sem tradução para o português) especula que tudo começou muito tempo antes, com a imitação dos sons de outros animais.

Benzon sugere que o Homo erectus, ao se espalhar pelo planeta a partir do leste da África, há 2 milhões de anos, teve de procurar novas formas de se proteger enquanto atravessava as estepes, já que não contava mais com o abrigo das árvores das florestas. Entre muitas outras artimanhas, esses hominídeos teriam começado a emitir chamados ameaçadores. "Se rosnar e rugir como um leão, você não só vai dispersar as presas naturais dele como também outras espécies que estejam por perto", afirma. Essa imitação teria proporcionado o início do controle do aparelho vocal, primeiro passo para a origem da música e da linguagem. A reprodução dos sons dos animais e da natureza, como o vento ou os trovões, deve ter evoluído até que as necessidades passaram a ser outras, e a imitação deu espaço para a criação. Daí a perceber como o som do "uh-uh-uh" servia para instigar a guerra, por exemplo, não deve ter demorado. Tudo isso sem que fosse necessário dizer uma palavra.

Chegamos então a um ponto delicado: a música surgiu antes ou depois da linguagem falada? Essa é outra pergunta que divide cientistas. As duas aptidões são universais, mas a linguagem obviamente parece muito mais útil que a música, o que leva a crer que ela tenha se desenvolvido primeiro, "com a música ramificando-se da linguagem apenas após ter sido feita boa parte do trabalho evolucionário pesado", como escreveu o pianista Robert Jourdain em seu livro Música, Cérebro e Êxtase.

Acreditar que primeiro desenvolvemos a fala e depois apuramos a técnica musical pode parecer um caminho lógico. Mas a verdade é que não é exatamente assim que funciona nosso ciclo de aprendizado. Antes de os bebês saberem falar, eles já balbuciam de uma forma muito musical. "É comum vê-los inventando musiquinhas mesmo desconhecendo a reprodução dos sons convencionais", diz a psicóloga Sandra Trehub, da Universidade de Toronto, que pesquisou a percepção musical em crianças. Isso pode ser um indicativo de como nossos ancestrais se manifestavam antes de desenvolver a linguagem. "Talvez as cordas vocais e bocas deles ainda não estivessem prontas para falar, mas eles tinham ritmo e podiam grunhir e fazer sons. Isso poderia ser tomado como música, ou ao menos como sua raiz", afirma Mark Tramo.

CANTAR PARA QUÊ?
Mas se o uso da música como ferramenta de comunicação foi ultrapassado pela linguagem, por que ela continuou existindo? Para essa pergunta nem precisamos da ajuda dos cientistas. Todo mundo que já se apaixonou e dedicou uma música ao ser amado pode responder sem medo. É porque ela assumiu um papel que a fala sozinha não deu conta: transmitir emoções. E essa característica nós podemos notar independentemente das preferências pessoais de cada um. Para provar isso o psicólogo John Sloboda, da Universidade de Keele, na Inglaterra, uma das maiores autoridades em emoção musical do mundo, fez um teste interessante. Ele colocou 83 voltuntários para ouvir uma série de peças musicais e depois pediu que eles descrevessem qual sensação tiveram. Cerca de 90% reportaram "frio na espinha" e "nó na garganta". Alguns chegaram a chorar. Ao checar quais trechos haviam provocado essas reações, Sloboda constatou que eram basicamente os mesmos.

Alguns acordes parecerem tristes e outros felizes pode ter também uma explicação evolutiva. Essa interpretação é relacionada com a forma como o nosso cérebro processa sons amistosos e ameaçadores desde a época em que éramos presas fáceis. "Pense num cão. Quando ele quer demostrar carinho faz um som mais agudo, mais tonal. Quando está agressivo é mais grave e ruidoso", diz Paulo Estêvão Andrade. Assim, dependendo da combinação de tons, a música é capaz de provocar uma sensação que vai do prazeroso ao desagradável. Quanto mais dissonantes forem os intervalos das notas musicais, maior será a sensação de tensão ou medo. Isso é fácil de ser identificado se ouvirmos as trilhas sonoras de filmes de terror ou suspense, como a clássica de Psicose, de Alfred Hitchcock.

Essa função musical de comunicar sentimentos faz sentido não só hoje, mas em sua própria origem. Se os animais também modificam a expressão vocal para demonstrar um sinal de pacto, como o ganido de submissão de um cachorro, "parece inevitável que as expressões formais de emoção sejam aos poucos fundidas em algo semelhante à melodia", escreve Jourdain. "É exercitando ou aplacando emoções que estabelecemos relação com outros seres humanos." E a música corporifica isso.

Para quem começou a reportagem falando que não havia utilidade aparente para a música, até que já alcançamos uma boa marca. Mas alguns pesquisadores ainda vão além. Para Ian Cross, diretor do Centro para Música e Ciência da Universidade de Cambridge, a música também é capaz de ativar capacidades como a memória e talvez até mesmo a inteligência. O efeito sobre a memória é facilmente detectado no dia-a-dia. Pegue, por exemplo, a época de eleições. Quem acompanhou a campanha para a Presidência em 1989 deve se lembrar até hoje de muitas das musiquinhas dos candidatos, como os clássicos "Lula-lá" e "Ey, ey, Eymael". Para fixar alguma informação, nada melhor do que musicá-la - veja as técnicas de alunos de cursinho para decorar fórmulas. Essa faceta da música parece ter sido útil para a transmissão da cultura na pré-história, quando ainda não dominávamos a escrita.

Já o impacto sobre a inteligência é mais difícil de constatar. A tentativa mais famosa ficou conhecida como "efeito Mozart". Quando foi proposta, em 1993, levou a um surto de compras de discos do compositor, mas até hoje é polêmica. Na ocasião o neurocientista Fran Rauscher, da Universidade de Wisconsin, e o neurologista Gordon Shaw, da Universidade da Califórnia, mostraram que crianças apresentavam desempenho matemático melhor após ouvir sonatas do compositor austríaco. O efeito da simples audição, no entanto, nunca foi comprovado. O que parece fazer mais sentido é quanto a possíveis benefícios relacionados ao aprendizado de música, que induz ao prolongamento dos neurônios e aumento das conexões entre eles. Os cérebros dos músicos, inclusive, acabam apresentando uma massa maior de neurônios, o que sugere maior inteligência.

CURA PELO SOM
De todas as funções abordadas até agora, nenhuma é tão misteriosa quanto o possível uso medicinal da música, principalmente para pacientes com mal de Parkinson ou Alzheimer e vítimas de derrame que só melhoram escutando música. Histórias complexas são relatadas pelo neurologista Oliver Sacks em livros como Tempo de Despertar, que foi adaptado para o cinema. É exemplar o caso da paciente Frances D., que sofria de Parkinson e durante as crises ficava paralisada, rangendo os dentes e sofrendo muito.

Sacks descobriu que a única coisa que acalmava os sintomas era a música. Quando Frances ouvia o som, desapareciam completamente todos os fenômenos "obstrutivo-explosivos" e ela ficava feliz. "A senhora D., repentinamente livre de seus automatismos, ‘regia’ sorridente a música ou se levantava e dançava ao seu som", escreveu Sacks. O médico percebeu o mesmo efeito em vários outros pacientes. Em alguns casos, só de pensar em música eles ficavam melhores.
Mas, infelizmente, o remédio é temporário, proporcionando uma espécie de equilíbrio momentâneo para o cérebro doente. "A música vence os sintomas ao transportar o cérebro para um nível de integração acima do normal. Ela estabelece fluxo no cérebro, enquanto, ao mesmo tempo, estimula e coordena as atividades cerebrais, colocando suas antecipações na marcha correta", diz Robert Jourdain. Para o pianista - que busca responder em seu livro por que gostamos tanto de música -, a mágica que ocorre com os pacientes é a mesma que ocorre com todos nós. "A música nos tira de hábitos mentais congelados e faz a mente se movimentar como habitualmente não é capaz. Quando somos envolvidos por música bem escrita, temos entendimentos que superam os da nossa existência. E quando o som pára, voltamos para nossas cadeiras de rodas mentais."